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Plano Nacional de Conformidade Tributária: Receita Federal alinha regras com CGIBS e CFC

A Receita Federal, o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) avançaram nas discussões sobre a implementação do Plano Nacional de Conformidade Tributária (PNCT). O tema foi tratado em reunião realizada na terça-feira (18), com foco nas novas exigências fiscais previstas na Reforma Tributária do Consumo.

O encontro reuniu o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, representantes do CGIBS e dirigentes do CFC. Entre os principais assuntos estiveram a emissão de documentos fiscais relacionados ao IBS e à CBS e a participação dos profissionais de contabilidade durante o período de transição para o novo sistema tributário.

Plano prevê orientação antes de punições

Regulamentado em 2026, o PNCT estabelece uma estratégia de adaptação para empresas e contribuintes diante das mudanças trazidas pela reforma tributária.

Durante a fase de transição, a atuação do Fisco terá como prioridade a orientação tributária e a correção preventiva de inconsistências. A proposta é permitir que empresas ajustem procedimentos e documentos antes que eventuais falhas formais resultem em penalidades.

A iniciativa busca garantir maior conformidade no preenchimento e na emissão dos documentos fiscais relacionados ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).

Segundo Barreirinhas, a relação entre administração tributária e empresas passa a ter como eixo principal a conformidade fiscal, e não a aplicação imediata de penalidades.

“Não é uma lógica de fiscalização, é uma lógica de confiança de que o profissional da contabilidade vai orientar a empresa”, afirmou o secretário.

Contador ganha papel estratégico na conformidade fiscal

Um dos pontos centrais do novo modelo é a participação direta dos profissionais de contabilidade. Para permanecer no programa, o contribuinte deverá indicar formalmente um contador responsável pelo acompanhamento da conformidade.

Entre as atribuições estão o monitoramento da emissão correta das notas fiscais, o acompanhamento da parametrização dos sistemas e a resposta às comunicações encaminhadas pela administração tributária.

As empresas participantes também deverão corrigir erros identificados dentro do programa até o fim de dezembro de 2026.

Com isso, o contador deixa de atuar apenas no cumprimento de obrigações tributárias acessórias e passa a exercer uma função permanente de acompanhamento e gestão da conformidade fiscal.

CFC destaca reconhecimento institucional dos contadores

O presidente do CFC, Joaquim de Alencar Bezerra Filho, ressaltou a importância da participação da categoria na implementação do novo modelo.

Para ele, a iniciativa representa um reconhecimento formal da atuação dos contadores na conformidade tributária e na qualidade das informações fornecidas ao Fisco.

“É a primeira vez que a Receita Federal do Brasil reconhece institucionalmente, de forma legal e formal, o papel do profissional da contabilidade em um programa de conformidade fiscal”, afirmou Bezerra.

A expectativa é que os profissionais contribuam para garantir a integridade dos dados transmitidos à administração tributária e a aplicação adequada das novas regras durante a transição.

CGIBS coordena aspectos relacionados ao IBS

O Comitê Gestor do IBS (CGIBS) também terá participação relevante na implantação do plano. O órgão é responsável pela coordenação administrativa do novo imposto, que será compartilhado entre Estados, Distrito Federal e Municípios.

O presidente do Comitê, Flávio César Mendes de Oliveira, participou da reunião para discutir questões operacionais e os mecanismos de gestão do tributo.

Segundo ele, a integração entre os órgãos e a participação dos contadores devem facilitar a adaptação dos contribuintes às novas regras.

“Esse ato conjunto traz a garantia para os contribuintes de que o profissional da contabilidade, o contador e a contadora da sua cidade, do seu estado, será o condutor, o protagonista dessa construção”, declarou Flávio.

Medida não cria nova obrigação acessória

Também participou do encontro o presidente da Fenacon, Reynaldo Pereira Lima Júnior. Ele chamou atenção para os efeitos da medida na rotina dos escritórios de contabilidade e das empresas do setor.

Segundo Lima Júnior, o ato conjunto não representa a criação de uma nova obrigação acessória, mas estabelece diretrizes para a atuação dos profissionais dentro da estratégia de conformidade.

Além dos dirigentes das instituições, participaram da reunião Gustavo Andrade Manrique, subsecretário de Arrecadação, Cadastro e Atendimento da Receita Federal; Márcio Schuch, vice-presidente de Inovação e Tecnologia do CFC e coordenador do Comitê de Assuntos Tributários e Fiscais; e Brunno Sitônio Fialho de Oliveira, conselheiro do CFC.

A articulação entre Receita Federal, CGIBS e CFC busca preparar empresas e profissionais para a transição ao novo sistema, com maior ênfase em orientação, prevenção de erros e conformidade tributária.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: COMSEFAZ

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Explosão no porto de Rotterdam deixa um morto e seis feridos

Uma explosão em uma instalação de armazenamento de derivados de petróleo no porto de Rotterdam, na Holanda, deixou uma pessoa morta e seis feridas na quinta-feira (13). As autoridades locais investigam as causas do incidente.

Segundo a Gunvor, uma das principais empresas globais de comercialização de commodities de energia, a ocorrência aconteceu durante trabalhos de manutenção em um de seus tanques de armazenamento.

A polícia informou que, inicialmente, não havia indícios de sabotagem. Todas as hipóteses, no entanto, permanecem sob investigação.

Explosão ocorreu durante manutenção de tanque

O acidente foi registrado por volta das 11h30 no horário local, 9h30 pelo horário de Greenwich (GMT).

A Gunvor informou que está colaborando com as autoridades responsáveis pela investigação do incidente.

O porto de Rotterdam, considerado o maior da Europa, é um importante centro de entrada, armazenamento e distribuição de petróleo bruto e combustíveis. A área portuária concentra instalações estratégicas para o mercado energético europeu.

Porto abriga grandes refinarias de petróleo

Entre as estruturas localizadas no complexo está a refinaria Pernis, da Shell, considerada a maior refinaria de petróleo da Europa, com capacidade de processamento de aproximadamente 404 mil barris por dia.

O porto também abriga refinarias operadas por empresas como BP, ExxonMobil e Vitol, além de instalações destinadas ao armazenamento e movimentação de combustíveis e outras commodities energéticas.

Apesar da proximidade com a área atingida, a Shell informou que suas operações no porto não foram afetadas pela explosão.

Terminais de GNL não foram atingidos

A autoridade portuária de Rotterdam informou que os terminais de gás natural liquefeito (GNL) não sofreram impactos diretos.

Dados da ENTSOG, organização europeia responsável pelo acompanhamento da infraestrutura de transporte de gás, mostraram uma queda temporária no envio de gás a partir do terminal Gate LNG, seguida por oscilações nos fluxos.

Ainda não estava claro se essa alteração estava relacionada à explosão ou a uma interrupção de energia ocorrida em outra área do extenso complexo portuário.

Mercado acompanha possíveis impactos sobre o gás europeu

Qualquer interrupção prolongada na operação do terminal Gate pode chamar a atenção do mercado europeu de gás natural.

O terminal é um dos principais pontos de entrada de GNL no noroeste da Europa. Além disso, os estoques de gás da Holanda estavam em aproximadamente 40% da capacidade, segundo dados da Gas Infrastructure Europe, antes do início da temporada de maior demanda para aquecimento.

Por isso, eventuais restrições prolongadas na infraestrutura energética de Rotterdam poderiam ser acompanhadas de perto por traders e participantes do mercado.

Falhas de energia ocorreram no porto

A ExxonMobil informou que uma interrupção no fornecimento de energia já havia sido solucionada e que as operações de sua refinaria, com capacidade de 191 mil barris por dia, estavam funcionando normalmente.

A empresa, porém, não confirmou uma informação divulgada pela Wood Mackenzie e vista pela Reuters segundo a qual todas as unidades monitoradas da refinaria teriam sido desligadas.

O Porto de Rotterdam afirmou que a explosão não estava relacionada à interrupção de energia. Segundo a autoridade local de segurança, o complexo registrou vários episódios de falta de energia ao longo do dia, mas nenhum deles tinha ligação com a explosão.

As autoridades continuam investigando o incidente para determinar as circunstâncias que levaram à explosão e verificar eventuais impactos sobre as operações do porto de Rotterdam e da infraestrutura energética europeia.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Courtesy SQ Vision/via REUTERS

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C919: jato chinês avança no mercado internacional e desafia Airbus e Boeing

A China deu mais um passo para reduzir sua dependência de fabricantes estrangeiras de aeronaves comerciais. O C919, desenvolvido pela estatal China Commercial Aircraft (Comac), realizou seu primeiro voo comercial internacional e começa a ganhar espaço em um mercado historicamente dominado por Airbus e Boeing.

O bimotor de corredor único, com capacidade para até 174 passageiros, foi operado pela Air China no voo que partiu de Pequim na quarta-feira e pousou cerca de duas horas depois em Ulaanbaatar, capital da Mongólia.

A estreia representa um marco para a aviação comercial chinesa, embora o modelo ainda enfrente obstáculos para competir em escala global.

C919 entra no mercado internacional

O C919 ainda não recebeu certificação das duas principais autoridades aeronáuticas internacionais: a americana FAA e a europeia EASA.

Mesmo assim, o início das operações internacionais representa um avanço para a Comac após anos de atrasos no desenvolvimento e na entrada em serviço da aeronave.

O modelo foi projetado para disputar o mercado de jatos narrow-body, segmento de corredor único no qual predominam atualmente as famílias A320, da Airbus, e 737, da Boeing.

China busca reduzir dependência de fabricantes ocidentais

O avanço do C919 ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais entre China e Estados Unidos. Desde maio, Pequim vem retardando a aprovação de algumas entregas da Airbus e, segundo informações da Bloomberg, o movimento estaria relacionado à demora das autoridades europeias para certificar os novos modelos da Comac.

Ao mesmo tempo, a China reduziu sua dependência da Boeing. As companhias aéreas chinesas, que chegaram a representar mais de 20% das vendas da fabricante americana, hoje respondem por cerca de 5%.

Apesar do avanço da indústria nacional, o C919 ainda depende significativamente de tecnologia estrangeira.

Um dos principais exemplos são os motores, produzidos pela CFM International, joint venture formada pela GE Aerospace e pela francesa Safran Aircraft Engines.

Produção ainda é um desafio para a Comac

A capacidade de fabricação também aparece como um dos principais obstáculos para a expansão internacional do C919.

Segundo a CNBC, a Comac colocou 32 aeronaves C919 em operação em 2025, volume equivalente a aproximadamente um terço das aeronaves entregues pela Airbus na China no mesmo período.

O ritmo é considerado insuficiente para colocar o fabricante chinês em condições de competir diretamente com as duas líderes globais.

O analista Rob Morris, ouvido pela CNBC, avalia que a Comac ainda precisa ampliar sua capacidade de desenvolvimento e produção para representar uma ameaça efetiva à Airbus e à Boeing.

Além de fabricar e entregar os aviões, a empresa precisa construir uma ampla estrutura de suporte pós-venda e manutenção, com atendimento contínuo capaz de garantir níveis de confiabilidade semelhantes aos dos modelos A320 e 737.

Mercado chinês dá vantagem à Comac

A fabricante chinesa conta, porém, com uma importante vantagem: um enorme mercado doméstico e forte participação estatal no setor aéreo.

A China é atualmente um dos principais mercados da Airbus, com expectativa de aquisição de mais de 9 mil aeronaves nas próximas duas décadas.

Ao mesmo tempo, o governo chinês controla as três maiores companhias aéreas do país. Juntas, elas representam aproximadamente metade da capacidade do mercado doméstico, criando uma base relevante de potenciais compradores para os aviões da Comac.

Esse cenário pode acelerar a adoção de aeronaves produzidas nacionalmente e ampliar gradualmente a presença do C919.

C909 avança no mercado de jatos regionais

A Comac também busca espaço no segmento de jatos regionais, atualmente marcado pela forte presença da Embraer.

O C909, anteriormente conhecido como ARJ21, vem ampliando sua participação impulsionado pelo apoio do governo chinês. Segundo a fabricante estatal, 186 aeronaves da família foram entregues desde junho de 2016, quando o modelo entrou em operação comercial.

A aeronave representa cerca de 70% da frota de jatos regionais na China.

Fora do mercado chinês, o C909 já opera em países como Laos, Indonésia e Vietnã, inclusive em rotas internacionais.

Embraer mantém presença relevante

Apesar do avanço da Comac, a Embraer continua com uma posição consolidada no mercado de jatos regionais.

A família E2 soma atualmente 195 aeronaves em operação, além de mais de 500 pedidos firmes que ainda serão entregues nos próximos anos.

A expansão internacional da Comac, portanto, não representa uma mudança imediata no equilíbrio do setor. O C919 ainda precisa superar desafios relacionados à certificação internacional, escala de produção, confiabilidade e suporte global para competir de forma ampla com Airbus e Boeing.

O avanço da fabricante chinesa, entretanto, indica que a indústria aeronáutica do país está construindo gradualmente uma alternativa nacional aos principais fabricantes ocidentais.

FONTE: Brazil Journal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Brazil Journal

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ANTAQ amplia medidas preventivas diante dos impactos da estiagem na Região Amazônica

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) intensificou as medidas de prevenção para enfrentar possíveis impactos da estiagem na Região Amazônica. A estratégia reúne ações de planejamento, fiscalização, acompanhamento regulatório e preparação de alternativas operacionais para preservar o transporte de cargas e passageiros e reduzir riscos ao abastecimento regional.

As iniciativas levam em conta as experiências de 2023 e 2024, quando a seca na Amazônia provocou níveis historicamente baixos nos rios da Bacia Amazônica. Apesar de não haver, até o momento, indicação de uma estiagem extrema em 2026 nos mesmos moldes daqueles anos, a Agência mantém o monitoramento e se prepara para possíveis restrições à navegação.

Desde maio, a ANTAQ acompanha, em conjunto com outros órgãos, as condições dos serviços de dragagem em rios estratégicos para a logística da região, entre eles Madeira, Amazonas e Tapajós.

ANTAQ monitora risco de Taxa de Seca

No âmbito regulatório, a Agência reforçou junto às empresas de navegação de contêineres com origem ou destino na Região Amazônica as regras para eventual cobrança da Low Water Surcharge (LWS), conhecida como Taxa de Seca, ou de valores equivalentes relacionados às condições hidrológicas.

As empresas devem comunicar previamente a ANTAQ sobre a possível aplicação da cobrança com pelo menos 30 dias de antecedência. A comunicação precisa detalhar o motivo da taxa, os serviços afetados, a metodologia utilizada para calcular o valor e o período previsto para sua aplicação.

Também devem ser apresentados dados técnicos, operacionais, contábeis e econômico-financeiros que permitam analisar a justificativa da cobrança, incluindo eventuais custos extraordinários.

O recebimento dessas informações pela Agência não significa autorização ou homologação da taxa. Se a cobrança for efetivamente aplicada, as empresas deverão encaminhar relatórios a cada 15 dias com dados sobre as condições dos rios, restrições operacionais, despesas extraordinárias e valores arrecadados.

Segundo o diretor-geral da ANTAQ, Frederico Dias, o acompanhamento é necessário diante das características do mercado, e o diálogo com os agentes do setor contribui para uma atuação mais precisa da Agência.

Fiscalização acompanha condições de navegação

A fiscalização do transporte aquaviário também foi reforçada. A ANTAQ monitora as condições hidrológicas e acompanha especialmente as travessias que podem sofrer impactos com a redução dos níveis dos rios.

O objetivo é identificar antecipadamente eventuais problemas na prestação dos serviços e permitir que medidas de resposta sejam adotadas de maneira rápida.

Além disso, empresas de navegação, portos organizados, terminais e outros agentes regulados que atuam na Amazônia foram orientados a elaborar ou atualizar seus Planos de Contingência para Eventos Hidrológicos Extremos.

Entre as alternativas que podem ser adotadas estão:

  • utilização de embarcações com menor calado;
  • reorganização de escalas;
  • redistribuição e transbordo de cargas;
  • ajustes nas operações;
  • instalação de estruturas provisórias.

Os agentes têm 15 dias, contados a partir do recebimento do Ofício Circular nº 6/2026/DG/ANTAQ, para informar se já possuem um plano, se o documento está em elaboração ou, caso não pretendam elaborá-lo, apresentar uma justificativa.

Medidas emergenciais podem ganhar prioridade

A preparação da ANTAQ também envolve a análise de outorgas e autorizações para situações excepcionais que possam surgir com um eventual agravamento das condições de navegabilidade.

Nesse cenário, poderão receber tratamento prioritário pedidos emergenciais relacionados à instalação e utilização de estruturas flutuantes e píeres provisórios, operações de transbordo ou baldeação de cargas e afretamento excepcional de embarcações capazes de operar em trechos com menor profundidade.

Estratégia busca garantir continuidade logística

As medidas fazem parte de uma estratégia preventiva baseada no monitoramento hidrológico, na antecipação de riscos e na articulação entre órgãos públicos e empresas do setor.

A ANTAQ continuará acompanhando a evolução das condições dos rios da Região Amazônica e poderá adotar novas providências dentro de suas competências para preservar a regularidade da navegação na Amazônia, dos serviços de transporte e do abastecimento regional.

FONTE: ANTAQ
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ANTAQ

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Caminhoneiros brasileiros ficam retidos após nevasca histórica nos Andes

Centenas de caminhoneiros brasileiros enfrentam uma longa espera na fronteira entre Argentina e Chile após uma sequência de intensas nevascas atingir a Cordilheira dos Andes. O mau tempo provocou bloqueios em importantes passagens internacionais e deixou grandes filas de caminhões paradas na região.

Entre os profissionais afetados estão motoristas de Santa Catarina, que já acumulam semanas de espera em condições consideradas extremas. Além do frio intenso, os trabalhadores relatam dificuldades para conseguir alimentação, tomar banho e manter uma rotina mínima de descanso.

A situação também provoca impactos no transporte internacional de cargas, com veículos parados, entregas atrasadas e aumento dos custos para as empresas.

Mais de mil caminhões ficam retidos na fronteira

Um dos pontos mais afetados é o Paso Pino Hachado, onde, segundo relatos de transportadores, mais de 1,2 mil caminhões chegaram a ficar impedidos de seguir viagem.

O número de veículos parados fez com que o problema ultrapassasse a esfera individual. Transportadoras passaram a lidar com atrasos nas entregas, mudanças na logística e motoristas impossibilitados de cumprir os cronogramas previstos.

Uma empresa de Concórdia, no Oeste catarinense, chegou a ter aproximadamente 50 caminhões retidos na região.

Entre os motoristas afetados está Jairo Luan Gomes, de Sombrio, no Sul de Santa Catarina. Ele completou 26 dias aguardando a liberação da passagem e, naquele momento, ainda não tinha uma previsão definitiva para deixar a aduana.

Frio extremo transforma caminhões em abrigo

Com a permanência prolongada na fronteira, a cabine dos veículos passou a funcionar como principal espaço de proteção contra as baixas temperaturas.

Jairo contou que a estrutura disponível para os profissionais apresenta limitações. Segundo o motorista, não havia banheiro adequado nem chuveiro com água quente. Em alguns locais, os caminhoneiros precisavam recorrer à água fria mesmo diante de temperaturas negativas.

Durante a tarde, ele chegou a registrar aproximadamente -2°C. A permanência dentro dos caminhões se tornou uma das principais formas de enfrentar o frio enquanto a passagem permanecia bloqueada.

A situação é agravada pelas condições da estrada. A presença constante de neve e gelo reduz a segurança da circulação, principalmente para veículos pesados e carregados.

Falta de comida aumenta dificuldades

A espera prolongada também trouxe problemas relacionados à alimentação dos caminhoneiros. Muitos profissionais haviam deixado o Brasil com mantimentos planejados para uma viagem normal, mas o bloqueio fez os estoques diminuírem rapidamente.

Jairo relatou receber água potável e sopa por meio de iniciativas de apoio organizadas por caminhoneiros e entidades locais. Para as refeições noturnas, alguns profissionais utilizam pequenas cozinhas instaladas nas próprias cabines.

O catarinense Ribamar Laudares, de Chapecó, também enfrentou a situação. Ele passou 11 dias retido na região e viu praticamente todos os alimentos que havia levado antes da viagem chegarem ao fim.

Com poucos estabelecimentos nas proximidades, as alternativas eram limitadas. Em determinado ponto, um food truck comercializava itens básicos, como cachorro-quente e café.

Apenas um chuveiro atende centenas de motoristas

A falta de estrutura para higiene pessoal se tornou outro problema para quem passa vários dias parado.

Ribamar contou que, no lado chileno da fronteira, havia somente um chuveiro disponível para mais de 300 profissionais. O equipamento utilizava um reservatório com cerca de 100 litros de água aquecida.

Para conseguir um banho quente, os motoristas precisavam escolher horários de menor movimento. Muitos acabavam recorrendo à madrugada para enfrentar a fila.

A situação relatada por Jairo era ainda mais precária. Na aduana onde estava retido, segundo ele, os profissionais tinham acesso apenas a um cano com água fria.

Assim, necessidades básicas passaram a exigir planejamento e improviso durante a retenção provocada pela nevasca nos Andes.

Neve chega perto de um metro e reduz visibilidade

Imagens feitas pelos próprios caminhoneiros mostram a dimensão do problema. Em alguns trechos, os veículos ficaram cercados pela neve, enquanto a cobertura branca tomava conta da pista.

O acúmulo chegou próximo de um metro em determinados pontos. O chamado “vento branco”, provocado pela movimentação da neve, também reduziu significativamente a visibilidade.

No Paso Pino Hachado, a situação afetou diretamente a circulação. A Ruta Nacional 242 chegou a ter interrupções totais em determinados momentos devido à combinação de neve, gelo e baixa aderência.

Para veículos de carga, o risco é ainda maior. Uma pista congelada aumenta a distância de frenagem e pode dificultar o controle do caminhão. Por esse motivo, uma eventual autorização para reabrir a passagem depende não apenas da melhora do clima, mas também de condições adequadas de segurança.

Viagem pela Patagônia termina em longa espera

Ribamar havia percorrido aproximadamente 1,8 mil quilômetros pela Patagônia antes de alcançar o trecho mais crítico da viagem. Ao chegar à região da Cordilheira, porém, encontrou novamente as estradas cobertas pela neve.

O motorista permaneceu sete dias esperando uma melhora nas condições meteorológicas. Em seguida, novas previsões apontaram para a continuidade das precipitações.

Uma questão relacionada à documentação também fez com que ele perdesse uma oportunidade de atravessar a fronteira. Pouco tempo depois, o aumento da neve voltou a impedir o deslocamento.

Caminhões precisam economizar combustível

A permanência prolongada também exige cuidados com o combustível. Para manter a cabine aquecida, Ribamar precisava ligar o caminhão periodicamente.

O motor permanecia funcionando por aproximadamente 50 minutos a cada cinco horas. O motorista também procurava manter o tanque abastecido como medida preventiva diante da possibilidade de a espera se prolongar.

A rotina exige que os profissionais controlem cuidadosamente os recursos disponíveis, incluindo combustível, comida e água, enquanto aguardam uma oportunidade segura para seguir viagem.

Nevasca gera prejuízos ao transporte internacional

Os efeitos da paralisação vão além dos problemas enfrentados dentro das cabines. Para as transportadoras, caminhões parados representam atrasos nas cargas, motoristas indisponíveis, alterações de rota e elevação dos custos operacionais.

Para os profissionais, porém, o impacto também é pessoal. Cada dia de bloqueio significa mais tempo longe de casa e uma rotina marcada por frio intenso, incerteza e estrutura limitada.

Jairo permanece à espera de uma definição para deixar a região, enquanto outros motoristas catarinenses passaram pela mesma situação antes de conseguir retomar suas viagens.

A liberação dos passos internacionais depende das condições das estradas e da evolução do clima. A redução da neve, a recuperação da pista e a segurança para a circulação de veículos pesados são fatores determinantes para a retomada do tráfego.

Enquanto a situação não se normaliza, a Cordilheira dos Andes deixa de ser apenas uma rota estratégica do transporte internacional e se transforma em um cenário de resistência para os caminhoneiros brasileiros. Para esses profissionais, atravessar milhares de quilômetros exige não apenas experiência ao volante, mas também preparo para enfrentar condições meteorológicas extremas e períodos prolongados de espera.

FONTE: Guararema News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução / Redes Sociais

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Tufão Dolphin provoca alagamentos na China e suspende quase 40% dos voos em Xangai

O tufão Dolphin provocou fortes chuvas, ventos intensos e alagamentos em diferentes áreas do leste da China. Em Xangai, uma das maiores cidades do país, o mau tempo afetou a operação dos aeroportos e deixou ruas inundadas nesta segunda-feira (10).

Ao atingir a costa da província de Zhejiang, na noite de domingo (9), o sistema registrava ventos sustentados de até 151 km/h nas proximidades do centro. Depois de chegar ao continente, o tufão perdeu força e foi reclassificado como tempestade tropical.

Mesmo enfraquecido, o Dolphin continuou levando grandes volumes de chuva para províncias do leste chinês, incluindo Anhui, Jiangsu e Shandong.

Xangai registra alagamentos e cancelamentos de voos

As chuvas intensas atingiram diversas regiões de Xangai, inclusive áreas comerciais e bairros localizados nos arredores do centro da cidade.

Os dois aeroportos da metrópole cancelaram, ao todo, 943 voos por causa das condições meteorológicas. Segundo a emissora estatal CCTV, a medida reduziu em aproximadamente 40% a capacidade operacional aérea da cidade.

A China Eastern Airlines informou que trabalhava para restabelecer gradualmente os voos com origem ou destino em Xangai, Zhejiang e outras localidades afetadas.

Nos distritos de Jiading e Qingpu, imagens compartilhadas por moradores nas redes sociais mostraram ruas tomadas pela água. Em alguns pontos, o nível da inundação chegou à altura dos joelhos.

Moradores relataram que a chuva persistiu durante praticamente toda a madrugada. Uma residente de Jiading afirmou que vive há uma década em Xangai e que nunca havia enfrentado um episódio de alagamentos tão abrangentes provocado por um tufão.

Chuvas intensas afetam serviços e atividades

No distrito de Jinshan, autoridades recomendaram a suspensão temporária das atividades de empresas e organizações não essenciais diante da previsão de continuidade das chuvas e dos ventos fortes.

A orientação também alcançou aulas, eventos ao ar livre e serviços de transporte, como medida preventiva diante dos riscos associados ao avanço do sistema.

Na província de Zhejiang, os efeitos dos ventos também foram registrados. Um vídeo divulgado nas redes sociais mostrou um caminhão sendo tombado pela força das rajadas em Wenzhou. Não havia informações confirmadas sobre as condições do motorista.

Tufão avança para o centro da China

Considerado o tufão mais forte a atingir a China em 2026, o Dolphin deve seguir para áreas do interior nos próximos dias.

A previsão é de deslocamento em direção às províncias de Hubei e Henan, acompanhado pelo transporte de umidade para regiões mais ao norte.

Com a chegada desse sistema, autoridades de Pequim elevaram os níveis de atenção para chuvas fortes e risco de inundações.

Pequim se prepara para chuvas e deslizamentos

A capital chinesa espera registrar volumes significativos de chuva entre terça-feira (11) e quinta-feira (13).

As autoridades locais informaram que a cidade está preparada para acionar seu plano de controle de inundações caso as condições se agravem.

Além do risco de alagamentos repentinos em áreas urbanas, existe preocupação com deslizamentos de terra nas regiões montanhosas próximas a Pequim.

As cidades de Tianjin e áreas da província de Hebei também devem enfrentar chuvas fortes à medida que as nuvens associadas ao sistema encontrem massas de ar mais frio ao avançar para o norte.

Dolphin teve trajetória incomum

Antes de alcançar a costa chinesa, o tufão Dolphin percorreu cerca de 6 mil quilômetros. Segundo informações divulgadas pela CCTV, o sistema teve um ciclo de vida aproximadamente três vezes mais longo que o observado em um tufão convencional.

A longa trajetória contribuiu para a formação de um extenso sistema de nuvens, que cobriu grandes áreas do leste da China.

A intensidade dos impactos também levou autoridades e especialistas a comparar o fenômeno com o tufão Doksuri, que atingiu a China em 2023. Naquele episódio, o sistema provocou destruição em Fujian, no sudeste do país, e contribuiu para chuvas recordes em Pequim.

Temporada de tufões pode ser uma das mais intensas

As condições registradas pelo Dolphin ocorrem em um ano que pode apresentar atividade elevada de tufões no Pacífico Noroeste.

O Tropical Storm Risk (TSR) estimou que a temporada de 2026 poderá registrar cerca de 28 tempestades tropicais, 20 tufões e 13 tufões intensos.

Entre os fatores apontados para a previsão de uma temporada mais ativa estão o El Niño em curso, a elevada atividade registrada até o momento e a ocorrência de ventos alísios mais fracos que o normal na região do Pacífico Noroeste.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/UOL

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Eventos climáticos extremos aumentam riscos para concessões e infraestrutura no Brasil

A recorrência de eventos climáticos extremos está mudando a forma como projetos de infraestrutura são planejados e avaliados no Brasil. Enchentes, secas e deslizamentos passaram a representar não apenas riscos ambientais, mas também fatores capazes de afetar a viabilidade financeira e operacional de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs).

As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 e o tornado que passou por Rio Bonito do Iguaçu, no oeste do Paraná, em novembro do ano passado são exemplos recentes da dimensão dos impactos provocados por fenômenos extremos.

Especialistas defendem que esses riscos sejam considerados desde as primeiras etapas de elaboração dos projetos, com investimentos em infraestrutura resiliente para reduzir possíveis prejuízos, preservar a qualidade dos serviços e manter o interesse de investidores.

A discussão ocorreu durante um encontro sobre os impactos econômicos e sociais das mudanças climáticas no Brasil, organizado pelo E-Mundi e promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS).

Infraestrutura resiliente ganha importância

O conceito de infraestrutura resiliente envolve incorporar, ainda na fase de planejamento, soluções capazes de reduzir a exposição dos projetos a eventos extremos e garantir a continuidade dos serviços.

As medidas dependem das características e dos riscos de cada região. Podem incluir reforço de estruturas, sistemas de contenção, adaptações de engenharia e mecanismos destinados a manter operações essenciais mesmo em situações de emergência.

Para Bruno Carnelosso, economista e sócio da Radar PPP, consultoria especializada no mercado de concessões, a maior frequência de eventos climáticos pode influenciar diretamente a disposição de investidores em participar de licitações.

Por isso, segundo o especialista, os riscos devem entrar nos estudos de viabilidade e na modelagem das concessões desde o início. Dessa forma, é possível calcular os recursos necessários para tornar os empreendimentos mais resistentes sem comprometer sua atratividade para o setor privado.

Rodovia no litoral de SP é exemplo de desafio

Carnelosso cita como exemplo um trecho rodoviário localizado no Litoral Norte de São Paulo, que enfrenta dificuldades para avançar em um processo de concessão devido à exposição a deslizamentos.

Para o especialista, situações desse tipo demonstram que os riscos associados ao clima precisam ser incorporados aos estudos técnicos e financeiros antes da estruturação das concessões.

A previsão de investimentos em medidas de resiliência pode aumentar os custos iniciais, mas também contribui para reduzir interrupções futuras e evitar que eventos extremos comprometam a operação ou a sustentabilidade econômica dos projetos.

Desastres climáticos já geram bilhões em prejuízos

O impacto econômico dos fenômenos extremos já alcança valores expressivos no país.

Segundo dados da Confederação Nacional do Transporte (CNT), os desastres relacionados ao clima provocaram custos de aproximadamente R$ 188,7 bilhões entre 2020 e 2023.

O montante evidencia a dimensão do problema para setores que dependem diretamente de estradas, sistemas urbanos, redes de abastecimento e outras estruturas essenciais.

Saneamento está entre os setores mais vulneráveis

O saneamento básico aparece entre as áreas mais expostas aos efeitos das mudanças climáticas, mas também pode desempenhar um papel importante na redução dos impactos.

A avaliação é de Gesner Oliveira, professor da EAESP-FGV e sócio-executivo da GO Associados. Para ele, as estratégias de adaptação devem começar pelo fortalecimento da informação e da gestão de riscos.

O especialista ressalta que não existe uma solução única para todas as regiões brasileiras. As medidas precisam levar em conta as características e vulnerabilidades de cada local.

Sistemas de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto, por exemplo, podem sofrer impactos significativos durante enchentes. Ao mesmo tempo, estruturas de saneamento planejadas para situações extremas podem ajudar a diminuir os danos.

Saneamento pode ajudar na resposta aos eventos extremos

Entre as alternativas citadas por Gesner Oliveira estão a criação de áreas de contenção para reduzir os efeitos das enchentes e a ampliação da produção de água de reúso.

As estruturas de contenção poderiam ajudar a controlar o volume e a velocidade da água em determinadas situações. Já a água de reúso poderia funcionar como uma fonte alternativa caso os sistemas convencionais de abastecimento fossem afetados por inundações.

A estratégia mostra que os investimentos em adaptação climática podem cumprir uma dupla função: proteger a infraestrutura existente e criar mecanismos capazes de manter serviços essenciais durante períodos de crise.

Para especialistas, incorporar essas soluções desde a fase de planejamento tende a ser fundamental para tornar as concessões e PPPs mais preparadas para um cenário de maior frequência e intensidade de eventos climáticos extremos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wesley Santos/Reuters

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Rocha de 340 toneladas atravessou 22 cidades para integrar obra de arte em Los Angeles

Uma rocha de 340 toneladas percorreu uma jornada de aproximadamente 105 milhas (cerca de 169 quilômetros) entre uma pedreira em Jurupa Valley e o Los Angeles County Museum of Art (LACMA). A operação, realizada ao longo de 11 noites, exigiu planejamento detalhado, estudos de engenharia e uma rota cuidadosamente elaborada para evitar pontes, viadutos e vias incapazes de suportar o peso da carga.

O destino do megálito era a instalação Levitated Mass, do artista Michael Heizer, onde a pedra foi posicionada sobre uma passagem de concreto que permite aos visitantes caminhar sob sua estrutura.

Planejamento de engenharia definiu o trajeto

Embora a distância entre a pedreira e o museu pudesse ser percorrida por rodovias, o transporte da gigantesca rocha exigiu um caminho alternativo. O peso do conjunto tornava inviável a passagem por diversas pontes, viadutos e ruas com limitações estruturais.

Antes do início da operação, engenheiros passaram meses avaliando a infraestrutura urbana e trabalhando em conjunto com autoridades de quatro condados e 22 cidades para definir um percurso seguro.

O estudo garantiu que o deslocamento pudesse ocorrer sem comprometer a segurança das estruturas ao longo do caminho.

Transporte aconteceu apenas durante a madrugada

A viagem teve início em 28 de fevereiro de 2012 e foi concluída na manhã de 10 de março de 2012. Durante esse período, o deslocamento ocorreu exclusivamente à noite, entre aproximadamente 23h e 5h, reduzindo impactos no trânsito e facilitando a operação.

O transportador especial seguia em velocidade média de 8 milhas por hora (cerca de 13 km/h), avançando lentamente por bairros, avenidas e municípios até chegar ao museu em Los Angeles.

A cena chamou a atenção dos moradores por onde passava, transformando o transporte da pedra em um espetáculo incomum de engenharia, logística e transporte pesado.

Caminhão convencional não suportaria a operação

Para mover a rocha de 340 toneladas, foi utilizado um equipamento desenvolvido especialmente para distribuir o peso da carga de forma segura durante todo o percurso.

Os engenheiros da Emmert International ficaram responsáveis pela definição da rota e pela execução do transporte, considerando as limitações da infraestrutura urbana e a necessidade de preservar ruas e pontes.

O projeto demonstrou que, em operações desse porte, o maior desafio não é apenas deslocar a carga, mas encontrar um caminho capaz de suportar centenas de toneladas em movimento.

Instalação da obra também exigiu estrutura especial

Após a chegada ao LACMA, o trabalho ainda estava longe do fim. O projeto de Michael Heizer previa que a pedra fosse suspensa sobre uma passagem construída especialmente para a obra.

Para posicionar o megálito, foi utilizado um pórtico de aproximadamente 700 toneladas, estrutura capaz de elevar e acomodar a rocha com precisão sobre sua base definitiva.

A instalação resultou na obra Levitated Mass, que permite aos visitantes caminhar sob a enorme pedra e experimentar a proposta artística idealizada pelo escultor.

Transporte se tornou parte da história da obra

Muito além do resultado final, a própria viagem da rocha passou a integrar a narrativa de Levitated Mass. A operação envolveu meses de estudos, planejamento urbano e soluções de engenharia para tornar possível o deslocamento de uma peça única por uma extensa área metropolitana.

Ao atravessar 22 cidades, percorrer 105 milhas e superar desafios estruturais ao longo de 11 noites, a rocha de 340 toneladas deixou de ser apenas o elemento central da instalação artística para se tornar também símbolo de uma das mais complexas operações de transporte pesado realizadas para uma obra de arte.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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Receita Federal apreende peças de fuzil AR-15 escondidas em bagagem no Porto de Santos

A Receita Federal apreendeu, na quinta-feira (6), uma grande quantidade de peças para fuzil AR-15 durante a fiscalização de uma bagagem desacompanhada que chegou ao Porto de Santos, em São Paulo. A carga havia sido embarcada em Miami, nos Estados Unidos.

Durante a inspeção física, os agentes localizaram 20 conjuntos de ferrolho e porta-ferrolho, além de 260 conjuntos de partes e peças para fuzil AR-15, escondidos em uma das 174 caixas que compunham a bagagem de um viajante.

Receita aponta tentativa de ocultar o verdadeiro destinatário

De acordo com a fiscalização, a estratégia utilizada tinha como objetivo mascarar o verdadeiro adquirente das mercadorias, que não foram declaradas às autoridades aduaneiras. O envio por meio de bagagem desacompanhada teria sido utilizado para tentar introduzir os itens de forma irregular no país.

A Receita Federal ressalta que o consignatário da carga — responsável legal pela remessa — responde por todo o conteúdo encontrado no contêiner, independentemente da forma como os produtos estavam acondicionados.

Peças poderiam ser utilizadas na montagem de armas

Segundo a área de Vigilância e Repressão da Receita Federal, os componentes apreendidos poderiam ser combinados com peças produzidas por impressão 3D, permitindo a montagem de fuzis completos.

Após a apreensão, todo o material foi encaminhado à Polícia Federal, que ficará responsável pela investigação e pelos procedimentos de polícia judiciária.

Informações serão compartilhadas com autoridades dos Estados Unidos

A Receita Federal informou que comunicará o caso às autoridades aduaneiras norte-americanas por meio do Sistema de Difusão Estratégica de Alertas de Risco sobre Mercadorias e Armamentos Sensíveis (Desarma).

O sistema foi criado para fortalecer a cooperação internacional entre aduanas e ampliar a eficácia no combate a crimes como contrabando, descaminho, tráfico de drogas e tráfico de armas, por meio do intercâmbio de informações sobre cargas e armamentos sensíveis.

Vídeos e fotos neste link.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Receita Federal

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EUA ampliam lista de restrições e incluem 43 empresas chinesas por suspeitas de trabalho forçado

Os Estados Unidos ampliaram a lista de empresas sujeitas a restrições comerciais ao incluir 43 companhias chinesas suspeitas de envolvimento com práticas relacionadas ao trabalho forçado na região de Xinjiang. A atualização representa a maior expansão desde a criação da relação de entidades monitoradas pela legislação norte-americana.

Com as novas inclusões, a lista passa a reunir 187 empresas, reforçando a aplicação da Lei de Prevenção do Trabalho Forçado Uigur (UFLPA), criada para impedir a entrada de produtos associados a violações de direitos humanos no mercado dos EUA.

Lei exige comprovação da origem dos produtos

A UFLPA, aprovada pelo Congresso dos Estados Unidos em 2021, estabelece a presunção de que mercadorias produzidas em Xinjiang podem ter sido fabricadas com mão de obra forçada, principalmente de uigures e outras minorias étnicas.

Para reverter essa presunção, exportadores precisam apresentar documentação que comprove a rastreabilidade da cadeia de fornecimento e demonstre que os produtos não têm relação com trabalho compulsório.

Segundo o Departamento de Segurança Interna dos EUA, a partir de 3 de agosto, a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) passará a bloquear automaticamente a entrada de mercadorias produzidas pelas 43 empresas recém-incluídas na lista, salvo comprovação em contrário.

Empresas atuam em diversos setores industriais

As companhias adicionadas ao cadastro pertencem a diferentes segmentos da economia chinesa, incluindo as indústrias de alumínio, cobre, algodão, vestuário, além da produção de tomates e derivados.

De acordo com as autoridades norte-americanas, essas empresas são suspeitas de obter matérias-primas provenientes de Xinjiang ou de manter vínculos com programas governamentais relacionados ao recrutamento, transporte ou utilização de trabalhadores pertencentes a grupos étnicos considerados vulneráveis.

China reage e critica decisão dos Estados Unidos

O governo chinês contestou a ampliação das restrições e classificou a medida como uma forma de coerção econômica.

Em nota divulgada pelo Ministério do Comércio, Pequim afirmou que as sanções carecem de fundamentos concretos, prejudicam as cadeias globais de suprimentos e contrariam os entendimentos firmados anteriormente entre os líderes dos dois países para estabilizar as relações comerciais.

O governo chinês também declarou que adotará medidas para proteger os interesses de suas empresas diante das novas restrições impostas por Washington.

Pequim nega acusações sobre trabalho forçado

A embaixada da China em Washington voltou a rejeitar as acusações envolvendo violações de direitos humanos em Xinjiang.

Segundo representantes diplomáticos, a legislação chinesa proíbe o trabalho forçado, e os trabalhadores da região têm liberdade para escolher suas atividades profissionais. O governo também classificou as denúncias apresentadas pelos Estados Unidos como infundadas.

A ampliação da lista ocorre em um momento de persistente tensão entre as duas maiores economias do mundo, mantendo o tema dos direitos humanos, do comércio internacional e das cadeias globais de produção no centro das disputas entre Washington e Pequim.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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