Comércio Exterior

China avalia rever cota de importação de carne bovina do Brasil

A China pode reavaliar a distribuição de sua cota para importação de carne bovina brasileira, segundo análises do mercado internacional de proteínas. A possibilidade ganhou espaço diante do cenário econômico atual e do desempenho esperado dos países fornecedores da América do Sul.

Atualmente, a parcela em discussão beneficia principalmente o Uruguai. Caso o país não consiga utilizar integralmente o volume autorizado, o excedente poderá abrir espaço para outros fornecedores, com o Brasil entre os potenciais beneficiados.

Até o momento, porém, o governo chinês não anunciou oficialmente qualquer mudança na política de distribuição das cotas.

Brasil pode ganhar espaço no mercado chinês

A carne bovina brasileira apresenta competitividade em preço e qualidade frente a outros fornecedores sul-americanos. Por isso, um eventual saldo não utilizado pelo Uruguai poderia aumentar as oportunidades de exportação do Brasil para o mercado chinês.

A possibilidade depende, contudo, do cumprimento das metas estabelecidas para os demais países e de uma eventual decisão das autoridades chinesas sobre a redistribuição dos volumes.

China mantém mecanismo de proteção ao mercado interno

A política comercial chinesa prevê mecanismos para controlar o impacto das importações sobre o mercado doméstico. Quando determinados limites de volume e preço são ultrapassados, as remessas de carne bovina podem ficar sujeitas a uma tarifa de até 55%.

Esse sistema funciona como uma barreira adicional às importações e pode alterar a competitividade dos fornecedores conforme os volumes comercializados e os preços praticados.

Mercado global de carne vive período de mudanças

A discussão sobre as cotas ocorre em meio a transformações no mercado global de carne bovina. Os Estados Unidos, por exemplo, anunciaram a intenção de comprar 300 mil toneladas de carne para tentar conter a alta dos preços no mercado interno.

No Brasil, o cenário também envolve debates relacionados à reciprocidade tarifária e às condições de acesso aos principais mercados consumidores.

Nesse ambiente, alterações nas políticas de importação da China podem ter impacto relevante sobre os fluxos internacionais de carne e sobre a disputa entre os principais países exportadores.

Decisão sobre a cota depende da China

Uma eventual transferência de parte da cota atualmente destinada ao Uruguai para o Brasil dependerá exclusivamente das autoridades chinesas. O cenário também é acompanhado em meio ao processo de desaceleração da economia da China.

Para especialistas, mudanças em tarifas de importação e outras barreiras comerciais precisam ser avaliadas com cautela. A elevação dos custos de entrada pode ser repassada ao longo da cadeia e chegar ao consumidor por meio de preços mais altos.

Assim, além de afetar os exportadores, novas medidas comerciais podem influenciar os preços da carne bovina e contribuir para pressões inflacionárias nos mercados consumidores.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

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