Comércio Internacional

Desdolarização do BRICS avança com comércio em moedas locais e nova plataforma em blockchain

O movimento de desdolarização do BRICS ganha força com mudanças concretas no comércio internacional entre seus membros. Rússia e China já realizam praticamente todas as suas transações bilaterais sem o uso do dólar, enquanto o bloco desenvolve uma solução digital própria para ampliar esse modelo.

Comércio em moedas locais ganha escala no BRICS

Dados recentes mostram que Rússia e China conduzem cerca de 99,1% de suas trocas comerciais utilizando moedas locais, como rublo e yuan. O avanço representa uma mudança significativa em relação ao padrão anterior, dominado pelo dólar.

O Brasil segue a mesma tendência. Desde 2023, o comércio bilateral com a China movimenta aproximadamente 100 bilhões de dólares por ano com liquidação em moedas próprias. Esse cenário evidencia que a desdolarização deixou de ser apenas uma proposta política e passou a integrar a prática econômica entre os países do bloco.

Apesar disso, o dólar ainda predomina no sistema global, respondendo por cerca de 90% das transações cambiais. No entanto, sua participação nas reservas internacionais caiu ao longo das últimas décadas, sinalizando uma mudança gradual no equilíbrio financeiro global.

Unidade BRICS: sistema em blockchain busca substituir o SWIFT

Como parte dessa transformação, o bloco propõe a criação da Unidade BRICS, uma ferramenta digital baseada em blockchain voltada para pagamentos internacionais.

O sistema funcionará como um mecanismo de compensação para transações entre países membros, permitindo operações diretas em moedas locais sem necessidade de conversão para o dólar. A proposta também elimina a dependência do sistema SWIFT, amplamente utilizado nas transações globais.

A tecnologia blockchain oferece uma vantagem estratégica: a descentralização. Isso reduz a influência de decisões externas e limita o impacto de sanções econômicas sobre os países participantes.

Embora ainda esteja em fase inicial, a iniciativa é vista como um passo importante na construção de uma infraestrutura financeira independente.

Lula descarta moeda única, mas reforça integração financeira

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não há planos para a criação de uma moeda única do BRICS. Segundo ele, o foco está em ampliar o uso de moedas locais no comércio internacional, e não substituir as moedas nacionais.

A estratégia prioriza acordos bilaterais e mecanismos que aumentem a autonomia financeira dos países. Essa visão também é compartilhada pelo Novo Banco de Desenvolvimento, que defende a expansão de operações fora do dólar como caminho para um sistema mais equilibrado.

Divergências internas mostram limites da desdolarização

Apesar dos avanços, nem todos os membros do BRICS seguem o mesmo ritmo. A Índia, por exemplo, adota uma postura mais cautelosa em relação à redução do uso do dólar.

Autoridades indianas destacam a importância da moeda americana para a estabilidade global e demonstram resistência a iniciativas mais radicais, como uma possível moeda comum.

Essa diferença de posicionamento revela desafios internos para o bloco, que precisa conciliar interesses distintos enquanto avança na agenda de integração financeira.

Impactos para empresas e comércio internacional

A expansão do uso de moedas locais no BRICS pode trazer benefícios diretos para empresas envolvidas em comércio exterior. Entre eles, estão:

  • Redução de custos com conversão cambial
  • Menor exposição à volatilidade do dólar
  • Maior previsibilidade nas transações internacionais

Com iniciativas como a Unidade BRICS e acordos bilaterais, o bloco constrói gradualmente uma alternativa ao modelo financeiro tradicional. Embora a transição seja progressiva, os números indicam que a desdolarização do BRICS já está em curso.

FONTE: Click Petróleo e Gás
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CPG

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