Comércio Internacional

Tarifas dos EUA impactam vendas de fabricantes brasileiros e exigem ajustes estratégicos

A fabricante de armas Taurus espera recuperar os US$ 18 milhões pagos em tarifas de exportação para os Estados Unidos, valores que foram cancelados em fevereiro pela Suprema Corte americana. Assim como a Taurus, outras grandes empresas brasileiras com exportações para os EUA ou produção na América do Norte passaram a segunda metade de 2025 buscando estratégias para minimizar os efeitos das tarifas impostas por Washington.

Com os resultados do quarto trimestre e do ano completo de 2025 já divulgados, fabricantes como Tupy, Iochpe-Maxion, WEG e a própria Taurus avaliam os prejuízos provocados pelas tarifas norte-americanas.

“O nosso conflito acabou”, disse Salesio Nuhs durante a divulgação dos resultados do quarto trimestre da Taurus, referindo-se ao fim da tarifa de 50% aplicada às exportações para os EUA.

Impactos indiretos na indústria brasileira

A multinacional brasileira Iochpe-Maxion, presente em 14 países e produtora de rodas e componentes para veículos, registrou queda de R$ 700 milhões na receita devido ao choque tarifário. Como possui fábricas no México e nos EUA, a empresa não sofreu efeitos diretos, já que produtos fabricados no México são isentos de tarifas quando exportados aos EUA dentro de acordos regionais.

Entretanto, a produção foi afetada pela redução na demanda por rodas de aço e chassis para caminhões pesados. Segundo Renato Salum, diretor financeiro e de relações com investidores, “a queda nos volumes está mais relacionada à fraqueza da demanda final do que a um efeito direto das tarifas”.

O impacto financeiro se traduz em uma redução de aproximadamente R$ 700 milhões na receita, cerca de 35% do faturamento da divisão de componentes estruturais na América do Norte. A empresa espera que a demanda se normalize na segunda metade de 2026, apoiada no aumento de pedidos de veículos pesados desde o final de 2025.

Ajustes da Taurus para mitigar tarifas

Para a Taurus, a nova tarifa de 10% anunciada por Trump no mesmo dia da decisão da corte foi parcialmente compensada pelo aumento de 7% no preço de seus produtos nos EUA. Além disso, a empresa ativou linhas de montagem na unidade da Taurus USA, priorizando exportações de peças, com menor valor agregado, e concentrou a produção das pistolas da linha G nos EUA.

“Também adotamos medidas radicais de produtividade, reduzindo pessoal e ajustando processos produtivos”, afirmou Nuhs. Mesmo assim, a empresa estima ter pago US$ 18 milhões em tarifas em 2025 e início de 2026, buscando agora reembolso por meio de escritórios de advocacia nos EUA.

Cenário misto para outros fabricantes

O grupo de fundição Tupy apontou o choque tarifário como fator que pressionou vendas de blocos de motor e cabeçotes de cilindro, registrando queda de 5,1% na receita líquida do segmento no quarto trimestre, totalizando R$ 1,31 bilhão.

Para 2026, a Tupy prevê melhora nas encomendas de montadoras com a redução da incerteza tarifária, o que deve impulsionar a produção a partir da segunda metade do ano.

Já a fabricante de equipamentos elétricos WEG terá competitividade reforçada com a eliminação da tarifa de 50%, podendo retomar exportações diretas do Brasil aos EUA. Apesar da manutenção de tarifas de aço e alumínio sob a Seção 232 do Trade Expansion Act, analistas destacam que a WEG conseguiu ajustar sua estratégia rapidamente, mantendo margem bruta de 34% no quarto trimestre de 2025.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor International

Deixe um comentário

Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook