Sustentabilidade

Rastreabilidade da soja e da carne bovina ganha propostas para reduzir riscos ambientais no Brasil

O Brasil possui uma estrutura avançada de acompanhamento das cadeias produtivas de soja e carne bovina, mas ainda precisa integrar melhor as ferramentas já existentes de rastreabilidade ambiental. A conclusão faz parte de um estudo que avaliou 21 iniciativas voltadas ao monitoramento socioambiental de dois dos principais produtos da agropecuária brasileira.

O levantamento, intitulado “Rastreando a Responsabilidade: fortalecendo o monitoramento do desmatamento nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina do Brasil”, foi divulgado pela organização ambiental WRI Brasil e analisa a capacidade do país de responder às novas demandas do mercado internacional por transparência e controle ambiental.

Pesquisa avalia sistemas de monitoramento da produção agropecuária

O estudo analisou dez iniciativas relacionadas à cadeia produtiva da soja e outras 11 ligadas à produção de carne bovina. Os mecanismos avaliados têm como objetivo acompanhar e verificar práticas produtivas nos biomas Amazônia e Cerrado, especialmente em relação ao uso da terra e ao desmatamento.

Após comparar os diferentes modelos existentes, os pesquisadores apresentaram dez recomendações para fortalecer os sistemas atuais de controle, ampliar a transparência e contribuir para a formulação de políticas públicas.

Recomendações para melhorar a rastreabilidade ambiental

Entre as principais medidas sugeridas pelo estudo estão:

  • Adotar a propriedade rural como principal unidade de monitoramento das cadeias produtivas;
  • Utilizar bases oficiais, com dados governamentais e informações validadas cientificamente;
  • Garantir conformidade com o Código Florestal Brasileiro e combater violações relacionadas ao trabalho forçado;
  • Ampliar auditorias independentes e divulgar relatórios de transparência;
  • Expandir o acompanhamento para todos os biomas brasileiros;
  • Assegurar que não tenha ocorrido desmatamento ilegal após o marco temporal de 2008;
  • Garantir o compromisso de desmatamento zero após agosto de 2020, alinhado às exigências nacionais e internacionais;
  • Monitorar toda a cadeia de fornecedores, incluindo os fornecedores indiretos;
  • Criar mecanismos para reinserção de produtores que regularizem situações de não conformidade;
  • Estabelecer uma gestão participativa com diferentes setores envolvidos.

Rastreabilidade pode fortalecer relações comerciais internacionais

Para a diretora do Programa de Florestas e Uso da Terra do WRI Brasil, Mariana Oliveira, o avanço dos sistemas de monitoramento ambiental pode contribuir para um modelo de desenvolvimento rural mais sustentável.

Segundo ela, a integração das ferramentas existentes também pode facilitar a atuação de diferentes agentes envolvidos no processo, como instituições financeiras, investidores e compradores internacionais.

A especialista destaca que algumas instituições financeiras brasileiras já utilizam bancos de dados oficiais e privados para avaliar riscos. A expectativa é que esse modelo também seja incorporado por organizações globais, como bancos de desenvolvimento e investidores internacionais.

China é um dos mercados interessados em maior transparência

O estudo aponta a China como um exemplo de mercado que poderia se beneficiar de protocolos mais estruturados de rastreabilidade da soja e da carne bovina. Em 2024, o país importou do Brasil US$ 44,6 bilhões em produtos dessas duas cadeias.

Com a integração das bases de dados e a padronização dos critérios técnicos entre diferentes órgãos públicos, compradores internacionais teriam mais segurança para avaliar riscos socioambientais relacionados aos produtos brasileiros.

Os pesquisadores defendem que o Brasil fortaleça a cooperação com grandes mercados consumidores, criando mecanismos que conciliem competitividade comercial e preservação ambiental.

Sistemas eficientes podem gerar benefícios no campo

Mariana Oliveira ressalta que a discussão sobre rastreabilidade vai além do atendimento às exigências comerciais. Para ela, a construção de sistemas mais eficientes pode aproximar o setor produtivo de um modelo de desenvolvimento com maior geração de renda, empregos e oportunidades para produtores rurais.

A especialista destaca ainda que investimentos em inovação tecnológica, mecanização e cooperação internacional podem ampliar os benefícios econômicos e sociais para as regiões produtoras de commodities agrícolas.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Fernando Frazão/Agência Brasil

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Exportação

Ferrovias podem ampliar exportações e criar novos corredores logísticos no Brasil

Os novos projetos de ferrovias previstos para concessão têm potencial para transformar a logística nacional e ampliar as alternativas de exportação brasileira. Especialistas avaliam que empreendimentos como a EF-118, a Ferrogrão e o corredor Fico-Fiol devem reduzir a concentração das cargas nos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), fortalecendo novas rotas e polos exportadores em diferentes regiões do país.

A expectativa é que os leilões da EF-118, da Ferrogrão e do Corredor Leste-Oeste ocorram ainda este ano, enquanto novos trechos da Malha Sul devem entrar no cronograma de concessões em 2026.

Novas ferrovias fortalecem integração entre produção e portos

Na avaliação de especialistas, os futuros projetos ferroviários já nascem integrados à malha nacional e conectados a importantes complexos portuários, tornando o transporte de cargas mais eficiente e competitivo.

A sócia da KPMG, Tatiana Gruenbaum, destaca que a EF-118 deverá diminuir a dependência dos exportadores em relação aos portos de Santos e Paranaguá.

Com cerca de 571 quilômetros de extensão entre Santa Leopoldina (ES) e Nova Iguaçu (RJ), a ferrovia será interligada à Estrada de Ferro Vitória-Minas e à malha da MRS, conectando os portos do Açu, Central e Ubu. Além disso, permitirá operações por Vitória (ES) e Itaguaí (RJ), atendendo principalmente cargas de graneis agrícolas, minérios e combustíveis.

Fico-Fiol deve impulsionar novo polo exportador na Bahia

Outro projeto considerado estratégico é o corredor formado pela Fico e pela Fiol, que poderá consolidar Ilhéus (BA) como uma importante alternativa para o escoamento da produção agrícola pelo Porto Sul.

Segundo Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para governo e infraestrutura, a nova ligação ferroviária tende a estimular o crescimento das exportações em regiões que hoje enfrentam custos elevados de transporte rodoviário e menor competitividade logística.

O primeiro trecho da Fiol, entre Ilhéus e Caetité (BA), deverá ter as obras retomadas por um consórcio privado nos próximos meses. Já o segundo segmento, entre Caetité e Barreiras, permanece sob responsabilidade do governo federal. A previsão é que ambos estejam em operação até 2031.

O trecho final, entre Barreiras (BA) e Figueirópolis (TO), será licitado posteriormente, após a conclusão das etapas iniciais. A conexão ocorrerá em Mara Rosa (GO), integrando a Fiol à Fico e também à Ferrovia Norte-Sul.

Ferrogrão amplia alternativas para o agronegócio

A Ferrogrão é apontada como um dos principais projetos para fortalecer a logística do agronegócio brasileiro.

A ferrovia ligará Sinop (MT) a Miritituba (PA), permitindo que a produção agrícola do Mato Grosso seja transportada até os portos do Arco Norte por meio da navegação fluvial, utilizando terminais como Barcarena e Santarém, no Pará.

Além de ampliar as opções para exportação de soja, milho e algodão, o projeto também poderá reduzir os custos do transporte de fertilizantes importados, utilizados nas lavouras brasileiras.

Infraestrutura complementar será decisiva para ganhos logísticos

Para o especialista em ferrovias da consultoria Bip, Eustáquio Oliveira, os benefícios da nova malha ferroviária dependerão de investimentos adicionais em infraestrutura logística.

Entre as obras consideradas essenciais estão terminais de armazenagem, silos, pátios de carga, estruturas de transbordo e melhorias nos portos.

Segundo ele, a integração entre transporte rodoviário e ferroviário permite maior eficiência operacional, reduzindo custos ao utilizar caminhões em curtas distâncias e trens nos percursos mais longos.

Especialistas apontam desafios para execução dos projetos

O professor da FGV Cidades, Ciro Biderman, avalia que empreendimentos como a EF-118 podem criar novos corredores logísticos e ampliar a competitividade dos portos da região Sudeste.

Já os futuros investimentos na Malha Sul tendem a fortalecer os portos de Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Rio Grande (RS), beneficiando principalmente o transporte de grãos, carnes, celulose, trigo e fertilizantes.

Apesar do potencial, Biderman alerta que alguns projetos dependem da conclusão simultânea de obras ferroviárias e portuárias. No caso da Fiol e do Porto Sul, por exemplo, atrasos em uma das estruturas podem comprometer os ganhos esperados.

Em relação à Ferrogrão, o especialista destaca que ainda existem desafios relacionados ao licenciamento ambiental e ao cumprimento de condicionantes socioambientais, fatores que podem influenciar o cronograma da obra, mesmo após decisões judiciais favoráveis ao projeto.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Exportação

Exportações de alimentos ganham força em estratégia do Brasil diante de conflitos globais

Os impactos dos conflitos internacionais sobre o comércio exterior têm levado o Brasil a reforçar sua estratégia de ampliar as exportações de alimentos. A avaliação foi apresentada nesta quinta-feira (30), em Brasília, pelo presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, durante a primeira edição do Outlook Agro Brasil. Segundo ele, expandir as vendas externas é um fator decisivo para impulsionar o desenvolvimento econômico do país.

Agronegócio brasileiro busca ampliar presença no mercado internacional

Durante o evento, Müller destacou que o agronegócio brasileiro ocupa posição estratégica no abastecimento global de alimentos. De acordo com ele, as exportações do setor cresceram dez vezes nos últimos 20 anos, demonstrando a capacidade do Brasil de atender à demanda mundial por alimentos, além de ampliar a oferta de biocombustíveis e créditos de carbono.

O dirigente ressaltou, no entanto, que esse potencial depende de um ambiente internacional marcado por estabilidade e previsibilidade nas relações comerciais.

Conflitos e tarifas elevam desafios para o comércio exterior

Na avaliação do presidente da ApexBrasil, o aumento das tensões geopolíticas e a adoção de novas barreiras tarifárias geram incertezas para investidores e dificultam o avanço do comércio internacional.

Müller afirmou que o Brasil busca fortalecer sua imagem como parceiro confiável, apostando na redução de barreiras comerciais, no diálogo com outros países e na ampliação de acordos internacionais. Segundo ele, a confiança construída ao longo dos anos foi determinante para a abertura de novos mercados ao setor agropecuário.

Brasil aposta em novos acordos comerciais para ampliar exportações

O diretor do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Alex Giacomelli, afirmou que o comércio global passa por uma fase de profundas mudanças, marcada pela reorganização das cadeias produtivas e pelo aumento de medidas tarifárias unilaterais.

Segundo o diplomata, esse cenário cria oportunidades para que o Brasil fortaleça sua posição como fornecedor de alimentos produzidos de forma sustentável, atendendo países que dependem da produção brasileira para garantir a segurança alimentar.

Ele também destacou o avanço da agenda comercial brasileira, citando acordos firmados com a EFTA, União Europeia e Singapura, além das negociações em andamento com Canadá, Emirados Árabes Unidos, Japão e Coreia do Sul.

Logística e diversificação de mercados são prioridades

Giacomelli ressaltou que a competitividade do agronegócio também depende da estabilidade das rotas logísticas e do abastecimento de insumos estratégicos.

Segundo ele, o Itamaraty atua em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária para preservar o fluxo do comércio internacional, mantendo diálogo com governos estrangeiros para assegurar o fornecimento desses insumos.

Na avaliação do representante do MRE, diversificar os parceiros comerciais deixou de ser apenas uma estratégia de expansão e passou a representar uma necessidade econômica diante da fragmentação do cenário internacional.

Outlook Agro Brasil reúne governo e setor produtivo

O Outlook Agro Brasil reúne autoridades, especialistas e representantes do setor para discutir as perspectivas da agropecuária brasileira na safra 2026/27, além dos fatores que devem influenciar a produção, os investimentos e o comércio nos próximos meses.

A abertura contou com a participação do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula; do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa; do presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller; e da presidente executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Tânia Regina Zanella.

Além dos debates técnicos, o encontro busca consolidar um espaço permanente de diálogo entre governo, produtores, cooperativas, empresas e investidores para apoiar decisões estratégicas voltadas ao fortalecimento do comércio exterior e da agropecuária brasileira.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Chuttersnap/ Unsplash

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Agronegócio

Soja reage em Chicago, enquanto preços nos portos brasileiros seguem próximos de R$ 150 por saca

Os contratos futuros da soja negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) registram leve recuperação nesta quinta-feira (30), após a forte pressão de venda observada na sessão anterior. O movimento é considerado uma correção técnica depois que as cotações atingiram os menores níveis das últimas semanas, influenciadas pela melhora das condições climáticas no Meio-Oeste dos Estados Unidos.

Apesar da alta moderada, o mercado continua atento às previsões do tempo e ao comportamento da demanda internacional, fatores que seguem determinando a direção dos preços.

Liquidação de fundos pressionou as cotações

Além do clima mais favorável para o desenvolvimento das lavouras norte-americanas, a intensa liquidação de posições por parte dos fundos de investimento ampliou a queda dos preços na quarta-feira (29).

Por volta das 7h10 (horário de Brasília), os principais contratos avançavam entre 1,50 e 3,25 pontos. O vencimento de agosto era negociado a US$ 11,79 por bushel, enquanto novembro alcançava US$ 11,96. O contrato de janeiro permanecia acima da marca de US$ 12,00, cotado a US$ 12,07 por bushel.

Clima nos Estados Unidos continua no radar

Mesmo com a recuperação das cotações, operadores mantêm cautela diante das previsões meteorológicas para o cinturão produtor dos Estados Unidos.

Os modelos climáticos indicam chuvas abrangentes e temperaturas mais amenas nos próximos dias, cenário considerado favorável às lavouras. Em um horizonte mais distante, no entanto, a expectativa de calor acima da média em importantes regiões produtoras segue sendo acompanhada pelo mercado por seu potencial impacto sobre a produtividade.

Relatório do USDA pode definir os próximos movimentos

Outro fator aguardado pelos investidores é a divulgação do relatório semanal de vendas para exportação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Os dados devem indicar o ritmo da demanda pela soja norte-americana e podem influenciar o comportamento das cotações em um momento em que o mercado avalia a competitividade do produto dos Estados Unidos no comércio internacional.

Além disso, os agentes acompanham a movimentação do complexo soja, especialmente os contratos de farelo, óleo de soja e também o mercado de petróleo. Nesta quinta-feira, tanto o farelo quanto o óleo operavam em alta, oferecendo suporte adicional às cotações do grão.

Portos brasileiros mantêm preços firmes

No mercado brasileiro, o foco permanece sobre os preços praticados nos portos e na influência do câmbio.

Mesmo com a pressão exercida por Chicago ao longo da semana, a valorização do dólar frente ao real e a demanda pela soja brasileira continuam sustentando as indicações no mercado físico, embora os negócios ocorram de forma mais seletiva.

Segundo Ronaldo Fernandes, analista de mercado e diretor da Royal Rural, a soja disponível nos principais portos brasileiros segue sendo negociada próxima de R$ 150 por saca, enquanto a safra nova trabalha com referência em torno de R$ 140 por saca.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Agronegócio

Fertilizantes: guerra no Oriente Médio e crise no agro reduzem demanda para a safra 2026/27

A combinação entre os impactos da guerra no Oriente Médio e as dificuldades enfrentadas pelo agronegócio brasileiro começa a refletir diretamente no mercado de fertilizantes. A indústria estima uma queda de pelo menos 10% nas entregas de insumos destinadas à safra 2026/27, cenário influenciado pelo aumento dos custos, incertezas logísticas e menor capacidade de investimento dos produtores rurais.

Além da alta nos preços provocada pelo conflito, fatores como o endividamento dos agricultores, o crédito rural mais caro e a redução da rentabilidade das principais culturas têm levado muitos produtores a adiar a compra de adubos.

Compras seguem abaixo do ritmo registrado no ano passado

O atraso nas negociações já é percebido nas principais culturas do país. Para a próxima safra de soja, cujo plantio começa em setembro em algumas regiões, cerca de 80% da demanda por fertilizantes foi negociada até o momento. No mesmo período do ciclo anterior, esse percentual era de 85%.

No caso do milho segunda safra, o ritmo também desacelerou. As compras alcançam aproximadamente 30%, abaixo dos 35% registrados no mesmo período do ano passado.

Apesar do cenário desafiador, representantes do setor observam uma recuperação nas negociações nas últimas semanas, impulsionada pela valorização da soja, que melhorou a relação de troca entre o grão e os fertilizantes. Esse movimento trouxe maior dinamismo ao mercado, embora as incertezas permaneçam.

Mercado deve recuar após ano recorde

Depois de atingir um recorde de 49 milhões de toneladas de fertilizantes entregues em 2025, o setor projeta retração em 2026. As estimativas variam entre uma redução de 5 milhões e 10 milhões de toneladas, com maior impacto sobre os produtos à base de nitrogênio e fósforo.

Parte dessa retração está ligada ao aumento dos custos dos insumos. Segundo executivos da indústria, atualmente o produtor precisa desembolsar o equivalente a duas ou até quatro sacas de soja a mais para adquirir fertilizantes, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Guerra eleva preços das matérias-primas

Desde o início do conflito no Oriente Médio, os preços dos fertilizantes vêm sendo pressionados pelas incertezas envolvendo as principais rotas marítimas da região.

Os produtos fosfatados e nitrogenados sofreram sucessivos reajustes, impulsionados principalmente pela forte valorização do enxofre, matéria-prima essencial para a fabricação de fertilizantes e também utilizada pela indústria de baterias.

Levantamento da consultoria StoneX aponta que o preço da tonelada de enxofre mais do que dobrou ao longo do ano. O MAP (fosfato monoamônico) também registrou alta expressiva, enquanto a ureia acumula semanas consecutivas de valorização.

O aumento no custo do enxofre levou empresas do setor a rever temporariamente parte das operações industriais no Brasil, sem previsão para normalização, já que a retomada depende da estabilização do mercado internacional da matéria-prima.

Indústria enfrenta concorrência por insumos

Além da oferta limitada, fabricantes de fertilizantes enfrentam uma nova disputa pelo enxofre com a indústria global de baterias, segmento que tem ampliado a demanda pelo produto e consegue absorver preços mais elevados.

Essa concorrência aumenta a pressão sobre os custos de produção e amplia os desafios para manter a competitividade do mercado de fertilizantes.

Estoques permanecem menores, mas abastecimento segue controlado

Os estoques de fertilizantes no Brasil estão cerca de 14% abaixo do nível registrado no mesmo período de 2025. Apesar da redução, representantes do setor avaliam que o volume disponível ainda é suficiente para atender entre dois meses e meio e três meses de consumo, patamar considerado adequado diante da expectativa de retração da demanda.

Logística preocupa importadores

Além da escalada dos preços, o conflito internacional também afeta a logística de abastecimento. O ciclo entre a importação das matérias-primas e a entrega dos fertilizantes ao mercado brasileiro pode levar aproximadamente três meses, incluindo embarque, transporte marítimo, desembaraço aduaneiro e distribuição.

Empresas recomendam que os produtores antecipem o planejamento das compras para evitar possíveis atrasos decorrentes de gargalos logísticos e congestionamentos portuários.

Mesmo com parte da matéria-prima vindo de regiões próximas ao conflito, grandes fabricantes afirmam que têm buscado diversificar fornecedores em países como Canadá, Estados Unidos, China, Marrocos, Egito e Catar para reduzir riscos no abastecimento.

Importações atrasadas acendem alerta

A consultoria StoneX também observa atraso nas importações brasileiras de fertilizantes, o que pode exigir aceleração das compras nos próximos meses para recompor os estoques antes do início da safra.

Outro fator de preocupação é a possibilidade de interrupções em importantes corredores marítimos, como a região do Estreito de Bab el-Mandeb, rota estratégica para exportações de países produtores de fertilizantes, incluindo a Arábia Saudita.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pixabay

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Portos

Porto de Santos avalia transferência de cargas em alto-mar para ampliar exportações de grãos

A Autoridade Portuária de Santos (APS) e o Porto de Ningbo-Zhoushan, na China, iniciaram uma cooperação técnica para avaliar a implantação de operações de transferência de cargas em alto-mar entre navios, modelo conhecido como ship-to-ship (STS). A proposta busca aumentar a eficiência das exportações brasileiras de soja e milho, principais commodities enviadas ao mercado chinês.

O acordo prevê a criação de um grupo de trabalho formado por especialistas dos dois portos. A primeira reunião técnica está programada para ocorrer na China dentro de aproximadamente 45 dias, marcando o início dos estudos sobre a viabilidade da operação. Atualmente, nenhum dos dois complexos portuários utiliza esse sistema para movimentação de grãos.

Objetivo é permitir embarques em navios de maior porte

O projeto pretende possibilitar que navios do tipo capesize, com capacidade entre 150 mil e 180 mil toneladas, sejam carregados em alto-mar por meio da transferência da carga transportada inicialmente por embarcações menores que operam no cais santista.

Hoje, os maiores navios graneleiros que atracam no Porto de Santos transportam cerca de 80 mil toneladas. Com a adoção do novo modelo, seria possível ampliar significativamente o volume embarcado sem depender exclusivamente da infraestrutura disponível nos berços de atracação.

Segundo o diretor de Operações da APS, Edilberto Ferreira Beto Mendes, a iniciativa busca aumentar a competitividade logística e reduzir custos.

“Eles buscam alternativas para receber cargas de navios com maior volume. Obviamente, isso aumenta a eficiência da operação e reduz emissão de carbono e o custo do frete marítimo”, afirmou em entrevista ao jornal A Tribuna.

Modelo pode acelerar operações e reduzir custos logísticos

De acordo com a APS, o transbordo offshore permitirá que embarcações menores retornem mais rapidamente aos terminais para novos carregamentos, tornando o fluxo operacional mais ágil e eficiente.

A parceria também atende à necessidade do Porto de Ningbo-Zhoushan, considerado o maior porto do mundo em movimentação de cargas, com mais de 1,4 bilhão de toneladas movimentadas por ano.

Em comparação, o Porto de Santos registrou movimentação de 186,4 milhões de toneladas no último ano, volume equivalente a cerca de 13,3% do complexo portuário chinês.

Estratégia amplia competitividade do Porto de Santos

Segundo Beto Mendes, Santos foi escolhido para a cooperação devido à sua relevância no comércio exterior brasileiro e por concentrar grande parte das exportações de grãos destinadas à China.

O diretor ressalta que o acordo não representa um projeto pronto, mas sim uma etapa de desenvolvimento conjunto para definir o modelo operacional, as tecnologias necessárias e os procedimentos de segurança para a operação de transbordo navio a navio.

A delegação brasileira que participará das discussões na China será composta pelo superintendente de Operações do Porto de Santos, além de especialistas das áreas operacional e ambiental da Autoridade Portuária.

Estudos incluem aspectos ambientais e viabilidade técnica

Apesar do potencial da iniciativa, ainda não existe um cronograma para a implantação da tecnologia. Nesta fase, os trabalhos estarão concentrados na análise da viabilidade técnica, dos impactos ambientais, dos requisitos operacionais e das normas necessárias para execução das operações.

Para a APS, a adoção desse sistema poderá permitir que o Porto de Santos receba embarcações com até 21 metros de calado, ampliando significativamente sua capacidade logística e reduzindo a dependência de futuros projetos de aprofundamento do canal de navegação.

Expectativa é acompanhar o crescimento das exportações brasileiras

A proposta integra o planejamento estratégico da Autoridade Portuária para preparar o complexo santista para o aumento da movimentação de cargas nos próximos anos, especialmente do agronegócio.

A expectativa é que o Porto de Santos alcance aproximadamente 300 milhões de toneladas movimentadas na próxima década, cenário que exigirá investimentos em infraestrutura, inovação e eficiência logística.

Operações ship-to-ship já são utilizadas em outros países

As operações ship-to-ship (STS) já fazem parte da logística portuária em diversos mercados internacionais. O modelo é empregado para movimentação de petróleo, derivados, gases liquefeitos e granéis sólidos, como minério de ferro, carvão e, em alguns casos, grãos.

Entre os países que utilizam esse tipo de operação estão Indonésia, Índia, Austrália e Estados Unidos.

FONTE: A Tribuna
TEXTO: Redação
IMAGEM: Luiz Damasceno/APS/Divulgação

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Exportação

Exportações de frango do Brasil devem crescer mais de 10% em 2026, projeta ABPA

As exportações de frango do Brasil devem alcançar 5,875 milhões de toneladas em 2026, um crescimento de 10,3% em relação às 5,324 milhões de toneladas embarcadas no ano anterior. A projeção foi divulgada nesta terça-feira (28) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) durante coletiva de imprensa realizada em São Paulo.

Para 2027, a expectativa é de continuidade no avanço das vendas externas, embora em ritmo mais moderado. A entidade estima que os embarques cheguem a 6,050 milhões de toneladas, representando alta de 3% sobre o volume previsto para 2026.

Produção de carne de frango também deve aumentar

A produção brasileira de carne de frango deve acompanhar o crescimento das exportações. Segundo a ABPA, o país poderá produzir entre 16 milhões e 16,15 milhões de toneladas em 2026, volume até 5,6% superior ao registrado no ano passado.

Já para 2027, a estimativa aponta produção de aproximadamente 16,6 milhões de toneladas, com expansão de 2,8%.

No mercado interno, a oferta de carne de frango também deve crescer. A disponibilidade prevista para 2026 é de 10,275 milhões de toneladas, aumento de 3,1% na comparação anual. Em 2027, o volume pode atingir 10,55 milhões de toneladas, representando avanço de 2,7%.

Produção e exportações de carne suína continuam em alta

As projeções da ABPA também indicam crescimento para a carne suína. A produção brasileira deve chegar a 5,87 milhões de toneladas em 2026, alta de 5% frente ao ano anterior.

Para 2027, a expectativa é de uma expansão de 3,1%, elevando a produção para cerca de 6,05 milhões de toneladas.

Nas exportações, o setor mantém perspectiva positiva. Os embarques de carne suína brasileira devem alcançar 1,6 milhão de toneladas em 2026, crescimento de 5,9%. Em 2027, a previsão sobe para 1,7 milhão de toneladas, com incremento de 6,3%.

Produção de ovos cresce, mas exportações devem recuar em 2026

A produção de ovos no Brasil também deve apresentar evolução. A ABPA estima que o país alcance 64,8 bilhões de unidades em 2026, aumento de 4,1% em relação ao ano anterior.

Em 2027, a produção poderá atingir 66,5 bilhões de unidades, representando crescimento adicional de até 2,6%.

No comércio exterior, porém, o cenário é diferente. A associação projeta uma redução de 26,6% nas exportações de ovos em 2026, com embarques estimados em 30 milhões. Para 2027, a expectativa é de recuperação, com alta de até 15% e volume previsto de 64,5 milhões exportados.

Setor de proteína animal mantém perspectiva positiva

As estimativas da ABPA reforçam um cenário favorável para a proteína animal brasileira, impulsionado pelo aumento da produção e pela demanda internacional. O desempenho esperado para frango, carne suína e ovos consolida o Brasil como um dos principais fornecedores globais desses produtos.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Canva/Creative Commons

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Exportação

China amplia mercado para polpas e frutas congeladas brasileiras com nova autorização de exportação

A China abriu um novo caminho para ampliar as importações de produtos brasileiros ao liberar os procedimentos necessários para a exportação de polpas e frutas congeladas produzidas no Brasil. Com a medida, empresas do setor já podem iniciar o processo de habilitação para comercializar esses alimentos no mercado chinês.

De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Administração-Geral das Alfândegas da China (GACC) passou a disponibilizar em seu sistema o modelo oficial do certificado sanitário que acompanhará as exportações brasileiras. A inclusão do documento representa um passo essencial para que os embarques sejam autorizados.

Cadastro no sistema chinês é obrigatório para exportadores

Com a publicação do certificado, os estabelecimentos interessados já podem solicitar o registro no China Import Food Enterprise Registration (Cifer), plataforma obrigatória para empresas que desejam acessar o mercado chinês.

O cadastro deve ser realizado diretamente pelo exportador, que é responsável por apresentar toda a documentação exigida pelas autoridades da China. Após a análise e aprovação do pedido, a empresa recebe um número de registro, requisito indispensável para embarcar os produtos ao país asiático.

Produtos autorizados incluem açaí, manga e maracujá

A autorização contempla polpas e frutas congeladas obtidas de espécies já reconhecidas pelas autoridades chinesas como alimentos aptos para consumo humano.

Entre as frutas liberadas estão:

  • Açaí
  • Manga
  • Goiaba
  • Abacaxi
  • Maracujá

Outras espécies já aprovadas pela legislação chinesa também poderão ser exportadas. Já as frutas que ainda não possuem esse reconhecimento continuam sujeitas aos procedimentos específicos previstos para novos alimentos.

Certificado sanitário será exigido nos embarques

Além do registro no sistema Cifer, todas as exportações deverão ser acompanhadas pelo certificado sanitário oficial acordado entre Brasil e China.

O Ministério da Agricultura orienta que os exportadores consultem previamente todas as exigências sanitárias, técnicas e aduaneiras definidas pelas autoridades chinesas antes de iniciar o processo de habilitação.

Depois da aprovação do cadastro pela GACC e da emissão do certificado sanitário pela autoridade brasileira competente, as empresas estarão aptas a realizar as exportações conforme as normas vigentes entre os dois países.

FONTE: Correio do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gabriel Pitome / CeasaRS / Especial / CP

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Informação

Governo critica exigência da União Europeia sobre antimicrobianos e defende sistema sanitário brasileiro

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) classificou como “inaceitável” a exigência da União Europeia (UE) para que o Brasil comprove previamente o controle do uso de antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais destinados à exportação de carnes ao bloco europeu.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (23), a pasta reforçou que o país deve permanecer na lista de nações autorizadas a exportar para a UE, independentemente do tempo necessário para que todas as cadeias produtivas atendam integralmente às novas exigências sanitárias.

Brasil defende confiança no sistema de fiscalização

O governo brasileiro argumenta que o comércio internacional de produtos agropecuários é sustentado pela confiança entre as autoridades sanitárias e pelo reconhecimento dos sistemas oficiais de inspeção.

Na avaliação do ministério, exigir a comprovação antecipada de medidas que são implementadas gradualmente ao longo do processo produtivo contraria esse princípio.

Segundo o Mapa, cabe justamente ao sistema oficial de fiscalização verificar o cumprimento das normas e garantir que apenas produtos em conformidade com os requisitos sanitários recebam certificação para exportação.

Certificação depende do ciclo produtivo

O Brasil passou a adotar recentemente um modelo de controle que acompanha todo o ciclo de produção dos animais quanto ao uso de antimicrobianos.

O tempo necessário para atender às exigências varia conforme a cadeia produtiva. Na pecuária bovina, por exemplo, a certificação pode levar cerca de dois anos, enquanto na produção de aves o processo é concluído em aproximadamente 40 dias.

Para o ministério, essa diferença demonstra que a disponibilidade de produtos aptos para exportação depende do ciclo de produção de cada setor, sem comprometer a credibilidade do sistema brasileiro de fiscalização.

Governo afirma que não pediu flexibilização das regras

O Ministério da Agricultura destacou que o Brasil não solicitou mudanças nas normas sanitárias da União Europeia.

Segundo a pasta, o compromisso continua sendo cumprir integralmente as exigências estabelecidas pelos mercados importadores, preservando os padrões internacionais de segurança alimentar.

