Portos

Drones ampliam fiscalização de operações portuárias e hidroviárias em áreas de difícil acesso

O avanço da tecnologia vem transformando a fiscalização no setor de infraestrutura aquaviária brasileiro. Entre as ferramentas adotadas está o uso de drones pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), recurso que permite ampliar o acompanhamento de embarcações, instalações e operações realizadas em grandes áreas ou em locais de acesso restrito.

A iniciativa integra o movimento de modernização e inovação promovido pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). Em setembro de 2026, a pasta criou a Política Nacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Portuária (PD&I-Portos), estabelecendo diretrizes para que estudos, inovação e modernização sejam incorporados ao planejamento das autoridades portuárias.

A política tem entre seus objetivos estimular soluções que aumentem a eficiência, a sustentabilidade e a competitividade do setor portuário.

Drones aumentam o alcance da fiscalização

A adoção dos drones atende a uma necessidade prática da fiscalização: acompanhar uma grande variedade de operações distribuídas por extensas áreas territoriais.

Na navegação interior, por exemplo, os trabalhos envolvem o monitoramento de embarcações e serviços de travessia realizados em localidades remotas. Já nos portos, as equipes precisam acompanhar diferentes estruturas e atividades, incluindo pátios, acessos, instalações e operações nos terminais.

Na Antaq, os primeiros testes com drones começaram em 2016. O uso da tecnologia foi oficializado em 2019 pela Unidade Regional de Porto Velho (UREPV), após servidores receberem treinamento para operar os equipamentos.

Desde então, as imagens aéreas passaram a complementar as ações de fiscalização e a geração de informações utilizadas no planejamento das diligências.

Tecnologia permite observar áreas de difícil acesso

O uso de drones possibilita aos fiscais visualizar estruturas que podem apresentar dificuldades para uma inspeção presencial. Entre os pontos que podem ser observados estão os costados de embarcações, píeres afastados, equipamentos instalados em altura, correias transportadoras e estruturas de apoio à navegação.

Na navegação interior, as imagens do costado podem auxiliar na identificação visual de possíveis sinais de excesso de carga. Os equipamentos também podem contribuir para a identificação de situações que indiquem a possível prestação de serviços sem a devida autorização.

A principal vantagem é ampliar a visão sobre a operação antes ou durante uma fiscalização. Com os dados obtidos pelo sobrevoo, os servidores conseguem identificar pontos que merecem atenção e direcionar a inspeção presencial para locais que necessitam de uma análise mais detalhada.

Imagens ajudam na análise de portos e terminais

Além do acompanhamento de embarcações, os drones podem ser empregados na observação do fluxo de veículos nas vias de acesso aos portos, da ocupação de pátios e da movimentação dentro dos terminais.

As imagens em alta definição também podem servir de base para relatórios de fiscalização, análises técnicas e diferentes tipos de levantamento. Entre as possibilidades estão medições de áreas, cálculos de volumetria e criação de modelos tridimensionais.

Com isso, a tecnologia aumenta a quantidade de informações disponíveis para as equipes e melhora a qualidade dos registros obtidos durante as ações de campo.

Fiscalização ganha informações para orientar decisões

Em um setor marcado pela diversidade de operações e pela distribuição geográfica das atividades, contar com informações obtidas de diferentes ângulos pode tornar a fiscalização mais precisa e direcionada.

Segundo a Antaq, os drones contribuem para ampliar a segurança das operações portuárias e hidroviárias, melhorar a eficiência das ações e auxiliar na identificação e caracterização de possíveis irregularidades.

As imagens, porém, têm caráter de apoio. A constatação de uma eventual infração depende da análise do caso e da formalização conforme os procedimentos estabelecidos pela Agência.

Dessa forma, o drone não substitui a atuação presencial dos fiscais. A tecnologia funciona como uma ferramenta complementar, fornecendo dados que ajudam as equipes a planejar as diligências e concentrar esforços em situações que demandam maior atenção.

Inovação aplicada à infraestrutura aquaviária

O uso de drones demonstra como a inovação tecnológica pode ser aplicada a desafios concretos da infraestrutura aquaviária. Em operações realizadas sobre grandes áreas ou em locais de difícil acesso, a tecnologia amplia a capacidade de observação e gera registros mais detalhados.

Ao fornecer informações com maior rapidez e apoiar a definição dos pontos que devem ser verificados presencialmente, os equipamentos podem tornar as ações de fiscalização mais abrangentes e eficientes.

A expectativa é que esse tipo de recurso contribua para acompanhar a regularidade dos serviços, reforçar a segurança no transporte aquaviário e oferecer maior proteção aos usuários, ao mesmo tempo em que melhora o uso dos recursos disponíveis pelas equipes de fiscalização.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rodolfo Vilela

Ler Mais
Tecnologia

SIM Móbile debate inovação e futuro da indústria moveleira em Florianópolis

Evento reuniu empresários e fornecedores para discutir tecnologia, novos hábitos de consumo, sustentabilidade e estratégias de gestão para aumentar a competitividade do setor

Encontro reúne indústria moveleira e fornecedores

As mudanças que estão transformando a indústria moveleira estiveram no centro da segunda edição do SIM Móbile, encontro promovido pelo Sindicato do Mobiliário da Grande Florianópolis (SIM), entidade vinculada à Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).

Realizado na sede da FIESC, em Florianópolis, o evento reuniu empresários, industriais e fornecedores em uma programação voltada à troca de conhecimentos, geração de negócios e networking.

Na abertura, o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, destacou a participação do setor de móveis na economia catarinense e a importância da atuação conjunta entre empresas.

Segundo Seleme, a cooperação entre os diferentes segmentos da indústria contribui para ampliar a competitividade, gerar desenvolvimento e fortalecer a economia de Santa Catarina.

Tecnologia e sustentabilidade mudam o setor moveleiro

A programação técnica contou com a participação de Sandra Furst, coordenadora do Instituto SENAI de Tecnologia em Madeira e Mobiliário. Ela apresentou um panorama das transformações que estão alterando os critérios de competitividade da indústria de móveis.

A especialista estruturou a apresentação em três eixos: sustentabilidade, mudanças no comportamento do consumidor e tecnologia.

Nesse cenário, práticas relacionadas à agenda ESG, como a rastreabilidade da madeira, o desenvolvimento de matérias-primas alternativas e soluções voltadas à eficiência das embalagens utilizadas no comércio eletrônico global, passaram a ser consideradas requisitos importantes para as empresas.

Entre os exemplos apresentados está o Projeto Banana Têxtil, que trabalha com matéria-prima alternativa.

Sandra também chamou atenção para a mudança na forma como os consumidores tomam decisões de compra. Ferramentas de inteligência artificial e realidade aumentada já são utilizadas para comparar experiências, reputação e propósito das marcas, além dos preços.

Para a especialista, as decisões tomadas atualmente pela indústria terão impacto direto no futuro do setor.

Gestão, inovação e novos negócios entram na programação

Além da apresentação sobre as tendências do mercado, o SIM Móbile trouxe diferentes conteúdos voltados à gestão empresarial e ao desenvolvimento de negócios.

A programação incluiu o Case Casttini, apresentado por Vitor Agostini, além de palestras sobre gestão financeira, com Vivian Sesto, da XP Investimentos, e inteligência comercial, conduzida por Luiz Bagattini, da KLA.

O empresário Morongo, da Mormaii, também participou do encontro com uma apresentação sobre cultura de liderança.

No período da tarde, os participantes tiveram acesso a uma feira de exposição de negócios, ampliando as oportunidades de contato entre empresas, fornecedores e profissionais do setor.

Associativismo aproxima empresas das soluções da FIESC

Para Bruno Pauli, presidente do Sindicato do Mobiliário da Grande Florianópolis, o evento tem entre seus objetivos aproximar as empresas associadas das ferramentas disponíveis no ecossistema da FIESC.

A estrutura reúne instituições como SESI, SENAI e IEL, que oferecem soluções relacionadas à inovação, tecnologia, capacitação e desenvolvimento empresarial.

Pauli destacou que a realização da segunda edição demonstra a construção de um espaço permanente de aproximação entre as empresas do setor.

A vice-presidente regional da FIESC, Micheli Poli, também ressaltou a importância da atuação sindical para representar os interesses da indústria e estimular a troca de experiências entre empresários.

Segundo ela, a colaboração e o networking podem contribuir para que as empresas enfrentem os desafios do mercado e encontrem caminhos para manter o crescimento dos negócios.

Evento entrega Mérito Associativo

A programação também contou com uma homenagem às empresas que participam do desenvolvimento da indústria moveleira na Grande Florianópolis.

O Mérito Associativo foi concedido à J Móveis e Artefatos de Madeira Ltda., em reconhecimento aos 15 anos de atuação, dedicação e parceria com o Sindicato do Mobiliário da Grande Florianópolis.

A homenagem encerrou uma programação que combinou conteúdo técnico, relacionamento empresarial e discussão sobre os caminhos para ampliar a competitividade do setor moveleiro catarinense.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

Ler Mais
Tecnologia

IA: disputa entre Estados Unidos e China ganha força por modelos abertos

A disputa entre Estados Unidos e China pela liderança em inteligência artificial (IA) ganhou uma nova dimensão. Enquanto Washington busca preservar sua vantagem tecnológica e ampliar alianças para reduzir a dependência de fornecedores chineses, Pequim aposta em modelos mais acessíveis e de código aberto para ampliar sua presença internacional.

Os avanços registrados pela IA chinesa no último ano aumentaram a percepção de que a distância tecnológica em relação aos Estados Unidos pode estar diminuindo. O presidente Donald Trump afirmou recentemente que os EUA estão à frente da China no setor e defendeu a manutenção dessa vantagem.

A competição, que envolve tecnologia, economia e segurança nacional, passou a ser tratada pelos dois países como uma questão estratégica de longo prazo.

EUA apostam em alianças para conter avanço chinês

Os Estados Unidos ainda contam com vantagens importantes, como empresas líderes em desenvolvimento de IA, acesso aos chips mais avançados e um mercado de capitais capaz de financiar grandes projetos tecnológicos.

Washington também vem buscando ampliar sua influência sobre as cadeias globais de suprimentos de IA, incentivando outros países a se aproximarem de seu ecossistema tecnológico.

A China, entretanto, apresenta uma estratégia diferente. Embora seus modelos mais avançados ainda sejam considerados inferiores a alguns sistemas americanos, empresas chinesas têm reduzido essa diferença e apostado em alternativas de menor custo e maior acessibilidade.

China amplia coalizão em torno da IA aberta

Em julho, o presidente chinês Xi Jinping lançou a Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial, iniciativa apresentada como alternativa à Pax Silica, aliança criada por Trump para reduzir a dependência da China nas cadeias de fornecimento relacionadas à IA.

Enquanto mais de 20 países e a União Europeia aderiram à Pax Silica, a iniciativa chinesa reuniu 29 países, entre eles Rússia, Indonésia e Paquistão.

Um dos principais diferenciais da estratégia chinesa é a defesa de modelos de IA abertos, que podem ser baixados, adaptados e executados pelos usuários sem a necessidade de contratar serviços caros de empresas estrangeiras.

Para desenvolvedores de países do Sul Global, essa característica pode ser especialmente relevante. Modelos como os da DeepSeek e da Moonshot podem oferecer custos menores e maior flexibilidade em comparação com sistemas proprietários que exigem assinaturas e infraestrutura de provedores estrangeiros.

