Economia

BC vê recuo da inflação, mas alerta para impactos de choques do petróleo

O Banco Central (BC) sinalizou que poderá agir com firmeza caso os efeitos indiretos provocados pela alta volatilidade do petróleo se espalhem pela economia brasileira. O alerta consta na ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada na terça-feira (11).

A preocupação ocorre em meio às oscilações dos preços do petróleo provocadas pelo conflito militar no Oriente Médio, cenário que pode aumentar as pressões sobre a inflação.

Banco Central monitora efeitos sobre a inflação

Segundo o documento, os chamados choques de oferta têm influenciado tanto o comportamento recente dos preços quanto as perspectivas para a trajetória da inflação.

O Copom destacou que não pretende responder diretamente aos efeitos iniciais de eventos dessa natureza. No entanto, afirmou que acompanhará de perto os chamados efeitos de segunda ordem, que podem fazer com que o impacto dos choques se prolongue ou se espalhe por outros setores da economia.

Caso esses efeitos se concretizem, o Banco Central afirmou que estará disposto a reagir de maneira firme para evitar uma deterioração do cenário inflacionário.

Selic cai para 14% ao ano

Na semana passada, o Copom reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, levando os juros básicos de 14,25% para 14% ao ano.

Apesar da melhora observada no cenário econômico de curto prazo, o Banco Central não indicou previamente quais serão os próximos passos da política monetária.

A autoridade monetária reforçou, porém, que pretende manter um nível de restrição monetária considerado adequado para garantir a convergência da inflação à meta.

A avaliação indica que, embora os indicadores correntes tenham apresentado alguma melhora, o BC continua atento aos riscos externos e aos possíveis impactos dos preços do petróleo sobre a economia brasileira.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio Exterior

Balança comercial brasileira tem superávit de US$ 2,5 bilhões na primeira semana de agosto

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,522 bilhões na primeira semana de agosto de 2026, segundo dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O resultado foi obtido a partir de US$ 9,302 bilhões em exportações e US$ 6,708 bilhões em importações no período.

Na comparação com a primeira semana de agosto de 2025, as exportações brasileiras avançaram 32,2%. Entre os principais setores da economia, a Agropecuária movimentou US$ 1,941 bilhão, alta de 22,4%. Já a Indústria Extrativa registrou crescimento de 53,3%, alcançando US$ 2,618 bilhões. A Indústria de Transformação também apresentou desempenho positivo, com avanço de 27% e exportações de US$ 4,715 bilhões.

Os números mostram a contribuição dos diferentes segmentos produtivos para o desempenho do comércio exterior brasileiro no início de agosto.

As importações cresceram 20,7% na comparação com o mesmo período de 2025. Por setor, a Agropecuária apresentou retração de 2%, com US$ 106 milhões em compras externas. Na Indústria Extrativa, as importações recuaram 19,2%, para US$ 337 milhões. Em sentido oposto, a Indústria de Transformação registrou alta de 24,8%, totalizando US$ 6,317 bilhões em importações.

Superávit comercial chega a US$ 51,5 bilhões no ano

Considerando o período entre janeiro e a primeira semana de agosto, a balança comercial brasileira acumula superávit de US$ 51,561 bilhões.

O resultado representa crescimento de 32,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando o saldo positivo acumulado era de US$ 43,158 bilhões. O desempenho mantém o comércio exterior como um dos principais componentes do resultado econômico brasileiro ao longo de 2026.

Para todo o ano, o MDIC estima que o Brasil encerre 2026 com superávit comercial de US$ 90 bilhões, uma alta projetada de 32,3% em relação ao resultado de 2025. A previsão considera US$ 394,4 bilhões em exportações e US$ 304,4 bilhões em importações.

Os dados da primeira semana de agosto indicam, portanto, um início de mês positivo para a balança comercial brasileira, com crescimento das exportações superior ao avanço das importações.

Fonte: MDIC, com informações do Estadão Conteúdo.

Texto: Redação

Imagem: Arquivo / ReConecta News

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Comércio Exterior

Balanço de pagamentos: BC aponta queda no déficit externo e alta recorde nas exportações em junho

O Banco Central (BC) divulgou na segunda-feira (28) as Estatísticas do Setor Externo, mostrando melhora nas contas externas do Brasil em junho de 2026. O déficit em transações correntes ficou em US$ 2,3 bilhões, resultado inferior ao registrado no mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo foi de US$ 5,2 bilhões.

