Agronegócio

Argentina quer produzir ureia com gás de Vaca Muerta para abastecer agronegócio brasileiro

A Argentina pretende aproveitar o gás natural de Vaca Muerta para ampliar a produção de fertilizantes e atender parte da demanda do agronegócio brasileiro. A proposta foi apresentada pelo presidente da Pampa Energía, Marcelo Mindlin, ao secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, Cleber Oliveira Soares.

Segundo reportagem do jornal argentino La Nación, os dois se reuniram para tratar do projeto de construção de uma nova fábrica de ureia no país vizinho. Procurado pela CNN Brasil, Oliveira Soares confirmou o encontro, mas esclareceu que não existe, até o momento, negociação para compra de fertilizantes.

Projeto prevê fábrica de ureia de US$ 2,7 bilhões

A Pampa Energía planeja construir uma unidade de ureia granulada em Bahía Blanca, na província de Buenos Aires. O empreendimento terá capacidade estimada de 2,1 milhões de toneladas por ano e investimento de aproximadamente US$ 2,7 bilhões.

A empresa anunciou em julho a decisão final de investimento e trabalha com a previsão de iniciar as operações no fim de 2029.

A localização foi escolhida pela proximidade com a infraestrutura de gás natural de Vaca Muerta e com o porto de Bahía Blanca. A combinação facilita tanto o fornecimento da matéria-prima utilizada na produção da ureia quanto o escoamento do fertilizante para outros mercados.

De acordo com a Pampa Energía, o Brasil deve ser o principal destino das exportações da nova unidade. A companhia estima que os brasileiros importem atualmente entre 7 milhões e 8 milhões de toneladas de ureia por ano.

Vaca Muerta pode ganhar importância no mercado de fertilizantes

Localizada na província de Neuquén, na Patagônia, Vaca Muerta é uma extensa formação geológica que concentra grandes volumes de petróleo e, principalmente, gás natural. A região está entre as maiores reservas de hidrocarbonetos não convencionais do mundo.

Como o gás natural é uma das principais matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes nitrogenados, o aumento da produção argentina pode criar uma nova conexão entre o setor energético do país e a demanda agrícola brasileira.

A futura fábrica da Pampa Energía se somaria à produção já existente na Argentina. Também localizada em Bahía Blanca, a Profertil tem capacidade para fabricar aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano.

Brasil busca ampliar fornecedores de fertilizantes

A aproximação entre os dois países ocorre em um momento de forte dependência brasileira das importações de fertilizantes agrícolas.

Durante sua participação em um evento na Bolsa de Cereais de Buenos Aires, Oliveira Soares afirmou que o Brasil tem interesse em ampliar a oferta regional de insumos. Entre as possibilidades mencionadas estão o fornecimento argentino de ureia e potássio.

O secretário também relatou que os preços da ureia chegaram a aumentar cerca de 500% em seis meses no mercado brasileiro. Diante da valorização do produto, o país passou a buscar fornecedores alternativos, incluindo mercados da África e da China.

Importações representam grande parte do consumo brasileiro

Dados apresentados pelo representante do Ministério da Agricultura indicam que o Brasil consome aproximadamente 50 milhões de toneladas de fertilizantes NPK por ano. Desse total, cerca de 92% são provenientes de importações.

Mais de 80% das compras brasileiras têm origem no Hemisfério Norte, com países como Canadá, Rússia, China, Belarus e Estados Unidos entre os principais fornecedores.

A dependência externa também é significativa no mercado de potássio. Segundo os números apresentados no evento, o consumo brasileiro chega a aproximadamente 16 milhões de toneladas por ano, com grandes volumes importados de Rússia e Belarus.

Argentina também pode ampliar oferta de potássio

Além da ureia, o governo brasileiro sinalizou interesse no potencial argentino para o fornecimento de potássio, outro insumo essencial para a agricultura.

Apesar dessa possibilidade, o projeto atualmente apresentado pela Pampa Energía está concentrado na produção de ureia. Caso seja concretizado, o empreendimento poderá acrescentar uma nova fonte de abastecimento ao mercado brasileiro e aproximar ainda mais os setores de energia e fertilizantes dos dois países.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

Ler Mais
Logística

Argentina avalia rota ferroviária bioceânica para acesso a portos do Chile

O governo da Argentina iniciou tratativas para avançar na criação de uma rota ferroviária bioceânica com destino aos portos do Chile, com o objetivo de garantir uma saída logística direta ao Oceano Pacífico. A iniciativa é considerada estratégica para ampliar a competitividade do comércio exterior argentino e fortalecer a integração regional.

Investimento bilionário e corredor entre Argentina e Chile

O projeto prevê um investimento estimado em cerca de US$ 4 bilhões e propõe a implantação de um corredor ferroviário internacional, conectando regiões produtivas argentinas aos terminais portuários chilenos. A proposta está baseada na recuperação de trechos das linhas San Martín e Sarmiento, segundo informações divulgadas pela imprensa local.

O traçado em estudo ligaria a província de San Juan ao sul de Mendoza, criando um novo eixo de transporte de cargas entre os dois países.

Passo Planchón–Vergara é apontado como rota estratégica

O cruzamento da Cordilheira dos Andes deve ocorrer pelo passo Planchón–Vergara, nas proximidades da cidade de Curicó, na Região do Maule, no Chile. A escolha se deve às condições climáticas mais estáveis e à maior operabilidade durante o inverno, quando comparada a outros passos internacionais.

