Transporte

Navieras argentinas alertam para altos custos que freiam o transporte fluvial

A Federação de Empresas de Navegação Argentinas (FENA) afirma que os elevados custos de operação estão reduzindo a competitividade do transporte fluvial e marítimo no país. Para a entidade, a baixa participação de embarcações argentinas na Via Navegável Troncal (VNT) não decorre da falta de capacidade do setor, mas de um ambiente de custos que dificulta a atuação das empresas nacionais.

O posicionamento ocorre em meio à discussão sobre a Lei de Cabotagem e à definição de que a manutenção e a dragagem da VNT ficarão sob responsabilidade privada pelas próximas duas décadas.

Em comunicado enviado ao Infocampo, a FENA defendeu que a marinha mercante argentina pode exercer papel estratégico na redução dos custos logísticos e no aumento da competitividade do país.

FENA questiona desregulamentação da cabotagem

A entidade se manifestou contra propostas de desregulamentação irrestrita do transporte de cabotagem como alternativa para reduzir os custos do setor.

Segundo a FENA, a abertura do mercado para operadores estrangeiros, sem uma revisão prévia dos custos enfrentados pelas empresas argentinas, não resolveria o problema estrutural da logística.

A federação reconhece que o baixo uso do transporte fluvial e a reduzida presença argentina na VNT são questões que precisam ser enfrentadas. No entanto, defende uma análise mais ampla, considerando a frota disponível, a utilização efetiva das embarcações, as cargas que não estão sendo atendidas e os pedidos de exceção à legislação de cabotagem.

A entidade também considera necessário comparar os custos completos do transporte fluvial com os das alternativas rodoviárias e ferroviárias.

“Custo argentino” pesa sobre a competitividade

Na avaliação apresentada pela FENA, a baixa participação de embarcações nacionais na VNT não pode ser atribuída automaticamente à Lei de Cabotagem.

A entidade afirma que a Argentina já teve uma presença mais expressiva no transporte fluvial, mas perdeu espaço diante do aumento dos custos laborais, tributários, portuários e regulatórios.

Entre os fatores citados estão encargos sociais de aproximadamente 38% e regras trabalhistas que, segundo a federação, exigem estruturas de pessoal maiores do que as adotadas em outros mercados.

No campo tributário, a FENA argumenta que as empresas argentinas estão sujeitas a uma carga que não incide da mesma maneira sobre determinados operadores estrangeiros que atuam na região.

Custos portuários também são alvo de críticas

A FENA apresentou exemplos para demonstrar a diferença entre os custos portuários na Argentina e os registrados em países vizinhos.

Segundo a entidade, a proforma operacional de um navio do tipo Kamsarmax em portos argentinos como San Martín, San Lorenzo e Timbúes pode chegar a cerca de US$ 300 mil. No sul do Brasil, o mesmo custo seria estimado entre US$ 70 mil e US$ 80 mil.

Outro exemplo citado é o serviço de amarração. De acordo com a federação, o procedimento pode custar US$ 15 mil na Argentina, enquanto em Montevidéu o valor varia entre US$ 700 e US$ 1 mil.

A entidade também mencionou o aumento das tarifas portuárias. Como exemplo, afirmou que as taxas em dólares do porto de Bahía Blanca subiram 75% no ano passado.

Na avaliação da FENA, a combinação desses fatores contribuiu para o enfraquecimento da frota de barcaças argentina, hoje com participação considerada praticamente inexistente no rio.

Setor afirma ter capacidade para ampliar oferta

A federação argumenta que as empresas de navegação argentinas possuem conhecimento técnico e capital para ampliar rapidamente a capacidade de transporte disponível para atender à produção.

Para isso, porém, seria necessário corrigir as distorções que elevam os custos de operação sob bandeira argentina.

A FENA reconhece que exportadores de grãos, terminais portuários e outros usuários buscam reduzir os fretes logísticos. A entidade, entretanto, defende que a solução não seja simplesmente substituir empresas nacionais por operadores estrangeiros.

Segundo a organização, uma abertura desregulada do mercado sem resolver as diferenças tributárias, trabalhistas e regulatórias poderia dificultar a recuperação da marinha mercante nacional e reduzir os incentivos para novos investimentos.

Navegação movimenta cadeia de empregos e serviços

Outro argumento apresentado pela FENA está relacionado ao impacto econômico da atividade naval.

Segundo a entidade, uma marinha mercante fortalecida movimenta uma cadeia que inclui estaleiros, oficinas navais, serviços portuários e outras atividades relacionadas à logística em diferentes regiões da Argentina.

A federação também destaca a geração de empregos especializados, tanto em terra quanto a bordo de embarcações, além de oportunidades na indústria naval, nos portos e em serviços profissionais ligados ao setor logístico.

Marinha mercante é apontada como estratégica para o abastecimento

A FENA também associa a existência de uma frota nacional à soberania logística e à segurança do abastecimento.

Na avaliação da entidade, uma marinha mercante própria pode reduzir a exposição da matriz produtiva e energética argentina a crises internacionais ou a eventuais mudanças na disponibilidade de operadores estrangeiros.

A federação reforça que a abertura da cabotagem, isoladamente, não elimina os custos adicionais que afetam a logística argentina. Segundo seu posicionamento, ela pode permitir a entrada de empresas estrangeiras que operam sob condições tributárias e trabalhistas diferentes das enfrentadas pelos operadores nacionais.

FENA propõe mesa nacional para discutir custos logísticos

A entidade defende maior utilização da hidrovia, mas com uma participação significativa da frota de bandeira argentina.

Para discutir o tema, a FENA propõe a criação de uma Mesa Nacional de Competitividade Logística, reunindo representantes do governo federal, das províncias, das economias regionais, dos terminais portuários, das empresas de navegação e dos usuários do sistema.

A proposta é identificar os fatores que elevam o custo logístico argentino e buscar soluções conjuntas para tornar o transporte mais eficiente, competitivo e sustentável.

Para a federação, produtores rurais, indústria e empresas de navegação compartilham o interesse em reduzir os custos de transporte e ampliar a competitividade das exportações. A entidade defende que a logística hidroviária seja tratada como uma política de Estado, com medidas voltadas à redução das diferenças estruturais enfrentadas pela frota nacional.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Agronegócio

Argentina quer produzir ureia com gás de Vaca Muerta para abastecer agronegócio brasileiro

A Argentina pretende aproveitar o gás natural de Vaca Muerta para ampliar a produção de fertilizantes e atender parte da demanda do agronegócio brasileiro. A proposta foi apresentada pelo presidente da Pampa Energía, Marcelo Mindlin, ao secretário-executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil, Cleber Oliveira Soares.

Segundo reportagem do jornal argentino La Nación, os dois se reuniram para tratar do projeto de construção de uma nova fábrica de ureia no país vizinho. Procurado pela CNN Brasil, Oliveira Soares confirmou o encontro, mas esclareceu que não existe, até o momento, negociação para compra de fertilizantes.

Projeto prevê fábrica de ureia de US$ 2,7 bilhões

A Pampa Energía planeja construir uma unidade de ureia granulada em Bahía Blanca, na província de Buenos Aires. O empreendimento terá capacidade estimada de 2,1 milhões de toneladas por ano e investimento de aproximadamente US$ 2,7 bilhões.

A empresa anunciou em julho a decisão final de investimento e trabalha com a previsão de iniciar as operações no fim de 2029.

A localização foi escolhida pela proximidade com a infraestrutura de gás natural de Vaca Muerta e com o porto de Bahía Blanca. A combinação facilita tanto o fornecimento da matéria-prima utilizada na produção da ureia quanto o escoamento do fertilizante para outros mercados.

De acordo com a Pampa Energía, o Brasil deve ser o principal destino das exportações da nova unidade. A companhia estima que os brasileiros importem atualmente entre 7 milhões e 8 milhões de toneladas de ureia por ano.

Vaca Muerta pode ganhar importância no mercado de fertilizantes

Localizada na província de Neuquén, na Patagônia, Vaca Muerta é uma extensa formação geológica que concentra grandes volumes de petróleo e, principalmente, gás natural. A região está entre as maiores reservas de hidrocarbonetos não convencionais do mundo.

Como o gás natural é uma das principais matérias-primas utilizadas na fabricação de fertilizantes nitrogenados, o aumento da produção argentina pode criar uma nova conexão entre o setor energético do país e a demanda agrícola brasileira.

A futura fábrica da Pampa Energía se somaria à produção já existente na Argentina. Também localizada em Bahía Blanca, a Profertil tem capacidade para fabricar aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano.

Brasil busca ampliar fornecedores de fertilizantes

A aproximação entre os dois países ocorre em um momento de forte dependência brasileira das importações de fertilizantes agrícolas.

Durante sua participação em um evento na Bolsa de Cereais de Buenos Aires, Oliveira Soares afirmou que o Brasil tem interesse em ampliar a oferta regional de insumos. Entre as possibilidades mencionadas estão o fornecimento argentino de ureia e potássio.

O secretário também relatou que os preços da ureia chegaram a aumentar cerca de 500% em seis meses no mercado brasileiro. Diante da valorização do produto, o país passou a buscar fornecedores alternativos, incluindo mercados da África e da China.

Importações representam grande parte do consumo brasileiro

Dados apresentados pelo representante do Ministério da Agricultura indicam que o Brasil consome aproximadamente 50 milhões de toneladas de fertilizantes NPK por ano. Desse total, cerca de 92% são provenientes de importações.

Mais de 80% das compras brasileiras têm origem no Hemisfério Norte, com países como Canadá, Rússia, China, Belarus e Estados Unidos entre os principais fornecedores.

A dependência externa também é significativa no mercado de potássio. Segundo os números apresentados no evento, o consumo brasileiro chega a aproximadamente 16 milhões de toneladas por ano, com grandes volumes importados de Rússia e Belarus.

Argentina também pode ampliar oferta de potássio

Além da ureia, o governo brasileiro sinalizou interesse no potencial argentino para o fornecimento de potássio, outro insumo essencial para a agricultura.

Apesar dessa possibilidade, o projeto atualmente apresentado pela Pampa Energía está concentrado na produção de ureia. Caso seja concretizado, o empreendimento poderá acrescentar uma nova fonte de abastecimento ao mercado brasileiro e aproximar ainda mais os setores de energia e fertilizantes dos dois países.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Portos

Porto de Ushuaia inicia temporada de cruzeiros 2026-2027 com novas obras e serviços

O Porto de Ushuaia iniciou a temporada de cruzeiros 2026-2027 com melhorias na infraestrutura, novos serviços e medidas voltadas à eficiência operacional. As ações foram implementadas no terminal argentino com o objetivo de aprimorar o atendimento a navios e passageiros e tornar mais eficiente o uso dos recursos portuários.

Os primeiros cruzeiros da temporada já chegaram à cidade, que mantém sua posição estratégica como uma das principais portas de entrada para o turismo antártico e austral.

Obras reforçam infraestrutura do terminal

O programa de melhorias incluiu uma série de intervenções de manutenção nas instalações portuárias. Entre os serviços realizados estão melhorias na iluminação, sinalização e demarcação de áreas, além da modernização dos sanitários.

O terminal também passou a contar com uma estrutura de manutenção permanente, com atendimento durante 24 horas por dia, sete dias por semana em todo o complexo portuário.

Um dos principais trabalhos foi a substituição completa de 75 defensas do cais principal. A intervenção busca reforçar a segurança durante as operações de atracação dos navios.

Água, energia e segurança também recebem investimentos

A Agência Nacional de Portos e Navegação (Anpyn) também trabalha na melhoria de serviços considerados essenciais para a operação portuária, como o fornecimento de água e energia elétrica.

Outra frente envolve a atualização tecnológica do sistema de proteção contra incêndios. As medidas têm como objetivo ampliar a segurança das operações e melhorar a qualidade dos serviços oferecidos às embarcações.

Para a temporada, o porto também adotou um novo Regulamento de Operações, estabelecendo regras para o ingresso, a saída e a contratação de serviços por navios turísticos e de carga.

Tarifas do Porto de Ushuaia caem mais de 10%

Além dos investimentos em infraestrutura, foram adotadas medidas para reduzir os custos operacionais de companhias marítimas e operadores locais.

As mudanças resultaram em uma redução tarifária superior a 10%, acompanhada por uma estrutura de preços simplificada e ajustada às condições do mercado internacional.

Mais de 590 escalas estão confirmadas

A chegada do Ventus Australis, com capacidade para 210 passageiros, marcou, em meados de setembro, o início do novo ciclo operacional do terminal.

Para a temporada 2026-2027, estão confirmadas mais de 590 escalas de cruzeiros, número que representa cerca de 100 visitas adicionais em comparação com o período anterior.

O resultado reforça a importância do Porto de Ushuaia para o turismo de cruzeiros e para as operações ligadas à Antártica. A movimentação também reflete a continuidade da presença de grandes empresas de navegação na região.

Cruzeiros movimentam economia de Ushuaia

A atividade de turismo de cruzeiros tem impacto direto sobre a economia de Ushuaia. Cada escala movimenta diferentes segmentos do comércio e dos serviços locais.

Hotéis, restaurantes, lojas, empresas de turismo e operadores de transporte terrestre e fluvial estão entre os setores beneficiados pelo fluxo de passageiros e tripulantes.

Com isso, a temporada de cruzeiros contribui para a geração de empregos e para a movimentação econômica não apenas de Ushuaia, mas também de outros pontos da região.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Comércio Internacional

Argentina moderniza regras para acesso a cotas tarifárias de exportação

A Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca do Ministério da Economia da Argentina atualizou os procedimentos para empresas que buscam acessar determinadas cotas tarifárias de exportação. A mudança foi estabelecida pela Resolução nº 175/26 e tem como objetivo simplificar os processos e facilitar as vendas argentinas ao mercado internacional.

A nova regulamentação reúne em um único conjunto de normas os critérios de distribuição e os procedimentos necessários para a emissão dos certificados de exportação relacionados aos contingentes contemplados.

Quais produtos estão incluídos

As alterações abrangem diferentes setores e mercados estratégicos para as exportações argentinas. Entre os produtos e destinos contemplados estão:

  • Amendoim, pasta de amendoim e tabaco com destino aos Estados Unidos;
  • Produtos lácteos destinados ao Equador;
  • Balas, chocolates e carne bovina referentes ao Cupo II com destino à Colômbia;
  • Pêssegos em calda destinados ao México.

Cada categoria mantém seus respectivos critérios de distribuição e procedimentos específicos para a obtenção dos documentos necessários à exportação.

Medida busca facilitar acesso às cotas

Segundo a Secretaria de Agricultura, a atualização pretende reduzir obstáculos e tornar mais simples o acesso das empresas às cotas tarifárias.

A concentração das regras em uma única norma também busca oferecer aos operadores comerciais informações mais claras sobre os procedimentos para utilizar as preferências tarifárias concedidas à Argentina em acordos de comércio internacional.

A expectativa é facilitar a consulta às regras e dar maior agilidade aos processos relacionados às exportações destinadas aos países contemplados.

Novo critério para cotas não preenchidas

A resolução também estabelece uma mudança para determinados contingentes que não são totalmente utilizados durante o período comercial.

Nos casos em que houver saldo de cota tarifária ao final do ciclo, será adotado o sistema de “primeiro chegado, primeiro servido”. O critério será utilizado para distribuir os volumes remanescentes quando a demanda não for suficiente para esgotar a cota disponível.

A adoção do modelo busca estabelecer uma forma mais direta de distribuição dos contingentes que permanecem disponíveis ao longo do período de comercialização.

FONTE: Argentina.gob.ar
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Argentina.gob.ar

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Exportação

Exportações da Argentina para o Brasil crescem 6,9% em agosto de 2026

As exportações da Argentina para o Brasil avançaram 6,9% em agosto de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados da Câmara Argentina de Comércio e Serviços (CAC). O resultado representa o sexto mês consecutivo de crescimento das vendas argentinas ao mercado brasileiro.

O comércio bilateral entre Argentina e Brasil movimentou US$ 2,578 bilhões em agosto. O valor ficou 3,2% abaixo dos US$ 2,663 bilhões registrados em agosto de 2025. Em relação a julho deste ano, porém, houve alta de 0,3%.

Argentina aumenta vendas ao mercado brasileiro

As exportações argentinas somaram US$ 1,099 bilhão em agosto, enquanto as compras de produtos brasileiros chegaram a US$ 1,479 bilhão.

Com isso, a Argentina registrou déficit comercial de US$ 380 milhões no intercâmbio com o Brasil durante o mês.

O crescimento das vendas argentinas foi impulsionado principalmente por produtos como polímeros de etileno em formas primárias, veículos destinados ao transporte de mercadorias e a usos especiais, leite, creme de leite e outros produtos lácteos, além de óleo combustível derivado de petróleo.

Na direção contrária, a queda de 9,6% nas importações argentinas provenientes do Brasil esteve relacionada principalmente à redução das compras de veículos rodoviários, peças e acessórios para automóveis e veículos destinados ao transporte de passageiros.

Déficit comercial argentino diminui em 2026

Considerando os oito primeiros meses de 2026, o comércio bilateral gerou um saldo negativo de US$ 1,635 bilhão para a Argentina.

Apesar de permanecer deficitário, o resultado representa uma melhora expressiva em relação ao mesmo período de 2025. Entre janeiro e agosto do ano passado, o déficit argentino havia alcançado US$ 4,103 bilhões.

Ainda assim, agosto manteve a trajetória negativa iniciada em janeiro de 2026. Segundo o levantamento da CAC, o resultado também se deteriorou em relação aos quatro meses anteriores.

Argentina ganha espaço entre fornecedores do Brasil

A Argentina ficou na quarta posição entre os principais fornecedores do Brasil em agosto, considerando o valor das importações brasileiras.

A liderança ficou com China, Hong Kong e Macau, com US$ 6,609 bilhões, seguidos pelos Estados Unidos, com US$ 4,014 bilhões, e pela Alemanha, com US$ 1,411 bilhão.

Do lado das exportações brasileiras, a Argentina ocupou a terceira colocação entre os principais mercados compradores no mês.

China, Hong Kong e Macau lideraram, com US$ 8,340 bilhões em compras, enquanto os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com US$ 3,190 bilhões.

Exportações brasileiras também crescem

O desempenho do comércio exterior do Brasil apresentou expansão em agosto. As exportações brasileiras para o mercado internacional passaram de US$ 29,559 bilhões em agosto de 2025 para US$ 33,158 bilhões no mesmo mês de 2026, uma alta de 12,2%.

As importações também aumentaram. O valor subiu 9,3%, de US$ 23,578 bilhões para US$ 25,763 bilhões na comparação anual.

Com exportações superiores às importações, o Brasil encerrou agosto com superávit comercial de US$ 7,395 bilhões. Foi o 18º mês consecutivo em que a balança comercial brasileira apresentou resultado positivo.

FONTE: Cámara Argentina de Comercio y Servicios
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CAC

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Exportação

Milho argentino ganha competitividade e desafia exportações brasileiras em setembro

A Argentina vem ampliando sua presença no mercado internacional de milho justamente quando o Brasil enfrenta dificuldades para manter o ritmo de exportações observado em 2025. Com oferta elevada e preços competitivos, os argentinos caminham para um volume recorde de embarques, enquanto as primeiras estimativas para setembro indicam exportações brasileiras de milho inferiores às registradas no mesmo mês do ano passado.

A expectativa é que a Argentina embarque cerca de 10 milhões de toneladas de milho entre agosto e setembro, segundo informações divulgadas pela Reuters nesta semana.

O desempenho é favorecido pela perspectiva de uma safra 2025/26 recorde, estimada em 71,7 milhões de toneladas, além da demanda internacional provocada por problemas na oferta de milho da Ucrânia e perdas relacionadas ao calor em algumas regiões europeias.

Argentina amplia vantagem no mercado internacional

Gustavo Idigoras, presidente da CIARA-CEC, entidade que reúne exportadores e processadores argentinos, afirma que o milho do país ganhou força tanto em preço quanto em disponibilidade.

Essa combinação coloca a Argentina em posição favorável na disputa por compradores internacionais, principalmente em um momento de maior necessidade de reposição de estoques e de incertezas sobre a oferta de outros grandes produtores.

Para o Brasil, o avanço argentino representa uma pressão adicional sobre o programa de exportação de milho em 2026.

Brasil deve exportar menos milho em setembro

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) projeta embarques brasileiros de aproximadamente 5,2 milhões de toneladas de milho em setembro.

Se a estimativa se confirmar, o resultado ficará abaixo das quase 7 milhões de toneladas exportadas pelo Brasil no mesmo mês de 2025.

Além da concorrência argentina, o milho brasileiro enfrenta neste ano a disputa com a oferta dos Estados Unidos e com uma demanda interna mais forte. O setor de etanol, por exemplo, tem ampliado a utilização do cereal no mercado doméstico.

Os dados iniciais de setembro reforçam o cenário de desaceleração. Nos quatro primeiros dias úteis do mês, foram embarcadas 1,13 milhão de toneladas, com média diária de 281,6 mil toneladas.

O ritmo representa uma queda de 18,1% em relação à média diária de 343,8 mil toneladas registrada em setembro de 2025.

Ritmo melhora em relação a agosto

Apesar da comparação negativa com o ano passado, os embarques brasileiros mostram recuperação quando comparados a agosto.

No mês anterior, o país exportou, em média, 221,7 mil toneladas por dia. Assim, a média registrada nos primeiros dias de setembro é aproximadamente 27% maior.

A questão agora é saber se essa aceleração será suficiente para aproximar o desempenho brasileiro dos níveis registrados em 2025 ou se o volume projetado pela Anec acabará se confirmando.

Argentina é apontada como risco para exportações brasileiras

A maior oferta argentina já vinha sendo considerada um fator de atenção para o mercado brasileiro de milho.

Em entrevista recente ao Notícias Agrícolas, Luiz Fernando Gutierrez, coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, afirmou que o ritmo dos embarques brasileiros estava abaixo das expectativas e apontou a Argentina como uma das principais ameaças ao desempenho nacional.

Segundo o analista, a combinação entre disponibilidade elevada e preços competitivos aumenta a disputa entre Brasil e Argentina por compradores internacionais.

A Hedgepoint estima que o Brasil poderá exportar aproximadamente 41 milhões de toneladas de milho em 2026, volume próximo ao registrado em 2025. No entanto, Gutierrez avalia que essa projeção pode ser revisada para baixo caso o ritmo dos embarques continue abaixo do esperado.

Milho dos EUA perde parte da competitividade

A concorrência internacional também envolve os Estados Unidos, outro importante fornecedor de milho.

Eduardo Vanin, analista e estrategista sênior da Marex e da Agrinvest, avaliou em entrevista ao Notícias Agrícolas que a recente valorização do milho na Bolsa de Chicago reduziu a vantagem competitiva que o produto americano vinha apresentando nos últimos dois anos.

Na avaliação do especialista, o aumento das cotações está relacionado, em parte, às incertezas sobre os fluxos de grãos pelo Mar Negro.

Com preços mais elevados, o milho americano pode perder parte do espaço que vinha ocupando na disputa com o produto brasileiro no mercado internacional.

Próximas semanas serão decisivas para o milho brasileiro

Ainda não é possível afirmar que o avanço das exportações argentinas esteja retirando diretamente compradores do Brasil. O cenário observado até agora é de maior oferta argentina e preços competitivos em um período no qual os embarques brasileiros seguem abaixo do ritmo registrado em 2025.

As próximas semanas serão importantes para determinar se a recuperação das exportações brasileiras em setembro ganhará força.

Caso o desempenho permaneça inferior ao do ano passado, aumentará a pressão sobre as projeções de exportação de milho do Brasil em 2026, além de crescer a importância do mercado doméstico para absorver a produção disponível.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Agronegócio

China enfrenta impactos climáticos nas lavouras e pode aumentar demanda por grãos da América Latina

As condições climáticas adversas registradas desde meados de julho em importantes regiões agrícolas da China colocam em alerta a produção de milho, soja e algodão. O avanço de ondas de calor, chuvas intensas e inundações já afeta áreas produtoras do nordeste do país, da planície do norte e de Xinjiang.

O cenário passou a ser acompanhado de perto nesta quinta-feira, 27 de agosto, por produtores, exportadores e empresas do agronegócio latino-americano. Caso os danos provoquem perdas relevantes de produtividade ou comprometam a qualidade da safra chinesa, o país poderá recorrer mais ao mercado internacional, com possíveis reflexos sobre os fluxos globais de grãos, fibras e ração animal.

Clima extremo atinge principais regiões agrícolas da China

Segundo informações divulgadas pela Reuters, algumas das principais províncias produtoras chinesas enfrentaram condições meteorológicas fora do padrão.

Em Jilin e Liaoning, as temperaturas alcançaram ou ultrapassaram recordes históricos em diversas estações. Já Heilongjiang foi afetada por uma sequência de chuvas e episódios de inundação. Em Henan, o calor intenso registrado em julho foi seguido por fortes precipitações relacionadas ao tufão Dolphin.

Neste momento, o mercado busca dimensionar os efeitos efetivos sobre a safra. A principal dúvida é se os eventos climáticos resultarão em queda de produtividade, problemas de qualidade dos grãos ou uma combinação dos dois fatores. A resposta será fundamental para determinar se a China precisará ampliar suas compras externas.

Milho chinês entra no radar dos exportadores

No caso do milho, as temperaturas elevadas coincidiram, em determinadas áreas, com fases importantes do desenvolvimento das plantas. O calor persistente durante a polinização pode prejudicar a formação dos grãos, enquanto o excesso de água aumenta os riscos em áreas mais baixas do nordeste chinês.

Apesar dos problemas localizados, analistas ouvidos pela Reuters avaliam que a expansão da área cultivada com milho pode ajudar a limitar eventuais perdas na produção total. Por isso, ainda não há elementos suficientes para projetar uma queda expressiva da oferta doméstica.

A qualidade do milho disponível após a colheita, entretanto, ganha importância. Eventuais problemas nesse aspecto podem elevar a necessidade da indústria chinesa de recorrer a fornecedores externos para garantir matéria-prima destinada à alimentação animal.

América Latina pode ser afetada por novas compras chinesas

Uma eventual redução da disponibilidade de grãos para alimentação animal na China poderia alterar os fluxos internacionais de milho, sorgo e outros produtos utilizados na pecuária.

Nesse cenário, Brasil e Argentina aparecem entre os países diretamente interessados, já que estão entre os principais exportadores mundiais de milho. Ao mesmo tempo, terão de disputar espaço no mercado chinês com os Estados Unidos e outros fornecedores.

Os efeitos para o agronegócio da América Latina também podem ocorrer de forma indireta, por meio de mudanças nos preços internacionais, prêmios de exportação, custos de frete e contratos negociados nos mercados futuros.

Importações chinesas de milho e sorgo já avançaram

Os números do comércio exterior indicam que a China vem aumentando a aquisição de alguns produtos agrícolas.

Entre janeiro e julho, o país importou 1,36 milhão de toneladas de milho, volume 61,3% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior. As compras de sorgo cresceram 86,2%, enquanto as de cevada aumentaram 53,4%, segundo dados citados pela Reuters.

O movimento, por si só, não comprova o início de um ciclo estrutural de grandes importações. Ainda assim, mostra uma utilização maior de grãos importados e substitutos para alimentação animal.

Para os exportadores latino-americanos, a evolução das compras chinesas durante e após a colheita será um indicador mais importante para avaliar os efeitos do clima do que as primeiras estimativas de perdas nas lavouras.

Soja exige atenção especial de Brasil e Argentina

O mercado de soja apresenta características diferentes. Em Heilongjiang, o excesso de chuva prejudicou condições de temperatura do solo e reduziu a disponibilidade de luz, aumentando os riscos para a qualidade da produção e para os níveis de proteína.

Entretanto, existe uma diferença importante entre a soja produzida internamente pela China e aquela adquirida no exterior. Grande parte da produção doméstica é não transgênica e destinada ao consumo humano. Já a soja importada é utilizada principalmente no processamento industrial, conhecido como crushing, e na alimentação animal.

Por isso, uma eventual quebra da produção chinesa não necessariamente provocará um aumento proporcional das importações. Mesmo assim, qualquer mudança significativa na demanda do país asiático continua sendo estratégica para Brasil e Argentina, que concentram grande parcela da oferta mundial de soja.

Algodão também pode sofrer impactos

O algodão chinês é outro produto sob observação. Xinjiang responde por mais de 90% da produção nacional e enfrentou temperaturas elevadas e pouca chuva.

Em algumas áreas, as condições climáticas reduziram o número médio de cápsulas por planta, sinalizando possíveis impactos sobre a produtividade.

Ao mesmo tempo, as importações chinesas já chamam atenção. Nos primeiros sete meses de 2026, o país comprou 1,02 milhão de toneladas de algodão, praticamente o mesmo volume adquirido ao longo de todo o ano de 2025, conforme dados divulgados pela Reuters.

Se as perdas na produção doméstica forem maiores do que o esperado, a necessidade de importações poderá crescer e modificar a disputa entre fornecedores internacionais. O movimento interessa especialmente ao Brasil, que vem ampliando sua participação no comércio global de algodão.

Próximos dados serão decisivos para o mercado agrícola

Para produtores e empresas do agronegócio brasileiro e latino-americano, o principal indicador será a transformação dos danos climáticos em compras efetivas da China.

Relatórios sobre a qualidade da safra, o comportamento das importações de milho e demais grãos forrageiros, o ritmo do processamento de soja e os números do comércio de algodão serão fundamentais para medir o impacto real.

O cenário, portanto, não significa necessariamente uma alta automática das commodities agrícolas. Ele acrescenta, porém, uma variável importante às estratégias comerciais dos grandes exportadores.

Se a China precisar recorrer com maior intensidade ao mercado internacional, Brasil, Argentina, Estados Unidos e outros grandes fornecedores agrícolas voltarão a disputar de maneira ainda mais intensa a demanda do maior comprador de diversos produtos do agronegócio mundial.

FONTE: AgroLatam
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Tingshu Wang

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Comércio Internacional

Argentina deve registrar superávit comercial em julho e superar US$ 20 bilhões em 2026

A balança comercial da Argentina deve fechar julho novamente no azul, sustentada principalmente pelo desempenho das exportações de energia e produtos agrícolas. A projeção consta de uma pesquisa da Reuters com economistas locais e estrangeiros.

As estimativas apontam para um superávit comercial de US$ 1,85 bilhão no mês. Para o conjunto de 2026, a expectativa é de que o saldo positivo ultrapasse a marca de US$ 20 bilhões, favorecido pelos preços elevados das commodities no mercado internacional.

Exportações de energia e agricultura sustentam resultado

Entre os principais fatores por trás do desempenho argentino estão as vendas externas de produtos agrícolas e petróleo.

Para Ignacio Ruiz, economista da Ecolatina, as exportações devem continuar contribuindo para um resultado comercial robusto, especialmente diante do cenário favorável para os preços internacionais das commodities.

A combinação entre exportações de petróleo, energia e produtos do agronegócio deve manter a balança comercial argentina em território positivo ao longo do ano.

Superávit pode chegar a US$ 23 bilhões

A perspectiva para o resultado anual também melhorou. A última pesquisa de expectativas de mercado realizada pelo Banco Central da Argentina indica que o país poderá encerrar 2026 com um superávit comercial de aproximadamente US$ 23 bilhões.

Até junho, o saldo acumulado já alcançava US$ 13,9 bilhões. O desempenho inclui um resultado recorde de US$ 3,45 bilhões registrado em maio.

O resultado reforça a importância das exportações argentinas para a geração de divisas e para o equilíbrio das contas externas do país.

Importações seguem em ritmo moderado

Enquanto as exportações apresentam desempenho positivo, as importações da Argentina ainda avançam de forma limitada.

Segundo Ruiz, a demanda por produtos importados permanece contida, em linha com os níveis moderados de atividade econômica e consumo no país.

Esse comportamento contribui para preservar o saldo positivo da balança comercial, já que o crescimento das compras externas ainda não acompanha uma eventual aceleração das exportações.

INDEC divulgará resultado oficial de julho

O resultado definitivo da balança comercial argentina em julho será divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) na quinta-feira.

Até a publicação dos dados oficiais, as projeções dos economistas indicam a manutenção de um cenário favorável para o comércio exterior argentino, com superávit comercial superior a US$ 20 bilhões esperado para 2026.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels/Freerange

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Exportação

Argentina e México avançam sobre espaço perdido pela madeira brasileira nos Estados Unidos

A perda de participação da madeira brasileira no mercado dos Estados Unidos começa a alterar a dinâmica do comércio internacional do setor. Parte das cargas que deixaram de ter os EUA como destino está sendo direcionada, ainda que gradualmente, para países como México, Alemanha, Vietnã, Espanha e Colômbia. Ao mesmo tempo, produtores argentinos aproveitam a abertura para conquistar clientes antes atendidos por serrarias brasileiras.

A avaliação é de Marcelo Wiecheteck, diretor de Desenvolvimento Estratégico da consultoria florestal STCP. Conforme levantamento citado pela Forbes Brasil, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram US$ 351 milhões no primeiro semestre, considerando as sete principais categorias de produtos de madeira.

Exportações de madeira serrada perdem espaço

O movimento já aparece nos dados de comércio exterior. As vendas brasileiras de madeira serrada de pinus para os Estados Unidos diminuíram 28% em março, chegando a US$ 8,1 milhões.

No mesmo mês, o México assumiu a liderança entre os compradores, com US$ 11,2 milhões em aquisições, segundo os registros de destino do Comex Stat.

Para Wiecheteck, transferir a produção brasileira para novos mercados não é uma tarefa simples. Mesmo assim, os exportadores começaram a buscar alternativas de maneira gradual, avaliando cada produto e mercado individualmente.

Alemanha, México e Suécia ampliam compras

O movimento de diversificação também aparece no segmento de compensados de madeira. Durante o trimestre, Alemanha, México e Suécia aumentaram suas compras do produto brasileiro.

As importações alemãs passaram de US$ 5 milhões para US$ 7,1 milhões. No México, o valor subiu de US$ 3,5 milhões para US$ 5,3 milhões. Já as compras da Suécia avançaram de US$ 800 mil para US$ 2,5 milhões.

O Vietnã também ganhou relevância entre os destinos da madeira serrada de pinus brasileira, reforçando a tentativa do setor de encontrar novos compradores fora do mercado americano.

Dados da Datamar, baseados em reservas de contêineres, apontam tendência semelhante. Entre janeiro e abril, os embarques de madeira brasileira cresceram 113% para a Espanha, 100,4% para a Colômbia e 34,4% para o México. No sentido contrário, os envios para os Estados Unidos caíram 31,2%, segundo informações da plataforma DataLiner.

Argentina disputa clientes brasileiros nos EUA

A Argentina ocupa uma posição diferente nesse processo. O país não aparece apenas como possível destino para a produção brasileira, mas também como concorrente da indústria madeireira brasileira no mercado americano.

A federação argentina do setor registrou crescimento de 34,58% nas exportações de madeira serrada de pinus no primeiro semestre, enquanto o consumo doméstico permanece praticamente estagnado.

Gustavo Cetrángolo, consultor responsável pelo relatório mensal da indústria da FAIMA, afirmou à Argentina Forestal que as exportações funcionam atualmente como uma alternativa para reduzir os efeitos da fraqueza da demanda interna.

As vendas argentinas de molduras de madeira para os Estados Unidos cresceram 16,65%, impulsionadas principalmente pela categoria Appearance Pine Board. No caso do compensado, as exportações aumentaram 93,59% em comparação com o segundo semestre de 2025.

Nova serraria amplia capacidade argentina

O avanço argentino também conta com novos investimentos. A austríaca HS Timber Group e a belga Forestcape estão construindo uma unidade em Virasoro, na província de Corrientes.

A joint venture prevê capacidade de produção de 370 mil metros cúbicos anuais de madeira serrada seca, posicionando o empreendimento para atender à demanda dos mercados externos.

Apesar das oportunidades, empresários argentinos apontam limitações na capacidade de resposta da própria indústria. Enrique Bongers, presidente da associação madeireira AMAYADAP, de Misiones, disse ao jornal Primera Edición que existe demanda internacional, mas as empresas ainda enfrentam dificuldades para atender integralmente os pedidos.

Diferença de tarifas aumenta pressão sobre o Brasil

A política tarifária dos Estados Unidos é outro fator que pesa na competitividade brasileira. Conforme a tabela americana, as molduras provenientes da Argentina estão sujeitas a uma tarifa de 10%. Para produtos brasileiros, porém, as cobranças acumuladas chegam a 37,5%, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Representantes da indústria afirmam que o problema não se resume ao percentual das tarifas. A instabilidade provocada pelas mudanças comerciais também dificulta a manutenção de contratos e o planejamento das empresas.

Gustavo Milazzo, CEO da WoodFlow, afirmou à Forbes Brasil que o Brasil vem perdendo espaço para concorrentes como Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile e México. Segundo ele, os efeitos já aparecem em fábricas com contratos suspensos, resultados negativos e adoção de férias coletivas.

Guilherme Ranssolin, CEO da Randa, fabricante de portas, compensados e molduras, também apontou a insegurança como um dos principais obstáculos à permanência dos produtos brasileiros no mercado americano.

Exportações aos EUA recuam em julho

A pressão aumentou após a divulgação dos números de comércio exterior referentes a julho. As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 5% em valor e 11,9% em volume na comparação com o mesmo mês do ano anterior.

O efeito da nova tarifa, entretanto, ainda não pode ser isolado nos resultados de julho. Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, explicou que a cobrança só passou a produzir efeito pleno em 29 de julho, depois que cargas que já estavam em trânsito marítimo foram liberadas.

Antes mesmo da entrada em vigor da nova medida, porém, os compradores americanos já haviam reduzido em aproximadamente um terço os pedidos de madeira brasileira.

Desde o primeiro trimestre, exportadores passaram a redirecionar mercadorias ainda nos portos. O movimento ganhou força quando o México ultrapassou os Estados Unidos como principal destino da madeira brasileira movimentada pelo Terminal de Contêineres de Paranaguá.

México é comprador e concorrente

O México passou a exercer um papel duplo na cadeia internacional da madeira brasileira. De um lado, o país aumentou as compras do Brasil e chegou à liderança entre os destinos da madeira serrada de pinus em março.

De outro, também aparece entre os países que vêm conquistando espaço no mercado americano antes ocupado por fornecedores brasileiros.

Essa posição evidencia a disputa cada vez mais intensa por mercado internacional de madeira, em um cenário no qual os exportadores brasileiros precisam diversificar destinos enquanto enfrentam concorrentes mais competitivos em determinados produtos.

Molduras de pinus são o ponto mais vulnerável

Entre as categorias analisadas, as molduras de pinus apresentam uma das situações mais delicadas. Dados da STCP indicam que 98% da produção brasileira desse segmento foi estruturada para atender um único mercado: os Estados Unidos.

A elevada concentração torna o produto especialmente exposto às mudanças comerciais e tarifárias. Enquanto outros itens começam a encontrar compradores em diferentes países, as molduras possuem menos alternativas fora do mercado americano justamente por terem sido desenvolvidas para atender às exigências específicas daquele destino.

O cenário coloca a indústria brasileira de madeira diante do desafio de encontrar novos mercados sem perder competitividade, ao mesmo tempo em que Argentina e outros países ampliam sua presença entre os compradores dos Estados Unidos.

FONTE: Wood Central
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Comércio Exterior

Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e tensão diplomática gera preocupação econômica

A recente crise diplomática entre Brasil e Argentina, intensificada após a decisão do governo brasileiro de retirar seu embaixador do país vizinho, levanta preocupações que vão além da esfera política. Especialistas avaliam que o impasse pode afetar uma das relações comerciais mais relevantes da América do Sul.

O Brasil ocupa posição de destaque no comércio exterior argentino, sendo o principal destino das exportações do país e um parceiro estratégico para diversos setores da economia.

Brasil lidera como destino das exportações argentinas

Dados oficiais do Instituto Nacional de Estatística e Censos da Argentina (Indec) mostram que, no primeiro semestre de 2026, o país exportou cerca de US$ 49 bilhões em mercadorias, sendo US$ 6,2 bilhões destinados ao mercado brasileiro — o equivalente a 12,6% das vendas externas.

Entre os principais produtos embarcados para o Brasil estão veículos e equipamentos de transporte, cereais, plásticos, metais básicos e laticínios.

O mercado brasileiro também é o principal comprador dos produtos da indústria automotiva argentina, um dos segmentos que mais geram divisas para o país. Além disso, absorve grande parte das exportações de trigo, vinhos, azeite de oliva, frutas, hortaliças e produtos lácteos. No setor de serviços, o Brasil ocupa a segunda posição entre os principais destinos, atrás apenas dos Estados Unidos.

Importações brasileiras têm peso na economia argentina

No fluxo de importações, o Brasil aparece como o segundo maior fornecedor da Argentina, respondendo por 22,3% das compras externas, atrás apenas da China.

Os produtos mais importados incluem bens industrializados, automóveis de passeio, autopeças, equipamentos de transporte e bens de capital, essenciais para a atividade industrial argentina.

Apesar da intensa troca comercial, o saldo da balança bilateral permanece negativo para a Argentina. No primeiro semestre deste ano, o déficit foi de US$ 993 milhões, resultado melhor que os US$ 2,9 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

Indústria automotiva é um dos pilares da integração

Grande parte da integração econômica entre os dois países está sustentada pelo Acordo de Complementação Econômica nº 14 (ACE 14), que permite o comércio de veículos sem cobrança de tarifas.

Firmado em 1990, o acordo foi renovado diversas vezes ao longo das últimas décadas e tem validade até junho de 2029. Governos e representantes do setor automotivo defendem a negociação de uma nova prorrogação para garantir estabilidade às cadeias produtivas dos dois países.

Além do comércio, o Brasil também figura entre os principais investidores estrangeiros na Argentina, ocupando a quarta posição no ranking de investimento direto, atrás de Estados Unidos, Espanha e Holanda.

Especialistas veem impactos limitados no curto prazo

Na avaliação do economista e ex-ministro da Produção da Argentina, Dante Sica, as tensões diplomáticas dificilmente provocarão mudanças imediatas no fluxo comercial entre os dois países.

Segundo ele, empresas instaladas nos dois mercados mantêm cadeias produtivas altamente integradas desde a consolidação do Mercosul, tornando improvável uma interrupção nas operações industriais ou comerciais em razão do momento político.

Projetos futuros podem sofrer atrasos

Embora os efeitos imediatos sejam considerados limitados, especialistas alertam que uma crise diplomática prolongada pode dificultar negociações estratégicas entre Brasil e Argentina.

Entre os temas que podem ser impactados está a ampliação da infraestrutura para exportação do gás produzido em Vaca Muerta, na Argentina, com destino ao mercado brasileiro, especialmente ao estado de São Paulo.

Também podem ocorrer atrasos em negociações envolvendo regulamentações técnicas, certificações de produtos e medidas para ampliar o acesso de mercadorias argentinas ao mercado brasileiro.

FONTE: Buenos Aires Herald
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Buenos Aires Herald

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