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Irã ataca seis navios em um único dia perto do Estreito de Ormuz

Os ataques contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz e em áreas próximas atingiram, em outubro, o maior ritmo desde o início da guerra entre Irã e Estados Unidos, em 28 de fevereiro. Segundo dados da agência britânica de Operações de Comércio Marítimo (UKMTO) e de fontes internacionais de segurança marítima, seis navios foram atacados apenas na segunda-feira, 12 de outubro.

Nos primeiros 12 dias do mês, mais de 18 embarcações comerciais teriam sido alvo de ações iranianas. Entre os dias 5 e 12 de outubro, foram registrados pelo menos 14 ataques, tentativas de ataque e interceptações envolvendo navios que navegavam pelo estreito e por suas proximidades.

Os episódios refletem o agravamento das tensões entre Teerã e Washington e ampliam as preocupações com a segurança da navegação em uma das principais rotas mundiais para o transporte de energia e matérias-primas.

Ataques a navios aumentam desde a retomada dos confrontos

Dados da UKMTO e declarações da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) apontam uma intensificação das ações contra o transporte marítimo comercial desde a retomada dos confrontos entre iranianos e norte-americanos, em julho.

Naquele mês, pelo menos 12 ataques contra petroleiros e cargueiros foram registrados. Em agosto, ao menos dez embarcações, incluindo navios-tanque e transportadores de gás natural liquefeito, foram alvo de ações nas proximidades do porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, e de Sohar, em Omã.

Em setembro, o número chegou a 18 navios, de acordo com os dados citados pelas fontes de segurança marítima.

A escalada ocorreu paralelamente ao aumento das operações de transferência de petróleo entre embarcações, conhecidas como ship-to-ship (STS). Nesse modelo, navios menores transportam o combustível até áreas consideradas mais seguras, onde a carga é transferida para petroleiros de maior porte.

Guarda Revolucionária justifica operações contra embarcações

A Guarda Revolucionária Islâmica afirma que suas ações buscam combater o que classifica como contrabando ilegal de petróleo e tentativas de romper o bloqueio do Estreito de Ormuz.

Segundo o grupo militar iraniano, as operações passaram a abranger não apenas petroleiros e cargueiros, mas também embarcações de abastecimento, rebocadores e navios-tanque de menor porte que circulam pelo Golfo.

A IRGC também declarou que algumas embarcações sofreram danos após explosões provocadas pelo contato com minas marítimas. Segundo a versão iraniana, os navios navegavam por rotas consideradas não autorizadas ou inseguras.

Teerã atribui a intensificação das ações ao que chama de bloqueio naval dos Estados Unidos. O governo iraniano também alerta que embarcações podem ser alvo de medidas de segurança caso utilizem trajetos não aprovados ou atravessem a região com os sistemas de navegação e identificação desligados.

Irã impõe regras para a navegação no Estreito de Ormuz

Desde abril, o Irã vem aplicando restrições ao tráfego marítimo na região, incluindo a definição de corredores específicos para a passagem de embarcações e a exigência de coordenação prévia com a Marinha da Guarda Revolucionária.

Em 30 de maio, Teerã anunciou que os navios interessados em atravessar o estreito deveriam obter autorização antecipada da força naval da IRGC. Na ocasião, as autoridades iranianas advertiram que a passagem sem permissão seria considerada uma ameaça à segurança.

As medidas aumentam a incerteza para armadores, operadores logísticos e empresas de energia que dependem da rota para transportar petróleo, gás e outras mercadorias.

Estreito de Ormuz é estratégico para o mercado global de energia

O Estreito de Ormuz conecta o Golfo ao Golfo de Omã e ao Mar da Arábia, sendo uma das passagens marítimas mais importantes para o comércio internacional de energia.

A região é essencial para o escoamento da produção de petróleo e gás do Golfo Pérsico. Por isso, qualquer interrupção ou restrição à navegação pode afetar as cadeias de abastecimento, elevar os custos de transporte e aumentar a volatilidade nos mercados internacionais de energia.

O crescimento dos ataques também amplia os riscos para as tripulações e para as empresas responsáveis pelo transporte marítimo, que precisam lidar com ameaças militares e mudanças nas condições de circulação.

Guerra entre Irã e Estados Unidos mantém tensão na região

O conflito começou em 28 de fevereiro, após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Em abril, as partes chegaram a um cessar-fogo, mas os confrontos entre Washington e Teerã foram retomados em julho, diante do impasse nas negociações.

Apesar da assinatura de um memorando de entendimento em junho, as divergências persistiram, especialmente em relação à segurança da navegação e ao controle do Estreito de Ormuz.

Nesse cenário, a intensificação dos ataques contra navios comerciais mantém a rota sob pressão e representa um desafio para a retomada da estabilidade no comércio marítimo internacional.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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