Comércio

Fim da “taxa das blusinhas” pode prejudicar indústria e varejo, alerta Fiemg

A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) defende a manutenção da tributação sobre importações de pequeno valor e alerta para possíveis impactos negativos do fim da chamada “taxa das blusinhas” sobre a economia brasileira.

A avaliação foi apresentada pela economista da entidade, Juliana Gagliardi, durante participação no Bastidores CNN. Segundo ela, a retirada da cobrança pode ampliar a entrada de produtos estrangeiros e aumentar a pressão sobre a indústria nacional e o comércio varejista.

O que muda com o fim da “taxa das blusinhas”

A chamada “taxa das blusinhas” foi criada pela Lei nº 14.902 com o objetivo de reduzir a diferença de competitividade entre produtos importados e mercadorias fabricadas no Brasil. A medida estabeleceu uma cobrança de imposto sobre determinadas compras internacionais de até US$ 50.

Agora, a MP 1.357, que está em vigor e é discutida no Congresso, prevê a redução dessas tarifas para zero.

Na avaliação de Juliana Gagliardi, a tributação tinha como principal função estabelecer condições mais equilibradas de concorrência entre produtos nacionais e estrangeiros.

A economista também destacou que as empresas brasileiras já enfrentam obstáculos relacionados ao chamado “custo Brasil”, que envolve fatores como burocracia, carga tributária elevada e deficiências na infraestrutura logística.

Indústria e varejo podem ser afetados

Para a Fiemg, a ampliação da entrada de produtos importados de baixo valor pode aumentar a pressão sobre empresas brasileiras.

Segundo Juliana Gagliardi, a chegada de mercadorias estrangeiras em condições consideradas assimétricas pode prejudicar tanto a indústria nacional quanto o varejo, favorecendo a substituição de produtos fabricados no país por itens importados.

A economista avalia que a tributação ajudava a criar um ambiente de maior equilíbrio competitivo para os produtores brasileiros, mesmo diante de outros fatores adversos, como juros elevados, desaceleração da economia e medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.

Tributação não resolve sozinha os problemas do Brasil

Apesar de defender a manutenção da cobrança sobre importações de pequeno valor, Juliana Gagliardi ressalta que a medida, isoladamente, não é suficiente para melhorar a competitividade das empresas brasileiras.

Na avaliação da economista, o país precisa avançar em reformas estruturais, investimentos em infraestrutura e melhorias no ambiente de negócios, além das questões relacionadas à tributação.

A proposta, segundo ela, é criar condições para que as empresas nacionais possam se reorganizar, reduzir desvantagens competitivas e permanecer atuantes no mercado diante do aumento da concorrência internacional.

FONTE: CNN Brasil

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução/CNN

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Portos

Como os produtos chegam ao destino: o papel dos portos e dos diferentes modais de transporte

Alimentos, combustíveis, medicamentos, fertilizantes e produtos industrializados percorrem diferentes caminhos antes de chegar ao consumidor. Nesse trajeto, podem ser utilizados caminhões, trens, navios e hidrovias, em uma operação logística que conecta regiões produtoras, portos, centros de distribuição e mercados.

Uma carga pode deixar uma fazenda, indústria ou unidade de produção por rodovia ou ferrovia e seguir até um terminal portuário. No porto, é embarcada em um navio e transportada por centenas ou milhares de quilômetros. Ao chegar ao destino, o produto volta a utilizar outros modais até alcançar uma indústria, centro de distribuição, estabelecimento comercial ou consumidor final.

Os números mostram a importância dessa estrutura para o país. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) apontam que os portos brasileiros movimentaram 1,4 bilhão de toneladas de cargas em 2025, o maior volume já registrado no Brasil. Desse total, 164,6 milhões de toneladas corresponderam a cargas conteinerizadas, que incluem produtos industrializados e bens de consumo.

A relevância do transporte marítimo também aparece no comércio exterior. Aproximadamente 95% das operações internacionais brasileiras são realizadas por via marítima, fazendo dos portos uma peça fundamental tanto para a chegada de produtos e matérias-primas quanto para as exportações.

Transporte marítimo também conecta diferentes regiões do Brasil

A navegação não é utilizada apenas para operações internacionais. Produtos e matérias-primas também podem ser transportados entre portos brasileiros ou entre plataformas offshore e unidades terrestres, como refinarias.

Esse tipo de operação é conhecido como cabotagem.

Nesse modelo, uma carga pode deixar uma região do país por navio, percorrer a costa brasileira e desembarcar em outro estado, onde o transporte terrestre completa o percurso até o destino final.

Do campo ao supermercado

Um exemplo dessa integração entre modais está no transporte de alimentos. Depois da colheita, o arroz pode passar por processos de secagem e armazenamento antes de ser levado por caminhão ou trem até um porto. A partir daí, a carga pode seguir de navio pela costa até outra região brasileira. Após o desembarque, o produto volta para o transporte terrestre, chegando a centros de distribuição e, posteriormente, aos supermercados.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Rio Grande do Sul responde por aproximadamente 70% da produção nacional de arroz em 2026. Dessa forma, parte da produção originada no Sul pode utilizar o transporte marítimo para abastecer consumidores de outras regiões.

A mesma lógica pode ser aplicada a produtos como café, açúcar, milho e frango congelado, que percorrem diferentes etapas e podem combinar rodovias, ferrovias e transporte marítimo.

Portos também garantem o abastecimento do campo

A importância dos portos não está restrita ao transporte de produtos que chegam ao consumidor. Eles também são fundamentais para a entrada de insumos utilizados na produção agrícola. É o caso dos fertilizantes e adubos importados. Em 2025, as importações desses produtos alcançaram 49,3 milhões de toneladas.

A operação começa no país de origem, onde os fertilizantes são embarcados em navios. No Brasil, a carga chega ao terminal portuário, passa por processos de movimentação e armazenagem e, posteriormente, segue por transporte terrestre até as regiões agrícolas. Entre as cargas de maior relevância para a navegação estão o petróleo e seus derivados.

Na cabotagem brasileira, granéis líquidos e gasosos representam cerca de 75% das cargas transportadas, com destaque para petróleo e gás natural. Em 2025, a navegação de cabotagem movimentou aproximadamente 223 milhões de toneladas.

Mas os portos também movimentam uma grande variedade de produtos que chegam ao país em contêineres. Nessa categoria estão peças, máquinas, equipamentos, eletrodomésticos, produtos químicos, roupas, eletrônicos e outros bens presentes no cotidiano.

Assim, antes de chegar às prateleiras ou às mãos do consumidor, muitos produtos percorrem uma verdadeira rede logística, que integra portos, rodovias, ferrovias e hidrovias. Essa combinação de modais permite conectar áreas produtoras, indústrias e centros consumidores dentro e fora do Brasil.

Com informações do Ministério de Portos e Aeroportos.

Texto: Redação

Imagem: Divulgação/Porto de Pecém

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Comércio

Correios passam a entregar compras de lojas do Paraguai em todo o Brasil

Os Correios começaram a realizar a entrega no Brasil de produtos comprados pela internet em duas lojas de Ciudad del Este, no Paraguai. A iniciativa envolve a Cellshop e a New Zone Importados, empresas conhecidas pela comercialização de eletrônicos na cidade paraguaia localizada na fronteira com Foz do Iguaçu (PR).

A nova operação permite que consumidores brasileiros façam pedidos diretamente nos sites das lojas e recebam as mercadorias em endereços de diferentes regiões do país. O transporte será feito pelo Correios Packet, serviço destinado ao envio de encomendas internacionais.

Como funciona a compra de produtos do Paraguai

Com a parceria, o consumidor poderá adquirir pela internet itens comercializados pelas duas varejistas paraguaias sem precisar atravessar a fronteira para fazer a compra.

Segundo os Correios, a modalidade amplia o acesso dos brasileiros ao comércio eletrônico paraguaio e pode beneficiar também os lojistas, ao facilitar a entrada de seus produtos no mercado brasileiro.

A utilização da estrutura logística da estatal também tem potencial para reduzir custos e tornar as operações de entrega mais simples para as empresas participantes.

Expansão das importações preocupa varejo brasileiro

A ampliação das vendas de produtos paraguaios pela internet ocorre em um cenário de forte debate sobre a concorrência de produtos importados com a indústria e o varejo nacionais.

Entidades do comércio brasileiro já alertaram para os possíveis efeitos do crescimento das compras internacionais. De acordo com levantamento da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a manutenção da isenção tributária pode colocar em risco cerca de 100 mil empregos.

A discussão ganhou destaque com a chamada “taxa das blusinhas”, que modificou a cobrança de impostos sobre compras internacionais de pequeno valor, especialmente aquelas de até US$ 50.

Parceria ajuda plano de recuperação dos Correios

A entrada dos Correios nesse modelo de operação também está relacionada ao esforço da estatal para ampliar receitas e melhorar sua situação financeira.

A empresa acumulou um prejuízo de R$ 5,4 bilhões no primeiro trimestre deste ano, enquanto o resultado negativo de 2025 chegou a R$ 8,5 bilhões, segundo os dados apresentados no texto.

Nesse contexto, ampliar a atuação no segmento de encomendas internacionais faz parte da estratégia de reestruturação e busca por novas fontes de receita.

Lojas paraguaias participam do Remessa Conforme

As duas empresas envolvidas na parceria estão autorizadas a comercializar seus produtos para consumidores brasileiros e fazem parte do Remessa Conforme, programa da Receita Federal voltado ao comércio eletrônico internacional.

O sistema exige que empresas participantes forneçam antecipadamente informações relacionadas às importações, permitindo maior controle das operações e dos tributos incidentes sobre as encomendas.

Desde maio, o imposto federal de importação para compras de até US$ 50 feitas por plataformas enquadradas nas regras do programa está zerado, embora a medida tenha caráter temporário.

A isenção do imposto federal, porém, não elimina a cobrança do ICMS, tributo estadual que continua incidindo sobre as compras internacionais.

Com a nova parceria, os Correios passam a ocupar um papel direto na expansão das compras online em lojas de Ciudad del Este, enquanto os varejistas paraguaios ganham uma nova porta de acesso ao consumidor brasileiro.

FONTE: Tribuna Paraná
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Portos

JBS Terminais amplia conexão com a Ásia com novo serviço ZIM Falcon Services

A JBS Terminais amplia sua atuação no comércio internacional com a chegada do ZIM Falcon Services (ZFS), novo serviço marítimo que reforça a conexão de Itajaí com a Ásia. O primeiro navio da operação está previsto para chegar em outubro.

A novidade amplia as alternativas disponíveis para importadores e exportadores, fortalecendo a integração de Itajaí com um dos principais mercados do comércio global.

Produtos movimentados nas operações

O novo serviço contempla uma ampla variedade de cargas. Entre os principais produtos previstos nas importações estão máquinas e equipamentos, plásticos, borracha, produtos químicos e eletrônicos.

Já nas exportações, destacam-se carnes congeladas, celulose, madeira, papel e algodão, produtos importantes para a movimentação do comércio exterior brasileiro.

Itajaí ganha novas oportunidades no comércio exterior

A chegada do ZIM Falcon Services representa mais uma alternativa para empresas que atuam no mercado internacional e contribui para ampliar as conexões logísticas de Santa Catarina.

Com novas rotas e serviços, Itajaí fortalece sua posição estratégica no comércio exterior, oferecendo mais possibilidades de conexão e uma logística cada vez mais integrada ao mercado global.

FONTE: JBS Terminals

TEXTO: Redação

IMAGEM: JBS

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Portos

TCP movimenta mais de 800 contêineres de cargas fracionadas em 2026

Terminal de Contêineres de Paranaguá recebeu 851 unidades no primeiro semestre, com mais de 9 mil processos de entrega registrados entre janeiro e julho

Entre janeiro e julho de 2026, a TCP, administradora do Terminal de Contêineres de Paranaguá, recebeu 851 contêineres de cargas fracionadas, modalidade conhecida como LCL (less than a container load).

O sistema permite reunir mercadorias de diferentes importadores em uma única unidade de transporte marítimo. A estratégia otimiza o espaço disponível e pode reduzir custos de importação, além de diminuir a burocracia para empresas que não possuem volume suficiente para ocupar um contêiner inteiro.

Operação LCL ganha agilidade no terminal

Segundo Fabio Mattos, gerente comercial da TCP, a estrutura do terminal contribui para tornar o processo de cargas LCL mais rápido. A empresa conta com mais de 9 mil metros quadrados de área no maior armazém em zona primária do Brasil.

De acordo com o executivo, a liberação de cargas fracionadas ocorre, em média, em 48 horas. Para importadores de Curitiba e da Região Metropolitana, a TCP também oferece entrega diretamente no endereço do cliente.

Nos primeiros sete meses do ano, o terminal contabilizou 9.034 processos de entrega de cargas fracionadas aos respectivos destinatários. Entre os produtos movimentados, plásticos e suas obras tiveram maior participação, respondendo por aproximadamente 46% dos processos.

Como funciona a desova de cargas LCL

A operação começa com o posicionamento do contêiner LCL na doca do armazém alfandegado de importação. Depois da retirada do lacre, a unidade é aberta e as mercadorias passam por conferência e aferição.

Na sequência, as remessas são retiradas do contêiner e organizadas de acordo com cada cliente. As cargas são então paletizadas e embaladas, concluindo a chamada desova de contêineres LCL.

Washington Renan Bohnn, gerente de operações logísticas da TCP, explica que esse procedimento permite separar as diferentes remessas transportadas dentro da mesma unidade.

Estrutura própria reduz burocracia e custos

Quando um terminal portuário não dispõe de um armazém alfandegado para importação, a desova dos contêineres LCL precisa ocorrer em outro recinto alfandegado.

Nessas situações, o importador precisa solicitar documentos como a Declaração de Trânsito Aduaneiro (DTA) ou a Declaração de Trânsito de Contêineres (DTC) para viabilizar a transferência da unidade.

Esse procedimento pode aumentar o tempo da operação e gerar custos adicionais na importação. A estrutura disponível na TCP permite que o processo seja realizado dentro do próprio terminal, reduzindo etapas e tornando a operação mais direta.

Comparativo com o volume de 2025

Em todo o ano de 2025, a TCP recebeu 1.508 contêineres LCL destinados à importação. No mesmo período, foram registrados 16.405 processos de entrega de cargas fracionadas.

FONTE: Modais em Foco
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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Importação

Nova atualização do cronograma de ligamento da DUIMP

O cronograma de ligamento da DUIMP foi atualizado para definir, de forma escalonada, a entrada de novas operações de importação no Portal Único Siscomex.

A programação contempla operações que ainda dependem da atuação de órgãos anuentes ou que apresentam características específicas ainda não disponíveis no sistema.

A figura abaixo detalha a última fase deste Cronograma, indicando as operações que anteriormente constavam como “Impossibilidades” no Portal Único Siscomex.

FONTE: Siscomex
TEXTO: Redação
IMAGEM: Gerada por IA

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Especialista

O Clima Contra a Logística Global: Por que o Seguro Internacional deixará de ser custo e virou estratégia de sobrevivência

A passagem do Tufão Dolphin pela costa leste da China — provocando o fechamento temporário e a desaceleração de mega-hubs portuários como Ningbo-Zhoushan e Xangai, é um lembrete severo sobre a vulnerabilidade das cadeias globais de suprimentos.

Quando os maiores portos do planeta entram em efeito dominó, o impacto no Brasil é imediato e doloroso:

No lado da Exportação: Navios carregados com commodities brasileiras (como soja, minério de ferro e proteína animal) enfrentam longas filas de espera (anchorage time), gerando custos altíssimos de demurrage e atrasando a liquidação dos contratos.

No lado da Importação: O cancelamento de escalas (blank sailings) e o atraso no envio de insumos industriais, eletrônicos e peças de reposição afetam diretamente as linhas de produção no Brasil, gerando desabastecimento e encarecendo os fretes marítimos spot.

No pátio e no mar: O acúmulo de contêineres e o manuseio sob condições adversas aumentam drasticamente os riscos de avarias físicas, tombamentos e umidade.


A Batalha Invisível: Por que o Seguro de Transporte Internacional é indispensável?

Muitos operadores logísticos e empresários assumem que a responsabilidade por imprevistos é integralmente do armador ou do transportador. Trata-se de um mito perigoso. A responsabilidade das companhias marítimas é limitada por convenções internacionais e contratos de frete, raramente cobrindo o valor real da mercadoria ou os prejuízos decorrentes de fenômenos naturais.

Um seguro de transporte internacional bem estruturado vai muito além de proteger contra “perda total”. Ele blinda a saúde financeira da empresa em três frentes críticas:

1. Avaria Grossa (General Average): O risco que pouca gente calcula

Em situações extremas de tempestade ou encalhe, se o comandante precisar sacrificar parte do navio ou lançar cargas ao mar para salvar a embarcação e o restante da mercadoria, a lei marítima internacional exige que todos os donos de carga a bordo dividam proporcionalmente os prejuízos.

  • Mercadorias Sem seguro: Sua carga pode nem ter sido danificada, mas ficará retida no porto até que você deposite uma garantia bancária (que pode chegar a dezenas ou centenas de milhares de dólares) para cobrir a sua quota-parte do prejuízo geral.
  • Com seguro: A seguradora assume a garantia e cuida da liberação da carga, sem desorganizar o seu caixa.

2. Coberturas Amplas (Cláusula All Risks / ICC “A”)

Eventos climáticos não geram apenas perdas totais. Ventos fortes e mar agitado causam quedas de contêineres, entrada de água do mar, tombamentos no convés e avarias por deslocamento de carga no interior do cofre. A apólice adequada garante indenização tanto para danos parciais quanto para perdas totais decorrentes do mau tempo ou manuseio emergencial nos pátios.

3. Garantia de Fluxo de Caixa e Previsibilidade

Uma operação sem seguro troca uma despesa previsível e irrisória (o prêmio do seguro) por um risco financeiro catastrófico imprevisível. Em momentos de crise nas rotas asiáticas, ter a indenização garantida permite recompor o estoque ou reimportar insumos sem comprometer a continuidade do negócio.

Checklist Prático: Como blindar sua operação hoje

Para garantir que a sua cobertura seja efetiva quando o imprevisto acontecer:

  1. Revise os Incoterms® da negociação: Tenha clareza de quem é a responsabilidade pela contratação do seguro no contrato (ex: FOB x CIF ou CIP x FCA).
  2. Exija Cobertura “All Risks” (ICC – Institute Cargo Clauses “A”): Garanta a maior amplitude possível contra avarias, e confirme se a cláusula de Avaria Grossa está devidamente coberta.
  3. Monitore o Lead Time e Gerencie Riscos: Acompanhe os avisos das armadoras e mantenha margens de segurança no planejamento de estoque durante a temporada de tufões e furacões na Ásia e Américas.
  4. Alinhe os Vistoriadores: Tenha certeza de que seu corretor/seguradora conta com rede de regulação de avarias nos portos de origem e destino.

Não temos controle sobre a força dos tufões ou a saturação dos portos mundiais, mas temos controle absoluto sobre a gestão do nosso risco. Proteger o capital investido na carga é o único caminho para manter a competitividade e a sustentabilidade no Comércio Exterior.

Sua operação no trecho Ásia-Brasil já está preparada para os impactos operacionais dos próximos meses?

Renata Palmeira é CEO do RêConecta News, executiva comercial e especialista em Logística, Comércio Exterior e Gestão de Pessoas. Com mais de 25 anos de experiência nos setores de vendas e logística, atua na gestão comercial, desenvolvimento de equipes e soluções logísticas integradas. Fundadora do portal RêConecta News, trabalha para ampliar a visibilidade e o posicionamento estratégico de empresas e profissionais de Comex e Logística, além de atuar como palestrante nas áreas de vendas, marketing e logística.

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Comércio Exterior

FIESC reforça parceria com o Paraguai para ampliar comércio exterior e rotas logísticas

A FIESC participa da missão oficial do Governo de Santa Catarina ao Paraguai com foco na ampliação das relações comerciais e no fortalecimento da integração econômica entre os dois países. A iniciativa pretende consolidar o país vizinho como um parceiro estratégico no Mercosul, incentivando novos negócios e ampliando o intercâmbio comercial na região.

Na noite de quinta-feira (6), a comitiva catarinense participou de um encontro com o embaixador do Brasil no Paraguai, José Antônio Marcondes de Carvalho, dando início à agenda institucional no país.

Portos de Santa Catarina são apresentados como alternativa logística

A delegação da FIESC é formada pelo presidente da entidade, Gilberto Seleme, e pela presidente do Conselho de Comércio Exterior, Maria Teresa Bustamante. Durante a missão, o grupo apresenta a estrutura e a eficiência dos portos de Santa Catarina como uma opção estratégica para a movimentação de cargas paraguaias destinadas à exportação e importação.

Segundo Gilberto Seleme, o estado reúne condições para se tornar uma referência logística para o comércio exterior do Paraguai.

“Santa Catarina tem potencial para se tornar a alternativa logística preferencial do comércio exterior do Paraguai. Queremos consolidar rotas competitivas que passem pelo nosso estado, permitindo que a movimentação de produtos e mercadorias importadas e exportadas pelo país vizinho utilize a alta capacidade e expertise dos portos catarinenses”, afirmou.

Agenda inclui autoridades do governo e do Congresso paraguaio

A programação oficial segue nesta sexta-feira (7) com reuniões entre a delegação catarinense e o ministro da Indústria e Comércio do Paraguai, Marco Riquelme, além dos vice-ministros Javier Viveros, da Indústria, e Eduardo Gustale, da REDIEX.

Parte da comitiva também será recebida pelo vice-presidente da República do Paraguai, Lorenzo Alliana Rodríguez.

Além dos encontros com representantes do Poder Executivo, a missão prevê reuniões com parlamentares paraguaios, incluindo o presidente da Câmara dos Deputados, Raúl Latorre, presidentes de comissões temáticas do Congresso e o governador do departamento de Misiones, Richard Ramírez.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC

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Logística

Cabotagem e navegação de longo curso: entenda as diferenças e a importância para a logística brasileira

Apesar de utilizarem a mesma infraestrutura portuária, a cabotagem e a navegação de longo curso desempenham funções distintas no transporte marítimo. Enquanto uma é voltada ao deslocamento de cargas entre portos brasileiros, a outra conecta o país ao mercado internacional por meio das exportações e importações.

Um exemplo dessa diferença é o transporte de contêineres com eletrodomésticos entre Manaus e o Porto de Santos, operação típica da cabotagem. Já um navio que parte de Santos carregado de soja com destino à Ásia realiza uma viagem de longo curso, voltada ao comércio exterior.

Navegação de longo curso impulsiona exportações brasileiras

A navegação de longo curso é a principal responsável pela movimentação de cargas destinadas ao mercado internacional. Dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostram que, em 2025, mais de 80% do volume transportado nessa modalidade foi destinado às exportações, enquanto aproximadamente 20% correspondeu às importações.

No período, esse segmento movimentou mais de 1 bilhão de toneladas, com destaque para granéis sólidos, como minério de ferro, soja, milho e açúcar, produtos que representam parcela significativa da pauta exportadora brasileira.

Cabotagem fortalece o abastecimento interno

Já a cabotagem atende principalmente à logística nacional, conectando diferentes regiões do país por via marítima. Nessa modalidade predominam os granéis líquidos e gasosos, que representam cerca de 75% da carga transportada, incluindo petróleo e gás natural enviados de plataformas marítimas para refinarias brasileiras.

Além disso, a cabotagem também movimenta cargas em contêineres, transportando produtos como eletrodomésticos, biocombustíveis, alimentos, vestuário e diversos bens destinados ao abastecimento do mercado interno.

Em 2025, a modalidade registrou a movimentação de aproximadamente 223 milhões de toneladas, segundo o Estatístico Aquaviário da Antaq.

Integração logística amplia eficiência do transporte

A cabotagem faz parte da logística multimodal brasileira ao operar de forma integrada com rodovias, ferrovias e hidrovias, facilitando o transporte de mercadorias entre polos industriais, centros de distribuição e mercados consumidores.

Essa integração contribui para reduzir custos logísticos, aumentar a eficiência no transporte de cargas e diminuir os impactos ambientais em comparação com outros modais.

Modalidades complementares para o desenvolvimento do país

Embora tenham finalidades distintas, cabotagem e navegação de longo curso são fundamentais para o desenvolvimento econômico do Brasil.

Enquanto a cabotagem garante o abastecimento interno, melhora a distribuição de mercadorias e fortalece a integração entre as regiões brasileiras, a navegação de longo curso amplia a presença do país no comércio internacional, impulsionando as exportações e assegurando a chegada de produtos importados aos portos nacionais.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rafael Medeiros

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Internacional

China amplia presença no mercado de tratores e aumenta pressão sobre a indústria brasileira

A crescente participação da China no mercado de tratores representa um novo desafio para a indústria nacional de máquinas agrícolas, que já enfrenta os reflexos da retração nos investimentos dos produtores rurais nas últimas safras. Dados inéditos da COGO Inteligência em Agronegócio revelam que, entre janeiro e junho de 2026, o Brasil importou US$ 200,4 milhões em tratores, totalizando 14.985 unidades. Desse volume, 67% tiveram origem chinesa.

Estudo aponta vantagem competitiva dos fabricantes chineses

O levantamento foi elaborado com base em informações oficiais de comércio exterior, registros da Receita Federal e dados corporativos das fabricantes asiáticas. Segundo a consultoria, as empresas chinesas conseguem produzir tratores com custos até 27% menores em comparação às indústrias instaladas no Brasil.

Entre os fatores que explicam essa vantagem estão a maior escala de produção, o menor custo do aço e despesas reduzidas com mão de obra. Como consequência, os equipamentos chegam ao mercado brasileiro com preços entre 30% e 40% inferiores aos praticados pelas marcas tradicionais do setor.

Para Carlos Cogo, sócio-diretor da COGO Inteligência em Agronegócio, o movimento deixou de ser apenas um aumento nas importações e passou a representar uma estratégia industrial completa. Segundo ele, além da chegada dos produtos, fabricantes chinesas estão ampliando fábricas, estruturando redes de distribuição e oferecendo soluções próprias de financiamento.

Fabricantes chinesas aceleram investimentos no Brasil

Entre os destaques do estudo está a expansão da YTO, líder do mercado chinês de tratores, que anunciou a instalação de uma fábrica em Caruaru (PE). O investimento previsto varia entre R$ 150 milhões e R$ 500 milhões, com expectativa de gerar até 3 mil empregos e capacidade inicial de produzir entre 100 e 120 tratores por mês a partir do fim de 2026.

Outro projeto identificado pela consultoria prevê um aporte de R$ 200 milhões para uma unidade com capacidade de fabricar 5 mil tratores por ano, volume equivalente a cerca de 10% de todo o mercado brasileiro registrado em 2025.

A XCMG também amplia sua atuação no país por meio do Banco XCMG, instituição financeira com carteira de crédito de R$ 697 milhões. Embora atualmente o foco esteja em outros segmentos, a estrutura poderá ser direcionada ao financiamento de máquinas agrícolas.

Já a Zoomlion declarou como objetivo conquistar 10% do mercado brasileiro, apostando em uma estratégia integrada que reúne venda de equipamentos e serviços financeiros.

Avanço vai além dos tratores

A ofensiva das empresas chinesas não se restringe ao segmento de tratores. O estudo mostra que fabricantes como Boshiran, CRCHI e Swan já realizam testes e comercializam colhedoras de algodão em Mato Grosso, principal estado produtor da cultura.

Ao mesmo tempo, marcas como Lovol, YTO e Zoomlion expandem sua atuação no mercado de colheitadeiras de grãos, utilizando a mesma estrutura comercial desenvolvida para os tratores.

Segundo a consultoria, esse modelo de expansão segue um padrão observado anteriormente em outros setores da economia brasileira: inicia-se pela importação de equipamentos, evolui para a instalação de fábricas, nacionalização de componentes e, posteriormente, busca acesso a linhas públicas de crédito, como Finame e Moderfrota.

Setor nacional acompanha avanço com preocupação

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) já reconheceu que o crescimento da presença chinesa representa atualmente um desafio ainda maior para o setor do que as tarifas impostas pelos Estados Unidos, conforme declaração de sua presidência à imprensa em julho de 2026.

Para Carlos Cogo, a participação ainda reduzida das fabricantes chinesas no mercado brasileiro não deve ser interpretada como um limite para sua expansão, mas como o início de um processo de crescimento.

Na avaliação do especialista, a resposta da indústria instalada no Brasil dependerá menos de medidas de proteção comercial e mais de investimentos em eficiência, inovação tecnológica, qualidade no pós-venda, fortalecimento das redes de distribuição e ampliação das alternativas de crédito aos produtores.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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