Exportações atingem recorde histórico

Um dos destaques do levantamento foi o desempenho da balança comercial. O superávit alcançou US$ 8,8 bilhões, impulsionado pelo recorde nas exportações de bens, que somaram US$ 36,4 bilhões, alta de 24,8% na comparação anual. As importações também cresceram e totalizaram US$ 27,6 bilhões, avanço de 15,3%.

Investimento direto no país cresce

Outro dado relevante foi o aumento dos investimentos diretos no país (IDP). Em junho, os ingressos líquidos chegaram a US$ 9,1 bilhões, bem acima dos US$ 3,1 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

Segundo o BC, o estoque acumulado de investimentos diretos nos últimos 12 meses alcançou US$ 89,3 bilhões, equivalente a 3,58% do Produto Interno Bruto (PIB).

Reservas internacionais recuam

As reservas internacionais encerraram junho em US$ 367,6 bilhões, uma redução de US$ 3,6 bilhões em relação ao mês anterior. De acordo com o Banco Central, a variação foi influenciada principalmente pelas oscilações cambiais e por operações realizadas no mercado.

Os dados completos estão disponíveis neste link.

FONTE: Banco Central do Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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Portos

Portos brasileiros: entenda como funciona a entrada e saída de mercadorias no país

Os portos brasileiros desempenham papel estratégico na economia nacional. Cerca de 95% do comércio exterior do Brasil é realizado por via marítima, tornando a infraestrutura portuária essencial para a movimentação de produtos entre o mercado interno e os parceiros internacionais.

Por trás desse fluxo existe uma ampla cadeia logística, que envolve o transporte da carga até o porto, a movimentação nos terminais, procedimentos de fiscalização, armazenagem temporária e, por fim, o embarque ou a retirada das mercadorias.

Como funciona a operação dentro dos portos

Na prática, um porto reúne diversas estruturas destinadas à movimentação de cargas e passageiros. Entre elas estão cais, berços de atracação, armazéns, pátios, acessos terrestres e terminais especializados.

É por meio dessas instalações que chegam ao Brasil produtos como equipamentos, combustíveis, matérias-primas, insumos industriais e bens de consumo. No sentido oposto, embarcam para o exterior mercadorias como grãos, minérios, carnes, celulose e cargas conteinerizadas.

Embora cada tipo de carga tenha exigências específicas, o processo operacional segue uma sequência semelhante: recebimento da mercadoria, movimentação segura, fiscalização, armazenamento e liberação para transporte.

Como funciona a importação pelos portos

No caso da importação, o processo começa com a chegada do navio ao porto. Após a atracação, as mercadorias são descarregadas e encaminhadas para um terminal portuário ou área alfandegada, onde permanecem armazenadas até a conclusão dos procedimentos obrigatórios.

Nessa etapa, são realizadas análises documentais, conferências das informações e, quando necessário, inspeções físicas da carga pelos órgãos responsáveis. O objetivo é verificar se a mercadoria atende às exigências legais para ingressar no país.

Depois da liberação, os produtos seguem para o destino final por diferentes modais de transporte, como rodovias, hidrovias ou outras conexões logísticas.

Etapas da exportação de mercadorias

Na exportação, o fluxo ocorre no sentido inverso. As mercadorias produzidas no Brasil são transportadas até o porto por meio de caminhões, trens, embarcações ou pela integração entre diferentes modais.

Ao chegar ao terminal, a carga passa por conferência, armazenamento temporário e pelos procedimentos de controle exigidos para cada operação. Após a autorização dos órgãos competentes, os produtos são embarcados nos navios e seguem para seus destinos no mercado internacional.

Esse processo garante a integração da produção brasileira às cadeias globais de abastecimento e reforça a importância da logística portuária para a competitividade do país no comércio internacional.

Infraestrutura portuária é essencial para a economia

A eficiência dos portos influencia diretamente os custos logísticos, os prazos de entrega e a competitividade das empresas brasileiras. Com operações integradas entre diferentes modais de transporte e sistemas de controle, os complexos portuários são fundamentais para manter o fluxo de importações e exportações que abastece a economia nacional e conecta o Brasil ao mercado global.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Porto de Itaguaí (RJ)

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Comércio Exterior

Tarifaço dos EUA leva governo a ouvir setores afetados antes de definir medidas

O governo federal iniciou uma série de reuniões com os segmentos econômicos impactados pelo tarifaço dos EUA, com o objetivo de avaliar os efeitos das novas taxas sobre a economia brasileira antes de anunciar possíveis medidas de resposta.

A estratégia prevê consultas diretas com representantes de cada setor para identificar prejuízos relacionados a empregos, produção, contratos e exportações, além de mapear a necessidade de apoio financeiro às empresas.

Governo avalia impactos antes de decidir sobre reciprocidade

As reuniões serão coordenadas pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que conduz as negociações em conjunto com o Palácio do Planalto.

Durante os encontros, empresários e representantes dos setores afetados poderão apresentar um diagnóstico dos impactos provocados pelas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos, além de sugerir ações consideradas necessárias para minimizar os prejuízos.

Segundo informações divulgadas, a intenção do governo é reunir dados concretos antes de decidir se adotará medidas de reciprocidade comercial ou destinará recursos para apoiar os segmentos mais prejudicados.

Cautela orienta estratégia do governo

Apesar da pressão causada pelo aumento das tarifas, o governo mantém uma postura de cautela. Até o momento, não há definição sobre a aplicação da Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional e considerada uma possível resposta às medidas adotadas pelos Estados Unidos.

Integrantes da administração federal defendem que qualquer decisão seja tomada com base em uma análise criteriosa dos impactos econômicos e das consequências para o país.

Outro fator que pesa nas discussões é a responsabilidade fiscal. A avaliação é de que o governo deve oferecer suporte aos setores afetados, mas dentro dos limites do orçamento público. Por isso, as medidas estudadas deverão ser adaptadas às necessidades específicas de cada segmento da economia.

Investigação pode resultar em novas tarifas

Além da tarifa de 25% já anunciada, o Brasil também acompanha uma investigação conduzida pelos Estados Unidos sobre suspeitas de trabalho forçado.

A conclusão do processo é aguardada para sexta-feira (24) e poderá resultar na aplicação de uma tarifa adicional de 12,5%.

O Brasil integra um grupo com mais de 50 países investigados. Caso a nova taxação seja confirmada, ela poderá ser cumulativa, elevando ainda mais os custos para determinados setores exportadores.

Nos bastidores, a expectativa do governo é de um desfecho desfavorável, com poucas chances de o Brasil receber tratamento diferente do aplicado aos demais países envolvidos na investigação.

Questão comercial também ganha dimensão política

O cenário das negociações também envolve aspectos políticos. De acordo com fontes do governo, não há expectativa de avanço nas conversas com os Estados Unidos antes das eleições de outubro. Assim, qualquer eventual revisão das tarifas ou retomada das negociações dependeria do período pós-eleitoral.

Integrantes do governo avaliam que as medidas adotadas pelos Estados Unidos têm impacto sobre o ambiente político brasileiro. Nesse contexto, aliados da esquerda passaram a relacionar o tarifaço ao senador Flávio Bolsonaro (PL), utilizando o termo “tariflávio” como parte do discurso político. A defesa da soberania nacional também deve voltar a ocupar espaço na estratégia de comunicação do governo diante da disputa eleitoral.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Remessa Online

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Comércio Exterior

Lei de Reciprocidade: entenda como o Brasil pode reagir às tarifas impostas pelos Estados Unidos

A decisão dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada na quarta-feira (15), levou o governo federal a sinalizar uma resposta imediata. Segundo o Palácio do Planalto, a Lei de Reciprocidade poderá ser acionada para adotar medidas contra as restrições comerciais impostas pelo país norte-americano.

A legislação, sancionada em 11 de abril de 2025, foi criada justamente em meio ao aumento das tensões comerciais envolvendo o governo do presidente Donald Trump, que ampliou a adoção de sobretaxas sobre importações de diversos parceiros comerciais, incluindo o Brasil.

O que prevê a Lei de Reciprocidade

A Lei nº 15.122/2025 estabelece mecanismos que permitem ao Brasil responder a ações unilaterais de outros países quando essas medidas prejudicarem a competitividade da economia nacional.

Na prática, a norma autoriza o governo brasileiro a adotar contramedidas comerciais, como:

  • Aplicação de novos tributos ou taxas;
  • Suspensão de benefícios tarifários;
  • Revogação de isenções fiscais;
  • Restrição à importação de bens e serviços.

O texto determina ainda que essas medidas sejam proporcionais aos impactos econômicos causados ao Brasil pelo país ou bloco econômico responsável pelas restrições.

Proteção da soberania brasileira

Outro ponto previsto na legislação é a defesa da soberania nacional. A lei estabelece que o Brasil poderá suspender concessões comerciais quando outro país utilizar medidas econômicas para interferir em decisões consideradas legítimas e soberanas do Estado brasileiro.

Dessa forma, a norma se aplica tanto a ameaças quanto à efetiva adoção de sanções comerciais que tenham como objetivo pressionar o país em relação a políticas internas.

Apesar disso, a legislação também prioriza a negociação diplomática. O artigo 4º prevê que o governo busque o diálogo antes da adoção de medidas retaliatórias, com o objetivo de evitar ou reduzir a necessidade de aplicar as contramedidas previstas.

Regras também abrangem questões ambientais

A Lei de Reciprocidade também contempla situações em que países adotem exigências ambientais mais rigorosas do que aquelas reconhecidas pela legislação brasileira.

Nesses casos, o Brasil considera como referência o Código Florestal, a Política Nacional sobre Mudança do Clima e os compromissos firmados no Acordo de Paris.

Se um parceiro comercial impuser restrições com base em critérios ambientais que extrapolem esses parâmetros e resultem em prejuízos econômicos ao país, o governo poderá recorrer às medidas previstas na legislação.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Antônio Cruz/ Agência Brasil

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Indústria

Tarifa de 25% dos EUA pode atingir principalmente a indústria brasileira, aponta análise

O governo dos Estados Unidos iniciou, nesta segunda-feira (6), uma série de audiências com representantes do setor produtivo para discutir a possível aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte das importações vindas do Brasil. Caso a medida seja confirmada, a indústria brasileira tende a ser o segmento mais afetado, segundo avaliação da editora e analista de Economia da CNN, Lucinda Pinto.

Impacto na economia brasileira deve ser limitado

Apesar da preocupação com alguns setores, a analista considera que os efeitos sobre a economia brasileira como um todo não seriam significativos.

Atualmente, apenas 10,8% das exportações brasileiras têm como destino os Estados Unidos. Além disso, a proposta de sobretaxa atingiria cerca de 31% desse volume, o equivalente a aproximadamente US$ 11,7 bilhões.

Na avaliação de Lucinda Pinto, mesmo com a cobrança da tarifa de 25%, o impacto macroeconômico tende a ser restrito devido ao alcance limitado da medida.

Outro fator que reduz os efeitos gerais é que importantes produtos da pauta de exportação brasileira, como petróleo, café, suco de laranja e carne, não fazem parte da relação de itens que poderão ser tarifados.

Produtos industrializados estão no foco da proposta

A proposta norte-americana concentra-se principalmente sobre produtos industrializados. Entre os itens citados estão madeira perfilada, sebo bovino, portas e caixilhos de madeira, mel natural, transformadores elétricos, além de espingardas e carabinas de caça.

De acordo com a análise, aproximadamente metade dos produtos incluídos na lista possui alto valor agregado e é classificada como de elevada tecnologia, o que amplia a preocupação do setor.

Regiões mais dependentes das exportações sentirão maior impacto

Embora o reflexo sobre a economia nacional seja considerado moderado, os efeitos podem ser bastante expressivos em determinadas regiões do país.

Levantamento da consultoria Integra Associados indica que estados como Santa Catarina, Alagoas e Paraíba estão entre os mais vulneráveis por apresentarem maior dependência das exportações destinadas ao mercado norte-americano. Já São Paulo, apesar do elevado volume exportado para os Estados Unidos, possui uma economia mais diversificada e menor dependência desse destino.

Redirecionamento das exportações é um dos principais desafios

Outro ponto destacado pela analista é a dificuldade enfrentada pelas empresas para encontrar novos mercados em curto prazo.

Ao contrário das commodities, que costumam ser redirecionadas com maior facilidade, muitos produtos industrializados são desenvolvidos sob encomenda para atender especificações técnicas de clientes específicos. Essa característica reduz a possibilidade de substituir rapidamente o mercado norte-americano por outros compradores.

Segundo Lucinda Pinto, máquinas e equipamentos produzidos para atender linhas de produção específicas dificilmente encontram novos destinos de forma imediata.

Especialistas ainda apostam em mudanças na proposta

Apesar do avanço das discussões nos Estados Unidos, ainda há incertezas sobre o alcance da medida e sobre os objetivos do governo norte-americano.

Especialistas ouvidos pela analista acreditam que existe a possibilidade de a tarifa não ser aplicada integralmente ou de atingir apenas parte dos produtos inicialmente previstos, reduzindo os impactos para o setor exportador brasileiro.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio Exterior

Balança comercial registra superávit de US$ 2,27 bilhões na primeira semana de julho

O superávit da balança comercial brasileira atingiu US$ 2,273 bilhões (cerca de R$ 11,87 bilhões) na primeira semana de julho, impulsionado pelo forte desempenho das exportações brasileiras, que cresceram 40,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (6) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No período, o país exportou US$ 5,891 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 3,618 bilhões.

Indústria extrativa lidera crescimento das exportações

O avanço das exportações foi puxado principalmente pela indústria extrativa, que registrou crescimento de 81,7% na comparação anual e movimentou US$ 1,761 bilhão. A indústria de transformação também apresentou desempenho expressivo, com embarques de US$ 3,167 bilhões, alta de 39,4%. Já a agropecuária exportou US$ 947 milhões, crescimento mais moderado de 1,5%.

As importações brasileiras cresceram 10,4% frente ao mesmo período de julho de 2025. Entre os setores, a agropecuária registrou retração de 15%, totalizando US$ 75 milhões. Em contrapartida, a indústria extrativa ampliou as compras externas em 86,6%, alcançando US$ 245 milhões. A indústria de transformação respondeu pela maior parcela das importações, com US$ 3,288 bilhões, resultado 7,4% superior ao registrado no mesmo intervalo do ano anterior.

No acumulado de janeiro até a primeira semana de julho, o superávit da balança comercial chegou a US$ 44,630 bilhões, representando crescimento de 39,2% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo positivo era de US$ 37,184 bilhões. O resultado reforça o desempenho positivo do comércio exterior brasileiro ao longo do ano, sustentado principalmente pelo aumento das exportações.

A expectativa do MDIC é que o superávit comercial alcance US$ 90 bilhões até o fim de 2026. Para isso, o governo estima que as exportações brasileiras totalizem US$ 394,4 bilhões no ano, enquanto as importações devem chegar a US$ 304,4 bilhões.

Fonte: Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).

Texto: Redação

Imagem: JBS Terminais / Porto de Itajaí / Foto Tanajura

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Importação

Importação de medicamentos no Brasil atinge US$ 6,5 bilhões e amplia déficit da indústria farmacêutica

O Brasil registrou um forte avanço nas importações de medicamentos, que alcançaram US$ 6,53 bilhões entre janeiro e maio, elevando o déficit da indústria farmacêutica e reforçando a dependência do país de produtos estrangeiros no setor de saúde.

O crescimento é impulsionado por fatores como o aumento da demanda por medicamentos de alto custo, o envelhecimento da população e as limitações da indústria nacional em inovação e produção em larga escala.

Alta nas importações supera crescimento geral do comércio

No acumulado do ano, as importações de medicamentos cresceram 14,4% em relação ao mesmo período de 2025, desempenho muito acima da alta de 3,2% registrada no total das importações brasileiras.

A participação do setor também vem aumentando de forma contínua: os medicamentos representaram 5,6% de todas as importações em 2026, ante 5,1% em 2025, 4,9% em 2024 e 3,9% em 2019.

No fechamento de 2025, o país importou cerca de US$ 14,2 bilhões em medicamentos, alta de 18% sobre o ano anterior, consolidando uma sequência de três anos consecutivos de crescimento de dois dígitos.

Envelhecimento populacional impulsiona demanda por remédios

Especialistas apontam o avanço da transição demográfica como um dos principais fatores por trás da expansão do mercado. A maior proporção de pessoas idosas aumenta a necessidade de tratamentos contínuos e de maior complexidade.

Dados do IBGE mostram que a população com 40 anos ou mais passou de 37,1% em 2017 para 43,9% no primeiro trimestre deste ano.

Para o setor, esse envelhecimento pressiona o sistema de saúde e amplia a demanda por medicamentos mais avançados, muitas vezes não produzidos localmente.

Segundo Reginaldo Arcuri, presidente do Grupo FarmaBrasil, o cenário reflete uma mudança estrutural no perfil de consumo:

“Há demanda por medicamentos mais modernos em uma população que envelhece rapidamente, mas em um país com renda per capita ainda baixa”, afirmou.

Medicamentos do SUS também aumentam pressão sobre importações

A ampliação da oferta de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) também contribui para elevar a demanda, especialmente por tratamentos mais sofisticados.

De acordo com especialistas, o acesso gratuito a medicamentos é fundamental em um país com desigualdade social elevada, mas também pressiona o orçamento público e o mercado de importação.

Remédios para obesidade lideram vendas e são majoritariamente importados

Entre os cinco medicamentos mais vendidos no varejo brasileiro entre 2021 e 2025, quatro não são produzidos no país.

Os destaques são os chamados medicamentos para perda de peso, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, que ocupam posições de liderança no ranking de vendas.

O único produto entre os cinco primeiros fabricado no Brasil é o Glifage XR, usado no tratamento de diabetes.

Outro medicamento relevante é o Forxiga, também voltado ao tratamento de doenças metabólicas e cardiovasculares, cujo envase é realizado no país, embora a produção completa não seja nacional.

Exportações estagnadas ampliam déficit comercial

Enquanto as importações crescem, as exportações do setor farmacêutico permanecem praticamente estagnadas.

Entre janeiro e maio, o Brasil exportou US$ 499,2 milhões em medicamentos, patamar que se mantém próximo de US$ 450 milhões a US$ 500 milhões desde 2017.

No acumulado anual, as vendas externas giram em torno de US$ 1 bilhão há uma década, evidenciando baixa competitividade internacional da indústria.

Com isso, o déficit comercial da indústria farmacêutica atingiu US$ 13,1 bilhões em 2025, acima dos US$ 11 bilhões registrados no ano anterior.

Déficit tecnológico e dependência de inovação externa

Economistas apontam que o desequilíbrio está ligado ao atraso tecnológico do setor diante da aceleração global da inovação farmacêutica após a pandemia.

Segundo Rafael Cagnin, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o país enfrenta uma defasagem estrutural:

“O Brasil precisa não apenas alcançar a fronteira tecnológica, mas acelerar esse processo”, afirmou.

Fármacos biológicos ganham espaço com envelhecimento da população

O avanço da idade média da população também aumenta a demanda por biotecnologia farmacêutica, incluindo anticorpos monoclonais usados no tratamento de doenças como câncer e demência.

Esses medicamentos, no entanto, ainda têm baixa produção local, reforçando a dependência de importações de alta complexidade.

Alta tecnologia concentra maior parte das importações do setor

A indústria farmacêutica faz parte do segmento de alta tecnologia, junto com setores como eletrônicos e aeronáutica, todos historicamente deficitários no comércio exterior brasileiro.

Dados do Iedi mostram que os medicamentos representaram 34% das importações de alta tecnologia no primeiro trimestre de 2026, ante 25,9% em 2010.

Brasil depende de insumos farmacêuticos importados

Mesmo com avanços na produção de genéricos, o país ainda depende fortemente da importação de IFAs (ingredientes farmacêuticos ativos).

Segundo especialistas, algumas empresas já verticalizaram parte da produção, mas a maior parte dos insumos continua sendo adquirida no exterior.

China e Índia se destacam globalmente como principais fornecedores de componentes e medicamentos acabados.

Estados Unidos lideram fornecimento ao Brasil

Entre janeiro e maio, os Estados Unidos foram responsáveis por 24% das importações brasileiras de medicamentos. Em seguida aparecem Alemanha (15%), Suíça (9%), Irlanda (8%) e Itália (7%).

Dependência externa reforça debate sobre política industrial

Especialistas defendem uma estratégia nacional coordenada para reduzir a dependência externa e fortalecer a indústria farmacêutica brasileira.

Países como Estados Unidos, membros da União Europeia, além de China, Índia e Coreia do Sul, são citados como exemplos de políticas industriais ativas no setor, com foco em inovação, produção e qualificação regulatória.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Celso Doni/Valor

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Comércio Exterior

Nióbio no Brasil: país concentra 95% das reservas mundiais e exporta US$ 2,1 bilhões em 2024

O nióbio, metal estratégico pouco conhecido fora do setor industrial, coloca o Brasil em uma posição de destaque global. O país concentra cerca de 95% das reservas mundiais e domina mais de 90% da produção, consolidando-se como referência em um insumo essencial para a indústria do aço, aeronáutica e novas tecnologias.

Em 2024, as exportações brasileiras do metal alcançaram US$ 2,1 bilhões, reforçando o peso econômico de um recurso considerado crítico para cadeias produtivas modernas.

Brasil concentra quase todo o nióbio do planeta

Dados do Serviço Geológico do Brasil indicam que o país detém aproximadamente 98% das reservas conhecidas de nióbio, em um total estimado de 842 milhões de toneladas de minério.

Essa concentração torna o Brasil praticamente monopolista do recurso, que hoje é disputado globalmente ao lado de minerais como o lítio e as terras raras.

No território nacional, a distribuição das reservas também é concentrada:

  • Minas Gerais responde por cerca de 75%
  • Amazonas concentra 21%
  • Goiás possui cerca de 3%

A predominância em um único estado reforça o caráter estratégico do minério na geopolítica dos recursos minerais.

Para que serve o nióbio na indústria moderna

O principal uso do nióbio está na produção do ferronióbio, uma liga que aumenta significativamente a resistência do aço com pequenas quantidades do elemento.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil, cerca de 100 gramas de nióbio são suficientes para reforçar uma tonelada de aço, tornando o material mais leve e durável.

Essa característica faz com que o metal esteja presente em diversos setores, como:

  • Construção civil e grandes estruturas
  • Indústria automotiva
  • Tubulações e infraestrutura energética
  • Turbinas eólicas
  • Setor aeroespacial e nuclear
  • Equipamentos médicos, como ressonância magnética

Trata-se de um insumo invisível, mas fundamental para aplicações que exigem alta resistência e desempenho.

Origem e domínio brasileiro no mercado global

A história do nióbio no Brasil começou em 1953, quando o geocientista Djalma Guimarães identificou o minério em Araxá (MG). Dois anos depois, em 1955, foi criada a CBMM – Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, que se tornaria líder global no setor.

Atualmente, a empresa responde por cerca de 80% das exportações brasileiras de nióbio, tendo papel decisivo na criação e expansão do mercado internacional do metal.

Araxá concentra maior reserva e garante oferta por séculos

O município de Araxá, em Minas Gerais, é considerado o principal polo mundial do nióbio. A região abriga a maior reserva em operação do planeta, com cerca de 527 milhões de toneladas de minério.

Esse volume é suficiente para manter o consumo atual por aproximadamente 200 anos, segundo estimativas do setor.

Na prática, essa disponibilidade de longo prazo reforça o protagonismo brasileiro em um cenário global de disputa por metais estratégicos, especialmente em um contexto de transição energética.

Exportações superam US$ 2 bilhões e ampliam relevância econômica

O desempenho comercial do nióbio acompanha sua importância industrial. Em 2024, o Brasil exportou cerca de US$ 2,1 bilhões do metal, consolidando-o entre os principais produtos minerais de alto valor agregado do país.

Apesar do volume físico relativamente pequeno em comparação a outras commodities, o nióbio se destaca pelo elevado valor por tonelada, resultado direto de sua aplicação tecnológica e industrial.

Nióbio e o futuro das baterias e da mobilidade elétrica

O potencial do metal vai além do aço. Em 2024, a CBMM inaugurou em Araxá uma planta considerada a maior do mundo voltada à produção de ânodos de nióbio, mirando o mercado de baterias de íons de lítio.

A tecnologia está sendo testada como alternativa para baterias mais rápidas e duráveis. No mesmo ano, um ônibus elétrico participou de testes com o novo sistema em parceria com empresas como Toshiba e Volkswagen.

Caso avance comercialmente, o desenvolvimento pode posicionar o Brasil em um novo patamar tecnológico, deixando de ser apenas exportador de matéria-prima para atuar também na cadeia de alto valor da mobilidade elétrica.

Potencial estratégico e desafio de industrialização

O controle quase exclusivo do nióbio confere ao Brasil uma vantagem rara no cenário global. Em um mundo cada vez mais dependente de tecnologias limpas e da eletrificação, o metal se torna peça-chave em cadeias industriais sensíveis.

O desafio, segundo especialistas, está em ampliar a agregação de valor dentro do país, reduzindo a dependência da exportação de matéria-prima e fortalecendo a transformação industrial local.

Um recurso ainda pouco conhecido pelo grande público

Apesar de sua relevância econômica e tecnológica, o nióbio ainda é pouco conhecido fora do meio especializado. Mesmo assim, o Brasil concentra praticamente toda a oferta global e movimenta bilhões de dólares com um metal que permanece, em grande parte, fora do radar da população.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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