Agronegócio

Milho perde rentabilidade em Mato Grosso e produtores já reduzem investimentos na soja

A queda no preço do milho aliada ao aumento dos custos de produção começa a impactar diretamente o planejamento agrícola em Mato Grosso. Em Jaciara, produtores relatam dificuldade para manter a rentabilidade das lavouras e já estudam cortar investimentos na próxima safra, inclusive na cultura da soja.

Baixo preço do milho preocupa produtores

Mesmo com boas condições climáticas e expectativa de produtividade semelhante à do ano anterior, agricultores enfrentam dificuldades financeiras diante da desvalorização do cereal.

O produtor Murilo Degaspari Fritsch cultivou nesta temporada cerca de 1,5 mil hectares de milho verão e outros 2,8 mil hectares de milho segunda safra. Segundo ele, o clima favoreceu o desenvolvimento das lavouras desde o início do ciclo, garantindo um desempenho considerado satisfatório.

Apesar disso, o resultado financeiro não acompanhou a produtividade. A expectativa inicial era repetir os preços registrados em 2025, quando a saca chegou perto de R$ 80 em Jaciara. No entanto, o cenário atual é bem diferente.

Hoje, a saca do milho está sendo comercializada entre R$ 42 e R$ 43, com baixa demanda e dificuldades para negociação. Segundo o produtor, o valor não cobre os custos de produção.

Custos elevados pressionam a próxima safra

Além da desvalorização do cereal, o aumento dos insumos agrícolas agrava ainda mais a situação no campo. O custo do milho verão ficou próximo de R$ 5 mil por hectare, reduzindo drasticamente a margem de lucro do produtor rural.

Dados do projeto CPA-MT, desenvolvido pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em parceria com o Senar Mato Grosso, mostram que o custo do milho subiu 2,32% em abril, alcançando R$ 3.772 por hectare na projeção da safra 2026/27.

Os fertilizantes seguem entre os principais fatores de pressão. Segundo relatos de produtores, o fósforo praticamente dobrou de preço, enquanto potássio e adubos nitrogenados continuam em forte alta.

Diante desse cenário, muitos agricultores pretendem reduzir investimentos em tecnologia e fertilização, utilizando a reserva de nutrientes já existente no solo para diminuir despesas na próxima safra de soja.

Estratégia de manejo fica mais limitada

O produtor rural Everton Jorge Schinoca afirma que encontrar alternativas economicamente viáveis para manter a atividade se tornou um grande desafio.

Ele destaca que as usinas de etanol de milho ajudam a sustentar os preços no estado. Ainda assim, os custos seguem elevados, especialmente com a adubação nitrogenada, considerada essencial para manter a produtividade das lavouras.

Segundo Schinoca, retirar tecnologia do manejo significa reduzir diretamente o potencial produtivo da cultura. Atualmente, ele calcula que sejam necessárias entre 85 e 95 sacas por hectare apenas para cobrir os custos da próxima safra.

Com isso, a tendência é de redução significativa da área plantada com milho na propriedade da família, que deve iniciar em breve a colheita de 1,4 mil hectares de milho segunda safra em Jaciara.

Clima evita perdas maiores nas lavouras

As chuvas registradas recentemente ajudaram a amenizar os impactos da estiagem em parte das áreas produtoras. Ainda assim, produtores estimam queda de aproximadamente 10% na produtividade esperada devido ao período de seca registrado durante o desenvolvimento das plantas.

O clima adverso aumenta ainda mais a preocupação dos agricultores, principalmente em um momento de margens apertadas e custos crescentes.

Soja também pode sofrer impacto na produtividade

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, afirma que muitos produtores acabaram plantando milho fora da janela ideal após já terem adquirido sementes e fertilizantes antecipadamente.

Segundo ele, a redução das chuvas em diversas regiões e os conflitos internacionais envolvendo países fornecedores de insumos, como Rússia, Ucrânia e Irã, elevaram ainda mais os custos de produção.

O reflexo já aparece no planejamento da próxima safra. A tendência, segundo Beber, é de redução no uso de tecnologia agrícola e fertilizantes nitrogenados para tentar preservar a rentabilidade das propriedades.

O levantamento mais recente aponta que o custeio da safra de soja 2026/27 deve atingir R$ 4.286 por hectare, alta de 1,88% em relação ao mês anterior. O aumento foi puxado principalmente pelos fertilizantes, defensivos agrícolas e pela pressão do mercado internacional.

Para cobrir os custos da próxima temporada, a soja precisaria ser vendida a pelo menos R$ 68,65 por saca, valor acima do ponto de equilíbrio registrado na safra anterior.

Diante do aperto financeiro, produtores já cogitam reduzir drasticamente o uso de fertilizantes nas lavouras, o que pode comprometer a produtividade futura tanto da soja quanto do milho em Mato Grosso.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Portos

Porto de Santos registra recorde histórico com 16,5 milhões de toneladas em abril

O Porto de Santos voltou a bater recorde de movimentação de cargas e alcançou 16,5 milhões de toneladas em abril de 2026, consolidando o melhor resultado já registrado para o mês. O volume representa crescimento de 11,5% em comparação com abril do ano passado.

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o maior complexo portuário da América Latina movimentou 59,3 milhões de toneladas, avanço de 6,6% sobre o mesmo período de 2025 e novo recorde histórico para um primeiro quadrimestre.

Movimentação de contêineres cresce acima de 10%

A operação de contêineres também apresentou desempenho histórico. Em abril, o porto registrou 508,7 mil TEUs movimentados, alta de 10,7% na comparação anual.

No acumulado entre janeiro e abril, foram processados 1,91 milhão de TEUs — unidade padrão utilizada para medição de contêineres — representando crescimento de 5,4% frente ao mesmo intervalo de 2025.

Granéis líquidos avançam com alta no diesel e gasolina

O segmento de granéis líquidos encerrou o primeiro quadrimestre com 6,6 milhões de toneladas movimentadas, resultado 10,1% superior ao registrado no ano anterior e novo recorde para o período.

Somente em abril, o setor respondeu por 1,7 milhão de toneladas. Entre os principais destaques aparecem os embarques de diesel, óleo combustível e gasolina, que cresceram 27,9%, 23,9% e 15,8%, respectivamente.

Soja e açúcar impulsionam granéis sólidos

A movimentação de granéis sólidos atingiu 29,2 milhões de toneladas nos quatro primeiros meses de 2026, aumento de 8,2% em relação ao mesmo período de 2025.

Os produtos com maior crescimento foram a soja em grãos, com avanço de 54,8%, seguida pelo açúcar, que subiu 16%, e pela soja peletizada, com alta de 12%.

Em abril, o segmento apresentou expansão de 16,2% na comparação com o mesmo mês do ano passado.

Porto de Santos amplia participação no comércio exterior

O Porto de Santos respondeu por 28,5% da corrente comercial brasileira no acumulado do quadrimestre, reforçando sua importância estratégica para o comércio exterior brasileiro.

A China permaneceu como principal parceiro comercial das operações realizadas no porto. Cerca de 31,9% das transações internacionais que passaram pelo complexo tiveram o país asiático como origem ou destino.

O volume financeiro movimentado nas negociações com a China alcançou US$ 18,98 bilhões no período. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com US$ 6,27 bilhões em operações comerciais.

São Paulo lidera operações comerciais pelo porto

O estado de São Paulo manteve a maior participação nas transações internacionais realizadas por meio do Porto de Santos no primeiro trimestre de 2026.

Ao todo, foram movimentados US$ 30,3 bilhões, valor equivalente a 50,9% de toda a corrente comercial operada pelo terminal santista.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Comércio Internacional

Argentina reduz impostos sobre trigo e cevada para aliviar pressão sobre produtores rurais

O governo da Argentina anunciou a redução dos impostos de exportação sobre trigo e cevada, medida que deve trazer alívio financeiro aos produtores rurais no momento em que são definidas as estratégias de plantio para a safra 2026/27.

A avaliação foi divulgada na sexta-feira (22) pela Bolsa de Grãos de Rosário, após o presidente Javier Milei confirmar a decisão no dia anterior.

Pelas novas regras, a alíquota aplicada às exportações das duas culturas será reduzida de 7,5% para 5,5% a partir de junho.

Medida pode elevar preços pagos ao produtor

Segundo estimativas da bolsa de Rosário, a mudança deve impulsionar os preços de compra do trigo argentino entre 2,2% e 2,3%.

Na prática, isso representa um acréscimo de aproximadamente US$ 4,8 a US$ 4,9 por tonelada métrica, valor que pode ajudar a compensar o aumento dos custos com combustível, fertilizantes e frete, fatores que vêm pressionando as margens de rentabilidade do setor agrícola.

Decisão coincide com início do plantio de grãos de inverno

A redução tributária foi anunciada em um momento estratégico para o calendário agrícola do país.

O plantio dos grãos de inverno já está em andamento em diversas regiões argentinas. Dados oficiais de meados de maio apontavam avanço da semeadura de trigo em províncias como Entre Ríos, Tucumán, Catamarca e Santiago del Estero.

Já o cultivo da cevada registrava progresso em áreas da província de Buenos Aires e em outras regiões produtoras.

Governo sinaliza possível redução também para a soja

Além das mudanças envolvendo trigo e cevada, Milei indicou que os impostos sobre a exportação de soja poderão passar por cortes graduais a partir de janeiro de 2027.

A sinalização é acompanhada de perto pelo mercado, considerando o peso estratégico da commodity para a economia argentina.

Argentina mantém protagonismo no mercado global

A Argentina ocupa posição de destaque no comércio internacional de grãos.

O país está entre os principais exportadores mundiais de trigo e lidera globalmente as exportações de produtos processados de soja, setor fundamental para sua balança comercial.

A expectativa é que a redução tributária fortaleça a competitividade externa do agronegócio argentino e estimule novos investimentos na produção agrícola.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Agustin Marcarian

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Agronegócio

Alta nos custos da soja, milho e algodão pressiona produtores em Mato Grosso

O aumento da instabilidade no mercado internacional elevou os custos de produção das lavouras de soja, milho e algodão em Mato Grosso para a safra 2026/27. Os dados divulgados em abril de 2026 apontam avanço no custeio agrícola, impulsionado principalmente pelo encarecimento de insumos importados e pelos impactos logísticos globais.

Milho registra maior avanço no custeio agrícola

Levantamento do projeto CPA-MT, desenvolvido pelo Senar-MT em parceria com o Imea, mostra que o milho apresentou a maior alta mensal entre as culturas analisadas. O custo por hectare chegou a R$ 3.772,24, crescimento de 2,32% em relação a março.

O resultado foi influenciado principalmente pela valorização dos fertilizantes e corretivos, que tiveram aumento de 4,30%. Também contribuíram para a elevação os gastos com defensivos agrícolas (+2,46%) e sementes (+0,11%).

Produção de soja também fica mais cara

Na cultura da soja, o custeio estimado alcançou R$ 4.286,89 por hectare, avanço de 1,88% no comparativo mensal.

O cenário reflete o aumento das despesas com fertilizantes, que ficaram 2,73% mais caros, além da alta de 2,17% nos defensivos. O comportamento dos preços acompanha a pressão internacional sobre os insumos utilizados no campo.

Algodão sofre impacto de tensões internacionais

O algodão manteve a tendência de alta nos custos de produção. Em abril, o custeio da cultura foi estimado em R$ 10.642,28 por hectare, crescimento de 1,05% frente ao mês anterior.

Segundo o levantamento, o principal fator para o avanço foi o encarecimento dos macronutrientes, afetados pelos problemas logísticos globais relacionados às tensões no Estreito de Ormuz.

Margens dos produtores ficam mais apertadas

Com os custos operacionais em alta e os preços das commodities ainda pressionados, produtores rurais enfrentam redução nas margens de lucro.

Analistas do Imea e do Senar-MT avaliam que as incertezas no cenário externo, especialmente no Oriente Médio, ampliam os riscos para o setor agrícola, impactando diretamente a logística e os preços dos insumos.

Ponto de equilíbrio preocupa produtores de soja

Para a soja, considerando produtividade média de 62,44 sacas por hectare, o produtor precisa vender a saca a R$ 68,65 para cobrir o custeio da lavoura. O valor representa alta de 8,42% em relação à safra passada.

Com parte dos insumos ainda em processo de compra, os agricultores seguem atentos às oscilações do mercado internacional.

Milho exige estratégia de comercialização

No caso do milho, a produtividade projetada é de 118,71 sacas por hectare. O preço necessário para cobrir o custeio é de R$ 31,78 por saca, enquanto o valor para arcar com o Custo Operacional Efetivo (COE) sobe para R$ 46,34.

Como a média de preços do cereal em abril foi de R$ 45,68 por saca, o valor cobre apenas o custeio básico, exigindo maior planejamento comercial dos produtores.

Cotonicultores buscam proteger margens

Para o algodão, a produtividade média estimada é de 119,82 arrobas de pluma por hectare. Nesse cenário, o produtor precisa comercializar a arroba por pelo menos R$ 127,09 para cobrir o COE, calculado em R$ 15.227,56 por hectare.

Diante dos preços mais atrativos da fibra nos últimos meses, muitos cotonicultores aceleraram estratégias de proteção de margem e travamento de custos, ampliando a comercialização da safra 2026/27.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

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Exportação

Exportações de Mato Grosso do Sul crescem 6,26% e superávit supera US$ 2,7 bilhões

As exportações de Mato Grosso do Sul mantiveram trajetória de crescimento em 2026 e impulsionaram o desempenho da balança comercial estadual no primeiro quadrimestre do ano. Dados divulgados na Carta de Conjuntura do Setor Externo de maio, elaborada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), mostram avanço tanto em valor quanto em volume exportado.

Entre janeiro e abril, o estado somou US$ 3,61 bilhões em vendas internacionais, resultado 6,26% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Superávit comercial avança quase 8%

As importações sul-mato-grossenses totalizaram US$ 893,11 milhões nos quatro primeiros meses do ano, crescimento de 1,51% na comparação anual.

Com isso, o saldo positivo da balança comercial chegou a US$ 2,72 bilhões, alta de 7,91% frente ao mesmo intervalo do ano passado.

Além do aumento financeiro, o estado também registrou expansão significativa no volume embarcado. Mato Grosso do Sul exportou 9,67 milhões de toneladas no período, avanço de 16,61% em relação a 2025.

Soja, celulose e carne bovina lideram exportações

O desempenho das exportações continua sendo puxado pelo agronegócio e pela indústria de transformação.

A soja permanece como principal produto da pauta exportadora, representando 32,01% das vendas externas do estado. Em seguida aparecem a celulose, com participação de 26,02%, e a carne bovina, responsável por 19,02% das exportações.

China segue como principal destino das vendas externas

A China continua liderando entre os mercados compradores dos produtos sul-mato-grossenses, concentrando 48,29% das exportações estaduais.

Na sequência aparecem os Estados Unidos, com 8% de participação, e os Países Baixos, responsáveis por 4,23% das vendas internacionais.

Três Lagoas lidera ranking dos municípios exportadores

Entre as cidades de Mato Grosso do Sul, Três Lagoas aparece na liderança das exportações, respondendo por 17,84% do total comercializado.

Na sequência estão Ribas do Rio Pardo, com 11,62%, Dourados, com 10,65%, e Campo Grande, com 7,59%.

Agropecuária e indústria mantêm desempenho positivo

O levantamento aponta crescimento expressivo da agropecuária, com alta de 28,59% nos preços e avanço de 25,16% no volume exportado.

Já a indústria de transformação registrou aumento de 1,15% nos preços e crescimento de 0,68% no volume comercializado no mercado externo.

Portos de Paranaguá e Santos concentram embarques

Na logística de exportação, o Porto de Paranaguá concentrou 40,36% das mercadorias exportadas pelo estado.

O Porto de Santos aparece em seguida, respondendo por 37,62% da movimentação de cargas internacionais de Mato Grosso do Sul.

