Economia

Morgan Stanley vê potencial de alta de 50% para ações brasileiras em cenário otimista

A Bolsa brasileira ainda pode oferecer ganhos expressivos aos investidores, mesmo após a recente valorização impulsionada pelo cenário eleitoral. Em relatório divulgado na quinta-feira (22), o banco americano Morgan Stanley estima que as ações de empresas dependentes da economia doméstica podem subir cerca de 50% em dólar caso o Brasil avance em reformas, reduza os juros e recupere a confiança do mercado.

O estudo, intitulado Brazil in Spring – What Could Go Right? (Brasil na Primavera: O Que Pode Dar Certo?), apresenta uma perspectiva favorável para os ativos nacionais a partir de 2027. A análise considera a possibilidade de mudanças na condução da política econômica e de melhora nas condições macroeconômicas.

Segundo os estrategistas Nikolaj Lippmann, Julia Leão Nogueira e Marcos Rios, a valorização das ações ganhou força e se espalhou por diferentes setores desde o primeiro turno das eleições presidenciais, quando Flávio Bolsonaro superou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Atualmente, aproximadamente 75% das empresas que compõem o Ibovespa negociam acima de suas médias móveis de 200 dias, indicador técnico frequentemente utilizado para avaliar tendências de longo prazo.

O movimento contrasta com a perda de impulso observada recentemente em índices internacionais, como o MSCI de Mercados Emergentes e o S&P 500, dos Estados Unidos.

Para os analistas, o mercado acionário brasileiro entrou em uma fase de ampliação dos ganhos, na qual a valorização deixa de ficar concentrada em poucas empresas de grande porte e passa a alcançar um conjunto mais amplo de companhias.

Utilities e bancos concentram oportunidades na Bolsa brasileira

Entre os segmentos com maior potencial de valorização, o Morgan Stanley destaca as empresas de serviços públicos (utilities) e as instituições financeiras.

No cenário mais favorável projetado pelo banco, as ações de companhias de energia, saneamento e outros serviços essenciais poderiam avançar até 60%. Já os papéis do setor financeiro teriam potencial de alta de 55%.

Considerando o conjunto das empresas mais expostas à economia brasileira, com exceção das exportadoras, a estimativa de valorização chega a aproximadamente 50% em dólar.

A perspectiva favorável está associada à possibilidade de redução das taxas de juros, expansão do crédito, retomada do consumo e aumento dos investimentos no país.

Nubank e Axia Energia aparecem entre os destaques

Entre as empresas avaliadas, duas apresentam potencial de valorização próximo ou superior a 90% no cenário otimista do banco:

  • Nubank: potencial de alta de 99%, conforme os preços-alvo considerados na análise.
  • Axia Energia: possibilidade de valorização de 92%.

O relatório também aponta oportunidades em empresas como Banco do Brasil, Bradesco, Raia Drogasil, Smart Fit, Copasa, Localiza e Rede D’Or.

Essas companhias podem se beneficiar, em diferentes graus, de um ambiente econômico com juros menores, maior disponibilidade de crédito e recuperação da atividade doméstica.

Ibovespa pode chegar a 250 mil pontos, com dólar a R$ 4,50

Em sua projeção mais otimista, o Morgan Stanley estima que o Ibovespa pode alcançar 250 mil pontos, enquanto o real se valorizaria frente à moeda americana, levando o dólar para aproximadamente R$ 4,50.

Esses números dependem, contudo, da concretização de condições econômicas e políticas favoráveis. Portanto, representam um cenário possível elaborado pelos analistas, e não uma garantia de desempenho para a Bolsa ou para o câmbio.

A perspectiva positiva está inserida em uma avaliação mais ampla sobre os mercados da América Latina. O banco considera que a combinação entre juros menores, incentivos ao investimento privado e mudanças nas relações comerciais internacionais pode ampliar as oportunidades para economias emergentes.

A reorganização das relações econômicas e políticas dos Estados Unidos com outros países também poderá beneficiar nações capazes de atrair investimentos produtivos.

Reformas fiscais serão decisivas para sustentar a valorização

Apesar do otimismo, a instituição avalia que a continuidade da alta dos ativos brasileiros dependerá de avanços concretos na política econômica.

Entre as medidas consideradas relevantes estão a contenção e racionalização dos gastos públicos, mudanças nas regras de reajuste do salário mínimo e o avanço da reforma administrativa.

A expectativa é que uma trajetória fiscal mais consistente reduza a percepção de risco do país e abra espaço para uma queda mais expressiva dos juros.

Com um custo de financiamento menor, as empresas poderiam ampliar investimentos, enquanto famílias e consumidores teriam melhores condições para acessar crédito. Esse ambiente também poderia tornar a renda variável mais atrativa em comparação com aplicações conservadoras.

Uma eventual mudança na orientação econômica após as eleições é apontada como outro fator capaz de favorecer o mercado. Para que a valorização continue, entretanto, será necessário transformar as expectativas dos investidores em decisões efetivas de governo.

Queda da Selic pode atrair brasileiros de volta à Bolsa

Além da entrada de recursos estrangeiros, o Morgan Stanley identifica potencial de crescimento da participação dos investidores brasileiros no mercado acionário.

Segundo o relatório, os fundos de ações representam atualmente cerca de 4% do patrimônio total administrado pela indústria local de investimentos. A participação reduzida reflete, em parte, a preferência histórica dos brasileiros pela renda fixa, favorecida pelas taxas de juros elevadas.

Uma eventual redução da Selic pode alterar essa dinâmica. Com retornos menores nos investimentos conservadores, parte dos recursos aplicados em títulos públicos e outros produtos de renda fixa poderia migrar para ações.

Esse fluxo criaria uma nova fonte de demanda para os papéis negociados na B3 e ajudaria a sustentar o mercado no médio e no longo prazo.

Nos últimos anos, os investidores estrangeiros tiveram papel importante na movimentação marginal da Bolsa brasileira. Uma recuperação da participação dos investidores domésticos poderia tornar o ciclo de valorização menos dependente do capital internacional.

Entre os possíveis beneficiados estão bancos, varejistas, prestadoras de serviços e empresas de infraestrutura, que apresentam maior exposição ao desempenho da economia nacional.

Carteira do Morgan Stanley inclui energia, bancos e exportadoras

O banco também detalhou a composição de sua carteira de referência para o mercado brasileiro, estruturada com base em estimativas de lucros corporativos para 2028 e 2029.

O horizonte considera que eventuais mudanças nas políticas fiscal e monetária podem levar algum tempo para produzir efeitos mais significativos sobre os resultados das companhias.

Entre as principais posições da carteira estão:

EmpresaParticipação
Axia Energia8,5%
B36,7%
BTG Pactual6,0%
Sabesp5,8%
Embraer5,7%
Petrobras18,7%
Vale10,9%
Itaú Unibanco10,6%

A presença de grandes companhias como Petrobras, Vale e Itaú Unibanco demonstra que a estratégia do banco não está limitada às empresas voltadas ao mercado doméstico.

Mesmo com o destaque dado às oportunidades em setores sensíveis aos juros e ao consumo, a carteira mantém exposição relevante a commodities, exportações, energia e serviços financeiros.

A análise também leva em conta múltiplos de preço sobre lucro projetados para 2028 e 2029, buscando avaliar como possíveis mudanças no cenário econômico podem afetar a rentabilidade das empresas.

Quais são os riscos para as ações brasileiras?

Apesar das projeções favoráveis, o Morgan Stanley reconhece que uma nova etapa de valorização da Bolsa poderá ser mais seletiva.

A alta observada após o primeiro turno eleitoral foi impulsionada, em parte, pela redução da percepção de risco político e fiscal. A partir de agora, a continuidade dos ganhos tende a depender cada vez mais da capacidade das empresas de apresentar crescimento efetivo de receitas e lucros.

Isso significa que nem todas as ações deverão acompanhar uma eventual alta generalizada do mercado.

Companhias muito endividadas podem se beneficiar da redução dos custos financeiros, enquanto empresas de outros segmentos dependerão de fatores como aumento do consumo, expansão dos investimentos e ganhos de eficiência operacional.

O principal risco permanece relacionado às contas públicas. Caso o Brasil não consiga estabilizar a trajetória da dívida, poderá enfrentar dificuldades para sustentar juros menores e atrair investimentos de longo prazo.

Cenário otimista depende de resultados concretos

A avaliação do Morgan Stanley é que o Brasil reúne condições para iniciar um novo ciclo de valorização dos ativos financeiros. A concretização desse potencial, porém, depende da combinação entre estabilidade macroeconômica, responsabilidade fiscal e reformas estruturais.

Depois da primeira onda de otimismo provocada pelas expectativas eleitorais, os investidores deverão cobrar evidências mais concretas de mudanças na economia.

Para a Bolsa brasileira, o desafio será transformar a perspectiva de crescimento em resultados empresariais consistentes. É essa transição entre expectativas e desempenho efetivo que poderá determinar se a valorização recente dará lugar a um ciclo duradouro de ganhos.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor Econômico

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Economia

Inflação global dos alimentos deve acelerar e pressionar consumidores até 2027

A combinação de conflitos armados, dificuldades no transporte marítimo e eventos climáticos extremos deve intensificar a inflação global dos alimentos nos próximos meses, com efeitos que podem se estender ao longo de 2027. A redução da oferta de grãos e o aumento dos custos de produção ameaçam encarecer produtos básicos, especialmente em países de baixa e média renda.

Na Indonésia, a alta dos alimentos já obriga famílias a reduzir o consumo. Muhamad Yasin, de 63 anos, trabalha como vigia de estacionamento em Jacarta e afirma que o valor necessário para comprar arroz, tempeh e tofu praticamente dobrou. O conjunto de produtos, que antes custava entre 7 mil e 8 mil rúpias indonésias, passou a custar cerca de 15 mil rúpias.

Pai de quatro filhos, Yasin recebe entre 200 mil e 300 mil rúpias por semana e relata dificuldades para manter a alimentação da família diante do avanço dos preços.

Conflitos e fenômenos climáticos pressionam os preços dos alimentos

As interrupções nas rotas comerciais e a possibilidade de uma nova fase de seca associada ao fenômeno El Niño estão aumentando as preocupações com o abastecimento mundial de cereais. O cenário afeta tanto a produção agrícola quanto a distribuição internacional de mercadorias.

Na Indonésia, o preço do arroz atingiu níveis recordes em meio às previsões de atraso nas chuvas. No Egito, o pão sem subsídio ficou cerca de 25% mais caro, enquanto, na Índia, o açúcar alcançou sua maior cotação histórica diante da redução da produção provocada por uma das monções mais fracas em mais de uma década.

Para Maximo Torero, economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a combinação desses fatores aumenta a pressão sobre o sistema alimentar. Segundo ele, os efeitos mais expressivos devem aparecer no fim de 2026, ganhar força no início de 2027 e possivelmente continuar durante o próximo ano.

Países mais pobres sentem os efeitos da inflação alimentar

O aumento dos preços atinge com maior intensidade as populações vulneráveis do Oriente Médio, do Norte da África e da Ásia. Nessas regiões, os alimentos representam uma parcela significativa das despesas familiares, reduzindo a capacidade de absorver novos aumentos.

Dados do Banco Mundial mostram que, no terceiro trimestre, os preços dos alimentos cresceram acima da inflação geral em 22% dos 150 países analisados. No trimestre anterior, essa situação havia sido registrada em 14% das economias avaliadas.

Outro indicador reforça a tendência. O Índice de Preços dos Alimentos da FAO, que acompanha a variação mensal de uma cesta de commodities comercializadas internacionalmente, atingiu 136 pontos em setembro, o maior resultado desde novembro de 2022.

A continuidade da alta também aumenta o risco de tensões sociais. Além disso, governos de países exportadores podem recorrer a restrições às vendas externas para proteger seus mercados internos, uma medida que poderia agravar a escassez internacional.

Guerra encarece transporte, combustíveis e fertilizantes

As dificuldades no abastecimento mundial resultam de vários fatores simultâneos. Ataques contra estruturas de transporte de grãos no Mar Negro prejudicaram embarques de trigo, levando grandes importadores, como Egito e Indonésia, a procurar fornecedores alternativos.

A insegurança no Mar Vermelho também tem provocado mudanças nas rotas marítimas. Parte das embarcações passou a contornar a África, aumentando o tempo de viagem e os custos de transporte.

Outro ponto de pressão é a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O conflito elevou os preços dos combustíveis e afetou as exportações de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz, encarecendo os insumos utilizados na agricultura.

Ao mesmo tempo, a perspectiva de condições mais secas associadas ao El Niño ameaça reduzir a produção agrícola na Índia e no Sudeste Asiático, ampliando o risco de desequilíbrio entre oferta e demanda.

Trigo, arroz e fertilizantes registram aumentos

A pressão sobre os custos já aparece em diferentes mercados agrícolas. Em 2026, os preços do trigo acumulam alta superior a 30%. O arroz comercializado pelos principais países exportadores asiáticos também ficou entre 10% e 13% mais caro, apesar dos estoques elevados.

Os fertilizantes recuaram em relação aos picos registrados anteriormente durante a guerra envolvendo o Irã, mas continuam em patamares elevados, mantendo os custos agrícolas sob pressão.

Manish Tiwary, presidente e diretor-geral da Nestlé Índia, também reconheceu o cenário desafiador, citando a inflação e o encarecimento das commodities como fatores que afetam o setor de alimentos.

Óleo de cozinha, açúcar e outros itens também ficam mais caros

Os aumentos não se restringem aos cereais. No Egito, o pão vendido sem subsídio passou de aproximadamente 4 libras egípcias por unidade em julho para cerca de 5 libras. Nos Emirados Árabes Unidos, o óleo de cozinha ficou cerca de 40% mais caro.

Na Indonésia, o óleo vegetal acumula alta de 7% em 2026, mesmo com o país ocupando a posição de maior produtor mundial de óleo de palma.

Na Índia, os preços do açúcar, da cebola e das leguminosas subiram mais de 10% em setembro na comparação com agosto, em consequência de déficits na produção.

A combinação de custos agrícolas elevados, restrições logísticas e perdas de produção indica que a inflação dos alimentos poderá continuar pressionando o orçamento das famílias nos próximos meses. Para os consumidores de menor renda, a tendência representa um risco adicional à segurança alimentar, sobretudo se os choques de oferta persistirem até 2027.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM:  REUTERS/Amr Abdallah Dalsh

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Comércio Internacional, Economia

Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 2,66 bilhões na terceira semana de outubro

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,661 bilhões na terceira semana de outubro de 2026. O resultado, divulgado na segunda-feira (19) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), foi resultado de US$ 8,232 bilhões em exportações e US$ 5,572 bilhões em importações.

Com o desempenho semanal, o saldo positivo da balança comercial alcançou US$ 5,959 bilhões no acumulado de outubro. As vendas brasileiras ao mercado internacional totalizaram US$ 21,038 bilhões, enquanto as compras do exterior somaram US$ 15,079 bilhões.

Exportações brasileiras crescem 33,5% na comparação anual

Até a terceira semana de outubro, as exportações brasileiras avançaram 33,5% em relação ao mesmo período de 2025. O crescimento foi observado nos três grandes setores da economia.

A indústria extrativa apresentou a maior expansão percentual, com alta de 70,7% e exportações de US$ 6,40 bilhões. Na agropecuária, as vendas externas cresceram 21%, alcançando US$ 4,09 bilhões. Já a indústria de transformação registrou aumento de 20,9%, com US$ 10,32 bilhões em exportações no período analisado. Os números indicam avanço das vendas internacionais de produtos brasileiros, com destaque para o desempenho da indústria extrativa.

Importações também apresentam alta em outubro

No mesmo intervalo, as importações brasileiras cresceram 21,5% em comparação com a terceira semana de outubro de 2025. A indústria de transformação concentrou o maior volume de compras externas, com US$ 13,89 bilhões, o equivalente a um aumento de 20,2%. A agropecuária registrou crescimento de 23,3%, com importações de US$ 30 milhões, enquanto a indústria extrativa avançou 47,9%, totalizando US$ 79 milhões.

Mesmo com a expansão das compras internacionais, o volume de exportações permaneceu superior ao de importações, contribuindo para a manutenção do saldo comercial positivo.

Superávit da balança comercial chega a US$ 68,35 bilhões em 2026

No acumulado de janeiro até a terceira semana de outubro, o superávit da balança comercial brasileira atingiu US$ 68,355 bilhões. O valor representa crescimento de 36,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo positivo foi de US$ 52,985 bilhões.

Para o fechamento de 2026, o MDIC projeta um superávit comercial de US$ 84,4 bilhões, resultado 24% superior ao registrado em 2025. A estimativa foi revisada no início de outubro. A previsão anterior indicava um saldo positivo de US$ 90 bilhões, sinalizando uma redução na expectativa oficial para o resultado anual.

Os dados reforçam o desempenho positivo do comércio exterior brasileiro em 2026, impulsionado pelo crescimento das exportações e pela manutenção de um saldo favorável nas trocas comerciais com outros países.

Fonte: Canal Rural, com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News / Cláudio Neves / Portos do Paraná

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Economia

Dólar cai para R$ 5,06 e Ibovespa recua com mercado atento a Brasil, China e EUA

O dólar comercial recuou para R$ 5,06 nesta segunda-feira, enquanto o Ibovespa perdeu força após iniciar o pregão em alta. O desempenho dos mercados financeiros foi influenciado pela divulgação de indicadores econômicos brasileiros, pelas informações sobre a economia chinesa e pelas expectativas em relação à política monetária dos Estados Unidos.

Investidores também acompanharam o Relatório Focus, do Banco Central, e o Monitor do PIB, elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), além dos desdobramentos do cenário eleitoral brasileiro e de notícias do mercado corporativo.

Dólar hoje: moeda americana opera em baixa

Por volta das 13h, o dólar comercial era negociado a R$ 5,060, com queda de 0,27% em relação ao fechamento de sexta-feira.

Apesar do recuo na abertura da semana, a moeda americana acumulou valorização de aproximadamente 1,6% na semana anterior, passando da faixa de R$ 4,99 para R$ 5,07.

O comportamento do câmbio reflete a combinação de fatores domésticos e internacionais, incluindo as expectativas para os juros americanos, os fluxos de capital estrangeiro e as perspectivas para a economia brasileira.

A queda dos preços do petróleo também pode contribuir para aliviar as pressões inflacionárias globais e reduzir a necessidade de juros elevados nos Estados Unidos. Esse cenário tende a favorecer moedas de economias emergentes, embora o efeito dependa da evolução dos demais indicadores econômicos.

Antonio Patrus, CEO da Bossa Invest, destaca que a dinâmica cambial brasileira permanece condicionada às perspectivas para a política monetária americana e às condições econômicas internas.

Relatório Focus reduz projeção para o PIB brasileiro

O mercado financeiro também repercutiu o Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira. A pesquisa manteve as estimativas para a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e para a taxa básica de juros, a Selic, neste ano.

Por outro lado, houve redução na projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Outro indicador relevante foi o Monitor do PIB da FGV, que apontou expansão de 0,5% da atividade econômica em agosto, na comparação com julho, após dois meses consecutivos de retração.

Pelo lado da oferta, a indústria extrativa e o setor de serviços contribuíram para o resultado positivo. Na perspectiva da demanda, as exportações e o consumo do governo ajudaram a sustentar o crescimento, apesar da desaceleração do consumo das famílias.

Os dados oferecem aos investidores novas referências para avaliar a trajetória da economia nacional e as possíveis decisões futuras sobre os juros.

Eleições brasileiras mantêm investidores em alerta

O cenário político continua entre os fatores que influenciam os negócios na Bolsa e no mercado de câmbio.

Pesquisas de intenção de voto divulgadas por Atlas/Bloomberg e BTG/Nexus reforçaram o cenário de disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue Securities, parte da valorização dos ativos brasileiros observada após o primeiro turno das eleições perdeu intensidade nos últimos dias.

A Bolsa entrou em um período de acomodação, enquanto o câmbio e os juros devolveram parte dos movimentos registrados anteriormente.

Para o especialista, esse comportamento é compatível com um ambiente de incerteza eleitoral, no qual investidores tendem a ajustar posições conforme surgem novas informações sobre a disputa política e seus possíveis impactos econômicos.

China e Estados Unidos influenciam os mercados globais

No exterior, os investidores acompanham os indicadores de atividade econômica da China, incluindo os resultados do PIB do terceiro trimestre, a produção industrial e as vendas no varejo.

As informações ajudam a dimensionar o ritmo de crescimento da segunda maior economia do mundo e suas possíveis consequências para a demanda internacional por commodities.

A decisão chinesa sobre as taxas preferenciais de empréstimo também está no radar dos agentes financeiros, pois pode oferecer sinais sobre a condução da política econômica do país.

Nos Estados Unidos, a atenção permanece concentrada na inflação e nos próximos passos do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.

Os indicadores de preços ao consumidor e ao produtor divulgados na semana anterior vieram acima das expectativas, aumentando a cautela dos investidores em relação à trajetória inflacionária.

Apesar disso, a manutenção dos juros na reunião de outubro continuava sendo o cenário predominante entre os participantes do mercado, enquanto novos dados econômicos e declarações de dirigentes do Fed poderiam alterar as projeções.

Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, ressalta que as perspectivas para os juros americanos influenciam diretamente os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e a movimentação internacional de capitais, com reflexos sobre o dólar e as moedas emergentes.

Ibovespa perde força após abertura positiva

O Ibovespa hoje iniciou o pregão com valorização de 0,32%, aos 206.140 pontos, mas perdeu fôlego ao longo da manhã.

Após as 13h, o principal índice da B3 recuava 0,45%, aos 204.510 pontos.

Na sessão anterior, o indicador havia encerrado aos 205.430 pontos, com volume financeiro de aproximadamente R$ 24 bilhões.

Ao longo do dia, o desempenho das commodities, a movimentação dos investidores estrangeiros e a repercussão dos indicadores econômicos devem continuar influenciando os negócios na Bolsa brasileira.

Suporte técnico entra no radar dos investidores

A análise técnica também faz parte das avaliações sobre o comportamento do índice. Lucas Piza, analista do Itaú BBA, observa que o Ibovespa permanece próximo de uma região de suporte, sem aprofundar de maneira expressiva o movimento de correção.

Segundo o especialista, as oscilações intradiárias seguem relativamente limitadas, enquanto o setor de petróleo tem contribuído para sustentar o mercado em níveis recentes.

Uma reação positiva nessa região pode favorecer a recuperação de ações que acumularam altas expressivas. Por outro lado, a perda do suporte pode abrir espaço para correções mais acentuadas e novas oportunidades de entrada após os ajustes de preços.

Mercado corporativo: confira os principais destaques

Além dos indicadores econômicos e do cenário internacional, anúncios de empresas brasileiras movimentaram o noticiário corporativo nesta segunda-feira.

Braskem

A Braskem informou que o FIP Shine passará a deter 50,11% do capital votante da companhia. A operação envolveu a aquisição de 2.850 ações ordinárias e 17.133 ações preferenciais classe A, sem compra de ações preferenciais classe B.

Localiza

A Localiza aprovou a emissão de R$ 1 bilhão em debêntures, com prazo de 24 meses.

A remuneração dos títulos será vinculada à taxa DI, acrescida de uma sobretaxa de 0,65% ao ano. Os juros serão pagos semestralmente, nos meses de abril e outubro.

Automob

A Automob registrou receita bruta de R$ 4,014 bilhões no terceiro trimestre, crescimento de 9% em relação ao período de comparação informado pela companhia.

O desempenho foi favorecido pela maior diversidade de modelos disponíveis no portfólio e pelo avanço das vendas diretas, impulsionadas por ações das montadoras e programas como Carro Sustentável e Move Brasil.

Caixa Seguridade

A Caixa Seguridade informou que espera um efeito positivo de aproximadamente R$ 210 milhões no lucro líquido de 2026.

O impacto está relacionado ao pagamento de uma multa à controlada Too Seguros pela rescisão de um contrato de distribuição com o Banco Pan.

M. Dias Branco

A M. Dias Branco anunciou a aquisição de 80% da Grespan Congelados, empresa do segmento de pães congelados. O valor da transação não foi divulgado.

Com a operação, a companhia amplia sua atuação e passa a investir também no mercado de pães congelados, diversificando seu portfólio de produtos.

O que acompanhar nos próximos pregões

O desempenho do dólar e do Ibovespa continuará condicionado à divulgação de indicadores econômicos, às expectativas para os juros americanos, ao comportamento das commodities e às incertezas políticas no Brasil.

No mercado doméstico, as projeções do Banco Central e os dados de atividade econômica serão importantes para avaliar as perspectivas de crescimento e inflação. No exterior, a evolução da economia chinesa e as decisões do Federal Reserve poderão determinar o fluxo de recursos para mercados emergentes.

Para os investidores, a combinação desses fatores exige atenção tanto às tendências macroeconômicas quanto aos resultados e comunicados das empresas listadas na B3.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Economia

Economia brasileira cresce 0,5% em agosto após dois meses de queda, aponta FGV

Após registrar retração por dois meses consecutivos, a economia brasileira voltou a crescer em agosto. A atividade econômica avançou 0,5% em relação a julho, segundo estimativa da Fundação Getulio Vargas (FGV). Com o resultado, a expansão acumulada em 12 meses chegou a 1,8%.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (19), por meio do Monitor do PIB, levantamento mensal produzido pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), ligado à FGV.

O estudo acompanha o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), indicador que representa o valor total dos bens e serviços produzidos no país. Para isso, considera informações de setores como indústria, comércio, serviços e agropecuária.

Por funcionar como uma antecipação do resultado oficial, o Monitor do PIB é utilizado como um dos principais indicadores para acompanhar os rumos da atividade econômica nacional.

Atividade econômica volta a crescer em agosto

A estimativa da FGV mostra uma recuperação após as quedas registradas em junho e julho. Confira a variação mensal da economia brasileira ao longo do ano:

  • Agosto: alta de 0,5%
  • Julho: queda de 0,3%
  • Junho: queda de 0,9%
  • Maio: alta de 0,6%
  • Abril: alta de 0,3%
  • Março: alta de 0,1%
  • Fevereiro: alta de 0,5%
  • Janeiro: alta de 0,6%

Na comparação com agosto do ano anterior, a atividade econômica apresentou crescimento de 1,5%. Já o trimestre encerrado em agosto registrou expansão de 1,7% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Indústria extrativa e serviços impulsionam a economia

De acordo com a FGV, o avanço observado em agosto foi favorecido principalmente pela indústria extrativa e pela continuidade do crescimento do setor de serviços.

O economista Claudio Considera, pesquisador associado do Ibre, explica que, sob a perspectiva da oferta, esses segmentos contribuíram para o resultado positivo.

Pelo lado da demanda, o desempenho também recebeu influência favorável das exportações e dos gastos do governo, apesar da desaceleração no ritmo de crescimento do consumo das famílias.

Considera destaca que a economia brasileira demonstra capacidade de recuperação mesmo diante de um cenário de inflação persistente e de política monetária restritiva, caracterizada pela manutenção de juros elevados.

No trimestre encerrado em agosto, o consumo das famílias cresceu 0,4%, impulsionado principalmente pela contribuição dos bens duráveis, como eletrodomésticos, veículos e outros produtos de maior vida útil.

Em valores correntes, a estimativa da FGV indica que o PIB brasileiro acumulado até agosto alcançou R$ 9,020 trilhões.

Projeções para o crescimento do PIB em 2026

Outros indicadores e instituições também divulgaram estimativas sobre o desempenho da economia brasileira. Na sexta-feira (16), o Banco Central apresentou o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), que apontou crescimento de 0,3% entre julho e agosto e expansão de 1,6% no acumulado de 12 meses.

Já o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, reúne as expectativas de instituições do mercado financeiro e projeta crescimento de 1,83% para o PIB em 2026.

O Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, publicado em setembro, prevê uma expansão de 2% para a economia brasileira neste ano.

O Fundo Monetário Internacional (FMI), por sua vez, estima que o Brasil crescerá 2,2% em 2026. A instituição também projeta que o país deverá recuperar, em 2027, a posição de oitava maior economia do mundo.

As projeções apresentam diferenças em razão das metodologias e das avaliações econômicas adotadas por cada instituição, mas apontam para a continuidade do crescimento econômico brasileiro ao longo do ano.

Quando será divulgado o resultado oficial do PIB?

O cálculo oficial do Produto Interno Bruto é divulgado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A próxima publicação está prevista para 2 de dezembro e apresentará os dados referentes ao terceiro trimestre do ano.

No resultado mais recente, divulgado no início de setembro, o IBGE informou que a economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre, enquanto a expansão acumulada em 12 meses ficou em 1,9%.

A divulgação dos próximos resultados permitirá avaliar se a recuperação observada em agosto terá continuidade e como os diferentes setores contribuirão para o desempenho da economia brasileira nos meses seguintes.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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Economia

Mercado eleva previsão de inflação para 2026 e reduz estimativas para Selic e dólar, aponta Focus

O mercado financeiro voltou a elevar a projeção para a inflação em 2026, enquanto reduziu as estimativas para a taxa Selic e a cotação do dólar no mesmo período. Os dados constam no relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, que reúne as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores da economia brasileira.

A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,01% para 5,22%, registrando a quarta alta semanal consecutiva. O resultado está 0,72 ponto percentual acima do teto de 4,50% considerado na comparação com o centro da meta de inflação, fixado em 3%, e seu limite superior.

Além das perspectivas para os preços, o levantamento apresenta mudanças nas expectativas para os juros, o câmbio e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

Inflação de 2026 chega a 5,22% nas projeções do mercado

A estimativa para o IPCA de 2026 avançou de 5,01% para 5,22%. Entre as 54 projeções atualizadas nos cinco dias úteis anteriores à coleta, a mediana subiu de 5,07% para 5,19%.

Para 2027, a previsão geral permaneceu em 4,30%, embora tenha recuado para 4,26% quando consideradas apenas as 54 estimativas mais recentes.

Nas projeções de prazo mais longo, a expectativa para a inflação de 2028 passou de 3,80% para 3,79%. Para 2029, houve leve redução, de 3,51% para 3,50%.

O Banco Central, por sua vez, projetava inflação de 5,2% em 2026 e de 3,9% em 2027, conforme o comunicado da reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom). Para o primeiro trimestre de 2028, o órgão estimava inflação acumulada de 3,2% em 12 meses, dentro do horizonte relevante para a condução da política monetária.

Como funciona a meta de inflação

Desde 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua de inflação, calculada com base na variação acumulada do IPCA em 12 meses.

