Internacional

Marrocos deve fornecer 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes ao Brasil

O Brasil está prestes a firmar um acordo com o Marrocos para ampliar o fornecimento de fertilizantes, em uma tentativa de reduzir os riscos de desabastecimento provocados pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.

O compromisso deverá ser formalizado pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, durante viagem a Rabat, no início da próxima semana. A previsão é de que os primeiros embarques ocorram já nos próximos dias.

Pelo entendimento, o país africano deverá garantir o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados ao Brasil. O volume corresponde a aproximadamente 76% do déficit de 5 milhões de toneladas estimado pelo governo brasileiro para a safra 2026/27.

Primeiro embarque de fertilizantes deve ocorrer na próxima semana

A expectativa do governo é que o acordo tenha efeitos imediatos sobre o abastecimento de fertilizantes no Brasil. De acordo com André de Paula, a primeira carga marroquina deve ser enviada ao país já na próxima semana.

A missão brasileira contará com representantes de 12 entidades do agronegócio, entre elas Aprosoja e Abramilho.

O ministro afirmou que o risco de falta do insumo está afastado e destacou que a busca por fornecedores ganhou importância diante dos problemas logísticos provocados pelos conflitos internacionais.

Cerca de 92% dos fertilizantes utilizados pela agricultura brasileira são importados, o que deixa o país exposto a interrupções nas cadeias globais de fornecimento.

Guerras aumentam preocupação com oferta de fertilizantes

Os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio afetaram rotas estratégicas de transporte e elevaram a preocupação dos países importadores com a disponibilidade de insumos agrícolas.

No caso brasileiro, a questão é especialmente relevante porque o calendário de plantio depende da chegada dos fertilizantes às regiões produtoras.

Diante desse cenário, o governo adotou uma estratégia baseada em duas frentes. A primeira é encontrar fornecedores capazes de atender à demanda no curto prazo. A segunda envolve ampliar a produção nacional de fertilizantes para diminuir a dependência do mercado externo no longo prazo.

Petrobras retoma produção nacional

Como parte da estratégia de redução da dependência externa, o governo trabalha na retomada de unidades de produção de fertilizantes no Brasil.

Três fábricas da Petrobras já foram reabertas, enquanto uma quarta unidade, localizada em Mato Grosso do Sul, ainda está em processo de retomada.

O aumento da produção doméstica deve contribuir para reduzir a vulnerabilidade brasileira, mas não eliminará a necessidade de importações. Isso ocorre principalmente em relação a produtos que têm produção limitada ou inexistente no país, como determinados fertilizantes fosfatados.

A Rússia continua entre os principais fornecedores internacionais do insumo para o Brasil.

China também amplia fornecimento ao agronegócio

Antes do acordo com o Marrocos, a China já havia aumentado os envios de fertilizantes para o mercado brasileiro.

Segundo André de Paula, uma missão realizada no início do ano ajudou a consolidar a ampliação do fornecimento de fertilizantes nitrogenados e NPK.

Agora, o governo busca estabelecer uma parceria semelhante com o Marrocos, país que possui grandes reservas de fosfato e vem sendo procurado por outras nações interessadas em garantir o abastecimento.

Brasil também negocia tarifa zero para carne bovina

A agenda da missão brasileira no Marrocos inclui ainda uma negociação para ampliar o acesso da carne bovina brasileira ao mercado daquele país.

Representantes de importantes entidades do setor acompanharão a viagem, incluindo a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

Embora o mercado marroquino esteja formalmente aberto ao produto brasileiro, uma tarifa de importação de 220% torna as vendas praticamente inviáveis. A negociação prevê a retirada dessa cobrança, o que aumentaria a competitividade da carne brasileira.

Mercado marroquino pode abrir portas na África

O Ministério da Agricultura e Pecuária estima que o Marrocos tenha demanda anual de aproximadamente 100 mil a 150 mil toneladas de carne bovina.

Apesar de ser um mercado menor quando comparado a outros grandes compradores internacionais, o governo brasileiro considera o país estrategicamente importante por sua localização e pelo potencial de servir como porta de entrada para outros mercados africanos.

Dados do Agrostat mostram que o Brasil exportou 9,5 mil toneladas de carne para o Marrocos em 2025, gerando receita de US$ 27,7 milhões.

Brasil busca diversificar mercados para o agronegócio

Para o governo brasileiro, a importância da aproximação com o Marrocos vai além do volume de fertilizantes ou do tamanho do mercado de carne.

A estratégia faz parte de um esforço para ampliar a presença do agronegócio brasileiro em novos mercados e reduzir a dependência de parceiros específicos, especialmente em um momento de incertezas no comércio internacional.

Segundo André de Paula, a abertura de novos destinos comerciais é uma forma de diversificar as exportações brasileiras e diminuir a exposição a eventuais restrições ou dificuldades em mercados tradicionais, como a União Europeia.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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