Exportadores agrícolas

Exportações agrícolas do Brasil podem enfrentar novas restrições da União Europeia

As exportações agrícolas brasileiras para a União Europeia (UE) podem enfrentar novas barreiras caso o bloco avance com uma proposta de endurecimento das regras para resíduos de determinados pesticidas considerados de maior risco.

A iniciativa prevê reduzir a níveis técnicos próximos de zero os Níveis Máximos de Resíduos (MRLs) permitidos para algumas substâncias não autorizadas na UE. Na prática, a medida poderia dificultar a entrada de produtos agrícolas de países como o Brasil no mercado europeu.

Um estudo do Joint Research Centre (JRC), serviço científico da Comissão Europeia, aponta o Brasil entre os países potencialmente mais expostos. Em 2025, o país exportou mais de 18 bilhões de euros em produtos agrícolas para o bloco.

Nova regra europeia mira resíduos de pesticidas

Atualmente, a legislação europeia permite a presença de determinados resíduos de pesticidas não autorizados no bloco quando os níveis encontrados não representam risco ao consumidor.

A proposta apresentada pela Comissão Europeia em dezembro de 2025 pretende alterar esse mecanismo para algumas substâncias classificadas como de maior perigo. A ideia é reduzir seus limites de resíduos ao chamado limite de quantificação (LOQ), o que, na prática, pode impedir a comercialização de produtos que utilizem determinados agroquímicos.

A discussão ocorre paralelamente no Parlamento Europeu e entre os Estados-membros. Os 27 países ainda não chegaram a um consenso, e a expectativa é de que uma proposta de compromisso seja apresentada em setembro pela Irlanda, que exerce a presidência rotativa do bloco.

A mudança também ocorre em um contexto de pressão de produtores europeus contrários ao acordo comercial entre União Europeia e Mercosul.

Estudo aponta possível impacto sobre preços e comércio

O levantamento europeu avaliou os efeitos econômicos de três possíveis cenários.

No cenário mais severo, em que os países exportadores não alteram suas práticas agrícolas e perdem acesso ao mercado europeu, as importações agrícolas da UE poderiam cair 41% em volume.

Os impactos seriam particularmente fortes sobre:

  • Frutas cítricas: queda de 92% nas importações;
  • Soja: redução de 90%;
  • Café: alta potencial de 332% nos preços ao consumidor;
  • Bagaço de soja: aumento de até 105%;
  • Frutas cítricas: alta de até 85%.

A produção agrícola europeia cresceria apenas 1,1%, enquanto setores da produção pecuária poderiam ser prejudicados pelo encarecimento da ração. A produção de carne suína, por exemplo, poderia recuar 5,8%, enquanto a de aves cairia 5,4%.

Adaptação dos produtores reduz os efeitos

Em um cenário intermediário, no qual os produtores fazem apenas parte das adaptações necessárias, as importações agrícolas europeias diminuiriam 8%.

Os preços ao consumidor também subiriam, mas em proporções menores. As maiores altas estimadas seriam de 6,5% para uvas de mesa, 6% para café e 5,6% para frutas cítricas.

Já em um cenário de adaptação mais ampla, com parte dos produtores modificando seus métodos e custos de exportação para a UE aumentando 5%, a redução das importações agrícolas seria de apenas 0,4%.

Nesse caso, os impactos sobre a produção europeia e os preços ao consumidor permaneceriam abaixo de 1%.

Brasil aparece entre os países mais expostos

O estudo destaca que o impacto econômico não seria uniforme entre os países. Embora a produção agrícola doméstica de algumas nações não esteja diretamente muito exposta, setores dependentes da exportação de commodities que utilizam os pesticidas sob análise podem sofrer consequências relevantes.

Brasil, Turquia, Marrocos, Colômbia e Ucrânia estão entre os países apontados como mais vulneráveis.

No caso brasileiro, 52,8% das exportações para a União Europeia dos produtos agrícolas analisados têm o bloco como destino, segundo o levantamento.

Ao todo, o estudo identifica 30 países potencialmente expostos, divididos em três grupos:

Países dependentes das exportações: Bósnia e Herzegovina, Marrocos, Uruguai, Benin, Camarões, Moldávia, Reino Unido, Ucrânia, Macedônia do Norte, Sérvia, Panamá, Suriname, Colômbia, Turquia, Senegal e Brasil.

Países dependentes da produção: Peru, Equador e Costa Rica.

Países com valor de exportação em risco: Estados Unidos, Vietnã, Chile, China, Canadá, África do Sul, Israel, Costa do Marfim, República Dominicana, Tunísia e Belize.

Soja brasileira pode ser um dos setores mais afetados

A soja brasileira recebeu atenção especial na análise do JRC. A União Europeia depende fortemente das importações da commodity, utilizada principalmente na alimentação animal, e o Brasil responde por quase metade do fornecimento de soja destinado ao bloco.

Das 18 substâncias ativas avaliadas no estudo, resíduos de quatro foram identificados em soja e farelo de soja importados do Brasil. Três delas são autorizadas para utilização na produção brasileira de soja.

Caso o Brasil não faça nenhuma adaptação às exigências europeias, o estudo estima uma redução de 95% nas importações de soja brasileira pela UE, equivalente a aproximadamente 591 mil toneladas.

Com uma adaptação parcial dos produtores, a queda seria reduzida para cerca de 30%, mas haveria um custo adicional estimado em 20% para modificar as práticas produtivas.

Farelo de soja teria impacto ainda maior

O cenário é ainda mais expressivo no caso das importações europeias de farelo de soja brasileiro.

Dependendo da intensidade das mudanças regulatórias e da capacidade de substituição das substâncias utilizadas na produção, as compras europeias poderiam cair 100%, 25% ou apenas 0,1%.

No cenário mais severo, isso representaria uma redução de aproximadamente 9,525 milhões de toneladas.

Apesar da perda potencial no mercado europeu, o volume total das exportações brasileiras de soja permaneceria relativamente estável nos diferentes cenários analisados. A explicação é que parte da produção que deixaria de ser vendida para a UE poderia ser direcionada a outros mercados.

O deslocamento, porém, teria impacto sobre os preços. No Brasil, o valor recebido pelos produtores poderia cair 5,6% no cenário mais grave e 1% em uma hipótese intermediária.

Mudança de fornecedores afetaria o mercado global

Uma eventual redução das compras europeias de soja brasileira também poderia alterar as cadeias internacionais de abastecimento.

A UE tenderia a ampliar as compras de fornecedores menos afetados pelas novas regras, enquanto a menor demanda por soja e farelo poderia provocar mudanças nos mercados de oleaginosas, na atividade de esmagamento e na cadeia de produção de ração animal.

O estudo estima ainda que a adoção de substâncias alternativas aprovadas pela União Europeia poderia elevar os custos de produção entre 20% e 40% em alguns países exportadores.

Brasil possui alternativas a alguns agroquímicos

O levantamento aponta que produtores brasileiros já utilizam alternativas autorizadas pela UE para determinadas culturas.

Na produção de cereais, por exemplo, existem opções ao ciproconazol, como fosetil-alumínio, bixafen, metalaxil-M, fluazinam e fluxapiroxad.

Ao mesmo tempo, também são utilizados no Brasil produtos não autorizados na UE, entre eles propiconazol, flutriafol e mancozeb.

O estudo observa, contudo, que o flutriafol é a única dessas substâncias que ainda apresenta MRLs acima do limite de quantificação para algumas categorias de cereais, sem estar incluído na categoria de maior risco analisada.

Na produção de soja, os agricultores brasileiros também utilizam alternativas aprovadas pela UE, como protioconazol e piraclostrobina.

Produtores e exportadores contestam proposta na OMC

A possível mudança europeia já provoca questionamentos de grandes países produtores agrícolas. Um grupo de 19 nações, incluindo Brasil, Argentina, Estados Unidos, Canadá e Austrália, levou o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).

A principal preocupação é que a União Europeia estaria adotando critérios próprios de perigo para restringir determinadas substâncias, em vez de utilizar exclusivamente avaliações de risco baseadas em critérios científicos reconhecidos internacionalmente.

Os países também questionam a possibilidade de Bruxelas aplicar, de forma indireta, padrões de produção europeus a agricultores de outras regiões, mesmo diante de diferenças climáticas e agrícolas.

Na avaliação dos países que contestam a medida, esse tipo de exigência pode gerar instabilidade no comércio agrícola internacional e aumentar as dificuldades de funcionamento do sistema multilateral baseado em regras comuns.

Acesso ao mercado europeu pode ficar mais complexo

A proposta ainda está em discussão e seus efeitos dependerão do formato final das regras e do nível de adaptação dos produtores e exportadores.

Para o Brasil, entretanto, o estudo europeu indica que setores como soja, café e outras commodities agrícolas podem enfrentar custos adicionais e necessidade de mudanças nas práticas de produção caso as novas exigências sejam aprovadas.

Mesmo com o avanço do acordo de livre comércio entre UE e Mercosul, o cumprimento das normas sanitárias, ambientais e relacionadas ao uso de agroquímicos continuará sendo um fator relevante para o acesso dos produtos brasileiros ao mercado europeu.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Indústria

Acordo Mercosul-EFTA amplia oportunidades para a indústria de Santa Catarina

O avanço das negociações para o acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA cria novas perspectivas para o comércio exterior brasileiro e, especialmente, para a indústria de Santa Catarina. A Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

O tratado prevê eliminação de tarifas para cerca de 97% das transações de bens entre o Brasil e o bloco europeu, enquanto outros 1,2% terão redução gradual de tarifas. O acordo também estabelece cotas específicas para produtos agrícolas, incluindo carnes, milho, mel e óleos vegetais.

Comércio entre Brasil e EFTA movimenta US$ 7,8 bilhões

Os números mais recentes mostram uma relação comercial consolidada entre os dois mercados. Em 2025, o Brasil exportou US$ 3,8 bilhões para os países da EFTA e importou US$ 4 bilhões, resultando em uma corrente de comércio de US$ 7,8 bilhões.

A relação é marcada pela forte presença da indústria de transformação. Os bens intermediários representaram 68,5% das trocas comerciais realizadas no período.

A indústria de transformação responde por 93,1% das exportações brasileiras destinadas à EFTA e por 99,7% das importações provenientes do bloco, reforçando o caráter industrial da relação comercial.

Santa Catarina aparece entre os estados com mais oportunidades

Santa Catarina está entre os estados brasileiros com maior potencial de aproveitamento do acordo. Segundo mapeamentos realizados pela indústria, o estado reúne 354 oportunidades de exportação para a EFTA, ficando atrás apenas de São Paulo e Paraná.

Para Maria Teresa Bustamante, presidente do Conselho de Comércio Exterior da FIESC, o cenário coloca Santa Catarina em posição estratégica para ampliar sua presença no mercado europeu.

Agroindústria concentra oportunidades de exportação

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) identificou 653 oportunidades para 453 produtos industriais brasileiros nos países da EFTA. Parte significativa dessas possibilidades apresenta aderência à estrutura produtiva catarinense.

Na agroindústria e no setor de alimentos, foram identificadas 119 oportunidades, sendo 50 relacionadas à abertura de novos mercados. Entre os destaques estão as cotas com tarifa zero para carnes de aves e suínos.

As aves já representam 15,3% das exportações brasileiras destinadas à EFTA, enquanto o café não torrado corresponde a 18,8% da pauta exportadora para o bloco.

Setores metalmecânico, eletrônico e químico também podem avançar

O segmento metalmecânico, eletrônico e de máquinas reúne 53 oportunidades mapeadas. A redução ou eliminação de tarifas pode favorecer empresas dos polos industriais de Joinville e Jaraguá do Sul, especialmente nas exportações de motores elétricos, geradores, compressores e produtos metálicos.

Já o setor de químicos e plásticos apresenta 89 oportunidades, incluindo possibilidades de abertura de mercado e consolidação das exportações da indústria de transformação química.

Além das exportações, o acordo pode beneficiar as empresas catarinenses no acesso a insumos, medicamentos, fertilizantes e máquinas de precisão provenientes dos países da EFTA, com potencial redução de custos de importação.

Entre os principais produtos importados pelo Brasil estão os farmacêuticos e medicamentos, que representam 11,1% da pauta, compostos organo-inorgânicos, com 5,2%, além de fertilizantes e equipamentos industriais de precisão.

Acordo prevê facilitação do comércio

Os benefícios esperados não se limitam à redução de tarifas. O tratado também prevê mecanismos voltados à desburocratização do comércio exterior.

Entre os pontos previstos estão a acumulação de origem estendida com a União Europeia, que permitirá utilizar insumos europeus em determinados produtos destinados à EFTA sem perder o benefício tarifário.

O acordo também contempla regras sanitárias mais ágeis para a agroindústria, simplificação de procedimentos técnicos e abertura do mercado de compras governamentais.

Implementação será gradual a partir de 2026

A entrada em vigor do acordo ocorrerá de maneira progressiva e dependerá da implementação bilateral com cada país integrante da EFTA.

O cronograma previsto estabelece:

  • Islândia: 1º de outubro de 2026;
  • Noruega: 1º de novembro de 2026;
  • Suíça e Liechtenstein: primeiro semestre de 2027.

Com a redução de barreiras tarifárias e a simplificação de procedimentos, o acordo Mercosul-EFTA tende a criar novas possibilidades para empresas brasileiras e ampliar o espaço da indústria catarinense no comércio internacional.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Comércio Exterior

Cota de açúcar do Brasil nos EUA pode ser reduzida em quase 56 mil toneladas

O governo dos Estados Unidos sinalizou que poderá retirar e redistribuir parte da cota de açúcar destinada ao Brasil caso o país não apresente propostas comerciais consideradas satisfatórias por Washington.

A ameaça envolve aproximadamente 56 mil toneladas de açúcar, volume que ainda não foi oficialmente distribuído dentro da cota brasileira para o ano fiscal de 2027. A medida ocorre em meio ao aumento da pressão de produtores americanos por uma política mais rígida para a entrada de açúcar estrangeiro.

A declaração foi feita pelo subsecretário de Agricultura dos EUA, Stephen Vaden, durante um simpósio da American Sugar Alliance, realizado na semana passada no Colorado.

Brasil pode perder parte da cota de açúcar

Em 23 de julho de 2026, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou as cotas tarifárias (TRQs) para as importações de açúcar no ano fiscal de 2027, que começa em 1º de outubro de 2026 e termina em 30 de setembro de 2027.

O sistema permite que determinados países enviem volumes previamente definidos de açúcar aos Estados Unidos com tarifas reduzidas. Tradicionalmente, o Brasil recebe uma cota próxima de 156 mil toneladas.

Para o próximo ano fiscal, a cota total dos Estados Unidos foi estabelecida em aproximadamente 1,117 milhão de toneladas, distribuídas entre 39 países.

Até o momento, cerca de 100 mil toneladas foram destinadas ao Brasil. Outras 56 mil toneladas permanecem sem fornecedor definido, o equivalente a aproximadamente 36% da cota tradicional brasileira.

Caso as exigências de Washington não sejam atendidas, esse volume poderá ser redistribuído entre outros países fornecedores.

Por que a cota americana é importante para o Brasil?

Em termos de quantidade, a parcela destinada aos Estados Unidos representa uma pequena fração das exportações brasileiras de açúcar.

A estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que o Brasil deverá exportar aproximadamente 35,7 milhões de toneladas de açúcar na safra 2025/26.

Com isso, as cerca de 156 mil toneladas da cota americana correspondem a menos de 0,5% das exportações brasileiras previstas.

O peso comercial da cota, portanto, está menos no volume e mais nas condições de acesso ao mercado americano.

O açúcar que entra dentro do limite estabelecido pelos EUA está sujeito a uma tarifa significativamente menor do que aquela aplicada às importações que ultrapassam a cota.

Para o açúcar bruto, a cobrança dentro da cota é de aproximadamente 0,66 centavo de dólar por libra. Quando o produto entra acima do limite, a tarifa sobe para cerca de 15,36 centavos de dólar por libra.

Convertidos para toneladas, os valores equivalem a aproximadamente US$ 14,60 por tonelada dentro da cota, contra cerca de US$ 338,60 por tonelada fora dela, antes de possíveis tarifas adicionais.

Produtores americanos pressionam por mais proteção

A disputa envolvendo o Brasil faz parte de uma discussão mais ampla sobre a política de proteção do mercado de açúcar dos Estados Unidos.

Durante o 41º Simpósio Internacional de Açúcar, realizado no Colorado, representantes da indústria americana defenderam mudanças nas tarifas aplicadas ao açúcar importado acima das cotas.

Uma das principais reivindicações envolve a chamada tarifa tier 2, criada em 2000 e aplicada às compras que excedem os limites estabelecidos.

Segundo representantes do setor e do USDA, a tarifa teria perdido parte de sua capacidade de conter o avanço das importações estrangeiras.

Estoques elevados aumentam pressão sobre importações

A discussão ocorre em um momento de estoques elevados no mercado americano.

Carlann Unger, responsável pelo programa de açúcar do USDA, afirmou durante o evento que a atual tarifa já não seria alta o suficiente para funcionar como uma barreira efetiva à entrada de produto estrangeiro.

De acordo com ela, os Estados Unidos começaram o ano fiscal de 2026 com o maior nível de estoques de açúcar já registrado.

Para os produtores americanos, o aumento das importações realizadas fora das cotas contribuiu para pressionar os preços domésticos.

A indústria também utiliza estudos para sustentar a necessidade de mudanças na política comercial.

Estudo aponta perdas bilionárias para produtores dos EUA

Uma pesquisa realizada pelo Centro de Políticas de Risco Agrícola da Universidade Estadual de Dakota do Norte (NDSU) calculou que o crescimento das importações de açúcar acima das cotas teria causado mais de US$ 3 bilhões em perdas aos produtores americanos nas duas últimas safras.

O economista Shawn Arita, um dos responsáveis pelo estudo, afirmou que a pesquisa identificou uma influência significativa das importações sobre os preços praticados no mercado interno dos Estados Unidos.

Nesse cenário, a possível redistribuição das 56 mil toneladas ainda não destinadas ao Brasil ocorre em meio a uma pressão maior por medidas de proteção à indústria açucareira americana.

Para o Brasil, embora o volume represente uma parcela pequena das exportações totais, a manutenção da cota de açúcar é relevante devido à diferença expressiva entre as tarifas cobradas dentro e fora do sistema de cotas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio Exterior

Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e tensão diplomática gera preocupação econômica

A recente crise diplomática entre Brasil e Argentina, intensificada após a decisão do governo brasileiro de retirar seu embaixador do país vizinho, levanta preocupações que vão além da esfera política. Especialistas avaliam que o impasse pode afetar uma das relações comerciais mais relevantes da América do Sul.

O Brasil ocupa posição de destaque no comércio exterior argentino, sendo o principal destino das exportações do país e um parceiro estratégico para diversos setores da economia.

Brasil lidera como destino das exportações argentinas

Dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec) mostram que, no primeiro semestre de 2026, o país exportou cerca de US$ 49 bilhões em mercadorias, sendo US$ 6,2 bilhões destinados ao mercado brasileiro — o equivalente a 12,6% das vendas externas.

Entre os principais produtos embarcados para o Brasil estão veículos e equipamentos de transporte, cereais, plásticos, metais básicos e laticínios.

O mercado brasileiro também é o principal comprador dos produtos da indústria automotiva argentina, um dos segmentos que mais geram divisas para o país. Além disso, absorve grande parte das exportações de trigo, vinhos, azeite de oliva, frutas, hortaliças e produtos lácteos. No setor de serviços, o Brasil ocupa a segunda posição entre os principais destinos, atrás apenas dos Estados Unidos.

Importações brasileiras têm peso na economia argentina

No fluxo de importações, o Brasil aparece como o segundo maior fornecedor da Argentina, respondendo por 22,3% das compras externas, atrás apenas da China.

Os produtos mais importados incluem bens industrializados, automóveis de passeio, autopeças, equipamentos de transporte e bens de capital, essenciais para a atividade industrial argentina.

Apesar da intensa troca comercial, o saldo da balança bilateral permanece negativo para a Argentina. No primeiro semestre deste ano, o déficit foi de US$ 993 milhões, resultado melhor que os US$ 2,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

Indústria automotiva é um dos pilares da integração

Grande parte da integração econômica entre os dois países está sustentada pelo Acordo de Complementação Econômica nº 14 (ACE 14), que permite o comércio de veículos sem cobrança de tarifas.

Firmado em 1990, o acordo foi renovado diversas vezes ao longo das últimas décadas e tem validade até junho de 2029. Governos e representantes do setor automotivo defendem a negociação de uma nova prorrogação para garantir estabilidade às cadeias produtivas dos dois países.

Além do comércio, o Brasil também figura entre os principais investidores estrangeiros na Argentina, ocupando a quarta posição no ranking de investimento direto, atrás de Estados Unidos, Espanha e Holanda.

Especialistas veem impactos limitados no curto prazo

Na avaliação do economista e ex-ministro da Produção da Argentina, Dante Sica, as tensões diplomáticas dificilmente provocarão mudanças imediatas no fluxo comercial entre os dois países.

Segundo ele, empresas instaladas nos dois mercados mantêm cadeias produtivas altamente integradas desde a consolidação do Mercosul, tornando improvável uma interrupção nas operações industriais ou comerciais em razão do momento político.

Projetos futuros podem sofrer atrasos

Embora os efeitos imediatos sejam considerados limitados, especialistas alertam que uma crise diplomática prolongada pode dificultar negociações estratégicas entre Brasil e Argentina.

Entre os temas que podem ser impactados está a ampliação da infraestrutura para exportação do gás produzido em Vaca Muerta, na Argentina, com destino ao mercado brasileiro, especialmente ao estado de São Paulo.

Também podem ocorrer atrasos em negociações envolvendo regulamentações técnicas, certificações de produtos e medidas para ampliar o acesso de mercadorias argentinas ao mercado brasileiro.

FONTE: Buenos Aires Herald
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Buenos Aires Herald

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Logística

Taxação da China preocupa mais a logística brasileira do que tarifas dos EUA, avalia CNT

A taxação imposta pela China sobre a carne brasileira gera maior preocupação para a logística nacional do que as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos. A avaliação é do presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, que considera o mercado chinês mais relevante para o fluxo de exportações do país.

Em entrevista ao programa Conexão Infra, o dirigente explicou que a medida adotada pela China afeta diretamente um dos principais segmentos da pauta exportadora brasileira, enquanto o volume destinado ao mercado norte-americano tem participação mais limitada.

Queda nas exportações de carne já aparece nos indicadores

Os reflexos da redução das compras chinesas de carne bovina brasileira já começam a ser observados nos dados do comércio exterior. Informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam desaceleração nos embarques do produto.

Segundo Vander Costa, embora os Estados Unidos sejam destino de produtos industrializados de maior valor agregado, a quantidade exportada é relativamente pequena, o que reduz os impactos diretos das tarifas sobre a economia brasileira.

Negociação com os Estados Unidos é considerada estratégia adequada

Na avaliação do presidente da CNT, a decisão do governo brasileiro de manter o diálogo com os Estados Unidos é a alternativa mais adequada neste momento.

Ele também destacou a mobilização do setor empresarial em busca de soluções para reduzir os efeitos das novas tarifas e preservar a competitividade das exportações brasileiras.

Diversificação de mercados ganha força

Para minimizar os riscos provocados pelas barreiras comerciais, Vander Costa defende a ampliação dos mercados compradores dos produtos brasileiros. Segundo ele, a busca por novos parceiros comerciais na Ásia e na Europa, além do avanço do acordo Mercosul-União Europeia, pode abrir novas oportunidades para as exportações nacionais.

O dirigente também avalia que a política tarifária adotada pelos Estados Unidos pode ampliar a influência da China no comércio internacional ao estimular outros países a fortalecerem suas relações comerciais com o mercado asiático.

Setor produtivo já se preparava para novas tarifas

De acordo com o presidente da CNT, empresas brasileiras já vinham se preparando para um cenário de aumento das tarifas norte-americanas, o que ajudou a reduzir parte dos impactos provocados pelas medidas recentes.

Ainda assim, ele reforça que a taxação chinesa representa um desafio mais significativo para a logística, devido ao peso da China como principal destino de importantes produtos do agronegócio brasileiro.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio Exterior

FIESC reforça parceria com o Paraguai para ampliar comércio exterior e rotas logísticas

A FIESC participa da missão oficial do Governo de Santa Catarina ao Paraguai com foco na ampliação das relações comerciais e no fortalecimento da integração econômica entre os dois países. A iniciativa pretende consolidar o país vizinho como um parceiro estratégico no Mercosul, incentivando novos negócios e ampliando o intercâmbio comercial na região.

Na noite de quinta-feira (6), a comitiva catarinense participou de um encontro com o embaixador do Brasil no Paraguai, José Antônio Marcondes de Carvalho, dando início à agenda institucional no país.

Portos de Santa Catarina são apresentados como alternativa logística

A delegação da FIESC é formada pelo presidente da entidade, Gilberto Seleme, e pela presidente do Conselho de Comércio Exterior, Maria Teresa Bustamante. Durante a missão, o grupo apresenta a estrutura e a eficiência dos portos de Santa Catarina como uma opção estratégica para a movimentação de cargas paraguaias destinadas à exportação e importação.

Segundo Gilberto Seleme, o estado reúne condições para se tornar uma referência logística para o comércio exterior do Paraguai.

“Santa Catarina tem potencial para se tornar a alternativa logística preferencial do comércio exterior do Paraguai. Queremos consolidar rotas competitivas que passem pelo nosso estado, permitindo que a movimentação de produtos e mercadorias importadas e exportadas pelo país vizinho utilize a alta capacidade e expertise dos portos catarinenses”, afirmou.

Agenda inclui autoridades do governo e do Congresso paraguaio

A programação oficial segue nesta sexta-feira (7) com reuniões entre a delegação catarinense e o ministro da Indústria e Comércio do Paraguai, Marco Riquelme, além dos vice-ministros Javier Viveros, da Indústria, e Eduardo Gustale, da REDIEX.

Parte da comitiva também será recebida pelo vice-presidente da República do Paraguai, Lorenzo Alliana Rodríguez.

Além dos encontros com representantes do Poder Executivo, a missão prevê reuniões com parlamentares paraguaios, incluindo o presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, presidentes de comissões temáticas do Congresso e o governador do departamento de Misiones, Richard Ramírez.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC

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Transporte

Ponte da Integração amplia circulação de veículos entre Paraná e Paraguai com novas regras

A Ponte da Integração, que conecta Foz do Iguaçu (PR) a Presidente Franco, no Paraguai, passou a operar com regras mais flexíveis, permitindo a circulação de um número maior de veículos. As mudanças entraram em vigor na segunda-feira (3), após a publicação de um ato declaratório da Receita Federal, que oficializou a ampliação das categorias autorizadas a utilizar a travessia.

As novas diretrizes foram aprovadas na última sexta-feira (31) pela Comissão Mista Brasileiro-Paraguaia e começaram a valer imediatamente. Apesar da ampliação do acesso, cada tipo de veículo deverá seguir horários específicos para a utilização da ponte.

Transporte coletivo internacional ganha novo acesso

Entre as principais alterações está a autorização para que a linha internacional de transporte urbano entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco utilize a Ponte da Integração de forma opcional, no período das 7h às 19h.

Para realizar a travessia, os passageiros deverão apresentar o Documento para Trânsito Vicinal Fronteiriço, conforme previsto nos acordos firmados pelo Mercosul.

Ônibus de turismo e linhas internacionais terão circulação ampliada

Os ônibus de turismo fretado também foram beneficiados pelas novas regras e passam a ter permissão para utilizar a ponte durante as 24 horas do dia.

A autorização é válida para veículos cujo destino final não seja Foz do Iguaçu, Ciudad del Este ou Presidente Franco. O mesmo critério passa a valer para os ônibus internacionais que operam em linhas regulares.

Mudanças incluem novas regras para caminhões

O transporte de cargas também foi contemplado com a atualização das normas.

Agora, caminhões de grande porte vazios poderão atravessar a Ponte da Integração entre 20h30 e 5h. Além disso, veículos de carga com capacidade de até 3,5 toneladas também passam a ter autorização para utilizar a estrutura.

No caso dos caminhões leves vazios, a circulação será permitida entre 7h e 19h. Entretanto, caso retornem transportando carga, a travessia deverá ocorrer obrigatoriamente pela Ponte da Amizade.

Ampliação do acesso gera protesto de caminhoneiros

Inaugurada para o tráfego em dezembro de 2025, após obras iniciadas em 2019, a Ponte da Integração tinha funcionamento inicialmente restrito a caminhões de grande porte e ônibus de turismo. Com as novas regras, tanto os horários quanto o número de categorias autorizadas foram ampliados.

Apesar da flexibilização, as mudanças provocaram reação entre os transportadores brasileiros.

Na segunda-feira (3), o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Foz do Iguaçu (Sintrofi) realizou uma paralisação com apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL) e da Federação dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Paraná (Fetropar).

Categoria pede igualdade nas regras de circulação

Segundo o Sintrofi, a principal reivindicação é que os caminhões brasileiros também possam utilizar a Ponte da Integração durante o período diurno, nos mesmos moldes da autorização concedida aos caminhões paraguaios de menor porte.

Para a entidade, a diferença nas regras de circulação cria um desequilíbrio operacional entre transportadores dos dois países, impactando a competitividade do setor na região de fronteira.

FONTE: Tribuna PR
TEXTO: Redação
IMAGEM: Albari Rosa / AEN

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Exportação

Acordo Mercosul-União Europeia abre novas oportunidades para exportações de Santa Catarina

O acordo entre Mercosul e União Europeia amplia as perspectivas para as exportações de Santa Catarina, que passa a contar com centenas de novas oportunidades de negócios no mercado europeu. Levantamento da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) aponta a existência de 805 oportunidades de exportação para empresas catarinenses.

Embora o estado já tenha 761 empresas comercializando produtos com países da União Europeia, especialistas avaliam que os maiores benefícios iniciais devem ser aproveitados por companhias com maior experiência em comércio exterior, já preparadas para atender às exigências técnicas do bloco europeu.

Indústria e agronegócio lideram potencial de crescimento

Entre os setores com maior possibilidade de expansão estão os segmentos da indústria de transformação, especialmente fabricantes de motores elétricos, transformadores, compressores, móveis e produtos de madeira.

No agronegócio, as carnes de frango e suína seguem como os principais destaques da pauta exportadora catarinense.

A redução gradual das tarifas prevista no acordo tende a aumentar a competitividade desses produtos no mercado europeu, colocando as empresas brasileiras em condições semelhantes às de países que já mantinham acordos comerciais com a União Europeia.

Pequenas empresas enfrentam desafios para exportar

Apesar das novas oportunidades, especialistas alertam que o acesso ao mercado europeu pode ser mais complexo para pequenas e médias empresas.

Entre os principais obstáculos estão as rigorosas exigências relacionadas à certificação ambiental, rastreabilidade dos produtos e normas de rotulagem. Além disso, diversos segmentos exigem elevada capacidade produtiva e investimentos significativos para atender aos padrões internacionais.

Nesse cenário, uma alternativa para os pequenos negócios é atuar como fornecedores de insumos, componentes ou serviços para grandes indústrias exportadoras, integrando-se às cadeias produtivas já consolidadas.

Mercado interno também deve sentir os efeitos do acordo

Os impactos do tratado não se restringem às exportações. A abertura comercial também deve ampliar a presença de máquinas, equipamentos e tecnologias europeias no mercado brasileiro.

Com a redução das tarifas de importação, empresas catarinenses poderão encontrar fornecedores europeus mais competitivos, o que tende a reduzir custos de investimento e modernizar parte do parque industrial.

Ao mesmo tempo, fabricantes brasileiros de bens de capital deverão enfrentar uma concorrência mais intensa, exigindo ganhos de produtividade, inovação e eficiência para manter espaço no mercado.

Especialistas apontam desafios para o futuro

Economistas avaliam que o acordo também traz riscos de longo prazo para a economia brasileira caso não seja acompanhado por políticas voltadas ao fortalecimento da indústria.

Entre as principais preocupações está a possibilidade de o país ampliar sua dependência da exportação de produtos primários e de baixo valor agregado, como carnes e madeira, enquanto aumenta a importação de bens tecnológicos produzidos na Europa.

Outro ponto de atenção são as chamadas barreiras não tarifárias, que incluem critérios de sustentabilidade, requisitos ambientais e normas técnicas cada vez mais rigorosas.

Na avaliação de especialistas, ampliar investimentos em inovação, tecnologia e diversificação industrial será fundamental para que Santa Catarina aproveite plenamente as oportunidades criadas pelo acordo comercial e fortaleça sua competitividade internacional.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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Informação

MDIC abre consulta pública para definir lista de produtos sustentáveis do Mercosul no acordo com a União Europeia

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) iniciou na segunda-feira (3) uma consulta pública para receber sugestões que irão contribuir com a elaboração da lista de produtos sustentáveis do Mercosul prevista no acordo comercial firmado com a União Europeia. O prazo para envio das contribuições segue até o dia 2 de setembro.

Consulta busca fortalecer comércio de produtos sustentáveis

A iniciativa foi oficializada por meio da Circular Secex nº 73/2026 e convida representantes do setor produtivo, da comunidade acadêmica, da sociedade civil e demais interessados a participarem do processo. As manifestações devem ser enviadas pela plataforma Brasil Participativo.

O objetivo é identificar produtos que promovam a conservação, a recuperação, o uso sustentável e a gestão responsável das florestas e de outros ecossistemas considerados vulneráveis.

Lista está prevista no Acordo Mercosul-UE

A criação da relação de produtos faz parte do parágrafo 39 do Anexo 18-A do Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia, que entrou em vigor em 1º de maio de 2026. O documento estabelece que a lista deverá ser implementada no prazo de até um ano após o início da vigência do acordo.

Benefícios para produtos da sociobiodiversidade

De acordo com as regras previstas no acordo, os itens incluídos na lista poderão receber tratamento preferencial ou vantagens adicionais para acesso ao mercado europeu, além de outros incentivos voltados à ampliação do comércio internacional.

As contribuições também servirão para identificar produtos da sociobiodiversidade e cadeias produtivas alinhadas aos compromissos de desenvolvimento sustentável previstos no acordo entre os blocos.

FONTE: MDIC

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução/Sebrae

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Negócios

JBS firma parceria com empresa sul-coreana para ampliar presença no mercado asiático

A JBS anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com a empresa sul-coreana Highland Foods Co., Ltd., marcando o início de uma parceria estratégica voltada à expansão dos negócios no mercado asiático. O acordo foi formalizado na terça-feira (28) e tem como foco ampliar a cooperação comercial entre as duas companhias, impulsionar a inovação e fortalecer a presença dos produtos da empresa brasileira na Coreia do Sul e em outros mercados considerados estratégicos.

A iniciativa representa mais um passo da JBS na ampliação de sua atuação internacional, especialmente em uma região com crescente demanda por proteína animal.

Assinatura ocorreu durante encontro empresarial Brasil-Coreia

A parceria foi oficializada durante a Mesa Redonda Empresarial Brasil-Coreia, realizada em São Paulo e promovida pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em conjunto com a Federação das Indústrias da Coreia (FKI).

O documento foi assinado pelo presidente do Conselho de Administração da JBS, Jerry O’Callaghan, e pela fundadora e CEO da Highland Foods, Young Mi Youn.

Além do memorando firmado entre as duas empresas, o evento reuniu representantes dos setores público e privado e resultou na assinatura de outros cinco acordos envolvendo áreas como inovação, inteligência artificial, indústria farmacêutica e setor aeroespacial.

Highland Foods atua em 19 países

Fundada em 1999, a Highland Foods é especializada na importação, processamento, logística e distribuição de carnes bovina, suína, de frango e cordeiro.

A empresa mantém parcerias comerciais em 19 países, abrangendo mercados das Américas, Europa, Oceania e Sudeste Asiático. Em 2025, a companhia registrou faturamento de aproximadamente US$ 876,4 milhões, consolidando sua posição como uma das principais distribuidoras de proteínas na Coreia do Sul.

Parceria acompanha avanço das relações entre Brasil e Coreia do Sul

O anúncio ocorre em meio ao fortalecimento das relações comerciais entre Brasil e Coreia do Sul, durante a visita oficial do presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, ao país.

Na segunda-feira (27), o presidente participou de encontros em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando foi anunciada a criação de um grupo de trabalho destinado a retomar as negociações do acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul, interrompidas desde 2019.

Mercado coreano pode abrir espaço para carne bovina brasileira

Durante a agenda bilateral, o governo brasileiro também informou que autoridades sanitárias da Coreia do Sul devem visitar o Brasil em agosto. A missão faz parte das negociações para viabilizar a abertura do mercado sul-coreano à carne bovina brasileira, medida considerada estratégica para ampliar as exportações do setor.

Caso avance, o processo poderá fortalecer ainda mais a presença da JBS e de outras empresas brasileiras no mercado asiático, ampliando as oportunidades para a cadeia nacional de proteína animal.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: JBS

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