Agricultura

Soja busca recuperação em Chicago, mas mercado aguarda dados do USDA

Os contratos futuros de soja registravam leves altas na Bolsa de Chicago na manhã desta quarta-feira (30), em um movimento de recuperação após a pressão das últimas sessões. O avanço, porém, permanecia limitado pela cautela dos investidores antes da divulgação de novos dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Por volta das 7h26, no horário de Brasília, o contrato com vencimento em novembro de 2026 subia 3,75 pontos, cotado a US$ 13,0150 por bushel. O janeiro de 2027 avançava 4 pontos, para US$ 13,16, enquanto o março de 2027 também ganhava 4 pontos, negociado a US$ 13,25 por bushel.

Demanda chinesa limita avanço da soja

Apesar da sinalização positiva em Chicago, o mercado segue encontrando dificuldades para ampliar os ganhos diante das incertezas em relação à demanda chinesa por soja dos Estados Unidos.

A China não incluiu a oleaginosa norte-americana no pacote de redução de tarifas anunciado nesta semana. Com isso, a soja dos EUA continua sujeita a uma tarifa de 10%, mantendo um obstáculo para a expansão das compras chinesas do produto.

Além da questão tarifária, outros fatores aumentam a cautela entre os participantes do mercado. Informações divulgadas pela agência Reuters nesta quarta-feira apontam para estoques elevados de soja nas esmagadoras chinesas, margens de processamento negativas e uma perspectiva de menor consumo de ração animal.

De acordo com a agência, os estoques de soja nas unidades de esmagamento da China atingiram o maior nível em 15 anos. Esse cenário pode diminuir a necessidade de novas importações durante o quarto trimestre.

Brasil e Argentina ganham espaço nas compras

A disponibilidade de soja da América do Sul, principalmente do Brasil e da Argentina, também pesa sobre a competitividade do produto norte-americano no mercado chinês.

Um executivo de alto escalão de uma empresa chinesa de processamento de oleaginosas afirmou à Reuters que as compras já realizadas garantem cargas brasileiras e argentinas para outubro e boa parte de novembro. Segundo ele, os embarques devem chegar justamente no período de maior demanda associado ao Ano Novo Chinês.

Nesse contexto, os compradores privados da China tendem a priorizar a soja sul-americana, considerada mais competitiva. Já as compras de soja dos Estados Unidos continuam mais concentradas nas empresas estatais chinesas.

Mercado aguarda estoques dos EUA

Além das questões relacionadas à China e à demanda por soja, os investidores acompanham nesta quarta-feira a divulgação do novo relatório trimestral de estoques dos Estados Unidos.

O USDA apresentará os dados referentes à posição dos estoques norte-americanos em 1º de setembro. As informações são aguardadas pelo mercado e podem trazer novos elementos para a formação dos preços da soja na Bolsa de Chicago.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Agricultura

Reforma tributária muda cálculo para compra de insumos no campo a partir de 2027

A reforma tributária deve mudar a forma como produtores rurais avaliam a compra de insumos a partir de 2027. Com o início de uma nova etapa da transição, a entrada da CBS e o fim do PIS e da Cofins tornam mais relevante a análise do tratamento tributário aplicado a cada operação.

Enquanto isso, o IBS substituirá gradualmente o ICMS e o ISS até 2033. Na prática, o produtor precisará considerar mais do que o preço apresentado pelo fornecedor para identificar o custo efetivo de uma aquisição.

Isso ocorre porque o novo sistema prevê mecanismos de créditos tributários. Dependendo da operação, um produto com preço maior pode representar um custo econômico menor após a consideração dos créditos. No setor agropecuário, porém, essa avaliação exige atenção porque diferentes insumos terão tratamentos específicos e algumas operações poderão envolver diferimento.

Preço do produto não será o único fator de decisão

A Lei Complementar nº 214/2025 criou o IBS e a CBS e estabeleceu regras para a utilização de créditos no novo sistema tributário. A transição começou em 2026, com a extinção do PIS e da Cofins prevista para 2027, enquanto a substituição dos atuais tributos sobre o consumo ocorrerá gradualmente até 2033.

Com a mudança, a análise de uma compra deverá considerar fatores como preço, tributação, regime do fornecedor e possibilidade de aproveitamento de créditos.

A documentação fiscal também ganha importância. A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS trabalham na adaptação dos documentos fiscais eletrônicos às novas regras, o que exigirá ajustes de sistemas e procedimentos por parte das empresas e produtores.

Crédito tributário pode alterar comparação entre fornecedores

Uma situação hipotética ajuda a demonstrar o funcionamento dessa lógica.

Imagine que um fornecedor ofereça determinado produto por R$ 110 mil, com possibilidade de gerar R$ 10 mil em crédito tributário. Outro apresenta preço de R$ 104 mil, mas permite apenas R$ 2 mil de crédito.

Considerando apenas o valor da nota, a segunda proposta seria mais barata. Depois da consideração dos créditos, porém, os custos econômicos seriam de R$ 100 mil e R$ 102 mil, respectivamente.

Os valores são meramente ilustrativos e não representam necessariamente o tratamento de uma operação específica. O exemplo mostra, contudo, por que preço, tributos e créditos precisarão ser avaliados conjuntamente.

O crédito, entretanto, não estará necessariamente disponível em todas as situações nem poderá ser utilizado de forma imediata. Por isso, as regras específicas aplicáveis aos produtos e às operações do setor rural serão determinantes.

Insumos agropecuários terão tratamento específico

A legislação prevê redução de 60% nas alíquotas do IBS e da CBS para determinados insumos agropecuários e aquícolas listados no Anexo IX da Lei Complementar nº 214.

Entre os produtos abrangidos estão fertilizantes, biofertilizantes, corretivos de solo, remineralizadores, substratos e determinados bioinsumos, desde que atendidas as classificações e demais exigências previstas na legislação.

A redução não se aplica indistintamente a qualquer produto comercializado para produtores rurais. O benefício depende do enquadramento da mercadoria nas classificações estabelecidas e, nos casos previstos, do respectivo registro como insumo agropecuário ou aquícola.

Também existem operações que estarão sujeitas ao diferimento do IBS e da CBS. Nessa modalidade, o recolhimento do tributo é transferido para uma etapa posterior da cadeia, o que pode modificar a análise dos créditos e do custo tributário da compra.

Regime tributário do fornecedor ganha importância

O enquadramento fiscal da empresa que vende o produto ou presta o serviço também deverá entrar na análise.

As regras do Simples Nacional estão sendo adaptadas para incorporar o IBS e a CBS. Em agosto de 2026, o Comitê Gestor do Simples Nacional aprovou alterações relacionadas à adequação do regime à reforma tributária.

Para produtores e demais compradores submetidos ao regime regular, isso significa que fornecedores enquadrados em regimes diferentes poderão produzir efeitos tributários distintos.

Assim, a área responsável pelas compras terá de considerar não apenas descontos e condições comerciais. O regime tributário do fornecedor, a tributação do produto, a existência de diferimento e o crédito efetivamente aproveitável também poderão influenciar a decisão.

Produtor rural pessoa física terá novas exigências

A reforma também terá reflexos para determinados produtores rurais pessoas físicas.

O governo prorrogou para 1º de janeiro de 2027 a obrigatoriedade de inscrição no CNPJ e de emissão dos documentos fiscais previstos na regulamentação da CBS para a pessoa física que se enquadrar nas hipóteses estabelecidas, incluindo o produtor rural pessoa física mencionado na regulamentação.

Até 31 de dezembro de 2026, permanecem os mecanismos atuais de identificação fiscal nas situações abrangidas.

A prorrogação amplia o prazo para que produtores rurais, contadores e fornecedores adaptem seus sistemas e procedimentos. Ao mesmo tempo, reforça a necessidade de organização fiscal dentro das propriedades.

Cadastro de produtos e fornecedores exige revisão

A preparação para a nova sistemática passa pela revisão do cadastro de produtos e fornecedores.

Cada item utilizado na atividade rural deverá ser analisado de acordo com sua classificação fiscal e com o tratamento tributário previsto na reforma. Também será necessário acompanhar as alterações nos documentos fiscais eletrônicos.

Uma documentação emitida de forma inadequada pode prejudicar o aproveitamento do tratamento tributário previsto para determinada operação.

Por isso, a gestão das compras tende a incorporar novos critérios. Na aquisição de um lote de fertilizantes, por exemplo, o produtor deverá avaliar não apenas o valor negociado, mas também frete, condições de pagamento, qualidade, prazo de entrega, regime tributário do fornecedor, tributação aplicável e eventual crédito.

A mesma lógica poderá ser aplicada à contratação de serviços, aquisição de máquinas e compra de outros itens necessários à produção.

Gestão de custos ganha nova dimensão

A chegada da CBS e a implantação gradual do IBS tornam a gestão tributária no agronegócio um componente ainda mais relevante das decisões de compra.

Na prática, o produtor precisará substituir comparações baseadas exclusivamente no preço bruto por uma análise mais ampla do custo da operação. A capacidade de identificar corretamente os créditos e os tratamentos previstos para cada produto poderá interferir no resultado econômico das aquisições.

Com a continuidade da transição até 2033, a tendência é de que fornecedores, produtores e profissionais responsáveis pela gestão das propriedades precisem adaptar processos, sistemas e controles para acompanhar as novas regras.

FONTE: Seu Crédito Digital
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Agricultura

Algodão pode ganhar força em 2026/27 com oferta global mais ajustada

O mercado internacional de algodão começa a safra 2026/27 diante de uma relação mais estreita entre oferta e demanda. De acordo com análise do Itaú BBA, o cenário pode contribuir para dar sustentação às cotações da fibra ao longo do novo ciclo.

A instituição projeta uma produção mundial de algodão de 25,5 milhões de toneladas, enquanto o consumo global é estimado em 26,8 milhões de toneladas. A diferença resultaria em um déficit próximo de 1,2 milhão de toneladas.

Com a demanda acima da produção, os estoques globais devem recuar de 16,4 milhões de toneladas na safra 2025/26 para 15,2 milhões de toneladas em 2026/27.

Segundo o Itaú BBA, esse equilíbrio mais apertado torna os preços mais vulneráveis a eventuais problemas de produção nos principais países produtores e exportadores.

Estoques chineses reduzem oferta disponível no mercado

A relação entre oferta e demanda fica ainda mais restrita quando os estoques mantidos pela China são retirados da conta. Isso ocorre porque uma parcela relevante dessas reservas possui menor disponibilidade para o comércio internacional.

Nesse cenário, eventuais perdas de produção nos Estados Unidos, Índia ou China poderiam ampliar a pressão sobre as cotações internacionais do algodão.

Brasil amplia presença nas exportações de algodão

O Brasil encerrou a safra 2025/26 com produção recorde de aproximadamente 4,4 milhões de toneladas de pluma, mesmo diante de uma redução de 6,3% na área cultivada, que ficou próxima de 2,07 milhões de hectares.

O desempenho foi favorecido por condições climáticas consideradas favoráveis, pelo aumento da participação de áreas irrigadas e pela adoção de novas tecnologias, fatores que ajudaram a compensar a menor área plantada.

As exportações brasileiras de algodão também alcançaram recorde no ano comercial 2025/26, com 3,4 milhões de toneladas embarcadas.

A China importou 1,5 milhão de toneladas da fibra no período. Desse total, 784 mil toneladas tiveram origem no Brasil, o equivalente a 51% das compras chinesas.

Mercado brasileiro diversifica destinos

A China continua sendo um importante mercado para o algodão brasileiro, mas os embarques vêm alcançando outros países.

Em agosto de 2026, a Índia respondeu por 26% das exportações brasileiras da fibra. Na sequência apareceram Paquistão, Bangladesh, Vietnã e Turquia.

Na avaliação do Itaú BBA, a ampliação desses mercados reduz a dependência brasileira em relação à China e aproxima o país de importantes centros mundiais de processamento e transformação do algodão.

Alta dos preços melhora margem do produtor

A recuperação das cotações do algodão também trouxe melhora para a rentabilidade dos produtores brasileiros.

Entre o início de julho e a primeira metade de setembro, o preço da fibra no mercado interno, considerando a referência de Rondonópolis (MT), avançou 6,4%, chegando a R$ 4,04 por libra-peso.

No mercado futuro de Nova York, a valorização acumulada desde julho superou 8%. A média passou de US$ 0,775 para US$ 0,84 por libra-peso na primeira quinzena de setembro.

A alta também favoreceu a relação de troca do algodão com importantes fertilizantes, como MAP, ureia e KCl. Com isso, foi necessária uma quantidade menor da fibra para adquirir os mesmos volumes desses insumos.

Margem do algodão de segunda safra sobe em Mato Grosso

Diante da melhora dos preços, o Itaú BBA revisou sua estimativa para a margem agrícola do algodão de segunda safra em Mato Grosso.

A projeção para 2026/27 passou de 26% para aproximadamente 38%. A estimativa anterior, divulgada em abril, considerava os preços observados naquele momento.

A melhora da rentabilidade pode aumentar a atratividade do algodão em relação a outras opções de segunda safra e estimular o crescimento da área cultivada no próximo ciclo.

Área brasileira pode superar 2,2 milhões de hectares

As primeiras projeções do banco indicam que a área plantada com algodão no Brasil poderá ultrapassar os 2,2 milhões de hectares registrados na safra 2024/25.

Mesmo com uma possível expansão do cultivo, a produção nacional projetada para 2026/27 é de 4,2 milhões de toneladas, abaixo do recorde de 4,4 milhões de toneladas alcançado no ciclo anterior.

A diferença está relacionada a uma perspectiva mais conservadora para a produtividade das lavouras.

El Niño aparece como fator de risco

Entre os principais pontos de atenção para a próxima safra está o comportamento do El Niño. Segundo o relatório, o fenômeno pode provocar maior irregularidade nas chuvas em áreas do Centro-Oeste e do Matopiba durante o desenvolvimento do algodão de segunda safra.

Em Mato Grosso, a definição da área cultivada também dependerá da competitividade do algodão diante do milho e do calendário de plantio da soja.

Caso as chuvas atrasem, a janela disponível para a implantação do algodão pode ser reduzida, afetando as decisões dos produtores.

Produção de algodão dos EUA é revisada para baixo

Nos Estados Unidos, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reduziu sua estimativa para a produção de algodão na safra 2026/27.

A projeção passou de 2,96 milhões de toneladas em agosto para 2,87 milhões de toneladas em setembro, após a piora das condições das lavouras durante o verão.

A produtividade média estimada também recuou, de 0,96 tonelada por hectare na safra anterior para 0,87 tonelada por hectare no novo ciclo.

Na semana encerrada em 13 de setembro, apenas 36% das lavouras norte-americanas estavam classificadas entre boas e excelentes. No mesmo período de 2025, esse percentual era de 52%.

Outro fator de preocupação é a seca nos Estados Unidos. No início de setembro, cerca de 59% da área destinada ao algodão apresentava algum nível de estiagem, com situação especialmente crítica no Texas, principal estado produtor.

Com a revisão para baixo na produção, os estoques finais norte-americanos foram estimados em 780 mil toneladas. A previsão para as exportações, entretanto, permaneceu em 2,7 milhões de toneladas.

China e Índia também trazem incertezas

A produção chinesa de algodão também deve diminuir em 2026/27. O adido agrícola do USDA estima 7,1 milhões de toneladas, queda de 5,6% em relação à temporada anterior. A previsão oficial do departamento é um pouco maior, de 7,3 milhões de toneladas.

A retração está associada principalmente à redução da área cultivada em Xinjiang e a condições climáticas menos favoráveis.

Embora o consumo chinês de algodão permaneça próximo de 9 milhões de toneladas, o Itaú BBA observa que a diferença entre produção e consumo não significa necessariamente um aumento proporcional das importações.

A China conta com estoques elevados e utiliza mecanismos como cotas de importação e reservas governamentais. Além disso, o ritmo das compras externas depende da rentabilidade da indústria têxtil do país.

Na Índia, por sua vez, o comportamento do El Niño e das monções está entre os principais fatores de risco. Uma eventual queda de produtividade poderia diminuir o algodão disponível para exportação e elevar a necessidade de importações para atender a indústria doméstica.

Maior oferta pode limitar repasse de preços

A chegada da nova safra tende a aumentar a disponibilidade de fibra no mercado. Com isso, as tradings podem ganhar maior poder de negociação, dificultando que toda a valorização observada em Nova York seja repassada aos produtores brasileiros.

O Itaú BBA aponta que o aumento da área cultivada e das exportações brasileiras pode ampliar esse risco durante a colheita de 2027.

Nesse contexto, a gestão comercial e de riscos ganha importância para preservar as margens dos produtores diante de possíveis oscilações do mercado.

Cenário internacional ainda depende da demanda

No cenário considerado pelo Itaú BBA, a menor produção norte-americana e a redução dos estoques mundiais tendem a oferecer sustentação às cotações internacionais do algodão, mantendo espaço para as exportações brasileiras.

Há, contudo, fatores que podem pressionar os preços. Entre eles estão uma eventual desaceleração da economia mundial, menor consumo da indústria têxtil, redução das compras chinesas ou uma produção brasileira superior às expectativas.

A concorrência das fibras sintéticas, principalmente o poliéster, também permanece como um fator que limita uma recuperação mais forte da demanda global por algodão.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Agritech

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Agricultura

Produção agrícola brasileira chega a R$ 927,2 bilhões em 2025

A produção agrícola brasileira alcançou 345,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2025, segundo dados da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgados nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado representa um crescimento de 18,2% em relação a 2024, ano em que a agricultura brasileira foi afetada por condições climáticas adversas associadas ao fenômeno El Niño.

O valor gerado pela produção também atingiu um novo patamar. Em 2025, foram movimentados R$ 927,2 bilhões, alta de 18,4% na comparação anual. Os valores são nominais, ou seja, consideram a moeda corrente de cada período e não foram corrigidos pela inflação.

De acordo com o levantamento, trata-se do maior valor registrado desde a criação do Plano Real, em 1994.

Área colhida supera 100 milhões de hectares

Outro destaque da pesquisa foi o avanço da área destinada à colheita. Pela primeira vez, o país ultrapassou a marca de 100 milhões de hectares, chegando a 100,6 milhões de hectares em 2025.

O número representa aumento de 4,4% em relação ao ano anterior. Em termos territoriais, a área corresponde a aproximadamente 1 milhão de quilômetros quadrados.

Para efeito de comparação, a extensão é superior à área do Mato Grosso, que possui 903,2 mil km², e se aproxima do território da Bolívia, com cerca de 1,10 milhão de km².

Soja responde por 34% do valor da produção

A soja continuou como um dos principais produtos da agricultura brasileira. O grão respondeu por 34% do valor total da produção agrícola, alcançando R$ 315,2 bilhões.

A colheita chegou a 165,2 milhões de toneladas, crescimento de 14,4% em relação a 2024. Foram produzidas 20,8 milhões de toneladas a mais do que no ano anterior.

O IBGE relaciona a sustentação dos preços da commodity ao cenário internacional. Segundo o instituto, a guerra tarifária entre Estados Unidos e China aumentou a procura chinesa pela soja brasileira, contribuindo para manter os preços internos relativamente estáveis nos últimos meses de 2025.

O desempenho mantém o Brasil entre os principais protagonistas do mercado mundial de soja, tanto na produção quanto nas exportações.

Tecnologia impulsiona produção de algodão

A produção de algodão também apresentou crescimento expressivo. Conforme o IBGE, o volume produzido aumentou 16,4% em um ano, chegando a 6 milhões de toneladas.

O avanço foi associado principalmente aos investimentos em tecnologia agrícola, sustentabilidade e eficiência produtiva, com destaque para as áreas do Cerrado brasileiro, especialmente no Mato Grosso.

O desempenho contribuiu para que o Brasil alcançasse a liderança mundial nas exportações de algodão. Para o IBGE, o resultado amplia a presença brasileira nos mercados de produtos têxteis e de commodities.

Valor da produção de café cresce 44,7%

O café apresentou uma diferença importante entre crescimento físico e financeiro. A produção aumentou 3% em 2025, chegando a 3,4 milhões de toneladas.

Já o valor da produção avançou 44,7% e se aproximou de R$ 100 bilhões. O aumento ocorreu principalmente devido à forte valorização do preço da saca no mercado internacional.

Segundo o levantamento, fatores climáticos e naturais, incluindo o chamado exaurimento das plantas, limitaram o crescimento da produção.

Mato Grosso lidera valor da produção agrícola

Entre os estados brasileiros, o Mato Grosso permaneceu na primeira posição em valor da produção agrícola. Em 2025, o estado movimentou R$ 165,6 bilhões, crescimento de 37,1% em relação ao ano anterior.

A produção mato-grossense correspondeu a 17,9% do valor total registrado no país.

Estados com maior valor da produção agrícola em 2025

  • Mato Grosso: R$ 165,6 bilhões
  • São Paulo: R$ 124 bilhões
  • Minas Gerais: R$ 109,4 bilhões
  • Paraná: R$ 87,7 bilhões
  • Goiás: R$ 72,7 bilhões
  • Rio Grande do Sul: R$ 71,3 bilhões
  • Bahia: R$ 55,5 bilhões
  • Mato Grosso do Sul: R$ 47,8 bilhões
  • Pará: R$ 38,4 bilhões
  • Espírito Santo: R$ 33,7 bilhões

Centro-Oeste retoma liderança sobre o Sudeste

A distribuição regional do valor da produção também mudou em 2025. O Centro-Oeste voltou a superar o Sudeste, depois de ter ficado atrás da região em 2024.

O valor da produção agropecuária do Centro-Oeste cresceu 31,8% e chegou a R$ 288 bilhões. Soja, milho e algodão foram os principais responsáveis pelo desempenho.

O Sudeste, por sua vez, registrou R$ 271 bilhões, com café e cana-de-açúcar entre os principais destaques.

Historicamente, o Sudeste liderou esse indicador até 2017. Entre 2018 e 2023, o Centro-Oeste assumiu a primeira posição. Em 2024, o Sudeste voltou a ocupar a liderança, retomada pelo Centro-Oeste no ano seguinte.

Valor da produção agrícola por região

  • Centro-Oeste: R$ 288 bilhões
  • Sudeste: R$ 271 bilhões
  • Sul: R$ 181,1 bilhões
  • Nordeste: R$ 113,7 bilhões
  • Norte: R$ 73,4 bilhões

Os resultados da PAM mostram um cenário de expansão da produção agrícola no Brasil em 2025, tanto em volume quanto em área colhida e valor econômico, com destaque para culturas como soja, algodão e café e para a participação do Centro-Oeste no desempenho nacional.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: CNA/Wenderson Araujo/Trilux

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Agricultura

Preços do milho sobem em Chicago com piora das lavouras nos EUA

Os preços do milho ganharam força na Bolsa de Chicago (CBOT) nesta terça-feira (25), com os contratos futuros registrando altas próximas de 2%. O movimento foi impulsionado principalmente pela deterioração das condições das lavouras nos Estados Unidos e pela revisão para baixo das expectativas para a produção norte-americana.

Segundo a Agrinvest, o milho futuro em Chicago alcançou a maior cotação dos últimos três anos, sustentado pela perspectiva de uma oferta menor nos EUA.

“As condições das lavouras continuam a piorar, com o milho e a soja agora abaixo da média dos últimos cinco anos”, afirmou Cole Raisbeck, corretor de commodities da Kluis Commodity Advisors, em declaração repercutida pelo site Successful Farming.

Milho em Chicago acumula alta de mais de 12% em agosto

O movimento de valorização ganhou intensidade após a redução das estimativas para a safra de milho dos Estados Unidos. Bruce Blythe, analista do Farm Futures, destaca que o contrato com vencimento em dezembro já acumula alta superior a 12% em relação às mínimas registradas em agosto.

A revisão das expectativas ocorreu principalmente após a visita técnica do Pro Farmer às áreas produtoras norte-americanas na semana passada. O levantamento contribuiu para aumentar as preocupações do mercado com o potencial da colheita de outono nos EUA.

Na CBOT, o contrato para setembro de 2026 fechou a US$ 5,00 por bushel, avanço de 9 pontos. O vencimento dezembro/26 terminou em US$ 5,23, com alta de 8 pontos.

Já o março/27 foi negociado a US$ 5,38, ganho de 8,25 pontos, enquanto o maio/27 encerrou a US$ 5,45, também com valorização de 8,25 pontos.

Na comparação com o fechamento da segunda-feira (24), os ganhos foram de:

  • Setembro/26: alta de 1,83%;
  • Dezembro/26: valorização de 1,55%;
  • Março/27: avanço de 1,56%;
  • Maio/27: alta de 1,54%.

B3 não acompanha avanço de Chicago

No mercado brasileiro, os futuros do milho na B3 tiveram comportamento diferente. A maior parte dos contratos encerrou o pregão com pequenas quedas, mesmo diante da recuperação dos preços em Chicago.

De acordo com a Agrinvest, a alta observada na CBOT não foi reproduzida na mesma proporção pela bolsa brasileira.

A consultoria avalia que o mercado doméstico continua encontrando sustentação no atraso da colheita em algumas regiões e na piora das condições das lavouras norte-americanas. Ao mesmo tempo, os preços da B3 permanecem em níveis historicamente elevados, o que reduz o espaço para uma valorização mais expressiva.

Na B3, os contratos terminaram o dia nos seguintes níveis:

  • Setembro/26: R$ 71,69, queda de 0,26%;
  • Janeiro/27: R$ 81,13, recuo de 0,27%;
  • Março/27: R$ 82,43, baixa de 0,08%;
  • Maio/27: R$ 80,79, alta de 0,37%.

Mercado físico do milho tem poucos negócios

No mercado físico de milho, as cotações permaneceram praticamente estáveis nesta terça-feira. O ritmo de comercialização também foi considerado fraco, com poucos negócios registrados.

Levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas apontou alta apenas em Sorriso (MT), enquanto a única queda identificada ocorreu no Porto de Santos (SP).

O cenário mantém o preço do milho no Brasil em movimento lateral, enquanto os agentes acompanham a evolução da colheita doméstica e, principalmente, os impactos das condições das lavouras dos Estados Unidos sobre a oferta global.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Agricultura

20 municípios que mais produzem soja no Brasil: veja os líderes da safra

O Brasil deve colher 180,5 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26, segundo o balanço mais recente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume representa uma alta de 5,3% em relação à temporada anterior e reforça a força da produção de soja no país.

Soja mantém trajetória de crescimento no Brasil

A expectativa de uma nova produção recorde evidencia a capacidade de reação dos produtores brasileiros diante dos desafios do campo. Mesmo com os riscos relacionados ao clima, o setor continua ampliando os investimentos na principal commodity agrícola do país.

A soja brasileira está presente em praticamente todas as regiões nacionais. Atualmente, o cultivo do grão alcança 2.640 municípios, distribuídos de Norte a Sul, mostrando a ampla presença da oleaginosa no território.

Municípios que lideram a produção de soja

Os dados do levantamento Produção Agrícola Municipal (PAM), elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a produção está concentrada em algumas das principais áreas agrícolas do país.

De acordo com o relatório, os 20 municípios que mais produzem soja no Brasil respondem, juntos, por aproximadamente 14% de toda a produção nacional.

O ranking evidencia a importância dessas localidades para o mercado de grãos, para o agronegócio brasileiro e para o abastecimento da cadeia ligada à soja.

Produção nacional segue em alta

Com a perspectiva de 180,5 milhões de toneladas na safra 2025/26, o Brasil mantém sua posição de destaque no cenário mundial da produção de soja. O resultado também reforça o peso da cultura na economia agrícola e nas exportações do país.

A expansão da área cultivada, aliada ao desempenho das lavouras, mantém a soja entre os principais motores do agronegócio brasileiro.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: IA

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Agricultura

Brasil e Nigéria ampliam diálogo para fortalecer parceria no mercado de fertilizantes

O Brasil e a Nigéria avançaram nas discussões para ampliar a cooperação no setor de fertilizantes, com foco no fortalecimento do abastecimento da agricultura brasileira. Durante missão oficial ao país africano, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, reuniu-se na segunda-feira (13) com representantes da Indorama, um dos maiores grupos globais da indústria de fertilizantes.

Além do fornecimento de fertilizantes nitrogenados, o governo brasileiro demonstrou interesse em ampliar a parceria para a aquisição de fósforo, insumo considerado estratégico para o agronegócio.

Nigéria ganha importância como fornecedora de fertilizantes

A Indorama opera na Nigéria um dos maiores complexos industriais de produção de ureia da África, com capacidade instalada de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas por ano.

A empresa desempenha papel relevante no mercado internacional de fertilizantes e já integra a cadeia de fornecimento que atende o Brasil, um dos maiores consumidores mundiais desses insumos.

Durante o encontro, André de Paula ressaltou que a Nigéria ocupa posição estratégica na segurança do abastecimento brasileiro.

Segundo o ministro, o objetivo é consolidar uma relação comercial estável, previsível e capaz de atender às necessidades do agronegócio brasileiro, reduzindo riscos para a produção agrícola.

Memorando de entendimento está em negociação

O governo brasileiro também confirmou que mantém tratativas com as autoridades nigerianas para a assinatura de um memorando de entendimento nas áreas de agricultura e fertilizantes.

A proposta busca criar um ambiente institucional que incentive o comércio bilateral, reduza incertezas para investidores e estimule contratos de longo prazo entre empresas dos dois países.

A expectativa é que o acordo fortaleça a cooperação técnica e comercial no setor agrícola.

Indorama destaca investimentos no agronegócio da Nigéria

Durante a reunião, representantes da Indorama apresentaram os principais projetos desenvolvidos no país africano para impulsionar a produção agropecuária.

Entre as iniciativas estão programas de modernização da agricultura, projetos de melhoramento genético com tecnologia brasileira, ações voltadas à rastreabilidade animal e programas de capacitação destinados aos produtores rurais.

A empresa também manifestou interesse em ampliar a cooperação com instituições e companhias brasileiras para acelerar o desenvolvimento do agronegócio nigeriano e fortalecer a troca de conhecimento entre os dois países.

Cooperação pode ampliar segurança no abastecimento agrícola

O fortalecimento das relações entre Brasil e Nigéria ocorre em um momento de crescente preocupação global com a segurança no fornecimento de fertilizantes, considerados essenciais para a produtividade agrícola.

A ampliação da parceria pode contribuir para diversificar fornecedores, reduzir vulnerabilidades da cadeia de suprimentos e garantir maior estabilidade ao setor agropecuário brasileiro.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Indorama/Divulgação

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Agricultura

Brasil intensifica negociações para garantir fertilizantes e proteger a safra 2026/2027

O governo federal iniciou uma força-tarefa para assegurar o fornecimento de fertilizantes destinados à safra 2026/2027. Coordenada pela Casa Civil, a iniciativa envolve um comitê de crise e negociações diplomáticas com Rússia, China e Marrocos, principais fornecedores do insumo ao mercado brasileiro.

O objetivo é garantir o abastecimento de matérias-primas utilizadas na produção de fertilizantes fosfatados, mesmo que as aquisições ocorram pelos preços praticados no mercado internacional.

Dependência de importações preocupa o governo

A mobilização ocorre em meio ao cenário de instabilidade no mercado global e à elevada dependência brasileira de fornecedores externos.

Em 2025, o país consumiu 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes, das quais 45,5 milhões foram importadas. As compras no exterior movimentaram US$ 14,5 bilhões e responderam por cerca de 92% da demanda nacional. No ano anterior, essa participação chegou a 97%.

Outro fator de preocupação é o ritmo das aquisições para a próxima temporada agrícola. Segundo estimativas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apenas entre 40% e 45% dos fertilizantes necessários para a safra 2026/2027 foram negociados até o momento.

Escassez de insumos pressiona a cadeia produtiva

Representantes da indústria alertaram o governo sobre a redução da oferta de fertilizantes fosfatados e de matérias-primas essenciais, como enxofre e ácido sulfúrico.

O Brasil depende quase totalmente da importação de enxofre, e as dificuldades de abastecimento já provocaram redução e até interrupção de atividades em unidades responsáveis pelo processamento desses insumos.

Nas tratativas internacionais, o governo avalia a capacidade de fornecimento dos países parceiros e estuda a assinatura de memorandos de entendimento para garantir suprimento em situações emergenciais.

Rússia, China e Marrocos estão no centro das negociações

Cada um dos principais parceiros comerciais apresenta características distintas para atender à demanda brasileira.

A Rússia segue com capacidade de produção, apesar dos impactos causados pela guerra sobre parte de suas instalações industriais.

O Marrocos também dispõe de potencial para ampliar o fornecimento, mas um projeto para formação de estoque estratégico em território brasileiro ainda depende da emissão de licença ambiental.

Já a China mantém negociações com o Brasil envolvendo questões tarifárias e é apontada por especialistas como a alternativa mais promissora para ampliar o abastecimento no curto prazo.

Segundo Bruno Fonseca, do Rabobank, a expectativa de um El Niño mais intenso tende a elevar a demanda por fertilizantes, enquanto as restrições financeiras enfrentadas pelos produtores podem limitar novas compras.

Produção nacional não acompanha crescimento da demanda

De acordo com a CNA, a vulnerabilidade brasileira decorre da diferença entre o avanço do consumo e a estagnação da produção doméstica.

Entre 2015 e 2025, as entregas de fertilizantes cresceram 63%, enquanto as importações avançaram 130%. No mesmo período, a produção nacional permaneceu praticamente estável, variando entre 7,2 milhões e 9,1 milhões de toneladas.

Em 2025, China, Rússia, Canadá, Marrocos e Egito responderam, juntos, por 69% das importações brasileiras de fertilizantes.

A dependência varia conforme o nutriente:

  • Potássio: 98%;
  • Nitrogênio: 93%;
  • Fósforo: 57%.

Entre eles, o potássio é considerado o principal ponto de vulnerabilidade por reunir elevada dependência externa e grande participação no consumo agrícola.

Crise do enxofre afeta produção brasileira

Mesmo dispondo de reservas de rocha fosfática em Minas Gerais e Goiás e da entrada em operação, em 2024, do Complexo Mineroindustrial de Serra do Salitre, da EuroChem, com capacidade para produzir 1 milhão de toneladas anuais de fertilizantes fosfatados, o setor enfrentou novos obstáculos em 2026.

A Mosaic encerrou definitivamente as operações em Araxá e Patrocínio e suspendeu temporariamente as atividades nas unidades de Tapira e Catalão em razão da crise global no mercado de enxofre, cujo preço acumulou alta superior a 1.100%.

Segundo a CNA, esse aumento foi provocado pelo desequilíbrio entre oferta e demanda, gargalos logísticos, redução da produção em países fornecedores e pela maior procura do insumo pelas indústrias de baterias para veículos elétricos e pelo setor industrial asiático.

Entidade defende medidas para reduzir dependência externa

Para diminuir a vulnerabilidade do país, a CNA propõe um conjunto de ações voltadas ao fortalecimento da produção nacional.

Entre as principais medidas estão a aprovação do projeto de lei Profert, o fortalecimento do Confert com a meta de atender 50% da demanda nacional até 2030, a criação de linhas de financiamento para armazenagem de fertilizantes, o incentivo ao uso de bioinsumos e a ampliação das pesquisas sobre fixação biológica de nitrogênio.

Na avaliação da entidade, ampliar a segurança no abastecimento de fertilizantes é uma estratégia essencial para preservar a competitividade do agronegócio brasileiro e garantir a segurança alimentar nos próximos anos.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Agricultura

Fertilizantes no Brasil: dependência externa desafia agronegócio e coloca Petrobras diante de novo dilema

O Brasil, uma das maiores potências do agronegócio mundial, ainda enfrenta um desafio estratégico: a forte dependência de fertilizantes importados. No caso da ureia, principal fonte de nitrogênio utilizada nas lavouras, cerca de 80% do consumo nacional é abastecido por fornecedores internacionais, especialmente da Rússia, China e Oriente Médio.

As recentes crises geopolíticas, como a guerra na Ucrânia, além da volatilidade dos preços e dos custos logísticos, evidenciaram a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos. Nesse contexto, a decisão da Petrobras de retomar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), reacendeu o debate sobre a produção nacional e o futuro dos fertilizantes no país.

Retomada da UFN-III busca reduzir dependência de importações

Paralisada desde 2014, a UFN-III deverá receber investimentos superiores a R$ 5 bilhões, com apoio do Novo PAC. A expectativa da Petrobras é concluir a planta entre o fim de 2028 e o início de 2029.

Quando entrar em operação, a unidade terá capacidade para produzir 3.600 toneladas diárias de ureia e 2.200 toneladas de amônia, volume suficiente para atender aproximadamente 15% da demanda nacional de ureia.

Para o governo, o projeto representa um avanço na estratégia de fortalecimento da segurança alimentar e da soberania na produção de insumos agrícolas. Já para o setor produtivo, a retomada pode ampliar a oferta nacional, mas ainda há dúvidas sobre sua competitividade.

Preço do gás natural é principal obstáculo

Especialistas avaliam que o maior desafio da produção nacional não está na capacidade industrial, mas no custo da matéria-prima.

Segundo Marcelo Soto, head de Operações e Inteligência de Suprimentos da SCA, o gás natural responde por 60% a 80% do custo de fabricação da ureia. Enquanto grandes exportadores, como Rússia, Irã e Catar, trabalham com preços próximos de US$ 3 por milhão de BTUs, no Brasil esse valor pode chegar a US$ 15, comprometendo a competitividade da indústria nacional.

Mesmo com a localização estratégica da planta, próxima ao Gasbol, ainda não há garantia de que o custo do gás permitirá competir com os fertilizantes importados sem subsídios ou mudanças estruturais no mercado energético.

Agronegócio prioriza custo e flexibilidade

Além da concorrência com a ureia importada, a produção nacional também disputa espaço com outras fontes de nitrogênio, como o sulfato de amônio, amplamente importado da China, e o nitrato de amônio, fornecido principalmente pela Rússia.

Na prática, o produtor rural escolhe o fertilizante com base no menor custo disponível, independentemente da origem do produto.

Outro fator apontado por especialistas é a falta de regularidade histórica da produção nacional. Segundo Marcelo Soto, a Petrobras costuma operar de forma pontual, dificultando contratos de fornecimento de longo prazo e obrigando distribuidores e agricultores a manterem a dependência do mercado internacional.

Amônia verde entra no debate sobre o futuro dos fertilizantes

Embora a retomada da UFN-III seja considerada positiva sob o ponto de vista da segurança de abastecimento, o projeto também desperta questionamentos sobre sua atualização tecnológica.

A unidade foi concebida há cerca de 15 anos com base em processos convencionais de produção de amônia e ureia a partir do gás natural. Entretanto, diversos países já investem em tecnologias de baixo carbono, como a amônia verde, produzida por meio do hidrogênio verde.

Especialistas ouvidos pelo setor avaliam que adaptar a planta para esse novo modelo poderia aumentar sua competitividade no longo prazo, embora os custos atuais da tecnologia ainda sejam elevados.

Transição energética depende da redução dos custos

O presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV), Luiz Viga, afirma que a produção de fertilizantes verdes representa uma alternativa estratégica para o Brasil.

Segundo ele, ao utilizar água e eletricidade renovável em vez de gás natural, o país pode aproveitar sua abundância de recursos energéticos para construir uma indústria mais competitiva no futuro.

No entanto, Viga alerta que o principal desafio não está na tecnologia, mas no custo da energia elétrica. Encargos setoriais e outros componentes tarifários ainda dificultam a viabilidade econômica dos projetos de hidrogênio verde.

Apesar disso, ele destaca que os custos internacionais vêm caindo rapidamente. Em mercados como China e Índia, projetos de amônia verde já apresentam valores significativamente inferiores aos registrados há poucos anos.

Brasil busca fortalecer produção nacional de fertilizantes

Programas federais de incentivo, como o Profert, também fazem parte da estratégia para ampliar a produção nacional e reduzir a dependência das importações.

A expectativa do setor é que os primeiros investimentos em fertilizantes produzidos com hidrogênio verde avancem até 2028, com unidades entrando em operação a partir de 2030. Para especialistas, a consolidação dessa tecnologia poderá transformar gradualmente o mercado brasileiro ao longo da próxima década.

Enquanto isso, a retomada da UFN-III representa um passo importante para ampliar a oferta nacional, mas especialistas ressaltam que sua efetividade dependerá de fatores como competitividade, custo do gás natural e evolução das tecnologias sustentáveis.

FONTE: NeoFeed
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/NeoFeed

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Agricultura

Esmagamento de soja em Mato Grosso bate recorde histórico em maio

O setor de esmagamento de soja em Mato Grosso atingiu um novo marco em maio de 2026. As indústrias do estado processaram 1,28 milhão de toneladas da oleaginosa, estabelecendo o maior volume mensal da série histórica.

O resultado representa um avanço de 6,98% em relação a abril e um crescimento de 3,22% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O desempenho foi impulsionado pelo aumento da utilização da capacidade das plantas industriais e pelo aquecimento da demanda por derivados da soja.

Exportações de óleo de soja ajudam a impulsionar o setor

De acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), um dos principais fatores para o recorde foi a forte procura internacional por óleo de soja.

Somente em maio, Mato Grosso exportou 21,69 mil toneladas do produto, volume 41,80% superior ao registrado em abril. O crescimento das vendas externas contribuiu diretamente para elevar o ritmo de processamento da matéria-prima no estado.

Além disso, a expansão do mercado de biodiesel no Brasil também teve papel importante no aumento da demanda pelos derivados da soja, fortalecendo a atividade industrial.

Margens da indústria recuam mesmo com desempenho recorde

Apesar do volume histórico processado, a rentabilidade das indústrias enfrentou pressão ao longo do mês.

Segundo o Imea, a valorização de 1,18% no preço da soja em grão em maio, somada à queda nas cotações dos coprodutos gerados durante o esmagamento, reduziu as margens operacionais do setor.

Com esse cenário, a margem bruta de esmagamento registrou retração de 7,82% em relação ao mês anterior, encerrando maio com média de R$ 639,84 por tonelada processada.

Perspectivas para o mercado

O avanço das exportações de óleo de soja e o crescimento contínuo da indústria de biodiesel seguem como fatores que podem sustentar níveis elevados de processamento nos próximos meses. No entanto, a evolução dos preços da matéria-prima e dos coprodutos continuará sendo determinante para a rentabilidade das indústrias mato-grossenses.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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