Modelos chineses ganham espaço no mercado global

Dados do ranking de modelos da OpenRouter indicam uma forte expansão do uso de modelos chineses de inteligência artificial. Segundo os dados citados na análise, a participação dessas ferramentas no uso global passou de menos de 15% para mais de 54% em aproximadamente um ano.

A adoção também alcançou empresas americanas. Companhias como Airbnb, DoorDash e Shopify passaram a utilizar modelos chineses, atraídas principalmente por fatores como custo e possibilidade de personalização.

Eric Olander, editor-chefe do The China-Global South Project, avalia que empresas podem preferir diversificar fornecedores em vez de escolher exclusivamente entre tecnologia americana ou chinesa.

A infraestrutura chinesa já presente em mercados emergentes, especialmente nos setores de telecomunicações, computação em nuvem e hardware, também pode facilitar a expansão desses modelos.

O que significa vencer a corrida da IA?

A própria definição de liderança em inteligência artificial ainda não é consensual. Diferentes critérios — como capacidade técnica, número de usuários, participação de mercado ou geração de lucro — podem produzir resultados distintos.

Uma empresa pode ter menos usuários e, ainda assim, concentrar uma parcela maior dos lucros de determinado mercado. O mesmo poderia ocorrer com a IA, caso empresas americanas mantenham a liderança financeira enquanto sistemas chineses conquistem uma base maior de usuários.

Além disso, à medida que os modelos evoluem, as diferenças de desempenho entre as principais plataformas podem se tornar menos relevantes para consumidores e empresas que não necessitam dos sistemas mais avançados.

Nesse cenário, usuários e companhias podem ter de escolher entre modelos mais sofisticados e caros ou alternativas de menor custo que ofereçam desempenho suficiente para suas necessidades.

Abertura dos modelos chineses pode ter limites

A estratégia chinesa baseada em IA de código aberto também enfrenta limitações. Especialistas avaliam que Pequim pode restringir o acesso aos modelos mais avançados à medida que eles adquiram capacidades consideradas sensíveis.

Na conferência de IA realizada na China em julho, Xi Jinping defendeu maior abertura e cooperação tecnológica, mas também ressaltou a necessidade de regulamentação e controle humano.

Para Alex Colville, analista do Instituto Australiano de Política Estratégica, a segurança nacional continuará sendo um fator determinante para o governo chinês.

Uma possibilidade seria a adoção de regras de licenciamento que limitem os locais e as situações em que determinados modelos podem ser utilizados, em vez de uma proibição generalizada.

Assim, a tendência pode ser a coexistência de modelos abertos e fechados de IA na China, com diferentes níveis de acesso conforme a aplicação e o grau de sensibilidade tecnológica.

Países buscam IA soberana

O avanço dos modelos abertos chineses também despertou interesse de desenvolvedores e governos que buscam ampliar sua soberania tecnológica e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.

Essa estratégia permite que países e empresas utilizem modelos existentes como ponto de partida para desenvolver soluções próprias, sem necessariamente se alinhar integralmente aos Estados Unidos ou à China.

O futuro dessa abordagem, porém, dependerá de quanto tempo os modelos chineses mais avançados permanecerão disponíveis de forma aberta.

Especialistas também avaliam que Pequim poderá estabelecer limitações para impedir usos considerados capazes de gerar riscos à segurança cibernética ou aos interesses nacionais.

EUA acusam empresas chinesas de usar tecnologia americana

A redução da distância tecnológica entre os dois países ocorre em meio ao aumento da desconfiança entre Washington e Pequim.

Autoridades e empresas americanas acusam laboratórios chineses de utilizar informações provenientes de sistemas dos Estados Unidos para aperfeiçoar seus próprios modelos, em um processo conhecido como destilação.

Anthropic e OpenAI divulgaram relatórios com acusações desse tipo. Em um documento publicado recentemente, a Anthropic afirmou que DeepSeek e Moonshot teriam encaminhado algumas solicitações de usuários ao Claude para utilizar essas informações no treinamento e aprimoramento de seus próprios modelos.

O governo chinês rejeitou repetidamente as acusações. DeepSeek e Moonshot não responderam aos pedidos de comentário mencionados na análise.

Empresas americanas divergem sobre restrições

Washington também avalia medidas que poderiam impor sanções ou restrições aos modelos chineses de código aberto.

A possibilidade, contudo, encontra resistência dentro do próprio setor tecnológico americano. Nvidia, Meta, Microsoft e outras empresas assinaram, em julho, uma carta contra restrições amplas aos modelos de código aberto.

O posicionamento evidencia uma diferença entre parte da indústria de tecnologia dos Estados Unidos e a estratégia defendida pelo governo americano para lidar com a competição chinesa.

Cúpula Trump-Xi teve poucos avanços na área de IA

Apesar da crescente preocupação internacional com os riscos e impactos da inteligência artificial, a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping produziu poucos resultados concretos relacionados à tecnologia.

Os dois governos discutiram a criação de um canal de comunicação e a continuidade do diálogo sobre riscos, benefícios e uso responsável da IA.

A cooperação, porém, permanece limitada pela desconfiança existente entre as duas potências. Para especialistas, Pequim continua interpretando as políticas americanas de controle de exportações e restrição tecnológica como parte de uma estratégia para conter o desenvolvimento chinês.

A disputa pela liderança em IA, portanto, não se resume à capacidade de criar modelos mais avançados. Envolve também custos, acesso, infraestrutura, segurança, usuários, alianças internacionais e controle sobre as tecnologias consideradas estratégicas.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Jason Lee/Illustration/Reuters

Ler Mais
Tecnologia

Drones ampliam fiscalização do transporte aquaviário e monitoramento de portos

A utilização de drones na fiscalização do transporte aquaviário vem ampliando os recursos disponíveis para o acompanhamento de operações, estruturas e áreas portuárias de grande extensão ou difícil acesso. Desde 2019, a tecnologia integra oficialmente as ferramentas empregadas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) para reunir informações e apoiar ações de fiscalização e monitoramento da infraestrutura portuária.

O uso de Aeronaves Remotamente Pilotadas (RPAs) na Agência, porém, começou antes da adoção oficial. Os primeiros testes ocorreram em 2016, na Unidade Regional de Porto Velho (UREPV), por iniciativa do especialista em Regulação Wescley Sousa.

Tecnologia começou a ser testada em 2016

Na época, Sousa utilizou um drone particular para avaliar a aplicação da tecnologia nas atividades de fiscalização. A experiência demonstrou o potencial das imagens aéreas e contribuiu para que as RPAs passassem a fazer parte das ferramentas utilizadas pela ANTAQ.

A adoção foi formalizada em 2019, quando a Agência promoveu um curso para capacitar servidores na operação dos equipamentos e estabelecer procedimentos para o uso adequado dos drones.

Segundo Sousa, os registros obtidos por meio das aeronaves representaram um avanço significativo para o trabalho de fiscalização. As imagens permitem observar locais que apresentam dificuldades de acesso, como coberturas de armazéns e partes superiores de equipamentos portuários, sem a necessidade de exposição física dos fiscais.

Imagens aéreas apoiam análises e fiscalização

Além da inspeção visual, os dados coletados pelos drones podem ser utilizados em diferentes atividades técnicas. Entre as aplicações estão a medição de áreas, o cálculo de volumes e a produção de modelos tridimensionais de instalações.

As aeronaves também ajudam no acompanhamento da movimentação nos complexos portuários. Os voos podem registrar o fluxo de veículos nas vias de acesso aos portos, a ocupação dos pátios e as operações realizadas nos terminais.

Posteriormente, as imagens obtidas são incorporadas aos documentos produzidos pelos servidores e utilizadas como suporte para relatórios, análises e atividades de fiscalização.

Drones também monitoram obras de infraestrutura

O uso das aeronaves remotamente pilotadas não está limitado às ações de fiscalização. A ANTAQ também emprega a tecnologia no acompanhamento de obras de infraestrutura, inclusive para verificar e validar o avanço físico dos projetos previstos.

Com os registros aéreos, os técnicos podem obter informações sobre a evolução das intervenções e utilizar os dados como apoio ao monitoramento das estruturas.

Capacitação amplia integração entre órgãos públicos

A operação dos drones também tem contribuído para a cooperação técnica entre órgãos públicos. Os cursos promovidos pela ANTAQ reservam vagas para profissionais de instituições parceiras.

Entre os órgãos que participam dessas capacitações estão a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a Marinha do Brasil e autoridades portuárias.

A colaboração ocorre ainda em outras áreas relacionadas ao uso das imagens aéreas e ao tratamento dos dados. A Polícia Federal, por exemplo, oferece eventualmente treinamentos a servidores da ANTAQ em fotogrametria, mapeamento aéreo e processamento de dados geoespaciais.

A expansão dessas ferramentas fortalece o uso de informações visuais e georreferenciadas no acompanhamento da infraestrutura e das operações do transporte aquaviário brasileiro.

FONTE: Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ)
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/ANTAQ

Ler Mais
Logística

Inteligência artificial na logística: como a IA reduz custos e aumenta a sustentabilidade

O avanço da inteligência artificial na logística está mudando a forma como empresas de transporte, armazenagem e distribuição planejam suas operações. Em um setor pressionado por despesas com combustível, manutenção e estoques, o uso estratégico de dados e tecnologia passou a ser uma ferramenta para buscar mais eficiência e reduzir impactos ambientais.

Com uma base de dados estruturada, sistemas de IA na logística podem apoiar atividades como planejamento de rotas, gestão de estoques, manutenção preditiva e previsão de demanda.

Para o professor Néstor Fabián Ayala, do Núcleo de Engenharia Organizacional (NEO) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a tecnologia permite otimizar diferentes etapas da operação, antecipando necessidades e identificando caminhos mais eficientes.

“Hoje, a IA consegue unir redução de custos e impacto ambiental positivo. Diminuímos o consumo de combustível e otimizamos o uso de pneus, reduzindo rejeitos. Em alguns casos, substituímos três viagens diárias por apenas uma, gerando um ganho ambiental expressivo”, destaca.

IA transforma dados em previsibilidade

A utilização da inteligência artificial já faz parte da realidade de empresas do setor no Rio Grande do Sul. Francisco Cardoso, presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul), explica que a tecnologia representa uma mudança na maneira como as empresas utilizam seus dados.

Durante anos, os sistemas foram empregados principalmente para analisar informações sobre operações que já haviam ocorrido. Com a inteligência artificial, a expectativa é avançar para modelos capazes de identificar padrões, antecipar cenários e melhorar a tomada de decisões.

O primeiro passo, segundo Cardoso, é organizar as informações internas. Em um estágio mais avançado, esses dados podem ser cruzados com informações externas, inclusive dos próprios clientes, permitindo antecipar necessidades e aprimorar o atendimento.

“O grande desafio dessas empresas é primeiro organizar e entender os próprios dados. Depois, transformar esses dados em informação para trabalhar o futuro, a previsibilidade”, afirma.

Tecnologia vai além dos caminhões

Quando se fala em IA no transporte, uma das aplicações mais lembradas é o uso da tecnologia para otimizar operações nas estradas. No entanto, os sistemas podem atuar desde o planejamento até os processos internos das empresas.

