Transporte

Transporte aéreo de órgãos: como a aviação ajuda a salvar vidas no Brasil

Um órgão destinado a transplante pode precisar atravessar centenas ou até milhares de quilômetros antes de chegar ao paciente compatível. Nesse percurso, cada minuto é importante. Para garantir que a doação se transforme em uma nova chance de vida, uma ampla estrutura reúne profissionais de saúde, companhias aéreas, aeroportos, órgãos públicos e equipes de controle do espaço aéreo.

No Brasil, o transporte aéreo de órgãos é realizado de forma gratuita e prioritária, seguindo uma operação coordenada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), por meio da Central Nacional de Transplantes (CNT).

Como funciona o transporte de órgãos para transplantes

A estrutura começou a ser organizada em 2013, com um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) envolvendo instituições públicas e privadas. A iniciativa foi consolidada posteriormente pela legislação brasileira.

A Lei nº 14.858, de 21 de maio de 2024, determinou a gratuidade e a prioridade no transporte de órgãos, tecidos e partes do corpo humano destinados a transplantes. A regra também contempla as equipes envolvidas nas etapas de captação e distribuição.

No setor aéreo, participam da operação o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), por meio da Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC), e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A atuação conjunta busca garantir que a infraestrutura aeroportuária e a operação dos voos estejam preparadas para uma logística na qual tempo, segurança e precisão são essenciais.

Mais de 54 mil itens já foram transportados

Desde 2014, mais de 54 mil itens foram transportados dentro do acordo. O total inclui órgãos sólidos, tecidos, equipes médicas responsáveis pela captação e pelo transplante, além de caixas e outros materiais utilizados nos procedimentos cirúrgicos.

Entre os órgãos sólidos transportados estão coração, pulmão, pâncreas, rins e fígado.

Quase 19 mil órgãos foram levados por via aérea até os respectivos receptores. Desse total, aproximadamente 16 mil seguiram em voos comerciais, enquanto cerca de 2,5 mil foram transportados em aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB).

Uma operação contra o relógio

A extensão territorial do Brasil faz da aviação uma ferramenta essencial para a logística de transplantes. Um órgão captado em determinada cidade pode precisar percorrer uma longa distância para chegar ao paciente compatível.

Além da disponibilidade de aeronaves, a operação depende de aeroportos capazes de receber voos e equipes médicas em diferentes regiões do país. Por isso, a infraestrutura aeroportuária regional também desempenha papel importante.

Nesse cenário, o Programa AmpliAR, iniciativa do Ministério de Portos e Aeroportos voltada a aeroportos regionais, busca ampliar investimentos privados e melhorar a infraestrutura e a gestão dessas unidades, especialmente em localidades onde a conectividade aérea é estratégica.

A existência de aeroportos preparados pode facilitar conexões e dar suporte a operações emergenciais que exigem deslocamentos rápidos e seguros.

Tempo é fator decisivo para o transplante

Depois que um órgão é retirado do doador, existe um período limitado para que ele permaneça em condições adequadas até o transplante. Por isso, a logística precisa ser planejada para reduzir atrasos e garantir a segurança durante todo o trajeto.

Quando um potencial doador é identificado e a Central Nacional de Transplantes determina o destino do órgão, diferentes equipes entram em ação.

O Sistema Nacional de Transplantes aciona o Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e as companhias aéreas. A partir daí, são avaliadas as condições da malha aérea para definir a alternativa mais adequada de voo, trecho e rota.

O planejamento leva em conta as particularidades de cada operação. Se houver um voo comercial compatível, o órgão pode ser transportado pela malha regular. Quando essa alternativa não atende às necessidades da missão, a estrutura da Força Aérea Brasileira pode ser acionada.

Uma rede que envolve diferentes profissionais

Por trás de cada órgão transportado existe uma cadeia de trabalho que começa com a doação de órgãos e envolve familiares, equipes médicas, centrais de transplantes, profissionais de logística, companhias aéreas, aeroportos, órgãos públicos e equipes responsáveis pelo controle do espaço aéreo.

Cada etapa precisa ocorrer de maneira coordenada para que o órgão percorra a distância necessária dentro do período adequado.

O transporte aéreo, portanto, é apenas uma parte de uma operação muito maior, que conecta o local da captação ao hospital onde o paciente aguarda pelo transplante.

Doação de órgãos começa com uma conversa

Antes de toda essa estrutura logística entrar em funcionamento, existe uma decisão fundamental: a autorização para a doação de órgãos.

No Brasil, não é necessário registrar em cartório a intenção de ser doador, carregar um documento específico ou realizar um cadastro. O principal é comunicar essa vontade aos familiares.

Após a morte, cabe à família autorizar a doação. Por isso, conversar sobre o assunto enquanto a pessoa está viva é uma etapa fundamental para que sua vontade seja conhecida.

Com a autorização, começa uma operação que pode envolver equipes médicas, centrais de transplantes, profissionais de logística, empresas aéreas, aeroportos, órgãos públicos e estruturas de controle do espaço aéreo.

Dia Nacional da Doação de Órgãos reforça importância da conscientização

Celebrado ontem, no dia 27 de setembro, o Dia Nacional da Doação de Órgãos chama atenção para a importância da doação e para toda a estrutura necessária para levar órgãos até os pacientes que aguardam por um transplante.

Há mais de uma década, voos comerciais e aeronaves militares participam dessa logística no Brasil, ajudando a conectar diferentes regiões em uma operação na qual o tempo é um dos elementos centrais.

A cadeia começa com uma decisão individual, mas depende de uma rede inteira para chegar ao destino.

Converse com sua família sobre doação de órgãos e deixe clara a sua vontade.

FONTE: Ministério de Portos e Aeroportos
TEXTO: Redação
IMAGEM: FAB

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