Internacional

Irã amplia área estratégica do Estreito de Ormuz e ameaça elevar enriquecimento de urânio

O Irã anunciou nesta terça-feira (12) uma ampliação significativa da área considerada estratégica no Estreito de Ormuz, rota considerada vital para o comércio global de petróleo e gás natural liquefeito. Paralelamente, autoridades iranianas voltaram a mencionar a possibilidade de elevar o enriquecimento de urânio para níveis próximos ao grau militar caso o país sofra novos ataques.

As declarações ocorrem em meio ao aumento da tensão regional envolvendo os Estados Unidos, Israel e o governo iraniano.

Irã redefine alcance estratégico do Estreito de Ormuz

Segundo informações divulgadas pela agência estatal Fars, o vice-diretor político da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica, Mohammad Akbarzadeh, afirmou que o estreito deixou de ser tratado apenas como uma área limitada próxima às ilhas de Ormuz e Hengam.

De acordo com o militar, a região agora passa a ser considerada uma “vasta área operacional”, com alcance entre a cidade de Jask, no leste, e a Ilha Siri, no oeste.

A mudança amplia o conceito estratégico adotado anteriormente pelas forças iranianas e reforça o monitoramento militar sobre o corredor marítimo.

Região concentra fluxo global de petróleo e gás

O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do planeta. Cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito passa pela região, utilizada principalmente por exportadores como Arábia Saudita, Iraque e Catar.

Agências iranianas afirmam que a área operacional anteriormente estimada entre 32 e 48 quilômetros agora teria alcance entre 322 e 483 quilômetros, formando o que foi descrito como um “crescente completo”.

Expansão militar é a segunda desde início do conflito

Esta é a segunda ampliação estratégica anunciada pelo Irã desde o agravamento das tensões com EUA e Israel.

Em maio, a Marinha da Guarda Revolucionária já havia divulgado um novo mapa de controle marítimo abrangendo parte do litoral do Golfo de Omã, incluindo áreas próximas aos Emirados Árabes Unidos.

A nova atualização amplia ainda mais o espaço considerado prioritário para operações militares iranianas na região.

Parlamento iraniano avalia enriquecimento de urânio a 90%

Outro ponto que elevou a tensão internacional foi a declaração do parlamentar iraniano Ebrahim Rezaei, que afirmou que o país poderá enriquecer urânio a até 90% de pureza em caso de novos ataques.

Esse percentual é considerado próximo ao chamado grau de armamento nuclear.

Segundo o parlamentar, o tema será analisado pelo Parlamento iraniano como uma possível resposta estratégica em caso de escalada militar.

Negociações nucleares seguem sob pressão

O impasse sobre o programa nuclear iraniano continua sendo um dos principais obstáculos nas negociações diplomáticas entre Estados Unidos e Irã.

Enquanto Teerã defende discutir a questão nuclear em etapas posteriores, Washington insiste que o país transfira seu estoque de urânio altamente enriquecido para fora do território iraniano e abandone o enriquecimento doméstico.

O presidente norte-americano Donald Trump declarou recentemente que o cessar-fogo entre os países segue frágil e afirmou que ataques anteriores teriam comprometido instalações nucleares iranianas.

No entanto, relatórios de inteligência dos EUA apontam que o programa nuclear iraniano ainda mantém capacidade operacional, especialmente devido à existência de estoques de urânio enriquecido a 60%.

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Stringer/Reuters

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Internacional

Isenção de visto para chineses no Brasil entra em vigor e destrava relação diplomática

A isenção de visto para cidadãos chineses no Brasil finalmente entrou em vigor nesta segunda-feira (dia 11 de maio), encerrando um impasse diplomático que se arrastava há meses entre Brasil e China. A medida foi anunciada pelo presidente da república em janeiro e agora passa a valer oficialmente.

Portadores de passaporte chinês podem entrar no país sem necessidade de visto para estadias de até 30 dias.

Impasse diplomático atrasou implementação da medida

Apesar do anúncio político, a liberação enfrentou resistência técnica dentro do governo brasileiro. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil defendia que a isenção fosse formalizada por meio de um acordo bilateral completo entre os dois países.

A China, por sua vez, considerava desnecessária a formalização, já que a própria isenção concedida a brasileiros havia sido adotada de forma unilateral anteriormente.

O impasse só foi resolvido após a publicação de uma nota oficial assinada pelo embaixador brasileiro na China, Marcos Galvão, no Diário Oficial da União.

Pressão interna acelerou decisão do governo brasileiro

A demora na implementação começou a gerar desconforto tanto em setores diplomáticos quanto empresariais, que viam a medida como estratégica para o fortalecimento das relações bilaterais.

Dentro do governo, a Casa Civil da Presidência da República foi uma das principais defensoras da liberação, especialmente pelo impacto na atração de investimentos chineses.

O então ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, já havia articulado medidas para facilitar a concessão de vistos a técnicos de empresas chinesas que atuam no país.

Cresce fluxo de investimentos e emissão de vistos

A decisão ocorre em meio ao aumento da presença econômica chinesa no Brasil. Em 2025, os investimentos da China no país chegaram a US$ 6,1 bilhões, alta de 45%, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China.

O crescimento também se reflete na emissão de vistos. Em 2023, o consulado brasileiro em Pequim registrou 16 mil emissões. No ano seguinte, o número subiu para 30 mil. Apenas nos quatro primeiros meses de 2026, já foram concedidos 15 mil vistos.

Turismo e agenda diplomática também influenciaram decisão

O Ministério do Turismo também pressionou pela implementação da medida. O ministro Gustavo Feliciano pretende usar a nova regra para ampliar a presença de turistas chineses no Brasil, especialmente durante participação na Feira de Turismo de Xangai.

Além disso, a liberação foi facilitada após sinal verde da China para a visita do chanceler brasileiro Mauro Vieira, prevista para junho.

Relação Brasil-China entra em nova fase diplomática

A visita de Vieira deve marcar o quinto Diálogo Estratégico entre os dois países e reforçar iniciativas como o Ano Cultural Brasil-China, que ocorre em 2026.

A isenção de visto também representa reciprocidade em relação à decisão chinesa, que há cerca de um ano liberou a entrada de brasileiros sem visto para viagens de até 30 dias.

Medida é temporária, mas pode ser prorrogada

Apesar de ter validade inicial até o fim de 2026, a expectativa diplomática é de que a isenção seja prorrogada por ambos os lados.

Atualmente, a China mantém política de entrada sem visto para cidadãos de cerca de 50 países, mas o Brasil foi o único a adotar reciprocidade plena na medida.

Regras de permanência têm diferenças entre os países

Há, no entanto, diferenças na aplicação. No caso dos chineses no Brasil, a entrada sem visto é limitada a uma estadia única de 30 dias. Já brasileiros beneficiados pela política chinesa podem entrar e sair do país diversas vezes dentro das regras de permanência estabelecidas.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcelo Nínio

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Internacional

Estreito de Ormuz: navio com destino ao Brasil consegue atravessar rota controlada pelo Irã

Um navio graneleiro de bandeira panamenha com destino ao Brasil conseguiu atravessar o Estreito de Ormuz utilizando uma rota definida pelas Forças Armadas do Irã. A informação foi divulgada neste domingo (10) pela agência semioficial iraniana Tasnim News Agency.

Segundo a publicação, a embarcação identificada como Mdl Toofan saiu do porto de Ras al-Khair, na Arábia Saudita, e segue viagem com destino ao porto de Rio Grande.

Navio já havia sido impedido de cruzar o estreito

De acordo com a agência iraniana, o cargueiro tentou atravessar o Estreito de Ormuz no último dia 4 de maio, mas acabou barrado pelas forças iranianas.

A passagem autorizada neste domingo marca a segunda travessia realizada desde sábado (9) por meio da rota marítima controlada pelo Irã.

Entenda a crise no Estreito de Ormuz

Desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado em 28 de fevereiro, Teerã passou a restringir o tráfego de embarcações na região.

O governo iraniano informou que a navegação pelo estreito só poderia ocorrer sob supervisão das autoridades iranianas e mediante pagamento de taxas.

O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, responsável pelo transporte de quase 20% do petróleo e gás consumidos globalmente.

Tensão aumentou após ameaça de bloqueio dos EUA

Após o fracasso das negociações para encerrar a guerra, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que forças norte-americanas bloqueariam a entrada e saída de navios em portos iranianos, incluindo operações no Estreito de Ormuz.

Em resposta, o Irã ameaçou retaliar navios militares que cruzassem a região e ampliar ações contra portos de países vizinhos localizados no Golfo Pérsico.

Cessar-fogo no Oriente Médio é mantido

Apesar das ameaças e da tensão na região, o cessar-fogo no Oriente Médio foi prorrogado nos últimos dias.

Com isso, os bombardeios conduzidos por forças dos EUA e de Israel contra alvos em Teerã permanecem temporariamente suspensos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Internacional

China intensifica bloqueio de VPNs e amplia restrições à internet estrangeira

O acesso a sites e aplicativos estrangeiros ficou ainda mais difícil na China após uma nova ofensiva do governo contra serviços de VPN (Virtual Private Network). Durante o mês de abril, usuários relataram falhas constantes, instabilidade e até interrupção total de plataformas usadas para contornar as restrições da internet chinesa.

Um dos casos mais comentados foi o encerramento das atividades do serviço Let’s VPN no país, anunciado em 28 de abril.

Inteligência artificial teria identificado servidores de VPN

Segundo veículos especializados em tecnologia e jornais chineses voltados ao ambiente digital do país, o chamado “apagão” dos VPNs estaria ligado ao uso de inteligência artificial para localizar servidores utilizados por esses serviços dentro do território chinês.

Após a identificação, os equipamentos teriam sido desligados pelas autoridades.

O China Digital Times publicou documentos que apontam para uma operação coordenada do governo chinês contra servidores ligados ao acesso internacional.

Um dos textos divulgados menciona orientações da Shaanxi Telecom, subsidiária da China Telecom na província de Shaanxi, determinando inspeções para bloquear conexões com sites fora da China continental.

Governo ordena bloqueio total de tráfego internacional

Trechos do documento revelam uma orientação rígida para impedir qualquer tráfego direcionado ao exterior, incluindo conexões com Hong Kong, Macau e Taiwan.

As diretrizes também proíbem a hospedagem de serviços relacionados à evasão do firewall chinês, como VPNs e proxies.

Além disso, usuários foram orientados a realizar inspeções em sistemas que apresentem tráfego considerado suspeito, incluindo atividades de tunelamento e retransmissão de dados.

Uso de VPN é proibido para a maioria da população

Na China, o uso de VPNs é ilegal para grande parte da população. Apenas órgãos públicos, instituições de pesquisa e setores estratégicos podem operar redes autorizadas pelo governo.

Empresas estatais e integrantes do governo possuem permissão para utilizar plataformas estrangeiras. A agência Xinhua, por exemplo, mantém presença em redes sociais ocidentais como X e Instagram.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Mao Ning, também utiliza redes sociais bloqueadas para cidadãos comuns.

No país, plataformas como X, Instagram, Facebook, Google e diversos sites internacionais permanecem inacessíveis sem ferramentas de contorno digital.

“Grande Desconectar” mobilizou usuários chineses

Mesmo proibidos, os serviços de VPN são amplamente utilizados por jovens, estrangeiros e profissionais ligados ao setor privado.

Nas redes sociais, o episódio ganhou o apelido de “The Great Unplug” (“O Grande Desconectar”), em referência à queda simultânea de diversos aplicativos.

Segundo especialistas, os serviços que continuaram funcionando foram aqueles sem servidores físicos dentro da China, operando por conexão direta entre dispositivos locais e servidores hospedados no exterior.

Bancos chineses passaram a alertar clientes sobre VPNs

Outra mudança recente envolve aplicativos bancários chineses, que passaram a exibir notificações alertando usuários sobre possíveis riscos de segurança relacionados ao uso de VPNs.

As mensagens afirmam que conexões externas podem aumentar o risco de vazamento de dados financeiros.

O que é o Grande Firewall da China

Conhecido internacionalmente como Great Firewall of China (GFW), o sistema reúne leis, tecnologias e mecanismos de monitoramento criados para controlar o acesso à internet no país.

