Comércio Exterior

Plano Brasil Soberano libera R$ 13,5 bilhões em crédito para empresas afetadas por tarifas e conflitos

O governo federal regulamentou a distribuição dos R$ 13,5 bilhões em linhas de crédito previstos pelo Plano Brasil Soberano para apoiar empresas impactadas pelo aumento das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e pelos efeitos de conflitos e da instabilidade no cenário internacional.

As regras foram publicadas nesta segunda-feira (24) no Diário Oficial da União (DOU) pelo Conselho Interministerial do Plano Brasil Soberano. O pacote havia sido anunciado em julho, mas dependia da regulamentação para começar a ser executado.

Como serão distribuídos os R$ 13,5 bilhões

A maior parcela, de R$ 5 bilhões, será destinada a exportadores e fornecedores afetados pelo chamado tarifaço dos Estados Unidos, que elevou as barreiras comerciais para produtos brasileiros.

Outros R$ 3,5 bilhões serão direcionados a empresas que mantêm operações de exportação com países do Golfo Pérsico, região que enfrenta impactos econômicos relacionados ao conflito no Oriente Médio.

Os R$ 5 bilhões restantes serão destinados a setores considerados estratégicos pelo governo:

  • R$ 2 bilhões para empresas produtoras de adubos, fertilizantes e insumos intermediários;
  • R$ 2 bilhões para atividades industriais e tecnológicas ligadas à cadeia de minerais críticos e estratégicos;
  • R$ 1 bilhão para empresas de setores industriais considerados relevantes para o comércio exterior brasileiro.

No segmento de minerais, os financiamentos poderão contemplar atividades de lavra, desde que estejam vinculadas a etapas posteriores, como beneficiamento, refino ou transformação da matéria-prima.

Quem poderá acessar as linhas de crédito

O programa não ficará limitado às empresas que exportam diretamente. Fornecedores das cadeias produtivas afetadas também poderão receber financiamento, desde que atendam aos critérios estabelecidos.

Entre os possíveis beneficiários estão:

  • empresas, cooperativas e associações exportadoras de bens industriais e seus fornecedores;
  • produtores e exportadores de agricultura, pecuária, florestas plantadas, pesca e aquicultura;
  • empresas exportadoras de recursos minerais e seus fornecedores;
  • companhias de setores industriais estratégicos para o comércio exterior.

Com isso, o Plano Brasil Soberano amplia sua atuação para além dos efeitos imediatos das tarifas norte-americanas, buscando preservar cadeias produtivas consideradas importantes para a economia brasileira.

Recursos poderão financiar investimentos e capital de giro

As empresas poderão utilizar o crédito tanto para necessidades imediatas quanto para projetos de médio e longo prazo.

Entre as possibilidades estão capital de giro, aquisição de máquinas e equipamentos e adequações na estrutura produtiva. O financiamento também poderá apoiar a expansão da capacidade de produção e iniciativas destinadas ao fortalecimento das cadeias de fornecedores.

O programa contempla ainda projetos de inovação tecnológica e medidas para adaptar produtos, serviços e processos às mudanças nas condições do mercado internacional.

Novas modalidades de uso dos recursos poderão ser estabelecidas posteriormente pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e pelo Ministério da Fazenda.

Crédito busca reduzir impactos do tarifaço

A reserva de R$ 5 bilhões para exportadores foi estabelecida em resposta ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre mercadorias brasileiras.

De acordo com o governo, as novas sobretaxas aumentaram os custos para acessar o mercado norte-americano e ampliaram a pressão financeira sobre empresas brasileiras dependentes das exportações.

Nesse cenário, o crédito pretende oferecer fôlego financeiro aos exportadores e às empresas que integram suas cadeias de fornecimento. Parte dos recursos também será destinada a companhias que negociam com países do Golfo Pérsico, considerando os possíveis reflexos econômicos da instabilidade no Oriente Médio.

BNDES acompanhará operações

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) será responsável pelo acompanhamento das operações de crédito.

Mensalmente, o banco deverá encaminhar ao Conselho Interministerial do Plano Brasil Soberano informações sobre os financiamentos aprovados e contratados, além dos valores efetivamente liberados.

A divisão dos R$ 13,5 bilhões não é necessariamente definitiva. A regulamentação permite que o Conselho Interministerial altere a alocação dos recursos conforme a execução do programa e as prioridades estabelecidas pela política pública.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Jorge Silva

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Comércio Exterior

Balança comercial brasileira tem superávit de US$ 2,115 bilhões na terceira semana de agosto

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,115 bilhões na terceira semana de agosto, segundo dados divulgados na segunda-feira (24) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No período, as exportações somaram US$ 8,100 bilhões, enquanto as importações chegaram a US$ 5,985 bilhões.

Considerando as três primeiras semanas do mês, o comércio exterior brasileiro apresenta superávit acumulado de US$ 5,109 bilhões. O resultado é formado por US$ 24,143 bilhões em exportações e US$ 19,034 bilhões em importações.

Na comparação com o mesmo período de agosto de 2025, as exportações avançaram 14,3%.

Entre os setores exportadores, a Indústria Extrativa apresentou o maior crescimento, com alta de 34,2% e movimentação de US$ 6,875 bilhões. A Agropecuária cresceu 9,8%, alcançando US$ 5,200 bilhões, enquanto a Indústria de Transformação avançou 6,6%, para US$ 11,869 bilhões.

Importações também crescem em agosto

As importações registraram aumento de 13,0% na comparação com o mesmo período de 2025.

A Agropecuária teve alta de 3,9%, totalizando US$ 325 milhões. Já a Indústria de Transformação apresentou crescimento de 16,7%, com US$ 17,725 bilhões.

Na contramão, as compras externas da Indústria Extrativa recuaram 29,7%, para US$ 879 milhões.

Superávit comercial chega a US$ 54,148 bilhões no ano

De janeiro até a terceira semana de agosto, o Brasil acumula superávit comercial de US$ 54,148 bilhões. O resultado representa crescimento de 30,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando o saldo positivo era de US$ 43,158 bilhões.

Para todo o ano de 2026, o MDIC projeta um superávit de US$ 90 bilhões, valor 32,3% superior ao registrado em 2025.

A estimativa considera exportações de US$ 394,4 bilhões e importações de US$ 304,4 bilhões ao longo do ano.

Fonte: Estadão Conteúdo, com dados da Secretaria de Comércio Exterior (MDIC).

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News

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Economia

Mercado reduz projeção para crescimento da economia brasileira em 2026

Analistas do mercado financeiro reduziram de 1,98% para 1,95% a projeção de crescimento do PIB em 2026, segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (24).

A revisão foi a única mudança entre as principais estimativas para o próximo ano. Para 2028, porém, a expectativa ficou mais positiva: a projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,89% para 1,98%.

Para 2027, os analistas mantiveram a previsão de crescimento de 1,5%.

Expectativa para a economia em 2026

O PIB representa a soma dos bens e serviços produzidos no país e é um dos principais indicadores para medir o desempenho da atividade econômica.

A redução da estimativa para 2026 aponta para uma expectativa de crescimento ligeiramente mais fraco da economia brasileira no próximo ano. Já a revisão para cima em 2028 indica uma perspectiva de recuperação do ritmo de expansão no médio prazo.

Mercado mantém projeção de inflação para 2026

A expectativa para o IPCA, índice oficial de inflação, permaneceu em 5,02% para 2026.

Para 2027, entretanto, a previsão subiu marginalmente, de 4,24% para 4,25%. A estimativa para 2028 continuou em 3,8%.

Em julho, a inflação oficial desacelerou pelo quarto mês consecutivo e registrou alta de 0,07%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com esse resultado, o IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,44%, retornando para dentro do intervalo da meta de inflação, estabelecida em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Selic deve terminar 2026 em 13,75%

As projeções para a taxa Selic permaneceram inalteradas. O mercado espera que os juros básicos terminem 2026 em 13,75% ao ano.

Para 2027, a previsão continua em 12%, enquanto a estimativa para 2028 permanece em 10,5% ao ano.

Definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a Selic é o principal instrumento utilizado para controlar a inflação. Juros mais altos tendem a reduzir o consumo e os investimentos, ajudando a conter a pressão sobre os preços, mas também podem desacelerar a atividade econômica e encarecer o crédito.

Dólar deve ficar em R$ 5,20 no fim de 2026

A previsão para o dólar em 2026 permaneceu em R$ 5,20.

Para 2027, a estimativa avançou de R$ 5,29 para R$ 5,30. Em 2028, o mercado manteve a projeção de R$ 5,30.

O Boletim Focus é divulgado semanalmente pelo Banco Central e reúne as expectativas de instituições financeiras para indicadores como inflação, PIB, juros e câmbio.

Resumo do Boletim Focus

2026

  • IPCA: 5,02%
  • PIB: caiu de 1,98% para 1,95%
  • Câmbio: R$ 5,20
  • Selic: 13,75%

2027

  • IPCA: subiu de 4,24% para 4,25%
  • PIB: 1,50%
  • Câmbio: subiu de R$ 5,29 para R$ 5,30
  • Selic: 12,00%

2028

  • IPCA: 3,80%
  • PIB: subiu de 1,89% para 1,98%
  • Câmbio: R$ 5,30
  • Selic: 10,50%

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

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Economia

Reserva de ouro do Brasil cresce 33% e chega a 172,4 toneladas

Depois de quatro anos sem realizar novas compras, o Brasil voltou a ampliar sua reserva de ouro em 2025. Em apenas três meses, o Banco Central adquiriu cerca de 43 toneladas do metal, elevando o estoque mantido como parte das reservas internacionais do país.

Entre setembro e novembro daquele ano, a quantidade de ouro passou de aproximadamente 129,6 toneladas para 172,4 toneladas. O aumento foi de cerca de 33%.

Dados mais recentes do World Gold Council indicam que o volume permaneceu praticamente estável pelo menos até março de 2026.

Banco Central retoma compras de ouro

A movimentação interrompeu um período de quatro anos sem novas aquisições. A última expansão relevante da reserva de ouro brasileira havia ocorrido em 2021.

Em setembro de 2025, o Banco Central comprou aproximadamente 15 toneladas. A operação ocorreu em um cenário de valorização do metal e de maior interesse dos bancos centrais por ouro como ativo de reserva.

As compras continuaram nos dois meses seguintes. Segundo o World Gold Council, cerca de 11 toneladas foram adicionadas somente em novembro, completando uma sequência de três meses consecutivos de aquisições.

Com isso, o estoque brasileiro se aproximou das atuais 172 toneladas.

Valor das reservas de ouro quase dobrou

A expansão não ocorreu apenas em quantidade. A valorização do próprio metal também aumentou significativamente o valor financeiro das reservas.

Dados compilados pelo Poder360 apontam que o valor do ouro nas reservas internacionais do Brasil subiu de US$ 11,7 bilhões em janeiro para US$ 23,3 bilhões em novembro de 2025. O crescimento ficou próximo de 100%.

Por que o Brasil mantém ouro nas reservas?

As reservas internacionais funcionam como uma proteção financeira para o país. O patrimônio pode ser utilizado para enfrentar choques externos, períodos de instabilidade cambial e eventuais interrupções nos fluxos internacionais de capital.

A gestão é feita pelo Banco Central, que estabelece como prioridades a segurança, a liquidez e, posteriormente, a rentabilidade dos ativos.

Além do ouro, a carteira brasileira é composta por investimentos e depósitos denominados em diferentes moedas, incluindo dólar, euro, libra esterlina, iene e renminbi.

Em seu relatório de gestão divulgado em março de 2026, o Banco Central afirmou que aumentou a diversificação das reservas durante 2025 diante do cenário de maior incerteza econômica e geopolítica.

Nesse processo, a autoridade ampliou posições em ouro, euro e renminbi e passou a incluir também o won sul-coreano na composição da carteira.

Dólar continua sendo o principal ativo

Apesar do aumento da participação do ouro, o metal ainda representa uma parcela relativamente pequena das reservas brasileiras.

No encerramento de 2025, o ouro correspondia a 7,19% das reservas internacionais, conforme dados do relatório do Banco Central.

O dólar seguia como principal componente da carteira, com participação de 72%. Depois apareciam ouro, euro, renminbi, libra esterlina, iene, dólar canadense e dólar australiano, além de uma pequena exposição ao won sul-coreano.

Brasil mantém estoque acima de 172 toneladas

O levantamento mais recente do World Gold Council, atualizado em agosto de 2026 com dados oficiais disponíveis até março, registra o Brasil com aproximadamente 172,4 toneladas de ouro.

A base de dados reúne informações fornecidas pelo FMI, bancos centrais e outras instituições oficiais.

O número mostra que o aumento registrado entre setembro e novembro de 2025 não foi desfeito nos meses seguintes. Após permanecer por cerca de quatro anos em torno de 130 toneladas, a reserva de ouro do Brasil entrou em 2026 em um nível aproximadamente um terço superior ao anterior.

FONTE: Correio 24h
TEXTO: Redação
IMAGEM: Zlaťáky.cz / Pexels

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Comércio

Fim da “taxa das blusinhas” pode prejudicar indústria e varejo, alerta Fiemg

A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) defende a manutenção da tributação sobre importações de pequeno valor e alerta para possíveis impactos negativos do fim da chamada “taxa das blusinhas” sobre a economia brasileira.

A avaliação foi apresentada pela economista da entidade, Juliana Gagliardi, durante participação no Bastidores CNN. Segundo ela, a retirada da cobrança pode ampliar a entrada de produtos estrangeiros e aumentar a pressão sobre a indústria nacional e o comércio varejista.

O que muda com o fim da “taxa das blusinhas”

A chamada “taxa das blusinhas” foi criada pela Lei nº 14.902 com o objetivo de reduzir a diferença de competitividade entre produtos importados e mercadorias fabricadas no Brasil. A medida estabeleceu uma cobrança de imposto sobre determinadas compras internacionais de até US$ 50.

Agora, a MP 1.357, que está em vigor e é discutida no Congresso, prevê a redução dessas tarifas para zero.

Na avaliação de Juliana Gagliardi, a tributação tinha como principal função estabelecer condições mais equilibradas de concorrência entre produtos nacionais e estrangeiros.

A economista também destacou que as empresas brasileiras já enfrentam obstáculos relacionados ao chamado “custo Brasil”, que envolve fatores como burocracia, carga tributária elevada e deficiências na infraestrutura logística.

Indústria e varejo podem ser afetados

Para a Fiemg, a ampliação da entrada de produtos importados de baixo valor pode aumentar a pressão sobre empresas brasileiras.

Segundo Juliana Gagliardi, a chegada de mercadorias estrangeiras em condições consideradas assimétricas pode prejudicar tanto a indústria nacional quanto o varejo, favorecendo a substituição de produtos fabricados no país por itens importados.

A economista avalia que a tributação ajudava a criar um ambiente de maior equilíbrio competitivo para os produtores brasileiros, mesmo diante de outros fatores adversos, como juros elevados, desaceleração da economia e medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.

Tributação não resolve sozinha os problemas do Brasil

Apesar de defender a manutenção da cobrança sobre importações de pequeno valor, Juliana Gagliardi ressalta que a medida, isoladamente, não é suficiente para melhorar a competitividade das empresas brasileiras.

Na avaliação da economista, o país precisa avançar em reformas estruturais, investimentos em infraestrutura e melhorias no ambiente de negócios, além das questões relacionadas à tributação.

A proposta, segundo ela, é criar condições para que as empresas nacionais possam se reorganizar, reduzir desvantagens competitivas e permanecer atuantes no mercado diante do aumento da concorrência internacional.

FONTE: CNN Brasil

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução/CNN

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Economia

Ibovespa tem pior semana desde maio e devolve quase toda a alta de 2026

O Ibovespa encerrou a semana com a maior queda desde maio, voltou ao menor patamar desde janeiro e praticamente apagou os ganhos acumulados em 2026. O movimento reforçou a piora do humor dos investidores em agosto, período tradicionalmente associado à volatilidade no mercado financeiro.

Bolsa perde força em agosto

O principal índice da B3 caiu 3,2% na semana e já acumula baixa de 6,2% em agosto. Com isso, terminou o período aos 166.934 pontos.

A diferença em relação ao pico registrado em abril mostra a dimensão da mudança no cenário. Em 14 de abril, o Ibovespa atingiu o recorde de 198.657 pontos e acumulava valorização de 23% no ano. Agora, a alta de 2026 foi reduzida a apenas 3,6%.

Foi a segunda semana consecutiva de perdas em agosto. Ao mesmo tempo, outros indicadores passaram a sinalizar maior aversão ao risco: houve continuidade da saída de capital estrangeiro da B3, o dólar avançou quase 3% e os juros futuros de longo prazo voltaram a subir.

Para Augusto Parente, especialista em investimentos e fundador da AW Capital, parte da correção está relacionada justamente ao movimento que levou a bolsa ao recorde.

Segundo ele, a entrada expressiva de recursos estrangeiros ajudou a impulsionar o índice até próximo dos 200 mil pontos. Com a valorização, porém, esses investidores passaram a aproveitar o momento para realizar lucros.

O ambiente doméstico também contribui para aumentar a cautela, especialmente diante da aproximação das eleições.

Investidores estrangeiros reduzem exposição

No auge da valorização em abril, os investidores estrangeiros acumulavam R$ 56,5 bilhões em entradas líquidas na B3. Desde então, mais de R$ 33 bilhões já deixaram o mercado, reduzindo o saldo positivo do ano para R$ 22,8 bilhões — uma queda de quase 60%.

Somente em agosto, as retiradas ultrapassaram R$ 13,5 bilhões.

O impacto é relevante porque os investidores estrangeiros concentram boa parte das posições em ações de maior liquidez. A redução dessas posições, portanto, tende a aumentar a pressão sobre os papéis com maior participação no Ibovespa.

Parente afirma que as vendas têm se concentrado principalmente nos setores financeiro e elétrico, justamente segmentos que haviam recebido forte demanda no início do ano.

Além do Brasil, o cenário internacional também disputa a preferência dos investidores. As bolsas americanas seguem atraindo recursos em meio ao entusiasmo com empresas ligadas à inteligência artificial e aos recordes recentes de Wall Street.

No mercado brasileiro, por outro lado, os juros elevados, as preocupações com o cenário fiscal e a proximidade da eleição presidencial aumentam as incertezas para os próximos meses.

A atenção não está apenas na disputa eleitoral, mas também nas possíveis medidas econômicas do próximo governo. Questões como gastos públicos, trajetória da dívida e equilíbrio das contas públicas voltam a influenciar as decisões dos investidores.

Um relatório recente do J.P. Morgan também destacou o histórico de desempenho negativo das ações brasileiras nos meses que antecedem eleições.

Maioria das ações fecha a semana no vermelho

A deterioração do ambiente se espalhou por grande parte da carteira do índice.

Das 78 ações que compõem o Ibovespa, 63 terminaram a semana em queda. No acumulado de 2026, 70 papéis apresentam perdas.

O movimento de aversão ao risco também apareceu no mercado de renda fixa, especialmente nos contratos de prazos mais longos.

Juros futuros sobem com dúvidas fiscais

Quando aumentam as incertezas relacionadas à política econômica e às contas públicas, os investidores tendem a exigir uma remuneração maior para financiar o governo por períodos mais longos.

Na sexta-feira, o contrato de DI para janeiro de 2028 passou de 13,93% para 14,07%. Já o vencimento de janeiro de 2031 avançou de 14,51% para 14,73%.

A alta dos contratos mais longos é particularmente relevante porque essa parte da curva de juros costuma refletir expectativas sobre a situação fiscal e econômica dos próximos anos.

O movimento ocorre em meio à discussão sobre os próximos passos do Banco Central e a possibilidade de redução da Selic em setembro.

Na reunião mais recente, o Copom não definiu antecipadamente sua decisão para o próximo encontro. O comitê manteve abertas as possibilidades de um novo corte ou de manutenção da taxa básica em 14%.

Mesmo após a divulgação da ata, que apontou riscos de alta para a inflação, o mercado ainda trabalhava com a possibilidade de uma redução de 0,25 ponto percentual.

Com a valorização do dólar, a elevação dos juros futuros e o aumento das incertezas domésticas, porém, as apostas começam a migrar gradualmente para um cenário de manutenção da Selic.

Dólar dispara e supera R$ 5,20

A pressão sobre os ativos brasileiros também atingiu o real.

O dólar à vista subiu 2,7% na semana e ultrapassou R$ 5,20, registrando a segunda maior valorização semanal da moeda americana em 2026.

A combinação de menor fluxo estrangeiro para a B3, preocupações fiscais e um ambiente internacional ainda marcado por juros elevados reduziu parte da força que o real vinha apresentando ao longo do ano.

É hora de comprar ações?

Com a forte correção da bolsa, investidores passam a avaliar se a queda representa uma oportunidade de entrada ou se ainda é necessário esperar por um cenário mais favorável.

Para Parente, o momento não significa necessariamente abandonar a renda variável, mas exige maior prudência.

“Eu sempre gosto de dizer que tem espaço para ter ações em carteira, porém, afirmo que o momento pede cautela. Ter liquidez para aproveitar os movimentos e as oportunidades pode ser um trunfo para os próximos meses”, afirma.

Agosto ainda tem duas semanas pela frente, mas o desempenho recente do mercado de ações brasileiro já transformou o mês em um período de forte atenção para os investidores.

FONTE: Valor Investe
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Money Times

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Economia

BC vê recuo da inflação, mas alerta para impactos de choques do petróleo

O Banco Central (BC) sinalizou que poderá agir com firmeza caso os efeitos indiretos provocados pela alta volatilidade do petróleo se espalhem pela economia brasileira. O alerta consta na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada na terça-feira (11).

A preocupação ocorre em meio às oscilações dos preços do petróleo provocadas pelo conflito militar no Oriente Médio, cenário que pode aumentar as pressões sobre a inflação.

Banco Central monitora efeitos sobre a inflação

Segundo o documento, os chamados choques de oferta têm influenciado tanto o comportamento recente dos preços quanto as perspectivas para a trajetória da inflação.

O Copom destacou que não pretende responder diretamente aos efeitos iniciais de eventos dessa natureza. No entanto, afirmou que acompanhará de perto os chamados efeitos de segunda ordem, que podem fazer com que o impacto dos choques se prolongue ou se espalhe por outros setores da economia.

Caso esses efeitos se concretizem, o Banco Central afirmou que estará disposto a reagir de maneira firme para evitar uma deterioração do cenário inflacionário.

Selic cai para 14% ao ano

Na semana passada, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos de 14,25% para 14% ao ano.

Apesar da melhora observada no cenário econômico de curto prazo, o Banco Central não indicou previamente quais serão os próximos passos da política monetária.

A autoridade monetária reforçou, porém, que pretende manter um nível de restrição monetária considerado adequado para garantir a convergência da inflação à meta.

A avaliação indica que, embora os indicadores correntes tenham apresentado alguma melhora, o BC continua atento aos riscos externos e aos possíveis impactos dos preços do petróleo sobre a economia brasileira.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio Exterior

Balança comercial brasileira tem superávit de US$ 2,5 bilhões na primeira semana de agosto

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,522 bilhões na primeira semana de agosto de 2026, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O resultado foi obtido a partir de US$ 9,302 bilhões em exportações e US$ 6,708 bilhões em importações no período.

Na comparação com a primeira semana de agosto de 2025, as exportações brasileiras avançaram 32,2%. Entre os principais setores da economia, a Agropecuária movimentou US$ 1,941 bilhão, alta de 22,4%. Já a Indústria Extrativa registrou crescimento de 53,3%, alcançando US$ 2,618 bilhões. A Indústria de Transformação também apresentou desempenho positivo, com avanço de 27% e exportações de US$ 4,715 bilhões.

Os números mostram a contribuição dos diferentes segmentos produtivos para o desempenho do comércio exterior brasileiro no início de agosto.

As importações cresceram 20,7% na comparação com o mesmo período de 2025. Por setor, a Agropecuária apresentou retração de 2%, com US$ 106 milhões em compras externas. Na Indústria Extrativa, as importações recuaram 19,2%, para US$ 337 milhões. Em sentido oposto, a Indústria de Transformação registrou alta de 24,8%, totalizando US$ 6,317 bilhões em importações.

Superávit comercial chega a US$ 51,5 bilhões no ano

Considerando o período entre janeiro e a primeira semana de agosto, a balança comercial brasileira acumula superávit de US$ 51,561 bilhões.

O resultado representa crescimento de 32,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando o saldo positivo acumulado era de US$ 43,158 bilhões. O desempenho mantém o comércio exterior como um dos principais componentes do resultado econômico brasileiro ao longo de 2026.

Para todo o ano, o MDIC estima que o Brasil encerre 2026 com superávit comercial de US$ 90 bilhões, uma alta projetada de 32,3% em relação ao resultado de 2025. A previsão considera US$ 394,4 bilhões em exportações e US$ 304,4 bilhões em importações.

Os dados da primeira semana de agosto indicam, portanto, um início de mês positivo para a balança comercial brasileira, com crescimento das exportações superior ao avanço das importações.

Fonte: MDIC, com informações do Estadão Conteúdo.

Texto: Redação

Imagem: Arquivo / ReConecta News

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Comércio Exterior

Balanço de pagamentos: BC aponta queda no déficit externo e alta recorde nas exportações em junho

O Banco Central (BC) divulgou na segunda-feira (28) as Estatísticas do Setor Externo, mostrando melhora nas contas externas do Brasil em junho de 2026. O déficit em transações correntes ficou em US$ 2,3 bilhões, resultado inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo foi de US$ 5,2 bilhões.

Exportações atingem recorde histórico

Um dos destaques do levantamento foi o desempenho da balança comercial. O superávit alcançou US$ 8,8 bilhões, impulsionado pelo recorde nas exportações de bens, que somaram US$ 36,4 bilhões, alta de 24,8% na comparação anual. As importações também cresceram e totalizaram US$ 27,6 bilhões, avanço de 15,3%.

Investimento direto no país cresce

Outro dado relevante foi o aumento dos investimentos diretos no país (IDP). Em junho, os ingressos líquidos chegaram a US$ 9,1 bilhões, bem acima dos US$ 3,1 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

Segundo o BC, o estoque acumulado de investimentos diretos nos últimos 12 meses alcançou US$ 89,3 bilhões, equivalente a 3,58% do Produto Interno Bruto (PIB).

Reservas internacionais recuam

As reservas internacionais encerraram junho em US$ 367,6 bilhões, uma redução de US$ 3,6 bilhões em relação ao mês anterior. De acordo com o Banco Central, a variação foi influenciada principalmente pelas oscilações cambiais e por operações realizadas no mercado.

Os dados completos estão disponíveis neste link.

FONTE: Banco Central do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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Portos

Portos brasileiros: entenda como funciona a entrada e saída de mercadorias no país

Os portos brasileiros desempenham papel estratégico na economia nacional. Cerca de 95% do comércio exterior do Brasil é realizado por via marítima, tornando a infraestrutura portuária essencial para a movimentação de produtos entre o mercado interno e os parceiros internacionais.

Por trás desse fluxo existe uma ampla cadeia logística, que envolve o transporte da carga até o porto, a movimentação nos terminais, procedimentos de fiscalização, armazenagem temporária e, por fim, o embarque ou a retirada das mercadorias.

Como funciona a operação dentro dos portos

Na prática, um porto reúne diversas estruturas destinadas à movimentação de cargas e passageiros. Entre elas estão cais, berços de atracação, armazéns, pátios, acessos terrestres e terminais especializados.

É por meio dessas instalações que chegam ao Brasil produtos como equipamentos, combustíveis, matérias-primas, insumos industriais e bens de consumo. No sentido oposto, embarcam para o exterior mercadorias como grãos, minérios, carnes, celulose e cargas conteinerizadas.

Embora cada tipo de carga tenha exigências específicas, o processo operacional segue uma sequência semelhante: recebimento da mercadoria, movimentação segura, fiscalização, armazenamento e liberação para transporte.

Como funciona a importação pelos portos

No caso da importação, o processo começa com a chegada do navio ao porto. Após a atracação, as mercadorias são descarregadas e encaminhadas para um terminal portuário ou área alfandegada, onde permanecem armazenadas até a conclusão dos procedimentos obrigatórios.

Nessa etapa, são realizadas análises documentais, conferências das informações e, quando necessário, inspeções físicas da carga pelos órgãos responsáveis. O objetivo é verificar se a mercadoria atende às exigências legais para ingressar no país.

Depois da liberação, os produtos seguem para o destino final por diferentes modais de transporte, como rodovias, hidrovias ou outras conexões logísticas.

Etapas da exportação de mercadorias

Na exportação, o fluxo ocorre no sentido inverso. As mercadorias produzidas no Brasil são transportadas até o porto por meio de caminhões, trens, embarcações ou pela integração entre diferentes modais.

Ao chegar ao terminal, a carga passa por conferência, armazenamento temporário e pelos procedimentos de controle exigidos para cada operação. Após a autorização dos órgãos competentes, os produtos são embarcados nos navios e seguem para seus destinos no mercado internacional.

Esse processo garante a integração da produção brasileira às cadeias globais de abastecimento e reforça a importância da logística portuária para a competitividade do país no comércio internacional.

Infraestrutura portuária é essencial para a economia

A eficiência dos portos influencia diretamente os custos logísticos, os prazos de entrega e a competitividade das empresas brasileiras. Com operações integradas entre diferentes modais de transporte e sistemas de controle, os complexos portuários são fundamentais para manter o fluxo de importações e exportações que abastece a economia nacional e conecta o Brasil ao mercado global.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Porto de Itaguaí (RJ)

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