Conexão com Vaca Muerta amplia alcance logístico

Do lado argentino, o plano também contempla a construção de um ramal ferroviário entre General Alvear (Mendoza) e Vaca Muerta, em Neuquén. A ligação permitiria o transporte de recursos energéticos e produtivos para diferentes polos industriais, ampliando a eficiência da logística regional.

Desafios incluem infraestrutura e financiamento

Apesar do respaldo político, o projeto enfrenta obstáculos relevantes. Entre os principais desafios estão a reconstrução de vias férreas, a atualização dos padrões técnicos e a adaptação às exigências atuais do transporte ferroviário de cargas.

Para viabilizar a iniciativa, o governo avalia modelos de parceria público-privada (PPP) e sistemas de concessão, alternativas consideradas essenciais para garantir o financiamento do corredor.

Integração logística e ganho de competitividade

O corredor ferroviário bioceânico é visto como uma alternativa estratégica para reduzir custos logísticos, diversificar rotas de exportação e aproximar a Argentina dos mercados asiáticos, por meio dos portos chilenos do Pacífico.

FONTE: Todo Logistica News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

Ler Mais
Exportação

Petrobras e Pluspetrol realizam primeira exportação de gás de Vaca Muerta para o Brasil

Petrobras e Pluspetrol deram um passo importante na integração energética entre Argentina e Brasil ao concretizar a primeira importação de gás natural não convencional proveniente de Vaca Muerta. A operação foi realizada na última sexta-feira, envolvendo 100.000 metros cúbicos de gás da bacia neuquina, por meio da subsidiária argentina POSA.

Transporte e logística do gás

O gás foi inicialmente transportado da Argentina para a Bolívia e, em seguida, encaminhado ao Brasil via gasoduto. A iniciativa está alinhada à estratégia do governo de Lula da Silva, que busca ampliar o fornecimento de gás natural no mercado interno e reduzir os preços para os consumidores finais.

Expansão das possibilidades de importação

Angélica Laureano, diretora de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, ressaltou que a operação abre novas oportunidades para a importação de gás, reforçando o compromisso da companhia com o desenvolvimento sustentável do setor energético brasileiro.

O acordo vigente permite à Petrobras importar até 2 milhões de metros cúbicos de forma intermitente, dentro de um convênio entre as empresas e suas subsidiárias. Futuras importações devem ocorrer conforme surgirem novas oportunidades comerciais.

Crescente interesse pelo mercado argentino

O transporte de gás argentino via Bolívia tem sido discutido nos últimos anos, principalmente devido à redução da produção boliviana, que impactou os volumes de exportação. A participação de 33,6% da POSA no campo de Río Neuquén, localizado em Neuquén e Río Negro, reforça o interesse estratégico da Petrobras na região.

Vale lembrar que esta não é a primeira experiência com o gás de Vaca Muerta: em abril, a TotalEnergies realizou um teste piloto, enviando 500.000 m³ diários por 10 dias para o Brasil, mostrando o aumento do interesse em explorar os recursos não convencionais da Argentina para o mercado brasileiro.

FONTE: Ser Industria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ser Industria

Ler Mais
Importação

Petrobras realiza primeira importação de gás natural da Argentina

A Petrobras concluiu na última sexta-feira (3.out.2025) a primeira importação de gás natural proveniente da formação de Vaca Muerta, na Argentina. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (6.out) pela estatal, que firmou parceria com a Pluspetrol para viabilizar a operação.

Operação-piloto de gás natural

O transporte envolveu cerca de 100 mil m³ de gás não convencional, produzido pelas subsidiárias Petrobras Operaciones S.A. (POSA) e Pluspetrol. O objetivo do teste foi avaliar a viabilidade comercial e operacional da iniciativa.

O trajeto do combustível foi realizado por gasodutos, saindo da Argentina, passando pela Bolívia e chegando ao Brasil. Pelo contrato assinado, a Petrobras poderá importar até 2 milhões de m³ de gás na modalidade interruptível, ou seja, com fornecimento sujeito a suspensão caso a infraestrutura seja necessária para outras demandas.

Segundo a empresa, essa flexibilidade garante que o experimento ocorra sem afetar o abastecimento regular do mercado de gás natural no Brasil.

Integração de mercados de energia

Para Angélica Laureano, diretora de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, a operação marca um avanço estratégico.

“Essa solução logística e comercial abre uma nova possibilidade para a importação de gás natural pelo Brasil, reforçando nosso compromisso com o aumento da oferta e com o desenvolvimento sustentável do mercado”, destacou.

A Petrobras mantém presença na Argentina por meio da POSA, onde detém 33,6% de participação não-operada no campo de Rio Neuquén, nas províncias de Neuquén e Rio Negro. A produção local é majoritariamente de gás não convencional (tight gas), extraído das formações geológicas Punta Rosada e Lajas.

O que é o gás de xisto?

O gás de xisto é uma forma de gás natural aprisionado em rochas densas chamadas xistos. Diferentemente do gás convencional, que se acumula em reservatórios porosos, ele exige técnicas avançadas para extração, como o fraturamento hidráulico (fracking).

Nesse método, uma mistura de água, areia e produtos químicos é injetada sob alta pressão, abrindo fissuras nas rochas e permitindo a liberação do gás. Apesar da eficiência para acessar grandes reservas, a técnica é cara, intensiva em recursos e envolve riscos ambientais.

Entre as preocupações, estão o possível contato com lençóis freáticos, o alto consumo de água, a ocorrência de abalos sísmicos e a emissão de metano, um potente gás de efeito estufa.

No Brasil, a exploração de gás de xisto por fracking não é regulamentada. Decisões judiciais já suspenderam atividades do tipo em áreas da Bahia e do Paraná, que haviam sido leiloadas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook