Portos

Porto de Itapoá abre escritório em Xangai para ampliar negócios com a China

O Porto de Itapoá, em Santa Catarina, vai inaugurar, em 26 de agosto, um escritório de representação comercial em Xangai, na China. A nova estrutura tem como objetivo aproximar o terminal de exportadores e importadores, facilitar operações já realizadas pelo porto e prospectar novos clientes, cargas e serviços.

O investimento para instalar o escritório foi de US$ 100 mil, valor próximo de R$ 530 mil na cotação atual. Para Ricardo Arten, CEO do Porto de Itapoá, o custo é relativamente baixo diante do potencial de geração de negócios proporcionado pela presença no principal centro financeiro e logístico chinês.

“Tomamos a decisão de estar na China por uma oportunidade comercial, de facilitar esse comércio. É um fluxo bastante intenso e queremos mostrar a capacidade que o terminal tem criado para importadores e exportadores”, afirma.

China tem peso nas operações do Porto de Itapoá

A relevância do mercado chinês para o terminal catarinense já é expressiva. No primeiro semestre de 2026, a China respondeu por 49,4% das importações que chegaram ao Brasil pelo Porto de Itapoá. No sentido contrário, o país asiático foi destino de 17,9% das exportações embarcadas pelo terminal.

Localizada na costa leste da China, Xangai é um dos principais centros logísticos do país e abriga o maior porto de contêineres do mundo, o que torna a cidade estratégica para a expansão internacional do terminal catarinense.

Nas exportações destinadas à China por meio de Itapoá, o agronegócio concentra mais de 90% das cargas em 2026. O principal produto é papel e celulose, com 50,13% de participação. Na sequência aparecem carne refrigerada e congelada (43,97%), algodão (2,72%) e madeira (2,12%).

Outros segmentos têm participação menor, como alimentos secos, com 0,9%; commodities agrícolas, excluindo o algodão, com 0,09%; e outros alimentos refrigerados, com 0,07%.

Terminal busca ampliar participação no agronegócio

Segundo Arten, o Porto de Itapoá vem ganhando espaço entre empresas do setor agropecuário de diferentes regiões brasileiras. Parte do algodão e da celulose movimentados pelo terminal, por exemplo, tem origem no Centro-Oeste.

Empresas exportadoras de açúcar e café também começaram a testar operações pelo porto catarinense. Para o executivo, o movimento reforça a necessidade de continuar ampliando a infraestrutura voltada ao agronegócio.

“Isso nos alerta para continuar investindo no agro. E tem o sentido inverso também. Insumos que também vêm pelo Porto de Itapoá. Isso passa pela China. É bastante feliz o momento em que estamos colocando esse escritório de pé”, avalia.

A instalação da representação comercial contou com apoio do governo de Santa Catarina e da diplomacia brasileira. A expectativa é que a presença em Xangai também contribua para viabilizar novos investimentos no mercado chinês.

Neste primeiro momento, a unidade terá função comercial, aproximando o terminal de empresas e potenciais parceiros. Entre as possibilidades futuras está a criação de armazéns logísticos em Xangai.

Porto de Itapoá investe R$ 500 milhões em expansão

A abertura do escritório na China ocorre paralelamente à quarta etapa de expansão da capacidade operacional do Porto de Itapoá. O projeto prevê R$ 500 milhões em investimentos e acrescentará 120 mil metros quadrados ao pátio.

Com a ampliação, a área total do pátio chegará a 575 mil metros quadrados. O cais também será ampliado, alcançando 1,2 mil metros de extensão.

Outro foco dos investimentos é o aumento da infraestrutura para contêineres refrigerados (reefer), especialmente para atender à demanda da indústria de carnes. A quantidade de tomadas, que era de 3,8 mil no ano passado, deve alcançar 4,4 mil em 2026 e chegar a 5,3 mil em 2027.

“Nossa intenção é ser um hub de proteína animal para os exportadores brasileiros”, afirma Arten.

O terminal também planeja expandir sua estrutura de cross docking, utilizada para retirar a carga dos caminhões e realizar o carregamento dos contêineres. A operação é importante sobretudo para commodities mais pesadas, que precisam permanecer no terminal por períodos maiores antes do embarque.

“São poucas as empresas que fazem esse tipo de operação. Normalmente, é na retroárea; e o porto faz. Queremos aumentar essa capacidade”, explica o CEO.

Meta é alcançar 3 milhões de TEUs até 2040

A estratégia de longo prazo do Porto de Itapoá é se tornar o maior terminal de contêineres da América do Sul em capacidade de movimentação.

Atualmente, o terminal possui capacidade de 2 milhões de TEUs — unidade equivalente a um contêiner de 20 pés. A meta é atingir pelo menos 3 milhões de TEUs até 2040, por meio de novas etapas de expansão.

Para sustentar esse crescimento, porém, o terminal depende também da melhoria dos acessos terrestres. O aumento da capacidade portuária exige investimentos nas rodovias de acesso ao Porto de Itapoá, de modo a garantir maior fluidez no trânsito de caminhões.

Arten afirma que está próxima a assinatura da ordem de serviço para obras em uma das duas rodovias estaduais que levam ao terminal. Segundo ele, a Prefeitura de Itapoá também informou que possui orçamento para duplicar uma estrada municipal utilizada no acesso ao porto.

“O terminal tem que crescer em cais, pátio e gates. Mas se não houver condições de escoar essa carga, fragiliza todo o investimento privado”, afirma.

Dragagem da Baía da Babitonga amplia capacidade marítima

A expansão da operação marítima também está ligada à dragagem da Baía da Babitonga, área compartilhada pelo Porto de Itapoá e pelo Porto de São Francisco do Sul. O projeto está orçado em aproximadamente R$ 300 milhões e é financiado por meio de uma estrutura que reúne recursos públicos e privados.

O Porto de Itapoá assumiu o compromisso de bancar a dragagem, enquanto a execução está sob responsabilidade da autoridade portuária. O pagamento será realizado ao longo de 12 anos, utilizando recursos provenientes das tarifas de utilização do canal, com correção anual de 4%.

De acordo com Arten, cerca de 89% da dragagem já foi concluída. A previsão é finalizar os trabalhos nos próximos dois meses e elevar o calado do canal para 16 metros.

Após a conclusão, a expectativa é obter ainda em 2026 a homologação do novo canal de acesso pela Marinha do Brasil.

Atualmente, o Porto de Itapoá recebe navios de contêineres de até 336 metros de comprimento, mas essas embarcações não conseguem operar com carga máxima. Com o aprofundamento do canal, será possível receber navios de até 366 metros totalmente carregados e embarcações de até 400 metros com carregamento parcial.

FONTE: Globo Rural
TEXTO: Redação
IMAGEM: Globo Rural

Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook