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O que os portos brasileiros movimentam? Conheça os principais tipos de carga

Dos grãos aos contêineres, os portos brasileiros movimentam diariamente uma grande variedade de mercadorias. Cada tipo de carga possui características próprias e, por isso, demanda infraestrutura, equipamentos e procedimentos específicos para armazenagem, embarque, desembarque e transporte.

Entre os principais grupos estão os granéis sólidos, granéis líquidos e gasosos, cargas conteinerizadas e carga geral. A divisão ajuda a entender a complexidade da logística portuária e o papel dos terminais na conexão entre produtores, indústria, comércio e diferentes modais de transporte.

Granéis sólidos: grãos, minérios e fertilizantes

Os granéis sólidos são produtos secos transportados em grandes volumes e sem embalagens individuais. Eles podem ter origem agrícola, mineral ou industrial. Entre os exemplos estão soja, milho, trigo, açúcar, minério de ferro, fertilizantes e carvão.

A movimentação dessas cargas utiliza estruturas como silos, armazéns, moegas, correias transportadoras e equipamentos para carregamento e descarregamento de navios. O controle da umidade e da dispersão de poeira também faz parte dos cuidados necessários durante a operação.

Granéis líquidos e gasosos exigem controle específico

Petróleo, combustíveis, óleos vegetais, produtos químicos e gases estão entre as cargas transportadas em grandes volumes por meio de navios-tanque, dutos, bombas e tanques de armazenamento.

No caso dos gases liquefeitos, são necessárias condições controladas de pressão ou temperatura para manter o produto em estado líquido e viabilizar seu transporte.

Por envolverem riscos específicos, essas operações exigem protocolos rigorosos de segurança, prevenção de vazamentos, controle ambiental e monitoramento das condições de armazenamento e movimentação.

Carga conteinerizada integra diferentes modais

Os contêineres são unidades padronizadas que permitem transportar mercadorias de diferentes características com maior facilidade de transferência entre navios, caminhões e trens. Alimentos industrializados, roupas, eletrônicos, peças automotivas, máquinas, medicamentos, móveis e outros bens de consumo podem ser transportados dessa forma.

Nos terminais portuários, a operação depende de pátios especializados, portêineres, guindastes, empilhadeiras e sistemas de controle e rastreamento. Também existem áreas específicas para contêineres refrigerados, utilizados em cargas que precisam de temperatura controlada.

Um dos indicadores mais conhecidos desse segmento é o TEU, unidade baseada no contêiner padrão de 20 pés e utilizada para medir a movimentação portuária.

Carga geral reúne mercadorias de diferentes formatos

A carga geral inclui mercadorias transportadas individualmente, em volumes, caixas, fardos, peças ou equipamentos, sem serem movimentadas como granéis.

Veículos, máquinas, equipamentos industriais, bobinas de aço, madeira e peças de grandes dimensões são alguns exemplos.

Dependendo das características da mercadoria, a operação pode exigir guindastes, empilhadeiras, rampas, carretas especiais, pátios, armazéns e sistemas de amarração. Cargas pesadas ou de grandes dimensões demandam planejamento adicional para garantir segurança durante o manuseio.

Infraestrutura portuária varia conforme a carga

A diversidade de mercadorias movimentadas explica a existência de diferentes tipos de terminais portuários, equipamentos e estruturas de armazenagem.

Do campo à indústria e ao consumidor final, cada operação precisa ser planejada de acordo com as características da carga. Essa organização é fundamental para o funcionamento da logística portuária e para a integração entre produção, comércio, abastecimento e transporte no Brasil.

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos.

Texto: Redação

Imagem: Eduardo Oliveira/MPor

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Porto de Suape estuda eletrificação de navios com energia renovável

O Porto de Suape, em Pernambuco, avalia a implantação de um sistema para fornecer energia renovável a navios atracados no complexo portuário. A proposta é reduzir o consumo de combustíveis fósseis pelas embarcações enquanto elas permanecem nos berços durante as operações de carga e descarga.

A tecnologia em análise é conhecida como OPS (Onshore Power Supply), ou fornecimento de energia em terra. O sistema permite conectar o navio à rede elétrica do porto, possibilitando que embarcações preparadas para a tecnologia desliguem seus geradores auxiliares.

Mesmo com os motores principais desligados, os navios precisam manter diversos equipamentos funcionando. Iluminação, refrigeração, ventilação, sistemas de comunicação e outros serviços de bordo continuam demandando eletricidade durante a permanência no porto.

Atualmente, essa energia é produzida, em grande parte, por geradores alimentados com combustíveis fósseis. Com o OPS, a geração seria transferida para a infraestrutura em terra. A intenção de Suape é utilizar fontes de energia renovável, embora o modelo de rastreamento e comprovação da origem dessa eletricidade ainda esteja em definição.

