Agronegócio

Milho perde rentabilidade em Mato Grosso e produtores já reduzem investimentos na soja

A queda no preço do milho aliada ao aumento dos custos de produção começa a impactar diretamente o planejamento agrícola em Mato Grosso. Em Jaciara, produtores relatam dificuldade para manter a rentabilidade das lavouras e já estudam cortar investimentos na próxima safra, inclusive na cultura da soja.

Baixo preço do milho preocupa produtores

Mesmo com boas condições climáticas e expectativa de produtividade semelhante à do ano anterior, agricultores enfrentam dificuldades financeiras diante da desvalorização do cereal.

O produtor Murilo Degaspari Fritsch cultivou nesta temporada cerca de 1,5 mil hectares de milho verão e outros 2,8 mil hectares de milho segunda safra. Segundo ele, o clima favoreceu o desenvolvimento das lavouras desde o início do ciclo, garantindo um desempenho considerado satisfatório.

Apesar disso, o resultado financeiro não acompanhou a produtividade. A expectativa inicial era repetir os preços registrados em 2025, quando a saca chegou perto de R$ 80 em Jaciara. No entanto, o cenário atual é bem diferente.

Hoje, a saca do milho está sendo comercializada entre R$ 42 e R$ 43, com baixa demanda e dificuldades para negociação. Segundo o produtor, o valor não cobre os custos de produção.

Custos elevados pressionam a próxima safra

Além da desvalorização do cereal, o aumento dos insumos agrícolas agrava ainda mais a situação no campo. O custo do milho verão ficou próximo de R$ 5 mil por hectare, reduzindo drasticamente a margem de lucro do produtor rural.

Dados do projeto CPA-MT, desenvolvido pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em parceria com o Senar Mato Grosso, mostram que o custo do milho subiu 2,32% em abril, alcançando R$ 3.772 por hectare na projeção da safra 2026/27.

Os fertilizantes seguem entre os principais fatores de pressão. Segundo relatos de produtores, o fósforo praticamente dobrou de preço, enquanto potássio e adubos nitrogenados continuam em forte alta.

Diante desse cenário, muitos agricultores pretendem reduzir investimentos em tecnologia e fertilização, utilizando a reserva de nutrientes já existente no solo para diminuir despesas na próxima safra de soja.

Estratégia de manejo fica mais limitada

O produtor rural Everton Jorge Schinoca afirma que encontrar alternativas economicamente viáveis para manter a atividade se tornou um grande desafio.

Ele destaca que as usinas de etanol de milho ajudam a sustentar os preços no estado. Ainda assim, os custos seguem elevados, especialmente com a adubação nitrogenada, considerada essencial para manter a produtividade das lavouras.

Segundo Schinoca, retirar tecnologia do manejo significa reduzir diretamente o potencial produtivo da cultura. Atualmente, ele calcula que sejam necessárias entre 85 e 95 sacas por hectare apenas para cobrir os custos da próxima safra.

Com isso, a tendência é de redução significativa da área plantada com milho na propriedade da família, que deve iniciar em breve a colheita de 1,4 mil hectares de milho segunda safra em Jaciara.

Clima evita perdas maiores nas lavouras

As chuvas registradas recentemente ajudaram a amenizar os impactos da estiagem em parte das áreas produtoras. Ainda assim, produtores estimam queda de aproximadamente 10% na produtividade esperada devido ao período de seca registrado durante o desenvolvimento das plantas.

O clima adverso aumenta ainda mais a preocupação dos agricultores, principalmente em um momento de margens apertadas e custos crescentes.

Soja também pode sofrer impacto na produtividade

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Lucas Costa Beber, afirma que muitos produtores acabaram plantando milho fora da janela ideal após já terem adquirido sementes e fertilizantes antecipadamente.

Segundo ele, a redução das chuvas em diversas regiões e os conflitos internacionais envolvendo países fornecedores de insumos, como Rússia, Ucrânia e Irã, elevaram ainda mais os custos de produção.

O reflexo já aparece no planejamento da próxima safra. A tendência, segundo Beber, é de redução no uso de tecnologia agrícola e fertilizantes nitrogenados para tentar preservar a rentabilidade das propriedades.

O levantamento mais recente aponta que o custeio da safra de soja 2026/27 deve atingir R$ 4.286 por hectare, alta de 1,88% em relação ao mês anterior. O aumento foi puxado principalmente pelos fertilizantes, defensivos agrícolas e pela pressão do mercado internacional.

