Exportação

Exportações de milho brasileiro para a Europa ganham força em setembro e podem avançar em outubro

As exportações de milho brasileiro para a União Europeia ganharam impulso em setembro de 2026, com cinco países do bloco importando, em apenas um mês, um volume superior ao acumulado entre janeiro e agosto. O movimento indica uma reação recente do Brasil em mercados estratégicos, embora o país ainda registre redução nos embarques para a Europa no balanço da atual temporada comercial.

Levantamento do Notícias Agrícolas, com base nos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), aponta que Espanha, Itália, Países Baixos, Irlanda e Portugal receberam juntos 1,07 milhão de toneladas de milho brasileiro em setembro. Nos oito meses anteriores, o volume destinado a esses mercados havia somado 895,4 mil toneladas.

A recuperação ocorre em um cenário de expansão das compras europeias, mas com concorrência mais intensa de fornecedores como Estados Unidos e Ucrânia.

União Europeia aumenta importações de milho e amplia concorrência

Dados da Comissão Europeia divulgados pela Reuters mostram que o bloco importou aproximadamente 6,64 milhões de toneladas de milho entre 1º de julho e 18 de outubro de 2026. O volume representa crescimento de 40% em relação ao mesmo intervalo da temporada anterior.

Os Estados Unidos foram o fornecedor que mais ampliou suas vendas, passando de cerca de 900 mil toneladas para 2,9 milhões de toneladas no período.

O Brasil permaneceu na segunda posição entre os principais exportadores para o mercado europeu, mas os embarques recuaram de 2,74 milhões para 1,82 milhão de toneladas.

A Ucrânia também aumentou sua participação, com fornecimentos que passaram de aproximadamente 770 mil para 1,62 milhão de toneladas.

Dessa forma, apesar da reação brasileira observada em setembro, os números acumulados ainda mostram perda de espaço do país no mercado europeu de milho para exportação.

Espanha, Itália e Países Baixos concentram embarques brasileiros

Os dados de peso líquido exportado da Secex, consultados por meio do sistema Comex Stat, revelam que setembro concentrou uma parcela significativa das vendas brasileiras para os cinco destinos europeus analisados.

O volume embarcado no mês correspondeu a aproximadamente 54% do total exportado para esses países entre janeiro e setembro de 2026.

A Espanha liderou as compras, com 446.725 toneladas. Na sequência apareceram a Itália, com 290.623 toneladas, e os Países Baixos, com 263.785 toneladas.

Irlanda e Portugal receberam volumes menores, de 37.400 toneladas e 30.041 toneladas, respectivamente.

Itália registra forte aumento nas compras de milho brasileiro

O desempenho italiano foi um dos principais destaques do levantamento. Em setembro, o país importou 290,6 mil toneladas do cereal brasileiro, mais de três vezes o volume de 87,4 mil toneladas registrado entre janeiro e agosto.

A dimensão desse avanço fica ainda mais evidente na comparação com o ano passado. Somente as compras de setembro de 2026 equivaleram a 61,4% das 473,6 mil toneladas de milho brasileiro destinadas à Itália durante todo o ano de 2025.

Os Países Baixos também concentraram uma parcela expressiva das importações no mês, enquanto a Espanha permaneceu como principal destino europeu do cereal brasileiro.

Apesar da concentração observada em setembro, os dados disponíveis não permitem concluir que os embarques cresceram continuamente ao longo de todos os meses anteriores.

Outro aspecto importante é o papel logístico dos Países Baixos. Parte do milho desembarcado no país pode ser posteriormente distribuída para outros mercados europeus, o que significa que o destino registrado na exportação brasileira nem sempre corresponde ao consumidor final.

Compras de milho brasileiro crescem 9,6% em três mercados europeus

Na comparação entre setembro de 2025 e setembro de 2026, Espanha, Itália e Países Baixos ampliaram conjuntamente suas importações de milho brasileiro.

Os três países receberam 1.001.133 toneladas no mês mais recente, ante 913.402 toneladas um ano antes, avanço de 9,6%.

A Itália apresentou o crescimento mais expressivo, de 64,1%, passando de 177.118 para 290.623 toneladas.

Na Espanha, as compras aumentaram 6,8%, de 418.175 para 446.725 toneladas.

Já os Países Baixos seguiram na direção contrária: as importações recuaram 17,1%, de 318.109 para 263.785 toneladas.

Mesmo com a queda no mercado neerlandês, o resultado conjunto dos três destinos contrasta com a retração das exportações brasileiras totais de milho.

Em setembro, os embarques nacionais caíram 31,1% na comparação anual, passando de 7,56 milhões para 5,21 milhões de toneladas.

Com isso, a participação conjunta de Espanha, Itália e Países Baixos no total exportado pelo Brasil aumentou de aproximadamente 12,1% para 19,2%.

O indicador demonstra que esses mercados europeus ganharam importância relativa para o escoamento do cereal brasileiro, mesmo em um mês de redução das exportações totais.

É necessário considerar, porém, que os dados da Secex se referem às exportações brasileiras realizadas em setembro, enquanto as estatísticas da Comissão Europeia abrangem a temporada comercial iniciada em julho. Por isso, os dois conjuntos de números não são diretamente equivalentes.

Exportações brasileiras de milho para a Europa podem acelerar em outubro

As perspectivas para outubro também indicam a possibilidade de novos avanços. Segundo projeção da corretora Stag International divulgada pela Reuters na quarta-feira (21), as exportações brasileiras de milho para países europeus podem chegar a 1,65 milhão de toneladas em outubro de 2026.

Se confirmada, a estimativa representará um salto expressivo em relação às aproximadamente 200 mil toneladas exportadas para a região no mesmo mês do ano anterior.

A corretora associa essa expectativa à menor disponibilidade de milho para exportação da Ucrânia, em meio às dificuldades logísticas enfrentadas pelo país, e à competitividade dos fornecedores sul-americanos.

Nesse cenário, Brasil e Argentina podem encontrar oportunidades para ampliar sua participação no mercado europeu.

Programação de navios indica embarques superiores a 1 milhão de toneladas

As programações de embarque acompanhadas pela agência marítima Cargonave, também citadas pela Reuters, apontam a possibilidade de exportações brasileiras superiores a 1 milhão de toneladas destinadas à Europa em outubro.

A Espanha aparece entre os principais destinos previstos.

Esses números, entretanto, correspondem a estimativas e operações programadas. Eles ainda não representam volumes integralmente embarcados e confirmados pelas estatísticas oficiais de comércio exterior.

A divulgação dos dados efetivos será importante para verificar se o movimento observado em setembro terá continuidade e se poderá reduzir parte da perda brasileira acumulada na temporada comercial europeia.

Demanda externa pode ampliar as alternativas para o milho brasileiro

O aumento das compras europeias pode oferecer aos produtores brasileiros uma alternativa adicional para o escoamento da safra, especialmente em um momento em que a indústria nacional de etanol de milho também amplia sua demanda pelo cereal.

Ainda assim, a recuperação dos embarques não garante, por si só, uma valorização dos preços nas regiões produtoras.

A remuneração do milho depende de outros fatores, como a taxa de câmbio, os custos de transporte, os fretes marítimos, a infraestrutura logística e a concorrência internacional entre os principais fornecedores.

O avanço de setembro e as projeções para outubro sinalizam uma oportunidade para o Brasil recuperar parte do espaço perdido na Europa. A confirmação de uma retomada mais consistente, porém, dependerá dos volumes efetivamente exportados nos próximos meses.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Exportação

Reabertura do mercado europeu pode elevar exportações brasileiras de pescado em 20%

O Brasil trabalha para recuperar o acesso do pescado brasileiro ao mercado da União Europeia, fechado aos produtos nacionais desde 2018. A retomada das vendas para o bloco pode aumentar em aproximadamente 20% o valor das exportações do setor, atualmente estimado em US$ 472 milhões, segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura.

O processo está na etapa de análise das respostas apresentadas pelo governo brasileiro às recomendações feitas pelas autoridades europeias. O ministro da Pesca e Aquicultura, Édipo Araújo, informou que o relatório preliminar foi recebido no mês passado e que o Brasil encaminhou suas manifestações dentro do prazo, em 9 de outubro.

Em entrevista à CNN durante o Seafood Show, realizado em São Paulo, o ministro destacou a importância de recuperar o acesso a um dos principais mercados internacionais para os produtos brasileiros.

A expectativa do governo é avançar nas tratativas ainda este ano, ampliando as oportunidades comerciais para a indústria pesqueira e aquícola nacional.

Exportações de pescado buscam novos mercados internacionais

Paralelamente às negociações com a União Europeia, o governo pretende ampliar a presença do pescado brasileiro no comércio internacional e diminuir a dependência de poucos compradores.

Atualmente, os Estados Unidos respondem por cerca de 50% das exportações brasileiras do setor. A China também figura entre os principais destinos, com aproximadamente US$ 51 milhões em compras, enquanto as vendas para a Argentina somam cerca de US$ 16 milhões.

A estratégia do Ministério da Pesca e Aquicultura é diversificar os destinos comerciais, reduzindo a concentração das vendas e criando novas oportunidades para produtores e exportadores.

Segundo o ministro, o Brasil já ampliou o acesso de seus produtos pesqueiros a mais de 20 novos mercados durante a atual gestão.

Entre as iniciativas recentes está a abertura dos Emirados Árabes Unidos, anunciada na semana anterior à entrevista, em uma ação que envolveu o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula. A conquista foi apresentada como o 700º mercado aberto pelo Brasil para produtos agropecuários.

Mercado europeu pode agregar valor ao pescado brasileiro

Além da possibilidade de aumentar o volume comercializado, a retomada das exportações para a União Europeia é considerada estratégica pelo potencial de elevar o valor das vendas externas.

O governo avalia que o acesso a mercados com diferentes exigências e oportunidades comerciais pode favorecer a comercialização de produtos de maior valor agregado, fortalecendo a competitividade da cadeia produtiva.

Nesse contexto, a diversificação dos compradores e a recuperação do mercado europeu são vistas como medidas importantes para ampliar a receita do setor e reduzir a dependência de destinos específicos.

Governo quer ampliar consumo de pescado no Brasil

O fortalecimento do mercado interno também está entre as prioridades do Ministério da Pesca e Aquicultura.

Apesar de possuir aproximadamente 8.500 quilômetros de litoral, cerca de 12% das reservas mundiais de água doce e uma ampla biodiversidade aquática, o Brasil registra um consumo de pescado relativamente baixo, com diferenças expressivas entre as regiões.

A média nacional varia de 10 a 12 quilos por habitante ao ano. Na Região Norte, o consumo é mais elevado, enquanto estados do Centro-Sul e do Sul apresentam índices que podem ficar entre 2 e 5 quilos por pessoa anualmente, conforme os dados citados pelo ministro.

Para ampliar a demanda, a pasta pretende estimular a presença do pescado na alimentação cotidiana, com iniciativas voltadas a diferentes faixas etárias.

Entre as ações previstas estão parcerias com o Ministério da Educação (MEC) para incentivar a inclusão do alimento na merenda escolar, além de medidas para ampliar sua presença na cesta básica.

A proposta é estimular hábitos alimentares desde a infância e a juventude, contribuindo para o crescimento sustentável da cadeia produtiva.

Tilápia impulsiona o consumo e a aquicultura nacional

A tilápia é apontada pelo ministério como um exemplo de produto que ganhou espaço na alimentação dos brasileiros.

Originária da África, a espécie se consolidou na produção aquícola nacional devido à possibilidade de criação em escala, à disponibilidade no mercado e à boa aceitação dos consumidores.

O Paraná se destaca entre os principais produtores brasileiros de tilápia, mesmo tendo uma extensão de litoral relativamente pequena. O desempenho demonstra o potencial da aquicultura brasileira para ampliar a oferta de pescado em regiões distantes da costa.

A expansão da criação de peixes também está relacionada à busca por alternativas de produção de alimentos com menor impacto ambiental.

Na avaliação do ministro, o pescado pode desempenhar um papel importante diante dos desafios das mudanças climáticas, reforçando a necessidade de ampliar a produção e estimular o consumo.

Exportações e mercado interno podem fortalecer o setor

A estratégia do governo combina três frentes: recuperar o acesso ao mercado europeu, diversificar os destinos das exportações e ampliar o consumo doméstico.

A expectativa é que essas iniciativas aumentem as oportunidades comerciais para a produção nacional, estimulem investimentos na aquicultura e fortaleçam a participação do pescado na economia brasileira.

A retomada das vendas para a União Europeia, em particular, poderá representar um avanço para o setor, tanto pelo potencial de crescimento das receitas quanto pela possibilidade de ampliar a presença dos produtos brasileiros em mercados internacionais estratégicos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Exportação

União Europeia deve decidir até novembro sobre exportação de aves e mel do Brasil

O Brasil aguarda até novembro uma decisão da União Europeia (UE) sobre a retomada das exportações de carne de frango e mel para o bloco. As compras de produtos de origem animal brasileiros foram suspensas em 3 de setembro, após autoridades europeias apontarem falta de comprovação sobre o controle do uso de antimicrobianos na produção agropecuária.

A liberação depende da aprovação do Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da União Europeia (Scopaff), que tem reuniões previstas para os dias 20 e 21 de outubro e também em novembro.

Brasil avança nas negociações para retomar as exportações

O secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Augusto Billi, esteve em Bruxelas, na Bélgica, para discutir a situação com representantes europeus. Segundo ele, as conversas apresentam sinais positivos e aumentam a expectativa de uma solução para os setores de aves e mel.

O Brasil já recebeu um parecer técnico favorável após uma missão europeia visitar, em agosto, unidades produtivas e avaliar o sistema sanitário nacional. A inspeção concluiu que os segmentos brasileiros de carne de aves e mel demonstraram capacidade de assegurar a não utilização de antimicrobianos, conforme as exigências avaliadas.

Agora, o documento precisa ser validado pelo Scopaff para que o país volte a integrar a lista de fornecedores autorizados a exportar esses produtos ao mercado europeu.

Durante a abertura do espaço brasileiro na Sial Paris, feira internacional de alimentos realizada na capital francesa, Billi afirmou que o relatório favorável será apresentado às autoridades do bloco na reunião de novembro.

O secretário acrescentou que ainda não há uma data definida para a publicação da decisão, mas a expectativa do governo brasileiro é que o resultado seja divulgado até dezembro, permitindo a retomada dos embarques.

Setor avícola espera liberação imediata dos embarques

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, avalia que o impasse tem caráter burocrático e acredita que a situação possa ser resolvida sem comprometer a parceria comercial entre Brasil e União Europeia.

Em declarações durante a Sial Paris, Santin afirmou que espera uma decisão baseada nos critérios técnicos apresentados pelo Brasil. Segundo ele, o setor confia nos procedimentos europeus, mas poderá solicitar uma resposta do governo brasileiro caso a decisão não siga os fundamentos técnicos discutidos.

A indústria brasileira de carne de frango também afirma estar preparada para retomar os embarques assim que houver autorização. De acordo com o dirigente da ABPA, a produção destinada ao mercado europeu não foi interrompida durante o período de restrição.

A possibilidade de uma retomada rápida é relevante para o setor exportador, que aguarda a conclusão da análise europeia para voltar a atender os compradores do bloco.

Exportação de carne bovina enfrenta cenário mais incerto

A situação é diferente para a carne bovina brasileira, cuja volta ao mercado europeu pode levar mais tempo. O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, destacou que a União Europeia responde por aproximadamente 5% do volume de carne bovina exportado pelo Brasil.

Apesar da participação relativamente pequena no total embarcado, o mercado europeu tem importância estratégica por sua influência na formação dos preços internacionais da proteína bovina.

Perosa informou que representantes dos governos brasileiro e europeu, assim como integrantes da iniciativa privada, mantêm conversas para buscar uma solução e retirar as restrições comerciais.

O objetivo, segundo o dirigente, é restabelecer o fluxo de negócios o mais rapidamente possível. Até que haja avanços nas negociações, porém, a retomada das vendas de carne bovina permanece menos previsível do que a expectativa para aves e mel.

Decisão europeia é aguardada pelo agronegócio brasileiro

A análise do Scopaff será determinante para definir os próximos passos das exportações brasileiras de produtos de origem animal à União Europeia. Enquanto os setores de aves e mel contam com um parecer técnico favorável, a cadeia da carne bovina segue em busca de avanços nas tratativas diplomáticas e comerciais.

A eventual liberação poderá permitir a retomada dos embarques de frango e mel, enquanto o setor bovino continua negociando a retirada das restrições impostas pelo bloco.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Raphael Salomão/Ed. Globo

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Tecnologia

França e Alemanha flexibilizam metas para carros elétricos e reforçam indústria automotiva europeia

A França e a Alemanha fecharam um acordo para flexibilizar as regras de emissões de veículos e fortalecer a produção automotiva na Europa. A iniciativa reduz a pressão pela substituição completa dos motores a combustão por modelos elétricos até 2035 e estabelece novas exigências para valorizar componentes fabricados no continente.

O entendimento representa uma concessão às reivindicações da indústria automobilística alemã, que busca preservar sua capacidade produtiva e competitividade. Por outro lado, a flexibilização das metas ambientais provocou críticas de organizações que defendem uma transição mais acelerada para a mobilidade elétrica.

Acordo reduz exigências para veículos a combustão até 2035

Pelo compromisso firmado entre os dois países, as montadoras deverão cortar em 90% as emissões de dióxido de carbono (CO₂) de seus veículos até 2035. Os 10% restantes não precisarão ser compensados nos termos inicialmente propostos pela Comissão Europeia.

A flexibilização considera a utilização crescente de combustíveis classificados como renováveis, incluindo os biocombustíveis, como alternativa para reduzir as emissões do setor automotivo.

A Alemanha defendia mudanças nas regras para proteger sua indústria automobilística, um dos pilares de sua economia. A França, por sua vez, aceitou maior margem para a continuidade dos motores a combustão, em uma negociação que busca conciliar metas ambientais e interesses industriais.

Na prática, o acordo enfraquece a perspectiva de uma substituição integral dos veículos convencionais por modelos elétricos novos a partir de 2035, embora mantenha a exigência de uma redução expressiva das emissões.

Regra de preferência europeia fortalece produção local

Em contrapartida à flexibilização ambiental, a Alemanha concordou com critérios mais rigorosos para a chamada preferência europeia, mecanismo que condiciona o acesso a determinados recursos públicos à utilização de componentes produzidos na Europa ou em países parceiros autorizados.

Segundo informações da Presidência francesa, 70% dos componentes dos veículos e 10% do conteúdo das baterias deverão atender aos critérios de origem estabelecidos pela iniciativa.

A proposta integra a estratégia de valorização do conceito “Feito na Europa”, que pretende ampliar a participação dos fornecedores regionais na cadeia automotiva e reduzir a dependência de produtos importados.

As regras deverão abranger os 27 países da União Europeia e poderão incluir parceiros próximos, como Reino Unido, Noruega e Suíça, conforme as condições definidas em futuros acordos de associação.

Medida busca conter concorrência de veículos chineses

O reforço das exigências de conteúdo regional também tem como objetivo responder ao avanço dos carros elétricos chineses no mercado europeu.

A chegada de veículos produzidos na China intensificou a disputa por preços, tecnologia e participação de mercado, pressionando as montadoras tradicionais do continente.

Com a preferência europeia, os governos pretendem estimular investimentos locais, preservar empregos industriais e fortalecer a produção de componentes estratégicos, especialmente em um setor que passa por profundas transformações tecnológicas.

A proposta, entretanto, levanta questionamentos sobre os critérios de origem dos componentes e sobre a capacidade das novas regras de garantir que os benefícios econômicos permaneçam efetivamente na Europa.

Fornecedores automotivos apoiam compromisso franco-alemão

A Associação Europeia de Fornecedores Automotivos (Clepa) recebeu positivamente o acordo entre França e Alemanha e classificou o compromisso como crucial para o setor.

Para a entidade, o entendimento demonstra que as preocupações da indústria foram consideradas nas discussões sobre o futuro da regulamentação automotiva europeia.

A avaliação favorável reflete a importância de criar condições para que fabricantes e fornecedores se adaptem às mudanças tecnológicas sem comprometer a competitividade da cadeia produtiva regional.

Ambientalistas criticam flexibilização das metas climáticas

As concessões à indústria, porém, provocaram reação de organizações ambientalistas, que consideram a flexibilização um retrocesso na política climática europeia.

A ONG Transport & Environment, sediada em Bruxelas, classificou o acordo como um erro histórico e afirmou que a medida enfraquece tanto a ambição climática quanto a indústria automobilística europeia na disputa global por veículos elétricos e baterias.

A entidade também alertou para possíveis brechas nas regras de origem. Segundo a organização, veículos montados na União Europeia, mas equipados com baterias fabricadas na China, poderiam ser considerados produtos “Feitos na Europa”, dependendo dos critérios adotados.

Na avaliação da ONG, essa possibilidade pode comprometer os esforços para desenvolver uma cadeia produtiva europeia de baterias, considerada estratégica para a transição energética e para a competitividade do setor automotivo.

Europa tenta equilibrar competitividade e transição energética

O acordo franco-alemão evidencia o desafio enfrentado pela União Europeia para conciliar a redução das emissões, a preservação de empregos e a competitividade de suas montadoras diante da concorrência internacional.

Enquanto governos e representantes da indústria defendem maior flexibilidade regulatória e incentivos à produção regional, ambientalistas alertam para os riscos de desacelerar a eletrificação do transporte.

O resultado dessa disputa deverá influenciar os próximos passos da política automotiva europeia, especialmente na definição das regras de emissões, dos critérios de conteúdo local e dos investimentos necessários para consolidar a fabricação de veículos elétricos e baterias no continente.

FONTE: AFP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ina FASSBENDER

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Comércio Internacional

União Europeia prepara novas restrições às importações da China, afirma Ursula von der Leyen

A União Europeia (UE) pretende ampliar as medidas de proteção comercial contra produtos chineses, com novas restrições às importações que vão além das salvaguardas negociadas recentemente com Pequim. O anúncio foi feito na sexta-feira (16) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após uma cúpula de líderes do bloco.

Segundo a dirigente, o acordo firmado com a China para reduzir pela metade as importações de carros híbridos chineses não será suficiente para corrigir os desequilíbrios estruturais do comércio entre as duas economias.

O déficit comercial europeu na troca de bens com a China supera 1 bilhão de euros por dia, conforme os números apresentados por von der Leyen. Para ela, o cenário exige novas iniciativas de proteção à indústria europeia.

UE avalia novas medidas de proteção à indústria europeia

Von der Leyen afirmou que a Comissão Europeia pretende atender às demandas dos setores industriais por mecanismos adicionais de defesa comercial. A proposta inclui novas medidas de salvaguarda para enfrentar os efeitos da concorrência internacional sobre as empresas do bloco.

A presidente também declarou que a iniciativa conta com apoio expressivo dos líderes europeus, indicando uma disposição política para avançar com instrumentos que protejam a economia regional.

O objetivo é reduzir vulnerabilidades comerciais e responder aos desequilíbrios que, na avaliação da Comissão, afetam a competitividade das empresas europeias diante dos fornecedores chineses.

França defende proteção para produtos químicos e ferroligas

Após a reunião de cúpula, o presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu que as ações europeias priorizem setores considerados estratégicos, como produtos químicos, plásticos e ferroligas.

A manifestação reforça a preocupação de governos europeus com os impactos da concorrência externa sobre segmentos industriais relevantes para a economia do continente.

As discussões também envolvem a necessidade de criar mecanismos capazes de responder com rapidez a práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses da União Europeia.

Proposta franco-alemã prevê reação rápida a pressões externas

A presidente da Comissão Europeia recebeu favoravelmente um documento apresentado por França e Alemanha no mês anterior. A proposta defende o fortalecimento da economia europeia por meio de um mecanismo que permita reagir rapidamente a países cujas ações prejudiquem os interesses do bloco.

Nesse contexto, a Comissão pretende desenvolver um instrumento de defesa econômica que possibilite restringir o acesso ao mercado único europeu quando a medida for considerada necessária.

A iniciativa busca ampliar a capacidade de resposta da UE diante de pressões comerciais e outras ações externas que possam comprometer seus setores produtivos.

Comissão Europeia prepara medidas contra dependência de fornecedores

Outra frente de atuação envolve a redução da dependência das empresas europeias em relação a fornecedores únicos de determinados insumos essenciais.

De acordo com von der Leyen, a Comissão Europeia deverá apresentar em dezembro uma proposta para criar um novo instrumento voltado à diversificação do abastecimento de insumos críticos.

A medida pretende diminuir riscos associados à concentração de fornecedores e fortalecer a segurança das cadeias produtivas europeias, especialmente em setores expostos a interrupções no comércio internacional.

UE também quer mecanismo contra retaliações econômicas

Além das restrições comerciais e das medidas para diversificar fornecedores, a Comissão Europeia pretende propor um mecanismo de solidariedade destinado a apoiar países e setores atingidos por coerção econômica ou retaliações de agentes externos ao bloco.

A proposta busca coordenar uma resposta coletiva quando um Estado-membro ou segmento econômico sofrer pressões que possam afetar suas atividades comerciais.

As iniciativas fazem parte de um esforço mais amplo da União Europeia para fortalecer sua autonomia econômica, proteger a indústria regional e ampliar sua capacidade de reação diante das tensões comerciais com a China e outros parceiros internacionais.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: AP/Omar Havana

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Exportação

Acordo Mercosul-União Europeia impulsiona exportações brasileiras em 30,7%

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia já contribuiu para elevar em 30,7% as exportações brasileiras para o mercado europeu desde maio, quando o tratado entrou em vigor. A informação foi divulgada na terça-feira (13) pelo ministro em exercício do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.

O percentual considera o desempenho das vendas externas do Brasil ao bloco europeu entre maio e setembro deste ano, em comparação com o mesmo intervalo do ano passado.

Exportações brasileiras somam US$ 44,17 bilhões

De janeiro a setembro, as exportações do Brasil alcançaram US$ 44,17 bilhões, resultado 20% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também destacou os efeitos positivos do acordo comercial. Segundo ele, o intercâmbio entre os países do Mercosul e da União Europeia cresceu mais de US$ 6 bilhões desde a aprovação e a entrada em vigor do tratado.

Os dados foram apresentados durante um evento promovido pelo Ministério da Agricultura, que anunciou a abertura de 700 novos mercados para produtos brasileiros da agricultura e da pecuária desde o início de 2023.

Comércio exterior brasileiro registra expansão

Márcio Elias Rosa ressaltou que o Brasil vem alcançando volumes recordes de comércio com praticamente todos os seus parceiros internacionais em 2026. De acordo com o ministro, o crescimento não se limita ao agronegócio, abrangendo diferentes setores da economia.

No conjunto, o comércio exterior brasileiro registra expansão média de 10,5%, conforme os números apresentados pelo representante do governo.

Os resultados, segundo Rosa, foram obtidos em um cenário internacional desafiador, marcado por tensões geopolíticas e pelo aumento de barreiras tarifárias e não tarifárias ao comércio.

Governo mantém diálogo comercial com os Estados Unidos

Ao comentar as relações comerciais com os Estados Unidos, o ministro classificou o momento atual como delicado. Apesar das dificuldades, afirmou que o governo brasileiro pretende manter os canais de diálogo e dar continuidade às negociações.

A declaração ocorre em meio a um ambiente de maior complexidade nas relações comerciais internacionais, no qual tarifas e outras restrições podem afetar o fluxo de mercadorias entre os países.

Abertura de mercados reforça estratégia de desenvolvimento

Para Rosa, a conquista de 700 novos mercados internacionais desde 2023 demonstra a capacidade de investimento e expansão das empresas brasileiras, especialmente no setor agropecuário.

O ministro também atribuiu os avanços à atuação do setor privado e a uma política de Estado voltada ao desenvolvimento econômico, sustentada pela articulação entre diferentes ministérios.

Ao avaliar a política externa anterior à atual gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Rosa criticou o que classificou como uma estratégia de segregação e isolamento internacional. Na avaliação do ministro, a ideia de que o afastamento de outros países fortaleceria o Brasil estava equivocada e trouxe custos elevados para a indústria nacional.

Segundo ele, a indústria brasileira pagou um preço alto pelas consequências dessa orientação, reforçando a importância de ampliar as relações comerciais e a presença do país nos mercados internacionais.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Valter Campanato/Agência Brasil e Tomaz Silva/Agência Brasil

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Exportação

RS bate recorde histórico de exportações em setembro e China lidera destinos

O Rio Grande do Sul registrou recorde histórico de exportações em setembro, com vendas externas de US$ 2,5 bilhões. O resultado representa o maior valor mensal desde o início da série histórica, em 1997, e supera em 0,7% o recorde anterior, alcançado em agosto de 2021.

Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e mostram o desempenho positivo do comércio exterior gaúcho, mesmo diante das turbulências no cenário internacional.

Soja, celulose e transformadores impulsionam exportações gaúchas

O avanço das vendas internacionais foi impulsionado principalmente pela soja, celulose e transformadores elétricos. Entre os destaques está a soja, um dos principais produtos do agronegócio do Estado e uma mercadoria estratégica nas relações comerciais com a China.

Principal destino das exportações do Rio Grande do Sul, o país asiático ampliou as compras de soja gaúcha em setembro. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o crescimento foi de 23,2%, após um período de desempenho menos favorável ao longo de 2026.

Para o professor Marcos Lélis, da Escola de Gestão e Negócios da Unisinos, a recuperação das compras chinesas pode ter compensado parte dos resultados mais fracos registrados anteriormente.

“É possível que tenha compensado o ano todo e qualquer movimento deles estoura o total da exportação gaúcha”, avalia o especialista.

União Europeia amplia compras de produtos do Estado

A União Europeia também registrou, em setembro, o maior valor de compras de produtos gaúchos para o mês. Entre os itens que contribuíram para o resultado estão o farelo de soja e outros derivados do grão.

O desempenho ocorre em um momento de aproximação comercial entre os dois blocos, após o acordo entre Mercosul e União Europeia mencionado no levantamento.

Exportações para os Estados Unidos quase dobram

Mesmo diante das tarifas comerciais impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump, os Estados Unidos também se destacaram como destino das exportações gaúchas.

Em comparação com setembro do ano passado, os embarques para o mercado norte-americano quase dobraram. A base de comparação, porém, foi influenciada pelo início da política tarifária de Trump naquele período.

Os Estados Unidos são compradores de transformadores produzidos no Rio Grande do Sul, um dos segmentos que ajudaram a impulsionar o resultado recorde do comércio exterior estadual.

Comércio exterior gaúcho alcança melhor resultado mensal da série histórica

O recorde de setembro evidencia a importância das exportações do agronegócio e da indústria para a economia do Rio Grande do Sul. A retomada das compras chinesas, o desempenho da União Europeia e o avanço das vendas aos Estados Unidos contribuíram para levar os embarques ao maior patamar mensal já registrado.

FONTE: Gaúcha GZH
TEXTO: Redação
IMAGEM: Antonio Valiente / Agencia RBS

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Indústria

Salão do Automóvel de Paris evidencia disputa entre montadoras europeias e chinesas

A crescente concorrência entre montadoras europeias e chinesas dominou a abertura do Salão do Automóvel de Paris, na segunda-feira (12). Em meio à expansão das fabricantes asiáticas no mercado europeu, empresas tradicionais apostam em novos modelos, veículos elétricos e mudanças nas estratégias de produção para recuperar competitividade, enquanto buscam maior apoio da União Europeia.

O evento começou poucos dias depois de Bruxelas anunciar um entendimento com Pequim para limitar as importações de veículos híbridos chineses para o bloco. Segundo um funcionário da Comissão Europeia, a proposta prevê um teto de 350 mil unidades por ano, embora os detalhes ainda estejam em fase de definição.

A iniciativa foi recebida positivamente por fabricantes europeus, mas representantes do setor afirmam que medidas adicionais serão necessárias para enfrentar os custos de produção e as exigências ambientais.

União Europeia busca conter avanço dos carros chineses

O presidente-executivo da Stellantis, Antonio Filosa, classificou o entendimento entre a União Europeia e a China como um marco positivo. Ao mesmo tempo, defendeu medidas do governo italiano para reduzir os elevados custos de energia e pediu que Bruxelas acelere as decisões sobre as regras de emissões de carbono.

François Provost, presidente-executivo da Renault, também manifestou apoio à iniciativa. Para ele, a entrada crescente de veículos híbridos chineses no mercado europeu não é sustentável, e um acordo negociado representa uma alternativa preferível a uma guerra comercial.

Do lado chinês, Zhao Fei, presidente da Changan, demonstrou pouca preocupação com as possíveis restrições. Segundo o executivo, eventuais exigências de conteúdo local, associadas à política de produção Made in Europe, poderão ser atendidas com a instalação de fábricas no continente.

A estratégia indica que, mesmo diante de barreiras comerciais, as fabricantes chinesas pretendem manter seus planos de expansão na Europa.

Marcas chinesas ampliam presença no Salão de Paris

A edição deste ano reúne cerca de 20 marcas chinesas, entre elas BYD, Chery e Changan, o dobro da presença registrada no evento de 2024.

As empresas buscam conquistar consumidores europeus em um cenário de concorrência acirrada e desaceleração da demanda doméstica chinesa. Nos últimos três anos, as fabricantes do país ampliaram rapidamente sua participação no mercado europeu.

Dados da alfândega chinesa indicam que as exportações de veículos híbridos para os 27 países da União Europeia triplicaram, alcançando US$ 7,5 bilhões no primeiro semestre de 2026.

Segundo analistas da Jefferies, a BYD, a Chery e a MG, marca controlada pela estatal chinesa SAIC, poderão sentir os efeitos das novas restrições com maior intensidade. Juntas, as três responderam por 90% das vendas de híbridos de marcas chinesas na União Europeia nos primeiros oito meses de 2026.

A BYD reconheceu que o acordo representa uma pressão no curto prazo, mas reiterou seu compromisso com o mercado europeu.

Volkswagen enfrenta queda nas entregas de veículos

Enquanto as marcas chinesas ampliam suas operações no exterior, fabricantes tradicionais enfrentam dificuldades em mercados importantes.

A Volkswagen informou, na segunda-feira, que suas entregas globais recuaram 14,3% no terceiro trimestre. Foi a maior queda trimestral da montadora em quatro anos, atribuída principalmente à nova retração da demanda na China, seu principal mercado.

A empresa também registrou redução nas entregas na América do Norte e na Europa Ocidental, evidenciando os desafios enfrentados pela indústria automobilística em diferentes regiões.

Diante desse cenário, as fabricantes europeias têm acelerado o lançamento de modelos e investido em novas tecnologias para recuperar espaço entre os consumidores.

Stellantis aposta em novos modelos e veículos elétricos

A Stellantis levou ao Salão de Paris seis novos modelos de suas marcas europeias, além de nove carros-conceito. A iniciativa integra os esforços do grupo para fortalecer sua posição no mercado regional.

Na véspera da abertura, Filosa apresentou uma versão elétrica de proposta acessível e estilo retrô do Citroën 2CV, descrita pelo executivo como uma reinvenção de um ícone europeu.

A empresa também pretende reduzir os prazos de desenvolvimento de veículos, adotando práticas inspiradas na velocidade de execução das fabricantes chinesas.

Segundo o diretor de tecnologia da Stellantis, Ned Curic, o grupo planeja produzir pequenos carros elétricos na Itália utilizando uma plataforma desenvolvida em parceria com a chinesa Leapmotor.

A Renault também anunciou planos de expansão. Fabrice Cambolive, responsável pela área de crescimento da companhia, afirmou que a montadora poderá elevar em pelo menos 50% a produção de veículos elétricos na França nos próximos 12 meses.

Fabricantes chinesas planejam produzir carros na Europa

A presença no Salão de Paris também serve como vitrine para os planos de expansão industrial das empresas chinesas.

Além de marcas já conhecidas, como BYD e Chery, a feira deste ano recebe a Aito. A Changan, por sua vez, prepara a entrada das marcas Nevo e Avatr no mercado europeu.

Zhao Fei afirmou que a Changan negocia com fabricantes para viabilizar a produção de veículos no continente. A expectativa da empresa é fabricar seu primeiro automóvel na Europa no início de 2027.

A BYD também avalia a possibilidade de construir uma fábrica na França, segundo declaração da vice-presidente executiva da companhia, Stella Li, à emissora BFM TV.

A instalação de unidades produtivas no mercado europeu pode ajudar as fabricantes chinesas a reduzir a exposição às tarifas de importação e a se adaptar às futuras exigências de conteúdo local.

Tarifas e regras de conteúdo local mudam estratégia do setor

Em outubro de 2024, a União Europeia impôs tarifas adicionais sobre veículos totalmente elétricos fabricados na China. Desde então, o bloco também avançou nas discussões sobre regras conhecidas como Made in Europe, que preveem níveis mínimos de conteúdo local para que veículos elétricos tenham acesso a parcelas relevantes do mercado europeu.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou durante o evento que um acordo entre França e Alemanha sobre essas disposições estava próximo de ser concluído.

Antecipando possíveis mudanças regulatórias, montadoras chinesas têm procurado estabelecer bases de produção no continente, inclusive por meio de parcerias com fabricantes já instalados.

Em julho, a Geely anunciou que produziria SUVs elétricos em uma fábrica da Ford na Espanha.

Em outro movimento de cooperação internacional, a indiana Tata Motors Passenger Vehicles e a Stellantis comunicaram a ampliação de sua parceria para incluir tecnologia e desenvolvimento de produtos. O plano prevê a fabricação de veículos na Índia destinados a mais de 50 mercados globais.

Crise no mercado chinês aumenta pressão por exportações

A expansão internacional tornou-se ainda mais importante para as montadoras chinesas diante do enfraquecimento das vendas domésticas.

Segundo os dados apresentados na reportagem, as vendas de automóveis na China recuaram 20% no primeiro semestre de 2026, aumentando a pressão sobre as fabricantes para encontrar consumidores em outros países.

Com o mercado norte-americano praticamente fechado para a indústria automobilística chinesa, a Europa ganhou importância como destino das exportações.

François Roudier, secretário-geral da Organização Internacional de Fabricantes de Veículos Automotores, destacou a dependência das empresas chinesas em relação ao mercado europeu. Na avaliação dele, a perda desse destino comercial poderia comprometer a rentabilidade das fabricantes, que encontram dificuldades para compensar essa ausência em outras regiões.

A disputa no Salão de Paris, portanto, vai além do lançamento de novos modelos. O evento reflete uma transformação estrutural da indústria automobilística global, na qual tarifas, inovação tecnológica, custos de produção e localização das fábricas se tornaram fatores decisivos para a competitividade.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Benoit Tessie

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Exportação

Exportações de maçã do RS para a União Europeia crescem 70%

As exportações de maçã do Rio Grande do Sul para a União Europeia registraram crescimento de 70% em valor e volume no período analisado, alcançando US$ 7,658 milhões em receita e 7.460 toneladas embarcadas. O resultado acompanha a recuperação da produção brasileira após quatro anos de safras reduzidas e os efeitos da redução de tarifas comerciais entre os dois blocos.

No mercado europeu, os embarques gaúchos ganharam espaço, embora o avanço das vendas esteja relacionado principalmente à maior disponibilidade de frutas no Brasil, segundo representantes do setor.

Exportações brasileiras de maçã avançam em 2026

O Brasil ampliou as vendas externas de maçã para a Europa em relação a 2025. A receita cresceu 111%, passando de US$ 7,5 milhões para US$ 15,832 milhões. Já o volume exportado aumentou 104%, de aproximadamente 7,3 mil para 14,940 mil toneladas.

O Rio Grande do Sul respondeu por US$ 9,427 milhões, equivalentes a 59,54% do faturamento total, e por 9.161 toneladas, o que representa 61,31% do volume comercializado.

Na comparação com 2024, a participação gaúcha havia sido ainda mais expressiva em 2025, quando o estado concentrou 83% das toneladas exportadas e 85% da receita obtida com os embarques brasileiros para o continente.

Considerando especificamente a União Europeia, sem incluir Reino Unido e Rússia, as exportações do Rio Grande do Sul cresceram 70%, atingindo US$ 7,658 milhões e 7.460 toneladas.

Acordo entre Mercosul e União Europeia favorece o comércio

A redução das tarifas de importação contribuiu para ampliar a competitividade da maçã brasileira no mercado europeu. Segundo Rafael de Oliveira, vice-presidente de Comercialização da Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi) e diretor comercial da Castelo Representações Comerciais, a retirada dos impostos, que giravam em torno de 10%, facilitou as operações.

Apesar disso, o dirigente destaca que o principal fator para o crescimento foi a recuperação da oferta nacional.

De acordo com Oliveira, o aumento dos embarques para a Europa está ligado sobretudo à retomada da produção brasileira em níveis normais, depois de quatro anos marcados por safras menores.

Perspectivas positivas para a safra de 2027

Os dados consolidados até agosto não devem sofrer alterações significativas até o fim do ano, uma vez que os embarques brasileiros já foram encerrados para o período analisado, enquanto os produtores europeus estão em plena colheita.

Para o próximo ciclo, as expectativas do setor são favoráveis. A quebra de safra europeia na variedade Gala, uma das principais maçãs cultivadas no Brasil, pode abrir espaço para ampliar as exportações nacionais.

A perspectiva de uma boa produção brasileira também contribui para o otimismo. No entanto, o volume efetivamente colhido dependerá das condições climáticas, especialmente das chuvas previstas para outubro e novembro.

O comportamento do clima será determinante para avaliar o tamanho da próxima safra e a capacidade do país de atender à demanda internacional.

Exigências fitossanitárias continuam sendo um desafio

Mesmo com a perspectiva de crescimento, o acesso ao mercado europeu exige atenção rigorosa às normas de segurança alimentar e aos limites de resíduos de defensivos agrícolas.

Representantes do setor ressaltam que as regras fitossanitárias permanecem rigorosas, impondo desafios aos produtores brasileiros. As diferenças climáticas ajudam a explicar parte dessa dificuldade: na Europa, o menor volume de chuvas tende a reduzir a incidência de determinadas pragas e, consequentemente, a necessidade de tratamentos nos pomares.

Além disso, os limites de resíduos exigidos pelo bloco europeu podem ser difíceis de alcançar até mesmo nas condições de produção locais.

Embora seja um destino relevante para a maçã brasileira, a Europa não ocupa atualmente a posição de principal mercado comprador do país.

Brasil amplia exportações e Rio Grande do Sul mantém protagonismo

No conjunto dos mercados internacionais, o Brasil exportou aproximadamente 50 mil toneladas de maçã no período mencionado. O volume representa um aumento de quase 500% em relação ao ano anterior e de cerca de 350% frente à média dos quatro anos anteriores.

O desempenho remete à safra de 2021, quando o país embarcou aproximadamente 100 mil toneladas e obteve US$ 73 milhões em receita. Naquele ano, o Rio Grande do Sul respondeu por 82% do volume exportado.

Na temporada atual, os produtores gaúchos foram responsáveis por cerca de 76% das exportações brasileiras de maçã, reforçando a importância do estado para a fruticultura nacional.

Apesar dos resultados positivos, o setor avalia que o país poderia ter embarcado volumes maiores. O atraso na colheita e os impactos da guerra no Oriente Médio limitaram as operações comerciais.

Índia, Bangladesh e Arábia Saudita concentram aproximadamente 70% dos embarques brasileiros, evidenciando a importância dos mercados asiático e do Oriente Médio para o escoamento da produção.

Para a próxima safra, a expectativa dos representantes do setor é dobrar o volume exportado em 2026. O objetivo dependerá do desempenho da produção nacional, das condições climáticas e das oportunidades comerciais no exterior.

Atualmente, o Rio Grande do Sul responde por cerca de 48% da produção brasileira de maçãs, consolidando sua posição estratégica no setor.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gilmar Ribeiro Nachtigall / Embrapa Uva e Vinho / Divulgação / CP

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Comércio Exterior

União Europeia limita importação de carros híbridos da China a 350 mil unidades por ano

A União Europeia (UE) pretende limitar a importação de carros híbridos fabricados na China a 350 mil unidades por ano. A medida faz parte das negociações comerciais entre o bloco europeu e o governo chinês, que registraram avanços no início deste mês.

Segundo um alto funcionário europeu, a proposta prevê restringir a entrada de veículos híbridos convencionais e híbridos plug-in pelos próximos quatro anos. O objetivo é reduzir pela metade a participação dos fabricantes chineses nesse segmento no mercado europeu.

A nova regra poderá entrar em vigor no início de dezembro e estabelecerá um limite anual para as importações, com uma taxa fixa de crescimento de 6% ao ano. De acordo com a fonte, o mecanismo busca reduzir em mais da metade o volume de exportações chinesas de veículos híbridos para o bloco.

UE busca reduzir presença de híbridos chineses no mercado

A iniciativa representa mais um movimento da União Europeia para controlar o avanço das montadoras chinesas no setor automotivo. Com a limitação das importações, o bloco pretende diminuir a participação desses veículos no mercado regional ao longo dos próximos anos.

A proposta abrange tanto os carros híbridos quanto os híbridos plug-in, modelos que combinam motores a combustão e propulsão elétrica, mas possuem características distintas de funcionamento e recarga.

O cronograma prevê a aplicação das restrições a partir de dezembro, embora a implementação dependa dos desdobramentos das negociações comerciais entre as duas partes.

China prevê redução de tarifas sobre produtos europeus

Como parte dos entendimentos comerciais, a China concordou em reduzir tarifas de importação aplicadas a produtos europeus que, juntos, representam cerca de 4 bilhões de euros em exportações para o país.

A lista inclui autopeças, calçados, sorvetes e azeite de oliva. A redução tarifária pode beneficiar empresas europeias que buscam ampliar suas vendas no mercado chinês.

As negociações envolvem, portanto, medidas que afetam tanto o comércio automotivo quanto outros setores da economia. Enquanto a União Europeia busca conter o avanço dos veículos híbridos chineses, a redução de tarifas na China abre espaço para melhorar as condições de acesso de produtos europeus ao mercado asiático.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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