Suape vai avaliar consumo dos navios

A implantação do sistema depende de uma etapa inicial de estudos. A administração do porto deverá levantar o perfil de consumo de energia das embarcações, o tempo médio de permanência nos berços e a quantidade de navios que frequentam Suape e possuem compatibilidade com a tecnologia.

Os dados serão utilizados para determinar o tamanho da infraestrutura necessária. A avaliação deverá incluir possíveis intervenções na rede elétrica portuária e nos próprios berços de atracação.

Entre os equipamentos que poderão ser necessários estão subestações, transformadores, sistemas de controle, conexões elétricas e cabos de alta capacidade.

O planejamento também levará em conta os custos de implantação e operação, além de alternativas de financiamento, modelos de negócio e possíveis parcerias. A ideia é avaliar uma implementação progressiva, acompanhando a demanda das empresas de navegação.

Eletrificação de navios avança no exterior

O fornecimento de energia elétrica em terra para navios já é utilizado ou está em expansão em importantes portos internacionais. No Brasil, porém, a tecnologia ainda possui aplicação restrita, especialmente para embarcações de grande porte.

Um diagnóstico divulgado pela ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) em 2025 apontou que a expansão do OPS no país exige investimentos na infraestrutura elétrica e adequações físicas nos terminais.

Na Europa, a tecnologia já faz parte dos planos de modernização de grandes complexos portuários. Hamburgo, na Alemanha, e Roterdã, nos Países Baixos, estão entre os portos que adotam iniciativas relacionadas ao fornecimento de eletricidade para embarcações atracadas.

Roterdã, por exemplo, trabalha na expansão da infraestrutura de energia em terra para atender também navios de longo curso e terminais de contêineres.

Projeto pode reduzir emissões no Porto de Suape

Ao substituir os geradores auxiliares dos navios por eletricidade fornecida diretamente pelo porto, o OPS pode contribuir para diminuir o consumo de combustíveis fósseis durante a atracação e, consequentemente, reduzir emissões atmosféricas e poluentes locais.

Em Suape, os estudos deverão apontar quais berços apresentam melhores condições para receber a tecnologia inicialmente. Também será necessário calcular os investimentos para adequar a infraestrutura e definir um modelo para a futura operação.

A iniciativa faz parte de uma tendência de transição energética no setor portuário, que busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis e ampliar o uso de fontes renováveis nas operações marítimas.

FONTE: Canal Solar
TEXTO: Redação
IMAGEM: Suape

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Porto Piauí inicia transbordo offshore de minério de ferro com destino à China

Operação marca nova fase da atividade comercial do terminal e utiliza sistema que permite transferir cargas de embarcações menores para um navio de grande porte em alto-mar

O Porto Piauí iniciou neste domingo (16) uma nova etapa de sua operação comercial com o carregamento do navio oceânico Marine Victory. A embarcação receberá minério de ferro produzido no Piauí e seguirá posteriormente com destino à China.

A operação utiliza o sistema de transbordo offshore, também chamado de transhipment, no qual a carga é transportada por embarcações menores até uma área marítima e transferida para um navio de maior porte fundeado ao largo da costa.

Marine Victory receberá até 120 mil toneladas

Segundo Raimundo Dias, presidente da Companhia Porto Piauí, o Marine Victory tem capacidade para transportar 120 mil toneladas e é o maior navio envolvido nesta primeira operação de transbordo offshore.

O carregamento começou com a integração das embarcações responsáveis pelo deslocamento do minério entre o terminal portuário e a área de operação em alto-mar. A previsão é que o processo seja concluído nos próximos dias, quando o navio oceânico deverá iniciar a viagem rumo ao mercado chinês.

Quatro embarcações participam da operação

O sistema reúne quatro embarcações trabalhando de maneira coordenada. Além do Marine Victory, participam dois navios com capacidade aproximada de 10 mil toneladas cada: o Konta II e o Konta III.

A operação conta ainda com uma embarcação intermediária, com capacidade para cerca de 35 mil toneladas, que atua como uma espécie de navio-pulmão. Sua função é auxiliar na manutenção do fluxo de minério durante o transbordo.

As embarcações menores realizam o transporte da carga entre o Porto Piauí e a área offshore. Enquanto uma unidade descarrega o minério, outra pode retornar ao terminal para receber uma nova carga, mantendo o ciclo de abastecimento do navio oceânico.

Sistema mantém fluxo contínuo de minério

De acordo com Raimundo Neto, o Konta II participa do descarregamento durante a operação, enquanto o Konta III permanece no porto para receber nova carga. A dinâmica permite estabelecer um fluxo contínuo entre o terminal e o ponto de transbordo no mar.

O modelo de transhipment de minério de ferro é utilizado para viabilizar o carregamento de navios de grande capacidade mesmo quando as características do terminal não permitem a entrada dessas embarcações de maior porte.

Operação amplia capacidade de exportação pelo Piauí

O início do transbordo offshore ocorre poucos meses após a primeira atracação de um navio de carga no Porto Piauí. Em junho, o Konta II entrou no canal de navegação e atracou no Berço 401, dando início à movimentação de cargas no Terminal de Uso Privado do complexo portuário.

Com 109 metros de comprimento, a embarcação tem capacidade para transportar aproximadamente 10 mil toneladas de minério de ferro por viagem. Depois do carregamento no terminal, a carga é encaminhada para uma embarcação de maior porte na área offshore.

A utilização do transbordo em alto-mar permite concentrar grandes volumes de minério em navios oceânicos, ampliando o potencial de exportação pelo litoral do Piauí e conectando a produção mineral do estado ao mercado internacional.

FONTE: Cidade Verde
TEXTO: Redação
IMAGEM: Juliana Oliveira

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Tecon Santos 10: AD Ports mira leilão e Emirados Árabes defendem disputa sem restrições

A AD Ports, um dos principais grupos de logística dos Emirados Árabes Unidos, avalia participar da disputa pelo Tecon Santos 10, novo terminal de contêineres previsto para o Porto de Santos (SP). O empreendimento deve receber mais de R$ 6 bilhões em investimentos e aumentar em cerca de 50% a capacidade de movimentação de contêineres do maior complexo portuário da América Latina.

Segundo relatos obtidos pela CNN, o embaixador dos Emirados Árabes Unidos no Brasil, Sharif Essa Alsuwaidi, procurou integrantes do governo na semana passada para apresentar o interesse do grupo. Na ocasião, também defendeu que as companhias de navegação possam participar do futuro leilão.

AD Ports amplia presença no setor portuário

Controlada pelo fundo soberano de Abu Dhabi, a AD Ports possui 34 terminais portuários e capacidade para movimentar aproximadamente 12 milhões de TEUs — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés — por ano.

A atuação internacional do grupo inclui operações em países como Egito, Congo, Paquistão, Angola e Bangladesh. Em 2022, a companhia adquiriu a armadora espanhola Noatum, sediada em Barcelona e responsável por operações marítimas em diferentes mercados. A empresa, porém, não figura entre as 20 maiores companhias de navegação do mundo.

No primeiro semestre, o grupo também concluiu a aquisição da CLI (Corredor Logística e Infraestrutura), responsável por terminais de granéis sólidos nos portos de Santos e Itaqui (MA).

Leilão do Tecon Santos 10 enfrenta impasse

O projeto do novo terminal de contêineres em Santos é discutido desde o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e vem sendo adiado diante da falta de consenso sobre as regras de participação no certame.

Durante a análise da modelagem do Tecon Santos 10, o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou impedir a participação de armadores. A preocupação é evitar a chamada verticalização portuária, situação em que empresas de navegação também passam a controlar terminais.

O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) seguiu a orientação e encaminhou diretrizes à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), responsável pela preparação do edital.

Posteriormente, a Casa Civil pediu alterações na modelagem. Em nota técnica, o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) defendeu um processo em etapa única e sem restrições à participação de atuais operadores de terminais em Santos — desde que, em caso de vitória, vendam seus ativos no porto — e de empresas de navegação.

Grupo de trabalho ainda não definiu regras

Para tentar solucionar o impasse, foi criado um grupo de trabalho encarregado de consolidar as orientações destinadas à Antaq e definir as condições do leilão.

O grupo completou um mês de funcionamento na sexta-feira (14), mas ainda não apresentou uma conclusão pública sobre o assunto.

Nesse cenário, a entrada da AD Ports acrescenta um novo elemento à disputa pelo Tecon Santos 10. Empresas como MSC, Maersk e Cosco já vêm acompanhando os preparativos para o leilão, embora a participação de armadores ainda dependa das regras que serão estabelecidas.

Disputa reúne operadores nacionais e estrangeiros

A ICTSI, das Filipinas, considerada a maior operadora independente de terminais de contêineres do mundo, também participa das movimentações que antecedem o certame. A JBS Terminais é outra empresa que acompanha o processo.

Nos Emirados Árabes Unidos, a DP World (DPW) já opera um dos três terminais de contêineres atualmente em funcionamento no Porto de Santos. A companhia, contudo, não pretende vender o ativo, condição necessária para que pudesse eventualmente entrar na disputa pelo Tecon Santos 10.

Procurada pela CNN, a embaixada dos Emirados Árabes Unidos não respondeu aos questionamentos sobre o assunto.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/AD Ports

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Porto de Paranaguá se prepara para receber supernavios e prevê modernização até 2050

O Porto de Paranaguá deverá passar por uma série de transformações nas próximas décadas, com investimentos voltados à infraestrutura, à logística e à modernização das operações. O Ministério de Portos e Aeroportos aprovou a atualização do Plano Mestre do Complexo Portuário de Paranaguá e Antonina, que estabelece diretrizes e projeções para o desenvolvimento da estrutura até 2050.

A nova versão substitui o plano publicado em 2018 e amplia o olhar sobre o complexo, incorporando tanto as operações públicas quanto os terminais privados. O documento também estabelece uma estratégia de longo prazo para integrar infraestrutura portuária, transporte, tecnologia e comércio exterior.

Novo plano amplia integração entre setor público e privado

Uma das principais mudanças em relação ao planejamento anterior é a adoção de uma visão mais abrangente sobre a gestão do complexo logístico.

Enquanto o plano de 2018 tinha maior concentração na expansão da infraestrutura portuária, a versão atual prioriza a gestão integrada e tecnológica da cadeia logística.

O novo documento também incorpora as diretrizes da Portaria MInfra nº 61/2020, que determina a inclusão dos Terminais de Uso Privado (TUPs) no planejamento portuário. A proposta é melhorar a coordenação do fluxo de cargas que passam pelo Paraná.

A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA) também consolida um modelo de governança híbrida, combinando a manutenção de equipamentos públicos de uso comum com a participação da iniciativa privada na operação e nos investimentos.

Moegão será peça central da logística ferroviária

Entre os principais projetos do novo planejamento está o Moegão, considerado uma das obras estratégicas para aumentar a eficiência do transporte ferroviário de cargas.

Com investimento estimado em R$ 600 milhões, o projeto pretende concentrar a descarga de trens no porto e reduzir a quantidade de manobras necessárias para encaminhar os produtos aos diferentes terminais.

A mudança também deve diminuir os impactos da circulação ferroviária sobre o trânsito urbano de Paranaguá. O projeto prevê a redução de 16 para cinco passagens em nível na área urbana.

Outro ganho esperado está na capacidade de recebimento de cargas agrícolas por ferrovia. A estrutura deverá elevar o atendimento de 550 para 900 vagões por dia, com possibilidade de descarregar até 180 vagões simultaneamente.

Em abril de 2026, a obra havia alcançado 95% de execução. A entrada em operação, entretanto, depende da conexão com os terminais privados, prevista para ocorrer a partir de 2027.

Paranaguá mira os maiores navios do mundo

Outro destaque do Plano Mestre de Paranaguá é a preparação do porto para receber embarcações de grandes dimensões.

O complexo foi responsável pela primeira concessão brasileira de um canal de acesso aquaviário, com contrato assinado em março deste ano. O acordo prevê investimentos privados de aproximadamente R$ 1,23 bilhão em atividades como dragagem, derrocagem e sinalização náutica.

A estratégia busca preparar o canal para receber os chamados Ultra Large Container Vessels (ULCV), navios porta-contêineres que podem chegar a 400 metros de comprimento.

Com o aprofundamento do canal previsto para ser concluído até 2032, o Porto de Paranaguá pretende ampliar sua capacidade de receber grandes embarcações e fortalecer a posição do Paraná nas rotas internacionais de comércio.

A modernização também é vista como uma forma de preservar a competitividade do complexo diante do crescimento do tamanho dos navios utilizados pelas companhias marítimas.

Chuva e congestionamentos ainda são desafios

Apesar dos projetos de expansão, o plano identifica obstáculos que continuam afetando a eficiência do complexo.

Durante os períodos mais intensos da safra, o tempo de espera para atracação pode chegar a 23 dias. As condições climáticas são apontadas entre os fatores que contribuem para as interrupções nas operações, já que a região registra mais de 100 dias de chuva por ano.

A movimentação de granéis vegetais é particularmente afetada pelas paralisações provocadas pelo clima, devido às características das operações a céu aberto.

Outro ponto de atenção é a dependência do transporte rodoviário. Cerca de 80% das cargas que entram ou saem do complexo utilizam as estradas, aumentando a pressão sobre a BR-277, principal ligação terrestre com o porto.

O plano aponta a necessidade de melhorias na infraestrutura da Serra do Mar e de uma maior participação do transporte ferroviário na matriz logística.

Concessão ferroviária será decisiva para o Moegão

O futuro da conexão ferroviária também está entre os pontos considerados estratégicos.

O contrato de concessão da ferrovia vence em fevereiro de 2027. Segundo o planejamento, a renovação ou uma nova licitação do trecho será importante para garantir que o sistema ferroviário consiga operar de acordo com a capacidade projetada para o Moegão.

A integração entre ferrovia, terminais e infraestrutura portuária é considerada fundamental para reduzir gargalos, diminuir conflitos com o trânsito urbano e aumentar a eficiência do escoamento de cargas.

Porto terá espaço específico para cruzeiros

No segmento de turismo, o Plano Mestre prevê estudos para a implantação de um Terminal Marítimo de Passageiros dedicado.

A proposta é separar as operações de passageiros das atividades de movimentação de cargas, permitindo que os navios de cruzeiro sejam recebidos de maneira mais organizada sem interferir nos berços utilizados pelo transporte comercial.

A iniciativa faz parte da estratégia de longo prazo para ampliar a estrutura do complexo e atender, de forma independente, às diferentes demandas do Porto de Paranaguá e Antonina.

FONTE: Tribuna Paraná
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves | Portos do Paraná

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Porto de Itajaí reúne autoridades nacionais e debate segurança jurídica para o desenvolvimento do setor portuário brasileiro

Seminário de Direito Portuário reúne ministro, magistrados e especialistas em encontro inédito de aproximação entre a Justiça e a realidade operacional dos portos

O Porto de Itajaí sediou, nesta quinta-feira (6), a abertura do Seminário de Direito Portuário, que reúne autoridades do Governo Federal, magistrados, desembargadores, especialistas e representantes do setor para debater os desafios jurídicos e regulatórios da atividade portuária. A programação segue até sexta-feira (7), no Auditório da Superintendência do Porto de Itajaí, com painéis sobre segurança jurídica, infraestrutura, contratos, sustentabilidade, regulação e desenvolvimento econômico.

Na abertura, o ministro de Portos e Aeroportos (MPor), Tomé Monteiro da Franca, destacou a importância da integração entre Executivo, Judiciário, Legislativo e iniciativa privada para fortalecer a segurança jurídica e atrair investimentos.

“O Ministério de Portos e Aeroportos tem estabelecido uma conexão direta com o Legislativo, com o Poder Judiciário e com o setor produtivo, porque é unindo esses setores que podemos construir uma infraestrutura mais segura, tanto do ponto de vista operacional quanto da segurança jurídica. É importante que quem investe no Brasil e no Porto de Itajaí tenha regras claras e a garantia de que seu investimento é seguro”, afirmou.

O ministro ressaltou que a atuação coordenada entre as instituições fortalece o setor portuário. “Se cada um desses atores não cumprir bem o seu papel, com responsabilidade, tecnicidade, empenho e foco, teremos menos resultados do que a sociedade espera”, completou.

Ao comentar a retomada do Porto de Itajaí após a paralisação de 2022, Tomé destacou o crescimento da movimentação de cargas e os investimentos em andamento. “De 2025 para 2024, ampliamos em mais de 200% a movimentação, e já no primeiro trimestre de 2026 ampliamos mais 40%. Essa será, sem dúvida, a rota de crescimento do Porto de Itajaí”, disse. Entre os projetos estão a dragagem do canal de acesso, com investimentos superiores a R$ 60 milhões, o arrendamento definitivo da área ITJ01 e a concessão do canal de acesso.

Para o superintendente do Porto de Itajaí, Artur Antunes Pereira, o seminário aproxima o setor portuário do Poder Judiciário, permitindo que magistrados conheçam de perto a complexidade das operações.

“Essa relação que estabelecemos com a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e com a Escola Nacional da Magistratura (ENM) vai muito além da atividade do Porto. Quando conseguimos colocar o juiz dentro desse ambiente, conhecendo a complexidade da operação, qualificamos também as decisões judiciais”, destacou.

Artur afirmou ainda que o Porto vive um momento de retomada, impulsionado pelo crescimento da movimentação e pelos investimentos previstos em infraestrutura, tecnologia, equipamentos e eficiência operacional, fundamentais para manter a competitividade do terminal.

Promovido pela Escola Nacional da Magistratura (ENM), Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e Superintendência do Porto de Itajaí, com apoio da Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC), da Portonave e da JBS Terminais, o seminário marca uma iniciativa inédita de aproximação entre a magistratura e uma Autoridade Portuária brasileira.

A mesa de abertura contou com a participação da coordenadora executiva da ENM, Marcela Carvalho Bocayuva; da vice-diretora-presidente da ENM, Paula Cunha e Silva, representando o diretor-presidente da instituição, desembargador Nelson Messias de Moraes; do desembargador José Agenor de Aragão, segundo vice-presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC); da presidente da AMC, Janiara Maldaner Corbetta; e do secretário nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila.

Poder Judiciário

A programação também destacou a importância da formação continuada da magistratura diante da crescente complexidade das relações econômicas, regulatórias e logísticas do setor portuário.

Representando a ENM, Paula Cunha e Silva ressaltou que temas como concessões, contratos administrativos, arrendamentos, arbitragem, direito concorrencial, sustentabilidade, compliance e comércio internacional passaram a ser essenciais para uma jurisdição mais qualificada e conectada à realidade econômica do país.

O desembargador José Agenor de Aragão destacou a relevância da atividade portuária para Santa Catarina e afirmou que o encontro contribui para o aperfeiçoamento das instituições e para a construção de soluções jurídicas mais seguras e eficientes.

A presidente da AMC, Janiara Maldaner Corbetta, reforçou a importância do debate e destacou que Santa Catarina avança na discussão sobre a criação de uma vara especializada em Direito Portuário no TJSC, acompanhando a crescente complexidade das demandas do setor.

Durante a manhã, o diretor-geral de Operações do Porto de Itajaí, Rafael Vano Canela, mediou o painel “Regulação Portuária e Segurança Jurídica: desafios contemporâneos e perspectivas institucionais”, reunindo especialistas para discutir os desafios regulatórios e as perspectivas para o desenvolvimento do setor.

Também participam da programação o desembargador do TRT Celso Peel; a juíza Joana Ribeiro; o juiz Romano José Enzweiler; o professor e advogado Osvaldo Agripino de Castro Junior; a professora da USP Juliana Oliveira Domingues; a diretora de Relações Corporativas do Grupo Ambipar, Ketlin Feitosa de Albuquerque Lima Scartezini; o gerente jurídico e de compliance da Portonave, Fábio Moya Diez; o head jurídico da JBS Terminais, Jorge Dantas Jr.; e a desembargadora Fernanda Sell de Souto Goulart.

A programação segue nesta quinta-feira (6) com painéis sobre contratos, responsabilidade, sustentabilidade, órgãos reguladores e governança. Na sexta-feira (7), os participantes farão uma visita técnica à Autoridade Portuária, ao canal de acesso, a um operador portuário e ao terminal de contêineres, aproximando os debates da realidade operacional do Porto de Itajaí.

O encontro reforça o protagonismo do Porto de Itajaí como espaço estratégico para o diálogo institucional, a construção de soluções e o fortalecimento da segurança jurídica no setor portuário brasileiro.

FONTE: Assessoria Porto de Itajaí

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Porto de Xangai bate recorde ao movimentar mais de 200 mil TEUs em apenas um dia

O Porto de Xangai, maior complexo de contêineres do mundo, alcançou um novo marco operacional ao superar, pela primeira vez, a movimentação de 200 mil TEUs em um único dia. O desempenho reforça a liderança global do porto e evidencia sua capacidade de recuperação após interrupções causadas por condições climáticas adversas.

No dia 1º de agosto, foram movimentados 203.881 TEUs, volume cerca de 9% superior ao recorde anterior, de 187.312 TEUs, registrado em 9 de junho. Em um único turno de trabalho, o porto também estabeleceu uma nova marca ao processar 71.728 TEUs.

Volume diário supera movimentação anual de porto europeu

A dimensão do resultado pode ser medida pela comparação com o Terminal de Contêineres de Fredericia, na Dinamarca. O volume movimentado por Xangai em apenas um dia foi aproximadamente 39 mil TEUs superior ao total registrado pelo terminal dinamarquês durante todo o ano de 2025, quando foram processados 164.968 TEUs.

O desempenho demonstra a escala operacional do porto chinês, que segue como referência mundial em logística portuária e movimentação de cargas.

Recuperação ocorreu após passagem de tufão

O recorde foi alcançado poucos dias depois da retomada das operações, interrompidas por quatro dias em razão da passagem do tufão Bavi, em meados de julho.

Com a melhora das condições climáticas, embarcações de longo curso e navios feeder que haviam permanecido em áreas de abrigo chegaram praticamente ao mesmo tempo ao porto, aumentando significativamente a demanda por berços de atracação, áreas de armazenagem e operações terrestres.

Segundo o Shanghai International Port Group, as atividades foram totalmente restabelecidas em 14 de julho. Durante o processo de normalização, o porto manteve média diária próxima de 172 mil TEUs enquanto reduzia a fila de navios e o acúmulo de contêineres.

Terminais também registram marcas históricas

Além do recorde geral do complexo portuário, alguns terminais alcançaram resultados inéditos durante o período de recuperação das operações.

O terminal automatizado da quarta fase de Yangshan movimentou 29.910 TEUs em um único dia, enquanto o terminal de contêineres de Luojing registrou processamento de 8.373 TEUs, ambos estabelecendo novos recordes operacionais.

Movimentação segue em ritmo de crescimento em 2026

O desempenho recorde acompanha a evolução dos indicadores do Porto de Xangai ao longo de 2026. No primeiro semestre, o complexo movimentou mais de 28 milhões de TEUs, crescimento de 6,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Na área portuária de Yangshan, o avanço foi ainda maior, com alta de 8,1% e volume superior a 15 milhões de TEUs.

Em 2025, o porto já havia registrado seu maior resultado histórico ao movimentar 55,06 milhões de TEUs, aumento de 6,9% sobre o ano anterior, consolidando pelo 16º ano consecutivo a liderança como o maior porto de contêineres do planeta.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Tecon Santos amplia capacidade de armazenagem e chega a 2,9 milhões de TEUs por ano

O Tecon Santos, terminal operado pela Santos Brasil no Porto de Santos (SP), concluiu mais uma etapa do projeto de ampliação e modernização, elevando sua capacidade anual para 2,9 milhões de TEUs. A expansão ocorre em um período estratégico para o comércio exterior brasileiro, próximo à chamada peak season do segundo semestre, quando aumentam as importações para datas como Black Friday e Natal, além do escoamento da produção de commodities agrícolas.

A nova capacidade foi alcançada com a incorporação de uma área de 4 mil metros quadrados ao pátio operacional do terminal. O espaço antes era ocupado pelo antigo prédio administrativo da companhia, demolido em maio para dar lugar à ampliação da área de armazenagem.

Nova área adiciona 137 mil TEUs de capacidade ao terminal

Localizada na região central do Tecon Santos, a área passou por obras de adequação e agora contribui com aproximadamente 137 mil TEUs de capacidade dinâmica, ampliando a estrutura disponível para movimentação de contêineres no Porto de Santos.

O projeto de expansão do terminal começou em 2019 e prevê investimentos totais próximos de R$ 3 bilhões, com a meta de alcançar uma capacidade operacional de 3 milhões de TEUs por ano.

Até o momento, a Santos Brasil já aplicou mais de R$ 2,5 bilhões no programa de modernização.

Investimentos antecipam demanda do comércio exterior

Para Charles Thibault, diretor de Terminais da Santos Brasil, os aportes realizados refletem uma estratégia de longo prazo para acompanhar o crescimento das operações internacionais brasileiras.

“Nosso compromisso é preparar a infraestrutura antes que a demanda se materialize, garantindo capacidade ao Porto de Santos, eficiência operacional e serviço premium para os nossos clientes”, afirmou o executivo.

Segundo Thibault, a expansão permite que o Tecon Santos responda atualmente por quase metade da capacidade de movimentação de contêineres do porto.

Nova sede administrativa será construída até 2027

Como parte do processo de modernização, a Santos Brasil também iniciará no quarto trimestre deste ano a construção de uma nova sede administrativa.

O edifício será instalado próximo à portaria terrestre do terminal e terá cinco andares, cerca de 1,2 mil metros quadrados de área construída e capacidade para acomodar até 450 colaboradores.

A previsão é que a nova estrutura seja concluída até o final de 2027, substituindo as instalações administrativas anteriores por um espaço mais moderno e sustentável.

Terminal amplia uso de equipamentos elétricos e operação remota

Além da expansão física, o Tecon Santos avançou na modernização dos equipamentos utilizados nas operações portuárias.

Neste mês, cinco dos oito RTGs elétricos fabricados pela ZPMC iniciaram operação remota no terminal. Os equipamentos chegaram da China no início do ano, junto com dois novos portêineres.

Os novos RTGs se somam às oito primeiras unidades elétricas já utilizadas pelo terminal. A tecnologia permite operação à distância, iniciativa implantada de forma pioneira no Brasil pelo Tecon Santos no final de 2024.

Segundo a empresa, o sistema aumenta a segurança operacional e melhora as condições ergonômicas dos profissionais responsáveis pela operação dos equipamentos.

Renovação da frota reduzirá emissões de carbono

A Santos Brasil prevê a aquisição de outros 30 RTGs elétricos nos próximos anos, substituindo equipamentos convencionais movidos a diesel.

Com a renovação completa da frota, a expectativa é reduzir em 97% as emissões de carbono associadas a esses equipamentos, evitando o lançamento de cerca de 713 toneladas de CO₂ por mês na atmosfera.

Os novos portêineres, que já operam manualmente, também serão os primeiros do Brasil preparados para operar remotamente.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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CODEBA registra crescimento recorde na movimentação portuária no primeiro semestre de 2026

Os portos administrados pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (CODEBA) fecharam o primeiro semestre de 2026 com desempenho histórico. Entre janeiro e junho, a movimentação de cargas cresceu 22,49% em relação ao mesmo período de 2025, alcançando o maior volume já registrado para um primeiro semestre.

Além dos terminais baianos, o Porto de Itajaí (SC), que está sob gestão transitória da CODEBA, também apresentou resultado expressivo, com alta de 40,97% na movimentação de cargas no período.

Porto de Aratu-Candeias lidera movimentação de cargas

O Porto de Aratu-Candeias foi o terminal com maior volume movimentado entre os administrados pela companhia. No acumulado dos seis primeiros meses do ano, foram 3,70 milhões de toneladas, resultado que representa crescimento de 26,09% sobre o mesmo intervalo de 2025.

O desempenho foi impulsionado principalmente pelas exportações, que avançaram 95,77%, enquanto as importações registraram aumento de 12,99%.

Somente em junho, o porto movimentou 692,2 mil toneladas, volume 30,17% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado.

Porto de Salvador mantém ritmo de crescimento

O Porto de Salvador também apresentou resultados positivos no primeiro semestre, com movimentação acumulada de 3,79 milhões de toneladas, crescimento de 20,94% na comparação anual.

As importações lideraram o avanço, com alta de 31,84%, enquanto as exportações tiveram crescimento de 2,47%.

No mês de junho, o terminal registrou movimentação de 703,9 mil toneladas, desempenho 44,52% superior ao observado em junho de 2025.

Porto de Ilhéus amplia portfólio com nova operação internacional

No sul da Bahia, o Porto de Ilhéus movimentou 89,9 mil toneladas no acumulado do primeiro semestre.

Em junho, passaram pelo terminal 11,9 mil toneladas de cargas, representando crescimento de 0,64% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

O destaque do período foi a realização da primeira operação de embarque de óxido de magnésio no porto. A carga, de 8,7 mil toneladas, teve como destino o Porto de Nova Orleans, nos Estados Unidos, marcando a entrada de um novo tipo de produto no portfólio operacional do terminal e ampliando as oportunidades para a logística de exportação na região.

Desempenho reforça crescimento da logística portuária

Os resultados do primeiro semestre evidenciam o fortalecimento da infraestrutura portuária administrada pela CODEBA e o aumento da movimentação de cargas nos principais terminais sob sua gestão. O desempenho recorde reflete a expansão das operações de importação e exportação, além da diversificação das cargas movimentadas nos portos baianos.

FONTE: CODEBA
TEXTO: Redação
IMAGEM: Lucas Bernardo

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Portos

Antaq analisa revisão das tarifas do Porto de Santos e processo entra na fase final

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) concluiu a análise técnica da proposta de revisão tarifária extraordinária do Porto de Santos. Com a etapa encerrada, o processo foi considerado apto e segue agora para avaliação da Diretoria Colegiada, instância responsável pela decisão final dentro da agência reguladora.

Segundo a Antaq, o caso já foi distribuído ao relator, que deverá incluir a matéria na pauta para apreciação do colegiado. Somente após essa deliberação será possível avançar para as etapas seguintes previstas na legislação.

Novo tarifário depende de homologação e prazos legais

Depois da decisão da Diretoria Colegiada, o procedimento prevê a comunicação oficial ao Ministério da Fazenda e ao Ministério de Portos e Aeroportos (MPor).

A homologação definitiva da revisão e a publicação dos novos valores das tarifas ocorrerão apenas após o cumprimento de todas as exigências administrativas e dos prazos legais estabelecidos.

Desconto de 34,6% continua em vigor

Enquanto o processo não é concluído, permanece válido o desconto de 34,6% na chamada Tabela 3, tarifa cobrada pela Autoridade Portuária de Santos (APS) pelo uso da infraestrutura operacional e terrestre do porto.

A redução foi determinada pela Antaq em setembro do ano passado após constatar que parte dos investimentos previstos com recursos arrecadados entre 2022 e 2024, superiores a R$ 600 milhões, não foi executada pela APS.

Com a medida, o valor da tarifa caiu de R$ 28,06 para R$ 18,35 por contêiner movimentado entre a embarcação e as áreas de armazenagem ou os limites do porto, representando redução de R$ 9,71 por unidade.

APS afirma que cumpriu determinação e aguarda decisão

Em nota, a Autoridade Portuária de Santos (APS) informou que apresentou os recursos administrativos previstos após a publicação do Acórdão nº 559/2025 e implementou o abatimento tarifário determinado pela agência reguladora.

A administração do porto destacou que, até o momento, não houve decisão administrativa ou judicial que modificasse esse cenário. Também reforçou que a revisão extraordinária segue em análise na Antaq e que ainda não existe definição oficial sobre os novos valores das tarifas.

Revisão define limites máximos das tarifas

A Antaq esclareceu que o processo em andamento não trata da concessão de descontos comerciais, mas da atualização dos limites máximos das tarifas portuárias, conhecidos como preços-teto, aplicáveis às tabelas tarifárias do porto.

Os valores finais dependerão da análise da capacidade de geração de receitas do complexo portuário, dos custos operacionais e da avaliação do equilíbrio econômico-financeiro da operação, fatores que serão apreciados pela Diretoria Colegiada.

Execução dos investimentos será determinante

Outro ponto considerado pela agência reguladora é o cumprimento das obras previstas no ciclo tarifário anterior. A Antaq avalia o nível de execução física e financeira dos investimentos para verificar se a estrutura tarifária reflete efetivamente as melhorias entregues aos usuários do porto.

Segundo a agência, essa análise é essencial para garantir que os recursos arrecadados por meio das tarifas sejam compatíveis com as obras executadas e com os benefícios oferecidos ao setor portuário.

Sopesp mantém silêncio enquanto discussão continua

O Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp), responsável pela denúncia que questionou a falta de investimentos da APS e defendia a suspensão integral da cobrança da tarifa, informou que não irá se pronunciar neste momento.

De acordo com a entidade, o tema ainda está em discussão tanto na esfera administrativa quanto no Poder Judiciário.

Entenda a origem do desconto tarifário

Em 2021, a APS aprovou um cronograma de investimentos financiados com os recursos da Tabela 3, incluindo obras nas avenidas perimetrais das margens direita e esquerda do porto, melhorias no acesso à Ilha Barnabé e a recuperação dos Armazéns 1 ao 11.

Posteriormente, a autoridade portuária revisou o planejamento e informou que apenas 65,4% dos investimentos originalmente previstos seriam concluídos dentro do prazo estabelecido. Diante desse cenário, a Antaq calculou que 34,6% das obras deixariam de ser executadas no período previsto, percentual que serviu de base para o desconto aplicado sobre a tarifa.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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