Para cobrir os custos da próxima temporada, a soja precisaria ser vendida a pelo menos R$ 68,65 por saca, valor acima do ponto de equilíbrio registrado na safra anterior.

Diante do aperto financeiro, produtores já cogitam reduzir drasticamente o uso de fertilizantes nas lavouras, o que pode comprometer a produtividade futura tanto da soja quanto do milho em Mato Grosso.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

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Comércio Internacional

Chile amplia estratégia de exportações para conquistar mercado brasileiro

O Chile está intensificando sua presença comercial no Brasil com uma estratégia voltada à diversificação de produtos exportados. Além dos tradicionais salmão e vinho, o país sul-americano pretende ampliar a oferta de itens premium e alcançar novos consumidores em diferentes regiões brasileiras, especialmente no Nordeste.

A iniciativa ganhou força durante uma feira realizada em São Paulo, que reuniu uma comitiva formada por 22 empresas chilenas interessadas em expandir negócios no mercado nacional.

Produtos premium entram no foco das exportações chilenas

A nova ofensiva comercial do Chile inclui produtos de maior valor agregado e forte apelo gastronômico. Entre os itens que devem ganhar espaço no Brasil estão pisco, cerejas frescas, azeite de oliva, cervejas artesanais e queijos premium.

A aposta chilena leva em consideração o turismo entre os dois países. Cerca de 800 mil brasileiros visitam o Chile todos os anos e já têm contato com muitos desses produtos durante as viagens, o que pode facilitar a consolidação do consumo no mercado brasileiro.

Chile aposta em complementaridade com o agronegócio brasileiro

Representantes do setor afirmam que o avanço das exportações chilenas não representa concorrência direta ao agronegócio brasileiro.

Enquanto o Brasil mantém forte atuação na exportação de commodities como milho, carne bovina e suco de laranja, o Chile concentra sua produção em itens de clima temperado e produtos processados de maior valor agregado.

Essa característica faz com que as economias sejam consideradas complementares, ampliando a variedade disponível no varejo sem afetar a produção nacional.

Salmão e vinhos ainda lideram vendas ao Brasil

Mesmo com a estratégia de diversificação, o salmão chileno continua sendo o principal produto exportado ao Brasil. Entre janeiro e abril de 2026, as exportações chilenas para o mercado brasileiro somaram US$ 897 milhões.

O salmão respondeu por cerca de 40% desse total. Já os vinhos mantêm forte participação entre os consumidores brasileiros e representam 44% de todos os vinhos importados consumidos no país.

Atualmente, o Brasil é o principal destino das exportações chilenas na América Latina.

Corredor Bioceânico deve acelerar logística entre os países

Para ampliar a competitividade dos produtos chilenos no Brasil, os dois países também acompanham o avanço do Corredor Rodoviário Bioceânico de Capricórnio.

O projeto prevê uma rota de integração ligando o Mato Grosso do Sul aos portos do norte chileno, passando por Paraguai e Argentina. A expectativa é reduzir custos logísticos e encurtar o tempo de transporte das mercadorias.

Com isso, produtos frescos poderão chegar mais rapidamente aos centros consumidores brasileiros, preservando qualidade e reduzindo despesas operacionais.

Convenção TIR promete reduzir burocracia no transporte

Outro ponto considerado estratégico para o comércio bilateral é a implementação da Convenção TIR, mecanismo internacional voltado à facilitação do transporte rodoviário de cargas.

Na prática, o sistema funciona como um “passaporte de carga”. Caminhões lacrados na origem poderão cruzar fronteiras sem necessidade de repetidas inspeções alfandegárias e fitossanitárias.

A medida deve acelerar o fluxo logístico, reduzir burocracias e garantir maior eficiência no transporte de alimentos e produtos perecíveis entre Chile e Brasil.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Internacional

Comércio entre Brasil e Líbano cresce no primeiro quadrimestre de 2026

As trocas comerciais entre Brasil e Líbano apresentaram crescimento nos primeiros quatro meses de 2026, com avanço tanto nas exportações brasileiras quanto nas importações vindas do país árabe.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), organizados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, apontam que as exportações do Brasil para o Líbano alcançaram US$ 170,8 milhões entre janeiro e abril, resultado 8,1% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

Exportações brasileiras mantêm saldo positivo

Mesmo com o aumento das importações, a balança comercial permaneceu favorável ao Brasil. O superávit acumulado no período chegou a US$ 169,9 milhões.

A corrente de comércio entre os dois países somou US$ 171,6 milhões no quadrimestre.

Entre os principais produtos exportados pelo Brasil ao mercado libanês estão carne bovina congelada, café, açúcar, soja, gado vivo e carne de frango, itens que seguem liderando a pauta do agronegócio brasileiro nas negociações com o Oriente Médio.

Importações do Líbano avançam mais de 39%

As importações brasileiras de produtos libaneses atingiram US$ 842 mil no acumulado do ano, alta de 39,2% em relação ao mesmo intervalo de 2025.

Os principais itens comprados pelo Brasil foram máquinas para fabricação de alimentos, resíduos de alumínio e frutas em conserva.

O crescimento reforça o avanço das relações comerciais entre os dois países e a ampliação do intercâmbio de produtos industriais e alimentícios.

Abril registra forte alta no comércio bilateral

Somente em abril, as exportações brasileiras para o Líbano totalizaram US$ 54,6 milhões, crescimento de 18,2% na comparação com abril do ano passado.

As importações também registraram forte expansão no mês e chegaram a US$ 187 mil, salto expressivo de 1003,4%.

Com isso, a corrente de comércio em abril alcançou US$ 54,8 milhões, enquanto o saldo positivo para o Brasil ficou em US$ 54,5 milhões.

O desempenho confirma o fortalecimento das relações comerciais entre os dois países e o aumento da presença dos produtos brasileiros no mercado libanês.

FONTE: ANBA
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Exportação

Exportação de manga para a Europa cresce 71% e impulsiona fruticultura brasileira

As exportações brasileiras de manga registraram forte expansão nos últimos anos, impulsionadas pelo avanço tecnológico no campo e pelo aumento da competitividade do setor no mercado internacional. Entre 2018 e 2025, os embarques da fruta cresceram 71%, segundo dados do ComexStat, ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

No ano passado, o Brasil exportou volume recorde de 291 mil toneladas de manga, superando com folga as 170,5 mil toneladas embarcadas em 2018.

Europa lidera compras da manga brasileira

A Europa segue como principal destino da manga produzida no Brasil. Em 2025, o continente concentrou 78% das exportações brasileiras da fruta.

Os embarques para os países europeus avançaram de 127 mil toneladas, em 2018, para 226 mil toneladas no ano passado, crescimento de 78% no período.

O desempenho reflete a forte demanda por frutas consideradas premium, além da busca crescente por produtos cultivados dentro de padrões sustentáveis.

Tecnologia no campo impulsiona produção

Representantes do setor atribuem parte desse avanço ao aumento do uso do Paclobutrazol (PBZ), um fitorregulador utilizado para controlar a floração da mangueira.

A tecnologia permite que os produtores programem a colheita em períodos estratégicos, aproveitando as melhores janelas de exportação ao longo do ano.

Segundo Renato Francischelli, diretor da Ascenza no Brasil, o uso do produto ajudou a organizar a produção de acordo com a demanda internacional.

“O agricultor consegue escalonar a colheita para atender o mercado nos momentos de maior consumo”, explicou.

Concorrência reduziu custos para produtores

Até 2018, apenas uma empresa comercializava oficialmente o PBZ no mercado brasileiro, cenário que mantinha os custos elevados para os produtores rurais.

Com a entrada de novos fornecedores, houve redução significativa nos preços do insumo, ampliando o acesso à tecnologia e fortalecendo a competitividade da fruticultura brasileira.

A Ascenza informou que o produto Paclo BR, autorizado no Brasil cinco anos após o pedido de registro, chegou ao mercado nacional com preço cerca de 62,5% menor em comparação aos valores praticados anteriormente.

Segundo Francischelli, antes da ampliação da concorrência, alguns agricultores chegaram a recorrer a produtos sem regulamentação para reduzir despesas de produção.

Vale do São Francisco concentra exportações

O Vale do São Francisco permanece como principal polo exportador de manga do país, respondendo por cerca de 90% a 95% dos embarques brasileiros.

A região se beneficia principalmente do calendário internacional de consumo. O pico das exportações ocorre no segundo semestre e no início do outono europeu, período em que há menor concorrência de produtores como Espanha e Israel.

Os consumidores europeus demonstram preferência pelas variedades com menos fibras, conhecidas como “manga de colher”, caso das cultivares Keitt, Kent e Palmer.

