Transporte

Túnel Santos-Guarujá terá 1,5 km e reduzirá viagem de uma hora para cinco minutos

Um dos projetos de infraestrutura mais aguardados do litoral paulista promete mudar a ligação entre Santos e Guarujá. O empreendimento prevê a construção de um túnel imerso sob o canal que dá acesso ao Porto de Santos e poderá reduzir para menos de cinco minutos uma viagem que atualmente pode levar cerca de uma hora.

Com investimento estimado em R$ 6,8 bilhões, a estrutura terá aproximadamente 1,5 quilômetro de extensão e seis faixas de circulação. Cerca de 870 metros do empreendimento ficarão instalados no fundo do canal, em um trecho construído pelo método de túnel imerso.

Além da travessia entre as duas cidades, o projeto prevê novas conexões rodoviárias e integração com a malha que permite acessar a BR-101, no trecho conhecido como Rio-Santos.

Túnel deve reduzir travessia para menos de cinco minutos

Atualmente, a ligação entre Santos e Guarujá depende principalmente das balsas ou de um percurso rodoviário mais extenso. O tempo de deslocamento pode chegar a aproximadamente uma hora, dependendo das condições do trânsito.

As filas nas balsas também podem aumentar o tempo de viagem nos períodos de maior movimento.

Com o novo túnel, a expectativa da concessionária é que a travessia entre as duas margens seja feita em menos de cinco minutos.

A ligação permanente deverá beneficiar moradores, trabalhadores e empresas que circulam entre os municípios, além de melhorar o acesso às atividades relacionadas ao Porto de Santos.

A nova estrutura também funcionará como alternativa ao transporte aquaviário atualmente utilizado para cruzar o canal.

Novo acesso conectará túnel à malha da BR-101

O empreendimento inclui intervenções no sistema viário do entorno. No lado de Guarujá, está prevista uma nova ligação de aproximadamente dois quilômetros com a Rodovia Cônego Domênico Rangoni, identificada como SPA-248/055.

A rodovia é uma das principais vias de acesso ao complexo portuário e integra a rede que permite seguir em direção ao litoral paulista.

Por meio dessa conexão, os motoristas poderão acessar o corredor associado à SP-055 e à BR-101, seguindo principalmente em direção ao Litoral Norte de São Paulo.

O túnel, portanto, não terá uma saída diretamente na BR-101. A ligação ocorrerá por meio da rede rodoviária conectada ao empreendimento, especialmente pela Cônego Domênico Rangoni.

Como será construído o túnel imerso

Uma das características mais importantes do projeto é o método construtivo escolhido. Em vez de escavar todo o trajeto subterrâneo, a obra utilizará a tecnologia de túnel imerso.

Grandes módulos de concreto serão produzidos inicialmente em uma estrutura chamada doca seca.

Depois de prontos, os segmentos serão colocados na água e transportados por reboque até o local onde ficarão instalados. Antes disso, uma trincheira será preparada no fundo do canal.

Os módulos serão então posicionados e afundados de maneira controlada. Na sequência, as estruturas serão conectadas umas às outras até formar o túnel.

Após a instalação, materiais como areia e pedras serão utilizados para recobrir e proteger a estrutura.

Com o túnel em funcionamento, veículos circularão dentro dos módulos enquanto os navios continuarão utilizando o canal normalmente, passando sobre a estrutura submersa.

Estrutura terá seis faixas e espaço para ciclistas

O projeto foi planejado para atender diferentes formas de deslocamento. Serão seis faixas de tráfego, com três em cada sentido.

Uma das faixas poderá ser adaptada futuramente para a implantação de um Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

O empreendimento também prevê espaços destinados à circulação de pedestres e ciclistas, além da passagem de caminhões, ônibus e veículos particulares.

Para completar a infraestrutura, serão construídas rampas, viadutos, novas vias e estruturas de apoio voltadas à operação, segurança e administração do sistema.

Concessão terá duração de 30 anos

O projeto avançou após o leilão realizado em 5 de setembro de 2025, quando a Mota-Engil venceu a disputa para implantar e operar o empreendimento.

O contrato estabelece uma concessão de 30 anos. Durante esse período, a empresa responsável deverá construir, administrar, operar e realizar a manutenção da estrutura.

O investimento estimado é de aproximadamente R$ 6,8 bilhões, com participação de recursos públicos e privados. A estrutura financeira conta com a União e o Governo de São Paulo.

Outro marco ocorreu em 7 de julho de 2026, quando a TSG Concessionária assinou o Termo de Transferência Inicial. A partir desse momento, começaram oficialmente a contar os prazos estabelecidos no contrato.

Obras devem ganhar ritmo a partir de 2027

Apesar de o projeto já ter passado pelo leilão e pelas primeiras etapas contratuais, a construção do túnel submerso ainda exige uma série de preparativos.

Ao longo de 2026, a previsão é concentrar os trabalhos na elaboração dos projetos funcionais e executivos, nos estudos técnicos complementares, nos procedimentos ambientais e na preparação das áreas necessárias.

A execução física deverá ganhar maior ritmo em 2027, com a implantação dos canteiros, o início das atividades da doca seca e os primeiros trabalhos de dragagem.

Em 2028, o cronograma prevê a fabricação dos grandes módulos de concreto, a preparação da trincheira no fundo do canal e a construção das rampas de acesso.

A etapa considerada mais complexa está programada para 2029. Nesse período, os módulos deverão ser levados até o canal, posicionados, afundados e conectados.

Já em 2030, a previsão é concentrar os trabalhos na instalação dos equipamentos, acabamentos e testes operacionais.

Túnel Santos-Guarujá tem operação prevista para 2031

O cronograma mais recente aponta 2031 como ano previsto para o início da operação.

Estimativas anteriores chegaram a considerar 2030 como possível data de conclusão. A programação atual, entretanto, reserva esse período para a conclusão dos serviços e realização dos testes necessários antes da abertura ao tráfego.

Se o cronograma for cumprido, Santos e Guarujá terão, no início da próxima década, uma ligação fixa que vem sendo discutida há anos.

Além de encurtar significativamente o tempo de travessia, o túnel Santos-Guarujá deverá contribuir para a circulação no entorno do Porto de Santos e integrar a nova passagem à infraestrutura rodoviária da Baixada Santista.

A partir do túnel, os usuários poderão acessar a Cônego Domênico Rangoni e seguir pela rede que leva ao corredor da Rio-Santos e à BR-101, enquanto o tráfego de grandes embarcações continuará ocorrendo pelo canal sobre a estrutura submersa.

FONTE: Portal Tempo Novo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Portos

AD Ports Group Conclui Aquisição Histórica da CLI por US$ 835 Milhões no Brasil

O AD Ports Group, importante conglomerado global de soluções de comércio, indústria e logística com sede em Abu Dhabi, finalizou o fechamento financeiro para a aquisição da Corredor Logística e Infraestrutura (CLI). A transação, avaliada em US$ 835 milhões (aproximadamente 3,1 bilhões de dirhams), representa a maior compra na história do grupo e marca sua primeira expansão estratégica na América do Sul.

Aprovação Regulatória e Entrada na América do Sur

Anunciado inicialmente no primeiro semestre de 2026, o negócio obteve todas as autorizações necessárias dos órgãos reguladores e antitruste do país, incluindo o aval da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

Com a conclusão do processo, a CLI — operadora independente de terminais portuários de carga agrícola controlada anteriormente por fundos geridos pela Macquarie Asset Management e pela IG4 Capital — passa a integrar oficialmente o portfólio internacional da divisão Noatum Ports.

Terminais Estratégicos no Porto de Santos e Itaqui

A CLI administra dois ativos essenciais para o escoamento da produção agrícola brasileira sob contratos de concessão de longo prazo:

  • CLI Sul: Localizada no Porto de Santos, é uma referência na exportação de açúcar, além de movimentar volumes expressivos de milho e soja.
  • CLI Norte: Situada no Porto de Itaqui, integra o chamado “Arco Norte”, corredor logístico vital para a cadeia de suprimentos de commodities do país.

Executivos do AD Ports Group destacaram que a integração dos terminais visa estreitar conexões comerciais entre o mercado brasileiro, o Subcontinente Indiano, o Leste Africano e o Sudeste Asiático, impulsionando a logística portuária global.

Planos de Expansão e Novas Rotas Comerciais

A aquisição fortalece a plataforma de agronegócios do grupo global, que planeja estabelecer rotas marítimas diretas ligando os portos brasileiros ao Porto de Khalifa e ao hub de alimentos em KEZAD, em Abu Dhabi. A iniciativa busca otimizar a movimentação de produtos agrícolas e reforçar a resiliência das cadeias globais de suprimento.

FONTE: Data Portuaria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Data Portuaria

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Trafico

Receita Federal apreende 366 kg de cocaína escondidos em carga de café no Porto de Santos

A Receita Federal interceptou, na quarta-feira (30 de setembro), uma carga com 366 kg de cocaína que seria enviada ao exterior pelo Porto de Santos, no litoral de São Paulo.

A droga foi localizada durante uma operação de rotina de vigilância e repressão aduaneira realizada por equipes da Alfândega de Santos.

Cocaína estava escondida em carga de café

A droga foi encontrada em meio a um carregamento de 77 toneladas de café, distribuído em sacas e acondicionado em quatro contêineres.

De acordo com a Receita Federal, um dos contêineres apresentava sinais de contaminação. Os tabletes de cocaína estavam ocultos de forma planejada no interior de 20 sacas de café.

Os documentos apresentados para a exportação indicavam que os contêineres seriam transportados para o Porto de Barcelona, na Espanha.

Polícia Federal fará perícia e investigação

Após a confirmação da presença da droga, a Polícia Federal foi acionada para assumir os procedimentos de polícia judiciária da União.

Também caberá à corporação realizar a perícia no local, com o objetivo de reunir elementos que possam auxiliar na investigação.

O caso será apurado por meio de inquérito policial, que deverá investigar as circunstâncias relacionadas à tentativa de envio da cocaína ao exterior.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Receita Federal

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Notícias

Receita Federal retém dois contêineres com cigarros eletrônicos no Porto de Santos

A Receita Federal reteve dois contêineres com cigarros eletrônicos no Porto de Santos (SP) durante ações de fiscalização voltadas ao combate ao contrabando e à entrada irregular de Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs) no país.

As cargas apresentavam divergências nas declarações de conteúdo e foram submetidas à conferência física pelos agentes da Receita Federal.

Primeiro contêiner tinha mais de 283 mil cigarros eletrônicos

A inspeção do primeiro contêiner ocorreu em 18 de setembro. A carga havia sido declarada como “telas de LED e eletrônicos”, mas a fiscalização identificou que praticamente todo o conteúdo era composto por cigarros eletrônicos.

Ao término da conferência, foram localizadas mais de 283 mil unidades. A mercadoria está em processo de formalização da apreensão e tem valor de mercado estimado em até R$ 28 milhões.

Segundo contêiner também apresentava mercadoria irregular

O segundo contêiner passou por conferência física em 25 de setembro. Na documentação, a carga havia sido descrita como máquinas e aparelhos elétricos.

Durante a fiscalização, porém, foram encontrados cigarros eletrônicos, powerbanks, fones de ouvido, microfones, caixas de som e suportes para celular.

