Portos

Suape abre consulta pública para arrendamento portuário de R$ 1,4 bilhão

O Complexo Industrial Portuário de Suape, em Pernambuco, abriu consulta pública para receber sugestões e contribuições sobre o projeto de arrendamento da área SUA08, destinada à movimentação e à armazenagem de cargas gerais e conteinerizadas. A iniciativa faz parte das etapas preparatórias para a futura licitação da área.

Como parte do processo, uma audiência pública será realizada nesta terça-feira (27), às 14h, com o objetivo de ampliar a transparência e garantir a participação de investidores, representantes do setor portuário e demais interessados.

Projeto prevê R$ 110 milhões em investimentos

Localizada no complexo portuário, a área SUA08 possui aproximadamente 51 mil metros quadrados. O contrato de arrendamento tem valor global estimado em R$ 1,4 bilhão, enquanto os investimentos previstos para o projeto somam cerca de R$ 110 milhões.

A proposta integra a estratégia de Suape para atrair investimentos privados, desenvolver novas oportunidades de negócios e fortalecer a infraestrutura logística e portuária de Pernambuco. A iniciativa também está inserida no processo de ampliação e modernização das operações do complexo.

Audiência pública terá participação presencial e virtual

O encontro ocorrerá no auditório do Centro Administrativo de Suape, no município de Ipojuca, e contará com formato híbrido. Os participantes poderão acompanhar a audiência presencialmente ou pela internet, com transmissão ao vivo no canal oficial da estatal portuária no YouTube.

Quem desejar se manifestar durante a sessão deverá fazer uma inscrição prévia, conforme as orientações divulgadas pela administração do complexo.

Contribuições podem ser enviadas até 30 de outubro

Além da participação na audiência, os interessados poderão encaminhar sugestões e contribuições por escrito até o dia 30 de outubro de 2026, por meio de formulário eletrônico.

Os documentos relacionados à consulta pública, as informações sobre a audiência e as instruções para participação estão disponíveis no portal oficial de Suape.

Acesse os documentos e participe: https://www.suape.pe.gov.br/pt/licitacoes-2/consulta-e-audiencia-publicas-n-01-2026-sua08

FONTE: Movimento Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Portos

Cabotagem cresce 3% no terceiro trimestre de 2026, impulsionada por cargas feeder

A navegação de cabotagem registrou crescimento de 3% no terceiro trimestre de 2026, na comparação com igual período do ano passado. Os dados são da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac) e apontam o avanço das cargas feeder como principal fator de sustentação do resultado.

Esse tipo de operação envolve o transporte de contêineres entre portos brasileiros, com cargas destinadas ao comércio exterior ou provenientes dele. A modalidade permite conectar terminais nacionais às rotas marítimas internacionais e ampliar as possibilidades de integração logística.

Entre julho e setembro, a movimentação de cargas feeder alcançou 245.467 TEUs, crescimento de 8,2% em relação ao terceiro trimestre de 2025. A sigla TEU corresponde à unidade equivalente a um contêiner de 20 pés e é utilizada como referência para medir o volume de cargas conteinerizadas.

O desempenho positivo desse segmento contribuiu para o resultado geral da cabotagem, reforçando a importância da conexão entre os portos nacionais e os serviços de transporte marítimo internacional.

Na movimentação de cargas domésticas, o cenário foi diferente. O segmento apresentou queda de 1,9% no terceiro trimestre, totalizando 235.105 TEUs.

Apesar da retração nas operações internas, o crescimento das cargas feeder e o avanço do transporte entre países do Mercosul contribuíram para o desempenho positivo da navegação de contêineres.

As operações de transporte de cargas entre países do Mercosul registraram expansão de 14% no período, atingindo 41.762 TEUs. Embora o percentual represente um avanço expressivo, a Abac destaca que esse mercado ainda apresenta uma base de movimentação relativamente pequena.

Considerando o conjunto das operações realizadas pelas Empresas Brasileiras de Navegação (EBNs), o volume transportado chegou a 522.334 TEUs no terceiro trimestre de 2026, alta de 3,8% na comparação anual.

Cabotagem fortalece a integração logística e o comércio exterior

Para o diretor-executivo da Abac, Luís Resano, o crescimento do transporte de contêineres pelas empresas brasileiras de navegação, especialmente no segmento feeder, evidencia a relevância estratégica da cabotagem para a logística nacional.

Segundo o executivo, a conexão dos portos brasileiros às principais rotas internacionais amplia o alcance do comércio exterior e contribui para operações logísticas mais eficientes e competitivas.

O resultado do terceiro trimestre evidencia, assim, a contribuição do transporte marítimo para a integração entre os portos brasileiros e as cadeias globais de abastecimento, em um cenário no qual a eficiência logística é um fator importante para a competitividade das empresas.

FONTE: CNN Brasil, com dados da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac).

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução CNN / Porto de Santos

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Negócios

BR do Mar pode ampliar competitividade do Brasil com acordo Mercosul-União Europeia

O programa BR do Mar pode desempenhar um papel estratégico no fortalecimento da logística brasileira diante das novas oportunidades comerciais abertas pelo acordo entre Mercosul e União Europeia. Com a perspectiva de expansão das exportações, a eficiência no transporte de mercadorias ganha importância para reduzir custos, melhorar a previsibilidade das operações e ampliar a presença dos produtos nacionais no mercado internacional.

O decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril, que promulgou o acordo comercial, marcou uma nova etapa nas relações econômicas entre os dois blocos. Com a entrada em vigor provisória das medidas previstas no tratado, a preparação da infraestrutura logística torna-se um fator relevante para aproveitar o potencial de crescimento do comércio exterior.

Nesse contexto, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) aposta no BR do Mar, iniciativa voltada ao estímulo da cabotagem e à ampliação do transporte de cargas entre portos brasileiros.

Cabotagem pode ganhar espaço na logística nacional

A cabotagem, modalidade de transporte marítimo realizada entre portos do mesmo país, representa atualmente cerca de 12% da matriz de transportes brasileira, segundo o Guia de Utilização da Cabotagem e de Habilitação ao BR do Mar.

A participação é inferior à registrada em outras economias, como Japão, onde chega a 44%, União Europeia, com 32%, e China, com 25%.

O programa busca ampliar o uso desse modal, especialmente no transporte de contêineres, que movimentam produtos industrializados e mercadorias de maior valor agregado.

Ao incentivar a navegação entre portos nacionais, a iniciativa pretende diversificar as alternativas de transporte e diminuir a dependência das rodovias em deslocamentos de longas distâncias.

Acordo comercial pode abrir novas oportunidades de exportação

Um estudo da ApexBrasil indica que o acordo entre Mercosul e União Europeia pode abrir 543 oportunidades imediatas de exportação para empresas brasileiras.

A estimativa apresentada aponta que as vendas do Brasil para o mercado europeu podem crescer em até US$ 1 bilhão já no primeiro ano de vigência do acordo.

Para transformar essas oportunidades em negócios, o país precisará oferecer condições logísticas compatíveis com as exigências do comércio internacional, incluindo custos competitivos, regularidade no transporte e maior previsibilidade nas entregas.

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destaca que a modernização da logística é fundamental para ampliar a competitividade nacional. Segundo ele, o BR do Mar contribui para aprimorar a matriz de transportes, integrar diferentes modais e preparar o país para uma possível expansão das exportações.

Portos do Norte e Nordeste podem ganhar importância

Com o crescimento potencial das vendas para a Europa, os portos das regiões Norte e Nordeste podem ampliar sua relevância nas operações de comércio exterior, considerando sua localização geográfica em relação ao continente europeu.

Nesse cenário, a integração entre cabotagem e transporte de exportação pode facilitar a redistribuição de cargas produzidas em diferentes partes do país.

Mercadorias industrializadas provenientes das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, por exemplo, poderão ser transportadas por navios até terminais exportadores do Norte e Nordeste, reduzindo a necessidade de percorrer longas distâncias exclusivamente por rodovias.

A estratégia pode ampliar as alternativas logísticas para os exportadores e contribuir para uma distribuição mais eficiente dos fluxos de carga entre os portos brasileiros.

Transporte marítimo pode reduzir custos e emissões

Além dos ganhos operacionais, a cabotagem apresenta vantagens relacionadas à sustentabilidade no transporte de cargas.

Estimativas da Infra S.A. indicam que o transporte marítimo pode emitir até seis vezes menos poluentes do que o rodoviário para movimentar a mesma carga em longas distâncias.

Em relação aos custos médios, o modal marítimo pode apresentar despesas até 60% inferiores às do transporte rodoviário e até 40% menores que as do ferroviário, conforme os parâmetros citados.

Essas diferenças reforçam o potencial da navegação costeira como alternativa para reduzir despesas logísticas e a pegada ambiental do transporte de mercadorias.

Em um cenário de maior integração comercial com a Europa, a combinação entre eficiência econômica e redução de emissões pode se tornar um diferencial para empresas brasileiras.

BR do Mar prevê incentivos para embarcações sustentáveis

O programa também estabelece mecanismos para ampliar a capacidade de transporte das Empresas Brasileiras de Navegação (EBN), incluindo regras para o afretamento de embarcações estrangeiras.

Entre os incentivos previstos está a possibilidade de ampliar o uso de navios afretados conforme as características da frota e o atendimento aos critérios estabelecidos pelo programa, com vantagens associadas à utilização de embarcações mais sustentáveis.

Na prática, determinadas condições permitem que as empresas ampliem em até 50% a tonelagem de sua frota própria por meio do afretamento de navios estrangeiros. O percentual pode chegar a 100% quando são utilizadas embarcações sustentáveis e alcançar até 300% em combinações específicas entre frota própria e embarcações afretadas com características ambientais mais eficientes.

Esses mecanismos buscam estimular a expansão da capacidade de transporte e incentivar a adoção de soluções com menor impacto ambiental.

Integração logística será decisiva para ampliar exportações

O avanço do acordo Mercosul-União Europeia coloca a infraestrutura de transportes entre os fatores que podem determinar a capacidade brasileira de conquistar novos mercados.

Nesse contexto, o BR do Mar surge como uma ferramenta para ampliar a participação da cabotagem, fortalecer a integração entre os modais e oferecer alternativas de transporte mais competitivas.

A combinação entre portos estruturados, navegação costeira e incentivos à sustentabilidade poderá contribuir para reduzir custos, melhorar o escoamento da produção e preparar o Brasil para atender às novas demandas do comércio internacional.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Portos

Novo terminal de contêineres do Porto de Fortaleza prevê R$ 429 milhões em investimentos

O novo terminal de contêineres do Porto de Fortaleza, no Ceará, avança rumo ao leilão após o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovar, nesta quarta-feira (2), a modelagem do edital de arrendamento da área MUC04. O empreendimento tem como um dos objetivos fortalecer a logística de exportação, especialmente no transporte de frutas e de outras cargas que exigem refrigeração.

Com a aprovação do Tribunal, o processo será encaminhado à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), responsável por estabelecer a data do leilão.

A iniciativa representa a retomada, após cerca de 20 anos, da licitação de um novo terminal de contêineres desse tipo no país e abre caminho para a ampliação da infraestrutura portuária em Fortaleza.

Terminal MUC04 terá investimentos de R$ 429 milhões

A empresa vencedora da disputa deverá investir aproximadamente R$ 429 milhões na implantação e na modernização da infraestrutura do terminal. O contrato de arrendamento terá duração de 25 anos.

Atualmente, a movimentação de contêineres no Porto de Fortaleza ocorre em uma área de aproximadamente 88 mil metros quadrados, com operações distribuídas e amparadas por um contrato de transição.

Com o novo arrendamento, o terminal MUC04 passará a ocupar uma área contínua de cerca de 148 mil metros quadrados, permitindo reorganizar o espaço, aprimorar o fluxo de cargas e implementar melhorias operacionais.

A ampliação deverá proporcionar melhores condições para o atendimento das demandas do comércio exterior e aumentar a capacidade de movimentação de mercadorias no complexo portuário.

Exportação de frutas é uma das prioridades do projeto

Um dos focos do novo terminal será o atendimento às operações de exportação de frutas e produtos do agronegócio. Essas mercadorias dependem de uma estrutura logística adequada para preservar a qualidade durante o transporte até os mercados consumidores internacionais.

Para isso, a infraestrutura deverá contemplar recursos para a operação de contêineres refrigerados (reefer), que precisam permanecer conectados a pontos de energia para manter a temperatura apropriada durante o armazenamento e a movimentação.

A disponibilidade desses equipamentos e a eficiência da cadeia de frio são fatores importantes para garantir a conservação de cargas perecíveis e agilizar o escoamento da produção destinada à exportação.