O governo informou ainda que encaminhou à Comissão Europeia uma ampla documentação técnica com informações sobre os mecanismos de fiscalização, rastreabilidade, monitoramento e certificação aplicados às cadeias de carne bovina, carne de aves, ovos, mel e produtos da pesca.

Até o momento, de acordo com o ministério, as autoridades europeias ainda não apresentaram uma manifestação definitiva sobre os documentos enviados.

Setor quer manutenção do Brasil na lista de exportadores

Representantes da indústria frigorífica e da pecuária apoiaram a posição adotada pelo governo brasileiro.

Segundo fontes do setor, a principal reivindicação é que o Brasil permaneça habilitado para exportar ao bloco europeu, ainda que parte dos produtos leve mais tempo para atender plenamente às novas exigências.

Na avaliação de integrantes da cadeia produtiva, a discussão sobre a disponibilidade de animais certificados não deve ser confundida com a confiabilidade do sistema sanitário nacional.

Entenda o impasse com a União Europeia

Em maio, a Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados para o bloco a partir de 3 de setembro, alegando falhas na comprovação do controle do uso de antimicrobianos.

Como alternativa, representantes da indústria frigorífica defenderam o banimento desses insumos na produção nacional para atender às exigências europeias. No entanto, estimativas do setor apontam que essa medida poderia elevar os custos da cadeia pecuária em cerca de US$ 2 bilhões por ano, devido ao aumento das despesas com alimentação animal e medicamentos.

Exportações para a União Europeia movimentam bilhões

A União Europeia permanece entre os principais mercados para a proteína animal brasileira.

Em 2025, o bloco importou aproximadamente 128 mil toneladas de carne bovina do Brasil, movimentando cerca de US$ 1 bilhão. Considerando todas as proteínas exportadas, o comércio entre as partes alcançou US$ 1,8 bilhão.

O Ministério da Agricultura reafirmou que continuará o diálogo técnico com as autoridades europeias e defendeu que futuras decisões sejam baseadas em critérios científicos, transparência e cooperação internacional, princípios considerados fundamentais para o comércio global de produtos agropecuários.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Wenderson Araujo/CNA

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Exportação

Brasil pode perder posição para a Argentina nas exportações de milho, aponta consultoria

O Brasil poderá deixar de ocupar o posto de segundo maior exportador de milho do mundo na safra 2025/26. A projeção é da consultoria Hedgepoint Global Markets, que aponta a Argentina como favorita para assumir a vice-liderança do ranking internacional, atrás apenas dos Estados Unidos.

Segundo a análise, a mudança é influenciada pelas dificuldades enfrentadas pelos exportadores brasileiros para atender o mercado do Irã, um dos maiores compradores do cereal. Ao mesmo tempo, a Argentina ganhou competitividade após registrar uma safra robusta, ampliando sua capacidade de oferta ao mercado externo.

Argentina deve superar o Brasil nos embarques

A Hedgepoint estima que o Brasil exporte cerca de 43 milhões de toneladas de milho na temporada 2025/26. Já a projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que a Argentina deverá embarcar aproximadamente 45 milhões de toneladas no mesmo período.

Caso o cenário se confirme, o país vizinho assumirá a segunda colocação entre os maiores exportadores globais do grão.

Apesar da possível perda de posição no ranking, a expectativa é de crescimento nas vendas externas brasileiras em relação ao ciclo anterior, quando o país exportou 41,1 milhões de toneladas.

Irã continua sendo mercado estratégico

De acordo com a consultoria, o Irã permanece como o principal destino do milho brasileiro. Em 2025, o país importou cerca de 9 milhões de toneladas do cereal produzido no Brasil.

Entretanto, o ritmo das compras diminuiu neste ano. Nos primeiros meses de 2026, as importações iranianas somaram aproximadamente 1,5 milhão de toneladas, abaixo das 2,3 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior.

Essa redução nas aquisições é um dos fatores que afetam o desempenho das exportações brasileiras.

Demanda interna por milho segue em alta

Enquanto o mercado externo enfrenta desafios, o consumo doméstico continua avançando.

A Hedgepoint prevê que a demanda de milho para produção de etanol aumente em 5,5 milhões de toneladas, alcançando 28,5 milhões de toneladas na safra 2025/26.

Já o setor de ração animal deverá consumir 61,2 milhões de toneladas, um crescimento estimado em 200 mil toneladas na comparação com o ciclo anterior.

Produção brasileira deve permanecer estável

Para a próxima temporada, a consultoria projeta uma safra de milho de 140,3 milhões de toneladas no Brasil.

O volume representa uma leve redução em relação às 140,5 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior, indicando um cenário de estabilidade na produção nacional, mesmo diante das mudanças previstas no mercado internacional.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Parana

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