Agronegócio

Mercado de frango no Brasil enfrenta excesso de oferta e pressiona margens das produtoras

O mercado de frango no Brasil deve enfrentar um cenário de maior pressão sobre a rentabilidade das empresas do setor durante o segundo semestre de 2026. A avaliação é do JPMorgan, que aponta que o excesso de oferta da proteína, aliado ao consumo interno enfraquecido, tende a reduzir as margens de gigantes como JBS e BRF.

A análise foi divulgada nesta quarta-feira (5) após o banco realizar conversas com mais de dez pequenos e médios produtores e exportadores de aves. De acordo com os entrevistados, a expectativa é de queda na lucratividade nos próximos meses, refletindo o desequilíbrio entre oferta e demanda, além da desvalorização das carnes bovina e suína.

Produção segue acima da demanda

Segundo o relatório, o Brasil continua produzindo carne de frango em volume superior ao necessário para atender ao mercado. Neste ano, o alojamento de pintinhos cresceu 2,3% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto o abate de frangos avançou 2,5%.

Apesar desse cenário, alguns produtores já começaram a enviar aves com menor peso para o mercado, movimento que pode indicar os primeiros sinais de ajuste na oferta.

Ainda assim, o JPMorgan destaca que os produtores não demonstram intenção de reduzir o alojamento de pintinhos. O motivo é a boa condição financeira de grande parte das empresas, sustentada pelos resultados positivos obtidos ao longo do ano passado.

Demanda doméstica continua enfraquecida

Outro fator que pesa sobre o setor é a fragilidade do consumo interno. O banco observa que os consumidores seguem enfrentando limitações financeiras, reduzindo o ritmo das compras.

Além disso, a queda nos preços das carnes bovina e suína aumenta a concorrência entre as proteínas e reduz parte da demanda por frango no mercado brasileiro.

Exportações ainda sustentam parte da rentabilidade

No mercado externo, as exportações de frango continuam apresentando desempenho favorável. A demanda permanece aquecida em regiões como Oriente Médio, México e outros países da América Latina, além da manutenção das compras chinesas de pés de frango.

Entretanto, o JPMorgan alerta que as margens internacionais tendem a perder força nos próximos meses. Entre os fatores apontados estão a valorização da moeda, o aumento dos custos de frete, as tensões geopolíticas, a redução dos embarques de carne de coxa desossada para o Japão e as incertezas sobre uma possível restrição europeia às importações após setembro.

Recuperação pode começar no fim do ano

Na avaliação de parte dos produtores consultados, a lucratividade do setor pode atingir seu ponto mais baixo durante o terceiro trimestre de 2026. Caso a oferta comece a se equilibrar com a demanda, a expectativa é de recuperação gradual das margens até o encerramento do ano.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Rodolfo Buhrer

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