Comércio Internacional

Brasil aciona a OMC contra tarifaço dos EUA e contesta novas barreiras comerciais

O governo brasileiro deu início a uma disputa formal na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. Em nota divulgada na noite de segunda-feira (27), o Ministério das Relações Exteriores informou que apresentou um pedido de consultas no mecanismo de solução de controvérsias da entidade, primeira etapa de um eventual processo internacional.

A iniciativa questiona duas medidas adotadas pela administração do presidente Donald Trump, consideradas pelo Brasil incompatíveis com as normas que regem o comércio internacional.

Itamaraty aponta violação às regras da OMC

Segundo o Itamaraty, as tarifas norte-americanas violam compromissos assumidos pelos Estados Unidos no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT 1994) e das regras da OMC para solução de controvérsias.

Na avaliação do governo brasileiro, as medidas são injustificadas e não encontram respaldo nas obrigações multilaterais assumidas pelo país norte-americano.

Tarifa de 25% foi aplicada após investigação comercial

Uma das medidas contestadas entrou em vigor no último dia 22, quando os Estados Unidos passaram a aplicar uma tarifa de 25% sobre determinados produtos brasileiros.

A cobrança é resultado de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), iniciada após o anúncio do primeiro tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros, feito em julho de 2025.

A investigação foi conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, instrumento utilizado pelo governo dos EUA para apurar práticas consideradas desleais e autorizar medidas de retaliação comercial.

Governo dos EUA justificou medida por políticas brasileiras

Durante a apuração, o USTR realizou consultas públicas, nas quais diferentes setores da sociedade se manifestaram contra a adoção das tarifas. Apesar disso, o órgão concluiu que determinadas políticas brasileiras gerariam insegurança jurídica e afetariam a concorrência para empresas norte-americanas.

Entre os temas citados pelo governo dos Estados Unidos estão comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes, pirataria, produção de etanol e ações relacionadas ao combate ao desmatamento ilegal.

Nova tarifa pode elevar alíquota para 37,5%

Além da cobrança de 25%, o governo norte-americano implementou, no último dia 24, uma segunda tarifa de 12,5% destinada a países que, segundo o USTR, não adotariam medidas adequadas para impedir a importação de produtos associados ao trabalho forçado.

Para parte das mercadorias exportadas pelo Brasil, as duas tarifas serão aplicadas de forma cumulativa, elevando a alíquota para 37,5%.

De acordo com cálculos do governo brasileiro, essa cobrança adicional poderá atingir aproximadamente 16,5% de toda a pauta de exportações brasileiras destinada ao mercado norte-americano.

Pedido de consulta é primeira etapa da disputa

O procedimento aberto pelo Brasil na OMC representa o início do mecanismo de solução de controvérsias da organização. Nessa fase, os dois países têm a oportunidade de buscar uma solução negociada antes da eventual instalação de um painel arbitral para julgar o caso.

Caso não haja acordo entre as partes dentro do prazo previsto pelas regras da entidade, o governo brasileiro poderá solicitar o avanço do processo para uma análise formal da disputa comercial.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Infomoney

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Comércio Internacional

EUA e México avançam em negociações comerciais enquanto Trump amplia tarifas contra o Canadá

Os governos dos Estados Unidos e do México iniciam nesta terça-feira (21) a terceira rodada de negociações bilaterais para revisar o USMCA, acordo que rege o comércio na América do Norte. As conversas acontecem em meio ao aumento das tensões comerciais após o presidente Donald Trump anunciar novas tarifas sobre produtos canadenses.

O encontro, que terá duração de três dias, ocorre sem a participação do Canadá e marca a primeira discussão formal sobre mudanças no tratado desde que o governo norte-americano decidiu não renovar automaticamente o acordo em 1º de julho.

Revisão do USMCA entra em fase decisiva

A decisão de Washington abriu o processo que pode levar ao encerramento do USMCA dentro de dez anos, caso Estados Unidos, México e Canadá não cheguem a um entendimento sobre a atualização do tratado.

Representantes de diversos setores econômicos defendem a manutenção da estrutura trilateral do acordo, considerada essencial para preservar um fluxo comercial anual de aproximadamente US$ 1,6 trilhão, sustentado por regras que reduzem barreiras tarifárias entre os três países.

México busca novo acordo até o fim do ano

O novo embaixador do México nos Estados Unidos, Roberto Lazzeri, afirmou que o governo mexicano trabalha para concluir um novo entendimento ainda este ano e acredita que Canadá e Estados Unidos compartilham do mesmo objetivo.

Segundo o diplomata, a demora nas negociações pode reduzir a competitividade da região, afetando investimentos e participação de mercado. Para ele, acelerar as tratativas interessa aos três parceiros comerciais.

Tarifas continuam sendo principal obstáculo

Entre as prioridades do governo mexicano está a redução das tarifas aplicadas pelos Estados Unidos com base em argumentos de segurança nacional. Atualmente, produtos como automóveis fabricados no México enfrentam sobretaxas de 25%, enquanto aço e alumínio são taxados em 50% — medidas que também atingem exportações canadenses.

Ao mesmo tempo, o México afirma compartilhar da estratégia norte-americana de fortalecer a produção industrial na América do Norte, ampliando a capacidade manufatureira da região.

Novas tarifas ampliam tensão entre EUA e Canadá

As negociações entre Washington e Cidade do México acontecem um dia após o governo Trump anunciar novas tarifas sobre cerca de US$ 20 bilhões em produtos importados do Canadá.

A medida foi apresentada como resposta às tarifas retaliatórias impostas por Ottawa sobre automóveis, aço, alumínio, bebidas alcoólicas e às barreiras aplicadas ao setor de laticínios dos Estados Unidos.

O novo pacote aprofunda o distanciamento entre os governos norte-americano e canadense durante o processo de revisão do acordo comercial da América do Norte.

Canadá cobra solução para impasse

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, informou que seu governo apresentou propostas para solucionar os conflitos comerciais com Washington. Segundo ele, as tarifas adotadas anteriormente pelos Estados Unidos violam os compromissos previstos no USMCA.

Já o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que houve poucos avanços nas negociações com o Canadá, mas elogiou a postura do México por não adotar medidas retaliatórias.

Greer também destacou a cooperação mexicana em temas como o alinhamento de controles de exportação, a proteção da propriedade intelectual e ações para impedir a exportação de abacates produzidos em áreas desmatadas ilegalmente.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Secretaria de Economia do México/AFP

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Comércio Exterior

Lei de Reciprocidade: entenda como o Brasil pode reagir às tarifas impostas pelos Estados Unidos

A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada na quarta-feira (15), levou o governo federal a sinalizar uma resposta imediata. Segundo o Palácio do Planalto, a Lei de Reciprocidade poderá ser acionada para adotar medidas contra as restrições comerciais impostas pelo país norte-americano.

A legislação, sancionada em 11 de abril de 2025, foi criada justamente em meio ao aumento das tensões comerciais envolvendo o governo do presidente Donald Trump, que ampliou a adoção de sobretaxas sobre importações de diversos parceiros comerciais, incluindo o Brasil.

O que prevê a Lei de Reciprocidade

A Lei nº 15.122/2025 estabelece mecanismos que permitem ao Brasil responder a ações unilaterais de outros países quando essas medidas prejudicarem a competitividade da economia nacional.

Na prática, a norma autoriza o governo brasileiro a adotar contramedidas comerciais, como:

  • Aplicação de novos tributos ou taxas;
  • Suspensão de benefícios tarifários;
  • Revogação de isenções fiscais;
  • Restrição à importação de bens e serviços.

O texto determina ainda que essas medidas sejam proporcionais aos impactos econômicos causados ao Brasil pelo país ou bloco econômico responsável pelas restrições.

Proteção da soberania brasileira

Outro ponto previsto na legislação é a defesa da soberania nacional. A lei estabelece que o Brasil poderá suspender concessões comerciais quando outro país utilizar medidas econômicas para interferir em decisões consideradas legítimas e soberanas do Estado brasileiro.

Dessa forma, a norma se aplica tanto a ameaças quanto à efetiva adoção de sanções comerciais que tenham como objetivo pressionar o país em relação a políticas internas.

Apesar disso, a legislação também prioriza a negociação diplomática. O artigo 4º prevê que o governo busque o diálogo antes da adoção de medidas retaliatórias, com o objetivo de evitar ou reduzir a necessidade de aplicar as contramedidas previstas.

Regras também abrangem questões ambientais

A Lei de Reciprocidade também contempla situações em que países adotem exigências ambientais mais rigorosas do que aquelas reconhecidas pela legislação brasileira.

Nesses casos, o Brasil considera como referência o Código Florestal, a Política Nacional sobre Mudança do Clima e os compromissos firmados no Acordo de Paris.

Se um parceiro comercial impuser restrições com base em critérios ambientais que extrapolem esses parâmetros e resultem em prejuízos econômicos ao país, o governo poderá recorrer às medidas previstas na legislação.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Antônio Cruz/ Agência Brasil

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Comércio Exterior

Tarifas dos EUA ainda não convencem montadoras a transferir produção para o país

Mais de um ano após o governo de Donald Trump ampliar as tarifas sobre o setor automotivo, a maioria das montadoras continua evitando transferir fábricas para os Estados Unidos. Embora a Toyota tenha anunciado a ampliação da produção da picape Tacoma em território americano, especialistas avaliam que o movimento é uma exceção, e não uma tendência da indústria.

Toyota amplia produção nos EUA, mas mantém operação no México

A Toyota informou que passará a fabricar cerca de metade das unidades da picape Tacoma em sua fábrica de San Antonio, no Texas, que será ampliada para atender à nova demanda. Atualmente, a unidade já produz a picape Tundra e o SUV Sequoia.

Apesar da mudança, a montadora japonesa continuará produzindo a Tacoma no México, preservando parte da cadeia de produção no país vizinho.

Donald Trump comemorou o anúncio e afirmou que a decisão demonstra que sua política tarifária está surtindo efeito. A Toyota, porém, negou que a mudança tenha sido motivada exclusivamente pelas tarifas, afirmando que seus investimentos seguem um planejamento estratégico de longo prazo.

Construir novas fábricas custa bilhões

Segundo analistas do setor, o alto custo para construir ou ampliar unidades industriais faz com que muitas fabricantes prefiram absorver o impacto das tarifas a investir em novas plantas nos Estados Unidos.

Além do investimento bilionário, o processo pode levar vários anos até que uma nova fábrica entre em operação, tornando a decisão arriscada diante das constantes mudanças na política comercial americana.

Para Ivan Drury, diretor de pesquisas do site Edmunds, a estratégia mais segura para as montadoras tem sido manter a estrutura atual, mesmo pagando mais impostos sobre veículos importados.

Indústria teme mudanças em acordo comercial

Outro fator que aumenta a cautela das fabricantes é a possível revisão do Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA), firmado durante o primeiro mandato de Trump.

O presidente norte-americano já sinalizou que poderá abandonar o tratado caso não obtenha condições mais favoráveis às empresas americanas. A possibilidade preocupa as montadoras, que dependem da circulação de peças e componentes entre os três países para manter suas linhas de produção.

Em nota, o American Automakers Policy Council, entidade que representa General Motors, Ford e Stellantis, defendeu uma solução rápida que garanta previsibilidade para investimentos de longo prazo.

Tarifas aumentam custos das montadoras

Mesmo sem provocar uma migração em massa da produção para os Estados Unidos, as tarifas já pesam no caixa das fabricantes.

No último ano fiscal, a Toyota desembolsou cerca de US$ 8,4 bilhões em tarifas, o que levou suas operações na América do Norte a registrarem prejuízo.

A General Motors informou gastos de aproximadamente US$ 3,1 bilhões com tarifas em 2025, enquanto a Ford teve um impacto de cerca de US$ 1 bilhão.

Algumas empresas já mudaram parte da produção

Embora sejam poucos os casos, algumas fabricantes decidiram realocar parte da produção.

Além da Toyota, a General Motors anunciou que transferirá do México para os Estados Unidos a fabricação de dois modelos de SUVs. A empresa também deixará de importar um utilitário esportivo da China e passará a produzir um novo modelo em fábricas localizadas nos estados do Kansas e Tennessee.

No entanto, a montadora aproveitou instalações já existentes, que ficaram com capacidade ociosa após reduzir investimentos na produção de veículos elétricos.

Especialistas apontam fatores econômicos

Para especialistas, a decisão da Toyota também faz sentido do ponto de vista operacional, já que a fábrica de San Antonio já concentra boa parte da produção de picapes da marca nos Estados Unidos.

Além disso, outros fatores continuam favorecendo a manutenção das operações fora do país, como o menor custo da mão de obra no México, o elevado investimento necessário para construir novas fábricas e a possibilidade de futuras mudanças na política comercial americana.

Outro aspecto relevante é a demanda aquecida por veículos. As vendas de automóveis nos Estados Unidos cresceram 2% no último ano, mesmo com os preços em níveis historicamente elevados, reduzindo o incentivo para que as montadoras alterem rapidamente suas cadeias globais de produção.

FONTE: CNN Business
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ariana Drehsler/Bloomberg/Getty Images

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Comércio Exterior

EUA impõem tarifa de 25% sobre importações do Brasil e ampliam pressão na política comercial

Os Estados Unidos anunciaram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre a maior parte das importações provenientes do Brasil, marcando o início de uma nova ofensiva comercial liderada pelo governo do presidente Donald Trump. A medida faz parte da reformulação da política tarifária norte-americana e pode atingir outros importantes parceiros comerciais ao redor do mundo.

