Transporte

Plano ferroviário do Chile aposta no transporte de cargas para fortalecer logística até 2050

O governo do Chile apresentou um plano mestre ferroviário com horizonte até 2050 para impulsionar o transporte ferroviário de cargas e ampliar o protagonismo das ferrovias na cadeia logística do país. A iniciativa contempla as regiões norte, central e sul, com foco na expansão da infraestrutura, eliminação de gargalos operacionais e integração entre os diferentes modais de transporte.

O projeto foi detalhado durante o Congresso Trenes y Metro 2026 e integra o Plano Diretor Nacional de Logística, desenvolvido pelo Programa de Desenvolvimento Logístico (PDL), ligado ao Ministério dos Transportes e Telecomunicações.

Transporte de cargas ganha planejamento de longo prazo

De acordo com Antonio Dourthé, coordenador-geral do PDL, o diferencial do plano é a criação de um programa específico para o transporte ferroviário de cargas, além das iniciativas já existentes para passageiros.

Segundo ele, a proposta busca identificar a capacidade atual da malha ferroviária, mapear futuras demandas logísticas, apontar investimentos prioritários e reduzir os gargalos que limitam a competitividade do modal.

O planejamento terá vigência de 25 anos, entre 2025 e 2050, com acompanhamento contínuo para adaptar as ações às mudanças do mercado e da economia.

Região Norte concentra desafios para ampliar capacidade

No norte chileno, onde a ferrovia está fortemente ligada ao setor mineral, o principal objetivo é aumentar a capacidade operacional das linhas existentes.

Como boa parte da malha pertence à iniciativa privada, os investimentos dependem diretamente da expansão dos projetos de mineração.

Um dos gargalos apontados está no trecho entre Pampa e Prat, na região de Antofagasta, onde as grandes diferenças de altitude reduzem significativamente a velocidade dos trens. Entre as alternativas estudadas estão a implantação de uma segunda via e novos desvios ferroviários para melhorar a fluidez das operações.

Mineração argentina pode impulsionar novos investimentos

A malha ferroviária que liga La Calera, na região de Valparaíso, até Iquique, em Tarapacá, é operada por empresas privadas como Ferronor e FCAB.

Segundo Dourthé, o crescimento da mineração na Argentina abre espaço para novos investimentos em infraestrutura ferroviária, já que parte da produção do país vizinho pode utilizar os portos chilenos como rota de exportação para o Oceano Pacífico.

O governo também pretende trabalhar em conjunto com os governos regionais para elaborar planos específicos, identificando oportunidades de desenvolvimento logístico em cada região.

Integração entre ferrovias e portos será prioridade

Na região central, o plano destaca a importância de ampliar a conexão ferroviária com os principais portos chilenos, especialmente Valparaíso e San Antonio.

Em San Antonio, projetos como corredores logísticos e o Terminal Intermodal Barranca devem fortalecer a movimentação de cargas por ferrovia.

Já em Valparaíso, o compartilhamento da infraestrutura com os trens de passageiros limita o transporte ferroviário de cargas ao período noturno. Entre as soluções analisadas estão a construção de um terminal intermodal e até mesmo de uma nova linha férrea dedicada às operações logísticas.

Concepción enfrenta desafio de equilibrar passageiros e cargas

A região de Concepción, considerada um dos principais polos produtivos do Chile, também integra o plano estratégico.

Apesar da elevada utilização da malha ferroviária, a convivência entre trens de passageiros e de carga exige investimentos para ampliar a capacidade operacional.

O governo avalia ainda a implantação de novos hubs logísticos que possam atender os portos de Coronel, Lirquén e San Vicente-Talcahuano, fortalecendo a integração entre ferrovia e sistema portuário.

Sul do Chile aposta na integração entre modais

No extremo sul do país, o cenário logístico é diferente devido à fragmentação territorial e à forte presença da navegação de cabotagem.

Nesse contexto, o plano não pretende substituir o transporte marítimo, mas integrar ferrovias, caminhões e cabotagem para criar uma cadeia logística mais eficiente.

A proposta prevê conectar a produção do sul ao sistema ferroviário com destino a Concepción, facilitando o escoamento das exportações e reduzindo custos operacionais.

Plano busca aumentar competitividade da logística chilena

Com visão de longo prazo, o plano mestre ferroviário pretende ampliar a participação do transporte ferroviário de cargas na matriz logística chilena, tornando o modal mais competitivo e sustentável.

A expectativa é que a cooperação entre governo, operadores ferroviários, autoridades regionais e iniciativa privada permita desenvolver uma infraestrutura capaz de atender ao crescimento da demanda por transporte e fortalecer o comércio exterior do país.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Transporte

Argentina desregula serviços de praticagem e busca reduzir custos no transporte marítimo

O governo da Argentina oficializou uma nova regulamentação para os serviços de praticagem e pilotagem marítima e fluvial, com o objetivo de modernizar o setor, ampliar a concorrência e reduzir custos relacionados ao transporte marítimo e ao comércio exterior.

A medida, publicada no Boletim Oficial argentino, estabelece mudanças nas regras para atuação de práticos em rios, portos, canais e passagens navegáveis do país. Entre os principais objetivos estão a redução dos custos logísticos, a eliminação de barreiras de entrada e a melhoria da eficiência das operações portuárias.

Registro aberto amplia número de profissionais habilitados

Com a nova norma, a Prefectura Naval Argentina (PNA) ficará responsável por manter um registro aberto de práticos habilitados, sem limite máximo de profissionais cadastrados.

A regulamentação também permite que os usuários contratem os serviços diretamente de profissionais independentes, aumentando a liberdade de escolha para empresas de navegação e operadores logísticos.

Governo define limites para tarifas de praticagem

A nova legislação determina que a Agência Nacional de Portos e Navegação (Anpyn) estabeleça tarifas máximas para os serviços de praticagem.

A regra impede que os profissionais cobrem valores adicionais que não estejam previamente autorizados. Além disso, as empresas prestadoras deverão divulgar mensalmente seus preços e enviar relatórios trimestrais sobre suas operações à Anpyn e à Autoridade Nacional da Concorrência.

A expectativa do governo argentino é que a maior transparência nos preços contribua para um ambiente mais competitivo no setor de serviços portuários.

Regras para dispensa de práticos são flexibilizadas

O decreto também alterou os critérios de obrigatoriedade do uso de práticos em operações marítimas e fluviais.

A norma reconhece a capacidade técnica de comandantes argentinos e estrangeiros que comprovem domínio do idioma inglês e experiência operacional na região. Para isso, os profissionais deverão comprovar a realização de dez viagens de ida e volta na área de navegação nos últimos três anos.

Após a apresentação de declaração juramentada e o cumprimento dos requisitos, a PNA deverá emitir o certificado de conhecimento da área em até cinco dias úteis.

Com a certificação, os navios poderão operar sem a contratação obrigatória de práticos, reduzindo custos e evitando a duplicação de despesas.

Transporte dos práticos passa a ter contratação livre

A regulamentação também modificou as regras relacionadas ao deslocamento dos profissionais até as embarcações.

Os usuários poderão contratar livremente os meios de transporte para embarque e desembarque dos práticos, incluindo navios comerciais autorizados.

Os profissionais não poderão recusar esses meios disponibilizados pelos usuários, exceto quando houver justificativa relacionada à segurança da operação.

PNA poderá atuar em situações emergenciais

Para evitar impactos ao comércio exterior argentino em situações de crise, conflitos ou interrupções operacionais, a nova regra autoriza a Prefectura Naval Argentina a prestar diretamente serviços de transporte ou praticagem de forma excepcional.

Nessas situações, a PNA poderá solicitar apoio da Armada Argentina ou autorizar temporariamente comandantes marítimos e fluviais com conhecimento da região para garantir a continuidade das operações.

Transferência de processos de habilitação será concluída em 180 dias

O decreto estabeleceu prazo de 180 dias corridos para que a Armada Argentina transfira integralmente à PNA os processos relacionados à formação e certificação de práticos e navegadores especializados.

A mudança faz parte de um conjunto de medidas voltadas à reorganização do setor, com foco em maior eficiência, redução de custos logísticos e fortalecimento da competitividade dos portos argentinos.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Portos

Tecon Santos amplia capacidade de armazenagem e chega a 2,9 milhões de TEUs por ano

O Tecon Santos, terminal operado pela Santos Brasil no Porto de Santos (SP), concluiu mais uma etapa do projeto de ampliação e modernização, elevando sua capacidade anual para 2,9 milhões de TEUs. A expansão ocorre em um período estratégico para o comércio exterior brasileiro, próximo à chamada peak season do segundo semestre, quando aumentam as importações para datas como Black Friday e Natal, além do escoamento da produção de commodities agrícolas.

A nova capacidade foi alcançada com a incorporação de uma área de 4 mil metros quadrados ao pátio operacional do terminal. O espaço antes era ocupado pelo antigo prédio administrativo da companhia, demolido em maio para dar lugar à ampliação da área de armazenagem.

Nova área adiciona 137 mil TEUs de capacidade ao terminal

Localizada na região central do Tecon Santos, a área passou por obras de adequação e agora contribui com aproximadamente 137 mil TEUs de capacidade dinâmica, ampliando a estrutura disponível para movimentação de contêineres no Porto de Santos.

O projeto de expansão do terminal começou em 2019 e prevê investimentos totais próximos de R$ 3 bilhões, com a meta de alcançar uma capacidade operacional de 3 milhões de TEUs por ano.

Até o momento, a Santos Brasil já aplicou mais de R$ 2,5 bilhões no programa de modernização.

Investimentos antecipam demanda do comércio exterior

Para Charles Thibault, diretor de Terminais da Santos Brasil, os aportes realizados refletem uma estratégia de longo prazo para acompanhar o crescimento das operações internacionais brasileiras.

“Nosso compromisso é preparar a infraestrutura antes que a demanda se materialize, garantindo capacidade ao Porto de Santos, eficiência operacional e serviço premium para os nossos clientes”, afirmou o executivo.

Segundo Thibault, a expansão permite que o Tecon Santos responda atualmente por quase metade da capacidade de movimentação de contêineres do porto.

Nova sede administrativa será construída até 2027

Como parte do processo de modernização, a Santos Brasil também iniciará no quarto trimestre deste ano a construção de uma nova sede administrativa.

O edifício será instalado próximo à portaria terrestre do terminal e terá cinco andares, cerca de 1,2 mil metros quadrados de área construída e capacidade para acomodar até 450 colaboradores.

A previsão é que a nova estrutura seja concluída até o final de 2027, substituindo as instalações administrativas anteriores por um espaço mais moderno e sustentável.

Terminal amplia uso de equipamentos elétricos e operação remota

Além da expansão física, o Tecon Santos avançou na modernização dos equipamentos utilizados nas operações portuárias.

Neste mês, cinco dos oito RTGs elétricos fabricados pela ZPMC iniciaram operação remota no terminal. Os equipamentos chegaram da China no início do ano, junto com dois novos portêineres.

Os novos RTGs se somam às oito primeiras unidades elétricas já utilizadas pelo terminal. A tecnologia permite operação à distância, iniciativa implantada de forma pioneira no Brasil pelo Tecon Santos no final de 2024.

Segundo a empresa, o sistema aumenta a segurança operacional e melhora as condições ergonômicas dos profissionais responsáveis pela operação dos equipamentos.

Renovação da frota reduzirá emissões de carbono

A Santos Brasil prevê a aquisição de outros 30 RTGs elétricos nos próximos anos, substituindo equipamentos convencionais movidos a diesel.

Com a renovação completa da frota, a expectativa é reduzir em 97% as emissões de carbono associadas a esses equipamentos, evitando o lançamento de cerca de 713 toneladas de CO₂ por mês na atmosfera.

Os novos portêineres, que já operam manualmente, também serão os primeiros do Brasil preparados para operar remotamente.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Transporte

CMA CGM amplia lucro no segundo trimestre com alta dos fretes e força do transporte marítimo

A CMA CGM, uma das maiores empresas globais de transporte marítimo e logística, encerrou o segundo trimestre com forte avanço nos resultados financeiros. O aumento dos fretes marítimos e a manutenção da demanda internacional ajudaram a compensar os impactos operacionais causados pelo agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

No período, a companhia registrou receita de US$ 15,7 bilhões, crescimento de 19,2% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. O Ebitda avançou 31%, alcançando US$ 3 bilhões, enquanto o lucro líquido atribuído ao grupo passou de US$ 520 milhões para US$ 770 milhões.

Transporte marítimo lidera crescimento da companhia

O principal destaque do balanço foi a divisão de transporte de contêineres, que segue como o maior gerador de resultados da CMA CGM.

A empresa movimentou 6,33 milhões de TEUs no trimestre, volume 6% superior ao registrado no mesmo período de 2025. A receita do segmento chegou a US$ 10 bilhões, alta de 22%, enquanto o Ebitda da área cresceu mais de 42%, somando US$ 2,26 bilhões.

Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado pela elevação dos preços dos fretes internacionais e pela continuidade de volumes expressivos de carga nas principais rotas comerciais.

Demanda global sustenta mercado de contêineres

A CMA CGM informou que fatores como consumo aquecido, reposição de estoques e antecipação de embarques diante de possíveis alterações tarifárias contribuíram para manter a procura por transporte marítimo internacional.

Esse cenário ajudou a reduzir os efeitos negativos provocados pela instabilidade no Oriente Médio, que aumentou custos operacionais, elevou despesas com seguros e causou atrasos em algumas rotas.

O presidente do conselho e CEO da CMA CGM, Rodolphe Saadé, afirmou que a companhia apresentou resultados sólidos mesmo diante de um ambiente global mais incerto.

Segundo ele, a diversificação das operações — incluindo logística, terminais portuários e transporte aéreo de cargas — ampliou a capacidade da empresa de responder rapidamente às mudanças do mercado.

Empresa mantém alternativas logísticas diante das tensões internacionais

Apesar dos impactos causados pelos conflitos no Oriente Médio, a companhia afirmou que a valorização dos fretes e a flexibilidade de sua rede internacional compensaram parte dos custos adicionais.

A empresa também manteve o uso de soluções de transporte multimodal para garantir o fluxo de mercadorias destinadas aos mercados do Golfo, combinando diferentes modais para reduzir impactos nas operações.

CEVA Logistics cresce, mas enfrenta pressão nas margens

Fora do segmento marítimo, a CEVA Logistics, braço de logística do grupo, registrou receita trimestral de US$ 5 bilhões, avanço de 8,5% na comparação anual.

Apesar do crescimento da receita, o Ebitda da unidade recuou devido à redução das margens no setor de agenciamento de cargas e ao desempenho mais fraco da indústria automotiva.

Já as áreas de terminais portuários, carga aérea e demais negócios apresentaram crescimento expressivo. A receita desses segmentos aumentou quase 48%, chegando a US$ 1,48 bilhão, beneficiada por aquisições recentes e pelo desempenho positivo das operações portuárias.

CMA CGM e Stonepeak criam empresa para administrar terminais

A divulgação dos resultados ocorreu junto à conclusão de uma importante operação de infraestrutura logística. A CMA CGM e a gestora de investimentos Stonepeak finalizaram a criação da United Ports LLC, empresa responsável pela administração de nove grandes terminais de contêineres em cinco países.

Como parte do acordo, a Stonepeak realizou um investimento de US$ 2,4 bilhões para adquirir 25% de participação no negócio. A CMA CGM permaneceu com o controle operacional da companhia.

As empresas também planejam novos investimentos em expansão da capacidade dos terminais, projetos de eletrificação portuária e desenvolvimento de estruturas logísticas.

Incertezas globais continuam no radar do setor

Mesmo com o desempenho positivo, a CMA CGM destacou que o cenário internacional permanece marcado por incertezas, especialmente devido às tensões geopolíticas, mudanças nas políticas comerciais e novas tarifas que podem alterar as cadeias globais de suprimentos.

A companhia afirmou que sua diversificação de negócios, estrutura financeira e capacidade de adaptação da rede global são fatores importantes para enfrentar a volatilidade do mercado e manter o atendimento aos clientes nas principais rotas do comércio mundial.

FONTE: Global Trade Mag
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Indústria

Papel sulfite chinês ganha espaço no Brasil e indústria nacional pede aumento da tarifa de importação

A indústria brasileira de papel enfrenta uma nova pressão com o aumento das importações de papel sulfite asiático, especialmente da China e da Indonésia. O movimento ocorre após a adoção de barreiras comerciais pelos Estados Unidos, que reduziram o acesso desses países ao mercado norte-americano e levaram parte da produção excedente para outros destinos, incluindo o Brasil.

Com preços mais baixos que os praticados pela indústria nacional, o avanço do papel sulfite importado tem preocupado fabricantes brasileiros, que solicitaram ao governo federal medidas para conter o aumento das compras externas.

A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), entidade que representa cerca de 50 grandes empresas dos setores de papel e celulose, pediu à Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a elevação da tarifa de importação do chamado papel “cutsize”, utilizado principalmente em folhas A3 e A4.

Setor pede aumento do imposto sobre papel importado

Atualmente, a tarifa aplicada ao produto é de 16%. A proposta da Ibá é elevar a alíquota para 30%, percentual máximo permitido pela Tarifa Externa Comum do Mercosul.

Segundo a entidade, o fechamento de mercados internacionais para fornecedores asiáticos provocou uma mudança no fluxo comercial, direcionando volumes excedentes para países com maior abertura às importações.

A associação argumenta que o aumento das compras externas ocorreu em um ritmo acelerado e com preços considerados agressivos, afetando a competitividade das empresas brasileiras.

Importações de papel sulfite aumentam mais de 160%

Dados reunidos pela Ibá mostram que as importações de papel cutsize cresceram 160% entre janeiro e maio deste ano na comparação com o mesmo período anterior.

O volume adquirido no exterior passou de 3,3 milhões de quilos para 8,5 milhões de quilos. Em valores financeiros, as compras aumentaram 123%, saindo de US$ 2,9 milhões para US$ 6,3 milhões.

Um dos fatores que impulsionaram esse avanço foi a queda no preço médio do produto estrangeiro, que recuou de US$ 0,90 para US$ 0,77 por quilo, redução de aproximadamente 14%.

De acordo com a Ibá, em alguns casos o papel importado da Ásia chega ao consumidor entre R$ 7 e R$ 35 mais barato que marcas fabricadas no Brasil.

Indústria brasileira tem capacidade, mas enfrenta perda de mercado

O Brasil possui uma indústria consolidada de celulose e papel, sendo um dos principais produtores mundiais do setor. Historicamente, o consumo interno de papel sulfite é abastecido majoritariamente pela produção nacional.

A capacidade instalada das fábricas brasileiras representa 143% do consumo doméstico, o que significa que o país poderia produzir cerca de 43% a mais do que o mercado interno atualmente demanda.

Para a Ibá, o avanço das importações pode provocar redução de investimentos e afetar a sustentabilidade econômica das empresas nacionais.

A entidade afirma que a combinação entre aumento das compras externas e preços reduzidos justifica a adoção de medidas emergenciais para proteger a produção brasileira.

Exportações brasileiras de papel também registram queda

Enquanto as importações avançam, as exportações brasileiras de papel apresentam retração. Entre janeiro e maio de 2025, o país enviou ao exterior cerca de 150 milhões de quilos do produto. No mesmo intervalo deste ano, o volume caiu para 129 milhões de quilos.

Segundo a Ibá, o setor enfrenta uma dupla dificuldade: a redução da participação no mercado internacional e a perda de espaço dentro do próprio mercado brasileiro.

O diretor internacional da entidade, José Carlos da Fonseca Júnior, afirmou que a reorganização do comércio global após as restrições impostas pelos Estados Unidos criou novos desafios para produtores de diferentes países.

Ele destacou que parte dos produtos fabricados com celulose brasileira exportada para a China acaba retornando ao Brasil em forma de papel industrializado, com preços inferiores aos produtos nacionais.

Setor também busca proteção para papel-cartão

Além do papel sulfite, a indústria brasileira também apresentou pedido relacionado ao papel-cartão, utilizado em embalagens de medicamentos, alimentos e produtos de higiene.

Em 2024, a Ibá solicitou à Câmara de Comércio Exterior (Camex) a elevação da tarifa de importação desse produto de 12,5% para 25%. O governo autorizou aumento para 16%, com validade temporária.

Agora, a entidade afirma que o cenário piorou e defende uma nova elevação, desta vez para 35%, alegando que os produtos chegam ao país com preços que não refletem uma concorrência equilibrada.

China enfrenta barreiras comerciais nos Estados Unidos

Os Estados Unidos já aplicam medidas antidumping e compensatórias contra determinados tipos de papel produzidos na China e na Indonésia, além de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos chineses.

O governo norte-americano também abriu investigações sobre o excesso de capacidade industrial da China e possíveis práticas comerciais consideradas prejudiciais ao mercado.

A indústria brasileira de papel se junta a outros setores que têm solicitado aumento de tarifas de importação diante do crescimento das vendas de produtos chineses no país.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Araquém Alcântara/Divulgação

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Exportação

Exportações de alimentos ganham força em estratégia do Brasil diante de conflitos globais

Os impactos dos conflitos internacionais sobre o comércio exterior têm levado o Brasil a reforçar sua estratégia de ampliar as exportações de alimentos. A avaliação foi apresentada nesta quinta-feira (30), em Brasília, pelo presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, durante a primeira edição do Outlook Agro Brasil. Segundo ele, expandir as vendas externas é um fator decisivo para impulsionar o desenvolvimento econômico do país.

Agronegócio brasileiro busca ampliar presença no mercado internacional

Durante o evento, Müller destacou que o agronegócio brasileiro ocupa posição estratégica no abastecimento global de alimentos. De acordo com ele, as exportações do setor cresceram dez vezes nos últimos 20 anos, demonstrando a capacidade do Brasil de atender à demanda mundial por alimentos, além de ampliar a oferta de biocombustíveis e créditos de carbono.

O dirigente ressaltou, no entanto, que esse potencial depende de um ambiente internacional marcado por estabilidade e previsibilidade nas relações comerciais.

Conflitos e tarifas elevam desafios para o comércio exterior

Na avaliação do presidente da ApexBrasil, o aumento das tensões geopolíticas e a adoção de novas barreiras tarifárias geram incertezas para investidores e dificultam o avanço do comércio internacional.

Müller afirmou que o Brasil busca fortalecer sua imagem como parceiro confiável, apostando na redução de barreiras comerciais, no diálogo com outros países e na ampliação de acordos internacionais. Segundo ele, a confiança construída ao longo dos anos foi determinante para a abertura de novos mercados ao setor agropecuário.

Brasil aposta em novos acordos comerciais para ampliar exportações

O diretor do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Alex Giacomelli, afirmou que o comércio global passa por uma fase de profundas mudanças, marcada pela reorganização das cadeias produtivas e pelo aumento de medidas tarifárias unilaterais.

Segundo o diplomata, esse cenário cria oportunidades para que o Brasil fortaleça sua posição como fornecedor de alimentos produzidos de forma sustentável, atendendo países que dependem da produção brasileira para garantir a segurança alimentar.

Ele também destacou o avanço da agenda comercial brasileira, citando acordos firmados com a EFTA, União Europeia e Singapura, além das negociações em andamento com Canadá, Emirados Árabes Unidos, Japão e Coreia do Sul.

Logística e diversificação de mercados são prioridades

Giacomelli ressaltou que a competitividade do agronegócio também depende da estabilidade das rotas logísticas e do abastecimento de insumos estratégicos.

Segundo ele, o Itamaraty atua em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária para preservar o fluxo do comércio internacional, mantendo diálogo com governos estrangeiros para assegurar o fornecimento desses insumos.

Na avaliação do representante do MRE, diversificar os parceiros comerciais deixou de ser apenas uma estratégia de expansão e passou a representar uma necessidade econômica diante da fragmentação do cenário internacional.

Outlook Agro Brasil reúne governo e setor produtivo

O Outlook Agro Brasil reúne autoridades, especialistas e representantes do setor para discutir as perspectivas da agropecuária brasileira na safra 2026/27, além dos fatores que devem influenciar a produção, os investimentos e o comércio nos próximos meses.

A abertura contou com a participação do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa; do presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller; e da presidente executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Regina Zanella.

Além dos debates técnicos, o encontro busca consolidar um espaço permanente de diálogo entre governo, produtores, cooperativas, empresas e investidores para apoiar decisões estratégicas voltadas ao fortalecimento do comércio exterior e da agropecuária brasileira.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Chuttersnap/ Unsplash

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Eventos

FALTAM 5 DIAS: Multimodal Nordeste 2026 destaca inovação, infraestrutura e negócios

Em um momento em que o Nordeste amplia sua relevância no cenário logístico nacional, a Multimodal Nordeste 2026 se consolida como um dos principais encontros de negócios, inovação e conhecimento do setor. Entre os dias 4 e 6 de agosto, o Recife Expo Center reunirá executivos, embarcadores, operadores logísticos, transportadoras, autoridades, fornecedores de tecnologia e especialistas para discutir as tendências que estão moldando o futuro da cadeia de suprimentos no Brasil.

Mais do que uma feira de negócios, a Multimodal Nordeste promove conexões estratégicas, apresenta soluções para transporte e logística, impulsiona o networking e abre espaço para debates sobre os desafios e oportunidades do mercado. Um dos destaques da programação é o Conecta Multimodal, painel de palestras realizado em parceria com o Movimento Econômico e a Folha de Pernambuco, reunindo grandes nomes do setor para discutir temas que impactam diretamente a competitividade das empresas.

Para visitar a feira é preciso fazer credenciamento. Os leitores do ReConecta News podem garantir o acesso gratuito utilizando o cupom CONVITECONECTA durante a inscrição. Já a participação nas palestras do Conecta Multimodal é paga e requer a aquisição do ingresso no site oficial da Multimodal Nordeste.

CONECTA MULTIMODAL: Programação reúne especialistas em logística, tecnologia e infraestrutura

Durante os três dias de evento, o Conecta Multimodal promoverá nove palestras voltadas aos principais desafios da logística moderna, abordando desde a valorização dos profissionais até inteligência artificial, infraestrutura, cabotagem, geopolítica e sustentabilidade.

4 de agosto: pessoas, tecnologia e desenvolvimento regional

A programação começa às 15h com a palestra “Pessoas no Centro da Estrada: Como a Humanização do Motorista Transforma Risco em Performance”, ministrada por Wiker Lytiery, gestor do Grupo Tombini. O painel discutirá como a valorização dos profissionais do transporte influencia a segurança e os resultados operacionais.

Às 16h30, Carlos Menchik, professor de Logística e Supply Chain da ESPM, apresenta “Como a Tecnologia Está Mudando a Logística no Mundo – Uma Visão Externa das Boas Práticas de Tecnologia Aplicada à Logística”, trazendo exemplos internacionais e tendências que vêm transformando a gestão logística.

Encerrando o primeiro dia, às 18h, Tiago Veras, gerente executivo de Inteligência em Transporte da Confederação Nacional do Transporte (CNT), abordará “O Papel da Infraestrutura de Transporte no Desenvolvimento Regional”, destacando como investimentos em mobilidade e logística impulsionam a economia.

5 de agosto: inteligência artificial, dados e combustíveis sustentáveis

No segundo dia, às 15h, Juliano Maia, especialista em Logística, Supply Chain e Operações da TOTVS, apresentará “Inteligência Artificial Além do Hype: Impactos e Oportunidades da IA nas Operações Logísticas e na Cadeia de Supply”, mostrando aplicações práticas da tecnologia para aumentar eficiência e produtividade.

Às 16h30, será a vez de Thiago Bona, CEO da Gobrax, com a palestra “Dados no TRC: Como Transformar Números em Decisões para Motoristas e Gestores”, destacando o papel da análise de dados na gestão do transporte rodoviário de cargas.

Fechando a programação do dia, às 18h, Sóstenes Alcoforado, diretor de Sustentabilidade e Inovação do Complexo Industrial Portuário de Suape, apresentará “Suape: Hub de Combustíveis Sustentáveis”, mostrando o protagonismo do porto pernambucano na transição energética e na logística sustentável.

6 de agosto: geopolítica, cabotagem e experiência do cliente

O último dia começa às 15h com Igor Muniz, Chief Commercial Officer da Scan Global Logistics para a América Latina, que ministrará a palestra “Como Reduzir os Impactos da Geopolítica e da Sazonalidade nos Fretes Internacionais da Ásia para o Brasil”. O painel discutirá estratégias para enfrentar oscilações de mercado, conflitos internacionais e variações na oferta de transporte marítimo.

Às 16h30, Luis Fernando Resano, diretor-executivo da Associação Brasileira de Armadores de Cabotagem (ABAC), conduzirá o debate “Navegando o Futuro: Cabotagem como Motor de Competitividade e Sustentabilidade”, apresentando o potencial do modal para ampliar a eficiência logística e reduzir impactos ambientais.

O encerramento acontece às 18h, com Fernando Trigueiro, presidente da Anelog, que abordará o tema “Gerenciamento das Expectativas e Percepções dos Clientes”, destacando a importância da comunicação, da previsibilidade operacional e da excelência no atendimento para fortalecer relacionamentos comerciais.

Com uma programação focada em inovação, infraestrutura, tecnologia e desenvolvimento sustentável, o Conecta Multimodal reforça a proposta da Multimodal Nordeste de promover conhecimento, networking e soluções para os desafios atuais da logística brasileira.

Com informações da organização da Multimodal Nordeste.

Texto e Imagem: ReConecta News

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Eventos

BWIN Tech estreia como expositora na Multimodal Nordeste e reforça estratégia de expansão no mercado logístico

A BWIN Tech, especializada em seguros para logística, transporte e comércio exterior, participará pela primeira vez como expositora da Multimodal Nordeste 2026, que acontece entre os dias 4 e 6 de agosto, no Recife Expo Center, em Recife (PE). A presença na feira integra a estratégia da empresa de ampliar sua atuação no Nordeste e estreitar o relacionamento com clientes e parceiros da região.

De acordo com a Partner and Business Development Director da BWIN Tech, Carla Kuhn, a decisão de expor no evento foi tomada após a experiência positiva na edição anterior.  “No ano passado participamos da Multimodal Nordeste como visitantes para conhecer a feira e entender o potencial da região. A experiência foi muito positiva e percebemos que fazia sentido estarmos presentes como expositores neste ano,” destaca.

Durante a feira, a empresa apresentará seu portfólio de soluções voltadas ao setor logístico, incluindo seguros especializados, gestão de riscos e atendimento consultivo para operações de transporte, armazenagem, responsabilidade civil e comércio exterior.

Segundo Carla, o objetivo é demonstrar como uma gestão eficiente de riscos pode contribuir para operações mais seguras e eficientes. “Vamos apresentar nossas soluções para o mercado logístico, mostrando como ajudamos empresas a proteger suas operações com seguros especializados, gestão de riscos e um atendimento próximo e personalizado,” explica Carla.

Nordeste faz parte da estratégia de crescimento

Embora já possua clientes na região, a BWIN Tech enxerga o Nordeste como um mercado estratégico para expansão. A expectativa é fortalecer a marca, ampliar a rede de relacionamentos e gerar novas oportunidades de negócios durante a feira. “Já atendemos clientes na região e acreditamos muito no potencial do Nordeste. Estar na feira faz parte da nossa estratégia de fortalecer nossa presença, criar novos relacionamentos e expandir nossa atuação,” completa Carla.

A participação também permitirá que a empresa se aproxime de embarcadores, operadores logísticos, transportadoras, agentes de carga, importadores e exportadores em busca de soluções para proteção de suas operações.

Relacionamento continua sendo um diferencial

Para a executiva, eventos presenciais seguem sendo fundamentais para o desenvolvimento de negócios e fortalecimento da confiança entre empresas e clientes. “Acreditamos que nada substitui o contato presencial. Estar perto dos clientes, parceiros e do mercado fortalece relacionamentos, gera confiança e abre portas para novas oportunidades. É por isso que investir em eventos como esse faz tanto sentido para a BWIN,” explica a Partner and Business Development Director da BWIN Tech, Carla Kuhn.

Multimodal Nordeste reúne os principais players da logística

A Multimodal Nordeste será realizada de 4 a 6 de agosto, no Recife Expo Center, reunindo empresas, especialistas e lideranças dos setores de logística, transporte, intralogística, tecnologia, infraestrutura e comércio exterior. Consolidada como a principal feira do segmento nas regiões Norte e Nordeste, o evento promove networking, geração de negócios e a apresentação das principais tendências e soluções para o mercado.

Texto: ReConecta News

Imagem: Divulgação

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Exportação

Exportações de couro do Uruguai caem 19% no semestre, mas junho mostra reação do setor

As exportações de couro do Uruguai encerraram o primeiro semestre de 2026 em baixa, refletindo um cenário mais desafiador para o comércio exterior do país. Apesar da retração acumulada, os dados de junho apontam uma recuperação nas vendas externas, indicando uma possível melhora na demanda internacional.

As informações constam no mais recente levantamento da Uruguay XXI, agência responsável pela promoção das exportações, investimentos e da marca-país uruguaia.

Vendas externas de couro recuam no acumulado do ano

Entre janeiro e junho, as exportações de couro e artigos de couro totalizaram US$ 35 milhões, valor 19% inferior aos US$ 44 milhões registrados no mesmo período de 2025.

O desempenho negativo confirma um primeiro semestre de menor ritmo para o setor, que integra a cadeia de produtos de origem animal e a indústria manufatureira do Uruguai.

Junho registra crescimento nas exportações

Apesar do resultado acumulado, o mês de junho apresentou um cenário mais positivo.

No período, as vendas externas de couro uruguaio alcançaram US$ 7 milhões, representando um crescimento de 13% em comparação com os US$ 6 milhões exportados em junho do ano passado.

O avanço é visto como um indicativo de recuperação gradual das exportações após meses de desempenho mais fraco.

Segmento de peles também apresenta melhora

O comportamento foi semelhante no mercado de peles e artigos de pele.

No acumulado do primeiro semestre, as exportações da categoria somaram US$ 2 milhões, resultado 9% inferior aos US$ 3 milhões registrados no mesmo intervalo de 2025.

Já em junho, embora os embarques tenham permanecido abaixo de US$ 1 milhão, houve crescimento de 11% na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Recuperação pode indicar retomada da demanda internacional

Para especialistas em comércio exterior e logística, os números mostram que o setor enfrentou um primeiro semestre mais fraco, mas a melhora observada em junho pode sinalizar maior resistência da demanda nos mercados internacionais.

Embora o segmento de couro represente uma participação relativamente pequena na pauta exportadora uruguaia, ele continua sendo considerado estratégico por integrar uma cadeia produtiva diversificada e relevante para a economia do país.

FONTE: Fashion Network
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Exportação

Tarifa do açúcar nos EUA é mantida, mas Brasil perde espaço em cota de exportação

As exportações de açúcar brasileiro destinadas aos Estados Unidos dentro da cota tarifária permanecerão isentas da nova sobretaxa de 12,5% anunciada pelo governo norte-americano para diversos produtos importados. Apesar da manutenção das regras atuais para esse volume, o Brasil terá uma redução expressiva na quantidade de açúcar que poderá exportar com condições preferenciais a partir do próximo ano fiscal.

Cota tarifária é reduzida para o Brasil

De acordo com decisão do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), o açúcar embarcado dentro da cota continuará sujeito apenas à tarifa já existente, de 25%.

Já os embarques que ultrapassarem esse limite passarão a enfrentar uma carga tributária de 37,5%, resultado da soma da tarifa atual com a nova sobretaxa imposta pelos Estados Unidos.

Embora o regime de cotas tenha sido preservado, a principal alteração está na redução do volume reservado ao Brasil.

Volume de exportação cairá em 2027

No ano fiscal de 2027, que começa em outubro deste ano, a participação brasileira na cota será reduzida de 156 mil toneladas para 100 mil toneladas.

Atualmente, esse benefício atende exclusivamente usinas das regiões Norte e Nordeste, conforme prevê a Lei nº 9.362/1996, que garante acesso preferencial desses produtores aos mercados internacionais de derivados da cana-de-açúcar.

Setor vê aumento da insegurança comercial

Para representantes da indústria sucroenergética, a diminuição da cota amplia as incertezas nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

O presidente-executivo da NovaBio (Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia), Renato Cunha, afirma que ainda não é possível saber se a redução será definitiva ou temporária. Segundo ele, o volume poderá ser restabelecido futuramente ou redistribuído entre os demais países participantes do sistema de cotas.

Na avaliação do dirigente, a mudança dificulta o planejamento das empresas do setor e aumenta a imprevisibilidade para a cadeia produtiva da cana-de-açúcar.

Etanol também preocupa produtores brasileiros

Além do impacto sobre o açúcar, o setor acompanha com atenção as discussões envolvendo o comércio de etanol entre os dois países.

Segundo Renato Cunha, enquanto o açúcar brasileiro continua sujeito a restrições de acesso ao mercado norte-americano, os Estados Unidos defendem maior abertura para exportar etanol ao Brasil.

Para o executivo, o cenário demonstra uma relação comercial desequilibrada, já que os produtores brasileiros enfrentam limitações para vender açúcar aos EUA, enquanto os norte-americanos buscam ampliar o acesso do biocombustível ao mercado brasileiro.

Decisão mantém benefício, mas aumenta incertezas

A manutenção da tarifa atual para o açúcar exportado dentro da cota evita um impacto imediato sobre parte das vendas brasileiras aos Estados Unidos.

No entanto, a redução do volume disponível no regime preferencial e o aumento da tributação para embarques acima desse limite reforçam o ambiente de incerteza para o setor, que agora aguarda os próximos desdobramentos das negociações comerciais entre os dois países.

FONTE: AgroRevenda
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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