Exportação

Exportações brasileiras para a Argentina recuam 18% em um ano, aponta balança comercial

As exportações brasileiras para a Argentina registraram queda de 18,1% nos últimos 12 meses, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). A comparação considera o mesmo período do ano anterior e mostra uma redução nas vendas ao terceiro maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas de China e Estados Unidos.

Apesar da retração, o mercado argentino continua desempenhando papel estratégico para a balança comercial brasileira, especialmente para setores ligados à indústria.

Vendas ao país vizinho diminuem em junho

Em junho, o Brasil exportou cerca de US$ 1,3 bilhão para a Argentina. No mesmo mês do ano anterior, o volume negociado havia alcançado aproximadamente US$ 1,6 bilhão, reduzindo a participação do país vizinho nas exportações brasileiras de 5,6% para 3,7%.

A indústria automotiva permanece como o principal segmento das vendas brasileiras ao mercado argentino, concentrando boa parte dos embarques de veículos e componentes.

Principais produtos exportados para a Argentina em junho de 2026

  • Veículos automóveis – US$ 223 milhões (16,86%)
  • Partes e acessórios para veículos – US$ 105 milhões (7,93%)
  • Veículos para transporte de mercadorias e usos especiais – US$ 57 milhões (4,34%)
  • Veículos rodoviários – US$ 38 milhões (2,88%)
  • Máquinas e aparelhos elétricos – US$ 34 milhões (2,58%)

Importações de produtos argentinos apresentam crescimento

Enquanto as exportações brasileiras recuaram, as importações da Argentina avançaram 3,8% em junho na comparação com o mesmo período de 2025.

Assim como ocorre nas exportações, o setor automotivo lidera o fluxo comercial entre os dois países, representando a maior parte das compras brasileiras.

Produtos mais importados da Argentina em junho de 2026

  • Veículos para transporte de mercadorias e usos especiais – US$ 352 milhões (27,41%)
  • Automóveis de passageiros – US$ 134 milhões (10,44%)
  • Trigo e centeio não moídos – US$ 77 milhões (6%)
  • Óleos brutos de petróleo e minerais betuminosos – US$ 71 milhões (5,53%)
  • Polímeros de etileno em formas primárias – US$ 58 milhões (4,53%)

Queda ocorre em meio a tensão diplomática entre Brasil e Argentina

A redução nas exportações para a Argentina acontece em um momento de desgaste nas relações diplomáticas entre os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente argentino Javier Milei.

No último fim de semana, Milei voltou a fazer críticas públicas a Lula durante um evento político ligado ao senador Flávio Bolsonaro. Na sequência, o governo brasileiro manifestou oficialmente seu descontentamento por meio do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em reunião com o embaixador argentino, Daniel Raimondi.

As declarações também repercutiram entre integrantes do governo federal, ampliando o clima de tensão diplomática entre os dois países.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Luis Robayo/ AFP

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Exportação

Brasil pode perder posição para a Argentina nas exportações de milho, aponta consultoria

O Brasil poderá deixar de ocupar o posto de segundo maior exportador de milho do mundo na safra 2025/26. A projeção é da consultoria Hedgepoint Global Markets, que aponta a Argentina como favorita para assumir a vice-liderança do ranking internacional, atrás apenas dos Estados Unidos.

Segundo a análise, a mudança é influenciada pelas dificuldades enfrentadas pelos exportadores brasileiros para atender o mercado do Irã, um dos maiores compradores do cereal. Ao mesmo tempo, a Argentina ganhou competitividade após registrar uma safra robusta, ampliando sua capacidade de oferta ao mercado externo.

Argentina deve superar o Brasil nos embarques

A Hedgepoint estima que o Brasil exporte cerca de 43 milhões de toneladas de milho na temporada 2025/26. Já a projeção do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que a Argentina deverá embarcar aproximadamente 45 milhões de toneladas no mesmo período.

Caso o cenário se confirme, o país vizinho assumirá a segunda colocação entre os maiores exportadores globais do grão.

Apesar da possível perda de posição no ranking, a expectativa é de crescimento nas vendas externas brasileiras em relação ao ciclo anterior, quando o país exportou 41,1 milhões de toneladas.