Os DEFs serão formalmente apreendidos depois da conclusão do procedimento de saneamento da carga, que envolve separação, identificação, contagem e avaliação das mercadorias.

A expectativa da Receita Federal é apreender aproximadamente 180 mil cigarros eletrônicos, além das respectivas baterias recarregáveis. O valor de mercado desse material pode superar R$ 21 milhões.

O que são os Dispositivos Eletrônicos para Fumar

Cigarros eletrônicos, vapes, pods e vaporizadores são diferentes denominações utilizadas para identificar os chamados Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEFs).

No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proíbe atividades relacionadas a esses produtos, incluindo fabricação, importação, comercialização, armazenamento, transporte e propaganda.

Cigarros eletrônicos são proibidos no Brasil

A regulamentação considera os riscos associados ao uso dos dispositivos. Entre os possíveis impactos à saúde estão doenças pulmonares, problemas cardiovasculares, exposição a substâncias tóxicas, dependência de nicotina e potencial risco de câncer.

A fiscalização realizada no Porto de Santos integra as ações de combate à entrada irregular desses produtos no território nacional.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Receita Federal

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Portos

Movimentação portuária de agosto destaca crescimento e diversidade de cargas no Brasil

A movimentação portuária brasileira apresentou números de destaque em agosto de 2026, com recordes e crescimento em diferentes terminais das regiões Sudeste, Nordeste e Sul. Os dados reunidos pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) mostram avanços tanto no transporte de contêineres quanto na movimentação de granéis sólidos, líquidos e carga geral.

Entre os principais resultados estão o recorde mensal de contêineres registrado pelo Porto de Santos (SP), o maior volume mensal da história do Porto de Suape (PE) e o crescimento expressivo dos portos administrados pela Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba).

Soja, açúcar, milho, fertilizantes, petróleo e derivados, madeira, cevada e outras matérias-primas estiveram entre as cargas de maior participação no período.

Sudeste concentra grandes volumes de cargas e contêineres

Porto de Santos registra recorde na movimentação de contêineres

O Porto de Santos movimentou 16,38 milhões de toneladas em agosto. Entre as principais cargas esteve o complexo soja, que inclui soja em grãos e farelo, tanto a granel quanto em contêineres, responsável por 3,08 milhões de toneladas.

O açúcar movimentou 2,39 milhões de toneladas, enquanto o milho chegou a 1,86 milhão de toneladas.

O principal destaque, porém, foi a operação de contêineres. Santos movimentou 538,2 mil TEUs, maior volume mensal já registrado pelo porto e 3,9% acima de agosto de 2025.

No acumulado entre janeiro e agosto, a movimentação geral de cargas chegou a 125,9 milhões de toneladas, crescimento de 3,1% na comparação anual.

São Sebastião tem barrilha, açúcar e malte entre as principais cargas

No Porto de São Sebastião, a movimentação de agosto totalizou 25,2 mil toneladas. No acumulado dos oito primeiros meses do ano, o volume chegou a 563 mil toneladas.

As principais cargas foram barrilha a granel, com 183,4 mil toneladas; açúcar a granel, com 165,2 mil toneladas; e malte e cevada a granel, com 106,8 mil toneladas. Juntas, elas representaram 455,4 mil toneladas no acumulado.

Nordeste tem recorde em Suape e crescimento nos portos baianos

Suape alcança maior movimentação mensal da história

O Porto de Suape movimentou 2,7 milhões de toneladas em agosto, estabelecendo o maior volume mensal já registrado pelo terminal.

Os granéis líquidos, principalmente petróleo e derivados, responderam por 1,98 milhão de toneladas, ou 72,5% do total movimentado.

O resultado representa uma alta de 61% em relação a agosto de 2025.

Além dos granéis líquidos, Suape movimentou 51.658 TEUs em contêineres, 146,2 mil toneladas de granéis sólidos e 21,9 mil toneladas de carga geral solta.

Porto do Recife movimenta trigo, malte, açúcar e fertilizantes

O Porto do Recife registrou 51,4 mil toneladas movimentadas em agosto, com predominância de granéis sólidos.

Entre os principais produtos estiveram trigo, com 14,1 mil toneladas; malte, com 10,5 mil; açúcar, com 8 mil; e fertilizantes, com 5 mil toneladas.

Portos da Bahia registram alta de 12,54%

Os portos administrados pela Codeba movimentaram 1,9 milhão de toneladas em agosto, alta de 12,54% frente ao mesmo mês de 2025.

As cargas destinadas à exportação tiveram crescimento ainda maior, de 40,27%. De janeiro a agosto, a movimentação acumulada chegou a 14 milhões de toneladas.

O Porto de Aratu-Candeias foi um dos principais responsáveis pelo resultado. O terminal movimentou 798,5 mil toneladas em agosto, crescimento de 45,66% na comparação anual. As cargas destinadas à exportação avançaram 235%.

Com operações voltadas principalmente aos setores petroquímico, siderúrgico e de fertilizantes, Aratu-Candeias movimenta granéis sólidos, líquidos e gasosos, incluindo minérios, fertilizantes e produtos químicos.

Já o Porto de Salvador registrou 666,9 mil toneladas em agosto, com destaque para fertilizantes e contêineres. No acumulado do ano, foram 5,06 milhões de toneladas, alta de 14,15% sobre o mesmo período de 2025.

O Porto de Ilhéus também apresentou crescimento. A movimentação em agosto aumentou 71,44% em relação ao mesmo mês do ano anterior, com 35,7 mil toneladas destinadas à exportação.

Região Sul mantém movimentação de grãos, madeira e fertilizantes

Porto de Porto Alegre tem fertilizantes e cevada entre os destaques

O Porto de Porto Alegre movimentou 41,9 mil toneladas em agosto. Desse total, 21,6 mil toneladas foram de fertilizantes e 20,2 mil toneladas de cevada.

Entre janeiro e agosto, o terminal registrou crescimento de 7,11% na movimentação em relação ao mesmo período de 2025.

Porto de Pelotas concentra operações em madeira

O Porto de Pelotas movimentou 87,3 mil toneladas em agosto. As toras de madeira representaram a maior parcela, com 79,4 mil toneladas.

Na sequência apareceram a soja em grão, com 5,9 mil toneladas, e o clínquer, com 1,9 mil toneladas.

Rio Grande movimenta 3,9 milhões de toneladas em agosto

Considerando os terminais arrendados e os Terminais de Uso Privado (TUPs), o Porto do Rio Grande movimentou 3,90 milhões de toneladas em agosto, além de 71.527 TEUs.

No acumulado de 2026, os principais grupos de cargas foram grãos agrícolas, farinhas, farelos e cereais, com 13,07 milhões de toneladas; matérias-primas para fertilizantes, com 4,30 milhões; e pastas de madeira e matéria celulósica, com 2,60 milhões de toneladas.

Itajaí registra crescimento de 25% no acumulado do ano

O Porto de Itajaí movimentou 407,4 mil toneladas em agosto.

Entre janeiro e agosto de 2026, o terminal acumulou 3,5 milhões de toneladas, resultado que representa crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No Paraná, os portos de Paranaguá e Antonina chegaram a 46,86 milhões de toneladas movimentadas no acumulado de janeiro a agosto.

Movimentação portuária mostra diversidade de cargas

Os números de agosto reforçam a diversidade da movimentação portuária brasileira, que envolve desde commodities agrícolas, como soja, milho e açúcar, até petróleo e derivados, fertilizantes, produtos químicos, madeira e cargas conteinerizadas.

Os resultados também evidenciam o papel dos portos nas operações de comércio exterior e no abastecimento de diferentes cadeias produtivas do país.

Fonte: Ministério de Portos e Aeroportos (MPor)

Texto: Redação

Imagem: MPOR / Divulgação Porto de Suape

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Portos

Canal de acesso do Porto de Santos pode ser leiloado no primeiro semestre de 2027

O canal de acesso do Porto de Santos poderá ser concedido à iniciativa privada em um leilão previsto para o primeiro semestre de 2027. A estimativa foi apresentada pelo secretário nacional de Portos, Alex Sandro de Ávila, em entrevista ao jornal A Tribuna. O projeto está na etapa final da consulta pública, cujo prazo para envio de contribuições termina em 29 de setembro.

Depois dessa fase, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) deverá avaliar as sugestões recebidas. As mudanças consideradas pertinentes serão encaminhadas ao BNDES, responsável pela estruturação do projeto, para a elaboração de uma nova versão da modelagem. Na sequência, o documento será submetido ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Projeto passa por análise antes do leilão

Segundo Ávila, a análise das contribuições será uma das etapas mais trabalhosas do processo, já que será necessário avaliar quais propostas serão incorporadas e quais serão descartadas. Depois da consolidação, o BNDES deverá preparar a chamada segunda versão da modelagem.

O secretário estima que a análise do TCU normalmente leve cerca de quatro meses, mas pondera que a complexidade do projeto pode ampliar esse prazo. O Porto de Santos é o maior complexo portuário do País, o que contribui para um volume maior de discussões sobre a concessão. A Tribuna

A própria ANTAQ informa que o projeto prevê a concessão parcial do acesso aquaviário por 25 anos, com possibilidade de prorrogação, além de intervenções destinadas a ampliar a capacidade e a eficiência da infraestrutura náutica. Serviços e Informações do Brasil

Concessão prevê aprofundamento do canal

A modelagem estabelece um contrato de 25 anos, com valor estimado em R$ 688,1 milhões. Entre as principais responsabilidades da futura concessionária estará o aprofundamento do canal, atualmente com 15 metros.

A proposta prevê elevar inicialmente a profundidade para 16 metros e, posteriormente, para 17 metros. O projeto também contempla melhorias na infraestrutura de navegação, incluindo sistemas de gerenciamento do tráfego de embarcações, sinalização náutica e levantamentos hidrográficos. Serviços e Informações do Brasil

Setor debate tarifas e governança

A audiência pública realizada em 1º de setembro abriu espaço para manifestações de representantes do setor portuário. Entre os pontos discutidos estão a necessidade de isonomia tarifária e a preservação de atribuições consideradas estratégicas sob responsabilidade da Autoridade Portuária de Santos (APS).

A própria APS demonstrou preocupação com a possibilidade de fragmentação da governança do acesso aquaviário.

O secretário nacional de Portos afirmou, contudo, que o MPor está disposto a rever parâmetros técnicos do projeto caso as contribuições apresentadas possam melhorar as condições para o porto e seus usuários.

Governo mantém decisão de conceder o canal

Embora os parâmetros técnicos possam ser modificados durante o processo, Ávila afirmou que o governo não pretende alterar a decisão de transferir a operação do canal à iniciativa privada.

A concessão dos acessos aquaviários faz parte de uma política federal que inclui projetos em diferentes estágios. O Canal de Paranaguá, no Paraná, foi o primeiro a ser concedido. Itajaí, em Santa Catarina, aparece na sequência, enquanto Santos e os canais dos portos do Rio Grande do Sul estão em etapas próximas.

O projeto relacionado à Bahia, por sua vez, deverá passar por uma reformulação mais ampla após as contribuições recebidas durante a participação pública.

Como funcionará a remuneração da concessionária

A proposta prevê uma remuneração progressiva para a empresa responsável pelo canal de Santos.

Nos três primeiros anos, a concessionária ficaria com 70% da receita. Depois que a profundidade atingir 16 metros, a participação subiria para 90%. Com a conclusão do aprofundamento para 17 metros, a empresa passaria a receber 100% da receita prevista no modelo.

O projeto estima R$ 23 bilhões em receita bruta durante os 25 anos de concessão. Os custos operacionais são calculados em mais de R$ 6 bilhões, enquanto o fluxo de caixa operacional projetado chega a R$ 2,8 bilhões.

A concessionária também deverá realizar um pagamento fixo de R$ 200 milhões por ano à Autoridade Portuária de Santos.

Paranaguá é usado como referência

O governo federal utiliza a concessão do canal de acesso ao Porto de Paranaguá, no Paraná, como referência para o modelo. O contrato foi realizado em outubro do ano passado e homologado pelo MPor em dezembro, tornando Paranaguá o primeiro canal de acesso portuário do País transferido à iniciativa privada.

No projeto paranaense, estão previstos investimentos de R$ 1,22 bilhão para ampliar e aprofundar o canal. As obras incluem alargamento, retirada de rochas e aumento da profundidade para 15,5 metros, ante os atuais 13,3 metros.

Ávila, que também preside o Conselho de Administração dos Portos do Paraná, afirmou acompanhar os efeitos da concessão. Segundo ele, a avaliação envolve o porto, os usuários, a comunidade portuária e a empresa responsável pela operação.

Modelo prevê divisão de responsabilidades

Na lógica defendida pelo governo, a concessão transfere à iniciativa privada a execução dos serviços previstos no contrato, enquanto a autoridade portuária mantém funções de coordenação e fiscalização.

Os usuários, por sua vez, passam a contar com instrumentos para cobrar o cumprimento das obrigações estabelecidas na concessão.

A expectativa é que o modelo permita ampliar a eficiência do acesso aquaviário, melhorar a infraestrutura de navegação e acompanhar o crescimento da movimentação no Porto de Santos, considerado estratégico para o comércio exterior brasileiro. Serviços e Informações do Brasil

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Alexsander Ferraz/AT

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Portos

Empresa é condenada a pagar R$ 150 mil por trabalho sem registro no Porto de Santos

Uma empresa que atuava no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, foi condenada pela Justiça do Trabalho a pagar R$ 150 mil por dano moral coletivo após a contratação de trabalhadores sem registro para a limpeza de porões de navios. A decisão também responsabiliza o representante da companhia.

A sentença foi proferida pela 2ª Vara do Trabalho de Santos em uma ação civil pública apresentada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Além da indenização, a Justiça proibiu os réus de prestar, intermediar ou subcontratar esse tipo de serviço sem o devido credenciamento da autoridade portuária e sem o cumprimento das normas trabalhistas e de segurança.

Em caso de descumprimento das determinações, foi estabelecida multa de R$ 5 mil por infração comprovada.

Trabalhadores atuavam sem registro e direitos trabalhistas

A investigação identificou dezenas de pessoas trabalhando na limpeza de porões de navios entre outubro de 2023 e janeiro de 2025 sem registro em carteira e sem os respectivos recolhimentos trabalhistas e previdenciários.

Segundo o MPT, os trabalhadores eram contratados como “eventuais” ou “freelancers”, apesar da realização das atividades no ambiente portuário.

A apuração também apontou uma série de irregularidades relacionadas à saúde e segurança do trabalho. Entre os problemas identificados estão:

  • ausência de exames médicos admissionais;
  • falta de comprovação de treinamentos obrigatórios;
  • fornecimento inadequado de equipamentos de proteção individual (EPIs);
  • descumprimento de normas de segurança para trabalho em altura;
  • irregularidades relacionadas ao trabalho em espaços confinados.

Credenciais de outras empresas eram usadas para acesso ao porto

A investigação apontou ainda que trabalhadores teriam utilizado credenciais vinculadas a outras empresas autorizadas para acessar embarcações e áreas do Porto de Santos.

De acordo com o MPT, essas empresas eram responsáveis pela subcontratação da mão de obra. Documentos produzidos pela própria companhia investigada registraram serviços realizados para diferentes embarcações e contratantes entre 2022 e 2024.

As regras da Autoridade Portuária de Santos (APS) estabelecem que a lavagem de porões de navios graneleiros deve ser executada por empresas devidamente credenciadas ou pela própria tripulação da embarcação.

Durante o processo judicial, o responsável pela empresa reconheceu que a companhia não possuía o credenciamento necessário. Ele também declarou que organizava diretamente as equipes e enviava os nomes dos trabalhadores às empresas contratantes.

Limpeza de porões envolve riscos à saúde e à segurança

Para o Ministério Público do Trabalho, o modelo identificado na investigação configurava uma cadeia clandestina de fornecimento de mão de obra, sem os controles de segurança exigidos para atividades portuárias e marítimas.

A limpeza de porões de navios é considerada uma atividade de risco elevado por envolver, entre outras situações, trabalho em espaços confinados, operações em altura e possível contato com produtos químicos e outros agentes nocivos.

Segundo o MPT, essas condições poderiam expor os trabalhadores a acidentes graves, doenças ocupacionais e até risco de morte.

O órgão também apontou possível concorrência desleal, uma vez que a ausência de registro, treinamentos, equipamentos de proteção e demais medidas obrigatórias poderia reduzir os custos da operação e gerar vantagem econômica indevida.

Investigação reuniu documentos e registros do Porto de Santos

A apuração contou com autos de fiscalização da Gerência Regional do Trabalho e Emprego, documentos da Autoridade Portuária de Santos, registros de acesso ao porto, contratos comerciais, relatórios elaborados pela própria empresa e depoimentos prestados durante o processo.

A indenização de R$ 150 mil por dano moral coletivo deverá ser destinada ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

A reportagem procurou a empresa, por meio de seu sócio responsável, para obter um posicionamento sobre a condenação, mas não recebeu resposta até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Luiz Damasceno/APS/Divulgação

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Portos

Rumo e CHS iniciam construção de terminal no Porto de Santos para grãos e fertilizantes

A Rumo e a CHS Agronegócio devem começar, em setembro, as obras de um novo terminal multimodal no Porto de Santos, no litoral de São Paulo. O empreendimento, anunciado em 2024, aguardava a conclusão de etapas como licenciamento ambiental e autorizações regulatórias para avançar.

O projeto representa um investimento de R$ 2,5 bilhões e terá participação igualitária entre as duas empresas.

Terminal terá capacidade para 13 milhões de toneladas

Durante evento promovido pelo Bradesco BBI nesta quinta-feira (10/9), em São Paulo, a vice-presidente da Rumo, Natália Marcassa, confirmou o início das obras.

Segundo a executiva, cada empresa terá 50% de participação no empreendimento. A estrutura foi projetada para movimentar até 10 milhões de toneladas de grãos e receber outras 3 milhões de toneladas de fertilizantes no fluxo de retorno.

A expectativa é que o novo terminal amplie a capacidade de escoamento da produção agrícola, especialmente das cargas provenientes do Centro-Oeste brasileiro.

Ferrovia em Mato Grosso será integrada ao Porto de Santos

O projeto também está relacionado à expansão da infraestrutura ferroviária da Rumo em Mato Grosso. Em junho, a companhia inaugurou a primeira etapa da Ferrovia Estadual de Mato Grosso, além de um terminal localizado na BR-070.

Os dois empreendimentos receberam investimentos de aproximadamente R$ 5 bilhões e têm como objetivo facilitar o transporte de grãos produzidos no Estado, que possui forte potencial agrícola.

A ferrovia é considerada pela empresa a maior obra ferroviária atualmente em execução no Brasil. O projeto prevê a construção de mais de 700 quilômetros de trilhos, totalmente financiados com recursos privados.

Ferrovia ligará Rondonópolis a Lucas do Rio Verde

O contrato estabelece prazo até 2034 para a conclusão das demais fases da ferrovia. Parte dessas etapas ainda depende do avanço do licenciamento ambiental.

Quando estiver totalmente pronta, a linha ferroviária atravessará 16 municípios de Mato Grosso, conectando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, com um ramal destinado a Cuiabá.

O sistema ferroviário será integrado à malha que chega ao Porto de Santos, criando uma rota para ampliar o transporte de grãos do Centro-Oeste até o principal complexo portuário do país e, no sentido inverso, facilitar a chegada de fertilizantes às regiões produtoras.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Portos

Porto de São Sebastião implanta primeiro Port Community System do Brasil

O Porto de São Sebastião, no Litoral Norte de São Paulo, tornou-se o primeiro ativo portuário do Brasil a operar com um Port Community System (PCS). Desenvolvida pela Companhia Docas de São Sebastião (CDSS), a plataforma entrou em funcionamento em 14 de agosto e busca aumentar a eficiência logística, a transparência e a agilidade das operações, além de reduzir custos.

O PCS funciona como um ambiente digital compartilhado para o acompanhamento das atividades portuárias em tempo real. Empresas privadas, operadores e órgãos públicos podem aderir voluntariamente ao sistema, cadastrar informações operacionais e consultar dados disponibilizados por outros participantes da cadeia.

Segundo a CDSS, vinculada ao Governo do Estado de São Paulo, o sistema representa uma camada digital de dados e serviços compartilhados que integra o ecossistema informatizado do porto.

Plataforma reúne informações da operação portuária

A implantação do sistema digital portuário também aproveitou investimentos feitos anteriormente em soluções tecnológicas que já estavam em funcionamento. Essas ferramentas foram posteriormente integradas ao novo ecossistema.

A CDSS informa que, sem considerar os sistemas desenvolvidos antes da implantação do PCS, foram aplicados até o momento R$ 400 mil no aprimoramento do ecossistema portuário.

O presidente da companhia, Ernesto Sampaio, afirma que o acesso à plataforma é gratuito para os usuários e que novas funcionalidades serão incorporadas de maneira gradual. Atualmente, o sistema reúne 50 empresas e 47 usuários cadastrados.

O desenvolvimento do projeto começou aproximadamente três anos antes da entrada em operação. A proposta é reunir em um único ambiente informações que anteriormente permaneciam sob domínio da autoridade portuária ou eram obtidas de maneira fragmentada.

Com a digitalização, a expectativa é facilitar o compartilhamento desses dados entre os diferentes integrantes da comunidade portuária.

Menos burocracia e mais previsibilidade

Entre os benefícios esperados estão a redução de procedimentos manuais e da circulação de documentos físicos, além de maior previsibilidade para o fluxo de cargas.

A plataforma oferece recursos como:

  • acompanhamento de exigências regulatórias;
  • controle de pendências e documentos;
  • monitoramento do transporte terrestre de cargas;
  • gestão de acessos e agendamentos;
  • indicadores operacionais;
  • acompanhamento de custos.

Com as informações disponíveis em tempo real, os participantes podem se preparar antecipadamente para as próximas etapas das operações.

A previsão de encerramento do atendimento de um navio, por exemplo, pode ajudar operadores a organizar equipes. Agentes marítimos também podem acompanhar atracações e desatracações para coordenar atividades com a Praticagem e empresas de rebocadores.

Outro objetivo é reduzir a dispersão das comunicações. Informações que antes poderiam ser trocadas por telefone, e-mail ou aplicativos de mensagens passam a ficar concentradas em uma plataforma comum.

O PCS também possui integração com o Porto Sem Papel, sistema do Governo Federal. Dessa forma, os usuários poderão consultar informações dos dois ambientes por meio da plataforma, diminuindo a necessidade de acessar diferentes sistemas.

Desenvolvimento contou com participação do setor

A construção do Port Community System foi precedida por reuniões com representantes da comunidade portuária. Segundo Ernesto Sampaio, a CDSS realizou dezenas de encontros para identificar as principais demandas e estabelecer quais informações deveriam ser compartilhadas.

Participaram do processo profissionais das áreas de operações, Guarda Portuária e Tecnologia da Informação, além de representantes dos diversos segmentos envolvidos nas atividades do porto.

O levantamento também identificou dados já produzidos pelo sistema de gestão portuária que poderiam ser disponibilizados aos usuários. Informações internas e aquelas protegidas por sigilo comercial ficaram fora do compartilhamento.

A CDSS ressalta que o PCS não foi simplesmente adquirido como uma solução pronta. O sistema foi desenvolvido de forma conjunta com os integrantes da comunidade portuária e deverá continuar evoluindo conforme surgirem novas necessidades.

Sugestões de funcionalidades e melhorias poderão ser encaminhadas ao conselho consultivo para avaliação da autoridade portuária.

Projeto de PCS em Santos foi interrompido

A implantação do sistema em São Sebastião ocorre após outras iniciativas para levar o PCS aos portos brasileiros.

Em 2023, o Ministério de Portos e Aeroportos selecionou Santos, Itajaí (SC), Suape (PE) e Rio de Janeiro (RJ) para um projeto-piloto apoiado pelo governo britânico. O trabalho seria desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP), por meio do Instituto de Tecnologia de Software e Serviços (ITS), com recursos do Reino Unido.

De acordo com Angelino Caputo, presidente-executivo da Associação Brasileira de Terminais e Recintos Alfandegados (Abtra), as discussões sobre a implantação do modelo no Brasil começaram por volta de 2018, no contexto das iniciativas relacionadas ao Acordo Mundial de Facilitação do Comércio, estabelecido pela Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2013.

Segundo Caputo, o projeto contava inicialmente com recursos do Prosperity Fund UK, mas o financiamento foi reduzido. A iniciativa chegou a mapear processos e previa um projeto-piloto em Santos, mas acabou sendo interrompida durante a pandemia.

A Autoridade Portuária de Santos (APS) informou à Reportagem que atualmente não possui projeto para implantação do PCS. Segundo a companhia, o estudo para implementar um programa com esse nome deixou de ser discutido em 2021.

Abtra destaca impacto na competitividade

Para a Abtra, a adoção do Port Community System pode gerar ganhos para toda a cadeia logística. O modelo é utilizado na Europa há cerca de quatro décadas e tem como característica conectar os diferentes sistemas empregados por terminais, autoridades, praticagem, despachantes e prestadores de serviços.

Caputo explica que o PCS não substitui as ferramentas utilizadas individualmente por cada participante. A função é criar uma camada de integração capaz de permitir a troca de informações entre esses sistemas.

Na avaliação do executivo, esse compartilhamento pode aumentar a velocidade das operações, melhorar a segurança das informações, preservar o sigilo comercial e reduzir erros de inserção de dados.

O impacto também pode alcançar a competitividade dos portos e contribuir para a redução do chamado Custo Brasil. Para a associação, a finalidade do sistema é facilitar a comunicação entre os agentes e acelerar o fluxo logístico, e não ampliar o controle governamental sobre empresas privadas.

Segundo Caputo, embora diferentes portos possuam sistemas próprios de relacionamento com suas comunidades portuárias, o Porto de São Sebastião é atualmente o único no Brasil com um PCS desenvolvido de acordo com os padrões reconhecidos pela International Port Community Systems Association (IPCSA).

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Semil

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Logística

Maersk defende logística mais barata e eficiente no Brasil: “O Brasil precisa dar escala”

O Brasil é um dos principais mercados globais da Maersk e ocupa uma posição entre as cinco maiores operações da companhia no mundo. Mesmo diante de obstáculos recentes ao comércio exterior, como as cotas chinesas para a carne brasileira e as restrições impostas pela União Europeia, a empresa mantém uma perspectiva de crescimento para 2026.

Para Ricardo Rocha, presidente da Maersk na Costa Leste da América do Sul, região que inclui Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, um dos diferenciais da companhia está no controle de diferentes etapas da cadeia logística.

Segundo o executivo, o modelo verticalizado, que reúne transporte marítimo, terminais, armazéns e distribuição, permite à empresa responder com mais rapidez às mudanças do mercado.

Brasil é um dos maiores mercados da Maersk

A operação brasileira tem peso significativo dentro da estratégia global da empresa. O país está entre os cinco maiores mercados da Maersk no mundo.

A divisão da Costa Leste da América do Sul responde por aproximadamente 50% a 55% dos resultados da companhia na América Latina. O Brasil é o principal mercado desse grupo.

Dos cerca de 3.300 funcionários que trabalham na região, aproximadamente 3 mil estão no Brasil, reforçando a importância do país para a operação da multinacional.

Maersk investe mais de R$ 1 bilhão por ano no Brasil

A companhia afirma investir mais de R$ 1 bilhão anualmente no Brasil em manutenção e expansão de sua estrutura logística, incluindo terminais, armazéns e depósitos.

Atualmente, a Maersk opera ou possui participação em quatro terminais brasileiros. Um dos principais projetos está em Suape, onde a empresa terá um terminal integralmente próprio.