O objetivo central é manter a inflação em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, o intervalo de referência vai de 1,5% a 4,5%.

Caso a inflação permaneça fora desses limites por seis meses consecutivos, considera-se que o Banco Central descumpriu a meta.

Mercado reduz projeção para a taxa Selic em 2026

A expectativa para a taxa Selic no fim de 2026 caiu de 13,50% para 13,25%, interrompendo duas semanas de estabilidade. Entre as 48 estimativas atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a mediana também ficou em 13,25%.

Para o encerramento de 2027, a projeção geral permaneceu em 12% pela 17ª semana consecutiva. No recorte das 47 estimativas mais recentes, entretanto, a expectativa recuou de 12% para 11,75%.

As previsões para os anos seguintes continuaram praticamente estáveis. A Selic esperada para o fim de 2028 permaneceu em 10,50% pela 15ª semana seguida, enquanto a estimativa para 2029 ficou em 10% pela 23ª semana consecutiva.

Copom mantém atenção aos riscos inflacionários

Em 16 de setembro, o Copom reduziu a taxa básica de juros de 14% para 13,75% ao ano, conforme o histórico apresentado no levantamento. A decisão representou o quinto corte consecutivo naquele ciclo de flexibilização monetária.

Desde março, quando iniciou o chamado ciclo de calibração, a Selic havia acumulado redução de 1,25 ponto percentual. A condução da política monetária ocorre em meio às incertezas sobre os efeitos da guerra envolvendo o Irã nas cadeias globais de abastecimento, nos preços das commodities e na inflação.

Na ata da reunião, o Copom destacou a necessidade de cautela diante do aumento das incertezas, do desancoramento das expectativas inflacionárias e dos riscos associados ao cenário econômico.

O comitê também afirmou que continuaria avaliando os novos dados para manter as condições monetárias necessárias à convergência da inflação para a meta.

Dólar deve terminar 2026 cotado a R$ 5,15

As expectativas para o dólar em 2026 também recuaram. A mediana do Focus passou de R$ 5,20 para R$ 5,15, após permanecer estável durante 16 semanas.

Considerando apenas as 40 projeções atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a estimativa caiu de R$ 5,20 para R$ 5,05.

Para o fim de 2027, a previsão recuou de R$ 5,28 para R$ 5,26. Já a estimativa para 2028 continuou em R$ 5,30 pela 12ª semana consecutiva.

Em relação a 2029, a mediana diminuiu de R$ 5,33 para R$ 5,30. Um mês antes, a projeção estava em R$ 5,36.

O relatório Focus utiliza a média esperada para a cotação do dólar em dezembro de cada ano como referência para suas projeções anuais. O método é diferente daquele adotado até 2020, quando a estimativa considerava a taxa prevista para o último dia útil do ano.

Projeção de crescimento do PIB permanece em 1,85% para 2026

A expectativa do mercado para o crescimento da economia brasileira em 2026 permaneceu em 1,85%. Um mês antes, a mediana estava em 1,89%.

Entre as 35 estimativas atualizadas nos cinco dias úteis anteriores, a projeção recuou de 1,83% para 1,81%.

O resultado está próximo da estimativa do Banco Central, que previa expansão de 1,8% para a economia brasileira, segundo o Relatório de Política Monetária do terceiro trimestre.

Para 2027, a expectativa geral de crescimento do PIB continuou em 1,40%. No grupo das 35 projeções mais recentes, porém, a mediana caiu para 1,35%, ante 1,40%.

Expectativas para o PIB até 2029

As estimativas para os anos seguintes apresentaram pequenas alterações. A previsão de crescimento do PIB em 2028 subiu de 1,81% para 1,83%, mas permaneceu abaixo dos 1,87% projetados um mês antes.

Para 2029, a expectativa ficou em 2% pela 82ª semana consecutiva.

Os números indicam que, enquanto as projeções de inflação para 2026 continuam em trajetória de alta, as estimativas para juros e câmbio recuam. Para o crescimento econômico, o mercado mantém perspectivas de expansão moderada nos próximos anos.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Estadão

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Economia

Ibovespa sobe 0,94% com alta da Petrobras e petróleo acima de US$ 104; dólar fecha a R$ 5,02

O Ibovespa encerrou a quinta-feira em alta, impulsionado principalmente pela valorização das ações da Petrobras em meio à disparada dos preços internacionais do petróleo. Ao mesmo tempo, investidores acompanharam as pesquisas eleitorais e seus possíveis reflexos sobre o mercado financeiro brasileiro.

O principal índice da Bolsa brasileira avançou 0,94%, aos 206.220,24 pontos. Durante o pregão, oscilou entre a mínima de 203.984,57 pontos e a máxima de 207.953,74 pontos. O volume financeiro movimentado na sessão chegou a R$ 60,2 bilhões.

No mercado cambial, o dólar à vista registrou leve valorização de 0,17%, encerrando o dia cotado a R$ 5,0240. Apesar da alta diária, a moeda norte-americana passou a acumular queda de 8,47% no ano.

Petróleo dispara e impulsiona ações da Petrobras

O avanço das cotações internacionais do petróleo foi um dos principais fatores por trás da alta da Bolsa brasileira. Os contratos futuros do Brent, referência internacional da commodity, subiram 4,1%, fechando a US$ 104,28 por barril.

A valorização ocorreu em meio à retomada das preocupações com a guerra no Oriente Médio e aos riscos de interrupções no abastecimento provocados pela aproximação de um furacão à costa do Golfo dos Estados Unidos.

Nesse cenário, as ações da Petrobras ganharam força e ajudaram o Ibovespa a apresentar desempenho diferente do observado em Nova York. O índice S&P 500, por exemplo, terminou o dia com queda de 0,45%.

A alta do petróleo também favoreceu outras companhias do setor de energia, que acompanharam o movimento positivo da commodity no exterior.

Petrobras, PRIO e PetroReconcavo fecham em alta

Entre os principais destaques do pregão, as ações da Petrobras registraram ganhos expressivos. Os papéis preferenciais (PETR4) subiram 2,12%, enquanto os ordinários (PETR3) avançaram 3,13%.

Outras empresas do setor de petróleo também encerraram a sessão no campo positivo:

  • PetroReconcavo (RECV3): alta de 3,42%.
  • PRIO (PRIO3): valorização de 1,82%.

A combinação entre petróleo mais caro e expectativas relacionadas ao cenário político brasileiro contribuiu para sustentar o interesse dos investidores pelos papéis da estatal.

Pesquisa eleitoral mantém investidores atentos

O cenário político continuou no centro das atenções do mercado financeiro. Pesquisa PoderData/Aya divulgada pela manhã apontou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 53% dos votos válidos em uma simulação de segundo turno, contra 47% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A margem de erro informada foi de 1,8 ponto percentual.

Os investidores também aguardavam a divulgação de uma pesquisa do Datafolha sobre a disputa presidencial, prevista para o início da noite.

Parte dos agentes financeiros associa uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro à possibilidade de mudanças na condução da política fiscal. Essa avaliação tem influenciado as expectativas sobre juros, câmbio e investimentos em ações, embora propostas concretas de ajuste das contas públicas ainda sejam uma questão em aberto.

O chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, Gabriel Magno, avaliou que o resultado da pesquisa PoderData/Aya reforçou expectativas já presentes no mercado e contribuiu para manter o interesse pela Petrobras.

Dólar fecha em leve alta após oscilar durante o pregão

O dólar comercial apresentou variações moderadas ao longo da sessão, acompanhando as expectativas políticas e o comportamento das moedas internacionais.

A moeda norte-americana chegou a R$ 5,0282 na máxima do dia, com alta de 0,25%, e recuou até R$ 5,0011 na mínima, quando perdia 0,29%. No encerramento, avançou 0,17%, para R$ 5,0240.

O contrato futuro de dólar com vencimento em novembro, o mais negociado na B3, registrava alta de 0,01%, a R$ 5,0440, às 17h21.

No exterior, o comportamento da divisa foi misto. O dólar perdeu força diante de algumas moedas de países exportadores de commodities, como o peso chileno e o rand sul-africano, mas avançou frente a diversas outras moedas durante a tarde.

O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda dos Estados Unidos em relação a uma cesta de seis divisas, recuava 0,18%, aos 102,070 pontos, às 17h17.

Debate sobre contas públicas influencia o câmbio

As expectativas sobre a política fiscal brasileira também contribuíram para orientar as negociações no mercado de câmbio.

Parte dos investidores considera que uma eventual mudança de governo poderia aumentar as chances de controle das despesas públicas. Na avaliação desses agentes, uma trajetória fiscal mais equilibrada poderia abrir espaço para juros menores no futuro.

Essa perspectiva contribuiu para a redução dos prêmios na curva de juros futuros nos últimos dias e para a desvalorização recente do dólar em relação ao real. Após o primeiro turno, a moeda norte-americana acumulava queda de 3,70%.

O debate ganhou força após a publicação de informações de que a equipe de Flávio Bolsonaro estudava mudanças nos critérios de reajuste das aposentadorias e na correção de despesas obrigatórias com saúde e educação.

Em entrevista à imprensa, o senador afirmou que pretende reajustar as aposentadorias acima da inflação e negou planos para alterar as regras atuais de correção dos benefícios previdenciários e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Já o ministro da Fazenda, Dario Durigan, criticou as expectativas atribuídas ao candidato. Em entrevista à CNN Brasil, afirmou que as propostas representariam uma “ilusão” para o mercado por não considerarem adequadamente os efeitos sobre a atividade econômica e o emprego.

Banco Central realiza operação de swap cambial

No mercado doméstico, o Banco Central realizou, no fim da manhã, a venda de 50 mil contratos de swap cambial para a rolagem do vencimento previsto para 3 de novembro.

A operação faz parte dos instrumentos utilizados pela autoridade monetária para administrar a exposição cambial e dar continuidade aos contratos que estão próximos do vencimento.

O pregão terminou, assim, com a Bolsa brasileira favorecida pela valorização do petróleo e das ações da Petrobras, enquanto o dólar registrou uma pequena alta em meio à expectativa por novos sinais sobre a disputa presidencial e a condução da política econômica.

FONTE: Forbes
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Economia

Dólar volta a superar R$ 5 e Ibovespa recua em sessão de ajuste no mercado financeiro

O mercado financeiro brasileiro passou por uma sessão de correção nesta quarta-feira (7), após a forte valorização registrada nos dias seguintes ao primeiro turno das eleições. O dólar voltou a ficar acima de R$ 5, enquanto o Ibovespa caiu 0,74%, aos 204.302,33 pontos.

O movimento acompanhou o desempenho negativo dos mercados internacionais, em um cenário marcado pela manutenção dos juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos em níveis elevados e pela valorização do petróleo, que permaneceu acima de US$ 100 por barril.

Dólar fecha acima de R$ 5

O dólar à vista encerrou o pregão com alta de 0,83%, cotado a R$ 5,016. Durante a sessão, a moeda norte-americana chegou a R$ 5,017.

A alta interrompeu uma sequência de dois pregões de queda, período em que o dólar acumulou desvalorização de 4,65%. Apesar da recuperação desta quarta-feira, a moeda ainda registra queda de 3,94% na semana e de 8,62% no acumulado de 2026.

No mercado internacional, o índice DXY, que acompanha o desempenho do dólar diante de uma cesta formada por seis moedas, avançou 0,36%, para 102,280.

Juros nos Estados Unidos pressionam mercados

Um dos fatores acompanhados pelos investidores foi a trajetória dos juros dos títulos do Tesouro norte-americano. A rentabilidade dos papéis de dez anos chegou a 5,36%, maior patamar em 24 anos, antes de recuar para aproximadamente 5,28%.

A manutenção de juros elevados em economias desenvolvidas tende a aumentar a atratividade desses mercados para os investidores. Com isso, países emergentes, como o Brasil, podem enfrentar saída de recursos, pressionando tanto o câmbio quanto o mercado acionário.

Ibovespa interrompe sequência de alta

O Ibovespa encerrou o dia em queda de 0,74%, aos 204.302,33 pontos. O índice oscilou entre a mínima de 204.176,12 pontos e a máxima de 206.877,47 pontos.

O volume financeiro movimentado durante o pregão foi de R$ 57,2 bilhões, antes dos ajustes finais.

Mesmo com a queda, o principal índice da Bolsa brasileira mantém desempenho positivo. Em outubro, o Ibovespa acumula alta de 9,64%, enquanto, no ano, a valorização chega a 26,8%.

Nos Estados Unidos, o movimento também foi negativo. O S&P 500, índice que reúne as ações das 500 maiores empresas norte-americanas, recuou 0,22%.

Petróleo permanece acima de US$ 100

Os preços do petróleo perderam força durante a tarde, mas o barril do tipo Brent para dezembro continuou sendo negociado acima de US$ 100.

A cotação da commodity permanece no radar dos investidores em meio às novas tensões no Oriente Médio, que aumentam as preocupações sobre a oferta global de petróleo e seus possíveis impactos sobre a inflação.

Mercado acompanha decisões do Federal Reserve

Os investidores também analisaram a ata da reunião de setembro do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Na ocasião, a autoridade monetária elevou a taxa básica de juros para a faixa entre 3,75% e 4%.

O documento revelou divergências entre os dirigentes sobre os motivos que justificaram a elevação dos juros. A inflação continua entre as principais preocupações do Fed e permanece como um dos fatores determinantes para as próximas decisões de política monetária.

Principais indicadores

  • Dólar à vista: R$ 5,016, alta de 0,83%
  • Dólar em 2026: queda de 8,62%
  • Ibovespa: 204.302,33 pontos, queda de 0,74%
  • Ibovespa em outubro: alta de 9,64%
  • Ibovespa em 2026: alta de 26,8%
  • S&P 500: queda de 0,22%
  • Petróleo Brent: acima de US$ 100 por barril

Fonte: Agência Brasil, com informações da Reuters.

Texto: Redação

Imagem: Reprodução Agência Brasil / Walter Campanato

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Economia

Déficit comercial dos EUA sobe 13,7% em agosto e chega a US$ 105,6 bilhões

O déficit comercial dos Estados Unidos avançou acima das expectativas em agosto, pressionado pelo aumento das importações de bens. O resultado reflete a força da demanda interna e indica que o comércio exterior pode voltar a exercer impacto negativo sobre o crescimento da economia americana no terceiro trimestre.

O saldo negativo aumentou 13,7% em agosto, alcançando US$ 105,6 bilhões, segundo dados divulgados pelo Escritório de Análise Econômica do Departamento de Comércio e pelo Census Bureau. Analistas consultados pela Reuters projetavam um déficit de US$ 102 bilhões.

Importações aumentam com demanda doméstica forte

O resultado de agosto já era parcialmente esperado após dados divulgados na semana anterior apontarem crescimento do déficit de bens, também provocado pelo avanço das importações.

A demanda doméstica dos EUA ganhou força no segundo trimestre e cresceu no ritmo mais rápido em mais de três anos e meio. O movimento foi sustentado principalmente pelos gastos dos consumidores e pelos investimentos das empresas em equipamentos, com destaque para aqueles relacionados à inteligência artificial (IA).

Indicadores mais recentes sugerem que esse ritmo de consumo continuou no terceiro trimestre. Em agosto, houve sinais de fortes gastos dos consumidores, além de aumento nas encomendas e nos embarques de bens de capital não relacionados à defesa, excluindo aeronaves.

Importações avançam apesar das tarifas de Trump

Para atender ao mercado interno, as empresas americanas continuam recorrendo às importações, mesmo diante da política tarifária adotada pelo presidente Donald Trump.

As tarifas foram implementadas pelo governo com o objetivo declarado de reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos. Ainda assim, as compras externas registraram crescimento em agosto.

As importações totais aumentaram 4,3%, para US$ 420,8 bilhões. Considerando apenas os bens, a alta foi de 5,3%, alcançando US$ 342,2 bilhões.

As exportações também cresceram, mas em ritmo inferior. As vendas externas avançaram 1,4%, para US$ 315,2 bilhões, enquanto as exportações de bens subiram 2,2%, chegando a US$ 205,7 bilhões.

Comércio exterior pode reduzir crescimento do PIB

O desempenho do setor externo continua sendo um obstáculo para a expansão da economia americana. O comércio exterior retirou força do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA durante três trimestres consecutivos.

Para o período de julho a setembro, economistas estimam que o comércio possa reduzir o crescimento do PIB em até 2,5 pontos percentuais.

Apesar desse impacto, as projeções para a economia americana permanecem relativamente positivas. A maior parte das estimativas aponta para um crescimento anualizado superior a 3% no terceiro trimestre.

A expectativa é que a força dos gastos dos consumidores ajude a compensar parte do efeito negativo provocado pelo aumento das importações.

No segundo trimestre, a economia dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 2,2%.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Economia

Inflação na Zona do Euro: Índice Dispara a 3,8% em Setembro com Crise Energética

A economia europeia enfrenta um novo desafio com a escalada do custo de vida. Em setembro, a inflação na zona do euro registrou uma taxa anualizada de 3,8%, alcançando o patamar mais elevado dos últimos três anos, conforme apontam os dados divulgados nesta sexta-feira pela agência estatística Eurostat.

Impacto da Guerra e o Salto nos Preços de Energia

O avanço expressivo nos 21 países que adotam a moeda única superou com folga o resultado de 3,2% contabilizado em agosto, ficando também acima da projeção de 3,7% estimada por analistas consultados pela Bloomberg. O índice atual representa quase o dobro da meta de estabilidade de 2% estipulada pelo Banco Central Europeu (BCE).

O principal motor dessa alta foi o setor energético. Conflitos geopolíticos recentes no Oriente Médio, incluindo tensões e interrupções logísticas em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, impactaram diretamente o fornecimento de combustível. Os preços da energia dispararam 18,8% em setembro, acelerando consideravelmente em relação aos 14,3% observados no mês anterior.

Comportamento da Inflação Subjacente e dos Alimentos

Enquanto o choque energético puxou o índice geral para cima, a inflação subjacente — que desconsidera os custos mais voláteis de itens alimentícios e combustíveis — registrou uma alta moderada, indo de 2,4% em agosto para 2,5% em setembro.

No segmento de alimentação e bebidas, a variação de preços subiu para 1,4%, comparada ao índice de 1,1% do mês anterior. O patamar de 3,8% não era visto na região desde setembro de 2023, período em que a taxa havia alcançado 4,3%.

FONTE: AFP
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gabriel Bouys

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