Nova política tarifária pode alcançar outros países

A decisão foi divulgada na noite de quarta-feira e integra uma estratégia mais ampla da administração Trump para reestruturar as relações comerciais dos EUA. Além do Brasil, países como Índia, China, membros da União Europeia, Japão e Coreia do Sul também podem ser afetados por futuras medidas semelhantes.

A iniciativa ocorre após a Suprema Corte dos Estados Unidos invalidar uma rodada anterior de tarifas globais, levando o governo a recorrer a novos instrumentos legais para sustentar sua política comercial.

Investigação aponta supostas práticas comerciais desleais

As novas tarifas dos EUA têm como base investigações conduzidas sob a Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. Atualmente, cerca de 80 processos envolvendo dezenas de países estão em andamento.

Entre os temas investigados estão alegações de excesso de capacidade industrial, comércio de produtos fabricados com trabalho forçado, além de práticas consideradas prejudiciais às empresas americanas.

Em junho, o governo dos EUA já havia proposto a taxação de produtos brasileiros, alegando irregularidades relacionadas ao comércio digital, ao desmatamento ilegal e a outras questões comerciais.

Segundo o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, as negociações realizadas com o Brasil ao longo do último ano não produziram avanços suficientes, embora Washington afirme continuar aberto ao diálogo.

Governo brasileiro reage e promete recorrer

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a decisão dos Estados Unidos como injustificada e anunciou que o Brasil recorrerá aos mecanismos previstos na chamada Lei da Reciprocidade.

Além disso, o governo brasileiro pretende levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), utilizando o sistema de solução de controvérsias da entidade para contestar a medida.

Especialistas veem estratégia de negociação de Trump

Para analistas do mercado, a nova tarifa pode representar mais uma etapa da estratégia de negociação adotada por Donald Trump.

O economista-chefe da consultoria RSM US, Joe Brusuelas, avaliou que a medida tende a abrir espaço para negociações bilaterais, característica recorrente da política comercial do governo americano. Segundo ele, a intenção seria estabelecer acordos específicos com cada país, em vez de construir uma política comercial ampla e integrada.

A repercussão também chegou à Índia. O especialista Ajay Srivastava, fundador do Global Trade Research Initiative, afirmou que o caso brasileiro serve de alerta para outros parceiros dos Estados Unidos, mostrando que Washington pode utilizar sanções comerciais para contestar políticas consideradas desfavoráveis aos interesses das empresas americanas.

Marco Rubio critica Lula

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, responsabilizou o presidente Lula pelo impasse nas negociações.

Em publicação nas redes sociais, Rubio afirmou que o governo brasileiro não negociou de boa-fé com Washington e declarou que Lula teria colocado interesses políticos acima da possibilidade de um acordo comercial entre os dois países.

Produtos afetados e itens isentos

A nova taxação sobre produtos brasileiros deverá atingir milhares de mercadorias exportadas para os Estados Unidos, incluindo:

  • açúcar;
  • máquinas agrícolas;
  • roupas;
  • equipamentos elétricos;
  • papel;
  • aço.

Por outro lado, diversos produtos permanecerão isentos da cobrança, entre eles:

  • carne bovina;
  • café;
  • terras raras;
  • produtos energéticos;
  • aeronaves e peças aeronáuticas.

Na atualização divulgada nesta quarta-feira, os EUA também incluíram na lista de exceções o mel orgânico, o ferro-gusa, o café solúvel sem aromatizantes e outros itens.

Pix também é alvo de investigação

A investigação aberta contra o Brasil em julho do ano passado cita diversas práticas consideradas desleais pelo governo norte-americano. Entre elas estão o desmatamento ilegal e o Pix, sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

Na avaliação das autoridades dos EUA, o Pix colocaria empresas de cartões de crédito em desvantagem competitiva. O governo brasileiro rejeitou integralmente essas acusações.

Além dessa investigação, o Brasil também integra outro processo baseado na Seção 301, relacionado ao uso de trabalho forçado em cadeias globais de fornecimento. A conclusão está prevista para 24 de julho e pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a carga total sobre determinados produtos brasileiros para 37,5%.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Amanda Perobelli

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Comércio Internacional

Tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros chega ao prazo final sem perspectiva de acordo

Termina nesta quarta-feira (15) o prazo estabelecido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) para decidir se será aplicada uma tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Até o momento, não há expectativa de entendimento entre os dois países.

As negociações seguem travadas por divergências em temas considerados estratégicos. Entre os principais impasses estão a resistência do governo brasileiro em discutir alterações no Pix e a falta de consenso sobre as tarifas envolvendo etanol e açúcar, produtos considerados sensíveis para ambas as economias.

Especialistas apontam motivação política para o tarifaço

Na avaliação de especialistas, a iniciativa norte-americana vai além das questões comerciais e reflete interesses políticos da atual administração dos Estados Unidos.

O professor de Direito Internacional da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Borba Casella, afirmou que as declarações recentes do presidente Donald Trump indicam que a medida tem caráter político, o que dificulta qualquer avanço nas negociações.

Segundo o especialista, a construção de um acordo depende da disposição de ambas as partes para negociar. Sem essa convergência, a possibilidade de entendimento permanece reduzida.

Nova estratégia dos EUA busca ampliar influência na América Latina

Para analistas de relações internacionais, o endurecimento da postura de Washington faz parte de uma estratégia mais ampla de reposicionamento geopolítico no continente.

O professor Alexandre Pires, do Ibmec-SP, explica que a política externa do governo Trump busca fortalecer a influência dos Estados Unidos na América Latina, reduzindo o avanço econômico e tecnológico da China na região.

De acordo com o pesquisador, o fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e China ao longo das últimas duas décadas passou a ser visto com maior preocupação pela Casa Branca.

Além disso, ele destaca que, embora o Brasil mantenha políticas protecionistas em alguns setores, o atual cenário internacional tornou essas práticas alvo de maior pressão política.

USTR cita Pix, etanol e desmatamento entre as reclamações

A investigação conduzida pelo USTR utiliza a Seção 301 da legislação comercial norte-americana para justificar a possível aplicação das tarifas.

Entre os argumentos apresentados pelos Estados Unidos estão supostas práticas comerciais consideradas desleais envolvendo o Pix, o mercado de etanol, além de questões relacionadas ao desmatamento ilegal.

O governo brasileiro rejeita as acusações. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que a adoção das novas tarifas prejudicaria uma relação comercial considerada estratégica para ambos os países e reduziria o espaço para o diálogo diplomático.

Etanol e açúcar seguem como principais pontos de conflito

Outro obstáculo nas negociações envolve o comércio de etanol e açúcar.

Os Estados Unidos defendem a eliminação das tarifas brasileiras sobre o etanol norte-americano. O governo brasileiro, porém, resiste à proposta e condiciona qualquer discussão à retirada das elevadas tarifas impostas pelos EUA ao açúcar produzido no Brasil.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que o setor sucroenergético possui importância estratégica para a economia brasileira, especialmente na região Nordeste, e não pode ser tratado isoladamente.

Segundo ele, enquanto o etanol americano busca maior acesso ao mercado brasileiro, o açúcar nacional continua enfrentando barreiras significativas para entrar no mercado dos Estados Unidos.

Produtores defendem manutenção das regras atuais

Entidades que representam o setor sucroenergético apoiam a posição do governo brasileiro.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), a União Nacional do Etanol de Milho (Unem) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) sustentam que a redução das importações de etanol americano ocorreu principalmente devido ao crescimento da produção nacional, e não em razão das tarifas atualmente aplicadas.

Para o professor Paulo Borba Casella, a insistência dos Estados Unidos na inclusão do etanol nas negociações reforça a percepção de que o debate extrapola a esfera comercial e envolve interesses políticos. Na avaliação dele, uma negociação equilibrada exigiria também a revisão das tarifas aplicadas ao açúcar brasileiro.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Kevin Lamarque

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Internacional

Irã amplia ameaça a rotas marítimas após bloqueio dos EUA e mantém Estreito de Ormuz fechado

A crise entre Irã e Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (15). Após o fechamento do Estreito de Ormuz por Teerã e a retomada do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) afirmou que poderá atingir outros corredores marítimos estratégicos utilizados por Washington e seus aliados.

Em comunicado divulgado pela agência estatal IRNA, a corporação declarou que “as exportações regionais de energia serão compartilhadas por todos ou negadas a todos”, reforçando o tom de retaliação diante das recentes ações militares e econômicas dos EUA.

Bab el-Mandeb pode se tornar novo foco do conflito

Especialistas avaliam que o governo iraniano pode recorrer aos Houthis, grupo aliado no Iêmen, para ampliar a pressão sobre o Ocidente. A possibilidade envolve o fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb, passagem que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é considerada uma das principais rotas do comércio marítimo global e das exportações de petróleo da Arábia Saudita.

Uma autoridade houthi afirmou no início da semana que o grupo está preparado para bloquear a navegação na região caso os ataques sauditas ao Iêmen continuem. Segundo a declaração, uma interrupção dessa rota poderia elevar o preço do petróleo para até US$ 200 por barril.

Houthis retomam ataques e ampliam riscos ao comércio internacional

A tensão aumentou após forças houthis lançarem mísseis contra a Arábia Saudita, acusando o país de bombardear um aeroporto sob controle do grupo. O episódio rompe uma trégua que havia durado quatro anos entre as partes.

Desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, os Houthis intensificaram ataques contra embarcações comerciais no Mar Vermelho, alegando que os alvos mantinham vínculos com Israel. As ações provocaram impactos relevantes nas cadeias globais de abastecimento e no transporte marítimo internacional.

EUA ampliam ofensiva militar contra posições iranianas

Enquanto isso, as Forças Armadas dos EUA anunciaram uma nova fase de operações militares com o objetivo de reduzir a capacidade iraniana de atacar embarcações no Estreito de Ormuz.

Segundo Washington, sete navios comerciais foram atingidos na última semana, deixando mortos, desaparecidos e feridos entre as tripulações.

Na noite de terça-feira (14), o Comando Central dos EUA informou que realizou ataques durante aproximadamente sete horas contra dezenas de alvos militares próximos ao estreito e em áreas costeiras do Irã.

Já o governo iraniano afirmou que os bombardeios norte-americanos deixaram ao menos 30 civis mortos nos últimos dias no sul do país.

Teerã mantém bloqueio de Ormuz e relata ataques a bases dos EUA

A Guarda Revolucionária declarou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até o que chamou de “fim dos males dos Estados Unidos”. Antes da escalada do conflito, cerca de 20% das exportações globais de petróleo e gás passavam diariamente pela região.

Além disso, o IRGC informou ter realizado ataques contra instalações militares e logísticas ligadas à Quinta Frota dos EUA, no Bahrein, além de ações em Mina Abdullah, no Kuwait, e contra uma base norte-americana em Azraq, na Jordânia.

Autoridades do Kuwait confirmaram que um incêndio provocado por ataques foi controlado, embora não tenham informado se o local corresponde ao citado pelos militares iranianos.

Na Jordânia, a defesa aérea anunciou a interceptação de três mísseis balísticos lançados a partir do território iraniano durante a madrugada desta quarta-feira.

Trump ameaça ampliar ofensiva contra setor energético iraniano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que poderá ordenar ataques contra instalações do setor energético e infraestrutura do Irã caso Teerã não retome as negociações diplomáticas.

Durante entrevista à Fox News, Trump declarou que os alvos ligados à energia seriam atingidos caso não haja um acordo entre os dois países. Segundo ele, negociadores norte-americanos seguem em contato com representantes iranianos para buscar uma solução diplomática.

O presidente também recuou da proposta anunciada anteriormente de criar uma taxa de 20% sobre o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz. Em substituição, afirmou que pretende buscar acordos de investimento com países do Golfo.

Petróleo reage à crise no Oriente Médio

A intensificação do conflito voltou a pressionar o mercado internacional. Os preços do petróleo Brent e do WTI registraram nova alta nesta quarta-feira (15), após já acumularem valorização de cerca de 2% na sessão anterior.

O avanço das cotações reflete a preocupação dos investidores com possíveis interrupções no fornecimento de petróleo diante das restrições impostas no Estreito de Ormuz, considerado um dos pontos mais estratégicos para o abastecimento energético mundial.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Internacional

Tensão no Golfo Pérsico aumenta e ameaça entendimento entre EUA e Irã

A escalada da tensão no Golfo Pérsico voltou a elevar o risco de um confronto entre Estados Unidos e Irã. Segundo a emissora estatal iraniana Press TV, o governo iraniano afirmou que responderá a novos ataques com o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo, além de prometer retaliar em dobro contra alvos considerados inimigos.

Acordo firmado em junho perde força

A nova troca de ameaças acontece menos de um mês após os dois países assinarem, em 17 de junho, um memorando de entendimento. O documento previa o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, além do compromisso de não iniciar novas ações militares ou conflitos diretos entre as nações.

No entanto, durante a reunião de cúpula da Otan realizada nesta quarta-feira (8), em Ancara, na Turquia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que o acordo já não tem validade. “Não quero lidar com eles”, afirmou.

Irã acusa EUA de romper cessar-fogo

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, responsabilizou os Estados Unidos por descumprirem o cessar-fogo firmado entre os dois países.

De acordo com a Press TV, a crise se intensificou após forças norte-americanas realizarem ataques contra bases costeiras e instalações não militares nas províncias iranianas de Hormozgan, no sul do país, e Khuzistão, no sudoeste.

Ataques e retaliações ampliam a crise

Em resposta às ações militares dos Estados Unidos, autoridades iranianas informaram ter lançado mísseis e drones contra 85 alvos militares norte-americanos localizados no Bahrein e no Kuwait.

Ainda segundo a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), os ataques atingiram instalações no Porto Salman, onde está localizada a área da Quinta Frota dos EUA no Bahrein, além da Base Aérea de Ali Al Salem, no Kuwait.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Stringer/Reuters

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Comércio Exterior

Audiência sobre tarifas dos EUA contra o Brasil começa com defesa de produtos brasileiros e debate sobre o Pix

A audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre a possível aplicação de novas tarifas dos EUA contra o Brasil teve início na segunda-feira (6). O encontro reuniu representantes de setores produtivos brasileiros e norte-americanos para discutir a proposta de sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.

O governo brasileiro optou por não participar ativamente das discussões, enviando apenas observadores. Segundo participantes, o ambiente da audiência foi considerado receptivo e voltado para análises técnicas. Cada expositor teve aproximadamente cinco minutos para apresentar seus argumentos.

Ao longo do primeiro dia, as entidades brasileiras destacaram a dificuldade que os Estados Unidos enfrentariam para substituir produtos estratégicos, como café brasileiro e arroz, além de defenderem a inclusão de itens na lista de exceções à medida tarifária.

Ao todo, a audiência contou com 42 participantes e representantes de oito órgãos do governo norte-americano, incluindo os departamentos de Comércio, Estado, Tesouro e Agricultura.

Especialista vê ambiente técnico e otimista nas discussões

O professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Gustavo Pessoa, avaliou positivamente o perfil das discussões. Segundo ele, as autoridades norte-americanas demonstraram interesse em ouvir os argumentos apresentados, sem que o debate fosse dominado por questões políticas.

De acordo com o especialista, houve uma postura técnica por parte dos representantes dos Estados Unidos, indicando disposição para compreender os impactos econômicos das medidas propostas.

Setores econômicos pedem retirada das tarifas

Grande parte das entidades presentes defendeu a exclusão de diversos produtos brasileiros da nova taxação. Segmentos como café solúvel e mel orgânico argumentaram que a cobrança de tarifas elevaria diretamente os preços pagos pelos consumidores norte-americanos.

Em sentido contrário, duas associações de pecuaristas dos Estados Unidos defenderam a aplicação de sanções à carne bovina brasileira. As entidades alegaram preocupações relacionadas à corrupção, trabalho forçado e desmatamento associados à cadeia produtiva.

Segundo Gustavo Pessoa, os representantes afirmaram que as exportações brasileiras ocupam parcela significativa do mercado de carne bovina dos EUA, o que, na visão deles, comprometeria a competitividade da indústria local.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) rebateu as críticas, destacando que o país mantém sistemas de rastreabilidade e monitoramento da produção destinada à exportação.

Empresas norte-americanas pedem isenção para produtos brasileiros

Mesmo sem participação presencial, grandes companhias dos Estados Unidos enviaram manifestações formais ao USTR solicitando que produtos importados do Brasil sejam excluídos das tarifas adicionais.

Nas cartas encaminhadas ao órgão, as empresas alertaram que a medida poderá afetar as cadeias de suprimentos, elevar custos para consumidores americanos e reduzir a competitividade de negócios instalados nos Estados Unidos.

Pix desperta interesse durante audiência

Outro tema debatido foi o Pix. Gustavo Pessoa e o executivo Vinícius Nunes Pinto apresentaram argumentos em defesa do sistema brasileiro de pagamentos instantâneos.

Durante a audiência, uma representante do Departamento do Tesouro dos EUA questionou de que forma uma eventual integração com o Pix poderia beneficiar o mercado norte-americano.

Segundo Pessoa, a resposta destacou que o sucesso do sistema brasileiro pode servir como referência para estudos e futuras iniciativas de cooperação entre os dois países no setor financeiro.

Entenda a proposta de novas tarifas

O USTR avalia impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma taxa de 12,5%, com base em investigação conduzida sob a Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

O relatório cita supostas práticas consideradas restritivas ao comércio, incluindo referências ao Pix, acordos comerciais preferenciais, políticas para o etanol, questões ambientais, corrupção e combate à pirataria.

A decisão final deverá ser anunciada até 15 de julho e será tomada pelo presidente dos Estados Unidos.

Governo brasileiro contesta relatório dos EUA

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, encaminhou um documento ao USTR contestando a proposta de ampliação das tarifas.

Na manifestação, o Itamaraty rejeita a avaliação de que o Brasil não combate adequadamente o trabalho forçado e sustenta que eventuais divergências comerciais devem ser tratadas no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O governo brasileiro também afirma que o relatório norte-americano desconsidera informações apresentadas durante o processo, incluindo legislações e ações de fiscalização voltadas ao combate ao trabalho análogo à escravidão.

Além disso, o Itamaraty entende que medidas unilaterais baseadas na Seção 301 não são compatíveis com as regras do sistema multilateral de comércio.

Segundo dia terá participação de Flávio Bolsonaro e representantes da indústria

A programação desta terça-feira (7) prevê novos depoimentos de representantes da indústria brasileira, além da participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo declarações públicas, o parlamentar defenderá o adiamento da decisão sobre as tarifas dos EUA contra o Brasil para depois das eleições. Em publicação nas redes sociais, afirmou acreditar que a medida poderá ser revista e disse que apresentará argumentos técnicos durante a audiência.

Também estão entre os participantes representantes da indústria de máquinas, madeira, ferro-gusa, calçados, cerâmica, mineração, engenharia, automação e do setor florestal, que defenderão a manutenção das relações comerciais e alertarão para os impactos econômicos da sobretaxação nos dois países.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Comércio Internacional

Governo Lula apresenta plano aos EUA para evitar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

O governo federal entregou aos Estados Unidos uma proposta de negociação para tentar impedir a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada durante uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). O documento foi apresentado nesta quinta-feira (2) e estabelece um roteiro para avançar nas negociações entre os dois países.

A iniciativa faz parte da estratégia brasileira para preservar o comércio entre Brasil e Estados Unidos, sem abrir mão de temas considerados estratégicos para o país.

Proposta prevê redução de tarifas em setores específicos

O plano foi entregue pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante reunião com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O conteúdo do documento não foi divulgado oficialmente.

Entre as medidas apresentadas está a possibilidade de reduzir tarifas de importação em aproximadamente 300 linhas de produtos. Segundo o governo, a proposta foi elaborada em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

As reduções estariam concentradas em segmentos nos quais a produção nacional é limitada, como máquinas, equipamentos industriais e produtos de tecnologia da informação. A avaliação é que a medida pode ampliar o acesso de mercadorias norte-americanas ao mercado brasileiro sem comprometer a competitividade da indústria nacional.

Temas políticos ficam fora das negociações

O governo brasileiro informou que assuntos relacionados ao Pix, decisões do Poder Judiciário e temas de política interna não fazem parte das negociações com Washington.

A orientação é manter o diálogo restrito às questões comerciais levantadas pela investigação conduzida pelo USTR, evitando ampliar as discussões para outros assuntos diplomáticos ou políticos.

Além das medidas tarifárias, o documento busca demonstrar que as políticas brasileiras questionadas pelos Estados Unidos não provocam distorções comerciais nem estabelecem tratamento discriminatório às empresas norte-americanas.

Brasil e EUA terão novas rodadas de negociação

Durante o encontro, representantes dos dois países concluíram que será necessário ampliar as discussões técnicas antes da decisão final do governo norte-americano.

Uma nova reunião entre as equipes técnicas está prevista para o início da próxima semana. Outro encontro de alto nível deverá ocorrer antes de 15 de julho, data em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidirá se aplicará ou não as tarifas propostas.

Em nota oficial, o ministro Márcio Elias Rosa afirmou que as conversas continuam avançando sobre os seis temas incluídos na investigação da Seção 301 do USTR: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

Segundo o ministro, ambos os governos consideram o diálogo produtivo, mas reconhecem que será necessário mais tempo para detalhar propostas e aproximar posições.

Entenda as tarifas propostas pelos Estados Unidos

A investigação conduzida pelo USTR prevê duas possíveis medidas tarifárias contra produtos brasileiros.

A primeira estabelece uma tarifa adicional de 25%, relacionada à investigação sobre supostas práticas comerciais consideradas desleais.

A segunda prevê uma cobrança de 12,5% em razão de questionamentos sobre a importação de produtos fabricados com trabalho análogo à escravidão, tema analisado em uma investigação de alcance global.

As medidas ainda não entraram em vigor. O governo norte-americano abriu consulta pública sobre o caso até 6 de julho. No dia 7 será realizada uma audiência pública, enquanto a decisão definitiva sobre a adoção das sanções está prevista para 15 de julho.

Flávio Bolsonaro participa do processo de consulta pública

O senador Flávio Bolsonaro inscreveu-se para participar da audiência pública promovida pelo USTR. Conforme o documento apresentado às autoridades norte-americanas, o parlamentar defenderá a suspensão das tarifas e buscará uma solução negociada para as questões levantadas na investigação.

O gabinete do senador também encaminhou um documento ao órgão norte-americano argumentando que a adoção das tarifas poderia gerar efeitos políticos favoráveis ao governo brasileiro.

Desde o anúncio da investigação comercial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem contestado as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a possível adoção das sanções. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a manifestação enviada por Flávio Bolsonaro tem como principal objetivo influenciar o debate político interno no Brasil.

FONTE: Poder 360
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