Comércio Internacional

Argentina deve registrar superávit comercial em julho e superar US$ 20 bilhões em 2026

A balança comercial da Argentina deve fechar julho novamente no azul, sustentada principalmente pelo desempenho das exportações de energia e produtos agrícolas. A projeção consta de uma pesquisa da Reuters com economistas locais e estrangeiros.

As estimativas apontam para um superávit comercial de US$ 1,85 bilhão no mês. Para o conjunto de 2026, a expectativa é de que o saldo positivo ultrapasse a marca de US$ 20 bilhões, favorecido pelos preços elevados das commodities no mercado internacional.

Exportações de energia e agricultura sustentam resultado

Entre os principais fatores por trás do desempenho argentino estão as vendas externas de produtos agrícolas e petróleo.

Para Ignacio Ruiz, economista da Ecolatina, as exportações devem continuar contribuindo para um resultado comercial robusto, especialmente diante do cenário favorável para os preços internacionais das commodities.

A combinação entre exportações de petróleo, energia e produtos do agronegócio deve manter a balança comercial argentina em território positivo ao longo do ano.

Superávit pode chegar a US$ 23 bilhões

A perspectiva para o resultado anual também melhorou. A última pesquisa de expectativas de mercado realizada pelo Banco Central da Argentina indica que o país poderá encerrar 2026 com um superávit comercial de aproximadamente US$ 23 bilhões.

Até junho, o saldo acumulado já alcançava US$ 13,9 bilhões. O desempenho inclui um resultado recorde de US$ 3,45 bilhões registrado em maio.

O resultado reforça a importância das exportações argentinas para a geração de divisas e para o equilíbrio das contas externas do país.

Importações seguem em ritmo moderado

Enquanto as exportações apresentam desempenho positivo, as importações da Argentina ainda avançam de forma limitada.

Segundo Ruiz, a demanda por produtos importados permanece contida, em linha com os níveis moderados de atividade econômica e consumo no país.

Esse comportamento contribui para preservar o saldo positivo da balança comercial, já que o crescimento das compras externas ainda não acompanha uma eventual aceleração das exportações.

INDEC divulgará resultado oficial de julho

O resultado definitivo da balança comercial argentina em julho será divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) na quinta-feira.

Até a publicação dos dados oficiais, as projeções dos economistas indicam a manutenção de um cenário favorável para o comércio exterior argentino, com superávit comercial superior a US$ 20 bilhões esperado para 2026.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels/Freerange

Ler Mais
Comércio Internacional

Reciprocidade busca pressionar EUA a retomar negociações sobre tarifas, diz Arko Advice

O governo brasileiro comunicou oficialmente a Washington o início do processo de reciprocidade econômica em resposta às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos do Brasil. Segundo Michael Lopez Stewart, da Arko Advice, a medida tem como principal objetivo aumentar a pressão para que os americanos voltem à mesa de negociações, e não provocar uma escalada imediata da disputa comercial.

Atualmente, os produtos brasileiros estão sujeitos a duas cobranças distintas: uma tarifa de 25% específica para o Brasil e outra de 12,5%, aplicada também a mercadorias de outros países. Em determinados produtos, a soma das duas alíquotas pode alcançar 37,5%. Há, porém, uma relação de exceções que retira alguns itens da incidência das tarifas.

Lei de Reciprocidade Econômica abre caminho para negociação

O governo federal decidiu colocar em prática a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada em 2025. De acordo com a análise da Arko Advice, o acionamento do mecanismo não significa que o Brasil tenha decidido aplicar imediatamente medidas de retaliação.

Nesta etapa inicial, o Itamaraty notificou o governo americano e solicitou a abertura de consultas diplomáticas. Ao mesmo tempo, a Camex deverá analisar os impactos das tarifas sobre a economia brasileira e avaliar quais respostas poderiam ser adotadas posteriormente.

A orientação transmitida pelo governo é de que qualquer eventual reação siga critérios de proporcionalidade. Márcio Elias Rosa também indicou que as medidas deverão contribuir para a solução do impasse comercial, mantendo a negociação entre Brasil e Estados Unidos como prioridade.

Dessa forma, a legislação funciona não apenas como mecanismo de resposta, mas também como uma ferramenta de pressão diplomática. O Brasil demonstra que dispõe de alternativas para reagir às tarifas, enquanto preserva a possibilidade de chegar a um entendimento com Washington.

Tarifas americanas aumentam preocupação entre empresas brasileiras

A movimentação também gera atenção no setor privado. Empresas brasileiras, especialmente aquelas com forte exposição ao mercado dos Estados Unidos, acompanham os próximos passos do governo diante do risco de uma eventual ampliação das medidas tarifárias.

Uma escalada da disputa poderia elevar a incerteza para exportações brasileiras, investimentos e decisões empresariais. Por isso, empresários demonstram preocupação com os possíveis efeitos de novas medidas comerciais.

No campo diplomático, a abertura formal do processo também pode provocar uma reação do governo americano. Diante do histórico e do perfil da administração de Donald Trump, existe a possibilidade de que Washington adote novas iniciativas caso interprete a medida brasileira como uma escalada.

Governo deve evitar retaliação imediata

Para Michael Lopez Stewart, contudo, não há indicação de que o Brasil esteja próximo de implementar uma retaliação efetiva. A avaliação considera que o governo ainda busca uma solução negociada e reconhece que uma intensificação do conflito comercial poderia gerar custos para os dois países.

O comportamento de Luiz Inácio Lula da Silva nas próximas semanas deve ser acompanhado de perto. A questão ganhou peso político e internacional em um momento de maior exposição do governo brasileiro, enquanto também se aproximam compromissos relevantes da agenda externa, incluindo a próxima cúpula dos BRICS.

Brasil amplia pressão, mas mantém diálogo com Washington

O movimento anunciado nesta semana representa uma nova frente de pressão do Brasil sobre os Estados Unidos. Apesar de ainda não configurar uma decisão definitiva de retaliação, o acionamento da Lei de Reciprocidade Econômica possui relevância diplomática e pode influenciar os próximos capítulos da disputa tarifária.

O principal desafio agora será determinar se o mecanismo será suficiente para levar Brasil e EUA de volta às negociações ou se a relação comercial entre os dois países avançará para uma nova rodada de medidas e contramedidas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

Ler Mais
Comércio Internacional

Ferrovias da China transportam 2,35 bilhões de toneladas de carga até julho de 2026

As ferrovias da China movimentaram 2,35 bilhões de toneladas de mercadorias entre janeiro e julho de 2026, um crescimento de 0,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado reforça o papel do transporte ferroviário na redução dos custos logísticos e na manutenção do fluxo de atividades da economia chinesa.

Os dados foram divulgados nesta quarta-feira pela China State Railway Group Co., Ltd., responsável pela operação da rede ferroviária estatal.

Durante os sete primeiros meses do ano, a movimentação média chegou a 187 mil vagões de carga por dia, volume 2,1% superior ao registrado em 2025.

Transporte de carvão concentra maior volume

O setor ferroviário manteve como prioridade o transporte de produtos considerados essenciais para a economia e para o abastecimento da população.

Entre janeiro e julho, foram transportadas 1,22 bilhão de toneladas de carvão, das quais 813 milhões de toneladas correspondem ao carvão térmico.

O desempenho evidencia a importância da malha ferroviária para o abastecimento energético do país, especialmente no transporte de grandes volumes de cargas por longas distâncias.

Grãos, produtos químicos e têxteis registram alta

A operadora ferroviária também ampliou soluções específicas de logística para grandes empresas dos setores de grãos, produtos químicos e têxteis.

Os três segmentos apresentaram crescimento acima da média do transporte geral de cargas:

  • Grãos: alta de 7,4%;
  • Produtos químicos: crescimento de 5,4%;
  • Produtos têxteis: avanço de 21,4%.

A expansão mostra a tentativa das ferrovias chinesas de atender de maneira mais direcionada às necessidades de diferentes cadeias produtivas.

Transporte multimodal ganha espaço

Além do transporte ferroviário tradicional, a China ampliou investimentos em logística multimodal, integrando ferrovias a outros meios de transporte.

No segmento ferroviário-aquaviário, foram criados 165 produtos de transporte intermodal com sistema de “documento único”. As reservas chegaram a 71.600 TEUs, contribuindo para uma alta de 9,2% no volume de contêineres movimentados nesse modelo.

O transporte ferroviário-rodoviário apresentou crescimento ainda mais expressivo. O volume alcançou 294 milhões de toneladas, aumento de 80,9% na comparação anual.

Segundo a operadora, o avanço foi impulsionado principalmente pela expansão de rotas consideradas prioritárias para a integração entre ferrovias e rodovias.

Transporte de algodão de Xinjiang dispara

Outra frente de expansão foi o transporte de algodão produzido em Xinjiang.

Em parceria com a Federação Nacional de Cooperativas de Fornecimento e Comercialização, a empresa ferroviária desenvolveu um modelo integrado para consolidar o transporte da commodity.

Entre janeiro e julho, foram operados 96 trens especiais de carga destinados ao transporte de algodão de Xinjiang. A iniciativa contribuiu para um aumento de 157,3% no volume ferroviário de algodão em relação ao mesmo período do ano anterior.

Trens internacionais ampliam operações

O crescimento também foi observado nas conexões ferroviárias internacionais da China.

Entre janeiro e julho, os trens de carga China-Europa realizaram 12.988 viagens, alta de 17,6% sobre o ano anterior.

Já os serviços ferroviários entre China e Ásia Central registraram 8.582 viagens no período, crescimento de 0,7%.

Os números reforçam a importância da rede ferroviária para o comércio exterior chinês e para a integração logística com mercados europeus e da Ásia Central.

A expansão das rotas internacionais, combinada ao crescimento do transporte multimodal e ao aumento da movimentação de cargas domésticas, consolida as ferrovias como um dos principais pilares da infraestrutura logística da China.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Xinhua/Tang Yi

Ler Mais
Comércio Internacional

Comércio Brasil-Asean pode superar EUA e União Europeia em futuro próximo

O comércio entre o Brasil e o Sudeste Asiático poderá ultrapassar, em um futuro próximo, as relações comerciais brasileiras com os Estados Unidos e a União Europeia. A projeção foi apresentada nesta terça-feira (18) pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, durante encontro com o secretário-geral da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), Kao Kim Hourn, em Brasília.

Comércio com a Asean cresce dez vezes

Segundo Mauro Vieira, o comércio Brasil-Asean apresentou forte expansão nas últimas duas décadas. Entre 2003 e 2025, o intercâmbio comercial entre as partes passou de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões, um crescimento de dez vezes.

O chanceler destacou que o avanço aproxima o bloco asiático dos principais parceiros comerciais do Brasil. Ele citou, por exemplo, que as exportações brasileiras para Singapura já superam as destinadas à Alemanha. O Brasil também vende mais para Indonésia, Vietnã, Malásia e Tailândia do que para a França.

A expansão ocorre em um momento de busca por novos mercados para os produtos brasileiros, especialmente diante do tarifaço dos Estados Unidos sobre parte das exportações nacionais. Nesse cenário, o governo brasileiro procura ampliar a diversificação das exportações e reduzir a dependência de mercados tradicionais.

Brasil quer ampliar parceria com a Asean

Durante a reunião, Mauro Vieira também manifestou o interesse do Brasil em obter o status de parceiro de diálogo da Asean. Atualmente, essa condição é concedida a países e blocos como Estados Unidos, União Europeia, Japão, Índia, China, Canadá, Rússia, Austrália e Coreia do Sul.

Para o ministro, Brasil e países do Sudeste Asiático têm interesses convergentes em áreas como comércio internacional, investimentos, desenvolvimento sustentável e fortalecimento do Sul Global.

A Asean reúne países como Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor-Leste e Camboja, entre outros Estados-membros.

Asean busca estreitar relações com o Brasil

Kao Kim Hourn está no Brasil a convite do governo federal e cumpre uma agenda até sexta-feira (21), com reuniões previstas com ministros, empresários e representantes da academia.

Durante o encontro no Itamaraty, o secretário-geral ressaltou a importância atribuída pela Asean à aproximação com o Brasil. Segundo ele, a relação entre as duas partes está entre as mais dinâmicas e sustentáveis mantidas pelo bloco na América Latina.

Entre as áreas apontadas como prioritárias para novas parcerias estão investimentos, inovação, agricultura, segurança alimentar, energia renovável, desenvolvimento sustentável e ação climática.

Kao Kim Hourn também destacou a defesa conjunta do multilateralismo, do diálogo e da cooperação internacional. Na avaliação do secretário-geral, essa convergência pode contribuir para que países desenvolvidos e emergentes enfrentem desafios comuns.

Bloco asiático amplia peso econômico

Além do crescimento do intercâmbio com o Brasil, a Asean vem aumentando sua relevância econômica global. Nos últimos dez anos, o Produto Interno Bruto (PIB) combinado dos países do bloco passou de US$ 2,5 trilhões para US$ 4,5 trilhões.

Os Estados-membros da associação reúnem mais de 700 milhões de habitantes, formando um mercado de grande dimensão para exportações brasileiras, investimentos e novas oportunidades de negócios.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ler Mais
Comércio Internacional

China e Rússia podem bater recorde histórico no comércio bilateral em 2026

O comércio entre China e Rússia pode alcançar um novo recorde histórico até o fim de 2026. De janeiro a julho, as trocas comerciais entre os dois países somaram US$ 159 bilhões, segundo o embaixador chinês em Moscou, Zhang Hanhui.

O resultado representa um crescimento de 26% em relação ao mesmo período de 2025 e reforça a expansão das relações econômicas entre as duas nações.

Comércio bilateral cresce 26% no primeiro semestre

Durante declaração em Moscou, Zhang Hanhui destacou o ritmo de crescimento da cooperação econômica entre China e Rússia e afirmou que os resultados registrados nos primeiros sete meses do ano indicam a possibilidade de um novo recorde anual.

“A cooperação comercial e econômica entre China e Rússia está demonstrando um crescimento constante”, afirmou o diplomata.

Segundo o embaixador, o desempenho acumulado até julho torna “muito possível” que o comércio bilateral supere o maior volume já registrado ao longo de um ano.

O avanço ocorre em um cenário de fortalecimento das relações comerciais sino-russas, com os dois países ampliando seus intercâmbios econômicos e comerciais.

Investimentos devem permanecer estáveis

Além do crescimento nas trocas de mercadorias e serviços, o volume de investimentos entre China e Rússia deverá permanecer em um patamar estável, de acordo com Zhang.

A avaliação do representante chinês reforça a expectativa de continuidade dos vínculos econômicos entre os dois países ao longo dos próximos meses.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

Ler Mais
Comércio Internacional

Rota China-Europa pelo Ártico inicia operação semanal regular

A rota marítima China-Europa pelo Ártico iniciou neste sábado sua operação semanal regular durante a temporada de verão. O novo serviço busca criar uma alternativa mais rápida e resiliente para o transporte de cargas entre os dois mercados.

O início da operação ocorreu por volta das 19h, quando o navio porta-contêineres Dubai Tower deixou o Porto de Ningbo-Zhoushan, na província de Zhejiang, no leste da China.

Nova rota utiliza passagem nordeste do Ártico

O serviço atravessa a Passagem Nordeste do Ártico antes de alcançar importantes portos europeus. Entre os destinos previstos estão Felixstowe, no Reino Unido; Roterdã, na Holanda; Hamburgo, na Alemanha; e Gdansk, na Polônia.

A operação é conduzida pela Zhejiang Seaport Logistics Group e tem como proposta ampliar as alternativas para o comércio marítimo entre China e Europa.

A primeira viagem experimental foi realizada em setembro de 2025. Na ocasião, o navio chegou ao Porto de Felixstowe em aproximadamente 20 dias.

Segundo a operadora, o tempo de trânsito representa uma redução de quase 50% em relação ao trajeto tradicional pelo Canal de Suez e também supera o prazo normalmente registrado pelo transporte ferroviário China-Europa.

Serviço busca reduzir tempo de transporte

Xin Jianning, gerente-geral da Zhejiang Seaport Logistics Group, destacou como principais vantagens da rota o menor tempo de deslocamento e a maior segurança no planejamento da cadeia logística.

“A rota se destaca por suas vantagens em tempo de trânsito e segurança da cadeia de suprimentos”, afirmou o executivo.

O Dubai Tower transportará principalmente cargas de alto valor agregado e produtos que exigem controle de temperatura.

Entre os itens estão módulos de armazenamento de energia, baterias, módulos fotovoltaicos e componentes utilizados na fabricação de veículos de nova energia.

As cargas são provenientes principalmente de cidades localizadas no Delta do Rio Yangtze, uma das principais regiões industriais e exportadoras da China.

Operação é limitada pelo período de gelo

A navegação pelo Ártico depende das condições climáticas e da formação sazonal de gelo. Por isso, o serviço regular está programado principalmente para ocorrer entre julho e outubro.

Para 2026, estão previstas pelo menos oito viagens pela rota durante a temporada de verão.

A utilização do corredor ártico representa uma alternativa às rotas tradicionais e pode ampliar a resiliência da cadeia de suprimentos internacional, especialmente em um cenário de mudanças nos fluxos globais de comércio e transporte.

Comércio entre China e Europa segue em expansão

O novo serviço ocorre em meio ao crescimento das relações comerciais entre China e Europa.

Dados do Ministério do Comércio da China mostram que o comércio de bens entre os dois mercados movimentou US$ 447,8 bilhões no primeiro semestre de 2026.

O valor representa crescimento de 14,2% em comparação com o mesmo período do ano anterior, reforçando a demanda por alternativas logísticas capazes de conectar os centros produtores chineses aos principais mercados consumidores europeus.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder Naval

Ler Mais
Comércio Internacional

China impulsiona vendas de soja dos EUA, mas compras devem ficar dentro de acordo

As vendas de soja dos Estados Unidos para a safra 2026/27 continuam em ritmo elevado, com forte participação da China. Os dados foram divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no relatório semanal de exportações referente à semana encerrada em 6 de agosto de 2026.

O milho também apresentou desempenho firme no período, enquanto as vendas de trigo perderam força. De modo geral, os números ficaram próximos ou abaixo das expectativas do mercado.

Segundo Karen Braun, analista-chefe de mercado da Zaner Ag Hedge, as vendas semanais de soja da nova safra vêm apresentando um ritmo mais expressivo do que os compromissos de milho nas últimas semanas.

China concentra compras de soja dos EUA

As vendas de soja da safra 2026/27 somaram 1,759 milhão de toneladas, dentro da faixa projetada pelo mercado, de 1,5 milhão a 1,9 milhão de toneladas.

A China respondeu por 1,446 milhão de toneladas, consolidando-se novamente como o principal destino da oleaginosa norte-americana.

O USDA também anunciou, nesta quinta-feira, uma nova venda de 125 mil toneladas. Foi o terceiro anúncio da semana, elevando o total divulgado no período para 505 mil toneladas.

Para a safra 2025/26, os Estados Unidos registraram vendas de 75,1 mil toneladas de soja. O resultado também ficou dentro das estimativas, que variavam de um cancelamento de 200 mil toneladas a vendas de 300 mil toneladas. A China voltou a aparecer entre os principais compradores.

Compras chinesas devem seguir acordo de 25 milhões de toneladas

O aumento da presença chinesa no mercado de soja dos EUA ganhou destaque nas últimas semanas. Analistas, porém, avaliam que o ritmo atual ainda está alinhado ao compromisso firmado entre os dois países para a aquisição de 25 milhões de toneladas.

Para Pedro Vasconcelos, analista de mercado da Pátria Agronegócios, o volume comprado até agora indica que a China está avançando para cumprir o acordo, mas ainda não demonstra um ritmo suficiente para apontar para compras de 30 milhões a 35 milhões de toneladas.

A avaliação é que, caso os chineses não acelerem significativamente as compras nos próximos meses, o país deverá ficar próximo da meta estabelecida.

Ainda assim, Vasconcelos não descarta a possibilidade de a China adquirir um volume superior ao acordado. No cenário atual, entretanto, o ritmo observado indica principalmente o cumprimento do compromisso.

Mercado pode abrir espaço para a soja brasileira

Ginaldo Sousa, diretor-geral do Grupo Labhoro, também destaca a influência das compras chinesas sobre o mercado internacional de soja.

Segundo ele, os chineses devem continuar recorrendo à produção norte-americana entre o fim de outubro e dezembro, período em que os prêmios nos Estados Unidos tendem a ser mais competitivos.

A partir de janeiro, com a entrada da safra de soja do Brasil, a dinâmica pode mudar. Sousa aponta que os prêmios para março apresentam alta entre 5 e 10 centavos, mas ainda sem comportamento considerado excepcional em comparação com anos anteriores.

Nesse cenário, o mercado pode oferecer novas oportunidades aos produtores brasileiros, especialmente durante a transição entre as safras dos dois principais fornecedores globais.

Vendas de milho também apresentam bom desempenho

O mercado de milho dos Estados Unidos registrou números firmes tanto para a safra atual quanto para os compromissos futuros.

As vendas da safra 2025/26 alcançaram 410,7 mil toneladas, superando as projeções do mercado, que variavam entre um cancelamento de 100 mil toneladas e vendas de 400 mil toneladas. A Espanha foi o principal destino do cereal.

Já os negócios referentes à safra 2026/27 de milho somaram 924,5 mil toneladas. O volume ficou dentro das expectativas, estimadas entre 800 mil e 1,4 milhão de toneladas.

O México liderou as compras do cereal norte-americano no período.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

Ler Mais
Comércio Internacional

Governo brasileiro inicia processo de reciprocidade contra tarifas dos EUA

O governo brasileiro iniciou o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. A medida foi comunicada nesta quinta-feira e marca o início de uma etapa de análise para definir possíveis ações de compensação às restrições comerciais norte-americanas.

As tarifas adotadas pelos EUA no mês passado atingem parte das exportações brasileiras e chegam a 37,5% para determinados produtos. Entre as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano estão alegações de práticas comerciais consideradas injustas e críticas à legislação brasileira relacionada ao combate ao trabalho forçado.

Brasil solicita consultas diplomáticas aos Estados Unidos

Segundo a Presidência da República, foi aberto um pedido formal para enquadrar as medidas adotadas pelos Estados Unidos no âmbito da Seção 301 da legislação comercial norte-americana.

O governo brasileiro informou ainda que comunicou oficialmente Washington sobre o início do procedimento e solicitou a realização de consultas diplomáticas, conforme previsto na legislação brasileira de reciprocidade.

Em nota, o Palácio do Planalto classificou as tarifas norte-americanas como injustificadas e afirmou que o Brasil pretende defender sua posição nas instâncias consideradas adequadas.

Lei da Reciprocidade Econômica embasa reação brasileira

O procedimento tem como fundamento a Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional em abril de 2025.

A legislação permite que o governo brasileiro adote medidas diante de ações unilaterais de outros países que possam prejudicar a competitividade ou o comércio exterior do Brasil.

Neste momento, além das consultas com os Estados Unidos, o governo mantém estudos internos para avaliar quais instrumentos poderão ser utilizados caso a adoção de medidas de reciprocidade seja necessária.

Governo avalia setores para possíveis medidas

Fontes brasileiras ouvidas pela Reuters indicam que o governo pode retomar alternativas que já haviam sido analisadas em 2025, quando os Estados Unidos anunciaram uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.

A estratégia em avaliação tende a priorizar setores nos quais eventuais medidas tenham menor impacto sobre a economia brasileira, buscando reduzir possíveis efeitos negativos para o próprio país.

Entre as possibilidades consideradas está a adoção de restrições sobre pagamentos ao exterior ou de tributações sobre remessas relacionadas a dividendos e royalties do setor audiovisual.

O segmento é considerado relevante nas discussões sobre o desequilíbrio da balança comercial entre Brasil e Estados Unidos em determinadas áreas.

Setores farmacêutico e agrícola também entram no radar

Outras alternativas mencionadas nas discussões envolvem os setores farmacêutico e agrícola.

Na área de medicamentos, uma das possibilidades em análise seria a adoção de medidas relacionadas a patentes. No setor agrícola, mecanismo semelhante poderia ser avaliado em relação a sementes.

As opções ainda fazem parte dos estudos internos do governo. A abertura do processo de reciprocidade representa uma etapa inicial, enquanto as autoridades brasileiras seguem avaliando os instrumentos que poderão ser utilizados diante das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Thomson Reuters

Ler Mais
Comércio Internacional

Tufão Dolphin coloca China em alerta e mobiliza evacuações na costa leste

A aproximação do tufão Dolphin levou a China a reforçar as medidas de prevenção e manter o alerta amarelo, o terceiro nível mais alto da escala meteorológica do país. A tempestade deve atingir a costa leste chinesa entre o fim de domingo (9) e a manhã de segunda-feira (10), com potencial para provocar ventos intensos, chuvas volumosas e impactos em áreas costeiras.

Segundo o Centro Meteorológico Nacional da China, o Dolphin, 13º tufão nomeado da temporada, segue pelo Mar da China Oriental em direção às províncias de Zhejiang e Fujian.

Na atualização mais recente, o sistema apresentava ventos sustentados entre 42 e 45 metros por segundo e pressão atmosférica mínima de aproximadamente 950 hectopascais. A previsão indica deslocamento para oeste entre 15 e 20 km/h, com possibilidade de manter ou até ampliar sua intensidade antes de alcançar o continente. Após o impacto, a tendência é que o fenômeno siga para oeste-noroeste, perdendo força gradualmente.

Ventos fortes e chuvas intensas preocupam autoridades

Os serviços meteorológicos alertam para condições severas no Mar da China Oriental e em áreas costeiras da região. Próximo ao centro do tufão, as rajadas podem ultrapassar 46 metros por segundo, enquanto outras áreas marítimas devem registrar ventos superiores a 28 metros por segundo.

Além da ventania, a previsão aponta acumulados expressivos de chuva, especialmente no norte de Taiwan e no litoral do leste chinês. A expectativa é que as precipitações mais intensas atinjam a costa chinesa a partir de domingo, aumentando o risco de alagamentos, enxurradas e deslizamentos de terra.

Províncias reforçam ações preventivas

Diante da aproximação do ciclone, governos locais intensificaram os protocolos de emergência. Em Zhejiang, foram suspensas ligações marítimas de passageiros, obras em áreas costeiras foram interrompidas e embarcações receberam orientação para buscar abrigo.

Mais de 10 mil moradores de ilhas próximas ao litoral já foram retirados preventivamente das áreas de risco.

Na província vizinha de Fujian, as autoridades ativaram o nível quatro de resposta a emergências, enquanto Guangdong adotou restrições à navegação no Estreito de Taiwan para reduzir os riscos durante a passagem da tempestade.

A preocupação das autoridades chinesas vai além dos impactos sobre a população. A aproximação do tufão também coloca em alerta o setor de comércio exterior, já que a costa leste da China concentra alguns dos maiores portos do mundo, responsáveis por grande parte das exportações e importações do país. Ventos intensos e mar agitado podem provocar a suspensão de operações portuárias, atrasos na atracação e saída de navios, cancelamento de rotas marítimas e impactos na cadeia logística global, afetando o transporte de cargas e o abastecimento de mercados internacionais.

Japão também sofre impactos do Dolphin

Antes de seguir em direção à China, o Dolphin provocou medidas de emergência no Japão. Na província de Kagoshima, mais de cinco mil pessoas receberam ordens de evacuação e mais de 600 voos foram cancelados, afetando cerca de 86 mil passageiros.

El Niño pode intensificar temporada de tufões

Especialistas da Administração Meteorológica da China (CMA) avaliam que o fortalecimento do El Niño deve tornar os tufões mais intensos ao longo de agosto, mesmo que o número de sistemas permaneça próximo da média histórica.

A expectativa é que entre dois e três tufões provoquem impactos significativos no país neste mês. Além disso, o fenômeno climático tende a favorecer ondas de calor mais frequentes e volumes de chuva acima do normal em diversas regiões chinesas.

Ainda há incertezas sobre a trajetória definitiva do Dolphin. Dependendo do deslocamento, o sistema poderá concentrar seus efeitos sobre Zhejiang, Fujian, Xangai e parte das províncias de Jiangxi e Anhui ou avançar mais ao norte, levando chuva para a Planície do Norte da China e contribuindo para amenizar a intensa onda de calor registrada na região.

O tufão chega em um período de eventos climáticos extremos no país, marcado por enchentes, deslizamentos de terra e ciclones que já provocaram mortes, grandes evacuações e elevados prejuízos em diferentes províncias. Como resposta, o governo chinês anunciou recursos emergenciais para apoiar operações de resgate, assistência às famílias afetadas e recuperação das áreas atingidas.

Com informações de Diário do Povo Online, Administração Meteorológica da China (CMA), Xinhua, Bloomberg, Global Times, SIC Notícias e Lusa.

Texto: Redação

Imagem: ilustrativa gerada por IA.

Ler Mais
Comércio Internacional

Tarifaço dos EUA reduz fretes e amplia prejuízos para caminhoneiros autônomos

O aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros já provoca reflexos diretos no transporte rodoviário de cargas. A diminuição das exportações de itens industrializados, como madeira, máquinas e autopeças, reduziu significativamente o volume de mercadorias transportadas, intensificando a concorrência por fretes e comprometendo a renda dos caminhoneiros autônomos.

Sem alternativas para manter a atividade, muitos profissionais acabam aceitando contratos com remuneração inferior ao ideal e assumindo despesas que, pela legislação, deveriam ser arcadas pelos contratantes.

Paraná concentra grande número de transportadores autônomos

O impacto é ainda mais expressivo no Paraná. Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) indicam que o estado possui mais de 80 mil transportadores cadastrados, sendo cerca de 50 mil transportadores autônomos de cargas (TAC). A maioria atua em operações intermunicipais, interestaduais e internacionais, segmentos diretamente influenciados pelo desempenho do comércio exterior.

Para a advogada Miriam Ranalli, especialista em Direito do Transporte Rodoviário de Cargas, a crise apenas evidenciou problemas antigos do setor. Segundo ela, o descumprimento das normas que protegem os caminhoneiros ocorre há anos, independentemente das oscilações econômicas.

A especialista destaca ainda que, embora o piso mínimo de frete tenha sido criado após a greve dos caminhoneiros de 2018, sua aplicação ainda enfrenta dificuldades, principalmente nos casos de transportadores subcontratados, que assumem despesas como combustível, manutenção, pedágios e tributos.

Oferta maior de caminhões reduz valor dos fretes

Com menos cargas destinadas ao mercado norte-americano, a quantidade de caminhões disponíveis passou a superar a demanda, pressionando ainda mais os valores pagos pelos fretes.

Segundo Ranalli, essa situação reduz o poder de negociação do transportador autônomo, que frequentemente aceita viagens abaixo do valor mínimo para evitar que o veículo permaneça parado.

A realidade também é percebida por quem trabalha diariamente nas estradas. O caminhoneiro Daniel Rodrigo de Souza relata que a redução das operações portuárias diminuiu a oferta de serviços, principalmente para quem atua na movimentação de cargas destinadas ao Porto de Paranaguá.

Ele afirma que o setor agrícola também sofre impactos, já que parte dos insumos utilizados na produção é importada e ficou mais cara com a valorização do dólar.

Contratos informais aumentam riscos financeiros

Especialistas alertam que acordos fechados apenas verbalmente ou por aplicativos de mensagens representam um dos principais riscos para os caminhoneiros autônomos.

Antes de iniciar qualquer viagem, a recomendação é exigir documentos que formalizem a operação, incluindo valor do frete, identificação do contratante, locais de coleta e entrega, Código Identificador da Operação de Transportes (CIOT) e o Vale-Pedágio Obrigatório.

Segundo Miriam Ranalli, a organização da documentação pode evitar longas disputas judiciais e facilitar eventual cobrança de direitos.

Motoristas deixam de receber valores previstos em lei

Outro problema recorrente envolve a indenização por estadia, devida quando o caminhão permanece aguardando carga ou descarga além do tempo previsto.

Embora a legislação estabeleça um valor mínimo de R$ 2,50 por hora por tonelada, muitos profissionais recebem quantias inferiores ou sequer fazem a cobrança por receio de perder futuras oportunidades de trabalho.

A advogada lembra que a legislação permite reivindicar esses valores judicialmente em até cinco anos, desde que o motorista possua documentos que comprovem a operação e o período de espera.

Sindicato confirma redução de cargas para Paranaguá

O Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam-PR) afirma que a diminuição das cargas destinadas ao Porto de Paranaguá já é percebida diariamente pelos profissionais da categoria.

Segundo o representante da entidade, Diordan Domingues da Silva, a redução dos embarques provocou queda no valor dos fretes, aumento da ociosidade e maior disputa entre motoristas.

Entre as principais reclamações recebidas pelo sindicato estão problemas relacionados ao pagamento do Vale-Pedágio Obrigatório, atrasos na indenização por estadia e descontos considerados indevidos.

A orientação da entidade é que todos os transportadores guardem comprovantes de frete, registros de pedágio, documentos de estadia e demais provas para formalizar denúncias e garantir eventual reparação.

ANTT intensifica fiscalização do piso mínimo de frete

A ANTT informou que já realizou mais de 385 mil fiscalizações relacionadas ao cumprimento do piso mínimo de frete em todo o país, resultando em mais de 321 mil autos de infração.

Segundo a agência, o monitoramento ocorre principalmente por meio eletrônico, com cruzamento de informações dos sistemas oficiais. Por essa razão, não há consolidação dos dados por estado. Ainda assim, o órgão informou que mantém ações presenciais regulares no Porto de Paranaguá.

Motoristas que identificarem irregularidades podem registrar denúncias por meio da Ouvidoria da ANTT, desde que apresentem a documentação exigida pelo órgão.

Formalização e revisão de contratos ajudam a reduzir perdas

Além da queda na demanda, especialistas defendem que transportadores e empresas revisem contratos antigos para identificar possíveis valores não pagos, como despesas com pedágio, estadias e descontos considerados irregulares.

Segundo Miriam Ranalli, a formalização das negociações e o acompanhamento constante dos contratos são medidas essenciais para reduzir prejuízos e garantir maior segurança jurídica.

Ela ressalta que a legislação brasileira assegura instrumentos para contestar cláusulas abusivas e buscar reparação quando houver descumprimento de direitos, tornando a gestão documental uma ferramenta estratégica em momentos de retração econômica.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcelo Elias/Arquivo/Gazeta do Povo

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook