Logística

Rota Marítima da Seda reúne 19 países em fórum sobre comércio e logística

O VIII Fórum Internacional de Cooperação Marítima da Rota da Seda foi aberto em Xiamen, na província de Fujian, no leste da China, reunindo mais de 1.800 participantes de 19 países e regiões. O encontro colocou no centro dos debates a necessidade de ampliar a cooperação marítima internacional, a conectividade e a resiliência das cadeias de suprimentos diante de desafios como tensões geopolíticas, mudanças climáticas e transformação tecnológica.

Realizado sob o tema “Um novo capítulo da Rota Marítima da Seda para o crescimento compartilhado: cooperação aberta de alto nível em portos, transporte marítimo e comércio”, o evento reúne representantes dos setores de portos, transporte marítimo, logística, comércio, finanças e tecnologia.

Os participantes destacaram que a integração entre esses segmentos pode ajudar a enfrentar um cenário de maior fragmentação das cadeias globais e de aumento das incertezas no comércio internacional.

Conectividade é prioridade diante de riscos globais

Durante a abertura, os debates abordaram desde a reorganização das cadeias de abastecimento globais até o desenvolvimento portuário e a conectividade marítima.

Gu Jinshan, presidente da Associação Chinesa de Portos e Cais, afirmou que o setor portuário chinês vem reforçando sua contribuição para a economia real e para a integração entre portos, navegação e comércio. Segundo ele, os avanços obtidos nos últimos anos criaram uma base para fortalecer o transporte marítimo e apoiar a abertura econômica da China.

Ren Weimin, diretor da Divisão de Transportes da Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia e o Pacífico, defendeu o fortalecimento da resiliência da conectividade marítima na região. A medida, segundo ele, é necessária para reduzir os impactos de crises geopolíticas e das mudanças climáticas sobre o sistema global de transporte.

Já Zhang Ruosi, assessora da Divisão de Comércio de Serviços e Investimentos da Organização Mundial do Comércio (OMC), chamou atenção para os efeitos da fragmentação comercial. Na avaliação dela, políticas que favoreçam o comércio e uma maior integração do transporte marítimo podem contribuir para enfrentar esse cenário.

Rota Marítima da Seda aposta em resiliência

A crescente instabilidade geopolítica tem elevado as preocupações relacionadas à segurança das principais rotas marítimas internacionais. Entre os efeitos estão viagens mais longas, aumento dos custos logísticos e maior dificuldade no planejamento dos trajetos.

Nesse contexto, os participantes do fórum defenderam que a estratégia da Silk Road Maritime deve considerar não apenas eficiência, mas também capacidade de adaptação e continuidade diante de interrupções.

Um dos destaques do evento foi o lançamento de um serviço de cálculo de rotas meteorológicas voltado à Rota Marítima da Seda no Ártico. A ferramenta foi desenvolvida em conjunto pela Administração Meteorológica da China e pela Associação Marítima da Rota da Seda.

Inteligência artificial apoia navegação no Ártico

O novo serviço utiliza dados dos satélites meteorológicos Fengyun para formar uma rede de observação do gelo marinho no Ártico. As informações são combinadas com modelos de previsão numérica e algoritmos de inteligência artificial.

A ferramenta oferece previsões de condições do gelo para até 15 dias e monitoramento de ciclones polares, com o objetivo de auxiliar decisões relacionadas à segurança da navegação em águas polares.

Chen Zhiping, presidente do Fujian Provincial Port Group, afirmou que a empresa também trabalha com o escritório meteorológico de Xiamen no desenvolvimento de um sistema de IA para gestão de riscos meteorológicos portuários.

A solução reúne em uma única interface informações sobre riscos climáticos de 58 portos chineses e estrangeiros, incluindo níveis de alerta, distância em relação ao centro de tufões e situação de funcionamento dos portos.

Segundo Chen, a ferramenta pode facilitar a tomada de decisões por portos, empresas de navegação, comércio, seguradoras e outros integrantes da cadeia de suprimentos.

O grupo pretende continuar aperfeiçoando o sistema e ampliar sua integração com outros portos participantes da Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI).

Jamaica e Nigéria defendem maior integração

Durante o encontro, a ministra das Relações Exteriores e Comércio Exterior da Jamaica, Johnson Smith, destacou a importância de manter o comércio marítimo seguro e ininterrupto e ressaltou o papel da China nesse processo.

Na avaliação da representante jamaicana, a cooperação comercial multilateral e as iniciativas vinculadas à Rota Marítima da Seda podem contribuir para cadeias de suprimentos mais seguras, sustentáveis e resilientes.

Na mesma linha, Chris Osa Isokpunwu, secretário permanente do Ministério Federal da Indústria, Comércio e Investimento da Nigéria, afirmou que a iniciativa representa mais do que o transporte de navios e mercadorias.

Para o representante nigeriano, a parceria também pode ampliar a integração do país à economia mundial, atrair investimentos e criar oportunidades de desenvolvimento sustentável. Ele acrescentou que a Nigéria pretende utilizar a cooperação para qualificar sua mão de obra e aproveitar experiências acumuladas pela China.

Europa e China discutem transformação digital

Jan Van der Borght, representante da Autoridade Portuária de Antuérpia-Bruges, considerou o fórum e a Associação Marítima da Rota da Seda mecanismos relevantes para estreitar a cooperação entre Europa e China.

Segundo ele, a evolução econômica chinesa não está relacionada apenas ao aumento do volume de cargas, mas também à transformação da indústria e à incorporação de novas tecnologias.

O representante citou inteligência artificial, tecnologias inteligentes e produtos chineses como fatores que podem ampliar as relações comerciais com o mercado europeu. Ao mesmo tempo, defendeu que os portos europeus avancem em sua transformação digital para acompanhar esse processo.

Novo corredor reduz custos logísticos

O fórum também apresentou o corredor intermodal marítimo-ferroviário Hunan-Fujian Silk Road Maritime. A iniciativa busca melhorar a ligação entre o interior da China e os portos da costa.

