Internacional

Nova mina nos EUA pode reduzir demanda por pelotas de minério de ferro do Brasil

Um novo projeto de mineração e siderurgia nos Estados Unidos pode diminuir a dependência americana das pelotas de minério de ferro brasileiras. Anunciado pelo presidente Donald Trump na segunda-feira (28), na Casa Branca, o empreendimento prevê a construção de uma siderúrgica de US$ 15 bilhões em Iowa, que será abastecida por minério produzido em uma nova mina em Minnesota.

A empresa Mesabi Metallics já destinou US$ 2,5 bilhões ao projeto da mina. Somados, os investimentos chegam a US$ 17,5 bilhões.

Projeto pretende substituir matéria-prima importada

Ao explicar a integração entre a mina e a futura siderúrgica, o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, destacou a dependência do país em relação às importações brasileiras.

Segundo Lutnick, os Estados Unidos recorrem principalmente ao Brasil para adquirir as pelotas de minério de ferro, utilizadas como matéria-prima na produção de aço.

A proposta da Mesabi Metallics é utilizar na siderúrgica de Iowa as pelotas produzidas a partir do minério extraído e processado em Minnesota. Dessa forma, a cadeia produtiva passaria a contar com uma fonte doméstica de matéria-prima.

Tarifas sobre aço são citadas como incentivo

Lutnick relacionou os investimentos às tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre o aço importado, previstas na Seção 232 da legislação comercial americana.

Na avaliação do secretário, as medidas tarifárias foram determinantes para viabilizar tanto a mina quanto a nova siderúrgica.

As tarifas sobre o aço importado, entretanto, não incidem automaticamente sobre as pelotas de minério de ferro, já que o produto é utilizado como insumo na fabricação do aço.

O governo americano defende que a produção doméstica avance para reduzir a necessidade de matérias-primas provenientes de outros países. Segundo Lutnick, a intenção é ampliar a fabricação nos Estados Unidos, inclusive buscando custos competitivos em relação ao aço produzido internamente e ao aço importado da China.

EUA são mercado relevante para pelotas brasileiras

A possível expansão da produção americana ocorre em um mercado que já representa uma parcela importante das exportações brasileiras de pelotas.

Entre janeiro e agosto de 2026, os Estados Unidos foram o terceiro principal destino das pelotas de minério de ferro do Brasil, atrás de Egito e Coreia do Sul.

Nesse período, as vendas brasileiras para o mercado americano alcançaram US$ 252,3 milhões, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Brasil liderou vendas aos EUA em 2025

O mercado americano teve participação ainda maior nas exportações brasileiras em 2025. Naquele ano, os Estados Unidos chegaram a ocupar a primeira posição entre os destinos das pelotas brasileiras.

Somente no segundo trimestre de 2025, os americanos compraram US$ 119,16 milhões do produto, o equivalente a 17,8% das exportações brasileiras de pelotas no período, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM).

No acumulado de 2025, as exportações brasileiras de pelotas de minério de ferro para os Estados Unidos totalizaram US$ 298,6 milhões.

A entrada em operação de uma cadeia integrada de mineração e siderurgia nos Estados Unidos, portanto, poderá alterar o espaço ocupado pelo Brasil nesse mercado, caso a produção de Minnesota passe a atender parte relevante da demanda americana por matéria-prima.

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Kevin Lamarque/Reuters

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Investimento

WEG investe R$ 840 milhões em geradores para atender demanda de data centers nos EUA

A WEG anunciou na segunda-feira (28) um investimento de US$ 165 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 840 milhões, para ampliar a capacidade de produção de geradores de energia na América do Norte. A expansão busca acompanhar o avanço da demanda por equipamentos destinados a aplicações críticas, especialmente nos data centers dos Estados Unidos.

Com o novo plano, a empresa estima elevar em cinco vezes sua capacidade global de fabricação de geradores, passando de aproximadamente 10 para 50 unidades por dia. O cálculo considera as fábricas da companhia no México, Estados Unidos, Brasil e China.

WEG amplia produção de geradores no México

A primeira fase do projeto terá investimento de US$ 24 milhões. Os recursos serão destinados à compra e adaptação de um imóvel industrial vizinho ao atual complexo da WEG em Atotonilco de Tula, no México.

A nova instalação será voltada à montagem de geradores e deve iniciar as operações no segundo trimestre de 2027.

A WEG já possui outras unidades industriais no país. Em Atotonilco de Tula, a companhia também mantém operações ligadas a fundição e revestimentos. Já a fábrica de Huehuetoca produz motores de baixa e média tensão, geradores, painéis, transformadores e subestações.

Em Monterrey, a empresa opera a estrutura incorporada após a aquisição da Marathon, que fabrica motores e geradores e mantém atividades de pesquisa e desenvolvimento.

Na segunda etapa do plano, serão aplicados os US$ 141 milhões restantes na construção de duas novas instalações industriais em uma localização ainda não divulgada na América do Norte.

A estrutura deverá contar com produção verticalizada, reunindo etapas como fabricação de lâminas, bobinas de baixa e média tensão, eixos e carcaças. A previsão da WEG é concluir essa fase até 2030.

Demanda por data centers impulsiona infraestrutura elétrica

A expansão acontece em meio ao crescimento da necessidade de infraestrutura de energia nos Estados Unidos, impulsionada, entre outros fatores, pela construção e ampliação de data centers.

A exposição da WEG ao setor vai além dos geradores. De acordo com relatório do BTG Pactual, cerca de 20% da receita de transmissão e distribuição (T&D) da empresa nos Estados Unidos já está associada a clientes de data centers, segundo informações fornecidas pela própria companhia.

Os sistemas de geração de energia de emergência são fundamentais para esses empreendimentos, que precisam manter suas operações mesmo diante de interrupções no fornecimento da rede elétrica.

A WEG atende esse mercado por meio de suas próprias operações e da Marathon Electric. Segundo o BTG, as duas marcas, juntas, representam cerca de 10% do mercado mundial de alternadores e grupos geradores.

A empresa também fornece outros equipamentos empregados na infraestrutura dos data centers, incluindo sistemas de armazenamento de energia por baterias (BESS), motores industriais e inversores de frequência utilizados em sistemas de refrigeração.

Expansão inclui produção de transformadores

O movimento ocorre paralelamente ao aumento da capacidade de fabricação de transformadores, equipamentos essenciais para a infraestrutura elétrica dos data centers.

A WEG mantém projetos de expansão nos Estados Unidos, México, Colômbia e Brasil. No mercado americano, a companhia destinou US$ 77 milhões para uma nova unidade de transformadores especiais, com conclusão estimada entre 2027 e 2028.

No México, outra fábrica deve entrar em operação no fim de 2026 ou no começo de 2027. Considerados em conjunto, os projetos devem aproximadamente dobrar a capacidade de produção de transformadores da WEG em relação ao nível registrado no fim de 2023.

Segundo o BTG Pactual, o impacto dessa capacidade adicional sobre os resultados deve ocorrer de maneira gradual, conforme as novas instalações entrarem em funcionamento. A utilização integral da estrutura ampliada é esperada somente no fim de 2027.

WEG adapta produção às tarifas dos EUA

A estratégia de expansão também está relacionada às mudanças nas tarifas de importação dos Estados Unidos.

Segundo o BTG, aproximadamente 41% do fornecimento associado às vendas da WEG no mercado americano tem origem no México. Outros 33% são provenientes da produção doméstica nos Estados Unidos, enquanto o Brasil responde por uma fatia entre 20% e 21%.

A companhia vem ajustando sua cadeia produtiva para o mercado americano, utilizando mudanças na origem da fabricação e reajustes de preços para compensar parte dos impactos provocados pelas tarifas.

O tema deve ser abordado no WEG Day, evento anual da companhia programado para sexta-feira (2), em Jaraguá do Sul (SC). Entre os assuntos esperados estão a expansão da produção de transformadores, a participação no mercado de data centers, os efeitos das tarifas americanas e os próximos passos da estratégia de crescimento.

O que acompanhar nos investimentos da WEG

Apesar do avanço da demanda por equipamentos elétricos, a expansão da capacidade produtiva também cria pontos de atenção para a companhia.

Um deles é o possível aumento da oferta nos próximos anos. A WEG e outros fabricantes estão investindo em novas fábricas para acompanhar o crescimento da demanda por eletricidade, transformadores e equipamentos destinados aos data centers.

Na avaliação do BTG Pactual, a entrada simultânea de novas unidades em 2027 e 2028 pode ampliar a oferta e provocar pressão sobre os preços em determinados segmentos. O risco tende a ser maior em produtos nos quais novos concorrentes conseguem aumentar a capacidade produtiva com maior facilidade.

As tarifas americanas também permanecem entre os fatores a serem monitorados. Embora a WEG esteja compensando parte dos custos com reajustes e alterações na origem da produção, eventuais mudanças na política tarifária ou na capacidade de repassar custos aos clientes podem afetar as margens da empresa.

Outro fator é o intervalo entre os investimentos e a geração de receita. Uma parcela significativa da nova capacidade de produção de geradores e transformadores só estará disponível nos próximos anos, enquanto os desembolsos começam antes da entrada completa das novas estruturas em operação.

Por fim, o ritmo de expansão dos data centers será importante para determinar a velocidade de absorção da capacidade adicional da WEG. A companhia possui diferentes linhas de produtos ligadas ao setor, mas o crescimento desses projetos nos Estados Unidos deverá influenciar diretamente a demanda por parte dessa nova estrutura produtiva.

A WEG encerrou 2025 com receita líquida de R$ 40,8 bilhões. A empresa possui unidades industriais em 18 países, presença comercial em mais de 135 mercados e mais de 49 mil funcionários. No ano passado, aproximadamente 59% da receita veio de vendas realizadas fora do Brasil.

FONTE: InvestNews
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Tecnologia

IA: disputa entre Estados Unidos e China ganha força por modelos abertos

A disputa entre Estados Unidos e China pela liderança em inteligência artificial (IA) ganhou uma nova dimensão. Enquanto Washington busca preservar sua vantagem tecnológica e ampliar alianças para reduzir a dependência de fornecedores chineses, Pequim aposta em modelos mais acessíveis e de código aberto para ampliar sua presença internacional.

Os avanços registrados pela IA chinesa no último ano aumentaram a percepção de que a distância tecnológica em relação aos Estados Unidos pode estar diminuindo. O presidente Donald Trump afirmou recentemente que os EUA estão à frente da China no setor e defendeu a manutenção dessa vantagem.

A competição, que envolve tecnologia, economia e segurança nacional, passou a ser tratada pelos dois países como uma questão estratégica de longo prazo.

EUA apostam em alianças para conter avanço chinês

Os Estados Unidos ainda contam com vantagens importantes, como empresas líderes em desenvolvimento de IA, acesso aos chips mais avançados e um mercado de capitais capaz de financiar grandes projetos tecnológicos.

Washington também vem buscando ampliar sua influência sobre as cadeias globais de suprimentos de IA, incentivando outros países a se aproximarem de seu ecossistema tecnológico.

A China, entretanto, apresenta uma estratégia diferente. Embora seus modelos mais avançados ainda sejam considerados inferiores a alguns sistemas americanos, empresas chinesas têm reduzido essa diferença e apostado em alternativas de menor custo e maior acessibilidade.

China amplia coalizão em torno da IA aberta

Em julho, o presidente chinês Xi Jinping lançou a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, iniciativa apresentada como alternativa à Pax Silica, aliança criada por Trump para reduzir a dependência da China nas cadeias de fornecimento relacionadas à IA.

Enquanto mais de 20 países e a União Europeia aderiram à Pax Silica, a iniciativa chinesa reuniu 29 países, entre eles Rússia, Indonésia e Paquistão.

Um dos principais diferenciais da estratégia chinesa é a defesa de modelos de IA abertos, que podem ser baixados, adaptados e executados pelos usuários sem a necessidade de contratar serviços caros de empresas estrangeiras.

Para desenvolvedores de países do Sul Global, essa característica pode ser especialmente relevante. Modelos como os da DeepSeek e da Moonshot podem oferecer custos menores e maior flexibilidade em comparação com sistemas proprietários que exigem assinaturas e infraestrutura de provedores estrangeiros.

Modelos chineses ganham espaço no mercado global

Dados do ranking de modelos da OpenRouter indicam uma forte expansão do uso de modelos chineses de inteligência artificial. Segundo os dados citados na análise, a participação dessas ferramentas no uso global passou de menos de 15% para mais de 54% em aproximadamente um ano.

A adoção também alcançou empresas americanas. Companhias como Airbnb, DoorDash e Shopify passaram a utilizar modelos chineses, atraídas principalmente por fatores como custo e possibilidade de personalização.

Eric Olander, editor-chefe do The China-Global South Project, avalia que empresas podem preferir diversificar fornecedores em vez de escolher exclusivamente entre tecnologia americana ou chinesa.