Irã continua sendo mercado estratégico

De acordo com a consultoria, o Irã permanece como o principal destino do milho brasileiro. Em 2025, o país importou cerca de 9 milhões de toneladas do cereal produzido no Brasil.

Entretanto, o ritmo das compras diminuiu neste ano. Nos primeiros meses de 2026, as importações iranianas somaram aproximadamente 1,5 milhão de toneladas, abaixo das 2,3 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano anterior.

Essa redução nas aquisições é um dos fatores que afetam o desempenho das exportações brasileiras.

Demanda interna por milho segue em alta

Enquanto o mercado externo enfrenta desafios, o consumo doméstico continua avançando.

A Hedgepoint prevê que a demanda de milho para produção de etanol aumente em 5,5 milhões de toneladas, alcançando 28,5 milhões de toneladas na safra 2025/26.

Já o setor de ração animal deverá consumir 61,2 milhões de toneladas, um crescimento estimado em 200 mil toneladas na comparação com o ciclo anterior.

Produção brasileira deve permanecer estável

Para a próxima temporada, a consultoria projeta uma safra de milho de 140,3 milhões de toneladas no Brasil.

O volume representa uma leve redução em relação às 140,5 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior, indicando um cenário de estabilidade na produção nacional, mesmo diante das mudanças previstas no mercado internacional.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Parana

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Internacional

Brasil assina acordo de integração aérea com Argentina, Chile e Paraguai para criar o Céu Único Sul-Americano

Brasil, Argentina, Chile e Paraguai deram um passo em direção à integração do transporte aéreo na América do Sul. Os quatro países assinaram, nesta terça-feira (14), em Assunção, no Paraguai, o Memorando de Entendimento do Alas (Acordo de Liberalização Aérea Sul-Americana), iniciativa que prevê a construção gradual do chamado Céu Único Sul-Americano.

O projeto busca criar um ambiente de maior integração entre os mercados aéreos da região, seguindo modelos já adotados em blocos como a União Europeia, além de iniciativas semelhantes na África e na Oceania.

Objetivo é ampliar voos e facilitar a conectividade entre os países

O memorando representa o primeiro compromisso formal para ampliar a conectividade aérea entre os países participantes. A proposta prevê, de forma gradual, a redução de barreiras regulatórias e a ampliação das oportunidades para a prestação de serviços de transporte aéreo.

Entre as metas estabelecidas estão o aumento da oferta de voos, a modernização das regras de acesso aos mercados e o fortalecimento da integração regional, sempre respeitando a legislação vigente de cada país.

Segundo o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, a iniciativa abre caminho para uma rede de cidades mais conectadas na América do Sul. Ele destacou que os acordos firmados com Paraguai e Argentina para a implementação da 7ª Liberdade do Ar, além dos estudos sobre outras liberdades aeronáuticas, poderão ampliar a integração entre os países nos próximos anos.

Uruguai deverá aderir ao acordo posteriormente

Embora não tenha assinado o memorando nesta etapa, o Uruguai informou que pretende integrar a iniciativa após concluir os procedimentos administrativos internos.

Os países signatários também deixaram aberta a possibilidade de adesão de outras nações sul-americanas interessadas em participar do projeto de integração aérea.

Grupo de trabalho terá prazo de um ano para apresentar propostas

O documento prevê a criação do Grupo de Trabalho Alas, formado por representantes das autoridades aeronáuticas dos países participantes.

O colegiado terá até 12 meses para desenvolver propostas voltadas à implementação gradual do Céu Único Sul-Americano. Entre os principais temas que serão discutidos estão:

  • Harmonização regulatória entre os países;
  • Reconhecimento mútuo de certificados e licenças aeronáuticas;
  • Facilitação do transporte aéreo e fortalecimento dos direitos dos passageiros;
  • Ações voltadas à sustentabilidade ambiental;
  • Desenvolvimento da infraestrutura aeroportuária e dos sistemas de navegação aérea.

Brasil atualiza acordos bilaterais com Paraguai e Argentina

Durante a agenda oficial em Assunção, o governo brasileiro também assinou memorandos de entendimento separados com Paraguai e Argentina para atualizar os Acordos Bilaterais de Serviços Aéreos.

Os documentos passam a produzir efeitos imediatos, permitindo a aplicação das novas regras enquanto os acordos definitivos seguem os procedimentos legais necessários para sua atualização. No Brasil, esse processo ainda dependerá da aprovação do Congresso Nacional.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Exportação

Exportações de vinho da Argentina avançam 14,2% no primeiro semestre de 2026

As exportações de vinho da Argentina registraram crescimento de 14,2% nos seis primeiros meses de 2026, impulsionadas pelo aumento das vendas de vinho a granel, espumantes e mosto de uva concentrado. Os dados constam no mais recente relatório divulgado pelo Instituto Nacional de Vitivinicultura (INV).

Entre janeiro e junho, o país exportou 102,6 milhões de litros de vinho, reforçando a recuperação do setor vitivinícola em comparação com o mesmo período do ano passado.

Receita com exportações também cresce

Além da expansão no volume embarcado, a receita obtida com as exportações de vinho e mosto apresentou resultado positivo. No primeiro semestre, o faturamento alcançou US$ 392,5 milhões FOB, alta de 6,6% em relação aos primeiros seis meses de 2025.

Embora o crescimento financeiro tenha sido menor que o avanço do volume exportado, o desempenho confirma o aumento da demanda internacional pelos produtos argentinos.

Vinho a granel lidera recuperação do setor

O relatório do INV mostra que o principal motor desse crescimento foi o vinho a granel, acompanhado pela forte expansão das vendas de espumantes. A mudança no perfil das exportações pode influenciar a oferta global e a competitividade dos vinhos argentinos diante de concorrentes como Chile, Austrália e países europeus.

Apesar da evolução nas exportações, os embarques marítimos em contêineres permaneceram 36% abaixo do registrado no mesmo período de 2025, indicando que parte das vendas ocorreu por outras modalidades logísticas.

Junho mantém ritmo positivo

Os resultados de junho reforçaram a tendência de recuperação observada ao longo do semestre. No mês, as exportações totalizaram 17,29 milhões de litros, crescimento de 11,6% na comparação anual.

O desempenho foi puxado principalmente pelos vinhos engarrafados, que avançaram 13,2%, enquanto os espumantes registraram expressiva alta de 89,6%. Já o vinho a granel apresentou crescimento de 6,2%.

Mosto concentrado amplia participação nas exportações

Outro destaque foi o mosto de uva concentrado, que também apresentou forte expansão nas vendas externas.

Somente em junho, as exportações do produto cresceram 89,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado do semestre, os embarques atingiram 48.601 toneladas, representando um avanço de 38,3%.

Demanda internacional fortalece o setor vitivinícola

Os números indicam que a indústria do vinho argentino iniciou o segundo semestre em um cenário de demanda externa mais aquecida. No entanto, o crescimento da receita ficou abaixo da evolução do volume exportado, sinalizando possível pressão sobre os preços internacionais ou maior participação de produtos de menor valor agregado, como o vinho a granel.

Para importadores e empresas do setor de bebidas, o aumento da oferta argentina pode influenciar estratégias comerciais e a formação de preços em mercados internacionais, especialmente onde os vinhos sul-americanos disputam espaço com produtores da Europa, Chile e Austrália.

Segundo o Instituto Nacional de Vitivinicultura, o desempenho do primeiro semestre fortalece a posição da vitivinicultura argentina no mercado externo, com crescimento distribuído entre diferentes categorias de produtos e maior capacidade de resposta ao aumento da demanda global.

FONTE: Vinetur
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Vinetur

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Comércio Internacional

Argentina anuncia plano para eliminar impostos sobre exportações agrícolas até 2028

O governo da Argentina deu mais um passo na reformulação de sua política econômica ao apresentar um cronograma para extinguir gradualmente os impostos sobre exportações agrícolas, conhecidos no país como retenciones. A proposta prevê a redução progressiva das alíquotas até 2028 e marca uma das mudanças mais relevantes para o agronegócio argentino nas últimas décadas.

A iniciativa busca aumentar a competitividade do setor, estimular investimentos e ampliar a presença dos produtos argentinos no mercado internacional, sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.

Imposto sobre exportações existe desde a crise de 2002

As chamadas retenciones foram reintroduzidas em 2002, logo após a grave crise econômica enfrentada pela Argentina. Na época, o governo recorreu à cobrança como forma de elevar a arrecadação, conter o desequilíbrio fiscal e enfrentar os impactos do calote da dívida pública.

Embora tenham sido apresentadas inicialmente como uma medida temporária, as tarifas acabaram se tornando permanentes. Durante mais de duas décadas, elas representaram entre 6% e 10% da arrecadação tributária do país, tornando-se uma importante fonte de receita para diferentes governos.

Além da função fiscal, os impostos passaram a ser utilizados para reduzir o impacto dos preços internacionais sobre o mercado interno de alimentos e redistribuir parte da renda gerada pelo setor agropecuário.

Proposta prevê redução gradual das tarifas

O novo projeto estabelece um calendário oficial para diminuir as alíquotas incidentes sobre diferentes produtos agrícolas.

A redução começa imediatamente para trigo e cevada, enquanto culturas como soja, milho, sorgo e produtos destinados à produção de biocombustíveis terão cortes progressivos até 2028.

Segundo o governo, a meta continua sendo eliminar totalmente os impostos sobre exportações, mas de forma gradual para preservar a estabilidade fiscal conquistada nos últimos meses.

Reforma acompanha ajuste econômico do governo Milei

A mudança faz parte do programa econômico implementado pelo presidente Javier Milei, que desde o início do mandato tem priorizado o ajuste das contas públicas, o controle da inflação e a redução da intervenção estatal na economia.

Após registrar o primeiro superávit fiscal primário em mais de dez anos, o governo afirma que criou condições para iniciar a retirada de tributos considerados prejudiciais à competitividade do setor produtivo.

Outro aspecto destacado pelas autoridades é a previsibilidade. Pela primeira vez desde 2002, produtores, exportadores e investidores terão um cronograma oficial para acompanhar a redução da carga tributária incidente sobre as exportações.

Agronegócio pode ganhar competitividade e atrair investimentos

A expectativa é que a diminuição dos impostos aumente a rentabilidade de toda a cadeia do agronegócio, incentivando novos investimentos em tecnologia, infraestrutura, armazenagem, irrigação e modernização da produção.

Os maiores beneficiados tendem a ser os produtores de grãos e oleaginosas, já que soja, milho, trigo e cevada estão entre os principais produtos exportados pela Argentina.

Especialistas avaliam que o país já possui vantagens competitivas importantes, como a elevada produtividade da região dos Pampas, o uso consolidado do plantio direto, a adoção de tecnologias agrícolas e uma eficiente estrutura logística voltada às exportações.

Nesse contexto, a retirada das retenciones tende a ampliar o potencial produtivo existente, favorecendo ganhos de eficiência e agregação de valor.

Desafio ambiental segue no radar

Apesar das perspectivas positivas para o setor, a ampliação da rentabilidade desperta preocupações sobre uma possível expansão da fronteira agrícola, especialmente em áreas de vegetação nativa, como a região do Gran Chaco.

Entretanto, a tendência é que o crescimento da produção esteja mais associado ao aumento da produtividade do que à abertura de novas áreas agrícolas. Isso ocorre porque mercados como a União Europeia passaram a exigir critérios rigorosos de rastreabilidade e conformidade ambiental, especialmente após a entrada em vigor do Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Reforma coincide com maior integração comercial

O anúncio também ocorre em um momento de maior abertura econômica da Argentina e de fortalecimento das relações comerciais com a União Europeia.

A aplicação provisória do acordo entre Mercosul e União Europeia cria um ambiente mais favorável para investimentos e amplia as perspectivas para as exportações argentinas.

Embora a redução das tarifas e o tratado comercial sejam iniciativas independentes, ambas apontam para uma estratégia voltada ao fortalecimento da inserção do país no comércio internacional.

