Internacional

Dívida dos EUA ultrapassa US$ 40 trilhões e aumenta pressão sobre os juros

A dívida pública dos Estados Unidos superou pela primeira vez a marca de US$ 40 trilhões, ampliando as preocupações sobre o custo de financiamento do governo e os efeitos do endividamento sobre a economia americana.

O novo recorde foi registrado na quarta-feira (19) e ocorre em meio ao aumento dos gastos públicos, às despesas militares, aos cortes de impostos e à necessidade de devolver valores relacionados às tarifas de importação adotadas pelo governo de Donald Trump.

Endividamento avança em ritmo acelerado

Segundo informações atribuídas ao The New York Times, os Estados Unidos devem captar mais de US$ 1,98 trilhão em 2026 para cumprir seus compromissos financeiros.

Entre os principais fatores de pressão sobre as contas estão os gastos com previdência social, medicamentos, despesas militares e juros da dívida pública.

O crescimento do endividamento também tem sido rápido. A dívida havia chegado a US$ 38,8 trilhões em março de 2026, depois de atingir US$ 37,8 trilhões em outubro de 2025, conforme dados da Associated Press.

Os juros da dívida americana já representam uma parcela expressiva do déficit federal. Quanto maior o estoque de títulos emitidos pelo governo e o custo para refinanciá-los, maior tende a ser a pressão sobre o orçamento.

Guerra e devolução de tarifas pressionam o orçamento

O secretário do Tesouro, Scott Bessent, reconheceu que a trajetória do déficit fiscal neste ano segue em direção desfavorável. Entre os fatores citados estão os custos militares relacionados à guerra no Irã e a devolução de receitas provenientes de tarifas.

A Suprema Corte dos Estados Unidos também determinou a anulação de determinados impostos sobre importações, o que levou o governo a devolver cerca de US$ 160 bilhões às empresas.

A decisão reduziu parte da arrecadação que a administração Trump esperava utilizar para melhorar as contas públicas.

Promessas de cortes não impediram avanço da dívida

A expansão da dívida ocorre apesar das promessas de redução dos gastos públicos feitas por Trump.

Desde 2016, quando lançou sua primeira campanha presidencial, a dívida bruta dos EUA praticamente dobrou.

Outro ponto de atenção envolve o antigo Departamento de Eficiência Governamental, liderado por Elon Musk, que havia anunciado a intenção de promover cortes de aproximadamente US$ 1 trilhão.

Segundo o New York Times, o órgão afirma ter obtido pouco mais de US$ 190 bilhões em economias. O Escritório de Responsabilidade Governamental, entretanto, questionou a transparência e a confiabilidade dessas estimativas.

Títulos do Tesouro ficam mais caros

O aumento do endividamento também repercute no mercado financeiro. Investidores passaram a exigir rendimentos maiores dos títulos do Tesouro americano, elevando o custo de financiamento do governo.

O rendimento dos títulos de 30 anos chegou ao maior nível em quase duas décadas.

A elevação dos juros pode atingir outras áreas da economia. Segundo especialistas citados na reportagem, o movimento tende a encarecer financiamentos imobiliários e de veículos, além de reduzir o espaço para investimentos das empresas.

O aumento do custo financeiro também pode exercer pressão sobre salários e preços de produtos e serviços.

Governo aposta em crescimento econômico

A Casa Branca afirma que pretende combater desperdícios, fraudes e gastos considerados abusivos no orçamento federal.

Segundo o porta-voz Kush Desai, a estratégia também inclui estimular o crescimento econômico. A expectativa do governo é que uma expansão maior da economia ajude a melhorar a relação entre dívida pública e PIB.

Economistas, porém, alertam para o risco de uma trajetória em que o crescimento dos juros e da dívida se retroalimente.

Marc Goldwein, do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, classificou o início desse processo como um dos principais riscos para as finanças americanas.

Fed avalia redução da carteira de títulos

O Federal Reserve (Fed) também está no centro das discussões sobre o tamanho do balanço do governo americano.

A autoridade monetária avalia a redução de sua carteira de títulos públicos e outros ativos, que chegou a aproximadamente US$ 6,8 trilhões após as medidas adotadas durante diferentes crises econômicas.

A redução dos ativos pode alterar as condições de liquidez do mercado e ocorre em um momento de crescente preocupação com a sustentabilidade fiscal americana.

Dívida cresceu durante diferentes governos

O avanço da dívida dos Estados Unidos não é resultado de uma única administração. O país mantém há anos um cenário em que as despesas federais superam a arrecadação de impostos.

Durante a pandemia de Covid-19, tanto os governos Trump quanto Joe Biden ampliaram significativamente os empréstimos para sustentar a economia e financiar medidas de recuperação.

Em 2025, Trump também sancionou uma legislação republicana que combinou redução de impostos e aumento de gastos, aumentando as preocupações entre defensores do equilíbrio fiscal.

Teto da dívida volta ao radar

Os Estados Unidos possuem um teto legal para a dívida pública, cujo limite pode ser elevado, suspenso ou alterado pelo Congresso.

Estimativa do Bipartisan Policy Center aponta que o país pode alcançar o limite de aproximadamente US$ 40,9 trilhões entre março e agosto de 2027. Nesse momento, os parlamentares terão novamente de decidir sobre o teto da dívida.

A situação fiscal americana também chama atenção internacionalmente. Uma análise recente da OCDE apontou que os Estados Unidos apresentam uma das posições fiscais mais pressionadas entre as economias desenvolvidas.

Com a dívida acima de US$ 40 trilhões, o desafio para Washington passa a ser administrar o aumento dos juros, déficits e gastos públicos sem comprometer ainda mais o espaço disponível para políticas econômicas futuras.

FONTE: UOL
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rick Wilking/Reuters

Ler Mais
Tecnologia

Robôs humanoides: por que os EUA enfrentam dificuldades para produzir máquinas próprias

Os robôs humanoides se tornaram uma nova frente da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Washington busca ampliar a produção doméstica dessas máquinas, mas enfrenta um obstáculo central: boa parte da cadeia global de fornecedores está concentrada em território chinês.

Teddy Haggerty conhece esse cenário de perto. Desde 2022, ele atuou como principal distribuidor na América do Norte da Unitree Robotics, uma das empresas chinesas de destaque no segmento de robótica humanoide. A experiência mostrou a ele a diferença de escala e custos entre os dois países.

“Na China, essas coisas já andam pelas ruas”, afirmou Haggerty, destacando a experiência acumulada pelos fabricantes chineses.

Agora, aos 30 anos, ele tenta mudar esse cenário a partir de um galpão em Long Island, nos arredores de Nova York. À frente da Robo Inc., Haggerty busca desenvolver uma operação capaz de fabricar e adaptar humanoides dentro dos Estados Unidos.

Cadeia chinesa é o principal obstáculo

A Robo Inc. pretende combinar componentes importados com peças produzidas internamente. O problema é que a cadeia global de suprimentos para robôs está fortemente concentrada na China.

Para Haggerty, eliminar completamente componentes chineses encareceria significativamente os produtos. Baterias e estruturas de alumínio, por exemplo, já são fabricadas em larga escala e com custos competitivos no país asiático.

Em sua oficina, uma pequena equipe de engenheiros trabalha na adaptação de robôs humanoides e quadrúpedes para aplicações em armazéns e unidades de saúde. O espaço reúne peças sobressalentes, incluindo cabeças e mãos robóticas, enquanto os profissionais desenvolvem componentes específicos para cada utilização.

A experiência reforçou a percepção de que construir uma cadeia de fornecimento totalmente independente da China é um dos maiores desafios para a indústria americana.

Robótica entra na disputa tecnológica entre EUA e China

A competição pelos robôs com inteligência artificial acompanha uma rivalidade tecnológica mais ampla entre Washington e Pequim, que já envolve semicondutores e sistemas de IA.

Os humanoides são vistos por parte da indústria como uma possível etapa seguinte da inteligência artificial: sistemas capazes não apenas de processar informações, mas também de executar tarefas físicas em ambientes humanos.

As expectativas para a tecnologia são amplas. No futuro, esses equipamentos poderiam ser utilizados em atividades como limpeza doméstica, acompanhamento de pacientes, mineração e operações em instalações químicas.

Ao mesmo tempo, a utilização de robôs nesses ambientes levanta questões de segurança e privacidade. Máquinas presentes em residências, hospitais e locais de trabalho poderiam ter acesso a grandes quantidades de informações sobre pessoas e operações.

EUA restringem entrada de novos robôs estrangeiros

A disputa ganhou um novo capítulo com uma decisão da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC). A agência anunciou a proibição da importação de novos modelos de robôs humanoides produzidos no exterior por razões relacionadas à segurança nacional.

Embora a medida não tenha citado especificamente a China, o impacto potencial sobre fabricantes chineses é significativo, já que grande parte dos humanoides atualmente disponíveis no mercado internacional é produzida por empresas do país.

A restrição, porém, não resolve o principal problema enfrentado pelos fabricantes americanos: a dificuldade de construir uma base industrial competitiva.

Para Sunny Cheung, pesquisador da Jamestown Foundation, seria necessário combinar apoio financeiro e respaldo político para que empresas americanas consigam disputar espaço com os fabricantes chineses.

Produção americana ainda está em pequena escala

A indústria de humanoides nos Estados Unidos permanece em uma fase inicial. Estimativas indicam que as principais empresas americanas produziram apenas algumas centenas de unidades no ano passado.

Grande parte desses equipamentos ainda está em projetos-piloto, principalmente em fábricas e centros de distribuição. O mercado de consumo também não foi consolidado.

A diferença de escala é significativa. Unitree e Agibot, duas fabricantes chinesas, produziram juntas aproximadamente 10 mil robôs.

Startups e investidores americanos avaliam que reproduzir nos Estados Unidos o custo da estrutura produtiva chinesa é extremamente difícil. Além da mão de obra mais cara, a indústria depende de fornecedores chineses para matérias-primas e componentes essenciais.

Veículos elétricos ajudaram a criar vantagem chinesa

A liderança chinesa em robótica industrial e humanoide está ligada, em parte, ao desenvolvimento da indústria de veículos elétricos.

Durante anos, o país criou uma cadeia de produção integrada capaz de fabricar uma ampla variedade de componentes, desde elementos básicos até baterias de íons de lítio. Muitas dessas empresas passaram a fornecer peças também para fabricantes de robôs.

O resultado é uma rede de fornecedores capaz de entregar componentes rapidamente.

Brad Porter, CEO da empresa de robótica Cobot e ex-executivo da Amazon, resume a diferença pela disponibilidade de peças: enquanto uma empresa instalada na China pode conseguir determinado componente rapidamente, um fabricante americano pode precisar esperar vários dias.

Porter também cita a automação utilizada pela Amazon como exemplo do avanço da robótica nos Estados Unidos. Entretanto, ressalta que os sistemas empregados pela companhia não são humanoides.

Segundo ele, em muitas operações industriais, pernas não oferecem uma vantagem prática em relação a máquinas projetadas especificamente para uma determinada tarefa.

Afinal, para que servem os robôs humanoides?

A utilidade dos robôs humanoides ainda é uma questão em aberto. Mesmo integrantes do setor reconhecem que trabalhadores humanos continuam mais eficientes em determinadas situações complexas e imprevisíveis.

Os robôs enfrentam dificuldades especialmente quando precisam interpretar ambientes dinâmicos e tomar decisões em tempo real.

Embora fabricantes chineses tenham conquistado grande visibilidade, ainda não surgiu uma aplicação capaz de transformar de maneira ampla o mercado.

Modelos da Unitree, por exemplo, ganharam projeção internacional em apresentações coreografadas na televisão chinesa e até em eventos ligados ao Super Bowl. Essas demonstrações, porém, normalmente envolvem movimentos previamente programados.

O desafio mais complexo é desenvolver máquinas capazes de perceber o ambiente, raciocinar e agir de forma autônoma diante de situações inesperadas.

China também domina a robótica industrial

A vantagem chinesa não se limita aos humanoides. O país também possui uma enorme base instalada de robôs industriais.

Dados da Federação Internacional de Robótica indicam que mais de 2 milhões de robôs estavam em operação nas fábricas chinesas em 2024. Somente naquele ano, cerca de 300 mil novas unidades foram instaladas no país — volume superior ao registrado no restante do mundo somado.

Essa infraestrutura ajuda a explicar por que a China parte de uma posição privilegiada na corrida pela próxima geração de automação.

Para os Estados Unidos, portanto, o desafio vai muito além de desenvolver um robô funcional. O país precisa construir uma cadeia de fornecedores, ampliar a produção em escala e reduzir custos em um mercado no qual a indústria chinesa de robótica acumulou anos de investimentos, experiência e capacidade industrial.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

Ler Mais
Internacional

Estreito de Ormuz: Irã e EUA fazem alegações opostas sobre controle da via estratégica

O Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte global de energia, voltou ao centro da tensão entre Irã e Estados Unidos. Nesta quinta-feira, Hossein Taeb, recém-nomeado comandante da força paramilitar Basij, afirmou que a passagem está sob “controle e gestão” da República Islâmica.

A declaração ocorreu um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que Washington possui “controle total” sobre o estratégico Estreito de Ormuz.

Irã afirma manter controle do Estreito de Ormuz

Segundo a agência semioficial iraniana Fars, Taeb declarou que os Estados Unidos tentaram enfraquecer a influência do Irã na região ao iniciar uma nova guerra em torno do estreito, mas não teriam alcançado esse objetivo.

“Hoje, vocês veem que o Estreito de Ormuz está sob a gestão e o controle da República Islâmica”, afirmou Taeb, acrescentando que o Irã continua sua atuação com segurança.

A disputa ocorre em meio a um cenário de forte tensão militar no Golfo Pérsico, com impactos diretos sobre a navegação internacional e o mercado global de energia.

Conflito afetou transporte de petróleo e gás

A guerra começou em 28 de fevereiro, após ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã. Na sequência, Teerã praticamente interrompeu o tráfego pelo estreito, por onde anteriormente passava cerca de um quinto do petróleo mundial e do gás natural liquefeito (GNL) transportado por via marítima.

Posteriormente, os Estados Unidos estabeleceram um bloqueio naval contra embarcações iranianas e seus portos. Washington, porém, afirmou que manteria a proteção à liberdade de navegação para navios que transitassem entre portos não iranianos.

Acordo de cessar-fogo não foi mantido

Em junho, Irã e Estados Unidos chegaram a um acordo provisório que previa um cessar-fogo permanente e a retomada rápida da liberdade de navegação no Golfo.

O entendimento, no entanto, perdeu força poucas semanas depois. O Irã retomou ataques limitados contra embarcações que, segundo Teerã, descumpriam as condições estabelecidas no acordo.

Em resposta, os Estados Unidos voltaram a realizar ataques contra províncias do sul iraniano. De acordo com Washington, as operações tinham como objetivo reduzir a capacidade de Teerã de atacar embarcações no Golfo Pérsico.

Teerã condiciona reabertura do estreito

Também nesta quinta-feira, o oficial militar e político iraniano Rasoul Sanaei-Rad afirmou que o país não pretende reabrir o Estreito de Ormuz enquanto a outra parte não cumprir suas obrigações previstas no acordo provisório.

Segundo a Fars, Sanaei-Rad ressaltou ainda que a reabertura da estratégica rota marítima não poderia ser determinada unilateralmente pelos Estados Unidos.

O dirigente também elevou o tom ao falar sobre um eventual novo conflito. Ele afirmou que o Irã adotaria uma postura ainda mais firme e ofensiva caso uma nova guerra ocorresse.

A disputa em torno do Estreito de Ormuz mantém em alerta os mercados e amplia as preocupações sobre a segurança das rotas de energia, a liberdade de navegação e o abastecimento internacional de petróleo e gás.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer

Ler Mais
Exportadores agrícolas

Exportações agrícolas da América Latina ganham novo mapa comercial com China e Estados Unidos

As exportações agrícolas da América Latina estão passando por uma transformação que redefine os principais fluxos do comércio internacional de alimentos e commodities. A expansão da influência de China e Estados Unidos vem alterando os destinos da produção regional e, consequentemente, a configuração das cadeias globais de alimentos.

Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), a mudança vai além da simples escolha de novos compradores. O movimento afeta produtores, tradings, indústrias de processamento, empresas de logística e investidores que atuam no agronegócio internacional.

Nesse novo cenário, identificar os principais destinos da produção latino-americana é fundamental para compreender as tendências de longo prazo do comércio agrícola e os possíveis caminhos de expansão para os países da região.

China amplia influência sobre as commodities sul-americanas

Na última década, a China consolidou sua posição como um dos principais destinos das exportações agrícolas e de commodities da América do Sul.

A demanda chinesa por soja, carne bovina, celulose, minerais e outros produtos estratégicos fortaleceu os vínculos comerciais com países como Brasil, Chile e Peru. O crescimento desses fluxos transformou o mercado asiático em um componente cada vez mais importante para o agronegócio sul-americano.

O Brasil, em particular, ampliou sua integração com o mercado chinês, enquanto Chile e Peru também aprofundaram a relação comercial com o país asiático.

Estados Unidos mantêm força no México e na América Central

Enquanto a China ganha espaço na América do Sul, os Estados Unidos continuam exercendo forte influência sobre o comércio de México, Colômbia, Equador e diversos países da América Central.

O México permanece especialmente integrado à economia norte-americana, beneficiado por cadeias produtivas, estruturas logísticas e acordos comerciais construídos ao longo de décadas.

Essa divisão dos fluxos comerciais cria dois grandes eixos de integração: a América do Sul cada vez mais conectada à Ásia, especialmente à China, e o México e a América Central fortemente vinculados ao mercado dos Estados Unidos.

América Latina diversifica seus mercados

Apesar da influência das duas maiores economias, a região não está concentrada em um único destino. A diversificação das exportações vem ganhando importância como estratégia para reduzir riscos e ampliar a capacidade de reação diante de crises externas.

A América do Sul mantém a aproximação com os mercados asiáticos, enquanto México e América Central preservam uma forte conexão com os Estados Unidos. No Caribe, a pauta comercial apresenta maior dispersão, com produtos destinados aos Estados Unidos, à União Europeia, a outros países latino-americanos e a diferentes mercados internacionais.

Além disso, o comércio intrarregional também ganha relevância, especialmente entre economias como Brasil, Argentina e Uruguai.

Novo mapa comercial impulsiona investimentos

A reorganização dos fluxos de produtos agrícolas também está provocando mudanças na infraestrutura da região.

O crescimento das exportações estimula investimentos em portos, ferrovias, rodovias, corredores logísticos, armazéns e estruturas de processamento. O objetivo é acompanhar o aumento da demanda e tornar as cadeias de abastecimento mais eficientes.

Para tradings, empresas do agronegócio, companhias de navegação e investidores institucionais, essa transformação pode abrir espaço para novos negócios e para a construção de cadeias de suprimentos mais resistentes a interrupções.

A criação de rotas alternativas também ganha importância em um ambiente internacional marcado por tensões geopolíticas e mudanças nas relações comerciais.

Principais destinos das exportações agrícolas

PaísPrincipal destino
BrasilChina
ChileChina
PeruChina
MéxicoEstados Unidos
ColômbiaEstados Unidos
ArgentinaAmérica Latina e Caribe

A distribuição dos principais mercados evidencia a existência de diferentes padrões de integração comercial dentro da própria América Latina.

Disputa entre China e EUA afeta o agronegócio

A crescente competição estratégica entre China e Estados Unidos também repercute diretamente no comércio agrícola latino-americano.

Pequim amplia sua participação como grande compradora de commodities agrícolas e recursos naturais, enquanto Washington preserva sua importância para países fortemente integrados à economia norte-americana.

Essa disputa não se limita a tarifas e barreiras comerciais. Ela também influencia decisões de investimento, infraestrutura, logística e estratégias de abastecimento.

Para os produtores latino-americanos, a existência de diferentes compradores pode representar uma vantagem ao permitir maior diversificação de mercados. Ao mesmo tempo, a dependência de grandes parceiros comerciais mantém a região exposta a mudanças na política econômica e nas relações internacionais.

Soja, carne, frutas e café estão no centro da disputa

As decisões de compra da China têm impacto direto sobre os mercados internacionais de soja, carne bovina, celulose e outras commodities produzidas na América Latina.

Nos Estados Unidos, por outro lado, a demanda dos consumidores sustenta importantes fluxos de produtos latino-americanos, incluindo frutas, hortaliças, alimentos processados e café.

Essa complementaridade ajuda a explicar por que os dois mercados permanecem fundamentais para o comércio exterior da região, ainda que exerçam influência de maneiras diferentes sobre cada país.

Segurança alimentar ganha importância

O novo desenho das cadeias globais de alimentos ocorre em um momento de maior preocupação com segurança alimentar, logística e estabilidade do abastecimento.

Nesse contexto, a capacidade de diversificar compradores, ampliar infraestrutura e estabelecer novas parcerias comerciais pode se tornar um diferencial competitivo para os países latino-americanos.

Para produtores, exportadores, multinacionais e investidores, acompanhar a evolução desse mapa comercial será cada vez mais importante. As decisões tomadas hoje sobre mercados, logística e investimentos podem determinar a posição da América Latina no comércio agrícola mundial nos próximos anos.

FONTE: AgroLatam
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

Ler Mais
Comércio Exterior

Cota de açúcar do Brasil nos EUA pode ser reduzida em quase 56 mil toneladas

O governo dos Estados Unidos sinalizou que poderá retirar e redistribuir parte da cota de açúcar destinada ao Brasil caso o país não apresente propostas comerciais consideradas satisfatórias por Washington.

A ameaça envolve aproximadamente 56 mil toneladas de açúcar, volume que ainda não foi oficialmente distribuído dentro da cota brasileira para o ano fiscal de 2027. A medida ocorre em meio ao aumento da pressão de produtores americanos por uma política mais rígida para a entrada de açúcar estrangeiro.

A declaração foi feita pelo subsecretário de Agricultura dos EUA, Stephen Vaden, durante um simpósio da American Sugar Alliance, realizado na semana passada no Colorado.

Brasil pode perder parte da cota de açúcar

Em 23 de julho de 2026, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou as cotas tarifárias (TRQs) para as importações de açúcar no ano fiscal de 2027, que começa em 1º de outubro de 2026 e termina em 30 de setembro de 2027.

O sistema permite que determinados países enviem volumes previamente definidos de açúcar aos Estados Unidos com tarifas reduzidas. Tradicionalmente, o Brasil recebe uma cota próxima de 156 mil toneladas.

Para o próximo ano fiscal, a cota total dos Estados Unidos foi estabelecida em aproximadamente 1,117 milhão de toneladas, distribuídas entre 39 países.

Até o momento, cerca de 100 mil toneladas foram destinadas ao Brasil. Outras 56 mil toneladas permanecem sem fornecedor definido, o equivalente a aproximadamente 36% da cota tradicional brasileira.

Caso as exigências de Washington não sejam atendidas, esse volume poderá ser redistribuído entre outros países fornecedores.

Por que a cota americana é importante para o Brasil?

Em termos de quantidade, a parcela destinada aos Estados Unidos representa uma pequena fração das exportações brasileiras de açúcar.

A estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indica que o Brasil deverá exportar aproximadamente 35,7 milhões de toneladas de açúcar na safra 2025/26.

Com isso, as cerca de 156 mil toneladas da cota americana correspondem a menos de 0,5% das exportações brasileiras previstas.

O peso comercial da cota, portanto, está menos no volume e mais nas condições de acesso ao mercado americano.

O açúcar que entra dentro do limite estabelecido pelos EUA está sujeito a uma tarifa significativamente menor do que aquela aplicada às importações que ultrapassam a cota.

Para o açúcar bruto, a cobrança dentro da cota é de aproximadamente 0,66 centavo de dólar por libra. Quando o produto entra acima do limite, a tarifa sobe para cerca de 15,36 centavos de dólar por libra.

Convertidos para toneladas, os valores equivalem a aproximadamente US$ 14,60 por tonelada dentro da cota, contra cerca de US$ 338,60 por tonelada fora dela, antes de possíveis tarifas adicionais.

Produtores americanos pressionam por mais proteção

A disputa envolvendo o Brasil faz parte de uma discussão mais ampla sobre a política de proteção do mercado de açúcar dos Estados Unidos.

Durante o 41º Simpósio Internacional de Açúcar, realizado no Colorado, representantes da indústria americana defenderam mudanças nas tarifas aplicadas ao açúcar importado acima das cotas.

Uma das principais reivindicações envolve a chamada tarifa tier 2, criada em 2000 e aplicada às compras que excedem os limites estabelecidos.

Segundo representantes do setor e do USDA, a tarifa teria perdido parte de sua capacidade de conter o avanço das importações estrangeiras.

Estoques elevados aumentam pressão sobre importações

A discussão ocorre em um momento de estoques elevados no mercado americano.

Carlann Unger, responsável pelo programa de açúcar do USDA, afirmou durante o evento que a atual tarifa já não seria alta o suficiente para funcionar como uma barreira efetiva à entrada de produto estrangeiro.

De acordo com ela, os Estados Unidos começaram o ano fiscal de 2026 com o maior nível de estoques de açúcar já registrado.

Para os produtores americanos, o aumento das importações realizadas fora das cotas contribuiu para pressionar os preços domésticos.

A indústria também utiliza estudos para sustentar a necessidade de mudanças na política comercial.

Estudo aponta perdas bilionárias para produtores dos EUA

Uma pesquisa realizada pelo Centro de Políticas de Risco Agrícola da Universidade Estadual de Dakota do Norte (NDSU) calculou que o crescimento das importações de açúcar acima das cotas teria causado mais de US$ 3 bilhões em perdas aos produtores americanos nas duas últimas safras.

O economista Shawn Arita, um dos responsáveis pelo estudo, afirmou que a pesquisa identificou uma influência significativa das importações sobre os preços praticados no mercado interno dos Estados Unidos.

Nesse cenário, a possível redistribuição das 56 mil toneladas ainda não destinadas ao Brasil ocorre em meio a uma pressão maior por medidas de proteção à indústria açucareira americana.

Para o Brasil, embora o volume represente uma parcela pequena das exportações totais, a manutenção da cota de açúcar é relevante devido à diferença expressiva entre as tarifas cobradas dentro e fora do sistema de cotas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

Ler Mais
Exportação

Exportações brasileiras para a União Europeia crescem 4% após acordo Mercosul-UE

As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram quase 4% nos dois primeiros meses de vigência provisória do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. O dado foi destacado nesta segunda-feira, 10, pelo vice-presidente da República.

Apesar do avanço nas vendas externas, Alckmin também chamou atenção para obstáculos enfrentados pelo Brasil no comércio internacional. Segundo ele, alguns países adotam uma espécie de protecionismo comercial baseado em exigências sanitárias.

A declaração ocorre em meio a dificuldades nas exportações brasileiras de carne bovina e de frango para o mercado europeu.

Exportação de carnes enfrenta restrições na Europa

A União Europeia suspendeu, a partir de 3 de setembro, a autorização para a importação de determinados produtos de origem animal do Brasil. Entre eles estão carnes bovinas e de frango.

Segundo a justificativa apresentada pelo bloco europeu, o Brasil não teria comprovado adequadamente a adoção de novas exigências relacionadas ao controle de antimicrobianos na pecuária.

Durante a abertura do 25º Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Alckmin defendeu o fortalecimento da fiscalização sanitária brasileira.

O vice-presidente destacou investimentos e mudanças na estrutura de vigilância sanitária, afirmando que quase mil profissionais foram revitalizados após 18 anos para reforçar os mecanismos de controle.

Brasil destaca avanços no controle sanitário

Alckmin também citou avanços na situação sanitária do país. Entre os exemplos apresentados está o reconhecimento do Brasil como exportador de carne bovina sem a necessidade de vacinação contra a febre aftosa.

Na área de saúde animal, ele mencionou ainda a influenza aviária, afirmando que o país conseguiu controlar um caso em 28 dias.

Apesar dos avanços, o vice-presidente defendeu a necessidade de ampliar os esforços para garantir o acesso dos produtos brasileiros aos mercados internacionais.

Para Alckmin, exigências sanitárias podem acabar funcionando como uma forma indireta de protecionismo comercial, dificultando a entrada de produtos estrangeiros.

Acordo Mercosul-UE impulsiona vendas brasileiras

Mesmo diante das restrições envolvendo alguns produtos, Alckmin ressaltou o desempenho das exportações brasileiras para o mercado europeu desde o início da vigência provisória do acordo comercial Mercosul-UE.

Segundo o vice-presidente, as vendas do Brasil para a União Europeia avançaram quase 4% nos dois meses seguintes à entrada em vigor do acordo.

Ele avaliou que a abertura de novos mercados e a ampliação das relações comerciais ajudam o Brasil a manter o desempenho positivo das exportações, inclusive diante das dificuldades enfrentadas nas relações comerciais com os Estados Unidos.

Governo promete manter negociação com os Estados Unidos

Alckmin também afirmou que o Brasil pretende continuar negociando com os Estados Unidos para tentar reverter medidas que vêm prejudicando as exportações brasileiras.

Segundo ele, o governo manterá os esforços diplomáticos e comerciais e não pretende abandonar a mesa de negociação.

O vice-presidente classificou como injusta a situação atual e afirmou que o objetivo é corrigir o que considera uma distorção e recuperar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado norte-americano.

De acordo com Alckmin, as medidas adotadas pelos Estados Unidos atingem aproximadamente 15% das exportações brasileiras, com impacto especialmente forte sobre a indústria.

Comércio exterior busca novos mercados

O cenário reforça a importância da diversificação dos destinos das exportações do Brasil. Enquanto o governo tenta solucionar os obstáculos comerciais com os Estados Unidos, o desempenho das vendas para a União Europeia aparece como um dos indicadores positivos para o comércio exterior.

A expectativa é que a implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia amplie as oportunidades para produtos brasileiros e fortaleça a presença do país no mercado europeu.

Ao mesmo tempo, questões sanitárias e barreiras comerciais continuam entre os principais desafios para o agronegócio e para a indústria brasileira no cenário internacional.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Inesc

Ler Mais
Logística

Taxação da China sobre carne brasileira preocupa logística mais que tarifa dos EUA, diz CNT

A nova taxação chinesa sobre a carne brasileira pode representar um impacto maior para a logística nacional do que as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, na avaliação do presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa.

Em entrevista ao Conexão Infra, o dirigente afirmou que a cobrança adicional de 55% aplicada pela China atinge diretamente um dos principais fluxos de exportação do Brasil. Já o mercado norte-americano, embora relevante para produtos brasileiros de maior valor agregado, possui participação menor no volume total das exportações do país.

China tem peso maior na exportação brasileira

Para Vander Costa, a diferença está principalmente na importância de cada mercado para o comércio exterior brasileiro.

A China é um dos principais destinos das exportações nacionais, especialmente de commodities e produtos do agronegócio. Por isso, mudanças nas compras chinesas podem provocar reflexos mais amplos sobre transporte, logística e movimentação de cargas.

Os primeiros efeitos da redução das compras de carne bovina brasileira já começaram a aparecer nos dados de comércio exterior. Informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontaram desaceleração nos embarques do produto.

Na avaliação do presidente da CNT, os Estados Unidos têm uma característica diferente. Embora o Brasil venda ao país produtos industrializados de maior valor agregado, o volume dessas exportações é relativamente menor.

Tarifa dos EUA tem impacto mais limitado, diz CNT

Vander Costa considera que a menor participação dos Estados Unidos na pauta exportadora brasileira ajuda a reduzir os efeitos imediatos das novas tarifas sobre a cadeia logística.

Segundo ele, o Brasil consegue absorver parte do impacto porque o volume comercializado com o mercado norte-americano é menor, mesmo que os produtos exportados tenham maior valor agregado.

O presidente da CNT também avaliou como adequada, no curto prazo, a estratégia do governo brasileiro de manter as negociações com os Estados Unidos. Para ele, tanto o poder público quanto o setor empresarial devem buscar alternativas para reduzir os efeitos das medidas comerciais.

Costa também levantou a possibilidade de que o aumento das tarifas esteja relacionado a objetivos da política interna dos Estados Unidos, incluindo a busca por maior arrecadação.

Diversificação de mercados é apontada como alternativa

Diante do cenário de maior tensão comercial, a diversificação dos mercados de exportação aparece como uma das principais estratégias defendidas pelo presidente da CNT.

A avaliação é de que o Brasil deve ampliar sua presença comercial na Ásia e na Europa, reduzindo a dependência de determinados destinos.

Costa também citou a importância do acordo Mercosul-União Europeia para ampliar as oportunidades de exportação e facilitar o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu.

A busca por novos parceiros comerciais pode ajudar empresas brasileiras a encontrar destinos alternativos caso barreiras tarifárias reduzam a demanda em mercados tradicionais.

Política comercial dos EUA pode favorecer China

Na avaliação de Vander Costa, a política comercial adotada pelo governo de Donald Trump pode produzir um efeito contrário ao objetivo de reduzir a influência chinesa no comércio global.

Segundo o presidente da CNT, a imposição de novas barreiras comerciais pelos Estados Unidos pode abrir espaço para que a China amplie sua influência econômica e comercial em diferentes regiões do mundo.

O dirigente também afirmou que o setor produtivo brasileiro já vinha se preparando para a possibilidade de novas tarifas sobre produtos exportados aos Estados Unidos.

A antecipação das empresas, segundo ele, ajudou a reduzir os efeitos das sobretaxas e permitiu que parte do setor se adaptasse previamente ao novo cenário do comércio internacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

Ler Mais
Internacional

Irã endurece exigências e aumenta pressão sobre os EUA no Estreito de Ormuz

O Irã elevou o tom nas negociações sobre o futuro do Estreito de Ormuz e apresentou condições mais duras para uma eventual reabertura da estratégica rota marítima. As exigências de Teerã indicam que um entendimento limitado negociado com Omã não significa, necessariamente, a retomada da circulação de embarcações nos termos defendidos por Washington.

Representantes dos setores mais radicais do regime iraniano vêm reiterando que os Estados Unidos precisam mudar sua postura antes de qualquer avanço significativo relacionado ao estreito.

A nova lista de condições apresentada por Teerã vai além dos termos previstos no memorando de entendimento firmado em junho, posteriormente suspenso após ataques americanos contra o Irã, a reação iraniana em diferentes pontos do Oriente Médio e uma nova escalada de ataques contra embarcações.

Irã apresenta lista de condições aos EUA

No sábado (8), Mohammad Bagher Zolghadr, uma das figuras de maior influência da Guarda Revolucionária do Irã, apresentou uma série de exigências para que o processo avance.

A postura adotada por Teerã reforça a avaliação de que o governo iraniano considera estar em uma posição favorável nas negociações com os Estados Unidos.

Entre os fatores que podem ter contribuído para essa percepção estão informações sobre a redução dos estoques de munições americanos — negadas pelo presidente Donald Trump — e sinais de que o principal comandante militar dos EUA estaria procurando uma forma de encerrar o conflito.

Teerã também pode estar levando em consideração o histórico de ameaças feitas por Trump de promover grandes ofensivas que, posteriormente, não foram concretizadas nos termos anunciados.

Exigências incluem retirada militar e fim de sanções

Entre as condições apresentadas por Zolghadr está a exigência de que os Estados Unidos suspendam o bloqueio naval e afastem suas forças militares das proximidades do território iraniano.

O representante iraniano também cobrou indenizações pelos danos provocados pelas guerras deste ano e pelo conflito ocorrido em junho do ano anterior, que teve Israel como principal força militar.

Outra exigência é o fim das sanções econômicas contra o Irã, além da liberação, sem condições, dos ativos iranianos atualmente congelados em outros países.

A declaração indica que Teerã pretende que essas medidas sejam adotadas antes — ou pelo menos simultaneamente — a qualquer compromisso relacionado ao Estreito de Ormuz.

Condições entram em choque com acordo anterior

A posição apresentada pelo Irã representa um possível obstáculo ao modelo estabelecido no memorando de entendimento negociado anteriormente.

Pelos termos do documento, as sanções contra o Irã seriam retiradas integralmente somente depois de um acordo definitivo sobre o programa nuclear iraniano.

O memorando também previa uma liberação progressiva dos ativos iranianos congelados no exterior. Nesse caso, os dois lados deveriam definir conjuntamente os procedimentos para liberar os recursos.

A nova posição de Teerã, portanto, altera a ordem das concessões prevista anteriormente e pode dificultar a retomada das negociações sobre a passagem de navios pelo estreito.

Estreito de Ormuz é ponto estratégico

O Estreito de Ormuz ocupa uma posição central nas disputas entre Irã e Estados Unidos por sua importância para a navegação internacional e para o transporte de energia.

Por isso, qualquer restrição prolongada à circulação de embarcações na região pode aumentar a tensão geopolítica e gerar impactos sobre as rotas comerciais e o mercado internacional.

Com a apresentação das novas exigências, o governo iraniano sinaliza que pretende vincular a normalização da navegação no estreito a uma série mais ampla de concessões por parte de Washington.

O movimento aumenta a complexidade das negociações e coloca os Estados Unidos diante de uma agenda que envolve sanções, ativos congelados, presença militar e indenizações, além da própria circulação marítima no Estreito de Ormuz.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Stringer

Ler Mais
Logística

Taxação da China preocupa mais a logística brasileira do que tarifas dos EUA, avalia CNT

A taxação imposta pela China sobre a carne brasileira gera maior preocupação para a logística nacional do que as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos. A avaliação é do presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, que considera o mercado chinês mais relevante para o fluxo de exportações do país.

Em entrevista ao programa Conexão Infra, o dirigente explicou que a medida adotada pela China afeta diretamente um dos principais segmentos da pauta exportadora brasileira, enquanto o volume destinado ao mercado norte-americano tem participação mais limitada.

Queda nas exportações de carne já aparece nos indicadores

Os reflexos da redução das compras chinesas de carne bovina brasileira já começam a ser observados nos dados do comércio exterior. Informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) apontam desaceleração nos embarques do produto.

Segundo Vander Costa, embora os Estados Unidos sejam destino de produtos industrializados de maior valor agregado, a quantidade exportada é relativamente pequena, o que reduz os impactos diretos das tarifas sobre a economia brasileira.

Negociação com os Estados Unidos é considerada estratégia adequada

Na avaliação do presidente da CNT, a decisão do governo brasileiro de manter o diálogo com os Estados Unidos é a alternativa mais adequada neste momento.

Ele também destacou a mobilização do setor empresarial em busca de soluções para reduzir os efeitos das novas tarifas e preservar a competitividade das exportações brasileiras.

Diversificação de mercados ganha força

Para minimizar os riscos provocados pelas barreiras comerciais, Vander Costa defende a ampliação dos mercados compradores dos produtos brasileiros. Segundo ele, a busca por novos parceiros comerciais na Ásia e na Europa, além do avanço do acordo Mercosul-União Europeia, pode abrir novas oportunidades para as exportações nacionais.

O dirigente também avalia que a política tarifária adotada pelos Estados Unidos pode ampliar a influência da China no comércio internacional ao estimular outros países a fortalecerem suas relações comerciais com o mercado asiático.

Setor produtivo já se preparava para novas tarifas

De acordo com o presidente da CNT, empresas brasileiras já vinham se preparando para um cenário de aumento das tarifas norte-americanas, o que ajudou a reduzir parte dos impactos provocados pelas medidas recentes.

Ainda assim, ele reforça que a taxação chinesa representa um desafio mais significativo para a logística, devido ao peso da China como principal destino de importantes produtos do agronegócio brasileiro.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

Ler Mais
Internacional

Estreito de Ormuz: proposta pode ampliar controle do Irã sobre rota estratégica de petróleo

Uma proposta em negociação entre Irã e Omã pode alterar o controle do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo e gás. Segundo fontes ouvidas pela Reuters, o acordo em discussão prevê que Teerã passe a exercer autoridade sobre os navios que ingressam no Golfo Pérsico, representando uma das maiores concessões já consideradas nas tratativas para encerrar o conflito entre Irã e Estados Unidos.

Até o momento, o governo norte-americano não comentou oficialmente o conteúdo da proposta. Embora o presidente Donald Trump tenha afirmado que um acordo para a reabertura da passagem marítima estaria próximo, autoridades dos Estados Unidos reiteraram anteriormente que não aceitariam conceder ao Irã o controle sobre a navegação na região.

Mudança pode alterar o equilíbrio geopolítico no Oriente Médio

Caso seja implementado, o acordo poderá representar uma mudança significativa no equilíbrio de poder no Oriente Médio, fortalecendo a posição estratégica do Irã após meses de conflito com Estados Unidos e Israel.

Antes da guerra, iniciada em fevereiro, o Estreito de Ormuz operava com livre circulação de embarcações, sem cobrança de taxas para o tráfego internacional.

De acordo com fontes regionais, as negociações entre Irã e Omã avançaram nas últimas semanas. O governo iraniano afirma que houve progresso relevante nas conversas e defende que tanto a entrada quanto a saída de navios ocorram por águas sob sua jurisdição.

Irã ameaça infraestrutura energética em caso de novos ataques

Paralelamente às negociações diplomáticas, o Irã enviou alertas a países do Golfo informando que eventuais novos ataques dos Estados Unidos ao território iraniano provocariam retaliações contra instalações estratégicas de energia na região.

Segundo fontes consultadas pela Reuters, Teerã busca aumentar o custo político e militar de uma nova ofensiva ao sinalizar que poderá atingir aliados regionais de Washington.

Nos últimos meses, o Irã respondeu ao conflito com o lançamento de mísseis e drones contra aliados dos Estados Unidos e também intensificou ações contra embarcações comerciais que cruzavam o estreito sem autorização iraniana.

Taxas sobre navios seguem como principal impasse

Apesar dos avanços nas negociações, ainda existem divergências importantes sobre o formato do eventual acordo.

Uma das principais discussões envolve a cobrança de tarifas para embarcações que utilizarem o Estreito de Ormuz. Segundo uma autoridade iraniana, Teerã propõe taxas entre 5% e 7% sobre o valor das cargas transportadas. Omã trabalha com uma alternativa próxima de 3%, enquanto os Estados Unidos defendem que não haja qualquer cobrança.

Outro ponto ainda sem consenso diz respeito ao nível de controle que o Irã teria sobre os navios que deixam o Golfo Pérsico, além daqueles que ingressam na região.

Irã afirma que negociações avançam para fase final

Em declarações à agência estatal IRNA, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que o modelo discutido prevê a passagem de embarcações comerciais por águas territoriais iranianas tanto na entrada quanto na saída do estreito.

Segundo o diplomata, as conversas com Omã alcançaram entendimentos considerados fundamentais e estariam próximas da conclusão.

Gharibabadi também afirmou que o governo iraniano recebeu mensagens dos Estados Unidos indicando disposição para retomar compromissos assumidos em um memorando firmado em meados de junho, condição considerada essencial por Teerã para a reabertura da rota marítima. Apesar disso, o representante iraniano declarou que não houve negociações diretas recentes entre os dois países.

Pressão política cresce sobre Donald Trump

Enquanto busca uma solução diplomática para o conflito, o presidente Donald Trump enfrenta crescente pressão interna. Pesquisas apontam resistência significativa do eleitorado norte-americano à continuidade da guerra, especialmente às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Após meses de confrontos, os Estados Unidos ainda não conseguiram reduzir a influência iraniana sobre o Estreito de Ormuz. Fontes militares também indicam preocupação com a redução dos estoques de armamentos de precisão utilizados durante a campanha militar.

Nos mercados internacionais, os preços do petróleo registraram queda nos últimos dias após Trump suspender novos ataques ao Irã e indicar que as negociações diplomáticas podem abrir caminho para o fim do conflito.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/National Geographic

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook