Comércio Exterior

Exportações aceleram e superávit comercial dispara 233,7% na primeira semana de setembro

Vendas externas somaram US$ 7,30 bilhões até a primeira semana de setembro, enquanto importações chegaram a US$ 5,39 bilhões; no acumulado do ano, saldo positivo já supera US$ 57 bilhões

O comércio exterior brasileiro começou setembro em ritmo forte. Até a primeira semana de setembro de 2026, as exportações alcançaram US$ 7,30 bilhões, alta de 31,7% em relação ao mesmo período de 2025. As importações também avançaram, mas em ritmo mais moderado, somando US$ 5,39 bilhões, crescimento de 8,4%.

O resultado foi um superávit de US$ 1,91 bilhão na balança comercial, uma expansão expressiva de 233,7% na comparação anual. Já a corrente de comércio — soma das exportações e importações — cresceu 20,7%, chegando a US$ 12,69 bilhões.

Os números divulgados nesta terça-feira (08)mostram uma diferença importante entre o ritmo de crescimento das vendas e das compras externas: enquanto as exportações avançaram quase quatro vezes mais que as importações no período, o saldo comercial ganhou força.

Indústria extrativa lidera avanço das exportações

Entre os setores exportadores, a Indústria Extrativa apresentou o crescimento mais expressivo na primeira semana de setembro. As vendas externas do segmento chegaram a US$ 2,26 bilhões, alta de 84,4% frente ao mesmo período de 2025.

A Indústria de Transformação também teve desempenho positivo, com exportações de US$ 3,60 bilhões, crescimento de 17,9%. Já a Agropecuária movimentou US$ 1,41 bilhão, avanço de 15,7%.

O resultado mostra que o desempenho brasileiro no comércio exterior não está concentrado em apenas uma frente. Commodities agrícolas, produtos minerais e itens industrializados contribuíram para ampliar as vendas ao mercado internacional.

Dentro da indústria extrativa, alguns produtos apresentaram altas bastante expressivas. As exportações de minérios de cobre e seus concentrados cresceram 126,5%, enquanto os minérios de metais preciosos e seus concentrados avançaram 1.397,6%.

Outro destaque foi o petróleo bruto, cujas vendas externas aumentaram 151% na comparação com a primeira semana de setembro de 2025.

Na indústria de transformação, o crescimento também foi relevante em produtos como farelo de soja e outros alimentos para animais, com alta de 109,7%, celulose, que avançou 45,9%, e ouro não monetário, com crescimento de 169,7%.

Na agropecuária, o café não torrado registrou alta de 61,7%, enquanto as exportações de soja cresceram 5,8%.

Nem todos os produtos acompanharam a alta

Apesar do resultado positivo das exportações, alguns segmentos registraram retração.

Entre os produtos agropecuários, as vendas de algodão em bruto caíram 6%, enquanto as de sementes oleaginosas de girassol, gergelim, canola, algodão e outras recuaram 68,6%.

Na indústria extrativa, o minério de ferro e seus concentrados apresentou queda de 18,6%, enquanto as vendas de minérios de níquel recuaram 100% e as de minérios de alumínio diminuíram 27%.

Já na indústria de transformação, chamam atenção as quedas nas exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, de 22,5%, e de veículos automóveis de passageiros, de 56,1%.

Importações avançam, puxadas pela indústria

Do lado das compras externas, a Indústria de Transformação continua concentrando a maior parcela das importações brasileiras. O setor movimentou US$ 5,02 bilhões até a primeira semana de setembro, alta de 7,8%. A indústria extrativa somou US$ 270 milhões, crescimento de 32,4%, enquanto a agropecuária registrou US$ 90 milhões, avanço de 3,5%.

Entre os produtos que mais contribuíram para o aumento das importações estão os óleos combustíveis de petróleo, com alta de 108,8%, válvulas, tubos termiônicos, diodos e transistores, que avançaram 84,2%, e veículos automóveis de passageiros, com crescimento de 83,3%.

Também aumentaram as compras externas de soja, que registraram alta de 81,4%, e de milho não moído, com avanço de 23,2%.

Superávit acumulado passa de US$ 57 bilhões

O desempenho de setembro reforça uma trajetória positiva observada ao longo de 2026. No acumulado de janeiro até a primeira semana de setembro, as exportações brasileiras somaram US$ 258,15 bilhões, crescimento de 10,7% em relação ao mesmo período de 2025.

As importações alcançaram US$ 200,93 bilhões, alta de 5%. Com isso, o Brasil acumula um superávit comercial de US$ 57,22 bilhões, crescimento de 36,7% na comparação anual. A corrente de comércio também avançou, chegando a US$ 459,08 bilhões, alta de 8,1%.

Mercado acompanha ritmo das exportações

Os dados da primeira semana de setembro reforçam um cenário de crescimento das operações de comércio exterior brasileiro, especialmente pelo ritmo das exportações.

O avanço de 31,7% nas vendas externas, combinado ao crescimento mais moderado das importações, ampliou significativamente o saldo comercial no período. No acumulado do ano, a diferença entre exportações e importações já ultrapassa US$ 57 bilhões.

Para empresas que atuam em comércio exterior, logística, transporte internacional e operações portuárias, o desempenho também sinaliza um mercado externo movimentado, com forte participação de commodities e expansão em determinados produtos de maior valor agregado.

Mais do que o tamanho do saldo, o ponto de atenção está na velocidade de crescimento das exportações, que começa setembro muito acima do ritmo observado nas importações.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) – Balança Comercial.

Texto: Redação

Imagem: JBS Terminais / Foto Tanajura

Ler Mais
Comércio Exterior

China pode ampliar exportações de frango e disputar mercado com o Brasil, diz Rabobank

A China deve ampliar as exportações de carne de frango nos próximos anos e poderá se tornar uma concorrente mais forte do Brasil no mercado internacional da proteína. A avaliação é de Chenjun Pan, especialista em carnes do Rabobank, que vê possibilidade de maior disputa entre os dois países em mercados como Oriente Médio, Ásia e África ao longo da próxima década.

A mudança ocorre em um cenário no qual a China, atualmente o principal destino da carne de frango brasileira, passou a ser exportadora líquida da proteína em 2025. O movimento está relacionado principalmente ao aumento da oferta de cortes menos consumidos pelos chineses, como o peito de frango.

China começa a ganhar espaço nas exportações de frango

Segundo Pan, ainda não há uma concorrência direta em grande escala com o Brasil, mas o cenário pode mudar nos próximos anos.

A especialista considera que as exportações chinesas de carne de frango in natura apresentam potencial de crescimento, especialmente porque o país passou a vender maiores volumes de cortes como peito de frango no mercado externo.

A China já exportava produtos avícolas há anos, mas historicamente sua presença internacional estava mais concentrada em carne de frango processada. O avanço recente dos embarques de produtos in natura representa uma mudança importante na estratégia do setor.

Brasil ainda lidera mercado global

A China é atualmente o segundo maior produtor mundial de carne de frango, atrás apenas dos Estados Unidos. Mesmo com o crescimento recente, sua participação nas exportações ainda está muito abaixo da brasileira.

Em 2025, a China exportou pouco mais de 1 milhão de toneladas de carne de frango, segundo relatório anual da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

No mesmo ano, o Brasil manteve a liderança mundial e atingiu o recorde de 5,3 milhões de toneladas exportadas.

A diferença mostra a distância que ainda separa os dois países, embora o avanço da produção chinesa possa alterar a dinâmica do comércio internacional nos próximos anos.

Hábitos de consumo geram excedentes exportáveis

Um dos fatores que ajudam a explicar o crescimento das exportações chinesas é o perfil de consumo doméstico.

Segundo Pan, os consumidores chineses demonstram maior preferência por asas e pés de frango, enquanto o peito tem menor procura no mercado interno. Com o aumento da produção, esse desequilíbrio gera excedentes de determinados cortes que podem ser direcionados para outros países.

A produção chinesa vem crescendo em ritmo próximo de 10%, enquanto a demanda doméstica avança mais lentamente.

Entre os destinos das exportações chinesas estão Rússia, Hong Kong, Coreia do Norte e países do Oriente Médio.

União Europeia, Japão e Coreia do Sul seguem fora da disputa

Apesar da expansão, a China ainda encontra restrições importantes em alguns dos principais mercados consumidores de frango.

A União Europeia, o Japão e a Coreia do Sul não aceitam carne proveniente de aves vacinadas contra a gripe aviária. A China utiliza a vacinação como parte de sua estratégia para reduzir os impactos da doença, o que limita o acesso de seus produtos a esses mercados.

Por isso, a competição com o Brasil tende a ser mais relevante em regiões que aceitam a carne chinesa, como partes da Ásia, África e Oriente Médio.

Produção chinesa cresce mais de 9% no primeiro semestre

A expansão da oferta continua acelerada. No primeiro semestre de 2026, a produção chinesa de carne de frango aumentou mais de 9% na comparação anual, depois de crescer cerca de 7% em 2025.

Para Pan, o ritmo de expansão da produção supera o crescimento da demanda doméstica.

Esse cenário aumenta a disponibilidade de proteína para o mercado externo e reforça a possibilidade de crescimento das exportações chinesas.

Estratégia busca reduzir dependência da carne suína

O aumento da produção de frango também está relacionado à política chinesa de diversificação das fontes de proteína animal.

O governo busca reduzir a dependência da carne suína, que ocupa posição central na alimentação do país e tem a China como maior mercado consumidor mundial.

Durante a crise provocada pela peste suína africana, entre 2019 e 2021, a redução da oferta de carne suína provocou forte alta nos preços. A valorização da proteína também beneficiou o mercado de frango e estimulou novos investimentos na avicultura chinesa.

Com a expansão da produção, a participação do frango no mercado chinês de carnes chegou a aproximadamente 28%.

Frango também é estratégico para reduzir uso de ração

Outro fator considerado pelo governo chinês é a eficiência da produção de frango em relação à suinocultura.

A criação de aves demanda menos milho e farelo de soja para produzir uma determinada quantidade de proteína. A característica ganha importância diante do esforço de Pequim para diminuir a dependência das importações de grãos destinados à alimentação animal.

Na avaliação do Rabobank, uma eventual migração do consumo para proteínas que utilizam menos ração, combinada à expectativa de redução da produção de carne suína, pode limitar o crescimento futuro da demanda chinesa por soja.

Carne bovina pode ganhar espaço no mercado chinês

Enquanto o mercado de frango enfrenta forte expansão da oferta, a carne bovina apresenta perspectivas diferentes.

Pan considera que o consumo chinês de carne bovina ainda tem espaço para crescer no futuro. Atualmente, porém, o mercado enfrenta restrições relacionadas à oferta e às condições de importação.

Entre os fatores que afetam o Brasil estão as tarifas de importação extracota aplicadas à carne bovina brasileira e de outros países.

Brasil pode encontrar novas oportunidades após 2028

Segundo a especialista, as tarifas mais elevadas devem permanecer até 2028. Depois desse período, o cenário poderá oferecer novas oportunidades aos exportadores brasileiros.

A perspectiva está relacionada também à mudança no perfil do consumidor chinês, que tende a buscar produtos com maior processamento e valor agregado.

Nesse contexto, embora a China possa aumentar sua presença como exportadora de frango, o mercado chinês continuará sendo estratégico para o agronegócio brasileiro, especialmente se o Brasil conseguir avançar na oferta de proteínas e produtos de maior valor agregado.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Keiny Andrade/Folhapress

Ler Mais
Agronegócio

China enfrenta impactos climáticos nas lavouras e pode aumentar demanda por grãos da América Latina

As condições climáticas adversas registradas desde meados de julho em importantes regiões agrícolas da China colocam em alerta a produção de milho, soja e algodão. O avanço de ondas de calor, chuvas intensas e inundações já afeta áreas produtoras do nordeste do país, da planície do norte e de Xinjiang.

O cenário passou a ser acompanhado de perto nesta quinta-feira, 27 de agosto, por produtores, exportadores e empresas do agronegócio latino-americano. Caso os danos provoquem perdas relevantes de produtividade ou comprometam a qualidade da safra chinesa, o país poderá recorrer mais ao mercado internacional, com possíveis reflexos sobre os fluxos globais de grãos, fibras e ração animal.

Clima extremo atinge principais regiões agrícolas da China

Segundo informações divulgadas pela Reuters, algumas das principais províncias produtoras chinesas enfrentaram condições meteorológicas fora do padrão.

Em Jilin e Liaoning, as temperaturas alcançaram ou ultrapassaram recordes históricos em diversas estações. Já Heilongjiang foi afetada por uma sequência de chuvas e episódios de inundação. Em Henan, o calor intenso registrado em julho foi seguido por fortes precipitações relacionadas ao tufão Dolphin.

Neste momento, o mercado busca dimensionar os efeitos efetivos sobre a safra. A principal dúvida é se os eventos climáticos resultarão em queda de produtividade, problemas de qualidade dos grãos ou uma combinação dos dois fatores. A resposta será fundamental para determinar se a China precisará ampliar suas compras externas.

Milho chinês entra no radar dos exportadores

No caso do milho, as temperaturas elevadas coincidiram, em determinadas áreas, com fases importantes do desenvolvimento das plantas. O calor persistente durante a polinização pode prejudicar a formação dos grãos, enquanto o excesso de água aumenta os riscos em áreas mais baixas do nordeste chinês.

Apesar dos problemas localizados, analistas ouvidos pela Reuters avaliam que a expansão da área cultivada com milho pode ajudar a limitar eventuais perdas na produção total. Por isso, ainda não há elementos suficientes para projetar uma queda expressiva da oferta doméstica.

A qualidade do milho disponível após a colheita, entretanto, ganha importância. Eventuais problemas nesse aspecto podem elevar a necessidade da indústria chinesa de recorrer a fornecedores externos para garantir matéria-prima destinada à alimentação animal.

América Latina pode ser afetada por novas compras chinesas

Uma eventual redução da disponibilidade de grãos para alimentação animal na China poderia alterar os fluxos internacionais de milho, sorgo e outros produtos utilizados na pecuária.

Nesse cenário, Brasil e Argentina aparecem entre os países diretamente interessados, já que estão entre os principais exportadores mundiais de milho. Ao mesmo tempo, terão de disputar espaço no mercado chinês com os Estados Unidos e outros fornecedores.

Os efeitos para o agronegócio da América Latina também podem ocorrer de forma indireta, por meio de mudanças nos preços internacionais, prêmios de exportação, custos de frete e contratos negociados nos mercados futuros.

Importações chinesas de milho e sorgo já avançaram

Os números do comércio exterior indicam que a China vem aumentando a aquisição de alguns produtos agrícolas.

Entre janeiro e julho, o país importou 1,36 milhão de toneladas de milho, volume 61,3% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. As compras de sorgo cresceram 86,2%, enquanto as de cevada aumentaram 53,4%, segundo dados citados pela Reuters.

O movimento, por si só, não comprova o início de um ciclo estrutural de grandes importações. Ainda assim, mostra uma utilização maior de grãos importados e substitutos para alimentação animal.

Para os exportadores latino-americanos, a evolução das compras chinesas durante e após a colheita será um indicador mais importante para avaliar os efeitos do clima do que as primeiras estimativas de perdas nas lavouras.

Soja exige atenção especial de Brasil e Argentina

O mercado de soja apresenta características diferentes. Em Heilongjiang, o excesso de chuva prejudicou condições de temperatura do solo e reduziu a disponibilidade de luz, aumentando os riscos para a qualidade da produção e para os níveis de proteína.

Entretanto, existe uma diferença importante entre a soja produzida internamente pela China e aquela adquirida no exterior. Grande parte da produção doméstica é não transgênica e destinada ao consumo humano. Já a soja importada é utilizada principalmente no processamento industrial, conhecido como crushing, e na alimentação animal.

Por isso, uma eventual quebra da produção chinesa não necessariamente provocará um aumento proporcional das importações. Mesmo assim, qualquer mudança significativa na demanda do país asiático continua sendo estratégica para Brasil e Argentina, que concentram grande parcela da oferta mundial de soja.

Algodão também pode sofrer impactos

O algodão chinês é outro produto sob observação. Xinjiang responde por mais de 90% da produção nacional e enfrentou temperaturas elevadas e pouca chuva.

Em algumas áreas, as condições climáticas reduziram o número médio de cápsulas por planta, sinalizando possíveis impactos sobre a produtividade.

Ao mesmo tempo, as importações chinesas já chamam atenção. Nos primeiros sete meses de 2026, o país comprou 1,02 milhão de toneladas de algodão, praticamente o mesmo volume adquirido ao longo de todo o ano de 2025, conforme dados divulgados pela Reuters.

Se as perdas na produção doméstica forem maiores do que o esperado, a necessidade de importações poderá crescer e modificar a disputa entre fornecedores internacionais. O movimento interessa especialmente ao Brasil, que vem ampliando sua participação no comércio global de algodão.

Próximos dados serão decisivos para o mercado agrícola

Para produtores e empresas do agronegócio brasileiro e latino-americano, o principal indicador será a transformação dos danos climáticos em compras efetivas da China.

Relatórios sobre a qualidade da safra, o comportamento das importações de milho e demais grãos forrageiros, o ritmo do processamento de soja e os números do comércio de algodão serão fundamentais para medir o impacto real.

O cenário, portanto, não significa necessariamente uma alta automática das commodities agrícolas. Ele acrescenta, porém, uma variável importante às estratégias comerciais dos grandes exportadores.

Se a China precisar recorrer com maior intensidade ao mercado internacional, Brasil, Argentina, Estados Unidos e outros grandes fornecedores agrícolas voltarão a disputar de maneira ainda mais intensa a demanda do maior comprador de diversos produtos do agronegócio mundial.

FONTE: AgroLatam
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Tingshu Wang

Ler Mais
Agronegócio

Hidrovia do Tapajós: falta de dragagem pode causar prejuízo de até R$ 850 milhões

A falta de dragagem de manutenção na hidrovia do Tapajós pode provocar perdas de até R$ 850 milhões para a cadeia produtiva, segundo estimativas de entidades ligadas ao setor. O alerta foi encaminhado nesta sexta-feira (28) ao Ministério da Agricultura e Pecuária, acompanhado de um pedido para que o governo federal tome medidas para preservar a navegabilidade do rio.

O documento é liderado pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e reúne diferentes representantes do setor produtivo. As entidades consideram a realização da dragagem uma medida urgente diante do risco de queda acentuada no nível dos rios durante a safra 2026/2027.

A preocupação está relacionada aos possíveis efeitos de uma restrição à navegação. Caso as embarcações tenham sua capacidade reduzida ou deixem de operar em determinados trechos, parte das cargas poderá ser transferida para as rodovias, aumentando os custos logísticos, a pressão sobre a cadeia produtiva e as emissões de carbono.

O que está em jogo no Tapajós

A dragagem consiste na retirada de sedimentos acumulados no leito do rio para manter condições adequadas de navegação. O serviço interfere diretamente no calado das embarcações, ou seja, na profundidade que fica submersa.

Com a diminuição do nível da água, a distância entre o fundo do rio e o casco das embarcações também fica menor. Isso pode obrigar os operadores a reduzir a quantidade de carga transportada ou até interromper a navegação em trechos onde a profundidade se torne insuficiente.

O governo federal chegou a contratar uma intervenção de manutenção, mas o serviço acabou suspenso após manifestações contrárias de povos indígenas com territórios próximos ao Rio Tapajós.

Dragagem foi suspensa após protestos

Em janeiro de 2026, uma empresa foi contratada para executar a dragagem de manutenção na hidrovia. No mês seguinte, porém, o governo federal suspendeu a operação diante da resistência das comunidades indígenas da região.

A possibilidade de uma seca extrema associada ao El Niño fez o assunto voltar à pauta. Uma nova intervenção emergencial chegou a ser autorizada, mas posteriormente foi desautorizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Atualmente, o Ministério de Portos e Aeroportos monitora diariamente o nível do Rio Tapajós e as condições de navegação. Até o momento, a profundidade ainda não chegou a uma situação considerada crítica.

O setor produtivo, entretanto, cobra uma alternativa preventiva para o caso de uma estiagem mais severa comprometer a navegabilidade.

Transporte de grãos pode ser afetado

De acordo com a FPA, uma eventual redução ou interrupção da capacidade de transporte pela hidrovia poderá acrescentar entre R$ 150 e R$ 250 por tonelada aos custos logísticos.

As entidades também estimam que até 5 milhões de toneladas de grãos possam ter o escoamento prejudicado. A transferência dessas cargas para caminhões poderia gerar ainda cerca de 55 mil toneladas adicionais de emissões de carbono.

A hidrovia do Tapajós é considerada um dos principais corredores do Arco Norte, rota utilizada para transportar a produção agrícola do Centro-Oeste até portos das regiões Norte e Nordeste.

A importância da via cresceu nos últimos anos. Em 2025, foram movimentadas 16,8 milhões de toneladas de cargas pelo Rio Tapajós, alta de 14,3% em comparação com 2024, segundo dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

Soja e milho dominam as cargas

O agronegócio é o principal usuário da hidrovia. Aproximadamente 88% das cargas transportadas pelo Tapajós são compostas por soja e milho.

Somente nos dois primeiros meses de 2026, o volume movimentado dos dois produtos chegou a 2,04 milhões de toneladas, reforçando o papel estratégico do rio para o escoamento da produção agrícola brasileira.

Setor alerta para risco de nova seca

A possibilidade de uma nova queda expressiva no nível dos rios é a principal preocupação das entidades. O documento encaminhado ao governo cita a possibilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade, fenômeno que pode provocar redução das chuvas na região Norte.

O setor produtivo lembra os efeitos registrados durante o El Niño de 2023 e 2024, quando a estiagem reduziu o nível do Tapajós e dificultou o transporte de cargas pela hidrovia.

Diante desse cenário, a avaliação das entidades é de que uma intervenção preventiva poderia evitar problemas maiores durante o período de seca.

Dragagem poderia ser custeada pelo setor privado

As entidades defendem ainda que a manutenção da hidrovia seja realizada sem utilização de recursos públicos.

O documento menciona um acordo de cooperação entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e a Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior (Abani), que permite a participação da iniciativa privada na execução de serviços de dragagem de manutenção.

Segundo o setor produtivo, esse modelo possibilitaria realizar a intervenção sem gerar despesas para o governo federal. A solicitação é para que a alternativa seja viabilizada antes do período de estiagem mais intenso.

Pedido também envolve outras hidrovias

A preocupação das entidades não está restrita ao Tapajós. O documento também chama atenção para a necessidade de manutenção contínua de hidrovias estratégicas, citando como exemplo o Rio Madeira.

A intenção é reduzir a vulnerabilidade da matriz logística brasileira diante de períodos de seca e garantir alternativas para o transporte de grandes volumes de commodities.

O novo pedido foi apresentado aproximadamente dois meses depois de a FPA encaminhar outra solicitação ao governo federal para assegurar as condições de navegação no Tapajós. De acordo com a frente parlamentar, as medidas solicitadas anteriormente ainda não haviam sido executadas.

Agora, as entidades esperam que o Ministério da Agricultura e Pecuária intensifique a articulação com a Casa Civil e demais órgãos envolvidos para viabilizar os serviços de manutenção nos pontos considerados críticos antes do período mais severo de estiagem.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: José Cruz/Agência Brasil

Ler Mais
Agronegócio

Exportações do agronegócio brasileiro se aproximam da liderança global dos Estados Unidos

As exportações do agronegócio brasileiro avançam rapidamente no comércio internacional e já estão próximas de superar as vendas externas dos Estados Unidos. Enquanto o mercado norte-americano apresenta crescimento mais moderado nos últimos anos, o Brasil mantém uma trajetória de expansão no setor.

Em cinco anos, a receita brasileira com exportações agropecuárias cresceu 68%, chegando a US$ 169 bilhões. No mesmo período, os Estados Unidos registraram US$ 171 bilhões, com alta de apenas 14%. A diferença, portanto, caiu para cerca de US$ 2 bilhões.

Brasil amplia participação no mercado internacional

O avanço brasileiro ocorre em meio a dificuldades enfrentadas pelo setor agrícola dos Estados Unidos. Entre os principais fatores estão limitações de área produtiva, redução do rebanho e mudanças na dinâmica do comércio exterior.

Nos EUA, a área destinada ao plantio permanece praticamente estagnada, enquanto o rebanho bovino atingiu o menor nível em cerca de sete décadas. A menor disponibilidade de animais reduziu a capacidade de oferta interna e contribuiu para o aumento das importações de carne bovina brasileira.

Política comercial afeta vendas dos Estados Unidos

As medidas protecionistas adotadas durante o governo de Donald Trump também pressionaram as relações comerciais americanas com parceiros estratégicos.

Um dos reflexos aparece nas vendas para a China, que recuaram 49% em cinco anos. Também houve perda de espaço nas relações comerciais dentro do USMCA, acordo que reúne Estados Unidos, Canadá e México.

Enquanto isso, o Brasil aproveitou oportunidades abertas no comércio global para ampliar seus embarques e diversificar os destinos das exportações brasileiras.

Brasil ganha força em soja, milho e carnes

A disputa pela liderança no mercado de grãos também mudou de configuração. Nos Estados Unidos, a soja deixou de ser o principal produto em receita de exportação e foi ultrapassada pelo milho.

Esse movimento ajudou a consolidar a posição brasileira como líder mundial em oleaginosas e ampliou a relevância do país no comércio internacional de proteína animal.

Exportações brasileiras avançam na América do Norte

A expansão do agronegócio brasileiro não se limita aos mercados tradicionais. Os produtos nacionais ganharam espaço em diferentes continentes, com crescimento também na América do Norte.

Nos últimos cinco anos, as vendas brasileiras para a região aumentaram 11%. Parte desse avanço está relacionada à demanda dos Estados Unidos por proteína animal, especialmente diante das limitações da produção doméstica.

Com a combinação de aumento da produção, diversificação de mercados e maior presença internacional, o agronegócio brasileiro se aproxima de um novo marco: ultrapassar os Estados Unidos em valor de exportações agropecuárias.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de São Paulo

Ler Mais
Agronegócio

China acelera compras de soja dos EUA diante de risco de safra menor e preços mais altos

A China aumentou o ritmo de compras de soja dos Estados Unidos em meio às preocupações com o potencial da nova safra norte-americana e à possibilidade de preços mais elevados nos próximos meses.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou nesta sexta-feira (21) uma venda de 1,432 milhão de toneladas de soja da safra 2026/27. Desse total, 712 mil toneladas foram destinadas à China, enquanto outras 720 mil toneladas tiveram como destino países não divulgados — volume que o mercado considera que também possa ter como destino os chineses.

China já responde por quase metade das vendas

A nova operação reforça o avanço da demanda pela soja norte-americana. Segundo levantamento da Agrinvest Commodities, o relatório semanal divulgado na quinta-feira apontava 11,86 milhões de toneladas já comprometidas da safra 2026/27.

Com os negócios anunciados posteriormente, o volume indicado de vendas chega a 13,58 milhões de toneladas, equivalente a aproximadamente 30% das 45,18 milhões de toneladas que o USDA estima que os Estados Unidos exportarão no ciclo.

Desse total, 6,54 milhões de toneladas têm a China como destino, o equivalente a 48% das vendas já contabilizadas.

A Agrinvest também destaca que outras 870 mil toneladas atualmente registradas como “destinos desconhecidos” ainda podem ser atribuídas a compradores específicos ao longo do ano comercial.

Vendas americanas ganham ritmo

De acordo com a consultoria, os dados oficiais de 13 de agosto já mostravam que o programa de exportação dos Estados Unidos estava acima dos níveis registrados nas três temporadas anteriores, ficando atrás somente de 2022/23.

Os anúncios mais recentes ampliaram essa diferença e reforçaram a percepção de aceleração da demanda internacional pela soja dos EUA.

Somente nesta semana, além da venda anunciada nesta sexta-feira, o USDA havia informado negócios de 136 mil toneladas na terça-feira (18) e de outras 150 mil toneladas para destinos não revelados na quinta-feira (20).

Compras ocorrem antes de possível alta em Chicago

Na Bolsa de Chicago (CBOT), o anúncio do USDA ajudou a limitar as perdas durante o pregão desta sexta-feira, mas não foi suficiente para impedir a realização de lucros após uma semana de fortes altas.

Por volta das 13h50, no horário de Brasília, o contrato de novembro era negociado a US$ 12,34 por bushel, enquanto o vencimento de março de 2027 estava em US$ 12,54.

As cotações ganharam força ao longo da semana após os dados do Pro Farmer Crop Tour indicarem problemas relevantes em importantes regiões produtoras dos Estados Unidos. Os resultados levantaram dúvidas sobre o potencial produtivo da nova safra e aumentaram as expectativas de possíveis revisões nas estimativas de produção, produtividade e estoques pelo USDA.

Clima nos EUA aumenta preocupação com oferta

O cenário de clima adverso nos Estados Unidos é acompanhado de perto pelo mercado, principalmente diante da possibilidade de uma produção abaixo das expectativas iniciais.

A perspectiva de menor oferta potencial ocorre justamente em um momento de fortalecimento da demanda chinesa. A China, maior importadora mundial de commodities agrícolas, vem ampliando as compras de soja americana enquanto busca garantir matéria-prima para a produção de ração.

Até meados de agosto, os dados oficiais indicavam que os chineses já haviam comprado quase 6 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos.

A operação de 712 mil toneladas anunciada nesta sexta-feira representa o maior volume de compra diária da temporada, em um movimento que ocorre antes do encontro previsto para setembro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping.

Produtores americanos acompanham reação do mercado

A movimentação dos compradores chineses também é observada pelos produtores dos Estados Unidos. Lee Brooke, presidente do conselho da Associação de Soja de Iowa, afirmou à Bloomberg que os agricultores vêm buscando demanda em mercados menores enquanto a China também recorre a outros fornecedores.

Para o produtor Brian Nilson, do Nebraska, um dos estados atingidos por condições climáticas adversas, o cenário evidencia o dilema entre produção agrícola e preços da soja.

Na avaliação do produtor, preços mais elevados normalmente aparecem quando há problemas na produção, criando um equilíbrio delicado para quem depende da atividade agrícola.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

Ler Mais
Comércio Exterior

Exportações brasileiras ficam mais concentradas em poucos produtos em 2026, aponta FGV

As exportações brasileiras registraram maior concentração em poucos produtos nos primeiros sete meses de 2026. De acordo com o Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getulio Vargas (FGV), os cinco principais itens da pauta exportadora responderam por 46,7% das vendas externas do país entre janeiro e julho. No mesmo período de 2025, essa participação era de 43,3%.

O cenário ocorre em meio às incertezas do comércio internacional, marcadas por tensões geopolíticas e pelos impactos associados ao chamado “efeito Trump”.

Petróleo e soja lideram contribuição para as exportações

No acumulado do ano, o petróleo foi o principal destaque entre os produtos exportados pelo Brasil, com contribuição de 33,2% para o desempenho das vendas externas. A soja aparece na sequência, com 22,44%.

A carne bovina também esteve entre os produtos relevantes da pauta exportadora. Em julho, porém, os efeitos foram diferentes entre as principais commodities. Petróleo, soja e óleo combustível contribuíram positivamente para o resultado, enquanto carne bovina e minério de ferro exerceram pressão negativa.

No caso do petróleo, a quantidade exportada caiu 8,2% em julho na comparação anual. A valorização de 35,2% nos preços, entretanto, compensou a redução do volume e garantiu impacto positivo sobre o resultado das exportações.

Comércio exterior avança em valor apesar da queda nos volumes

Os dados da FGV mostram que o comércio exterior brasileiro apresentou desempenho positivo em valor em julho, mesmo com retração nos volumes negociados.

As exportações cresceram 6,2% em relação a julho de 2025, enquanto as importações avançaram 7,6%. Por outro lado, o volume exportado diminuiu 4,0%, e os preços das exportações subiram 10,7%. Nas importações, houve aumento de 8,0% nos preços, acompanhado também por redução no volume.

No acumulado de janeiro a julho, as exportações brasileiras cresceram 10,5%, resultado de uma alta de 2,8% no volume e de 7,1% nos preços.

As importações tiveram crescimento de 5,5% no período, com avanço de apenas 0,2% no volume e aumento de 5,2% nos preços.

Superávit comercial chega a US$ 49 bilhões

A balança comercial brasileira encerrou julho com superávit de US$ 7,1 bilhões. Com isso, o saldo positivo acumulado em 2026 chegou a US$ 49 bilhões, US$ 11,8 bilhões acima do registrado no mesmo intervalo de 2025.

Entre os principais parceiros comerciais, a China apresentou melhora significativa no saldo para o Brasil, com aumento de US$ 8,1 bilhões. A relação comercial com a União Europeia também registrou avanço, com ganho de US$ 2,9 bilhões.

Já nas operações com os Estados Unidos, o déficit comercial aumentou de US$ 2,1 bilhões para US$ 2,3 bilhões.

Com a Argentina, o superávit brasileiro recuou de US$ 3,5 bilhões para US$ 1,2 bilhão no acumulado até julho.

Concentração aumenta em meio às incertezas do comércio global

Os números do Icomex indicam que, apesar do crescimento das exportações brasileiras em 2026, a pauta externa está mais dependente de um grupo restrito de produtos, especialmente commodities como petróleo e soja.

A combinação entre preços internacionais, volumes exportados e cenário geopolítico segue sendo determinante para o desempenho do comércio exterior brasileiro.

Fonte: Fundação Getulio Vargas (FGV), por meio do Indicador de Comércio Exterior (Icomex).

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News

Ler Mais
Comércio Internacional

China impulsiona vendas de soja dos EUA, mas compras devem ficar dentro de acordo

As vendas de soja dos Estados Unidos para a safra 2026/27 continuam em ritmo elevado, com forte participação da China. Os dados foram divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no relatório semanal de exportações referente à semana encerrada em 6 de agosto de 2026.

O milho também apresentou desempenho firme no período, enquanto as vendas de trigo perderam força. De modo geral, os números ficaram próximos ou abaixo das expectativas do mercado.

Segundo Karen Braun, analista-chefe de mercado da Zaner Ag Hedge, as vendas semanais de soja da nova safra vêm apresentando um ritmo mais expressivo do que os compromissos de milho nas últimas semanas.

China concentra compras de soja dos EUA

As vendas de soja da safra 2026/27 somaram 1,759 milhão de toneladas, dentro da faixa projetada pelo mercado, de 1,5 milhão a 1,9 milhão de toneladas.

A China respondeu por 1,446 milhão de toneladas, consolidando-se novamente como o principal destino da oleaginosa norte-americana.

O USDA também anunciou, nesta quinta-feira, uma nova venda de 125 mil toneladas. Foi o terceiro anúncio da semana, elevando o total divulgado no período para 505 mil toneladas.

Para a safra 2025/26, os Estados Unidos registraram vendas de 75,1 mil toneladas de soja. O resultado também ficou dentro das estimativas, que variavam de um cancelamento de 200 mil toneladas a vendas de 300 mil toneladas. A China voltou a aparecer entre os principais compradores.

Compras chinesas devem seguir acordo de 25 milhões de toneladas

O aumento da presença chinesa no mercado de soja dos EUA ganhou destaque nas últimas semanas. Analistas, porém, avaliam que o ritmo atual ainda está alinhado ao compromisso firmado entre os dois países para a aquisição de 25 milhões de toneladas.

Para Pedro Vasconcelos, analista de mercado da Pátria Agronegócios, o volume comprado até agora indica que a China está avançando para cumprir o acordo, mas ainda não demonstra um ritmo suficiente para apontar para compras de 30 milhões a 35 milhões de toneladas.

A avaliação é que, caso os chineses não acelerem significativamente as compras nos próximos meses, o país deverá ficar próximo da meta estabelecida.

Ainda assim, Vasconcelos não descarta a possibilidade de a China adquirir um volume superior ao acordado. No cenário atual, entretanto, o ritmo observado indica principalmente o cumprimento do compromisso.

Mercado pode abrir espaço para a soja brasileira

Ginaldo Sousa, diretor-geral do Grupo Labhoro, também destaca a influência das compras chinesas sobre o mercado internacional de soja.

Segundo ele, os chineses devem continuar recorrendo à produção norte-americana entre o fim de outubro e dezembro, período em que os prêmios nos Estados Unidos tendem a ser mais competitivos.

A partir de janeiro, com a entrada da safra de soja do Brasil, a dinâmica pode mudar. Sousa aponta que os prêmios para março apresentam alta entre 5 e 10 centavos, mas ainda sem comportamento considerado excepcional em comparação com anos anteriores.

Nesse cenário, o mercado pode oferecer novas oportunidades aos produtores brasileiros, especialmente durante a transição entre as safras dos dois principais fornecedores globais.

Vendas de milho também apresentam bom desempenho

O mercado de milho dos Estados Unidos registrou números firmes tanto para a safra atual quanto para os compromissos futuros.

As vendas da safra 2025/26 alcançaram 410,7 mil toneladas, superando as projeções do mercado, que variavam entre um cancelamento de 100 mil toneladas e vendas de 400 mil toneladas. A Espanha foi o principal destino do cereal.

Já os negócios referentes à safra 2026/27 de milho somaram 924,5 mil toneladas. O volume ficou dentro das expectativas, estimadas entre 800 mil e 1,4 milhão de toneladas.

O México liderou as compras do cereal norte-americano no período.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

Ler Mais
Agricultura

20 municípios que mais produzem soja no Brasil: veja os líderes da safra

O Brasil deve colher 180,5 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, segundo o balanço mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa uma alta de 5,3% em relação à temporada anterior e reforça a força da produção de soja no país.

Soja mantém trajetória de crescimento no Brasil

A expectativa de uma nova produção recorde evidencia a capacidade de reação dos produtores brasileiros diante dos desafios do campo. Mesmo com os riscos relacionados ao clima, o setor continua ampliando os investimentos na principal commodity agrícola do país.

A soja brasileira está presente em praticamente todas as regiões nacionais. Atualmente, o cultivo do grão alcança 2.640 municípios, distribuídos de Norte a Sul, mostrando a ampla presença da oleaginosa no território.

Municípios que lideram a produção de soja

Os dados do levantamento Produção Agrícola Municipal (PAM), elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a produção está concentrada em algumas das principais áreas agrícolas do país.

De acordo com o relatório, os 20 municípios que mais produzem soja no Brasil respondem, juntos, por aproximadamente 14% de toda a produção nacional.

O ranking evidencia a importância dessas localidades para o mercado de grãos, para o agronegócio brasileiro e para o abastecimento da cadeia ligada à soja.

Produção nacional segue em alta

Com a perspectiva de 180,5 milhões de toneladas na safra 2025/26, o Brasil mantém sua posição de destaque no cenário mundial da produção de soja. O resultado também reforça o peso da cultura na economia agrícola e nas exportações do país.

A expansão da área cultivada, aliada ao desempenho das lavouras, mantém a soja entre os principais motores do agronegócio brasileiro.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: IA

Ler Mais
Exportadores agrícolas

Exportações agrícolas da América Latina ganham novo mapa comercial com China e Estados Unidos

As exportações agrícolas da América Latina estão passando por uma transformação que redefine os principais fluxos do comércio internacional de alimentos e commodities. A expansão da influência de China e Estados Unidos vem alterando os destinos da produção regional e, consequentemente, a configuração das cadeias globais de alimentos.

Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), a mudança vai além da simples escolha de novos compradores. O movimento afeta produtores, tradings, indústrias de processamento, empresas de logística e investidores que atuam no agronegócio internacional.

Nesse novo cenário, identificar os principais destinos da produção latino-americana é fundamental para compreender as tendências de longo prazo do comércio agrícola e os possíveis caminhos de expansão para os países da região.

China amplia influência sobre as commodities sul-americanas

Na última década, a China consolidou sua posição como um dos principais destinos das exportações agrícolas e de commodities da América do Sul.

A demanda chinesa por soja, carne bovina, celulose, minerais e outros produtos estratégicos fortaleceu os vínculos comerciais com países como Brasil, Chile e Peru. O crescimento desses fluxos transformou o mercado asiático em um componente cada vez mais importante para o agronegócio sul-americano.

O Brasil, em particular, ampliou sua integração com o mercado chinês, enquanto Chile e Peru também aprofundaram a relação comercial com o país asiático.

Estados Unidos mantêm força no México e na América Central

Enquanto a China ganha espaço na América do Sul, os Estados Unidos continuam exercendo forte influência sobre o comércio de México, Colômbia, Equador e diversos países da América Central.

O México permanece especialmente integrado à economia norte-americana, beneficiado por cadeias produtivas, estruturas logísticas e acordos comerciais construídos ao longo de décadas.

Essa divisão dos fluxos comerciais cria dois grandes eixos de integração: a América do Sul cada vez mais conectada à Ásia, especialmente à China, e o México e a América Central fortemente vinculados ao mercado dos Estados Unidos.

América Latina diversifica seus mercados

Apesar da influência das duas maiores economias, a região não está concentrada em um único destino. A diversificação das exportações vem ganhando importância como estratégia para reduzir riscos e ampliar a capacidade de reação diante de crises externas.

A América do Sul mantém a aproximação com os mercados asiáticos, enquanto México e América Central preservam uma forte conexão com os Estados Unidos. No Caribe, a pauta comercial apresenta maior dispersão, com produtos destinados aos Estados Unidos, à União Europeia, a outros países latino-americanos e a diferentes mercados internacionais.

Além disso, o comércio intrarregional também ganha relevância, especialmente entre economias como Brasil, Argentina e Uruguai.

Novo mapa comercial impulsiona investimentos

A reorganização dos fluxos de produtos agrícolas também está provocando mudanças na infraestrutura da região.

O crescimento das exportações estimula investimentos em portos, ferrovias, rodovias, corredores logísticos, armazéns e estruturas de processamento. O objetivo é acompanhar o aumento da demanda e tornar as cadeias de abastecimento mais eficientes.

Para tradings, empresas do agronegócio, companhias de navegação e investidores institucionais, essa transformação pode abrir espaço para novos negócios e para a construção de cadeias de suprimentos mais resistentes a interrupções.

A criação de rotas alternativas também ganha importância em um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas e mudanças nas relações comerciais.

Principais destinos das exportações agrícolas

PaísPrincipal destino
BrasilChina
ChileChina
PeruChina
MéxicoEstados Unidos
ColômbiaEstados Unidos
ArgentinaAmérica Latina e Caribe

A distribuição dos principais mercados evidencia a existência de diferentes padrões de integração comercial dentro da própria América Latina.

Disputa entre China e EUA afeta o agronegócio

A crescente competição estratégica entre China e Estados Unidos também repercute diretamente no comércio agrícola latino-americano.

Pequim amplia sua participação como grande compradora de commodities agrícolas e recursos naturais, enquanto Washington preserva sua importância para países fortemente integrados à economia norte-americana.

Essa disputa não se limita a tarifas e barreiras comerciais. Ela também influencia decisões de investimento, infraestrutura, logística e estratégias de abastecimento.

Para os produtores latino-americanos, a existência de diferentes compradores pode representar uma vantagem ao permitir maior diversificação de mercados. Ao mesmo tempo, a dependência de grandes parceiros comerciais mantém a região exposta a mudanças na política econômica e nas relações internacionais.

Soja, carne, frutas e café estão no centro da disputa

As decisões de compra da China têm impacto direto sobre os mercados internacionais de soja, carne bovina, celulose e outras commodities produzidas na América Latina.

Nos Estados Unidos, por outro lado, a demanda dos consumidores sustenta importantes fluxos de produtos latino-americanos, incluindo frutas, hortaliças, alimentos processados e café.

Essa complementaridade ajuda a explicar por que os dois mercados permanecem fundamentais para o comércio exterior da região, ainda que exerçam influência de maneiras diferentes sobre cada país.

Segurança alimentar ganha importância

O novo desenho das cadeias globais de alimentos ocorre em um momento de maior preocupação com segurança alimentar, logística e estabilidade do abastecimento.

Nesse contexto, a capacidade de diversificar compradores, ampliar infraestrutura e estabelecer novas parcerias comerciais pode se tornar um diferencial competitivo para os países latino-americanos.

Para produtores, exportadores, multinacionais e investidores, acompanhar a evolução desse mapa comercial será cada vez mais importante. As decisões tomadas hoje sobre mercados, logística e investimentos podem determinar a posição da América Latina no comércio agrícola mundial nos próximos anos.

FONTE: AgroLatam
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook