Exportação

Ferrovias podem ampliar exportações e criar novos corredores logísticos no Brasil

Os novos projetos de ferrovias previstos para concessão têm potencial para transformar a logística nacional e ampliar as alternativas de exportação brasileira. Especialistas avaliam que empreendimentos como a EF-118, a Ferrogrão e o corredor Fico-Fiol devem reduzir a concentração das cargas nos portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR), fortalecendo novas rotas e polos exportadores em diferentes regiões do país.

A expectativa é que os leilões da EF-118, da Ferrogrão e do Corredor Leste-Oeste ocorram ainda este ano, enquanto novos trechos da Malha Sul devem entrar no cronograma de concessões em 2026.

Novas ferrovias fortalecem integração entre produção e portos

Na avaliação de especialistas, os futuros projetos ferroviários já nascem integrados à malha nacional e conectados a importantes complexos portuários, tornando o transporte de cargas mais eficiente e competitivo.

A sócia da KPMG, Tatiana Gruenbaum, destaca que a EF-118 deverá diminuir a dependência dos exportadores em relação aos portos de Santos e Paranaguá.

Com cerca de 571 quilômetros de extensão entre Santa Leopoldina (ES) e Nova Iguaçu (RJ), a ferrovia será interligada à Estrada de Ferro Vitória-Minas e à malha da MRS, conectando os portos do Açu, Central e Ubu. Além disso, permitirá operações por Vitória (ES) e Itaguaí (RJ), atendendo principalmente cargas de graneis agrícolas, minérios e combustíveis.

Fico-Fiol deve impulsionar novo polo exportador na Bahia

Outro projeto considerado estratégico é o corredor formado pela Fico e pela Fiol, que poderá consolidar Ilhéus (BA) como uma importante alternativa para o escoamento da produção agrícola pelo Porto Sul.

Segundo Gustavo Gusmão, sócio da EY-Parthenon para governo e infraestrutura, a nova ligação ferroviária tende a estimular o crescimento das exportações em regiões que hoje enfrentam custos elevados de transporte rodoviário e menor competitividade logística.

O primeiro trecho da Fiol, entre Ilhéus e Caetité (BA), deverá ter as obras retomadas por um consórcio privado nos próximos meses. Já o segundo segmento, entre Caetité e Barreiras, permanece sob responsabilidade do governo federal. A previsão é que ambos estejam em operação até 2031.

O trecho final, entre Barreiras (BA) e Figueirópolis (TO), será licitado posteriormente, após a conclusão das etapas iniciais. A conexão ocorrerá em Mara Rosa (GO), integrando a Fiol à Fico e também à Ferrovia Norte-Sul.

Ferrogrão amplia alternativas para o agronegócio

A Ferrogrão é apontada como um dos principais projetos para fortalecer a logística do agronegócio brasileiro.

A ferrovia ligará Sinop (MT) a Miritituba (PA), permitindo que a produção agrícola do Mato Grosso seja transportada até os portos do Arco Norte por meio da navegação fluvial, utilizando terminais como Barcarena e Santarém, no Pará.

Além de ampliar as opções para exportação de soja, milho e algodão, o projeto também poderá reduzir os custos do transporte de fertilizantes importados, utilizados nas lavouras brasileiras.

Infraestrutura complementar será decisiva para ganhos logísticos

Para o especialista em ferrovias da consultoria Bip, Eustáquio Oliveira, os benefícios da nova malha ferroviária dependerão de investimentos adicionais em infraestrutura logística.

Entre as obras consideradas essenciais estão terminais de armazenagem, silos, pátios de carga, estruturas de transbordo e melhorias nos portos.

Segundo ele, a integração entre transporte rodoviário e ferroviário permite maior eficiência operacional, reduzindo custos ao utilizar caminhões em curtas distâncias e trens nos percursos mais longos.

Especialistas apontam desafios para execução dos projetos

O professor da FGV Cidades, Ciro Biderman, avalia que empreendimentos como a EF-118 podem criar novos corredores logísticos e ampliar a competitividade dos portos da região Sudeste.

Já os futuros investimentos na Malha Sul tendem a fortalecer os portos de Paranaguá (PR), São Francisco do Sul (SC) e Rio Grande (RS), beneficiando principalmente o transporte de grãos, carnes, celulose, trigo e fertilizantes.

Apesar do potencial, Biderman alerta que alguns projetos dependem da conclusão simultânea de obras ferroviárias e portuárias. No caso da Fiol e do Porto Sul, por exemplo, atrasos em uma das estruturas podem comprometer os ganhos esperados.

Em relação à Ferrogrão, o especialista destaca que ainda existem desafios relacionados ao licenciamento ambiental e ao cumprimento de condicionantes socioambientais, fatores que podem influenciar o cronograma da obra, mesmo após decisões judiciais favoráveis ao projeto.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Modais em Foco

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