Previsibilidade é considerada principal avanço

A eliminação completa das retenciones ainda dependerá da manutenção do equilíbrio fiscal e da estabilidade macroeconômica nos próximos anos.

Mesmo assim, analistas destacam que o maior diferencial da proposta é oferecer segurança jurídica e previsibilidade para produtores rurais, exportadores e investidores, que passam a contar com um calendário oficial para a redução da tributação sobre as exportações agrícolas.

Esse cenário tende a facilitar o planejamento de investimentos de longo prazo e fortalecer a confiança no ambiente de negócios do agronegócio argentino.

FONTE: Agroberichten Buitenland – Netherlands
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Internacional

Corredor bioceânico deve ser prioridade para Brasil, Argentina e Paraguai, defende presidente do Chile

O presidente do Chile, José Antonio Kast, pediu que Brasil, Argentina e Paraguai acelerem as obras do corredor bioceânico, projeto considerado estratégico para ampliar a integração regional e fortalecer as conexões entre os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de uma ampla malha rodoviária.

Durante participação no Congresso paraguaio, nesta quarta-feira (1º), Kast destacou a importância de que todos os países envolvidos cumpram os prazos previstos para as obras de infraestrutura.

“Esperamos que todas as intervenções necessárias sejam concluídas dentro do cronograma, para que nenhuma etapa fique pendente”, afirmou.

Corredor bioceânico é visto como motor da integração regional

Segundo o presidente chileno, a conclusão do Corredor Rodoviário Bioceânico depende do comprometimento conjunto dos governos participantes. Para ele, o empreendimento representa uma oportunidade de ampliar a integração regional, fortalecer as relações entre os países e impulsionar o comércio internacional.

A declaração ocorreu durante sua primeira visita oficial ao Paraguai desde que assumiu a presidência, em março deste ano. Antes do discurso no Parlamento, Kast participou de um encontro com o presidente paraguaio, Santiago Peña.

O projeto prevê uma rota de aproximadamente 2.400 quilômetros, ligando o Centro-Oeste brasileiro ao norte do Chile. O trajeto passará pelo Chaco paraguaio, pelas províncias argentinas de Salta e Jujuy e chegará aos portos chilenos de Antofagasta, Mejillones e Iquique, ampliando o acesso aos mercados do Pacífico.

Paraguai aposta em acesso aos mercados asiáticos

Após a sessão no Congresso, Kast seguiu para o Palácio de López, em Assunção, onde participou de uma entrevista coletiva ao lado de Santiago Peña.

Na ocasião, o presidente paraguaio ressaltou que o corredor bioceânico terá papel fundamental para ampliar a presença do país no comércio exterior, permitindo acesso mais competitivo aos mercados asiáticos por meio dos portos chilenos.

Kast desembarcou no Paraguai na última segunda-feira para participar da 18ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Mercosul, bloco no qual o Chile atua como membro associado. Após encerrar a agenda oficial no país, o presidente seguirá viagem para o Uruguai.

Presidente chileno defende união contra o crime organizado

Além da pauta de infraestrutura, José Antonio Kast reforçou a necessidade de uma atuação conjunta dos países sul-americanos no enfrentamento ao crime organizado transnacional.

Em discurso aos parlamentares paraguaios, o presidente afirmou que organizações criminosas atuam sem respeitar fronteiras e defendeu políticas coordenadas para combater ameaças como o narcotráfico, as máfias e outras redes criminosas.

Segundo Kast, a neutralidade diante desse cenário não é uma alternativa eficaz e a cooperação entre os países da região será decisiva para enfrentar o avanço dessas organizações e proteger a população.

FONTE: Gazeta do Povo
TEXTO: Redação
IMAGEM: EFE /Adriana Thomasa

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Internacional

Indústria láctea da Argentina passa por onda de fusões e aquisições que transforma o setor

A indústria láctea da Argentina vive um dos períodos mais intensos de reestruturação das últimas décadas. Impulsionado por fusões, aquisições e liquidação de ativos, o setor passa por um processo de consolidação que promete alterar o cenário competitivo, fortalecer grandes grupos empresariais e redefinir o mercado de marcas tradicionais no país e no exterior.

O movimento ocorre em um momento de crescimento da produção de leite e de expansão das exportações, fatores que têm aumentado o interesse de investidores nacionais e internacionais.

Produção de leite cresce, mas mercado fica mais concentrado

Dados da Bolsa de Comércio de Rosário (BCR) mostram que a produção leiteira argentina alcançou o maior nível dos últimos dez anos no primeiro quadrimestre de 2026. Entre janeiro e abril, foram produzidos cerca de 3,5 milhões de litros, volume 9,3% superior à média da última década.

A produtividade das propriedades rurais também avançou. A produção média diária por fazenda chegou a 3.287 litros, resultado 27% acima da média registrada nos cinco anos anteriores.

Apesar da expansão, o setor vem passando por um processo acelerado de concentração. Atualmente, fazendas que produzem mais de 10 mil litros por dia respondem por aproximadamente 30% da produção nacional, participação muito superior aos cerca de 5% observados em 2010.

Arcor e Danone assumem controle total da La Serenísima

Uma das principais movimentações do ano ocorreu em março, quando Arcor e Danone concluíram a aquisição da totalidade das ações da Mastellone Hermanos, empresa responsável pela tradicional marca La Serenísima.

A operação, realizada por meio da Bagley Argentina, garantiu às duas empresas o controle integral da líder do mercado argentino, ao incorporar a participação que ainda permanecia com a família fundadora e o fundo Dallpoint Investments.

Com a mudança societária, Arcor e Danone passam a concentrar integralmente a estratégia e a gestão da companhia.

Venda da Saputo muda liderança do setor

Outra negociação de grande impacto envolveu a canadense Saputo, que decidiu vender 80% de sua operação de laticínios na Argentina para o grupo peruano Gloria Foods.

Avaliada em aproximadamente US$ 630 milhões, a transação está entre as maiores da indústria alimentícia argentina nos últimos anos.

Mesmo deixando o controle da operação, a Saputo permanecerá com 20% da empresa, mantendo parte das atividades de exportação e da produção de determinadas marcas.

Já o grupo Gloria amplia significativamente sua presença no mercado argentino. Somando sua operação local, realizada por meio da Corlasa, aos ativos adquiridos, a empresa passa a ocupar a liderança do setor em volume de processamento de leite.

A estratégia prevê fortalecer a marca La Paulina, posicionando-a como principal plataforma de crescimento para disputar mercado com concorrentes como Mastellone e Adecoagro.

Exportações impulsionam interesse dos investidores

O bom momento das exportações de lácteos tem sido um dos principais fatores por trás da consolidação do setor.

Nos quatro primeiros meses do ano, a Argentina exportou cerca de 130 mil toneladas de produtos lácteos, maior volume desde 2012. As vendas externas somaram aproximadamente US$ 455 milhões.

O Brasil permanece como principal destino dos embarques argentinos, seguido por mercados como Argélia, Chile e China, consolidando o comércio internacional como um dos pilares da rentabilidade da indústria.

Falência da SanCor abre disputa por ativos históricos

Enquanto algumas empresas ampliam seus investimentos, outras enfrentam dificuldades financeiras.

A tradicional cooperativa SanCor, que acumula um passivo estimado em US$ 120 milhões, entrou oficialmente em processo de liquidação judicial.

A Justiça autorizou a venda dos ativos da empresa em sete lotes, avaliados em aproximadamente US$ 52,1 milhões.

Entre os interessados estão grupos como Savencia (controladora da Milkaut), Adecoagro, Elcor, La Tarantela, Punta del Agua e o empresário Gustavo Scaglione.

O principal ativo é o lote que reúne as marcas e os direitos intangíveis da SanCor, considerado estratégico pelo reconhecimento da marca junto aos consumidores.

San Ignacio também negocia venda

O movimento de consolidação pode ganhar um novo capítulo com a possível venda da Establecimientos San Ignacio, tradicional fabricante argentina fundada em 1939 e reconhecida como uma das principais exportadoras de doce de leite do país.

Segundo informações do mercado, a empresa mantém negociações avançadas com o grupo mexicano Mexicana de Industrias y Marcas (MIYM), que busca ampliar sua atuação internacional após adquirir outras empresas do segmento neste ano.

Caso a operação seja concluída, o grupo mexicano fortalecerá sua presença no mercado de derivados lácteos, especialmente nos segmentos de doce de leite e queijo azul.

Consolidação deve redesenhar a indústria argentina

As recentes operações evidenciam uma transformação estrutural no setor lácteo argentino. Enquanto empresas com dificuldades financeiras deixam espaço para novos investidores, grupos de maior porte ampliam sua escala de produção e exportação.

O cenário combina recordes de produtividade, crescimento das vendas externas e valorização de marcas tradicionais, tornando a indústria láctea da Argentina um dos mercados mais movimentados da economia do país em 2026.

FONTE: Milkpoint
TEXTO: Redação
IMAGEM: Globo Rural

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Comércio Internacional

Argentina zera imposto de exportação para produtos da mineração e indústria

O governo da Argentina oficializou a redução para 0% dos direitos de exportação incidentes sobre diversos produtos ligados aos setores de mineração e indústria. A medida foi estabelecida pelo Decreto nº 566/2026, publicado em 1º de julho de 2026 no Boletim Oficial do país.

A nova regra elimina imediatamente a cobrança sobre exportações de aço, alumínio, cobre, zinco, estanho e outros metais industriais relacionados no Anexo I do decreto. O benefício também passa a valer para diferentes produtos da indústria automotiva, fortalecendo a competitividade desses segmentos no mercado internacional.

Redução será gradual para outros produtos

Além das mudanças imediatas, o decreto prevê um cronograma de redução progressiva das alíquotas para outro grupo de produtos dos mesmos setores, listados no Anexo II, além de determinados hidrocarbonetos constantes no Anexo III.

Segundo o governo argentino, a diminuição ocorrerá de forma escalonada até que a alíquota alcance 0% em junho de 2027, ampliando o alcance da política de incentivo às exportações.

Governo aposta no fortalecimento das exportações

A iniciativa integra uma estratégia voltada ao fortalecimento da economia argentina, com foco na ampliação das exportações, no aumento da competitividade internacional e na geração de divisas.

De acordo com o Poder Executivo, a redução dos tributos também busca diminuir os custos fiscais e financeiros enfrentados pelos exportadores, mantendo, ao mesmo tempo, o equilíbrio das contas públicas.

FONTE: Marval
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Marval

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Internacional

Argentina digitaliza decisões antecipadas de origem para agilizar importações

A Argentina passou a adotar um processo totalmente digital para o registro das decisões antecipadas de origem, medida que promete tornar mais ágeis os procedimentos de importação e reduzir a burocracia no comércio exterior.

A mudança foi oficializada por meio da Resolução Geral (ARCA) 5859/2026, publicada no Diário Oficial em 5 de junho de 2026 e em vigor desde 22 de junho. A norma incorpora as decisões emitidas pelo Ministério da Indústria, Comércio e Pequenas e Médias Empresas ao sistema da Janela Única de Comércio Exterior da Argentina (VUCEA).

Validação passa a ser automática nas operações de importação

Embora as decisões antecipadas de origem já estivessem previstas no Código Aduaneiro e tivessem sido regulamentadas recentemente pela Resolução (SICyPyME) 26/2026, a principal novidade é a integração eletrônica ao sistema de comércio exterior.

Com isso, a validação das decisões ocorrerá automaticamente no momento do registro da importação definitiva, eliminando a necessidade de apresentação de documentos físicos. A identificação eletrônica da autorização será suficiente para a conclusão do procedimento.

Norma define regras operacionais e plano de contingência

Além de disciplinar a comunicação das decisões antecipadas no ambiente digital, a Resolução Geral 5859/2026 também estabelece os procedimentos que deverão ser adotados caso ocorram falhas no sistema eletrônico.

A iniciativa faz parte das medidas de modernização dos processos aduaneiros argentinos, com foco na digitalização dos serviços, na simplificação das operações e no fortalecimento da eficiência do comércio exterior.

FONTE: Marval
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Metro 1

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Comércio Exterior

Leite em pó: Argentina prepara ação na OMC contra medidas antidumping do Brasil

A aplicação de medidas antidumping pelo Brasil sobre o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai pode gerar um novo capítulo nas relações comerciais do Mercosul. O governo argentino estuda levar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), questionando a legalidade e os critérios utilizados na investigação conduzida pelas autoridades brasileiras.

A decisão foi oficializada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) em 29 de maio, estabelecendo a cobrança de direito antidumping por até cinco anos. Apesar disso, a medida permanece temporariamente suspensa enquanto o governo avalia possíveis impactos sobre a inflação.

Retaliações comerciais também estão em análise

Além do acionamento da OMC, autoridades argentinas avaliam outras respostas comerciais ao Brasil. Segundo fontes ligadas às negociações, a medida brasileira pode afetar acordos em andamento entre os dois países e provocar uma revisão de decisões anteriormente favoráveis ao comércio bilateral.

Entre as alternativas estudadas está a retomada da sobretaxa aplicada sobre a importação de talheres de aço inoxidável brasileiros, suspensa em 2024 após solicitação do governo brasileiro. Na época, a tarifa adicional de 47% atingia fabricantes nacionais do setor.

As possíveis medidas estão sendo analisadas pelos ministérios da Economia e das Relações Exteriores da Argentina.

Exportações de leite têm peso estratégico para a Argentina

A reação argentina está diretamente relacionada à importância do setor lácteo para sua balança comercial. O Brasil é atualmente o principal comprador do leite em pó argentino, utilizado principalmente pela indústria alimentícia.

Os embarques do produto para o mercado brasileiro movimentam centenas de milhões de dólares por ano, tornando o segmento uma das principais fontes de receita das exportações agroindustriais argentinas.

Autoridades do país vizinho argumentam que a relação comercial entre as duas nações já é desfavorável à Argentina, especialmente devido à forte presença de produtos brasileiros de maior valor agregado, como veículos.

Questionamentos sobre os critérios da investigação

Na contestação que pretende apresentar à OMC, a Argentina deverá concentrar seus argumentos nos critérios técnicos adotados pelo Brasil durante a investigação antidumping.

Representantes do governo argentino consideram que houve falhas na metodologia utilizada para comparar os produtos analisados e afirmam que a decisão pode abrir precedentes para interpretações divergentes em futuras disputas comerciais.

O Uruguai, que também foi atingido pelas medidas, acompanha o caso e avalia a possibilidade de adotar medidas semelhantes perante os organismos internacionais.

Caso amplia tensões diplomáticas entre Brasil e Argentina

O episódio ocorre em um momento de distanciamento político entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei. Diplomatas dos dois países avaliam que a disputa comercial pode dificultar o andamento de negociações técnicas que vinham sendo conduzidas de forma relativamente estável.

Segundo interlocutores envolvidos nas discussões, decisões com forte impacto econômico tendem a aumentar a pressão sobre as relações diplomáticas e comerciais entre os parceiros do Mercosul.

Divergências surgem após acordo entre Mercosul e União Europeia

O impasse envolvendo o leite em pó ocorre poucos dias após outro atrito comercial dentro do Mercosul. A distribuição das cotas agrícolas previstas no acordo entre o bloco sul-americano e a União Europeia gerou disputas entre os países membros.

Utilizando o sistema “First-In, First-Out” (FIFO), Argentina e Uruguai registraram rapidamente suas exportações e esgotaram as cotas com tarifa reduzida para produtos como arroz e ovos.

A situação limitou o acesso de exportadores brasileiros aos benefícios iniciais do acordo e evidenciou diferenças operacionais entre os países na implementação das novas regras comerciais.

No caso do arroz, a totalidade da cota anual destinada ao Mercosul foi preenchida logo nas primeiras semanas de vigência do tratado. Já no segmento de ovos, produtores argentinos conseguiram ocupar integralmente a cota disponível para exportação ao mercado europeu, fortalecendo a posição do país no comércio internacional desses produtos.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Qu1m/Flickr/Creative Commons

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