Comércio

Corrente de comércio do Brasil cresce 10,8% em abril e bate recorde nas exportações

A corrente de comércio brasileira registrou crescimento de 10,8% em abril de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado, impulsionada pelo avanço das exportações brasileiras, que alcançaram o maior valor da série histórica para o mês.

Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, mostram que as exportações somaram US$ 34,1 bilhões em abril, enquanto as importações chegaram a US$ 23,6 bilhões. O saldo positivo da balança comercial foi de US$ 10,5 bilhões.

Com isso, a corrente de comércio totalizou US$ 57,8 bilhões no período.

Exportações avançam mais de 14% em abril

Na comparação entre abril de 2026 e abril de 2025, as exportações cresceram 14,3%, passando de US$ 29,8 bilhões para US$ 34,1 bilhões.

Já as importações apresentaram alta de 6,2% no mesmo intervalo, saindo de US$ 22,2 bilhões para US$ 23,6 bilhões.

O desempenho reforça o crescimento do comércio exterior brasileiro em 2026, especialmente diante do aumento da demanda por produtos ligados ao agronegócio, indústria extrativa e indústria de transformação.

Comércio exterior acumula mais de US$ 208 bilhões no ano

No acumulado entre janeiro e abril de 2026, as exportações brasileiras atingiram US$ 116,6 bilhões, avanço de 9,2% em relação ao mesmo período de 2025.

As importações somaram US$ 91,7 bilhões no quadrimestre, alta de 2,5%.

Com isso, o saldo da balança comercial chegou a US$ 24,8 bilhões, enquanto a corrente de comércio acumulada alcançou US$ 208,3 bilhões, crescimento de 6,1% na comparação anual.

Agropecuária e indústria puxam alta das exportações

Entre os setores exportadores, a agropecuária teve crescimento de US$ 1,28 bilhão em abril, avanço de 16,1% frente ao mesmo mês do ano anterior.

A indústria extrativa também apresentou forte desempenho, com aumento de US$ 1,26 bilhão, equivalente a 17,9%.

Já os produtos da indústria de transformação registraram expansão de US$ 1,71 bilhão, alta de 11,6%.

No acumulado de 2026, o destaque ficou para a indústria extrativa, que cresceu 22,2%, somando avanço de US$ 5,32 bilhões.

Importações crescem na indústria de transformação

No lado das importações, o principal avanço ocorreu nos produtos da indústria de transformação, que tiveram crescimento de US$ 1,51 bilhão em abril, alta de 7,4%.

A indústria extrativa apresentou leve aumento de 0,4%, enquanto a agropecuária registrou queda de 25,8% nas importações do mês.

No acumulado do ano, as compras externas da indústria de transformação cresceram 3,6%, enquanto agropecuária e indústria extrativa apresentaram retração.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Feed&Food

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Comércio

Minerva Foods registra queda de 52,8% no lucro do 1º trimestre apesar de alta na receita

A Minerva Foods, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, encerrou o primeiro trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 87,3 milhões. O resultado representa uma queda de 52,8% em relação ao mesmo período do ano passado, influenciado principalmente pelos impactos financeiros, pela alta no preço do boi gordo e pela menor disponibilidade de animais para abate.

Mesmo diante do cenário mais desafiador, a companhia conseguiu ampliar indicadores operacionais e manter o crescimento das receitas, impulsionada pela integração de ativos adquiridos da antiga Marfrig, atualmente MBRF.

Ebitda cresce com sinergias das aquisições

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da empresa avançou 16,2% no comparativo anual, alcançando R$ 1,12 bilhão.

Segundo o diretor financeiro da Minerva, Edison Ticle, o trimestre foi marcado por forte volatilidade no mercado, mas os ganhos obtidos com as novas unidades adquiridas ajudaram a sustentar o desempenho operacional da companhia.

A Minerva concluiu no fim de 2025 a incorporação de uma série de plantas compradas da Marfrig, operação considerada estratégica para ampliar escala e eficiência.

Alta da arroba reduz margens da companhia

Durante o trimestre, a empresa registrou queda de 5,3% no volume de abates, totalizando 1,35 milhão de cabeças de gado.