Já os Estados Unidos, responsáveis por 13% das compras em 2025, importam majoritariamente a variedade Tommy Atkins.

Produção nacional também avança

Além do crescimento das exportações, a produção brasileira de manga também apresentou expansão nos últimos anos.

Dados do IBGE e projeções da Embrapa indicam que a colheita nacional passou de 1,32 milhão de toneladas em 2018 para 1,54 milhão de toneladas em 2025, avanço próximo de 17%.

Mesmo sem tarifas para entrada da fruta brasileira na Europa, o setor acredita que o acordo entre Mercosul e União Europeia poderá ampliar ainda mais as oportunidades comerciais para a manga brasileira no exterior.

FONTE: CNN
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Exportação

Acordo Mercosul-União Europeia impulsiona exportações de frutas do Nordeste

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia já começa a gerar impactos positivos para a economia do Nordeste, especialmente no setor de fruticultura irrigada do Vale do São Francisco. A primeira medida prática anunciada prevê tarifa zero para frutas exportadas da região ao mercado europeu.

A novidade beneficia diretamente produtores de cidades como Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), consideradas referências na produção agrícola voltada à exportação.

Frutas nordestinas ganham competitividade na Europa

Durante agenda oficial, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o prefeito do Recife, João Campos, destacaram que frutas produzidas no semiárido nordestino passarão a entrar no mercado europeu sem cobrança de tarifas.

Com isso, produtos como manga, uva, melão e outras frutas frescas devem chegar mais competitivos aos consumidores europeus, ampliando o potencial de vendas internacionais.

Vale do São Francisco pode ampliar exportações

O Vale do São Francisco já ocupa posição estratégica no agronegócio brasileiro e responde por parcela significativa das exportações nacionais de frutas.

A expectativa do setor é que a redução tarifária traga impactos diretos, como:

  • aumento das exportações;
  • abertura de novos mercados;
  • crescimento da produção agrícola;
  • geração de empregos no interior nordestino.

Especialistas avaliam que o acordo fortalece ainda mais a presença das frutas brasileiras de alto valor agregado na Europa, um dos principais destinos das exportações do setor.

Semiárido se consolida como potência agrícola

Nas últimas décadas, o sertão nordestino passou por uma transformação impulsionada pela agricultura irrigada. A combinação entre clima favorável, irrigação do Rio São Francisco e uso de tecnologia agrícola permitiu que a região se tornasse referência internacional em produção de frutas.

Atualmente, os produtos cultivados no Vale abastecem supermercados europeus, mercados do Oriente Médio e grandes redes internacionais de alimentos.

Porto de Suape e logística devem ganhar força

O crescimento esperado das exportações também pode acelerar investimentos em infraestrutura logística no Nordeste. Estruturas como o Porto de Suape, aeroportos cargueiros, centros de distribuição e terminais refrigerados devem ganhar relevância com o aumento da demanda internacional.

Como boa parte das frutas exportadas é perecível, a eficiência logística se torna fundamental para garantir rapidez no transporte e qualidade dos produtos enviados ao exterior.

Entenda o acordo Mercosul-União Europeia

O tratado comercial firmado entre os blocos é considerado um dos maiores já negociados pelo Brasil. O acordo cria uma área de livre comércio envolvendo aproximadamente 700 milhões de consumidores.

A tendência é que diversos produtos brasileiros tenham redução gradual ou eliminação de tarifas para entrada nos países europeus. No caso das frutas nordestinas, os efeitos aparecem de forma mais imediata devido à estrutura exportadora já consolidada na região.

Nordeste ganha destaque no comércio internacional

O avanço das exportações reforça uma mudança histórica na imagem econômica do semiárido. Antes associado principalmente à seca e às dificuldades climáticas, o sertão nordestino agora se posiciona como uma das regiões brasileiras mais preparadas para fornecer alimentos premium ao mercado internacional.

A expectativa é que o acordo acelere ainda mais o desenvolvimento econômico do interior do Nordeste e fortaleça a presença brasileira no comércio global de frutas.

FONTE: NE9
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Exportação

Exportação de carne bovina para China pode seguir com cortes específicos mesmo após nova tarifa

A nova tarifa aplicada pela China sobre a carne bovina brasileira fora da cota de importação elevou o custo total para cerca de 67%, cenário considerado inviável para grande parte das negociações entre exportadores e compradores chineses.

Mesmo assim, frigoríficos brasileiros ainda enxergam oportunidades pontuais para exportação de determinados cortes com alta demanda no mercado asiático. A expectativa do setor é que ajustes de preços entre Brasil e China possam abrir espaço para operações rentáveis nos próximos meses.

Cortes dianteiros e peças específicas seguem no radar

Entre os produtos que ainda podem encontrar mercado na China estão cortes como músculo dianteiro e traseiro, bananinha, costela e lagarto. Segundo representantes da indústria, a elevada produção de carne bovina no Brasil pode gerar excesso de oferta no mercado interno, especialmente desses cortes menos valorizados pelo consumidor brasileiro.

O CEO da Frigol, Luciano Pascon, avalia que uma possível redução nos preços no Brasil, combinada com aumento de preços no mercado chinês, pode tornar algumas exportações economicamente viáveis mesmo com a incidência da nova taxa.

De acordo com ele, a China continua sendo praticamente o único mercado capaz de absorver grandes volumes desses produtos.

Mercado aguarda ajustes após fim da cota

Até o momento, não houve fechamento de contratos considerando a sobretaxa. Exportadores e importadores ainda evitam assumir os custos adicionais sem maior clareza sobre o comportamento dos preços.

O gerente de exportação da Masterboi, Flávio Silva, afirma que o setor acompanha atentamente a reação do consumidor chinês após o encerramento da cota brasileira.

Segundo ele, mesmo com a nova tributação, alguns cortes podem continuar competitivos devido ao prêmio pago pela China em comparação com outros mercados internacionais.

Parcerias estratégicas ganham força no mercado chinês

Além da venda tradicional de carne in natura, frigoríficos brasileiros também apostam em estratégias de maior valor agregado para manter espaço no mercado chinês.

A Naturafrig, por exemplo, firmou parceria com uma empresa chinesa especializada em processamento e porcionamento de carne bovina. O modelo permite que os produtos cheguem aos supermercados já embalados e identificados com a marca da companhia brasileira.

Para o diretor-executivo da Naturafrig, Fabrizzio Capuci, esse tipo de parceria representa uma evolução da presença da carne brasileira na China e pode ampliar a rentabilidade das exportações.

Ele destaca ainda que o mercado chinês possui diferentes perfis regionais de consumo, criando oportunidades para atuação em nichos específicos.

Setor aposta em diversificação de mercados

Na avaliação do CEO da Estrela Alimentos, Pedro Bordon, a imposição de limites e tarifas deve levar os frigoríficos brasileiros a adotarem estratégias comerciais mais segmentadas.

Segundo ele, o segundo semestre tende a exigir maior planejamento na destinação dos cortes bovinos, com diversificação de mercados compradores conforme o perfil de consumo de cada país.

Apesar das incertezas envolvendo a China, o cenário internacional segue favorável para o Brasil. O mercado global projeta déficit de aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de carne bovina em 2026, impulsionado pela menor oferta nos Estados Unidos e na Austrália.

Com isso, exportadores brasileiros podem encontrar novas oportunidades para ampliar as vendas a outros países importadores.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels

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Comércio Internacional

Argentina reduz impostos sobre trigo e cevada para aliviar pressão sobre produtores rurais

O governo da Argentina anunciou a redução dos impostos de exportação sobre trigo e cevada, medida que deve trazer alívio financeiro aos produtores rurais no momento em que são definidas as estratégias de plantio para a safra 2026/27.

A avaliação foi divulgada na sexta-feira (22) pela Bolsa de Grãos de Rosário, após o presidente Javier Milei confirmar a decisão no dia anterior.

Pelas novas regras, a alíquota aplicada às exportações das duas culturas será reduzida de 7,5% para 5,5% a partir de junho.

Medida pode elevar preços pagos ao produtor

Segundo estimativas da bolsa de Rosário, a mudança deve impulsionar os preços de compra do trigo argentino entre 2,2% e 2,3%.

Na prática, isso representa um acréscimo de aproximadamente US$ 4,8 a US$ 4,9 por tonelada métrica, valor que pode ajudar a compensar o aumento dos custos com combustível, fertilizantes e frete, fatores que vêm pressionando as margens de rentabilidade do setor agrícola.

Decisão coincide com início do plantio de grãos de inverno

A redução tributária foi anunciada em um momento estratégico para o calendário agrícola do país.

O plantio dos grãos de inverno já está em andamento em diversas regiões argentinas. Dados oficiais de meados de maio apontavam avanço da semeadura de trigo em províncias como Entre Ríos, Tucumán, Catamarca e Santiago del Estero.

Já o cultivo da cevada registrava progresso em áreas da província de Buenos Aires e em outras regiões produtoras.

Governo sinaliza possível redução também para a soja

Além das mudanças envolvendo trigo e cevada, Milei indicou que os impostos sobre a exportação de soja poderão passar por cortes graduais a partir de janeiro de 2027.

A sinalização é acompanhada de perto pelo mercado, considerando o peso estratégico da commodity para a economia argentina.

Argentina mantém protagonismo no mercado global

A Argentina ocupa posição de destaque no comércio internacional de grãos.

O país está entre os principais exportadores mundiais de trigo e lidera globalmente as exportações de produtos processados de soja, setor fundamental para sua balança comercial.

A expectativa é que a redução tributária fortaleça a competitividade externa do agronegócio argentino e estimule novos investimentos na produção agrícola.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Agustin Marcarian

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Exportação

Restrição da UE a antimicrobianos pressiona exportações brasileiras de produtos de origem animal

A decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal para o bloco elevou a tensão comercial entre Brasília e Bruxelas. A medida passa a valer em 3 de setembro de 2026 e está diretamente ligada às exigências europeias sobre o controle do uso de antimicrobianos na pecuária.

A determinação pode impactar a exportação de carnes, ovos, pescado, mel e outros itens do agronegócio brasileiro, afetando um dos principais mercados consumidores da produção nacional.

A iniciativa integra a política sanitária europeia de combate à resistência antimicrobiana, considerada pela Organização Mundial da Saúde uma das principais ameaças globais à saúde pública.

O que motivou a restrição europeia

As normas da UE proíbem a utilização de antibióticos e outros antimicrobianos com a finalidade de estimular o crescimento animal ou aumentar a produtividade na criação pecuária. Além disso, o bloco veta o uso veterinário de medicamentos reservados exclusivamente ao tratamento humano.

De acordo com a Comissão Europeia, o Brasil ainda não apresentou garantias suficientes para comprovar plena adequação às novas exigências sanitárias.

A atualização foi aprovada pelo Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Rações da União Europeia. Apesar disso, as exportações seguem normalmente até a data de entrada em vigor da decisão.

Governo brasileiro tenta reverter exclusão

O governo federal informou ter recebido a decisão com surpresa e afirmou que adotará medidas para tentar reverter a exclusão.

Em manifestação conjunta, os ministérios da Agricultura, das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio destacaram que o país possui um sistema sanitário consolidado e reconhecido internacionalmente, ressaltando ainda a relação comercial de mais de quatro décadas com o mercado europeu.

Após o anúncio, autoridades brasileiras iniciaram negociações com representantes europeus e se comprometeram a encaminhar, em até 15 dias, as informações técnicas exigidas para comprovar o controle sobre o uso de antibióticos na produção animal.

Paralelamente, novas diretrizes regulatórias foram publicadas para reforçar o controle dos insumos utilizados na pecuária.

Setor agropecuário reage à medida

Representantes do agronegócio brasileiro classificaram a decisão como desproporcional e argumentam que a pecuária nacional segue padrões sanitários reconhecidos internacionalmente.

A Frente Parlamentar da Agropecuária afirmou que a medida não representa uma falha estrutural do sistema sanitário brasileiro e lembrou que o país exporta carne para mais de 170 mercados.

Do lado europeu, autoridades sustentam que os mesmos critérios aplicados aos produtores locais devem ser exigidos de países exportadores. O comissário europeu para Agricultura, Christophe Hansen, reforçou que os produtores do bloco operam sob alguns dos controles antimicrobianos mais rigorosos do mundo.

Impactos para o comércio entre Brasil e Europa

A relação comercial entre Brasil e União Europeia é estratégica para o setor agropecuário. O bloco está entre os principais destinos das exportações brasileiras de proteína animal.

Em 2025, as compras europeias de carne brasileira cresceram mais de 130%, impulsionadas pelo avanço do acordo Mercosul-UE e pelo aumento da demanda internacional.

A decisão ganhou peso político por ter sido anunciada poucos dias após a entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, negociado ao longo de mais de 20 anos.

O Brasil também argumenta que outros parceiros do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, permaneceram habilitados, o que amplia a pressão diplomática sobre o governo brasileiro.

Próximos passos e adequações regulatórias

Especialistas avaliam que o país precisará acelerar ajustes regulatórios e ampliar mecanismos de rastreabilidade sanitária para atender às exigências europeias.

No setor produtivo, a avaliação é que o episódio pode antecipar mudanças estruturais no controle de certificação sanitária, no monitoramento do uso de antimicrobianos e na transparência da cadeia produtiva.

O caso também reforça uma tendência global de ampliação de barreiras sanitárias e ambientais no comércio internacional, especialmente em mercados mais exigentes como o europeu.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Jana Rodenbusch

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Agronegócio

Pesquisa científica fortalece o Brasil como líder global na cotonicultura

A evolução da cotonicultura brasileira tem sido impulsionada pela integração entre ciência, tecnologia e produção agrícola. O avanço do país no mercado internacional de algodão está diretamente ligado aos investimentos em pesquisa científica, inovação no campo e desenvolvimento de soluções adaptadas às necessidades do produtor rural.

Universidades, instituições públicas como a Embrapa e empresas privadas vêm atuando em conjunto para transformar estudos acadêmicos em tecnologias aplicáveis no dia a dia das lavouras. Essa conexão fortalece a competitividade do Brasil e amplia a sustentabilidade da produção nacional.

Segundo a diretora de Relações Institucionais da Abrapa, Silmara Ferraresi, a relevância da pesquisa está justamente na capacidade de gerar resultados concretos no campo. Para ela, a ciência aplicada é um dos principais pilares da competitividade do setor algodoeiro.

Expansão do algodão no Cerrado impulsionou inovação

O crescimento da produção de algodão no Brasil ganhou força a partir da década de 1990, com a expansão da cultura para o Cerrado. A mudança exigiu novas soluções para lidar com desafios relacionados ao clima, tipos de solo, mecanização agrícola e controle de pragas como o bicudo e a ramulária.

Nesse cenário, os investimentos em tecnologia agrícola, formação de pesquisadores e inovação aceleraram a modernização da atividade. O engenheiro agrônomo Juan Piero destaca que a aproximação entre o setor produtivo e a academia é fundamental para transformar pesquisas em soluções escaláveis.

De acordo com ele, muitos estudos apresentam resultados promissores, mas ainda enfrentam dificuldades para chegar efetivamente ao produtor rural por falta de incentivo e validação prática.

Melhoramento genético elevou produtividade e qualidade da fibra

Os avanços científicos tiveram impacto direto na produtividade das lavouras e na qualidade da fibra brasileira. O desenvolvimento de cultivares adaptadas ao Cerrado permitiu maior resistência a doenças e aumento do potencial produtivo.

Além do melhoramento genético, técnicas de manejo integrado de pragas, uso de reguladores de crescimento e estratégias de adubação contribuíram para ampliar a eficiência operacional no campo.

A qualidade da pluma também evoluiu nos últimos anos. O aprimoramento genético, aliado aos avanços nos sistemas de pós-colheita, beneficiamento e classificação da fibra, ajudou o Brasil a atender mercados internacionais cada vez mais exigentes.

Programas como o Sistema Abrapa de Identificação (SAI) reforçam o uso de tecnologia e gestão de dados para garantir rastreabilidade e padronização da produção.

Pesquisa aplicada precisa atender demandas reais do produtor

Especialistas apontam que a adoção de novas tecnologias depende diretamente da capacidade de resolver problemas concretos enfrentados pelos produtores, como redução de custos e aumento da eficiência.

Projetos desenvolvidos sem validação local ou desconectados da realidade brasileira tendem a ter baixa aplicação prática. Em sistemas agrícolas de larga escala, fatores como retorno financeiro, simplicidade operacional e viabilidade técnica são decisivos para a implementação de inovações.

Apesar do avanço da pesquisa agropecuária, o setor ainda enfrenta obstáculos importantes, como falta de financiamento contínuo, burocracia na aquisição de equipamentos, alta do dólar e dificuldade para retenção de profissionais qualificados.

Para estimular o desenvolvimento científico, a Abrapa promove iniciativas voltadas ao incentivo de trabalhos acadêmicos durante o Congresso Brasileiro do Algodão (CBA).

Eventos técnicos aceleram transferência de tecnologia

Os eventos científicos e dias de campo desempenham papel estratégico na disseminação de conhecimento e inovação dentro do agronegócio.

O Congresso Brasileiro do Algodão, por exemplo, aproxima pesquisadores, produtores e consultores, acelerando o processo de transferência de tecnologia para as fazendas.

Segundo Juan Piero, esses encontros ajudam pesquisadores a compreender as principais dificuldades enfrentadas durante as safras, permitindo que os estudos sejam direcionados às necessidades reais da produção.

Silmara Ferraresi reforça que o sucesso dessa integração depende da comunicação acessível e da aplicação prática das pesquisas desenvolvidas.

Formação de profissionais sustenta avanço da cotonicultura

A renovação da cotonicultura nacional também passa pela formação de novos profissionais especializados. Estudantes, pesquisadores e professores exercem funções complementares no desenvolvimento de tecnologias e soluções para o setor.

Enquanto estudantes e pós-graduandos contribuem com ferramentas digitais e análise de dados, pesquisadores transformam demandas do campo em inovações testadas e aplicáveis. Já os professores atuam na coordenação de projetos e na formação de novas gerações de especialistas.

Para Juan Piero, a qualificação humana é essencial para garantir a continuidade dos avanços científicos no agronegócio brasileiro.

Congresso Brasileiro do Algodão bate recorde de pesquisas

A edição de 2024 do Congresso Brasileiro do Algodão registrou recorde de participação científica, com 288 trabalhos apresentados digitalmente e outras 12 apresentações presenciais na arena científica.

Os temas mais abordados envolveram áreas como produção vegetal, controle de pragas, fitopatologia, melhoramento genético, qualidade da fibra e agricultura digital.

Para a 15ª edição do evento, prevista para 2026, a expectativa é ampliar ainda mais o número de pesquisas e fortalecer soluções voltadas às demandas práticas do produtor rural.

FONTE: Canal Rural Mato Grosso
TEXTO: Redação
IMAGEM: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

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Comércio Exterior

China suspende frigoríficos brasileiros após detectar substância proibida em carne bovina

A China suspendeu as importações de carne bovina brasileira de três frigoríficos após identificar resíduos de acetato de medroxiprogesterona, substância vetada pelo país asiático em animais destinados ao abate. A decisão foi tomada pela Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) e já está em vigor.

Frigoríficos brasileiros afetados pela suspensão

As unidades desabilitadas para exportação ao mercado chinês pertencem às empresas:

  • JBS, em Pontes e Lacerda (MT);
  • PrimaFoods, localizada em Araguari (MG);
  • Frialto, em Matupá (MT).

Segundo registros do sistema chinês Ciferquery SingleWindow, utilizado para controle de empresas autorizadas a exportar alimentos ao país, a suspensão passou a valer na quarta-feira, dia 20.

Até a publicação da medida, as empresas e o Ministério da Agricultura não haviam se manifestado oficialmente sobre o caso.

China aponta presença de hormônio proibido

De acordo com informações encaminhadas ao governo brasileiro, o motivo da suspensão foi a detecção de resíduos hormonais em cargas de carne bovina exportadas pelas plantas frigoríficas.

O composto identificado, o acetato de medroxiprogesterona, é um hormônio sintético utilizado em medicamentos veterinários para controle reprodutivo de animais. No entanto, a legislação chinesa proíbe o uso da substância em animais de corte destinados ao consumo humano.

Governo brasileiro foi comunicado por Pequim

A decisão da autoridade sanitária chinesa foi comunicada ao Ministério da Agricultura por meio da adidância agrícola brasileira em Pequim. O aviso foi enviado ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), responsável pelo acompanhamento sanitário das exportações.

Apesar disso, as suspensões ainda não haviam sido registradas no Sistema de Informações Gerenciais do Serviço de Inspeção Federal (SIGSIF) até a divulgação do caso.

Número de frigoríficos suspensos sobe para quatro

Com a nova medida, sobe para quatro o número de frigoríficos brasileiros impedidos de exportar carne bovina para a China por suspeita de presença da substância proibida.

Em abril, o país asiático já havia suspendido as compras da Frigosul, localizada em Várzea Grande (MT), após a identificação do mesmo composto em um lote de carne bovina congelada desossada.

A China é atualmente um dos principais destinos da carne bovina brasileira, e decisões sanitárias como essa costumam gerar impacto direto no setor exportador e no agronegócio nacional.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mattes/Wikimedia Commons

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