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Porto Coronel mira para areias, minerais e equipamentos de Vaca Muerta para ampliar cargas entre Chile e Argentina

O Porto Coronel, no Chile, está avaliando novas oportunidades de negócios relacionadas ao desenvolvimento de Vaca Muerta, importante polo de produção de petróleo e gás localizado na província de Neuquén, na Argentina. Entre as possibilidades estão a movimentação de areias, minerais, equipamentos industriais e outros insumos necessários à expansão da atividade energética argentina.

A iniciativa busca ampliar o fluxo de mercadorias pelo terminal chileno, aproveitando sua infraestrutura logística para receber cargas provenientes da Ásia e encaminhá-las por via terrestre até Neuquén. Segundo a empresa, já foram recebidas consultas relacionadas a esse tipo de operação.

Terminal chileno busca ampliar importações para Vaca Muerta

Atualmente, a relação comercial entre o Porto Coronel e Neuquén está concentrada principalmente no embarque de produtos argentinos destinados a outros mercados. A estratégia agora é aumentar a participação do terminal no abastecimento da indústria de petróleo e gás.

De acordo com Javier Lobo Salazar, gerente comercial do porto, a expansão de Vaca Muerta gera uma demanda crescente por materiais utilizados na perfuração, além de tubulações, equipamentos e cargas especiais para projetos industriais.

O executivo destacou que o terminal dispõe de estrutura para movimentar contêineres, carga geral, granéis e cargas de projeto, além de mais de 100 mil metros quadrados de armazéns. A instalação também oferece serviços de consolidação e desconsolidação de mercadorias.

A proposta é aproveitar essa capacidade para receber produtos asiáticos pelo Oceano Pacífico e transportá-los por terra até a região produtora argentina.

Vaca Muerta pode impulsionar a integração logística entre Chile e Argentina

O avanço da produção de gás natural na Argentina também abre espaço para discussões sobre alternativas de acesso aos mercados internacionais. Nesse cenário, o Porto Coronel considera que a infraestrutura portuária e energética da região chilena de Biobío pode assumir um papel estratégico no futuro.

Entre os ativos existentes está a rede do Gasoduto do Pacífico, que integra a infraestrutura energética entre os dois países.

A empresa ressalta, porém, que eventuais projetos relacionados à ampliação das rotas de exportação de gás dependeriam de investimentos adicionais, estudos técnicos, acordos comerciais e autorizações específicas.

Por enquanto, a possibilidade é tratada como uma alternativa de longo prazo para aprofundar a integração energética e logística entre Chile e Argentina.

Porto Coronel amplia presença em Neuquén

Com Vaca Muerta consolidada como um dos principais motores do setor energético argentino, o Porto Coronel vem intensificando sua atuação em Neuquén para conquistar espaço na cadeia de abastecimento industrial.

Nesse contexto, uma delegação do terminal participou da AOG Patagonia 2026, evento voltado à indústria de petróleo e gás, com o objetivo de ampliar as oportunidades comerciais e promover a região chilena de Biobío como uma conexão logística com os mercados do Pacífico.

A empresa já mantém operações com a província argentina. Na última temporada, o porto movimentou mais de 3 mil contêineres de produtos agroindustriais provenientes de Neuquén, principalmente maçãs, peras e sucos concentrados.

Essas mercadorias tiveram como destino mercados da América Latina, dos Estados Unidos e da Europa. Mais recentemente, o terminal também começou a receber cargas de projeto associadas à expansão da atividade produtiva na região argentina.

Rota pelo Pacífico pode reduzir prazos e custos logísticos

O gerente-geral do Porto Coronel, Patricio Román Lois, afirmou que a empresa pretende expandir uma relação comercial já estabelecida com Neuquén, incorporando novas categorias de mercadorias.

Segundo o executivo, a utilização de portos do Pacífico para a entrada de equipamentos e insumos provenientes da Ásia pode oferecer prazos de transporte menores e custos competitivos em comparação com alternativas que utilizam rotas do Atlântico, dependendo da carga e do destino.

A proposta é fortalecer o papel do terminal chileno no transporte de materiais destinados à indústria energética argentina, ampliando as opções logísticas para empresas que operam em Vaca Muerta.

Passagens de fronteira são fundamentais para ampliar o comércio

O cônsul-geral do Chile em Neuquén, Alejandro Gibbons Munizaga, também destacou o potencial de uma conexão mais próxima entre a província argentina e o Oceano Pacífico.

Segundo o diplomata, a distância em relação aos portos atlânticos e a necessidade de importar máquinas produzidas em países da região do Pacífico tornam relevante o desenvolvimento de novas alternativas logísticas.

A participação do Porto Coronel na AOG Patagonia, segundo ele, contribui para aproximar os dois mercados e criar oportunidades econômicas para Chile e Argentina.

Gibbons Munizaga acrescentou que o fortalecimento das passagens fronteiriças será decisivo para transformar esse potencial em operações comerciais concretas. Entre as conexões mencionadas estão o passo de Pino Hachado, que já está em funcionamento, e a perspectiva de utilização do passo de Pichachén para facilitar a ligação entre o norte de Neuquén e a região chilena de Biobío.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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