A expectativa é que o corredor crie uma alternativa de exportação mais eficiente para a região central do país, com potencial para reduzir os custos logísticos entre 20% e 30% e diminuir o tempo de transporte em cinco a sete dias.

Além disso, o encontro divulgou documentos relacionados ao desenvolvimento integrado de portos, transporte marítimo e comércio, incluindo o livro azul da Iniciativa Marítima da Rota da Seda 2025-2026, políticas de apoio ao desenvolvimento portuário e marítimo para 2026-2028 e um sistema colaborativo de serviços de navegação para as rotas do Ártico.

Novas rotas e acordos de cooperação

Segundo o Global Times, o fórum anunciou 12 novas rotas marítimas da Rota da Seda, a entrada de 15 novos integrantes na associação e a assinatura de 11 projetos de cooperação.

Uma nova iniciativa também foi aprovada durante a mesa-redonda do evento, com participação de aproximadamente 30 representantes de portos, empresas de navegação, operadores logísticos, companhias de tecnologia e instituições de pesquisa.

O acordo estabelece cinco áreas prioritárias:

  • expansão das redes de conectividade;
  • integração de recursos de portos, navegação e comércio;
  • avanço da digitalização e inteligência;
  • promoção do desenvolvimento sustentável;
  • criação de um ecossistema compartilhado voltado à prosperidade.

Silk Road Maritime amplia presença global

Criada em 2018, na província de Fujian, a Silk Road Maritime é apresentada como a primeira plataforma integrada de serviços logísticos internacionais da China dedicada ao transporte marítimo no âmbito da Iniciativa do Cinturão e Rota.

A rede cresceu rapidamente e atualmente reúne 160 rotas marítimas, 153 portos em 50 países e regiões e 393 integrantes de diferentes setores, incluindo transporte marítimo, energia, indústria e internet.

Para Zhang Jingquan, professor da Faculdade de Relações Internacionais da Universidade de Jinan, o desenvolvimento acumulado pela iniciativa pode ampliar o suporte à cooperação de alta qualidade dentro da BRI e fortalecer a economia marítima.

A plataforma também vem ampliando sua atuação em organização de rotas, coordenação portuária, serviços logísticos e transformação digital.

A proposta dos organizadores é avançar na integração de recursos internacionais e desenvolver novos modelos capazes de conectar portos, cidades, indústrias e comércio. O objetivo é formar uma rede de cooperação marítima mais inteligente, integrada e resiliente.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Portos

Congestionamento nos portos bate recorde e retém 4,3 milhões de TEUs

O congestionamento nos portos ao redor do mundo atingiu um patamar histórico e já afeta diretamente os custos de frete, os prazos de entrega e a logística global de contêineres. Dados da consultoria Linerlytica apontam que mais de 4,3 milhões de TEUs estão retidos em navios que aguardam para atracar.

O volume supera o recorde registrado durante a crise logística provocada pela pandemia de Covid-19. Em 2022, o número de contêineres parados chegou a aproximadamente 4 milhões de TEUs.

Tempestades ampliam filas nos portos asiáticos

Parte do atual gargalo é consequência de uma sequência de tempestades na Ásia Oriental, que provocou alterações nas escalas e nos cronogramas de navios. A instabilidade climática comprometeu a operação portuária e aumentou o tempo de espera para atracação.

Considerando a frota mercante mundial, estimada atualmente em 34,4 milhões de TEUs, os contêineres retidos representam cerca de 12,6% da capacidade global.

Apesar do recorde em números absolutos, a proporção ainda está abaixo da registrada em 2022. Naquele período, os contêineres parados correspondiam a 15,7% da frota mundial, que era menor e somava 25,3 milhões de TEUs.

Canal de Panamá também enfrenta restrições

O cenário de congestionamento marítimo também se estende ao Canal de Panamá. A redução no número de travessias diárias, provocada pela seca na região, contribui para o aumento das filas e adiciona pressão à cadeia internacional de transporte.

Navios porta-contêineres que possuem slots previamente agendados, porém, tendem a sofrer impactos menores diante das restrições operacionais.

Santos Brasil lidera ranking de Transporte e Logística

No mercado brasileiro, a Santos Brasil conquistou a primeira colocação no setor de Transporte e Logística no ranking Valor 1.000 deste ano. O anúncio foi realizado na noite de terça-feira, em São Paulo (SP).

O levantamento é elaborado pelo jornal Valor Econômico e pela revista Época Negócios, em parceria com a Serasa Experian e a Fundação Getulio Vargas (FGV). A publicação avalia o desempenho das principais empresas do país e destaca companhias de maior relevância em seus respectivos segmentos.

Movecta anuncia nova CFO

A Movecta, empresa de logística integrada, anunciou Caroline Pepe Leonard como sua nova Chief Financial Officer (CFO). A chegada da executiva ocorre em uma etapa estratégica para a companhia, que trabalha na execução do Plano Movecta 2030.

O projeto estabelece entre seus principais objetivos a meta de dobrar o faturamento da empresa em cinco anos, reforçando a estratégia de expansão do grupo.

Com mais de 20 anos de experiência profissional, Caroline possui atuação nas áreas de finanças corporativas, relações com investidores, fusões e aquisições (M&A) e private equity.

A executiva já ocupou cargos de liderança em empresas e grupos dos segmentos de infraestrutura, logística, telecomunicações e varejo de alto padrão. Entre as organizações pelas quais passou estão Mills Solaris, Telefônica, Grupo Ultra, Pátria Investimentos e LVMH.

FONTE: Portal BE News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/APS

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Portos

Monitoramento da Saturação Portuária vai orientar investimentos e novos projetos no Brasil

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) vai criar uma ferramenta para acompanhar a capacidade e os níveis de ocupação dos portos brasileiros. A iniciativa busca ampliar a previsibilidade no planejamento do setor e oferecer dados para a avaliação de novos projetos portuários e investimentos em infraestrutura.

O trabalho será conduzido por um Grupo de Trabalho coordenado pela Secretaria Nacional de Portos (SNP), que ficará responsável pelo desenvolvimento do Monitoramento da Saturação Portuária (MSP).

A ferramenta deverá antecipar possíveis gargalos nos terminais e nos acessos terrestres e aquaviários, permitindo identificar com maior antecedência situações de saturação na infraestrutura portuária.

Ferramenta vai cruzar capacidade e demanda

O MSP deverá comparar a capacidade instalada nos portos com as projeções de demanda. O sistema também acompanhará indicadores relacionados ao nível de serviço e considerará portos organizados e Terminais de Uso Privado (TUPs) como partes de um mesmo sistema.

Os resultados do monitoramento serão divulgados uma vez por ano. A primeira edição está prevista para 2027.

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, o trabalho deverá contribuir para ampliar a confiança dos investidores e aprimorar a avaliação técnica da infraestrutura disponível no país.

“Estamos vivendo um grande ciclo de investimentos em infraestrutura no Brasil porque voltamos a ser olhados com respeito pelo mercado internacional.”

O ministro também destacou a importância do Grupo de Trabalho para analisar as necessidades do setor e indicar soluções de acordo com a capacidade instalada.

Dados poderão orientar novos investimentos

Além de subsidiar decisões do Ministério de Portos e Aeroportos e de outros órgãos públicos, o monitoramento poderá ajudar na definição das prioridades de investimentos portuários.

As informações também poderão ser utilizadas por autoridades portuárias, pelo poder concedente e pela iniciativa privada na seleção e estruturação de projetos.

Outra finalidade será identificar tendências no mercado de terminais e contribuir para a racionalização dos instrumentos de planejamento portuário.

O secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, afirmou que o MSP terá papel de apoio à tomada de decisões.

Segundo ele, os dados poderão melhorar a avaliação sobre a necessidade de novos leilões e arrendamentos portuários, além de contribuir para análises relacionadas aos terminais que já estão em operação.

Setor privado e órgãos públicos participarão

A construção do Monitoramento da Saturação Portuária contará com a participação de diferentes segmentos ligados à infraestrutura e à logística.

Serão ouvidas associações e entidades do setor portuário, usuários dos portos, empresas, titulares de outorgas, ministérios, autoridades portuárias, órgãos de controle, agências reguladoras, governos estaduais e outras instituições públicas.

Os participantes poderão fornecer dados, informações e subsídios para a elaboração do projeto. Também deverão contribuir durante a implementação da ferramenta, oferecer apoio institucional e acompanhar as entregas.

Entre os resultados previstos está um balanço com projeções de demanda e cálculo da capacidade dos complexos portuários, incluindo os Terminais de Uso Privado.

MSP não substituirá instrumentos de planejamento

O Ministério ressalta que o novo monitoramento não terá a função de criar ou substituir os instrumentos já existentes de planejamento do setor.

A proposta é utilizar o MSP como uma base de dados e ferramenta de apoio técnico, aumentando a agilidade, a transparência e a confiabilidade das decisões relacionadas à expansão e ao desenvolvimento da infraestrutura portuária.

Grupo de Trabalho começa em setembro

A primeira reunião do Grupo de Trabalho está prevista para 18 de setembro de 2026.

Depois dessa etapa, o cronograma inclui a seleção do parceiro técnico responsável pela implementação, a realização de consultas com representantes dos setores público e privado e a definição dos termos de contratação.

A expectativa é concluir essas etapas até dezembro de 2026.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Sérgio Francês/MPor

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Logística

Maersk defende logística mais barata e eficiente no Brasil: “O Brasil precisa dar escala”

O Brasil é um dos principais mercados globais da Maersk e ocupa uma posição entre as cinco maiores operações da companhia no mundo. Mesmo diante de obstáculos recentes ao comércio exterior, como as cotas chinesas para a carne brasileira e as restrições impostas pela União Europeia, a empresa mantém uma perspectiva de crescimento para 2026.

Para Ricardo Rocha, presidente da Maersk na Costa Leste da América do Sul, região que inclui Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, um dos diferenciais da companhia está no controle de diferentes etapas da cadeia logística.

Segundo o executivo, o modelo verticalizado, que reúne transporte marítimo, terminais, armazéns e distribuição, permite à empresa responder com mais rapidez às mudanças do mercado.

Brasil é um dos maiores mercados da Maersk

A operação brasileira tem peso significativo dentro da estratégia global da empresa. O país está entre os cinco maiores mercados da Maersk no mundo.

A divisão da Costa Leste da América do Sul responde por aproximadamente 50% a 55% dos resultados da companhia na América Latina. O Brasil é o principal mercado desse grupo.

Dos cerca de 3.300 funcionários que trabalham na região, aproximadamente 3 mil estão no Brasil, reforçando a importância do país para a operação da multinacional.

Maersk investe mais de R$ 1 bilhão por ano no Brasil

A companhia afirma investir mais de R$ 1 bilhão anualmente no Brasil em manutenção e expansão de sua estrutura logística, incluindo terminais, armazéns e depósitos.

Atualmente, a Maersk opera ou possui participação em quatro terminais brasileiros. Um dos principais projetos está em Suape, onde a empresa terá um terminal integralmente próprio.

O empreendimento recebeu investimentos de aproximadamente R$ 2 bilhões e deve iniciar as operações em breve.

A estrutura também inclui dez centros logísticos voltados ao recebimento de contêineres vazios e ao atendimento dos clientes.

Carne, café, madeira e outros produtos movimentam a operação

A Maersk atua no transporte de uma ampla variedade de mercadorias produzidas no Brasil. Entre os principais produtos estão carne, madeira, café, algodão, calçados, roupas, alimentos, produtos químicos não perigosos e peças.

A empresa também trabalha com logística refrigerada, transportando produtos como medicamentos e carne congelada.

Cada mercadoria exige procedimentos específicos, devido às características da carga e às regulamentações existentes. A companhia afirma oferecer uma operação integrada que pode começar ainda no país de origem e terminar no destino final.

Quando ocorre algum problema durante o trajeto, a empresa pode recorrer ao transporte aéreo para evitar interrupções na cadeia de suprimentos.

Tarifas dos EUA mudaram rotas de exportação

O aumento das tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros também teve impacto na operação da Maersk.

De acordo com Ricardo Rocha, a empresa deixou de transportar aproximadamente 20% do volume que anteriormente seguia para os Estados Unidos.

A mudança, porém, provocou uma reorganização das cadeias de suprimentos. Empresas brasileiras passaram a buscar outros destinos para suas exportações, com destaque para a Ásia e, principalmente, a China.

Guerra no Oriente Médio exigiu mudanças na logística

O conflito no Oriente Médio trouxe novos desafios para o transporte de cargas brasileiras, especialmente para os produtos refrigerados e congelados.

A Maersk é a principal transportadora de cargas congeladas e refrigeradas do Brasil, enquanto o Oriente Médio representa o segundo maior mercado brasileiro para esse tipo de produto.

A diferença entre carnes congeladas e resfriadas também exige estratégias distintas. Enquanto a carne congelada pode ser armazenada, a resfriada precisa chegar ao destino e ser encaminhada rapidamente ao consumo.

Diante das dificuldades na região, a empresa precisou reorganizar o fluxo de contêineres. Rotas que passavam pelo Canal de Suez foram modificadas, combinando transporte marítimo com caminhões.

Segundo o executivo, uma operação que anteriormente atendia cinco portos passou a utilizar apenas dois. O que inicialmente era considerado uma solução temporária acabou se tornando parte permanente da logística.

Custos aumentaram com uso de caminhões

As mudanças nas rotas também elevaram os custos da operação, principalmente devido à necessidade de ampliar o transporte rodoviário.

Além disso, a falta de combustível em determinados momentos exigiu a criação de uma estrutura específica para garantir o abastecimento necessário à operação logística.

Cotas da China e restrições europeias pressionam exportações

O setor de exportação de carne brasileira também enfrenta mudanças importantes.

O Brasil é o maior produtor mundial, enquanto a China é seu principal comprador. Com a adoção de cotas chinesas, algumas empresas reduziram ou interromperam a produção destinada ao mercado asiático.

Na sequência, novas restrições da União Europeia aumentaram a pressão sobre os exportadores brasileiros.

Apesar do cenário adverso, a Maersk identifica oportunidades em outros mercados. As vendas de carne bovina para o Chile cresceram, assim como os embarques destinados aos Estados Unidos.

El Niño preocupa operação logística no Norte

As condições climáticas também fazem parte dos fatores monitorados pela companhia.

No Brasil, o El Niño pode provocar períodos de seca mais severos na Região Norte, afetando o nível dos rios e, consequentemente, o transporte de cargas.

A Maersk conta com o apoio de uma startup que acompanha diariamente os níveis dos rios utilizados na operação. A empresa já observa uma redução nos níveis durante a segunda metade do ano e considera a possibilidade de uma estiagem particularmente severa.

Mesmo assim, a avaliação é de que a estrutura atual permite adaptar a operação às mudanças provocadas pelas condições climáticas.

Modelo verticalizado dá mais controle à Maersk

Uma das principais estratégias da empresa é justamente manter sob seu controle diferentes etapas da cadeia logística.

A Maersk atua com navios, terminais, armazéns, caminhões e distribuição, reduzindo a dependência de terceiros e permitindo ajustes mais rápidos diante de imprevistos.

A companhia prevê movimentar 1,15 milhão de contêineres no Brasil neste ano.

O modelo também representa uma mudança na atuação tradicional da empresa, que deixou de trabalhar apenas no transporte entre portos e passou a oferecer uma solução de ponta a ponta, incluindo despacho, transporte rodoviário, armazenagem seca e refrigerada e distribuição.

Para a Maersk, essa integração ajuda a fortalecer o relacionamento e a retenção dos clientes.

Maersk cobra redução dos custos logísticos no Brasil

Na avaliação de Ricardo Rocha, o Brasil precisa avançar na infraestrutura para reduzir os custos e aumentar a escala da logística brasileira.

“O Brasil precisa baratear e dar escala à sua logística”, afirma o executivo.

Um dos exemplos citados é o Porto de Santos, considerado o maior da América Latina. Segundo Rocha, apenas um dos terminais do complexo possui conexão direta com a malha ferroviária.

Outro problema está no elevado nível de utilização dos portos. Durante períodos de inverno, quando há maior ocorrência de mar agitado e neblina, a ocupação de muitos terminais chega a 90% ou 95% da capacidade.

Para o executivo, esse nível é elevado demais. Pelos padrões internacionais, um terminal deveria trabalhar próximo de 80% da capacidade, mantendo os 20% restantes para manobras e situações imprevistas.

Com pouca margem operacional, qualquer interrupção pode provocar impactos em toda a cadeia logística e no comércio exterior brasileiro.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/O Globo

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Portos

Quando o navio espera, o Brasil paga: os gargalos que travam a logística

ReConecta News acompanhou o 5º Fórum Conexão Porto e Indústria que debateu os impactos dos gargalos portuários no Custo Brasil e os investimentos necessários para ampliar a eficiência logística.

Os gargalos de infraestrutura e os impactos econômicos provocados pela espera de navios nos portos brasileiros estiveram no centro dos debates do 5º Fórum Conexão Porto e Indústria, realizado na sexta-feira (4), em Santos (SP). Promovido pela RECORD Litoral e Vale, em parceria com a RECORD News, o encontro reuniu autoridades, instituições, empresas e representantes de diferentes segmentos ligados à logística e ao comércio exterior.

O ReConecta News esteve presente acompanhando as discussões, com cobertura dos principais debates e dos temas que impactam diretamente a competitividade do comércio exterior brasileiro.

O ponto central do fórum foi o chamado Custo Brasil e a necessidade de reduzir ineficiências que encarecem a operação logística. Entre os assuntos discutidos esteve o custo gerado pelas filas de navios e pela limitação da infraestrutura portuária diante do crescimento da demanda.

O Porto de Santos (SP), principal complexo portuário do país, vem registrando volumes históricos de movimentação. Só nesse ano já movimentou mais de 186 milhões de toneladas – quantidade histórica. O cenário reforça a necessidade de investimentos em infraestrutura, acessos e eficiência operacional para garantir que o crescimento da movimentação seja acompanhado pela capacidade de atendimento, não apenas em Santos, mas em todos os portos do país.

Monitoramento da saturação portuária

A abertura do evento contou com palestra do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, que apresentou investimentos realizados pelo governo e anunciou a criação de um novo grupo de trabalho voltado ao monitoramento da saturação portuária.

Segundo o ministro, a iniciativa deverá avaliar a demanda, a capacidade instalada e o nível de serviço dos portos brasileiros, permitindo identificar gargalos e apontar soluções. “O resultado desse grupo de trabalho vai justamente apontar as demandas, a capacidade instalada e as soluções necessárias para os portos, não apenas o Porto de Santos, mas para todos os portos do Brasil.”

A proposta é ampliar a capacidade de planejamento do setor e antecipar problemas que possam comprometer o fluxo de cargas nos próximos anos.

Eficiência agora e grandes obras para o futuro

O fórum foi dividido em dois painéis. O primeiro tratou da eficiência operacional e das medidas que podem ser adotadas no curto prazo para melhorar o desempenho dos portos.

Já o segundo debateu grandes obras e projetos de infraestrutura, considerando investimentos de maior porte e prazos mais longos de implantação. Durante as discussões, o presidente da Autoridade Portuária de Santos, Anderson Pomini, destacou a necessidade de pensar a estrutura portuária para as próximas décadas, com investimentos tanto no canal de navegação quanto nos acessos terrestres. A visão de longo prazo considera a necessidade de garantir maior agilidade para a entrada e saída de navios, além da melhoria das áreas secas e das vias de acesso ao complexo portuário.

Diálogo entre setor público e iniciativa privada

Outro ponto que ganhou destaque ao longo do encontro foi a necessidade de ampliar o diálogo entre empresas, terminais, entidades e poder público. A avaliação compartilhada durante o fórum é de que a construção de soluções para os gargalos logísticos depende de uma atuação coordenada entre os diferentes atores envolvidos na cadeia.

Para o ReConecta News, acompanhar esse tipo de debate é também uma forma de aproximar o mercado das discussões que definem os rumos da infraestrutura brasileira. Renata Palmeira, CEO do ReConecta News, destaca a importância de estar próximo dos principais debates do setor. “O ReConecta tem como propósito conectar pessoas, empresas e informações que movimentam o comércio exterior e a logística. Estar presente em um fórum como este é fundamental para acompanhar de perto as discussões que impactam toda a cadeia e levar ao nosso público os principais desafios, oportunidades e caminhos apontados pelos especialistas e autoridades.”

O debate realizado em Santos reforçou que a eficiência portuária não é uma questão restrita aos terminais. Os impactos alcançam toda a cadeia logística e podem refletir diretamente nos custos das empresas, na competitividade das exportações e importações e, consequentemente, na economia brasileira.

Com o aumento da movimentação de cargas e a perspectiva de crescimento da demanda, o desafio é encontrar um equilíbrio entre ações imediatas de eficiência e investimentos estruturantes de longo prazo.

TEXTO E IMAGENS: ReConecta News

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Portos

Porto de Itajaí realiza mergulhos técnicos para definir remoção do Pallas

Estudos avançam para eliminar obstáculo histórico, ampliar a segurança das operações e aumentar a competitividade do Complexo Portuário

A Superintendência do Porto de Itajaí (SPI), em parceria com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), realizou, na quinta-feira (3) e sexta-feira (4), mergulhos técnicos nos destroços do navio Pallas, naufragado há mais de 130 anos no rio Itajaí-Açu.

A atividade integra a etapa final dos estudos que definirão a metodologia de remoção da embarcação. Também faz parte das ações voltadas à melhoria da infraestrutura do canal de acesso, à ampliação da capacidade operacional e ao aumento da segurança e da competitividade do Complexo Portuário de Itajaí.

Para o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, a retirada do Pallas está alinhada ao planejamento de obras e melhorias do canal.

“Estamos trabalhando para avançar nas obras e melhorias de que o nosso canal de acesso precisa. A retirada do Pallas é uma ação estratégica, porque eliminará um obstáculo histórico e permitirá avançar no aprofundamento do canal e na ampliação da bacia de evolução. Nosso compromisso é proporcionar cada vez mais segurança às operações portuárias, ampliar a capacidade para receber navios de maior porte e garantir mais competitividade ao Complexo Portuário de Itajaí”, afirma Artur.

Inspeções definem operação de remoção

Os mergulhos ocorreram nas proximidades da Bacia de Evolução nº 2 e do molhe norte, no lado de Navegantes. Apesar da visibilidade subaquática praticamente nula e da forte correnteza, mergulhadores especializados inspecionaram os destroços e coletaram informações para complementar os levantamentos já realizados.

Os trabalhos subaquáticos contam com a participação de Osmar Tibúrcio da Silva, conhecido como Maresia, proprietário e fundador da Sulmar Serviços Subaquáticos. A experiência da equipe é fundamental diante da complexidade da inspeção, realizada em condições de forte correnteza e baixa visibilidade.

Segundo o professor Jules Soto, diretor do Museu Oceanográfico da Univali e responsável pelo acompanhamento dos estudos, a inspeção é essencial para confirmar as condições da embarcação e orientar a definição da operação.

“Estamos em uma etapa fundamental do estudo. Mesmo com visibilidade praticamente zero e forte correnteza, contamos com mergulhadores altamente capacitados para coletar informações essenciais sobre a estrutura da embarcação e as condições em que os destroços se encontram. Precisamos confirmar dados sobre o casco, o sedimento e também a possibilidade de o navio estar partido”, explica Jules.

Além da inspeção, a equipe coleta amostras do aço da embarcação e realiza cortes experimentais. Os procedimentos permitirão avaliar as características da estrutura metálica e dimensionar a operação de remoção.

“Essas informações são importantes para definirmos como esse material poderá ser cortado, movimentado e retirado com segurança. Estamos falando de um desafio de nível internacional, pelas condições adversas do local e pela complexidade de uma operação que poucas empresas especializadas no mundo têm capacidade de executar”, destaca o professor.

A previsão é de que o estudo seja concluído nos próximos dias. O convênio entre a Univali e o Porto de Itajaí prevê investimento de R$ 310 mil e inclui inspeções subaquáticas, mergulhos técnicos, sondagens, análises estruturais e outros levantamentos necessários.

Remoção permitirá aprofundar o canal

Atualmente, os destroços limitam o aprofundamento do canal naquela região a 16 metros. A retirada também permitirá avançar na adequação da Bacia de Evolução nº 2, cujo projeto prevê 530 metros de diâmetro. A ampliação deverá melhorar as condições de manobra e contribuir para a operação de navios de maior porte.

A remoção completa do casco será custeada com recursos do Governo Federal.

A iniciativa integra o planejamento da SPI para modernizar a infraestrutura aquaviária e preparar o complexo para a evolução da frota mundial. O objetivo é proporcionar mais segurança e previsibilidade às operações, além de fortalecer a competitividade do Complexo Portuário de Itajaí.

Naufrágio ocorreu em 1893

Construído na Inglaterra em 1891, o Pallas transportava cargas e passageiros entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires, com escalas em Itajaí.

O navio naufragou em 23 de outubro de 1893, durante a Revolta da Armada, na região do Pontal da Barra de Itajaí, atualmente pertencente a Navegantes. Segundo registros históricos, a embarcação atingiu pedras submersas nas proximidades do atual molhe norte.

Os destroços foram novamente identificados em 2017, durante trabalhos de dragagem para a implantação da nova bacia de evolução. Levantamentos posteriores indicaram que a embarcação pode estar partida ao meio, com estruturas metálicas e fragmentos de madeira espalhados pelo leito do rio.

Com a conclusão dos estudos, o Porto de Itajaí e a Univali terão os dados necessários para definir a estratégia de remoção do Pallas e avançar nas próximas etapas do projeto. A retirada eliminará um obstáculo à expansão da infraestrutura aquaviária e permitirá prosseguir com o aprofundamento do canal e a ampliação da Bacia de Evolução nº 2.

Fonte e imagens: Porto de Itajaí

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Aeroportos, Portos

Nova política de biometria reforça segurança em portos, aeroportos e hidrovias

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) instituiu na segunda-feira (31) a Política Nacional Setorial de Identificação Biométrica, iniciativa que pretende modernizar os mecanismos de controle de acesso e ampliar a segurança nos transportes brasileiros.

A nova política estabelece diretrizes para o uso de tecnologias como reconhecimento facial e identificação digital em aeroportos, portos, instalações portuárias e hidrovias. A proposta é padronizar procedimentos e tornar mais eficiente a identificação de passageiros, tripulantes, trabalhadores e demais usuários dos sistemas de transporte.

Biometria deve agilizar embarques e acessos

Com a adoção da identificação biométrica, procedimentos que atualmente dependem de conferências manuais poderão ser realizados de forma automatizada e muito mais rápida.

A expectativa do governo é reduzir o tempo gasto em processos de embarque, acesso e fiscalização, além de aumentar a precisão das verificações. Em determinadas operações, procedimentos que podem levar horas poderão ser concluídos em poucos segundos.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, a iniciativa coloca o cidadão no centro da modernização dos serviços.

Segundo o ministro, a biometria deve elevar os níveis de segurança, diminuir a burocracia e melhorar a experiência dos usuários. Ele também destacou o potencial da medida para aproximar o Brasil de padrões internacionais, reduzir custos de fiscalização, aperfeiçoar o controle de fronteiras e fortalecer a imagem do país como destino para negócios, turismo e grandes eventos.

Sistemas serão integrados a bases públicas

A política prevê a substituição progressiva da identificação manual por sistemas automatizados, capazes de realizar consultas e verificações a partir da integração com bases públicas.

Entre as instituições que poderão fornecer informações estão a Polícia Federal, Receita Federal, Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

O tratamento dos dados deverá seguir as determinações da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A política também prevê acompanhamento contínuo por parte do encarregado de proteção de dados e observância das orientações da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Governo não ficará restrito a uma tecnologia

Outro ponto estabelecido pela política é a chamada neutralidade tecnológica. Na prática, o governo não determinará a utilização de uma tecnologia ou fornecedor específico.

Em vez disso, serão definidos requisitos relacionados a desempenho, segurança e interoperabilidade. Diferentes soluções poderão ser utilizadas desde que atendam aos critérios estabelecidos pelos órgãos responsáveis pela regulamentação.

A política também prevê medidas de acessibilidade e inclusão. Usuários que não tenham condições de utilizar sistemas biométricos deverão contar com alternativas de identificação, garantindo atendimento adequado e sem discriminação.

Implantação será feita por etapas

A implementação da nova política ocorrerá gradualmente. Uma primeira prova de conceito (POC) já foi realizada no Porto de Santos, com testes voltados à integração dos sistemas e ao desempenho das tecnologias em um ambiente de intensa movimentação.

A próxima etapa está sendo conduzida pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em parceria com o Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas.

Para acompanhar a implantação, o MPor criará o Comitê Técnico Interinstitucional de Identificação Biométrica. O grupo reunirá representantes do ministério, da Anac, da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), da Polícia Federal e de entidades do setor produtivo.

Entre as atribuições do comitê estarão o acompanhamento da execução da política, a proposição de melhorias e a elaboração de um plano específico para cada modal. O documento deverá ser publicado em até 90 dias após a publicação da portaria e incluirá o cronograma das ações.

Como funcionará a identificação biométrica

Nos portos e aeroportos, os equipamentos de reconhecimento facial serão conectados aos sistemas das empresas responsáveis pela operação. A partir dessa integração, será possível verificar em tempo real se uma pessoa possui autorização para acessar determinada área ou utilizar um serviço.

O mecanismo poderá ser empregado na identificação de passageiros, tripulantes, trabalhadores, prestadores de serviços e profissionais credenciados, sempre de acordo com as regras específicas de cada modalidade de transporte.

A política também pode servir de base para uma expansão do uso da biometria em outras atividades. Entre as possibilidades estão o acesso a benefícios sociais, serviços de saúde, operações financeiras e entrada em grandes eventos.

Nova estrutura reforça segurança cibernética

Durante o lançamento da política, o ministro Tomé Franca também assinou uma portaria que cria a Equipe de Prevenção, Tratamento e Resposta a Incidentes Cibernéticos do MPor (ETIR-MPOR).

A equipe terá atuação permanente e trabalhará em conjunto com o Ministério dos Transportes e os órgãos centrais de segurança cibernética do Governo Federal.

A função da estrutura será coordenar ações de proteção digital, identificar e reduzir vulnerabilidades e atuar na resposta a incidentes tecnológicos. A medida busca garantir maior continuidade e segurança dos serviços públicos essenciais administrados pelas duas pastas.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Infraestrutura

Concessão de infraestrutura: entenda como funciona e o que muda para o país

A concessão de infraestrutura é uma modalidade de parceria entre o poder público e a iniciativa privada utilizada para ampliar investimentos, melhorar a operação e aumentar a eficiência de serviços e estruturas públicas. Pelo modelo, uma empresa assume, por determinado período, a responsabilidade pela operação, manutenção e realização de investimentos previstos em contrato.

Apesar da transferência da operação, a infraestrutura continua pertencendo ao poder público. Ao término da concessão, o ativo e as melhorias incorporadas durante a vigência do contrato permanecem públicos.

O modelo é utilizado em diferentes segmentos do setor de transportes e, no âmbito do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), está presente em projetos relacionados a aeroportos, portos e hidrovias.

Concessão não é venda de patrimônio público

Uma das principais dúvidas em relação às concessões é se o governo está vendendo estruturas como portos, aeroportos ou hidrovias. Não é isso que acontece.

Na concessão, a propriedade do ativo permanece pública. O que é transferido temporariamente é a responsabilidade pela operação, manutenção e realização dos investimentos estabelecidos no contrato.

A empresa concessionária precisa cumprir uma série de obrigações, que podem envolver obras, metas de desempenho, padrões de qualidade e investimentos. O poder público, por sua vez, permanece responsável pelo planejamento, regulamentação e fiscalização.

Como uma concessão é estruturada?

Antes de uma infraestrutura ser levada à concessão, são realizados estudos técnicos, econômicos e ambientais. A análise busca verificar a viabilidade do projeto e identificar as necessidades de investimentos e de operação.

Com base nesses estudos, são estabelecidas as condições do contrato, incluindo as responsabilidades da concessionária, os investimentos obrigatórios, os indicadores de desempenho e as metas que deverão ser cumpridas durante o período da concessão.

Depois da assinatura do contrato, a empresa vencedora assume a operação da infraestrutura e passa a responder pelas obrigações estabelecidas.

O que muda nos aeroportos, portos e hidrovias?

As responsabilidades da concessionária variam de acordo com o tipo de infraestrutura.

Nos aeroportos, a empresa pode assumir a administração dos terminais, manutenção de pistas e equipamentos, execução de obras e cumprimento de indicadores relacionados à qualidade e ao desempenho dos serviços.

Nos portos, a concessão pode envolver a operação da infraestrutura, expansão da capacidade de movimentação de cargas e modernização de equipamentos e instalações.

Nas hidrovias, entre as obrigações previstas podem estar serviços de dragagem, manutenção da via navegável, sinalização náutica e acompanhamento das condições de navegação.

A dragagem consiste na retirada de areia, lama e outros materiais acumulados no fundo de rios ou canais, permitindo melhores condições para a navegação.

Quais são os benefícios esperados para o país?

Um dos principais objetivos das concessões é ampliar a capacidade da infraestrutura brasileira e direcionar recursos privados para investimentos em ativos que continuam públicos.

Nos aeroportos, os investimentos podem resultar na ampliação de terminais e pátios, além da modernização de sistemas e estruturas de apoio. A expectativa é reduzir gargalos, acompanhar o crescimento da demanda e melhorar a experiência dos passageiros, com ganhos em conforto, segurança e conectividade.

No setor portuário, a expansão da capacidade de movimentação e a modernização das instalações podem aumentar a eficiência das operações, melhorar a segurança e contribuir para a redução de custos logísticos. Esses fatores também podem fortalecer a competitividade brasileira no comércio internacional.

Já nas hidrovias, investimentos em dragagem, manutenção, sinalização e monitoramento podem proporcionar maior regularidade e segurança à navegação, reduzir interrupções e tornar o transporte hidroviário mais eficiente.

Estado continua responsável pela fiscalização

A concessão não representa a saída do Estado da infraestrutura. O poder público continua exercendo funções de planejamento, regulação e fiscalização. O contrato determina as atividades que devem ser realizadas pela concessionária, os investimentos obrigatórios e os resultados que precisam ser alcançados. Cabe ao Estado acompanhar o cumprimento dessas exigências e fiscalizar a qualidade do serviço oferecido à população.

Dessa forma, o modelo busca combinar a capacidade de investimento e operação da iniciativa privada com a atuação do poder público na definição das regras e no controle da prestação do serviço.

Concessões fazem parte da história da infraestrutura brasileira

A participação privada na infraestrutura de transportes do Brasil não é recente. No setor portuário, o Porto de Santos foi pioneiro. Ainda no século 19, o governo brasileiro abriu uma concorrência para a exploração do porto por 90 anos. O contrato foi assinado em 1890 e, dois anos depois, foram inaugurados os primeiros 260 metros de cais.

Na aviação, o programa federal de concessões aeroportuárias teve início em 2011, com o leilão do Aeroporto Internacional de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte. Desde então, diferentes rodadas foram realizadas e os contratos e regras passaram por aprimoramentos com base na experiência acumulada.

O setor hidroviário, por sua vez, está diante de um novo momento. O Brasil se prepara para sua primeira concessão de uma hidrovia, com o projeto da Hidrovia do Rio Paraguai.

A proposta prevê uma concessão de 15 anos, com possibilidade de prorrogação, e inclui serviços como dragagem, sinalização e monitoramento da via navegável.

Na prática, a concessão estabelece uma divisão de responsabilidades: a iniciativa privada assume a operação e parte dos investimentos, enquanto o Estado continua proprietário do ativo, define regras e fiscaliza o cumprimento do contrato.

A expectativa é que esse modelo contribua para ampliar a capacidade, a eficiência e a qualidade da infraestrutura brasileira, mantendo os ativos como patrimônio público

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).

Texto: Redação

Imagem: Vosmar Rosa/MPor

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Portos

Draga Utrecht retorna ao Porto de Itajaí e retoma dragagem do canal de acesso

Equipamento chegou no domingo (30), às 11h50, e já está em operação; trabalhos seguirão, se as condições hidrológicas permitirem, até o restabelecimento integral das profundidades do canal

A draga de sucção do tipo hopper TSHD Utrecht retornou ao Porto de Itajaí no domingo (30), às 11h50, e já está em operação no canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí. O equipamento retoma a campanha de dragagem após ter deixado temporariamente Itajaí em razão das condições hidrológicas provocadas pelas chuvas associadas ao fenômeno El Niño.

Operada pela Van Oord Serviços de Operações Marítimas Ltda., empresa responsável pela execução dos serviços de dragagem, a Utrecht havia suspendido temporariamente os trabalhos diante dos elevados volumes de chuva e das altas vazões registradas na bacia do Rio Itajaí-Açu, que intensificaram o transporte de sedimentos e materiais em suspensão em direção ao canal de acesso, reduzindo a efetividade da dragagem naquele momento.

Com a melhora das condições hidrológicas e a redução das vazões, a draga retornou a Itajaí e retomou os trabalhos de sucção e retirada dos sedimentos depositados no fundo do canal.

A previsão é de que a Utrecht permaneça em operação no Complexo Portuário de Itajaí, desde que as condições hidrológicas permitam a execução dos serviços, até o restabelecimento integral das profundidades previstas para o canal de acesso. A duração da campanha dependerá do comportamento das vazões do Rio Itajaí-Açu, das condições climáticas, do volume e da natureza dos sedimentos encontrados e dos resultados dos levantamentos batimétricos realizados durante os trabalhos.

Durante o período em que a Utrecht permaneceu fora de operação em Itajaí, a Superintendência manteve o acompanhamento permanente das condições hidrológicas e do canal de acesso, incluindo a realização de levantamentos técnicos para subsidiar a retomada dos serviços.

“A Utrecht chegou hoje, às 11h50, e já está trabalhando no canal. Com a melhora das condições hidrológicas, retomamos os trabalhos de dragagem. Se as condições permitirem, a draga permanecerá em operação até restabelecermos integralmente as profundidades previstas para o canal de acesso”, afirma o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira.

Segundo Artur, o trabalho faz parte das ações adotadas pela Superintendência para dar segurança e previsibilidade às operações. “Seguimos acompanhando permanentemente o comportamento do Rio Itajaí-Açu e as condições do canal. Nossa prioridade é garantir segurança à navegação e as melhores condições operacionais para os terminais, armadores e todo o trade portuário”, destaca.

Além da Utrecht, permanece em atuação a draga de aspersão Njord, responsável pelo trabalho contínuo de manutenção no canal. Os dois equipamentos utilizam métodos complementares: enquanto a Njord emprega jatos de água de alta pressão para movimentar os sedimentos, a Utrecht realiza a sucção e retirada dos materiais depositados no fundo.

A Superintendência do Porto de Itajaí acompanha desde junho os efeitos das condições climáticas e hidrológicas sobre a dinâmica do Rio Itajaí-Açu. O monitoramento técnico e os levantamentos batimétricos integram as ações permanentes para acompanhamento das profundidades e planejamento dos serviços de dragagem.

Draga Utrecht

Operada pela empresa holandesa Van Oord, a Utrecht é uma draga autotransportadora de sucção, com 154,6 metros de comprimento e capacidade de cisterna superior a 18 mil metros cúbicos. O equipamento atua na remoção de sedimentos depositados no fundo, contribuindo para a manutenção das condições de profundidade e segurança da navegação no Complexo Portuário de Itajaí.

FONTE: Porto de Itajaí

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Informação

MPor lança Política Nacional de Identificação Biométrica para aeroportos, portos e hidrovias

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) lança nesta segunda-feira (31) a Política Nacional Setorial de Identificação Biométrica, que estabelece diretrizes para o uso de tecnologias de identificação em aeroportos, portos, instalações portuárias e hidrovias.

A iniciativa busca ampliar a segurança no transporte de passageiros, agilizar procedimentos de embarque e melhorar a experiência de quem utiliza esses sistemas, tanto em viagens nacionais quanto internacionais.

Política prevê identificação biométrica integrada

Entre as principais diretrizes estão a padronização dos processos de identificação e autenticação biométrica, além da integração dos sistemas de informação utilizados pelos diferentes setores.

A proposta também prevê a adoção de tecnologias capazes de tornar a jornada dos passageiros mais simples, reduzindo etapas e a necessidade de contato físico durante os procedimentos de viagem.

Com a integração das soluções, a expectativa é aumentar a eficiência operacional dos terminais e, ao mesmo tempo, oferecer uma experiência mais rápida e fluida aos usuários.

Medida também alcança terminais de passageiros

Nos segmentos portuário e hidroviário, a política será direcionada aos terminais que realizam movimentação de passageiros.

A regulamentação também abre a possibilidade de criação de critérios específicos de identificação para diferentes públicos que precisam acessar áreas controladas. Entre eles estão trabalhadores, prestadores de serviços, autoridades públicas e visitantes.

O objetivo é permitir que o controle de acesso seja realizado de maneira segura e padronizada, de acordo com as características de cada instalação.

Comitê vai coordenar implementação da política

A implementação e o acompanhamento da nova política ficarão sob responsabilidade do Comitê Técnico Interinstitucional de Identificação Biométrica.

O grupo reúne representantes do MPor, da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e de entidades que representam os setores aéreo, portuário e aquaviário.

A atuação conjunta deverá orientar a aplicação das diretrizes e acompanhar a evolução das soluções de tecnologia biométrica nos diferentes modais de transporte.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: MPor

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