Exportação

Camex aprova relatório socioambiental para exportações de produtos agropecuários

O Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou a Resolução CEC nº 17, que cria o Relatório de Análise Socioambiental para Operações de Exportação (RASOE). A medida estabelece um novo instrumento oficial para comprovar o atendimento a requisitos socioambientais relacionados à produção e à exportação de produtos agropecuários brasileiros.

O documento foi desenvolvido em conjunto pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com a participação de outros 12 ministérios.

RASOE busca facilitar comprovação de conformidade socioambiental

O novo relatório permitirá que produtores e exportadores apresentem informações baseadas na legislação socioambiental brasileira para demonstrar que, nas bases de dados federais consultadas, não foram encontrados impedimentos legais relacionados à produção e comercialização dos produtos.

A documentação também servirá como instrumento para indicar que as mercadorias estão aptas a ser destinadas a mercados internacionais que estabeleçam exigências específicas de sustentabilidade.

Entre os mercados que poderão se beneficiar da iniciativa está a União Europeia, que prevê a aplicação do Regulamento sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) a partir de janeiro de 2027.

Plataforma AgroBrasil + Sustentável emitirá o relatório

O RASOE será disponibilizado por meio da Plataforma AgroBrasil + Sustentável (AB + S), sistema criado para reunir e organizar informações relacionadas às práticas ambientais, sociais e de governança das propriedades rurais e de seus produtos.

A plataforma integra dados provenientes de diferentes bases oficiais, permitindo uma análise mais ampla e transparente da situação das propriedades e das mercadorias destinadas à exportação.

Dados abrangem meio ambiente, trabalho e direitos humanos

Entre as informações consideradas pela plataforma estão dados sobre proteção ambiental, ocorrência de desmatamento e regularização fundiária. O sistema também contempla aspectos relacionados às condições de trabalho e ao respeito aos direitos humanos.

A análise inclui ainda informações referentes aos direitos dos povos indígenas, ampliando o conjunto de critérios utilizados para avaliar a conformidade socioambiental das operações.

Com a criação do RASOE, o governo busca oferecer aos produtores e exportadores uma ferramenta oficial para organizar e apresentar informações de conformidade, especialmente diante do aumento das exigências socioambientais no comércio internacional.

FONTE: Ministério das Relações Exteriores
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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Comércio Internacional

Pacto Verde Europeu: indústria precisa ampliar rastreabilidade para manter acesso ao mercado europeu

As novas regras ambientais da União Europeia (UE) estão mudando a forma como empresas precisam comprovar a origem, a composição e os impactos de seus produtos. Para a indústria catarinense, especialmente para os setores ligados ao comércio exterior, o Pacto Verde Europeu representa um novo desafio para manter e ampliar a presença no mercado europeu.

A tendência é que sustentabilidade deixe de ser apenas um diferencial competitivo e passe a integrar os requisitos necessários para participar de determinadas cadeias globais de fornecimento.

“Para a indústria catarinense, o Pacto Verde Europeu não deve ser visto apenas como uma exigência regulatória, mas como uma nova condição de inserção nas cadeias globais de valor. As empresas precisam estar preparadas para fornecer dados confiáveis sobre seus produtos”, afirma Maria Teresa Bustamante, presidente do Conselho de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).

Passaporte Digital do Produto ganha importância

Entre os mecanismos que devem transformar a relação das empresas com o mercado europeu está o Passaporte Digital do Produto (DPP), previsto pelo Regulamento de Concepção Ecológica para Produtos Sustentáveis (ESPR).

A proposta é criar uma espécie de identidade digital para os produtos, concentrando informações que possam ser verificadas ao longo da cadeia. Entre os dados estão a composição, a origem das matérias-primas, impactos ambientais, durabilidade, possibilidade de reparo, reutilização e reciclagem. Na prática, a exigência não ficará restrita aos exportadores diretos.

Empresas brasileiras que fornecem componentes, insumos ou matérias-primas para outras companhias também poderão precisar disponibilizar informações detalhadas sobre seus produtos e processos. Isso significa que a adequação às regras europeias tende a alcançar diferentes elos das cadeias produtivas.

Indústria catarinense está entre os setores impactados

A implementação das novas exigências será gradual e deverá atingir segmentos com forte participação na economia de Santa Catarina. Entre os setores que precisam acompanhar de perto as mudanças estão têxtil e vestuário, siderurgia, alumínio, móveis e tecnologia, além de outras atividades integradas às cadeias de fornecimento europeias.

O desafio, porém, não se limita à adoção de práticas ambientais. As empresas precisarão desenvolver sistemas capazes de coletar, organizar, rastrear e comprovar informações sobre produtos e processos. Isso amplia a responsabilidade também para fornecedores e parceiros envolvidos na produção.

Preparação começa antes das novas regras

Para as empresas que atuam ou pretendem atuar no mercado europeu, antecipar a adequação pode ser um diferencial. A preparação envolve desde o conhecimento da cadeia de fornecedores até a estruturação de dados ambientais e produtivos.

Entre as principais medidas estão:

  • Mapear fornecedores e matérias-primas, ampliando a rastreabilidade da cadeia;
  • Digitalizar informações sobre produtos, processos e impactos ambientais;
  • Medir e reduzir a pegada de carbono, com iniciativas de eficiência e descarbonização;
  • Adequar produtos à economia circular, considerando durabilidade, reparabilidade e reciclabilidade;
  • Comprovar as informações ambientais, evitando alegações de sustentabilidade que não tenham respaldo técnico.

Sustentabilidade passa a ser requisito de competitividade

Mais do que cumprir uma nova legislação, a adaptação às regras europeias pode representar uma mudança estrutural na forma como a indústria brasileira se relaciona com seus clientes internacionais.

Para empresas catarinenses inseridas no comércio exterior, investir em rastreabilidade, gestão de dados, transparência e sustentabilidade tende a ser cada vez mais importante para preservar mercados, atender compradores europeus e permanecer competitiva nas cadeias globais de valor.

Fonte: FIESC, com informações divulgadas em 8 de setembro de 2026.

Texto: Redação

Imagem: FIESC / Adobe Stock

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Exportação

Docol completa 70 anos como maior exportadora de metais sanitários da América Latina

A Docol chegou aos 70 anos de história em agosto de 2026 consolidada como a maior exportadora de metais sanitários da América Latina. Com sede em Joinville, no Norte de Santa Catarina, a empresa mantém na cidade parte relevante de sua estrutura industrial, além das áreas de engenharia e inovação.

A companhia foi fundada em 1956, em Jaraguá do Sul, e posteriormente transferiu suas operações para Joinville. Ao longo de sete décadas, ampliou sua atuação para além dos metais sanitários, passando a oferecer também louças sanitárias e soluções produzidas em aço inox.

Atualmente, a Docol conta com mais de 2.600 colaboradores, quatro parques fabris e um portfólio superior a 3 mil produtos. A marca está presente em mais de 35 países e mantém uma trajetória marcada pela expansão internacional e pelo desenvolvimento tecnológico.

Docol constrói história junto com gerações de profissionais

A evolução da empresa também está ligada às histórias de funcionários que acompanharam suas principais transformações. Um dos exemplos é José Fernando Kina, que entrou na Docol aos 17 anos, quando a fábrica ainda funcionava na rua Visconde de Mauá, no Centro de Joinville.

Mais de quatro décadas depois, Kina acompanhou diferentes fases da companhia e participou de momentos importantes da evolução de seus produtos. Entre as memórias está o início da fabricação da linha DocolMatic, sistema de fechamento automático da torneira acionado com apenas um toque.

A tecnologia se tornou um dos marcos da empresa na busca por soluções capazes de reduzir o consumo de água. Para Kina, a novidade representava uma inovação significativa para aquele período.

A ligação da família com a Docol continuou na geração seguinte. Márcio Kina, filho de José Fernando, ingressou na empresa em 2016. Após começar na área de Usinagem, passou a atuar na Ferramentaria.

A experiência familiar também influenciou sua relação com a companhia. Segundo Márcio, desde a infância ele associava a empresa à rotina do pai e, posteriormente, encontrou na Docol oportunidades para desenvolver sua carreira.

A história pode avançar ainda mais uma geração: o filho de Márcio, atualmente com 14 anos, já demonstra interesse em trabalhar na empresa no futuro.

Inovação impulsiona desenvolvimento de novos produtos

A inovação tecnológica é um dos pilares da trajetória da Docol. A empresa possui 321 patentes e fabrica aproximadamente 17 milhões de peças por ano, com soluções voltadas principalmente à eficiência e ao uso racional da água.

Somente em 2025, foram destinados R$ 25 milhões para pesquisa, desenvolvimento e inovação, valor equivalente a cerca de 3% do faturamento bruto. Desse montante, R$ 2 milhões foram aplicados no desenvolvimento de produtos relacionados ao bem-estar.

A companhia também mantém o Flow, centro dedicado à criação e ao desenvolvimento de novos produtos e tecnologias.

O investimento em design e inovação rendeu à Docol mais de 60 premiações nacionais e internacionais. Entre os reconhecimentos estão o Red Dot Award, iF Design Award, Good Design Award e German Design Award.

Para Guilherme Bertani, presidente da Docol, os 70 anos representam não apenas uma oportunidade de celebrar a trajetória construída desde 1956, mas também de reforçar os planos para o futuro, com foco em soluções que melhorem a vida das pessoas e estimulem o uso responsável da água.

Eficiência hídrica faz parte da trajetória da empresa

A preocupação com a eficiência hídrica acompanha a Docol há décadas e também está presente em seus processos industriais. A companhia foi uma das primeiras indústrias brasileiras a tratar a água utilizada durante a produção, ainda nos anos 1980.

O tema também orienta iniciativas desenvolvidas pelo Instituto Ingo Doubrawa, mantido pela empresa. Criado em 2022, o instituto já destinou mais de R$ 3 milhões a projetos voltados à comunidade.

Entre as ações estão programas de educação ambiental, conscientização sobre o uso da água e iniciativas de preservação dos manguezais de Joinville.

Sete décadas de indústria, inovação e sustentabilidade

A trajetória de 70 anos coloca a Docol entre as empresas que ajudaram a consolidar Joinville como polo industrial. Da produção de metais sanitários à expansão internacional, a companhia combina investimentos em tecnologia, formação de profissionais e iniciativas ambientais para sustentar seu crescimento.

Com presença em dezenas de países, milhares de produtos e investimentos contínuos em inovação, a empresa chega às sete décadas projetando sua atuação para os próximos anos e mantendo a água como um dos principais eixos de seus produtos e projetos.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Docol

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Logística

Cabotagem pode reduzir emissões de gases de efeito estufa no transporte de grandes volumes

Embora uma embarcação utilize uma quantidade significativa de combustível durante uma viagem, o volume de carga transportado pode tornar suas emissões de gases de efeito estufa relativamente menores por tonelada movimentada. Isso ocorre porque um único navio é capaz de levar milhares de toneladas, distribuindo o consumo energético por uma quantidade muito maior de mercadorias.

Essa característica faz da cabotagem uma alternativa com potencial para reduzir o impacto ambiental de determinadas operações logísticas. A vantagem, entretanto, não está apenas no trecho percorrido pelo navio. Para calcular as emissões de uma operação, é preciso considerar também o transporte terrestre até os portos, a ocupação da embarcação, as distâncias e as atividades realizadas nos terminais.

O que é cabotagem?

No Brasil, a cabotagem corresponde à navegação realizada entre portos ou pontos do território nacional. O deslocamento pode ocorrer pelo mar ou envolver a combinação de trechos marítimos com vias navegáveis interiores.

O modal se diferencia da navegação de longo curso, voltada principalmente ao comércio exterior, por atender ao transporte de cargas dentro do próprio país. A atividade é definida pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997.

Em 2025, granéis líquidos e gasosos, principalmente petróleo e gás natural, representaram a maior parcela da cabotagem brasileira. O sistema também movimentou cargas conteinerizadas, incluindo alimentos, eletrodomésticos, roupas, produtos químicos e outros itens destinados ao mercado nacional.

Escala aumenta a eficiência do transporte marítimo

Uma das principais métricas utilizadas para comparar diferentes modais é a tonelada-quilômetro (tkm). A unidade representa o transporte de uma tonelada de mercadoria por um quilômetro e permite relacionar carga, distância percorrida e emissões.

Como parâmetro internacional, os fatores de conversão divulgados pelo governo britânico para 2025 indicam uma emissão média de cerca de 16 gramas de dióxido de carbono equivalente por tonelada-quilômetro para navios de carga.

No segmento de contêineres, dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) apontaram que, em 2021, os navios de bandeira brasileira utilizados na cabotagem apresentavam capacidade média próxima de 3,1 mil TEUs.

A sigla TEU representa um contêiner de 20 pés. Como uma unidade de 40 pés corresponde a dois TEUs, uma embarcação com capacidade de 3,1 mil TEUs teria espaço equivalente a cerca de 1.550 carretas, considerando um contêiner de 40 pés por veículo.

A estimativa serve apenas como referência. Na prática, a quantidade transportada varia conforme o peso e as características da carga, o tamanho dos contêineres, a taxa de ocupação do navio e os limites aplicados ao transporte rodoviário.

Distância entre a carga e o porto influencia as emissões

O desempenho ambiental da cabotagem tende a ser mais favorável em operações que envolvem longas distâncias, grandes volumes de mercadorias, demanda frequente e pontos de origem e destino localizados próximos aos portos.

Quando a carga precisa percorrer grandes distâncias por rodovia antes do embarque ou depois do desembarque, parte dessa vantagem pode ser reduzida.

Também devem entrar na análise fatores como transbordos, refrigeração, deslocamentos de veículos sem carga e atividades realizadas dentro dos terminais portuários.

Considerando os fatores internacionais mencionados, transportar uma tonelada de carga por 2 mil quilômetros pelo mar resultaria em aproximadamente 32 quilos de dióxido de carbono equivalente.

A estimativa reforça a importância de analisar o ciclo completo da operação logística, desde a saída da mercadoria na origem até sua chegada ao destino final.

Novas tecnologias podem diminuir o consumo dos navios

O nível de eficiência de cada embarcação também interfere diretamente nas emissões. Medidas como otimização de velocidade e rotas, manutenção e limpeza do casco, melhorias em motores e hélices, aproveitamento de calor e sistemas híbridos com baterias podem reduzir o consumo de energia.

Há ainda soluções voltadas à operação dos navios nos portos e durante a navegação. Entre elas estão sistemas que permitem utilizar eletricidade fornecida em terra enquanto a embarcação está atracada, tecnologias de assistência à propulsão por meio do vento e mecanismos que criam uma camada de ar entre o casco e a água para diminuir o atrito.

O setor marítimo também avalia diferentes combustíveis de baixo carbono, como biodiesel, biometano, etanol, metanol de baixo carbono, amônia, hidrogênio e combustíveis sintéticos. Cada opção, porém, envolve diferentes custos, níveis de maturidade tecnológica e necessidades de infraestrutura.

No Brasil, já foram realizados testes com etanol. Também foram autorizados a comercialização e o uso do VLS B24, combustível marítimo de baixo teor de enxofre com 24% de biodiesel em sua composição.

Segundo a Petrobras, o produto pode ser empregado em motores já existentes e tem potencial para diminuir em aproximadamente 20% as emissões de gases de efeito estufa ao longo de seu ciclo de vida. O resultado pode variar conforme a origem da matéria-prima utilizada.

Meta internacional prevê redução das emissões do setor

No âmbito global, a Organização Marítima Internacional (IMO) estabeleceu o objetivo de atingir emissões líquidas zero na navegação internacional por volta de 2050.

A estratégia também prevê uma redução de pelo menos 40% na intensidade de carbono da atividade até 2030, tendo 2008 como ano de referência, além da expansão do uso de tecnologias e combustíveis com emissões zero ou próximas de zero.

Integração entre navios e caminhões é fundamental

A cabotagem não substitui completamente o transporte rodoviário. Na prática, seu potencial está na integração entre modais, com cada meio de transporte sendo utilizado nos trechos em que apresenta maior eficiência.

Os navios podem assumir os deslocamentos de maior extensão e volume, enquanto caminhões garantem a distribuição das mercadorias entre portos, centros de produção, armazéns e consumidores finais.

Por esse motivo, uma comparação direta entre navio e caminhão não é suficiente para determinar qual operação apresenta menor impacto ambiental. O cálculo precisa abranger toda a cadeia logística: coleta da carga, transporte terrestre até o porto, atividades no terminal, percurso marítimo e distribuição final.

Com boa ocupação dos navios, terminais eficientes e trajetos terrestres mais curtos e planejados, a cabotagem pode ampliar sua vantagem ambiental e contribuir para a redução das emissões associadas ao transporte de grandes volumes de mercadorias no Brasil.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Sustentabilidade

Consulta pública sobre produtos sustentáveis no Acordo Mercosul-UE termina em 5 dias

Faltam cinco dias para o encerramento da consulta pública sobre produtos sustentáveis no Acordo Mercosul-UE. As contribuições podem ser enviadas até 2 de setembro de 2026, por meio da plataforma oficial Brasil Participativo.

A iniciativa é conduzida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), e busca reunir sugestões para a criação de uma lista de produtos do Mercosul relacionados à conservação, recuperação e uso sustentável de florestas e outros ecossistemas vulneráveis.

Consulta busca identificar produtos da sociobiodiversidade

A participação de empresas, entidades do setor produtivo, universidades, organizações da sociedade civil e demais interessados é considerada importante para mapear produtos da sociobiodiversidade e cadeias produtivas brasileiras que estejam alinhados aos objetivos estabelecidos no acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

A lista deverá contemplar produtos e atividades capazes de associar produção, comércio e sustentabilidade, valorizando cadeias que contribuam para a preservação ambiental e o uso responsável dos recursos naturais.

Produtos poderão ter benefícios no mercado europeu

Uma vez incluídos na lista, os produtos selecionados poderão ter acesso preferencial ou adicional ao mercado da União Europeia, além de outros mecanismos de incentivo destinados a estimular sua comercialização.

A consulta representa, portanto, uma oportunidade para que empresas e organizações indiquem produtos com potencial para ampliar sua presença no mercado europeu a partir de critérios relacionados à sustentabilidade.

Oportunidade para empresas e cadeias produtivas

A participação na consulta pública pode contribuir para diferentes objetivos do setor produtivo:

  • Ampliação do acesso ao mercado europeu: empresas e representantes de cadeias produtivas podem indicar produtos com potencial para integrar a lista prevista no acordo e obter possíveis vantagens comerciais.
  • Valorização da produção sustentável: as sugestões ajudam a identificar produtos da sociobiodiversidade e cadeias produtivas que conciliem atividade econômica e preservação ambiental.
  • Participação na implementação do acordo: as contribuições ajudam a construir a relação de produtos prevista no Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia.

Como enviar a contribuição

As manifestações podem ser encaminhadas até 2 de setembro de 2026 pela plataforma oficial Brasil Participativo.

A consulta é aberta ao setor produtivo, academia, sociedade civil e demais interessados em contribuir para a identificação de produtos sustentáveis com potencial de ampliar as oportunidades comerciais entre o Mercosul e a União Europeia.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/SEBRAE

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Sustentabilidade

COP17 pode adiar novamente acordo global para enfrentar as secas

A COP17 de Combate à Desertificação, realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, caminha para terminar sem um acordo sobre a criação de um regime internacional específico para enfrentar as secas. Embora representantes oficiais ainda mantenham expectativas de avanço, negociadores envolvidos nas discussões apontam como provável um novo adiamento da decisão.

A conferência termina oficialmente nesta sexta-feira (28). Até o momento, Estados Unidos e União Europeia (UE) lideram a resistência à proposta, acompanhados por países sul-americanos como Argentina, Chile e Paraguai.

A tendência é que os países aprovem apenas uma decisão de caráter procedimental, mantendo o tema na agenda para a COP18, prevista para 2028 e com possível realização no Egito. Um encaminhamento semelhante ocorreu na COP16, realizada em Riad, na Arábia Saudita.

Brasil defende continuidade das negociações

O Brasil apoia a criação de um regime global para as secas, mas avalia que, diante da dificuldade de construir consenso nesta conferência, a alternativa mais viável é garantir a permanência do assunto na agenda internacional.

A própria definição desse encaminhamento exigiu negociações ao longo da semana, com participação especialmente ativa do Brasil e da Arábia Saudita.

Enquanto os Estados Unidos defendiam retirar completamente a questão dos documentos finais, países africanos pressionavam pela implementação efetiva de um mecanismo internacional.

África cobra mecanismo permanente contra a seca

A criação do regime é uma reivindicação de países africanos há pelo menos três conferências. A região enfrenta historicamente problemas relacionados à escassez de água e à expansão de áreas desérticas e busca uma resposta multilateral capaz de coordenar ações de prevenção e recuperação.

Para esses países, o mecanismo deveria incluir apoio financeiro às nações mais vulneráveis, permitindo investimentos em preparação e recuperação diante de eventos extremos.

Os governos africanos argumentam que instrumentos existentes, como o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), estão concentrados em uma abordagem mais ampla de degradação das terras e não atendem especificamente às necessidades relacionadas às secas.

Países ricos resistem a compromissos obrigatórios

As nações desenvolvidas, por sua vez, demonstram resistência à criação de obrigações financeiras vinculantes. A preferência é por um modelo de participação voluntária.

A União Europeia também evita assumir novos compromissos de financiamento externo em um momento em que enfrenta seus próprios episódios de seca e outras pressões internas.

Além das questões financeiras, as negociações são atravessadas por disputas geopolíticas. Desde o início da COP17, países liderados pelos Estados Unidos vêm buscando limitar ou dificultar diferentes agendas multilaterais.

ONU mantém esperança de acordo

Como o documento final da COP17 será consolidado apenas no encerramento da conferência, representantes das Nações Unidas ainda evitam antecipar o resultado.

Andrea Meza Murillo, secretária executiva adjunta da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), afirmou que ainda trabalha pela possibilidade de um entendimento, embora reconheça o ambiente difícil.

A dirigente destacou que os governos enfrentam pressão para reconhecer a seca como um desafio de alcance global e manter a cooperação internacional.

Para Meza, a participação de sociedade civil, organizações não governamentais e setor privado também pode ajudar a manter o tema avançando mesmo diante das dificuldades políticas.

Ao mesmo tempo, ela reconheceu que o atual cenário internacional torna mais difícil alcançar compromissos multilaterais ambiciosos.

Secas estão mais frequentes e intensas

A urgência da discussão é reforçada por dados da UNCCD. Relatórios da organização apontam que a frequência, intensidade e abrangência das secas aumentaram quase 30% desde 2000.

Os efeitos já são observados em diferentes regiões do mundo, incluindo Europa, África, Ásia e América Latina.

Daniel Tsegai, coordenador do grupo de trabalho da UNCCD sobre secas, defende uma mudança na maneira como os governos lidam com o fenômeno.

Segundo o especialista, considerar a seca apenas como um desastre imprevisível deixou de ser adequado. A proposta é adotar uma estratégia permanente de prevenção e gestão de riscos, com ações antes, durante e depois dos períodos críticos.

Seca já é considerada risco sistêmico

Tsegai afirma que o problema ultrapassou os limites do setor agrícola e da simples falta temporária de chuva. A seca passou a representar um risco sistêmico, com impactos sobre hidrovias, transporte, saúde, comércio e cadeias de abastecimento.

Os efeitos também podem atravessar fronteiras. Uma crise hídrica em determinada região pode gerar consequências econômicas e logísticas em outros continentes.

Entre os exemplos citados pelo especialista estão as alterações no nível da água no Canal do Panamá e no Rio Reno, que podem afetar rotas comerciais e o fornecimento internacional de grãos.

A avaliação é de que a preparação precisa acontecer antes da ocorrência dos eventos extremos, e não somente depois que os danos já foram registrados.

Financiamento avança por iniciativas paralelas

Enquanto as negociações para um regime global permanecem travadas, projetos voltados ao financiamento da resiliência às secas avançam durante a COP17.

Um deles é a Aliança de Riad para Resiliência Global à Seca (RGDRP), que trabalha na criação de um fundo destinado a apoiar 70 países em desenvolvimento na adaptação e no enfrentamento do fenômeno.

A primeira assembleia da iniciativa ocorreu durante a conferência na Mongólia. A Arábia Saudita, que criou a aliança, anunciou um compromisso de US$ 150 milhões. O Banco Islâmico de Desenvolvimento e o fundo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) sinalizaram aportes de US$ 2 bilhões.

Novo fundo busca atrair capital privado

Outra iniciativa anunciada em Ulaanbaatar foi o Fundo de Investimento para Resiliência à Seca (Drif), apresentado como uma plataforma global de financiamento catalítico.

Esse modelo utiliza recursos públicos, filantrópicos ou subsidiados para assumir riscos maiores ou aceitar retornos financeiros menores. A estratégia busca criar condições para atrair investimentos privados em escala.

O fundo foi criado pela UNCCD e pelo governo de Luxemburgo, com apoio da Aliança Internacional para Resiliência à Seca (Idra). Luxemburgo realizou um aporte inicial de US$ 2 milhões.

A meta é mobilizar até US$ 400 milhões em recursos públicos e privados para projetos relacionados à resiliência climática.

Plataforma usa inteligência artificial para mapear riscos

A COP17 também marcou a apresentação da segunda fase do Observatório Internacional de Resiliência à Seca (Idro).

A plataforma foi desenvolvida pela UNCCD em parceria com o Centro de Ecossistemas e Arquitetura de Yale e a Idra. A nova versão representa a evolução do projeto-piloto apresentado durante a COP16.

A ferramenta pretende ajudar os países não apenas a monitorar riscos, mas também a identificar caminhos para antecipação, preparação e adaptação às secas.

O sistema utiliza o Índice de Resiliência à Seca (DRI), criado para avaliar a capacidade dos países de lidar com o fenômeno. Os dados podem apoiar a definição de políticas públicas e orientar investimentos.

A plataforma também incorpora recursos de inteligência artificial para facilitar a interpretação de informações complexas por gestores públicos, especialistas e usuários em geral.

A versão atual reúne oito estudos de caso de países distribuídos por cinco continentes e está disponível para avaliação de usuários de diferentes partes do mundo, que podem contribuir para seu aprimoramento.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Kiara Worth/UNCCD

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Portos

Porto do Pecém terá shore power para navios atracados a partir de setembro

O Porto do Pecém, no Ceará, começará a oferecer a partir de setembro o serviço de shore power, sistema que permite o fornecimento de energia elétrica diretamente da rede terrestre para embarcações durante o período em que permanecem atracadas.

Localizado entre Caucaia e São Gonçalo do Amarante, a aproximadamente 60 quilômetros de Fortaleza, o Complexo do Pecém está instalando a nova estrutura no Terminal de Múltiplas Utilidades (TMUT).

Sistema reduz uso de motores a diesel

Com o shore power, os navios poderão permanecer conectados à rede elétrica do porto enquanto estiverem atracados. A medida reduz a necessidade de manter em funcionamento os motores auxiliares a diesel, contribuindo para diminuir o consumo de combustível e as emissões durante as operações portuárias.

A estrutura também prevê adaptações para os guindastes MHC, utilizados na movimentação de cargas. A eletrificação desses equipamentos permitirá ampliar a utilização de energia elétrica em atividades que atualmente dependem de motores a diesel.

O Complexo do Pecém já disponibiliza energia para rebocadores atracados. A nova infraestrutura amplia esse modelo de atendimento para outras embarcações e operações realizadas no terminal.

Pecém estima redução de 796 toneladas de CO₂ por ano

Segundo o Complexo do Pecém, a implantação do shore power no Ceará deverá evitar a emissão de aproximadamente 796 toneladas de CO₂ por ano.

A iniciativa faz parte de um processo mais amplo de eletrificação das atividades portuárias. Atualmente, cerca de 65% das operações do complexo já utilizam energia elétrica renovável certificada.

Entre os equipamentos que já contam com eletrificação estão guindastes empregados na movimentação de contêineres e placas, além das correias transportadoras.

Porto amplia uso de energia limpa

A chegada do shore power reforça a estratégia do Complexo do Pecém de ampliar a participação da energia limpa nas operações portuárias e reduzir a utilização de combustíveis fósseis.

Além dos ganhos ambientais, a eletrificação da infraestrutura busca modernizar os processos realizados no terminal e acompanhar tendências internacionais de descarbonização do transporte marítimo.

Com a nova estrutura, o Porto do Pecém amplia as alternativas para reduzir as emissões de carbono na atividade portuária e avança na eletrificação de suas operações.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Complexo do Pecém

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Sustentabilidade

Algodão brasileiro busca novos mercados com tecnologia, qualidade e sustentabilidade

O algodão brasileiro vive uma nova etapa de expansão no mercado internacional, mas o aumento da produção já não é suficiente para garantir competitividade. Com as exportações em crescimento, produtores enfrentam uma cobrança maior por qualidade, rastreabilidade, eficiência e sustentabilidade, além dos desafios relacionados ao clima, às pragas e às doenças.

Esse cenário estará no centro dos debates do 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), marcado para 22 a 24 de setembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG). O evento reunirá produtores, pesquisadores, consultores, técnicos e empresas para discutir desde o manejo das lavouras até as exigências dos compradores da fibra brasileira.

Congresso debate desafios da produção de algodão

A programação do CBA inclui temas ligados à fisiologia do algodoeiro, resiliência produtiva e impactos das mudanças climáticas sobre as lavouras.

Também estão previstos debates sobre o bicudo-do-algodoeiro, outras pragas e doenças, nematologia, matologia e destruição de soqueira. Agricultura digital, melhoramento vegetal e biotecnologia completam parte da agenda científica.

As discussões avançam ainda para as etapas posteriores à produção, com conteúdos sobre colheita, beneficiamento e qualidade da fibra e do caroço. A proposta é aproximar os avanços técnicos das decisões tomadas nas propriedades e das demandas de toda a cadeia produtiva.

Para Marcio Portocarrero, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o congresso acompanha as mudanças que vêm transformando a cotonicultura.

Segundo ele, o evento coloca em debate questões que vão da ciência e tecnologia à sustentabilidade, qualidade, rastreabilidade e mercado.

Produtividade precisa vir acompanhada de qualidade

A maior presença do Brasil no mercado mundial de algodão aumenta a responsabilidade do setor. A produção em larga escala precisa estar associada a padrões de qualidade capazes de atender diferentes perfis de consumidores.

Nesse contexto, a origem da fibra e as condições utilizadas em sua produção ganham importância. Rastreabilidade e transparência passam a ser fatores estratégicos para uma cadeia que pretende ampliar sua participação no comércio internacional.

Ao mesmo tempo, problemas recorrentes no campo continuam influenciando os resultados. Condições climáticas adversas, pragas, doenças e falhas de manejo podem comprometer tanto a produtividade quanto a qualidade do algodão.

Portocarrero afirma que a expansão internacional coloca a cotonicultura brasileira diante de uma nova fase, na qual produtividade, inovação e responsabilidade precisam avançar conjuntamente.

Ciência busca soluções para os desafios do campo

A programação científica do congresso terá 12 horas de palestras distribuídas em duas plenárias. Os conteúdos abrangem diferentes etapas da produção e buscam aprofundar questões que afetam diretamente o desempenho das lavouras.

Entre os temas estão a fisiologia do algodoeiro e sua capacidade de preservar a produtividade em situações adversas. O manejo fitossanitário também terá destaque, com discussões sobre bicudo, fitopatologia, nematologia e matologia.

O período pós-colheita também será abordado. Beneficiamento e qualidade da fibra e do caroço serão discutidos ao lado de melhoramento vegetal e biotecnologia.

As chamadas Plenárias Conexões ampliarão o debate para assuntos como mercado, estratégia, liderança, sustentabilidade e perspectivas para o setor. A proposta é relacionar o desenvolvimento técnico da produção às transformações que ocorrem no mercado.

Agricultura digital ganha espaço na cotonicultura

A agricultura digital vem ampliando as possibilidades de monitoramento, manejo e tomada de decisão nas propriedades. O tema será discutido no congresso junto a ferramentas como biotecnologia e melhoramento genético.

Quatro Hubs Técnicos concentrarão debates especializados. A programação também terá workshops e minicursos voltados ao aprofundamento de conteúdos e à troca de experiências entre profissionais.

A área de exposição reunirá empresas que atuam na cadeia do algodão, com apresentação de tecnologias, produtos e serviços destinados às diferentes etapas da produção e do beneficiamento.

A aproximação entre fornecedores de soluções e profissionais do campo deve facilitar o debate sobre tecnologias capazes de responder aos desafios enfrentados pela cotonicultura.

Para Portocarrero, a trajetória do algodão brasileiro foi marcada por tecnologia, profissionalização e capacidade de adaptação. Na avaliação do executivo, a próxima etapa depende de manter esse processo de evolução sem deixar de lado qualidade e responsabilidade.

Congresso reúne setor em momento de expansão

Com o tema “Algodão brasileiro: fibra natural. Uma jornada com propósito, qualidade e transparência”, o 15º Congresso Brasileiro do Algodão será realizado no Expominas, em Belo Horizonte.

A edição anterior aconteceu em Fortaleza e reuniu mais de 4,2 mil participantes de 20 países e 25 estados. O encontro contou com 114 palestrantes, 62 patrocinadores, 19 hubs temáticos e 288 trabalhos científicos.

Para a edição deste ano, a organização estima a participação de aproximadamente 2.500 pessoas, entre produtores, pesquisadores, consultores, técnicos, representantes de empresas e outros profissionais.

O encontro ocorre em um momento estratégico para o setor algodoeiro brasileiro. Entre os principais desafios estão aumentar a eficiência produtiva, preservar a qualidade da fibra, incorporar novas tecnologias e atender às exigências de compradores cada vez mais atentos à sustentabilidade e à origem dos produtos.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Transporte

Rota marítima chinesa no Ártico ganha demanda e amplia conexão entre China e Europa

A rota marítima chinesa no Ártico, criada para conectar China e Europa durante a temporada de verão, passou a operar semanalmente e já apresenta uma demanda superior às expectativas iniciais. O serviço, que começou menos de um ano após a viagem experimental inaugural, prevê entregas em aproximadamente 20 dias, com potencial de reduzir pela metade o tempo de transporte e as emissões de carbono por viagem.

As informações foram divulgadas pelo Global Times, que publicou um editorial sobre o avanço da operação e rebateu críticas de veículos de comunicação ocidentais à participação chinesa na navegação no Ártico.

Demanda supera expectativas na nova rota

A operação regular teve início com a saída do navio cargueiro chinês Dubai Tower do porto de Ningbo-Zhoushan. As duas primeiras viagens da temporada atingiram a capacidade máxima, enquanto a procura pelas viagens seguintes continuou crescendo.

Grande parte das mercadorias transportadas é composta por produtos de maior valor agregado, especialmente itens relacionados às chamadas “três novas” indústrias.

O aumento da procura também teve impacto sobre os preços. As tarifas de frete de contêineres registradas neste ano chegaram a aproximadamente o dobro das cobradas durante a viagem inaugural, realizada em 2025.

Corredor alternativo entre Ásia e Europa

Segundo o editorial, a passagem pelo Ártico representa uma alternativa aos principais gargalos do comércio marítimo internacional, entre eles o Canal de Suez e o Estreito de Malaca.

A concentração do transporte mundial em um número limitado de corredores torna as cadeias de abastecimento vulneráveis a bloqueios, conflitos e outros eventos capazes de interromper o fluxo de mercadorias.

Nesse cenário, a Rota Marítima do Ártico é apresentada como um trajeto mais curto e eficiente, com potencial para reduzir o consumo de combustível, as emissões e os custos logísticos. A diversificação das opções de transporte também pode contribuir para aumentar a resiliência do comércio entre a Ásia e a Europa.

O Global Times destaca ainda o peso da China no comércio internacional e sua intensa relação comercial com o mercado europeu como fatores que ajudam a explicar a demanda por uma ligação marítima regular pelo Ártico.

A cooperação entre China e Rússia também é apontada como elemento importante para o desenvolvimento da operação. Serviços de quebra-gelo, gerenciamento das rotas e conexão entre portos teriam contribuído para ampliar o conhecimento sobre segurança da navegação e consolidar a infraestrutura necessária ao transporte comercial.

Editorial rebate críticas sobre presença chinesa

O crescimento das reservas provocou críticas em parte da imprensa ocidental. Segundo o editorial, algumas publicações acusaram a China de ampliar impactos ambientais, buscar objetivos geopolíticos e transformar as cadeias de abastecimento em instrumento de pressão.

O Global Times contesta essa interpretação e argumenta que a presença chinesa na navegação ártica não deve ser tratada, por si só, como uma ameaça.

O jornal também chama atenção para a participação de países ocidentais nas rotas da região. De acordo com os números apresentados no editorial, em 2025 foram realizadas 206 viagens transportando gás natural liquefeito (GNL) do projeto Yamal LNG para a Europa, enquanto navios da China continental fizeram 50 viagens.

A publicação considera que a diferença entre as reações às atividades ocidentais e chinesas demonstra um possível duplo padrão no debate sobre a presença internacional no Ártico.

Direito internacional orienta uso das rotas

O editorial sustenta que o Ártico deve ser tratado como uma região na qual diferentes países podem participar de atividades econômicas e comerciais, desde que respeitem as normas internacionais.

Entre os princípios citados estão a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), o respeito à jurisdição dos Estados costeiros do Ártico e a preservação do meio ambiente.

A publicação defende ainda a manutenção da liberdade de navegação e do acesso às rotas marítimas previstas pelo direito internacional.

Nesse contexto, a operação entre China e Europa é descrita como parte de um processo mais amplo de integração econômica e logística envolvendo China, Rússia e Europa, e não apenas como uma iniciativa bilateral.

Rota da Seda Polar integra estratégia chinesa

A participação da China no Ártico ganhou uma diretriz oficial com a publicação, em 2018, do livro branco Política Ártica da China. O documento apresentou a disposição de Pequim para cooperar com outros países no desenvolvimento das rotas marítimas da região dentro do conceito de Rota da Seda Polar.

Desde então, o país afirma ter ampliado sua participação em expedições científicas polares, pesquisas sobre o ambiente ártico e projetos internacionais relacionados às mudanças climáticas.

De acordo com o editorial, essas iniciativas contribuíram para ampliar o conhecimento científico sobre o aquecimento da região. Paralelamente, empresas chinesas do setor de navegação teriam acumulado experiência em operações comerciais e no desenvolvimento de protocolos de segurança para águas polares.

A entrada em operação semanal da ligação China-Europa é, assim, apresentada pelo jornal como uma nova etapa da chamada Rota da Seda Polar, com reflexos sobre o comércio internacional.

Sustentabilidade é apontada como desafio

O editorial afirma que a China defende uma navegação sustentável e de baixo carbono no Ártico. Segundo o texto, os navios chineses seguem as exigências ambientais estabelecidas pelo Código Internacional para Navios que Operam em Águas Polares, conhecido como Código Polar.

A publicação também defende que o Ártico não seja convertido em um espaço permanente de disputa entre grandes potências. Na avaliação expressa pelo editorial, a região deveria priorizar a cooperação internacional, a conectividade econômica e o desenvolvimento sustentável.

Ao final, o Global Times pede que acusações consideradas infundadas sejam substituídas por iniciativas voltadas à integração comercial e logística da Eurásia. O texto ressalta, ao mesmo tempo, que a expansão da navegação deve ser acompanhada por medidas destinadas à proteção do frágil ecossistema do Ártico.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Global Times

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Indústria

Seminário Internacional de Tendências e Tecnologias Têxteis debate produtividade e inovação

A produtividade na indústria têxtil, a transformação digital e a sustentabilidade estarão no centro das discussões do 5º Seminário Internacional de Tendências e Tecnologias Têxteis. Promovido pelo Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil, Vestuário e Design, o evento será realizado em 9 de setembro, das 8h às 12h, no Auditório do Centro Universitário SENAI Blumenau.

A programação reunirá especialistas, empresas e lideranças do setor têxtil para discutir tecnologias e estratégias capazes de melhorar a eficiência industrial, aumentar a competitividade e gerar valor para as empresas.

“O polo têxtil é um dos mais relevantes de Santa Catarina, com uma forte tradição industrial e, ao mesmo tempo, uma grande capacidade de adaptação”, destaca Fabrízio Pereira, diretor regional do SENAI/SC.

Segundo ele, a capacidade de incorporar novas soluções é essencial para que o setor avance em tecnologia, produtividade e inovação. Nesse cenário, o Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil, Vestuário e Design atua no desenvolvimento e na disseminação de conhecimentos e soluções tecnológicas voltadas aos desafios atuais e futuros da indústria.

Seminário terá três trilhas temáticas

A quinta edição do evento será dividida em três eixos: transformação digital, novos processos e sustentabilidade.

Na trilha de transformação digital, os debates vão abordar o uso de tecnologias emergentes, automação e análise de dados como ferramentas para melhorar a tomada de decisões, aperfeiçoar a gestão e elevar o desempenho das empresas.

A proposta é mostrar como a digitalização pode contribuir para operações mais eficientes, com redução de desperdícios e maior capacidade de resposta às mudanças do mercado.

Automação ganha espaço nos processos têxteis

O eixo dedicado a novos processos terá como foco as aplicações de automação inteligente na indústria têxtil e de confecção.

As discussões vão explorar maneiras de estruturar processos mais eficientes, confiáveis e escaláveis em diferentes etapas da cadeia produtiva. A abordagem considera tanto os ganhos de produtividade quanto a necessidade de adaptar as operações às novas demandas industriais.

Sustentabilidade alia eficiência e inovação

A terceira trilha será dedicada às soluções de sustentabilidade na indústria têxtil. Entre os assuntos previstos estão a valorização de resíduos, eficiência energética e uso mais racional de recursos.

A programação também vai discutir formas de melhorar a performance ambiental das empresas sem dissociar sustentabilidade de inovação e competitividade.

Evento terá cases e painel com especialistas

Além dos conteúdos técnicos, o seminário apresentará cases e experiências práticas relacionados à transformação digital, automação e reestruturação de processos.

O encontro também terá discussões sobre estratégias para integrar inovação e sustentabilidade às operações industriais. A programação será encerrada com um painel interativo, reunindo especialistas e lideranças para aprofundar os principais desafios e oportunidades do setor têxtil.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: AdobeStock

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