Especialista

Como diagnosticar uma operação logística antes de propor uma solução

Em um mercado cada vez mais pressionado por custos, prazos e eficiência, encontrar soluções para os desafios logísticos exige mais do que identificar um problema aparente. É necessário compreender como a operação funciona, avaliar seus processos e considerar as pessoas envolvidas em cada etapa.

Ao longo de quase 30 anos no setor de transporte e logística, construí minha experiência passando por diferentes funções, desde ajudante de motorista até atividades ligadas à operação, gestão de frota, logística portuária, cabotagem, comercial e desenvolvimento de projetos.

Essa vivência me ensinou a importância de olhar para a operação de forma integrada. Antes de propor uma mudança, é preciso entender o cenário e identificar o que realmente precisa ser resolvido.

Uma dificuldade logística pode ter diferentes origens. Um atraso, por exemplo, não deve ser analisado de maneira isolada. É importante compreender o fluxo operacional, os processos envolvidos e os fatores que podem estar interferindo no resultado.

O mesmo vale para custos elevados, baixa produtividade ou problemas de comunicação entre equipes.

Por isso, o primeiro passo é conhecer a realidade da operação. Isso significa observar como as atividades são executadas, ouvir os profissionais envolvidos e entender as necessidades do cliente.

5 pontos que devem ser observados em um diagnóstico logístico

1. Entender o fluxo operacional

É fundamental conhecer as etapas da operação, desde a entrada do pedido no sistema até a entrega final. Compreender esse fluxo permite visualizar como as atividades se conectam e identificar pontos que merecem uma análise mais aprofundada.

2. Avaliar os custos

A gestão de custos precisa considerar mais do que os valores mais evidentes. É importante observar fatores relacionados à frota, manutenção, produtividade e execução dos processos, buscando compreender onde estão as oportunidades de melhoria.

3. Analisar a gestão de frota

A frota precisa ser avaliada considerando sua utilização, manutenção, disponibilidade e relação com as necessidades da operação. Uma análise integrada ajuda a compreender como as decisões relacionadas aos veículos e às equipes podem afetar o desempenho logístico.

4. Considerar as pessoas e a comunicação

Os profissionais que participam da operação conhecem dificuldades e particularidades do trabalho diário. Ouvir essas pessoas e compreender a comunicação entre as equipes é parte importante da análise, especialmente quando existem conflitos ou dificuldades de execução.

5. Compreender a necessidade do cliente

Uma solução logística precisa estar alinhada à necessidade de quem contrata o serviço. Isso exige compreender as características da demanda, as condições operacionais e os objetivos envolvidos, evitando propostas que não correspondam à realidade do cliente.

O problema nem sempre está onde parece

Uma das dificuldades na gestão logística é tratar apenas o sintoma de um problema, sem compreender sua origem. Quando uma operação apresenta resultados abaixo do esperado, a resposta não deve ser necessariamente uma mudança imediata. Antes, é preciso investigar os fatores envolvidos e entender como eles se relacionam. Essa análise ajuda a direcionar as decisões e a construir soluções mais coerentes com as necessidades identificadas.

Conhecer a logística na prática permite compreender melhor os desafios enfrentados por motoristas, equipes operacionais, gestores e clientes. Essa visão contribui para aproximar o planejamento da realidade do transporte e permite avaliar as decisões considerando diferentes etapas da cadeia logística.

Na minha atuação com comercial, gestão de projetos e frota, procuro justamente conectar essas perspectivas para compreender os desafios e identificar possibilidades de solução.

Diagnosticar antes de agir

Uma operação logística reúne processos, pessoas, recursos e decisões que precisam funcionar de maneira integrada. Por isso, antes de propor uma solução, considero essencial compreender o cenário, avaliar os custos, ouvir os envolvidos e identificar a origem das dificuldades.

Afinal, uma solução logística começa pelo entendimento correto do problema.

É essa combinação entre experiência prática, visão operacional e compreensão das necessidades do cliente que procuro levar ao meu trabalho.

Imagem: Ilustrativa / Feita com IA

Fábio Lins é profissional do setor de transporte e logística, com 30 anos de experiência e uma trajetória construída da operação à gestão. Formado em Gestão Comercial, atualmente, integra a Sigatrans Logística, aliando conhecimento prático, experiência em gestão e visão estratégica para o desenvolvimento de soluções logísticas eficientes.

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Eventos

DF Group inaugura nova sede em Itajaí e marca nova fase de sua trajetória

Encontro reuniu clientes, parceiros e amigos no dia 1º de outubro e celebrou o crescimento do grupo, que nasceu em uma pequena sala e hoje reúne diferentes soluções para logística e comércio exterior


A noite de 1º de outubro marcou um novo capítulo na história da DF Group. Em Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, clientes, parceiros, amigos e integrantes da equipe se reuniram para celebrar a inauguração da nova sede do grupo, em um momento que simboliza não apenas a expansão da estrutura física, mas também uma nova fase de crescimento e consolidação da empresa.

Com 115 metros quadrados, o novo escritório foi projetado para acompanhar o crescimento da operação e oferecer uma estrutura mais adequada para receber equipe, clientes e parceiros.

Mais do que uma nova sede, a inauguração representa a evolução de um projeto que começou há mais de uma década, em uma sala de menos de 9 metros quadrados, a partir da iniciativa de Tarcísio Olivier Defanti. Ao longo dos anos, seus irmãos se juntaram ao projeto e a empresa ampliou gradualmente sua atuação, dando origem a diferentes negócios e soluções dentro da cadeia logística.

Hoje, Tarcísio Olivier Defanti, Luiz Eduardo Defanti e Daniel Malta integram a sociedade e a diretoria da DF Group, que reúne diferentes frentes de atuação voltadas à logística e ao comércio exterior. “Durante muitos anos, a DF teve uma atuação mais concentrada no agronegócio. Até que, em 2023, enfrentamos um cenário de colapso logístico que nos levou a redirecionar o nosso leme. Foi a partir desse momento que surgiu a ideia de criar um ecossistema, buscando gerar mais eficiência e eficácia para as operações. Essa é uma nova fase também pelos desafios de estarmos em Itajaí, onde está concentrada uma grande parte dos agentes de carga do Brasil. Queremos oferecer algo diferenciado ao mercado, com suporte em todas as etapas do processo e uma solução cada vez mais completa para os nossos clientes,” destaca Tarcísio.

Um ecossistema de soluções

A expansão da DF Group também foi acompanhada pela diversificação de suas operações. Atualmente, o grupo reúne empresas com atuações complementares, como a DF Soluções Logísticas, voltada à gestão integrada da cadeia; a DF Cargo, especializada em frete internacional; e a TEXVIA, com foco em inteligência e gestão do transporte rodoviário.

Essa estrutura deu forma ao conceito de “One Stop Shop Logistics Solutions”, que busca reunir diferentes serviços e competências em uma mesma plataforma, facilitando a gestão das operações e ampliando o suporte oferecido aos clientes.

“Estamos procurando oferecer tudo aquilo que sentimos que o mercado precisa. Muito mais do que transportar cargas, queremos oferecer consultoria e atender toda a cadeia logística, entregando um suporte completo aos nossos clientes. É um desafio muito grande, mas também uma oportunidade de fazer diferente”, explica o diretor Daniel Malta.

Na prática, a proposta envolve acompanhar diferentes momentos da operação, desde a preparação da carga até sua chegada ao destino. Entre os serviços estão transporte rodoviário e multimodal, despacho aduaneiro, armazenagem, frete internacional, operações portuárias para cargas especiais, cross docking, estruturas de Redex/Clia, gerenciamento operacional e consultoria em comércio exterior.

“Queremos nos especializar cada vez mais nisso. Atuamos desde o fechamento do booking, passando pela coleta e pelo transporte, até a entrega no destino final. Ou seja, acompanhamos toda a cadeia logística, desde a preparação da carga até a chegada ao destino”, reforça Luiz Eduardo Defanti.

Crescer sem perder a proximidade

A expansão da DF Group acontece em um mercado em que logística e comércio exterior exigem cada vez mais integração entre diferentes etapas da operação. Nesse cenário, o grupo aposta na combinação entre estrutura, conhecimento de mercado e proximidade com os clientes.

A nova sede em Itajaí representa não apenas a expansão da estrutura da DF Group, mas também um passo importante na trajetória construída pelo grupo ao longo dos anos. Essa história também é compartilhada por quem acompanha de perto o crescimento da empresa. É o caso de Suelen Veiga Pereira, analista de exportação que atua em Paranaguá e integra a equipe desde 2019, sendo a funcionária mais antiga da DF Group.

Para ela, permanecer na empresa ao longo desses anos está diretamente ligado ao ambiente de trabalho e às oportunidades de crescimento. “É uma empresa em que você se sente abraçada e incentivada a crescer junto. Acredito que isso também explica o fato de eu estar há tanto tempo aqui. A DF já é um sucesso, e a inauguração deste novo escritório é mais uma prova de tudo o que construímos até agora,” comemora.

A inauguração reuniu pessoas que fizeram e continuam fazendo parte dessa trajetória. Entre conversas, reencontros e novos projetos, o evento celebrou uma história construída ao longo de mais de dez anos e abriu espaço para uma nova etapa.

Da pequena sala que deu origem ao negócio à estrutura atual, a DF Group chega a esse novo momento mantendo como parte de sua identidade a busca por soluções integradas e pelo relacionamento próximo com quem participa de sua história.

A nova sede simboliza esse movimento: olhar para o que foi construído até aqui, sem perder de vista os próximos passos.

VEJA AS FOTOS AQUI: https://flic.kr/s/aHBqjD6UPX

Texto: ReConecta News

Imagens: ReConecta News / Giovana Santos

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Portos

AD Ports Group Conclui Aquisição Histórica da CLI por US$ 835 Milhões no Brasil

O AD Ports Group, importante conglomerado global de soluções de comércio, indústria e logística com sede em Abu Dhabi, finalizou o fechamento financeiro para a aquisição da Corredor Logística e Infraestrutura (CLI). A transação, avaliada em US$ 835 milhões (aproximadamente 3,1 bilhões de dirhams), representa a maior compra na história do grupo e marca sua primeira expansão estratégica na América do Sul.

Aprovação Regulatória e Entrada na América do Sur

Anunciado inicialmente no primeiro semestre de 2026, o negócio obteve todas as autorizações necessárias dos órgãos reguladores e antitruste do país, incluindo o aval da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).

Com a conclusão do processo, a CLI — operadora independente de terminais portuários de carga agrícola controlada anteriormente por fundos geridos pela Macquarie Asset Management e pela IG4 Capital — passa a integrar oficialmente o portfólio internacional da divisão Noatum Ports.

Terminais Estratégicos no Porto de Santos e Itaqui

A CLI administra dois ativos essenciais para o escoamento da produção agrícola brasileira sob contratos de concessão de longo prazo:

  • CLI Sul: Localizada no Porto de Santos, é uma referência na exportação de açúcar, além de movimentar volumes expressivos de milho e soja.
  • CLI Norte: Situada no Porto de Itaqui, integra o chamado “Arco Norte”, corredor logístico vital para a cadeia de suprimentos de commodities do país.

Executivos do AD Ports Group destacaram que a integração dos terminais visa estreitar conexões comerciais entre o mercado brasileiro, o Subcontinente Indiano, o Leste Africano e o Sudeste Asiático, impulsionando a logística portuária global.

Planos de Expansão e Novas Rotas Comerciais

A aquisição fortalece a plataforma de agronegócios do grupo global, que planeja estabelecer rotas marítimas diretas ligando os portos brasileiros ao Porto de Khalifa e ao hub de alimentos em KEZAD, em Abu Dhabi. A iniciativa busca otimizar a movimentação de produtos agrícolas e reforçar a resiliência das cadeias globais de suprimento.

FONTE: Data Portuaria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Data Portuaria

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Comércio Exterior, Transporte

Frete marítimo sobe quase 300% e muda rotas de cargas no Brasil

O aumento do frete marítimo internacional já começa a alterar a dinâmica das cargas brasileiras. Nos últimos meses, empresas passaram a buscar alternativas entre diferentes portos para reduzir os impactos da alta dos custos, enquanto operadores portuários relatam atrasos, mudanças nas escalas e menor previsibilidade na chegada dos navios.

No transporte de contêineres, os valores do frete internacional chegaram a registrar uma alta próxima de 300% nos últimos cinco meses. O cenário é influenciado por uma combinação de fatores, entre eles as tensões geopolíticas, a elevação do preço do combustível utilizado pelas embarcações e mudanças nas rotas marítimas globais.

Cargas são deslocadas entre portos

Segundo Jesualdo Silva, presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), empresas de diferentes setores já estão reorganizando suas operações para minimizar os efeitos do aumento do frete.

Uma das consequências é o deslocamento de cargas entre portos brasileiros, estratégia adotada por empresas que buscam alternativas diante da elevação dos custos logísticos. Parte do mercado, no entanto, tem optado por absorver o aumento das despesas.

Além do impacto financeiro, os operadores apontam uma redução na regularidade das escalas. Atrasos e alterações nas rotas podem provocar períodos de concentração de navios em determinados portos, seguidos por momentos de menor movimentação.

A valorização do petróleo elevou o preço do bunker, combustível utilizado pelos navios, tornando-se um dos principais componentes da pressão sobre o frete marítimo. Ao mesmo tempo, os conflitos e tensões geopolíticas têm levado empresas de navegação a modificar trajetos internacionais. Rotas mais longas aumentam o tempo de viagem e podem exigir mudanças no ritmo das operações. De acordo com a ABTP, mais de 700 linhas marítimas foram afetadas pelo cenário atual.

Para Jesualdo Silva, o resultado é uma perda de confiabilidade nas escalas portuárias. Quando os atrasos se acumulam, navios que deveriam chegar em intervalos regulares podem acabar chegando praticamente ao mesmo tempo. O efeito é uma combinação de períodos de ociosidade com filas de embarcações aguardando espaço para atracação. Os impactos passaram a ser percebidos com maior intensidade nos últimos quatro meses.

Frete rodoviário também influencia mudança de cargas

A pressão sobre a logística brasileira não está restrita ao transporte marítimo. O aumento do frete rodoviário também contribuiu para a reorganização dos fluxos de cargas, favorecendo o deslocamento de parte das operações para o Arco Norte. A movimentação demonstra como a combinação dos custos dos diferentes modais pode influenciar decisões sobre rotas, portos de embarque e desembarque e estratégias de distribuição.

Na avaliação de Caio Morel, diretor-executivo da Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec), o atual cenário reforça a importância de ampliar a capacidade da infraestrutura logística brasileira.

Entre as necessidades apontadas estão investimentos em terminais, equipamentos e acessos aquaviários e terrestres, considerados fundamentais para acompanhar as mudanças no comércio exterior e dar maior eficiência à movimentação de cargas.

Apesar da forte alta do frete marítimo, a movimentação nos terminais associados à Abratec ainda não apresenta retração. No acumulado de 2026, o volume de contêineres movimentados registra crescimento de aproximadamente 5% em comparação com o mesmo período de 2025.

O dado indica que, até o momento, a elevação dos custos logísticos não impediu o avanço da movimentação de contêineres no país, embora tenha aumentado a pressão sobre empresas e operadores de toda a cadeia de comércio exterior.

Fonte: CNN.

Texto: Redação

Imagem: CNN / Reuters / Athit Perawongmetha

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Logística

Maersk destaca resiliência como novo fator de eficiência logística

Eventos climáticos extremos, conflitos geopolíticos, mudanças nas rotas comerciais e limitações de infraestrutura estão transformando a forma como empresas avaliam a eficiência logística. Para Ricardo Rocha, presidente da Maersk para a Costa Leste da América do Sul, rapidez no transporte continua sendo importante, mas já não é suficiente diante das frequentes interrupções nas cadeias de abastecimento.

Em entrevista à Agência Transporte Moderno durante o ABX 2026, o executivo afirmou que as empresas precisam combinar velocidade, tecnologia, alternativas operacionais e capacidade de resposta para manter o fluxo de mercadorias mesmo quando uma etapa da cadeia é afetada.

Tarifas dos EUA alteram fluxo de cargas entre Brasil e América do Norte

Entre os impactos recentes sobre as operações da companhia estão as novas tarifas adotadas pelos Estados Unidos para produtos brasileiros.

Segundo Rocha, o volume de cargas transportadas entre a América do Norte e o Brasil caiu quase 30% no ano passado. A redução modificou a dinâmica dos serviços e trouxe desafios adicionais para a formação dos preços no transporte internacional de cargas.

O executivo ponderou que não é possível atribuir diretamente às tarifas um percentual específico de aumento nos custos logísticos da indústria automotiva. A Maersk atende diferentes setores e os efeitos da redução dos volumes são distribuídos entre as cadeias atendidas pela companhia.

O setor automotivo, porém, representa uma parcela importante da operação. De acordo com Rocha, a empresa responde por aproximadamente 30% da movimentação de importação e exportação, em contêineres, de peças e componentes relacionados à indústria automobilística.

Menor volume pode elevar custos da operação

A queda na demanda também afeta a utilização da capacidade disponível. Com menos cargas, as empresas podem precisar reorganizar embarcações, equipamentos e serviços, fazendo com que os efeitos das mudanças comerciais ultrapassem o impacto direto das tarifas.

Alterações nos volumes podem modificar a programação dos navios, a utilização de equipamentos e a estrutura de preços. Como consequência, os reflexos chegam a diferentes pontos das cadeias de abastecimento.

Nesse cenário, a definição de eficiência logística também passa por mudanças. Para Rocha, transportar uma carga rapidamente entre dois pontos continua sendo uma prioridade, mas é necessário ter capacidade para mudar rotas, acionar parceiros ou utilizar alternativas quando uma determinada estrutura deixa de funcionar.

Resiliência ganha espaço na estratégia logística

A Maersk considera a resiliência logística um componente cada vez mais importante da operação.

A experiência dos últimos anos reforçou essa necessidade. A pandemia de Covid-19 provocou fortes interrupções no comércio mundial e evidenciou a dependência das economias em relação ao transporte marítimo.

Segundo Rocha, cerca de 90% do comércio mundial é movimentado por via marítima. Outros episódios também expuseram a vulnerabilidade das cadeias globais, como o bloqueio do Canal de Suez, a redução do tráfego no Canal do Panamá provocada pela seca e os conflitos no Oriente Médio.

Esses acontecimentos podem alterar não apenas os tempos de trânsito, mas também a disponibilidade de navios e equipamentos, os custos e a programação das empresas.

Para a companhia, manter alternativas operacionais é fundamental para responder a interrupções que podem atingir grandes corredores internacionais ou estruturas locais de infraestrutura.

Seca na Amazônia impõe desafios ao abastecimento de Manaus

No Brasil, a região amazônica é um exemplo dos efeitos provocados pela combinação entre eventos climáticos e restrições de infraestrutura.

A estiagem e a redução do nível dos rios dificultam o abastecimento da indústria de Manaus, que depende fortemente do transporte fluvial. Com menor profundidade, os navios enfrentam restrições de calado e precisam adaptar suas operações.

Uma das alternativas adotadas pela Maersk foi deslocar, em parceria com outra empresa, a estrutura de atendimento do píer de Manaus para uma área localizada no meio do rio Amazonas. A medida permitiu a chegada dos navios mesmo diante das limitações de profundidade.

A solução, contudo, não elimina todos os impactos da seca. As embarcações podem chegar ao novo ponto de operação, mas não conseguem manter a mesma velocidade de carregamento e descarregamento registrada em condições normais.

Com isso, aumenta o tempo necessário para movimentar as mercadorias e, consequentemente, o custo logístico.

Empresa mantém diálogo com autoridades

Para enfrentar as limitações de navegação na região amazônica, a Maersk afirma manter diálogo com autoridades do Amazonas e do governo federal.

A empresa busca apresentar os impactos das condições de navegação sobre as cadeias de abastecimento e discutir os possíveis efeitos no curto, médio e longo prazo.

A companhia também trabalha na orientação dos clientes sobre como alterações nas condições de transporte podem interferir em suas operações.

Segundo Rocha, a construção de alternativas depende tanto de medidas internas quanto da cooperação com parceiros e autoridades. Em Manaus, o desafio é encontrar formas de manter o abastecimento industrial durante períodos de níveis mais baixos dos rios, ainda que algumas soluções impliquem custos adicionais e menor produtividade.

Infraestrutura precisa acompanhar crescimento da demanda

A necessidade de alternativas operacionais também está relacionada aos desafios estruturais da infraestrutura logística brasileira.

Rocha defende investimentos capazes de acompanhar o crescimento da movimentação de cargas, mas destaca a importância de regras claras e de condições previsíveis para o setor.

Na avaliação do executivo, a previsibilidade é necessária para que empresas possam planejar investimentos de longo prazo e para que os usuários tenham acesso a operações mais competitivas.

A transformação dos fluxos do comércio internacional aumenta a necessidade de ampliar a capacidade brasileira de movimentação de cargas. Parte da infraestrutura portuária do país, segundo Rocha, ainda utiliza equipamentos e instalações antigos em comparação com estruturas de mercados mais desenvolvidos.

A defasagem pode limitar a capacidade operacional e elevar custos, além de aumentar a exposição das cadeias de abastecimento a gargalos.

Maersk mantém investimentos no Brasil

Presente no Brasil há 50 anos, a Maersk continua realizando investimentos no país, segundo Rocha.

A empresa emprega mais de 3 mil pessoas e mantém operações em diferentes regiões brasileiras. O executivo cita aproximadamente R$ 2 bilhões em investimentos, incluindo projetos relacionados à eletrificação.

Os aportes ocorrem em um momento de transformação do setor de transporte, que busca ampliar a capacidade, reduzir custos, aumentar a eficiência e avançar na transição energética.

Nesse processo, a empresa também considera importante contar com maior previsibilidade regulatória para estruturar investimentos de longo prazo.

Tecnologia passa a apoiar decisões diante de rupturas

Além da infraestrutura física, a estratégia da Maersk envolve a utilização de tecnologia na logística.

A companhia procura integrar navios, equipamentos e demais ativos a sistemas tecnológicos e à atuação de parceiros. A proposta é criar alternativas quando uma rota é interrompida, um terminal sofre restrições ou um evento climático reduz a capacidade de determinada operação.

Nesse modelo, a tecnologia não serve apenas para acelerar processos ou acompanhar cargas. Ela também passa a contribuir para a tomada de decisões diante de situações de ruptura.

Para a Maersk, a eficiência logística passa, portanto, pela capacidade de manter o fluxo de mercadorias mesmo diante de imprevistos. A combinação entre rapidez, tecnologia, infraestrutura, parceiros e alternativas operacionais ganha espaço como estratégia para aumentar a resiliência das cadeias de abastecimento.

FONTE: Transporte Moderno
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/Linkedin

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Logística

Conflito portuário no Uruguai afeta exportações de pescado e desvia cargas para Argentina e Brasil

O prolongado conflito portuário no Uruguai já provoca impactos diretos sobre as exportações de pescado e leva empresas a buscar alternativas logísticas em portos da Argentina e do Brasil. As dificuldades para embarcar as cargas podem resultar em esperas de duas a três semanas, pressionando o fluxo financeiro das empresas pesqueiras.

O cenário ganhou força nos últimos dias após cinco grandes companhias de navegação que atuam no país alertarem o governo uruguaio sobre os efeitos das interrupções recorrentes no Porto de Montevidéu.

Cinco armadores cobram solução para as interrupções

Maersk Uruguay, Ocean Network Express (ONE), CMA CGM Uruguay, Cosco Shipping Lines e Hapag-Lloyd Uruguay encaminharam uma carta a seis ministros do governo uruguaio. No documento, as empresas pedem medidas capazes de restabelecer a previsibilidade das operações portuárias.

Segundo as companhias, mais de 35 dias de interrupções ou restrições operacionais foram acumulados desde o início de 2026. Entre os principais efeitos estão atrasos, perda de cargas de transbordo e dificuldades para manter os serviços marítimos dentro da programação.

O problema está concentrado na Terminal Cuenca del Plata (TCP), principal terminal especializado em contêineres do Porto de Montevidéu. A paralisação ocorre em meio às negociações entre a administração da terminal e os trabalhadores para a renovação do acordo coletivo.

Terminal movimenta cerca de 80% dos contêineres do país

A dimensão do conflito está relacionada à importância da TCP para o comércio exterior uruguaio. Segundo Carlos Abel Olivera, diretor-executivo da empresa pesqueira Novabarca, aproximadamente 80% dos contêineres do Uruguai passam pela terminal.

Dessa forma, qualquer interrupção nas operações repercute diretamente sobre as cadeias de exportação e importação.

Para o setor pesqueiro, os efeitos já são sentidos na rotina das empresas. A dificuldade para conseguir espaço nos navios tem provocado acúmulo de produtos acabados em câmaras frigoríficas, além de atrasos nos recebimentos.

Exportadores enfrentam atrasos de até três semanas

Olivera relatou que a frequência dos embarques caiu significativamente. Antes, segundo ele, a empresa conseguia retirar as cargas duas ou três vezes por semana. Agora, a espera pode chegar a duas ou três semanas.

O atraso afeta diretamente o capital de giro das empresas pesqueiras. Depois de capturado e processado, o pescado precisa permanecer armazenado até que seja possível embarcá-lo. Enquanto isso, continuam os custos de produção, conservação e armazenamento.

Para as empresas, o produto estocado representa recursos financeiros que ainda não retornaram ao caixa. O efeito se espalha pela cadeia de pagamentos e dificulta o cumprimento de compromissos comerciais.

Cargas começam a ser direcionadas para outros portos

A falta de regularidade também ameaça a capacidade dos exportadores de cumprir os prazos acordados com compradores internacionais.

Diante das dificuldades em Montevidéu, operadores de comércio exterior já passaram a considerar Buenos Aires, na Argentina, e Santos, no Brasil, como alternativas para o embarque das mercadorias.

A mudança pode alterar os fluxos logísticos regionais e reduzir a utilização do porto uruguaio por determinados segmentos exportadores.

Navieras alertam para perda de confiabilidade de Montevidéu

As cinco companhias marítimas afirmam que a repetição das interrupções está prejudicando a confiabilidade comercial do Porto de Montevidéu.

Além das cargas que deixam de ser embarcadas, as empresas alertam para a possibilidade de perda de operações de transbordo. Esse tipo de movimentação é importante para conectar cargas da região aos serviços marítimos internacionais.

A redução dos transbordos também pode afetar a competitividade do comércio exterior uruguaio e a manutenção de empregos relacionados às operações portuárias.

Negociação envolve cerca de 550 trabalhadores

O conflito tem como um de seus principais pontos a negociação de um novo acordo coletivo para aproximadamente 550 trabalhadores da TCP.

A estrutura societária da terminal é formada majoritariamente pela empresa belga Katoen Natie, que detém 80% de participação, enquanto os outros 20% pertencem à Administração Nacional de Portos do Uruguai.

As divergências trabalhistas deram origem a sucessivas interrupções ao longo dos últimos meses, afetando a programação das operações.

Governo estabelece serviços mínimos

Diante da continuidade das medidas, o governo uruguaio determinou, em setembro, um regime de serviços mínimos para preservar atividades consideradas essenciais.

A medida inclui operações como carregamento e descarregamento de navios, recebimento de contêineres de importação e exportação, armazenamento e atendimento de cargas refrigeradas e produtos perecíveis.

O modelo adotado no Uruguai é diferente do existente na Argentina, onde há a possibilidade de utilização da conciliação obrigatória para suspender medidas durante uma negociação trabalhista.

No caso uruguaio, o governo tem atuado por meio de negociações e da definição de serviços mínimos, enquanto trabalhadores e empresa continuam tentando chegar a um acordo.

Setor pesqueiro já sente impacto financeiro

A pressão sobre o comércio exterior uruguaio aumenta à medida que as interrupções continuam.

Para a indústria pesqueira, os efeitos já incluem menor frequência de embarques, lotação das câmaras frigoríficas, atraso no recebimento dos pagamentos e dificuldades para cumprir os prazos acordados com clientes internacionais.

Ao mesmo tempo, a perda de previsibilidade vem incentivando parte dos operadores a transferir cargas para portos de outros países da região, aumentando a pressão sobre a posição de Montevidéu como ponto estratégico da logística sul-americana.

FONTE: PESCARE
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/PESCARE

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Transporte

Navieras argentinas alertam para altos custos que freiam o transporte fluvial

A Federação de Empresas de Navegação Argentinas (FENA) afirma que os elevados custos de operação estão reduzindo a competitividade do transporte fluvial e marítimo no país. Para a entidade, a baixa participação de embarcações argentinas na Via Navegável Troncal (VNT) não decorre da falta de capacidade do setor, mas de um ambiente de custos que dificulta a atuação das empresas nacionais.

O posicionamento ocorre em meio à discussão sobre a Lei de Cabotagem e à definição de que a manutenção e a dragagem da VNT ficarão sob responsabilidade privada pelas próximas duas décadas.

Em comunicado enviado ao Infocampo, a FENA defendeu que a marinha mercante argentina pode exercer papel estratégico na redução dos custos logísticos e no aumento da competitividade do país.

FENA questiona desregulamentação da cabotagem

A entidade se manifestou contra propostas de desregulamentação irrestrita do transporte de cabotagem como alternativa para reduzir os custos do setor.

Segundo a FENA, a abertura do mercado para operadores estrangeiros, sem uma revisão prévia dos custos enfrentados pelas empresas argentinas, não resolveria o problema estrutural da logística.

A federação reconhece que o baixo uso do transporte fluvial e a reduzida presença argentina na VNT são questões que precisam ser enfrentadas. No entanto, defende uma análise mais ampla, considerando a frota disponível, a utilização efetiva das embarcações, as cargas que não estão sendo atendidas e os pedidos de exceção à legislação de cabotagem.

A entidade também considera necessário comparar os custos completos do transporte fluvial com os das alternativas rodoviárias e ferroviárias.

“Custo argentino” pesa sobre a competitividade

Na avaliação apresentada pela FENA, a baixa participação de embarcações nacionais na VNT não pode ser atribuída automaticamente à Lei de Cabotagem.

A entidade afirma que a Argentina já teve uma presença mais expressiva no transporte fluvial, mas perdeu espaço diante do aumento dos custos laborais, tributários, portuários e regulatórios.

Entre os fatores citados estão encargos sociais de aproximadamente 38% e regras trabalhistas que, segundo a federação, exigem estruturas de pessoal maiores do que as adotadas em outros mercados.

No campo tributário, a FENA argumenta que as empresas argentinas estão sujeitas a uma carga que não incide da mesma maneira sobre determinados operadores estrangeiros que atuam na região.

Custos portuários também são alvo de críticas

A FENA apresentou exemplos para demonstrar a diferença entre os custos portuários na Argentina e os registrados em países vizinhos.

Segundo a entidade, a proforma operacional de um navio do tipo Kamsarmax em portos argentinos como San Martín, San Lorenzo e Timbúes pode chegar a cerca de US$ 300 mil. No sul do Brasil, o mesmo custo seria estimado entre US$ 70 mil e US$ 80 mil.

Outro exemplo citado é o serviço de amarração. De acordo com a federação, o procedimento pode custar US$ 15 mil na Argentina, enquanto em Montevidéu o valor varia entre US$ 700 e US$ 1 mil.

A entidade também mencionou o aumento das tarifas portuárias. Como exemplo, afirmou que as taxas em dólares do porto de Bahía Blanca subiram 75% no ano passado.

Na avaliação da FENA, a combinação desses fatores contribuiu para o enfraquecimento da frota de barcaças argentina, hoje com participação considerada praticamente inexistente no rio.

Setor afirma ter capacidade para ampliar oferta

A federação argumenta que as empresas de navegação argentinas possuem conhecimento técnico e capital para ampliar rapidamente a capacidade de transporte disponível para atender à produção.

Para isso, porém, seria necessário corrigir as distorções que elevam os custos de operação sob bandeira argentina.

A FENA reconhece que exportadores de grãos, terminais portuários e outros usuários buscam reduzir os fretes logísticos. A entidade, entretanto, defende que a solução não seja simplesmente substituir empresas nacionais por operadores estrangeiros.

Segundo a organização, uma abertura desregulada do mercado sem resolver as diferenças tributárias, trabalhistas e regulatórias poderia dificultar a recuperação da marinha mercante nacional e reduzir os incentivos para novos investimentos.

Navegação movimenta cadeia de empregos e serviços

Outro argumento apresentado pela FENA está relacionado ao impacto econômico da atividade naval.

Segundo a entidade, uma marinha mercante fortalecida movimenta uma cadeia que inclui estaleiros, oficinas navais, serviços portuários e outras atividades relacionadas à logística em diferentes regiões da Argentina.

A federação também destaca a geração de empregos especializados, tanto em terra quanto a bordo de embarcações, além de oportunidades na indústria naval, nos portos e em serviços profissionais ligados ao setor logístico.

Marinha mercante é apontada como estratégica para o abastecimento

A FENA também associa a existência de uma frota nacional à soberania logística e à segurança do abastecimento.

Na avaliação da entidade, uma marinha mercante própria pode reduzir a exposição da matriz produtiva e energética argentina a crises internacionais ou a eventuais mudanças na disponibilidade de operadores estrangeiros.

A federação reforça que a abertura da cabotagem, isoladamente, não elimina os custos adicionais que afetam a logística argentina. Segundo seu posicionamento, ela pode permitir a entrada de empresas estrangeiras que operam sob condições tributárias e trabalhistas diferentes das enfrentadas pelos operadores nacionais.

FENA propõe mesa nacional para discutir custos logísticos

A entidade defende maior utilização da hidrovia, mas com uma participação significativa da frota de bandeira argentina.

Para discutir o tema, a FENA propõe a criação de uma Mesa Nacional de Competitividade Logística, reunindo representantes do governo federal, das províncias, das economias regionais, dos terminais portuários, das empresas de navegação e dos usuários do sistema.

A proposta é identificar os fatores que elevam o custo logístico argentino e buscar soluções conjuntas para tornar o transporte mais eficiente, competitivo e sustentável.

Para a federação, produtores rurais, indústria e empresas de navegação compartilham o interesse em reduzir os custos de transporte e ampliar a competitividade das exportações. A entidade defende que a logística hidroviária seja tratada como uma política de Estado, com medidas voltadas à redução das diferenças estruturais enfrentadas pela frota nacional.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuario

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Eventos

ABDT divulga programação do XXXIII Simpósio de Estudos Tributários, que debate Reforma Tributária, infraestrutura e comércio exterior

A Reforma Tributária estará no centro dos debates do XXXIII Simpósio de Estudos Tributários da Academia Brasileira de Direito Tributário (ABDT), que será realizado nos dias 15 e 16 de outubro de 2026, no Novotel, em Itajaí (SC). Com o tema “Tributação, Infraestrutura, Logística e Comércio Exterior”, o encontro terá dois dias de programação e reunirá especialistas de diferentes áreas para discutir os efeitos da mudança no sistema tributário brasileiro.

A programação contempla temas relacionados à transição para o novo modelo de tributação, impactos econômicos e municipais, incentivos fiscais, indústria, comércio exterior, e-commerce, infraestrutura, setor marítimo-portuário, classificação fiscal, contencioso tributário e aduana.

Entre os participantes estão autoridades públicas, juristas, economistas, executivos e representantes de entidades ligadas ao comércio exterior e à infraestrutura. O evento é promovido pela ABDT e terá como sede o Novotel, localizado na Rua Lauro Muller, 170, no Centro de Itajaí.

Primeiro dia terá abertura com ministro do TCU

A programação começa na quinta-feira, 15 de outubro, às 8h, com o credenciamento dos participantes. Às 8h30, será realizada a abertura oficial, com Marcelo Campos, presidente da ABDT, e Victor Macedo, coordenador executivo do simpósio.

Na sequência, às 9h, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, fará a conferência de abertura, com o tema “Governança e os efeitos econômicos da Reforma Tributária”.