Agentes de inteligência artificial capazes de trocar informações entre si podem conectar diferentes áreas da operação. Com isso, a tecnologia contribui para definir rotas mais eficientes, controlar o consumo de combustível e antecipar necessidades de manutenção da frota.

Dentro das empresas, a aplicação também pode alcançar setores como compras, estoque, produção e atendimento ao cliente. A integração de dados permite reorganizar fluxos internos e responder de forma mais rápida a novas demandas.

IA também ganha espaço nos armazéns

Nos centros de distribuição, a automação amplia as possibilidades de uso da tecnologia. Veículos autônomos podem transportar produtos dentro dos galpões, enquanto algoritmos ajudam a determinar a melhor sequência para separação de mercadorias.

Outra aplicação está no dimensionamento das embalagens. Ao calcular o espaço necessário para cada produto, os sistemas podem reduzir o uso excessivo de materiais e, consequentemente, o desperdício.

Para Ayala, a automação também permite direcionar trabalhadores para atividades de maior valor estratégico.

“Otimizamos a rota interna para que robôs busquem os produtos onde são necessários. Isso retira colaboradores de tarefas repetitivas e os direciona para funções de maior valor dentro da fábrica.”

Empresa usa IA para controlar combustível

Fundada em 1992 pelo presidente da Fetransul, a Interlink Cargo está entre as empresas gaúchas que incorporaram a inteligência artificial aos processos logísticos.

Desde 2025, a companhia utiliza a tecnologia em áreas como sistemas de cotação e elaboração de propostas, rastreamento de viagens e análise do desempenho dos operadores. A empresa também cruza informações sobre consumo de combustível e características do relevo em rotas do Mercosul.

Segundo Lucas Vidal Cardoso, diretor comercial da companhia, o combustível responde por cerca de 40% dos custos da operação.

“O combustível representa 40% do nosso custo e sofreu altas significativas. Analisamos o relevo e o tipo de caminhão para prever o consumo e orientar o motorista, unindo eficiência e sustentabilidade”, explica.

Além da economia operacional, a empresa identifica ganhos na gestão de pessoas. Atividades repetitivas podem ser automatizadas, enquanto colaboradores são direcionados para funções relacionadas à tomada de decisão. A companhia também utiliza programas de treinamento e trilhas de aprendizagem para novos funcionários.

Uso de IA também exige atenção ao consumo de energia

Apesar dos ganhos potenciais, a expansão da IA na logística sustentável traz um desafio adicional: o elevado consumo de recursos computacionais.

Modelos de inteligência artificial dependem de infraestrutura de processamento que exige energia, inclusive para sistemas de refrigeração dos data centers. Dessa forma, parte do benefício ambiental obtido com a redução de combustível e emissões pode ser compensada caso a tecnologia seja utilizada de maneira excessiva ou sem planejamento.

O professor Dalvan Jair Griebler, da Escola Politécnica da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), chama atenção para esse aspecto.

“Precisamos de poder computacional e muita energia para refrigeração. Podemos reduzir poluentes nos caminhões, mas gerar impacto pelo uso massivo e desnecessário da IA.”

Para o professor, a adoção da tecnologia exige critérios técnicos e profissionais qualificados para avaliar onde sua utilização efetivamente faz sentido.

Empresas entram em uma nova fase de adoção tecnológica

Griebler avalia que o setor de transporte e logística atravessa uma etapa de amadurecimento no uso da inteligência artificial. Depois do entusiasmo inicial em torno da tecnologia, a preocupação passa a ser avaliar o retorno efetivo para cada operação.

Nesse cenário, uma das questões centrais para as empresas é determinar se a implementação será financeiramente sustentável e se os benefícios justificam os investimentos necessários.

A IA, portanto, não deve ser tratada como uma solução isolada. A tecnologia precisa ser integrada aos métodos de gestão, engenharia e planejamento já utilizados pelas empresas de logística.

Principais aplicações da inteligência artificial na logística

  • Previsão de demanda: ajuda a antecipar o comportamento do mercado e reduzir riscos de falta de produtos, excesso de estoque e capital parado.
  • Otimização de rotas: permite buscar trajetos mais eficientes, reduzindo tempo de entrega, consumo de combustível e emissões.
  • Manutenção preditiva: sensores e sistemas de telemetria podem monitorar veículos e auxiliar na identificação do momento adequado para intervenções, inclusive relacionadas aos pneus.
  • Automação de armazéns: robôs podem localizar e transportar mercadorias, enquanto algoritmos ajudam a definir embalagens com dimensões adequadas.
  • Integração de setores: agentes de IA podem conectar informações de compras, produção e estoque, além de apoiar áreas como finanças, recursos humanos e atendimento ao cliente.

FONTE: Gaúcha ZH
TEXTO: Redação
IMAGEM: Interlink Cargo / Divulgação

Ler Mais
Inovação

DR Aromas & Ingredientes: de 100 anos de história à inovação com inteligência artificial

Da logística feita com carroças e trens ao uso de inteligência artificial na análise sensorial. A trajetória da DR Aromas & Ingredientes reúne tradição, expansão internacional e investimento em tecnologia, em uma história que acompanha a evolução da indústria catarinense.

A empresa, que surgiu em Jaraguá do Sul, foi destaque no Espaço Indústria da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), onde apresentou parte de sua trajetória e as estratégias adotadas para acompanhar as transformações do mercado.

Uma empresa catarinense com atuação internacional

Ao longo de um século, a DR Aromas & Ingredientes ampliou sua presença e passou a atuar em oito países. Atualmente, a companhia conta com seis centros de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), além de um centro de inovação e logística na Europa.

A multinacional também mantém escritórios comerciais em mercados estratégicos, incluindo Estados Unidos, China e Polônia. Seus produtos chegam a mais de 70 países.

Para sustentar a estratégia de crescimento e desenvolvimento de novos produtos, a empresa direciona cerca de 5% da receita anual para P&D e inovação.

Inovação acompanha as mudanças no consumo

A aposta em tecnologia e inovação está entre as prioridades da companhia. Segundo Leonardo Zipf, presidente do conselho de administração da DR Aromas & Ingredientes, acompanhar as mudanças nos hábitos alimentares e no comportamento dos consumidores é fundamental para antecipar tendências.

“Em 100 anos, aprendemos que não podemos focar na crise e deixar que o pessimismo nos contamine. O otimismo e a visão de longo prazo são o maior diferencial de um empreendedor. Para nós, 100 anos é só o começo”, afirma Zipf.

O executivo destaca que novas tecnologias e transformações nos padrões de consumo vêm influenciando diretamente o mercado de alimentos. Nesse cenário, a empresa busca desenvolver soluções capazes de responder às novas demandas e contribuir para a evolução do setor.

Inteligência artificial e pesquisa para o futuro

Entre as frentes de desenvolvimento está o uso de inteligência artificial aplicada à análise sensorial, recurso que representa uma nova etapa na busca por soluções tecnológicas para a indústria de alimentos.

A estratégia da DR Aromas & Ingredientes envolve ainda o desenvolvimento contínuo de produtos e processos voltados à indústria de alimentos, com atenção às tendências que podem transformar o mercado nos próximos anos.

O SENAI/SC está entre os parceiros da empresa em projetos voltados à inovação, contribuindo para o desenvolvimento de novas soluções e tecnologias.

A história apresentada no Espaço Indústria mostra, assim, como uma empresa criada em Santa Catarina no início do século passado passou da distribuição de óleos essenciais por carroças e trens para uma operação internacional baseada em pesquisa, inovação e tecnologia.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

Ler Mais
Comércio Internacional, Tecnologia

Exportações de chips da China disparam e fabricantes registram lucros bilionários

A China registrou forte crescimento nas exportações de semicondutores em 2026. Entre janeiro e agosto, as vendas externas de chips alcançaram US$ 256,8 bilhões (cerca de R$ 1,3 trilhão), alta de 103,9% na comparação com o mesmo período de 2025.

Os números foram divulgados pela Administração Geral de Alfândegas da China em 8 de setembro e refletem o avanço da indústria chinesa de chips, que vem ampliando sua participação no mercado global.

Fabricantes chineses registram forte alta nos lucros

O crescimento das exportações acompanha o desempenho financeiro das principais empresas chinesas do setor. No primeiro semestre de 2026, fabricantes de semicondutores registraram receitas expressivas e aumentos significativos nos lucros.

Pelo menos quatro companhias apresentaram crescimento superior a 90% nos lucros em relação aos primeiros seis meses de 2025. Entre elas estão duas fabricantes especializadas em chips de memória, segmento no qual empresas chinesas ganharam espaço ao longo do último ano.

CXMT amplia participação no mercado de memória DRAM

A CXMT alcançou, no segundo trimestre de 2026, a quarta posição entre as maiores fabricantes mundiais de chips de memória DRAM, sigla em inglês para memória dinâmica de acesso aleatório.

Segundo dados da Counterpoint, empresa especializada em análise do mercado de tecnologia, a participação da companhia nesse segmento passou de 4% para 10% em apenas um ano.

O avanço também despertou o interesse dos investidores. Em 27 de julho, a CXMT realizou uma oferta pública inicial (IPO) na Bolsa de Xangai e levantou US$ 9,8 bilhões.

YMTC avança na produção de chips NAND

Outra empresa chinesa que ganhou espaço foi a YMTC, especializada na fabricação de memória NAND, tecnologia amplamente utilizada no armazenamento de grandes volumes de dados.

A participação da companhia no mercado passou de 11% para 14% em um ano. Com esse desempenho, a YMTC ocupa atualmente a quarta posição global no segmento, de acordo com a Counterpoint.

A empresa também pretende aproveitar o momento favorável para captar recursos. A YMTC já iniciou o processo para realizar um IPO na Bolsa de Xangai, com previsão de levantar US$ 4,9 bilhões.

Boom da inteligência artificial impulsiona demanda por chips

Parte importante desse movimento está relacionada ao avanço da inteligência artificial (IA). A expansão dos modelos de IA aumentou a procura por semicondutores utilizados no processamento dessas tecnologias e contribuiu para a valorização de diversos componentes.

A pressão sobre a oferta também afeta outros segmentos da indústria de eletrônicos. A maior demanda por chips tem impacto nos preços e pode encarecer produtos como computadores e celulares.

As fabricantes chinesas conseguiram se beneficiar desse cenário após anos de investimentos voltados ao fortalecimento da produção doméstica.

Restrições dos EUA aceleraram indústria chinesa

Desde 2022, quando os Estados Unidos e países aliados passaram a impor restrições à exportação de chips avançados e de tecnologias relacionadas para a China, Pequim intensificou os esforços para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.

Embora os fabricantes chineses ainda não tenham alcançado o mesmo nível tecnológico de empresas como a Nvidia em determinados segmentos, o aumento da capacidade produtiva ampliou a presença do país no mercado.

A combinação entre produção em larga escala e preços mais baixos tornou os chips chineses uma alternativa relevante em um cenário de demanda elevada.

Outro fator estratégico para a indústria de tecnologia chinesa é o domínio do país sobre o processamento de terras-raras, minerais fundamentais para a fabricação de diversos equipamentos e componentes tecnológicos.

Mercado global de semicondutores deve atingir US$ 1,5 trilhão

As perspectivas para o setor também são positivas em escala global. Segundo a Semiconductor Industry Association (SIA), o mercado de semicondutores deverá movimentar US$ 1,5 trilhão em 2026.

O valor representa mais que o dobro do registrado em 2025 e cerca de três vezes o tamanho do mercado de uma década atrás.

A China parte de uma posição estratégica nesse cenário. Dados oficiais apontam que o país produziu aproximadamente 1,5 bilhão de chips por dia no primeiro semestre de 2026.

Com investimentos crescentes, expansão da capacidade industrial e aumento da demanda provocada pela inteligência artificial, a indústria chinesa de semicondutores busca ampliar seu papel em um mercado que deve movimentar cifras trilionárias nos próximos anos.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

Ler Mais
Internacional

Hong Kong lança primeiro plano quinquenal com foco em tecnologia, finanças e logística

Hong Kong apresentou seu primeiro plano quinquenal de desenvolvimento, incluído no discurso de políticas públicas de 2026 do chefe do Executivo, John Lee. O programa estabelece prioridades econômicas e sociais para o território até 2030 e amplia a coordenação do governo em áreas estratégicas.

A estratégia mantém a importância de Hong Kong como centro financeiro internacional, mas prevê maior atenção a tecnologia, logística, educação e inovação, além de uma integração mais estreita com a Grande Baía Guangdong–Hong Kong–Macau.

Governo amplia coordenação econômica

O documento prevê a definição de metas conjuntas entre diferentes órgãos do governo e o alinhamento dos projetos locais ao 15º Plano Quinquenal da China.

A iniciativa foi descrita pela imprensa internacional, incluindo a Associated Press e o Financial Times, como uma sinalização de participação mais ativa do Estado na economia de Hong Kong. As autoridades, porém, afirmam que serão preservados elementos como o sistema capitalista, o regime jurídico próprio e a livre circulação de capitais.

Um dos principais projetos é a Metrópole do Norte, região próxima a Shenzhen que deverá concentrar moradias, universidades, centros de inovação e atividades industriais.

A proposta busca enfrentar as restrições territoriais de Hong Kong e aproximar empresas e instituições dos polos tecnológicos do sul da China. A execução dependerá de fatores como obras de infraestrutura, financiamento, disponibilidade de terrenos e capacidade de atrair moradores e empresas.

Hong Kong aposta em yuan e ativos digitais

No setor financeiro, o governo pretende consolidar Hong Kong como o principal centro offshore do renminbi (yuan) e ampliar as conexões com a China continental e outros mercados asiáticos.

Entre as iniciativas estão a criação de novos produtos denominados em yuan, a expansão de mecanismos de integração entre bolsas e o desenvolvimento de estruturas voltadas aos mercados de ouro, seguros e gestão de patrimônio.

O plano também inclui investimentos em ativos tokenizados, depósitos digitais e sistemas de liquidação contínua. A proposta combina o desenvolvimento de novas tecnologias financeiras com mecanismos de supervisão e regulação.

Para empresas e investidores brasileiros, Hong Kong pode continuar desempenhando o papel de porta de entrada para capital, serviços especializados e parceiros comerciais na Ásia.

Logística ganha espaço na estratégia até 2030

Outro eixo do planejamento é a modernização da infraestrutura logística. O governo pretende atualizar o porto, ampliar o transporte multimodal e melhorar a conexão de Hong Kong com corredores terrestres e marítimos do oeste da China.

As ligações ferroviárias com cidades como Chongqing e Chengdu são apontadas como alternativas para reduzir o tempo necessário para transportar mercadorias produzidas no interior chinês até o porto de Hong Kong.

A estratégia também busca atrair estruturas corporativas dedicadas a compras, tesouraria e gestão da cadeia de suprimentos.

Para empresas brasileiras dos setores de alimentos, mineração, energia e bens de consumo, esse ambiente pode abrir oportunidades em áreas como distribuição regional, financiamento comercial e administração de contratos.

Hong Kong, contudo, não substitui o mercado da China continental. O território mantém características próprias, como conversibilidade cambial, regras específicas e concentração de serviços jurídicos e financeiros, que podem ser relevantes para operações internacionais mais complexas.

Plano inclui habitação, saúde e envelhecimento

As metas estabelecidas para os próximos anos também abrangem questões sociais. O governo prevê ações relacionadas à habitação, saúde, envelhecimento da população, apoio a pequenas empresas e políticas de natalidade.

Entre os objetivos está a redução do tempo de espera por moradias subsidiadas e a diversificação do mercado de trabalho para diminuir a dependência das atividades financeiras tradicionais.

A questão habitacional ocupa posição relevante no planejamento, diante dos altos custos de moradia e das desigualdades, fatores que afetam a capacidade de Hong Kong de atrair profissionais e estimular o consumo interno.

Execução será um dos principais desafios

A amplitude do plano também traz desafios. Analistas ouvidos pela imprensa internacional destacam que a implementação poderá enfrentar obstáculos relacionados à flexibilidade econômica e à execução dos projetos.

Os resultados até 2030 dependerão de fatores como demanda externa, desempenho do mercado imobiliário, relações comerciais internacionais e capacidade de coordenação com as cidades vizinhas.

Para empresas brasileiras interessadas no mercado asiático, o documento funciona como um mapa das prioridades econômicas de Hong Kong, mas não representa garantia de resultados. A entrada em novos negócios continuará dependendo da análise de regulamentações específicas, custos operacionais e escolha de parceiros locais.

Hong Kong aproxima planejamento da estratégia chinesa

A adoção do primeiro plano quinquenal aproxima Hong Kong de uma lógica de planejamento econômico utilizada pela China continental, sem eliminar as características institucionais próprias do território.

O principal desafio até 2030 será transformar os projetos previstos em ganhos concretos de produtividade, inovação, infraestrutura e comércio internacional.

