Negócios

BR do Mar pode ampliar competitividade do Brasil com acordo Mercosul-União Europeia

O programa BR do Mar pode desempenhar um papel estratégico no fortalecimento da logística brasileira diante das novas oportunidades comerciais abertas pelo acordo entre Mercosul e União Europeia. Com a perspectiva de expansão das exportações, a eficiência no transporte de mercadorias ganha importância para reduzir custos, melhorar a previsibilidade das operações e ampliar a presença dos produtos nacionais no mercado internacional.

O decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril, que promulgou o acordo comercial, marcou uma nova etapa nas relações econômicas entre os dois blocos. Com a entrada em vigor provisória das medidas previstas no tratado, a preparação da infraestrutura logística torna-se um fator relevante para aproveitar o potencial de crescimento do comércio exterior.

Nesse contexto, o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) aposta no BR do Mar, iniciativa voltada ao estímulo da cabotagem e à ampliação do transporte de cargas entre portos brasileiros.

Cabotagem pode ganhar espaço na logística nacional

A cabotagem, modalidade de transporte marítimo realizada entre portos do mesmo país, representa atualmente cerca de 12% da matriz de transportes brasileira, segundo o Guia de Utilização da Cabotagem e de Habilitação ao BR do Mar.

A participação é inferior à registrada em outras economias, como Japão, onde chega a 44%, União Europeia, com 32%, e China, com 25%.

O programa busca ampliar o uso desse modal, especialmente no transporte de contêineres, que movimentam produtos industrializados e mercadorias de maior valor agregado.

Ao incentivar a navegação entre portos nacionais, a iniciativa pretende diversificar as alternativas de transporte e diminuir a dependência das rodovias em deslocamentos de longas distâncias.

Acordo comercial pode abrir novas oportunidades de exportação

Um estudo da ApexBrasil indica que o acordo entre Mercosul e União Europeia pode abrir 543 oportunidades imediatas de exportação para empresas brasileiras.

A estimativa apresentada aponta que as vendas do Brasil para o mercado europeu podem crescer em até US$ 1 bilhão já no primeiro ano de vigência do acordo.

Para transformar essas oportunidades em negócios, o país precisará oferecer condições logísticas compatíveis com as exigências do comércio internacional, incluindo custos competitivos, regularidade no transporte e maior previsibilidade nas entregas.

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, destaca que a modernização da logística é fundamental para ampliar a competitividade nacional. Segundo ele, o BR do Mar contribui para aprimorar a matriz de transportes, integrar diferentes modais e preparar o país para uma possível expansão das exportações.

Portos do Norte e Nordeste podem ganhar importância

Com o crescimento potencial das vendas para a Europa, os portos das regiões Norte e Nordeste podem ampliar sua relevância nas operações de comércio exterior, considerando sua localização geográfica em relação ao continente europeu.

Nesse cenário, a integração entre cabotagem e transporte de exportação pode facilitar a redistribuição de cargas produzidas em diferentes partes do país.

Mercadorias industrializadas provenientes das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, por exemplo, poderão ser transportadas por navios até terminais exportadores do Norte e Nordeste, reduzindo a necessidade de percorrer longas distâncias exclusivamente por rodovias.

A estratégia pode ampliar as alternativas logísticas para os exportadores e contribuir para uma distribuição mais eficiente dos fluxos de carga entre os portos brasileiros.

Transporte marítimo pode reduzir custos e emissões

Além dos ganhos operacionais, a cabotagem apresenta vantagens relacionadas à sustentabilidade no transporte de cargas.

Estimativas da Infra S.A. indicam que o transporte marítimo pode emitir até seis vezes menos poluentes do que o rodoviário para movimentar a mesma carga em longas distâncias.

Em relação aos custos médios, o modal marítimo pode apresentar despesas até 60% inferiores às do transporte rodoviário e até 40% menores que as do ferroviário, conforme os parâmetros citados.

Essas diferenças reforçam o potencial da navegação costeira como alternativa para reduzir despesas logísticas e a pegada ambiental do transporte de mercadorias.

Em um cenário de maior integração comercial com a Europa, a combinação entre eficiência econômica e redução de emissões pode se tornar um diferencial para empresas brasileiras.

BR do Mar prevê incentivos para embarcações sustentáveis

O programa também estabelece mecanismos para ampliar a capacidade de transporte das Empresas Brasileiras de Navegação (EBN), incluindo regras para o afretamento de embarcações estrangeiras.

Entre os incentivos previstos está a possibilidade de ampliar o uso de navios afretados conforme as características da frota e o atendimento aos critérios estabelecidos pelo programa, com vantagens associadas à utilização de embarcações mais sustentáveis.

Na prática, determinadas condições permitem que as empresas ampliem em até 50% a tonelagem de sua frota própria por meio do afretamento de navios estrangeiros. O percentual pode chegar a 100% quando são utilizadas embarcações sustentáveis e alcançar até 300% em combinações específicas entre frota própria e embarcações afretadas com características ambientais mais eficientes.

Esses mecanismos buscam estimular a expansão da capacidade de transporte e incentivar a adoção de soluções com menor impacto ambiental.

Integração logística será decisiva para ampliar exportações

O avanço do acordo Mercosul-União Europeia coloca a infraestrutura de transportes entre os fatores que podem determinar a capacidade brasileira de conquistar novos mercados.

Nesse contexto, o BR do Mar surge como uma ferramenta para ampliar a participação da cabotagem, fortalecer a integração entre os modais e oferecer alternativas de transporte mais competitivas.

A combinação entre portos estruturados, navegação costeira e incentivos à sustentabilidade poderá contribuir para reduzir custos, melhorar o escoamento da produção e preparar o Brasil para atender às novas demandas do comércio internacional.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MPor

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Portos

Novo terminal de contêineres do Porto de Fortaleza prevê R$ 429 milhões em investimentos

O novo terminal de contêineres do Porto de Fortaleza, no Ceará, avança rumo ao leilão após o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovar, nesta quarta-feira (2), a modelagem do edital de arrendamento da área MUC04. O empreendimento tem como um dos objetivos fortalecer a logística de exportação, especialmente no transporte de frutas e de outras cargas que exigem refrigeração.

Com a aprovação do Tribunal, o processo será encaminhado à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), responsável por estabelecer a data do leilão.

A iniciativa representa a retomada, após cerca de 20 anos, da licitação de um novo terminal de contêineres desse tipo no país e abre caminho para a ampliação da infraestrutura portuária em Fortaleza.

Terminal MUC04 terá investimentos de R$ 429 milhões

A empresa vencedora da disputa deverá investir aproximadamente R$ 429 milhões na implantação e na modernização da infraestrutura do terminal. O contrato de arrendamento terá duração de 25 anos.

Atualmente, a movimentação de contêineres no Porto de Fortaleza ocorre em uma área de aproximadamente 88 mil metros quadrados, com operações distribuídas e amparadas por um contrato de transição.

Com o novo arrendamento, o terminal MUC04 passará a ocupar uma área contínua de cerca de 148 mil metros quadrados, permitindo reorganizar o espaço, aprimorar o fluxo de cargas e implementar melhorias operacionais.

A ampliação deverá proporcionar melhores condições para o atendimento das demandas do comércio exterior e aumentar a capacidade de movimentação de mercadorias no complexo portuário.

Exportação de frutas é uma das prioridades do projeto

Um dos focos do novo terminal será o atendimento às operações de exportação de frutas e produtos do agronegócio. Essas mercadorias dependem de uma estrutura logística adequada para preservar a qualidade durante o transporte até os mercados consumidores internacionais.

Para isso, a infraestrutura deverá contemplar recursos para a operação de contêineres refrigerados (reefer), que precisam permanecer conectados a pontos de energia para manter a temperatura apropriada durante o armazenamento e a movimentação.

A disponibilidade desses equipamentos e a eficiência da cadeia de frio são fatores importantes para garantir a conservação de cargas perecíveis e agilizar o escoamento da produção destinada à exportação.

Capacidade será de 360 mil contêineres por ano

O projeto prevê capacidade para movimentar anualmente 360 mil TEUs, unidade de medida equivalente a um contêiner de 20 pés. O volume reforça o potencial do empreendimento para ampliar a oferta de serviços portuários e atender ao crescimento das operações de comércio exterior.

A nova estrutura deverá beneficiar a chamada hinterlândia do porto, expressão utilizada para designar sua área de influência econômica e logística. Nesse caso, o alcance inclui mercados do Ceará e de outros estados das regiões Nordeste e Centro-Oeste.

Com uma estrutura ampliada e operações mais eficientes, a expectativa é contribuir para a redução dos custos logísticos, melhorar a competitividade das empresas e modernizar o transporte da produção cearense até os mercados nacionais e internacionais.

Novo terminal prevê geração de 379 empregos diretos

Além dos investimentos em infraestrutura, o arrendamento do MUC04 tem previsão de gerar 379 empregos diretos, distribuídos entre atividades administrativas e operacionais.

A implantação do terminal poderá ampliar as oportunidades de trabalho relacionadas à operação portuária e aos serviços associados à movimentação de cargas.

Com a conclusão das etapas necessárias para o leilão, o projeto poderá avançar na modernização do Porto de Fortaleza, fortalecendo sua participação na logística regional e criando melhores condições para o transporte de contêineres e a exportação de produtos perecíveis.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Portos

Portos do Nordeste: municípios movimentam US$ 9,6 bilhões no comércio exterior até setembro de 2026

Os municípios vinculados aos complexos portuários de Itaqui (MA), Pecém (CE) e Suape (PE) registraram cerca de US$ 9,6 bilhões em operações de comércio exterior entre janeiro e setembro de 2026. Os dados da plataforma Data Nordeste, da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), revelam diferenças no desempenho das exportações e importações dos territórios associados aos três polos logísticos.

O levantamento aponta que, apesar do volume expressivo de negócios internacionais, os municípios apresentam resultados distintos na balança comercial, influenciados pela composição dos produtos comercializados e pela origem e destino das mercadorias.

São Luís lidera as exportações entre os municípios analisados

São Luís, no Maranhão, alcançou o maior valor de exportações no período, superando US$ 1,3 bilhão. Na segunda posição ficou São Gonçalo do Amarante, no Ceará, onde está instalado o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, com US$ 941,9 milhões em vendas ao mercado internacional.

Já Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, municípios ligados ao Complexo Industrial Portuário de Suape, registraram juntos US$ 434,6 milhões em exportações.

O desempenho das vendas externas, entretanto, não se repete quando são consideradas as importações. São Gonçalo do Amarante foi o único dos três polos com superávit comercial, enquanto São Luís e os municípios pernambucanos apresentaram resultados negativos.

Pecém registra saldo comercial positivo

São Gonçalo do Amarante encerrou os nove primeiros meses de 2026 com saldo positivo de aproximadamente US$ 449,1 milhões na balança comercial. As importações municipais somaram US$ 492,8 milhões, enquanto as exportações alcançaram US$ 941,9 milhões.

O resultado diferencia o município dos outros territórios incluídos no levantamento e demonstra uma relação favorável entre as vendas e as compras internacionais no período.

Em São Luís, por outro lado, as importações chegaram a US$ 3,4 bilhões, resultando em um déficit comercial de US$ 2,1 bilhões. Nos municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, as compras externas totalizaram US$ 3 bilhões, com saldo negativo conjunto de US$ 2,6 bilhões.

Mineração, metalurgia e agronegócio se destacam nas exportações

A pauta de produtos exportados também evidencia diferenças e semelhanças entre os municípios. Em São Luís e São Gonçalo do Amarante, os principais itens comercializados incluem alumínio, soja, minérios, ligas de aço e produtos semimanufaturados.

No Maranhão, Canadá, China e Estados Unidos estão entre os principais destinos das mercadorias. No Ceará, os Estados Unidos e o México figuram entre os compradores de destaque.

A composição das vendas externas aponta a importância das cadeias produtivas de mineração, metalurgia e agropecuária, além da participação de bens industrializados e semimanufaturados no comércio internacional desses territórios.

Suape tem destaque nos segmentos mineral e químico

Nos municípios pernambucanos de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, os grupos de produtos exportados incluem mercadorias dos setores mineral e de plásticos.

Nas importações, os Estados Unidos e os Países Baixos aparecem entre os principais países de origem dos produtos. Entre os itens adquiridos no exterior, destacam-se mercadorias dos segmentos mineral e químico.

A diferença entre os valores das exportações e importações resultou em um déficit de US$ 2,6 bilhões para o conjunto dos dois municípios entre janeiro e setembro de 2026.

Importações de São Luís superam as vendas ao exterior

Em São Luís, o volume de compras internacionais ultrapassou significativamente o valor das exportações. Os Estados Unidos e a Rússia estão entre os principais fornecedores estrangeiros, enquanto produtos minerais e da indústria química figuram entre os itens mais relevantes da pauta de importações.

Com US$ 3,4 bilhões em importações e exportações superiores a US$ 1,3 bilhão, o município maranhense acumulou saldo comercial negativo de US$ 2,1 bilhões no período analisado.

Os números reforçam a importância de observar não apenas o volume de vendas externas, mas também o comportamento das importações para compreender o desempenho do comércio internacional em cada território.

Data Nordeste reúne informações sobre o comércio exterior

Os dados do levantamento estão disponíveis no Data Nordeste, plataforma da Sudene que reúne indicadores de exportações e importações dos estados e municípios abrangidos pela área de atuação da instituição.

Os painéis permitem consultar valores comercializados, principais produtos, países de destino das exportações, origens das importações e saldos da balança comercial. As informações são provenientes do ComexStat, sistema da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

A base municipal mais recente utilizada na análise contempla o período de janeiro a setembro de 2026.

Dados municipais não representam necessariamente a movimentação dos portos

A interpretação dos resultados exige uma ressalva metodológica: as estatísticas municipais de comércio exterior são organizadas de acordo com o domicílio fiscal das empresas exportadoras e importadoras.

Na prática, isso significa que o município informado na base de dados não corresponde obrigatoriamente ao local de produção da mercadoria ou ao porto utilizado para o embarque. Uma operação pode ser contabilizada em uma cidade onde está registrada a empresa responsável pela transação, mesmo que a carga tenha sido produzida ou embarcada em outro local.

Essa distinção é especialmente importante para São Luís, São Gonçalo do Amarante, Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, devido à associação desses municípios a importantes complexos portuários nordestinos.

Portanto, os valores apresentados representam as estatísticas municipais de comércio exterior, e não necessariamente o volume físico de cargas movimentadas nos portos de Itaqui, Pecém e Suape.

FONTE: MA Hoje
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/MA Hoje

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Comércio Internacional

Chile e China buscam ampliar oportunidades comerciais e fortalecer acordo de livre comércio

Chile e China discutiram novas possibilidades para aprofundar as relações econômicas e comerciais durante a 8ª Comissão de Livre Comércio (CLC), realizada no âmbito do Tratado de Livre Comércio (TLC) entre os dois países. O encontro teve como foco a implementação do acordo, os resultados alcançados desde sua entrada em vigor e a identificação de novas oportunidades de cooperação bilateral.

Países avaliam avanços do tratado comercial

A delegação chilena foi liderada por Felipe Lopeandía, diretor-geral de Assuntos Econômicos Bilaterais da Subsecretaria de Relações Econômicas Internacionais (Subrei). Também participaram Pablo Urria, chefe do Departamento Ásia, Fernando Catalán, responsável pelo Departamento de Assuntos Regulatórios do Comércio, e o embaixador do Chile na China, Alfonso Silva.

Durante as negociações, as equipes analisaram a evolução do intercâmbio comercial desde outubro de 2006, quando o acordo entrou em vigor. Os representantes destacaram a complementaridade das duas economias nos setores de bens e investimentos, além da contribuição do tratado para estreitar os vínculos entre os países.

Segundo Lopeandía, a comissão é fundamental para acompanhar a execução do acordo, solucionar eventuais dificuldades e identificar caminhos para ampliar o comércio bilateral.

China apoia estudo sobre os impactos do acordo

A delegação chinesa, liderada por Chao Chen, diretor-geral do Departamento de Comércio Internacional e Assuntos Econômicos do Ministério do Comércio da China, demonstrou interesse na proposta chilena de realizar um estudo de impacto do Tratado de Livre Comércio.

A iniciativa pretende avaliar de maneira aprofundada os resultados obtidos com o acordo e identificar novos setores e oportunidades de interesse comum.

Os dois países também manifestaram interesse em manter as reuniões da Comissão de Livre Comércio como instrumento permanente de diálogo, acompanhamento e aperfeiçoamento da parceria econômica.

China concentra cerca de um terço do comércio exterior chileno

A subsecretária de Relações Econômicas Internacionais do Chile, Paula Estévez, ressaltou a importância estratégica do mercado chinês para a economia do país sul-americano.

De acordo com a representante, a China responde por aproximadamente um terço do comércio exterior chileno, enquanto o Chile se consolidou como um parceiro confiável para os chineses e ocupa a terceira posição entre os parceiros comerciais da China na América Latina.

Estévez também destacou que as prioridades econômicas chinesas, previstas no novo Plano Quinquenal, podem abrir espaço para iniciativas conjuntas em áreas como transição energética, manufatura avançada, inteligência artificial e desenvolvimento sustentável.

Segundo ela, esses segmentos apresentam oportunidades alinhadas às capacidades e aos projetos que o Chile vem desenvolvendo.

Comércio bilateral supera US$ 45 bilhões em 2026

O intercâmbio comercial entre Chile e China manteve trajetória de crescimento nos primeiros oito meses de 2026. Entre janeiro e agosto, as trocas comerciais somaram US$ 45,647 bilhões, uma alta de 8,3% em relação ao mesmo período de 2025.

O resultado foi impulsionado principalmente pelas exportações chilenas para o mercado chinês, que totalizaram US$ 27,887 bilhões, com crescimento anual de 11,1%.

As importações provenientes da China avançaram em ritmo mais moderado, de 4%, alcançando US$ 17,650 bilhões. Os números apresentados indicam um superávit comercial favorável ao Chile de US$ 11,599 bilhões.

Mineração lidera as exportações chilenas para a China

Em 2025, os produtos minerais tiveram participação expressiva na pauta exportadora chilena destinada ao mercado chinês. Os minerais de cobre lideraram as vendas, com US$ 25,573 bilhões, seguidos pelos cátodos de cobre, que movimentaram US$ 2,619 bilhões, e pelo carbonato de lítio, com US$ 1,205 bilhão.

Nos segmentos agroindustrial e florestal, as cerejas frescas se destacaram, gerando US$ 2,888 bilhões em exportações. A celulose de madeira também teve participação relevante, com US$ 950 milhões.

Os números reforçam a importância das commodities minerais e dos produtos agroindustriais na relação econômica entre os dois países.

Importações chinesas incluem tecnologia e energia renovável

As compras chilenas de produtos chineses em 2025 se concentraram principalmente em equipamentos tecnológicos, bens de consumo e itens relacionados à transição energética.

Entre os principais produtos importados estavam os smartphones, com US$ 1,207 bilhão, e os acumuladores elétricos, que somaram US$ 945 milhões.

Também se destacaram os geradores fotovoltaicos, com US$ 717 milhões; os automóveis de passeio, com US$ 699 milhões; e os equipamentos para processamento de dados, que movimentaram US$ 514 milhões.

A composição das importações evidencia a relevância da China como fornecedora de tecnologia e equipamentos utilizados tanto no consumo interno quanto no desenvolvimento energético chileno.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Portos

El Niño acende alerta nos portos de Santa Catarina e expõe limite para receber cargas de Itajaí e Navegantes

O risco de eventos climáticos associados ao El Niño preocupa o setor portuário de Santa Catarina. Apesar de contar com cinco portos em operação, o estado não dispõe de capacidade ociosa suficiente para absorver integralmente as cargas do Complexo Portuário de Itajaí-Navegantes em caso de interrupção das atividades.

A possibilidade de fechamento do canal do rio Itajaí-Açu a partir de novembro motivou uma reunião entre a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), representantes de terminais portuários, autoridades e integrantes do governo estadual. O encontro, realizado na tarde de quinta-feira, teve como objetivo discutir um plano de contingência portuária para reduzir os impactos de eventuais paralisações.

A avaliação dos participantes é que outros terminais catarinenses podem receber parte das cargas desviadas, mas não conseguiriam compensar integralmente a movimentação de Itajaí e Navegantes por um período prolongado.

Fechamento do canal pode deixar dezenas de navios sem operação

A interrupção da navegação no canal do rio Itajaí-Açu é um risco recorrente, principalmente em períodos de correnteza intensa. Um dos episódios mais críticos ocorreu em outubro de 2023, quando o canal permaneceu fechado durante 16 dias, impedindo a movimentação de cargas de mais de 40 navios nos dois terminais.

Atualmente, uma semana de interrupção já seria suficiente para impedir a atracação de aproximadamente 20 embarcações, segundo informações apresentadas pelo setor.

O diretor setorial da Facisc, Lito Guimarães, destacou que a possibilidade de novos episódios preocupa o Conselho de Comércio Exterior e Negócios Internacionais (Conceni) da entidade. O grupo reúne exportadores, importadores, agentes de carga e representantes das áreas portuária e logística.

Uma reunião sobre o tema também já havia sido realizada na Secretaria de Estado de Portos.

Porto de Imbituba pode receber mais 9 mil TEUs por mês

A análise da capacidade disponível nos demais terminais revelou limitações para absorver uma eventual transferência de cargas.

A Santos Brasil, responsável pela operação do Tecon Imbituba, informou que o terminal pode receber mais 9 mil TEUs mensais sem comprometer o atendimento aos clientes atuais. A sigla TEU corresponde à unidade equivalente a um contêiner de 20 pés.

Em setembro, o terminal movimentou 130 mil TEUs, alcançando um recorde, e atualmente opera quatro linhas regulares de navegação.

Segundo Leonardo Silva, executivo da empresa que participou da reunião, a principal restrição não está no cais, preparado para receber navios de até 366 metros de comprimento, mas na capacidade do pátio para armazenar contêineres.

A disponibilidade de espaço para acomodação das cargas, portanto, representa um dos principais obstáculos para ampliar a operação em situações emergenciais.

Porto Itapoá também enfrenta restrições de capacidade

O Porto Itapoá, que passou por expansões recentes, também possui margem limitada para receber volumes adicionais de contêineres.

De acordo com o executivo Alberto Machado, o terminal opera acima de 80% de sua capacidade. Está prevista ainda uma ampliação de 120 mil metros quadrados destinada ao armazenamento de contêineres, mas a nova área será utilizada para o pré-stacking de exportações — modalidade em que as cargas são posicionadas antecipadamente para embarque.

A expansão, portanto, não representa necessariamente uma solução imediata para absorver grandes volumes desviados de outros portos.

Representantes do setor ressaltaram que a transferência de operações depende também das decisões dos armadores, responsáveis por definir os destinos e as escalas dos navios. Caso haja paralisação prolongada, exportadores poderão precisar reduzir a produção ou redirecionar suas cargas para outras regiões.

Paralisação de Itajaí e Navegantes teria impacto nacional

O presidente da Portonave, Osmari de Castilho Ribas, alertou que uma interrupção do Complexo Portuário de Itajaí-Navegantes teria consequências que ultrapassariam as fronteiras catarinenses.

Na avaliação do executivo, nem Santa Catarina nem o Brasil teriam condições de absorver integralmente o volume de cargas movimentado pelo complexo em caso de paralisação.

A SC Portos, operadora que atua em Itajaí com 20 serviços semanais de navegação, também informou que não dispõe de condições para ampliar significativamente suas atividades diante de um evento climático dessa natureza. A informação foi apresentada pelo diretor Antonio Carlos Guimarães Neto.

O cenário evidencia a importância estratégica do complexo para o comércio exterior brasileiro, especialmente para as operações de importação e exportação que dependem da estrutura portuária catarinense.

Correnteza é a principal causa do fechamento do canal

Segundo Artur Antunes Pereira, diretor da Autoridade Portuária de Itajaí, os episódios recentes de interrupção foram provocados pelo aumento da vazão do rio e pela intensificação da correnteza.

De acordo com o dirigente, os fechamentos não tiveram como causa principal o assoreamento do canal, mas as condições hidrodinâmicas que tornam a navegação insegura.

Desde maio, a autoridade portuária realiza um acompanhamento interno dessas condições com a participação de pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

A partir de 10 de novembro, também está previsto o início de um monitoramento ambiental contratado para fornecer informações sobre ventos e correnteza, permitindo acompanhar as condições que podem comprometer a navegação.

Estudos e dragagem fazem parte das medidas preventivas

Além do monitoramento, estão em andamento iniciativas técnicas para ampliar o conhecimento sobre o comportamento do rio e reduzir os riscos operacionais.

Entre as medidas estão:

  • Aprofundamento dos estudos hidrodinâmicos do rio Itajaí-Açu.
  • Retomada dos trabalhos de dragagem, com a chegada de uma draga do tipo hopper.
  • Desenvolvimento de estudos para aperfeiçoar a orientação e o uso do canal em situações emergenciais.
  • Monitoramento das condições ambientais, especialmente dos ventos e da intensidade da correnteza.

As ações foram detalhadas por Artur Antunes Pereira e buscam melhorar a capacidade de antecipação e resposta diante de condições adversas.

O secretário de Estado de Portos, Ivan Amaral, também ressaltou a importância de considerar a capacidade disponível nos portos de Imbituba e Itapoá como alternativa em episódios de interrupção da navegação.

Agilidade na liberação de cargas pode reduzir prejuízos

Durante a reunião, representantes do setor destacaram ainda a necessidade de agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação de mercadorias nos portos catarinenses.

A atuação de órgãos como a Receita Federal e o Ministério da Agricultura foi apontada como relevante para reduzir atrasos e amenizar os prejuízos quando eventos climáticos provocam o fechamento de terminais.

Com a capacidade ociosa limitada e a dependência de decisões dos armadores para redirecionar navios, a combinação entre monitoramento preventivo, planejamento logístico e maior agilidade nos processos de liberação é considerada fundamental para diminuir os impactos de possíveis interrupções.

FONTE: NSC Total
TEXTO: Redação
IMAGEM: Portonave, Divulgação

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Comércio Internacional

Exportações da América Latina crescem 20% e reacendem debate sobre novo ciclo de commodities

As exportações da América Latina e do Caribe avançaram 20% no primeiro semestre de 2026, na comparação com igual período do ano anterior, impulsionadas principalmente pela valorização das commodities no mercado internacional. O resultado ocorre em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, pela guerra no Oriente Médio e pela disputa comercial entre Estados Unidos e China.

Os dados fazem parte de uma análise da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), órgão das Nações Unidas voltado à promoção do desenvolvimento regional. O levantamento aponta que o comércio exterior latino-americano se beneficiou da expansão das trocas globais, mas também destaca desafios para transformar o aumento das receitas com matérias-primas em desenvolvimento econômico de longo prazo.

No mesmo período, as importações da região cresceram 14%, indicando uma ampliação dos fluxos comerciais.

Comércio mundial supera projeções e favorece a região

O volume do comércio internacional aumentou mais de 5% nos primeiros seis meses de 2026, segundo a Cepal. O desempenho supera em mais do dobro a estimativa de crescimento de 1,9% para o ano inteiro divulgada anteriormente pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Parte significativa dessa expansão foi sustentada pela demanda por componentes eletrônicos associados aos investimentos em inteligência artificial. China e outras economias emergentes da Ásia tiveram papel central nesse movimento.

Nesse contexto, a América Latina e o Caribe figuram entre as regiões beneficiadas pelo crescimento das trocas globais, especialmente devido à alta dos preços de produtos básicos e recursos naturais.

Alta das commodities impulsiona receitas de exportação

A valorização das matérias-primas é apontada pela Cepal como um dos principais fatores por trás do avanço das vendas externas latino-americanas.

Entre janeiro e agosto de 2026, o índice agregado de preços das exportações regionais subiu 23,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Para o conjunto do ano, a projeção é de aumento de 20,4%.

O destaque está no segmento de minerais e metais, cujos preços devem avançar 31,6%. Entre os produtos que sustentam essa perspectiva estão cobre, ouro, prata e estanho.

Para o segundo semestre, a expectativa também é positiva. Em valor, as exportações regionais de bens devem crescer 20% em 2026, resultado de uma combinação entre aumento de 11% nos preços e expansão de 9% nos volumes embarcados.

Caso a estimativa se confirme, a região completará seis anos consecutivos de crescimento no volume de mercadorias exportadas.

Ásia ganha espaço como destino das exportações latino-americanas

Além do crescimento das receitas, a distribuição geográfica do comércio exterior da região passa por mudanças importantes, com maior direcionamento das vendas para os mercados asiáticos.

As exportações para países da Ásia, excluindo a China, devem registrar o maior avanço entre os principais destinos em 2026, com alta projetada de 32% em valor.

As vendas para os Estados Unidos devem aumentar 24%, enquanto os embarques para a União Europeia têm previsão de crescimento de 20%. Para a China, a estimativa é de avanço de 19%.

Já o comércio entre os próprios países latino-americanos deve apresentar expansão mais moderada, de 8%.

Os números indicam uma diversificação dos mercados de destino, embora o desempenho regional continue condicionado à demanda internacional e à evolução dos preços das matérias-primas.

América Latina pode viver um novo superciclo de commodities?

O avanço das exportações levanta a possibilidade de um novo superciclo de commodities, semelhante ao observado entre 2003 e 2014. Naquele período, a forte demanda global elevou os preços dos recursos naturais, ampliou a entrada de divisas e favoreceu o crescimento econômico de diversos países latino-americanos.

Em entrevista ao Herald, o secretário-executivo da Cepal, José Manuel Salazar, reconheceu que o cenário atual abre uma janela de oportunidade para a região. No entanto, ressaltou que as condições econômicas de hoje são bastante diferentes das que impulsionaram o ciclo anterior.

No início do século, o principal motor foi a rápida industrialização chinesa. Durante mais de uma década, a economia do país asiático cresceu entre 9% e 10% ao ano, ampliando significativamente a demanda mundial por petróleo, metais e outros produtos básicos.

Agora, segundo Salazar, as perspectivas estão mais relacionadas à transformação tecnológica, à busca por segurança energética e à transição para uma economia de baixo carbono.

Essa mudança altera o perfil da demanda por recursos naturais e aumenta as incertezas sobre quais matérias-primas terão maior relevância no futuro.

Transição energética e tecnologia trazem riscos para os minerais

A transformação tecnológica cria oportunidades para os países que possuem reservas minerais estratégicas, mas também introduz riscos para os exportadores.

Salazar citou o lítio como exemplo. Embora o mineral seja importante para determinadas tecnologias de baterias, o desenvolvimento de alternativas que dispensem sua utilização poderia reduzir a demanda internacional.

O avanço das pesquisas em países desenvolvidos e na China torna difícil prever quais tecnologias prevalecerão nos próximos anos.

Outro segmento que desperta interesse é o das terras raras, conjunto de elementos utilizados em diferentes aplicações tecnológicas e industriais. Vários países latino-americanos possuem depósitos desses recursos, mas aproveitar esse potencial exige investimentos e conhecimento especializado.

Segundo o secretário-executivo da Cepal, a extração e o refino das terras raras são operações mais complexas do que os processos empregados na produção de cobre e de outros minerais.

Por isso, a simples existência de reservas não garante que os países da região conseguirão transformar esses recursos em ganhos econômicos duradouros.

Agregar valor à produção é o principal desafio regional

Para a Cepal, o desafio da América Latina vai além de ampliar o fornecimento de matérias-primas ao mercado internacional. A região precisa desenvolver capacidades produtivas, tecnológicas e industriais que permitam aproveitar melhor a valorização dos recursos naturais.

A incorporação de conhecimento, inovação e mão de obra qualificada pode ajudar os países a avançar para etapas de maior valor agregado nas cadeias globais de produção.

A estratégia também reduziria a dependência das oscilações dos preços internacionais, um dos fatores que historicamente tornam as economias exportadoras de commodities mais vulneráveis.

Nesse cenário, um eventual novo superciclo poderá representar uma oportunidade relevante para a América Latina, desde que o aumento das receitas com exportações seja acompanhado por investimentos em tecnologia, processamento industrial e qualificação profissional.

O objetivo, portanto, é converter a demanda global por recursos naturais em ganhos estruturais de produtividade e desenvolvimento econômico, em vez de depender exclusivamente da venda de produtos básicos.

FONTE: Buenos Aires Herald
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Buenos Aires Herald

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Importação

Cronograma de Ligamento da Duimp: veja as etapas de implantação no Portal Único Siscomex

O Cronograma de Ligamento da Duimp estabelece a implementação gradual de funcionalidades relacionadas às operações de importação que ainda não estão disponíveis no Portal Único Siscomex. A programação contempla processos que dependem da atuação de órgãos anuentes ou apresentam características específicas que exigem adequações no sistema.

Última fase do cronograma da Duimp

A etapa final do cronograma apresenta as operações que anteriormente eram classificadas como “Impossibilidades” no Portal Único Siscomex. A ativação desses procedimentos ocorrerá de forma escalonada, conforme o planejamento de implantação da Declaração Única de Importação (Duimp).

As demais operações de importação, independentemente de estarem sujeitas ou não ao controle administrativo de órgãos anuentes, já podem ser realizadas por meio de monitoramento, LPCO ou Duimp, no âmbito do Novo Processo de Importação (NPI).

GR Pré-Registro: gerenciamento de risco antes do registro da Duimp

O Gerenciamento de Risco no Pré-Registro (GR Pré-Registro) será integrado à funcionalidade de diagnóstico da Duimp. A ferramenta tem como finalidade orientar os importadores sobre o atendimento às exigências aduaneiras e administrativas aplicáveis a cada operação, além de permitir a identificação antecipada de possíveis inconsistências na declaração.

A iniciativa busca estimular a conformidade voluntária, aumentar a previsibilidade dos processos de importação e contribuir para a facilitação do comércio exterior. Com isso, espera-se reduzir custos operacionais e retrabalhos, tanto para os operadores privados quanto para a Administração Pública.

Fiscalização e expansão das regras de gerenciamento de risco

Outro objetivo do GR Pré-Registro é melhorar a distribuição dos recursos de controle e fiscalização. Com a identificação prévia de possíveis irregularidades, será possível direcionar as ações para operações que apresentem maior nível de risco ou impacto.

A funcionalidade também deverá apoiar o combate a fraudes e a proteção do interesse público, sem substituir os procedimentos regulares de parametrização das declarações de importação.

Em sua fase inicial, o gerenciamento de risco será aplicado às regras da Receita Federal do Brasil (RFB). A previsão é que, futuramente, o recurso seja ampliado para contemplar também as exigências dos demais órgãos anuentes envolvidos no processo de importação.

FONTE: Siscomex
TEXTO: Redação
IMAGEM: IA

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Informação

Siscomex anuncia duas paradas programadas em outubro; veja as datas e os impactos para o comércio exterior

Indisponibilidades estão previstas para os dias 25 e 31 de outubro e envolvem sistemas de importação, exportação e serviços do Portal Único

O Portal Único Siscomex terá duas paradas programadas nos próximos dias, conforme comunicados divulgados pela administração do sistema. As interrupções estão previstas para 25 e 31 de outubro de 2026 e exigem atenção de importadores, exportadores, despachantes aduaneiros, agentes de carga e demais operadores do comércio exterior.

A primeira manutenção ocorrerá na madrugada de domingo, dia 25, das 1h às 5h. Já a segunda está programada para sábado, dia 31, das 8h às 14h, para a implantação da nova versão do Portal Único, denominada Release Azuis.

As duas intervenções afetarão serviços essenciais para o processamento de operações de comércio exterior, tornando necessário o planejamento antecipado das atividades que dependem das plataformas.

Primeira parada ocorre na madrugada de 25 de outubro

De acordo com o Comunicado Siscomex Sistemas nº 020/2026, publicado em 20 de outubro, a manutenção programada deixará o Portal Único bloqueado durante quatro horas.

Entre os sistemas afetados estão a Declaração Única de Importação (Duimp), a Declaração Única de Exportação (DU-E), o Catálogo de Produtos, o Controle de Carga e Trânsito (CCT) de importação e exportação, a Anexação Eletrônica de Documentos e o Pagamento Centralizado de Comércio Exterior.

Também ficarão indisponíveis serviços relacionados à classificação fiscal de mercadorias, ao gerenciamento de riscos, ao cadastro de intervenientes, ao tratamento administrativo e tributário, ao Habilita e ao Operador Econômico Autorizado (OEA), entre outros.

A interrupção pode afetar atividades que dependem desses recursos durante a janela de manutenção. Por isso, empresas e profissionais devem avaliar a programação de registros, consultas e demais procedimentos previstos para o período.

Release Azuis será implantada em 31 de outubro

A segunda interrupção, comunicada por meio do aviso Sistemas nº 021/2026, está relacionada à implantação da Release Azuis, nova versão do Portal Único Siscomex. A atualização será realizada no ambiente de produção em 31 de outubro, sábado, das 8h às 14h.

Segundo o comunicado, a versão contempla novas funcionalidades do Novo Processo de Importação (NPI), contribuindo para o desligamento gradual dos sistemas legados de importação, além de adequações relacionadas à Reforma Tributária do Consumo (RTC).

Durante as seis horas de manutenção, os serviços e sistemas do Portal Único não estarão disponíveis aos usuários. A lista de recursos afetados inclui Duimp, DU-E, Drawback, CCT de importação e exportação, Catálogo de Produtos, Pagamento Centralizado de Comércio Exterior, Recintos, Remessas Internacionais, Trânsito Aduaneiro Nacional e sistemas de tratamento administrativo e tributário.

A atualização também contempla outros serviços e módulos, como Workflow, Vicomex, Sintia e Siscomex Remessa.

Operadores que utilizam API devem ficar atentos

O comunicado sobre a Release Azuis traz um alerta específico para empresas e operadores que utilizam integração sistêmica por meio de API (Application Programming Interface), tecnologia que permite a comunicação automatizada entre sistemas.

Esses usuários deverão adequar suas soluções às alterações implementadas na nova versão. As especificações técnicas estão disponíveis na documentação de integração do Portal Único Siscomex.

A recomendação é que as equipes responsáveis por tecnologia e operações verifiquem previamente as mudanças necessárias, a fim de reduzir o risco de falhas de integração após a atualização.

Planejamento operacional é essencial

Com duas interrupções previstas em um intervalo de seis dias, o planejamento torna-se especialmente importante para empresas que mantêm operações de importação e exportação em andamento.

A orientação é antecipar, sempre que possível, os procedimentos que dependam dos sistemas afetados, revisar os cronogramas operacionais e alinhar as equipes internas e os prestadores de serviços envolvidos nas operações.

No caso da manutenção de 31 de outubro, também é importante que os operadores que utilizam APIs verifiquem os requisitos técnicos da nova versão antes da retomada dos serviços.

As datas, os horários e a relação de sistemas afetados constam nos comunicados oficiais do Siscomex: Sistemas nº 020/2026 e Sistemas nº 021/2026.

Fonte: Siscomex — Coordenação-Geral de Administração Aduaneira.
Texto: Redação
Imagem: Ilustrativa/IA

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Portos

Portos do Paraná movimentam 52,1 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e setembro de 2026

Os Portos do Paraná movimentaram 52,1 milhões de toneladas de cargas entre janeiro e setembro de 2026, considerando operações de embarque e desembarque. Desse volume, 18,2 milhões de toneladas foram destinadas às importações, o equivalente a 35% da movimentação total no período.

Entre os produtos que impulsionaram os resultados, o óleo de soja apresentou crescimento expressivo nas exportações, reforçando a importância do Porto de Paranaguá para o comércio exterior brasileiro.

Exportações de óleo de soja crescem 63% em Paranaguá

Nos nove primeiros meses de 2026, o Porto de Paranaguá exportou 1,24 milhão de toneladas de óleo de soja. No mesmo intervalo de 2025, o volume havia alcançado 760,6 mil toneladas, representando um avanço de 63% em um ano.

O desempenho também teve impacto significativo no cenário nacional. Do crescimento de 586,6 mil toneladas nas exportações brasileiras do produto em relação a 2025, Paranaguá respondeu por 486,3 mil toneladas, contribuindo com mais de 82% da expansão registrada no país.

Ao todo, o Brasil exportou 1,75 milhão de toneladas de óleo de soja no período, das quais 70% foram embarcadas pelo terminal paranaense.

Infraestrutura portuária impulsiona movimentação de cargas

O aumento nas operações está relacionado à capacidade dos terminais, ao crescimento da produção estadual e à demanda do mercado internacional.

Segundo Gabriel Vieira, diretor de Operações Portuárias da Portos do Paraná, a expansão da produção de farelo e óleo de soja no estado favoreceu o escoamento de volumes superiores aos registrados em anos anteriores.

O executivo também destaca o rigor dos procedimentos de controle de qualidade aplicados aos produtos antes do embarque. Esse processo, conforme Vieira, contribui para consolidar os portos paranaenses como referência em padrões internacionais de qualidade.

Soja em grão lidera as exportações paranaenses

A soja em grão permaneceu como o principal produto exportado pelos portos do Paraná entre janeiro e setembro de 2026.

No período, foram embarcadas 13,29 milhões de toneladas, um aumento de 9% em comparação com as 12,2 milhões de toneladas registradas nos mesmos meses de 2025. O produto correspondeu a 39,1% do volume total exportado pelos portos paranaenses.

Os números reforçam a relevância da cadeia da soja para a movimentação portuária e para o desempenho das exportações do estado.

Movimentação de contêineres também registra alta

As operações com contêineres também apresentaram crescimento em 2026. A movimentação avançou de 1,22 milhão para 1,27 milhão de TEUs, uma elevação de 4%. A sigla TEU corresponde à unidade equivalente a um contêiner de 20 pés, utilizada como referência no transporte marítimo.

Em relação ao peso das cargas conteinerizadas, as exportações passaram de 7,01 milhões para 7,44 milhões de toneladas, alta de 6%.

Já as importações registraram aumento de 5,62 milhões para 5,96 milhões de toneladas no período analisado.

Os resultados evidenciam o avanço das operações portuárias no Paraná, tanto no transporte de produtos agrícolas quanto na movimentação de mercadorias destinadas ao mercado interno e ao comércio internacional.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Portos

Peru afirma ter reduzido em até 95% o déficit de infraestrutura portuária

O Peru reduziu entre 90% e 95% suas lacunas de infraestrutura portuária ao longo das últimas duas décadas, segundo Jorge Chávez, gerente-geral da Autoridade Portuária Nacional (APN) do país. O avanço foi impulsionado principalmente por investimentos privados realizados por meio de concessões e aportes diretos no setor.

Durante sua avaliação sobre o desenvolvimento portuário peruano, o executivo também destacou mudanças regulatórias que permitem ampliar contratos de concessão por até 30 anos adicionais. A medida busca estimular novos investimentos, antecipar obras e evitar períodos prolongados sem expansão da capacidade dos terminais.

De acordo com Chávez, os resultados foram alcançados ao longo dos últimos 23 a 25 anos, com participação expressiva da iniciativa privada no financiamento dos projetos.

Mudanças regulatórias buscam acelerar investimentos nos portos

Entre as principais medidas adotadas pelo governo peruano está a Lei nº 32048, aprovada há aproximadamente dois anos, conforme mencionado pelo dirigente. A legislação permite estender concessões portuárias por mais 30 anos, criando condições para que os operadores planejem e executem ampliações de infraestrutura com maior antecedência.

Segundo Chávez, a iniciativa procura evitar um intervalo de aproximadamente dez anos sem investimentos, que poderia ocorrer entre o término de uma concessão e a realização de uma nova licitação.

Com a possibilidade de prorrogação contratual, os projetos de expansão podem ser planejados em uma perspectiva de longo prazo, reduzindo o risco de interrupções no ciclo de investimentos.

O gerente-geral da APN ressaltou que a revisão das normas teve como objetivo estabelecer condições mais favoráveis para o planejamento e a modernização da infraestrutura portuária do Peru.

Porto de Corío prevê investimento de US$ 800 milhões

Outro projeto destacado por Chávez foi o Porto de Corío, que já recebeu a aprovação de seu Plano Mestre pela Autoridade Portuária Nacional do Peru.

Com investimento estimado em aproximadamente US$ 800 milhões, o empreendimento está estruturado em três etapas. A proposta é transformar o terminal em uma alternativa para movimentar cargas provenientes do oeste do Brasil, além de atender parte da demanda do sul peruano.

A localização e a proposta logística do projeto podem ampliar as opções de escoamento de mercadorias na região, conectando áreas produtivas brasileiras e peruanas à infraestrutura marítima do país andino.

A iniciativa integra as perspectivas de desenvolvimento portuário do Peru, embora sua viabilidade comercial dependa da demanda projetada e das condições de mercado.

Expansão portuária dependerá de estudos de demanda

Questionado sobre a possibilidade de o Porto de Corío operar em conjunto com o Porto de Chancay, que ainda passa por etapas de desenvolvimento, Chávez afirmou que a coexistência entre os empreendimentos é possível.

No entanto, o dirigente ponderou que novos portos privados precisarão apresentar estudos de demanda consistentes, considerando a entrada em operação de Chancay, suas futuras fases de expansão e os investimentos decorrentes da extensão das concessões existentes.

A avaliação indica que, embora o país tenha avançado na ampliação de sua capacidade portuária, novos projetos deverão demonstrar que existe demanda suficiente para justificar sua implantação.

Peru prioriza equilíbrio na capacidade portuária

Na avaliação de Chávez, o país já dispõe de infraestrutura suficiente para atender às necessidades atuais, após os investimentos realizados nas últimas décadas.

Diante desse cenário, o desafio passa a ser garantir o funcionamento equilibrado do sistema portuário, conciliando a capacidade instalada, a movimentação de cargas e a viabilidade econômica de novos empreendimentos.

A estratégia peruana combina, portanto, investimentos privados, mudanças regulatórias e planejamento de longo prazo para preservar a competitividade logística e orientar a expansão futura do setor.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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