Transporte

Transporte marítimo registra 2.818 incidentes em 2025, aponta relatório da Allianz

O transporte marítimo mundial registrou 2.818 incidentes e acidentes em 2025 envolvendo embarcações com mais de 100 toneladas brutas. O número representa uma redução de aproximadamente 16% em relação a 2024, quando foram contabilizados 3.353 casos.

Os dados fazem parte do relatório “Análise de Segurança e Riscos do Transporte Marítimo 2026”, elaborado pela Allianz Commercial, que avalia a evolução da segurança operacional e os principais desafios enfrentados pela navegação internacional.

Mediterrâneo e Mar do Norte concentram maior número de ocorrências

Entre as regiões analisadas, o Mediterrâneo Oriental e o Mar Negro lideraram o número de registros, com 622 incidentes ao longo de 2025.

Na sequência aparecem as Ilhas Britânicas, o Mar do Norte, o Canal da Mancha e o Golfo da Biscaia, que somaram 619 ocorrências. Juntas, essas áreas responderam por cerca de 44% dos casos registrados entre as dez regiões mais movimentadas do mundo.

Considerando o período entre 2016 e 2025, foram contabilizados 28.660 incidentes em escala global. Nesse intervalo, as Ilhas Britânicas e regiões adjacentes concentraram 5.953 ocorrências, seguidas pelo Mediterrâneo Oriental e Mar Negro, com 5.448 registros.

Falhas mecânicas seguem como principal causa dos acidentes

O levantamento mostra que falhas em máquinas e equipamentos continuam sendo o principal fator de risco para a navegação.

Somente em 2025, esse tipo de ocorrência foi responsável por 1.505 incidentes, equivalentes a 53% do total registrado no ano.

Na sequência aparecem as colisões entre embarcações, com 260 casos, além de incêndios e explosões (218) e encalhes (202).

Ao longo da última década, os problemas mecânicos responderam por 12.991 ocorrências, mantendo-se como a principal causa de acidentes marítimos no mundo.

Perda de embarcações atinge menor nível da década

Outro dado destacado pelo estudo é a redução das perdas totais de navios.

Em 2025, foram registrados 43 navios perdidos, o menor número anual observado durante todo o período analisado pela Allianz Commercial.

Apesar da melhora nos indicadores globais, algumas regiões continuam concentrando a maior parte das perdas. O sul da China, Indochina, Indonésia e Filipinas lideram esse ranking na última década, com 255 embarcações perdidas, reflexo do intenso fluxo marítimo nessas rotas comerciais.

Na sequência aparecem o Mediterrâneo Oriental e o Mar Negro, com 120 perdas, além da região formada por Japão, Coreia e norte da China, com 67 registros.

Navios de carga geral lideram estatísticas de perdas

Entre os diferentes tipos de embarcações, os navios de carga geral apresentaram o maior número de perdas entre 2016 e 2025, totalizando 328 unidades.

Também aparecem entre os mais afetados as embarcações de pesca (141), navios de passageiros (69), rebocadores (56) e navios químicos e de produtos (54).

Quanto às causas das perdas totais, os naufrágios responderam por 368 casos, o equivalente a 41% do total. Incêndios e explosões representaram 20% das perdas, enquanto os encalhes corresponderam a 19%.

Esses três fatores concentraram aproximadamente 80% de todas as embarcações perdidas no período.

Conflitos e riscos geopolíticos aumentam desafios para o setor

Embora os indicadores de segurança tenham apresentado melhora, a Allianz Commercial alerta que o transporte marítimo internacional enfrenta um cenário de crescente instabilidade.

Segundo o relatório, fatores como conflitos geopolíticos, interrupções em rotas estratégicas, envelhecimento da frota mundial e aumento dos custos de manutenção vêm ampliando os riscos operacionais.

O estudo destaca que cerca de 90% do comércio internacional depende do modal marítimo, tornando a segurança das operações um elemento essencial para o funcionamento da economia global.

Nesse contexto, a avaliação é de que o setor precisará priorizar cada vez mais a resiliência operacional, equilibrando eficiência, gestão de riscos e capacidade de adaptação diante de um ambiente internacional marcado por maior volatilidade.

Apesar dos desafios, o relatório aponta que a redução tanto dos incidentes quanto das perdas totais de embarcações em 2025 demonstra avanços importantes na segurança marítima, ainda que esses resultados permaneçam sob pressão diante das transformações geopolíticas e econômicas em curso.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mundo Marítimo

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