Agronegócio

Soja reage em Chicago, enquanto preços nos portos brasileiros seguem próximos de R$ 150 por saca

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) registram leve recuperação nesta quinta-feira (30), após a forte pressão de venda observada na sessão anterior. O movimento é considerado uma correção técnica depois que as cotações atingiram os menores níveis das últimas semanas, influenciadas pela melhora das condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos.

Apesar da alta moderada, o mercado continua atento às previsões do tempo e ao comportamento da demanda internacional, fatores que seguem determinando a direção dos preços.

Liquidação de fundos pressionou as cotações

Além do clima mais favorável para o desenvolvimento das lavouras norte-americanas, a intensa liquidação de posições por parte dos fundos de investimento ampliou a queda dos preços na quarta-feira (29).

Por volta das 7h10 (horário de Brasília), os principais contratos avançavam entre 1,50 e 3,25 pontos. O vencimento de agosto era negociado a US$ 11,79 por bushel, enquanto novembro alcançava US$ 11,96. O contrato de janeiro permanecia acima da marca de US$ 12,00, cotado a US$ 12,07 por bushel.

Clima nos Estados Unidos continua no radar

Mesmo com a recuperação das cotações, operadores mantêm cautela diante das previsões meteorológicas para o cinturão produtor dos Estados Unidos.

Os modelos climáticos indicam chuvas abrangentes e temperaturas mais amenas nos próximos dias, cenário considerado favorável às lavouras. Em um horizonte mais distante, no entanto, a expectativa de calor acima da média em importantes regiões produtoras segue sendo acompanhada pelo mercado por seu potencial impacto sobre a produtividade.

Relatório do USDA pode definir os próximos movimentos

Outro fator aguardado pelos investidores é a divulgação do relatório semanal de vendas para exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Os dados devem indicar o ritmo da demanda pela soja norte-americana e podem influenciar o comportamento das cotações em um momento em que o mercado avalia a competitividade do produto dos Estados Unidos no comércio internacional.

Além disso, os agentes acompanham a movimentação do complexo soja, especialmente os contratos de farelo, óleo de soja e também o mercado de petróleo. Nesta quinta-feira, tanto o farelo quanto o óleo operavam em alta, oferecendo suporte adicional às cotações do grão.

Portos brasileiros mantêm preços firmes

No mercado brasileiro, o foco permanece sobre os preços praticados nos portos e na influência do câmbio.

Mesmo com a pressão exercida por Chicago ao longo da semana, a valorização do dólar frente ao real e a demanda pela soja brasileira continuam sustentando as indicações no mercado físico, embora os negócios ocorram de forma mais seletiva.

Segundo Ronaldo Fernandes, analista de mercado e diretor da Royal Rural, a soja disponível nos principais portos brasileiros segue sendo negociada próxima de R$ 150 por saca, enquanto a safra nova trabalha com referência em torno de R$ 140 por saca.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Agronegócio

Fertilizantes: guerra no Oriente Médio e crise no agro reduzem demanda para a safra 2026/27

A combinação entre os impactos da guerra no Oriente Médio e as dificuldades enfrentadas pelo agronegócio brasileiro começa a refletir diretamente no mercado de fertilizantes. A indústria estima uma queda de pelo menos 10% nas entregas de insumos destinadas à safra 2026/27, cenário influenciado pelo aumento dos custos, incertezas logísticas e menor capacidade de investimento dos produtores rurais.

Além da alta nos preços provocada pelo conflito, fatores como o endividamento dos agricultores, o crédito rural mais caro e a redução da rentabilidade das principais culturas têm levado muitos produtores a adiar a compra de adubos.

Compras seguem abaixo do ritmo registrado no ano passado

O atraso nas negociações já é percebido nas principais culturas do país. Para a próxima safra de soja, cujo plantio começa em setembro em algumas regiões, cerca de 80% da demanda por fertilizantes foi negociada até o momento. No mesmo período do ciclo anterior, esse percentual era de 85%.

No caso do milho segunda safra, o ritmo também desacelerou. As compras alcançam aproximadamente 30%, abaixo dos 35% registrados no mesmo período do ano passado.

Apesar do cenário desafiador, representantes do setor observam uma recuperação nas negociações nas últimas semanas, impulsionada pela valorização da soja, que melhorou a relação de troca entre o grão e os fertilizantes. Esse movimento trouxe maior dinamismo ao mercado, embora as incertezas permaneçam.

Mercado deve recuar após ano recorde

Depois de atingir um recorde de 49 milhões de toneladas de fertilizantes entregues em 2025, o setor projeta retração em 2026. As estimativas variam entre uma redução de 5 milhões e 10 milhões de toneladas, com maior impacto sobre os produtos à base de nitrogênio e fósforo.

Parte dessa retração está ligada ao aumento dos custos dos insumos. Segundo executivos da indústria, atualmente o produtor precisa desembolsar o equivalente a duas ou até quatro sacas de soja a mais para adquirir fertilizantes, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Guerra eleva preços das matérias-primas

Desde o início do conflito no Oriente Médio, os preços dos fertilizantes vêm sendo pressionados pelas incertezas envolvendo as principais rotas marítimas da região.

Os produtos fosfatados e nitrogenados sofreram sucessivos reajustes, impulsionados principalmente pela forte valorização do enxofre, matéria-prima essencial para a fabricação de fertilizantes e também utilizada pela indústria de baterias.

Levantamento da consultoria StoneX aponta que o preço da tonelada de enxofre mais do que dobrou ao longo do ano. O MAP (fosfato monoamônico) também registrou alta expressiva, enquanto a ureia acumula semanas consecutivas de valorização.

O aumento no custo do enxofre levou empresas do setor a rever temporariamente parte das operações industriais no Brasil, sem previsão para normalização, já que a retomada depende da estabilização do mercado internacional da matéria-prima.

Indústria enfrenta concorrência por insumos

Além da oferta limitada, fabricantes de fertilizantes enfrentam uma nova disputa pelo enxofre com a indústria global de baterias, segmento que tem ampliado a demanda pelo produto e consegue absorver preços mais elevados.

Essa concorrência aumenta a pressão sobre os custos de produção e amplia os desafios para manter a competitividade do mercado de fertilizantes.

Estoques permanecem menores, mas abastecimento segue controlado

Os estoques de fertilizantes no Brasil estão cerca de 14% abaixo do nível registrado no mesmo período de 2025. Apesar da redução, representantes do setor avaliam que o volume disponível ainda é suficiente para atender entre dois meses e meio e três meses de consumo, patamar considerado adequado diante da expectativa de retração da demanda.

Logística preocupa importadores

Além da escalada dos preços, o conflito internacional também afeta a logística de abastecimento. O ciclo entre a importação das matérias-primas e a entrega dos fertilizantes ao mercado brasileiro pode levar aproximadamente três meses, incluindo embarque, transporte marítimo, desembaraço aduaneiro e distribuição.

Empresas recomendam que os produtores antecipem o planejamento das compras para evitar possíveis atrasos decorrentes de gargalos logísticos e congestionamentos portuários.

Mesmo com parte da matéria-prima vindo de regiões próximas ao conflito, grandes fabricantes afirmam que têm buscado diversificar fornecedores em países como Canadá, Estados Unidos, China, Marrocos, Egito e Catar para reduzir riscos no abastecimento.

Importações atrasadas acendem alerta

A consultoria StoneX também observa atraso nas importações brasileiras de fertilizantes, o que pode exigir aceleração das compras nos próximos meses para recompor os estoques antes do início da safra.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de interrupções em importantes corredores marítimos, como a região do Estreito de Bab el-Mandeb, rota estratégica para exportações de países produtores de fertilizantes, incluindo a Arábia Saudita.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Agronegócio

Carne livre de desmatamento busca espaço na China sem sobretaxa de importação

Programa quer ampliar exportações de carne bovina certificada

Criado em outubro de 2025, o Beef on Track foi desenvolvido para atender à crescente demanda da China por carne bovina livre de desmatamento. Agora, a iniciativa tenta viabilizar a exportação desse produto fora da cota de salvaguarda adotada pelo governo chinês.

Em 2026, a China passou a aplicar uma sobretaxa de 55% sobre as importações brasileiras de carne bovina que ultrapassarem 1,1 milhão de toneladas anuais. Até a última terça-feira (21), cerca de 80% desse limite já havia sido utilizado.

Certificação pode diferenciar produto brasileiro

A proposta está sendo discutida com autoridades chinesas, mas ainda enfrenta resistência. Para o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), responsável pelo programa, a carne certificada não deve ser tratada como uma commodity tradicional, já que oferece garantias de rastreabilidade, origem e conformidade ambiental.

Segundo Louise Nakagawa, coordenadora de projetos do Imaflora, a certificação atende aos compromissos de sustentabilidade assumidos pela China e poderia abrir uma alternativa para exportações sem incidência da sobretaxa. Apesar disso, ela afirma que o governo chinês tem mantido uma postura cautelosa nas negociações.

Mercado pode pagar até 10% a mais pela carne certificada

O Beef on Track pretende conectar produtores, frigoríficos, varejistas, compradores e instituições financeiras, agregando valor à carne brasileira destinada a mercados que exigem comprovação de origem.

De acordo com o Imaflora, compradores chineses demonstram disposição para pagar um prêmio de até 10% sobre o valor da carne certificada, desde que o produto cumpra os critérios ambientais e de rastreabilidade estabelecidos pelo programa.

Lançamento comercial está previsto para 2027

Ao longo de 2026, o projeto está estruturando seus padrões técnicos, auditorias, cadeia de custódia e validações institucionais. Após a conclusão dos testes, o sistema será submetido à aprovação do Inmetro e, posteriormente, do órgão regulador equivalente na China.

Somente após essas etapas o selo Beef on Track poderá ser utilizado oficialmente nas exportações.

Acordo prevê embarque inicial de 50 mil toneladas

Em junho, o Imaflora firmou um acordo com a Tianjin Meat Association (TMA), entidade que reúne cerca de 100 empresas da região de Tianjin, importante polo importador de carne brasileira.

O compromisso inicial prevê o envio de 50 mil toneladas de carne, o equivalente a aproximadamente 2,5 mil contêineres de 20 toneladas, utilizando o porto de Tianjin, considerado o maior porto de águas profundas da China.

Sistema aproveita mecanismos de rastreabilidade já existentes

O programa não cria um novo sistema de controle, mas reconhece modelos já utilizados no Brasil, como o Passaporte Verde, de Mato Grosso, o sistema de rastreabilidade do Pará e mecanismos próprios dos frigoríficos.

A certificação possui quatro categorias: bronze, prata, ouro e platina. O nível máximo exige desmatamento zero, rastreabilidade de fornecedores indiretos e elevados padrões socioambientais, sendo o mais valorizado por grandes compradores internacionais, como McDonald’s, Carrefour e Walmart.

Segundo o Imaflora, frigoríficos que já alcançam desempenho superior a 95% nas auditorias dos Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) do Ministério Público Federal poderão receber automaticamente a certificação Bronze, sem necessidade de novas auditorias, reduzindo custos de adesão.

Abiec pede integração com sistemas já existentes

Em nota, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) informou que acompanha iniciativas voltadas à certificação, mas defende que novos selos sejam compatíveis com os sistemas atualmente utilizados pelo setor.

A entidade afirma que novas exigências não devem criar sobreposições ou depender de estruturas públicas ainda inexistentes, evitando impactos à produção.

A Abiec também cita um estudo publicado na edição chinesa do Financial Times, segundo o qual a exigência chinesa por bovinos com até 30 meses tem incentivado maior eficiência produtiva no Brasil, contribuindo para a redução das emissões por quilo de carne produzida.

Por fim, a associação reforça que a pecuária brasileira já opera dentro da legislação vigente e que o avanço da sustentabilidade, da rastreabilidade e da carne bovina certificada deve ocorrer por meio do fortalecimento dos instrumentos já existentes.

FONTE: Globo Rural

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução/Globo Rural

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Agronegócio

China busca reduzir dependência do agro brasileiro e acende alerta para exportações do Brasil

A relação comercial entre Brasil e China transformou o agronegócio brasileiro nas últimas décadas. O país asiático se tornou o principal destino das exportações nacionais e ajudou o Brasil a alcançar sucessivos recordes de vendas externas. Agora, porém, Pequim trabalha em uma estratégia para diminuir sua dependência de fornecedores estrangeiros, movimento que pode afetar especialmente setores como soja, carnes e proteínas agrícolas.

Em 2025, as vendas brasileiras para o mercado chinês alcançaram cerca de US$ 100 bilhões, superando qualquer outro destino comercial. O ritmo permaneceu elevado em 2026: entre janeiro e junho, as exportações para a China somaram US$ 58,322 bilhões, alta de 21,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Enquanto isso, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 13% no mesmo período, impactadas pelas novas tarifas impostas pelo governo norte-americano sobre produtos brasileiros.

China investe em segurança alimentar e produção própria

Embora a demanda chinesa continue sendo fundamental para o agronegócio brasileiro, o país asiático passou a tratar a dependência externa de alimentos como uma questão estratégica.

A mudança está prevista no novo 15º Plano Quinquenal Nacional da China (2026-2030), que estabelece metas para ampliar a produção doméstica de grãos, fortalecer a indústria de sementes, aumentar o uso de inteligência artificial na agricultura e desenvolver novas fontes de proteína.

Segundo Larissa Wachholz, coordenadora do Programa Ásia e do Grupo de Análise da China do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Pequim considera a elevada dependência de importações uma vulnerabilidade diante de cenários como guerras, crises logísticas e disputas comerciais.

A estratégia, porém, não significa uma interrupção imediata das compras brasileiras. O objetivo é reduzir gradualmente a exposição externa por meio de tecnologia, inovação e aumento da produtividade interna.

Soja brasileira pode enfrentar mudanças no longo prazo

A soja é um dos principais produtos envolvidos nessa transformação. Atualmente, a China depende fortemente das importações do grão, utilizado principalmente na produção de ração animal.

Dados do relatório China’s Food Future, da consultoria Systemiq, indicam que as compras chinesas de soja podem cair aproximadamente 25% até 2030, redução equivalente a cerca de 23,5 milhões de toneladas.

Entre os fatores que podem influenciar essa queda estão avanços na eficiência da alimentação animal, aumento da produtividade agrícola e o desenvolvimento de alternativas como fermentação de precisão, biotecnologia e novas formas de produção de proteínas.

Para Ricardo Abramovay, professor sênior do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (USP), a expansão da produção brasileira de soja está diretamente ligada ao fornecimento de proteína para animais, e não ao consumo humano direto.

Dependência chinesa foi criada pelo avanço econômico

A transformação alimentar da China acompanha a expansão econômica do país desde o fim dos anos 1970. Com o aumento da renda da população, houve crescimento expressivo no consumo de carne, leite, ovos e alimentos processados.

Para atender essa mudança de padrão alimentar, Pequim ampliou a importação de matérias-primas agrícolas, principalmente soja.

O desafio está relacionado às limitações territoriais chinesas: o país concentra aproximadamente um quinto da população mundial, mas possui menos de 10% das terras agricultáveis do planeta e cerca de 6% dos recursos hídricos globais.

Durante anos, a combinação entre produção doméstica e importações permitiu sustentar o crescimento do consumo. Agora, porém, a liderança chinesa busca reduzir riscos associados às cadeias internacionais de abastecimento.

Modelo chinês segue estratégia de tecnologia e indústria

Especialistas avaliam que a nova política alimentar chinesa segue lógica semelhante à adotada em setores como energia solar, baterias e veículos elétricos.

O historiador econômico Adam Tooze, da Universidade Columbia, aponta que Pequim utiliza planejamento estatal, financiamento direcionado e integração entre empresas, universidades e centros de pesquisa para desenvolver setores estratégicos.

Segundo ele, uma eventual redução da dependência alimentar chinesa poderia provocar mudanças significativas na economia agrícola global construída nas últimas décadas.

Brasil precisa transformar produção em valor agregado

A possibilidade de redução das compras chinesas já preocupa representantes do agronegócio brasileiro.

A senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, afirma que o Brasil precisa acompanhar de perto os movimentos da China e preparar alternativas para um cenário de menor crescimento da demanda.

Segundo ela, um dos pontos de atenção é o avanço da biotecnologia agrícola chinesa e o desenvolvimento de sementes próprias, incluindo variedades geneticamente modificadas.

A China estabeleceu como meta elevar para 85% a autossuficiência em sementes consideradas estratégicas, avanço que pode reduzir a necessidade de importação no futuro.

Para a ex-ministra, uma resposta brasileira passa pela agregação de valor, transformando commodities em produtos de maior valor comercial.

Entre as oportunidades estão o processamento de soja e milho em proteínas animais, além do desenvolvimento de mercados ligados à transição energética, como o combustível sustentável de aviação (SAF).

Relação comercial continua estratégica, mas exige adaptação

Apesar dos desafios, especialistas não projetam uma ruptura entre Brasil e China. A expectativa é que o país asiático continue sendo um grande comprador de produtos brasileiros por muitos anos.

O principal alerta é evitar que empresas e governos mantenham estratégias de longo prazo baseadas na ideia de crescimento contínuo da demanda chinesa.

Para Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, a instabilidade global pode até reforçar a posição brasileira como fornecedor confiável de alimentos.

No entanto, especialistas defendem que o Brasil amplie sua presença internacional, monitore mudanças no mercado chinês e invista em inovação para preservar sua competitividade.

Desde que a China assumiu a liderança como principal destino das exportações brasileiras, em 2009, o país asiático foi fundamental para consolidar o Brasil como uma das maiores potências agrícolas do mundo. O próximo desafio será equilibrar essa parceria com a preparação para um cenário em que a China continuará comprando, mas buscará depender menos de fornecedores externos.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Bloomberg via Getty Images/BBC

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Agronegócio

Soja brasileira mantém competitividade mesmo com novas compras da China nos Estados Unidos

Mesmo com a soja dos Estados Unidos sendo negociada a valores superiores aos da produção brasileira, a China continua fechando novos contratos de importação com os norte-americanos. Nesta segunda-feira, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou a venda de 374 mil toneladas da safra 2026/27, sendo 264 mil toneladas destinadas à China e outras 110 mil toneladas para compradores não identificados.

No mercado, parte dessas aquisições é interpretada como uma decisão de caráter político e estratégico, já que o produto norte-americano segue menos competitivo em relação à soja brasileira.

Até o momento, compradores chineses já reservaram 427 navios de soja dos Estados Unidos, com embarques concentrados entre setembro e outubro. Do Brasil, foram contratados 47 navios, além de cinco provenientes de Argentina, Uruguai e Canadá.

Logística favorece embarques antecipados dos Estados Unidos

Segundo o estrategista sênior de agricultura da Marex, Eduardo Vanin, os embarques programados para setembro correspondem à soja cultivada na região do Delta, nos Estados Unidos, onde o plantio ocorre mais cedo, permitindo colheita e exportação antecipadas.

Além disso, essa produção utiliza os portos do Golfo, que oferecem uma logística mais eficiente e custos menores em comparação com outras regiões produtoras do país.

Brasil segue competitivo e garante bons preços

Apesar dessa vantagem logística inicial, Vanin avalia que a soja brasileira continuará mais competitiva ao longo da temporada. Segundo ele, mesmo operando com um desconto em relação ao ano anterior, o Brasil mantém preços atrativos devido ao elevado custo da soja norte-americana.

O especialista destaca que os prêmios praticados nos Estados Unidos permanecem elevados tanto no mercado interno quanto nas exportações, além do preço internacional da commodity estar acima do observado no Brasil. Esse cenário favorece as vendas brasileiras durante a janela de exportação entre setembro e dezembro.

Custos nos EUA limitam queda dos preços da soja americana

Na avaliação do analista, dificilmente a soja produzida nos Estados Unidos ficará mais barata do que a brasileira nos próximos meses.

Entre os fatores que sustentam essa expectativa estão o aumento dos custos logísticos, com fretes ferroviários e hidroviários em alta, a maior demanda pelos portos do Pacífico e o crescimento da indústria de processamento de soja no país. As margens positivas do esmagamento também contribuem para manter os preços elevados.

Outro fator apontado é a permanência das tarifas sobre a soja americana, que reduzem ainda mais sua competitividade. Mesmo sem essas barreiras comerciais, a projeção é de que a soja brasileira continue apresentando preços mais atrativos para o mercado internacional.

Exportações brasileiras devem permanecer fortes em 2026

A expectativa da Marex é que o Brasil encerre 2026 exportando cerca de 113 milhões de toneladas de soja, podendo alcançar 114 milhões de toneladas. Desse total, aproximadamente 86 a 87 milhões de toneladas deverão ter como destino a China.

Segundo Vanin, parte das compras chinesas de soja norte-americana tende a abastecer estoques estratégicos e empresas estatais de processamento, sem representar uma substituição significativa das exportações brasileiras.

Importações chinesas recuam, mas compras do Brasil aumentam

Dados divulgados pela Administração Geral das Alfândegas da China mostram que as importações totais de soja do país caíram 21% em junho, na comparação com o mesmo mês de 2025.

Na direção oposta, os embarques brasileiros registraram crescimento de 13,7%, passando de 10,62 milhões para 12,08 milhões de toneladas no período. No acumulado do primeiro semestre, as importações chinesas de soja do Brasil aumentaram 9,8%, totalizando 34,75 milhões de toneladas, reforçando a liderança brasileira no principal mercado consumidor da commodity.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Agronegócio

Produção de frango na China cresce e pode aumentar pressão sobre exportações brasileiras

Conhecida historicamente como uma das maiores compradoras de alimentos do mundo, a China vem ampliando sua presença também como exportadora de carne de frango. A avaliação consta em um relatório divulgado pelo BTG Pactual, que aponta uma mudança relevante no cenário do comércio internacional do setor.

Com base em dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o banco informa que as exportações chinesas de frango avançaram 41% em 2025, alcançando quase 1,1 milhão de toneladas. Para 2026, a expectativa é de que esse volume chegue a 1,4 milhão de toneladas, posicionando o país como o terceiro maior exportador mundial, atrás apenas de Brasil e Estados Unidos.

Crescimento da produção fortalece presença chinesa

O levantamento indica que a participação da China nas exportações globais de frango deve atingir 9,5% em 2026, acima dos 6% registrados em 2024.

Além disso, o país já ocupa a posição de segundo maior produtor mundial de frango, com previsão de crescimento de 5% na produção em 2026, alcançando 17,3 milhões de toneladas.

Concorrência internacional pode pressionar preços

Na avaliação do BTG Pactual, o aumento da oferta chinesa no mercado externo tende a intensificar a concorrência entre os principais exportadores e exercer pressão sobre os preços internacionais da carne de frango.

O relatório também ressalta que ainda há pouca transparência em relação aos custos de produção da indústria chinesa, o que dificulta uma análise mais precisa da competitividade do país.

Estratégia de exportação difere do consumo interno

Embora continue importando produtos de grande consumo doméstico, como pés de frango, a China tem ampliado as vendas externas de cortes menos procurados pelo mercado interno, especialmente o peito de frango — justamente o principal produto exportado pelo Brasil nos últimos 12 meses.

Mercado brasileiro pode enfrentar novos desafios

Outro ponto destacado pelo relatório é que importantes compradores da carne de frango brasileira, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, estão geograficamente mais próximos da China, fator que pode favorecer a competitividade dos exportadores chineses.

Segundo a análise do banco, caso o país mantenha o ritmo de expansão da produção e amplie seu acesso a novos mercados internacionais, poderá representar um risco estrutural para os preços obtidos pelos exportadores brasileiros de carne de frango.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Canva/Creative Commons

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Agronegócio

Tarifa de Trump pode afetar 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os EUA, estima CNA

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) calcula que 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro destinadas aos Estados Unidos serão impactadas pela tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo norte-americano. A nova cobrança entra em vigor na próxima terça-feira (22), enquanto os outros 63,5% dos embarques devem permanecer livres da sobretaxa.

Lista de exceções foi ampliada, mas parte do agro segue afetada

Segundo a diretora de Relações Internacionais da CNA, Sueme Mori, o governo dos Estados Unidos ampliou a relação de produtos isentos da nova tarifa, incluindo itens relevantes para o agronegócio nacional, como pescados, mel e café solúvel.

Apesar disso, ela ressalta que uma parcela significativa das exportações brasileiras continuará sujeita ao aumento tarifário.

De acordo com Mori, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) expandiu a lista de exceções para 2.126 linhas tarifárias, número superior ao previsto na proposta inicial divulgada em junho.

A dirigente atribui esse resultado ao trabalho conjunto da CNA e de representantes do setor privado, que apresentaram argumentos técnicos ao governo norte-americano em defesa dos produtos brasileiros.

Ainda segundo a avaliação dos EUA, a ampliação das exceções levou em conta a dependência da indústria americana de determinados insumos fornecidos pelo Brasil, a insuficiência da produção doméstica e os possíveis impactos sobre cadeias produtivas consideradas estratégicas.

Exportações de US$ 4,6 bilhões continuam na lista de taxação

Dados do sistema Agrostat mostram que o agronegócio brasileiro exportou US$ 11,4 bilhões para os Estados Unidos em 2025.

Desse total, cerca de US$ 4,6 bilhões correspondem a produtos que permanecem sujeitos à nova tarifa. Entre eles estão madeira, arroz, uva, ovos, açúcar e outros itens do setor agropecuário.

CNA defende diálogo para preservar a relação comercial

A entidade afirmou ter recebido com preocupação a conclusão da investigação conduzida pelo governo norte-americano, que resultou na imposição da tarifa adicional sobre produtos brasileiros.

Segundo Sueme Mori, a CNA continuará atuando junto às cadeias produtivas afetadas e defendendo soluções que fortaleçam o comércio bilateral entre Brasil e Estados Unidos.

Entidade participou de todo o processo de investigação

A representante destacou que a CNA acompanhou todas as etapas da investigação aberta pelo governo dos EUA, participando de consultas públicas realizadas em Washington e apresentando estudos técnicos ao USTR.

Durante esse processo, a entidade argumentou que a competitividade do agro brasileiro é resultado de décadas de investimentos em produtividade, tecnologia e inovação, e não de práticas comerciais consideradas desleais.

A confederação também solicitou que todos os produtos agropecuários brasileiros fossem retirados da medida, defendendo que as cadeias produtivas dos dois países são complementares e trazem benefícios mútuos.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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Agronegócio

Empresas brasileiras do agro aceleram expansão no Paraguai e ampliam investimentos no país

O Paraguai deixou de ser apenas destino de produtores rurais brasileiros interessados em terras agrícolas e passou a atrair empresas de diversos segmentos do agronegócio. Grandes indústrias, startups e companhias de tecnologia têm intensificado seus investimentos no país, impulsionadas por um ambiente de negócios considerado mais competitivo, custos operacionais reduzidos e incentivos fiscais.

Além da proximidade com o mercado brasileiro, fatores como energia elétrica de baixo custo, estabilidade econômica e políticas de incentivo à produção vêm consolidando o país vizinho como um dos principais polos de investimentos da América do Sul.

Economia em crescimento reforça confiança dos investidores

O cenário econômico favorável tem sido um dos principais motores dessa expansão. Após registrar crescimento de 6,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no último ano, alcançando US$ 49,2 bilhões, o Paraguai mantém perspectivas positivas para 2026, com expectativa de alta de 4,4%, segundo o Banco Central paraguaio.

O fluxo de capital estrangeiro também segue em expansão. Dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) apontam que o país recebeu US$ 1,18 bilhão em investimento estrangeiro direto em 2025, um recorde histórico. Desse total, empresas brasileiras responderam por US$ 76,6 milhões.

Gigantes do agro ampliam presença no mercado paraguaio

Entre os principais investimentos está o retorno da JBS ao Paraguai após oito anos. A companhia anunciou um plano de investimentos de US$ 70 milhões, que será executado ao longo de dois anos.

A primeira etapa incluiu a aquisição da empresa local Pollos Amanecer, especializada na produção de frangos. Segundo Wesley Batista, a decisão foi baseada na competitividade oferecida pelo país, especialmente pela disponibilidade de grãos, mão de obra qualificada e custos de produção mais baixos.

O movimento acompanha uma tendência observada em diferentes áreas do setor agroindustrial, que busca ampliar operações em mercados mais competitivos.

Tecnologia e genética animal também apostam na expansão

O avanço das empresas brasileiras não se limita à indústria frigorífica.

A desenvolvedora de soluções para o campo Agrotis escolheu o Paraguai como primeiro destino de sua expansão internacional, acompanhando clientes brasileiros que passaram a operar no país e demandam sistemas de gestão agrícola.

Já a multinacional Topigs Norsvin, referência mundial em genética suína, inaugurou uma central de inseminação artificial para atender o crescimento da suinocultura paraguaia. O investimento foi de aproximadamente R$ 5 milhões e marca a consolidação da empresa no mercado local.

O segmento de startups também acompanha esse movimento. A proptech Reland, especializada na comercialização de imóveis rurais, estruturou operações no Paraguai para atender principalmente investidores brasileiros interessados em propriedades agrícolas.

Lei da Maquila amplia competitividade industrial

Um dos principais atrativos para empresas estrangeiras é a Lei da Maquila, política vigente desde 1997 que concede benefícios fiscais para indústrias voltadas à exportação.

Pelo regime, empresas podem importar máquinas e matérias-primas com isenção tributária e recolher apenas um imposto de 1% sobre o valor agregado durante o processo produtivo.

Atualmente, mais de 300 empresas utilizam esse modelo, que tem impulsionado a industrialização e fortalecido as exportações paraguaias.

Nos primeiros quatro meses de 2026, as empresas enquadradas na Lei da Maquila exportaram cerca de US$ 471 milhões, sendo o Brasil o principal destino das mercadorias.

Baixa carga tributária e energia barata impulsionam investimentos

Além dos incentivos industriais, o sistema tributário paraguaio é considerado um diferencial competitivo.

O país adota o chamado modelo 10-10-10, composto por 10% de Imposto sobre Valor Agregado (IVA), 10% de imposto de renda empresarial e 10% de imposto de renda da pessoa física.

Outro fator relevante é o custo da energia elétrica, abastecida majoritariamente pela usina de Itaipu, o que garante tarifas significativamente inferiores às praticadas no Brasil.

Os custos trabalhistas também são menores, já que a legislação local prevê encargos reduzidos em comparação ao modelo brasileiro.

Infraestrutura avança com a Rota Bioceânica

Apesar das vantagens competitivas, especialistas apontam que a infraestrutura logística ainda representa um desafio para alguns segmentos industriais.

Entretanto, a expectativa é de melhora com a implantação da Rota Bioceânica, corredor rodoviário que ligará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico.

A nova rota deverá facilitar o transporte de commodities e reduzir custos logísticos para empresas exportadoras instaladas no Paraguai.

Mercado exige planejamento antes da expansão

Embora o ambiente de negócios seja favorável, especialistas alertam que instalar uma operação no Paraguai exige planejamento estratégico.

Questões como certificações sanitárias, registros regulatórios, logística internacional e características de cada segmento precisam ser avaliadas antes da migração de parte da produção.

Em alguns casos, modelos híbridos — mantendo parte da operação no Brasil e outra no Paraguai — podem oferecer melhores resultados do que a transferência integral das atividades.

Além disso, empresários destacam que o mercado interno paraguaio é relativamente pequeno, tornando mais vantajoso utilizar o país como plataforma de produção e exportação para outros mercados da América do Sul.

FONTE: AG Feed
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/AG Feed

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Agronegócio

Safra de milho em MT tem boa produtividade, mas preços baixos reduzem rentabilidade dos produtores

A safra de milho da segunda temporada em Tapurah, no médio-norte de Mato Grosso, apresenta resultados positivos no campo, porém o desempenho produtivo não tem se refletido no bolso dos produtores. Apesar das boas médias de produtividade, a combinação entre a queda no preço do milho e os descontos aplicados sobre grãos avariados compromete a rentabilidade da atividade.

Produtores da região afirmam que o valor recebido pela comercialização do cereal está abaixo do necessário para cobrir os custos de produção, dificultando a organização financeira e o planejamento da próxima safra.

Produtividade atende às expectativas nas lavouras

A colheita já alcançou cerca de 70% dos 180 mil hectares cultivados em Tapurah. As condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo garantiram desempenho dentro do esperado na maior parte das áreas.

Na propriedade do agricultor Régis Adriano Desordi Porazzi, mais de 60% dos 800 hectares plantados já haviam sido colhidos. Segundo ele, o prolongamento das chuvas favoreceu o desenvolvimento da cultura, inclusive nas áreas semeadas mais tarde.

De acordo com o produtor, até mesmo o milho plantado fora da janela considerada ideal apresentou rendimento satisfatório, mantendo as expectativas de produtividade previstas para esta safra.

Situação semelhante ocorre na fazenda de Silvésio de Oliveira, onde o milho ocupa aproximadamente 1.330 hectares. Mais da metade da área já foi colhida, com parte da produção destinada aos armazéns e outra armazenada em silo bolsa para facilitar a logística da operação.

Doença fúngica afetou parte da qualidade dos grãos

Embora a produtividade tenha sido positiva em boa parte das lavouras, algumas áreas enfrentaram problemas relacionados à incidência de doenças fúngicas.

Segundo Silvésio, as chuvas registradas durante o mês de junho favoreceram o avanço da doença em determinadas variedades, elevando o percentual de grãos avariados. Em uma área de 214 hectares, a expectativa é de índices entre 15% e 18% de grãos com danos, enquanto outras cultivares praticamente não apresentaram perdas de qualidade.

Preço do milho compromete o caixa das propriedades

Se a produção trouxe resultados satisfatórios no campo, a comercialização passou a ser o principal desafio dos agricultores.

Com aproximadamente metade da produção já negociada, produtores relatam que a queda nas cotações ocorreu justamente no período em que muitos precisaram vender o cereal para manter o fluxo de caixa das propriedades.

Régis afirma que a redução dos preços praticamente eliminou a margem de lucro da atividade. Segundo ele, mesmo alcançando uma produtividade considerada boa, os elevados custos de produção impedem um retorno financeiro satisfatório, tornando cada vez mais difícil manter a viabilidade econômica da lavoura.

Descontos na classificação ampliam prejuízos

Além dos preços mais baixos, agricultores também demonstram preocupação com os descontos aplicados durante a classificação dos grãos avariados no momento da entrega da produção.

Na avaliação dos produtores, os critérios adotados pelas empresas aumentam as perdas financeiras justamente em uma safra que registrou problemas sanitários em parte das lavouras.

Silvésio destaca que cargas com maior percentual de grãos danificados acabam reduzindo significativamente a rentabilidade, afetando o resultado final da produção.

Sindicato aponta dificuldade para cobrir os custos

O presidente do Sindicato Rural de Tapurah, Dirceu Luiz Dezem, afirma que muitos produtores acabam vendendo o milho por necessidade imediata de recursos para custear despesas como combustível, manutenção de máquinas, pagamento de funcionários e oficinas.

Segundo ele, a limitação da capacidade de armazenagem e o cumprimento de contratos deixam o agricultor sem alternativas, obrigando-o a aceitar preços considerados insuficientes e descontos que considera prejudiciais.

Aprosoja orienta produtores a contestarem classificações

O presidente da Aprosoja Brasil e da Aprosoja Mato Grosso, Luiz Costa Beber, defende maior equilíbrio por parte das empresas na classificação dos grãos quando os problemas são consequência de fatores climáticos ou sanitários fora do controle do produtor.

Ele lembra que agricultores que discordarem da classificação podem solicitar o acompanhamento de profissionais da entidade durante a entrega da produção. Caso sejam identificadas divergências, é possível realizar uma auditoria e, se necessário, contar com um segundo classificador para garantir maior transparência no processo.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

El Niño forte pode reduzir produtividade de soja, milho, café e laranja na safra 2026/27

O avanço de um El Niño de forte intensidade pode influenciar diretamente a produção agrícola brasileira durante a safra 2026/27. As projeções climáticas indicam que o fenômeno tem potencial para atingir a classificação de “muito forte” entre setembro e novembro, período que coincide com o início do plantio de importantes culturas no país.

Embora a intensidade definitiva ainda dependa de novas análises, especialistas acompanham a evolução do aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que pode alcançar cerca de 2°C acima da média histórica, cenário característico de um El Niño muito forte.

O alerta foi apresentado pelo pesquisador do Observatório de Bioeconomia da FGV Agro e professor da Fundação Getulio Vargas, Eduardo Assad, durante um encontro com jornalistas promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS).

Segundo o pesquisador, a definição oficial sobre a intensidade do fenômeno deve ocorrer no fim de julho, mas os principais modelos climáticos internacionais apontam uma elevada probabilidade de fortalecimento nos próximos meses.

Impactos podem reduzir a produtividade agrícola

De acordo com Assad, episódios intensos de El Niño costumam provocar perdas importantes na produtividade das lavouras brasileiras.

Como referência, ele citou o ciclo 2024/25, quando os efeitos climáticos contribuíram para uma redução de até 10% na produção nacional, conforme dados da Conab. O pesquisador ressaltou que isso não representa perda total da safra, mas uma diminuição significativa no rendimento das culturas.

O período entre setembro e novembro concentra a maior preocupação dos especialistas, devido à combinação de temperaturas elevadas e irregularidade na distribuição das chuvas em diferentes regiões produtoras.

Soja, milho, café e laranja estão entre as culturas mais vulneráveis

Os impactos variam conforme a região do país. No Centro-Oeste e em parte da Região Norte, o calor intenso aliado ao déficit hídrico pode comprometer principalmente as lavouras de soja e milho.

No Sudeste, culturas permanentes como café e laranja aparecem entre as mais sensíveis às mudanças climáticas. A falta de água durante a florada, associada às altas temperaturas, pode provocar o abortamento das flores e reduzir significativamente o potencial produtivo.

Já na Região Sul, o cenário tende a ser diferente. A previsão é de excesso de chuvas acompanhado por temperaturas acima da média, condição que também pode causar prejuízos às lavouras.

Risco de replantio pode elevar os custos da safra

Outro fator de preocupação é o comportamento das chuvas durante o início do plantio da soja. O pesquisador da FGV Agro, Guilherme Soria Bastos Filho, explica que precipitações insuficientes ou concentradas em curtos períodos podem obrigar produtores a realizar o replantio das áreas cultivadas.

Além do aumento nos custos de produção, essa situação pode atrasar o calendário agrícola e comprometer a janela ideal para o cultivo do milho segunda safra, elevando os riscos para toda a cadeia de grãos.

O especialista lembra que situação semelhante ocorreu em 2023, quando aproximadamente três milhões de hectares de soja precisaram ser replantados.

Apesar das preocupações, Bastos destaca que os efeitos não serão uniformes em todo o território nacional. Em razão da dimensão continental do Brasil, algumas regiões podem registrar perdas, enquanto outras podem até apresentar ganhos de produtividade, reduzindo parte dos impactos nacionais.

Seguro rural e agricultura de baixo carbono ganham importância

Os pesquisadores defendem que o fortalecimento do seguro rural é uma das principais estratégias para reduzir os prejuízos financeiros causados por eventos climáticos extremos. No entanto, avaliam que a ferramenta ainda recebe investimentos abaixo do necessário dentro da política agrícola brasileira.

Outra medida considerada essencial é a ampliação das práticas de agricultura de baixo carbono, previstas no Plano ABC e incentivadas pelo Plano Safra.

Segundo Eduardo Assad, produtores que adotam tecnologias conservacionistas, como recuperação de áreas degradadas, sistemas integrados de produção, plantio de árvores e manejo sustentável do solo, apresentaram perdas significativamente menores durante eventos climáticos recentes.

Setor agrícola precisa ampliar capacidade de adaptação

Mesmo sem consenso científico de que as mudanças climáticas estejam aumentando a frequência do El Niño, os especialistas alertam que a intensificação dos eventos extremos exige maior capacidade de adaptação por parte da agropecuária brasileira.

A adoção de tecnologias sustentáveis, investimentos em gestão de riscos e planejamento climático são apontados como medidas fundamentais para aumentar a resiliência do setor diante dos desafios impostos pelo clima.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação Fundecitrus

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