Sustentabilidade

Norma técnica para pneus de passeio recebe contribuições até 23 de novembro de 2026

Está aberta a consulta nacional sobre a proposta de norma técnica que define critérios ambientais, sociais e de governança (ESG) para pneus novos de automóveis de passageiros. Os interessados podem enviar sugestões e contribuições até 23 de novembro de 2026, por meio do portal de Consulta Nacional da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

A iniciativa é resultado de uma parceria entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a ABNT, dentro do Programa Selo Verde Brasil, que busca incentivar a sustentabilidade na indústria nacional.

Proposta estabelece critérios de sustentabilidade para pneus

O projeto de norma pretende estimular a adoção de práticas mais sustentáveis na fabricação de pneus para veículos de passeio. Entre os objetivos estão o uso eficiente de recursos naturais, a redução das emissões e o aumento da transparência das informações disponibilizadas sobre os produtos.

Além dos benefícios ambientais, a iniciativa busca elevar os padrões de qualidade e ampliar a competitividade da indústria brasileira. A expectativa é favorecer a presença de produtos nacionais em mercados internacionais, por meio de critérios alinhados às exigências de sustentabilidade.

Selo Verde Brasil amplia normas para diferentes setores

A proposta voltada aos pneus é a quarta norma setorial desenvolvida no âmbito do Programa Selo Verde Brasil, coordenado pela Secretaria de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC.

O programa já inclui iniciativas relacionadas a polímeros de eteno de fonte renovável, vidros planos e chapas laminadas de alumínio.

Em conjunto com a ABNT e representantes do setor industrial, o ministério trabalha na definição de parâmetros técnicos para a certificação voluntária de produtos sustentáveis. A estratégia busca incentivar práticas responsáveis ao longo das cadeias produtivas, promover a economia circular e fortalecer a indústria brasileira.

Publicação da norma e certificação serão etapas seguintes

Após o encerramento da consulta e a análise das contribuições recebidas, a ABNT deverá disponibilizar a norma em seu catálogo.

Para conquistar a certificação do Selo Verde Brasil, os produtos precisarão cumprir os critérios previstos na norma técnica, além de atender à legislação vigente. A participação no programa é voluntária.

Como enviar contribuições à consulta nacional da ABNT

Empresas, profissionais e demais interessados podem participar da elaboração da norma seguindo estas etapas:

  1. Acesse o portal de Consulta Nacional da ABNT.
  2. Faça login na plataforma ou realize o cadastro.
  3. Procure pelo projeto “ABNT 17321 – Pneus novos para automóveis de passageiros – Requisitos e critérios ambientais, sociais e de governança (ESG)”.
  4. Registre suas sugestões e contribuições até 23 de novembro de 2026.

A participação pública permite apresentar observações sobre os critérios propostos e colaborar para o desenvolvimento de uma referência técnica voltada à sustentabilidade na produção de pneus de passeio.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Sustentabilidade

Monitoramento ambiental nos portos brasileiros contribui para proteger a vida marinha

O monitoramento ambiental portuário é uma ferramenta importante para preservar a biodiversidade nas regiões costeiras e nos estuários brasileiros. Por meio de estudos e acompanhamento contínuo da fauna, as autoridades portuárias buscam identificar mudanças nos ecossistemas, avaliar os efeitos das operações e orientar medidas de conservação da vida marinha.

Tartarugas, golfinhos, aves e diferentes organismos aquáticos estão entre as espécies observadas nesses programas. As ações variam conforme as características de cada região e incluem levantamentos de fauna, identificação de espécies exóticas e acompanhamento das condições ambientais.

Os dados coletados ajudam a compreender a dinâmica dos ecossistemas e fornecem subsídios para reduzir possíveis impactos das atividades portuárias sobre a natureza.

Porto de Santos realiza monitoramento da fauna e da biota aquática

No Porto de Santos, no litoral de São Paulo, os programas ambientais abrangem o acompanhamento da biota aquática, das aves, das espécies marinhas exóticas e da atividade pesqueira.

Entre as iniciativas está o monitoramento de tartarugas marinhas na região do canal de navegação. Os levantamentos registram a presença desses animais em diferentes pontos do estuário e observam bancos de sedimentos que podem funcionar como áreas de alimentação.

O trabalho também permite reunir informações para avaliar possíveis interferências das operações portuárias sobre esses animais e seus habitats.

Outro eixo de atuação é o estudo da avifauna, que analisa a diversidade e a quantidade de aves presentes na região. Já o programa de espécies exóticas acompanha a biota aquática do estuário para identificar organismos não nativos e avaliar os riscos que sua presença pode representar para o equilíbrio ambiental.

O monitoramento da atividade pesqueira complementa as ações, ampliando o conhecimento sobre as relações entre as atividades humanas e os ecossistemas locais.

Portos do Paraná acompanham fauna marinha e áreas de manguezal

Nos portos de Paranaguá e Antonina, no Paraná, as ações de conservação ambiental incluem o acompanhamento da fauna marinha, dos quelônios — grupo que abrange tartarugas e outros répteis —, dos manguezais e da qualidade da água.

Os programas também contemplam a recuperação de áreas degradadas e o desenvolvimento de projetos socioambientais em parceria com comunidades do litoral paranaense.

Essas iniciativas contribuem para a preservação dos habitats costeiros e para a identificação de alterações ambientais que possam exigir medidas específicas de proteção.

Ao integrar o monitoramento da fauna, a avaliação da água e a recuperação de áreas naturais, os projetos buscam conciliar as atividades portuárias com a conservação dos recursos naturais.

Ministério de Portos e Aeroportos incentiva práticas sustentáveis

As iniciativas de monitoramento estão alinhadas às diretrizes de sustentabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), que incentiva a adoção de práticas ambientais nos setores portuário, hidroviário e aeroportuário.

A orientação é incorporar a proteção ambiental ao planejamento e à expansão da infraestrutura, estimulando medidas de conservação dos recursos naturais e de redução dos impactos das operações.

Entre as iniciativas promovidas pelo ministério está o Pacto pela Sustentabilidade, que incentiva empresas públicas e privadas a assumir compromissos relacionados às práticas ambientais, sociais e de governança (ESG).

A proposta é ampliar a participação do setor produtivo na adoção de medidas sustentáveis, fortalecendo a integração entre desenvolvimento econômico, responsabilidade socioambiental e preservação dos ecossistemas.

Monitoramento ambiental fortalece a conservação costeira

O acompanhamento sistemático da fauna e das condições ambientais permite identificar alterações nos ecossistemas e produzir informações que auxiliam na tomada de decisões.

Nos portos brasileiros, essas ações contribuem para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade e orientar medidas destinadas a minimizar os efeitos das atividades econômicas sobre os ambientes naturais.

A integração entre gestão portuária sustentável, pesquisa ambiental e participação das comunidades representa uma estratégia para conciliar a movimentação de cargas com a proteção da vida marinha e dos ecossistemas costeiros.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Porto de Santos

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Logística, Sustentabilidade

Gestão de resíduos nos portos reduz riscos de contaminação do solo e da água

A operação de navios e a movimentação de cargas nos portos geram diferentes tipos de resíduos, que precisam ser coletados, transportados e destinados de maneira adequada. A gestão de resíduos portuários é fundamental para reduzir riscos de contaminação do solo, da água e de outras áreas do ambiente.

Restos de alimentos, lixo doméstico e embalagens produzidos durante as viagens se somam a papelão, madeira, materiais utilizados em serviços de manutenção e resíduos das áreas administrativas. Como cada material possui características próprias, a separação e o armazenamento corretos são etapas essenciais antes da coleta, do tratamento, da reciclagem ou de outra forma de destinação.

Resíduos de navios exigem procedimentos específicos

O primeiro passo para o gerenciamento adequado é identificar a natureza do resíduo. Nas embarcações podem ser encontrados materiais comuns e recicláveis, como restos de alimentos e resíduos domésticos, mas também itens que demandam cuidados especiais.

Entre eles estão resíduos oleosos, água oleosa de porão, produtos químicos, esgoto e resíduos provenientes de serviços de saúde, entre outros materiais que podem apresentar riscos ambientais.

Nos portos públicos e nas instalações portuárias autorizadas, a retirada desses materiais das embarcações segue regras estabelecidas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

A Resolução Antaq 99/2023 regulamenta o serviço e determina que a coleta seja feita por prestadores habilitados pela autoridade responsável pelo controle da instalação portuária.

Contenção evita vazamentos durante a coleta

O manejo dos resíduos exige atenção especial quando há possibilidade de vazamentos ou derramamentos. Nesses casos, devem ser utilizados equipamentos de contenção compatíveis com as características do material.

A medida busca impedir que resíduos oleosos, substâncias químicas e outros contaminantes cheguem ao cais, ao solo ou aos corpos d’água próximos às instalações portuárias.

Além do cuidado durante a coleta, o deslocamento dos resíduos também precisa ser acompanhado por documentação específica.

O Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR) acompanha o material durante o trajeto até sua destinação final ambientalmente adequada. O documento reúne informações sobre o resíduo e permite acompanhar sua movimentação ao longo do processo.

Portos também geram resíduos durante as operações

Não são apenas os navios que produzem materiais descartáveis. A própria rotina dos complexos portuários gera resíduos em atividades como movimentação de cargas, manutenção, oficinas e serviços administrativos.

Para organizar esse fluxo, as instalações portuárias contam com o Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS). O documento estabelece procedimentos que abrangem desde a geração dos materiais até sua destinação final.

Entre as etapas previstas estão:

  • Separação dos resíduos conforme suas características;
  • Acondicionamento adequado;
  • Armazenamento temporário;
  • Coleta e transporte;
  • Reaproveitamento e reciclagem;
  • Tratamento e destinação final;
  • Disposição adequada dos materiais que não podem ser recuperados.

Resíduos recicláveis podem ser encaminhados para reutilização ou reciclagem, enquanto materiais perigosos ou contaminados precisam passar por procedimentos específicos de tratamento e destinação.

Armazenamento adequado reduz riscos ambientais

A forma como os resíduos permanecem armazenados também é importante para a segurança ambiental nos portos. Materiais líquidos ou que apresentam potencial de contaminação exigem estruturas e procedimentos capazes de impedir vazamentos e derramamentos.

Essas medidas reduzem a possibilidade de que substâncias contaminantes atinjam o solo ou a água e fazem parte das práticas de gerenciamento ambiental adotadas nas instalações.

Antaq acompanha desempenho ambiental dos portos

A gestão ambiental das instalações portuárias também é monitorada pela Antaq por meio do Índice de Desempenho Ambiental (IDA).

O indicador reúne diferentes aspectos relacionados à sustentabilidade e ao controle ambiental das operações. Entre os critérios avaliados estão:

  • Gerenciamento de resíduos sólidos;
  • Retirada de resíduos das embarcações;
  • Monitoramento da qualidade da água;
  • Sistemas de drenagem pluvial;
  • Aspectos relacionados ao solo;
  • Prevenção e controle de riscos ambientais.

Dessa forma, o acompanhamento considera não apenas a destinação dos resíduos, mas também outras medidas voltadas à prevenção de impactos ambientais provocados pelas atividades portuárias.

Sustentabilidade ganha espaço na infraestrutura portuária

A gestão de resíduos integra uma agenda mais ampla de sustentabilidade para o setor de transportes. A Política de Sustentabilidade do Ministério de Portos e Aeroportos, instituída pela Portaria MPor 58/2025, estabelece diretrizes ambientais, sociais e de governança para os setores portuário, aeroportuário e hidroviário.

Entre os objetivos estão o uso sustentável dos recursos naturais, a prevenção de impactos ambientais e a adaptação da infraestrutura às mudanças climáticas.

Por meio do Pacto pela Sustentabilidade, o MPor também busca estimular empresas e entidades do setor a estabelecer planos de ação e indicadores relacionados ao desempenho ambiental.

A agenda inclui iniciativas de economia circular, logística reversa, redução do envio de resíduos para aterros e reaproveitamento de materiais. Essas ações, no entanto, complementam — e não substituem — as obrigações legais e regulatórias que devem ser cumpridas individualmente por cada instalação portuária.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Unsplash

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Sustentabilidade

Economia circular já é adotada por 57% das indústrias brasileiras, aponta CNI

Pesquisa da CNI mostra avanço de práticas de economia circular na indústria brasileira, com destaque para reciclagem, logística reversa e reaproveitamento de materiais

Mais da metade das indústrias adota práticas de economia circular

A economia circular já faz parte da rotina de 57% das empresas industriais brasileiras. Isso significa que quase seis em cada dez indústrias adotam pelo menos uma prática relacionada ao uso mais eficiente, à recuperação ou ao reaproveitamento de recursos nos processos produtivos.

Os dados integram a Sondagem Especial nº 102 – Economia Circular 2026, elaborada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) a partir de entrevistas com mais de 1.600 empresários do setor em todo o país.

A adesão varia conforme o porte das empresas. Entre as grandes indústrias, o percentual chega a 66%. Nas médias, a taxa é de 54%, enquanto entre as pequenas empresas fica em 43%.

Por segmento, os maiores índices de adoção aparecem em equipamentos de informática e eletrônicos, com 86%, produtos de borracha, com 85%, celulose e papel, com 78%, calçados, com 76%, e biocombustíveis, com 75%.

Para Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, os resultados mostram que a sustentabilidade na indústria também vem sendo associada à busca por maior eficiência. Ele ressalta, porém, a diferença de adesão entre empresas de diferentes portes e a necessidade de políticas voltadas às companhias menores.

Reciclagem lidera entre as práticas adotadas

A reciclagem é a iniciativa de economia circular mais presente entre as empresas consultadas. Segundo a pesquisa, 32% das indústrias afirmam utilizar essa estratégia para recuperar valor de produtos e materiais.

Na sequência aparecem a logística reversa de produtos e embalagens, citada por 26% das empresas, e a utilização de materiais reciclados ou recuperados na fabricação de produtos, também mencionada por 26%.

Os dados indicam que diferentes formas de reaproveitamento de recursos já estão incorporadas aos processos produtivos de uma parcela significativa da indústria nacional.

Economia circular também é relacionada à redução de emissões

Entre as empresas industriais que adotam práticas de economia circular, 57% consideram que essas iniciativas ajudam a diminuir as emissões de gases de efeito estufa.

A percepção é maior entre as grandes empresas, alcançando 64%. Nas médias, o índice é de 53%, enquanto entre as pequenas chega a 46%.

Alguns segmentos apresentam percentuais superiores a 70% de empresas que reconhecem essa relação. É o caso de biocombustíveis, produtos de borracha, bebidas e celulose e produtos de papel.

Larissa Malta, analista de Políticas e Indústria da CNI, destaca que a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) brasileira no âmbito do Acordo de Paris considera a economia circular uma ferramenta que vai além da gestão de resíduos, relacionando-a às estratégias de mitigação das mudanças climáticas e à meta de neutralidade climática do país até 2050.

Segundo a analista, práticas voltadas à eficiência no uso de recursos e à utilização de biomateriais podem contribuir para diminuir a intensidade das emissões da indústria.

Redução de custos aparece entre os principais benefícios

Os ganhos econômicos também estão entre os fatores associados à adoção da economia circular na indústria. A redução dos custos operacionais é apontada por 40% das empresas como o principal benefício esperado.

Outros resultados também são destacados pelos empresários:

  • 31% citam a melhoria da imagem corporativa;
  • 30% apontam o estímulo à inovação em produtos, processos e serviços.

Davi Bomtempo afirma que a expansão da economia circular está diretamente relacionada ao avanço da inovação tecnológica. Segundo ele, novas tecnologias podem permitir a criação de produtos mais duráveis, reparáveis e fáceis de desmontar, além de aprimorar processos de separação, reciclagem e reaproveitamento de materiais.

A pesquisa, no entanto, revela uma dificuldade na mensuração dos resultados. Embora 40% das empresas associem as práticas circulares a ganhos financeiros, 46% ainda não conseguem identificar de forma direta o impacto desses investimentos sobre o faturamento.

Entre as possíveis razões estão a dificuldade de medir determinados benefícios e o fato de parte dos resultados aparecer apenas no médio e longo prazo, como a redução de desperdícios, o aumento da eficiência no uso de recursos e a abertura de novas oportunidades de mercado.

Crédito, tecnologia e demanda estão entre os principais desafios

A pesquisa da CNI também avaliou os obstáculos encontrados pelas empresas para ampliar os investimentos em economia circular. As barreiras foram divididas em três grupos: econômicas; tecnológicas e de inovação; e culturais, relacionadas principalmente à percepção do mercado consumidor.

No aspecto econômico, a falta de demanda por produtos circulares e as altas taxas de juros aparecem empatadas como os principais entraves, citados por 25% das empresas. Em seguida está a ausência de isonomia tributária entre materiais reciclados e matérias-primas virgens, apontada por 23%.

Entre os desafios tecnológicos, 30% das indústrias consideram a viabilidade econômica das soluções necessárias como a principal barreira.

Nas pequenas empresas, a falta de mão de obra qualificada ganha destaque e é apontada por 21% dos entrevistados como um dos principais obstáculos internos.

Já no campo cultural, 37% dos industriais mencionam o comportamento e a falta de conhecimento do consumidor final como fatores relacionados à baixa demanda por produtos circulares. Outros 21% apontam a percepção negativa dos consumidores sobre esse tipo de produto.

Para Marcello Lira Doudement, analista de Políticas e Indústria da CNI, o custo do crédito dificulta a modernização das empresas e a adoção de novas tecnologias voltadas à circularidade.

Indústria defende incentivos para ampliar a circularidade

Na avaliação do setor industrial, políticas públicas capazes de oferecer maior previsibilidade e incentivos podem contribuir para acelerar a adoção de práticas circulares no Brasil.

Entre as medidas consideradas prioritárias estão os incentivos econômicos para investimentos em infraestrutura de reciclagem e logística reversa. Essa alternativa é defendida por 47% dos empresários.

Outros 46% apontam a necessidade de incentivos para projetos de inovação em economia circular.

Os resultados da sondagem mostram, portanto, que a adoção de práticas circulares já alcança uma parcela expressiva da indústria brasileira, mas ainda existem diferenças importantes entre empresas de diferentes portes e desafios relacionados a financiamento, tecnologia, qualificação profissional e demanda do consumidor.

FONTE: Agência de Notícias da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/CNI

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Sustentabilidade

Programa Selo Verde Brasil abre consulta pública sobre sustentabilidade de produtos e serviços

O Programa Selo Verde Brasil entrou em uma nova etapa de participação social. Em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) abriu consulta pública sobre a proposta de Requisitos de Avaliação da Conformidade (RAC) voltados à sustentabilidade de produtos e serviços.

Interessados podem enviar sugestões, críticas e informações técnicas até 18 de outubro, por meio da plataforma Brasil Participativo. A consulta é destinada a fabricantes, prestadores de serviços, entidades representativas, organismos de avaliação da conformidade, especialistas, instituições acadêmicas, consumidores, órgãos públicos e demais setores interessados.

Consulta pública busca aperfeiçoar regras do Selo Verde

A proposta tem como objetivo estabelecer critérios para que o Selo Verde Brasil possa atestar, de forma confiável e verificável, o desempenho de produtos e serviços em aspectos ambientais, sociais e de governança (ASG).

A participação da sociedade nesta fase também pretende identificar pontos que possam ser aprimorados antes da implementação das regras. Entre os aspectos que podem receber contribuições estão possíveis dificuldades de aplicação, custos, riscos e impactos que não tenham sido previstos na elaboração dos requisitos.

Segundo a proposta, o programa também pode contribuir para ampliar as oportunidades de produtos brasileiros no mercado ao incentivar a redução de impactos ambientais, a economia circular e o desenvolvimento de soluções mais inclusivas.

A iniciativa ainda busca fortalecer cadeias produtivas e favorecer ganhos de eficiência industrial.

Regras gerais e critérios de certificação

O documento submetido à consulta apresenta a regra geral do programa, os procedimentos administrativos necessários para a certificação e as diretrizes para a identidade visual do Selo de Identificação da Conformidade.

Entre as disposições previstas estão:

  • Aplicação exclusiva a produtos e serviços nacionais;
  • Certificação composta por avaliação inicial, auditorias periódicas e processos de recertificação;
  • Auditoria do Sistema de Gestão Ambiental baseada na norma ISO 14001;
  • Verificações anuais para comprovar a continuidade da conformidade com os requisitos estabelecidos.

Essas regras deverão orientar os processos de concessão, manutenção e renovação da certificação do Selo Verde Brasil.

Requisitos específicos abrangem polímeros de fonte renovável

Além das regras gerais, a proposta apresenta dois anexos com critérios específicos. Nesta fase da consulta, estão em avaliação os requisitos destinados aos polímeros de eteno de fonte renovável e aos produtos produzidos com esses materiais.

A lista inclui itens como embalagens, frascos, sacolas e outros produtos plásticos.

O conteúdo foi desenvolvido pelo Inmetro em conjunto com a Secretaria de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria (SEV/MDIC) e representantes dos segmentos inicialmente definidos como prioritários pelo Comitê do Programa.

RAC define como a conformidade será verificada

Os Requisitos de Avaliação da Conformidade complementam as exigências estabelecidas pelas normas técnicas e pelos regulamentos gerais de avaliação da conformidade.

Na prática, as normas determinam o que precisa ser cumprido, enquanto os RAC estabelecem como será verificado o atendimento a essas exigências.

Dessa forma, os requisitos colocados em consulta pública servirão como referência para os processos de certificação relacionados ao Selo Verde Brasil, estabelecendo critérios para avaliar e comprovar a sustentabilidade dos produtos e serviços abrangidos pelo programa.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Fitec Ambiental

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Sustentabilidade

FIESC debate novas regras da União Europeia para embalagens e produtos florestais

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) realiza, no dia 29 de setembro, uma reunião para discutir novas exigências da União Europeia que podem afetar empresas catarinenses que exportam para o bloco. O encontro do Conselho da Base Florestal, Meio Ambiente e Sustentabilidade terá como foco duas regulamentações: o PPWR, relacionado a embalagens e resíduos, e o EUDR, que trata da rastreabilidade e da origem de produtos ligados a cadeias de commodities e madeira.

PPWR estabelece novas exigências para embalagens

O PPWR (Packaging and Packaging Waste Regulation) define requisitos para as embalagens comercializadas no mercado europeu. Entre os pontos abrangidos estão critérios relacionados aos materiais utilizados, reciclabilidade, reutilização e gerenciamento de resíduos.

A regulamentação será apresentada por Luciana Pellegrino, presidente executiva da Associação Brasileira de Embalagem (ABRE). A discussão é relevante para empresas que mantêm relações comerciais com o mercado europeu e precisam se adequar às novas normas para continuar exportando para o bloco.

EUDR amplia exigências sobre origem dos produtos

Outro tema da reunião será o EUDR (Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento). A norma estabelece que empresas devem demonstrar que determinados produtos e matérias-primas comercializados no mercado europeu não estão relacionados ao desmatamento.

As exigências envolvem rastreabilidade, comprovação de origem e informações sobre a cadeia de fornecimento. O assunto tem impacto direto sobre setores ligados à base florestal, que têm participação nas exportações de Santa Catarina.

A apresentação sobre o EUDR será conduzida por Patrick Reydams, CEO da Protimber, consultor especialista do Conselho da Madeira da FIEP e diretor do Comitê de Construções em Madeira da ABIMCI.

Reunião será realizada em formato híbrido

O encontro também contará com a participação de José Lourival Magri, coordenador de Meio Ambiente e Sustentabilidade da FIESC, e Mauro Murara, coordenador Florestal da entidade.

Empresários e representantes do setor industrial poderão acompanhar a reunião presencialmente ou pela internet. A participação deve ser feita mediante inscrição por formulário.

Serviço

Reunião do Conselho da Base Florestal, Meio Ambiente e Sustentabilidade da FIESC

Data: 29 de setembro de 2026
Horário: 14h
Local: Sede da FIESC, em Florianópolis
Formato: Híbrido

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC

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Sustentabilidade

Energia renovável no Brasil: sobreoferta faz setor frear novos investimentos

O setor elétrico brasileiro vive uma mudança importante de cenário. Após anos de expansão acelerada da capacidade de geração, especialistas, órgãos reguladores, empresas, investidores e consumidores começam a questionar a necessidade de manter o mesmo ritmo de investimentos em energia renovável.

O motivo é o aumento da sobreoferta de energia, principalmente nos segmentos solar e eólico. A expansão da geração avançou em velocidade superior ao crescimento da demanda, enquanto incentivos e subsídios contribuíram para manter atrativos projetos que, diante das condições atuais do mercado, passaram a enfrentar maior dificuldade para encontrar espaço no sistema.

Sobreoferta de energia aumenta cortes na geração

O excesso de oferta já tem reflexos na operação do sistema elétrico. Em determinados períodos, usinas existentes não conseguem produzir toda a energia que poderiam fornecer.

Essa redução compulsória da geração é conhecida no setor como curtailment. O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) determina cortes principalmente quando não há demanda suficiente para absorver toda a eletricidade disponível.

O fenômeno ganhou relevância justamente porque evidencia uma mudança na principal preocupação do setor: se antes o desafio era ampliar a oferta para garantir a segurança energética, agora também é necessário encontrar formas de aproveitar a capacidade de geração que já existe.

Aneel alerta para distorções provocadas por subsídios

O diretor-geral da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), Sandoval Feitosa, está entre os primeiros representantes do setor a defender publicamente uma revisão do ritmo de expansão.

Segundo ele, os incentivos concedidos à geração renovável alteraram os sinais econômicos que deveriam orientar as decisões de investimento.

“As empresas não respondem ao estímulo natural do mercado, mas, sim, aos subsídios que recebem”, afirmou à CNN.

A avaliação coloca em evidência uma contradição do modelo atual. Enquanto a sobreoferta de energia e o avanço do curtailment indicam a necessidade de reduzir o ritmo de novos projetos, diferentes segmentos continuam buscando preservar mecanismos de incentivo capazes de estimular a expansão.

Incentivos continuam mesmo diante dos alertas

Apesar das críticas, medidas adotadas pelo governo e pelo Congresso nos últimos anos mantiveram parte dos estímulos à expansão da geração.

Em 2024, a MP 1.212 permitiu que projetos elegíveis prorrogassem por 36 meses o prazo para entrada em operação sem perder os descontos aplicados às tarifas de uso das redes.

No mesmo ano, o governo regulamentou o acesso da minigeração distribuída ao Reidi, regime voltado a incentivos tributários para projetos de infraestrutura.

Já em 2025, a Lei 15.269 permitiu que parte desses empreendimentos adiasse, sem custos pela postergação, o início dos contratos de uso da transmissão.

Na avaliação de críticos do modelo, essas medidas mantiveram sinais favoráveis à expansão justamente quando o sistema começava a demonstrar excesso de oferta.

ONS vê pouco espaço para nova geração durante o dia

A discussão ganhou força com o posicionamento de Alexandre Zucarato, diretor de planejamento do ONS.

Em entrevista à CNN, Zucarato concordou que novos investimentos em geração de energia precisam considerar a atual capacidade excedente do sistema.

O problema, segundo ele, já não se resume à infraestrutura de transmissão. Em determinadas horas do dia, especialmente durante o período de maior geração solar, não existe consumo suficiente para absorver toda a eletricidade produzida.

“Não faz mais sentido injetar potência na rede no período diurno porque basicamente vamos colocar um megawatt novo e vai ter que deslocar um megawatt existente”, afirmou ao programa Alta Voltagem, da CNN.

Uma das alternativas apontadas pelo diretor é justamente postergar investimentos que não tenham outra justificativa operacional.

Excesso de investimento preocupa infraestrutura

O presidente da Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base), Venilton Tadini, avalia que o problema mudou de natureza.

Na visão dele, o Brasil passou de uma fase de insuficiência de investimentos privados em infraestrutura elétrica para um momento em que parte do capital está sendo direcionada para segmentos que já apresentam excesso de capacidade.

“O que estamos vivendo hoje no setor elétrico é o excesso do investimento privado mal direcionado justamente pelos sinais negativos de excesso de subsídios em segmentos que não necessitam mais, como energia solar e eólica”, afirmou ao programa Conexão Infra, da CNN.

A consequência não é apenas operacional. Os cortes na produção também começam a afetar a situação financeira dos empreendimentos.

Curtailment aumenta risco financeiro de usinas

A redução forçada da geração representa perda de receita para empresas que possuem projetos expostos ao problema. Com isso, aumenta a percepção de risco sobre ativos de energia solar e eólica.

Já existem casos de quebra de covenants, cláusulas previstas em contratos de financiamento que estabelecem determinadas condições para os devedores.

Também surgiram situações de standstill, mecanismo pelo qual algumas obrigações relacionadas a dívidas são temporariamente suspensas.

O cenário amplia a preocupação entre bancos e investidores, que precisam considerar não apenas a capacidade de geração de um empreendimento, mas também o risco de ele não conseguir produzir e vender toda a energia prevista.

Consumidores pedem revisão da expansão renovável

Os grandes consumidores também passaram a defender uma mudança no ritmo de crescimento da geração renovável.

Luiz Eduardo Barata, presidente da FNCE (Frente Nacional dos Consumidores de Energia), afirma que novos projetos solares e eólicos podem exigir investimentos adicionais em transmissão para transportar uma energia que, em determinados momentos, não encontra demanda suficiente.

O custo dessas estruturas, segundo ele, acaba sendo repassado aos consumidores.

“O processo de expansão de renováveis tem que ser feito considerando o consumo de energia que temos hoje e não apenas a vontade do investidor, que é o que está acontecendo”, disse. “Continuar do jeito que está é suicídio”.

Bancos mudam prioridade e olham para transmissão e armazenamento

A mudança de percepção também chegou às instituições financeiras.

Segundo informações da MegaWhat, o BNB (Banco do Nordeste), tradicional financiador de projetos de energia renovável, alterou temporariamente suas prioridades diante do avanço do curtailment sobre grandes empreendimentos no Nordeste.

A análise de documentos feita pelo portal especializado apontou que o banco passou a priorizar investimentos em transmissão de energia, armazenamento e instalação de grandes cargas na região, em vez de concentrar recursos na construção de novas usinas.

A mudança representa uma inversão relevante na estratégia de financiamento. O foco deixa de ser simplesmente aumentar a oferta e passa a incluir soluções capazes de aproveitar a energia que já está disponível no sistema.

Mercado de capitais reduz apetite por novos projetos

O mesmo movimento pode ser observado na avaliação dos ativos no mercado financeiro.

Anderson Brito, chefe de banco de investimento do UBS BB, afirmou que a combinação de sobreoferta, cortes de geração e incerteza sobre receitas futuras prejudica o valor de mercado das empresas e dificulta a captação de recursos.

“Neste momento, o mercado não vê racionalidade econômica em adicionar nova capacidade de geração sem que haja crescimento correspondente da demanda. O curtailment já afeta receitas, reduz o valor dos ativos e encarece o acesso a capital. Antes de construir mais, é preciso criar condições para absorver melhor a energia que já está disponível”, disse.

Importação de módulos solares recua em 2026

Os primeiros sinais concretos de desaceleração já aparecem nos dados do mercado.

Levantamento da consultoria Greener aponta que as importações de módulos solares recuaram 48% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Entre os grandes projetos de geração, a queda foi ainda mais expressiva: o volume destinado às grandes usinas diminuiu 82%.

O movimento indica uma possível redução do ritmo de expansão da energia solar no Brasil, em um momento de maior cautela por parte de desenvolvedores, bancos e investidores.

Projetos solares e eólicos perdem atratividade

Além da menor entrada de equipamentos, ativos já existentes enfrentam dificuldades para encontrar compradores.

A cautela dos investidores aumentou diante da exposição dos empreendimentos ao curtailment, à redução das receitas e à incerteza sobre o desempenho financeiro futuro.

Outro reflexo é a desistência de projetos. A Aneel vem aprovando pedidos de revogação de outorgas para empreendimentos eólicos e solares de empresas como Enel, Engie, EDF e Rio Energy, entre outras.

O conjunto desses movimentos aponta para uma possível mudança de ciclo no setor elétrico brasileiro: depois de anos de forte estímulo à expansão das fontes renováveis, o desafio passa a ser equilibrar oferta e demanda de energia, ampliar a capacidade de armazenamento e transmissão e evitar que novos investimentos agravem a ociosidade existente.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Stringer

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Sustentabilidade

Consulta pública sobre produtos sustentáveis no Acordo Mercosul-UE termina em 5 dias

Faltam cinco dias para o encerramento da consulta pública sobre produtos sustentáveis no Acordo Mercosul-UE. As contribuições podem ser enviadas até 2 de setembro de 2026, por meio da plataforma oficial Brasil Participativo.

A iniciativa é conduzida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), e busca reunir sugestões para a criação de uma lista de produtos do Mercosul relacionados à conservação, recuperação e uso sustentável de florestas e outros ecossistemas vulneráveis.

Consulta busca identificar produtos da sociobiodiversidade

A participação de empresas, entidades do setor produtivo, universidades, organizações da sociedade civil e demais interessados é considerada importante para mapear produtos da sociobiodiversidade e cadeias produtivas brasileiras que estejam alinhados aos objetivos estabelecidos no acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

A lista deverá contemplar produtos e atividades capazes de associar produção, comércio e sustentabilidade, valorizando cadeias que contribuam para a preservação ambiental e o uso responsável dos recursos naturais.

Produtos poderão ter benefícios no mercado europeu

Uma vez incluídos na lista, os produtos selecionados poderão ter acesso preferencial ou adicional ao mercado da União Europeia, além de outros mecanismos de incentivo destinados a estimular sua comercialização.

A consulta representa, portanto, uma oportunidade para que empresas e organizações indiquem produtos com potencial para ampliar sua presença no mercado europeu a partir de critérios relacionados à sustentabilidade.

Oportunidade para empresas e cadeias produtivas

A participação na consulta pública pode contribuir para diferentes objetivos do setor produtivo:

  • Ampliação do acesso ao mercado europeu: empresas e representantes de cadeias produtivas podem indicar produtos com potencial para integrar a lista prevista no acordo e obter possíveis vantagens comerciais.
  • Valorização da produção sustentável: as sugestões ajudam a identificar produtos da sociobiodiversidade e cadeias produtivas que conciliem atividade econômica e preservação ambiental.
  • Participação na implementação do acordo: as contribuições ajudam a construir a relação de produtos prevista no Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia.

Como enviar a contribuição

As manifestações podem ser encaminhadas até 2 de setembro de 2026 pela plataforma oficial Brasil Participativo.

A consulta é aberta ao setor produtivo, academia, sociedade civil e demais interessados em contribuir para a identificação de produtos sustentáveis com potencial de ampliar as oportunidades comerciais entre o Mercosul e a União Europeia.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/SEBRAE

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Sustentabilidade

COP17 pode adiar novamente acordo global para enfrentar as secas

A COP17 de Combate à Desertificação, realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, caminha para terminar sem um acordo sobre a criação de um regime internacional específico para enfrentar as secas. Embora representantes oficiais ainda mantenham expectativas de avanço, negociadores envolvidos nas discussões apontam como provável um novo adiamento da decisão.

A conferência termina oficialmente nesta sexta-feira (28). Até o momento, Estados Unidos e União Europeia (UE) lideram a resistência à proposta, acompanhados por países sul-americanos como Argentina, Chile e Paraguai.

A tendência é que os países aprovem apenas uma decisão de caráter procedimental, mantendo o tema na agenda para a COP18, prevista para 2028 e com possível realização no Egito. Um encaminhamento semelhante ocorreu na COP16, realizada em Riad, na Arábia Saudita.

Brasil defende continuidade das negociações

O Brasil apoia a criação de um regime global para as secas, mas avalia que, diante da dificuldade de construir consenso nesta conferência, a alternativa mais viável é garantir a permanência do assunto na agenda internacional.

A própria definição desse encaminhamento exigiu negociações ao longo da semana, com participação especialmente ativa do Brasil e da Arábia Saudita.

Enquanto os Estados Unidos defendiam retirar completamente a questão dos documentos finais, países africanos pressionavam pela implementação efetiva de um mecanismo internacional.

África cobra mecanismo permanente contra a seca

A criação do regime é uma reivindicação de países africanos há pelo menos três conferências. A região enfrenta historicamente problemas relacionados à escassez de água e à expansão de áreas desérticas e busca uma resposta multilateral capaz de coordenar ações de prevenção e recuperação.

Para esses países, o mecanismo deveria incluir apoio financeiro às nações mais vulneráveis, permitindo investimentos em preparação e recuperação diante de eventos extremos.

Os governos africanos argumentam que instrumentos existentes, como o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), estão concentrados em uma abordagem mais ampla de degradação das terras e não atendem especificamente às necessidades relacionadas às secas.

Países ricos resistem a compromissos obrigatórios

As nações desenvolvidas, por sua vez, demonstram resistência à criação de obrigações financeiras vinculantes. A preferência é por um modelo de participação voluntária.

A União Europeia também evita assumir novos compromissos de financiamento externo em um momento em que enfrenta seus próprios episódios de seca e outras pressões internas.

Além das questões financeiras, as negociações são atravessadas por disputas geopolíticas. Desde o início da COP17, países liderados pelos Estados Unidos vêm buscando limitar ou dificultar diferentes agendas multilaterais.

ONU mantém esperança de acordo

Como o documento final da COP17 será consolidado apenas no encerramento da conferência, representantes das Nações Unidas ainda evitam antecipar o resultado.

Andrea Meza Murillo, secretária executiva adjunta da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), afirmou que ainda trabalha pela possibilidade de um entendimento, embora reconheça o ambiente difícil.

A dirigente destacou que os governos enfrentam pressão para reconhecer a seca como um desafio de alcance global e manter a cooperação internacional.

Para Meza, a participação de sociedade civil, organizações não governamentais e setor privado também pode ajudar a manter o tema avançando mesmo diante das dificuldades políticas.

Ao mesmo tempo, ela reconheceu que o atual cenário internacional torna mais difícil alcançar compromissos multilaterais ambiciosos.

Secas estão mais frequentes e intensas

A urgência da discussão é reforçada por dados da UNCCD. Relatórios da organização apontam que a frequência, intensidade e abrangência das secas aumentaram quase 30% desde 2000.

Os efeitos já são observados em diferentes regiões do mundo, incluindo Europa, África, Ásia e América Latina.

Daniel Tsegai, coordenador do grupo de trabalho da UNCCD sobre secas, defende uma mudança na maneira como os governos lidam com o fenômeno.

Segundo o especialista, considerar a seca apenas como um desastre imprevisível deixou de ser adequado. A proposta é adotar uma estratégia permanente de prevenção e gestão de riscos, com ações antes, durante e depois dos períodos críticos.

Seca já é considerada risco sistêmico

Tsegai afirma que o problema ultrapassou os limites do setor agrícola e da simples falta temporária de chuva. A seca passou a representar um risco sistêmico, com impactos sobre hidrovias, transporte, saúde, comércio e cadeias de abastecimento.

Os efeitos também podem atravessar fronteiras. Uma crise hídrica em determinada região pode gerar consequências econômicas e logísticas em outros continentes.

Entre os exemplos citados pelo especialista estão as alterações no nível da água no Canal do Panamá e no Rio Reno, que podem afetar rotas comerciais e o fornecimento internacional de grãos.

A avaliação é de que a preparação precisa acontecer antes da ocorrência dos eventos extremos, e não somente depois que os danos já foram registrados.

Financiamento avança por iniciativas paralelas

Enquanto as negociações para um regime global permanecem travadas, projetos voltados ao financiamento da resiliência às secas avançam durante a COP17.

Um deles é a Aliança de Riad para Resiliência Global à Seca (RGDRP), que trabalha na criação de um fundo destinado a apoiar 70 países em desenvolvimento na adaptação e no enfrentamento do fenômeno.

A primeira assembleia da iniciativa ocorreu durante a conferência na Mongólia. A Arábia Saudita, que criou a aliança, anunciou um compromisso de US$ 150 milhões. O Banco Islâmico de Desenvolvimento e o fundo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) sinalizaram aportes de US$ 2 bilhões.

Novo fundo busca atrair capital privado

Outra iniciativa anunciada em Ulaanbaatar foi o Fundo de Investimento para Resiliência à Seca (Drif), apresentado como uma plataforma global de financiamento catalítico.

Esse modelo utiliza recursos públicos, filantrópicos ou subsidiados para assumir riscos maiores ou aceitar retornos financeiros menores. A estratégia busca criar condições para atrair investimentos privados em escala.

O fundo foi criado pela UNCCD e pelo governo de Luxemburgo, com apoio da Aliança Internacional para Resiliência à Seca (Idra). Luxemburgo realizou um aporte inicial de US$ 2 milhões.

A meta é mobilizar até US$ 400 milhões em recursos públicos e privados para projetos relacionados à resiliência climática.

Plataforma usa inteligência artificial para mapear riscos

A COP17 também marcou a apresentação da segunda fase do Observatório Internacional de Resiliência à Seca (Idro).

A plataforma foi desenvolvida pela UNCCD em parceria com o Centro de Ecossistemas e Arquitetura de Yale e a Idra. A nova versão representa a evolução do projeto-piloto apresentado durante a COP16.

A ferramenta pretende ajudar os países não apenas a monitorar riscos, mas também a identificar caminhos para antecipação, preparação e adaptação às secas.

O sistema utiliza o Índice de Resiliência à Seca (DRI), criado para avaliar a capacidade dos países de lidar com o fenômeno. Os dados podem apoiar a definição de políticas públicas e orientar investimentos.

A plataforma também incorpora recursos de inteligência artificial para facilitar a interpretação de informações complexas por gestores públicos, especialistas e usuários em geral.

A versão atual reúne oito estudos de caso de países distribuídos por cinco continentes e está disponível para avaliação de usuários de diferentes partes do mundo, que podem contribuir para seu aprimoramento.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Kiara Worth/UNCCD

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Sustentabilidade

Algodão brasileiro busca novos mercados com tecnologia, qualidade e sustentabilidade

O algodão brasileiro vive uma nova etapa de expansão no mercado internacional, mas o aumento da produção já não é suficiente para garantir competitividade. Com as exportações em crescimento, produtores enfrentam uma cobrança maior por qualidade, rastreabilidade, eficiência e sustentabilidade, além dos desafios relacionados ao clima, às pragas e às doenças.

Esse cenário estará no centro dos debates do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), marcado para 22 a 24 de setembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG). O evento reunirá produtores, pesquisadores, consultores, técnicos e empresas para discutir desde o manejo das lavouras até as exigências dos compradores da fibra brasileira.

Congresso debate desafios da produção de algodão

A programação do CBA inclui temas ligados à fisiologia do algodoeiro, resiliência produtiva e impactos das mudanças climáticas sobre as lavouras.

Também estão previstos debates sobre o bicudo-do-algodoeiro, outras pragas e doenças, nematologia, matologia e destruição de soqueira. Agricultura digital, melhoramento vegetal e biotecnologia completam parte da agenda científica.

As discussões avançam ainda para as etapas posteriores à produção, com conteúdos sobre colheita, beneficiamento e qualidade da fibra e do caroço. A proposta é aproximar os avanços técnicos das decisões tomadas nas propriedades e das demandas de toda a cadeia produtiva.

Para Marcio Portocarrero, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o congresso acompanha as mudanças que vêm transformando a cotonicultura.

Segundo ele, o evento coloca em debate questões que vão da ciência e tecnologia à sustentabilidade, qualidade, rastreabilidade e mercado.

Produtividade precisa vir acompanhada de qualidade

A maior presença do Brasil no mercado mundial de algodão aumenta a responsabilidade do setor. A produção em larga escala precisa estar associada a padrões de qualidade capazes de atender diferentes perfis de consumidores.

Nesse contexto, a origem da fibra e as condições utilizadas em sua produção ganham importância. Rastreabilidade e transparência passam a ser fatores estratégicos para uma cadeia que pretende ampliar sua participação no comércio internacional.

Ao mesmo tempo, problemas recorrentes no campo continuam influenciando os resultados. Condições climáticas adversas, pragas, doenças e falhas de manejo podem comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade do algodão.

Portocarrero afirma que a expansão internacional coloca a cotonicultura brasileira diante de uma nova fase, na qual produtividade, inovação e responsabilidade precisam avançar conjuntamente.

Ciência busca soluções para os desafios do campo

A programação científica do congresso terá 12 horas de palestras distribuídas em duas plenárias. Os conteúdos abrangem diferentes etapas da produção e buscam aprofundar questões que afetam diretamente o desempenho das lavouras.

Entre os temas estão a fisiologia do algodoeiro e sua capacidade de preservar a produtividade em situações adversas. O manejo fitossanitário também terá destaque, com discussões sobre bicudo, fitopatologia, nematologia e matologia.

O período pós-colheita também será abordado. Beneficiamento e qualidade da fibra e do caroço serão discutidos ao lado de melhoramento vegetal e biotecnologia.

As chamadas Plenárias Conexões ampliarão o debate para assuntos como mercado, estratégia, liderança, sustentabilidade e perspectivas para o setor. A proposta é relacionar o desenvolvimento técnico da produção às transformações que ocorrem no mercado.

Agricultura digital ganha espaço na cotonicultura

A agricultura digital vem ampliando as possibilidades de monitoramento, manejo e tomada de decisão nas propriedades. O tema será discutido no congresso junto a ferramentas como biotecnologia e melhoramento genético.

Quatro Hubs Técnicos concentrarão debates especializados. A programação também terá workshops e minicursos voltados ao aprofundamento de conteúdos e à troca de experiências entre profissionais.

A área de exposição reunirá empresas que atuam na cadeia do algodão, com apresentação de tecnologias, produtos e serviços destinados às diferentes etapas da produção e do beneficiamento.

A aproximação entre fornecedores de soluções e profissionais do campo deve facilitar o debate sobre tecnologias capazes de responder aos desafios enfrentados pela cotonicultura.

Para Portocarrero, a trajetória do algodão brasileiro foi marcada por tecnologia, profissionalização e capacidade de adaptação. Na avaliação do executivo, a próxima etapa depende de manter esse processo de evolução sem deixar de lado qualidade e responsabilidade.

Congresso reúne setor em momento de expansão

Com o tema “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, o 15º Congresso Brasileiro do Algodão será realizado no Expominas, em Belo Horizonte.

A edição anterior aconteceu em Fortaleza e reuniu mais de 4,2 mil participantes de 20 países e 25 estados. O encontro contou com 114 palestrantes, 62 patrocinadores, 19 hubs temáticos e 288 trabalhos científicos.

Para a edição deste ano, a organização estima a participação de aproximadamente 2.500 pessoas, entre produtores, pesquisadores, consultores, técnicos, representantes de empresas e outros profissionais.

O encontro ocorre em um momento estratégico para o setor algodoeiro brasileiro. Entre os principais desafios estão aumentar a eficiência produtiva, preservar a qualidade da fibra, incorporar novas tecnologias e atender às exigências de compradores cada vez mais atentos à sustentabilidade e à origem dos produtos.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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