Comércio Internacional

Acordo comercial entre Argentina e EUA amplia acesso a mercados e fortalece aliança política

A Argentina e os Estados Unidos firmaram nesta quinta-feira um amplo acordo comercial, considerado histórico por especialistas e visto como uma vitória política do presidente argentino Javier Milei. O entendimento aprofunda a relação bilateral com o presidente Donald Trump e marca a primeira vez que os dois países assinam um pacto dessa dimensão.

O acordo está alinhado à estratégia do governo Milei de promover a abertura da economia argentina, a terceira maior da América do Sul, por meio da redução de tarifas recíprocas e da ampliação das exportações argentinas, com destaque para a carne bovina.

Redução de tarifas e estímulo a investimentos

Segundo o chanceler argentino Pablo Quirno, os Estados Unidos eliminarão tarifas para mais de 1.600 produtos argentinos, medida que também busca atrair maior investimento americano no país, prioridade do atual governo para impulsionar o crescimento econômico e reforçar a entrada de dólares.

“Hoje, a Argentina enviou uma mensagem clara ao mundo: somos um parceiro confiável”, afirmou Quirno em publicação nas redes sociais.

Do lado argentino, o acordo prevê a eliminação de tarifas para mais de 200 produtos norte-americanos, incluindo máquinas, equipamentos de transporte e insumos farmacêuticos e químicos, informou o Ministério das Relações Exteriores. O movimento, no entanto, gera apreensão entre industriais argentinos, tradicionalmente protegidos por barreiras comerciais, enquanto defensores do livre mercado avaliam que a abertura é necessária.

Carne bovina no centro das atenções

Um dos pontos mais sensíveis do acordo é a ampliação do acesso da carne argentina ao mercado dos EUA. A cota de exportação foi elevada para 100 mil toneladas, volume cinco vezes maior que o anterior. O presidente Trump afirmou que a medida tem como objetivo reduzir os preços da carne para os consumidores americanos.

A decisão, porém, provocou reação negativa entre pecuaristas dos Estados Unidos. Para Bill Bullard, diretor executivo da R-Calf USA, associação que representa criadores americanos, a medida pode atrasar a recuperação do rebanho doméstico.

Impacto político e geopolítico

Analistas avaliam que o acordo vai além do comércio. Para o consultor argentino Marcelo Elizondo, o entendimento tem peso também no campo geopolítico, reforçando a aproximação entre os governos Milei e Trump. Ele lembrou ainda o apoio financeiro de cerca de US$ 20 bilhões concedido pelos EUA à Argentina antes das eleições legislativas do ano passado.

O governo argentino deverá encaminhar ao Congresso um projeto de lei para ratificação do acordo, exigência constitucional. Com a maioria conquistada nas eleições de meio de mandato, Milei tem posição fortalecida no Parlamento e pretende avançar com pautas estratégicas, como uma ampla reforma trabalhista.

Mercosul, União Europeia e tensões regionais

Paralelamente, o Congresso argentino deve discutir o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que poderá criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. A implementação, no entanto, segue travada por entraves jurídicos no continente europeu.

A assinatura do acordo com os EUA sem a participação dos demais países do Mercosul pode gerar atritos adicionais com o Brasil. Segundo Elizondo, a decisão tende a aprofundar o desgaste na relação entre Milei e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.

Cooperação ampliada entre os governos

A aproximação entre Buenos Aires e Washington também se estende a outras áreas. Nesta semana, os dois países assinaram um acordo sobre minerais críticos e negociam um entendimento que permitiria aos EUA deportar estrangeiros para a Argentina.

Dentro desse contexto, Milei é visto como um aliado estratégico de Trump na tentativa de ampliar a influência dos Estados Unidos na América Latina e conter o avanço da China na região. O presidente argentino deve viajar nos próximos dias para a Flórida, onde participará de um evento privado na residência de Trump, em Mar-a-Lago.

FONTE: NY Times
TEXTO: Redação
IMAGEM: Doug Mills/The New York Times

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Comércio Internacional

Brasil e Rússia fortalecem cooperação industrial e atração de investimentos

O Brasil e a Rússia deram um passo importante na ampliação da cooperação industrial em encontro realizado nesta quarta-feira (4/2) entre o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a delegação russa. A reunião antecedeu a agenda de alto nível prevista para quinta-feira (5/2) no Palácio Itamaraty.

O secretário-executivo do MDIC, Márcio Elias Rosa, conduziu o encontro, acompanhado de secretários e subsecretários, incluindo Tatiana Prazeres (Comércio Exterior), Uallace Moreira Lima (Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços) e Guilherme Rosa (Camex). O diálogo abordou parcerias produtivas, intercâmbio tecnológico, atração de investimentos, ampliação do comércio bilateral e aproximação institucional entre setores industriais dos dois países.

Estratégia para fortalecer a indústria brasileira

Segundo Márcio Elias, a cooperação com a Rússia pode ajudar o Brasil a superar gargalos estruturais e reduzir a dependência de insumos estratégicos. “Estamos atraindo investimentos, ampliando a capacidade industrial e gerando emprego e renda. A inovação tecnológica, a agregação de valor e a sustentabilidade são vetores fundamentais para aumentar a competitividade da indústria brasileira”, afirmou.

O secretário destacou setores prioritários, como fertilizantes, agroindústria, máquinas e equipamentos, energia limpa, logística e digitalização industrial, áreas em que a parceria pode gerar tecnologia e valor agregado.

Compromisso russo com projetos conjuntos

A delegação russa foi liderada pelo vice-ministro da Indústria e Comércio, Alexei Gruzdev, e pelo representante comercial Viktor Sheremetker. Gruzdev afirmou que Brasil e Rússia são parceiros estratégicos e reforçou o interesse em ampliar investimentos e projetos industriais conjuntos.

Sheremetker acrescentou que a Rússia está disponível para compartilhar experiências em tecnologia, infraestrutura e segurança produtiva, contribuindo para a modernização da indústria brasileira.

Próximos passos e diálogo estratégico

A cooperação será aprofundada na VIII Reunião da Comissão de Alto Nível Brasil–Rússia (CAN), nesta quinta-feira (5/2), com a participação do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, fortalecendo o diálogo estratégico entre os governos.

O encontro faz parte da estratégia do MDIC de diversificar parcerias internacionais, ampliar mercados e fortalecer a inserção global da indústria brasileira por meio de cooperação técnica, promoção de negócios e atração de investimentos produtivos.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Júlio César Silva/MDIC

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Acordo Mercosul-União Europeia avança no Congresso com articulação por votação rápida

O Acordo Mercosul-União Europeia entrou na agenda prioritária do Congresso Nacional após articulação entre representantes do Legislativo e do Executivo. Parlamentares que integram a representação brasileira no Parlasul e comissões de Relações Exteriores reforçaram a necessidade de uma tramitação rápida da proposta, com o objetivo de levar o texto à votação ainda neste mês.

Compromisso político para acelerar a votação

Durante reunião realizada em Brasília, deputados de diferentes partidos e senadores manifestaram consenso sobre a relevância estratégica do acordo para o país. O grupo se comprometeu a atuar de forma coordenada para que a proposta seja apreciada no plenário da Câmara dos Deputados até o fim de fevereiro, encurtando os prazos legislativos.

Integração regional e efeitos internacionais

A expectativa é que a rápida internalização do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia pelos países do bloco sul-americano amplie as chances de entrada em vigência provisória do tratado. Esse movimento é visto como fundamental para fortalecer a integração econômica, ampliar o acesso a mercados internacionais e aumentar a previsibilidade nas relações comerciais.

Brasil e Mercosul avançam de forma coordenada

Segundo representantes do governo, os países do Mercosul vêm encaminhando suas propostas de forma alinhada. No caso brasileiro, o envio do texto ao Congresso ocorreu logo no início do ano legislativo, sinalizando prioridade política ao tema e disposição para avançar nas etapas internas de aprovação.

Senado também defende urgência na análise

Além da mobilização na Câmara, houve compromisso de atuação para acelerar a tramitação no Senado Federal. A intenção é evitar gargalos entre as Casas Legislativas e garantir que o processo de ratificação do Acordo Mercosul-UE ocorra de maneira fluida e coordenada.

Participaram do encontro parlamentares como Arlindo Chinaglia (PT-SP), Nelsinho Trad (PSD-MT), Zeca Dirceu (PT-PR), Áureo Ribeiro (SDD-RJ), Bohn Gass (PT-RS), Beto Richa (PSDB-PR), Dilceu Sperafico (PP-PR), Giovani Cherini (PL-RS), Afonso Motta (PDT-RS), Rodrigo Gambale (Pode-SP), Bebeto (PP-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Renata Abreu (Pode-SP), Danrlei de Deus Hinterholz (PSD-RS), Odair Cunha (PT-MG) e Ana Paula Leão (PP-MG).

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Júlio César Silva/MDIC

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Acordo Mercosul–União Europeia chega ao Congresso após envio do governo federal

O presidente da República encaminhou oficialmente ao Congresso Nacional o texto do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O envio foi formalizado nesta segunda-feira (2) e publicado em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), dando início ao processo de análise legislativa no Brasil.

Para que o tratado entre em vigor, será necessária a aprovação tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal, etapa que deve ocorrer nas próximas semanas, segundo a expectativa do governo.

Maior área de livre comércio do mundo

O acordo Mercosul-UE cria a maior zona de livre comércio do planeta, reunindo um mercado de mais de 720 milhões de consumidores. O texto foi assinado em 17 de janeiro, durante cerimônia realizada em Assunção, no Paraguai, após anos de negociações entre os dois blocos.

Entre os principais pontos do tratado está a redução gradual de tarifas alfandegárias, abrangendo a maior parte dos bens e serviços comercializados entre os países envolvidos.

Redução de tarifas entre os blocos

Pelo cronograma estabelecido, o Mercosul se compromete a eliminar tarifas sobre 91% dos produtos europeus em um prazo de até 15 anos. Já a União Europeia prevê a retirada de tarifas sobre 95% dos bens originários do Mercosul em até 12 anos.

O objetivo é ampliar o fluxo comercial, reduzir custos de exportação e importação e fortalecer a integração econômica entre a América do Sul e o bloco europeu.

Aprovação ainda depende de instâncias internacionais

Apesar da assinatura formal, o acordo ainda precisa ser internalizado pelos parlamentos nacionais de todos os países do Mercosul, além de passar pelo crivo do Parlamento Europeu.

No lado europeu, entretanto, o processo enfrenta entraves. Há cerca de duas semanas, o texto foi encaminhado ao Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), o que pode adiar a ratificação por até dois anos, segundo avaliações preliminares.

Governo brasileiro aposta em efeito político

A estratégia do governo federal é avançar rapidamente com a aprovação no Congresso Nacional, utilizando o aval brasileiro como fator de pressão política para acelerar a tramitação do acordo no âmbito europeu.

A avaliação é de que a ratificação pelo Brasil fortaleça o discurso favorável ao tratado e contribua para destravar resistências ainda existentes dentro da União Europeia.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Brasil

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Tempestades e neve paralisam operações de contêineres em portos europeus

Condições climáticas extremas, com tempestades intensas e fortes nevascas, vêm provocando interrupções nas operações de contêineres em portos da Europa. O mau tempo levou ao fechamento temporário de terminais e à redução da produtividade portuária, segundo informações divulgadas pelas companhias marítimas Maersk e Hapag-Lloyd.

Impactos se espalham pelo oeste e sudoeste da Europa

De acordo com a Maersk, os efeitos mais severos foram registrados no sudoeste e no oeste do continente, gerando reflexos nos fluxos logísticos com destino e origem no norte da Europa. Países como Portugal e Espanha enfrentaram alertas meteorológicos severos, enquanto a Itália decretou estado de emergência em regiões do sul após tempestades que causaram alagamentos na semana passada.

Terminais fechados e operações reduzidas

Em comunicado aos clientes, a Maersk informou que ainda não há previsão para a normalização dos serviços impactados. Segundo a empresa, as condições adversas obrigaram navios a buscar abrigo e levaram terminais a suspender atividades ou operar com capacidade limitada.

Os fechamentos atingiram portos ao longo da costa oeste da Espanha e de Marrocos, avançando pelo Golfo da Biscaia até o Reino Unido. A companhia alertou que, diante da imprevisibilidade do clima, atrasos e paralisações devem continuar afetando navios e terminais na região.

Hapag-Lloyd também relata prejuízos

A armadora alemã Hapag-Lloyd confirmou impactos relevantes nas operações. Em comunicado por e-mail, a empresa afirmou estar enfrentando reduções significativas de produtividade em razão das condições meteorológicas desfavoráveis.

Incidente com contêineres no Mediterrâneo

Na semana passada, a francesa CMA CGM informou que um de seus navios perdeu 58 contêineres no mar após enfrentar condições climáticas mais severas do que o previsto nas proximidades de Malta. A companhia acrescentou que outras unidades sofreram danos no convés, reforçando os riscos impostos pelo clima extremo ao transporte marítimo internacional.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

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Descarbonização vira exigência para exportações à União Europeia com novas regras ambientais

A descarbonização deixou de ser um diferencial competitivo e passou a ser um requisito obrigatório para empresas que exportam à União Europeia (UE). Desde 1º de janeiro, está em vigor o Carbon Border Adjustment Mechanism (CBAM), mecanismo que impõe novas exigências ambientais a produtos importados pelo bloco.

O que é o CBAM e quem é impactado

O CBAM afeta diretamente exportadores de aço, alumínio, cimento, ferro, fertilizantes, eletricidade e hidrogênio, setores com alta intensidade de emissões. A medida foi criada para combater a chamada “fuga de carbono”, evitando que a produção seja transferida para países com regras ambientais menos rigorosas.

Na prática, o mecanismo estabelece uma taxação sobre importações provenientes de países que não adotam padrões equivalentes de precificação ou controle de emissões de gases de efeito estufa. As empresas precisam comprovar a pegada de carbono de seus produtos para manter o acesso ao mercado europeu.

Desafio regulatório e mudança no comércio global

Para a presidente da Câmara de Comércio Exterior da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Maitê Bustamante, o CBAM representa mais do que uma nova exigência regulatória. Segundo ela, o mecanismo sinaliza uma transformação estrutural no comércio internacional.

“O tema deixa de ser uma discussão de longo prazo e passa a demandar ações imediatas da indústria, com investimentos em mensuração de emissões, eficiência energética e estratégias de descarbonização”, afirma.

Competitividade e valorização de produtos sustentáveis

O impacto do CBAM vai além de uma possível barreira comercial. O novo modelo tende a favorecer empresas que já adotam práticas sustentáveis, ampliando a competitividade de produtos com menor intensidade de carbono e facilitando o acesso a mercados mais exigentes do ponto de vista ambiental.

Reflexos para a indústria catarinense

No caso de Santa Catarina, a adaptação é ainda mais estratégica devido ao perfil exportador do estado e à diversidade de setores industriais com forte presença no mercado europeu. De acordo com Bustamante, a adequação às regras do CBAM exige não apenas ajustes técnicos, mas também planejamento estratégico e acesso a informações qualificadas. A documentação oficial está disponível no site da Comissão Europeia.

Apoio às empresas e orientação técnica

A FIESC tem atuado no apoio às indústrias, oferecendo orientação sobre os impactos do CBAM, esclarecendo exigências regulatórias e estimulando soluções que fortaleçam a competitividade industrial em um cenário de economia de baixo carbono. Empresas interessadas podem tirar dúvidas pelo e-mail geint@fiesc.com.br.

Controle de efluentes e práticas ESG

Durante o encontro, o consultor da FIESC Luís Henrique Cândido da Silveira apresentou parâmetros e padrões para o controle de efluentes líquidos industriais. Na sequência, Julia Iasmin detalhou o WEEN ESG, programa da Pronatur voltado à gestão e implementação de práticas ESG, auxiliando empresas de diferentes portes a estruturar, mensurar e evoluir em suas estratégias de sustentabilidade.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Filipe Scotti

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28 de janeiro –  uma data que celebra o dia do profissional de Comércio Exterior

O Comércio Exterior é, hoje, um setor dinâmico, cada vez mais focado na desburocratização, na automatização de processos e no fortalecimento da competitividade global. Atualmente, o Brasil exerce um papel estratégico na segurança alimentar e energética mundial. Em 2026, o país consolida sua posição como um dos principais protagonistas do comércio internacional entre as economias emergentes.

Nas exportações, o agronegócio alcançou um recorde histórico em 2025, com US$ 169,2 bilhões exportados. O Brasil assumiu a liderança mundial na produção e exportação de carne bovina no mesmo ano e projeta um crescimento de 6,3% nas exportações de carne suína em 2026. O petróleo bruto, por sua vez, consolidou-se como o principal produto da pauta exportadora brasileira em 2024 e 2025, superando a soja e o minério de ferro.

Já como importador, o Brasil tem papel estratégico na aquisição de bens de capital e manufaturados, que representaram cerca de 89% do total importado em 2025. Isso reforça o país como um mercado consumidor fundamental para economias industrializadas, com destaque para a compra de fertilizantes, produtos químicos e farmacêuticos, além de componentes eletrônicos, provenientes de diversas partes do mundo.

O dia 28 de janeiro celebra não apenas um marco de independência econômica, mas também o desenvolvimento e a modernização do setor, reconhecendo o trabalho dos portuários e de todos os profissionais que atuam ao longo da cadeia logística.

São muitas as oportunidades geradas pela cadeia de negócios internacional da qual o Brasil é protagonista, como a modernização logística e tributária em 2026, a DUIMP e o recente acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

A importância do Brasil no cenário globalizado de 2026 pode ser sintetizada em uma palavra: equilíbrio.

O país não é apenas um participante do comércio exterior, mas um pilar de sustentabilidade e estabilidade global.

Parabéns a você, profissional de Comércio Exterior.
É o seu trabalho que faz o mercado girar.

Renata Palmeira — CEO, ReConecta News

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China reage a ameaça de Trump e afirma que acordo com Canadá não mira terceiros

A China declarou nesta segunda-feira que seus acordos comerciais e econômicos com o Canadá não têm como objetivo atingir nenhum outro país. A manifestação ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar impor tarifas elevadas sobre produtos canadenses caso o entendimento entre Ottawa e Pequim avance.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores da China, as cooperações firmadas são baseadas em interesses bilaterais e seguem princípios de abertura e respeito mútuo, sem direcionamento contra terceiros.

Trump ameaça tarifas de 100% sobre produtos canadenses

No sábado (24), Trump afirmou que poderá aplicar tarifas de 100% sobre todas as importações do Canadá caso o país finalize um acordo comercial com a China. A declaração foi feita após o anúncio de uma nova parceria estratégica entre Canadá e China, formalizada durante a visita do primeiro-ministro canadense Mark Carney a Pequim.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que o Canadá não pode se transformar em um “porto de descarga” para produtos chineses com destino ao mercado americano, reforçando o tom de advertência.

Visita histórica e retomada do diálogo bilateral

A viagem de Mark Carney à China foi a primeira de um líder canadense ao país em oito anos e marca uma tentativa de reconstrução dos laços diplomáticos e comerciais com o segundo maior parceiro econômico do Canadá, atrás apenas dos Estados Unidos.

Entre os principais pontos em negociação está a redução das tarifas chinesas sobre a canola canadense, além da ampliação do acesso de veículos elétricos chineses ao mercado canadense.

Canadá reduz tarifas sobre veículos elétricos chineses

De acordo com Carney, o Canadá permitirá inicialmente a entrada de até 49 mil carros elétricos chineses, com tarifa de 6,1%, dentro das regras de nação mais favorecida. O percentual é significativamente inferior à alíquota de 100% imposta em 2024 pelo ex-primeiro-ministro Justin Trudeau, em alinhamento com medidas adotadas pelos EUA.

Em 2023, a China exportou 41.678 veículos elétricos para o Canadá. A expectativa do governo canadense é elevar gradualmente a cota, chegando a cerca de 70 mil veículos em cinco anos.

Divergências internas e reação do setor automotivo

A decisão de flexibilizar as tarifas gerou críticas internas. O premiê da província de Ontário, Doug Ford, principal polo automotivo do país, afirmou que o acordo pode resultar em uma entrada massiva de veículos chineses sem garantias de investimentos equivalentes na indústria canadense e em sua cadeia de suprimentos.

Ainda assim, Carney defendeu a estratégia, afirmando que o Canadá precisa aprender com parceiros inovadores, acessar cadeias globais e estimular a demanda local para desenvolver um setor competitivo de mobilidade elétrica.

Retaliações e expectativa de alívio tarifário

Em resposta às tarifas impostas por Trudeau, a China havia aplicado, em março, sanções sobre mais de US$ 2,6 bilhões em produtos agrícolas e alimentícios canadenses, incluindo óleo, farinha e sementes de canola, além de frutos do mar. Como consequência, as importações chinesas desses produtos caíram 10,4% em 2025.

Com o novo acordo, o Canadá espera que as tarifas sobre sementes de canola sejam reduzidas para cerca de 15%, ante os atuais 84%, a partir de 1º de março. Ottawa também projeta a retirada de tarifas antidiscriminatórias sobre farinhas de canola, lagostas, caranguejos e ervilhas até o fim do ano.

Segundo Carney, os entendimentos podem destravar cerca de US$ 3 bilhões em exportações, beneficiando agricultores, pescadores e processadores canadenses.

China confirma ajustes nas medidas comerciais

Em comunicado, o Ministério do Comércio da China informou que está ajustando as medidas antidumping sobre a canola e revendo tarifas aplicadas a produtos agrícolas e aquáticos do Canadá, como resposta direta à redução das tarifas canadenses sobre veículos elétricos chineses

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Denis Balibouse

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FecomercioSP apoia acordo Mercosul–União Europeia e cobra rapidez do Congresso para ratificação

A FecomercioSP avaliou como um avanço relevante a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia, especialmente em um cenário internacional marcado por incertezas geopolíticas, tensões comerciais entre Estados Unidos e China e mudanças estruturais no comércio global. Para a Federação, o tratado fortalece o Brasil e o bloco sul-americano ao ampliar o acesso a mercados e estimular a competitividade.

A União Europeia é atualmente o segundo maior parceiro comercial do Brasil, com uma corrente de comércio em torno de US$ 100 bilhões e responsável por cerca de 50% do estoque de investimento estrangeiro direto no País. Na avaliação da entidade, o contexto global apenas reforça uma posição defendida há anos: uma abertura comercial consistente é fundamental para elevar a produtividade e a competitividade da economia brasileira.

Defesa histórica da abertura comercial
As negociações do acordo se estenderam por mais de duas décadas, atravessando diferentes governos e transformações econômicas nos dois lados do Atlântico. Ao longo desse período, a FecomercioSP manteve atuação ativa em defesa de uma abertura ampla e da consolidação do tratado como um projeto de desenvolvimento nacional.

Segundo Rubens Medrano, vice-presidente da Federação e presidente do Conselho de Relações Internacionais da entidade, a prioridade agora é acompanhar os próximos passos. “A abertura comercial racional e gradual é inegociável. Esperamos que a ratificação ocorra de forma célere, pois o acordo pode impulsionar a competitividade brasileira e destravar outras negociações internacionais”, afirmou.

Brasil segue com baixa presença no comércio global
Apesar de ter o nono maior PIB do mundo, a participação brasileira no comércio internacional permanece limitada. Há cerca de seis décadas, o País responde por aproximadamente 1,5% da corrente global de comércio. Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que, em 2023, o Brasil ocupava apenas a 24ª posição entre os exportadores e a 27ª entre os importadores.

Para a FecomercioSP, esse desempenho está ligado à opção histórica por um modelo protecionista, que manteve tarifas elevadas sobre bens intermediários e de capital, enquanto outros países avançaram na integração às cadeias globais de valor. O resultado foi o chamado “adensamento de cadeias domésticas”, com produção concentrada internamente e menor inserção internacional.

Lições do protecionismo e impactos globais
A recente política tarifária adotada pelos Estados Unidos durante a gestão de Donald Trump reforçou os efeitos negativos do protecionismo. O aumento de tarifas atingiu inclusive aliados, como a União Europeia e o Japão, e foi ainda mais severo para países considerados rivais estratégicos, como China e Brasil, que segue enfrentando tarifas elevadas.

Nesse contexto, o acordo Mercosul–UE prevê uma liberalização tarifária gradual, ao longo de até 15 anos, abrangendo cerca de 90% dos produtos comercializados entre os blocos. Alguns itens, como frutas, bebidas e bens manufaturados, terão acesso facilitado ou isenção de tarifas no mercado europeu.

Pontos de crítica e ajustes pendentes
Embora reconheça os ganhos do acordo, a FecomercioSP aponta que o governo brasileiro retomou negociações sobre temas já concluídos em 2019, como o capítulo de compras governamentais, adotando uma postura considerada protecionista. A exclusão de aquisições do Sistema Único de Saúde (SUS) também é vista com ressalvas.

Para a entidade, acordos internacionais nessa área aumentam a transparência, reduzem custos, estimulam ganhos de produtividade e funcionam como instrumento de prevenção à corrupção. Outro ponto criticado é o tratamento diferenciado ao setor automotivo, que terá prazo maior de adaptação e possibilidade de reintrodução de tarifas, hoje em torno de 35%. Segundo a Federação, após décadas de proteção, o setor não apresentou ganhos relevantes de competitividade, e o consumidor segue com acesso limitado a melhores modelos.

Próximos passos para entrada em vigor
Com a assinatura formalizada, o acordo entra agora na fase de internalização, com trâmites de aprovação nos dois blocos. No Brasil, o texto será encaminhado pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional. Já na União Europeia, será necessária a aprovação de 65% do Conselho Europeu, representando 55% da população do bloco, além de maioria simples no Parlamento Europeu. A expectativa é que esse processo seja concluído até abril.

Após a ratificação, o acordo poderá ter vigência bilateral, permitindo que países que já concluíram seus processos internos passem a aplicar imediatamente os termos do tratado. Assim, o Brasil não precisará aguardar os demais membros do Mercosul para iniciar a implementação. A entrada em vigor ocorrerá no primeiro dia do mês seguinte à ratificação.

FONTE: Fecomercio
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Fecomercio

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Bloquear acordo Mercosul–União Europeia é “gol contra”, afirma presidente de câmara francesa

Apesar da resistência de alguns setores da economia francesa, especialmente no campo político e agrícola, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é amplamente defendido por empresários e investidores franceses com atuação no Brasil. A avaliação é de Thierry Besse, presidente da Câmara de Comércio França-Brasil (CCIFB).

Após 25 anos de negociações, Besse considera que rejeitar o tratado neste momento representaria a perda de uma oportunidade histórica para expandir mercados, fortalecer cadeias produtivas e reduzir a influência de outros competidores globais, como a China.

Em entrevista ao jornal Valor, o executivo comparou a assinatura do acordo a um gol decisivo no fim da partida. Para ele, barrar a ratificação agora seria equivalente a “marcar contra” e entregar vantagem estratégica a Pequim.

Segundo Besse, o tratado cria bases sólidas para uma integração econômica estratégica entre dois blocos que compartilham valores institucionais semelhantes, em um cenário internacional marcado por instabilidade geopolítica.

Setores beneficiados pelo acordo Mercosul-União Europeia

O dirigente destaca que diversos segmentos franceses devem ser impactados positivamente com a implementação do acordo Mercosul-UE, entre eles:

  • Vinhos, champanhes e bebidas alcoólicas
  • Laticínios
  • Produtos com denominação de origem protegida
  • Indústrias aeronáutica, automotiva, farmacêutica e energética, com ênfase em energias renováveis

O acordo foi assinado no sábado (17), no Paraguai, por representantes do Mercosul e pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O tratado cria a maior área de livre comércio do mundo, reunindo mais de 700 milhões de consumidores em 32 países, com um PIB combinado de US$ 22 trilhões.

Impasse político trava avanço do tratado

Mesmo com o apoio do setor empresarial, o acordo sofreu um revés político. Na quarta-feira (21), o Parlamento Europeu aprovou o envio do texto à Corte Europeia de Justiça para uma análise jurídica sobre sua compatibilidade com as leis da União Europeia.

A decisão, aprovada por margem estreita, pode congelar o processo por pelo menos dois anos. Para Besse, superar esse obstáculo exige ampliar o debate público na Europa sobre os benefícios do tratado.

Ele defende que empresários europeus atuantes na América do Sul ajudem a esclarecer a opinião pública em seus países de origem, ressaltando o potencial econômico da região.

Resistência agrícola coloca a França no centro da oposição

A França lidera a resistência ao acordo dentro da União Europeia. O país foi um dos cinco que votaram contra o tratado na Comissão Europeia, pressionado principalmente por entidades do setor agrícola.

Produtores franceses alegam concorrência desleal, diferenças em padrões ambientais e sanitários, além do uso de pesticidas proibidos na UE e regras mais flexíveis sobre desmatamento no Mercosul.

Besse reconhece que algumas preocupações, especialmente na pecuária, são legítimas. No entanto, afirma que o debate foi distorcido por discursos exagerados e pouco conectados com o conteúdo real do acordo.

Ele lembra que críticas semelhantes surgiram durante as negociações do acordo comercial entre União Europeia e Canadá, que, anos depois, mostrou resultados positivos para ambos os lados.

Salvaguardas e potencial ainda pouco explorado

O presidente da CCIFB destaca que o acordo inclui mecanismos de proteção. Um exemplo é o limite de 99 mil toneladas anuais de carne bovina importadas do Mercosul pela UE, o equivalente a apenas 1,2% do consumo europeu.

Entre os ganhos imediatos, estão os produtos alimentares franceses, que passarão a contar com proteção legal no mercado sul-americano. Atualmente, a França exporta cerca de 700 mil garrafas de vinho e champanhe por ano ao Brasil, número que tende a crescer com a redução de tarifas.

No setor industrial, as expectativas envolvem infraestrutura, equipamentos elétricos, cosméticos, beleza, além de projetos de energia eólica, solar e hidrelétrica, áreas nas quais empresas francesas já têm forte presença no Brasil.

Presença francesa no Brasil e impacto geopolítico

Segundo Besse, aproximadamente 1.300 empresas francesas operam no Brasil, gerando mais de R$ 400 bilhões em faturamento em 2024 e empregando cerca de 560 mil pessoas. A França é hoje o maior empregador estrangeiro no país e o segundo maior investidor, atrás apenas dos Estados Unidos.

Mesmo assim, o comércio bilateral ainda é considerado modesto, somando cerca de € 8 bilhões em 2024, com fluxo relativamente equilibrado.

Para o executivo, o acordo cria uma verdadeira “autoestrada” para o crescimento das trocas comerciais no médio prazo, beneficiando não apenas grandes multinacionais, mas também pequenas e médias empresas.

Besse ressalta ainda o peso geopolítico do tratado em um contexto de enfraquecimento do multilateralismo e aumento das tensões comerciais globais. Na sua visão, a integração entre Europa e América do Sul é hoje mais necessária do que nunca.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Rogerio Vieira/Valor

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