O projeto foi iniciado em 1998 pelo Ministério da Segurança Pública chinês e se tornou uma das maiores estruturas de censura digital do mundo.

Além de bloquear endereços IP específicos, o sistema manipula solicitações de DNS para impedir que usuários encontrem sites considerados proibidos pelas autoridades chinesas.

Controle digital vai além das plataformas

O modelo chinês atua diretamente na infraestrutura da internet, permitindo bloqueios em larga escala. Isso faz com que não apenas conteúdos considerados ilegais sejam restringidos, mas também plataformas inteiras hospedadas fora da China.

Serviços populares internacionais, incluindo aplicativos de música e podcasts como o Spotify, permanecem indisponíveis no país.

Com o avanço tecnológico e o uso crescente de ferramentas automatizadas, especialistas apontam que o sistema chinês tem se tornado cada vez mais eficiente na identificação e bloqueio de métodos usados para driblar as restrições digitais.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Internacional

Guerra no Irã interrompe importação de diesel árabe e amplia dependência da Rússia no Brasil

O avanço da guerra envolvendo o Irã provocou uma mudança significativa no mercado brasileiro de importação de diesel. Em abril, o Brasil deixou de comprar combustível de três importantes fornecedores do Oriente Médio — Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Omã — e aumentou fortemente sua dependência da Rússia.

Países árabes zeram vendas de diesel ao Brasil

Dados do MDIC mostram que, entre janeiro e março, os três países do Golfo Pérsico responderam por cerca de 29,1% de todo o diesel importado pelo Brasil.

No período, foram adquiridos aproximadamente 1,1 milhão de metros cúbicos do combustível oriundos desses fornecedores.

Com a escalada do conflito no Oriente Médio, porém, o cenário mudou completamente em abril. O volume importado de diesel vindo de Arábia Saudita, Emirados Árabes e Omã caiu para zero.

Rússia domina mercado brasileiro de diesel

Mesmo com a interrupção das compras do Oriente Médio, o volume total importado pelo Brasil permaneceu praticamente estável.

Em abril, o país adquiriu cerca de 1,2 milhão de metros cúbicos de diesel, número próximo da média registrada no primeiro trimestre do ano. A diferença foi a origem do combustível.

A Rússia passou a responder por 91% de toda a importação brasileira de diesel no mês, consolidando-se como principal fornecedora do combustível ao mercado nacional.

O restante das compras, equivalente a aproximadamente 108 mil metros cúbicos, teve origem nos Estados Unidos.

Guerra eleva preço do diesel importado

Além de alterar a cadeia de fornecimento, a guerra também impactou diretamente os preços do combustível.

Segundo os dados do MDIC, o valor médio do metro cúbico do diesel importado chegou a US$ 852,74 em abril.

O preço representa uma alta de 54% em relação a fevereiro, período anterior ao agravamento do conflito. Na comparação com março, o aumento foi de 23%.

O avanço dos custos reforça a preocupação do setor com os efeitos da instabilidade geopolítica sobre o abastecimento e os preços dos combustíveis no mercado brasileiro.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN Brasil

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Internacional

Irã responde proposta de paz dos EUA e cobra fim da guerra no Oriente Médio

O governo do Irã informou neste domingo (10) que encaminhou aos Estados Unidos uma resposta oficial sobre a proposta de negociações de paz voltadas ao encerramento do conflito na região. A informação foi divulgada pela agência Reuters, com base em relatos da mídia estatal iraniana.

Resposta iraniana prioriza cessar-fogo e segurança marítima

Segundo autoridades iranianas, a comunicação enviada aos norte-americanos teve como foco principal o encerramento das hostilidades em diferentes frentes do conflito, especialmente no Líbano. O documento também abordou a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional de petróleo.

Apesar disso, o governo iraniano não detalhou de que forma ou em qual prazo o tráfego marítimo na região poderia ser totalmente retomado.

EUA querem acordo antes de discutir programa nuclear

A proposta apresentada pelos EUA prevê a interrupção dos confrontos armados antes da abertura de negociações mais amplas sobre temas considerados sensíveis, incluindo o programa nuclear iraniano.

O Paquistão, que atua como mediador nas conversas diplomáticas, foi responsável por entregar a resposta do Irã ao governo norte-americano.

Donald Trump critica resposta do Irã

Em publicação na rede social Truth Social, o presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a resposta iraniana como “totalmente inaceitável”.

Na mensagem, Trump afirmou que leu o posicionamento enviado pelos representantes iranianos e demonstrou insatisfação com o conteúdo apresentado.

Tensão continua no Golfo Pérsico

Mesmo após um cessar-fogo de aproximadamente um mês e de cerca de 48 horas de relativa tranquilidade na região, drones considerados hostis foram identificados sobre países do Golfo Pérsico neste domingo. O episódio reforça o clima de instabilidade e os riscos de novos confrontos no Oriente Médio.

Navios voltam a cruzar o Estreito de Ormuz

Apesar das restrições e bloqueios recentes, duas embarcações receberam autorização para atravessar o Estreito de Ormuz. Entre elas estava um navio graneleiro de bandeira panamenha com destino ao Brasil, que já havia tentado realizar a travessia no último dia 4 de maio.

De acordo com a agência iraniana Tasnim News Agency, a embarcação utilizou uma rota determinada pelas Forças Armadas do Irã.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Stringer

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Internacional

Estreito de Ormuz volta ao centro da tensão após bloqueio de petroleiros pelo EUA

Os Estados Unidos afirmaram estar impedindo a entrada e saída de mais de 70 petroleiros em portos do Irã, ampliando a tensão no Estreito de Ormuz e aumentando a pressão sobre o mercado internacional de petróleo.

A informação foi divulgada pelo Centro de Comando dos EUA para o Oriente Médio, que declarou nas redes sociais que os navios bloqueados têm capacidade para transportar mais de 166 milhões de barris de petróleo iraniano, avaliados em cerca de 13 bilhões de dólares.

Irã acusa EUA de violar cessar-fogo

O anúncio ocorreu no mesmo dia em que o Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou Washington de descumprir o acordo de cessar-fogo firmado recentemente entre os dois países.

Segundo o governo iraniano, forças americanas atacaram dois petroleiros próximos ao porto de Jask e ao Estreito de Ormuz, além de realizarem bombardeios em regiões costeiras estratégicas ligadas à hidrovia.

De acordo com o comunicado oficial, os ataques aconteceram entre a noite de quinta-feira e a madrugada de sexta-feira e receberam uma “forte resposta” das forças armadas iranianas, impedindo que os objetivos americanos fossem alcançados.

O governo iraniano classificou as ações como uma “clara violação” do cessar-fogo e acusou os EUA de manterem uma postura “agressiva e provocativa” no Oriente Médio.

Conselho de Segurança da ONU é alertado

O relatório iraniano também foi encaminhado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas e ao secretário-geral da ONU, com alertas sobre os riscos da falta de reação internacional diante da atuação americana na região.

Teerã ainda afirmou que a presença militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico e no Golfo de Omã tem aumentado a instabilidade regional, em vez de promover segurança.

Donald Trump ameaça novas ofensivas contra o Irã

O presidente dos EUA, Donald Trump, comentou os recentes confrontos envolvendo forças americanas e iranianas no Estreito de Ormuz e afirmou que o cessar-fogo ainda não estaria consolidado.

Ao ser questionado sobre os ataques, Trump classificou os bombardeios como um “tapa de amor”, mas voltou a ameaçar o Irã com ações militares mais intensas caso o país não aceite um acordo para encerrar o conflito.

“Vocês só vão ter que olhar para um grande clarão vindo do Irã”, declarou o republicano ao comentar possíveis novos ataques.

Trump também afirmou que Teerã “vai sofrer muito” se não houver um entendimento diplomático rápido.

Bombardeios ampliam crise no Oriente Médio

Há cerca de um mês, Trump já havia feito declarações duras contra o Irã antes de anunciar uma trégua temporária de duas semanas.

Nesta quinta-feira, forças americanas voltaram a bombardear instalações militares iranianas após ataques contra navios de guerra dos EUA que navegavam pela rota considerada estratégica para o comércio global de petróleo.

As declarações do presidente americano ocorreram depois de representantes das forças armadas iranianas acusarem Washington de atacar um petroleiro iraniano que seguia em direção ao Estreito de Ormuz.