Governo destaca ambiente favorável aos investimentos

O secretário da Semadesc, Artur Falcette, afirmou que os resultados refletem os investimentos realizados nos últimos anos em infraestrutura, logística e competitividade econômica.

Segundo ele, o estado vem ampliando sua capacidade industrial, agregando valor à produção e diversificando mercados internacionais, fatores que têm fortalecido a agroindústria e impulsionado novas oportunidades econômicas em diferentes regiões.

FONTE: Agência de Notícias
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência de Notícias

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Logística

Rio Tapajós bate recordes e fortalece logística sustentável na Amazônia

O Rio Tapajós vem consolidando sua importância estratégica para a economia brasileira ao registrar recordes na movimentação de cargas e ampliar seu papel como corredor logístico da região Norte. Mesmo diante de períodos de seca moderada, a hidrovia manteve crescimento nas operações e reforçou a eficiência do transporte hidroviário como alternativa ao modal rodoviário.

O avanço da navegação no Tapajós fortalece o escoamento da produção agrícola nacional, especialmente de grãos oriundos do Centro-Oeste, além de garantir o abastecimento de cidades do oeste paraense.

Hidrovia do Tapajós registra crescimento de 14,3%

Dados do setor apontam que a Hidrovia do Rio Tapajós movimentou 16,8 milhões de toneladas em 2025, volume 14,3% superior ao registrado no ano anterior.

Um dos destaques foi a operação de comboios formados por até 36 barcaças, com capacidade para transportar aproximadamente 110 mil toneladas de carga. O modelo amplia a escala logística e reforça as vantagens ambientais da navegação fluvial.

Além da maior capacidade operacional, o transporte hidroviário apresenta menor índice de acidentes, redução no custo do frete e emissão significativamente menor de gases poluentes em comparação ao transporte rodoviário.

Soja e milho lideram movimentação de cargas

A movimentação de cargas no Tapajós é puxada principalmente pelos granéis sólidos, com destaque para soja e milho produzidos no estado do Mato Grosso.

A produção segue pela BR-163 até os terminais portuários de Miritituba, de onde é transportada por barcaças até os portos de Santarém e Barcarena para exportação ao mercado internacional.

Em 2025, soja e milho responderam por 88,4% da movimentação total da hidrovia. O período também registrou crescimento de 40% no transporte de petróleo e derivados, além de alta de 46,8% na movimentação de fertilizantes.

Primeiro bimestre de 2026 mantém ritmo acelerado

Nos dois primeiros meses de 2026, a hidrovia já transportou 2,38 milhões de toneladas de cargas.

Os grãos continuam liderando o fluxo logístico, representando 86% da movimentação total. Fertilizantes tiveram participação de 6,3%, enquanto os granéis líquidos responderam por 7,4% do volume transportado.

O avanço da atividade impulsiona investimentos na região. Atualmente, o Tapajós concentra 41 empreendimentos entre projetos, obras e operações em municípios como Itaituba, Santarém e Rurópolis.

Concessão deve ampliar segurança e eficiência da navegação

A concessão da hidrovia prevê melhorias estruturais para ampliar a confiabilidade da navegação. Entre os serviços previstos estão dragagem, derrocamento, balizamento e sinalização náutica.

O projeto também inclui investimentos privados em monitoramento tecnológico e inteligência fluvial, com foco em garantir maior segurança operacional e regularidade no transporte de cargas.

Segundo o governo, a gestão de longo prazo permitirá modernizar a infraestrutura aquaviária e fortalecer o diálogo com comunidades e setores envolvidos na atividade logística da região.

Transporte hidroviário reduz emissão de CO₂

O transporte por vias navegáveis emite cerca de 80% menos dióxido de carbono em comparação ao modal rodoviário, consolidando-se como uma solução mais sustentável para a logística nacional.

Além dos benefícios ambientais, a ampliação das concessões tende a reduzir custos de frete e melhorar a competitividade do transporte de cargas, fator que pode impactar diretamente no preço final de produtos transportados pela região.

A expectativa é que os investimentos transformem o Rio Tapajós em um eixo permanente de desenvolvimento econômico e social para o estado do Pará e toda a Amazônia.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Agricultura

Manejo precoce e sanidade do baixeiro garantem produtividade na soja e milho em Mato Grosso

As últimas safras em Mato Grosso têm sido impactadas por um fator recorrente no campo: o avanço das doenças fúngicas. De progressão rápida e sintomas iniciais pouco visíveis, essas patologias afetam a lavoura logo nos primeiros estágios, muitas vezes antes de serem identificadas pelo produtor.

O resultado é a perda de potencial produtivo ainda no início do ciclo, especialmente em sistemas intensivos do Cerrado. Nesse contexto, o manejo do baixeiro e a atenção à sanidade foliar ganham protagonismo como estratégias para evitar prejuízos acumulados até a colheita.

Perdas começam na base da planta

Especialistas destacam que os danos frequentemente se iniciam na parte inferior das plantas, comprometendo a capacidade de produção de energia necessária ao desenvolvimento inicial das culturas.

Por isso, o manejo antecipado e aplicações preventivas ao longo do ciclo são apontados como essenciais para manter a área fotossintética ativa e garantir o máximo potencial produtivo de culturas como soja, milho e algodão.

Principais doenças afetam soja e milho

O produtor Leonardo Lorenzi, que atua com soja e milho em Mato Grosso, relata que o campo enfrenta uma combinação de doenças que exigem atenção constante. Entre elas estão cercóspora, mancha-alvo, tombamento e anomalias na soja, além de bipolares, diplodia e fusarium no milho.

Segundo ele, os impactos são significativos e, em muitos casos, as perdas não podem ser revertidas. Lorenzi também observa que a soja sofre deterioração na parte inferior no final do ciclo, enquanto no milho a falta de manejo inicial compromete o desenvolvimento e eleva os custos com aplicações posteriores.

Manejo preventivo reduz prejuízos

A engenheira agrônoma Mariana Ferneda Dossin, da Basf, destaca que o sistema agrícola do Cerrado é altamente intensivo e baseado na sucessão de culturas, o que favorece a permanência das doenças ao longo do ciclo produtivo.

Ela reforça que a integridade de cada folha é decisiva para o rendimento final. Em variedades mais modernas, que possuem menor área foliar, cada estrutura da planta tem peso direto na produtividade.

“Cada folha representa uma parcela importante da produção”, explica a especialista, destacando que perdas aparentemente pequenas podem gerar impacto expressivo na colheita.

Baixeiro é ponto crítico de atenção

A pesquisadora da Fundação Rio Verde, Luana Belufi, ressalta que muitas infecções começam no terço inferior das plantas, onde surgem sinais iniciais de doenças como cercóspora e septoria.

Essa região, segundo ela, concentra parte relevante do potencial produtivo da lavoura. Por isso, evitar que as doenças avancem para as partes superiores é um dos principais objetivos do manejo eficiente de sanidade vegetal.

Luana também reforça que a integração entre tecnologias de controle e práticas de campo é fundamental para a proteção da lavoura desde a fase inicial, incluindo o tratamento de sementes.

Tecnologia e manejo elevam eficiência produtiva

No campo tecnológico, especialistas destacam o avanço de soluções voltadas ao controle de doenças desde a germinação. Produtos com maior seletividade e ação direcionada têm contribuído para reduzir impactos fisiológicos nas plantas e ampliar o espectro de controle.

Entre as estratégias adotadas, o uso de soluções voltadas ao controle de manchas foliares e proteção do baixeiro tem sido associado a ganhos de eficiência no ciclo produtivo.

O produtor Leonardo Lorenzi afirma que o foco no manejo preventivo é determinante para o resultado econômico. Em áreas de alta produtividade, pequenas melhorias no controle podem representar ganhos expressivos em sacas por hectare, com retorno superior ao custo investido.

“O manejo preventivo garante resultado e reduz perdas”, resume o agricultor.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

Produtor rural reduz investimentos em Mato Grosso diante de custos elevados e dívidas

O aumento dos custos de produção e as incertezas do mercado estão mudando o comportamento do produtor rural em Mato Grosso. Com margens de lucro apertadas, a estratégia tem sido conter gastos e priorizar apenas o essencial para garantir o próximo ciclo agrícola.

Esse movimento de retração é resultado de uma combinação de fatores, como a queda no preço das commodities agrícolas, o encarecimento dos fertilizantes e o peso das dívidas acumuladas em safras anteriores. O impacto já é percebido além das propriedades rurais, atingindo também as revendas de insumos, que enfrentam uma desaceleração nas negociações.

Produtores priorizam sobrevivência financeira

No dia a dia da lavoura, o cenário é de maior dificuldade. O agricultor Leonardo Lorenzi, que pretende plantar 3.025 hectares de soja, afirma que o momento exige disciplina financeira e foco em práticas de menor custo.

Segundo ele, a nova safra deve ser ainda mais desafiadora que a anterior. Por isso, os investimentos foram limitados à compra de sementes e defensivos agrícolas, enquanto a aquisição de adubo foi adiada na expectativa de melhores պայմաններ de mercado.

Essa mudança revela uma nova mentalidade no campo: mais do que buscar alta produtividade, o objetivo agora é garantir a saúde do caixa e manter a atividade viável.

Rentabilidade passa a ser prioridade

O produtor Flávio Kroling destaca que, após uma safra com retorno praticamente nulo, a preocupação com a rentabilidade agrícola se intensificou. Para ele, produzir mais não significa necessariamente lucrar mais.

A análise do cenário econômico e político se tornou essencial na tomada de decisões, já que qualquer variação pode comprometer os resultados da atividade.

Endividamento pressiona o setor

O alto nível de endividamento rural também limita novos investimentos. De acordo com representantes do setor, muitos produtores ainda lidam com prejuízos de ciclos anteriores, como a safra 2023/24, impactada por fatores climáticos adversos.

Com o aumento dos custos, especialmente de combustíveis, e a baixa nos preços das commodities, a prioridade tem sido reduzir despesas e buscar formas de equilibrar as finanças.

Revendas de insumos sentem desaceleração

A cautela dos produtores já afeta diretamente o comércio de insumos agrícolas. Em regiões como Primavera do Leste, o ritmo de vendas caiu significativamente.

Dados do setor indicam que a comercialização de fertilizantes está bem abaixo da média histórica, reflexo da descapitalização dos produtores e da dificuldade de acesso ao crédito.

Além disso, o custo de produção segue em alta, agravando ainda mais o cenário, principalmente para arrendatários ou agricultores que dependem de financiamento.

Perspectiva é de safra desafiadora

O atual contexto aponta para uma safra marcada por ajustes financeiros e decisões estratégicas mais conservadoras. A busca por eficiência e redução de custos deve guiar o planejamento agrícola nos próximos meses.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Agronegócio

COFCO investe mais de R$ 2 bilhões para ampliar complexo de soja em Rondonópolis

A multinacional chinesa COFCO anunciou um investimento superior a R$ 2 bilhões para expandir sua unidade industrial em Rondonópolis, um dos principais polos do agronegócio brasileiro. O objetivo é transformar a planta no maior complexo de esmagamento de soja do Brasil.

A confirmação do projeto foi feita pela prefeitura do município, e a previsão é que as obras sejam concluídas no início de 2028.

Capacidade de processamento será ampliada

Atualmente, a unidade possui capacidade para processar cerca de 4,5 mil toneladas de soja por dia. Com a expansão, esse volume deve mais que dobrar, alcançando aproximadamente 10 mil toneladas diárias.

A planta é responsável pela produção de farelo de soja, óleo de soja e biodiesel, itens estratégicos tanto para o mercado interno quanto para exportação.

Logística integrada fortalece operação

A ampliação será realizada em uma área já pertencente à empresa, próxima a um terminal ferroviário. A localização é considerada estratégica para otimizar o escoamento da produção agrícola, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade no mercado global.

Rondonópolis reforça posição no agronegócio

Conhecida como “Capital do Agro”, Rondonópolis se destaca como um dos principais centros de produção e industrialização de soja no país. O município possui a segunda maior economia do estado de Mato Grosso e desempenha papel relevante na cadeia logística do setor.

Apesar do protagonismo, o título oficial de “Capital Nacional do Agronegócio” é atribuído a Sorriso, reconhecida como a maior produtora de soja do Brasil.

Investimento reforça protagonismo do Brasil

O aporte da COFCO evidencia a importância do Brasil no cenário global de produção de soja e reforça o interesse de grandes players internacionais no desenvolvimento da cadeia agroindustrial do país.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Cofco

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Agronegócio

Exportações do agronegócio batem recorde e somam US$ 38,1 bilhões no 1º trimestre

O agronegócio brasileiro alcançou um novo marco no comércio exterior ao registrar US$ 38,1 bilhões em exportações no primeiro trimestre deste ano. O resultado, divulgado pelo Ministério da Agricultura, representa o maior valor já registrado para o período e indica avanço de 0,9% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Na comparação anual, o crescimento equivale a um acréscimo de US$ 342 milhões frente aos US$ 37,74 bilhões exportados nos três primeiros meses do ano passado. Apesar do avanço, a participação do setor nas exportações totais do país recuou de 49,1% para 46,3%.

Volume maior compensa queda de preços

O desempenho positivo das exportações do agronegócio foi sustentado principalmente pelo aumento de 3,8% no volume embarcado ao exterior. Esse crescimento conseguiu neutralizar a queda de 2,8% nos preços médios dos produtos.

De acordo com a análise técnica, a retração nos preços está ligada à desvalorização de importantes commodities agrícolas, como açúcar bruto, algodão, milho e farelo de soja.

Abertura de mercados impulsiona desempenho

Outro fator relevante para o resultado foi a ampliação do acesso a novos destinos internacionais. Entre janeiro e março, o Brasil abriu 30 novos mercados para produtos do setor, fortalecendo a presença global do agro brasileiro.

Segundo o Ministério da Agricultura, essa estratégia contribui tanto para consolidar mercados já tradicionais quanto para diversificar as exportações, garantindo maior previsibilidade ao comércio exterior.

Complexo soja lidera exportações

Entre os segmentos que mais exportaram no período, destaque para:

  • Complexo soja: US$ 12,13 bilhões (31,8% do total)
  • Carnes: US$ 8,12 bilhões
  • Produtos florestais: US$ 3,94 bilhões
  • Café: US$ 3,32 bilhões
  • Complexo sucroalcooleiro: US$ 2,33 bilhões
  • Cereais, farinhas e preparações: US$ 2,08 bilhões

Juntos, esses setores responderam por 83,8% das exportações do agronegócio no trimestre. Houve ainda recorde nas vendas externas de carne bovina e suína, tanto em valor quanto em volume.

China segue como principal destino

A China manteve a liderança como maior compradora de produtos do agronegócio brasileiro, com US$ 11,33 bilhões importados, o equivalente a 29,8% do total — alta de 4,7% na comparação anual.

Na sequência aparecem:

  • União Europeia: US$ 5,67 bilhões (14,9%)
  • Estados Unidos: US$ 2,24 bilhões (5,9%)

Também foi registrado aumento nas exportações para países como Índia, Filipinas, México, Tailândia, Japão, Chile e Turquia.

Importações caem, mas fertilizantes sobem

As importações do agronegócio somaram US$ 5,014 bilhões no trimestre, queda de 3,3% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, as compras de fertilizantes cresceram 23,9%, alcançando US$ 3,06 bilhões.

Já os gastos com defensivos agrícolas apresentaram recuo de 11,5%, totalizando US$ 891,4 milhões.

Superávit comercial do agro cresce

Com exportações em alta e importações em queda, o saldo da balança comercial do agronegócio atingiu superávit de US$ 33,073 bilhões no primeiro trimestre, acima dos US$ 32,562 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

O resultado reforça a relevância do setor no cenário internacional, sustentado por produtividade, tecnologia e capacidade de atender às demandas globais.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/UOL

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