O empreendimento recebeu investimentos de aproximadamente R$ 2 bilhões e deve iniciar as operações em breve.

A estrutura também inclui dez centros logísticos voltados ao recebimento de contêineres vazios e ao atendimento dos clientes.

Carne, café, madeira e outros produtos movimentam a operação

A Maersk atua no transporte de uma ampla variedade de mercadorias produzidas no Brasil. Entre os principais produtos estão carne, madeira, café, algodão, calçados, roupas, alimentos, produtos químicos não perigosos e peças.

A empresa também trabalha com logística refrigerada, transportando produtos como medicamentos e carne congelada.

Cada mercadoria exige procedimentos específicos, devido às características da carga e às regulamentações existentes. A companhia afirma oferecer uma operação integrada que pode começar ainda no país de origem e terminar no destino final.

Quando ocorre algum problema durante o trajeto, a empresa pode recorrer ao transporte aéreo para evitar interrupções na cadeia de suprimentos.

Tarifas dos EUA mudaram rotas de exportação

O aumento das tarifas aplicadas pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros também teve impacto na operação da Maersk.

De acordo com Ricardo Rocha, a empresa deixou de transportar aproximadamente 20% do volume que anteriormente seguia para os Estados Unidos.

A mudança, porém, provocou uma reorganização das cadeias de suprimentos. Empresas brasileiras passaram a buscar outros destinos para suas exportações, com destaque para a Ásia e, principalmente, a China.

Guerra no Oriente Médio exigiu mudanças na logística

O conflito no Oriente Médio trouxe novos desafios para o transporte de cargas brasileiras, especialmente para os produtos refrigerados e congelados.

A Maersk é a principal transportadora de cargas congeladas e refrigeradas do Brasil, enquanto o Oriente Médio representa o segundo maior mercado brasileiro para esse tipo de produto.

A diferença entre carnes congeladas e resfriadas também exige estratégias distintas. Enquanto a carne congelada pode ser armazenada, a resfriada precisa chegar ao destino e ser encaminhada rapidamente ao consumo.

Diante das dificuldades na região, a empresa precisou reorganizar o fluxo de contêineres. Rotas que passavam pelo Canal de Suez foram modificadas, combinando transporte marítimo com caminhões.

Segundo o executivo, uma operação que anteriormente atendia cinco portos passou a utilizar apenas dois. O que inicialmente era considerado uma solução temporária acabou se tornando parte permanente da logística.

Custos aumentaram com uso de caminhões

As mudanças nas rotas também elevaram os custos da operação, principalmente devido à necessidade de ampliar o transporte rodoviário.

Além disso, a falta de combustível em determinados momentos exigiu a criação de uma estrutura específica para garantir o abastecimento necessário à operação logística.

Cotas da China e restrições europeias pressionam exportações

O setor de exportação de carne brasileira também enfrenta mudanças importantes.

O Brasil é o maior produtor mundial, enquanto a China é seu principal comprador. Com a adoção de cotas chinesas, algumas empresas reduziram ou interromperam a produção destinada ao mercado asiático.

Na sequência, novas restrições da União Europeia aumentaram a pressão sobre os exportadores brasileiros.

Apesar do cenário adverso, a Maersk identifica oportunidades em outros mercados. As vendas de carne bovina para o Chile cresceram, assim como os embarques destinados aos Estados Unidos.

El Niño preocupa operação logística no Norte

As condições climáticas também fazem parte dos fatores monitorados pela companhia.

No Brasil, o El Niño pode provocar períodos de seca mais severos na Região Norte, afetando o nível dos rios e, consequentemente, o transporte de cargas.

A Maersk conta com o apoio de uma startup que acompanha diariamente os níveis dos rios utilizados na operação. A empresa já observa uma redução nos níveis durante a segunda metade do ano e considera a possibilidade de uma estiagem particularmente severa.

Mesmo assim, a avaliação é de que a estrutura atual permite adaptar a operação às mudanças provocadas pelas condições climáticas.

Modelo verticalizado dá mais controle à Maersk

Uma das principais estratégias da empresa é justamente manter sob seu controle diferentes etapas da cadeia logística.

A Maersk atua com navios, terminais, armazéns, caminhões e distribuição, reduzindo a dependência de terceiros e permitindo ajustes mais rápidos diante de imprevistos.

A companhia prevê movimentar 1,15 milhão de contêineres no Brasil neste ano.

O modelo também representa uma mudança na atuação tradicional da empresa, que deixou de trabalhar apenas no transporte entre portos e passou a oferecer uma solução de ponta a ponta, incluindo despacho, transporte rodoviário, armazenagem seca e refrigerada e distribuição.

Para a Maersk, essa integração ajuda a fortalecer o relacionamento e a retenção dos clientes.

Maersk cobra redução dos custos logísticos no Brasil

Na avaliação de Ricardo Rocha, o Brasil precisa avançar na infraestrutura para reduzir os custos e aumentar a escala da logística brasileira.

“O Brasil precisa baratear e dar escala à sua logística”, afirma o executivo.

Um dos exemplos citados é o Porto de Santos, considerado o maior da América Latina. Segundo Rocha, apenas um dos terminais do complexo possui conexão direta com a malha ferroviária.

Outro problema está no elevado nível de utilização dos portos. Durante períodos de inverno, quando há maior ocorrência de mar agitado e neblina, a ocupação de muitos terminais chega a 90% ou 95% da capacidade.

Para o executivo, esse nível é elevado demais. Pelos padrões internacionais, um terminal deveria trabalhar próximo de 80% da capacidade, mantendo os 20% restantes para manobras e situações imprevistas.

Com pouca margem operacional, qualquer interrupção pode provocar impactos em toda a cadeia logística e no comércio exterior brasileiro.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/O Globo

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