FONTE: CBN
TEXTO: Redação
IMAGEM: GIUSEPPE CACACE/AFP

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Justiça dos EUA considera ilegal tarifa global de 10% imposta por Trump

Uma corte federal de comércio dos Estados Unidos decidiu que a tarifa global de 10% criada pelo presidente Donald Trump sobre a maior parte das importações norte-americanas foi aplicada de forma ilegal. A decisão representa mais um revés jurídico para a estratégia comercial da Casa Branca, que tenta ampliar a política de tarifas comerciais sem autorização direta do Congresso.

A sentença foi emitida nesta quinta-feira por um painel do Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, que concluiu que Trump utilizou indevidamente uma legislação comercial antiga para justificar a cobrança das taxas iniciadas em fevereiro.

Tribunal limita poder tarifário de Trump

A decisão estabelece novos limites temporários para os poderes comerciais do presidente norte-americano. Nos últimos meses, Trump vinha utilizando as tarifas como ferramenta para renegociar relações econômicas internacionais, aumentar arrecadação e incentivar empresas a produzirem dentro dos Estados Unidos.

Embora a corte tenha considerado as tarifas ilegais, a suspensão da cobrança vale, neste momento, apenas para pequenas empresas e estados que participaram diretamente do processo judicial. Ainda não está claro como o governo interpretará a decisão, mas a expectativa é de recurso imediato.

Encontro com China pode ser impactado

O julgamento ocorre poucos dias antes da viagem de Trump à China, onde o presidente norte-americano deverá se reunir com Xi Jinping para discutir questões comerciais.

Analistas avaliam que a decisão judicial pode enfraquecer a posição de negociação dos Estados Unidos, já que as tarifas de importação seriam um dos principais temas do encontro diplomático.

Além disso, cresce a possibilidade de o governo precisar devolver bilhões de dólares arrecadados com as cobranças consideradas ilegais. Atualmente, já existe um processo de reembolso relacionado a cerca de US$ 166 bilhões arrecadados em tarifas anteriores implementadas por Trump.

Lei usada por Trump virou alvo de disputa judicial

Após a Suprema Corte invalidar um pacote anterior de tarifas em fevereiro, o governo norte-americano recorreu à chamada Seção 122 da Lei de Comércio de 1974. O dispositivo permite a aplicação temporária de tarifas de até 15% por um período máximo de 150 dias em situações relacionadas a desequilíbrios econômicos internacionais.

O problema, segundo os autores da ação, é que a legislação foi criada em um contexto histórico específico, quando o dólar ainda era vinculado ao ouro. Estados e pequenos empresários argumentaram que a situação econômica atual não atende aos critérios previstos na lei.

Juízes apontam excesso de poder presidencial

Na decisão de 53 páginas, dois dos três magistrados entenderam que Trump ultrapassou os limites legais ao utilizar a Seção 122.

Os juízes destacaram que o histórico legislativo demonstra esforços do Congresso para restringir o poder presidencial em temas comerciais.

Jeffrey Schwab, diretor jurídico do Liberty Justice Center, grupo responsável por representar pequenas empresas no processo, afirmou que a lei foi criada para responder a uma crise econômica específica que não se aplica ao cenário atual.

Governo já prepara novas tarifas

Apesar da derrota judicial, a administração Trump já trabalha em novas alternativas para manter sua política tarifária.

O governo abriu duas investigações comerciais com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. Uma delas trata de produtos fabricados com trabalho forçado; a outra envolve a capacidade industrial de outros países.

Especialistas afirmam que essas novas medidas podem resultar em outro pacote de tarifas comerciais a partir de julho.

Segundo o advogado Timothy Brightbill, especialista em comércio internacional, a decisão representa uma rejeição contundente ao uso da Seção 122 pelo governo. Ainda assim, ele acredita que a Casa Branca recorrerá da sentença e continuará buscando novas formas legais para ampliar as tarifas.

FONTE: The New York Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Tom Brenner for The New York Times

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Internacional

Trump e Lula se reúnem na Casa Branca após meses de tensão diplomática

Os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva participaram nesta quinta-feira de um encontro na Casa Branca marcado por tentativas de aproximação após um período de forte desgaste nas relações entre Brasil e Estados Unidos. O encontro ocorreu em meio a uma trégua considerada delicada, depois de meses de disputas envolvendo tarifas comerciais, críticas públicas e divergências políticas.

Apesar da expectativa de uma aparição conjunta para a imprensa, a agenda prevista foi cancelada sem explicações oficiais. Após cerca de três horas de reunião, Trump afirmou em suas redes sociais que o encontro “foi muito bom” e classificou Lula como “muito dinâmico”, sem detalhar os principais temas discutidos.

Relação entre Brasil e Estados Unidos passa por reaproximação

Após o encontro, Lula avaliou a reunião de forma positiva durante declaração na Embaixada do Brasil em Washington. Segundo o presidente brasileiro, houve um avanço importante na consolidação das relações históricas e democráticas entre os dois países.

O chefe do Executivo brasileiro destacou ainda que as duas maiores democracias do hemisfério ocidental podem servir de exemplo internacional. Entre os assuntos debatidos, Lula citou comércio internacional, combate ao crime organizado e exploração de minerais críticos.

Tarifas e caso Bolsonaro aumentaram tensão diplomática

Nos últimos meses, a relação entre Washington e Brasília foi marcada por episódios de instabilidade. Trump chegou a impor tarifas sobre produtos brasileiros em uma tentativa de pressionar o Brasil a interromper ações judiciais contra Jair Bolsonaro, aliado político do republicano.

Bolsonaro acabou condenado por participação em uma tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral para Lula. Além das tarifas, Trump também aplicou sanções contra um ministro do Supremo Tribunal Federal responsável pelo caso.

O governo brasileiro reagiu classificando as medidas como interferência na soberania nacional. Posteriormente, parte das tarifas sobre exportações brasileiras foi suspensa pelo governo norte-americano, reduzindo a tensão entre os países.

Segurança pública e facções criminosas entraram na pauta

Outro tema relevante da reunião envolveu a possibilidade de os Estados Unidos classificarem as duas maiores facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A proposta ganhou força após articulação de filhos de Bolsonaro, entre eles Flávio Bolsonaro, que disputa a presidência.

A segurança pública deve ser um dos principais assuntos das eleições brasileiras de outubro, cenário em que Lula e Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas.

Especialistas avaliam que uma eventual classificação poderia ampliar o debate sobre criminalidade no Brasil e beneficiar politicamente Bolsonaro, crítico da atual política de segurança do governo federal.

Segundo Lula, o Brasil propôs aos Estados Unidos a criação de um grupo de trabalho envolvendo países sul-americanos para enfrentar o crime organizado de forma conjunta.

Minerais críticos ampliam disputa geopolítica

A reunião também abordou o interesse norte-americano em firmar acordos relacionados à produção de minerais críticos, recursos considerados estratégicos para tecnologia, indústria e defesa militar.

Os Estados Unidos buscam reduzir a dependência da China, hoje líder global no setor. O Brasil possui uma das maiores reservas desses minerais e vem sendo pressionado a ampliar parcerias comerciais com Washington.

No entanto, o governo Lula demonstra resistência a acordos exclusivos, defendendo autonomia para negociar com diferentes mercados internacionais.

Analistas apontam que a disputa por minerais críticos ganhou ainda mais importância diante das tensões comerciais entre Estados Unidos e China.

Lula reforça soberania brasileira durante encontro

Durante conversa com jornalistas, Lula afirmou que o Brasil está disposto a negociar temas comerciais e diplomáticos, mas não aceitará interferências externas em assuntos internos ou ameaças à democracia brasileira.

O presidente também comentou, em tom descontraído, que brincou com Trump sobre a possibilidade de jogadores brasileiros terem problemas com vistos para disputar a próxima Copa do Mundo nos Estados Unidos.

Segundo Lula, Trump apenas riu da observação.

FONTE: The New York Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Haiyun Jiang/The New York Times

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Lula e Trump discutem acordo sobre minerais críticos em reunião nos EUA

A reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump, marcada para esta quinta-feira (7), pode representar um avanço nas tratativas envolvendo um acordo de minerais críticos entre Brasil e Estados Unidos.

As negociações começaram em fevereiro, após o governo norte-americano apresentar uma proposta de cooperação voltada ao fortalecimento das cadeias produtivas de insumos minerais considerados estratégicos para setores como defesa, tecnologia e transição energética.

Embora não exista expectativa concreta de assinatura imediata do memorando, integrantes dos dois governos avaliam que um eventual anúncio só ocorreria em um encontro direto entre os chefes de Estado.

Câmara aprova política nacional para minerais estratégicos

A discussão acontece logo após a Câmara dos Deputados aprovar a política nacional de minerais críticos e estratégicos, na quarta-feira (6). O projeto cria mecanismos para incentivar o beneficiamento mineral, a industrialização e o aumento da agregação de valor no país.

O texto também prevê a criação do CIMCE, conselho responsável por coordenar projetos considerados prioritários para o setor mineral brasileiro. O órgão terá funções como definir prioridades, analisar projetos e supervisionar operações envolvendo ativos estratégicos.

Durante a tramitação, foi retirada a exigência de autorização prévia do Executivo em operações societárias ligadas ao setor, após pressão de representantes da iniciativa privada e integrantes do próprio governo.

Apesar da aprovação na Câmara, a proposta ainda depende de análise do Senado Federal.

Proposta dos EUA prevê investimentos e transferência de tecnologia

Trechos da proposta enviada pelos Estados Unidos ao Brasil indicam que o acordo prevê apoio financeiro para projetos de refino e processamento mineral em território brasileiro, além de transferência de tecnologia e ações para ampliar a segurança das cadeias de suprimento.

O modelo apresentado pelos americanos segue parâmetros semelhantes aos acordos já firmados com Austrália e Tailândia, considerados referências internacionais no segmento de mineração estratégica.

Entre os pontos centrais do documento está a intenção de reduzir a dependência global da China no fornecimento de minerais essenciais para a indústria tecnológica e energética.

Financiamento e prioridade de investimentos geram debate

O segundo eixo da proposta trata de financiamento para projetos de mineração e processamento. O texto prevê participação de governos e iniciativa privada por meio de empréstimos, seguros, garantias e participação acionária.

Diferentemente do acordo firmado entre Estados Unidos e Austrália, no entanto, a proposta enviada ao Brasil não estabelece um valor mínimo de investimento. No caso australiano, os países anunciaram ao menos US$ 1 bilhão em financiamento para projetos estratégicos.

Outro trecho considerado sensível dentro do governo brasileiro envolve a possibilidade de prioridade para investidores americanos em determinados projetos minerais.

Segundo o documento, os países “esperam ter a primeira oportunidade de investir” em ativos ligados aos minerais críticos, desde que respeitadas as legislações nacionais.

Parte do governo interpreta o trecho como uma possível vantagem preferencial aos Estados Unidos. Os representantes americanos, por outro lado, negam qualquer cláusula de exclusividade.

Governo brasileiro avalia impactos geopolíticos

O memorando segue em análise no Palácio do Planalto e enfrenta divergências internas. Um dos pontos de preocupação envolve o impacto geopolítico do acordo, especialmente pela relação comercial entre Brasil e China.

Setores do governo avaliam que um alinhamento mais próximo aos Estados Unidos em uma estratégia voltada à redução da influência chinesa no mercado mineral poderia gerar desgastes diplomáticos.

Além das questões econômicas, interlocutores do governo apontam fatores políticos como entraves para a assinatura do acordo. A avaliação é de que uma aproximação com Trump em período pré-eleitoral pode ser considerada sensível no cenário político brasileiro.

Acordo também prevê flexibilização regulatória

Outro ponto relevante da proposta trata da aceleração de processos regulatórios e licenciamento ambiental para projetos classificados como prioritários.

O texto também menciona cooperação em áreas como mapeamento geológico, reciclagem mineral e fortalecimento das cadeias globais de suprimento.

Além disso, o acordo prevê mecanismos para evitar práticas consideradas desleais no mercado internacional, incluindo sistemas de preços mínimos para proteger investimentos de longo prazo no setor de minerais estratégicos.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/Divulgação

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