Após o coffee break, às 10h30, começa o primeiro painel do evento, dedicado à Reforma Tributária, transição e desafios, sob a presidência de mesa de Thais Manske. Participam Marcos Cintra, doutor em Economia pela Harvard University; Everardo Maciel, consultor tributário e ex-secretário da Receita Federal; e Luís Eduardo Schoueri, livre-docente e professor titular de Direito Tributário da Faculdade de Direito da USP.

Após o intervalo para almoço, a programação segue às 14h com o painel “A Reforma Tributária e os impactos na economia municipal”, presidido por Maurício Klein. O debate contará com Robison Coelho, prefeito de Itajaí; Leonidas Nora Junior, presidente da Associação das Tradings de Santa Catarina (ASTRA); e Eduardo Bohora, secretário municipal da Fazenda de Itajaí.

Guerra fiscal e fim dos incentivos entram na pauta

Ainda durante a tarde, o simpósio promove discussões sobre os efeitos da reforma na política fiscal e nas atividades empresariais.

Às 15h, o terceiro painel aborda “Reforma Tributária e Guerra Fiscal”, com mediação de Simone Davel e participação de Adilson Rodrigues Pires, advogado e doutor em Direito Econômico e Sociedade; e Halley Henares, presidente da Associação Brasileira de Advocacia Tributária (ABAT).

Às 16h30, após o coffee break, o quarto painel trata de um dos temas de maior impacto para empresas e governos: “O fim dos incentivos fiscais: consequências, desafios e alternativas”. O debate será presidido por Thiago Custódio e contará com Thális Andrade, doutor em Direito pela USP; Solon Sehn, advogado e doutor em Direito Tributário pela PUC/SP; e Fernando Pieri, advogado e presidente da ABEAD.

Encerrando o primeiro dia, às 17h30, o simpósio volta sua atenção para os setores produtivos e para as operações internacionais com o painel “A Reforma Tributária na indústria, no comércio exterior e no e-commerce”.

O debate terá como presidente de mesa Alessandra Carioni e contará com Victor Macedo, advogado e mestre em Direito Tributário pela FGV/SP; Rogério David, advogado e mestre em Direito pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO); e Fernanda Kotzias, advogada e doutora em Direito do Comércio Internacional pela PUC/SP.

O encerramento do primeiro dia está previsto para as 18h30.

Infraestrutura e setor portuário abrem a programação do segundo dia

Na sexta-feira, 16 de outubro, os debates começam às 9h com o painel “Setor de infraestrutura e a Reforma Tributária”, presidido por Silvia Varela.

Participam Suzana Soares Melo, advogada e doutora em Direito Econômico, Financeiro e Tributário pela USP; Luana Debatin Tomasi, advogada e mestre em Direito pela UFSC; e Carolina Sena, advogada e doutora em Direito Tributário pela UFSC.

Após o coffee break, às 10h30, o simpósio coloca o setor marítimo-portuário no centro das discussões. O painel “A visão atual do setor marítimo portuário na transição da Reforma Tributária” terá como presidente de mesa James Winter e reunirá nomes de destaque do segmento.

Estão confirmados Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária do Porto de Santos; Mario Povia, presidente do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI); Osmari Castilho, CEO da Portonave; e Eduardo Nery, diretor de Relações Governamentais da MSC.

O painel coloca em discussão os desafios enfrentados pela infraestrutura e pelo setor portuário diante da transição para o novo sistema tributário, tema de impacto direto sobre operações logísticas e de comércio exterior.

Classificação fiscal e contencioso tributário

No período da tarde, às 14h, a programação segue com o painel “Classificação fiscal, atualidades e novos desafios”, presidido por Giovana Baruffi. O debate contará com Douglas Winter, advogado e mestrando em Direito Aduaneiro pela Universidade Católica de Brasília; Daniela Floriano, advogada e doutoranda em Direito pela UFMG; e Júlio César Soares, advogado e mestrando em Direito Aduaneiro pela Universidade Católica de Brasília.

Às 15h, o quarto painel do segundo dia será dedicado à relação entre Reforma e contencioso tributário, sob a presidência de Marcelo Campos. Participam Gustavo Brigagão, advogado e presidente honorário da ABDF; e José Maria Arruda, livre-docente pela USP e pós-doutor em Economia pela FGV e em Direito Econômico pelo Max Planck Institut, da Alemanha.

Aduana encerra programação com representantes da Receita Federal

O último painel do simpósio será dedicado à relação entre a Reforma Tributária e o comércio exterior. Com início às 16h30, o painel “Reforma Tributária e Aduana: transição, desafios e aspectos operacionais relevantes” terá como presidente de mesa Daniela Cristine.

A discussão reunirá quatro representantes da Receita Federal ligados diretamente à atividade aduaneira: André Bueno, auditor-fiscal e delegado da Alfândega no Porto de Itajaí; Fabricio Betto, auditor-fiscal e coordenador operacional aduaneiro; Felipe Mendes Moraes, auditor-fiscal e coordenador-geral de Administração Aduaneira (Coana); e Mario De Marco, auditor-fiscal e subsecretário substituto de Administração Aduaneira.

O encerramento oficial do XXXIII Simpósio de Estudos Tributários da ABDT está previsto para as 18h do dia 16 de outubro.

Um debate conectado à realidade de Itajaí

Ao reunir, em uma mesma programação, especialistas em Direito Tributário, representantes do poder público, empresários, executivos dos setores portuário e marítimo, profissionais do comércio exterior e integrantes da Receita Federal, o simpósio coloca em pauta os diferentes impactos da Reforma Tributária sobre atividades estratégicas para a economia.

A escolha de Itajaí como sede também aproxima o debate da realidade de uma região fortemente ligada à infraestrutura, logística, atividade portuária e comércio exterior. A programação oficial prevê dois dias de discussões, com painéis que percorrem desde os aspectos econômicos e jurídicos da reforma até questões práticas relacionadas à indústria, aos municípios, aos portos, à classificação fiscal e às operações aduaneiras.

As inscrições podem ser feitas pelo link.

Texto: ReConecta News

Imagem: ABDT

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Logística

Euro-Rijn Logistics assume controle total da Oorburg Intermodaal e AquaRoad Logistics

A Euro-Rijn Logistics passou a deter 100% das empresas de transporte fluvial Oorburg Intermodaal e AquaRoad Logistics. A operação tem efeitos retroativos a partir de 1º de janeiro de 2026.

A aquisição foi concluída após a compra das ações que ainda pertenciam a John Oorburg, antigo proprietário das duas companhias. Com a transação, Oorburg Intermodaal e AquaRoad Logistics passam a integrar integralmente as atividades de transporte fluvial já desenvolvidas pela Euro-Rijn.

As operações continuarão utilizando as marcas Euro-Rijn Logistics e Oorburg Intermodaal.

Aquisição amplia integração no transporte fluvial

A Euro-Rijn Logistics já mantinha uma participação majoritária nas empresas desde 2022. A aquisição da totalidade das ações consolida um processo de aproximação entre as companhias que vinha sendo ampliado nos últimos anos.

Para Vleming Geerligs, diretor-geral da Euro-Rijn Logistics, a conclusão da operação representa uma evolução natural da parceria.

Segundo ele, a integração das atividades permitirá reunir conhecimento técnico, capacidade de frota e redes comerciais, fortalecendo a atuação da empresa e ampliando sua rede de transporte na Europa.

A estratégia também busca criar uma estrutura para incorporar novos serviços de carga e ampliar a profissionalização dos serviços oferecidos aos clientes.

John Oorburg continuará à frente do transporte fluvial

John Oorburg, que atualmente ocupa o cargo de diretor de transporte marítimo da Euro-Rijn Logistics, continuará responsável pelas três empresas que integram as operações de transporte fluvial do grupo.

Para o executivo, a incorporação marca uma nova fase para Oorburg Intermodaal e AquaRoad Logistics dentro da Euro-Rijn.

Oorburg destacou que a experiência dos últimos anos demonstrou os benefícios da integração entre as empresas. A combinação das operações e do conhecimento acumulado, segundo ele, abre espaço para novos serviços e para um atendimento mais amplo a clientes e parceiros.

Apesar da integração, a empresa pretende preservar o atendimento personalizado e a comunicação direta que caracterizam as organizações.

Euro-Rijn amplia presença no transporte fluvial europeu

A aquisição das duas empresas ocorre após outros movimentos de expansão da Euro-Rijn Logistics no segmento de transporte fluvial na Europa.

Entre as operações anteriores está a aquisição do Danser Group, além da participação societária na YST Logistics.

Com esses investimentos e a incorporação integral da Oorburg Intermodaal e da AquaRoad Logistics, a Euro-Rijn reforça sua estrutura no setor e amplia a capacidade de atuação por meio de sua frota, rede comercial e serviços de logística fluvial.

FONTE: Portal Portuario
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Portos

Portos da Codeba movimentam 1,9 milhão de toneladas em agosto de 2026

Os portos administrados pela Codeba (Companhia das Docas do Estado da Bahia) movimentaram 1.908.125 toneladas de cargas em agosto de 2026. O volume representa crescimento de 12,54% em relação ao registrado no mesmo mês de 2025.

As cargas destinadas à exportação tiveram avanço ainda maior, de 40,27%. Entre janeiro e agosto deste ano, a movimentação acumulada nos terminais chegou a 14.024.521 toneladas.

O desempenho mensal foi impulsionado principalmente pelos portos de Aratu-Candeias e Salvador, que apresentaram crescimento significativo na comparação anual.

Porto de Aratu-Candeias registra alta de 45,66%

O Porto de Aratu-Candeias movimentou 798.498 toneladas em agosto, resultado 45,66% superior ao registrado no mesmo mês do ano passado.

Entre os produtos que contribuíram para o desempenho estão soja e nafta. A movimentação de cargas destinadas à exportação teve crescimento de 235% no período.

Localizado em Candeias, na Bahia, o terminal atende principalmente aos setores petroquímico, siderúrgico e de fertilizantes. O porto opera com granéis sólidos, líquidos e gasosos, incluindo minérios, fertilizantes e produtos químicos e petroquímicos.

A estrutura também participa do atendimento à cadeia produtiva química e petroquímica nacional.

Porto de Salvador movimenta mais de 5 milhões de toneladas no ano

Na capital baiana, o Porto de Salvador movimentou 666.851 toneladas em agosto. Entre as principais cargas estão fertilizantes e produtos transportados em contêineres.

No acumulado de janeiro a agosto, o terminal alcançou 5.064.610 toneladas, crescimento de 14,15% em comparação com o mesmo período de 2025.

Considerado um dos principais terminais de contêineres e carga geral do Nordeste, o Porto de Salvador mantém operações regulares de comércio exterior. Entre as conexões está uma rota semanal com a China.

O complexo portuário também desempenha papel na atividade turística da Bahia. Para a temporada de cruzeiros 2026/2027, a previsão é de início das operações em Salvador e Ilhéus a partir de 7 de outubro.

Porto de Ilhéus tem crescimento de 71,44%

No sul da Bahia, o Porto de Ilhéus registrou um dos maiores avanços percentuais entre os terminais administrados pela Codeba.

Em agosto, a movimentação de cargas cresceu 71,44% na comparação com o mesmo mês de 2025. Do total movimentado no período, 35.734 toneladas foram destinadas à exportação.

A Codeba também confirmou recentemente novas intervenções na infraestrutura portuária de Ilhéus.

Os trabalhos incluem recuperação das estruturas do cais, recomposição do enrocamento de contenção, readequação da pavimentação e substituição do sistema de drenagem da retroárea.

As obras têm como objetivo preservar as estruturas existentes e melhorar as condições para a manutenção e expansão das operações portuárias. Parte dos serviços é realizada abaixo da linha d’água por equipes especializadas.

Porto de Itajaí movimenta 3,5 milhões de toneladas no ano

Em Santa Catarina, o Porto de Itajaí, que está sob gestão transitória da Codeba até a conclusão do processo de federalização, movimentou 407.402 toneladas em agosto.

No acumulado dos oito primeiros meses de 2026, o terminal chegou a 3.501.781 toneladas movimentadas, aproximadamente 25% acima do volume registrado no mesmo período de 2025.

O resultado integra o acompanhamento mensal da movimentação de cargas dos quatro portos sob administração da Autoridade Portuária Federal, refletindo o desempenho das operações realizadas nos terminais ao longo do ano.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Codeba

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