Economia

Margem Equatorial pode gerar bilhões em PIB, empregos e royalties no Brasil

A exploração de petróleo na Margem Equatorial tem potencial para acrescentar bilhões de reais à economia brasileira, ampliar a produção nacional de óleo e transformar a arrecadação dos seis estados abrangidos pela região.

Com cerca de 2.200 quilômetros de extensão, a área se estende do extremo norte do Amapá ao litoral do Rio Grande do Norte e é considerada uma das principais novas fronteiras de exploração de petróleo e gás natural no país, em uma região frequentemente comparada ao pré-sal.

Estimativas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) apontam para um potencial de até 30 bilhões de barris de petróleo.

Produção pode adicionar R$ 175 bilhões ao PIB

Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula que uma eventual produção na Margem Equatorial poderá acrescentar até R$ 175 bilhões ao PIB brasileiro.

O levantamento também estima a criação de aproximadamente 495 mil empregos formais e a geração de R$ 11,2 bilhões em impostos indiretos.

A consultoria Oxford Economics, por sua vez, projeta que a produção brasileira de petróleo poderia avançar dos atuais 3,8 milhões de barris por dia para cerca de 5 milhões de barris diários com o desenvolvimento de novas reservas.

Atualmente, Estados Unidos, Arábia Saudita e Rússia lideram a produção mundial, com cerca de 13 milhões, 9,9 milhões e 9,7 milhões de barris por dia, respectivamente.

Petrobras amplia investimentos na região

O potencial da Margem Equatorial brasileira ganhou novo destaque após a Petrobras identificar hidrocarbonetos no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, em águas profundas da Bacia da Foz do Amazonas.

A descoberta confirma a presença de petróleo ou gás natural nas formações avaliadas, mas ainda não determina se existem reservas em quantidade suficiente para justificar uma produção comercial.

A Petrobras planeja investir US$ 3 bilhões na Margem Equatorial nos próximos cinco anos e prevê a perfuração de 15 poços.

A estratégia ganhou relevância diante da expectativa de que a produção do pré-sal alcance seu pico entre 2030 e 2032, aumentando a necessidade de buscar novas áreas produtoras.

Atualmente, a indústria de óleo e gás responde por aproximadamente 17% do PIB industrial brasileiro, enquanto os investimentos previstos para o setor chegam a cerca de US$ 165 bilhões.

Quanto a Margem Equatorial pode movimentar nos estados

O Observatório Nacional da Indústria (ONI) criou um simulador para estimar os efeitos econômicos da produção na região. A ferramenta considera variáveis como volume produzido, cotação do petróleo e taxa de câmbio.

Em uma hipótese de produção de 300 mil barris por dia em cada estado, com o barril cotado a US$ 80,20 e o dólar a R$ 5,20, o valor anual da produção chegaria a aproximadamente R$ 45 bilhões por unidade da federação.

Nesse cenário, o impacto estimado sobre o PIB seria próximo de R$ 34 bilhões em cada estado:

  • Ceará: R$ 34,005 bilhões;
  • Maranhão: R$ 33,846 bilhões;
  • Rio Grande do Norte: R$ 33,686 bilhões;
  • Amapá: R$ 33,490 bilhões;
  • Piauí: R$ 33,377 bilhões;
  • Pará: R$ 33,257 bilhões.

A projeção de geração de empregos varia entre 155.632 postos no Pará e 170.520 no Ceará. O Maranhão aparece com 170.390 empregos, seguido por Rio Grande do Norte, com 163.424; Amapá, com 162.261; e Piauí, com 158.997.

Na arrecadação de tributos indiretos, os valores projetados ficam entre R$ 1,901 bilhão no Amapá e R$ 2,022 bilhões no Ceará.

Impacto econômico será diferente em cada estado

Embora o impacto nominal estimado sobre o PIB seja semelhante entre os estados, o peso da atividade petrolífera muda de acordo com o tamanho de cada economia.

No Amapá, por exemplo, o valor adicionado bruto projetado pelo simulador representa um impacto equivalente a 193,5% da base de comparação estadual. O valor bruto da produção teria efeito de 296,3%, enquanto os tributos indiretos alcançariam 162,2%.

Nos estados com economias maiores, os efeitos relativos são menores. O impacto sobre o valor adicionado bruto é estimado em:

  • Piauí: 66,8%;
  • Rio Grande do Norte: 49,6%;
  • Maranhão: 37,8%;
  • Ceará: 22,3%;
  • Pará: 19,3%.

O mesmo ocorre com o mercado de trabalho. O impacto estimado sobre o emprego total chega a 44,6% no Amapá, enquanto fica em cerca de 11% no Piauí e no Rio Grande do Norte, 6,7% no Maranhão, 4,1% no Ceará e 4% no Pará.

Royalties podem alcançar R$ 6,85 bilhões por bloco

A futura produção também pode ampliar significativamente as receitas públicas por meio de royalties do petróleo e outras compensações.

Segundo as simulações do ONI, uma concessão com alíquota de 5% de royalties poderia gerar R$ 2,283 bilhões por ano. Com uma taxa de 10%, o valor subiria para R$ 4,567 bilhões.

Em um cenário de partilha com percentual de 15%, a arrecadação anual chegaria a R$ 6,850 bilhões para um único bloco.

O estudo também estima R$ 5,023 bilhões em participação especial, mecanismo de compensação financeira aplicado a campos com grande produção ou elevada rentabilidade, considerando um cenário de concessão com percentual de 11%.

Há ainda uma estimativa de R$ 342,49 milhões destinados a pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D&I), com base em uma alíquota de 0,75%.

A possibilidade de receitas bilionárias reforça a importância da gestão dos recursos. A CNI aponta desafios históricos em áreas como saneamento, educação, energia, transporte e conectividade nos estados da região, que precisarão ser considerados caso a produção avance.

Exploração ainda está longe da produção comercial

Apesar das projeções econômicas, a exploração na Bacia da Foz do Amazonas ainda está em uma fase inicial.

A licença concedida pelo Ibama permite atualmente apenas atividades exploratórias. Caso sejam identificados volumes economicamente viáveis, a Petrobras precisará delimitar a descoberta por meio de novos poços e estudos capazes de determinar o tamanho e as características do reservatório.

Depois de uma eventual declaração de comercialidade, será necessário apresentar à ANP um Plano de Desenvolvimento em até 180 dias. O documento deverá detalhar os investimentos, equipamentos e etapas necessários para iniciar a produção.

O projeto também dependerá de um novo processo de licenciamento ambiental, já que a autorização atual não permite a instalação e a operação de um campo produtor.

Produção comercial pode levar até dez anos

A experiência de outros projetos de exploração em águas profundas indica que o período entre a perfuração exploratória e o início da produção pode levar sete a dez anos, caso o projeto avance em todas as etapas previstas.

Com isso, uma eventual produção comercial na Margem Equatorial poderia ocorrer apenas na próxima década, possivelmente até 2035.

Até lá, será necessário confirmar o tamanho das reservas, avaliar sua viabilidade econômica, definir os investimentos e superar as etapas regulatórias e ambientais.

A identificação de hidrocarbonetos representa, portanto, apenas o início do processo. O impacto bilionário projetado para a Margem Equatorial dependerá, em última análise, da transformação das descobertas em reservas comercialmente viáveis e da capacidade de desenvolver uma cadeia produtiva capaz de sustentar a futura produção.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Agência Petrobras/Divulgação

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Comércio Internacional

Comércio Brasil-Asean pode superar EUA e União Europeia em futuro próximo

O comércio entre o Brasil e o Sudeste Asiático poderá ultrapassar, em um futuro próximo, as relações comerciais brasileiras com os Estados Unidos e a União Europeia. A projeção foi apresentada nesta terça-feira (18) pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante encontro com o secretário-geral da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), Kao Kim Hourn, em Brasília.

Comércio com a Asean cresce dez vezes

Segundo Mauro Vieira, o comércio Brasil-Asean apresentou forte expansão nas últimas duas décadas. Entre 2003 e 2025, o intercâmbio comercial entre as partes passou de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões, um crescimento de dez vezes.

O chanceler destacou que o avanço aproxima o bloco asiático dos principais parceiros comerciais do Brasil. Ele citou, por exemplo, que as exportações brasileiras para Singapura já superam as destinadas à Alemanha. O Brasil também vende mais para Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia do que para a França.

A expansão ocorre em um momento de busca por novos mercados para os produtos brasileiros, especialmente diante do tarifaço dos Estados Unidos sobre parte das exportações nacionais. Nesse cenário, o governo brasileiro procura ampliar a diversificação das exportações e reduzir a dependência de mercados tradicionais.

Brasil quer ampliar parceria com a Asean

Durante a reunião, Mauro Vieira também manifestou o interesse do Brasil em obter o status de parceiro de diálogo da Asean. Atualmente, essa condição é concedida a países e blocos como Estados Unidos, União Europeia, Japão, Índia, China, Canadá, Rússia, Austrália e Coreia do Sul.

Para o ministro, Brasil e países do Sudeste Asiático têm interesses convergentes em áreas como comércio internacional, investimentos, desenvolvimento sustentável e fortalecimento do Sul Global.

A Asean reúne países como Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor-Leste e Camboja, entre outros Estados-membros.

Asean busca estreitar relações com o Brasil

Kao Kim Hourn está no Brasil a convite do governo federal e cumpre uma agenda até sexta-feira (21), com reuniões previstas com ministros, empresários e representantes da academia.

Durante o encontro no Itamaraty, o secretário-geral ressaltou a importância atribuída pela Asean à aproximação com o Brasil. Segundo ele, a relação entre as duas partes está entre as mais dinâmicas e sustentáveis mantidas pelo bloco na América Latina.

Entre as áreas apontadas como prioritárias para novas parcerias estão investimentos, inovação, agricultura, segurança alimentar, energia renovável, desenvolvimento sustentável e ação climática.

Kao Kim Hourn também destacou a defesa conjunta do multilateralismo, do diálogo e da cooperação internacional. Na avaliação do secretário-geral, essa convergência pode contribuir para que países desenvolvidos e emergentes enfrentem desafios comuns.

Bloco asiático amplia peso econômico

Além do crescimento do intercâmbio com o Brasil, a Asean vem aumentando sua relevância econômica global. Nos últimos dez anos, o Produto Interno Bruto (PIB) combinado dos países do bloco passou de US$ 2,5 trilhões para US$ 4,5 trilhões.

Os Estados-membros da associação reúnem mais de 700 milhões de habitantes, formando um mercado de grande dimensão para exportações brasileiras, investimentos e novas oportunidades de negócios.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

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Comércio Internacional

China e Rússia podem bater recorde histórico no comércio bilateral em 2026

O comércio entre China e Rússia pode alcançar um novo recorde histórico até o fim de 2026. De janeiro a julho, as trocas comerciais entre os dois países somaram US$ 159 bilhões, segundo o embaixador chinês em Moscou, Zhang Hanhui.

O resultado representa um crescimento de 26% em relação ao mesmo período de 2025 e reforça a expansão das relações econômicas entre as duas nações.

Comércio bilateral cresce 26% no primeiro semestre

Durante declaração em Moscou, Zhang Hanhui destacou o ritmo de crescimento da cooperação econômica entre China e Rússia e afirmou que os resultados registrados nos primeiros sete meses do ano indicam a possibilidade de um novo recorde anual.

“A cooperação comercial e econômica entre China e Rússia está demonstrando um crescimento constante”, afirmou o diplomata.

Segundo o embaixador, o desempenho acumulado até julho torna “muito possível” que o comércio bilateral supere o maior volume já registrado ao longo de um ano.

O avanço ocorre em um cenário de fortalecimento das relações comerciais sino-russas, com os dois países ampliando seus intercâmbios econômicos e comerciais.

Investimentos devem permanecer estáveis

Além do crescimento nas trocas de mercadorias e serviços, o volume de investimentos entre China e Rússia deverá permanecer em um patamar estável, de acordo com Zhang.

A avaliação do representante chinês reforça a expectativa de continuidade dos vínculos econômicos entre os dois países ao longo dos próximos meses.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Comércio Exterior

Exportações brasileiras ficam mais concentradas em poucos produtos em 2026, aponta FGV

As exportações brasileiras registraram maior concentração em poucos produtos nos primeiros sete meses de 2026. De acordo com o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getulio Vargas (FGV), os cinco principais itens da pauta exportadora responderam por 46,7% das vendas externas do país entre janeiro e julho. No mesmo período de 2025, essa participação era de 43,3%.

O cenário ocorre em meio às incertezas do comércio internacional, marcadas por tensões geopolíticas e pelos impactos associados ao chamado “efeito Trump”.

Petróleo e soja lideram contribuição para as exportações

No acumulado do ano, o petróleo foi o principal destaque entre os produtos exportados pelo Brasil, com contribuição de 33,2% para o desempenho das vendas externas. A soja aparece na sequência, com 22,44%.

A carne bovina também esteve entre os produtos relevantes da pauta exportadora. Em julho, porém, os efeitos foram diferentes entre as principais commodities. Petróleo, soja e óleo combustível contribuíram positivamente para o resultado, enquanto carne bovina e minério de ferro exerceram pressão negativa.

No caso do petróleo, a quantidade exportada caiu 8,2% em julho na comparação anual. A valorização de 35,2% nos preços, entretanto, compensou a redução do volume e garantiu impacto positivo sobre o resultado das exportações.

Comércio exterior avança em valor apesar da queda nos volumes

Os dados da FGV mostram que o comércio exterior brasileiro apresentou desempenho positivo em valor em julho, mesmo com retração nos volumes negociados.

As exportações cresceram 6,2% em relação a julho de 2025, enquanto as importações avançaram 7,6%. Por outro lado, o volume exportado diminuiu 4,0%, e os preços das exportações subiram 10,7%. Nas importações, houve aumento de 8,0% nos preços, acompanhado também por redução no volume.

No acumulado de janeiro a julho, as exportações brasileiras cresceram 10,5%, resultado de uma alta de 2,8% no volume e de 7,1% nos preços.

As importações tiveram crescimento de 5,5% no período, com avanço de apenas 0,2% no volume e aumento de 5,2% nos preços.

Superávit comercial chega a US$ 49 bilhões

A balança comercial brasileira encerrou julho com superávit de US$ 7,1 bilhões. Com isso, o saldo positivo acumulado em 2026 chegou a US$ 49 bilhões, US$ 11,8 bilhões acima do registrado no mesmo intervalo de 2025.

Entre os principais parceiros comerciais, a China apresentou melhora significativa no saldo para o Brasil, com aumento de US$ 8,1 bilhões. A relação comercial com a União Europeia também registrou avanço, com ganho de US$ 2,9 bilhões.

Já nas operações com os Estados Unidos, o déficit comercial aumentou de US$ 2,1 bilhões para US$ 2,3 bilhões.

Com a Argentina, o superávit brasileiro recuou de US$ 3,5 bilhões para US$ 1,2 bilhão no acumulado até julho.

Concentração aumenta em meio às incertezas do comércio global

Os números do Icomex indicam que, apesar do crescimento das exportações brasileiras em 2026, a pauta externa está mais dependente de um grupo restrito de produtos, especialmente commodities como petróleo e soja.

A combinação entre preços internacionais, volumes exportados e cenário geopolítico segue sendo determinante para o desempenho do comércio exterior brasileiro.

Fonte: Fundação Getulio Vargas (FGV), por meio do Indicador de Comércio Exterior (Icomex).

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News

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Comércio Exterior

Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e tensão diplomática gera preocupação econômica

A recente crise diplomática entre Brasil e Argentina, intensificada após a decisão do governo brasileiro de retirar seu embaixador do país vizinho, levanta preocupações que vão além da esfera política. Especialistas avaliam que o impasse pode afetar uma das relações comerciais mais relevantes da América do Sul.

O Brasil ocupa posição de destaque no comércio exterior argentino, sendo o principal destino das exportações do país e um parceiro estratégico para diversos setores da economia.

Brasil lidera como destino das exportações argentinas

Dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec) mostram que, no primeiro semestre de 2026, o país exportou cerca de US$ 49 bilhões em mercadorias, sendo US$ 6,2 bilhões destinados ao mercado brasileiro — o equivalente a 12,6% das vendas externas.

Entre os principais produtos embarcados para o Brasil estão veículos e equipamentos de transporte, cereais, plásticos, metais básicos e laticínios.

O mercado brasileiro também é o principal comprador dos produtos da indústria automotiva argentina, um dos segmentos que mais geram divisas para o país. Além disso, absorve grande parte das exportações de trigo, vinhos, azeite de oliva, frutas, hortaliças e produtos lácteos. No setor de serviços, o Brasil ocupa a segunda posição entre os principais destinos, atrás apenas dos Estados Unidos.

Importações brasileiras têm peso na economia argentina

No fluxo de importações, o Brasil aparece como o segundo maior fornecedor da Argentina, respondendo por 22,3% das compras externas, atrás apenas da China.

Os produtos mais importados incluem bens industrializados, automóveis de passeio, autopeças, equipamentos de transporte e bens de capital, essenciais para a atividade industrial argentina.

Apesar da intensa troca comercial, o saldo da balança bilateral permanece negativo para a Argentina. No primeiro semestre deste ano, o déficit foi de US$ 993 milhões, resultado melhor que os US$ 2,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

Indústria automotiva é um dos pilares da integração

Grande parte da integração econômica entre os dois países está sustentada pelo Acordo de Complementação Econômica nº 14 (ACE 14), que permite o comércio de veículos sem cobrança de tarifas.

Firmado em 1990, o acordo foi renovado diversas vezes ao longo das últimas décadas e tem validade até junho de 2029. Governos e representantes do setor automotivo defendem a negociação de uma nova prorrogação para garantir estabilidade às cadeias produtivas dos dois países.

Além do comércio, o Brasil também figura entre os principais investidores estrangeiros na Argentina, ocupando a quarta posição no ranking de investimento direto, atrás de Estados Unidos, Espanha e Holanda.

Especialistas veem impactos limitados no curto prazo

Na avaliação do economista e ex-ministro da Produção da Argentina, Dante Sica, as tensões diplomáticas dificilmente provocarão mudanças imediatas no fluxo comercial entre os dois países.

Segundo ele, empresas instaladas nos dois mercados mantêm cadeias produtivas altamente integradas desde a consolidação do Mercosul, tornando improvável uma interrupção nas operações industriais ou comerciais em razão do momento político.

Projetos futuros podem sofrer atrasos

Embora os efeitos imediatos sejam considerados limitados, especialistas alertam que uma crise diplomática prolongada pode dificultar negociações estratégicas entre Brasil e Argentina.

Entre os temas que podem ser impactados está a ampliação da infraestrutura para exportação do gás produzido em Vaca Muerta, na Argentina, com destino ao mercado brasileiro, especialmente ao estado de São Paulo.

Também podem ocorrer atrasos em negociações envolvendo regulamentações técnicas, certificações de produtos e medidas para ampliar o acesso de mercadorias argentinas ao mercado brasileiro.

FONTE: Buenos Aires Herald
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Buenos Aires Herald

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Comércio Internacional

25 estados dos EUA acionam Justiça contra tarifas de Trump sobre trabalho forçado

Um grupo de 25 estados dos Estados Unidos ingressou com uma ação no Tribunal de Comércio Internacional, em Nova York, para contestar a nova política de tarifas de Trump sobre importações de cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo Brasil e União Europeia. O processo foi protocolado na segunda-feira (3).

A iniciativa reúne, em sua maioria, estados comandados por governadores democratas. Entre os signatários estão Nova York, Califórnia e Illinois. Dos 25 estados participantes, 23 são administrados por democratas, enquanto Nevada e Vermont, os outros dois integrantes da ação, possuem governadores republicanos.

Medidas foram justificadas pelo combate ao trabalho forçado

As tarifas começaram a valer em 24 de julho de 2026 e estabelecem alíquotas de 10% e 12,5% sobre produtos importados dos países e blocos atingidos.

O governo dos Estados Unidos afirma que as medidas são uma resposta à suposta falha desses parceiros comerciais em impedir a circulação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A justificativa se baseia na Seção 301 da legislação comercial americana, após uma investigação concluir que aproximadamente 60 economias não estariam adotando medidas suficientes para barrar esse tipo de prática em suas cadeias produtivas, prejudicando trabalhadores norte-americanos.

Estados afirmam que cobrança é ilegal

Na ação judicial, os estados alegam que não existe relação lógica entre o combate ao trabalho forçado e a aplicação de tarifas amplas contra dezenas de parceiros comerciais.

A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, afirmou que a administração Trump estaria tentando elevar ilegalmente os custos para famílias e empresas por meio de uma nova rodada de tarifas. Já o procurador-geral do Oregon, Dan Rayfield, declarou que os principais prejudicados são os próprios cidadãos americanos, e não os governos estrangeiros.

Os autores do processo também destacam que condenam o trabalho forçado em qualquer circunstância, mas sustentam que o governo federal não pode utilizar esse argumento como justificativa para manter um sistema tarifário que consideram ilegal.

Em defesa da política comercial, o porta-voz Kush Desai afirmou que os Estados Unidos estão exercendo uma autoridade legal válida para enfrentar práticas internacionais consideradas prejudiciais ao comércio do país.

Governo Trump enfrenta novos desafios na Justiça

O novo processo amplia a lista de disputas judiciais envolvendo a política comercial da administração Trump. Recentemente, um tribunal de apelações dos Estados Unidos decidiu que a maior parte das tarifas impostas pelo governo é ilegal, em ações apresentadas por pequenas empresas e por uma coalizão de estados.

Na decisão, os magistrados entenderam que a legislação aprovada pelo Congresso em 1977 não teria concedido ao presidente poderes ilimitados para impor tarifas comerciais.

Além da ação movida pelos estados, outros processos apresentados por grupos empresariais também questionam a legalidade das cobranças.

As tarifas discutidas neste caso, de 10% e 12,5%, diferem da tarifa de 25% anunciada anteriormente para parte das exportações brasileiras, resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

FONTE: FUP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FUP

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Evento

SCMC transformou concorrentes em comunidade e reúne empresas com faturamento superior a R$ 9 bilhões

Criado em meio aos desafios enfrentados pela indústria têxtil de Santa Catarina, o Santa Catarina Moda e Cultura (SCMC) tornou-se um dos principais exemplos de colaboração empresarial no país. O movimento, iniciado em 2004 por empresas que disputavam o mesmo mercado, reúne atualmente 49 associados, responsáveis por um faturamento anual superior a R$ 9 bilhões e cerca de 14 mil empregos.

A iniciativa surgiu em um período marcado pelo crescimento das importações de produtos chineses, quando empresários buscavam alternativas para manter a competitividade, preservar marcas tradicionais e fortalecer o setor têxtil catarinense.

União inédita entre concorrentes marcou o início do projeto

Na época, executivos de empresas como Marisol, Hering, Altenburg, Dudalina e Karsten decidiram romper um paradigma do mercado: compartilhar experiências com concorrentes diretos.

Em vez de encontros voltados a negociações comerciais, os empresários passaram a discutir desafios comuns, como a concorrência internacional, os custos de produção e a necessidade de inovação. A partir dessas conversas nasceu o SCMC, com a proposta de transformar a troca de conhecimento em vantagem competitiva para toda a cadeia produtiva.

Mais do que uma associação empresarial, o movimento consolidou um ambiente de colaboração envolvendo indústrias, profissionais, fornecedores, universidades e estudantes.

Colaboração substituiu o isolamento empresarial

A confiança construída entre as empresas permitiu iniciativas pouco comuns naquele momento. Presidentes e gestores passaram a visitar fábricas de outras marcas, conhecer processos produtivos e trocar experiências sobre gestão, inovação e desenvolvimento de produtos.

Sem comprometer estratégias comerciais ou eliminar a concorrência entre as empresas, o compartilhamento de boas práticas fortaleceu o setor e ampliou a capacidade de enfrentar desafios comuns.

As discussões também passaram a envolver fornecedores e parceiros da cadeia produtiva, impulsionando a adoção de novas tecnologias e soluções para aumentar a competitividade da indústria da moda catarinense.

Design e inovação ganharam papel estratégico

Ao longo das discussões, o grupo identificou que competir apenas por preço e escala seria insuficiente diante do avanço dos produtos importados.

A partir dessa percepção, o design, a criatividade e a construção de identidade para as marcas passaram a ocupar posição central na estratégia do movimento.

A própria escolha do nome Santa Catarina Moda e Cultura reflete essa visão, ao unir produção industrial, criatividade, comportamento e desenvolvimento cultural como elementos essenciais para agregar valor aos produtos.

Aproximação entre empresas e universidades fortaleceu formação de talentos

Outro eixo importante do SCMC foi estreitar o relacionamento entre a indústria e as instituições de ensino.

O movimento passou a desenvolver projetos com cursos de moda e design, aproximando estudantes dos desafios enfrentados pelas empresas e incentivando a criação de soluções alinhadas às demandas do mercado.

Com a participação de profissionais reconhecidos nacionalmente, como o estilista Mário Queiroz e o consultor Jackson Araújo, alunos passaram a desenvolver coleções e projetos em parceria com as empresas associadas, considerando aspectos como comportamento do consumidor, identidade das marcas, materiais e viabilidade produtiva.

Além de contribuir para a formação acadêmica, essa integração ajudou a preparar profissionais que posteriormente assumiram cargos estratégicos na indústria têxtil catarinense.

Programa revela novos profissionais para o setor

Um dos exemplos desse impacto é a trajetória da designer Simone Passarin.

Criada em uma família ligada à atividade têxtil, ela conheceu o SCMC durante a graduação, em 2009, experiência que ampliou sua visão sobre as possibilidades da carreira na indústria da moda.

Anos depois, Simone retornou ao movimento em uma nova função. Atualmente, atua como designer de moda e coordena o programa Moda Amanhã, iniciativa voltada à formação de novos talentos para o setor, levando sua experiência às universidades e aproximando estudantes das oportunidades existentes na indústria catarinense.

Comunidade ampliou atuação no Brasil e no exterior

Com o crescimento da rede de associados, o SCMC expandiu sua atuação para além das áreas de criação e design.

Hoje, o movimento reúne profissionais de tecnologia, branding, recursos humanos, áreas comerciais e gestão, promovendo intercâmbio de conhecimento entre diferentes segmentos das empresas.

A comunidade também realiza missões internacionais para centros de referência como Milão, na Itália, e China, permitindo que empresários acompanhem tendências globais de inovação, comportamento do consumidor, tecnologia e produção.

Outra iniciativa é a Rota do Algodão, em Minas Gerais, que aproxima profissionais da origem de uma das principais matérias-primas da cadeia têxtil, ampliando a compreensão sobre todas as etapas da produção.

Propósito permanece o mesmo após duas décadas

Segundo o presidente do SCMC, Marcel Eder Costa, a comunidade evoluiu ao longo dos últimos 20 anos sem perder o propósito que motivou sua criação.

Além do crescimento no número de empresas participantes, o foco passou a ser ampliar o impacto positivo dentro das organizações e na sociedade, mantendo como principal diferencial a colaboração entre empresas que continuam concorrentes, mas compartilham soluções para desafios comuns.

Para o dirigente, o mercado mudou profundamente desde 2004, assim como as necessidades das empresas. Ainda assim, o espírito de cooperação permanece sendo o principal patrimônio da comunidade, que antecipou um modelo de relacionamento hoje adotado por grandes organizações em diversos segmentos.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Comércio Internacional

Tarifaço dos EUA desafia indústria de Santa Catarina e reforça busca por novos mercados

A nova rodada do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros aumenta os desafios para a indústria nacional e deve ter efeitos ainda mais significativos sobre Santa Catarina, um dos estados mais dependentes das exportações para o mercado norte-americano.

Em um cenário marcado por tensões geopolíticas, fortalecimento do protecionismo e mudanças nas relações comerciais globais, empresas catarinenses são pressionadas a rever estratégias, diversificar mercados e ampliar sua competitividade para reduzir os impactos das novas barreiras comerciais.

Exportações catarinenses já sentiram os efeitos da primeira onda

Os reflexos das tarifas impostas anteriormente servem como alerta para o setor produtivo. Na primeira fase do tarifaço, em 2025, as exportações catarinenses destinadas aos Estados Unidos registraram queda de 38%, enquanto mais de sete mil empregos deixaram de ser criados em consequência da retração dos negócios.

Com a manutenção da diferença tarifária em relação a concorrentes internacionais, a expectativa é que as empresas intensifiquem ações de internacionalização, fortaleçam sua presença em novos mercados e invistam em ganhos de produtividade para preservar a competitividade.

Cooperação entre indústria e governo busca reduzir impactos

Diante do novo cenário, a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) afirma manter diálogo permanente com o Governo do Estado para avaliar os impactos das medidas e desenvolver alternativas de apoio às empresas.

Além da articulação institucional, a entidade informa que sua área de internacionalização segue preparada para auxiliar indústrias na prospecção de novos destinos para exportação, estratégia considerada fundamental para diminuir a dependência de mercados específicos.

Inovação e qualificação são apostas para enfrentar o cenário

As entidades do Sistema FIESC também mantêm ações voltadas ao fortalecimento da indústria catarinense. O SENAI, o SESI e o IEL continuam atuando em iniciativas ligadas ao aumento da produtividade, à inovação tecnológica e à qualificação da mão de obra.

O objetivo é preparar as empresas para um ambiente econômico cada vez mais competitivo, oferecendo suporte tanto na formação de profissionais quanto na aproximação entre a indústria e novos talentos.

Indústria aposta na capacidade de adaptação

Para o setor industrial, o atual cenário reforça a necessidade de resiliência diante das transformações da economia mundial. Assim como desafios climáticos e econômicos marcaram diferentes momentos da história de Santa Catarina, o fortalecimento da cooperação, do empreendedorismo e da inovação é apontado como caminho para preservar o crescimento e ampliar a presença da indústria catarinense no mercado internacional.

A expectativa é que a combinação entre diversificação de mercados, investimentos em competitividade e atuação conjunta entre empresas e instituições contribua para transformar os desafios impostos pelo comércio global em novas oportunidades de desenvolvimento.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

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Comércio Exterior

Brasil Soberano: governo anuncia pacote de R$ 18,5 bilhões para empresas afetadas por tarifas dos EUA

O governo federal apresentou, nesta quarta-feira (22), uma nova etapa do programa Brasil Soberano, destinando até R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito, garantias e instrumentos financeiros para apoiar empresas prejudicadas pelas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

A medida tem como foco os setores com maior dependência do mercado norte-americano e busca minimizar os efeitos das barreiras comerciais enquanto seguem as negociações entre Brasil e EUA.

Do total anunciado, R$ 13,5 bilhões serão provenientes do Tesouro Nacional, enquanto outros R$ 5 bilhões serão disponibilizados pelo BNDES. O programa também prevê mecanismos de garantias públicas para facilitar o acesso ao crédito e reduzir os custos das operações para as empresas.

Recursos poderão financiar capital de giro, inovação e expansão de mercados

As empresas contempladas poderão utilizar os recursos para diversas finalidades, entre elas:

  • Capital de giro;
  • Compra de máquinas e equipamentos;
  • Investimentos produtivos;
  • Inovação tecnológica;
  • Adequação de produtos às exigências internacionais;
  • Expansão e abertura de novos mercados para exportação.

O anúncio foi realizado no mesmo dia em que entrou em vigor a tarifa de 25% aplicada pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras.

Além disso, o governo acompanha a possibilidade de uma nova sobretaxa de 12,5%, que poderá ser anunciada pela administração do presidente Donald Trump na sexta-feira (24), em decorrência de uma investigação relacionada ao uso de trabalho forçado. Ainda não há confirmação se essa cobrança será cumulativa à tarifa já vigente.

Lula afirma que Brasil seguirá crescendo apesar das barreiras comerciais

Durante o lançamento da nova fase do programa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país já enfrentou outras crises e voltou a crescer, defendendo que o atual cenário não impedirá o avanço da economia brasileira.

Segundo o presidente, o Brasil continuará buscando alternativas para fortalecer sua presença no comércio internacional, destacando que existem novos mercados, moedas e parceiros comerciais dispostos a ampliar relações com o país.

Lula também ressaltou que a estratégia dos Estados Unidos de ampliar tarifas contra diferentes países faz parte de um contexto geopolítico mais amplo, mas afirmou que o Brasil seguirá diversificando suas oportunidades comerciais.

Setores mais afetados terão prioridade no acesso aos recursos

O pacote concentra apoio nos segmentos considerados mais vulneráveis às novas restrições impostas pelos Estados Unidos.

Entre os principais setores beneficiados estão:

  • Máquinas e equipamentos;
  • Siderurgia;
  • Metalurgia;
  • Autopeças;
  • Papel e celulose;
  • Produtos químicos;
  • Madeira;
  • Móveis;
  • Demais bens industriais de maior valor agregado.

Segundo o governo, essas atividades concentram parte significativa das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano e podem enfrentar dificuldades para manter investimentos e competitividade caso o conflito comercial se prolongue.

Programa Brasil Soberano amplia alcance na terceira etapa

Esta é a terceira fase do Brasil Soberano, criado após o anúncio das primeiras tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.

As etapas anteriores priorizaram ações emergenciais e diálogo com representantes da indústria. Agora, a estratégia passa a ampliar a participação dos bancos públicos e fortalecer instrumentos financeiros para dar suporte às empresas exportadoras.

O programa também passa a atender novos segmentos do setor produtivo, incluindo exportadores ligados à:

  • Agricultura;
  • Pecuária;
  • Florestas plantadas;
  • Pesca;
  • Aquicultura;
  • Mineração;
  • Cooperativas e associações desses setores.

MP define grupos prioritários para receber apoio

A medida provisória estabelece três grupos de atendimento.

Grupo 1 – Setores diretamente atingidos pelas tarifas dos EUA

Inclui segmentos enquadrados nas Seções 232 e 301 da legislação americana, como:

  • Aço;
  • Alumínio;
  • Automotivo;
  • Móveis;
  • Madeira;
  • Máquinas e equipamentos;
  • Papel;
  • Açúcar;
  • Plásticos;
  • Cerâmica;
  • Calçados;
  • Carvão.

Grupo 2 – Setores industriais estratégicos

Estão contemplados:

  • Têxtil;
  • Químicos;
  • Farmacêutico;
  • Automotivo;
  • Equipamentos de informática;
  • Produtos eletrônicos e ópticos;
  • Máquinas e materiais elétricos;
  • Equipamentos de transporte;
  • Borracha e plástico;
  • Máquinas industriais;
  • Minerais críticos;
  • Fertilizantes.

Grupo 3 – Exportadores para países do Golfo Pérsico

O programa também contempla empresas que exportam para:

  • Arábia Saudita;
  • Catar;
  • Bahrein;
  • Emirados Árabes Unidos;
  • Iraque;
  • Irã;
  • Kuwait;
  • Omã.

Linhas de crédito terão juros diferenciados

As condições de financiamento variam conforme o setor e a modalidade de crédito.

As taxas anunciadas são:

  • Giro Grande: 9,80%;
  • Giro MPME: 8,30%;
  • Giro Exportação: 8,30%;
  • BK: 8,00%;
  • Linha para Minerais Críticos: 3,00%;
  • Investimento: 6,50%.

Os grupos 1 e 3 terão acesso a todas as modalidades de financiamento, enquanto o grupo 2 poderá utilizar apenas as linhas de Investimento e BK.

Governo mantém negociações com os Estados Unidos

Além das medidas de apoio financeiro, o governo brasileiro segue atuando na frente diplomática para tentar reduzir ou reverter as restrições comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Paralelamente, Brasília aguarda a conclusão da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que poderá definir a aplicação de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros.

Enquanto o cenário comercial permanece indefinido, o pacote anunciado busca preservar empregos, investimentos, a competitividade da indústria brasileira e a capacidade de exportação das empresas.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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Informação

FIESC e Governo de Santa Catarina criam grupo de trabalho para enfrentar novo tarifaço dos EUA

A Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) e o Governo de Santa Catarina deram início a uma força-tarefa para acompanhar os efeitos do novo tarifaço dos Estados Unidos sobre as empresas exportadoras catarinenses. A decisão foi tomada durante uma reunião realizada nesta terça-feira (21), que reuniu representantes da indústria, quatro secretários estaduais e equipes técnicas do governo.

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos começam a valer nesta quarta-feira (22) e acendem um alerta para setores com forte presença no mercado internacional.

Mais da metade das exportações catarinenses pode ser afetada

Durante o encontro, o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, ressaltou que o impacto da nova rodada de tarifas deverá ser semelhante ao registrado anteriormente.

Segundo levantamento da entidade, 54,5% da pauta de exportações de Santa Catarina poderá ser atingida pelas novas alíquotas. Para Seleme, o momento exige atuação conjunta entre o poder público e o setor produtivo, especialmente porque muitas empresas ainda enfrentam reflexos das medidas anteriores.

Grupo técnico vai avaliar medidas de apoio à indústria

O secretário de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert, reafirmou o compromisso do governo em manter diálogo permanente com a indústria para identificar alternativas que possam minimizar os efeitos econômicos das novas barreiras comerciais.

De acordo com o secretário, foi criado um grupo de trabalho que reunirá informações técnicas para analisar os impactos da medida e subsidiar futuras decisões voltadas à preservação da competitividade das empresas catarinenses.

Siewert destacou ainda a relevância da indústria para a economia estadual, lembrando que o setor responde por cerca de 35% dos empregos formais e por aproximadamente 30% do Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Catarina.

Diversificação de mercados ganha força na estratégia estadual

Outro tema discutido durante a reunião foi a necessidade de ampliar a presença das empresas catarinenses em novos mercados internacionais.

O secretário de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen, afirmou que o comércio exterior continuará sendo um fator decisivo para o crescimento econômico do estado. Segundo ele, as mudanças no cenário geopolítico e nas cadeias globais de suprimentos exigirão uma atuação permanente dos setores público e privado.

Na avaliação do secretário, o grupo criado para acompanhar os impactos do tarifaço poderá se tornar uma estrutura permanente para monitorar questões relacionadas ao comércio internacional.

Internacionalização de empresas está entre as prioridades

Além das ações voltadas às empresas já exportadoras, FIESC e governo estadual defenderam o fortalecimento de programas de promoção comercial e de internacionalização, com o objetivo de ampliar a participação de novas empresas catarinenses no mercado externo.

O secretário de Planejamento, Arão Josino da Silva, destacou que a expansão da presença internacional das empresas deve integrar a estratégia de desenvolvimento econômico de longo prazo do estado.

Também participou da reunião o secretário de Estado da Indústria, Comércio e Serviços, Leodegar Tiscoski.

Próximos passos

Como encaminhamento, as equipes técnicas da FIESC e do Governo de Santa Catarina iniciarão a troca de informações para avaliar os desdobramentos das novas tarifas e elaborar medidas que possam reduzir os impactos sobre a indústria catarinense, preservar a competitividade das empresas e fortalecer o comércio exterior do estado.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

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