A infraestrutura chinesa já presente em mercados emergentes, especialmente nos setores de telecomunicações, computação em nuvem e hardware, também pode facilitar a expansão desses modelos.

O que significa vencer a corrida da IA?

A própria definição de liderança em inteligência artificial ainda não é consensual. Diferentes critérios — como capacidade técnica, número de usuários, participação de mercado ou geração de lucro — podem produzir resultados distintos.

Uma empresa pode ter menos usuários e, ainda assim, concentrar uma parcela maior dos lucros de determinado mercado. O mesmo poderia ocorrer com a IA, caso empresas americanas mantenham a liderança financeira enquanto sistemas chineses conquistem uma base maior de usuários.

Além disso, à medida que os modelos evoluem, as diferenças de desempenho entre as principais plataformas podem se tornar menos relevantes para consumidores e empresas que não necessitam dos sistemas mais avançados.

Nesse cenário, usuários e companhias podem ter de escolher entre modelos mais sofisticados e caros ou alternativas de menor custo que ofereçam desempenho suficiente para suas necessidades.

Abertura dos modelos chineses pode ter limites

A estratégia chinesa baseada em IA de código aberto também enfrenta limitações. Especialistas avaliam que Pequim pode restringir o acesso aos modelos mais avançados à medida que eles adquiram capacidades consideradas sensíveis.

Na conferência de IA realizada na China em julho, Xi Jinping defendeu maior abertura e cooperação tecnológica, mas também ressaltou a necessidade de regulamentação e controle humano.

Para Alex Colville, analista do Instituto Australiano de Política Estratégica, a segurança nacional continuará sendo um fator determinante para o governo chinês.

Uma possibilidade seria a adoção de regras de licenciamento que limitem os locais e as situações em que determinados modelos podem ser utilizados, em vez de uma proibição generalizada.

Assim, a tendência pode ser a coexistência de modelos abertos e fechados de IA na China, com diferentes níveis de acesso conforme a aplicação e o grau de sensibilidade tecnológica.

Países buscam IA soberana

O avanço dos modelos abertos chineses também despertou interesse de desenvolvedores e governos que buscam ampliar sua soberania tecnológica e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.

Essa estratégia permite que países e empresas utilizem modelos existentes como ponto de partida para desenvolver soluções próprias, sem necessariamente se alinhar integralmente aos Estados Unidos ou à China.

O futuro dessa abordagem, porém, dependerá de quanto tempo os modelos chineses mais avançados permanecerão disponíveis de forma aberta.

Especialistas também avaliam que Pequim poderá estabelecer limitações para impedir usos considerados capazes de gerar riscos à segurança cibernética ou aos interesses nacionais.

EUA acusam empresas chinesas de usar tecnologia americana

A redução da distância tecnológica entre os dois países ocorre em meio ao aumento da desconfiança entre Washington e Pequim.

Autoridades e empresas americanas acusam laboratórios chineses de utilizar informações provenientes de sistemas dos Estados Unidos para aperfeiçoar seus próprios modelos, em um processo conhecido como destilação.

Anthropic e OpenAI divulgaram relatórios com acusações desse tipo. Em um documento publicado recentemente, a Anthropic afirmou que DeepSeek e Moonshot teriam encaminhado algumas solicitações de usuários ao Claude para utilizar essas informações no treinamento e aprimoramento de seus próprios modelos.

O governo chinês rejeitou repetidamente as acusações. DeepSeek e Moonshot não responderam aos pedidos de comentário mencionados na análise.

Empresas americanas divergem sobre restrições

Washington também avalia medidas que poderiam impor sanções ou restrições aos modelos chineses de código aberto.

A possibilidade, contudo, encontra resistência dentro do próprio setor tecnológico americano. Nvidia, Meta, Microsoft e outras empresas assinaram, em julho, uma carta contra restrições amplas aos modelos de código aberto.

O posicionamento evidencia uma diferença entre parte da indústria de tecnologia dos Estados Unidos e a estratégia defendida pelo governo americano para lidar com a competição chinesa.

Cúpula Trump-Xi teve poucos avanços na área de IA

Apesar da crescente preocupação internacional com os riscos e impactos da inteligência artificial, a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping produziu poucos resultados concretos relacionados à tecnologia.

Os dois governos discutiram a criação de um canal de comunicação e a continuidade do diálogo sobre riscos, benefícios e uso responsável da IA.

A cooperação, porém, permanece limitada pela desconfiança existente entre as duas potências. Para especialistas, Pequim continua interpretando as políticas americanas de controle de exportações e restrição tecnológica como parte de uma estratégia para conter o desenvolvimento chinês.

A disputa pela liderança em IA, portanto, não se resume à capacidade de criar modelos mais avançados. Envolve também custos, acesso, infraestrutura, segurança, usuários, alianças internacionais e controle sobre as tecnologias consideradas estratégicas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jason Lee/Illustration/Reuters

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Comércio Internacional

China e EUA concordam em reduzir tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias

China e Estados Unidos chegaram a um acordo para reduzir tarifas de importação sobre cerca de US$ 60 bilhões em mercadorias comercializadas entre os dois países. A medida contempla produtos como milho, cosméticos, eletrodomésticos, brinquedos e itens para o lar.

Por meio do Conselho de Comércio EUA-China, cada país indicou US$ 30 bilhões em produtos considerados não sensíveis para receber um tratamento tarifário mais favorável. A informação foi divulgada no domingo pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Segundo Greer, a iniciativa deve ampliar o acesso de produtos norte-americanos ao mercado chinês e alcançar aproximadamente 30% das exportações dos EUA destinadas à China.

Redução de tarifas faz parte de nova trégua comercial

A redução recíproca de tarifas está entre os principais resultados da segunda reunião realizada neste ano entre o presidente chinês Xi Jinping e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington.

O encontro também resultou na extensão da trégua comercial entre China e EUA, com o objetivo de manter as negociações econômicas e comerciais em andamento.

Uma das listas divulgadas pela Casa Branca prevê que Pequim reduza tarifas sobre produtos agrícolas norte-americanos, incluindo milho, trigo, sorgo, carne, laticínios, óleos vegetais e farinhas. A soja, porém, ficou de fora dessa relação.

A China também pretende diminuir as tarifas aplicadas a peixes e frutos do mar, madeira e toras, cosméticos e dispositivos médicos provenientes dos Estados Unidos.

Na direção oposta, os Estados Unidos planejam reduzir tarifas sobre uma série de produtos chineses. Entre eles estão pequenos eletrodomésticos, como cafeteiras e torradeiras, além de louças, cobertores e roupas de cama.

A lista norte-americana inclui ainda brinquedos, fogos de artifício, flores artificiais, iluminação para árvores de Natal, outros artigos de decoração festiva e cadeirinhas infantis para automóveis.

Trégua comercial é prorrogada por dois meses

O Ministério do Comércio da China informou nesta segunda-feira que a trégua comercial será estendida por dois meses, até 10 de janeiro. O período permitirá que os dois governos avaliem os compromissos já firmados e discutam os próximos passos nas relações econômicas.

Segundo a pasta, a extensão do acordo cria um ambiente considerado mais estável e previsível para empresas dos dois países, além de favorecer a continuidade das negociações.

China e Estados Unidos também deverão manter conversas regulares sobre oportunidades e obstáculos relacionados a investimentos. A intenção é ampliar a transparência das políticas, aumentar a previsibilidade regulatória e responder às preocupações apresentadas pelo setor empresarial.

Agricultura ganha espaço nas negociações

A seleção dos produtos chineses que terão tarifas reduzidas está relacionada, segundo a Casa Branca, ao compromisso de Pequim de adquirir US$ 17 bilhões em produtos agrícolas dos EUA.

A China já retomou compras em grande escala de soja norte-americana, dentro de um acordo firmado no ano passado que prevê a aquisição anual de 25 milhões de toneladas métricas do produto.

Os dois governos também vão criar um grupo de trabalho dedicado à agricultura, subordinado ao Conselho de Comércio EUA-China. A primeira reunião está prevista para ocorrer antes do fim do ano e deverá tratar de acesso aos mercados e questões regulatórias.

China prevê novas compras de carvão dos EUA

Outro resultado da reunião de Xi Jinping e Donald Trump foi o compromisso chinês de importar 10 milhões de toneladas métricas de carvão dos Estados Unidos por ano em 2027 e 2028.

De acordo com a Casa Branca, o volume corresponde a aproximadamente 2% das importações anuais de carvão realizadas pela China.

O Ministério do Comércio chinês afirmou que a compra de carvão norte-americano poderá complementar o abastecimento do mercado doméstico e, ao mesmo tempo, gerar receita e empregos para o setor de mineração dos Estados Unidos.

Petróleo e gás natural liquefeito (GNL) não aparecem entre os produtos contemplados pelas listas de redução tarifária.

Inteligência artificial e serviços financeiros entram na pauta

As negociações também avançaram em áreas que vão além das tarifas comerciais. China e Estados Unidos concordaram em estabelecer um canal de comunicação para tratar de eventuais incidentes relacionados à inteligência artificial (IA).

Os dois países também deverão realizar um novo diálogo sobre o tema até o fim de novembro.

No setor financeiro, Pequim informou que avaliará e aprovará instituições estrangeiras de serviços financeiros, incluindo empresas com capital norte-americano, interessadas em atuar e abrir filiais na China.

Além disso, os governos manterão comunicação sobre a ampliação da oferta de voos diretos entre China e Estados Unidos, segundo o Ministério do Comércio chinês.

FONTE: Brasil 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil

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Internacional

Trump diz que se reunirá com Xi Jinping na China em novembro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na última sexta-feira que terá um novo encontro com o presidente da China, Xi Jinping, em novembro, durante uma visita ao território chinês.

Segundo Trump, os dois líderes também deverão se reunir em dezembro, durante a cúpula do G20, que será realizada na Flórida.

Encontros entre Trump e Xi devem continuar

A declaração foi feita após a passagem de Xi por Washington nesta semana. Trump classificou a visita do líder chinês como um sucesso e afirmou que os dois países avançaram em diferentes pontos durante as conversas.

O novo encontro previsto para novembro deverá ocorrer na China, enquanto a reunião seguinte está programada para dezembro, no âmbito da agenda do G20 na Flórida.

Relação entre EUA e China segue no foco

A sequência de reuniões entre Trump e Xi ocorre em meio às negociações e divergências que marcam as relações entre as duas maiores economias do mundo.

Os encontros previstos para os próximos meses devem manter no centro da agenda temas relacionados às relações comerciais entre EUA e China e à cooperação bilateral.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Peng Liyuan ganha destaque em visita de Xi aos EUA como símbolo de soft power chinês

Durante a visita do presidente chinês Xi Jinping aos Estados Unidos, encerrada nesta sexta-feira, a primeira-dama da China, Peng Liyuan, ocupou um papel de destaque na agenda diplomática. Sua presença ajudou a projetar uma imagem mais acessível da China em meio às divergências entre Washington e Pequim sobre temas como comércio e Taiwan.

Peng conversou em inglês com a primeira-dama americana, Melania Trump, sem recorrer a intérprete. Ela também participou de uma homenagem no Museu Nacional de Arte Asiática do Smithsonian, em Washington, onde acompanhou discretamente a apresentação de um coral juvenil que interpretou a tradicional canção chinesa “Flor de Jasmim”.

Primeira-dama chinesa aproxima culturas

A participação de Peng foi apresentada como um exemplo de soft power, conceito associado ao uso de elementos culturais e sociais para ampliar a influência e melhorar a percepção de um país no exterior.

Após a apresentação, os jovens do coral agradeceram à primeira-dama chinesa. O embaixador da China em Washington, Xie Feng, publicou nas redes sociais imagens do encontro e ressaltou a atuação de Peng.

Segundo o diplomata, ela incentivou os adolescentes americanos a continuarem estudando a língua e a cultura chinesas, além de estimulá-los a atuar como representantes da amizade entre os dois países.

Para Joe Mazur, analista de geopolítica da consultoria Trivium China, a presença de Peng contribui para apresentar uma dimensão mais pessoal das relações entre os governos americano e chinês.

Atuação contrasta com tensão entre China e EUA

A estratégia ocorre em um momento de relações marcadas por disputas entre China e Estados Unidos. Questões comerciais e o futuro de Taiwan estão entre os principais pontos de divergência entre as duas potências.

Nesse contexto, a agenda de Peng cria oportunidades para encontros de caráter cultural e educacional, afastados dos temas mais sensíveis tratados diretamente pelos governos.

O Ministério das Relações Exteriores da China não respondeu a um pedido de comentário sobre a recepção da primeira-dama em Washington.

Vida pessoal de líderes chineses é pouco exposta

Apesar da visibilidade de Peng nos Estados Unidos, discussões públicas sobre sua atuação e suas escolhas pessoais permanecem restritas na internet chinesa.

Buscas relacionadas ao estilo da primeira-dama e ao seu domínio do inglês na plataforma chinesa Red Note não apresentaram resultados, segundo a reportagem.

A discrição envolvendo as esposas dos principais líderes chineses tem raízes históricas. Durante décadas, as primeiras-damas do país mantiveram uma exposição pública limitada, em parte devido à experiência de Jiang Qing, viúva de Mao Tsé-Tung.

Jiang foi integrante do chamado “Bando dos Quatro” e exerceu grande influência durante a Revolução Cultural chinesa, entre 1966 e 1976. Condenada à morte em 1981, posteriormente teve a pena convertida em prisão perpétua.

De cantora militar a figura diplomática

Antes de assumir maior projeção ao lado de Xi, Peng Liyuan era conhecida principalmente na China por sua carreira como cantora soprano vinculada às Forças Armadas.

Com a ascensão política de Xi no início dos anos 2000, a imprensa estatal passou a acompanhar com maior frequência as atividades públicas de Peng.

Em entrevista concedida a uma revista estatal em 2007, ela descreveu a relação com Xi de maneira pessoal, afirmando que, em casa, não o enxergava como uma autoridade, mas como seu marido.

Na ocasião, Peng caracterizou Xi como uma pessoa econômica, trabalhadora e simples.

Causas sociais também fazem parte de sua atuação

Peng também passou a se envolver em iniciativas sociais, incluindo campanhas relacionadas a temas considerados sensíveis na China, como a situação de pessoas que vivem com HIV/Aids.

Sua atuação pública ampliou o papel da primeira-dama chinesa como representante de iniciativas culturais e sociais, além das aparições protocolares ligadas às atividades oficiais de Xi.

Peng é a segunda esposa do presidente chinês. O casal tem uma filha, que estudou em Harvard. Xi havia sido anteriormente casado com a filha de um diplomata chinês.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Finn Gomez/Pool via REUTERS

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Internacional

EUA ampliam preparativos militares diante de possível ação em torno de Cuba

As Forças Armadas dos Estados Unidos avançaram em preparativos que poderiam estar relacionados a uma eventual ação militar em torno de Cuba, segundo reportagem da CBS News publicada na sexta-feira. A emissora afirma ter baseado as informações em uma comunicação interna do Exército americano e em relatos de autoridades.

O documento obtido pela CBS não menciona diretamente Cuba nem determina a mobilização de tropas. Segundo fontes ouvidas pela emissora sob condição de anonimato, porém, a solicitação faria parte do planejamento militar que vem sendo desenvolvido em relação à ilha.

Exército busca informações sobre unidades disponíveis

Segundo a reportagem, uma mensagem enviada em nome da Reserva do Exército dos EUA solicita informações sobre a disponibilidade de seis tipos de unidades que poderiam atuar sob o Comando Sul dos Estados Unidos, responsável pela área que inclui América Central, América do Sul e Caribe.

Entre as unidades mencionadas estão uma brigada de polícia militar, uma brigada médica e um batalhão de engenharia. Também aparecem equipes especializadas em logística e abastecimento, além de uma unidade com capacidade para realizar cirurgias de emergência e atendimento a traumas nas proximidades das forças empregadas.

A comunicação, que teria sido preparada na semana anterior, indica que esse contingente poderia ser necessário dentro de um prazo de 90 a 120 dias. A resposta sobre a disponibilidade das unidades foi solicitada até 25 de setembro.

A Reserva do Exército não respondeu aos questionamentos apresentados pela CBS News.

Comando Sul evita comentar possíveis mobilizações

Procurado pela emissora, um porta-voz do Comando Sul dos EUA afirmou que a instituição não divulga detalhes sobre movimentações operacionais ou possíveis cronogramas de mobilização relacionados a operações atuais, futuras contingências ou atividades de planejamento.

O representante acrescentou que o comando mantém coordenação permanente com a Força Conjunta para avaliar diferentes necessidades dentro de sua área de responsabilidade e dar suporte às missões atribuídas.

Operações de reconhecimento já ocorreram na região

O planejamento envolvendo Cuba ocorre em meio a outras iniciativas militares adotadas por Washington ao longo de 2026, segundo a CBS.

A emissora relata que forças americanas realizaram operações de reconhecimento submarino e marítimo nas proximidades de Cuba. Componentes da Força Aérea dos EUA também teriam sido colocados em nível elevado de prontidão para uma eventual mobilização.

Até o momento, entretanto, os planos mencionados pela reportagem não teriam sido executados.

Opções militares contra Cuba já foram avaliadas

Em maio, a CBS informou que integrantes da comunidade de inteligência dos Estados Unidos haviam analisado possíveis reações de Cuba diante de uma eventual invasão americana.

No mês seguinte, a emissora relatou que uma das alternativas estudadas pelas autoridades americanas envolvia um assalto aéreo com milhares de militares da 101ª Divisão Aerotransportada.

Na ocasião, autoridades ressaltaram que a elaboração de cenários militares não significava necessariamente uma decisão do presidente Donald Trump ou do Pentágono pela realização de uma operação.

Pressão econômica e política sobre Havana aumenta

A movimentação militar ocorre paralelamente ao aumento da pressão econômica e política dos Estados Unidos sobre Cuba. O governo Trump adotou novas sanções contra entidades e autoridades cubanas.

Na avaliação anual de ameaças de 2026 da comunidade de inteligência americana, Cuba também foi descrita principalmente como um ambiente que favorece a atuação de potências como China e Irã, em vez de ser apresentada como uma ameaça estratégica independente.

Durante discurso na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, Trump afirmou nesta semana que pretende promover uma “mudança fundamental” em Cuba. O presidente americano também declarou que o governo comunista da ilha “cairá” e disse que a liberdade chegará ao país.

Durante a fala do presidente americano, a delegação cubana deixou o plenário das Nações Unidas.

Trump já havia falado em “tomar Cuba”

As declarações recentes se somam a manifestações anteriores do presidente americano sobre Cuba.

Em março, Trump afirmou a jornalistas no Salão Oval que acreditava que teria “a honra de tomar Cuba”. Na mesma ocasião, declarou que poderia “libertá-la” ou “tomá-la”, segundo as declarações reproduzidas na reportagem.

Ainda naquele mês, após mencionar ações dos Estados Unidos na Venezuela e no Irã, Trump afirmou: “Cuba será a próxima”.

Em janeiro, forças americanas realizaram uma operação para capturar o então presidente venezuelano Nicolás Maduro e levá-lo aos Estados Unidos, onde ele passou a responder a acusações que incluem envolvimento com cartéis de drogas.

