Turismo

Turismo internacional: Brasil supera 4 milhões de chegadas em voos até julho

O Brasil registrou mais de 4 milhões de chegadas de turistas internacionais por via aérea entre janeiro e julho de 2026. O volume representa aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas cerca de 3,5 milhões de chegadas.

Os números fazem parte do Painel da Embratur, elaborado a partir de informações da Polícia Federal e do Ministério do Turismo. O levantamento considera exclusivamente visitantes que residem fora do Brasil.

O desempenho reforça a importância da aviação internacional para a conexão do país com diferentes mercados. O avanço foi mais expressivo no início do ano, período marcado pelo verão brasileiro e por uma maior demanda de turistas estrangeiros.

Chegadas aéreas crescem principalmente no início do ano

Janeiro apresentou o maior ritmo de crescimento entre os primeiros meses de 2026. As chegadas internacionais por avião aumentaram 22,1% na comparação com janeiro de 2025.

Em fevereiro, a alta chegou a 15,4%, enquanto março registrou crescimento de 21,3%. O movimento permaneceu elevado durante o período do Carnaval.

A partir de abril, o avanço perdeu intensidade, mas continuou positivo. As variações foram de 2,13% em abril, 6,51% em maio, 1,01% em junho e 2,72% em julho.

Argentina lidera origem dos turistas que chegam de avião

A Argentina foi o principal mercado de origem dos turistas que chegaram ao Brasil por via aérea nos sete primeiros meses do ano. Foram aproximadamente 1,12 milhão de chegadas.

O número argentino ficou próximo do dobro do registrado pelo segundo colocado, o Chile, responsável por cerca de 506 mil chegadas.

Na sequência aparecem os Estados Unidos, com 430 mil visitantes, Portugal, com 177 mil, e França, com 140 mil.

A presença de outros países da América do Sul entre os principais mercados evidencia a relevância das conexões aéreas internacionais para a integração regional. Mesmo com a proximidade geográfica, o transporte aéreo continua desempenhando papel importante na ligação do Brasil com seus vizinhos.

São Paulo e Rio concentram chegadas internacionais

Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro concentraram a maior parcela dos turistas estrangeiros que desembarcaram no país em voos internacionais.

São Paulo recebeu cerca de 1,64 milhão de chegadas, enquanto o Rio de Janeiro contabilizou 1,47 milhão no período.

A concentração está diretamente relacionada à presença dos dois principais hubs aeroportuários internacionais do Brasil: o Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, e o Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro. Os terminais concentram grande parte das conexões entre o país e o exterior.

Santa Catarina aparece na sequência, com 384,5 mil chegadas, seguida pela Bahia, com 122,1 mil, e Pernambuco, com 90,6 mil.

Aviação cresce enquanto fluxo internacional total recua

O resultado do transporte aéreo ganha destaque quando comparado ao fluxo total de turistas internacionais que chegaram ao Brasil.

Somando os acessos por avião, estrada, mar e rios, o país contabilizou 5,87 milhões de chegadas internacionais entre janeiro e julho de 2026. O resultado representa uma queda de 1,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Na aviação, entretanto, o cenário foi diferente. Considerando apenas as chegadas por via aérea, houve crescimento de 12% nos sete primeiros meses de 2026.

Os dados indicam que o transporte aéreo foi um dos principais vetores de sustentação do fluxo de visitantes estrangeiros no período.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Exportação

Exportações da Argentina para o Brasil crescem 6,9% em agosto de 2026

As exportações da Argentina para o Brasil avançaram 6,9% em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Câmara Argentina de Comércio e Serviços (CAC). O resultado representa o sexto mês consecutivo de crescimento das vendas argentinas ao mercado brasileiro.

O comércio bilateral entre Argentina e Brasil movimentou US$ 2,578 bilhões em agosto. O valor ficou 3,2% abaixo dos US$ 2,663 bilhões registrados em agosto de 2025. Em relação a julho deste ano, porém, houve alta de 0,3%.

Argentina aumenta vendas ao mercado brasileiro

As exportações argentinas somaram US$ 1,099 bilhão em agosto, enquanto as compras de produtos brasileiros chegaram a US$ 1,479 bilhão.

Com isso, a Argentina registrou déficit comercial de US$ 380 milhões no intercâmbio com o Brasil durante o mês.

O crescimento das vendas argentinas foi impulsionado principalmente por produtos como polímeros de etileno em formas primárias, veículos destinados ao transporte de mercadorias e a usos especiais, leite, creme de leite e outros produtos lácteos, além de óleo combustível derivado de petróleo.

Na direção contrária, a queda de 9,6% nas importações argentinas provenientes do Brasil esteve relacionada principalmente à redução das compras de veículos rodoviários, peças e acessórios para automóveis e veículos destinados ao transporte de passageiros.

Déficit comercial argentino diminui em 2026

Considerando os oito primeiros meses de 2026, o comércio bilateral gerou um saldo negativo de US$ 1,635 bilhão para a Argentina.

Apesar de permanecer deficitário, o resultado representa uma melhora expressiva em relação ao mesmo período de 2025. Entre janeiro e agosto do ano passado, o déficit argentino havia alcançado US$ 4,103 bilhões.

Ainda assim, agosto manteve a trajetória negativa iniciada em janeiro de 2026. Segundo o levantamento da CAC, o resultado também se deteriorou em relação aos quatro meses anteriores.

Argentina ganha espaço entre fornecedores do Brasil

A Argentina ficou na quarta posição entre os principais fornecedores do Brasil em agosto, considerando o valor das importações brasileiras.

A liderança ficou com China, Hong Kong e Macau, com US$ 6,609 bilhões, seguidos pelos Estados Unidos, com US$ 4,014 bilhões, e pela Alemanha, com US$ 1,411 bilhão.

Do lado das exportações brasileiras, a Argentina ocupou a terceira colocação entre os principais mercados compradores no mês.

China, Hong Kong e Macau lideraram, com US$ 8,340 bilhões em compras, enquanto os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com US$ 3,190 bilhões.

Exportações brasileiras também crescem

O desempenho do comércio exterior do Brasil apresentou expansão em agosto. As exportações brasileiras para o mercado internacional passaram de US$ 29,559 bilhões em agosto de 2025 para US$ 33,158 bilhões no mesmo mês de 2026, uma alta de 12,2%.

As importações também aumentaram. O valor subiu 9,3%, de US$ 23,578 bilhões para US$ 25,763 bilhões na comparação anual.

Com exportações superiores às importações, o Brasil encerrou agosto com superávit comercial de US$ 7,395 bilhões. Foi o 18º mês consecutivo em que a balança comercial brasileira apresentou resultado positivo.

FONTE: Cámara Argentina de Comercio y Servicios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CAC

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Exportação

Milho argentino ganha competitividade e desafia exportações brasileiras em setembro

A Argentina vem ampliando sua presença no mercado internacional de milho justamente quando o Brasil enfrenta dificuldades para manter o ritmo de exportações observado em 2025. Com oferta elevada e preços competitivos, os argentinos caminham para um volume recorde de embarques, enquanto as primeiras estimativas para setembro indicam exportações brasileiras de milho inferiores às registradas no mesmo mês do ano passado.

A expectativa é que a Argentina embarque cerca de 10 milhões de toneladas de milho entre agosto e setembro, segundo informações divulgadas pela Reuters nesta semana.

O desempenho é favorecido pela perspectiva de uma safra 2025/26 recorde, estimada em 71,7 milhões de toneladas, além da demanda internacional provocada por problemas na oferta de milho da Ucrânia e perdas relacionadas ao calor em algumas regiões europeias.

Argentina amplia vantagem no mercado internacional

Gustavo Idigoras, presidente da CIARA-CEC, entidade que reúne exportadores e processadores argentinos, afirma que o milho do país ganhou força tanto em preço quanto em disponibilidade.

Essa combinação coloca a Argentina em posição favorável na disputa por compradores internacionais, principalmente em um momento de maior necessidade de reposição de estoques e de incertezas sobre a oferta de outros grandes produtores.

Para o Brasil, o avanço argentino representa uma pressão adicional sobre o programa de exportação de milho em 2026.

Brasil deve exportar menos milho em setembro

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta embarques brasileiros de aproximadamente 5,2 milhões de toneladas de milho em setembro.

Se a estimativa se confirmar, o resultado ficará abaixo das quase 7 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil no mesmo mês de 2025.

Além da concorrência argentina, o milho brasileiro enfrenta neste ano a disputa com a oferta dos Estados Unidos e com uma demanda interna mais forte. O setor de etanol, por exemplo, tem ampliado a utilização do cereal no mercado doméstico.

Os dados iniciais de setembro reforçam o cenário de desaceleração. Nos quatro primeiros dias úteis do mês, foram embarcadas 1,13 milhão de toneladas, com média diária de 281,6 mil toneladas.

O ritmo representa uma queda de 18,1% em relação à média diária de 343,8 mil toneladas registrada em setembro de 2025.

Ritmo melhora em relação a agosto

Apesar da comparação negativa com o ano passado, os embarques brasileiros mostram recuperação quando comparados a agosto.

No mês anterior, o país exportou, em média, 221,7 mil toneladas por dia. Assim, a média registrada nos primeiros dias de setembro é aproximadamente 27% maior.

A questão agora é saber se essa aceleração será suficiente para aproximar o desempenho brasileiro dos níveis registrados em 2025 ou se o volume projetado pela Anec acabará se confirmando.

Argentina é apontada como risco para exportações brasileiras

A maior oferta argentina já vinha sendo considerada um fator de atenção para o mercado brasileiro de milho.

Em entrevista recente ao Notícias Agrícolas, Luiz Fernando Gutierrez, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, afirmou que o ritmo dos embarques brasileiros estava abaixo das expectativas e apontou a Argentina como uma das principais ameaças ao desempenho nacional.

Segundo o analista, a combinação entre disponibilidade elevada e preços competitivos aumenta a disputa entre Brasil e Argentina por compradores internacionais.

A Hedgepoint estima que o Brasil poderá exportar aproximadamente 41 milhões de toneladas de milho em 2026, volume próximo ao registrado em 2025. No entanto, Gutierrez avalia que essa projeção pode ser revisada para baixo caso o ritmo dos embarques continue abaixo do esperado.

Milho dos EUA perde parte da competitividade

A concorrência internacional também envolve os Estados Unidos, outro importante fornecedor de milho.

Eduardo Vanin, analista e estrategista sênior da Marex e da Agrinvest, avaliou em entrevista ao Notícias Agrícolas que a recente valorização do milho na Bolsa de Chicago reduziu a vantagem competitiva que o produto americano vinha apresentando nos últimos dois anos.

Na avaliação do especialista, o aumento das cotações está relacionado, em parte, às incertezas sobre os fluxos de grãos pelo Mar Negro.

Com preços mais elevados, o milho americano pode perder parte do espaço que vinha ocupando na disputa com o produto brasileiro no mercado internacional.

Próximas semanas serão decisivas para o milho brasileiro

Ainda não é possível afirmar que o avanço das exportações argentinas esteja retirando diretamente compradores do Brasil. O cenário observado até agora é de maior oferta argentina e preços competitivos em um período no qual os embarques brasileiros seguem abaixo do ritmo registrado em 2025.

As próximas semanas serão importantes para determinar se a recuperação das exportações brasileiras em setembro ganhará força.

Caso o desempenho permaneça inferior ao do ano passado, aumentará a pressão sobre as projeções de exportação de milho do Brasil em 2026, além de crescer a importância do mercado doméstico para absorver a produção disponível.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Itália defende diálogo após suspensão da carne brasileira pela União Europeia

A Itália pretende trabalhar pela redução de barreiras comerciais e pela facilitação das relações com o Brasil após a suspensão das importações de carne brasileira pela União Europeia. A posição foi apresentada nesta quarta-feira (9) pelo ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani.

Segundo o chanceler, eventuais divergências entre os dois lados devem ser tratadas por meio de diálogo diplomático e técnico, sem aumento das tensões políticas.

A União Europeia suspendeu as compras de carne e de outros produtos de origem animal do Brasil. O bloqueio entrou em vigor na quarta-feira (3) e está relacionado a critérios sanitários, incluindo normas europeias de controle e questões envolvendo o uso de antimicrobianos na produção pecuária.

Itália quer facilitar comércio com o Brasil

Ao comentar a suspensão, Tajani afirmou que o governo italiano está disposto a conversar com as autoridades brasileiras em busca de uma solução para o impasse.

Na avaliação do ministro, problemas relacionados a regras sanitárias podem criar obstáculos às relações comerciais, mas as diferenças podem ser enfrentadas por meio de negociações.

A Itália, segundo ele, pretende contribuir para superar as dificuldades, desde que sejam mantidas as exigências estabelecidas pelo bloco europeu.

“Se pudermos dar uma mão ao Brasil, o faremos sempre respeitando as regras europeias”, afirmou Tajani durante conversa com jornalistas antes do início de um encontro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Bloqueio europeu afeta produtos de origem animal

A suspensão das compras europeias envolve a carne brasileira e outros produtos de origem animal. A medida está em vigor desde 3 de setembro e tem como base exigências sanitárias adotadas pela União Europeia.

O cenário cria um novo ponto de atenção para o comércio exterior brasileiro, especialmente para os setores ligados à produção e exportação de proteína animal.

Apesar do bloqueio, a manifestação do governo italiano indica disposição para buscar uma saída negociada, conciliando a manutenção das normas sanitárias europeias com a tentativa de reduzir obstáculos ao comércio.

Missão italiana reúne 100 empresas no Brasil

Tajani está no Brasil acompanhado de uma delegação formada por aproximadamente 100 empresas italianas. A missão empresarial chegou ao país nesta quarta-feira (9), depois de passar pela Argentina.

A visita ocorre em meio ao debate sobre o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu. Nesse contexto, a defesa do diálogo feita pelo chanceler italiano ganha relevância para as relações comerciais entre Brasil e Itália.

A posição de Roma combina o interesse em ampliar e facilitar as relações comerciais com o Brasil com a necessidade de seguir as regras sanitárias e regulatórias estabelecidas pela União Europeia.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Canal Rural Mato Grosso

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Importação

Brasil pode ficar com até 40% da nova cota de importação de carne bovina dos EUA

O Brasil pode conquistar uma fatia de até 40% da nova cota de importação de carne bovina dos Estados Unidos. A medida anunciada pelo presidente americano Donald Trump prevê a entrada adicional de até 300 mil toneladas do produto no mercado dos EUA durante um período de 90 dias.

Pelas estimativas do setor, os frigoríficos brasileiros podem responder por algo entre 90 mil e 120 mil toneladas desse volume. Se a projeção se confirmar, o país terá participação relevante na ampliação das importações americanas.

A iniciativa do governo Trump busca aumentar a oferta de carne bovina nos Estados Unidos e, consequentemente, contribuir para a redução dos preços ao consumidor. Um dos focos é a carne moída utilizada na preparação de hambúrgueres.

Redução do rebanho americano favorece importações

Os Estados Unidos atravessam um período de redução do rebanho bovino, cenário que restringiu a disponibilidade de carne e contribuiu para a alta dos preços.

Para estimular a recomposição da pecuária doméstica, o governo americano também adotou medidas de incentivo aos produtores. No entanto, a recuperação do rebanho exige tempo. Enquanto isso, as importações de carne bovina aparecem como alternativa para ampliar a oferta no curto prazo.

A avaliação é de Fernando Iglesias, analista da Safras & Mercado. Para ele, o Brasil parte de uma posição competitiva devido à dimensão de sua indústria frigorífica e ao número de estabelecimentos autorizados a vender carne para o mercado americano.

Nova cota é diferente do limite já utilizado pelo Brasil

A nova medida não deve ser confundida com a cota que atualmente regula parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos.

Hoje, o Brasil dispõe de uma cota compartilhada de 52,4 mil toneladas que permite a entrada de carne no mercado americano sem a tarifa adicional. De acordo com Iglesias, esse limite foi completamente utilizado em apenas 15 dias.

Depois que a cota é esgotada, os frigoríficos brasileiros ainda podem exportar para os EUA, mas o produto passa a sofrer uma tarifa adicional de 26,4%.

Entre janeiro e agosto, os Estados Unidos importaram 269,1 mil toneladas de carne bovina brasileira, movimentando US$ 1,74 bilhão. O resultado representa crescimento de 28,7% em relação ao mesmo período de 2025.

A nova cota de até 300 mil toneladas, válida por 90 dias, cria uma oportunidade adicional para os exportadores que conseguirem ocupar esse espaço sem a cobrança da tarifa extra.

Brasil aparece entre os principais candidatos

Nem todos os grandes fornecedores de carne dos Estados Unidos disputarão diretamente a nova cota. A Argentina, por exemplo, possui mecanismos próprios de acesso ao mercado americano.

Entre os principais países fornecedores de carne bovina aos EUA estão:

  • Brasil;
  • Austrália;
  • Canadá;
  • México;
  • Nova Zelândia.

Na avaliação de Iglesias, Paraguai e países da América Central estão entre os concorrentes que podem disputar mais diretamente o novo volume com o Brasil.

O país, entretanto, possui vantagens competitivas importantes, principalmente pela capacidade de sua indústria frigorífica e pela quantidade de unidades habilitadas a exportar para os Estados Unidos.

Isso não significa que as 300 mil toneladas serão distribuídas proporcionalmente entre os países. Na prática, os exportadores terão de disputar espaço com base na capacidade de atender à demanda e, principalmente, nos preços oferecidos aos compradores americanos.

Preço dos trimmings pode ser decisivo

Apesar da oportunidade, existe uma questão importante para os frigoríficos brasileiros: o tipo de carne que os Estados Unidos estão buscando.

A demanda está concentrada nos chamados trimmings, cortes e aparas retirados durante o processamento das carcaças e utilizados, entre outras aplicações, na produção de carne moída.

Como esse produto possui menor valor agregado e representa apenas uma parcela da carcaça, os frigoríficos precisam avaliar se a exportação para os EUA é financeiramente vantajosa.

O cálculo envolve o preço oferecido pelos compradores americanos, os custos de exportação e o retorno que o frigorífico poderia obter ao direcionar o mesmo animal para outros mercados.

Segundo Iglesias, as empresas ainda analisam esses fatores antes de definir o quanto poderão destinar aos Estados Unidos.

Alta dos preços pode limitar a operação

Outro ponto de atenção é o equilíbrio entre oferta e preço. Se os valores da carne subirem demais, a operação pode perder atratividade para os compradores americanos.

Nesse cenário, a própria finalidade da nova cota pode ser prejudicada. O objetivo do governo dos Estados Unidos é justamente ampliar a disponibilidade de carne e ajudar a reduzir os preços no mercado interno.

Para o Brasil, portanto, a nova cota representa uma oportunidade de ampliar as exportações, mas a efetiva participação no volume adicional dependerá da competitividade dos frigoríficos e das condições comerciais oferecidas aos importadores americanos.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Comércio Exterior

Exportações aceleram e superávit comercial dispara 233,7% na primeira semana de setembro

Vendas externas somaram US$ 7,30 bilhões até a primeira semana de setembro, enquanto importações chegaram a US$ 5,39 bilhões; no acumulado do ano, saldo positivo já supera US$ 57 bilhões

O comércio exterior brasileiro começou setembro em ritmo forte. Até a primeira semana de setembro de 2026, as exportações alcançaram US$ 7,30 bilhões, alta de 31,7% em relação ao mesmo período de 2025. As importações também avançaram, mas em ritmo mais moderado, somando US$ 5,39 bilhões, crescimento de 8,4%.

O resultado foi um superávit de US$ 1,91 bilhão na balança comercial, uma expansão expressiva de 233,7% na comparação anual. Já a corrente de comércio — soma das exportações e importações — cresceu 20,7%, chegando a US$ 12,69 bilhões.

Os números divulgados nesta terça-feira (08)mostram uma diferença importante entre o ritmo de crescimento das vendas e das compras externas: enquanto as exportações avançaram quase quatro vezes mais que as importações no período, o saldo comercial ganhou força.

Indústria extrativa lidera avanço das exportações

Entre os setores exportadores, a Indústria Extrativa apresentou o crescimento mais expressivo na primeira semana de setembro. As vendas externas do segmento chegaram a US$ 2,26 bilhões, alta de 84,4% frente ao mesmo período de 2025.

A Indústria de Transformação também teve desempenho positivo, com exportações de US$ 3,60 bilhões, crescimento de 17,9%. Já a Agropecuária movimentou US$ 1,41 bilhão, avanço de 15,7%.

O resultado mostra que o desempenho brasileiro no comércio exterior não está concentrado em apenas uma frente. Commodities agrícolas, produtos minerais e itens industrializados contribuíram para ampliar as vendas ao mercado internacional.

Dentro da indústria extrativa, alguns produtos apresentaram altas bastante expressivas. As exportações de minérios de cobre e seus concentrados cresceram 126,5%, enquanto os minérios de metais preciosos e seus concentrados avançaram 1.397,6%.

Outro destaque foi o petróleo bruto, cujas vendas externas aumentaram 151% na comparação com a primeira semana de setembro de 2025.

Na indústria de transformação, o crescimento também foi relevante em produtos como farelo de soja e outros alimentos para animais, com alta de 109,7%, celulose, que avançou 45,9%, e ouro não monetário, com crescimento de 169,7%.

Na agropecuária, o café não torrado registrou alta de 61,7%, enquanto as exportações de soja cresceram 5,8%.

Nem todos os produtos acompanharam a alta

Apesar do resultado positivo das exportações, alguns segmentos registraram retração.

Entre os produtos agropecuários, as vendas de algodão em bruto caíram 6%, enquanto as de sementes oleaginosas de girassol, gergelim, canola, algodão e outras recuaram 68,6%.

Na indústria extrativa, o minério de ferro e seus concentrados apresentou queda de 18,6%, enquanto as vendas de minérios de níquel recuaram 100% e as de minérios de alumínio diminuíram 27%.

Já na indústria de transformação, chamam atenção as quedas nas exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, de 22,5%, e de veículos automóveis de passageiros, de 56,1%.

Importações avançam, puxadas pela indústria

Do lado das compras externas, a Indústria de Transformação continua concentrando a maior parcela das importações brasileiras. O setor movimentou US$ 5,02 bilhões até a primeira semana de setembro, alta de 7,8%. A indústria extrativa somou US$ 270 milhões, crescimento de 32,4%, enquanto a agropecuária registrou US$ 90 milhões, avanço de 3,5%.

Entre os produtos que mais contribuíram para o aumento das importações estão os óleos combustíveis de petróleo, com alta de 108,8%, válvulas, tubos termiônicos, diodos e transistores, que avançaram 84,2%, e veículos automóveis de passageiros, com crescimento de 83,3%.

Também aumentaram as compras externas de soja, que registraram alta de 81,4%, e de milho não moído, com avanço de 23,2%.

Superávit acumulado passa de US$ 57 bilhões

O desempenho de setembro reforça uma trajetória positiva observada ao longo de 2026. No acumulado de janeiro até a primeira semana de setembro, as exportações brasileiras somaram US$ 258,15 bilhões, crescimento de 10,7% em relação ao mesmo período de 2025.

As importações alcançaram US$ 200,93 bilhões, alta de 5%. Com isso, o Brasil acumula um superávit comercial de US$ 57,22 bilhões, crescimento de 36,7% na comparação anual. A corrente de comércio também avançou, chegando a US$ 459,08 bilhões, alta de 8,1%.

Mercado acompanha ritmo das exportações

Os dados da primeira semana de setembro reforçam um cenário de crescimento das operações de comércio exterior brasileiro, especialmente pelo ritmo das exportações.

O avanço de 31,7% nas vendas externas, combinado ao crescimento mais moderado das importações, ampliou significativamente o saldo comercial no período. No acumulado do ano, a diferença entre exportações e importações já ultrapassa US$ 57 bilhões.

Para empresas que atuam em comércio exterior, logística, transporte internacional e operações portuárias, o desempenho também sinaliza um mercado externo movimentado, com forte participação de commodities e expansão em determinados produtos de maior valor agregado.

Mais do que o tamanho do saldo, o ponto de atenção está na velocidade de crescimento das exportações, que começa setembro muito acima do ritmo observado nas importações.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) – Balança Comercial.

Texto: Redação

Imagem: JBS Terminais / Foto Tanajura

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Transporte

Corredores verdes: Brasil amplia participação na descarbonização do transporte marítimo

O Brasil reforçou sua presença na agenda internacional de descarbonização do transporte marítimo ao assinar, em agosto, um Memorando de Entendimento com Singapura para desenvolver um Corredor Verde e Digital de Navegação entre os dois países. A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), que também mantém acordos e estudos com outros parceiros internacionais.

A movimentação acompanha a expansão dos chamados corredores marítimos verdes, projetos que buscam preparar determinadas rotas para a operação de navios abastecidos por combustíveis de baixa ou zero emissão.

O que são os corredores verdes

Os corredores verdes têm como proposta criar condições técnicas, econômicas e regulatórias para que embarcações com menor impacto climático possam operar em rotas específicas.

Para viabilizar esses projetos, diferentes setores precisam atuar de maneira integrada. Governos, portos, armadores, produtores de combustíveis, empresas de tecnologia e instituições de pesquisa participam de discussões sobre infraestrutura portuária, disponibilidade de combustíveis, novas tecnologias, regulamentação, financiamento e qualificação profissional.

O conceito ganhou projeção internacional com a Declaração de Clydebank, apresentada durante a COP26, em 2021. Desde então, os corredores verdes passaram a ser considerados uma ferramenta para testar tecnologias, modelos de negócio e soluções capazes de acelerar a transição energética do transporte marítimo.

De acordo com o Annual Progress Report on Green Shipping Corridors 2025, relatório anual sobre o avanço dessas iniciativas, havia 84 projetos ativos no mundo até outubro de 2025 — 25 a mais que no levantamento anterior.

Iniciativas avançam em diferentes regiões

A expansão dos projetos mostra que a agenda deixou de estar concentrada em poucos mercados. O levantamento identificou novas iniciativas na Ásia, América Latina e África, incluindo quatro projetos na Índia, quatro na China, três no Brasil e dois no Chile. Gana e Quênia também aparecem entre os países com iniciativas.

Mais de 300 organizações estavam envolvidas nos projetos analisados.

Apesar do crescimento, a maior parte dos corredores ainda está em fases preliminares. Das 84 iniciativas, 24 estavam na etapa de iniciação, 44 em exploração e 12 em preparação. Apenas quatro haviam alcançado a fase de realização, na qual começam a ser construídos navios, instalações e infraestrutura ou tem início a operação de transporte marítimo com emissão zero.

Europa e Ásia-Pacífico concentram projetos mais maduros

Algumas das iniciativas mais avançadas estão na Europa e na região Ásia-Pacífico.

Nas rotas entre Estocolmo e Turku e entre Vaasa e Umeå, entre Suécia e Finlândia, o biometano já era utilizado em operações de transporte de passageiros. Na ligação entre Austrália e Ásia, empresas avançaram na contratação de embarcações preparadas para utilizar amônia.

Já o corredor entre Oslo, na Noruega, e Roterdã, nos Países Baixos, reúne projetos de navios movidos a hidrogênio, além de estudos para a criação da infraestrutura necessária ao abastecimento.

Os diferentes modelos mostram que a implantação de um corredor verde não segue uma fórmula única. Cada rota demanda soluções específicas, que podem envolver incentivos regulatórios, recursos públicos, compromissos empresariais e mecanismos financeiros destinados a reduzir os custos da transição.

Custo e infraestrutura são obstáculos

Transformar um acordo ou estudo em uma operação efetiva continua sendo um dos principais desafios dos corredores verdes. Entre as dificuldades apontadas pelo relatório está a diferença de preço entre os combustíveis tradicionais e as alternativas de baixa ou zero emissão.

Outro entrave é a disposição dos proprietários das cargas em absorver custos adicionais relacionados à transição energética.

A implementação também depende de investimentos em novos navios e infraestrutura, além da existência de instalações adequadas para armazenar e abastecer embarcações com combustíveis alternativos. As incertezas relacionadas à regulamentação também podem dificultar decisões de longo prazo.

Mesmo em fases iniciais, porém, os projetos já geram efeitos importantes. As iniciativas têm ampliado a cooperação entre empresas e governos, estimulado a produção e o compartilhamento de conhecimento e aumentado a percepção sobre a importância dos portos na formação de cadeias de abastecimento de combustíveis sustentáveis.

Brasil amplia acordos internacionais

Nesse contexto, o Brasil vem ampliando sua atuação. O acordo firmado com Singapura prevê cooperação para analisar as condições necessárias à formação de uma cadeia de suprimento de combustíveis com emissões de gases de efeito estufa nulas ou próximas de zero na rota entre os dois países.

O memorando também inclui pesquisa e desenvolvimento, estudos para diminuir riscos de investimentos, mecanismos financeiros e digitais, intercâmbio de informações, capacitação profissional e realização de workshops.

A parceria também abre espaço para maior cooperação com um dos principais centros do comércio marítimo global. Durante missão internacional em agosto, o ministro Tomé Franca visitou o Porto de Tuas, onde conheceu soluções de automação portuária, digitalização e sustentabilidade.

A programação incluiu ainda uma reunião com a Autoridade Marítima e Portuária de Singapura e a formalização do memorando de entendimento.

“O Brasil tem muito a contribuir para essa transição. Somos um dos maiores produtores de biocombustíveis do mundo e temos condições favoráveis para desenvolver combustíveis de baixa emissão. A criação de corredores verdes aproxima países, empresas e instituições para transformar esse potencial em soluções para o transporte marítimo”, afirmou Tomé Franca.

Parceria com Noruega e Países Baixos

O acordo com Singapura integra uma rede maior de cooperação internacional conduzida pelo MPor.

Com Noruega e Países Baixos, o Ministério participa das discussões para estruturar um corredor marítimo sustentável ligando o Brasil à Europa. Em junho, representantes dos três países estiveram em Brasília para um workshop sobre a implementação da iniciativa.

Durante o encontro, foi apresentado um estudo de viabilidade técnica que apontou rotas prioritárias e analisou diferentes possibilidades de combustíveis, entre elas biodiesel, amônia e metanol.

As conversas também avançaram para medidas capazes de levar os projetos à fase de implementação. Entre as propostas estão uma maior articulação entre governos, empresas e centros de pesquisa e a criação ou direcionamento de instrumentos de financiamento para navios, portos e terminais envolvidos nos corredores verdes.

Brasil também coopera com a França

A França é outro parceiro do Brasil na agenda de transporte marítimo sustentável.

Uma Declaração de Intenções estabelece cooperação para desenvolver projetos voltados à redução de emissões, incentivar tecnologias de baixa ou quase zero emissão, ampliar o uso de ferramentas digitais, promover pesquisas conjuntas e capacitar profissionais.

O acordo prevê ainda que o lado brasileiro seja coordenado pelo MPor, por meio das Secretarias Nacionais de Portos e de Hidrovias e Navegação.

Potencial brasileiro na transição energética

O avanço das parcerias internacionais ocorre em meio ao crescimento dos corredores verdes em diversas partes do mundo. O Global Maritime Forum aponta que países como Brasil, China e Índia já estabeleceram estratégias e metas relacionadas à transição energética, mas ainda enfrentam o desafio de transformar essas diretrizes em projetos concretos.

Segundo o levantamento, a cooperação entre países, a integração de políticas públicas e o envolvimento antecipado do setor privado podem ajudar a acelerar essa transformação.

Para o Brasil, a agenda combina desafios de infraestrutura e financiamento com oportunidades econômicas. Além de contribuir para a redução das emissões do transporte marítimo, o país reúne condições para ampliar sua participação na produção e no fornecimento de combustíveis de menor impacto climático.

Entre as alternativas com potencial estão biometano, hidrogênio verde, amônia verde e metanol verde, que podem ganhar espaço à medida que os corredores marítimos sustentáveis avançarem.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rafael Medeiros

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Comércio Exterior

Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto

A balança comercial brasileira fechou agosto com saldo positivo de US$ 7,4 bilhões, resultado 23,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. O desempenho foi o terceiro melhor da série para meses de agosto, ficando atrás apenas dos superávits de US$ 9,6 bilhões, em 2023, e de US$ 7,7 bilhões, em 2021.

O resultado foi impulsionado principalmente pelo crescimento das exportações brasileiras, que somaram US$ 33,2 bilhões, avanço de 12,2% em 12 meses. As importações também aumentaram, mas em ritmo inferior, chegando a US$ 25,8 bilhões, alta de 9,2%.

A corrente de comércio, formada pela soma das exportações e importações, alcançou US$ 58,9 bilhões, o maior valor já registrado para um mês de agosto desde o início da série histórica.

Exportações crescem e sustentam o saldo comercial

O aumento das vendas externas foi observado nos principais setores da pauta brasileira. A indústria extrativa exportou US$ 8,3 bilhões, crescimento de 16,4% sobre agosto de 2025.

Na indústria de transformação, as exportações chegaram a US$ 17,2 bilhões, alta de 10,2%. Já a agropecuária registrou US$ 7,4 bilhões em vendas ao exterior, avanço de 11,4%.

Entre os produtos da indústria extrativa, os minérios de cobre e seus concentrados tiveram o maior crescimento, com alta de 223,1%. Também avançaram as exportações de minérios de níquel e concentrados, 120,7%, e de petróleo bruto, 18%. O minério de ferro apresentou crescimento de 20% em valor em parte dos dados setoriais.

Na indústria de transformação, o destaque ficou com os combustíveis, cujas exportações aumentaram 61,6%. As vendas de carnes de aves cresceram 40,5%, enquanto as de farelo de soja e outros alimentos destinados à alimentação animal subiram 36,6%.

Na agropecuária, as exportações de soja aumentaram 14%, as de café não torrado avançaram 24,1% e as vendas de animais vivos, com exceção de pescados e crustáceos, dispararam 174,3%.

Minério de ferro e carne bovina têm queda

Apesar do desempenho positivo da pauta exportadora, alguns produtos apresentaram retração.

As vendas externas de minério de ferro recuaram 10,8% na comparação com agosto de 2025. O resultado refletiu uma queda de 4,4% no preço médio e uma redução de 6,7% no volume embarcado.

A carne bovina brasileira também teve queda nas exportações, de 19,7% em valor. O movimento ocorreu em meio à aproximação do limite de importação definido pela China, principal mercado consumidor da proteína brasileira.

O país asiático estabeleceu uma cota de 1,106 milhão de toneladas para importações sem a cobrança de uma sobretaxa de 55% sobre os volumes que ultrapassarem esse limite.

Europa amplia compras de produtos brasileiros

O crescimento das exportações do Brasil alcançou a maioria dos principais mercados internacionais.

As vendas para a Europa aumentaram 22,1% em agosto, chegando a US$ 7,3 bilhões. Para a África, o avanço foi de 20,5%, para US$ 1,7 bilhão. Já os embarques destinados ao Oriente Médio cresceram 12,6%, totalizando US$ 1,4 bilhão.

Na América do Norte, as exportações brasileiras subiram 11,5%, para US$ 4,6 bilhões. Dentro desse resultado, as vendas aos Estados Unidos cresceram 12,1% em relação a agosto de 2025, mesmo após a entrada em vigor das novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.

A Ásia, principal destino das exportações nacionais, apresentou crescimento mais discreto, de 0,7%, alcançando US$ 13,6 bilhões.

Na América do Sul, por outro lado, houve queda de 1,5%, com as vendas totalizando US$ 3,6 bilhões.

Os números mostram que o avanço das exportações em agosto foi distribuído entre diferentes mercados, com Europa, América do Norte, África e Oriente Médio registrando crescimento de dois dígitos.

Importações avançam 9,2%

As importações brasileiras somaram US$ 25,8 bilhões em agosto, alta de 9,2% ante o mesmo mês do ano passado.

Os bens de capital apresentaram o maior crescimento entre as principais categorias, com alta de 29,3%, para US$ 3,9 bilhões. As compras de bens de consumo também aumentaram, 15%, chegando ao mesmo valor de US$ 3,9 bilhões.

As importações de combustíveis cresceram 7,4%, para US$ 3 bilhões. Já os bens intermediários, que representam a principal categoria entre as compras externas, tiveram avanço de 3,1%, alcançando US$ 15 bilhões.

O aumento das aquisições de bens de capital chama atenção por incluir máquinas, equipamentos e outros itens utilizados diretamente na produção e nos investimentos das empresas.

Superávit acumulado chega a US$ 55,3 bilhões

No acumulado de janeiro a agosto, o superávit comercial brasileiro atingiu US$ 55,3 bilhões, alta de 28,2% sobre os primeiros oito meses de 2025.

As exportações totalizaram US$ 250,9 bilhões, crescimento de 10,3%. As importações, por sua vez, alcançaram US$ 195,5 bilhões, avanço de 6,1%.

O saldo acumulado é o segundo maior da série histórica para o período. O recorde continua sendo de 2023, quando o superávit entre janeiro e agosto chegou a US$ 62,4 bilhões.

A diferença entre o ritmo de crescimento das exportações e das importações contribuiu diretamente para a expansão do saldo. Enquanto as vendas externas avançaram 10,3%, as compras internacionais cresceram 6,1%.

Governo prevê superávit de US$ 90 bilhões em 2026

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) revisou para cima, em julho, a projeção para a balança comercial de 2026.

A estimativa de superávit passou de US$ 72,1 bilhões para US$ 90 bilhões. A previsão para as exportações também aumentou, de US$ 364,2 bilhões para US$ 394,4 bilhões.

Para as importações, a projeção foi elevada de US$ 292,1 bilhões para US$ 304,4 bilhões.

Uma nova atualização das estimativas está prevista para outubro. A projeção do governo supera a expectativa dos analistas consultados pelo Banco Central no boletim Focus, cuja mediana aponta para um saldo comercial de US$ 78 bilhões em 2026.

Com oito meses do ano encerrados, os US$ 55,3 bilhões acumulados correspondem a pouco mais de 61% da previsão oficial de US$ 90 bilhões. Para alcançar essa estimativa, o desempenho do comércio exterior nos quatro meses restantes dependerá principalmente da evolução das exportações, das importações e dos preços das principais commodities brasileiras.

FONTE: O Presente Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cláudio Neves/Portos do Paraná

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Internacional

Açúcar fecha sexta-feira em sentidos opostos em Nova Iorque e Londres

Os contratos futuros de açúcar terminaram a sexta-feira (4) com movimentos distintos nas bolsas internacionais. Enquanto o mercado de Nova Iorque encerrou o pregão estável, as cotações em Londres registraram queda, mantendo a pressão vista ao longo dos últimos dias.

Os investidores seguem monitorando as medidas adotadas pela Índia, que busca ampliar a oferta do produto no mercado doméstico. A iniciativa pode reduzir a necessidade de compras externas e, consequentemente, limitar a demanda internacional por açúcar.

Açúcar em Nova Iorque e Londres

Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de açúcar com vencimento em outubro terminou o dia sem variação, cotado a 18,07 cents por libra-peso.

Em Londres, o contrato para outubro caiu 350 pontos e fechou a US$ 523,10 por tonelada.

Medidas da Índia pressionam o mercado

A Índia ganhou destaque entre os principais fatores de pressão sobre os preços nesta semana. O governo reduziu de 400 para 200 toneladas o limite de estoque de açúcar permitido aos revendedores.

A nova regra começa a valer em 15 de setembro e permanecerá em vigor até 20 de novembro. O objetivo é evitar movimentos especulativos e elevar a quantidade de açúcar disponível no mercado interno.

Com maior oferta doméstica, o país pode precisar importar menos do que as estimativas anteriores indicavam. A perspectiva de uma demanda indiana por açúcar importado mais fraca acaba pesando sobre as cotações negociadas no mercado internacional.

Segundo maior produtor mundial, a Índia também possui forte participação nas exportações globais. Em 20 de agosto, o governo autorizou a entrada de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto importado, sem cobrança de impostos, até 31 de outubro. A decisão ocorreu diante das preocupações com o abastecimento interno.

Déficit global dá sustentação aos preços

Apesar da pressão exercida pelas medidas indianas, o mercado de açúcar global ainda encontra suporte nas projeções de uma oferta mais limitada na safra 2026/27.

A Organização Internacional do Açúcar (ISO) revisou seu cenário nesta semana e passou a estimar um déficit mundial de 200 mil toneladas para 2026/27. Na temporada anterior, a entidade calculava um superávit de 1,1 milhão de toneladas.

A produção global é estimada pela ISO em 180,1 milhões de toneladas na próxima temporada, volume 1% inferior ao registrado em 2025/26. Entre os fatores considerados está o possível impacto do El Niño sobre importantes áreas produtoras.

Outras instituições também trabalham com perspectivas de déficit. A Green Pool calcula saldo negativo de 3,2 milhões de toneladas, enquanto a StoneX estima déficit de 1,7 milhão de toneladas. Já a Covrig Analytics projeta uma diferença de 300 mil toneladas entre oferta e demanda.

Produção de açúcar também deve cair na Europa

O cenário de oferta mais restrita não se limita aos grandes produtores da América e da Ásia. Na Europa, o Observatório do Mercado de Açúcar da União Europeia prevê redução de 19% na produção em 2026/27, para 13,4 milhões de toneladas.

Dados da S&P Global Energy apontam, por sua vez, produção conjunta de açúcar na União Europeia e no Reino Unido de 14,98 milhões de toneladas. Se confirmado, seria o menor volume em 11 anos, em um cenário marcado pelos efeitos da seca e das temperaturas elevadas.

Chuvas na Índia permanecem abaixo da média

As condições climáticas continuam entre os principais riscos para a oferta mundial de açúcar. O Departamento Meteorológico da Índia informou que as chuvas de monção acumuladas entre junho e setembro estavam 13% abaixo da média até 4 de setembro.

O resultado representa uma melhora significativa em relação ao déficit de 42% observado até 30 de junho. Ainda assim, o Ministério de Ciências da Terra da Índia alertou que a temporada de monções pode ser a mais fraca do país em 11 anos.

O comportamento das chuvas é especialmente relevante para a produção agrícola. Uma temporada mais seca pode prejudicar o desenvolvimento da cana-de-açúcar e afetar a quantidade de matéria-prima disponível para as usinas.

Brasil contribui para o cenário de oferta restrita

O Brasil, maior produtor mundial de açúcar, também aparece no radar do mercado diante da redução da produção no Centro-Sul.

Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) em agosto mostraram que a produção de açúcar na região recuou 26,3% em junho, para 3,903 milhões de toneladas.

Outro elemento importante é a decisão das usinas entre produzir açúcar ou etanol. Quando o mercado apresenta condições mais favoráveis ao etanol, uma parcela maior da cana pode ser destinada à fabricação do biocombustível, reduzindo o volume direcionado ao açúcar.

El Niño aumenta as preocupações com a oferta

O El Niño continua sendo acompanhado de perto pelos participantes do mercado. A possibilidade de alterações no regime de chuvas em países como Brasil, Índia e Tailândia, que estão entre os principais produtores mundiais, aumenta a preocupação com a disponibilidade de açúcar nas próximas safras.

Dessa forma, o mercado permanece dividido entre fatores de curto e médio prazo. As medidas adotadas pela Índia aumentam a pressão sobre os preços no momento, enquanto as perspectivas de menor produção em importantes regiões produtoras e os riscos climáticos mantêm as projeções de oferta de açúcar no centro das atenções.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Comércio Exterior

China pode ampliar exportações de frango e disputar mercado com o Brasil, diz Rabobank

A China deve ampliar as exportações de carne de frango nos próximos anos e poderá se tornar uma concorrente mais forte do Brasil no mercado internacional da proteína. A avaliação é de Chenjun Pan, especialista em carnes do Rabobank, que vê possibilidade de maior disputa entre os dois países em mercados como Oriente Médio, Ásia e África ao longo da próxima década.

A mudança ocorre em um cenário no qual a China, atualmente o principal destino da carne de frango brasileira, passou a ser exportadora líquida da proteína em 2025. O movimento está relacionado principalmente ao aumento da oferta de cortes menos consumidos pelos chineses, como o peito de frango.

China começa a ganhar espaço nas exportações de frango

Segundo Pan, ainda não há uma concorrência direta em grande escala com o Brasil, mas o cenário pode mudar nos próximos anos.

A especialista considera que as exportações chinesas de carne de frango in natura apresentam potencial de crescimento, especialmente porque o país passou a vender maiores volumes de cortes como peito de frango no mercado externo.

A China já exportava produtos avícolas há anos, mas historicamente sua presença internacional estava mais concentrada em carne de frango processada. O avanço recente dos embarques de produtos in natura representa uma mudança importante na estratégia do setor.

Brasil ainda lidera mercado global

A China é atualmente o segundo maior produtor mundial de carne de frango, atrás apenas dos Estados Unidos. Mesmo com o crescimento recente, sua participação nas exportações ainda está muito abaixo da brasileira.

Em 2025, a China exportou pouco mais de 1 milhão de toneladas de carne de frango, segundo relatório anual da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

No mesmo ano, o Brasil manteve a liderança mundial e atingiu o recorde de 5,3 milhões de toneladas exportadas.

A diferença mostra a distância que ainda separa os dois países, embora o avanço da produção chinesa possa alterar a dinâmica do comércio internacional nos próximos anos.

Hábitos de consumo geram excedentes exportáveis

Um dos fatores que ajudam a explicar o crescimento das exportações chinesas é o perfil de consumo doméstico.

Segundo Pan, os consumidores chineses demonstram maior preferência por asas e pés de frango, enquanto o peito tem menor procura no mercado interno. Com o aumento da produção, esse desequilíbrio gera excedentes de determinados cortes que podem ser direcionados para outros países.

A produção chinesa vem crescendo em ritmo próximo de 10%, enquanto a demanda doméstica avança mais lentamente.

Entre os destinos das exportações chinesas estão Rússia, Hong Kong, Coreia do Norte e países do Oriente Médio.

União Europeia, Japão e Coreia do Sul seguem fora da disputa

Apesar da expansão, a China ainda encontra restrições importantes em alguns dos principais mercados consumidores de frango.

A União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul não aceitam carne proveniente de aves vacinadas contra a gripe aviária. A China utiliza a vacinação como parte de sua estratégia para reduzir os impactos da doença, o que limita o acesso de seus produtos a esses mercados.

Por isso, a competição com o Brasil tende a ser mais relevante em regiões que aceitam a carne chinesa, como partes da Ásia, África e Oriente Médio.

Produção chinesa cresce mais de 9% no primeiro semestre

A expansão da oferta continua acelerada. No primeiro semestre de 2026, a produção chinesa de carne de frango aumentou mais de 9% na comparação anual, depois de crescer cerca de 7% em 2025.

Para Pan, o ritmo de expansão da produção supera o crescimento da demanda doméstica.

Esse cenário aumenta a disponibilidade de proteína para o mercado externo e reforça a possibilidade de crescimento das exportações chinesas.

Estratégia busca reduzir dependência da carne suína

O aumento da produção de frango também está relacionado à política chinesa de diversificação das fontes de proteína animal.

O governo busca reduzir a dependência da carne suína, que ocupa posição central na alimentação do país e tem a China como maior mercado consumidor mundial.

Durante a crise provocada pela peste suína africana, entre 2019 e 2021, a redução da oferta de carne suína provocou forte alta nos preços. A valorização da proteína também beneficiou o mercado de frango e estimulou novos investimentos na avicultura chinesa.

Com a expansão da produção, a participação do frango no mercado chinês de carnes chegou a aproximadamente 28%.

Frango também é estratégico para reduzir uso de ração

Outro fator considerado pelo governo chinês é a eficiência da produção de frango em relação à suinocultura.

A criação de aves demanda menos milho e farelo de soja para produzir uma determinada quantidade de proteína. A característica ganha importância diante do esforço de Pequim para diminuir a dependência das importações de grãos destinados à alimentação animal.

Na avaliação do Rabobank, uma eventual migração do consumo para proteínas que utilizam menos ração, combinada à expectativa de redução da produção de carne suína, pode limitar o crescimento futuro da demanda chinesa por soja.

Carne bovina pode ganhar espaço no mercado chinês

Enquanto o mercado de frango enfrenta forte expansão da oferta, a carne bovina apresenta perspectivas diferentes.

Pan considera que o consumo chinês de carne bovina ainda tem espaço para crescer no futuro. Atualmente, porém, o mercado enfrenta restrições relacionadas à oferta e às condições de importação.

Entre os fatores que afetam o Brasil estão as tarifas de importação extracota aplicadas à carne bovina brasileira e de outros países.

Brasil pode encontrar novas oportunidades após 2028

Segundo a especialista, as tarifas mais elevadas devem permanecer até 2028. Depois desse período, o cenário poderá oferecer novas oportunidades aos exportadores brasileiros.

A perspectiva está relacionada também à mudança no perfil do consumidor chinês, que tende a buscar produtos com maior processamento e valor agregado.

Nesse contexto, embora a China possa aumentar sua presença como exportadora de frango, o mercado chinês continuará sendo estratégico para o agronegócio brasileiro, especialmente se o Brasil conseguir avançar na oferta de proteínas e produtos de maior valor agregado.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Keiny Andrade/Folhapress

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