Comércio

Porsche quer vender menos carros e aumentar lucros com modelos de luxo mais caros

A Porsche prepara uma mudança de estratégia para recuperar sua rentabilidade: reduzir a dependência do volume de vendas, elevar os preços dos modelos mais sofisticados e investir em veículos ainda mais exclusivos. O plano, apresentado a investidores, prevê um aumento médio de 20% nos preços dos esportivos de maior valor e o desenvolvimento de um novo supercarro posicionado acima do tradicional 911.

A proposta busca ampliar a receita obtida por veículo comercializado, com foco em carros esportivos de luxo, desempenho elevado e maior possibilidade de personalização. Os reajustes não serão aplicados imediatamente a toda a linha, mas fazem parte de um planejamento de médio prazo voltado ao segmento premium.

Segundo informações da Bloomberg, a Porsche pretende elevar o preço médio de seus veículos mais sofisticados para mais de 330 mil euros, cerca de R$ 1,8 milhão, até o fim da década. Atualmente, esse valor gira em torno de 270 mil euros, aproximadamente R$ 1,5 milhão.

A mudança ocorre em meio a desafios financeiros, queda nas vendas na China, custos de reestruturação e dificuldades relacionadas à estratégia de eletrificação da fabricante alemã.

Porsche planeja lançar supercarro acima do 911

Uma das principais apostas da companhia é criar uma nova categoria de veículos posicionada acima do Porsche 911, modelo que se tornou um dos símbolos da marca.

O projeto prevê um superesportivo com motor central, configuração que posiciona o propulsor entre os eixos e favorece a distribuição de peso, a estabilidade e o comportamento dinâmico do veículo.

A iniciativa representa uma tentativa de ampliar a presença da Porsche no segmento de supercarros de alto desempenho. Um dos últimos modelos da marca nessa categoria foi o 918 Spyder, apresentado em 2013 e produzido em série limitada.

Com a novidade, a fabricante também pretende disputar espaço com empresas como a Ferrari, reconhecida por seus esportivos de luxo e pelas opções de personalização oferecidas aos clientes.

Até o momento, a Porsche não revelou detalhes sobre a motorização, a potência, o preço ou a data de lançamento do novo modelo.

Marca quer elevar margem de lucro para até 15%

A estratégia de cobrar mais por veículos exclusivos está diretamente relacionada à recuperação financeira da empresa. Em vez de priorizar o crescimento das entregas, a Porsche pretende aumentar o valor agregado de seus produtos e melhorar a rentabilidade de cada unidade vendida.

O presidente-executivo da companhia, Michael Leiters, afirmou que a prioridade neste momento é reduzir custos e fortalecer as finanças antes de ampliar a oferta de modelos mais sofisticados.

A meta é alcançar uma margem operacional entre 10% e 15% no médio prazo, com a intenção de chegar ao limite superior dessa faixa no longo prazo.

A margem operacional indica quanto da receita permanece após o desconto dos custos e das despesas operacionais, sendo um dos indicadores utilizados para avaliar a rentabilidade de uma empresa.

Em 2025, o indicador da Porsche caiu para apenas 1,1%, pressionado por despesas de reestruturação, tarifas comerciais e enfraquecimento da demanda. No primeiro semestre de 2026, houve recuperação, com a margem chegando a 7,8%.

A expectativa é que os reajustes de preços, aliados à venda de modelos mais exclusivos, contribuam para melhorar os resultados sem exigir um aumento proporcional no volume comercializado.

Porsche enfrenta queda nas vendas e prepara cortes de despesas

A revisão da estratégia ocorre em um cenário de dificuldades no mercado automotivo internacional. Na China, um dos principais destinos dos veículos de luxo, a fabricante enfrenta redução nas vendas. A companhia também sente os efeitos das tarifas comerciais dos Estados Unidos e dos investimentos associados à eletrificação.

Para conter os gastos, a Porsche planeja reduzir em aproximadamente 20% as despesas com desenvolvimento de produtos.

A reestruturação inclui ainda uma redução superior a 20% no quadro de funcionários e um corte de cerca de 40% nos cargos de gestão.

Outra meta é diminuir o volume anual necessário para atingir o ponto de equilíbrio financeiro para aproximadamente 200 mil veículos. Esse patamar corresponde ao número de unidades que precisam ser vendidas para que a receita cubra os custos da operação.

Como comparação, a Porsche entregou pouco menos de 280 mil veículos em 2025. Em 2023, a produção da fabricante chegou a aproximadamente 330 mil unidades.

A empresa também pretende concentrar seus recursos nas atividades consideradas estratégicas, encerrando operações ou vendendo participações em negócios que não fazem parte de suas prioridades. Entre os ativos envolvidos está um grupo que controla a fabricante de supercarros Bugatti.

Personalização e desempenho serão fontes de receita

Além dos preços mais elevados, a Porsche pretende ampliar as receitas provenientes de acessórios, componentes esportivos e personalização automotiva.

Uma das medidas anunciadas foi o aumento da participação da fabricante na Manthey, empresa especializada em automobilismo e no desenvolvimento de equipamentos de alto desempenho. A fatia da Porsche deverá passar de 51% para 67%.

Com sede próxima ao circuito de Nürburgring, na Alemanha, a Manthey desenvolve soluções para veículos de rua e de competição, incluindo sistemas de suspensão, freios, rodas leves e componentes aerodinâmicos.

A ampliação do controle sobre a empresa permitirá aprofundar a integração entre as duas marcas e ampliar a oferta de produtos voltados aos consumidores que buscam maior desempenho e exclusividade.

A estratégia acompanha o movimento de fabricantes de luxo que procuram aumentar a receita por cliente por meio de configurações personalizadas e equipamentos especiais, em vez de depender apenas das vendas de veículos completos.

Estratégia da Porsche busca recuperar competitividade

O plano combina três frentes principais: aumento do preço médio dos carros, redução de custos e expansão do portfólio de produtos de alto valor agregado.

A execução dessas medidas será determinante para que a Porsche alcance as metas de rentabilidade anunciadas e recupere o desempenho financeiro após um período de pressão sobre os resultados.

Ao mesmo tempo, a decisão de priorizar modelos mais exclusivos pode tornar os esportivos da marca ainda menos acessíveis ao público geral, reforçando seu posicionamento no mercado de luxo.

Para os consumidores interessados nos veículos mais sofisticados da fabricante alemã, a perspectiva é de preços mais elevados nos próximos anos, especialmente nas versões com maior nível de personalização e desempenho.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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Comércio

Correios renovam parceria com AliExpress para ampliar entregas no Brasil

Os Correios renovaram a parceria com o AliExpress para fortalecer as operações de entrega de compras internacionais no Brasil. A iniciativa busca melhorar a eficiência logística, acelerar o transporte de encomendas e ampliar a capacidade de atendimento da estatal durante períodos de grande movimentação no comércio eletrônico.

O acordo foi firmado em um momento de dificuldades financeiras da empresa pública e de discussões sobre uma possível privatização dos Correios, defendida por Flávio Bolsonaro. A ampliação das parcerias comerciais integra os esforços da companhia para diversificar receitas e aumentar sua competitividade no setor de logística.

Parceria busca agilizar entregas de compras internacionais

A renovação do acordo prevê a assinatura de um memorando de entendimentos com medidas voltadas ao aprimoramento da distribuição de mercadorias compradas por consumidores brasileiros na plataforma chinesa.

Entre os principais objetivos estão a redução dos prazos de entrega, o aumento da capacidade de processamento de pacotes e a melhoria dos sistemas de rastreamento. As medidas pretendem tornar o serviço mais eficiente e preparar a operação para atender ao crescimento da demanda.

Correios se preparam para Black Friday e Dia dos Solteiros

A parceria ganha importância diante da proximidade de duas datas relevantes para o comércio eletrônico internacional: o Dia dos Solteiros, comemorado em 11 de novembro, e a Black Friday, realizada tradicionalmente no fim do mês.

O primeiro evento é um dos principais períodos promocionais do varejo chinês, enquanto a Black Friday movimenta o comércio brasileiro e amplia o volume de pedidos e entregas.

Com a expectativa de aumento na circulação de encomendas, os Correios buscam reforçar sua estrutura logística para lidar com a demanda sazonal e manter a eficiência dos serviços.

Estatal aposta em parcerias para fortalecer a operação

A aproximação com grandes plataformas internacionais faz parte da estratégia de reestruturação dos Correios. A empresa enfrenta desafios para equilibrar suas finanças e procura novas oportunidades de receita em um mercado marcado pela concorrência de operadores logísticos privados.

Nesse contexto, as entregas de produtos adquiridos no exterior representam uma frente de atuação considerada importante para ampliar a presença da estatal no segmento de encomendas.

O presidente dos Correios, Emmanuel Rondon, afirmou que a renovação do acordo com o AliExpress reforça a capacidade da empresa de acompanhar a expansão do setor.

“Estamos preparados para o aumento do volume de encomendas previsto para o fim do ano, com uma logística robusta e integrada, que conecta o Brasil ao e-commerce global e garante mais agilidade aos consumidores”, declarou.

Acordo foi formalizado na China

A formalização do entendimento ocorreu em setembro, na sede do Alibaba Group, empresa controladora do AliExpress, localizada em Hangzhou, na China.

A iniciativa fortalece a cooperação entre as companhias em um período estratégico para o comércio eletrônico e para a operação de entregas internacionais no mercado brasileiro.

Possível privatização amplia incertezas sobre o futuro dos Correios

Além dos desafios financeiros, os Correios enfrentam incertezas relacionadas ao futuro da empresa pública. A estatal está entre as companhias que poderão ser incluídas em uma eventual agenda de privatizações, caso a proposta avance no próximo governo.

Diante desse cenário, a ampliação de acordos comerciais surge como uma das alternativas para fortalecer a operação, diversificar as fontes de receita e preservar a participação da empresa em um mercado cada vez mais competitivo.

A renovação da parceria com o AliExpress, portanto, combina objetivos operacionais e comerciais em um momento de pressão sobre as contas da estatal e de debates sobre o modelo de gestão dos Correios.

FONTE: Brazil Economy
TEXTO: Redação
IMAGEM: Joédson Alves/Agência Brasil

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Comércio

Vendas de veículos no Brasil batem recorde em setembro; elétrico entra no top 3

O mercado automotivo brasileiro registrou um recorde de vendas de veículos em setembro. Dados divulgados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) apontam 509.686 emplacamentos no mês.

O resultado representa crescimento de 1,15% em relação a agosto e avanço de 8,32% na comparação com setembro de 2025.

No acumulado de 2026, o país já soma 4,23 milhões de veículos novos emplacados. O volume é quase 15% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.

A Fenabrave decidiu manter, por enquanto, sua previsão de crescimento para o mercado automotivo em 2026. A entidade, porém, sinalizou que as estimativas poderão ser atualizadas em novembro.

Venda de carros cresce mais de 16% em um ano

O segmento de automóveis e comerciais leves foi um dos principais responsáveis pelo desempenho positivo. Em setembro, foram comercializadas 268.721 unidades.

Na comparação com agosto, houve alta de 2,13%. Já diante de setembro do ano passado, o crescimento chegou a 16,16%.

O resultado reforça o ritmo de expansão do mercado de carros novos no Brasil ao longo de 2026.

Carro elétrico entra pela primeira vez no top 3

A principal novidade do ranking de setembro veio do segmento de carros elétricos.

A Fiat Strada permaneceu na primeira colocação entre os veículos mais vendidos do país, seguida pelo Volkswagen Polo. Logo atrás apareceu o BYD Dolphin Mini, modelo totalmente elétrico que alcançou 9.385 emplacamentos.

Com o resultado, o modelo da BYD conquistou a terceira posição geral e estabeleceu um marco para o mercado brasileiro: foi a primeira vez que um carro 100% elétrico entrou no top 3 de vendas do país.

O desempenho mantém a tendência de crescimento dos modelos eletrificados, que vêm conquistando espaço entre os veículos mais procurados pelos consumidores brasileiros.

Marcas chinesas avançam entre os SUVs

A presença das fabricantes chinesas também ganhou destaque no mercado de SUVs médios.

O GWM Haval H6 terminou setembro na liderança da categoria. Na sequência, o Caoa Chery Tiggo 7 também apresentou desempenho suficiente para superar modelos tradicionais do segmento, como Jeep Compass e Toyota Corolla Cross.

Entre os SUVs compactos, o Volkswagen T-Cross foi o líder de vendas no mês.

Carros mais vendidos em setembro

Confira os dez modelos que registraram os maiores volumes de emplacamentos no Brasil em setembro:

  1. Fiat Strada — 16.002 unidades
  2. Volkswagen Polo — 11.095 unidades
  3. BYD Dolphin Mini — 9.385 unidades
  4. Volkswagen T-Cross — 9.339 unidades
  5. Volkswagen Tera — 8.725 unidades
  6. Fiat Argo — 8.603 unidades
  7. Fiat Pulse — 7.150 unidades
  8. Chevrolet Onix — 7.133 unidades
  9. Fiat Mobi — 6.395 unidades
  10. Hyundai HB20 — 6.314 unidades

A lista mostra a força dos modelos compactos e de SUVs no mercado brasileiro, ao mesmo tempo em que evidencia o avanço dos veículos elétricos entre os líderes de vendas.

FONTE: ND+
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Comércio

Canetas emagrecedoras mudam hábitos de consumo e levantam alerta sobre contrabando

Medicamentos à base de GLP-1 ganham espaço na rotina dos brasileiros e coincidem com mudanças na cesta de compras e no cenário do contrabando no Brasil

Canetas emagrecedoras alteram composição das compras

A popularização das chamadas canetas emagrecedoras vem acompanhada de mudanças nos hábitos de consumo. Na cesta de supermercado, alguns produtos tradicionalmente associados ao consumo de bebidas alcoólicas, biscoitos e doces perdem espaço, enquanto carnes, ovos, vegetais e suplementos proteicos, como whey protein, aparecem com maior frequência.

Um movimento diferente também chama atenção: o aumento das vendas de cigarros em uma grande rede supermercadista.

Segundo um executivo ouvido pelo InvestNews, o volume de cigarros vendidos pela rede cresceu 40% no acumulado de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Na avaliação do executivo, uma possível explicação estaria relacionada à mudança na composição das cargas de produtos contrabandeados que entram no país. A hipótese levantada é de que grupos criminosos estariam transportando menos cigarros e mais medicamentos para emagrecimento, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro.

A justificativa seria econômica e logística: as canetas ocupam pouco espaço e possuem elevado valor por unidade.

Os dados oficiais de apreensões mostram movimentos simultâneos envolvendo os dois produtos, mas ainda não permitem concluir que as canetas estejam efetivamente substituindo os cigarros nas cargas de contrabando.

Dados nacionais de vendas mostram alta mais moderada

O crescimento observado na rede supermercadista não se repete na mesma proporção nos dados da Scanntech.

Entre janeiro e agosto de 2026, a quantidade de cigarros vendidos aumentou 0,9% em relação ao mesmo período de 2025. Já o faturamento avançou 9,1%, enquanto o preço médio por unidade subiu 8,1%.

Os números indicam, portanto, um cenário diferente daquele observado especificamente na rede ouvida pelo InvestNews.

Apreensões de canetas emagrecedoras disparam

O avanço das canetas de GLP-1 também aparece nos registros de fiscalização.

No primeiro semestre de 2026, o valor das apreensões desses produtos realizadas pela Receita Federal saltou de pouco mais de R$ 4 milhões, no mesmo período de 2025, para mais de R$ 80 milhões. O órgão, porém, não informou quantas unidades correspondem aos valores apreendidos.

Na região de Foz do Iguaçu, na fronteira com o Paraguai, foram apreendidas 7.479 unidades entre maio e dezembro de 2025. Em 2026, o número chegou a 71.860 unidades, de acordo com dados divulgados pela Folha de S.Paulo em agosto.

O avanço das apreensões de medicamentos contrasta com a trajetória dos cigarros na região.

Cigarros continuam relevantes no contrabando

Em Foz do Iguaçu, as apreensões de cigarros caíram de 122,69 milhões de maços em 2020 para 64,79 milhões em 2025, uma redução de 47%.

Apesar da queda, o volume financeiro continua expressivo. O valor estimado dos cigarros apreendidos na cidade em 2025 alcançou R$ 421,17 milhões.

A redução registrada em Foz, entretanto, não significa necessariamente uma diminuição do contrabando de cigarros em todo o território nacional.

Na base nacional da Receita Federal, o valor dos produtos classificados como “cigarros e similares” permaneceu praticamente estável entre 2024 e 2025: passou de R$ 789 milhões para R$ 790 milhões. Até o momento, a série pública disponível não apresenta o dado nacional referente a 2026.

Canetas têm alto valor e exigem transporte refrigerado

Além do preço elevado em relação ao espaço ocupado, a logística ajuda a explicar o interesse nas canetas emagrecedoras.

Um auditor da Receita Federal ouvido pela Folha de S.Paulo afirmou que o transporte de cigarros demanda uma operação logística maior. As canetas, por outro lado, são compactas e concentram um valor elevado em pouco volume.

Existe, porém, uma dificuldade adicional: muitos desses medicamentos precisam ser mantidos em condições de refrigeração, o que exige estruturas específicas de transporte e armazenamento e pode elevar os custos da operação.

Mais da metade das doses de GLP-1 pode estar fora do mercado formal

Outro levantamento reforça a dimensão do mercado de medicamentos GLP-1 no país.

A Scanntech estima que 53,8% das doses consumidas no Brasil no primeiro semestre de 2026 tenham chegado aos consumidores por canais externos ao comércio formal de farmácias.

A estimativa foi calculada a partir do excedente de vendas de seringas em relação à tendência histórica relacionada ao consumo de insulina.

No período, o consumo total de GLP-1 teria crescido 244% em comparação com o primeiro semestre de 2025. Nas farmácias, o avanço registrado foi de 67%.

Estudo aponta potencial de lucro para o contrabando

O estudo “O novo mapa do contrabando”, elaborado pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (IDESF), mostra que os cigarros permanecem entre os principais produtos apreendidos no país e aponta mudanças nas rotas utilizadas e na atuação das organizações criminosas.

De acordo com o levantamento, o potencial de lucro estimado chega a 255% para as canetas emagrecedoras e a 507% para os cigarros.

No caso dos medicamentos, o estudo destaca justamente a combinação entre alto valor agregado e baixo volume físico como um dos fatores que tornam o produto atrativo para operações ilegais.

Os dados disponíveis apontam para mudanças simultâneas nos mercados de cigarros e medicamentos para emagrecimento, mas não permitem afirmar, isoladamente, que um produto esteja substituindo o outro nas operações de contrabando.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Comércio

Mercado Livre entra no varejo farmacêutico e pressiona ações do setor

A expansão do Mercado Livre (MELI) no mercado de medicamentos provocou forte reação entre investidores e derrubou as ações de empresas do varejo farmacêutico na última quinta-feira (24). Os papéis do segmento chegaram a registrar perdas de até 8% diante da perspectiva de aumento da concorrência.

Apesar do novo movimento representar um desafio para companhias como RD Saúde (RADL3) e Pague Menos (PGMN3), análises de mercado indicam que a reação inicial pode ter incorporado um cenário de impacto maior do que o esperado sobre os resultados das redes de farmácias.

Mercado Livre amplia venda de medicamentos

O principal fator por trás da queda das ações foi o anúncio de que o Mercado Livre vai ampliar sua operação de farmácia online no Brasil.

A plataforma passará a comercializar medicamentos que exigem prescrição, incluindo antibióticos e canetas GLP-1, utilizadas em tratamentos para diabetes e obesidade. Para concluir a compra, o consumidor poderá encaminhar a receita, que será analisada por um farmacêutico antes da liberação do pedido.

A companhia também pretende integrar farmácias de terceiros ao seu marketplace. As primeiras parcerias estão previstas para outubro, com a meta de reunir pelo menos 20 redes até o fim de 2026.

Entregas em até 60 minutos entram na estratégia

Outro elemento da expansão é o serviço “Chega Agora”, que promete realizar entregas em até 60 minutos. Inicialmente, a modalidade estará disponível em determinadas regiões de São Paulo.

Na avaliação da XP, a iniciativa pode criar uma nova fonte de receita para o Mercado Livre em uma categoria de grande volume e alta recorrência. Por outro lado, os investimentos necessários em logística, estoques e profissionais farmacêuticos podem gerar pressão sobre as margens da companhia no curto prazo.

Para os analistas, contudo, a expansão da plataforma não significa necessariamente uma ameaça imediata aos resultados das maiores redes de farmácias.

Mercado pode ter exagerado na reação

O JPMorgan classificou o anúncio como relevante para o sentimento dos investidores, mas avaliou que o impacto sobre os lucros das empresas farmacêuticas listadas tende a ser limitado neste momento.

Após a notícia, RD Saúde e Pague Menos tiveram desempenho inferior ao Ibovespa em aproximadamente 5% e 7%, respectivamente, segundo o banco.

Cristiano Luersen, especialista em investimentos e sócio da Wiser Investimentos, também considera que a intensidade da queda no curto prazo foi elevada. Ao mesmo tempo, ele avalia que a ameaça competitiva do Mercado Livre é concreta e pode ganhar relevância ao longo dos próximos anos.

Segundo Luersen, a entrada da companhia no setor ocorreu gradualmente, começando pelos medicamentos que não exigem receita e avançando posteriormente para produtos sujeitos a prescrição.

Na avaliação do especialista, portanto, o movimento mais recente não representaria uma mudança completamente inesperada para o mercado, mas uma nova etapa de uma estratégia que já vinha sendo observada pelos investidores.

Medicamentos GLP-1 aumentam preocupação

As canetas GLP-1 estão entre os produtos que mais chamaram a atenção na nova estratégia do Mercado Livre. A importância dessa categoria, porém, vai além da receita obtida diretamente com a venda dos medicamentos.

Luersen cita dados divulgados pela própria Pague Menos segundo os quais consumidores em tratamento com esses produtos gastam aproximadamente nove vezes mais do que os clientes tradicionais e visitam as lojas cerca de 50% mais vezes.

Essa característica aumenta a preocupação das redes com a possibilidade de perda de clientes recorrentes, e não apenas de vendas individuais de medicamentos.

Regras podem limitar descontos agressivos

O JPMorgan, por outro lado, aponta fatores que podem limitar uma eventual ruptura no mercado de medicamentos GLP-1.

De acordo com o banco, os grandes fabricantes mantêm programas de benefícios destinados a pacientes, com condições de preços e descontos aplicáveis por farmácias credenciadas. Isso reduz a margem para uma estratégia baseada exclusivamente em preços muito baixos.

A instituição também destaca que o Mercado Livre não teria a mesma liberdade para oferecer cupons amplos utilizada em outras categorias da plataforma. Descontos de medicamentos vinculados a cupons, cartões ou identificação do paciente estão sujeitos às regras da CMED.

Esse ambiente regulatório limita, segundo a análise, uma eventual política irrestrita de descontos financiados pela plataforma.

Margens baixas também são um desafio

Outro ponto considerado pelas análises é a própria estrutura econômica do varejo de medicamentos. O segmento trabalha tradicionalmente com margens reduzidas e tíquete médio relativamente baixo.

Essas características podem dificultar a rentabilidade de uma operação baseada em marketplace, especialmente diante dos custos adicionais de logística, estoque e cumprimento das exigências específicas para a comercialização de medicamentos.

O JPMorgan também aponta que o Mercado Livre não necessariamente pratica preços menores que as farmácias tradicionais.

Em uma análise anterior envolvendo aproximadamente 2 mil produtos comparáveis, o banco identificou preços geralmente próximos aos praticados pelo varejo convencional. Nos medicamentos considerados “core” e nos produtos OTC, de venda livre, os preços da plataforma chegaram a ficar acima dos concorrentes em determinadas comparações.

Redes físicas continuam sendo um diferencial

As grandes redes de farmácias também contam com ativos que podem funcionar como vantagem competitiva diante da expansão do Mercado Livre.

A presença física, a ampla rede de lojas, a escala e os modelos de atendimento omnichannel são apontados pela XP como fatores que ajudam as empresas estabelecidas a enfrentar a concorrência digital.

O mercado brasileiro continua bastante pulverizado. Segundo a XP, o setor movimenta mais de R$ 200 bilhões, enquanto a RD Saúde possui participação inferior a 20%.

Nesse cenário, a expansão do Mercado Livre pode ocorrer sem necessariamente retirar todo o crescimento futuro das grandes redes, especialmente em categorias associadas à recorrência e à conveniência.

Concorrência pode virar parceria

A relação entre o Mercado Livre e as redes tradicionais também não precisa ficar restrita à disputa por consumidores.

A XP observa que a integração de farmácias de terceiros ao marketplace pode criar um modelo semelhante ao já adotado por plataformas de entrega rápida. Nesse formato, grandes redes poderiam eventualmente atuar como parceiras da própria plataforma.

O JPMorgan também destaca que a venda digital de medicamentos não é uma novidade no Brasil. Farmácias autorizadas já comercializam produtos, inclusive medicamentos GLP-1, por meio de plataformas como o iFood.

Assim, embora a chegada do Mercado Livre represente um novo canal digital de grande escala, o modelo não inaugura uma forma completamente inédita de distribuição de medicamentos.

Impacto sobre o setor ainda é incerto

A entrada de uma companhia com forte capacidade logística e grande base de consumidores eleva o nível de concorrência no varejo farmacêutico e pode influenciar a percepção dos investidores sobre as ações do segmento.

Por outro lado, as análises da XP e do JPMorgan apontam, neste momento, para efeitos mais limitados sobre os fundamentos das grandes redes no curto prazo. O impacto efetivo dependerá da velocidade de expansão da operação, da adesão dos consumidores e das condições comerciais oferecidas pelo novo canal.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor

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Comércio

Fim da “taxa das blusinhas” impulsiona compras internacionais e gera alerta na indústria têxtil

O volume de pequenas encomendas internacionais em plataformas de comércio eletrônico registrou um salto expressivo no Brasil após a revogação do imposto sobre compras de até US$ 50, popularmente conhecido como a “taxa das blusinhas”. O tributo, que antes era de 20%, foi zerado por meio de medida provisória convertida em lei em setembro.

De acordo com dados do programa Remessa Conforme analisados pela Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), o impacto no fluxo de mercadorias foi imediato:

  • Média anterior (jan-abr): 15,4 milhões de encomendas e US$ 308 milhões movimentados por mês.
  • Pós-isenção (maio-agosto): O volume saltou para picos de até 28 milhões de pacotes mensais, estabilizando-se acima de 26 milhões.
  • Valores financeiros: Os montantes declarados subiram para uma média mensal de US$ 520 milhões no quadrimestre seguinte.

Comparativo anual e concorrência das plataformas

O crescimento fica ainda mais evidente na comparação anual. Em agosto, as declarações de remessas internacionais alcançaram 26,5 milhões de pacotes — alta de 74% frente aos 15,2 milhões registrados no mesmo mês do ano anterior. Em termos de faturamento, o salto foi de 79%, passando de US$ 294 milhões para US$ 526 milhões.

O avanço de gigantes asiáticas do e-commerce global acirra a disputa com o varejo e a indústria nacional, que enfrentam um cenário de forte concorrência estrangeira.

O impacto na produção nacional e o alerta da Abit

Diante do crescimento das importações por meio de plataformas de comércio eletrônico, a Abit voltou a cobrar equidade tributária e regulatória. A entidade aponta que os produtos estrangeiros de baixo valor chegam ao consumidor com vantagens competitivas, enquanto a cadeia produtiva local precisa arcar com rigorosos encargos trabalhistas, ambientais, sanitários e de segurança.

A entidade destaca que essa assimetria regulatória, somada à retração do consumo interno, afeta diretamente o mercado têxtil brasileiro:

  • Dados do IBGE indicam quedas de 6,8% na produção têxtil e de 8,2% na confecção em comparação anual.
  • Fábricas relatam redução na produção, corte de postos de trabalho e adiamento de novos investimentos.

Para a associação, o cenário caminha na contramão de outras grandes economias globais que têm endurecido o controle sobre as importações de baixo valor para proteger suas bases produtivas. A entidade reforça que a falta de igualdade fiscal estimula a importação em detrimento da produção interna, transferindo renda, empregos e arrecadação para o exterior.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio

Soja acelera vendas em Mato Grosso, enquanto milho e algodão avançam com cautela

A comercialização das principais commodities agrícolas de Mato Grosso teve ritmos diferentes em agosto. A soja ganhou velocidade com a valorização dos preços internacionais, enquanto milho e algodão avançaram de forma mais comedida diante de fatores específicos de oferta, demanda e produção.

No mercado de soja em Mato Grosso, a alta das cotações na Bolsa de Chicago favoreceu tanto os negócios da safra 2025/26 quanto as vendas antecipadas da temporada 2026/27. Os contratos futuros chegaram a ultrapassar US$ 13 por bushel, em meio às preocupações com o desenvolvimento das lavouras dos Estados Unidos.

Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o cenário externo mais favorável melhorou as condições de negociação da próxima safra.

Vendas antecipadas de soja avançam em Mato Grosso

A comercialização da soja da safra 2026/27 alcançou 39,12% da produção estimada até o fim de agosto. O percentual representa alta de 8,89 pontos percentuais em relação a julho e avanço de 11,72 pontos percentuais ante o mesmo período da safra 2025/26.

A melhora dos preços também aumentou a atratividade das vendas futuras. O preço médio negociado para a temporada 2026/27 fechou agosto em R$ 121,18 por saca, valorização de R$ 10,01 na comparação mensal.

O desempenho mostra a influência das referências internacionais sobre a formação dos preços recebidos pelos produtores mato-grossenses.

Soja 2025/26 se aproxima do fim das vendas

A comercialização da safra de soja 2025/26 também avançou em agosto e chegou a 96,90% da produção estimada no Estado. O índice cresceu 3,84 pontos percentuais em relação ao mês anterior.

Com quase todo o volume já negociado, a temporada atual se aproxima da conclusão das vendas. Nesse momento, os produtores passam a concentrar maior atenção nas oportunidades relacionadas ao mercado externo e na formação dos preços da próxima safra.

Para o ciclo 2026/27, ainda existe uma parcela relevante da produção a ser comercializada. A valorização observada em agosto contribuiu para ampliar o interesse pelos negócios antecipados.

O plantio da soja 2026/27 em Mato Grosso foi liberado em 7 de setembro e poderá ser realizado até 7 de janeiro de 2027.

Milho avança, mas indústria reduz compras

No mercado de milho em Mato Grosso, as vendas da safra 2025/26 alcançaram 74,63% da produção projetada em agosto. O avanço mensal foi de 10,69 pontos percentuais.

Apesar do crescimento, o ritmo dos negócios permaneceu mais moderado. Um dos motivos foi a menor participação das indústrias nas compras. Com estoques considerados relativamente ajustados às necessidades atuais, as empresas diminuíram a necessidade de recompor posições.

O preço médio do milho no Estado ficou em R$ 51,61 por saca.

As referências internacionais também ajudaram a sustentar as cotações. O mercado acompanhou especialmente as condições da produção norte-americana, enquanto a demanda pelo cereal e a perspectiva de estoques finais mais apertados deram suporte aos preços.

A piora das condições das lavouras dos Estados Unidos ao longo de agosto aumentou as dúvidas sobre o potencial produtivo da próxima safra. O movimento contribuiu para fortalecer os contratos em Chicago e, consequentemente, as referências de preços em Mato Grosso.

Incertezas limitam vendas futuras de milho

As negociações antecipadas da safra de milho 2026/27 avançaram 4,60 pontos percentuais em agosto, chegando a 15,96% da produção estimada.

O preço médio dos negócios ficou em R$ 50 por saca.

O avanço, entretanto, continua abaixo do ritmo observado na soja. Segundo o Imea, as incertezas sobre o desenvolvimento das lavouras e o potencial produtivo da próxima temporada fazem com que os produtores mantenham uma postura mais conservadora.

Com dúvidas sobre o desempenho da nova safra, os agricultores demonstram menor disposição para comprometer grandes volumes antecipadamente. Assim, as vendas continuam avançando, mas sem uma aceleração significativa.

Algodão mantém ritmo cauteloso na safra atual

A comercialização da pluma de algodão da safra 2025/26 atingiu 75,52% da produção estimada em agosto. O avanço foi de 1,52 ponto percentual em relação a julho.

Mesmo com a melhora das cotações, os negócios seguiram em ritmo moderado. Parte dos produtores já possui volumes comprometidos em contratos anteriores e, por isso, tem priorizado o cumprimento dessas negociações.

Outro fator de cautela está relacionado à qualidade da fibra de algodão. As chuvas ocorridas durante o ciclo produtivo aumentaram as preocupações do setor sobre o padrão da pluma que será entregue.

Nesse cenário, os produtores têm priorizado os contratos já firmados antes de assumir novos compromissos comerciais, o que ajuda a explicar o avanço mais lento das vendas.

Algodão 2026/27 ganha força com alta em Nova York

O comportamento foi diferente nas negociações da safra de algodão 2026/27. A valorização da pluma na Bolsa de Nova York estimulou novas vendas em Mato Grosso.

O movimento ocorreu em meio à preocupação dos produtores com os custos elevados para produzir na próxima temporada. Com preços mais favoráveis, aumentou a disposição para antecipar parte da comercialização.

As vendas cresceram 6,61 pontos percentuais em agosto e chegaram a 39,34% da produção estimada para o novo ciclo.

O preço médio negociado no mês foi de R$ 140,46 por arroba, alta de 8,43% em relação a julho.

Soja e algodão lideram vendas futuras

Os dados de agosto mostram comportamentos distintos entre as principais culturas de Mato Grosso.

A soja apresentou o avanço mais consistente nas vendas futuras, favorecida pela valorização em Chicago. O algodão também ganhou força nas negociações da próxima safra, apoiado pela alta dos preços em Nova York.

Já o milho continuou avançando, mas em ritmo mais lento. As dúvidas sobre o potencial produtivo da safra 2026/27 e a atuação mais contida das indústrias limitaram uma aceleração maior dos negócios.

O cenário reforça a influência dos mercados internacionais sobre as decisões dos produtores, mas também evidencia que fatores internos, como custos, estoques, demanda e condições das lavouras, continuam determinantes para o ritmo de comercialização das commodities em Mato Grosso.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

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Comércio

Comércio entre China e ASEAN supera US$ 1 trilhão pela primeira vez em 2025

O comércio entre a China e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 1 trilhão em 2025. O intercâmbio comercial entre os dois lados somou US$ 1,05 trilhão no ano, crescimento de 7,4% em relação a 2024.

A informação foi divulgada nesta terça-feira pelo vice-ministro do Comércio da China, Yan Dong, que destacou a importância da parceria econômica entre as duas regiões.

A China mantém a posição de principal parceiro comercial da ASEAN há 17 anos consecutivos. No sentido inverso, o bloco ocupa o primeiro lugar entre os parceiros comerciais chineses há seis anos seguidos.

Comércio bilateral acelera em 2026

O ritmo de crescimento continuou nos primeiros meses de 2026. Entre janeiro e julho, o comércio entre China e ASEAN alcançou US$ 744,41 bilhões, alta de 24,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O montante representou 21,8% do comércio exterior chinês nos sete primeiros meses do ano, reforçando o peso da ASEAN nas relações comerciais da segunda maior economia mundial.

Os investimentos entre as duas partes também avançaram. Até julho, o investimento bilateral acumulado entre China e ASEAN, somado ao faturamento acumulado de projetos contratados por empresas chinesas no bloco, já havia ultrapassado US$ 515 bilhões.

Exposição China-ASEAN reunirá mais de 3 mil empresas

Os números foram apresentados durante uma coletiva de imprensa sobre a 23ª Exposição China-ASEAN, marcada para ocorrer entre 17 e 21 de setembro, em Nanning, capital da Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, no sul da China.

O evento deverá reunir mais de 2.200 empresas chinesas e aproximadamente mil companhias dos países integrantes da ASEAN.

Uma das novidades desta edição será a criação de uma área dedicada às demandas tecnológicas dos países da ASEAN. O espaço permitirá que empresas chinesas participem de rodadas de negócios direcionadas a partir das necessidades apresentadas pelos compradores e parceiros do Sudeste Asiático.

Inteligência artificial ganha espaço na feira

A exposição também ampliará a área dedicada à inteligência artificial (IA), criada na edição do ano passado.

O espaço apresentará tecnologias e aplicações de IA voltadas aos setores de consumo, empresas, governo e cooperação internacional.

Outra novidade será o lançamento de um “mercado de IA”, que reunirá mais de 400 modelos de produtos disponíveis para demonstração, testes presenciais e compra direta durante o evento.

China quer ampliar cooperação com ASEAN

Segundo Wang Liping, funcionário do Ministério do Comércio da China, o país pretende acelerar a entrada em vigor e a implementação do protocolo de atualização da Área de Livre Comércio China-ASEAN 3.0.

O acordo foi assinado em outubro de 2025 e deverá ampliar as possibilidades de cooperação econômica entre as duas partes.

Entre as áreas consideradas prioritárias estão a economia digital e o desenvolvimento verde, setores que devem ganhar maior participação na agenda comercial bilateral.

País asiático pretende aumentar importações da ASEAN

A estratégia chinesa também inclui a ampliação das compras de produtos de qualidade provenientes dos países da ASEAN.

De acordo com Wang, o objetivo é contribuir para o crescimento do comércio bilateral e, ao mesmo tempo, abrir novas frentes de cooperação em setores emergentes.

Entre as áreas que devem receber maior atenção estão o comércio de serviços, comércio digital e comércio verde.

A perspectiva é que esses segmentos complementem o comércio tradicional de bens e ampliem a integração econômica entre China e os países do Sudeste Asiático.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xinhua/Zhang Jingang

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Comércio

Fim da “taxa das blusinhas” pode prejudicar indústria e varejo, alerta Fiemg

A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) defende a manutenção da tributação sobre importações de pequeno valor e alerta para possíveis impactos negativos do fim da chamada “taxa das blusinhas” sobre a economia brasileira.

A avaliação foi apresentada pela economista da entidade, Juliana Gagliardi, durante participação no Bastidores CNN. Segundo ela, a retirada da cobrança pode ampliar a entrada de produtos estrangeiros e aumentar a pressão sobre a indústria nacional e o comércio varejista.

O que muda com o fim da “taxa das blusinhas”

A chamada “taxa das blusinhas” foi criada pela Lei nº 14.902 com o objetivo de reduzir a diferença de competitividade entre produtos importados e mercadorias fabricadas no Brasil. A medida estabeleceu uma cobrança de imposto sobre determinadas compras internacionais de até US$ 50.

Agora, a MP 1.357, que está em vigor e é discutida no Congresso, prevê a redução dessas tarifas para zero.

Na avaliação de Juliana Gagliardi, a tributação tinha como principal função estabelecer condições mais equilibradas de concorrência entre produtos nacionais e estrangeiros.

A economista também destacou que as empresas brasileiras já enfrentam obstáculos relacionados ao chamado “custo Brasil”, que envolve fatores como burocracia, carga tributária elevada e deficiências na infraestrutura logística.

Indústria e varejo podem ser afetados

Para a Fiemg, a ampliação da entrada de produtos importados de baixo valor pode aumentar a pressão sobre empresas brasileiras.

Segundo Juliana Gagliardi, a chegada de mercadorias estrangeiras em condições consideradas assimétricas pode prejudicar tanto a indústria nacional quanto o varejo, favorecendo a substituição de produtos fabricados no país por itens importados.

A economista avalia que a tributação ajudava a criar um ambiente de maior equilíbrio competitivo para os produtores brasileiros, mesmo diante de outros fatores adversos, como juros elevados, desaceleração da economia e medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.

Tributação não resolve sozinha os problemas do Brasil

Apesar de defender a manutenção da cobrança sobre importações de pequeno valor, Juliana Gagliardi ressalta que a medida, isoladamente, não é suficiente para melhorar a competitividade das empresas brasileiras.

Na avaliação da economista, o país precisa avançar em reformas estruturais, investimentos em infraestrutura e melhorias no ambiente de negócios, além das questões relacionadas à tributação.

A proposta, segundo ela, é criar condições para que as empresas nacionais possam se reorganizar, reduzir desvantagens competitivas e permanecer atuantes no mercado diante do aumento da concorrência internacional.

FONTE: CNN Brasil

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio

Correios passam a entregar compras de lojas do Paraguai em todo o Brasil

Os Correios começaram a realizar a entrega no Brasil de produtos comprados pela internet em duas lojas de Ciudad del Este, no Paraguai. A iniciativa envolve a Cellshop e a New Zone Importados, empresas conhecidas pela comercialização de eletrônicos na cidade paraguaia localizada na fronteira com Foz do Iguaçu (PR).

A nova operação permite que consumidores brasileiros façam pedidos diretamente nos sites das lojas e recebam as mercadorias em endereços de diferentes regiões do país. O transporte será feito pelo Correios Packet, serviço destinado ao envio de encomendas internacionais.

Como funciona a compra de produtos do Paraguai

Com a parceria, o consumidor poderá adquirir pela internet itens comercializados pelas duas varejistas paraguaias sem precisar atravessar a fronteira para fazer a compra.

Segundo os Correios, a modalidade amplia o acesso dos brasileiros ao comércio eletrônico paraguaio e pode beneficiar também os lojistas, ao facilitar a entrada de seus produtos no mercado brasileiro.

A utilização da estrutura logística da estatal também tem potencial para reduzir custos e tornar as operações de entrega mais simples para as empresas participantes.

Expansão das importações preocupa varejo brasileiro

A ampliação das vendas de produtos paraguaios pela internet ocorre em um cenário de forte debate sobre a concorrência de produtos importados com a indústria e o varejo nacionais.

Entidades do comércio brasileiro já alertaram para os possíveis efeitos do crescimento das compras internacionais. De acordo com levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a manutenção da isenção tributária pode colocar em risco cerca de 100 mil empregos.

A discussão ganhou destaque com a chamada “taxa das blusinhas”, que modificou a cobrança de impostos sobre compras internacionais de pequeno valor, especialmente aquelas de até US$ 50.

Parceria ajuda plano de recuperação dos Correios

A entrada dos Correios nesse modelo de operação também está relacionada ao esforço da estatal para ampliar receitas e melhorar sua situação financeira.

A empresa acumulou um prejuízo de R$ 5,4 bilhões no primeiro trimestre deste ano, enquanto o resultado negativo de 2025 chegou a R$ 8,5 bilhões, segundo os dados apresentados no texto.

Nesse contexto, ampliar a atuação no segmento de encomendas internacionais faz parte da estratégia de reestruturação e busca por novas fontes de receita.

Lojas paraguaias participam do Remessa Conforme

As duas empresas envolvidas na parceria estão autorizadas a comercializar seus produtos para consumidores brasileiros e fazem parte do Remessa Conforme, programa da Receita Federal voltado ao comércio eletrônico internacional.

O sistema exige que empresas participantes forneçam antecipadamente informações relacionadas às importações, permitindo maior controle das operações e dos tributos incidentes sobre as encomendas.

Desde maio, o imposto federal de importação para compras de até US$ 50 feitas por plataformas enquadradas nas regras do programa está zerado, embora a medida tenha caráter temporário.

A isenção do imposto federal, porém, não elimina a cobrança do ICMS, tributo estadual que continua incidindo sobre as compras internacionais.

Com a nova parceria, os Correios passam a ocupar um papel direto na expansão das compras online em lojas de Ciudad del Este, enquanto os varejistas paraguaios ganham uma nova porta de acesso ao consumidor brasileiro.

FONTE: Tribuna Paraná
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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