Indústria

Seca na Europa: crise hídrica ameaça indústria e pode gerar prejuízo de € 180 bilhões

A seca na Europa já provoca impactos em setores essenciais da economia e pode gerar perdas de pelo menos € 50 bilhões no curto prazo, segundo estimativas citadas pelo Financial Times. Se a escassez de água persistir e os efeitos da onda de calor forem considerados em conjunto, o prejuízo econômico pode chegar a € 180 bilhões.

Os níveis excepcionalmente baixos de rios e reservatórios já afetam o transporte de cargas, a geração de energia, a agricultura e a produção industrial. Empresas de diferentes países passaram a adaptar suas operações diante da redução da disponibilidade de água.

Baixo nível do Reno encarece transporte de cargas

No porto de Roterdã, na Holanda, um dos principais centros logísticos da Europa, embarcações que utilizam o rio Reno precisam navegar com aproximadamente 30% da capacidade de carga.

A redução do peso é necessária para evitar encalhes em trechos onde a profundidade do rio diminuiu. A consequência é o aumento dos custos de transporte e a perda de eficiência nas cadeias de abastecimento.

Para compensar a menor capacidade de cada embarcação, operadores passaram a contratar cerca de 100 navios adicionais por semana. Mesmo com o reforço da frota, o volume transportado continua abaixo dos níveis habituais.

A autoridade portuária de Roterdã considera o episódio um dos mais relevantes enfrentados pelo setor nas últimas décadas. O cenário também evidencia a vulnerabilidade da logística europeia diante do avanço de eventos climáticos extremos.

Rios europeus atingem níveis historicamente baixos

A crise hídrica se espalha por diferentes regiões do continente. Rios importantes para o comércio, a indústria e a irrigação registram alguns dos menores níveis médios mensais já observados.

Entre os cursos d’água afetados estão o Reno, o Danúbio, o Pó, na Itália, o Ródano, que atravessa a Suíça e a França, e o Tâmisa, em Londres.

O Reno tem importância estratégica para o transporte de mercadorias e para a indústria alemã. Uma seca ocorrida em 2018, por exemplo, teria provocado uma redução de aproximadamente 0,4% no PIB da Alemanha — equivalente hoje a cerca de € 18 bilhões.

O episódio atual preocupa ainda mais porque os rios apresentam níveis inferiores aos registrados naquela ocasião e a estiagem começou mais cedo.

Estudos citados pelo Financial Times indicam que um mês de vazão reduzida pode diminuir em cerca de 25% o transporte fluvial e provocar uma queda próxima de 1% na produção industrial alemã.

Onda de calor agravou déficit hídrico

A Europa iniciou o ano em condições relativamente favoráveis, com níveis de umidade do solo e precipitação acima da média em fevereiro. A situação começou a mudar em abril e se agravou em maio, com a sucessão de ondas de calor.

Junho e julho registraram temperaturas recordes, aumentando a pressão sobre rios, reservatórios e solos. A perspectiva de poucas chuvas nas semanas seguintes mantém a preocupação com a continuidade da crise de água.

Energia também sofre com falta de água

O setor elétrico está entre os mais afetados pela estiagem. Usinas nucleares na França e na Hungria precisaram reduzir a produção devido à menor disponibilidade de água para os sistemas de resfriamento.

A geração hidrelétrica também enfrenta dificuldades em regiões atingidas pela seca.

Na Romênia, o governo chegou a recorrer a explosões subaquáticas controladas no leito do Danúbio para tentar direcionar água para a usina nuclear de Cernavodă. A medida não produziu o resultado esperado e a unidade também precisou reduzir suas atividades.

Agricultura enfrenta perdas e mudança de culturas

A agricultura europeia também sofre com a falta de água. No norte da Itália, uma das principais áreas produtoras de arroz do continente, agricultores relatam perdas totais em algumas lavouras porque a água destinada à irrigação não conseguiu chegar a determinadas áreas.

Na região do Vale do Pó, produtores afirmam que algumas propriedades perderam metade ou mais da produção.

A repetição de períodos prolongados de estiagem começa a provocar mudanças nas decisões dos agricultores. Parte deles avalia substituir o arroz por culturas menos dependentes de água, enquanto outros consideram deixar algumas áreas sem plantio.

Data centers entram no radar da crise hídrica

A escassez também representa um desafio para setores ligados à economia digital. Mais de um terço dos aproximadamente 3.000 data centers da Europa está localizado em regiões submetidas a níveis elevados ou extremos de estresse hídrico.

A disponibilidade de água é especialmente relevante para sistemas de resfriamento dessas instalações, aumentando a preocupação sobre a capacidade de expansão da infraestrutura tecnológica em determinadas áreas.

Seca pode pressionar inflação

Economistas também alertam para possíveis efeitos da crise sobre a inflação europeia.

A redução das colheitas tende a elevar os preços dos alimentos. Ao mesmo tempo, o encarecimento do transporte e eventuais restrições na geração de energia podem aumentar os custos para empresas e consumidores.

O resultado pode dificultar a recuperação econômica em um momento de maior pressão sobre diferentes setores produtivos.

Empresas aceleram adaptação ao novo cenário climático

Diante da perspectiva de períodos mais frequentes de calor e estiagem, empresas já começam a investir em medidas de adaptação. Entre as iniciativas estão embarcações preparadas para rios rasos, sistemas de monitoramento e alerta, tecnologias de redução do consumo de água e métodos de resfriamento menos dependentes do recurso.

Para especialistas, a seca deixou de ser apenas um problema temporário para se transformar em um risco estrutural para a economia europeia.

A capacidade de adaptar infraestrutura, agricultura, transporte e geração de energia será determinante para limitar os prejuízos provocados por futuras crises hídricas.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Getty Images

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Indústria

Seminário Internacional de Tendências e Tecnologias Têxteis debate produtividade e inovação

A produtividade na indústria têxtil, a transformação digital e a sustentabilidade estarão no centro das discussões do 5º Seminário Internacional de Tendências e Tecnologias Têxteis. Promovido pelo Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil, Vestuário e Design, o evento será realizado em 9 de setembro, das 8h às 12h, no Auditório do Centro Universitário SENAI Blumenau.

A programação reunirá especialistas, empresas e lideranças do setor têxtil para discutir tecnologias e estratégias capazes de melhorar a eficiência industrial, aumentar a competitividade e gerar valor para as empresas.

“O polo têxtil é um dos mais relevantes de Santa Catarina, com uma forte tradição industrial e, ao mesmo tempo, uma grande capacidade de adaptação”, destaca Fabrízio Pereira, diretor regional do SENAI/SC.

Segundo ele, a capacidade de incorporar novas soluções é essencial para que o setor avance em tecnologia, produtividade e inovação. Nesse cenário, o Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil, Vestuário e Design atua no desenvolvimento e na disseminação de conhecimentos e soluções tecnológicas voltadas aos desafios atuais e futuros da indústria.

Seminário terá três trilhas temáticas

A quinta edição do evento será dividida em três eixos: transformação digital, novos processos e sustentabilidade.

Na trilha de transformação digital, os debates vão abordar o uso de tecnologias emergentes, automação e análise de dados como ferramentas para melhorar a tomada de decisões, aperfeiçoar a gestão e elevar o desempenho das empresas.

A proposta é mostrar como a digitalização pode contribuir para operações mais eficientes, com redução de desperdícios e maior capacidade de resposta às mudanças do mercado.

Automação ganha espaço nos processos têxteis

O eixo dedicado a novos processos terá como foco as aplicações de automação inteligente na indústria têxtil e de confecção.

As discussões vão explorar maneiras de estruturar processos mais eficientes, confiáveis e escaláveis em diferentes etapas da cadeia produtiva. A abordagem considera tanto os ganhos de produtividade quanto a necessidade de adaptar as operações às novas demandas industriais.

Sustentabilidade alia eficiência e inovação

A terceira trilha será dedicada às soluções de sustentabilidade na indústria têxtil. Entre os assuntos previstos estão a valorização de resíduos, eficiência energética e uso mais racional de recursos.

A programação também vai discutir formas de melhorar a performance ambiental das empresas sem dissociar sustentabilidade de inovação e competitividade.

Evento terá cases e painel com especialistas

Além dos conteúdos técnicos, o seminário apresentará cases e experiências práticas relacionados à transformação digital, automação e reestruturação de processos.

O encontro também terá discussões sobre estratégias para integrar inovação e sustentabilidade às operações industriais. A programação será encerrada com um painel interativo, reunindo especialistas e lideranças para aprofundar os principais desafios e oportunidades do setor têxtil.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: AdobeStock

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Indústria

Indústria têxtil acelera transformação para enfrentar avanço da ultra fast fashion

A indústria têxtil enfrenta uma nova realidade de mercado com o avanço da ultra fast fashion, modelo baseado em lançamentos rápidos, grande variedade de produtos e forte presença nas plataformas digitais. A necessidade de reduzir prazos e aumentar a eficiência foi debatida na quinta-feira (13), durante reunião do Conselho da Indústria Têxtil, Confecção, Couro e Calçados da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).

A projeção para o setor reforça o tamanho do desafio. O mercado mundial de ultra fast fashion deve passar de US$ 62,75 bilhões para US$ 160,91 bilhões até 2033, mais que dobrando de tamanho no período.

Tecnologia ganha espaço na competição

O presidente do conselho, César Döhler, chamou atenção para o avanço das importações de vestuário e para o crescimento das compras realizadas em plataformas digitais. Segundo ele, a indústria brasileira precisa responder ao cenário com investimentos em inovação e maior integração entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

“O setor têxtil é resiliente e tem capacidade de adaptação. Precisamos transformar os desafios em uma agenda de competitividade, inovação e valorização da indústria brasileira”, afirmou.

Para Matheus Fagundes, presidente da Audaces, a principal mudança está no ritmo da competição. O setor, que antes trabalhava com ciclos de produção de vários meses, passou a lidar com prazos de semanas ou até dias.

A diferença de escala entre mercados evidencia essa transformação. Enquanto os Estados Unidos lançam aproximadamente 23 mil novos produtos por ano, a China chega a 1,5 milhão de itens.

Nesse ambiente, a velocidade de produção se tornou um fator decisivo. Fagundes defende o uso de tecnologia para encurtar processos, conectar fornecedores e fabricantes e acelerar as decisões baseadas em informações.

Inteligência artificial pode reduzir estoques

Entre as ferramentas apontadas para elevar a produtividade da indústria estão a inteligência artificial, a digitalização das operações e estratégias para diminuir estoques.

A utilização de dados permite antecipar tendências, ajustar a produção à demanda e reduzir o tempo entre a criação de uma peça e sua chegada ao consumidor.

“A competição se tornou uma questão de velocidade. A tecnologia é um meio para reduzir o tempo, integrar a cadeia e permitir decisões mais rápidas, com base em dados”, destacou Fagundes.

A transformação é vista como necessária não apenas para disputar espaço no exterior, mas também para proteger a participação da indústria brasileira no mercado doméstico.

Importações aumentam pressão sobre a indústria brasileira

O cenário argentino foi citado como exemplo dos riscos provocados pela perda de competitividade da indústria nacional. Atualmente, cerca de 70% das roupas comercializadas no país são importadas.

Para Fagundes, a dinâmica é direta: empresas brasileiras precisam ter condições de competir em outros mercados para evitar que produtos estrangeiros conquistem espaço no Brasil.

“Se a gente não for competitivo lá fora, o produto lá de fora vai ser competitivo aqui dentro”, resumiu.

Santa Catarina tem forte participação no setor

O impacto desse processo é especialmente relevante para Santa Catarina, onde a cadeia têxtil ocupa posição de destaque na indústria.

O setor é o maior empregador industrial do estado e aparece em segundo lugar em número de estabelecimentos. Em 2023, eram 170.787 postos de trabalho formais, o equivalente a 18,9% de todo o emprego industrial catarinense.

No comércio exterior, o segmento também tem peso. As exportações da indústria têxtil catarinense movimentaram aproximadamente US$ 288,6 milhões em 2024.

Cadeia produtiva precisa ganhar integração

Além da adoção de novas tecnologias, representantes do setor defendem uma estratégia mais ampla para enfrentar a transformação do mercado.

Entre as prioridades estão a qualificação profissional, integração da cadeia produtiva, uso estratégico de dados, diversificação dos mercados consumidores e maior proximidade com o público.

A avaliação é que o modelo tradicional de produção já não atende sozinho às exigências impostas pela ultra fast fashion.

“A régua mudou. Não basta fazer o que funcionou no passado. É preciso ganhar velocidade e usar tecnologia para competir”, concluiu Fagundes.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
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Indústria

Acordo Mercosul-EFTA amplia oportunidades para a indústria de Santa Catarina

O avanço das negociações para o acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA cria novas perspectivas para o comércio exterior brasileiro e, especialmente, para a indústria de Santa Catarina. A Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) reúne Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

O tratado prevê eliminação de tarifas para cerca de 97% das transações de bens entre o Brasil e o bloco europeu, enquanto outros 1,2% terão redução gradual de tarifas. O acordo também estabelece cotas específicas para produtos agrícolas, incluindo carnes, milho, mel e óleos vegetais.

Comércio entre Brasil e EFTA movimenta US$ 7,8 bilhões

Os números mais recentes mostram uma relação comercial consolidada entre os dois mercados. Em 2025, o Brasil exportou US$ 3,8 bilhões para os países da EFTA e importou US$ 4 bilhões, resultando em uma corrente de comércio de US$ 7,8 bilhões.

A relação é marcada pela forte presença da indústria de transformação. Os bens intermediários representaram 68,5% das trocas comerciais realizadas no período.

A indústria de transformação responde por 93,1% das exportações brasileiras destinadas à EFTA e por 99,7% das importações provenientes do bloco, reforçando o caráter industrial da relação comercial.

Santa Catarina aparece entre os estados com mais oportunidades

Santa Catarina está entre os estados brasileiros com maior potencial de aproveitamento do acordo. Segundo mapeamentos realizados pela indústria, o estado reúne 354 oportunidades de exportação para a EFTA, ficando atrás apenas de São Paulo e Paraná.

Para Maria Teresa Bustamante, presidente do Conselho de Comércio Exterior da FIESC, o cenário coloca Santa Catarina em posição estratégica para ampliar sua presença no mercado europeu.

Agroindústria concentra oportunidades de exportação

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) identificou 653 oportunidades para 453 produtos industriais brasileiros nos países da EFTA. Parte significativa dessas possibilidades apresenta aderência à estrutura produtiva catarinense.

Na agroindústria e no setor de alimentos, foram identificadas 119 oportunidades, sendo 50 relacionadas à abertura de novos mercados. Entre os destaques estão as cotas com tarifa zero para carnes de aves e suínos.

As aves já representam 15,3% das exportações brasileiras destinadas à EFTA, enquanto o café não torrado corresponde a 18,8% da pauta exportadora para o bloco.

Setores metalmecânico, eletrônico e químico também podem avançar

O segmento metalmecânico, eletrônico e de máquinas reúne 53 oportunidades mapeadas. A redução ou eliminação de tarifas pode favorecer empresas dos polos industriais de Joinville e Jaraguá do Sul, especialmente nas exportações de motores elétricos, geradores, compressores e produtos metálicos.

Já o setor de químicos e plásticos apresenta 89 oportunidades, incluindo possibilidades de abertura de mercado e consolidação das exportações da indústria de transformação química.

Além das exportações, o acordo pode beneficiar as empresas catarinenses no acesso a insumos, medicamentos, fertilizantes e máquinas de precisão provenientes dos países da EFTA, com potencial redução de custos de importação.

Entre os principais produtos importados pelo Brasil estão os farmacêuticos e medicamentos, que representam 11,1% da pauta, compostos organo-inorgânicos, com 5,2%, além de fertilizantes e equipamentos industriais de precisão.

Acordo prevê facilitação do comércio

Os benefícios esperados não se limitam à redução de tarifas. O tratado também prevê mecanismos voltados à desburocratização do comércio exterior.

Entre os pontos previstos estão a acumulação de origem estendida com a União Europeia, que permitirá utilizar insumos europeus em determinados produtos destinados à EFTA sem perder o benefício tarifário.

O acordo também contempla regras sanitárias mais ágeis para a agroindústria, simplificação de procedimentos técnicos e abertura do mercado de compras governamentais.

Implementação será gradual a partir de 2026

A entrada em vigor do acordo ocorrerá de maneira progressiva e dependerá da implementação bilateral com cada país integrante da EFTA.

O cronograma previsto estabelece:

  • Islândia: 1º de outubro de 2026;
  • Noruega: 1º de novembro de 2026;
  • Suíça e Liechtenstein: primeiro semestre de 2027.

Com a redução de barreiras tarifárias e a simplificação de procedimentos, o acordo Mercosul-EFTA tende a criar novas possibilidades para empresas brasileiras e ampliar o espaço da indústria catarinense no comércio internacional.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Indústria, Inovação

Inovação industrial em SC supera R$ 1 bilhão e avança do petróleo ao espaço

Santa Catarina alcançou um marco de R$ 1,02 bilhão em inovação industrial, reunindo projetos que vão da automação de plataformas de petróleo ao desenvolvimento de tecnologias espaciais. O volume considera iniciativas realizadas e em execução desde 2014 e representa uma carteira de 344 projetos desenvolvidos para 417 empresas.

A atuação envolve áreas como robótica, manufatura avançada, sistemas embarcados, inteligência artificial, bioeconomia, transição energética e tecnologias para o setor aeroespacial.

Um dos exemplos está em Joinville, onde pesquisadores do SENAI-SC desenvolveram um robô para automatizar parte da preparação, inspeção e pintura do casco de plataformas e embarcações. A tecnologia reduz o tempo da operação e diminui a exposição de trabalhadores a atividades realizadas a cerca de 30 metros de altura sobre o mar.

Rede de inovação está presente em diferentes regiões de SC

A estrutura tecnológica do SENAI acompanha a diversidade da economia catarinense. O estado conta com três Institutos SENAI de Inovação e sete Institutos SENAI de Tecnologia, especializados em áreas como manufatura, sistemas embarcados, processamento a laser, alimentos e bebidas, meio ambiente, setor têxtil, cerâmica, madeira e mobiliário, mobilidade elétrica e energias renováveis.

As unidades estão distribuídas por Florianópolis, Joinville, Chapecó, Blumenau, Brusque, Criciúma, São Bento do Sul e Jaraguá do Sul.

Para Fabrízio Machado Pereira, diretor regional do SENAI/SC, a evolução da carteira demonstra a consolidação de uma estrutura criada para transformar pesquisa em soluções práticas para a indústria, com impacto em produtividade, segurança, qualidade e competitividade.

Laboratório de Chapecó amplia suporte à indústria de alimentos

No Oeste catarinense, o Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos e Bebidas recebeu credenciamento do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para realizar análises físico-químicas de produtos de origem animal e exames de microbiologia de alimentos.

A unidade se tornou o único laboratório de Santa Catarina habilitado nesse escopo. A previsão é que uma nova sede, prevista para 2027, amplie a estrutura em Chapecó de aproximadamente 900 para 3,5 mil metros quadrados.

A expansão deve aumentar a capacidade de atendimento às empresas de uma região marcada pela presença de grandes agroindústrias exportadoras.

Joinville recebe R$ 385 milhões em centros tecnológicos

No Norte do estado, a implantação de três centros tecnológicos em Joinville representa um investimento de R$ 385 milhões, em parceria com a Petrobras.

A estrutura será direcionada a segmentos como óleo e gás, robótica, processamento a laser e manufatura de equipamentos de alta complexidade.

O principal projeto é o Centro Tecnológico de Manufatura e Sistemas Cibermecânicos (Cetemo), que concentra R$ 283 milhões e terá mais de 3 mil metros quadrados.

A unidade deverá desenvolver, fabricar e testar componentes considerados críticos para a indústria de petróleo e gás, incluindo equipamentos que atualmente dependem de importação.

Outros R$ 102 milhões serão destinados ao Centro Tecnológico de Robótica (CT ROB) e ao CT Laser. Apesar da origem ligada às demandas do setor offshore, as estruturas também poderão atender segmentos como automotivo, aeroespacial, naval, energia, mineração e transporte.

Robô reduz tempo e custos na manutenção offshore

Entre os projetos conduzidos em parceria com a Petrobras está o RDC-R, robô desenvolvido desde 2015 para atuar na preparação de superfícies, inspeção e pintura de plataformas e embarcações.

O equipamento pode cobrir cerca de 200 metros quadrados por hora, enquanto o processo convencional alcança aproximadamente 20 metros quadrados por dia.

A automação também reduz a equipe necessária de 20 para seis profissionais e diminui o prazo do serviço de 35 para 14 dias. Segundo os resultados apresentados, a tecnologia pode proporcionar uma redução de até 84% nos custos de manutenção.

Além do ganho operacional, o sistema contribui para a segurança do trabalho, ao reduzir a necessidade de profissionais suspensos em grandes alturas sobre o mar.

O projeto resultou em três patentes e teve a tecnologia transferida pela Petrobras para empresas prestadoras de serviços, permitindo que a solução avançasse da pesquisa para a aplicação comercial.

Tecnologia catarinense também chegou ao espaço

A inovação produzida em Santa Catarina também alcançou o setor espacial. O VCUB1 foi lançado em 15 de abril de 2023, na Califórnia, a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX.

Liderado pela Visiona, o projeto contou com a participação do Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, do INPE e do IAE.

A missão terminou em fevereiro de 2025, quando o nanossatélite reentrou na atmosfera conforme o planejado. Durante quase dois anos em órbita, o equipamento manteve seus subsistemas em funcionamento e validou tecnologias nacionais de navegação, comunicação, gestão de bordo e captura de imagens.

Ao longo da missão, foram obtidos quase 500 mil quilômetros quadrados de imagens da superfície terrestre.

Catarina-A2 avança para futuro lançamento

A experiência adquirida com o VCUB1 também contribuiu para o desenvolvimento do Catarina-A2, projeto do SENAI integrado à Constelação Catarina, programa liderado pela Agência Espacial Brasileira (AEB).

Em março de 2026, o nanossatélite concluiu testes de vibração e termovácuo no INPE e ficou tecnicamente preparado para a próxima etapa antes do lançamento.

O projeto recebeu R$ 5 milhões em emendas da bancada catarinense e deverá produzir dados para aplicações em meteorologia, agricultura, defesa civil, logística e monitoramento ambiental.

A data da missão ainda depende da contratação e da disponibilidade de um veículo lançador.

Inovação também transforma resíduos em novos produtos

A carteira de projetos do estado vai além da indústria pesada. O Banana Têxtil, desenvolvido em parceria com empresas como Musa da Terra, Eurofios, Altenburg e Pacoa Eco, pesquisa formas de transformar fibras do pseudocaule da bananeira em tecido e barbante.

A iniciativa aproxima agricultura, indústria têxtil e economia circular, utilizando um resíduo agrícola como matéria-prima para produtos de maior valor agregado.

Outro projeto, concluído em 2026, concentrou esforços no desenvolvimento de tecnologias para proteína cultivada. A pesquisa envolveu 34 pesquisadores e R$ 6,5 milhões, com resultados que incluem novos meios de cultura, uma plataforma multiômica apoiada por inteligência artificial e biomoléculas com possíveis aplicações nos setores de alimentos, cosméticos e medicamentos.

MagBras aposta na produção de ímãs de terras raras

Na área de transição energética, o programa MagBras reúne R$ 73 milhões, 28 empresas — incluindo 12 mineradoras —, sete instituições científicas e tecnológicas e três fundações.

Iniciada em junho de 2025, a iniciativa terá 36 meses para estruturar no Brasil uma cadeia de produção de ímãs permanentes de terras raras, abrangendo etapas que vão da pesquisa mineral à fabricação e reciclagem.

Os materiais são considerados estratégicos para motores elétricos, equipamentos industriais e diferentes tecnologias associadas à economia de baixo carbono.

Projetos aproximam pesquisa e linha de produção

Um dos desafios da inovação industrial é levar tecnologias desenvolvidas em laboratório até a produção em escala. Projetos realizados com a General Motors (GM) mostram esse processo.

O Smart Die System, por exemplo, foi desenvolvido para ajustar ferramentas e monitorar operações de estamparia. Nos testes realizados, a solução elevou a produtividade de 12 para 20 peças por minuto.

Já o Spark Eyes permite monitorar em tempo real milhares de pontos de solda de um veículo e apresenta potencial para ser utilizado em outras fábricas da montadora.

Em parceria com a CNH, pesquisadores de Florianópolis desenvolveram ainda um sistema de visão computacional para automatizar funções de colhedoras de cana. A tecnologia foi testada na Flórida e posteriormente apresentada à divisão global da empresa na Bélgica.

O projeto resultou em 14 pedidos de patente no Brasil, Estados Unidos, China e Índia.

Financiamento reduz riscos para empresas

A expansão dos projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação é sustentada por uma combinação de contratos empresariais, recursos não reembolsáveis e mecanismos de compartilhamento do risco tecnológico.

Entre os instrumentos utilizados estão iniciativas da Embrapii, Finep, BNDES, Rota 2030 e Plataforma Inovação para a Indústria, além de recursos do próprio SENAI e parcerias com empresas, universidades, startups, fundações e instituições científicas.

O modelo busca reduzir a distância entre a criação de uma tecnologia e sua chegada ao mercado. Para as empresas, a divisão dos custos permite viabilizar projetos que podem exigir anos de desenvolvimento, testes e certificações antes de alcançar a produção em escala.

Para Gilberto Seleme, presidente da FIESC, o avanço dos institutos contribui para fortalecer Santa Catarina como um polo de tecnologia e inovação de relevância nacional.

O volume acumulado de R$ 1,02 bilhão em inovação mostra a diversificação da pesquisa industrial catarinense. Os projetos abrangem setores que vão do agronegócio e da indústria automotiva ao petróleo, energia e espaço, com foco crescente em transformar conhecimento tecnológico em produtividade, competitividade e soluções de mercado.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Exame

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Indústria

Papel sulfite chinês ganha espaço no Brasil e indústria nacional pede aumento da tarifa de importação

A indústria brasileira de papel enfrenta uma nova pressão com o aumento das importações de papel sulfite asiático, especialmente da China e da Indonésia. O movimento ocorre após a adoção de barreiras comerciais pelos Estados Unidos, que reduziram o acesso desses países ao mercado norte-americano e levaram parte da produção excedente para outros destinos, incluindo o Brasil.

Com preços mais baixos que os praticados pela indústria nacional, o avanço do papel sulfite importado tem preocupado fabricantes brasileiros, que solicitaram ao governo federal medidas para conter o aumento das compras externas.

A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), entidade que representa cerca de 50 grandes empresas dos setores de papel e celulose, pediu à Secretaria de Comércio Exterior, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a elevação da tarifa de importação do chamado papel “cutsize”, utilizado principalmente em folhas A3 e A4.

Setor pede aumento do imposto sobre papel importado

Atualmente, a tarifa aplicada ao produto é de 16%. A proposta da Ibá é elevar a alíquota para 30%, percentual máximo permitido pela Tarifa Externa Comum do Mercosul.

Segundo a entidade, o fechamento de mercados internacionais para fornecedores asiáticos provocou uma mudança no fluxo comercial, direcionando volumes excedentes para países com maior abertura às importações.

A associação argumenta que o aumento das compras externas ocorreu em um ritmo acelerado e com preços considerados agressivos, afetando a competitividade das empresas brasileiras.

Importações de papel sulfite aumentam mais de 160%

Dados reunidos pela Ibá mostram que as importações de papel cutsize cresceram 160% entre janeiro e maio deste ano na comparação com o mesmo período anterior.

O volume adquirido no exterior passou de 3,3 milhões de quilos para 8,5 milhões de quilos. Em valores financeiros, as compras aumentaram 123%, saindo de US$ 2,9 milhões para US$ 6,3 milhões.

Um dos fatores que impulsionaram esse avanço foi a queda no preço médio do produto estrangeiro, que recuou de US$ 0,90 para US$ 0,77 por quilo, redução de aproximadamente 14%.

De acordo com a Ibá, em alguns casos o papel importado da Ásia chega ao consumidor entre R$ 7 e R$ 35 mais barato que marcas fabricadas no Brasil.

Indústria brasileira tem capacidade, mas enfrenta perda de mercado

O Brasil possui uma indústria consolidada de celulose e papel, sendo um dos principais produtores mundiais do setor. Historicamente, o consumo interno de papel sulfite é abastecido majoritariamente pela produção nacional.

A capacidade instalada das fábricas brasileiras representa 143% do consumo doméstico, o que significa que o país poderia produzir cerca de 43% a mais do que o mercado interno atualmente demanda.

Para a Ibá, o avanço das importações pode provocar redução de investimentos e afetar a sustentabilidade econômica das empresas nacionais.

A entidade afirma que a combinação entre aumento das compras externas e preços reduzidos justifica a adoção de medidas emergenciais para proteger a produção brasileira.

Exportações brasileiras de papel também registram queda

Enquanto as importações avançam, as exportações brasileiras de papel apresentam retração. Entre janeiro e maio de 2025, o país enviou ao exterior cerca de 150 milhões de quilos do produto. No mesmo intervalo deste ano, o volume caiu para 129 milhões de quilos.

Segundo a Ibá, o setor enfrenta uma dupla dificuldade: a redução da participação no mercado internacional e a perda de espaço dentro do próprio mercado brasileiro.

O diretor internacional da entidade, José Carlos da Fonseca Júnior, afirmou que a reorganização do comércio global após as restrições impostas pelos Estados Unidos criou novos desafios para produtores de diferentes países.

Ele destacou que parte dos produtos fabricados com celulose brasileira exportada para a China acaba retornando ao Brasil em forma de papel industrializado, com preços inferiores aos produtos nacionais.

Setor também busca proteção para papel-cartão

Além do papel sulfite, a indústria brasileira também apresentou pedido relacionado ao papel-cartão, utilizado em embalagens de medicamentos, alimentos e produtos de higiene.

Em 2024, a Ibá solicitou à Câmara de Comércio Exterior (Camex) a elevação da tarifa de importação desse produto de 12,5% para 25%. O governo autorizou aumento para 16%, com validade temporária.

Agora, a entidade afirma que o cenário piorou e defende uma nova elevação, desta vez para 35%, alegando que os produtos chegam ao país com preços que não refletem uma concorrência equilibrada.

China enfrenta barreiras comerciais nos Estados Unidos

Os Estados Unidos já aplicam medidas antidumping e compensatórias contra determinados tipos de papel produzidos na China e na Indonésia, além de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos chineses.

O governo norte-americano também abriu investigações sobre o excesso de capacidade industrial da China e possíveis práticas comerciais consideradas prejudiciais ao mercado.

A indústria brasileira de papel se junta a outros setores que têm solicitado aumento de tarifas de importação diante do crescimento das vendas de produtos chineses no país.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Araquém Alcântara/Divulgação

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Indústria

Mercado livre de energia cresce entre indústrias brasileiras e já atrai 41% das empresas, aponta CNI

Mais de quatro em cada dez indústrias brasileiras já migraram para o mercado livre de energia nos últimos dois anos, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A pesquisa mostra que 41% das empresas passaram a negociar a compra de energia nesse modelo desde 2024, após a ampliação do acesso ao ambiente de livre contratação por uma norma do Ministério de Minas e Energia (MME).

Entre as empresas que deixaram o mercado cativo de energia, 73% afirmam ter percebido redução nos gastos com tarifas elétricas. O resultado reforça o interesse da indústria por alternativas para controlar despesas e aumentar a competitividade.

Empresas buscam reduzir custos com a conta de luz

A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026, divulgada pela CNI, aponta que 30% dos empresários consideram a migração para o mercado livre de eletricidade a principal estratégia para diminuir os custos da energia.

O movimento ocorre em um cenário de maior instabilidade no setor elétrico, influenciado pelo crescimento da demanda mundial por energia e por fatores geopolíticos que afetam os preços. Diante desse contexto, a busca por maior previsibilidade e economia tem levado mais empresas a avaliar a mudança no modelo de contratação.

Apesar do avanço, a pesquisa indica que ainda existe espaço para crescimento. Entre as indústrias atendidas em baixa tensão que continuam no mercado regulado, 37% demonstram interesse em migrar para o ambiente livre.

Grandes empresas lideram adesão ao mercado livre

A adesão varia conforme o porte das companhias. Entre as grandes indústrias conectadas em alta tensão, 63% já compram energia no mercado livre.

Nas pequenas empresas, 22% informam que já participam desse ambiente de contratação, enquanto 45% permanecem no mercado tradicional, conhecido como mercado cativo.

O levantamento também revela a importância da eletricidade para a produção industrial: 79% das empresas afirmam que a energia elétrica é o principal insumo energético utilizado em seus processos.

“O levantamento evidencia como o custo da energia influencia a competitividade da indústria e mostra que muitas empresas têm buscado a migração para o mercado livre como alternativa para reduzir tarifas”, afirma o gerente de Energia da CNI, Roberto Wagner Pereira.

Segundo o especialista, também é necessário aprimorar o modelo de formação de preços no setor, com a adoção de tarifas dinâmicas de energia, capazes de acompanhar fatores como geração, horários de consumo e demanda. Ele ainda defende a revisão dos subsídios existentes, que contribuem para elevar o valor final da conta de luz.

Custo da energia preocupa a indústria brasileira

A pesquisa aponta que 83% dos industriais consideram o preço da energia um fator essencial para a competitividade dos negócios. Além disso, 67% afirmam que o aumento das tarifas interfere diretamente nos custos de produção.

Nos últimos 12 meses, 62% das empresas perceberam algum impacto provocado pela variação dos preços da eletricidade.

Entre os participantes, 3% relataram aumento considerado elevado na conta de luz, superior a 30%. Outros 20% classificaram o impacto como médio, com reajustes acima de 10%, enquanto 39% apontaram efeitos menores, abaixo de 10%.

Indústrias investem em eficiência energética e autogeração

Quase dois terços das empresas pesquisadas (64%) adotaram alguma iniciativa para reduzir o consumo de energia ou diminuir despesas tarifárias. A principal medida foi a migração para o mercado livre de energia, citada por 30% das indústrias.

Outras estratégias incluem investimentos em autogeração de energia e eficiência energética, apontados por 13% das empresas. Já 28% afirmaram não ter realizado nenhuma ação para otimizar o uso energético nos processos produtivos.

Setores com maior investimento em energia

A indústria de produtos de borracha apresentou os maiores índices de investimento em autogeração, com 25% das empresas adotando essa alternativa, e também teve destaque na migração para o mercado livre, com 38% de adesão.

O setor calçadista registrou a maior participação no mercado livre, com 47% das empresas migrando para esse modelo. Já o segmento de equipamentos de informática e produtos eletrônicos foi o que mais investiu em eficiência energética, com 25% das empresas adotando medidas nessa área.

A Sondagem Especial Indústria e Energia 2026 foi realizada em abril pela CNI com 1.498 indústrias dos setores extrativo e de transformação. O levantamento reuniu 601 pequenas empresas, 529 médias e 368 grandes companhias.

FONTE: Portal da Indústria
TEXTO: Redação
IMAGEM: Iano Andrade/CNI

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Indústria

Edge compra Akaer e amplia presença na indústria de defesa brasileira

O Edge Group, conglomerado estatal de tecnologia e defesa dos Emirados Árabes Unidos, anunciou a aquisição de 100% da Akaer, empresa brasileira especializada em engenharia aeroespacial. A operação, que ainda depende de aprovações regulatórias e do cumprimento de condições contratuais, representa o terceiro investimento do grupo no setor de defesa do Brasil em pouco mais de três anos. O valor da transação não foi revelado.

Akaer é referência em engenharia aeroespacial

Fundada em 1992, a Akaer, sediada em São José dos Campos (SP), atua no desenvolvimento de soluções para os segmentos aeroespacial, defesa e tecnologia.

Ao longo de sua trajetória, a empresa participou de importantes programas da indústria aeronáutica, como o caça Gripen NG, desenvolvido pela Saab para a Força Aérea Brasileira, além de projetos da Embraer, entre eles o cargueiro KC-390, o Super Tucano, as famílias de aeronaves comerciais ERJ-E1 e ERJ-E2, e os jatos executivos Legacy 450 e Legacy 500.

A companhia também colaborou em projetos ligados ao Boeing 747-8, ao avião B-250, da Calidus, e ao programa brasileiro de modernização das aeronaves de patrulha marítima P-3 Orion.

Aquisição fortalece portfólio tecnológico da Edge

Com a incorporação da Akaer, a Edge amplia sua atuação em áreas estratégicas como veículos aéreos não tripulados (VANTs), sensores ópticos, sistemas eletro-ópticos e infravermelhos, além de tecnologias voltadas ao setor espacial.

Segundo o grupo, a Akaer continuará operando no Brasil, preservando sua estrutura de gestão, equipe técnica e relacionamento com clientes nacionais e internacionais.

O diretor-presidente da Edge, Hamad Al Marar, afirmou que a empresa brasileira agrega uma equipe altamente especializada, com experiência em projetos aeroespaciais complexos desenvolvidos ao longo de três décadas.

Brasil se torna peça estratégica para o grupo árabe

A compra da Akaer consolida a estratégia da Edge de expandir sua presença na indústria de defesa brasileira.

O primeiro investimento ocorreu em 2023, quando o grupo adquiriu 50% da SIATT, empresa de São José dos Campos dedicada ao desenvolvimento de sistemas de defesa. Entre seus principais projetos está o Míssil Antinavio Nacional de Superfície, criado em parceria com a Marinha do Brasil para competir com modelos tradicionais do mercado internacional.

Como parte desse investimento, a Edge também financiou a construção de uma nova fábrica da SIATT em Caçapava (SP), além de firmar parceria com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) para estimular pesquisa e formação de profissionais.

Expansão inclui tecnologias não letais

Em 2024, o conglomerado ampliou sua atuação ao comprar 51% da Condor Tecnologias Não Letais, fabricante brasileira reconhecida internacionalmente por equipamentos utilizados por forças policiais e militares.

O portfólio da empresa inclui gás lacrimogêneo, spray de pimenta, granadas de efeito moral e munições de impacto controlado, produtos exportados para 85 países.

Após a aquisição, a Edge anunciou investimentos para ampliar a capacidade produtiva da companhia no Brasil, reforçando sua presença também no segmento de segurança pública.

Brasil reúne engenharia qualificada e potencial de exportação

A escolha do Brasil faz parte da estratégia da Edge de ampliar sua atuação global por meio de mercados com forte capacidade tecnológica e custos competitivos.

Antes da compra da Akaer, os investimentos anunciados pelo grupo no país já somavam aproximadamente R$ 3 bilhões. Com a nova operação, esse montante deverá aumentar, embora os valores não tenham sido divulgados.

Mercado global de defesa segue em expansão

O avanço da Edge acontece em um cenário de crescimento dos investimentos militares em todo o mundo. Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), os gastos globais com defesa atingiram US$ 2,46 trilhões em 2024, alta de 7,4% em relação ao ano anterior.

Criado em 2019 a partir da integração de mais de 20 empresas dos Emirados Árabes Unidos, o Edge atua em áreas como inteligência artificial, cibersegurança, radares, munições, veículos autônomos e tecnologias espaciais.

Com operações em países como Polônia, Estônia e Suíça, além de joint ventures na Itália e na Espanha, o conglomerado reúne atualmente mais de 25 mil funcionários, receita anual de US$ 5 bilhões e passa a consolidar o Brasil como um de seus principais polos de engenharia e desenvolvimento tecnológico fora dos Emirados Árabes Unidos.

FONTE: Invest News
TEXTO: Redação
IMAGEM: AKAER/Divulgação

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Indústria

China fortalece ecossistema industrial e amplia liderança global em energia e tecnologia

A transformação econômica da China deixou para trás explicações baseadas apenas em mão de obra barata, câmbio desvalorizado ou reprodução de tecnologias estrangeiras. Hoje, o avanço industrial do país é sustentado por um modelo integrado que combina energia elétrica, processamento de minerais estratégicos e fabricação de tecnologias voltadas à transição energética.

Um relatório divulgado pelo Rhodium Group, em março de 2026, aponta que Pequim consolidou um sistema conhecido como “Estado elétrico” (“electro-state”), capaz de criar um ciclo de produção altamente eficiente e difícil de ser reproduzido por outras economias.

Modelo integra energia, mineração e indústria

Segundo o estudo, o diferencial chinês está na conexão entre três setores considerados essenciais para a indústria moderna: geração de energia de baixo custo, refino de metais industriais e produção de equipamentos ligados à energia limpa.

Nesse modelo, a oferta abundante de eletricidade reduz os custos para processar materiais como lítio, alumínio e cobre. Com insumos mais baratos, a fabricação de baterias, painéis solares e turbinas eólicas também se torna mais competitiva.

Ao mesmo tempo, a expansão das fontes renováveis amplia a disponibilidade de energia, criando um ciclo contínuo de redução de custos e aumento da capacidade produtiva.

Escala da infraestrutura impressiona analistas

Os números apresentados pelo Rhodium Group evidenciam a dimensão da estratégia chinesa.

Em 2025, a geração combinada de energia solar e eólica da China superou todo o consumo industrial dos Estados Unidos. A projeção do relatório indica que, em 2026, essa produção também ultrapassará a soma do consumo residencial e industrial norte-americano.

Outro indicador destacado é o crescimento da mobilidade elétrica. A frota de veículos elétricos em circulação no país já reduz o consumo equivalente a cerca de 1,76 milhão de barris de petróleo por dia, diminuindo a dependência chinesa dos combustíveis fósseis e aumentando sua segurança energética.

Desde o início dos anos 2000, a China respondeu por aproximadamente 60% do crescimento mundial no consumo de eletricidade, mantendo expansão da demanda energética mesmo durante a desaceleração provocada pela crise do setor imobiliário.

Carvão continua sendo peça-chave da estratégia chinesa

Apesar da liderança em energia renovável, o relatório ressalta que o sistema industrial chinês continua apoiado em uma ampla estrutura de geração baseada em carvão mineral.

A utilização desse recurso garante fornecimento constante de energia para setores intensivos, como siderurgia e metalurgia, que exigem estabilidade para operar continuamente.

Além disso, o carvão oferece vantagens estratégicas para o país por ser amplamente disponível em território nacional, reduzindo a dependência de importações de petróleo e gás natural.

Em 2024, a China adicionou cerca de 88 gigawatts de capacidade instalada em usinas termelétricas a carvão. Embora as fontes renováveis tenham liderado o crescimento da geração elétrica, o carvão permanece como elemento fundamental para assegurar o funcionamento da indústria pesada.

Ocidente enfrenta dificuldades para replicar modelo

O estudo afirma que a integração entre infraestrutura energética, processamento de minerais e manufatura avançada foi construída ao longo de décadas, com forte participação do Estado, financiamento subsidiado e planejamento de longo prazo.

Na avaliação do Rhodium Group, reproduzir esse ecossistema em outros países representa um desafio significativo, especialmente para economias que buscam desenvolver cadeias próprias de minerais críticos e reduzir a dependência da indústria chinesa.

Segundo a análise, iniciativas de reorganização das cadeias globais poderão exigir políticas industriais robustas e medidas de proteção comercial, o que tende a elevar os custos para consumidores e empresas.

Brasil possui potencial, mas enfrenta desafios industriais

Embora o relatório não trate especificamente do Brasil, o cenário apresentado reforça um debate recorrente sobre o papel do país na cadeia global de valor.

O Brasil reúne importantes reservas de minério de ferro, lítio, alumínio e nióbio, além de contar com uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo e elevado potencial para geração de energia solar e eólica.

Entretanto, grande parte desses recursos ainda é exportada como matéria-prima, enquanto produtos industrializados de maior valor agregado continuam sendo importados.

Nesse contexto, especialistas apontam que ampliar a industrialização exigiria políticas de longo prazo, incentivos ao investimento, financiamento e fortalecimento das cadeias produtivas nacionais.

Planejamento de longo prazo explica avanço chinês

O relatório conclui que o chamado “Estado elétrico” não surgiu de forma espontânea, mas é resultado de décadas de planejamento estratégico, investimentos públicos, coordenação industrial e expansão da infraestrutura energética.

A combinação desses fatores permitiu à China consolidar uma posição de liderança em setores considerados fundamentais para a economia do futuro, como energia limpa, baterias, veículos elétricos e minerais críticos, tornando seu modelo uma referência para o debate sobre competitividade industrial global.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Maxim Shemetov

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Indústria

Tarifa de 25% dos EUA pode atingir principalmente a indústria brasileira, aponta análise

O governo dos Estados Unidos iniciou, nesta segunda-feira (6), uma série de audiências com representantes do setor produtivo para discutir a possível aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte das importações vindas do Brasil. Caso a medida seja confirmada, a indústria brasileira tende a ser o segmento mais afetado, segundo avaliação da editora e analista de Economia da CNN, Lucinda Pinto.

Impacto na economia brasileira deve ser limitado

Apesar da preocupação com alguns setores, a analista considera que os efeitos sobre a economia brasileira como um todo não seriam significativos.

Atualmente, apenas 10,8% das exportações brasileiras têm como destino os Estados Unidos. Além disso, a proposta de sobretaxa atingiria cerca de 31% desse volume, o equivalente a aproximadamente US$ 11,7 bilhões.

Na avaliação de Lucinda Pinto, mesmo com a cobrança da tarifa de 25%, o impacto macroeconômico tende a ser restrito devido ao alcance limitado da medida.

Outro fator que reduz os efeitos gerais é que importantes produtos da pauta de exportação brasileira, como petróleo, café, suco de laranja e carne, não fazem parte da relação de itens que poderão ser tarifados.

Produtos industrializados estão no foco da proposta

A proposta norte-americana concentra-se principalmente sobre produtos industrializados. Entre os itens citados estão madeira perfilada, sebo bovino, portas e caixilhos de madeira, mel natural, transformadores elétricos, além de espingardas e carabinas de caça.

De acordo com a análise, aproximadamente metade dos produtos incluídos na lista possui alto valor agregado e é classificada como de elevada tecnologia, o que amplia a preocupação do setor.

Regiões mais dependentes das exportações sentirão maior impacto

Embora o reflexo sobre a economia nacional seja considerado moderado, os efeitos podem ser bastante expressivos em determinadas regiões do país.

Levantamento da consultoria Integra Associados indica que estados como Santa Catarina, Alagoas e Paraíba estão entre os mais vulneráveis por apresentarem maior dependência das exportações destinadas ao mercado norte-americano. Já São Paulo, apesar do elevado volume exportado para os Estados Unidos, possui uma economia mais diversificada e menor dependência desse destino.

Redirecionamento das exportações é um dos principais desafios

Outro ponto destacado pela analista é a dificuldade enfrentada pelas empresas para encontrar novos mercados em curto prazo.

Ao contrário das commodities, que costumam ser redirecionadas com maior facilidade, muitos produtos industrializados são desenvolvidos sob encomenda para atender especificações técnicas de clientes específicos. Essa característica reduz a possibilidade de substituir rapidamente o mercado norte-americano por outros compradores.

Segundo Lucinda Pinto, máquinas e equipamentos produzidos para atender linhas de produção específicas dificilmente encontram novos destinos de forma imediata.

Especialistas ainda apostam em mudanças na proposta

Apesar do avanço das discussões nos Estados Unidos, ainda há incertezas sobre o alcance da medida e sobre os objetivos do governo norte-americano.

Especialistas ouvidos pela analista acreditam que existe a possibilidade de a tarifa não ser aplicada integralmente ou de atingir apenas parte dos produtos inicialmente previstos, reduzindo os impactos para o setor exportador brasileiro.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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