O cenário de oferta mais restrita elevou os preços da arroba bovina, pressionando as margens da operação. Ainda assim, o volume de vendas cresceu 16,2%, chegando a 481,7 mil toneladas, sustentado principalmente pela utilização de estoques.

O CEO da Minerva, Fernando Galletti de Queiroz, afirmou que a valorização do boi gordo já fazia parte das projeções internas da companhia devido ao atual ciclo pecuário brasileiro.

Segundo ele, a compressão da margem bruta vem sendo parcialmente compensada pelos ganhos de escala e pela redução de despesas obtidas com a integração dos ativos incorporados.

Guerra no Oriente Médio eleva custos logísticos

Executivos da companhia também comentaram os impactos do conflito envolvendo o Irã sobre as operações globais da empresa.

De acordo com Queiroz, o principal reflexo ocorre nos custos logísticos, especialmente no frete marítimo e nas rotas comerciais destinadas ao Oriente Médio.

Apesar disso, o executivo avalia que o impacto financeiro ainda é limitado em relação ao valor agregado da carne exportada. Ele ressaltou ainda que as regiões mais afetadas pelas dificuldades logísticas representam uma fatia menor das operações internacionais da Minerva.

Minerva aposta na diversificação geográfica para manter exportações à China

A empresa afirmou que pretende manter, ao longo de 2026, níveis semelhantes de exportação de carne bovina para a China, mesmo diante das restrições tarifárias que afetam principalmente as plantas brasileiras.

A estratégia da companhia está baseada na diversificação geográfica da operação, utilizando unidades localizadas na Argentina, Colômbia e Uruguai para atender parte da demanda chinesa.

Segundo a Minerva, a presença em diferentes países fortalece sua posição no mercado internacional e amplia a flexibilidade comercial em momentos de instabilidade.

Mercado dos EUA surge como alternativa

Além da China, os Estados Unidos aparecem como opção para absorver parte da produção brasileira afetada pelas limitações tarifárias impostas ao setor.

No entanto, o CEO destacou que o mercado chinês continua sendo o principal destino da carne bovina brasileira e lembrou que há menos plantas habilitadas para exportação aos EUA do que para a China.

A empresa avalia que esse cenário pode aumentar a oferta no mercado interno brasileiro e gerar pressão sobre os preços domésticos.

Receita da Minerva cresce quase 20% no trimestre

Apesar da queda no lucro, a receita líquida da companhia avançou 19,8% nos três primeiros meses do ano, atingindo R$ 13,4 bilhões.

As vendas no mercado interno cresceram 23,6%, somando R$ 6,55 bilhões. Já as operações internacionais tiveram alta de 19,6%, alcançando R$ 7,9 bilhões.

Segundo a empresa, a América do Sul continua desempenhando papel estratégico no abastecimento global de proteína bovina, especialmente em um cenário de restrição de oferta em mercados internacionais.

FONTE: Istoé Dinheiro
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Istoé

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Comércio

Brasil e Itália ampliam cooperação no setor cafeeiro e comércio agrícola

O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, se reuniu nesta quarta-feira (6) com o embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, e com o presidente da Illycaffè, Andrea Illy. O encontro tratou de temas ligados à cadeia produtiva do café, comércio bilateral e cooperação técnica entre os dois países.

Durante a reunião, André de Paula destacou a importância do fortalecimento das relações comerciais com parceiros estratégicos, como a Itália, especialmente no agronegócio e no setor cafeeiro.

Brasil reforça liderança na produção de café

Andrea Illy ressaltou o papel do Brasil como principal fornecedor de café arábica da empresa italiana e destacou a relevância do país na produção global do grão. Segundo ele, o foco da companhia está na qualidade do produto exportado e na compra direta junto aos produtores brasileiros.

O executivo também afirmou que a empresa mantém programas de capacitação voltados à agricultura regenerativa, manejo sustentável e gestão das propriedades rurais, oferecendo incentivos financeiros aos produtores que alcançam padrões superiores de qualidade.

Acordo Mercosul-União Europeia amplia oportunidades

O embaixador Alessandro Cortese destacou que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia pode facilitar o avanço das relações comerciais entre Brasil e Itália, especialmente no setor agrícola.

Já o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua, afirmou que a redução gradual de tarifas até 2034 poderá beneficiar empresas ligadas a insumos, maquinários e cápsulas de café.

Sustentabilidade e clima estiveram no centro das discussões

As mudanças climáticas e os desafios para a produção agrícola também fizeram parte da pauta. O governo brasileiro apresentou iniciativas como o Plano ABC+, voltado à agropecuária de baixa emissão de carbono, e o programa Caminho Verde Brasil, que busca recuperar áreas degradadas e ampliar a produção sustentável.

A assessora especial do ministério, Sibelle Andrade, destacou ainda o trabalho da Embrapa na disseminação de tecnologias ligadas à agricultura sustentável e à transferência de conhecimento técnico para outros países.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Carlos Silva/Mapa

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Comércio

Acordo Mercosul–União Europeia: governo define regras para uso de cotas comerciais

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), divulgou as normas que regulamentam o uso das cotas de exportação e importação previstas no acordo entre Mercosul e União Europeia. As diretrizes passaram a valer no dia 1º e detalham a aplicação prática do tratado, incluindo atualizações no Certificado de Origem.

Regras afetam pequena parcela do comércio

De acordo com o MDIC, as cotas comerciais impactam uma fatia limitada das trocas entre os blocos: cerca de 4% das exportações brasileiras e apenas 0,3% das importações. A maior parte do fluxo comercial será beneficiada pela redução ou eliminação total de tarifas, sem limites quantitativos.

Regulamentação complementa acordo histórico

O acordo de livre-comércio Mercosul–UE, oficializado por decreto presidencial no fim de abril, encerra um processo de negociação que durou quase 30 anos. Com a publicação das regras pela Secex, entram em vigor os critérios operacionais para acesso às cotas e às preferências tarifárias.

Como funcionam as cotas de importação

Para as importações, produtos como veículos, lácteos, alho, derivados de tomate, chocolates e itens de confeitaria seguirão o sistema de ordem de registro no Portal Único Siscomex. Para garantir o benefício, o importador deve vincular a licença à Declaração Única de Importação (Duimp) no prazo de até 60 dias, respeitando os limites estabelecidos.

Exportações brasileiras também têm limites

No caso das exportações, as cotas incluem produtos estratégicos da pauta brasileira, como carnes, açúcar, etanol, arroz e milho, além de mel, ovos, rum e cachaça. A distribuição será feita por ordem de solicitação, considerando a disponibilidade no momento da análise.

Após a conclusão da operação, será emitido o Certificado de Autorização de Cotas Mercosul, documento que acompanha a mercadoria e assegura o acesso às condições tarifárias no mercado europeu.

Divisão entre países ainda será definida

A partilha das cotas entre os países do Mercosul ainda depende de negociação interna. Até que haja consenso, cada nação seguirá com seus próprios procedimentos, sem prejuízo ao volume negociado ou ao acesso aos benefícios do acordo.

Para produtos fora do regime de cotas, o acesso ao mercado europeu continuará condicionado apenas ao cumprimento das regras de origem.

FONTE: Canal Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio

Acordo Mercosul-Canadá avança e nova rodada de negociações é marcada para maio

As negociações para o acordo de livre comércio Mercosul-Canadá registraram avanços importantes após a nona rodada realizada em Brasília, entre os dias 27 e 30 de abril. Segundo o governo brasileiro, ao menos três capítulos do tratado estão próximos de serem concluídos.

Uma nova rodada de discussões já está prevista para maio, com o objetivo de acelerar o fechamento das pendências e consolidar o entendimento entre as partes.

Progresso nas negociações comerciais

De acordo com nota conjunta divulgada pelos ministérios envolvidos, o diálogo entre Mercosul e Canadá tem avançado de forma consistente desde a retomada das tratativas, em outubro do ano passado.

O esforço conjunto busca fortalecer as relações bilaterais e ampliar a integração econômica internacional, promovendo mais oportunidades de comércio e investimentos.

Temas discutidos na rodada

Durante os encontros presenciais, grupos técnicos trataram de diversos pontos estratégicos do acordo, incluindo:

  • comércio de bens e serviços
  • serviços financeiros
  • regras de origem
  • propriedade intelectual
  • barreiras sanitárias e fitossanitárias
  • comércio sustentável

Além disso, reuniões híbridas abordaram temas como compras governamentais, barreiras técnicas ao comércio e questões relacionadas ao trabalho.

Governo brasileiro busca conclusão do acordo

O avanço das negociações ocorre em meio ao esforço do governo federal para concluir o tratado. Nesta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil trabalha para finalizar o acordo comercial com o Canadá.

A expectativa é que o tratado amplie o acesso a mercados, reduza tarifas e fortaleça a presença de produtos do Mercosul no comércio internacional.

Próximos passos

Com capítulos já próximos do encerramento, a próxima rodada será decisiva para avançar nos pontos restantes e aproximar as partes de um consenso final.

O acordo é considerado estratégico para diversificar parcerias comerciais e impulsionar o comércio exterior brasileiro.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcos Oliveira/Agência Senado

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Comércio, Negócios

Amazon amplia logística no Brasil e intensifica disputa com Mercado Livre

A Amazon deu um passo estratégico ao abrir sua estrutura de logística integrada para empresas terceiras, movimento que amplia a concorrência no setor e eleva a rivalidade com o Mercado Livre no Brasil. A iniciativa foi anunciada com o lançamento do Amazon Supply Chain Services, plataforma que transforma a rede logística da companhia em um serviço comercial.

Nova estratégia mira mercado trilionário

Com a novidade, a empresa passa a oferecer soluções completas de logística terceirizada (3PL), incluindo transporte aéreo e marítimo, armazenagem e entrega de última milha. O objetivo é disputar espaço com gigantes globais do setor, como DHL, DSV e Kuehne+Nagel.

O mercado global de logística, estimado em cerca de US$ 1,3 trilhão, surge como uma oportunidade para a companhia replicar o modelo adotado pela Amazon Web Services (AWS), que transformou infraestrutura interna em uma das principais fontes de receita da empresa.

Em 2025, os serviços prestados a vendedores terceiros já representaram aproximadamente US$ 172 bilhões, equivalente a 24% do faturamento total da Amazon — sinalizando o avanço dessa estratégia.

Brasil se torna peça-chave na expansão

O Brasil ganhou protagonismo dentro dos planos da empresa. Nos últimos 18 meses, a Amazon ampliou significativamente sua presença logística no país, adicionando 240 novos hubs e totalizando cerca de 300 unidades distribuídas por todos os estados.

Essa estrutura permite entregas no mesmo dia em mais de 200 cidades e no dia seguinte em cerca de 3.600 municípios. O ritmo de expansão também acelerou: de um centro logístico por semana para três em 2026.

Nos últimos dez anos, os investimentos da empresa no Brasil chegaram a cerca de R$ 55 bilhões, acompanhados por mudanças na gestão que aproximaram a operação local da liderança global, tornando decisões estratégicas mais ágeis.

Mercado Livre ainda lidera em infraestrutura

Apesar do avanço da Amazon, o Mercado Livre mantém ampla vantagem no país. A empresa opera cerca de 3,4 milhões de metros quadrados de área logística, contra aproximadamente 709 mil metros quadrados da concorrente. A Shopee aparece como outro player relevante, com cerca de 1,2 milhão de metros quadrados.

Essa diferença impacta diretamente a eficiência operacional, permitindo ao Mercado Livre reduzir custos e acelerar entregas. Em 2025, a companhia registrou crescimento de 41% no volume de envios, com quase 75% das entregas rápidas realizadas em até 48 horas.

Além disso, o custo médio de frete caiu 11% no período, evidenciando ganhos de escala. A empresa encerrou o ano com 121 milhões de compradores ativos na América Latina e receita de US$ 28,9 bilhões.

Ecossistema financeiro amplia vantagem competitiva

Outro diferencial do Mercado Livre está no seu braço financeiro. O Mercado Pago alcançou 78 milhões de usuários ativos mensais em 2025, além de uma carteira de crédito de US$ 12,5 bilhões.

Esse ecossistema fortalece a fidelização de clientes e cria barreiras competitivas que vão além do comércio eletrônico. A Amazon, por sua vez, ainda não possui no Brasil uma solução financeira com alcance semelhante.

Modelo descentralizado e aposta no longo prazo

Para expandir sua operação, a Amazon aposta em modelos como o Delivery Service Partner (DSP), que terceiriza a entrega de última milha para empreendedores locais. A estratégia reduz custos fixos e aumenta a capilaridade da rede logística.

No entanto, especialistas apontam que os investimentos elevados e os incentivos oferecidos a vendedores devem pressionar as margens da empresa no curto prazo. A expectativa é que a rentabilidade melhore à medida que o volume de operações cresça e os custos unitários diminuam.

Desafios e cenário regulatório

A expansão também pode atrair maior atenção regulatória. A atuação simultânea da Amazon como plataforma de vendas e prestadora de serviços logísticos levanta questionamentos sobre concorrência em diferentes mercados.

Ainda assim, analistas avaliam que o movimento reforça o posicionamento da empresa como uma plataforma global de infraestrutura, com o Brasil desempenhando papel estratégico em mercados emergentes.

A disputa com o Mercado Livre, no entanto, deve depender da capacidade da Amazon de acelerar sua expansão e reduzir a diferença estrutural nos próximos anos.

FONTE: InvestNews
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg

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Comércio

Mato Grosso e Bolívia avançam em rota comercial para acesso ao Pacífico

A criação de uma rota comercial entre Mato Grosso e Bolívia está no centro das discussões entre autoridades e representantes do setor produtivo. A iniciativa busca reduzir custos logísticos e ampliar o acesso aos portos do Pacífico, fortalecendo a competitividade do agronegócio regional.

O tema foi debatido em reunião realizada no Palácio Paiaguás, com a presença de lideranças brasileiras e do governador eleito do departamento de Santa Cruz, Juan Pablo Velasco.

Parceria mira fertilizantes mais baratos

Um dos principais focos da cooperação é o fornecimento de fertilizantes nitrogenados, especialmente a ureia, produzida em grande escala na Bolívia. A proximidade geográfica pode representar uma vantagem estratégica para Mato Grosso, que hoje depende de insumos importados de regiões mais distantes.

Além disso, o acordo prevê intercâmbio técnico, com o objetivo de levar o modelo de produção agroindustrial de Mato Grosso para Santa Cruz, contribuindo para o desenvolvimento econômico local.

Comércio bilateral já movimenta milhões

Nos últimos cinco anos, Mato Grosso exportou 77 tipos de produtos para a Bolívia, gerando mais de US$ 71 milhões em negócios. A proposta agora é avançar na formalização de parcerias que garantam segurança jurídica e incentivem investimentos em infraestrutura na faixa de fronteira, que ultrapassa 700 quilômetros.

Infraestrutura é chave para nova logística

Entre os projetos prioritários está a consolidação da ligação entre Vila Bela da Santíssima Trindade e San Ignacio de Velasco. O trajeto é considerado o mais curto para conectar o oeste mato-grossense ao Porto de Arica, no Chile, facilitando o escoamento da produção.

Do lado brasileiro, o governo investe R$ 121,8 milhões na pavimentação de 80 quilômetros da MT-199, ampliando a conexão até a fronteira com a Bolívia.

Outra alternativa em análise é a rota pela MT-265, via Porto Esperidião, que pode reduzir a necessidade de obras em território boliviano e aproveitar a infraestrutura já existente.

Produção regional reforça importância da rota

A região potencialmente beneficiada — que inclui municípios como Cáceres, Porto Esperidião, Vila Bela e Comodoro — tem forte peso na produção agropecuária. Segundo dados do Imea, foram mais de 1,8 milhão de toneladas de grãos na safra 2024/25, além de um rebanho de 3,32 milhões de cabeças de gado.

Integração deve impulsionar desenvolvimento

A aproximação entre Brasil e Bolívia é vista como estratégica para ampliar mercados, reduzir custos e estimular o crescimento econômico regional. A expectativa é que a nova rota fortaleça tanto o agronegócio brasileiro quanto a economia boliviana, criando oportunidades em logística, produção e comércio exterior.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tonico Pereira/Secom-MT

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Comércio

Comercialização de grãos em Mato Grosso tem cautela e oscilação de preços em 2026

A comercialização de grãos em Mato Grosso segue em ritmos distintos em março de 2026, marcada por cautela dos produtores e variações nas cotações. Enquanto soja e milho avançam nas vendas da safra 2025/26, mas ainda abaixo da média histórica, o algodão ganha destaque com valorização e maior liquidez no mercado.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária indicam que o cenário reflete incertezas econômicas e geopolíticas, influenciando diretamente o comportamento dos produtores e os preços das commodities.

Soja avança, mas enfrenta pressão nos preços

A venda da safra 2025/26 de soja em Mato Grosso alcançou 63,31% da produção estimada. O índice supera os 58,98% registrados no mesmo período de 2025, mas ainda fica abaixo da média histórica de 64,76%.

O preço médio da saca encerrou março em R$ 105,54, recuo de 1,53% em relação ao mês anterior. Segundo o Imea, boa parte do volume negociado decorre de contratos fechados anteriormente, já que os produtores evitam novas negociações diante de um mercado considerado pouco atrativo.

Venda antecipada desacelera no mercado da soja

A comercialização futura da soja (safra 2026/27) também mostra desaceleração. Até o momento, 7,31% da produção projetada foi negociada, com preço médio de R$ 108,36 por saca.

Apesar do avanço, o percentual está bem abaixo da média dos últimos cinco anos (13,56%) e do registrado no mesmo período do ciclo anterior (8,10%). O comportamento reforça a postura mais conservadora do produtor rural diante da volatilidade.

Milho segue tendência semelhante

No caso do milho em Mato Grosso, a comercialização da safra 2025/26 chegou a 40,76%, com crescimento mensal de 5,35 pontos percentuais. O resultado supera o ciclo passado (36,29%), mas ainda não alcança a média histórica de 44,36%.

O preço médio do cereal caiu 1,79% no período, fechando em R$ 44,65 por saca. De acordo com análises técnicas, muitos produtores optaram por travar preços antecipadamente para evitar perdas com a pressão da oferta durante a colheita.

Para a safra 2026/27, as vendas atingem apenas 1,59% do total esperado, indicando ritmo mais lento em comparação ao início do ciclo anterior.

Algodão se destaca com valorização e demanda externa

Na contramão dos grãos, o algodão em Mato Grosso apresentou desempenho positivo. A arroba foi comercializada a R$ 128,54 em média, alta de 5,50% em março.

A venda da safra 2025/26 alcançou 65,60%, superando com folga a média histórica de 51,85% e os 56,83% registrados no mesmo período de 2025.

O bom desempenho da pluma está ligado ao cenário internacional. A alta do petróleo e a valorização dos contratos na bolsa de Nova York aumentaram a competitividade da fibra natural frente às sintéticas.

Perspectivas dependem do mercado internacional

Para a safra 2026/27 de algodão, a comercialização antecipada soma 13,93%, ligeiramente abaixo do ciclo anterior. Ainda assim, o desempenho segue sustentado por fatores externos.

Segundo o Imea, o comportamento dos preços será determinante para o ritmo dos negócios nos próximos meses. A redução das margens de lucro tem levado produtores a adotar estratégias mais cautelosas.

De forma geral, o cenário das commodities agrícolas em Mato Grosso permanece condicionado à estabilidade das cotações globais e ao avanço das colheitas.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Comércio

Parceria estratégica Brasil-Reino Unido fortalece comércio e investimentos até 2030

O Brasil e o Reino Unido deram um novo passo na relação diplomática ao formalizar uma parceria estratégica com vigência entre 2026 e 2030. O acordo foi assinado em 26 de março pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e pela secretária do Exterior britânica, Yvette Cooper.

A iniciativa eleva o nível de cooperação entre os dois países, consolidando um alinhamento mais amplo em áreas prioritárias.

Cooperação abrange comércio, segurança e sustentabilidade

O plano estabelece o fortalecimento da colaboração em diferentes frentes, incluindo diálogo político, comércio e investimentos, segurança e defesa, além de ações voltadas à transição energética e ao desenvolvimento sustentável.

Outro ponto de destaque é o incentivo às conexões interpessoais, promovendo intercâmbios e maior integração entre as sociedades brasileira e britânica.

Relação histórica e crescimento do comércio bilateral

Em 2025, Brasil e Reino Unido celebraram 200 anos de relações diplomáticas. O intercâmbio comercial entre os países alcançou US$ 7,8 bilhões, com saldo positivo de aproximadamente US$ 230 milhões para o Brasil.

Os dados reforçam a relevância do comércio bilateral como pilar da parceria entre as duas economias.

Investimentos reforçam laços econômicos

O Reino Unido figura entre os principais investidores estrangeiros no Brasil, com um estoque de cerca de US$ 35,8 bilhões em 2024.

Ao mesmo tempo, o país europeu também se destaca como destino de investimentos brasileiros no exterior, que somaram aproximadamente US$ 6,9 bilhões no mesmo período.

Expectativa de aprofundamento das relações

A nova parceria estratégica Brasil-Reino Unido deve impulsionar ainda mais o fluxo de negócios, ampliar oportunidades de cooperação e fortalecer a presença dos dois países no cenário global.

A expectativa é que o acordo contribua para o crescimento econômico sustentável e para o avanço de agendas comuns nos próximos anos.

FONTE: Ministério das Relações Exteriores
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Infomoney

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Comércio

Acordo Mercosul-União Europeia avança com aprovação de Argentina e Uruguai

Os senados da Argentina e do Uruguai aprovaram nesta quinta-feira (26) o acordo Mercosul-União Europeia, fortalecendo o avanço do tratado comercial entre os dois blocos econômicos. A informação foi divulgada pela agência Reuters.

O acordo de livre comércio foi assinado provisoriamente em janeiro de 2026, após mais de 25 anos de negociações. O texto estabelece um cronograma de redução gradual de tarifas de importação, que pode se estender por até 18 anos, beneficiando diversos setores produtivos.

Brasil já aprovou na Câmara; Senado ainda analisará

Na quarta-feira (25), a Câmara dos Deputados do Brasil também aprovou o tratado. O texto segue agora para análise do Senado Federal. Ainda dependem de ratificação formal o Brasil, o Paraguai e a própria União Europeia, para que o acordo entre plenamente em vigor.

O avanço nas votações é considerado estratégico para ampliar o comércio internacional e consolidar o Mercosul como parceiro relevante no cenário global.

Apoios e resistências na Europa

Entre os países europeus, Alemanha e Espanha lideram o grupo favorável ao acordo. Por outro lado, a França encabeça a oposição dentro do bloco europeu.

O governo francês demonstra preocupação com o possível aumento das importações de produtos agrícolas, como carne bovina e açúcar, argumentando que a medida pode impactar negativamente os produtores locais.

Debate sobre o papel do Brasil no comércio global

Relator da proposta na Câmara, Marcos Pereira afirmou que a aprovação vai além de uma decisão comercial. Segundo ele, a medida define o posicionamento estratégico do Brasil no cenário internacional. “Não se trata apenas de votar um texto, mas de decidir qual será o tamanho do Brasil no mundo”, declarou.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, também defendeu o acordo e destacou o potencial de fortalecimento da vocação exportadora brasileira. Para ele, o país dá um passo decisivo rumo à ampliação da presença no mercado global.

Motta ressaltou ainda que o longo período de negociações foi suficiente para amadurecer o texto e que chegou o momento de impulsionar o desenvolvimento econômico e ampliar a inserção do Brasil na agenda comercial internacional.

FONTE: Canal Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Foto: Freepik e Pixabay/ Montagem: Canal Rural

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