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Como diagnosticar uma operação logística antes de propor uma solução

Em um mercado cada vez mais pressionado por custos, prazos e eficiência, encontrar soluções para os desafios logísticos exige mais do que identificar um problema aparente. É necessário compreender como a operação funciona, avaliar seus processos e considerar as pessoas envolvidas em cada etapa.

Ao longo de quase 30 anos no setor de transporte e logística, construí minha experiência passando por diferentes funções, desde ajudante de motorista até atividades ligadas à operação, gestão de frota, logística portuária, cabotagem, comercial e desenvolvimento de projetos.

Essa vivência me ensinou a importância de olhar para a operação de forma integrada. Antes de propor uma mudança, é preciso entender o cenário e identificar o que realmente precisa ser resolvido.

Uma dificuldade logística pode ter diferentes origens. Um atraso, por exemplo, não deve ser analisado de maneira isolada. É importante compreender o fluxo operacional, os processos envolvidos e os fatores que podem estar interferindo no resultado.

O mesmo vale para custos elevados, baixa produtividade ou problemas de comunicação entre equipes.

Por isso, o primeiro passo é conhecer a realidade da operação. Isso significa observar como as atividades são executadas, ouvir os profissionais envolvidos e entender as necessidades do cliente.

5 pontos que devem ser observados em um diagnóstico logístico

1. Entender o fluxo operacional

É fundamental conhecer as etapas da operação, desde a entrada do pedido no sistema até a entrega final. Compreender esse fluxo permite visualizar como as atividades se conectam e identificar pontos que merecem uma análise mais aprofundada.

2. Avaliar os custos

A gestão de custos precisa considerar mais do que os valores mais evidentes. É importante observar fatores relacionados à frota, manutenção, produtividade e execução dos processos, buscando compreender onde estão as oportunidades de melhoria.

3. Analisar a gestão de frota

A frota precisa ser avaliada considerando sua utilização, manutenção, disponibilidade e relação com as necessidades da operação. Uma análise integrada ajuda a compreender como as decisões relacionadas aos veículos e às equipes podem afetar o desempenho logístico.

4. Considerar as pessoas e a comunicação

Os profissionais que participam da operação conhecem dificuldades e particularidades do trabalho diário. Ouvir essas pessoas e compreender a comunicação entre as equipes é parte importante da análise, especialmente quando existem conflitos ou dificuldades de execução.

5. Compreender a necessidade do cliente

Uma solução logística precisa estar alinhada à necessidade de quem contrata o serviço. Isso exige compreender as características da demanda, as condições operacionais e os objetivos envolvidos, evitando propostas que não correspondam à realidade do cliente.

O problema nem sempre está onde parece

Uma das dificuldades na gestão logística é tratar apenas o sintoma de um problema, sem compreender sua origem. Quando uma operação apresenta resultados abaixo do esperado, a resposta não deve ser necessariamente uma mudança imediata. Antes, é preciso investigar os fatores envolvidos e entender como eles se relacionam. Essa análise ajuda a direcionar as decisões e a construir soluções mais coerentes com as necessidades identificadas.

Conhecer a logística na prática permite compreender melhor os desafios enfrentados por motoristas, equipes operacionais, gestores e clientes. Essa visão contribui para aproximar o planejamento da realidade do transporte e permite avaliar as decisões considerando diferentes etapas da cadeia logística.

Na minha atuação com comercial, gestão de projetos e frota, procuro justamente conectar essas perspectivas para compreender os desafios e identificar possibilidades de solução.

Diagnosticar antes de agir

Uma operação logística reúne processos, pessoas, recursos e decisões que precisam funcionar de maneira integrada. Por isso, antes de propor uma solução, considero essencial compreender o cenário, avaliar os custos, ouvir os envolvidos e identificar a origem das dificuldades.

Afinal, uma solução logística começa pelo entendimento correto do problema.

É essa combinação entre experiência prática, visão operacional e compreensão das necessidades do cliente que procuro levar ao meu trabalho.

Imagem: Ilustrativa / Feita com IA

Fábio Lins é profissional do setor de transporte e logística, com 30 anos de experiência e uma trajetória construída da operação à gestão. Formado em Gestão Comercial, atualmente, integra a Sigatrans Logística, aliando conhecimento prático, experiência em gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções logísticas eficientes.

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Gestão de frota: onde estão os custos que podem comprometer uma operação?

Em 30 anos trabalhando com transporte e logística, aprendi que gerir uma frota vai muito além de controlar caminhões, rotas e manutenção.

É preciso entender onde estão os custos e como cada decisão interfere no resultado da operação.

Muitas vezes, o problema não está em um grande gasto, mas na soma de pequenas ineficiências que se repetem todos os dias.

O custo vai além do combustível

Combustível é um dos principais itens, mas está longe de ser o único.

Manutenção, pneus, disponibilidade dos veículos, tempo parado, quilometragem improdutiva e produtividade também precisam entrar na análise.

Uma frota pode estar rodando muito e, ainda assim, não ser eficiente.

Por isso, não basta saber quanto cada veículo custa. É preciso entender quanto ele produz e qual resultado entrega.

Manutenção também é gestão

Esperar um problema aparecer para agir pode sair muito mais caro.

A manutenção preventiva ajuda a reduzir paradas inesperadas e permite planejar melhor os custos e a disponibilidade dos veículos.

Um caminhão parado não representa apenas uma despesa de oficina. Pode significar atraso, perda de produtividade e impacto no atendimento ao cliente.

Produtividade precisa estar no radar

Também considero fundamental acompanhar a produtividade da frota.

Quantos quilômetros o veículo percorre? Quanto tempo fica parado? A capacidade está sendo bem aproveitada? Existe possibilidade de carga na volta?

Essas perguntas ajudam a encontrar custos que nem sempre aparecem claramente na planilha.

Eficiência não significa simplesmente gastar menos. Significa utilizar melhor os recursos disponíveis.

Olhar o todo faz diferença

Ao longo da minha trajetória, aprendi que uma decisão sobre um custo pode gerar impactos em várias outras áreas da operação.

Por isso, o gestor precisa conhecer os números, mas também entender a realidade por trás deles.

Foi vivendo a estrada e acompanhando a operação que aprendi a enxergar a frota não apenas como um conjunto de veículos, mas como parte estratégica do negócio.

Gestão de frota é acompanhar custos, indicadores, manutenção e produtividade para tomar decisões melhores.

Porque, na logística, cada quilômetro, cada parada e cada decisão impactam o resultado.

Fábio Lins é profissional do setor de transporte e logística, com 30 anos de experiência e uma trajetória construída da operação à gestão. Formado em Gestão Comercial, atualmente, integra a Sigatrans Logística, aliando conhecimento prático, experiência em gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções logísticas eficientes.

Imagem Ilustrativa: Magnific.com

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Por que conhecer a operação é um diferencial no comercial de logística

Ao longo de 30 anos trabalhando com transporte e logística, aprendi uma coisa que carrego comigo até hoje: não dá para vender bem aquilo que você não conhece.

Minha história começou na operação. Vivi a estrada, acompanhei de perto a rotina dos motoristas, conheci os desafios do transporte e, ao longo do caminho, passei por diferentes áreas até chegar à gestão.

Essa experiência mudou completamente a minha forma de enxergar o comercial.

Quando um cliente apresenta uma necessidade, eu não consigo olhar apenas para o preço ou para o serviço que está sendo solicitado. Penso no que existe por trás daquela demanda: é viável? Qual será o custo? Qual prazo podemos realmente cumprir? Existe uma alternativa melhor?

É aí que, para mim, o conhecimento operacional se transforma em um diferencial comercial.

Conhecer a operação é entender o custo

Quem está no comercial precisa saber que uma operação envolve muito mais do que o valor apresentado em uma proposta. Frota, combustível, manutenção, tempo, armazenagem, disponibilidade e produtividade são fatores que interferem diretamente no resultado.

Depois de tantos anos vivendo essa realidade, aprendi que o menor preço nem sempre representa a melhor solução. Às vezes, uma decisão aparentemente econômica pode gerar custos maiores lá na frente.

Prometer menos e entregar melhor

Também aprendi a respeitar os prazos.

Quem conhece a operação sabe que existem variáveis que não aparecem em uma planilha ou em uma negociação. Por isso, prefiro entender primeiro o cenário e apresentar ao cliente aquilo que realmente podemos entregar.

Para mim, confiança começa quando existe coerência entre o que foi vendido e o que a operação consegue executar.

Vender é entender para solucionar

Acredito que o comercial de logística precisa ir além da venda. Precisa fazer perguntas, ouvir o cliente e entender o problema antes de apresentar uma resposta.

Minha experiência na operação me ajuda justamente nisso: enxergar possibilidades, antecipar dificuldades e buscar soluções que façam sentido na prática.

Hoje, quando olho para minha trajetória, vejo que cada quilômetro percorrido, cada desafio operacional e cada etapa profissional contribuíram para formar a visão que tenho atualmente.

Eu não vendo aquilo que não conheço. Eu vivi a operação, conheço a estrada e entendo os desafios.

E é essa experiência que levo para o comercial: transformar conhecimento em soluções mais eficientes, realistas e adequadas para cada cliente.

Fábio Lins é profissional do setor de transporte e logística, com 30 anos de experiência e uma trajetória construída da operação à gestão. Formado em Gestão Comercial, atualmente, integra a Sigatrans Logística, aliando conhecimento prático, experiência em gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções logísticas eficientes.

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O custo invisível da não conformidade: quando um erro regulatório transforma uma importação lucrativa em prejuízo

Por Daiane Guedin da Costa — consultora regulatória, RegulaMais

Quando uma empresa calcula o custo de importar um produto, a conta costuma ser objetiva: valor da mercadoria, frete, seguro, impostos, armazenagem. Tudo entra na planilha. Tudo tem número. O que quase nunca entra nessa planilha é o custo regulatório. E é justamente ele que, quando ignorado, transforma uma operação lucrativa em prejuízo.

Na prática, meu trabalho é responder, antes da compra, uma pergunta que muita gente só faz depois que a carga já está no porto: esse produto pode entrar, ser comercializado e vendido no Brasil da forma como eu pretendo?

O erro mais caro é o mais silencioso 

O empresário encontra um bom fornecedor no exterior. Preço competitivo, produto de qualidade, margem excelente. Fecha o pedido, paga o câmbio, embarca.

A mercadoria chega. E para.

Para porque o produto precisava de registro ou notificação prévia na ANVISA e não tinha. Porque a empresa importadora não possuía Autorização de Funcionamento (AFE) para aquela classe de produto. Porque faltava licença sanitária vigente, Responsável Técnico habilitado, ou anuência do órgão competente no Licenciamento de Importação. Porque o produto foi enquadrado como cosmético quando na verdade era medicamento. Porque a rotulagem não atende à legislação brasileira. Porque o insumo é controlado e exigia autorização específica.

Nenhum desses pontos aparece na cotação do fornecedor. Todos aparecem na conta final.

Onde o dinheiro realmente se perde

A multa é o custo que todo mundo enxerga. E, curiosamente, quase nunca é o maior. O custo invisível é composto por:  

Capital parado: mercadoria retida é dinheiro que já saiu do caixa e não voltou. Não vende, não gira, não paga o próprio financiamento.

Armazenagem e demurrage: cada dia de carga parada em recinto alfandegado ou de contêiner não devolvido tem preço. E é uma conta que só cresce, todos os dias, enquanto a regularização não sai.

Tempo regulatório: regularizar depois não é mais rápido do que regularizar antes. É mais lento. Processos de AFE, licença sanitária, registro ou notificação têm prazos próprios, exigem documentação técnica que muitas vezes precisa ser solicitada ao fabricante no exterior, e não aceleram porque existe uma carga parada.

Perda de janela comercial: o produto que ia atender a uma licitação, uma sazonalidade ou um contrato com prazo simplesmente perde o momento. Às vezes o cliente não espera.

Retrabalho: refazer dossiê, traduzir e consularizar documentos, corrigir rotulagem, refazer testes em laboratório acreditado. Tudo isso, no modo emergencial, custa mais caro do que teria custado no planejamento.

Reputação: interdição, apreensão e recolhimento não ficam restritos ao departamento fiscal da empresa. Chegam ao cliente, ao distribuidor e, dependendo do caso, ao mercado.

Risco sanitário: esse é o que menos se calcula e mais importa. A regulação existe para proteger quem consome. Um produto que entra sem avaliação prévia é um produto cuja segurança ninguém verificou.

A conta que ninguém faz

Um estudo regulatório prévio custa uma fração do valor de uma única importação. É diagnóstico: define o enquadramento correto do produto, verifica se a empresa está habilitada para aquela operação, identifica o caminho regulatório aplicável (registro, notificação, cadastro ou isenção), aponta as exigências de rotulagem e documentação técnica e estima prazos reais.

Ou seja: responde se o negócio é viável antes de o dinheiro sair.

Já acompanhei situações em que a resposta foi “esse produto, nesse formato, não entra”. Uma resposta dura de ouvir, mas que economizou muito mais do que custou. E acompanhei outras em que a resposta foi “entra, mas o caminho é este e leva este tempo”, permitindo que a empresa planejasse a operação inteira sem sobressalto.

O que eu faço

Meu trabalho na Regula+ é justamente esse: colocar o regulatório na planilha antes da compra, e não depois da retenção.

Isso significa enquadrar corretamente o produto, regularizar a empresa junto aos órgãos competentes, conduzir processos de registro e notificação, estruturar a documentação técnica e da qualidade, acompanhar o Responsável Técnico e manter a operação em conformidade ao longo do tempo, porque conformidade não é um documento emitido uma vez: é uma condição que precisa ser mantida.

Daiane Guedin da Costa é consultora regulatória e atua na Regula+ com regularização de empresas e produtos junto à ANVISA, Vigilância Sanitária, MAPA, Exército e Polícia Federal. 

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O que a Transamazônica me ensinou e que hoje levo para a gestão da frota

Por Fábio Lins

Minha história na logística começou muito antes de ocupar uma posição de gestão. Comecei como ajudante de motorista, conciliando uma rotina pesada de trabalho e estudos. Foi na estrada que tive minhas primeiras experiências com o transporte e comecei a entender, na prática, os desafios que envolvem uma operação logística.

Hoje, atuo como gestor comercial, de projetos e de frota na Sigatrans Logística. Depois de cerca de 30 anos no setor, percebo que grande parte da visão profissional que tenho atualment foi construída justamente durante os anos em que estive na operação.

Ao longo dessa trajetória, percorri o Brasil de norte a sul, literalmente do Chuí ao Oiapoque. Em 2010, vivi uma das experiências mais marcantes: a Transamazônica.

Enfrentei longos trechos de estrada de chão, percursos em que cerca de 60 quilômetros podiam representar 12 horas de viagem, além de situações de insegurança e dificuldades em regiões como Barra do Corda, onde passei por áreas de reserva indígena.

Essas experiências me ensinaram algo que continua presente na minha rotina: distância não é apenas quilometragem. É tempo, combustível, desgaste, manutenção, risco e custo.

Hoje, esse conhecimento prático contribui diretamente para minhas decisões na gestão de frota. Consigo olhar para números de distância, consumo e despesas dos veículos considerando também a realidade encontrada nas rotas.

Da operação para a gestão

A mudança da operação para a gestão também transformou minha forma de enxergar as pessoas.

Durante minha trajetória, vivi situações difíceis e até humilhações dentro de empresas e transportadoras. Quando passei a liderar, escolhi fazer diferente.

A empatia se tornou uma ferramenta indispensável de gestão. Antes de cobrar um resultado, procuro entender a dificuldade de quem está na ponta. O motorista enfrenta condições de estrada, pressão, imprevistos e longas jornadas. Conhecer essa realidade muda a maneira de tomar decisões.

Essa experiência também reforçou uma convicção: logística é feita por pessoas antes de ser feita por caminhões.

Três aprendizados de 30 anos de logística

Minha experiência profissional pode ser resumida em três aprendizados:

1. Pessoas vêm antes da operação.
Uma frota eficiente depende de uma equipe preparada e de uma gestão próxima.

2. Comercial e operação precisam caminhar juntos.
Prometer ao cliente é fácil quando não se conhece a realidade operacional. O resultado acontece quando as duas áreas trabalham alinhadas.

3. Quem conhece a estrada conhece melhor o cliente.
A experiência prática ajuda a compreender prazos, rotas, custos e dificuldades que nem sempre aparecem em uma planilha.

Não acredito em operação perfeita. Acredito em equipes preparadas, gestão presente e pessoas dispostas a resolver problemas.

Depois de três décadas na logística, minha experiência na estrada continua sendo uma ferramenta importante para a gestão. A diferença é que, hoje, ela se soma aos indicadores, aos projetos e aos números necessários para uma tomada de decisão mais precisa.

A Transamazônica, as longas viagens e as rotas difíceis foram uma espécie de faculdade prática. E é esse conhecimento que continuo levando comigo todos os dias: entender a estrada para compreender a operação, os custos, o cliente e, principalmente, as pessoas que fazem a logística acontecer.

Fábio Lins é profissional do setor de transporte e logística, com 30 anos de experiência e uma trajetória construída da operação à gestão. Formado em Gestão Comercial, atualmente, integra a Sigatrans Logística, aliando conhecimento prático, experiência em gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções logísticas eficientes.

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O Clima Contra a Logística Global: Por que o Seguro Internacional deixará de ser custo e virou estratégia de sobrevivência

A passagem do Tufão Dolphin pela costa leste da China — provocando o fechamento temporário e a desaceleração de mega-hubs portuários como Ningbo-Zhoushan e Xangai, é um lembrete severo sobre a vulnerabilidade das cadeias globais de suprimentos.

Quando os maiores portos do planeta entram em efeito dominó, o impacto no Brasil é imediato e doloroso:

No lado da Exportação: Navios carregados com commodities brasileiras (como soja, minério de ferro e proteína animal) enfrentam longas filas de espera (anchorage time), gerando custos altíssimos de demurrage e atrasando a liquidação dos contratos.

No lado da Importação: O cancelamento de escalas (blank sailings) e o atraso no envio de insumos industriais, eletrônicos e peças de reposição afetam diretamente as linhas de produção no Brasil, gerando desabastecimento e encarecendo os fretes marítimos spot.

No pátio e no mar: O acúmulo de contêineres e o manuseio sob condições adversas aumentam drasticamente os riscos de avarias físicas, tombamentos e umidade.


A Batalha Invisível: Por que o Seguro de Transporte Internacional é indispensável?

Muitos operadores logísticos e empresários assumem que a responsabilidade por imprevistos é integralmente do armador ou do transportador. Trata-se de um mito perigoso. A responsabilidade das companhias marítimas é limitada por convenções internacionais e contratos de frete, raramente cobrindo o valor real da mercadoria ou os prejuízos decorrentes de fenômenos naturais.

Um seguro de transporte internacional bem estruturado vai muito além de proteger contra “perda total”. Ele blinda a saúde financeira da empresa em três frentes críticas:

1. Avaria Grossa (General Average): O risco que pouca gente calcula

Em situações extremas de tempestade ou encalhe, se o comandante precisar sacrificar parte do navio ou lançar cargas ao mar para salvar a embarcação e o restante da mercadoria, a lei marítima internacional exige que todos os donos de carga a bordo dividam proporcionalmente os prejuízos.

  • Mercadorias Sem seguro: Sua carga pode nem ter sido danificada, mas ficará retida no porto até que você deposite uma garantia bancária (que pode chegar a dezenas ou centenas de milhares de dólares) para cobrir a sua quota-parte do prejuízo geral.
  • Com seguro: A seguradora assume a garantia e cuida da liberação da carga, sem desorganizar o seu caixa.

2. Coberturas Amplas (Cláusula All Risks / ICC “A”)

Eventos climáticos não geram apenas perdas totais. Ventos fortes e mar agitado causam quedas de contêineres, entrada de água do mar, tombamentos no convés e avarias por deslocamento de carga no interior do cofre. A apólice adequada garante indenização tanto para danos parciais quanto para perdas totais decorrentes do mau tempo ou manuseio emergencial nos pátios.

3. Garantia de Fluxo de Caixa e Previsibilidade

Uma operação sem seguro troca uma despesa previsível e irrisória (o prêmio do seguro) por um risco financeiro catastrófico imprevisível. Em momentos de crise nas rotas asiáticas, ter a indenização garantida permite recompor o estoque ou reimportar insumos sem comprometer a continuidade do negócio.

Checklist Prático: Como blindar sua operação hoje

Para garantir que a sua cobertura seja efetiva quando o imprevisto acontecer:

  1. Revise os Incoterms® da negociação: Tenha clareza de quem é a responsabilidade pela contratação do seguro no contrato (ex: FOB x CIF ou CIP x FCA).
  2. Exija Cobertura “All Risks” (ICC – Institute Cargo Clauses “A”): Garanta a maior amplitude possível contra avarias, e confirme se a cláusula de Avaria Grossa está devidamente coberta.
  3. Monitore o Lead Time e Gerencie Riscos: Acompanhe os avisos das armadoras e mantenha margens de segurança no planejamento de estoque durante a temporada de tufões e furacões na Ásia e Américas.
  4. Alinhe os Vistoriadores: Tenha certeza de que seu corretor/seguradora conta com rede de regulação de avarias nos portos de origem e destino.

Não temos controle sobre a força dos tufões ou a saturação dos portos mundiais, mas temos controle absoluto sobre a gestão do nosso risco. Proteger o capital investido na carga é o único caminho para manter a competitividade e a sustentabilidade no Comércio Exterior.

Sua operação no trecho Ásia-Brasil já está preparada para os impactos operacionais dos próximos meses?

Renata Palmeira é CEO do RêConecta News, executiva comercial e especialista em Logística, Comércio Exterior e Gestão de Pessoas. Com mais de 25 anos de experiência nos setores de vendas e logística, atua na gestão comercial, desenvolvimento de equipes e soluções logísticas integradas. Fundadora do portal RêConecta News, trabalha para ampliar a visibilidade e o posicionamento estratégico de empresas e profissionais de Comex e Logística, além de atuar como palestrante nas áreas de vendas, marketing e logística.

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O que ameaça os preços da Black Friday e do Natal no Brasil?

As promoções da Black Friday, uma das datas mais importantes do varejo brasileiro, começam a ser definidas muito antes de novembro. É em agosto que fabricantes e varejistas negociam as compras que abastecerão as lojas nos últimos meses do ano, grande parte delas composta por produtos importados ou fabricados com componentes vindos da Ásia.

Neste ano, porém, o consumidor pode encontrar um cenário diferente. A alta do frete marítimo internacional e as tensões geopolíticas globais aumentaram significativamente os custos de importação, reduzindo a margem para grandes descontos e influenciando até mesmo a variedade de produtos disponíveis nas prateleiras.

Frete marítimo pressiona custos da Black Friday

O principal fator de preocupação para a Black Friday 2026 é a disparada do frete marítimo. O custo do contêiner de 40 pés entre Ásia e Brasil saltou de cerca de US$ 3 mil em abril para US$ 9 mil em junho, estabilizando-se posteriormente na faixa de US$ 6 mil.

Esse aumento não afeta apenas o preço final dos produtos. Mercadorias de menor margem de lucro ou que ocupam maior espaço nos contêineres tendem a perder competitividade, reduzindo sua presença nas lojas.

Como o tempo médio entre o embarque na Ásia e a chegada ao Brasil é de aproximadamente 60 dias, os contêineres enviados durante o pico dos custos começam a desembarcar agora. Por isso, os impactos devem ser percebidos justamente no período de abastecimento da Black Friday e das vendas de Natal.

Geopolítica influencia toda a cadeia logística

Hoje, acompanhar o cenário geopolítico deixou de ser apenas uma questão estratégica e passou a ser uma necessidade para quem atua no comércio exterior.

Os conflitos no Oriente Médio levaram diversos armadores a evitarem o Canal de Suez, optando pela rota do Cabo da Boa Esperança. Essa mudança acrescenta cerca de 15 dias às viagens marítimas, aumentando despesas com combustível, seguros e utilização dos navios.

Ao mesmo tempo, a instabilidade no Estreito de Ormuz e o congestionamento dos principais portos mundiais fizeram a logística internacional atingir níveis semelhantes aos observados durante a pandemia, quando houve uma verdadeira disputa por contêineres.

O impacto para empresas e consumidores

Nem todos os produtos sentirão o aumento dos custos da mesma forma.

Itens volumosos e de menor valor agregado, como pneus e algumas mercadorias de baixo ticket, sofrem maior pressão, já que o custo fixo do frete é dividido entre poucas unidades. Já produtos de maior valor, como eletrodomésticos e eletrônicos, conseguem absorver parte desse aumento sem comprometer totalmente sua competitividade.

Para o consumidor, o resultado pode aparecer de diferentes maneiras:

  • descontos mais modestos na Black Friday;
  • menor variedade de alguns produtos importados;
  • maior oferta de itens compactos e essenciais;
  • condições de parcelamento mais atrativas para compensar preços mais elevados.

Planejamento será o diferencial competitivo

Mais do que nunca, planejamento será a principal vantagem das empresas.

Importadores que anteciparam suas compras conseguiram reduzir parte dos impactos do aumento do frete, embora tenham precisado investir em armazenagem para manter estoques preparados para o segundo semestre.

Já quem deixou as importações para os últimos meses do ano enfrenta um mercado com menor disponibilidade de espaço nos navios e custos muito mais elevados. Nesse cenário, ocorre uma verdadeira disputa por capacidade logística, pressionando margens e aumentando o CAC (Custo de Aquisição de Clientes), já que vender se torna mais caro.

Por outro lado, empresas que trabalham com antecedência conseguem estruturar melhor sua operação, fortalecer o relacionamento com seus clientes e construir campanhas menos dependentes de descontos agressivos.

Planejar cenários é uma estratégia, não uma opção

Sempre defendi que empresas que atuam no comércio exterior precisam trabalhar com projeções de cenários. A logística internacional é dinâmica e altamente sensível a fatores econômicos e geopolíticos. Antecipar decisões significa reduzir riscos, preservar competitividade e entregar mais valor ao cliente.

A Black Friday acontece em novembro e o Natal em dezembro, mas o sucesso dessas datas começa muitos meses antes, no planejamento das importações.

A pergunta que fica é simples:

Sua empresa antecipou as compras para a Black Friday e o Natal ou ainda está refém dos custos elevados do frete marítimo?



Renata Palmeira é CEO do RêConecta News, executiva comercial e especialista em Logística, Comércio Exterior e Gestão de Pessoas. Com mais de 25 anos de experiência nos setores de vendas e logística, atua na gestão comercial, desenvolvimento de equipes e soluções logísticas integradas. Fundadora do portal RêConecta News, trabalha para ampliar a visibilidade e o posicionamento estratégico de empresas e profissionais de Comex e Logística, além de atuar como palestrante nas áreas de vendas, marketing e logística.

*Imagem ilustrativa em destaque produzida por IA.

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O Império que nasce nos bastidores dos grandes espetáculos

O evento final da Copa do Mundo 2026 foi marcado por um verdadeiro espetáculo de oportunidades e conexões de valor. A cerimônia de encerramento começou com um discurso incrível do ator Tom Cruise, que emocionou todo o estádio:

“Eles começaram uma jornada. Cruzaram oceanos. Cruzaram fronteiras. Cruzaram culturas. E, juntos, mostraram-nos por que este jogo pertence ao mundo. O futebol é uma linguagem que se fala sem palavras, uma força que une as pessoas, que transforma estranhos em amigos e nos lembra do que todos temos em comum. Então, enquanto nos reunimos para um último capítulo, celebremos um torneio que uniu o mundo. Celebremos uns aos outros. Isso é futebol. Isso é união. Isso é grandeza.”

Com o início da partida, os olhos da plateia se dividem entre a genialidade no campo e a energia dos torcedores ao redor. É exatamente aí, na paixão compartilhada e no olho no olho, que nascem as grandes oportunidades e a geração de novos contatos.

Quando compartilhamos da mesma paixão com outras pessoas, criamos o terreno ideal para gerar conexões de valor.

Um grande exemplo disso está na história real do investidor Chris Gardner, retratada de forma brilhante no filme À Procura da Felicidade. Em um momento decisivo, a oportunidade de acompanhar um potencial cliente a um grande evento esportivo foi o gatilho que ele precisava. Ali, fora do ambiente frio do escritório, ele gerou a conexão e a empatia necessárias para, mais tarde, conquistar a grande oportunidade de sua vida.

Estar em ambientes onde as pessoas compartilham do mesmo propósito e da mesma energia é o passo mais fértil para o início de grandes relações de amizade e, consequentemente, de grandes negócios.

Daí nasce a verdadeira importância de frequentar os lugares certos:

  • Os ambientes de esporte nos ensinam o valor da disciplina, da consistência e da superação diária. Eles moldam a nossa mentalidade para vencer.
  • Os ambientes de conhecimento reúnem pessoas que compartilham da mesma fome de evolução. Quem está ali tem uma propensão natural a buscar o desenvolvimento contínuo e está aberto a cocriar o futuro.

E as conexões mais poderosas muitas vezes não acontecem na mesa de reunião, mas nos momentos mais inesperados. Imagine o valor do networking gerado entre os participantes durante um show de intervalo. Ali, enquanto todos compartilham a mesma emoção, as barreiras desaparecem e dão lugar a possibilidades únicas.

A grande verdade é que, se você estiver genuinamente aberto a vivenciar esses ambientes favoráveis, você passa a ter em mãos o segredo do crescimento acelerado: a capacidade de construir um verdadeiro império através das conexões.

Porque, no fim das contas, o sucesso é feito de pontes, de pessoas e da nossa capacidade de nos conectarmos uns com os outros.

E você, qual foi a conexão mais valiosa que você já fez fora do ambiente tradicional de negócios?

Renata Palmeira é CEO do RêConecta News, executiva comercial e especialista em Logística, Comércio Exterior e Gestão de Pessoas. Com mais de 25 anos de experiência nos setores de vendas e logística, atua na gestão comercial, desenvolvimento de equipes e soluções logísticas integradas. Fundadora do portal RêConecta News, trabalha para ampliar a visibilidade e o posicionamento estratégico de empresas e profissionais de Comex e Logística, além de atuar como palestrante nas áreas de vendas, marketing e logística.

Foto: REUTERS/Hannah Mckay

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Representatividade da Mulher no Comércio Exterior e as barreiras existentes em sua trajetória profissional


Muito se discute sobre o empoderamento feminino, mas a distância entre o discurso e a prática ainda se reflete na escassez de mulheres em posições de destaque. No Comércio Exterior, esse desafio de equidade na liderança permanece latente.

Hoje as mulheres são mais atuantes e a representatividade cresceu, mas o acesso a cargos gerenciais continua restrito, mantendo a maioria na área operacional do Comércio Exterior. Embora existam escolhas pessoais e fatores como a autossabotagem, o que mais desafia o mercado é a existência da ‘barreira de gênero’. É inquietante notar quantas mulheres altamente competentes, com total capacidade e desejo de liderar, acabam encontrando obstáculos estruturais no caminho rumo ao topo.

No Brasil, as mulheres possuem, em média, maior nível de escolaridade que os homens. Contudo, quando analisados trabalhadores com ensino superior completo, a distância salarial em vez de diminuir, aumenta. Em cargos de alta qualificação, o homem chega a receber até 35% mais desempenhando funções equivalentes.

O indicador de remuneração média mensal das mulheres equivale a cerca de 80,7% da recebida pelos homens. Conforme estudos a pirâmide organizacional (cargos de diretoria, gerência e gerência operacional de Comércio Exterior, por exemplo), a diferença na composição da remuneração total — que engloba bônus, comissões e gratificações — se alarga expressivamente em favor dos homens.

Embora os índices de capacitação e escolaridade feminina superem com frequência os masculinos, essa excelência acadêmica ainda não se reflete na equidade profissional. O caminho a ser trilhado pelas mulheres continua repleto de obstáculos, perpetuando uma realidade de cargos e salários inferiores aos de seus pares homens.

Os desafios da trajetória feminina ganham uma complexidade ainda maior com a maternidade — um momento frequentemente cercado de vieses e discriminação no mercado. No entanto, equilibrar a vida pessoal e a profissional é uma das grandes marcas da competência feminina. Longe de reduzir a capacidade de entrega, a maternidade frequentemente impulsiona uma nova versão dessa profissional, potencializando sua resiliência, liderança e determinação. Em uma realidade onde o protagonismo feminino sustenta grande parte dos lares brasileiros, a maternidade é um motor de força, e nunca uma limitação. 

Para além das barreiras que cercam as mulheres no mercado interno, as profissionais de Comércio Exterior enfrentam um desafio geopolítico único: a barreira cultural. Em mesas de negociação globais, muitas executivas ainda se deparam com culturas, costumes ou preceitos religiosos que rejeitam a liderança feminina, exigindo delas uma resiliência e uma inteligência estratégica em dobro para consolidar negócios em países onde o protagonismo da mulher ainda é contestado.

Mas essas barreiras estão sendo quebradas. A trajetória recente da Secretária do MDIC, Tatiana Prazeres, em mesas de negociações internacionais de alto nível, ilustra perfeitamente como a liderança e a autoridade feminina vêm desbravando e redefinindo esses espaços. Ela é a prova de que o topo do comércio internacional também é lugar de mulher.

Mesmo com alto grau de instrução, qualificação e conhecimento de mercado, a mulher enfrenta a constante pressão de ter que provar sua capacidade a todo instante — seja para a sociedade, para seus colegas de profissão, superiores ou em mesas de negociação. Essa é uma realidade diária e incansável. A disparidade de gênero é um fato real. Cabe a nós mulheres continuarmos firmes na busca pelo nosso espaço e pela igualdade, mas temos a clareza de que não podemos encarar essa jornada sozinhas.

Para que possamos, de fato, transformar o mercado e expandir a representatividade feminina no Comércio Exterior, o caminho começa na nossa própria rede. É por isso que fortalecemos o Grupo das Divas do COMEX & LOG: para que nenhuma de nós precise caminhar sozinha. O que podemos fazer hoje é nos unirmos em uma rede de apoio mútuo, nos espelhando e nos inspirando em lideranças que já desbravaram o caminho e conquistaram seu espaço. Juntas, nós não apenas ocupamos lugares; nós abrimos portas para as próximas que virão. Vamos evoluir, conectar e liderar!

Para que possamos avançar com base em dados reais e transformar esse cenário, convido todas as mulheres da nossa área a responderem ao nosso questionário. A sua voz é fundamental para construirmos conteúdos ainda mais qualificados, abrirmos portas para oportunidades de networking estratégico e gerarmos negócios direcionados ao fortalecimento do público feminino no setor.

Acesse o link, participe e vamos construir o futuro do nosso mercado juntas!

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSctmw9KunZwX5gtkMAOFNY6CCTZqN5RB9Qmd3owQ_Ezhqfizg/viewform?usp=publish-editor

Renata Palmeira é CEO do RêConecta News, executiva comercial e especialista em Logística, Comércio Exterior e Gestão de Pessoas. Com mais de 25 anos de experiência nos setores de vendas e logística, atua na gestão comercial, desenvolvimento de equipes e soluções logísticas integradas. Fundadora do portal RêConecta News, trabalha para ampliar a visibilidade e o posicionamento estratégico de empresas e profissionais de Comex e Logística, além de atuar como palestrante nas áreas de vendas, marketing e logística.

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Especialista

Além das quatro linhas: liderança, mercado e a engrenagem logística da Copa do Mundo

Quando olhamos para uma Copa do Mundo, a imagem que fica na memória é a do capitão erguendo a taça sob uma chuva de confetes. No entanto, o sucesso de um time de futebol e a grandiosidade de um mundial não acontecem por acaso. O espetáculo é a ponta de um iceberg sustentado por três pilares fundamentais: a liderança estratégica, o aquecimento do mercado global e uma operação logística por traz de todo o processo.


A liderança de um time de futebol: gestão de talentos sob pressão

A liderança no futebol moderno vai muito além de gritar em campo ou usar uma braçadeira. O técnico e os líderes experientes do elenco atuam como verdadeiros gestores de alta performance.  O líder precisa ter resiliência e inteligência Emocional. A pressão psicológica em torneios curtos é extrema. O bom líder absorve o impacto das críticas e blinda o grupo, mantendo o foco tático mesmo após uma derrota dolorosa.

Outro ponto relevante, é preciso trabalhar a cultura de confiança. Assim como em uma empresa, o papel do líder no futebol é fazer com que cada liderado entenda sua função e confie no companheiro ao lado, sabendo que o sucesso individual é consequência do sucesso coletivo.



A importância da Copa do Mundo para o mercado

A Copa do Mundo é o maior gatilho de consumo em massa do planeta. Quando o torneio começa, a economia global ganha uma injeção massiva de adrenalina em múltiplos setores:

E-commerce e varejo: O varejo de alimentos, bebidas e eletrônicos dispara. O desejo do torcedor de assistir aos jogos com a melhor qualidade gera picos impressionantes na venda de televisores, aparelhos de som, camisas de times além de pontos de visibilidade do evento por todo o mundo;

Marcas e patrocínios: Gigantes mundiais e regionais atrelam suas marcas ao evento para resgatar a conexão afetiva com o público, utilizando ídolos do esporte para impulsionar vendas e fidelizar clientes em campanhas bilionárias. Afinal marketing é EXPERIÊNCIA e SENSAÇÃO.

Turismo e entretenimento: Países sede e estabelecimentos locais (bares, restaurantes, fan zones) movimentam bilhões de dólares com o fluxo contínuo de torcedores nacionais e internacionais. O mundo para,  para acompanhar sua seleção e viver esse momento.


A logística do evento e das seleções

Garantir que toneladas de equipamentos de transmissão, câmeras e estruturas de mídia cruzem fronteiras com desembaraço aduaneiro prioritário para que bilhões de pessoas assistam ao jogo ao vivo, sem um segundo de atraso. Para os times, a logística gerencia o transporte milimétrico de cargas técnicas (uniformes, suplementos, equipamentos médicos) entre hotéis, centros de treinamento e estádios — muitas vezes divididos em diferentes fusos horários e países (como ocorre na estrutura tri-nacional entre EUA, Canadá e México).

Posicionamento estratégico, para eu os jogadores possam se locomover entre os estádios e ainda ter centros de treinamentos, comissão técnica, médicos. Tudo é Logística.

A logística do consumo (Mercado)

Para atender à explosão de demanda gerada pelo torneio, indústrias e varejistas precisam antecipar seus estoques em meses. No Brasil, por exemplo, a corrida pela compra de novas TVs exige uma coordenação pesada no transporte (como a cabotagem marítima saindo do Polo Industrial de Manaus para abastecer os grandes centros de distribuição). Se a logística falhar e o produto não estiver na prateleira — física ou digital — antes do apito inicial, a perda financeira é irrecuperável.

O futebol arte só brilha na tela se houver uma liderança forte blindando o vestiário, um mercado aquecido financiando o espetáculo e uma rede logística impecável movendo cada peça, no tempo exato, por trás das cortinas.

Se o mercado demanda e a liderança executa em campo, é a logística que torna tudo fisicamente possível. Uma Copa do Mundo é, essencialmente, um dos maiores desafios de Supply Chain (cadeia de suprimentos) e transporte do mundo.


Liderança de alta performance

Em um time de alta performance — seja no futebol ou no mundo corporativo —, o sucesso não depende de um único estilo de líder, mas sim da sinergia entre diferentes papéis e da capacidade de cada um assumir a responsabilidade pelo seu quadrado.

Em 1994, o Brasil quebrou um jejum de 24 anos porque esses três personagens entenderam perfeitamente seus papéis de autorresponsabilidade:

Parreira (a liderança estratégica/sistêmica): O “CEO” do time. Ele tinha a visão macro, o planejamento tático e a resiliência para aguentar as críticas externas. A autorresponsabilidade dele estava em manter a estrutura organizada e dar o suporte para que o talento aparecesse, sem querer ser a estrela do show.

Dunga (a liderança executiva/cultura): O líder de processos e cobrança dentro de campo. Dunga era o braço direito da estratégia, o cara que garantia a disciplina, o foco e que ninguém relaxasse. A autorresponsabilidade dele era o exemplo e a mentalidade de inconformismo.

Romário (a liderança técnica/entrega de resultado): O “Hyper-performer” (o craque do comercial ou da operação). Romário chamou a responsabilidade para si antes mesmo da Copa. Ele sabia do seu valor, assumiu o risco do resultado final e entregou os gols. A autorresponsabilidade dele foi cumprir a promessa de trazer a taça através da execução impecável.

O Tetra de 94 só aconteceu porque o Romário não tentou ser o Parreira, o Parreira não tentou ser o Dunga, e o Dunga não tentou dar o drible do Romário.


Para a Copa do Mundo de 2026, que está acontecendo justamente agora, a Seleção precisa reconstruir essa tríade de autorresponsabilidade.

Em 2026, o Hexa só virá se cada um desses três pilares — Estratégia (Treinador), Cultura/Cobrança (Capitão) e Execução (Craque) — assumir 100% de autorresponsabilidade pelas suas entregas, jogando de forma conectada.


E como você acha que vai ser a COPA 2026?


Por Renata Palmeira

CEO RêConectaNews

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