Indústria

FIESC discute transformação digital da indústria com comitiva da Espanha

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) recebeu, na quinta-feira (24), representantes da Câmara de Comércio Brasil-Espanha para discutir oportunidades de ampliar a cooperação entre Santa Catarina e o país europeu. Entre os principais assuntos do encontro esteve a transformação digital na indústria, especialmente entre empresas de pequeno e médio porte.

Espanha pode ampliar parceria com Santa Catarina

Durante a reunião, o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, destacou a relação construída ao longo dos anos entre Santa Catarina e a Espanha. Segundo ele, existe espaço para ampliar as relações comerciais com a Europa, principalmente diante das perspectivas relacionadas ao acordo Mercosul-União Europeia.

Seleme também lembrou que a FIESC realizou uma missão à Espanha em abril, reforçando a aproximação entre o setor industrial catarinense e empresas e instituições espanholas.

A presidente da Câmara de Comércio Brasil-Espanha, Trinidad Jiménez, afirmou que o acordo entre os blocos contribuiu para ampliar as possibilidades de negócios internacionais e investimentos.

Transformação digital é desafio para pequenas e médias empresas

O presidente do Conselho da Indústria de Tecnologia da Informação e Comunicação da FIESC, Alexandre d’Avila da Cunha, ressaltou o papel da transformação digital da indústria para melhorar processos e resultados empresariais.

De acordo com ele, a adoção de tecnologias pode ajudar a reduzir lacunas, elevar a qualidade e ampliar a conformidade das empresas. O executivo também defendeu que a digitalização deixou de ser apenas uma alternativa para se tornar uma necessidade para a competitividade industrial.

A experiência espanhola em manufatura avançada também foi apontada como uma oportunidade de cooperação. A transferência de tecnologias e conhecimentos pode contribuir para elevar a produtividade industrial e modernizar plantas fabris em Santa Catarina.

Cooperação pode ir além do comércio

O secretário-executivo de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen, destacou que Santa Catarina já mantém uma relação positiva com a Espanha, mas que há espaço para aprofundar essa aproximação.

Além do comércio exterior, a cooperação pode avançar em diferentes áreas, ampliando as possibilidades de intercâmbio entre empresas, instituições e setores produtivos dos dois lados.

Comércio entre Santa Catarina e Espanha

Em 2025, Santa Catarina exportou US$ 98,75 milhões em produtos para a Espanha. Entre os principais itens comercializados estiveram carnes de aves, motores elétricos, madeira serrada e compensada e móveis.

No sentido inverso, as importações catarinenses de produtos espanhóis chegaram a US$ 322 milhões. A pauta foi liderada por pigmentos, azeite de oliva, maquiagens e produtos para cabelo, além de medicamentos.

A ampliação da cooperação em tecnologia industrial, inovação e comércio exterior pode criar novas oportunidades para empresas catarinenses e espanholas, especialmente no contexto de maior integração comercial entre Mercosul e União Europeia.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC

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Comércio Exterior

Acordo Mercosul-EFTA entra em vigor e amplia oportunidades para exportadores brasileiros

O Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) começa a ser aplicado pelo Brasil a partir de outubro. A medida foi oficializada após a publicação, no Diário Oficial da União (DOU), do decreto que internaliza o acordo no país.

A aplicação das preferências comerciais terá início em 1º de outubro para Brasil e Islândia. Já a relação entre Brasil e Noruega passa a contar com as condições previstas no acordo em 1º de novembro. Para Suíça e Liechtenstein, a aplicação das tarifas preferenciais ainda depende da conclusão dos procedimentos internos de cada país.

Formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein, a EFTA reúne um mercado de aproximadamente 15 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 1,4 trilhão.

O que muda com o Acordo Mercosul-EFTA

Assinado em setembro de 2025, o acordo faz parte da estratégia brasileira de ampliar e diversificar seus parceiros comerciais.

Entre as principais mudanças estão novas condições de acesso para produtos brasileiros aos mercados da EFTA, com redução ou eliminação de tarifas, cotas e outros mecanismos de tratamento preferencial.

Para produtos industriais e pesqueiros, os países da EFTA preveem a eliminação imediata das tarifas de importação com a entrada em vigor do acordo. Já os produtos agropecuários terão diferentes modalidades de abertura, de acordo com o produto e o mercado.

O tratado também estabelece regras em áreas como:

  • regras de origem;
  • facilitação de comércio;
  • comércio de serviços;
  • investimentos;
  • compras governamentais;
  • propriedade intelectual;
  • desenvolvimento sustentável.

A implementação do acordo ocorre de forma bilateral, conforme cada país conclui seus respectivos processos de internalização.

MDIC cria painel para identificar oportunidades

Para facilitar o acesso das empresas às novas condições comerciais, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) disponibilizou um Painel de Dados do Acordo Mercosul-EFTA.

A ferramenta reúne informações sobre o comércio brasileiro com os quatro integrantes da EFTA e permite consultar os impactos previstos com a implementação do acordo.

Os dados podem ser analisados de forma geral ou segmentados por produto, país e unidade da Federação, incluindo informações sobre tarifas atuais e as condições previstas no acordo.

O recurso também permite identificar a distribuição regional das exportações e importações brasileiras e pode auxiliar empresas na busca por novos mercados.

Suíça e Noruega concentram comércio com o Brasil

A Suíça e a Noruega são atualmente os principais parceiros comerciais brasileiros dentro da EFTA. Juntos, os dois países representam 94% das exportações brasileiras destinadas ao bloco e 99% das importações brasileiras provenientes da EFTA.

Entre os estados brasileiros, Pará e Minas Gerais aparecem com destaque nas exportações, enquanto São Paulo lidera as importações.

O painel disponibilizado pelo MDIC cruza os dados de comércio exterior com as informações tarifárias do novo acordo, permitindo identificar produtos que poderão ter melhores condições de acesso aos mercados europeus.

O setor agropecuário está entre os segmentos que podem encontrar novas oportunidades com a redução das barreiras comerciais.

Atualmente, determinados produtos brasileiros enfrentam tarifas elevadas nos mercados da EFTA. Com o acordo, alguns deles terão redução ou eliminação de tarifas, além de possibilidade de acesso por meio de cotas ou regimes agrícolas específicos.

Um dos exemplos apresentados pelo MDIC é o café torrado. Atualmente, o produto está sujeito a tarifas de 10% na Islândia e de 7% na Suíça e em Liechtenstein. Com o acordo, estão previstas reduções tarifárias imediatas para grande parte dos códigos NCM relacionados ao produto.

Outro ponto previsto no acordo envolve a proteção de 63 indicações geográficas brasileiras na Suíça e em Liechtenstein.

A lista contempla produtos de diferentes regiões e setores, incluindo cafés, vinhos, queijos, cachaça, artesanato, pedras, calçados e produtos têxteis.

A proteção das indicações geográficas amplia a segurança para produtos brasileiros que utilizam denominações reconhecidas e vinculadas à sua origem.

MDIC disponibiliza materiais para empresas

Além do painel de dados, o MDIC disponibilizou materiais de apoio para auxiliar empresas e profissionais de comércio exterior na compreensão das novas regras.

Entre os conteúdos estão manuais sobre desgravação tarifária, regras de origem e indicações geográficas.

Os documentos têm como objetivo facilitar a preparação de exportadores e importadores para utilizar as preferências comerciais previstas no acordo.

O Acordo Mercosul-EFTA foi negociado ao longo de 14 rodadas e assinado em 16 de setembro de 2025. Sua implementação ocorre gradualmente, de acordo com a conclusão dos procedimentos internos de cada país participante.

O Painel de Dados do Acordo Mercosul-EFTA permite consultar tarifas, fluxos comerciais e oportunidades por produto e mercado. O MDIC também disponibiliza manuais específicos sobre as regras do tratado e uma página com informações gerais sobre o acordo.

Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC)

Texto: Redação

Imagem: Ilustrativa

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Comércio Internacional

Parlamento suíço aprova acordo comercial entre EFTA e Mercosul

A Câmara Baixa do Parlamento da Suíça aprovou o acordo comercial entre os países da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e o Mercosul. A decisão ocorreu poucos dias após o aval da Câmara Alta e foi acompanhada da inclusão de medidas de apoio financeiro aos agricultores suíços.

O texto, que havia sido rejeitado inicialmente em junho, avançou após a incorporação de recursos destinados a reduzir os possíveis impactos do tratado sobre o setor agrícola do país.

A aprovação foi viabilizada após os parlamentares incluírem um pacote de assistência de 517 milhões de francos suíços, equivalente a aproximadamente US$ 631 milhões, distribuídos ao longo de seis anos.

A medida busca amenizar os efeitos do acordo sobre os produtores rurais. A agricultura é considerada um tema politicamente sensível na Suíça, e a implementação do tratado poderá ser submetida a referendo, conforme o sistema de democracia direta do país.

Na Câmara Baixa, o acordo recebeu 118 votos a favor e 66 contrários. Outros dez parlamentares se abstiveram. O tratado envolve os Estados-membros da EFTA e os países do Mercosul: Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

A Suíça é a maior economia da EFTA, associação que também reúne Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Próximos passos

Apesar da aprovação nas duas casas do Parlamento suíço, a possibilidade de realização de um referendo mantém a questão agrícola e os efeitos do acordo no centro do debate político nacional.

O avanço representa mais uma etapa no processo de aprovação do tratado comercial entre os países europeus da EFTA e o bloco sul-americano.

Fonte: Reuters, com informações de Dave Graham.

Texto: Redação

Imagem: Ilustrativa / Site Acrissul

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Exportação

Exportações da Argentina para o Brasil crescem 6,9% em agosto de 2026

As exportações da Argentina para o Brasil avançaram 6,9% em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Câmara Argentina de Comércio e Serviços (CAC). O resultado representa o sexto mês consecutivo de crescimento das vendas argentinas ao mercado brasileiro.

O comércio bilateral entre Argentina e Brasil movimentou US$ 2,578 bilhões em agosto. O valor ficou 3,2% abaixo dos US$ 2,663 bilhões registrados em agosto de 2025. Em relação a julho deste ano, porém, houve alta de 0,3%.

Argentina aumenta vendas ao mercado brasileiro

As exportações argentinas somaram US$ 1,099 bilhão em agosto, enquanto as compras de produtos brasileiros chegaram a US$ 1,479 bilhão.

Com isso, a Argentina registrou déficit comercial de US$ 380 milhões no intercâmbio com o Brasil durante o mês.

O crescimento das vendas argentinas foi impulsionado principalmente por produtos como polímeros de etileno em formas primárias, veículos destinados ao transporte de mercadorias e a usos especiais, leite, creme de leite e outros produtos lácteos, além de óleo combustível derivado de petróleo.

Na direção contrária, a queda de 9,6% nas importações argentinas provenientes do Brasil esteve relacionada principalmente à redução das compras de veículos rodoviários, peças e acessórios para automóveis e veículos destinados ao transporte de passageiros.

Déficit comercial argentino diminui em 2026

Considerando os oito primeiros meses de 2026, o comércio bilateral gerou um saldo negativo de US$ 1,635 bilhão para a Argentina.

Apesar de permanecer deficitário, o resultado representa uma melhora expressiva em relação ao mesmo período de 2025. Entre janeiro e agosto do ano passado, o déficit argentino havia alcançado US$ 4,103 bilhões.

Ainda assim, agosto manteve a trajetória negativa iniciada em janeiro de 2026. Segundo o levantamento da CAC, o resultado também se deteriorou em relação aos quatro meses anteriores.

Argentina ganha espaço entre fornecedores do Brasil

A Argentina ficou na quarta posição entre os principais fornecedores do Brasil em agosto, considerando o valor das importações brasileiras.

A liderança ficou com China, Hong Kong e Macau, com US$ 6,609 bilhões, seguidos pelos Estados Unidos, com US$ 4,014 bilhões, e pela Alemanha, com US$ 1,411 bilhão.

Do lado das exportações brasileiras, a Argentina ocupou a terceira colocação entre os principais mercados compradores no mês.

China, Hong Kong e Macau lideraram, com US$ 8,340 bilhões em compras, enquanto os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com US$ 3,190 bilhões.

Exportações brasileiras também crescem

O desempenho do comércio exterior do Brasil apresentou expansão em agosto. As exportações brasileiras para o mercado internacional passaram de US$ 29,559 bilhões em agosto de 2025 para US$ 33,158 bilhões no mesmo mês de 2026, uma alta de 12,2%.

As importações também aumentaram. O valor subiu 9,3%, de US$ 23,578 bilhões para US$ 25,763 bilhões na comparação anual.

Com exportações superiores às importações, o Brasil encerrou agosto com superávit comercial de US$ 7,395 bilhões. Foi o 18º mês consecutivo em que a balança comercial brasileira apresentou resultado positivo.

FONTE: Cámara Argentina de Comercio y Servicios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CAC

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Comércio Internacional

Brasil contesta restrições da União Europeia a proteínas animais e alerta para impacto no acordo Mercosul-UE

O governo brasileiro manifestou preocupação com o início da implementação de restrições da União Europeia (UE) à entrada de produtos brasileiros de proteína animal no mercado europeu. A medida tem como base o Regulamento (UE) 2019/6, relacionado ao uso de antimicrobianos.

Em nota conjunta, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) afirmaram que o Brasil mantém diálogo político e técnico com as autoridades europeias para buscar a continuidade dos fluxos comerciais.

Segundo o governo, desde a decisão da União Europeia, tomada em 12 de maio de 2026, foram realizadas reuniões e tratativas com representantes do bloco. O Brasil também apresentou documentação e informações adicionais sobre os controles adotados nas cadeias de carne de aves, pescados, carne bovina, ovos e mel.

Auditoria avalia controles brasileiros

Como parte das negociações, o Brasil concordou com a realização de uma auditoria nas cadeias de carne de aves e mel. A missão europeia começou em 24 de agosto e tem conclusão prevista para esta sexta-feira (4).

Durante a auditoria, equipes técnicas brasileiras apresentam aos representantes europeus os procedimentos de controle e fiscalização adotados no país, incluindo a estrutura e o funcionamento do sistema oficial de defesa agropecuária.

O governo brasileiro reforçou que considera sólido o sistema nacional de defesa agropecuária e destacou que os produtos brasileiros são exportados para mais de 150 países.

O Brasil também argumenta que sua posição como um dos principais fornecedores de proteína animal para o mercado europeu demonstra a conformidade histórica das exportações brasileiras com os padrões exigidos pelo bloco.

Governo vê risco de impacto nas negociações Mercosul-UE

Além da questão sanitária e regulatória, Brasília relaciona as novas restrições às negociações do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

De acordo com o governo brasileiro, os produtos atingidos pelas medidas europeias estavam contemplados em quotas e reduções tarifárias negociadas no acordo. Por isso, a exclusão desses produtos do mercado europeu poderia reduzir parte dos ganhos obtidos pelo Brasil durante as negociações.

Na avaliação do governo, a manutenção das restrições pode alterar o equilíbrio das concessões que permitiu a conclusão das negociações do acordo.

A posição brasileira é de que a solução seja construída a partir de critérios científicos, transparência e diálogo técnico, sem influência de medidas de caráter protecionista.

Brasil admite adoção de medidas de reciprocidade

O governo também elevou o tom em relação à possibilidade de prolongamento do impasse. Na nota, Brasil afirma que, caso as tratativas não resultem em uma solução considerada satisfatória, poderá recorrer aos instrumentos previstos na legislação nacional e nos acordos internacionais aplicáveis.

Entre as possibilidades citadas estão medidas de reciprocidade previstas no ordenamento jurídico brasileiro, mecanismos estabelecidos no futuro Acordo Mercosul-União Europeia e instrumentos disponíveis no sistema multilateral de comércio.

A disputa ocorre em um momento estratégico para as relações comerciais entre Brasil e União Europeia, especialmente diante da relevância do mercado europeu para as exportações brasileiras de produtos agropecuários.

O governo brasileiro afirma que continuará trabalhando para que as restrições sejam revistas e para preservar condições equilibradas de acesso ao mercado europeu para os produtos de proteína animal produzidos no país.

Fonte: Mapa
Texto: Redação
Imagem: Arquivo ReConecta News

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Negócios

Mauro Vieira participa de reuniões da ALADI e do MERCOSUL em Montevidéu

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participa nesta quarta-feira, 2 de setembro de 2026, de uma série de encontros diplomáticos em Montevidéu, no Uruguai. A agenda inclui o XX Conselho de Ministros das Relações Exteriores da ALADI (Associação Latino-Americana de Integração) e uma Reunião Informal de Chanceleres do MERCOSUL.

Os encontros devem tratar de temas relacionados à integração regional, ao comércio e às relações externas dos países latino-americanos.

ALADI discute novo secretário-geral e comércio regional

Durante o Conselho de Ministros da ALADI, os representantes dos países-membros deverão escolher o novo secretário-geral da organização.

A pauta também prevê discussões sobre medidas para ampliar a harmonização regulatória e reduzir barreiras técnicas ao comércio entre os países da região.

Criada em 1980 pelo Tratado de Montevidéu, a ALADI desempenha papel central na construção da integração econômica e comercial latino-americana.

Chanceleres do MERCOSUL avaliam negociações comerciais

Na reunião informal do MERCOSUL, os ministros das Relações Exteriores devem analisar questões ligadas ao relacionamento externo do bloco. Entre os assuntos previstos estão as negociações comerciais em andamento e a implementação de acordos que já foram firmados.

Outro tema em discussão será a renovação do Fundo de Convergência Estrutural do MERCOSUL (FOCEM), mecanismo voltado à redução das assimetrias entre os países integrantes do bloco.

A Presidência Pro Tempore do Uruguai também deverá apresentar informações sobre os preparativos para a próxima Cúpula de Presidentes dos Estados Partes e Estados Associados, programada para dezembro.

Comércio entre países do bloco cresce mais de 11 vezes

Os dados apresentados na agenda destacam a expansão do comércio dentro do MERCOSUL desde a criação do bloco, em 1991.

As trocas comerciais entre os Estados Partes passaram de aproximadamente US$ 4,5 bilhões naquele ano para cerca de US$ 51 bilhões em 2025. O comércio intrabloco é composto, em sua maior parte, por bens manufaturados.

A integração também se reflete na relação do MERCOSUL com outros mercados. No primeiro semestre de 2026, as trocas comerciais do bloco com o restante do mundo somaram US$ 438 bilhões, alta de 9% em comparação com os US$ registrados no mesmo período de 2025.

O resultado reforça o peso do MERCOSUL na integração econômica regional e sua importância como plataforma para a inserção dos países membros no comércio internacional.

FONTE: Ministério das Relações Exteriores
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Civitatis

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Informação

Acordo MERCOSUL-EFTA: MDIC publica manuais para orientar empresas brasileiras

Empresas brasileiras já podem consultar, no Portal Siscomex, materiais preparados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) para orientar o setor produtivo sobre a implementação do Acordo MERCOSUL-EFTA. Os conteúdos abordam pontos como desgravação tarifária, regras de origem e indicações geográficas.

A iniciativa busca permitir que empresas e segmentos da economia se antecipem às mudanças e organizem suas operações antes do início da concessão das preferências comerciais previstas no acordo.

Quando o Acordo MERCOSUL-EFTA entra em vigor

Para o Brasil, a aplicação do acordo ocorrerá de forma bilateral em datas diferentes. A parceria começa a valer em 1º de outubro com a Islândia e em 1º de novembro com a Noruega.

Já a entrada em vigor para Suíça e Liechtenstein ainda depende da conclusão dos processos de internalização do acordo em cada um desses países.

Segundo o MDIC, a disponibilização antecipada dos manuais tem como objetivo facilitar a compreensão das novas regras e ajudar as empresas a identificar oportunidades no comércio exterior.

“O Acordo MERCOSUL-EFTA amplia as oportunidades para o comércio brasileiro e reforça uma estratégia que é fundamental para o Brasil: diversificar mercados, ampliar parceiros e criar novas possibilidades para as empresas brasileiras”, afirma a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres.

Novo mercado para empresas brasileiras

O Acordo de Livre Comércio entre MERCOSUL e EFTA estabelece condições diferenciadas de acesso a um mercado que reúne cerca de 290 milhões de consumidores. Somadas, as economias envolvidas registraram um PIB de aproximadamente US$ 4,39 trilhões em 2024.

Para o Brasil, o acordo faz parte da estratégia de diversificação de mercados e de ampliação das parcerias comerciais. A expectativa é favorecer o crescimento dos fluxos de comércio exterior e estimular novas possibilidades de investimentos entre os países participantes.

Tatiana Prazeres destaca que os documentos oficiais do acordo já estavam disponíveis desde a assinatura, em setembro de 2025. A nova iniciativa do MDIC busca transformar essas informações em materiais mais acessíveis para o setor empresarial.

“Os textos originais do acordo estão disponíveis desde sua assinatura, em setembro de 2025. Agora, estamos oferecendo um material de suporte, mais didático, para que as empresas possam se antecipar, esclarecer dúvidas, compreender as novas regras e se preparar para aproveitar as oportunidades que surgirão desde a entrada em vigor do acordo”, explica a secretária.

EFTA reúne quatro países europeus

A EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio) é formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. O grupo reúne aproximadamente 15 milhões de habitantes e apresenta um PIB de cerca de US$ 1,4 trilhão.

Os quatro países também estão entre as economias com os maiores níveis de PIB per capita do mundo, o que reforça o potencial comercial desse mercado para empresas brasileiras.

Negociações duraram 14 rodadas

As negociações entre MERCOSUL e EFTA foram concluídas após 14 rodadas. O encerramento das tratativas foi anunciado em 2 de julho de 2025.

Posteriormente, o acordo foi assinado em 16 de setembro de 2025, quando começaram os procedimentos necessários para sua ratificação e implementação nos países envolvidos.

Para as empresas brasileiras, a parceria representa uma ampliação do acesso preferencial a mercados europeus e pode abrir novas frentes de negócios.

O acordo também se soma às iniciativas comerciais firmadas pelo MERCOSUL com outros parceiros, como os acordos MERCOSUL-União Europeia e MERCOSUL-Singapura, contribuindo para ampliar e diversificar a rede de relações comerciais do bloco.

Desgravação tarifária
Apresenta os cronogramas e as condições para redução ou eliminação das tarifas de importação previstas no acordo.

Acesse o Manual de Desgravação Tarifária

Regras de origem
Explica os critérios para determinar quando um produto poderá ser considerado originário e ter acesso ao tratamento tarifário preferencial.

Acesse o Manual de Regras de Origem

Indicações geográficas
Reúne as orientações sobre as indicações geográficas abrangidas pelo acordo.

Acesse o Manual de Indicações Geográficas

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fecomércio MG

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Sustentabilidade

Consulta pública sobre produtos sustentáveis no Acordo Mercosul-UE termina em 5 dias

Faltam cinco dias para o encerramento da consulta pública sobre produtos sustentáveis no Acordo Mercosul-UE. As contribuições podem ser enviadas até 2 de setembro de 2026, por meio da plataforma oficial Brasil Participativo.

A iniciativa é conduzida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), e busca reunir sugestões para a criação de uma lista de produtos do Mercosul relacionados à conservação, recuperação e uso sustentável de florestas e outros ecossistemas vulneráveis.

Consulta busca identificar produtos da sociobiodiversidade

A participação de empresas, entidades do setor produtivo, universidades, organizações da sociedade civil e demais interessados é considerada importante para mapear produtos da sociobiodiversidade e cadeias produtivas brasileiras que estejam alinhados aos objetivos estabelecidos no acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia.

A lista deverá contemplar produtos e atividades capazes de associar produção, comércio e sustentabilidade, valorizando cadeias que contribuam para a preservação ambiental e o uso responsável dos recursos naturais.

Produtos poderão ter benefícios no mercado europeu

Uma vez incluídos na lista, os produtos selecionados poderão ter acesso preferencial ou adicional ao mercado da União Europeia, além de outros mecanismos de incentivo destinados a estimular sua comercialização.

A consulta representa, portanto, uma oportunidade para que empresas e organizações indiquem produtos com potencial para ampliar sua presença no mercado europeu a partir de critérios relacionados à sustentabilidade.

Oportunidade para empresas e cadeias produtivas

A participação na consulta pública pode contribuir para diferentes objetivos do setor produtivo:

  • Ampliação do acesso ao mercado europeu: empresas e representantes de cadeias produtivas podem indicar produtos com potencial para integrar a lista prevista no acordo e obter possíveis vantagens comerciais.
  • Valorização da produção sustentável: as sugestões ajudam a identificar produtos da sociobiodiversidade e cadeias produtivas que conciliem atividade econômica e preservação ambiental.
  • Participação na implementação do acordo: as contribuições ajudam a construir a relação de produtos prevista no Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia.

Como enviar a contribuição

As manifestações podem ser encaminhadas até 2 de setembro de 2026 pela plataforma oficial Brasil Participativo.

A consulta é aberta ao setor produtivo, academia, sociedade civil e demais interessados em contribuir para a identificação de produtos sustentáveis com potencial de ampliar as oportunidades comerciais entre o Mercosul e a União Europeia.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/SEBRAE

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Importação

Indústria de celulose e papel do Brasil perde espaço e pede aumento de tarifas de importação

A indústria brasileira de celulose, papel e painéis de madeira perdeu participação no comércio exterior no primeiro semestre de 2026 e passou a defender medidas de proteção contra o avanço das importações. Entre janeiro e junho, as exportações do setor somaram US$ 7,5 bilhões, queda de 5,9% em relação ao mesmo período de 2025. Em sentido contrário, as importações de papel cresceram 30,5% no mercado brasileiro.

Os dados são da Indústria Brasileira de Árvores, entidade que reúne produtores de celulose, papel e painéis no país. A associação também informou que as vendas do setor para a América do Norte recuaram 22,9%.

Guerras e protecionismo afetam o comércio global

Para Paulo Hartung, presidente da Ibá, o desempenho do semestre reflete uma combinação de conflitos internacionais e do aumento do protecionismo comercial, fatores que vêm alterando as cadeias globais de fornecimento.

Segundo Hartung, parte do excedente produzido em outros países está sendo direcionada para a América Latina, incluindo o Brasil. A estratégia da indústria brasileira, afirma o executivo, é ampliar a presença em diferentes mercados e manter abertas as negociações comerciais para aumentar a participação do país no comércio mundial.

Exportações de celulose recuam

A celulose continuou sendo o principal produto exportado pelo setor. As vendas externas alcançaram US$ 5,2 bilhões no primeiro semestre, enquanto o volume embarcado caiu 10,5%, para 9,4 milhões de toneladas.

A produção, por sua vez, permaneceu praticamente estável, em 13,9 milhões de toneladas.

A China continuou como principal destino da celulose brasileira e respondeu por US$ 2,5 bilhões das exportações do setor no período, embora tenha reduzido suas compras em 2,2%. As vendas para a Europa recuaram 0,3%.

Na América do Norte, os exportadores brasileiros enfrentaram um cenário tarifário mais complexo. Entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026, vigorou uma tarifa de 50% nos Estados Unidos, até que a Suprema Corte americana derrubou as cobranças. Desde então, passou a valer, provisoriamente, uma tarifa universal de 10%.

Papel ganha produção, mas enfrenta avanço das importações

As fábricas brasileiras elevaram a produção de papel em 2,4% no primeiro semestre, para 5,7 milhões de toneladas. As exportações do produto chegaram a US$ 1,2 bilhão, alta de 0,5% na comparação anual.

Apesar disso, o aumento das importações preocupa a indústria nacional. A Ibá apresentou, no fim de julho, um pedido à Secretaria de Comércio Exterior (Secex), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, para elevar a tarifa sobre o papel cortado, utilizado principalmente nos formatos A4 e A3.

A entidade quer que a alíquota passe de 16% para 30%, limite permitido pela Tarifa Externa Comum do Mercosul.

Segundo a associação, as importações desse tipo de papel cresceram 160% entre janeiro e maio. Ao mesmo tempo, o preço médio do produto importado caiu 14%, para US$ 0,77 por quilo.

Setor recorre ao protecionismo diante da pressão sobre preços

José Carlos da Fonseca Júnior, diretor internacional da Ibá, afirmou que a indústria brasileira historicamente não dependeu de medidas protecionistas e construiu sua presença internacional por meio da competitividade.

Agora, porém, o setor considera necessário recorrer às tarifas diante do avanço de produtos importados vendidos a preços considerados agressivos.

Fonseca Júnior também destacou uma mudança no fluxo comercial. Segundo ele, fibra brasileira exportada para a China pode retornar ao país na forma de papel acabado, comercializado por valores inferiores aos praticados pelos fabricantes nacionais.

Com a perda de acesso ao mercado americano, produtores europeus também passaram a buscar novos destinos para seus produtos.

O Brasil é atualmente o maior exportador mundial de celulose e ocupa a sexta posição entre os maiores produtores de papel para embalagens. No ano passado, as exportações do segmento ultrapassaram US$ 15 bilhões.

Ibá pede tarifa maior para papel-cartão

A associação também apresentou, em junho, outro pedido relacionado ao papel-cartão, utilizado em embalagens de produtos farmacêuticos, alimentos e itens de higiene.

A tarifa desse produto, estabelecida em 16% em 2024, tem validade até outubro. A Ibá havia solicitado uma alíquota de 25%, mas recebeu autorização para manter os 16%. Agora, a entidade quer elevar a proteção para 35%.

A pressão ocorre em um momento em que os Estados Unidos mantêm tarifas antidumping e compensatórias sobre determinados papéis produzidos na China e na Indonésia. Os produtos chineses também estão sujeitos a uma cobrança adicional de 25%.

A capacidade das fábricas brasileiras também é um fator relevante: atualmente, a indústria consegue produzir cerca de 143% do volume consumido pelo mercado interno.

Exportadores redirecionam cargas após tarifas dos EUA

Em 22 de julho, os Estados Unidos passaram a aplicar uma tarifa adicional de 25%, baseada na Seção 301, sobre produtos brasileiros. A medida foi adotada após uma investigação americana que citou, entre outros pontos, desmatamento ilegal e lavagem de madeira.

Alguns produtos de madeira tropical, madeira serrada, lâminas, compensados e a maior parte das classificações de celulose ficaram fora da cobrança.

Diante das novas barreiras comerciais, exportadores brasileiros vêm redirecionando cargas para outros mercados em vez de simplesmente reduzir os embarques.

No primeiro trimestre, por exemplo, o volume movimentado pelo terminal de contêineres de Paranaguá com destino ao México aumentou 33%. A madeira de pinus brasileira também passou a ser direcionada com maior intensidade para a Argentina.

Levantamento da plataforma WoodFlow, com base nos registros aduaneiros do Comex Stat, aponta queda nas exportações de dez das principais linhas de produtos de madeira do Brasil no primeiro semestre. As vendas para os Estados Unidos recuaram cerca de um terço.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pulsar Imagens via Alamy

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Internacional

Marrocos defende nova geração de parceria entre Brasil e países árabes

O Brasil e as nações árabes têm espaço para avançar rumo a uma parceria de nova geração, com maior integração em áreas estratégicas como comércio internacional, investimentos, segurança alimentar, economia digital e pesquisa científica.

A avaliação foi apresentada pelo embaixador do Reino do Marrocos no Brasil e decano do Conselho dos Embaixadores Árabes, Nabil Adghoghi, durante o Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, promovido pela Câmara de Comércio Árabe-Brasileira nesta terça-feira (25), em São Paulo.

Instabilidade global reforça necessidade de cooperação

Para o diplomata, o atual ambiente de instabilidade internacional torna ainda mais importante o fortalecimento dos laços entre o Brasil e os países árabes. Nesse contexto, ele defendeu a busca por novas oportunidades de negócios e uma relação mais diversificada, sustentável e capaz de gerar benefícios para os dois lados.

Adghoghi apontou cinco frentes consideradas prioritárias para modernizar a parceria. A primeira é ampliar a conexão logística entre as duas regiões, inclusive por meio de rotas marítimas diretas.

Segundo o embaixador, essas rotas poderiam servir como plataformas para o processamento de exportações destinadas aos mercados árabes, além de facilitar o transporte de mercadorias com destino à Europa e à Ásia.

Acordos para estimular investimentos

Outra frente destacada pelo Marrocos é o aprimoramento do ambiente jurídico para investimentos. A proposta envolve acordos capazes de estimular o fluxo de capitais e mecanismos destinados a evitar a dupla tributação.

Como referência, o diplomata mencionou o acordo mantido entre Marrocos e Mercosul. Ele também defendeu a criação de instrumentos para aumentar a proteção e a resiliência das cadeias de suprimentos.

Digitalização pode ampliar comércio bilateral

A transformação digital das operações de importação e exportação também foi apontada como prioridade. Nesse sentido, Adghoghi citou o PIX e os serviços digitais oferecidos pelo governo brasileiro como exemplos de soluções que podem servir de inspiração para a modernização das relações comerciais.

“Nossa esperança é que ele [o esforço de repensar a parceria bilateral] resulte em iniciativas e projetos concretos que reflitam nossa ambição comum e inaugurem novos horizontes que valorizem todas as contribuições e capacidades que possuímos”, afirmou.

Ciência e qualificação profissional

O embaixador também ressaltou a importância de ampliar a cooperação científica e a formação de talentos. Entre os desafios está a preparação de profissionais para lidar com os efeitos da inteligência artificial sobre os negócios e para ajudar a criar condições mais favoráveis à atração de investimentos.

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FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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