FONTE: Agência Brasil China
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil China

Ler Mais
Portos

Porto Sem Papel conquista 2º lugar no Prêmio Cais Açulab 2026

O Porto Sem Papel (PSP), programa do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), conquistou o segundo lugar na categoria Transformação Digital do Prêmio Cais Açulab 2026.

O reconhecimento foi entregue na última quinta-feira (17), durante o Conecta Cais, evento promovido pelo Cais Açu Lab, ecossistema de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Porto do Açu, no Rio de Janeiro.

A iniciativa premiada é baseada em uma solução de inteligência artificial (IA) desenvolvida para automatizar a validação da Declaração Marítima de Saúde (DMS), eliminando uma etapa que tradicionalmente dependia da conferência manual de documentos.

Inteligência artificial automatiza validação de documentos

Batizado de “Validação Automática de Declaração Marítima de Saúde (DMS)”, o projeto busca solucionar um dos gargalos dos processos portuários: a análise manual de documentos.

Esse procedimento pode estar sujeito a erros, gerar custos adicionais e provocar atrasos nas operações logísticas. Com a nova ferramenta, a conferência da DMS passa a ser realizada automaticamente por meio de tecnologia de IA.

A solução foi incorporada ao Programa Porto Sem Papel e está disponível para a validação automática do documento nos portos brasileiros.

Tecnologia busca agilizar operações portuárias

Para o secretário Nacional de Portos, Alex Ávila, o reconhecimento evidencia a importância da inovação tecnológica para modernizar os processos do setor portuário.

Segundo o secretário, iniciativas desse tipo podem simplificar procedimentos, aumentar a eficiência das operações e gerar soluções que também possam ser adotadas em outras áreas da administração pública.

A ferramenta desenvolvida pelo MPor já vem despertando interesse de outros órgãos que buscam implementar tecnologias capazes de acelerar a análise e validação de documentos em processos de fiscalização.

Porto Sem Papel reduz burocracia nos portos

O Porto Sem Papel foi criado com o objetivo de reduzir burocracias, integrar informações e tornar mais rápidos os procedimentos relacionados às operações marítimas.

Por meio de uma plataforma digital, o programa reúne dados e documentos referentes à estadia das embarcações nos portos.

A integração contribui para diminuir o tempo necessário para as anuências de atracação e para outras operações que dependem da análise e autorização dos órgãos responsáveis pela fiscalização.

Na prática, a iniciativa também busca melhorar a eficiência dos processos relacionados à importação e exportação de cargas.

Prêmio Cais reconhece projetos de inovação

Esta foi a terceira edição do Prêmio Cais, iniciativa voltada ao reconhecimento de projetos de inovação implementados ou em desenvolvimento que apresentem resultados mensuráveis e potencial de impacto no ecossistema do Porto do Açu.

A premiação é organizada pelo Cais Açu Lab e contempla três categorias:

  • Transformação Digital;
  • Transição Energética;
  • Melhoria de Processos.

Entre os critérios considerados pela organização estavam o grau de inovação e originalidade, a possibilidade de escalabilidade e replicação e os resultados e impactos obtidos pelas iniciativas.

Empresas, fornecedores, clientes, startups, instituições científicas e tecnológicas e parceiros que atuam ou desenvolvem soluções no complexo porto-indústria do Açu puderam participar.

Programa já recebeu outros reconhecimentos

O Porto Sem Papel acumula outros reconhecimentos por iniciativas relacionadas à inovação e à transformação digital no setor público.

Em 2024, o programa recebeu dois troféus no Prêmio Abep-TIC de Excelência em Governo Digital. Na ocasião, foi reconhecido como Melhor Solução de Governo Digital Orientada ao Governo e também conquistou o prêmio geral da competição.

Em 2022, a versão Porto Sem Papel 2.0 recebeu o Selo Bronze com menção, dentro da Política Nacional de Modernização do Estado.

Já em 2013, o projeto alcançou a quarta colocação no Concurso de Inovação na Gestão Pública Federal, promovido pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap).

Os reconhecimentos reforçam a trajetória do programa na adoção de tecnologia, digitalização e inovação para modernizar a gestão portuária brasileira.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação/MPor

Ler Mais
Internacional

China anuncia 7 medidas para ampliar consumo de casas inteligentes

O governo da China anunciou um conjunto de sete medidas para estimular o consumo de eletrodomésticos inteligentes e ampliar a adoção de tecnologias voltadas às chamadas casas inteligentes.

O plano de ação foi divulgado na terça-feira (15.set.2026) por oito departamentos governamentais, entre eles o Ministério do Comércio da China.

Plano prevê incentivos e ampliação da oferta

Entre as iniciativas apresentadas estão ações para aumentar a disponibilidade de eletrodomésticos inteligentes e aperfeiçoar os sistemas de padronização do setor.

O pacote também prevê apoio a subsídios para consumidores, além do desenvolvimento de produtos adaptados às necessidades da população idosa.

Outra frente estabelecida pelo governo envolve a melhoria das cadeias de reciclagem, com medidas destinadas a aprimorar o reaproveitamento e a destinação desses equipamentos.

A estratégia busca acompanhar a expansão do mercado de tecnologia para casas inteligentes, ao mesmo tempo em que estabelece padrões para produtos e serviços relacionados ao segmento.

China divulga novas normas de segurança na mineração

Além das medidas voltadas ao consumo, a China anunciou quatro normas nacionais obrigatórias de segurança na mineração.

As regras têm como objetivo identificar e controlar riscos desde a origem das operações. Entre as determinações está a realização de um censo abrangente a cada três anos.

As normas também estabelecem requisitos técnicos de segurança para células e módulos de baterias, levando em consideração as condições específicas de funcionamento encontradas em minas subterrâneas.

Dessa forma, os novos padrões abrangem tanto a segurança dos equipamentos quanto os riscos associados ao ambiente operacional das minas subterrâneas.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook