Logística

Rota Marítima da Seda reúne 19 países em fórum sobre comércio e logística

O VIII Fórum Internacional de Cooperação Marítima da Rota da Seda foi aberto em Xiamen, na província de Fujian, no leste da China, reunindo mais de 1.800 participantes de 19 países e regiões. O encontro colocou no centro dos debates a necessidade de ampliar a cooperação marítima internacional, a conectividade e a resiliência das cadeias de suprimentos diante de desafios como tensões geopolíticas, mudanças climáticas e transformação tecnológica.

Realizado sob o tema “Um novo capítulo da Rota Marítima da Seda para o crescimento compartilhado: cooperação aberta de alto nível em portos, transporte marítimo e comércio”, o evento reúne representantes dos setores de portos, transporte marítimo, logística, comércio, finanças e tecnologia.

Os participantes destacaram que a integração entre esses segmentos pode ajudar a enfrentar um cenário de maior fragmentação das cadeias globais e de aumento das incertezas no comércio internacional.

Conectividade é prioridade diante de riscos globais

Durante a abertura, os debates abordaram desde a reorganização das cadeias de abastecimento globais até o desenvolvimento portuário e a conectividade marítima.

Gu Jinshan, presidente da Associação Chinesa de Portos e Cais, afirmou que o setor portuário chinês vem reforçando sua contribuição para a economia real e para a integração entre portos, navegação e comércio. Segundo ele, os avanços obtidos nos últimos anos criaram uma base para fortalecer o transporte marítimo e apoiar a abertura econômica da China.

Ren Weimin, diretor da Divisão de Transportes da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico, defendeu o fortalecimento da resiliência da conectividade marítima na região. A medida, segundo ele, é necessária para reduzir os impactos de crises geopolíticas e das mudanças climáticas sobre o sistema global de transporte.

Já Zhang Ruosi, assessora da Divisão de Comércio de Serviços e Investimentos da Organização Mundial do Comércio (OMC), chamou atenção para os efeitos da fragmentação comercial. Na avaliação dela, políticas que favoreçam o comércio e uma maior integração do transporte marítimo podem contribuir para enfrentar esse cenário.

Rota Marítima da Seda aposta em resiliência

A crescente instabilidade geopolítica tem elevado as preocupações relacionadas à segurança das principais rotas marítimas internacionais. Entre os efeitos estão viagens mais longas, aumento dos custos logísticos e maior dificuldade no planejamento dos trajetos.

Nesse contexto, os participantes do fórum defenderam que a estratégia da Silk Road Maritime deve considerar não apenas eficiência, mas também capacidade de adaptação e continuidade diante de interrupções.

Um dos destaques do evento foi o lançamento de um serviço de cálculo de rotas meteorológicas voltado à Rota Marítima da Seda no Ártico. A ferramenta foi desenvolvida em conjunto pela Administração Meteorológica da China e pela Associação Marítima da Rota da Seda.

Inteligência artificial apoia navegação no Ártico

O novo serviço utiliza dados dos satélites meteorológicos Fengyun para formar uma rede de observação do gelo marinho no Ártico. As informações são combinadas com modelos de previsão numérica e algoritmos de inteligência artificial.

A ferramenta oferece previsões de condições do gelo para até 15 dias e monitoramento de ciclones polares, com o objetivo de auxiliar decisões relacionadas à segurança da navegação em águas polares.

Chen Zhiping, presidente do Fujian Provincial Port Group, afirmou que a empresa também trabalha com o escritório meteorológico de Xiamen no desenvolvimento de um sistema de IA para gestão de riscos meteorológicos portuários.

A solução reúne em uma única interface informações sobre riscos climáticos de 58 portos chineses e estrangeiros, incluindo níveis de alerta, distância em relação ao centro de tufões e situação de funcionamento dos portos.

Segundo Chen, a ferramenta pode facilitar a tomada de decisões por portos, empresas de navegação, comércio, seguradoras e outros integrantes da cadeia de suprimentos.

O grupo pretende continuar aperfeiçoando o sistema e ampliar sua integração com outros portos participantes da Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI).

Jamaica e Nigéria defendem maior integração

Durante o encontro, a ministra das Relações Exteriores e Comércio Exterior da Jamaica, Johnson Smith, destacou a importância de manter o comércio marítimo seguro e ininterrupto e ressaltou o papel da China nesse processo.

Na avaliação da representante jamaicana, a cooperação comercial multilateral e as iniciativas vinculadas à Rota Marítima da Seda podem contribuir para cadeias de suprimentos mais seguras, sustentáveis e resilientes.

Na mesma linha, Chris Osa Isokpunwu, secretário permanente do Ministério Federal da Indústria, Comércio e Investimento da Nigéria, afirmou que a iniciativa representa mais do que o transporte de navios e mercadorias.

Para o representante nigeriano, a parceria também pode ampliar a integração do país à economia mundial, atrair investimentos e criar oportunidades de desenvolvimento sustentável. Ele acrescentou que a Nigéria pretende utilizar a cooperação para qualificar sua mão de obra e aproveitar experiências acumuladas pela China.

Europa e China discutem transformação digital

Jan Van der Borght, representante da Autoridade Portuária de Antuérpia-Bruges, considerou o fórum e a Associação Marítima da Rota da Seda mecanismos relevantes para estreitar a cooperação entre Europa e China.

Segundo ele, a evolução econômica chinesa não está relacionada apenas ao aumento do volume de cargas, mas também à transformação da indústria e à incorporação de novas tecnologias.

O representante citou inteligência artificial, tecnologias inteligentes e produtos chineses como fatores que podem ampliar as relações comerciais com o mercado europeu. Ao mesmo tempo, defendeu que os portos europeus avancem em sua transformação digital para acompanhar esse processo.

Novo corredor reduz custos logísticos

O fórum também apresentou o corredor intermodal marítimo-ferroviário Hunan-Fujian Silk Road Maritime. A iniciativa busca melhorar a ligação entre o interior da China e os portos da costa.

A expectativa é que o corredor crie uma alternativa de exportação mais eficiente para a região central do país, com potencial para reduzir os custos logísticos entre 20% e 30% e diminuir o tempo de transporte em cinco a sete dias.

Além disso, o encontro divulgou documentos relacionados ao desenvolvimento integrado de portos, transporte marítimo e comércio, incluindo o livro azul da Iniciativa Marítima da Rota da Seda 2025-2026, políticas de apoio ao desenvolvimento portuário e marítimo para 2026-2028 e um sistema colaborativo de serviços de navegação para as rotas do Ártico.

Novas rotas e acordos de cooperação

Segundo o Global Times, o fórum anunciou 12 novas rotas marítimas da Rota da Seda, a entrada de 15 novos integrantes na associação e a assinatura de 11 projetos de cooperação.

Uma nova iniciativa também foi aprovada durante a mesa-redonda do evento, com participação de aproximadamente 30 representantes de portos, empresas de navegação, operadores logísticos, companhias de tecnologia e instituições de pesquisa.

O acordo estabelece cinco áreas prioritárias:

  • expansão das redes de conectividade;
  • integração de recursos de portos, navegação e comércio;
  • avanço da digitalização e inteligência;
  • promoção do desenvolvimento sustentável;
  • criação de um ecossistema compartilhado voltado à prosperidade.

Silk Road Maritime amplia presença global

Criada em 2018, na província de Fujian, a Silk Road Maritime é apresentada como a primeira plataforma integrada de serviços logísticos internacionais da China dedicada ao transporte marítimo no âmbito da Iniciativa do Cinturão e Rota.

A rede cresceu rapidamente e atualmente reúne 160 rotas marítimas, 153 portos em 50 países e regiões e 393 integrantes de diferentes setores, incluindo transporte marítimo, energia, indústria e internet.

Para Zhang Jingquan, professor da Faculdade de Relações Internacionais da Universidade de Jinan, o desenvolvimento acumulado pela iniciativa pode ampliar o suporte à cooperação de alta qualidade dentro da BRI e fortalecer a economia marítima.

A plataforma também vem ampliando sua atuação em organização de rotas, coordenação portuária, serviços logísticos e transformação digital.

A proposta dos organizadores é avançar na integração de recursos internacionais e desenvolver novos modelos capazes de conectar portos, cidades, indústrias e comércio. O objetivo é formar uma rede de cooperação marítima mais inteligente, integrada e resiliente.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Tecnologia

China avança em baterias LFP com célula acima de 200 Wh/kg e produção 70% mais rápida

A indústria chinesa de baterias LFP (lítio-ferro-fosfato) deu mais um passo para ampliar a densidade energética dessa tecnologia. Uma nova célula de quarta geração apresentada no país ultrapassou a marca de 200 Wh/kg, enquanto equipamentos industriais demonstraram capacidade de acelerar em cerca de 70% uma das etapas da fabricação.

O avanço foi apresentado por Ouyang Minggao, professor da Universidade Tsinghua e integrante dos principais programas nacionais chineses de pesquisa voltados aos veículos elétricos (EVs).

A divulgação ocorreu durante a World Power Battery Conference 2026, realizada em Yibin, na província de Sichuan. No mesmo evento, fabricantes mostraram máquinas automatizadas capazes de enrolar até 7,5 células prismáticas por minuto, contra 4,4 unidades por minuto na referência anterior.

Embora sejam avanços distintos, os resultados mostram duas frentes da indústria chinesa: aumentar o desempenho das células e, ao mesmo tempo, elevar a produtividade das fábricas de baterias.

LFP já domina o mercado chinês

A aposta na evolução do LFP ocorre em um mercado no qual essa química já possui ampla presença. No primeiro semestre, baterias LFP responderam por 272,0 GWh dos 335,6 GWh instalados na China.

A participação corresponde a 81% do total, reforçando o interesse dos fabricantes em aprimorar uma tecnologia que já conta com escala industrial, cadeia de fornecedores consolidada e custos competitivos.

Nos últimos anos, parte significativa dos ganhos de eficiência veio não necessariamente das células, mas da maneira como elas são organizadas nos conjuntos de baterias. Arquiteturas como Cell-to-Pack (CTP) e a Blade Battery permitiram reduzir a quantidade de materiais considerados inativos.

Fabricantes como CATL e BYD exploraram amplamente essa estratégia. Porém, quanto mais o espaço interno do pacote é otimizado, menores tendem a ser os ganhos adicionais obtidos apenas com mudanças na arquitetura.

Densidade energética passa a ser o próximo desafio

Com o aproveitamento estrutural dos pacotes chegando a níveis mais elevados, aumentar a autonomia ou diminuir o peso dos veículos depende cada vez mais da densidade energética da célula.

É nesse ponto que entra a nova geração de LFP de alta compactação. A proposta busca concentrar uma quantidade maior de material ativo do cátodo dentro do mesmo espaço físico.

Os dados apresentados indicam densidade do pó LFP compactado entre aproximadamente 2,65 g/cm³ e 2,80 g/cm³, além de mais de 430 Wh/L.

É importante destacar que esses números não correspondem à densidade de uma bateria completa instalada em um veículo. A medição de célula não inclui integralmente elementos como estruturas, sistemas de refrigeração, conexões elétricas e outros componentes, que acrescentam peso e volume ao conjunto final.

Nova geração se aproxima da BYD Blade 2.0

A marca de mais de 200 Wh/kg coloca a nova tecnologia próxima de produtos LFP mais avançados já apresentados pela BYD. A Blade 2.0 Long Blade, por exemplo, chega a aproximadamente 210 Wh/kg.

Já a versão Short Blade permanece na faixa de 160 Wh/kg. A diferença evidencia que densidades próximas ou superiores a 200 Wh/kg ainda representam um patamar elevado dentro da própria tecnologia LFP.

A maior compactação, entretanto, também traz obstáculos técnicos. Quando os espaços internos diminuem, pode ficar mais difícil para o eletrólito atravessar adequadamente os eletrodos durante o funcionamento da bateria.

Por isso, fatores como composição dos eletrodos, tamanho das partículas, caminhos para condução elétrica e precisão do processo de fabricação ganham importância à medida que a densidade aumenta.

Baterias de níquel ainda têm vantagem

Apesar do avanço, as baterias ternárias ricas em níquel continuam apresentando densidades energéticas superiores. Um exemplo é a CATL Qilin, cuja densidade é reportada em aproximadamente 285 Wh/kg.

Ainda assim, a evolução do LFP pode ampliar sua competitividade sem exigir uma migração imediata para materiais catódicos com maior concentração de níquel.

Ouyang Minggao já havia avaliado que as baterias líquidas convencionais e maduras devem permanecer predominantes enquanto as tecnologias de baterias de estado sólido atravessam um período mais longo de desenvolvimento.

Caso a nova geração de LFP consiga manter mais de 200 Wh/kg em produção de grande escala, a química poderá ganhar ainda mais espaço entre aplicações que exigem equilíbrio entre autonomia, custo e segurança.

Produção de células também fica mais rápida

O avanço na densidade energética veio acompanhado de uma demonstração de produtividade industrial. Máquinas automatizadas passaram de 4,4 para 7,5 células prismáticas enroladas por minuto.

A diferença representa um aumento de aproximadamente 70,5% na velocidade de enrolamento.

Esse número, porém, não significa que uma fábrica inteira produzirá células acabadas 70% mais rapidamente. O enrolamento é apenas uma das etapas do processo.

Fases como formação, envelhecimento, inspeção, montagem e controle de qualidade também influenciam a capacidade final de uma linha de produção. Além disso, rendimento industrial e taxa de defeitos continuam sendo fatores decisivos para determinar a produtividade real.

Novas regras acompanham evolução das baterias

A expansão da indústria também ocorre sob as regras estabelecidas pelo padrão GB 38031-2025, que passou a ser obrigatório na China em 1º de julho e atualizou requisitos aplicáveis às baterias de tração.

O conjunto de avanços aponta para uma estratégia cada vez mais definida da indústria chinesa: aumentar simultaneamente a densidade energética, a produtividade e a eficiência das fábricas, preservando as vantagens já construídas pelo LFP em custos, escala e cadeia de fornecimento.

FONTE: Notícias Automotivas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Automotivas

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Comércio Internacional

China registra alta de 25% nas exportações em agosto, impulsionada pela inteligência artificial

As exportações da China avançaram 25% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, impulsionadas principalmente pela forte demanda internacional por produtos de tecnologia utilizados na expansão da inteligência artificial (IA). No mesmo período, as importações chinesas cresceram 28,2%, segundo dados divulgados nesta terça-feira (8) pela Administração Geral de Alfândegas da China (AGC).

Os números mostram que o comércio exterior chinês continua em ritmo acelerado, sustentado pela procura global por componentes e equipamentos ligados ao desenvolvimento de novas tecnologias.

Exportações de tecnologia ganham força

Entre janeiro e agosto, o valor das exportações chinesas de computadores e componentes relacionados aumentou 49,4%, de acordo com a AGC.

A expansão ocorre em um momento de forte crescimento dos investimentos internacionais em infraestrutura para inteligência artificial, o que amplia a demanda por semicondutores, equipamentos de informática e outros produtos tecnológicos fabricados na China.

O desempenho também mantém a trajetória positiva registrada pelo país no comércio internacional. Em 2025, a China alcançou um superávit comercial recorde, favorecido pela demanda externa por produtos associados ao setor de tecnologia e à cadeia global de inteligência artificial.

Vendas para os Estados Unidos aceleram

As exportações chinesas destinadas aos Estados Unidos também apresentaram crescimento expressivo. Em agosto, as vendas para o mercado americano aumentaram 34,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado representa uma aceleração em relação a julho, quando as exportações chinesas para os EUA haviam registrado crescimento anual de 17%.

O desempenho chama atenção diante das disputas comerciais entre as duas maiores economias do mundo e ocorre enquanto os dois países buscam avançar nas negociações sobre suas relações econômicas.

Dados antecedem encontro entre Trump e Xi

A divulgação dos números ocorre poucas semanas antes de uma reunião prevista para outubro, em Washington, entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping.

O avanço das exportações chinesas e o aumento das vendas para o mercado americano devem integrar o contexto das discussões entre os dois governos, especialmente diante da importância do comércio bilateral para a economia mundial.

Os dados de agosto reforçam, ainda, o peso da China na cadeia global de fornecimento de tecnologia, semicondutores e equipamentos para inteligência artificial.

FONTE: Jovem Pan
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pekín (China)EFE/WU HAO

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Comércio Internacional

China rejeita exigências unilaterais nas negociações comerciais com a União Europeia

O Ministério do Comércio da China afirmou nesta quinta-feira (4) que as negociações comerciais com a União Europeia (UE) devem considerar os interesses e preocupações dos dois lados de forma equilibrada. Pequim rejeitou a possibilidade de que as conversas sejam conduzidas a partir de exigências unilaterais ou ameaças de restrições ao acesso aos mercados.

A declaração foi feita pela porta-voz da pasta, Huang Ling, durante uma coletiva de imprensa regular. A manifestação ocorreu após o comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, Maros Sefcovic, advertir que a UE poderia recorrer a instrumentos de defesa comercial caso as negociações com a China não apresentassem resultados.

China defende diálogo em condições de igualdade

Segundo Huang, o governo chinês tomou conhecimento das recentes declarações de Sefcovic, mas ressaltou que os líderes de China e UE já estabeleceram o entendimento de que as divergências devem ser tratadas por meio de diálogo e consultas.

A porta-voz afirmou que Pequim mantém esse compromisso e vem ampliando os canais de comunicação econômica e comercial com o bloco europeu para administrar disputas e diferenças entre as partes.

Para a China, as negociações devem preservar a relação entre os dois lados como importantes parceiros comerciais, com equilíbrio na discussão das demandas apresentadas por cada parte.

Consultas entre China e UE foram intensificadas

Desde a primeira reunião do mecanismo de consultas sobre comércio e investimentos entre China e UE, realizada em 29 de junho, representantes dos dois lados vêm mantendo contatos em diferentes níveis.

De acordo com Huang, o Ministério do Comércio chinês e a parte europeia também avançaram em discussões técnicas destinadas a encontrar soluções para questões comerciais e econômicas consideradas prioritárias.

Entre segunda e quarta-feira, o vice-ministro do Comércio da China, Ling Ji, reuniu-se com Denis Redonnet, vice-diretor-geral da Direção-Geral do Comércio e da Segurança Econômica da Comissão Europeia, durante uma visita do representante europeu ao país asiático.

As conversas foram classificadas pelo governo chinês como profundas, francas e construtivas. Os encontros também serviram para orientar novas rodadas de consultas técnicas entre as equipes de negociação.

Pequim critica ameaças de fechamento de mercados

Huang afirmou que nenhum dos lados deveria impor condições ao outro ou utilizar demandas unilaterais como instrumento de negociação.

A porta-voz também criticou a possibilidade de usar ameaças de fechamento de mercados como mecanismo de pressão nas conversas comerciais.

Na avaliação do governo chinês, as negociações devem partir do princípio de que China e UE possuem interesses econômicos interdependentes e precisam buscar soluções que atendam às preocupações de ambos.

China diz que pode ajudar a enfrentar problemas da UE

O Ministério do Comércio chinês também defendeu que a União Europeia enfrente diretamente os desafios que considera prioritários em sua economia.

Segundo Huang, a China não seria a origem desses problemas, mas poderia atuar como parceira na busca por soluções.

A representante do governo chinês afirmou ainda que o protecionismo não seria uma alternativa para resolver as divergências e defendeu uma relação baseada em benefícios mútuos.

Pequim se declarou disposto a ampliar a comunicação institucional com Bruxelas nas áreas de comércio e economia, com o objetivo de administrar diferenças e aumentar a cooperação prática.

China pede defesa do livre comércio

A expectativa chinesa é que o fortalecimento do diálogo contribua para tornar o comércio bilateral mais equilibrado e sustentar o crescimento das relações econômicas entre as duas partes.

Huang também pediu que a UE mantenha seu compromisso com o livre comércio e trabalhe com a China para preservar o sistema multilateral de comércio baseado em regras.

Nesse contexto, Pequim destacou o papel central da Organização Mundial do Comércio (OMC) e pediu ao bloco europeu que evite ampliar medidas consideradas protecionistas.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Jason Lee

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Comércio Exterior

China pode ampliar exportações de frango e disputar mercado com o Brasil, diz Rabobank

A China deve ampliar as exportações de carne de frango nos próximos anos e poderá se tornar uma concorrente mais forte do Brasil no mercado internacional da proteína. A avaliação é de Chenjun Pan, especialista em carnes do Rabobank, que vê possibilidade de maior disputa entre os dois países em mercados como Oriente Médio, Ásia e África ao longo da próxima década.

A mudança ocorre em um cenário no qual a China, atualmente o principal destino da carne de frango brasileira, passou a ser exportadora líquida da proteína em 2025. O movimento está relacionado principalmente ao aumento da oferta de cortes menos consumidos pelos chineses, como o peito de frango.

China começa a ganhar espaço nas exportações de frango

Segundo Pan, ainda não há uma concorrência direta em grande escala com o Brasil, mas o cenário pode mudar nos próximos anos.

A especialista considera que as exportações chinesas de carne de frango in natura apresentam potencial de crescimento, especialmente porque o país passou a vender maiores volumes de cortes como peito de frango no mercado externo.

A China já exportava produtos avícolas há anos, mas historicamente sua presença internacional estava mais concentrada em carne de frango processada. O avanço recente dos embarques de produtos in natura representa uma mudança importante na estratégia do setor.

Brasil ainda lidera mercado global

A China é atualmente o segundo maior produtor mundial de carne de frango, atrás apenas dos Estados Unidos. Mesmo com o crescimento recente, sua participação nas exportações ainda está muito abaixo da brasileira.

Em 2025, a China exportou pouco mais de 1 milhão de toneladas de carne de frango, segundo relatório anual da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

No mesmo ano, o Brasil manteve a liderança mundial e atingiu o recorde de 5,3 milhões de toneladas exportadas.

A diferença mostra a distância que ainda separa os dois países, embora o avanço da produção chinesa possa alterar a dinâmica do comércio internacional nos próximos anos.

Hábitos de consumo geram excedentes exportáveis

Um dos fatores que ajudam a explicar o crescimento das exportações chinesas é o perfil de consumo doméstico.

Segundo Pan, os consumidores chineses demonstram maior preferência por asas e pés de frango, enquanto o peito tem menor procura no mercado interno. Com o aumento da produção, esse desequilíbrio gera excedentes de determinados cortes que podem ser direcionados para outros países.

A produção chinesa vem crescendo em ritmo próximo de 10%, enquanto a demanda doméstica avança mais lentamente.

Entre os destinos das exportações chinesas estão Rússia, Hong Kong, Coreia do Norte e países do Oriente Médio.

União Europeia, Japão e Coreia do Sul seguem fora da disputa

Apesar da expansão, a China ainda encontra restrições importantes em alguns dos principais mercados consumidores de frango.

A União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul não aceitam carne proveniente de aves vacinadas contra a gripe aviária. A China utiliza a vacinação como parte de sua estratégia para reduzir os impactos da doença, o que limita o acesso de seus produtos a esses mercados.

Por isso, a competição com o Brasil tende a ser mais relevante em regiões que aceitam a carne chinesa, como partes da Ásia, África e Oriente Médio.

Produção chinesa cresce mais de 9% no primeiro semestre

A expansão da oferta continua acelerada. No primeiro semestre de 2026, a produção chinesa de carne de frango aumentou mais de 9% na comparação anual, depois de crescer cerca de 7% em 2025.

Para Pan, o ritmo de expansão da produção supera o crescimento da demanda doméstica.

Esse cenário aumenta a disponibilidade de proteína para o mercado externo e reforça a possibilidade de crescimento das exportações chinesas.

Estratégia busca reduzir dependência da carne suína

O aumento da produção de frango também está relacionado à política chinesa de diversificação das fontes de proteína animal.

O governo busca reduzir a dependência da carne suína, que ocupa posição central na alimentação do país e tem a China como maior mercado consumidor mundial.

Durante a crise provocada pela peste suína africana, entre 2019 e 2021, a redução da oferta de carne suína provocou forte alta nos preços. A valorização da proteína também beneficiou o mercado de frango e estimulou novos investimentos na avicultura chinesa.

Com a expansão da produção, a participação do frango no mercado chinês de carnes chegou a aproximadamente 28%.

Frango também é estratégico para reduzir uso de ração

Outro fator considerado pelo governo chinês é a eficiência da produção de frango em relação à suinocultura.

A criação de aves demanda menos milho e farelo de soja para produzir uma determinada quantidade de proteína. A característica ganha importância diante do esforço de Pequim para diminuir a dependência das importações de grãos destinados à alimentação animal.

Na avaliação do Rabobank, uma eventual migração do consumo para proteínas que utilizam menos ração, combinada à expectativa de redução da produção de carne suína, pode limitar o crescimento futuro da demanda chinesa por soja.

Carne bovina pode ganhar espaço no mercado chinês

Enquanto o mercado de frango enfrenta forte expansão da oferta, a carne bovina apresenta perspectivas diferentes.

Pan considera que o consumo chinês de carne bovina ainda tem espaço para crescer no futuro. Atualmente, porém, o mercado enfrenta restrições relacionadas à oferta e às condições de importação.

Entre os fatores que afetam o Brasil estão as tarifas de importação extracota aplicadas à carne bovina brasileira e de outros países.

Brasil pode encontrar novas oportunidades após 2028

Segundo a especialista, as tarifas mais elevadas devem permanecer até 2028. Depois desse período, o cenário poderá oferecer novas oportunidades aos exportadores brasileiros.

A perspectiva está relacionada também à mudança no perfil do consumidor chinês, que tende a buscar produtos com maior processamento e valor agregado.

Nesse contexto, embora a China possa aumentar sua presença como exportadora de frango, o mercado chinês continuará sendo estratégico para o agronegócio brasileiro, especialmente se o Brasil conseguir avançar na oferta de proteínas e produtos de maior valor agregado.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Keiny Andrade/Folhapress

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Comércio

Comércio entre China e ASEAN supera US$ 1 trilhão pela primeira vez em 2025

O comércio entre a China e a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) ultrapassou pela primeira vez a marca de US$ 1 trilhão em 2025. O intercâmbio comercial entre os dois lados somou US$ 1,05 trilhão no ano, crescimento de 7,4% em relação a 2024.

A informação foi divulgada nesta terça-feira pelo vice-ministro do Comércio da China, Yan Dong, que destacou a importância da parceria econômica entre as duas regiões.

A China mantém a posição de principal parceiro comercial da ASEAN há 17 anos consecutivos. No sentido inverso, o bloco ocupa o primeiro lugar entre os parceiros comerciais chineses há seis anos seguidos.

Comércio bilateral acelera em 2026

O ritmo de crescimento continuou nos primeiros meses de 2026. Entre janeiro e julho, o comércio entre China e ASEAN alcançou US$ 744,41 bilhões, alta de 24,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

O montante representou 21,8% do comércio exterior chinês nos sete primeiros meses do ano, reforçando o peso da ASEAN nas relações comerciais da segunda maior economia mundial.

Os investimentos entre as duas partes também avançaram. Até julho, o investimento bilateral acumulado entre China e ASEAN, somado ao faturamento acumulado de projetos contratados por empresas chinesas no bloco, já havia ultrapassado US$ 515 bilhões.

Exposição China-ASEAN reunirá mais de 3 mil empresas

Os números foram apresentados durante uma coletiva de imprensa sobre a 23ª Exposição China-ASEAN, marcada para ocorrer entre 17 e 21 de setembro, em Nanning, capital da Região Autônoma da Etnia Zhuang de Guangxi, no sul da China.

O evento deverá reunir mais de 2.200 empresas chinesas e aproximadamente mil companhias dos países integrantes da ASEAN.

Uma das novidades desta edição será a criação de uma área dedicada às demandas tecnológicas dos países da ASEAN. O espaço permitirá que empresas chinesas participem de rodadas de negócios direcionadas a partir das necessidades apresentadas pelos compradores e parceiros do Sudeste Asiático.

Inteligência artificial ganha espaço na feira

A exposição também ampliará a área dedicada à inteligência artificial (IA), criada na edição do ano passado.

O espaço apresentará tecnologias e aplicações de IA voltadas aos setores de consumo, empresas, governo e cooperação internacional.

Outra novidade será o lançamento de um “mercado de IA”, que reunirá mais de 400 modelos de produtos disponíveis para demonstração, testes presenciais e compra direta durante o evento.

China quer ampliar cooperação com ASEAN

Segundo Wang Liping, funcionário do Ministério do Comércio da China, o país pretende acelerar a entrada em vigor e a implementação do protocolo de atualização da Área de Livre Comércio China-ASEAN 3.0.

O acordo foi assinado em outubro de 2025 e deverá ampliar as possibilidades de cooperação econômica entre as duas partes.

Entre as áreas consideradas prioritárias estão a economia digital e o desenvolvimento verde, setores que devem ganhar maior participação na agenda comercial bilateral.

País asiático pretende aumentar importações da ASEAN

A estratégia chinesa também inclui a ampliação das compras de produtos de qualidade provenientes dos países da ASEAN.

De acordo com Wang, o objetivo é contribuir para o crescimento do comércio bilateral e, ao mesmo tempo, abrir novas frentes de cooperação em setores emergentes.

Entre as áreas que devem receber maior atenção estão o comércio de serviços, comércio digital e comércio verde.

A perspectiva é que esses segmentos complementem o comércio tradicional de bens e ampliem a integração econômica entre China e os países do Sudeste Asiático.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Xinhua/Zhang Jingang

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Indústria

Brasil precisa fortalecer indústria diante do avanço das importações, defende CNI

O Brasil está diante de uma escolha estratégica: consolidar-se como uma potência industrial ou ampliar a dependência de produtos fabricados no exterior. O avanço das importações, especialmente de mercadorias de origem chinesa e de produtos que chegam ao país por meio de terceiros mercados, reacende o debate sobre a capacidade brasileira de preservar sua indústria e competir no comércio internacional.

A questão, porém, não passa por rejeitar as importações. O desafio é garantir uma inserção competitiva do Brasil no comércio global, permitindo que empresas nacionais disputem mercados externos em condições equilibradas e evitando que o país se transforme em destino de produtos que encontram restrições em outras economias.

Brasil corre risco de perder espaço na indústria

A expansão da indústria chinesa e o aumento das barreiras comerciais em diferentes mercados têm provocado mudanças nos fluxos internacionais de mercadorias. Países com grandes capacidades produtivas procuram novos destinos quando enfrentam tarifas, medidas antidumping, subsídios ou outras restrições.

Nesse cenário, o tamanho do mercado brasileiro, combinado com a abertura relativa da economia e com dificuldades de competitividade enfrentadas pela indústria nacional, pode tornar o país um destino atrativo para esses produtos.

Embora o Brasil tenha registrado recordes de exportações nos últimos anos, a indústria de transformação vem perdendo participação tanto no mercado internacional quanto no próprio mercado doméstico.

O país registra atualmente o maior déficit comercial da indústria de transformação desde 2000. A participação brasileira nas exportações mundiais de manufaturados está abaixo de 1%, enquanto os produtos importados ocupam uma parcela cada vez maior do consumo nacional.

O resultado é um cenário em que o Brasil exporta volumes maiores, mas com menor participação de produtos de maior complexidade tecnológica e valor agregado.

Importações chinesas exigem atenção aos fluxos comerciais

A China se consolidou como a principal origem das importações brasileiras, com forte presença de produtos de menor valor agregado.

Dados apresentados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que o Brasil importa aproximadamente US$ 5 bilhões por ano em produtos chineses que também são alvo de medidas relacionadas a subsídios em outros mercados.

Para a entidade, a análise do comércio exterior não deve considerar apenas o valor total importado. É necessário observar origem, preços, volumes e mudanças nas rotas comerciais, identificando movimentos que possam indicar alterações relevantes nos fluxos internacionais.

Países asiáticos já apresentam aumento das vendas ao Brasil

O crescimento das barreiras comerciais em grandes economias vem contribuindo para a reorganização das cadeias globais e para o desvio de determinados fluxos de comércio.

A CNI identificou sinais desse processo no Sudeste Asiático. Em maio de 2025, por exemplo, as importações brasileiras provenientes da Indonésia aumentaram 72,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No caso da Tailândia, o crescimento chegou a 31,4%.

Para o setor industrial, a preocupação é evitar que mudanças dessa natureza sejam percebidas apenas depois de provocarem efeitos permanentes sobre a produção nacional.

Defesa comercial precisa ser preventiva

Uma das propostas defendidas é ampliar o caráter preventivo da defesa comercial brasileira. Em vez de agir somente após a entrada maciça de produtos no mercado, o país deveria acompanhar continuamente os fluxos de comércio internacional.

Entre as medidas sugeridas estão o cruzamento de informações sobre origem, preços e volumes, o monitoramento de mudanças repentinas nas rotas de importação e a investigação rápida de possíveis casos de triangulação comercial ou desvio de comércio.

A avaliação não significa presumir irregularidades, mas identificar situações que justifiquem uma investigação.

A CNI afirma ainda que qualquer medida de defesa comercial deve considerar seus impactos sobre toda a cadeia produtiva. A entidade também informa que está disposta a colaborar com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e que já iniciou tratativas para a assinatura de um acordo de cooperação.

Subsídios estrangeiros também entram no radar

Os mecanismos de defesa comercial vão além das investigações antidumping. Em 2024, foram abertas 375 investigações antidumping e 64 relacionadas a subsídios, ambos recordes históricos.

O cenário internacional mostra que grandes economias estão ampliando seus instrumentos de proteção porque a política comercial passou a ser tratada também como uma questão de segurança econômica.

Nesse contexto, as medidas compensatórias ganham importância. Enquanto ações antidumping buscam combater determinadas práticas de preços, as medidas compensatórias podem ser aplicadas diante de vantagens obtidas por empresas estrangeiras por meio de subsídios concedidos por governos.

Segundo a CNI, o Brasil ainda utiliza esses instrumentos em escala menor do que outras grandes economias, inclusive em relação a produtos chineses. Para a entidade, existe espaço para aprimorar o uso dessas ferramentas diante de distorções provocadas por políticas de apoio estrangeiras.

Competitividade deve caminhar junto com proteção comercial

A defesa da indústria brasileira não significa fechar a economia ou proteger empresas ineficientes. O setor industrial também precisa avançar em produtividade, inovação, tecnologia e inserção internacional.

Nesse processo, a redução do chamado Custo Brasil é apontada como uma das prioridades para melhorar as condições de produção e ampliar a capacidade de competição das empresas nacionais.

A estratégia, portanto, deve combinar defesa comercial e internacionalização. Enquanto mecanismos de proteção ajudam a reduzir vulnerabilidades diante de práticas consideradas desleais, a presença em mercados estrangeiros amplia oportunidades para empresas brasileiras.

Internacionalização pode ampliar oportunidades para empresas brasileiras

A expansão internacional da indústria pode contribuir para atrair investimentos, incorporar novas tecnologias, elevar a produtividade e integrar empresas brasileiras às cadeias globais de produção e inovação.

Para isso, a política brasileira deveria avançar em duas frentes: garantir condições de concorrência mais equilibradas no mercado doméstico e, simultaneamente, ampliar o acesso das empresas nacionais a mercados externos.

Entre as medidas defendidas estão a implementação dos acordos comerciais já negociados, a busca por novas parcerias estratégicas e a criação de condições para que empresas de diferentes portes possam aumentar suas exportações.

Relação com China, EUA e Europa exige equilíbrio

A ampliação das relações comerciais com a China, os Estados Unidos, a União Europeia e outros parceiros continua sendo considerada importante para o Brasil.

A questão, porém, é evitar que o mercado brasileiro seja utilizado para absorver excedentes de capacidade produtiva de outros países ou para atender a interesses geopolíticos específicos.

Também é necessário impedir que terceiros mercados sejam usados como caminhos para contornar medidas comerciais legítimas adotadas pelo Brasil.

CNI propõe nova missão para a indústria brasileira

A avaliação da CNI é que o comércio mundial atravessa uma transformação estrutural, marcada por excesso de capacidade produtiva, reorganização das cadeias globais, tensões geopolíticas e aumento das barreiras comerciais.

Diante desse cenário, a entidade defende uma política de Estado para enfrentar os novos desafios. Entre as propostas está a criação de uma sétima missão para a Nova Indústria Brasil, voltada à internacionalização da indústria, com metas, mecanismos de financiamento e coordenação entre políticas de comércio, investimento e inovação.

A CNI também coloca o combate ao Custo Brasil entre as prioridades. Segundo a entidade, os custos associados às dificuldades estruturais enfrentadas pelas empresas brasileiras chegam a aproximadamente R$ 1,7 trilhão por ano.

O objetivo, nesse contexto, não seria escolher entre abertura comercial e proteção da indústria, mas combinar as duas estratégias.

Uma indústria competitiva não depende do isolamento do mercado nacional. Ela precisa de condições internas que permitam produzir, investir, inovar e competir no mercado internacional em condições mais equilibradas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Paulo Whitaker

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Agronegócio

China e soja brasileira: quem está do outro lado do mercado que movimenta o agronegócio?

A China se tornou muito mais do que o principal comprador de importantes produtos do agronegócio brasileiro. A força do mercado chinês já influencia o ritmo das exportações, a operação de portos e ferrovias e até as referências de preços que chegam às propriedades rurais.

Para o produtor brasileiro, entender o que ocorre no outro lado dessa cadeia deixou de ser apenas uma questão comercial. É uma forma de acompanhar os fatores que podem interferir diretamente na produção de soja, nos custos e na formação de preços.

China se transforma em potência econômica

Em pouco mais de 70 anos, a China passou de um país marcado pela pobreza para uma das principais potências econômicas globais. Em 2025, o PIB da China alcançou 140,2 trilhões de yuans, avanço de aproximadamente 5% na comparação com o ano anterior, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas chinês.

A expansão econômica aumentou a presença do país no comércio internacional e aproximou ainda mais a China do agronegócio brasileiro.

Essa relação é particularmente relevante no mercado de soja brasileira. Todos os anos, milhões de toneladas do grão cruzam o oceano para abastecer a indústria chinesa. Ao mesmo tempo, o Brasil mantém uma forte dependência desse mercado para escoar uma parcela significativa de sua produção.

Para produtores que participaram da expedição da Agrinvest Commodities à China, conhecer o país permitiu observar de perto uma cadeia que está cada vez mais conectada, apesar da distância física.

“Em se tratando de mercado da soja, Brasil e China só têm uma coisa que nos separa: é o oceano. Cinquenta dias de viagem. Na verdade, nós somos o mesmo mercado”, afirma Eduardo Vanin, analista de mercado da Agrinvest Commodities.

China também é importante para os insumos agrícolas

A relação comercial entre os dois países não acontece somente no sentido Brasil-China. Enquanto os produtores brasileiros enviam principalmente commodities agrícolas para o mercado asiático, a China também participa do fornecimento de produtos essenciais para a agricultura brasileira.

O país está entre os principais fornecedores de defensivos agrícolas e de matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes destinados ao Brasil.

Segundo Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, existe uma relação de dependência mútua nessa cadeia.

“Nós vendemos para eles a nossa soja, vendemos proteína e compramos deles os nossos insumos”, explica ao Canal Rural Mato Grosso.

O cenário é ainda mais relevante porque o Brasil depende fortemente do mercado externo para atender sua demanda por fertilizantes. A produção nacional representa menos de 20% do volume consumido no país.

Com isso, alterações na oferta internacional ou decisões tomadas por grandes fornecedores podem afetar diretamente os custos da produção brasileira.

Souza destaca que questões envolvendo patentes e políticas adotadas pela China contribuíram, nos últimos anos, para mudanças importantes nos preços de determinados produtos. Assim, movimentos originados no mercado chinês podem chegar ao produtor brasileiro antes mesmo que ele perceba a causa.

China compra cerca de 80% da soja exportada pelo Brasil

A dimensão do mercado chinês fica evidente nos números das exportações. Em 2025, a China comprou 87 milhões de toneladas de soja do Brasil, volume correspondente a aproximadamente 80% das exportações brasileiras do grão naquele ano, conforme dados apresentados durante a expedição acompanhada pela reportagem do Canal Rural Mato Grosso.

Depois de chegar ao país asiático, grande parte da soja é destinada ao processamento industrial.

O farelo de soja é utilizado principalmente na fabricação de ração animal, enquanto o óleo extraído do grão abastece a indústria alimentícia e outros setores.

A China também produz soja internamente. A colheita nacional é estimada entre 20 milhões e 21 milhões de toneladas.

Há, porém, uma diferença importante entre a produção chinesa e a soja importada em larga escala. A produção doméstica é convencional, ou seja, não transgênica, e uma parcela relevante é destinada diretamente à alimentação humana.

Dos grãos produzidos no próprio país, aproximadamente 14 milhões de toneladas são consumidos internamente.

Tofu, shoyu e outros alimentos fazem parte da dieta chinesa

A soja está presente em diversos produtos tradicionais consumidos na China, entre eles tofu e shoyu, além de outros alimentos derivados do grão.

“Essa soja produzida na China é 100% não GMO, então é soja convencional”, explica Vanin.

O consumo aparece também no dia a dia da população. Júlio Guan, guia turístico que acompanhou a expedição, conta que produtos derivados da soja fazem parte de sua alimentação cotidiana.

“No meu café da manhã eu como frango, suíno e leite de soja e tofu também. Produtor brasileiro que produz muita soja vende para a China, a gente come bastante”, relata.

Conhecer o consumidor chinês pode ajudar o produtor brasileiro

Para quem trabalha no campo, visitar a China significa mais do que conhecer o principal destino da soja exportada pelo Brasil. A experiência permite observar hábitos de consumo, mudanças na indústria e novas exigências que podem, posteriormente, impactar a cadeia produtiva brasileira.

Entender como o grão brasileiro é utilizado na indústria chinesa também ajuda a dimensionar o tamanho e a complexidade da demanda.

Na avaliação de Vanin, acompanhar esse processo amplia a visão do produtor sobre o mercado e permite observar de perto a velocidade das transformações tecnológicas chinesas.

A viagem também revelou uma diferença entre a percepção que parte dos brasileiros tem sobre a China e a realidade encontrada durante a expedição.

O agricultor Adelar José Marafon participou da viagem justamente para conhecer o país pessoalmente e formar sua própria opinião.

“A China na verdade é um tabu muito grande quando se fala dela, porque ela muita coisa é fechada. A gente ouve muitas versões daqui de dentro da China. Então eu estou aqui para realmente tirar as minhas conclusões, para ver o que realmente se fala e o que realmente acontece”, afirma.

China quer manter parceria estratégica com o Brasil

A relação comercial também é considerada estratégica pelo governo chinês. Yin Ruifeng, vice-presidente de dados, analista e representante do Ministério da Agricultura da China, afirma que o país pretende manter uma relação estável com o Brasil nos próximos anos.

A expectativa é de continuidade da demanda por grandes volumes de produtos agrícolas brasileiros, especialmente soja, algodão e açúcar.

Segundo Ruifeng, o Brasil é a principal fonte chinesa de importações dessas commodities a granel, e a intenção é preservar essa participação em patamares elevados.

A representante chinesa também destacou a importância da qualidade e da sustentabilidade para os produtores brasileiros que desejam manter espaço no mercado chinês.

“Continuem produzindo produtos de alta qualidade para aumentar e manter essa boa relação entre a China e o Brasil, e sempre mantenham o desenvolvimento sustentável, uma agricultura e proteção ao meio ambiente”, ressalta.

A mensagem indica que a competitividade brasileira no mercado asiático não deverá depender apenas de volume e preço. Qualidade dos produtos, sustentabilidade no agronegócio e preservação ambiental tendem a ganhar peso nas relações comerciais.

Produtor precisa acompanhar demanda, preços e custos

Para o agricultor brasileiro, acompanhar a China significa observar uma série de fatores que vão muito além da quantidade de soja vendida.

Mudanças no consumo chinês, decisões políticas, disponibilidade de insumos, custos de produção e comportamento dos preços internacionais podem ter reflexos na rentabilidade das lavouras brasileiras.

A expedição da Agrinvest Commodities teve justamente o objetivo de aproximar os produtores da outra ponta da cadeia.

Marcos Araújo, diretor da Agrinvest Commodities, destaca que esse contato permite conectar quem produz àqueles que consomem a produção brasileira.

“Isso nos deixa muito gratificante dessa nossa missão, pela vida também dessa conectividade, trazer a produção com o consumidor, cada vez mais próximo”, avalia.

Para ele, conhecer o mercado chinês ajuda o produtor a identificar para onde a soja está indo e compreender quem está por trás da demanda.

Brasil e China estão ligados pela cadeia da soja

A distância geográfica entre os dois países continua sendo de milhares de quilômetros, mas o agronegócio Brasil-China criou uma conexão cada vez mais estreita.

A soja produzida nas propriedades brasileiras atravessa o oceano para abastecer uma das maiores cadeias industriais e alimentares do planeta. No caminho inverso, decisões tomadas na China podem chegar às fazendas brasileiras por meio de alterações na demanda, nos preços e nos custos dos insumos.

Por isso, compreender quem está do outro lado da cadeia da soja brasileira se tornou cada vez mais importante para o produtor que busca antecipar movimentos do mercado e tomar decisões mais estratégicas.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Internacional

Missão à China e Singapura amplia interesse asiático em projetos de infraestrutura do Brasil

A missão internacional do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, terminou nesta sexta-feira (28), em Singapura, com avaliação positiva sobre o interesse de empresas e investidores asiáticos na infraestrutura brasileira.

Iniciada na China, a agenda passou por Pequim e Xangai antes de chegar a Singapura. Durante a viagem, o ministro apresentou a carteira de projetos do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) e discutiu possibilidades de investimentos nos setores portuário, aeroportuário e hidroviário, incluindo empreendimentos previstos para 2026 e 2027.

Ambiente brasileiro atrai investidores asiáticos

Na avaliação de Tomé Franca, o interesse demonstrado pelas empresas está relacionado à segurança institucional e regulatória oferecida pelo Brasil, além da qualidade dos projetos apresentados pelo governo.

Segundo o ministro, a estruturação de empreendimentos capazes de atender às necessidades de infraestrutura do País é um dos fatores que contribuem para tornar o mercado brasileiro mais atrativo aos investidores internacionais.

Franca também destacou que a expansão dos investimentos precisa estar apoiada em um planejamento de longo prazo. Nesse contexto, o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050 estabelece diretrizes para o desenvolvimento da infraestrutura de transportes nas próximas décadas.

A proposta é utilizar o planejamento para orientar projetos e promover maior integração entre os diferentes modais de transporte, aumentando a eficiência da logística nacional.

Empresas chinesas avaliam projetos brasileiros

Durante a passagem pela China, representantes do governo brasileiro participaram de reuniões com grandes empresas e instituições financeiras asiáticas.

Entre os grupos que estiveram na agenda estão a CSCEC, CCCC, China Merchants Port Holdings, COFCO, Hutchison Ports, Shanghai Dredging Company e COSCO Shipping. O ministro também se reuniu com representantes do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição financeira ligada ao Brics.

A carteira apresentada pelo MPor reúne projetos de concessões portuárias e hidroviárias, além de iniciativas destinadas à expansão da infraestrutura aeroportuária.

No setor hidroviário, estão previstos seis projetos envolvendo as hidrovias dos rios Madeira, Tapajós, Tocantins e Paraguai, além da Hidrovia Verde e do sistema Lagoa Mirim.

A lista também contempla concessões dos canais de acesso aos portos de Rio Grande, Santos e Itajaí.

PSA International mantém presença no Brasil

Em Singapura, Tomé Franca se reuniu com executivos da PSA International, uma das maiores operadoras portuárias e empresas de logística do mundo.

A companhia movimentou mais de 105 milhões de TEUs em 2025 e possui operações no Brasil por meio da Exologística Brasil, em Itajaí, Santa Catarina.

O encontro serviu para ampliar o diálogo com uma empresa que já atua no País e discutir novas possibilidades relacionadas ao desenvolvimento da logística portuária.

Porto de Tuas mostra operação portuária automatizada

Ainda em Singapura, o ministro visitou o Porto de Tuas, administrado pela PSA International. Durante a visita técnica, conheceu uma operação portuária com alto nível de automação.

O projeto tem conclusão prevista para 2040 e deverá alcançar capacidade de movimentação de até 65 milhões de TEUs por ano.

A estrutura incorpora tecnologias de automação, digitalização e sustentabilidade. O terminal também está sendo preparado para receber os maiores navios porta-contêineres do mundo e enfrentar impactos relacionados à elevação do nível do mar.

Entre as soluções previstas está o reaproveitamento de materiais provenientes de atividades de dragagem e escavação.

Brasil e Singapura firmam acordo para corredor verde e digital

A agenda em Singapura também resultou na assinatura de um Memorando de Entendimento entre o MPor, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e o Ministério dos Transportes de Singapura.

O acordo estabelece uma estrutura de cooperação para a criação de um Corredor Verde e Digital de Navegação entre os dois países.

A iniciativa prevê ações voltadas à descarbonização e digitalização do transporte marítimo, incluindo estudos sobre combustíveis com baixa ou nenhuma emissão de gases de efeito estufa.

Também estão previstas atividades de pesquisa e desenvolvimento, avaliação de instrumentos financeiros e intercâmbio de informações entre as instituições envolvidas.

Governo avalia missão como positiva

No balanço da viagem, Tomé Franca afirmou que a missão permitiu estreitar o relacionamento com empresas asiáticas que já possuem negócios no Brasil e, ao mesmo tempo, apresentar a novos investidores as oportunidades disponíveis na carteira do MPor.

A avaliação do ministro é de que a agenda abriu espaço para novas parcerias e reforçou o potencial brasileiro para atrair capital estrangeiro destinado à modernização da infraestrutura de transportes.

Para o governo, a aproximação com investidores asiáticos pode contribuir para ampliar a capacidade logística do Brasil e acelerar projetos considerados estratégicos para os próximos anos.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Agronegócio

China enfrenta impactos climáticos nas lavouras e pode aumentar demanda por grãos da América Latina

As condições climáticas adversas registradas desde meados de julho em importantes regiões agrícolas da China colocam em alerta a produção de milho, soja e algodão. O avanço de ondas de calor, chuvas intensas e inundações já afeta áreas produtoras do nordeste do país, da planície do norte e de Xinjiang.

O cenário passou a ser acompanhado de perto nesta quinta-feira, 27 de agosto, por produtores, exportadores e empresas do agronegócio latino-americano. Caso os danos provoquem perdas relevantes de produtividade ou comprometam a qualidade da safra chinesa, o país poderá recorrer mais ao mercado internacional, com possíveis reflexos sobre os fluxos globais de grãos, fibras e ração animal.

Clima extremo atinge principais regiões agrícolas da China

Segundo informações divulgadas pela Reuters, algumas das principais províncias produtoras chinesas enfrentaram condições meteorológicas fora do padrão.

Em Jilin e Liaoning, as temperaturas alcançaram ou ultrapassaram recordes históricos em diversas estações. Já Heilongjiang foi afetada por uma sequência de chuvas e episódios de inundação. Em Henan, o calor intenso registrado em julho foi seguido por fortes precipitações relacionadas ao tufão Dolphin.

Neste momento, o mercado busca dimensionar os efeitos efetivos sobre a safra. A principal dúvida é se os eventos climáticos resultarão em queda de produtividade, problemas de qualidade dos grãos ou uma combinação dos dois fatores. A resposta será fundamental para determinar se a China precisará ampliar suas compras externas.

Milho chinês entra no radar dos exportadores

No caso do milho, as temperaturas elevadas coincidiram, em determinadas áreas, com fases importantes do desenvolvimento das plantas. O calor persistente durante a polinização pode prejudicar a formação dos grãos, enquanto o excesso de água aumenta os riscos em áreas mais baixas do nordeste chinês.

Apesar dos problemas localizados, analistas ouvidos pela Reuters avaliam que a expansão da área cultivada com milho pode ajudar a limitar eventuais perdas na produção total. Por isso, ainda não há elementos suficientes para projetar uma queda expressiva da oferta doméstica.

A qualidade do milho disponível após a colheita, entretanto, ganha importância. Eventuais problemas nesse aspecto podem elevar a necessidade da indústria chinesa de recorrer a fornecedores externos para garantir matéria-prima destinada à alimentação animal.

América Latina pode ser afetada por novas compras chinesas

Uma eventual redução da disponibilidade de grãos para alimentação animal na China poderia alterar os fluxos internacionais de milho, sorgo e outros produtos utilizados na pecuária.

Nesse cenário, Brasil e Argentina aparecem entre os países diretamente interessados, já que estão entre os principais exportadores mundiais de milho. Ao mesmo tempo, terão de disputar espaço no mercado chinês com os Estados Unidos e outros fornecedores.

Os efeitos para o agronegócio da América Latina também podem ocorrer de forma indireta, por meio de mudanças nos preços internacionais, prêmios de exportação, custos de frete e contratos negociados nos mercados futuros.

Importações chinesas de milho e sorgo já avançaram

Os números do comércio exterior indicam que a China vem aumentando a aquisição de alguns produtos agrícolas.

Entre janeiro e julho, o país importou 1,36 milhão de toneladas de milho, volume 61,3% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. As compras de sorgo cresceram 86,2%, enquanto as de cevada aumentaram 53,4%, segundo dados citados pela Reuters.

O movimento, por si só, não comprova o início de um ciclo estrutural de grandes importações. Ainda assim, mostra uma utilização maior de grãos importados e substitutos para alimentação animal.

Para os exportadores latino-americanos, a evolução das compras chinesas durante e após a colheita será um indicador mais importante para avaliar os efeitos do clima do que as primeiras estimativas de perdas nas lavouras.

Soja exige atenção especial de Brasil e Argentina

O mercado de soja apresenta características diferentes. Em Heilongjiang, o excesso de chuva prejudicou condições de temperatura do solo e reduziu a disponibilidade de luz, aumentando os riscos para a qualidade da produção e para os níveis de proteína.

Entretanto, existe uma diferença importante entre a soja produzida internamente pela China e aquela adquirida no exterior. Grande parte da produção doméstica é não transgênica e destinada ao consumo humano. Já a soja importada é utilizada principalmente no processamento industrial, conhecido como crushing, e na alimentação animal.

Por isso, uma eventual quebra da produção chinesa não necessariamente provocará um aumento proporcional das importações. Mesmo assim, qualquer mudança significativa na demanda do país asiático continua sendo estratégica para Brasil e Argentina, que concentram grande parcela da oferta mundial de soja.

Algodão também pode sofrer impactos

O algodão chinês é outro produto sob observação. Xinjiang responde por mais de 90% da produção nacional e enfrentou temperaturas elevadas e pouca chuva.

Em algumas áreas, as condições climáticas reduziram o número médio de cápsulas por planta, sinalizando possíveis impactos sobre a produtividade.

Ao mesmo tempo, as importações chinesas já chamam atenção. Nos primeiros sete meses de 2026, o país comprou 1,02 milhão de toneladas de algodão, praticamente o mesmo volume adquirido ao longo de todo o ano de 2025, conforme dados divulgados pela Reuters.

Se as perdas na produção doméstica forem maiores do que o esperado, a necessidade de importações poderá crescer e modificar a disputa entre fornecedores internacionais. O movimento interessa especialmente ao Brasil, que vem ampliando sua participação no comércio global de algodão.

Próximos dados serão decisivos para o mercado agrícola

Para produtores e empresas do agronegócio brasileiro e latino-americano, o principal indicador será a transformação dos danos climáticos em compras efetivas da China.

Relatórios sobre a qualidade da safra, o comportamento das importações de milho e demais grãos forrageiros, o ritmo do processamento de soja e os números do comércio de algodão serão fundamentais para medir o impacto real.

O cenário, portanto, não significa necessariamente uma alta automática das commodities agrícolas. Ele acrescenta, porém, uma variável importante às estratégias comerciais dos grandes exportadores.

Se a China precisar recorrer com maior intensidade ao mercado internacional, Brasil, Argentina, Estados Unidos e outros grandes fornecedores agrícolas voltarão a disputar de maneira ainda mais intensa a demanda do maior comprador de diversos produtos do agronegócio mundial.

FONTE: AgroLatam
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Tingshu Wang

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