Governo cubano promete reagir a eventual ataque

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que o país reagiria a qualquer eventual ataque dos Estados Unidos. O governo cubano também acusa Washington de conduzir uma “guerra econômica” contra a ilha.

Até o momento, os elementos descritos na reportagem indicam a existência de planejamento e preparação militar, mas não constituem, por si só, uma confirmação de que os Estados Unidos tenham decidido realizar uma intervenção militar em Cuba.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM:  Reprodução/Comando Sul dos EUA

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Exportação

Tarifaço dos EUA gera reembolsos milionários para exportadores brasileiros

O reembolso do tarifaço dos Estados Unidos já começou a impactar os resultados financeiros de empresas brasileiras com operações no país. No segundo trimestre, companhias como Embraer e Taurus reconheceram valores recuperados após a revisão de tributos de importação.

A próxima etapa dos ressarcimentos, porém, foi adiada pelo U.S. Customs and Border Protection (CBP), a alfândega americana. O novo cronograma prevê o início do processo em 6 de outubro. A medida envolve bilhões de dólares em possíveis devoluções e, para exportadores brasileiros, os valores podem alcançar centenas de milhões de reais.

Embraer registra R$ 358,6 milhões em recuperação

A Embraer contabilizou R$ 358,6 milhões no segundo trimestre relacionados à recuperação de tributos de importação nos Estados Unidos.

Segundo avaliação da XP, o valor recebido, somado à isenção concedida a aviões e peças na versão mais recente do tarifaço americano, contribuiu para que a companhia elevasse sua projeção de margem de lucro para este ano.

Procurada pelo Valor, a Embraer não comentou o assunto.

Taurus recupera R$ 91,1 milhões

Outra empresa brasileira beneficiada foi a Taurus, que reconheceu R$ 91,1 milhões em reembolsos no período. O montante corresponde a quase todo o valor solicitado pela fabricante.

O diretor-presidente da companhia, Salesio Nuhs, afirmou que a empresa se preparou para solicitar os valores diante da possibilidade de reversão das tarifas na Justiça americana.

O processo também foi facilitado pelo modelo de operação da Taurus. A companhia exporta seus produtos para uma subsidiária nos Estados Unidos, que foi responsável por solicitar o ressarcimento.

O mercado americano representa mais de 80% das vendas de armas da fabricante e, por isso, tem peso significativo nos negócios da empresa.

WEG pode receber até R$ 230 milhões

A WEG também aparece entre as empresas brasileiras com potencial de recuperação de valores pagos durante o tarifaço.

Em relatório recente, o J.P. Morgan estimou que a fabricante catarinense poderá receber entre R$ 170 milhões e R$ 230 milhões em reembolsos. Segundo os cálculos do banco, o valor poderia representar até 9% do Ebitda projetado para a companhia no terceiro trimestre.

A WEG foi inicialmente submetida à tarifa de 10% e posteriormente à sobretaxa de 40%. Parte de seus produtos foi retirada da lista de itens taxados, enquanto outros permaneceram sujeitos à alíquota máxima.

A empresa não informou publicamente se solicitou o ressarcimento ao governo americano.

Empresas americanas também recebem bilhões

O impacto dos reembolsos do tarifaço também foi significativo entre grandes empresas dos Estados Unidos.

O Walmart, um dos principais importadores americanos, recebeu US$ 2,9 bilhões de volta no segundo trimestre. O valor ajudou a reforçar tanto o lucro quanto a margem bruta da varejista.

No caso da Apple, o valor não foi divulgado oficialmente, mas analistas estimaram o ressarcimento em aproximadamente US$ 2,2 bilhões.

Suzano recorre à Justiça americana

A Suzano também entrou na disputa judicial envolvendo a devolução dos valores pagos com as tarifas.

Um documento protocolado pela companhia e por duas subsidiárias na Corte de Comércio Internacional dos Estados Unidos, ao qual o Valor teve acesso, mostra que as empresas solicitaram que o tribunal determinasse ao CBP a chamada reliquidação das importações atingidas pelo tarifaço.

Na prática, a reliquidação permite reabrir um processo de importação que já havia sido encerrado para recalcular os tributos aplicados e, posteriormente, efetuar eventual restituição.

A Corte de Comércio Internacional determinou que o CBP realize o procedimento para as importações submetidas ao tarifaço. Essa é justamente a base da próxima etapa de reembolsos.

Governo Trump questiona autoridade do CBP

A administração de Donald Trump recorreu da decisão judicial. O governo argumenta que o CBP não teria autoridade legal para reabrir, por iniciativa própria, processos de importação já liquidados.

Segundo a posição apresentada pelo governo, seria necessária uma determinação judicial específica para autorizar a medida. O recurso continua sob análise da Corte de Apelações dos Estados Unidos.

Um representante do CBP informou à Corte de Comércio Internacional que a próxima etapa do programa de ressarcimento será destinada às importações cuja reliquidação tenha sido determinada judicialmente.

Inicialmente prevista para agosto, essa fase foi postergada para permitir ajustes no sistema responsável pelo processamento dos pagamentos. A nova previsão é de início em 6 de outubro.

Reembolsos podem alcançar outros setores no Brasil

O advogado Matthew McConkey, sócio do escritório americano Mayer Brown, associado ao brasileiro Tauil & Chequer, afirmou que existem preocupações em Washington sobre possíveis mudanças na condução dessa etapa pelo CBP.

Na avaliação do advogado, contudo, o órgão estaria conduzindo o processo de forma adequada, já que a questão está sendo tratada por meio da Corte de Comércio Internacional.

No Brasil, especialistas relatam que outras companhias também podem estar buscando a devolução de valores pagos durante o tarifaço dos EUA.

William Roberto Crestani, sócio da área tributária do Pinheiro Neto Advogados, afirma que há relatos de empresas brasileiras que já obtiveram ressarcimentos e de outras que ainda estão fazendo os pedidos. Entre os segmentos citados estão máquinas, siderurgia e papel e celulose.

Segundo o advogado, além do adiamento determinado pelo CBP, algumas empresas enfrentam dificuldades práticas para receber os valores, incluindo problemas relacionados ao fornecimento de informações bancárias.

Empresas brasileiras mantêm silêncio sobre pedidos

A expectativa é de que mais companhias brasileiras estejam recorrendo ao mecanismo de ressarcimento, embora poucas tenham confirmado publicamente os pedidos.

O presidente da Abimaq, José Velloso, afirmou acreditar que diversas empresas associadas estejam buscando recuperar os valores pagos nos Estados Unidos.

Empresas dos setores mencionados foram procuradas, mas não quiseram comentar. O Instituto Aço Brasil também não se manifestou.

A Confederação Nacional da Indústria informou não ter dados suficientes para contribuir com informações sobre o tema. Já a Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) declarou que não reúne dados sobre operações individuais de suas associadas no exterior.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços não respondeu aos questionamentos.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Denis Balibouse

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Internacional

Trump e Xi se preparam para encontro decisivo, com soja no centro das negociações entre EUA e China

Donald Trump e Xi Jinping ainda não se encontraram pessoalmente, mas Estados Unidos e China já movimentam suas estratégias antes de uma das reuniões de maior peso econômico e geopolítico de 2026. O encontro está previsto para a próxima quinta-feira, 24 de setembro, em Washington.

Será a segunda reunião presencial entre os dois líderes neste ano. A primeira ocorreu em maio, durante a visita de Trump a Pequim. Agora, Xi deverá voltar à Casa Branca pela primeira vez em cerca de uma década. O presidente chinês esteve nos Estados Unidos em 2023 para a cúpula da APEC, em São Francisco, mas aquela passagem pelo país não incluiu uma visita à sede do governo americano.

Tarifas e comércio entram na pauta de Trump e Xi

A dimensão da reunião vai muito além da relação comercial. Entre os assuntos que podem influenciar as negociações estão tarifas, tecnologia, inteligência artificial, minerais críticos, Taiwan, relações da China com o Irã, energia e agricultura.

Nos últimos dias, Washington e Pequim deram sinais de que estão preparando o terreno para a reunião.

Segundo informações da Bloomberg divulgadas nesta sexta-feira (18), os Estados Unidos devem deixar para depois do encontro entre Trump e Xi o anúncio de novas tarifas relacionadas ao que Washington considera excesso de capacidade produtiva de parceiros comerciais.

Um relatório que poderia ser divulgado antes da reunião teria a possibilidade de recomendar uma tarifa adicional de 7,5% sobre produtos chineses. Até o momento, porém, não há definição sobre a alíquota final, e o governo americano não informou oficialmente a razão para o adiamento.

Enquanto isso, o mercado financeiro também acompanha os movimentos chineses. O yuan offshore chegou a 6,6957 por dólar nesta sexta-feira, maior nível desde julho de 2022. A valorização ocorreu após o Banco Popular da China reforçar sua taxa de referência pela oitava sessão consecutiva.

Empresários chineses podem acompanhar Xi

As articulações não se limitam aos governos. Estados Unidos e China também trabalham na composição de uma possível delegação de empresários chineses para acompanhar Xi durante a visita.

Executivos de grandes empresas dos setores de veículos elétricos, baterias, tecnologia, bancos e agronegócio estão entre os nomes considerados. A lista, entretanto, ainda não foi concluída e pode depender das negociações previstas para este fim de semana entre o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, e o vice-premiê chinês He Lifeng.

Apesar dos preparativos em Washington, Pequim ainda não havia confirmado publicamente e de forma explícita a reunião até quinta-feira. Em conversa com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o chanceler chinês Wang Yi afirmou que os dois países deveriam preparar a próxima etapa das interações de alto nível, sem mencionar diretamente o encontro entre Trump e Xi.

Soja ganha importância nas negociações agrícolas

Em meio a temas como Taiwan, Irã, tecnologia e minerais estratégicos, a soja pode parecer uma questão secundária. Para o mercado agrícola, porém, qualquer mudança na relação comercial entre Estados Unidos e China pode produzir efeitos relevantes.

“No caso da soja, ela é um temperinho dessa coisa que é muito maior. Ela faz parte do que está se discutindo”, afirmou Eduardo Vanin, sênior agriculture strategist da Marex, ao Notícias Agrícolas.

Segundo o analista, um eventual acordo comercial precisaria envolver produtos de grande relevância para as importações chinesas. Entre eles, estariam petróleo, gás e soja.

A avaliação ajuda a dimensionar o papel da oleaginosa: ela é apenas uma das peças de uma negociação muito mais ampla, mas tem potencial para afetar preços, fluxos internacionais e a concorrência entre Brasil e Estados Unidos pelo mercado chinês de soja.

Agricultura pode ser área de avanço entre os países

A agricultura aparece entre os setores com possibilidade de avanço nas negociações. Neste mês, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que podem surgir anúncios envolvendo produtos agrícolas e barreiras não tarifárias.

Além da soja, milho e sorgo também podem fazer parte das discussões.

De acordo com a Casa Branca, a China teria se comprometido, após o encontro de Trump e Xi no ano passado, a comprar 25 milhões de toneladas de soja americana por ano até 2028. Pequim, contudo, não reconheceu publicamente o compromisso nos mesmos termos apresentados pelo governo dos Estados Unidos.

As compras chinesas realizadas até agora, por outro lado, caminham na direção do volume indicado por Washington. A China já teria adquirido quase metade desse montante e continua ativa no mercado americano.

Somente na semana passada, compradores chineses adquiriram aproximadamente 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos. A possibilidade de novos compromissos agrícolas ocorre em um momento em que a demanda chinesa voltou a ganhar destaque no mercado de Chicago.

Mais compras chinesas poderiam mexer com Chicago

Para Cristiano Palavro, diretor da Pátria Agronegócios, uma eventual ampliação das compras chinesas poderia encontrar os Estados Unidos em um cenário de menor disponibilidade.

“Os Estados Unidos não têm soja para se comprometer a exportar tanto assim a mais para a China”, afirmou o analista ao Notícias Agrícolas. Na avaliação dele, uma compra adicional de 5 milhões de toneladas poderia provocar uma forte reação no mercado de curto prazo, especialmente em Chicago.

Palavro, entretanto, não considera que um aumento das compras chinesas nos Estados Unidos necessariamente prejudicaria o Brasil.

Segundo ele, uma eventual perda de participação brasileira na demanda chinesa poderia ser compensada por outros mercados, já que Brasil e Estados Unidos são os dois principais fornecedores globais da oleaginosa.

Outro ponto destacado pelo analista é a relação entre os preços internacionais e o mercado brasileiro. Uma valorização da soja americana tende a influenciar também as cotações brasileiras.

Por isso, para o produtor nacional, será importante observar não apenas o volume que a China eventualmente comprar dos Estados Unidos, mas também os efeitos sobre Chicago, prêmios de exportação e preços da soja no Brasil.

Irã, Taiwan e energia ampliam as negociações

O contexto atual também diferencia a reunião de setembro de outras negociações entre Trump e Xi.

Para Eduardo Vanin, as relações entre China e Irã ganharam importância, assim como Taiwan, tecnologia e comércio. O analista avalia que o peso das questões envolvidas atualmente é maior do que em negociações anteriores.

Nesse cenário, produtos como soja, petróleo e gás podem funcionar como elementos de uma eventual composição comercial entre Washington e Pequim.

A questão do Irã já está presente na agenda diplomática. Nesta semana, Wang Yi conversou com Marco Rubio sobre a situação do Oriente Médio, depois de receber em Pequim o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi.

A China defendeu a retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz.

Energia também pode entrar no acordo

O setor energético é outro ponto de interesse nas relações entre os dois países. As compras chinesas de petróleo e gás dos Estados Unidos foram interrompidas depois da adoção de tarifas.

Uma eventual redução recíproca das tarifas, que vem sendo discutida entre Washington e Pequim, poderia criar condições para a retomada desses fluxos comerciais.

Assim, a negociação entre Trump e Xi envolve uma combinação de interesses econômicos, tecnológicos, energéticos e geopolíticos, com a agricultura inserida nesse cenário mais amplo.

O que está em jogo para a soja brasileira

A reunião entre Trump e Xi ocorre em um momento de atenção redobrada dos mercados agrícolas. Uma eventual mudança na política comercial entre Estados Unidos e China pode alterar os fluxos globais de soja, afetando diretamente as referências internacionais e os prêmios praticados no Brasil.

Para o mercado agrícola, algumas questões serão especialmente importantes: a China anunciará novas compras de soja americana? Haverá redução de tarifas? Os dois países estabelecerão novos compromissos para produtos agrícolas?

Para o produtor brasileiro, o impacto dependerá também da reação de Chicago, dos prêmios de exportação e da capacidade de outros mercados absorverem eventuais volumes que deixem de ser destinados à China.

A soja, portanto, é apenas uma peça dentro de uma negociação que envolve comércio, tecnologia, energia, segurança e geopolítica. Mesmo assim, qualquer sinal de mudança na relação entre Washington e Pequim pode repercutir rapidamente nas cotações agrícolas e no mercado brasileiro.

FONTE: Notícias Agrícolas
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Notícias Agrícolas

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Internacional

Guerra entre EUA e Irã: petróleo, China e eleições aumentam pressão por acordo

A guerra entre Estados Unidos e Irã entra em uma nova etapa sob pressão de fatores econômicos, diplomáticos e políticos. O presidente norte-americano Donald Trump afirmou nesta semana que espera que o conflito esteja próximo do fim e disse ter recebido sinais de Teerã sobre a disposição para negociar.

Trump também deve se reunir com representantes dos países do Golfo Pérsico durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. A expectativa é que as conversas tratem do conflito e de possíveis estratégias para o período posterior à guerra.

O cenário ocorre enquanto os efeitos da guerra continuam atingindo o mercado de petróleo, as rotas marítimas e os custos de energia em diferentes países.

Petróleo acima de US$ 100 aumenta pressão econômica

A instabilidade no Oriente Médio mantém os preços do petróleo em níveis elevados. Na sexta-feira (18), o Brent era negociado próximo de US$ 104 por barril, enquanto o WTI permanecia acima de US$ 102.

As cotações são influenciadas pelos riscos para o transporte de petróleo na região, incluindo as restrições no Estreito de Ormuz e os ataques envolvendo a Arábia Saudita e os houthis, grupo aliado do Irã no Iêmen.

A elevação dos combustíveis também passou a representar uma preocupação econômica dentro dos Estados Unidos. O governo Trump vem discutindo medidas para ampliar a capacidade de refino do país diante do aumento dos preços dos combustíveis.

Inverno europeu aumenta preocupação com energia

A aproximação do inverno no Hemisfério Norte adiciona outro elemento às discussões sobre o conflito. Países europeus acompanham os impactos da guerra sobre o abastecimento e os preços de energia, enquanto os mercados permanecem atentos aos riscos de novas interrupções no transporte de petróleo.

O conflito já provocou alterações em rotas marítimas e aumentou a preocupação com a segurança do fornecimento energético global. Segundo a Reuters, a circulação de navios pelo Estreito de Ormuz permanece abaixo da média anterior ao conflito.

China busca espaço para reduzir tensão

A China também aparece entre os atores envolvidos nos esforços diplomáticos em torno do conflito. Pequim mantém relações econômicas importantes com o Irã e tem interesse na estabilidade do comércio e do abastecimento energético.

Além disso, a agenda internacional prevê uma reunião entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, em meio às tensões provocadas pela guerra e às disputas econômicas entre as duas maiores economias do mundo.

A atuação chinesa ocorre paralelamente às negociações e aos contatos diplomáticos que buscam reduzir os efeitos do conflito sobre o comércio e os mercados de energia.

Eleições de novembro colocam preços dos combustíveis no debate

Nos Estados Unidos, a proximidade das eleições legislativas de novembro acrescenta uma dimensão política ao debate sobre os preços dos combustíveis.

O aumento da gasolina e do diesel afeta diretamente consumidores e empresas e se tornou uma questão relevante para o governo Trump. A Reuters aponta que os preços elevados dos combustíveis estão entre os fatores econômicos que cercam a disputa eleitoral norte-americana.

A votação de novembro definirá a composição do Congresso dos Estados Unidos, enquanto o governo enfrenta os efeitos econômicos de um conflito que já se prolonga há meses.

Assembleia Geral da ONU concentra negociações

A Assembleia Geral da ONU será um dos principais espaços diplomáticos para as discussões sobre a guerra. Líderes de diferentes países estarão em Nova York a partir da próxima semana, com o conflito entre Estados Unidos e Irã entre os temas de maior repercussão internacional.

Trump deverá utilizar os encontros para discutir a situação regional com representantes dos países do Golfo. Ao mesmo tempo, a reunião na ONU reunirá autoridades de países diretamente ou indiretamente afetados pelos impactos militares, econômicos e energéticos do conflito.

Fim da guerra ainda depende de negociações

Embora Trump tenha declarado que espera que a guerra esteja chegando ao fim, o conflito permanece ativo. A Reuters informou que a guerra entrou em seu sétimo mês e que ainda existem divergências importantes entre Washington e Teerã.

Além das negociações entre Estados Unidos e Irã, fatores como preço do petróleo, segurança das rotas marítimas, abastecimento energético, atuação da China e pressão econômica interna nos Estados Unidos fazem parte do contexto que envolve uma possível solução diplomática.

FONTE: R7
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/R7

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