Capacidade será de 360 mil contêineres por ano

O projeto prevê capacidade para movimentar anualmente 360 mil TEUs, unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés. O volume reforça o potencial do empreendimento para ampliar a oferta de serviços portuários e atender ao crescimento das operações de comércio exterior.

A nova estrutura deverá beneficiar a chamada hinterlândia do porto, expressão utilizada para designar sua área de influência econômica e logística. Nesse caso, o alcance inclui mercados do Ceará e de outros estados das regiões Nordeste e Centro-Oeste.

Com uma estrutura ampliada e operações mais eficientes, a expectativa é contribuir para a redução dos custos logísticos, melhorar a competitividade das empresas e modernizar o transporte da produção cearense até os mercados nacionais e internacionais.

Novo terminal prevê geração de 379 empregos diretos

Além dos investimentos em infraestrutura, o arrendamento do MUC04 tem previsão de gerar 379 empregos diretos, distribuídos entre atividades administrativas e operacionais.

A implantação do terminal poderá ampliar as oportunidades de trabalho relacionadas à operação portuária e aos serviços associados à movimentação de cargas.

Com a conclusão das etapas necessárias para o leilão, o projeto poderá avançar na modernização do Porto de Fortaleza, fortalecendo sua participação na logística regional e criando melhores condições para o transporte de contêineres e a exportação de produtos perecíveis.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Portos

Como funciona o código de identificação dos contêineres nos portos

A combinação de letras e números presente nos contêineres é essencial para identificar essas unidades, organizar as operações portuárias e acompanhar o transporte de mercadorias. O sistema segue um padrão internacional que permite reconhecer cada equipamento e registrar sua movimentação ao longo da cadeia logística.

Utilizados no transporte de cargas entre diferentes regiões do Brasil e do mundo, os contêineres possuem um código próprio estampado em sua estrutura metálica. Essa identificação é regulamentada pela norma ISO 6346, que estabelece critérios para a codificação e a marcação desses equipamentos.

Como funciona a identificação dos contêineres

Nos terminais portuários, o código permite registrar a entrada, a saída, a movimentação e o armazenamento dos contêineres. As informações são utilizadas por profissionais e sistemas informatizados para manter os registros operacionais organizados e facilitar o acompanhamento das unidades.

A identificação é composta por quatro letras e sete algarismos, distribuídos em partes que cumprem funções específicas. O conjunto identifica o proprietário registrado, indica a categoria do equipamento e diferencia cada unidade por meio de um número de série.

O que significam as letras e os números

Para compreender a estrutura, considere o exemplo fictício ABCU 123456 0. Cada elemento tem uma finalidade:

  • Três primeiras letras (ABC): identificam o proprietário registrado do contêiner.
  • Quarta letra (U): indica a categoria do equipamento. A letra U é utilizada para contêineres de carga, entre os tipos mais comuns.
  • Seis algarismos (123456): formam o número de série, responsável por individualizar a unidade.
  • Último algarismo (0): corresponde ao dígito verificador, calculado matematicamente a partir dos caracteres anteriores para ajudar a detectar erros de identificação.

Esse padrão permite que os diferentes participantes da cadeia logística utilizem uma referência comum para localizar equipamentos, compartilhar informações e acompanhar as operações com mais precisão.

Tecnologia automatiza a leitura dos códigos nos portos

A identificação dos contêineres também pode ser realizada por meio de sistemas automatizados. Câmeras e softwares especializados capturam as letras e os números estampados nas estruturas e convertem essas informações em registros digitais.

O procedimento utiliza o Reconhecimento Óptico de Caracteres (OCR), tecnologia que interpreta caracteres presentes em imagens e permite automatizar a leitura dos códigos.

Além de agilizar o registro das unidades, o recurso possibilita vincular a identificação às imagens obtidas durante as operações portuárias. A Receita Federal prevê a utilização dessa tecnologia no monitoramento e na vigilância de recintos alfandegados, contribuindo para o controle das movimentações e a consulta aos registros de entrada e saída.

InovaPortos incentiva a modernização do setor portuário

A transformação digital dos portos brasileiros também envolve iniciativas voltadas à inovação e à adoção de novas ferramentas tecnológicas.

Nesse cenário, o Ministério de Portos e Aeroportos desenvolveu o InovaPortos, programa destinado a estimular soluções inovadoras no setor portuário. Entre as áreas contempladas estão a automação de processos, a aplicação de inteligência artificial e a análise e integração de dados.

A iniciativa busca aumentar a eficiência das operações, aprimorar a gestão portuária e contribuir para a redução dos custos logísticos. A adoção dessas tecnologias também favorece a integração das informações utilizadas no transporte e na fiscalização de mercadorias.

O código do contêiner revela qual mercadoria está dentro dele?

Apesar de permitir a identificação individual de cada unidade, o código do contêiner não informa diretamente qual produto está sendo transportado. Para descobrir o conteúdo da carga, é necessário consultar a documentação e os registros vinculados à operação.

Esses documentos podem apresentar dados como o tipo de mercadoria, a quantidade transportada, a origem e o destino. Entre os produtos que podem ser acondicionados em contêineres estão roupas, alimentos industrializados, equipamentos eletrônicos e matérias-primas.

Nos sistemas portuários, o código de identificação pode ser associado aos documentos da carga, facilitando a consulta às informações e o acompanhamento da operação. Essa integração também auxilia o trabalho das autoridades responsáveis pela fiscalização.

Dessa forma, a combinação padronizada de letras e números, aliada às ferramentas digitais, desempenha um papel importante na rastreabilidade de contêineres, no controle das operações e na organização do transporte marítimo de mercadorias.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação (IA)

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Informação

Renovação da frota na Hidrovia Paraguai-Paraná depende de financiamento de longo prazo, afirma CIE

A renovação da frota na Hidrovia Paraguai-Paraná enfrenta um obstáculo que vai além da capacidade industrial dos estaleiros: a falta de financiamento de longo prazo. O diagnóstico é de Eduardo Borgognon, presidente do grupo paraguaio CIE, que defende mecanismos de crédito com prazos de até 20 anos para impulsionar a construção de novas barcaças e rebocadores.

Segundo o executivo, mais da metade das embarcações paraguaias em operação tem entre 40 e 50 anos de uso. Apesar da necessidade de modernização, os estaleiros locais dispõem de capacidade para ampliar a produção. O desafio, portanto, é viabilizar investimentos compatíveis com o custo elevado dos equipamentos e com o retorno financeiro das operações fluviais.

Com atuação nos setores naval, metalmecânico, portuário, energético e de transporte de contêineres, o grupo CIE fabrica embarcações por meio de sua parceria com o Astillero Chaco e opera no transporte fluvial com a Guarán Feeder.

Em entrevista ao PortalPortuario, Borgognon também analisou a competitividade do transporte hidroviário, os desafios logísticos nas operações do Rio da Prata, as perspectivas da Rota Bioceânica e a necessidade de ampliar a oferta de energia no Paraguai.

Mais da metade da frota paraguaia tem entre 40 e 50 anos

O envelhecimento das embarcações é um dos principais sinais de alerta para o setor. De acordo com Borgognon, mais de 50% da frota ativa registrada na Marinha Mercante do Paraguai tem entre quatro e cinco décadas de utilização.

Grande parte desses equipamentos foi adquirida de segunda mão nos Estados Unidos, especialmente na região do rio Mississippi, entre o final dos anos 1980 e o início da década de 1990.

Embora algumas embarcações possam ser recuperadas por meio de reparos estruturais e da substituição de chapas do casco nas áreas em contato com a água, o procedimento exige cautela. Para o executivo, investir em estruturas antigas representa um risco, mesmo quando existe possibilidade de obter cobertura de seguro.

O cenário reforça a necessidade de substituir gradualmente os equipamentos por unidades novas, com melhores condições operacionais e maior confiabilidade.

CIE concentra mais de 50% da fabricação de novas barcaças

A frota mercante paraguaia possui entre 2.100 e 2.200 barcaças ativas, segundo os números apresentados pelo presidente da CIE.

Desse total, o grupo fabricou pouco mais de 400 unidades. Outros estaleiros paraguaios produziram aproximadamente 150 embarcações, enquanto cerca de 150 vieram da China. Assim, aproximadamente 700 barcaças novas foram construídas nas últimas duas décadas, enquanto a maior parte da frota restante é composta por equipamentos usados.

Com esse histórico, a parceria entre CIE e Astillero Chaco responde por mais de 50% do mercado de fabricação de novas embarcações na Hidrovia Paraguai-Paraná.

A capacidade produtiva também permite ampliar a oferta. Operando em dois turnos, os estaleiros podem fabricar entre cinco e seis barcaças de carga seca por mês ou de 3,5 a quatro barcaças-tanque mensais. A adoção de um terceiro turno poderia elevar esses volumes.

Para Borgognon, a indústria está preparada para atender a uma demanda maior, desde que os operadores consigam financiar a compra dos equipamentos.

Barcaças e rebocadores exigem investimentos milionários

O elevado custo das embarcações torna o financiamento um fator decisivo para a modernização da frota.

Segundo o executivo, uma barcaça custa aproximadamente US$ 1 milhão, enquanto um rebocador pode exigir investimentos entre US$ 12 milhões e US$ 14 milhões, conforme os equipamentos instalados.

A formação de um comboio completo pode demandar entre US$ 40 milhões e US$ 45 milhões. Para garantir a continuidade dos serviços e contar com capacidade operacional de reserva, uma empresa precisa dispor de pelo menos dois comboios.

Nesse contexto, Borgognon defende mudanças no modelo de financiamento utilizado pelo setor naval paraguaio.

Modelo internacional pode servir de referência

Em mercados mais desenvolvidos, como os rios Mississippi e Reno, grande parte das embarcações pertence a fundos de investimento, e não diretamente aos armadores. Os operadores utilizam os equipamentos por meio de contratos de arrendamento, leasing com opção de compra ou aluguel a casco nu.

Segundo Borgognon, entre 70% e 80% da frota de alguns desses mercados está vinculada a estruturas desse tipo.

A adoção de um modelo semelhante no Paraguai permitiria separar a propriedade dos ativos da operação do transporte, facilitando a entrada de capital e a contratação de equipamentos por períodos prolongados.

Crédito de até 20 anos é prioridade para o setor naval

A banca comercial paraguaia avançou no conhecimento das necessidades da indústria naval, segundo o presidente da CIE. O país também conta com a Agência Financeira de Desenvolvimento (AFD), instituição de segundo piso que pode canalizar recursos por meio dos bancos comerciais.

O principal desafio é ampliar os prazos de financiamento para aproximadamente 20 anos, com juros compatíveis com a geração de caixa das empresas de navegação.

A CIE mantém conversas com o governo paraguaio para desenvolver mecanismos que permitam oferecer condições mais adequadas aos investimentos no setor.

Borgognon cita o Brasil como referência. No país, o Fundo da Marinha Mercante oferece linhas de financiamento que podem chegar a 20 anos, com até quatro anos de carência e taxas de juros entre 2,5% e 4%, conforme os parâmetros mencionados pelo executivo.

O modelo brasileiro, entretanto, está associado a exigências de construção naval em território nacional para acesso aos recursos.

Para o dirigente, incentivos semelhantes poderiam fortalecer a indústria paraguaia, gerar empregos e ampliar os efeitos econômicos sobre fornecedores e atividades relacionadas.

Guarán Feeder transporta contêineres pela hidrovia

Além da fabricação de embarcações, a CIE participa diretamente do transporte fluvial por meio da Guarán Feeder, empresa criada em 2012 para atuar exclusivamente no segmento de cargas conteinerizadas.

Atualmente, a companhia opera cinco comboios. Todas as barcaças e dois dos rebocadores utilizados foram fabricados pela própria CIE, com projetos desenvolvidos especificamente para as condições da hidrovia.

O dimensionamento das embarcações levou em conta fatores como a infraestrutura portuária e a capacidade dos equipamentos de movimentação de cargas.

A empresa estima deter entre 20% e 22% do mercado de transporte de contêineres da hidrovia, com operações regulares durante todo o ano.

Portos do Rio da Prata são um dos desafios logísticos

Na avaliação de Borgognon, o sistema portuário paraguaio oferece serviços satisfatórios e conta com infraestrutura que continua recebendo investimentos. O acesso ao comércio marítimo por meio de portos soberanos é considerado estratégico para o país.

O grupo CIE também participa da operação do Puerto Baden, localizado em Concepción, no Paraguai, em sociedade com a Hidrovías do Brasil. O terminal é voltado principalmente à movimentação de grãos, incluindo cargas provenientes do sul de Mato Grosso destinadas a unidades de processamento na Argentina.

Os maiores entraves operacionais, segundo o executivo, estão nas terminais do Rio da Prata, na Argentina e no Uruguai.

Problemas em um dos países podem provocar o redirecionamento das cargas para o outro, alterando constantemente a distribuição dos fluxos comerciais. Além disso, a escolha dos portos de destino depende, em muitos casos, das companhias marítimas internacionais e dos acordos que elas mantêm com terminais específicos.

Esse cenário acrescenta complexidade ao planejamento das operações dos armadores.

Dragagem perde espaço entre as principais preocupações

Depois de anos marcados por condições hidrológicas desfavoráveis, Borgognon avalia que a dragagem deixou de ocupar o centro das preocupações do setor.

O aumento do nível do rio e a perspectiva de um ciclo com melhores condições de navegação contribuem para esse cenário. O executivo também destaca que Paraguai, Argentina e Brasil têm tratado com maior atenção a manutenção da hidrovia.

A experiência de rios como o Mississippi e o Reno demonstra, em sua avaliação, a importância de trabalhos permanentes para preservar as condições de navegabilidade.

Com isso, o foco da indústria se desloca para a estrutura financeira necessária à substituição das embarcações antigas.

Rota Bioceânica enfrenta concorrência do transporte fluvial

Embora reconheça que a Rota Bioceânica pode ampliar a conexão do Paraguai com o Oceano Pacífico, Borgognon questiona sua capacidade de competir diretamente com o transporte hidroviário.

Segundo ele, o frete terrestre pode custar aproximadamente sete vezes mais do que o fluvial, diferença que pesa especialmente nas exportações de produtos de menor valor agregado.

Carnes e grãos, por exemplo, são mercadorias nas quais o transporte representa uma parcela importante do preço final. Por isso, o executivo considera que o escoamento pelo Rio da Prata continua sendo uma alternativa mais competitiva para enviar esses produtos à Ásia.

A rota terrestre pelo Pacífico, por outro lado, pode apresentar vantagens para a importação de eletrônicos e outros bens de maior valor agregado, nos quais o custo do frete tem menor participação proporcional no preço total.

Paraguai pode atrair indústrias voltadas ao mercado brasileiro

Para investidores estrangeiros interessados no Paraguai, Borgognon recomenda avaliar oportunidades de produção destinadas ao mercado brasileiro, especialmente por meio do regime de maquila.

A proximidade geográfica com o Brasil é apontada como uma vantagem estratégica para empresas que pretendem fabricar produtos demandados pelo mercado vizinho.

O executivo ressalta, porém, que a expansão industrial depende de condições comerciais favoráveis e de infraestrutura capaz de sustentar o aumento da produção.

Nesse contexto, a disponibilidade de energia elétrica aparece como um dos principais fatores para atrair novos investimentos.

Demanda por eletricidade exige novos projetos de geração

O consumo de potência e energia no Paraguai cresce em ritmo acelerado, com picos de demanda concentrados nos meses de janeiro e fevereiro, quando as altas temperaturas aumentam o uso de sistemas de refrigeração.

Segundo Borgognon, a capacidade disponível é de aproximadamente 6,5 gigawatts (GW), incluindo uma margem de reserva, enquanto os picos de consumo chegam a 5,7 GW.

Embora os momentos de maior pressão ocorram durante cerca de 200 horas por ano, o executivo considera necessário antecipar soluções para evitar limitações ao desenvolvimento industrial.

Projetos de geração elétrica exigem tempo para sair do planejamento e entrar em operação. Uma eventual chegada de novas indústrias voltadas à exportação para o Brasil poderá ampliar ainda mais a demanda.

Energia solar e baterias podem ajudar a atender aos picos

Entre as alternativas apontadas por Borgognon está a expansão da energia solar fotovoltaica, acompanhada de sistemas de armazenamento em baterias.

A Administração Nacional de Eletricidade do Paraguai (ANDE) já começou a avançar nessa direção, enquanto empresas privadas também desenvolvem projetos. A própria CIE possui iniciativas de geração fotovoltaica em andamento.

A proposta é armazenar a energia produzida e utilizá-la nos períodos de maior consumo, reduzindo a pressão sobre o sistema elétrico.

Para o executivo, garantir uma oferta confiável de eletricidade será essencial para que o país consiga transformar suas vantagens energéticas em crescimento industrial.

CIE passou da engenharia hidrelétrica à construção naval

Fundada em 1978, a CIE iniciou suas atividades no setor hidrelétrico e ampliou gradualmente suas competências em engenharia e fabricação metalmecânica.

Atualmente, a empresa afirma ter capacidade para produzir cerca de 70% dos componentes de uma turbina, trabalhando com tolerâncias de até um décimo de milímetro. O grupo também executa reparos profundos em turbinas da usina hidrelétrica de Yacyretá, onde duas unidades já haviam sido concluídas com resultados considerados satisfatórios.

A entrada na construção naval ocorreu no final dos anos 1980, quando o crescimento da movimentação de cargas na hidrovia estimulou a chegada de embarcações usadas do Mississippi.

Aproveitando sua estrutura industrial, a empresa construiu a primeira barcaça para uso próprio. Batizada de Chaco 1001, a embarcação, com capacidade para mil toneladas, foi lançada em 3 de outubro de 1988. Inicialmente alugada por um ano a um cliente, acabou sendo adquirida por ele.

Produção modular amplia competitividade dos estaleiros

A experiência acumulada na engenharia de componentes hidrelétricos abriu caminho para a fabricação seriada de equipamentos navais.

Por meio do Astillero Chaco, a CIE produz aproximadamente 80% dos componentes das embarcações em sua unidade industrial de Luque, organizados em módulos transportáveis. As peças são levadas por terra até o estaleiro, onde ocorre a montagem final.

O sistema permite padronizar etapas produtivas e aumentar a competitividade da construção de barcaças e rebocadores.

Para Borgognon, a combinação entre capacidade industrial, demanda por renovação e infraestrutura existente coloca o Paraguai em posição favorável para ampliar sua indústria naval. A concretização desse potencial, entretanto, dependerá principalmente da criação de mecanismos de financiamento de longo prazo.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Portos

El Niño acende alerta nos portos de Santa Catarina e expõe limite para receber cargas de Itajaí e Navegantes

O risco de eventos climáticos associados ao El Niño preocupa o setor portuário de Santa Catarina. Apesar de contar com cinco portos em operação, o estado não dispõe de capacidade ociosa suficiente para absorver integralmente as cargas do Complexo Portuário de Itajaí-Navegantes em caso de interrupção das atividades.

A possibilidade de fechamento do canal do rio Itajaí-Açu a partir de novembro motivou uma reunião entre a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), representantes de terminais portuários, autoridades e integrantes do governo estadual. O encontro, realizado na tarde de quinta-feira, teve como objetivo discutir um plano de contingência portuária para reduzir os impactos de eventuais paralisações.

A avaliação dos participantes é que outros terminais catarinenses podem receber parte das cargas desviadas, mas não conseguiriam compensar integralmente a movimentação de Itajaí e Navegantes por um período prolongado.

Fechamento do canal pode deixar dezenas de navios sem operação

A interrupção da navegação no canal do rio Itajaí-Açu é um risco recorrente, principalmente em períodos de correnteza intensa. Um dos episódios mais críticos ocorreu em outubro de 2023, quando o canal permaneceu fechado durante 16 dias, impedindo a movimentação de cargas de mais de 40 navios nos dois terminais.

Atualmente, uma semana de interrupção já seria suficiente para impedir a atracação de aproximadamente 20 embarcações, segundo informações apresentadas pelo setor.

O diretor setorial da Facisc, Lito Guimarães, destacou que a possibilidade de novos episódios preocupa o Conselho de Comércio Exterior e Negócios Internacionais (Conceni) da entidade. O grupo reúne exportadores, importadores, agentes de carga e representantes das áreas portuária e logística.

Uma reunião sobre o tema também já havia sido realizada na Secretaria de Estado de Portos.

Porto de Imbituba pode receber mais 9 mil TEUs por mês

A análise da capacidade disponível nos demais terminais revelou limitações para absorver uma eventual transferência de cargas.

A Santos Brasil, responsável pela operação do Tecon Imbituba, informou que o terminal pode receber mais 9 mil TEUs mensais sem comprometer o atendimento aos clientes atuais. A sigla TEU corresponde à unidade equivalente a um contêiner de 20 pés.

Em setembro, o terminal movimentou 130 mil TEUs, alcançando um recorde, e atualmente opera quatro linhas regulares de navegação.

Segundo Leonardo Silva, executivo da empresa que participou da reunião, a principal restrição não está no cais, preparado para receber navios de até 366 metros de comprimento, mas na capacidade do pátio para armazenar contêineres.

A disponibilidade de espaço para acomodação das cargas, portanto, representa um dos principais obstáculos para ampliar a operação em situações emergenciais.

Porto Itapoá também enfrenta restrições de capacidade

O Porto Itapoá, que passou por expansões recentes, também possui margem limitada para receber volumes adicionais de contêineres.

De acordo com o executivo Alberto Machado, o terminal opera acima de 80% de sua capacidade. Está prevista ainda uma ampliação de 120 mil metros quadrados destinada ao armazenamento de contêineres, mas a nova área será utilizada para o pré-stacking de exportações — modalidade em que as cargas são posicionadas antecipadamente para embarque.

A expansão, portanto, não representa necessariamente uma solução imediata para absorver grandes volumes desviados de outros portos.

Representantes do setor ressaltaram que a transferência de operações depende também das decisões dos armadores, responsáveis por definir os destinos e as escalas dos navios. Caso haja paralisação prolongada, exportadores poderão precisar reduzir a produção ou redirecionar suas cargas para outras regiões.

Paralisação de Itajaí e Navegantes teria impacto nacional

O presidente da Portonave, Osmari de Castilho Ribas, alertou que uma interrupção do Complexo Portuário de Itajaí-Navegantes teria consequências que ultrapassariam as fronteiras catarinenses.

Na avaliação do executivo, nem Santa Catarina nem o Brasil teriam condições de absorver integralmente o volume de cargas movimentado pelo complexo em caso de paralisação.

A SC Portos, operadora que atua em Itajaí com 20 serviços semanais de navegação, também informou que não dispõe de condições para ampliar significativamente suas atividades diante de um evento climático dessa natureza. A informação foi apresentada pelo diretor Antonio Carlos Guimarães Neto.

O cenário evidencia a importância estratégica do complexo para o comércio exterior brasileiro, especialmente para as operações de importação e exportação que dependem da estrutura portuária catarinense.

Correnteza é a principal causa do fechamento do canal

Segundo Artur Antunes Pereira, diretor da Autoridade Portuária de Itajaí, os episódios recentes de interrupção foram provocados pelo aumento da vazão do rio e pela intensificação da correnteza.

De acordo com o dirigente, os fechamentos não tiveram como causa principal o assoreamento do canal, mas as condições hidrodinâmicas que tornam a navegação insegura.

Desde maio, a autoridade portuária realiza um acompanhamento interno dessas condições com a participação de pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

A partir de 10 de novembro, também está previsto o início de um monitoramento ambiental contratado para fornecer informações sobre ventos e correnteza, permitindo acompanhar as condições que podem comprometer a navegação.

Estudos e dragagem fazem parte das medidas preventivas

Além do monitoramento, estão em andamento iniciativas técnicas para ampliar o conhecimento sobre o comportamento do rio e reduzir os riscos operacionais.

Entre as medidas estão:

  • Aprofundamento dos estudos hidrodinâmicos do rio Itajaí-Açu.
  • Retomada dos trabalhos de dragagem, com a chegada de uma draga do tipo hopper.
  • Desenvolvimento de estudos para aperfeiçoar a orientação e o uso do canal em situações emergenciais.
  • Monitoramento das condições ambientais, especialmente dos ventos e da intensidade da correnteza.

As ações foram detalhadas por Artur Antunes Pereira e buscam melhorar a capacidade de antecipação e resposta diante de condições adversas.

O secretário de Estado de Portos, Ivan Amaral, também ressaltou a importância de considerar a capacidade disponível nos portos de Imbituba e Itapoá como alternativa em episódios de interrupção da navegação.

Agilidade na liberação de cargas pode reduzir prejuízos

Durante a reunião, representantes do setor destacaram ainda a necessidade de agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação de mercadorias nos portos catarinenses.

A atuação de órgãos como a Receita Federal e o Ministério da Agricultura foi apontada como relevante para reduzir atrasos e amenizar os prejuízos quando eventos climáticos provocam o fechamento de terminais.

Com a capacidade ociosa limitada e a dependência de decisões dos armadores para redirecionar navios, a combinação entre monitoramento preventivo, planejamento logístico e maior agilidade nos processos de liberação é considerada fundamental para diminuir os impactos de possíveis interrupções.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Portonave, Divulgação

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Portos

Porto Bahía, na Colômbia, planeja ampliar operações com gás e contêineres a partir de 2027

O terminal marítimo Porto Bahía, localizado em Cartagena, na Colômbia, prepara uma expansão de suas atividades logísticas, com a inclusão de operações de gás natural liquefeito (GNL) e o aumento da movimentação de cargas. A estratégia busca diversificar os serviços oferecidos e atender à crescente demanda energética do país.

Segundo Federica Noli, diretora comercial do terminal, os planos incluem o desenvolvimento de novas soluções para o setor de gás, além do fortalecimento das operações com contêineres e cargas secas. As iniciativas foram apresentadas em entrevista ao PortalPortuario durante o evento TOC Americas, realizado em Cartagena.

A executiva destacou que a ampliação das atividades permitirá ao porto contribuir para o abastecimento nacional e expandir sua participação em diferentes segmentos da logística marítima.

Porto Bahía prepara novas operações de gás na Colômbia

A entrada no mercado de gás representa uma das principais frentes de expansão do terminal. De acordo com Noli, a companhia planeja iniciar uma nova operação de gás natural liquefeito (GNL) no começo de 2027, com o objetivo de oferecer infraestrutura logística para atender ao aumento da demanda colombiana.

Paralelamente, a empresa começou a desenvolver atividades relacionadas ao gás liquefeito de petróleo (GLP). Os planos incluem a implantação de capacidade de armazenamento e serviços de despacho do produto.

A iniciativa pretende contribuir para reduzir o déficit de oferta de GLP no mercado colombiano, atendendo a parte da demanda que atualmente não é plenamente suprida.

Com a diversificação dos serviços, o Porto Bahía busca ampliar sua relevância na cadeia de abastecimento energético e consolidar novas oportunidades de negócios.

Terminal quer aumentar movimentação de contêineres

Além dos investimentos no setor de gás, o terminal pretende expandir suas operações de contêineres e carga seca.

A movimentação de contêineres começou há aproximadamente dois anos e ainda está em fase de consolidação. Segundo a diretora comercial, a expectativa é ampliar significativamente esse segmento nos próximos anos.

A estratégia faz parte de um plano mais amplo para diversificar o perfil das cargas atendidas e aumentar a participação do porto no comércio exterior colombiano.

Porto Bahía movimenta mais da metade dos veículos importados e exportados

Apesar dos novos projetos, o terminal já possui uma posição de destaque em segmentos tradicionais de carga.

Segundo Federica Noli, o Porto Bahía responde por mais de 50% dos veículos movimentados nas operações de importação e exportação da Colômbia, mantendo a liderança nacional nesse mercado.

A instalação portuária movimenta aproximadamente 170 mil veículos por ano e também possui atuação expressiva no setor de hidrocarbonetos.

Entre os serviços prestados está o atendimento às necessidades logísticas da Ecopetrol, empresa colombiana de petróleo, incluindo operações de exportação de petróleo bruto e óleo combustível (fuel oil).

A ampliação das atividades para contêineres, gás e cargas de projetos deverá complementar essa estrutura e abrir novas possibilidades de crescimento.

Logística multimodal é aposta para ampliar a eficiência portuária

Outro diferencial apontado pela administração do Porto Bahía é a integração entre as operações marítimas e os diferentes modais de transporte.

De acordo com Noli, a companhia busca sincronizar a chegada dos navios com o recebimento das cargas no território colombiano e com as operações de distribuição terrestre e fluvial.

O transporte multimodal tem papel importante nesse modelo, especialmente pela utilização das vias navegáveis para movimentar mercadorias.

A estratégia procura garantir que os ganhos de eficiência não se restrinjam ao atendimento das embarcações, mas também alcancem as demais etapas da cadeia logística.

Para isso, o terminal trabalha em coordenação com os diferentes participantes das operações, buscando reduzir atrasos e melhorar o fluxo das cargas entre o porto e os destinos finais.

Portos colombianos avançam em modernização e investimentos

A diretora comercial também destacou a transformação do setor portuário colombiano nas últimas três décadas. Segundo ela, a abertura à participação privada, impulsionada pela Lei 1 de 1991, contribuiu para ampliar os investimentos e modernizar a infraestrutura portuária do país.

Desde então, os terminais passaram por processos de expansão, diversificação de serviços e incorporação de novas tecnologias.

Na avaliação de Noli, a Colômbia conta atualmente com instalações portuárias de padrão internacional e continua investindo para acompanhar o crescimento da demanda do mercado.

A executiva também ressaltou a importância de incorporar práticas de desenvolvimento sustentável, de modo que a expansão da infraestrutura gere benefícios para as comunidades e para a economia nacional.

Porto Bahía avalia uso de inteligência artificial nas operações

A adoção de novas tecnologias também está entre os planos do terminal. A empresa pretende implementar inteligência artificial (IA) de maneira gradual e estruturada, tanto nas atividades operacionais quanto na gestão administrativa.

Segundo Noli, a tecnologia poderá complementar os conhecimentos e as informações já disponíveis no porto, apoiando a tomada de decisões e o aprimoramento dos processos internos.

A implementação deverá ocorrer por etapas, com foco na integração das ferramentas às diferentes áreas da companhia.

A iniciativa acompanha uma tendência de modernização do setor portuário, que busca combinar infraestrutura, tecnologia e planejamento logístico para elevar a produtividade e responder às novas exigências do comércio internacional.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Portos

Portos do México movimentam menos contêineres em setembro de 2026

A movimentação de contêineres nos portos do México registrou nova queda em setembro de 2026, acumulando dois meses consecutivos de retração na comparação mensal. Apesar do recuo, o volume movimentado entre janeiro e setembro permaneceu acima do registrado no mesmo período de 2025, embora o ritmo de crescimento tenha perdido força em relação ao balanço divulgado em agosto.

Dados da Secretaria da Marinha do México (Semar) mostram que o Sistema Portuário Nacional movimentou 777.826 TEUs em setembro, resultado 8,3% inferior aos 848.641 TEUs registrados no mês anterior. A sigla TEU corresponde à unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, utilizada como referência para medir a movimentação portuária.

Segundo análise da T21 Business Intelligence, os quatro principais terminais de contêineres do país apresentaram queda mensal no nono mês do ano.

Principais portos mexicanos registram retração mensal

A redução no volume de cargas foi observada tanto nos terminais do Pacífico quanto nos portos localizados no Golfo do México. Manzanillo e Lázaro Cárdenas, que lideram a movimentação nacional, também registraram resultados negativos na comparação com agosto.

No litoral do Pacífico, o porto de Manzanillo movimentou 329.942 TEUs em setembro, uma queda de 10,6% em relação aos 368.883 TEUs do mês anterior.

Já Lázaro Cárdenas contabilizou 203.575 TEUs, recuo de 7,9% diante dos 221.131 TEUs registrados em agosto.

No Golfo do México, o porto de Veracruz movimentou 105.618 TEUs, volume 3,6% menor na comparação mensal. Altamira apresentou uma retração mais acentuada, de 9,7%, com 72.891 TEUs no período.

Os resultados indicam uma desaceleração generalizada na movimentação de contêineres nos portos mexicanos, mesmo com o desempenho acumulado do ano ainda positivo.

Movimentação de contêineres cresce 2,4% no acumulado de 2026

Apesar da queda em setembro, o balanço dos nove primeiros meses do ano mostra expansão no setor portuário mexicano.

Entre janeiro e setembro de 2026, os terminais do país movimentaram 7.290.474 TEUs, alta de 2,4% em comparação com os 7.120.875 TEUs contabilizados no mesmo intervalo de 2025.

O resultado foi impulsionado principalmente pelo desempenho de Manzanillo, que permaneceu na liderança nacional em volume de contêineres.

Manzanillo amplia participação no mercado portuário

Manzanillo movimentou 3.154.781 TEUs entre janeiro e setembro, crescimento de 9,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O terminal respondeu por 43,3% de toda a movimentação de contêineres do México, consolidando sua posição como principal porto do país nesse segmento.

Na segunda colocação, Lázaro Cárdenas registrou 2.008.597 TEUs, avanço de 2,9% na comparação anual.

Somados, os dois portos do Pacífico concentraram 70,8% do volume de contêineres movimentado nacionalmente nos nove primeiros meses de 2026, reforçando a importância dessa região para a logística e o comércio exterior mexicano.

Portos de Veracruz e Altamira acumulam perdas no ano

Enquanto os principais terminais do Pacífico apresentaram crescimento no acumulado, os portos do Golfo do México tiveram desempenho negativo.

Veracruz movimentou 907.802 TEUs entre janeiro e setembro, uma redução de 5,6% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Em Altamira, o volume chegou a 651.914 TEUs, queda de 5% na comparação anual.

Os números evidenciam diferenças no desempenho dos principais corredores marítimos do país, com os terminais do Pacífico sustentando o crescimento geral da movimentação portuária mexicana.

Exportações do México avançam e reforçam o comércio exterior

A retração mensal na movimentação de contêineres ocorre em um cenário de fortalecimento das exportações mexicanas.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística e Geografia do México (Inegi), as exportações do país alcançaram US$ 7,01 bilhões em agosto de 2026, um aumento de 40,4% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

O avanço das vendas externas indica a expansão do comércio internacional mexicano, embora os dados de setembro mostrem que esse movimento não se traduziu em crescimento mensal da movimentação de contêineres nos principais portos.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Portos

Portos do Paraná movimentam 52,1 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e setembro de 2026

Os Portos do Paraná movimentaram 52,1 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e setembro de 2026, considerando operações de embarque e desembarque. Desse volume, 18,2 milhões de toneladas foram destinadas às importações, o equivalente a 35% da movimentação total no período.

Entre os produtos que impulsionaram os resultados, o óleo de soja apresentou crescimento expressivo nas exportações, reforçando a importância do Porto de Paranaguá para o comércio exterior brasileiro.

Exportações de óleo de soja crescem 63% em Paranaguá

Nos nove primeiros meses de 2026, o Porto de Paranaguá exportou 1,24 milhão de toneladas de óleo de soja. No mesmo intervalo de 2025, o volume havia alcançado 760,6 mil toneladas, representando um avanço de 63% em um ano.

O desempenho também teve impacto significativo no cenário nacional. Do crescimento de 586,6 mil toneladas nas exportações brasileiras do produto em relação a 2025, Paranaguá respondeu por 486,3 mil toneladas, contribuindo com mais de 82% da expansão registrada no país.

Ao todo, o Brasil exportou 1,75 milhão de toneladas de óleo de soja no período, das quais 70% foram embarcadas pelo terminal paranaense.

Infraestrutura portuária impulsiona movimentação de cargas

O aumento nas operações está relacionado à capacidade dos terminais, ao crescimento da produção estadual e à demanda do mercado internacional.

Segundo Gabriel Vieira, diretor de Operações Portuárias da Portos do Paraná, a expansão da produção de farelo e óleo de soja no estado favoreceu o escoamento de volumes superiores aos registrados em anos anteriores.

O executivo também destaca o rigor dos procedimentos de controle de qualidade aplicados aos produtos antes do embarque. Esse processo, conforme Vieira, contribui para consolidar os portos paranaenses como referência em padrões internacionais de qualidade.

Soja em grão lidera as exportações paranaenses

A soja em grão permaneceu como o principal produto exportado pelos portos do Paraná entre janeiro e setembro de 2026.

No período, foram embarcadas 13,29 milhões de toneladas, um aumento de 9% em comparação com as 12,2 milhões de toneladas registradas nos mesmos meses de 2025. O produto correspondeu a 39,1% do volume total exportado pelos portos paranaenses.

Os números reforçam a relevância da cadeia da soja para a movimentação portuária e para o desempenho das exportações do estado.

Movimentação de contêineres também registra alta

As operações com contêineres também apresentaram crescimento em 2026. A movimentação avançou de 1,22 milhão para 1,27 milhão de TEUs, uma elevação de 4%. A sigla TEU corresponde à unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, utilizada como referência no transporte marítimo.

Em relação ao peso das cargas conteinerizadas, as exportações passaram de 7,01 milhões para 7,44 milhões de toneladas, alta de 6%.

Já as importações registraram aumento de 5,62 milhões para 5,96 milhões de toneladas no período analisado.

Os resultados evidenciam o avanço das operações portuárias no Paraná, tanto no transporte de produtos agrícolas quanto na movimentação de mercadorias destinadas ao mercado interno e ao comércio internacional.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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