Comércio Internacional

Chile e China buscam ampliar oportunidades comerciais e fortalecer acordo de livre comércio

Chile e China discutiram novas possibilidades para aprofundar as relações econômicas e comerciais durante a 8ª Comissão de Livre Comércio (CLC), realizada no âmbito do Tratado de Livre Comércio (TLC) entre os dois países. O encontro teve como foco a implementação do acordo, os resultados alcançados desde sua entrada em vigor e a identificação de novas oportunidades de cooperação bilateral.

Países avaliam avanços do tratado comercial

A delegação chilena foi liderada por Felipe Lopeandía, diretor-geral de Assuntos Econômicos Bilaterais da Subsecretaria de Relações Econômicas Internacionais (Subrei). Também participaram Pablo Urria, chefe do Departamento Ásia, Fernando Catalán, responsável pelo Departamento de Assuntos Regulatórios do Comércio, e o embaixador do Chile na China, Alfonso Silva.

Durante as negociações, as equipes analisaram a evolução do intercâmbio comercial desde outubro de 2006, quando o acordo entrou em vigor. Os representantes destacaram a complementaridade das duas economias nos setores de bens e investimentos, além da contribuição do tratado para estreitar os vínculos entre os países.

Segundo Lopeandía, a comissão é fundamental para acompanhar a execução do acordo, solucionar eventuais dificuldades e identificar caminhos para ampliar o comércio bilateral.

China apoia estudo sobre os impactos do acordo

A delegação chinesa, liderada por Chao Chen, diretor-geral do Departamento de Comércio Internacional e Assuntos Econômicos do Ministério do Comércio da China, demonstrou interesse na proposta chilena de realizar um estudo de impacto do Tratado de Livre Comércio.

A iniciativa pretende avaliar de maneira aprofundada os resultados obtidos com o acordo e identificar novos setores e oportunidades de interesse comum.

Os dois países também manifestaram interesse em manter as reuniões da Comissão de Livre Comércio como instrumento permanente de diálogo, acompanhamento e aperfeiçoamento da parceria econômica.

China concentra cerca de um terço do comércio exterior chileno

A subsecretária de Relações Econômicas Internacionais do Chile, Paula Estévez, ressaltou a importância estratégica do mercado chinês para a economia do país sul-americano.

De acordo com a representante, a China responde por aproximadamente um terço do comércio exterior chileno, enquanto o Chile se consolidou como um parceiro confiável para os chineses e ocupa a terceira posição entre os parceiros comerciais da China na América Latina.

Estévez também destacou que as prioridades econômicas chinesas, previstas no novo Plano Quinquenal, podem abrir espaço para iniciativas conjuntas em áreas como transição energética, manufatura avançada, inteligência artificial e desenvolvimento sustentável.

Segundo ela, esses segmentos apresentam oportunidades alinhadas às capacidades e aos projetos que o Chile vem desenvolvendo.

Comércio bilateral supera US$ 45 bilhões em 2026

O intercâmbio comercial entre Chile e China manteve trajetória de crescimento nos primeiros oito meses de 2026. Entre janeiro e agosto, as trocas comerciais somaram US$ 45,647 bilhões, uma alta de 8,3% em relação ao mesmo período de 2025.

O resultado foi impulsionado principalmente pelas exportações chilenas para o mercado chinês, que totalizaram US$ 27,887 bilhões, com crescimento anual de 11,1%.

As importações provenientes da China avançaram em ritmo mais moderado, de 4%, alcançando US$ 17,650 bilhões. Os números apresentados indicam um superávit comercial favorável ao Chile de US$ 11,599 bilhões.

Mineração lidera as exportações chilenas para a China

Em 2025, os produtos minerais tiveram participação expressiva na pauta exportadora chilena destinada ao mercado chinês. Os minerais de cobre lideraram as vendas, com US$ 25,573 bilhões, seguidos pelos cátodos de cobre, que movimentaram US$ 2,619 bilhões, e pelo carbonato de lítio, com US$ 1,205 bilhão.

Nos segmentos agroindustrial e florestal, as cerejas frescas se destacaram, gerando US$ 2,888 bilhões em exportações. A celulose de madeira também teve participação relevante, com US$ 950 milhões.

Os números reforçam a importância das commodities minerais e dos produtos agroindustriais na relação econômica entre os dois países.

Importações chinesas incluem tecnologia e energia renovável

As compras chilenas de produtos chineses em 2025 se concentraram principalmente em equipamentos tecnológicos, bens de consumo e itens relacionados à transição energética.

Entre os principais produtos importados estavam os smartphones, com US$ 1,207 bilhão, e os acumuladores elétricos, que somaram US$ 945 milhões.

Também se destacaram os geradores fotovoltaicos, com US$ 717 milhões; os automóveis de passeio, com US$ 699 milhões; e os equipamentos para processamento de dados, que movimentaram US$ 514 milhões.

A composição das importações evidencia a relevância da China como fornecedora de tecnologia e equipamentos utilizados tanto no consumo interno quanto no desenvolvimento energético chileno.

FONTE: Portal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Portal Portuário

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Comércio Internacional

Exportações da América Latina crescem 20% e reacendem debate sobre novo ciclo de commodities

As exportações da América Latina e do Caribe avançaram 20% no primeiro semestre de 2026, na comparação com igual período do ano anterior, impulsionadas principalmente pela valorização das commodities no mercado internacional. O resultado ocorre em um cenário global marcado por tensões geopolíticas, pela guerra no Oriente Médio e pela disputa comercial entre Estados Unidos e China.

Os dados fazem parte de uma análise da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), órgão das Nações Unidas voltado à promoção do desenvolvimento regional. O levantamento aponta que o comércio exterior latino-americano se beneficiou da expansão das trocas globais, mas também destaca desafios para transformar o aumento das receitas com matérias-primas em desenvolvimento econômico de longo prazo.

No mesmo período, as importações da região cresceram 14%, indicando uma ampliação dos fluxos comerciais.

Comércio mundial supera projeções e favorece a região

O volume do comércio internacional aumentou mais de 5% nos primeiros seis meses de 2026, segundo a Cepal. O desempenho supera em mais do dobro a estimativa de crescimento de 1,9% para o ano inteiro divulgada anteriormente pela Organização Mundial do Comércio (OMC).

Parte significativa dessa expansão foi sustentada pela demanda por componentes eletrônicos associados aos investimentos em inteligência artificial. China e outras economias emergentes da Ásia tiveram papel central nesse movimento.

Nesse contexto, a América Latina e o Caribe figuram entre as regiões beneficiadas pelo crescimento das trocas globais, especialmente devido à alta dos preços de produtos básicos e recursos naturais.

Alta das commodities impulsiona receitas de exportação

A valorização das matérias-primas é apontada pela Cepal como um dos principais fatores por trás do avanço das vendas externas latino-americanas.

Entre janeiro e agosto de 2026, o índice agregado de preços das exportações regionais subiu 23,5% em relação ao mesmo intervalo de 2025. Para o conjunto do ano, a projeção é de aumento de 20,4%.

O destaque está no segmento de minerais e metais, cujos preços devem avançar 31,6%. Entre os produtos que sustentam essa perspectiva estão cobre, ouro, prata e estanho.

Para o segundo semestre, a expectativa também é positiva. Em valor, as exportações regionais de bens devem crescer 20% em 2026, resultado de uma combinação entre aumento de 11% nos preços e expansão de 9% nos volumes embarcados.

Caso a estimativa se confirme, a região completará seis anos consecutivos de crescimento no volume de mercadorias exportadas.

Ásia ganha espaço como destino das exportações latino-americanas

Além do crescimento das receitas, a distribuição geográfica do comércio exterior da região passa por mudanças importantes, com maior direcionamento das vendas para os mercados asiáticos.

As exportações para países da Ásia, excluindo a China, devem registrar o maior avanço entre os principais destinos em 2026, com alta projetada de 32% em valor.

As vendas para os Estados Unidos devem aumentar 24%, enquanto os embarques para a União Europeia têm previsão de crescimento de 20%. Para a China, a estimativa é de avanço de 19%.

Já o comércio entre os próprios países latino-americanos deve apresentar expansão mais moderada, de 8%.

Os números indicam uma diversificação dos mercados de destino, embora o desempenho regional continue condicionado à demanda internacional e à evolução dos preços das matérias-primas.

América Latina pode viver um novo superciclo de commodities?

O avanço das exportações levanta a possibilidade de um novo superciclo de commodities, semelhante ao observado entre 2003 e 2014. Naquele período, a forte demanda global elevou os preços dos recursos naturais, ampliou a entrada de divisas e favoreceu o crescimento econômico de diversos países latino-americanos.

Em entrevista ao Herald, o secretário-executivo da Cepal, José Manuel Salazar, reconheceu que o cenário atual abre uma janela de oportunidade para a região. No entanto, ressaltou que as condições econômicas de hoje são bastante diferentes das que impulsionaram o ciclo anterior.

No início do século, o principal motor foi a rápida industrialização chinesa. Durante mais de uma década, a economia do país asiático cresceu entre 9% e 10% ao ano, ampliando significativamente a demanda mundial por petróleo, metais e outros produtos básicos.

Agora, segundo Salazar, as perspectivas estão mais relacionadas à transformação tecnológica, à busca por segurança energética e à transição para uma economia de baixo carbono.

Essa mudança altera o perfil da demanda por recursos naturais e aumenta as incertezas sobre quais matérias-primas terão maior relevância no futuro.

Transição energética e tecnologia trazem riscos para os minerais

A transformação tecnológica cria oportunidades para os países que possuem reservas minerais estratégicas, mas também introduz riscos para os exportadores.

Salazar citou o lítio como exemplo. Embora o mineral seja importante para determinadas tecnologias de baterias, o desenvolvimento de alternativas que dispensem sua utilização poderia reduzir a demanda internacional.

O avanço das pesquisas em países desenvolvidos e na China torna difícil prever quais tecnologias prevalecerão nos próximos anos.

Outro segmento que desperta interesse é o das terras raras, conjunto de elementos utilizados em diferentes aplicações tecnológicas e industriais. Vários países latino-americanos possuem depósitos desses recursos, mas aproveitar esse potencial exige investimentos e conhecimento especializado.

Segundo o secretário-executivo da Cepal, a extração e o refino das terras raras são operações mais complexas do que os processos empregados na produção de cobre e de outros minerais.

Por isso, a simples existência de reservas não garante que os países da região conseguirão transformar esses recursos em ganhos econômicos duradouros.

Agregar valor à produção é o principal desafio regional

Para a Cepal, o desafio da América Latina vai além de ampliar o fornecimento de matérias-primas ao mercado internacional. A região precisa desenvolver capacidades produtivas, tecnológicas e industriais que permitam aproveitar melhor a valorização dos recursos naturais.

A incorporação de conhecimento, inovação e mão de obra qualificada pode ajudar os países a avançar para etapas de maior valor agregado nas cadeias globais de produção.

A estratégia também reduziria a dependência das oscilações dos preços internacionais, um dos fatores que historicamente tornam as economias exportadoras de commodities mais vulneráveis.

Nesse cenário, um eventual novo superciclo poderá representar uma oportunidade relevante para a América Latina, desde que o aumento das receitas com exportações seja acompanhado por investimentos em tecnologia, processamento industrial e qualificação profissional.

O objetivo, portanto, é converter a demanda global por recursos naturais em ganhos estruturais de produtividade e desenvolvimento econômico, em vez de depender exclusivamente da venda de produtos básicos.

FONTE: Buenos Aires Herald
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Buenos Aires Herald

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Comércio Internacional

Exportações da Argentina chegam a US$ 77 bilhões e superávit comercial cresce em 2026

As exportações da Argentina somaram US$ 77 bilhões nos primeiros nove meses de 2026, impulsionadas pelo avanço das commodities e pelo aumento das vendas externas. Em setembro, os embarques alcançaram US$ 10 bilhões, uma alta de 23,5% em relação ao mesmo mês de 2025. Na comparação mensal, considerando o ajuste sazonal, o crescimento foi de 8,6%.

O desempenho refletiu a elevação tanto dos preços, que avançaram 16%, quanto dos volumes exportados, com aumento de 6%. O resultado reforça a expansão do comércio exterior argentino, embora outros setores da economia continuem enfrentando dificuldades.

Petróleo, farelo de soja e milho lideram as exportações argentinas

Os dez principais produtos exportados pela Argentina em setembro de 2026 responderam por 57,3% do valor total das vendas externas.

O petróleo bruto ocupou a primeira posição, com US$ 1,1 bilhão em exportações. Na sequência, apareceram o farelo de soja, com US$ 1 bilhão, e o milho, que movimentou US$ 833 milhões.

O ranking também incluiu o óleo bruto de soja, com US$ 597 milhões, e veículos destinados ao transporte de mercadorias, com US$ 518 milhões.

A soja em grãos ficou na sexta colocação, com US$ 468 milhões, equivalentes a 4,7% das exportações do país. Apesar da participação relevante, o produto registrou queda de 42,6% em relação a setembro do ano anterior.

Completaram a lista dos dez principais itens o ouro não monetário, a carne bovina, o trigo e o óleo de girassol.

Veículos e autopeças estão entre os principais produtos importados

No lado das importações, as dez categorias de produtos mais relevantes representaram 29,4% do total adquirido pela Argentina no exterior.

Os veículos para transporte de passageiros, incluindo ônibus, lideraram a lista, com aproximadamente US$ 450 milhões, o equivalente a 6,4% das importações. Em seguida, ficaram as peças e os acessórios automotivos, com participação de 4,3%, e a soja, responsável por 3,9%.

Outros produtos com peso significativo na pauta de compras externas foram medicamentos, telefones, veículos de transporte de mercadorias, produtos derivados do sangue e imunológicos, fertilizantes e equipamentos para processamento de dados.

Superávit comercial argentino alcança US$ 2,976 bilhões em setembro

A Argentina registrou superávit comercial de US$ 2,976 bilhões em setembro de 2026. O resultado foi obtido com exportações de US$ 10 bilhões e importações de aproximadamente US$ 7 bilhões.

As compras externas recuaram 1,8% na comparação anual, embora tenham apresentado uma leve alta em relação a agosto.

O saldo comercial de setembro superou em US$ 2 bilhões o registrado no mesmo mês de 2025 e ficou US$ 1,5 bilhão acima do resultado de agosto. Foi também o maior superávit mensal desde junho, quando o país alcançou US$ 3,4 bilhões.

O país acumula 34 meses consecutivos de resultados positivos na balança comercial, sequência iniciada em dezembro de 2023, quando Javier Milei assumiu a Presidência.

Saldo positivo chega a US$ 21,2 bilhões no acumulado do ano

Entre janeiro e setembro de 2026, o superávit comercial da Argentina atingiu US$ 21,2 bilhões, sustentado por exportações de US$ 77 bilhões.

Os segmentos de combustíveis e energia, produtos primários e manufaturados de origem agropecuária responderam, em conjunto, por 73% das vendas externas realizadas no período.

Os números indicam a possibilidade de o país alcançar um recorde anual no saldo comercial. Até setembro, o superávit acumulado já correspondia ao dobro do resultado registrado durante todo o ano de 2025.

De acordo com estimativas do centro de estudos econômicos Fundación Capital, as exportações argentinas podem ultrapassar US$ 100 bilhões até o encerramento de 2026.

Indústria argentina enfrenta dificuldades apesar do avanço comercial

Apesar do forte desempenho do comércio exterior, a expansão das exportações ainda não se reflete de maneira uniforme na economia doméstica.

A indústria manufatureira argentina registrou retração de 2,7% nos primeiros oito meses de 2026, em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior, segundo dados oficiais.

Além disso, as projeções de crescimento econômico do país foram revisadas significativamente para baixo nas últimas semanas. A deterioração das expectativas levantou a possibilidade de que a economia tenha entrado em recessão no terceiro trimestre.

O contraste entre o avanço das vendas externas e a fraqueza de parte da atividade produtiva evidencia um dos principais desafios econômicos da Argentina: transformar o desempenho comercial em crescimento mais amplo e sustentável.

FONTE: Buenos Aires Herald
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Buenos Aires Herald

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Comércio Internacional

Estreito de Ormuz pode perder relevância com novas rotas logísticas no Golfo Pérsico

Investimentos em infraestrutura energética e rotas alternativas de transporte podem reduzir a dependência global do Estreito de Ormuz nos próximos cinco anos. A avaliação é de Georges Elhedery, CEO do HSBC, que aponta a expansão de dutos e o acesso a outros portos como estratégias para diminuir os impactos de conflitos no Oriente Médio sobre o comércio internacional.

A declaração foi feita durante o HSBC Future Forum, realizado em Dubai. Segundo o executivo, a crise envolvendo o Irã evidenciou a vulnerabilidade das cadeias globais de abastecimento diante de possíveis interrupções em corredores marítimos estratégicos.

Novas rotas buscam reduzir dependência de Ormuz

O Estreito de Ormuz é uma das principais passagens para o transporte mundial de energia. Antes da intensificação do conflito, a rota concentrava cerca de um quinto do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito.

Diante dos riscos à navegação, países do Golfo Pérsico estão direcionando recursos para alternativas logísticas, incluindo a construção de dutos que permitam transportar petróleo e outros produtos energéticos até portos fora da região mais vulnerável.

Para Elhedery, essas iniciativas podem transformar a dinâmica do transporte de energia e reduzir a importância estratégica do estreito. O executivo avalia que, em cinco anos, a passagem poderá se tornar menos necessária para parte das operações comerciais.

Apesar das incertezas, o CEO do HSBC considera que o Oriente Médio tem condições de superar os efeitos da guerra e retomar sua trajetória de crescimento, desde que mantenha os investimentos em infraestrutura.

Região planeja US$ 1,4 trilhão em infraestrutura

O potencial de expansão logística é reforçado pelos projetos previstos para o Oriente Médio, o Norte da África e a Turquia. Segundo relatório do HSBC, essas regiões reúnem um portfólio de infraestrutura de US$ 1,4 trilhão, incluindo US$ 872 bilhões em projetos individuais ainda em fase de oferta ou planejamento para contratação.

Os dados citados pelo banco são da MEED, plataforma especializada em inteligência de mercado para o setor de construção, sediada em Dubai.

Uma pesquisa realizada pelo HSBC com mais de 1.600 líderes empresariais e aproximadamente 820 investidores institucionais internacionais também indicou que o Golfo Pérsico continua sendo considerado um destino atrativo para investimentos.

Mesmo com as perspectivas de expansão no longo prazo, o cenário econômico regional permanece desafiador. Após crescer 3,3% em 2025, a região do Oriente Médio, Norte da África e Paquistão deverá registrar contração de 1,3% em 2026, segundo projeção do Banco Mundial citada na reportagem. A expectativa é de recuperação em 2027, embora em ritmos diferentes entre os países.

As tensões geopolíticas também afetaram o calendário de eventos econômicos. A principal conferência de investimentos da Arábia Saudita, que contaria com a participação de representantes do mercado financeiro internacional, foi adiada para 2027, conforme as informações divulgadas na ocasião.

A diversificação das rotas de transporte surge como uma estratégia para ampliar a segurança energética e reduzir a exposição do comércio internacional a conflitos regionais. Caso os investimentos avancem, a construção de novos dutos e a ampliação da infraestrutura portuária poderão modificar os fluxos de petróleo e gás no Golfo Pérsico.

A possível redução da dependência do Estreito de Ormuz, porém, dependerá da execução dos projetos e da capacidade das novas rotas de atender à demanda internacional.

Fonte: Terra, com informações da Reuters.

Texto: Redação

Imagem: ReConecta News / Google Earth

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Comércio Internacional, Economia

Balança comercial brasileira registra superávit de US$ 2,66 bilhões na terceira semana de outubro

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,661 bilhões na terceira semana de outubro de 2026. O resultado, divulgado na segunda-feira (19) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), foi resultado de US$ 8,232 bilhões em exportações e US$ 5,572 bilhões em importações.

Com o desempenho semanal, o saldo positivo da balança comercial alcançou US$ 5,959 bilhões no acumulado de outubro. As vendas brasileiras ao mercado internacional totalizaram US$ 21,038 bilhões, enquanto as compras do exterior somaram US$ 15,079 bilhões.

Exportações brasileiras crescem 33,5% na comparação anual

Até a terceira semana de outubro, as exportações brasileiras avançaram 33,5% em relação ao mesmo período de 2025. O crescimento foi observado nos três grandes setores da economia.

A indústria extrativa apresentou a maior expansão percentual, com alta de 70,7% e exportações de US$ 6,40 bilhões. Na agropecuária, as vendas externas cresceram 21%, alcançando US$ 4,09 bilhões. Já a indústria de transformação registrou aumento de 20,9%, com US$ 10,32 bilhões em exportações no período analisado. Os números indicam avanço das vendas internacionais de produtos brasileiros, com destaque para o desempenho da indústria extrativa.

Importações também apresentam alta em outubro

No mesmo intervalo, as importações brasileiras cresceram 21,5% em comparação com a terceira semana de outubro de 2025. A indústria de transformação concentrou o maior volume de compras externas, com US$ 13,89 bilhões, o equivalente a um aumento de 20,2%. A agropecuária registrou crescimento de 23,3%, com importações de US$ 30 milhões, enquanto a indústria extrativa avançou 47,9%, totalizando US$ 79 milhões.

Mesmo com a expansão das compras internacionais, o volume de exportações permaneceu superior ao de importações, contribuindo para a manutenção do saldo comercial positivo.

Superávit da balança comercial chega a US$ 68,35 bilhões em 2026

No acumulado de janeiro até a terceira semana de outubro, o superávit da balança comercial brasileira atingiu US$ 68,355 bilhões. O valor representa crescimento de 36,8% em relação ao mesmo período de 2025, quando o saldo positivo foi de US$ 52,985 bilhões.

Para o fechamento de 2026, o MDIC projeta um superávit comercial de US$ 84,4 bilhões, resultado 24% superior ao registrado em 2025. A estimativa foi revisada no início de outubro. A previsão anterior indicava um saldo positivo de US$ 90 bilhões, sinalizando uma redução na expectativa oficial para o resultado anual.

Os dados reforçam o desempenho positivo do comércio exterior brasileiro em 2026, impulsionado pelo crescimento das exportações e pela manutenção de um saldo favorável nas trocas comerciais com outros países.

Fonte: Canal Rural, com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).

Texto: Redação

Imagem: Arquivo ReConecta News / Cláudio Neves / Portos do Paraná

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Comércio Internacional

China exporta frango mais barato e aumenta concorrência com o Brasil no mercado global

A entrada de frango chinês a preços até 20% menores está intensificando a disputa pelo mercado internacional de carne de aves e pressionando a posição competitiva do Brasil. A China, tradicionalmente uma das principais parceiras comerciais do agronegócio brasileiro, passou a direcionar parte de sua produção excedente para exportação, ampliando a concorrência em destinos historicamente atendidos pelos produtores nacionais.

O movimento está relacionado a mudanças no consumo interno chinês e à estratégia do país de fortalecer sua segurança alimentar. Com maior presença no comércio internacional de proteínas, o gigante asiático assume um papel mais direto na disputa por compradores e exige que as agroindústrias brasileiras reforcem sua competitividade.

Brasil busca novos mercados para ampliar exportações agrícolas

Diante das mudanças no comércio global de carnes, o governo brasileiro intensifica os esforços para diversificar os destinos das exportações do agronegócio. A estratégia busca reduzir a dependência de mercados específicos e ampliar as alternativas para o escoamento da produção nacional.

O Ministério da Agricultura anunciou a abertura de novos mercados para produtos agropecuários brasileiros no Kuwait, na Nicarágua, na Síria e em Bangladesh.

Os acordos ampliam as oportunidades comerciais em regiões do Oriente Médio e da América Central, com possibilidade de inclusão de proteínas animais, conforme as condições estabelecidas em cada negociação bilateral.

A diversificação dos destinos é considerada estratégica para diminuir a exposição a mudanças na demanda internacional, à concorrência de outros fornecedores e a eventuais restrições comerciais.

Recuperações judiciais no agronegócio caem 20,7%

Apesar das pressões no comércio exterior, os indicadores financeiros do setor agropecuário brasileiro apresentam sinais de melhora. Dados da Serasa Experian apontam que o agronegócio registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026.

O volume representa uma redução de 20,7% em comparação com o mesmo período de 2025. Segundo o levantamento, foi a primeira queda para um segundo trimestre desde 2022.

O resultado sugere uma possível melhora nas condições financeiras de parte das empresas do setor, embora a sustentabilidade dessa recuperação dependa de fatores como custos de produção, crédito, preços das commodities e desempenho das exportações.

Agronegócio brasileiro alcança recorde de empregos

O mercado de trabalho também apresenta números positivos. No segundo trimestre de 2026, o agronegócio brasileiro alcançou a marca recorde de 28,4 milhões de pessoas ocupadas.

O contingente corresponde a aproximadamente 26% do total de trabalhadores do país, de acordo com boletim elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Os dados reforçam a importância do setor para a geração de empregos e para a economia nacional, mesmo em um cenário de mudanças na dinâmica do comércio internacional.

A manutenção desse desempenho, contudo, dependerá da capacidade das empresas de preservar sua saúde financeira e enfrentar a concorrência externa sem comprometer investimentos e postos de trabalho.

Sustentabilidade ganha importância no comércio internacional

Além da competitividade comercial e da estabilidade financeira, as práticas de sustentabilidade e ESG — sigla que reúne critérios ambientais, sociais e de governança — ganham espaço nas estratégias do agronegócio.

A adoção de padrões socioambientais e a valorização de iniciativas sustentáveis podem contribuir para fortalecer a imagem dos produtos brasileiros diante de compradores internacionais cada vez mais atentos à origem e aos processos de produção.

Nesse contexto, pescadoras brasileiras receberam reconhecimento como heroínas em uma premiação promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa destacou trajetórias relacionadas à segurança alimentar e à preservação ambiental.

O reconhecimento amplia a visibilidade de iniciativas brasileiras ligadas à sustentabilidade e pode contribuir para valorizar a imagem do país no cenário internacional.

Competitividade será decisiva para o futuro das exportações brasileiras

A combinação entre a expansão das exportações chinesas de frango, a abertura de novos mercados e os indicadores internos do agronegócio evidencia um cenário de oportunidades e desafios para o Brasil.

A redução dos pedidos de recuperação judicial e o recorde de ocupação mostram sinais positivos para a estrutura produtiva nacional. Por outro lado, a concorrência internacional exige ganhos de eficiência, controle de custos e maior capacidade de adaptação às mudanças na demanda.

Nesse ambiente, a diversificação dos destinos comerciais será fundamental para reduzir riscos e ampliar o alcance das empresas brasileiras. A capacidade de combinar competitividade, sustentabilidade e acesso a novos mercados deverá influenciar o desempenho do agronegócio nos próximos anos.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

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Comércio Internacional

União Europeia prepara novas restrições às importações da China, afirma Ursula von der Leyen

A União Europeia (UE) pretende ampliar as medidas de proteção comercial contra produtos chineses, com novas restrições às importações que vão além das salvaguardas negociadas recentemente com Pequim. O anúncio foi feito na sexta-feira (16) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, após uma cúpula de líderes do bloco.

Segundo a dirigente, o acordo firmado com a China para reduzir pela metade as importações de carros híbridos chineses não será suficiente para corrigir os desequilíbrios estruturais do comércio entre as duas economias.

O déficit comercial europeu na troca de bens com a China supera 1 bilhão de euros por dia, conforme os números apresentados por von der Leyen. Para ela, o cenário exige novas iniciativas de proteção à indústria europeia.

UE avalia novas medidas de proteção à indústria europeia

Von der Leyen afirmou que a Comissão Europeia pretende atender às demandas dos setores industriais por mecanismos adicionais de defesa comercial. A proposta inclui novas medidas de salvaguarda para enfrentar os efeitos da concorrência internacional sobre as empresas do bloco.

A presidente também declarou que a iniciativa conta com apoio expressivo dos líderes europeus, indicando uma disposição política para avançar com instrumentos que protejam a economia regional.

O objetivo é reduzir vulnerabilidades comerciais e responder aos desequilíbrios que, na avaliação da Comissão, afetam a competitividade das empresas europeias diante dos fornecedores chineses.

França defende proteção para produtos químicos e ferroligas

Após a reunião de cúpula, o presidente francês, Emmanuel Macron, defendeu que as ações europeias priorizem setores considerados estratégicos, como produtos químicos, plásticos e ferroligas.

A manifestação reforça a preocupação de governos europeus com os impactos da concorrência externa sobre segmentos industriais relevantes para a economia do continente.

As discussões também envolvem a necessidade de criar mecanismos capazes de responder com rapidez a práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses da União Europeia.

Proposta franco-alemã prevê reação rápida a pressões externas

A presidente da Comissão Europeia recebeu favoravelmente um documento apresentado por França e Alemanha no mês anterior. A proposta defende o fortalecimento da economia europeia por meio de um mecanismo que permita reagir rapidamente a países cujas ações prejudiquem os interesses do bloco.

Nesse contexto, a Comissão pretende desenvolver um instrumento de defesa econômica que possibilite restringir o acesso ao mercado único europeu quando a medida for considerada necessária.

A iniciativa busca ampliar a capacidade de resposta da UE diante de pressões comerciais e outras ações externas que possam comprometer seus setores produtivos.

Comissão Europeia prepara medidas contra dependência de fornecedores

Outra frente de atuação envolve a redução da dependência das empresas europeias em relação a fornecedores únicos de determinados insumos essenciais.

De acordo com von der Leyen, a Comissão Europeia deverá apresentar em dezembro uma proposta para criar um novo instrumento voltado à diversificação do abastecimento de insumos críticos.

A medida pretende diminuir riscos associados à concentração de fornecedores e fortalecer a segurança das cadeias produtivas europeias, especialmente em setores expostos a interrupções no comércio internacional.

UE também quer mecanismo contra retaliações econômicas

Além das restrições comerciais e das medidas para diversificar fornecedores, a Comissão Europeia pretende propor um mecanismo de solidariedade destinado a apoiar países e setores atingidos por coerção econômica ou retaliações de agentes externos ao bloco.

A proposta busca coordenar uma resposta coletiva quando um Estado-membro ou segmento econômico sofrer pressões que possam afetar suas atividades comerciais.

As iniciativas fazem parte de um esforço mais amplo da União Europeia para fortalecer sua autonomia econômica, proteger a indústria regional e ampliar sua capacidade de reação diante das tensões comerciais com a China e outros parceiros internacionais.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: AP/Omar Havana

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Comércio Internacional

China amplia importação de miúdos suínos brasileiros, com potencial de mais de 100 mil toneladas por ano

A China ampliou a lista de miúdos e subprodutos suínos brasileiros autorizados para importação, abrindo novas oportunidades para a indústria nacional de proteína animal. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a mudança pode viabilizar o envio de mais de 100 mil toneladas desses produtos por ano ao mercado chinês e gerar uma receita adicional superior a US$ 100 milhões para o setor.

A novidade ganhou destaque internacional na terça-feira (13/10), em reportagem da publicação holandesa Pig Progress, que repercutiu a ampliação do acesso dos produtos brasileiros ao mercado asiático.

A medida decorre da atualização do protocolo sanitário bilateral, assinada em 26 de setembro pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e pelo embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao.

Novo acordo amplia a lista de produtos suínos exportados à China

Com a revisão do protocolo, o Brasil poderá exportar uma variedade maior de partes e subprodutos de suínos para a China. Entre os itens autorizados estão órgãos internos, como fígado, rins e estômago, além de pele, cartilagem, coração, diafragma e ossos.

A ampliação permite aproveitar melhor diferentes partes dos animais abatidos, agregando valor à produção e diversificando as receitas da indústria brasileira de carne suína.

Para a ABPA, a medida também representa uma oportunidade de fortalecer a presença do Brasil em um dos mercados mais relevantes para o comércio internacional de produtos suínos.

Santa Catarina e Rio Grande do Sul concentram potencial de exportação

Os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul aparecem entre os principais beneficiados pela abertura comercial, considerando a capacidade produtiva e as estimativas de demanda pelos novos produtos autorizados.

Em Santa Catarina, que já podia exportar alguns miúdos externos, como pés, orelhas e rabos, a estimativa da ABPA aponta potencial de 65,9 mil toneladas anuais de miúdos internos destinados à China.

No Rio Grande do Sul, o volume potencial supera 40 mil toneladas por ano. O estado também apresenta oportunidades relacionadas à exportação de carne suína com osso.

A ampliação do mercado pode favorecer frigoríficos e outros elos da cadeia produtiva, criando alternativas comerciais para produtos que antes tinham acesso mais restrito ao mercado chinês.

Frigoríficos precisam cumprir exigências sanitárias

Apesar da atualização do protocolo, a autorização para exportar os novos itens não ocorre automaticamente para todas as empresas.

Os frigoríficos brasileiros que já possuem habilitação para vender carne suína à China poderão solicitar a inclusão dos produtos adicionais em seu escopo de exportação. Para isso, deverão atender aos procedimentos e requisitos sanitários estabelecidos entre os dois países.

O cumprimento dessas exigências é necessário para garantir que os estabelecimentos estejam autorizados a comercializar as novas categorias de produtos no mercado asiático.

China é mercado estratégico para a carne suína brasileira

A China importa aproximadamente US$ 2,5 bilhões em miúdos suínos por ano. Esses produtos fazem parte da culinária tradicional do país, o que contribui para a existência de uma demanda relevante por diferentes partes do animal.

A relação comercial entre os dois países já apresenta números expressivos. Conforme dados da ABPA, o Brasil embarcou 2,7 milhões de toneladas de produtos suínos para o mercado chinês entre 2013 e 2024.

Para o presidente da entidade, Ricardo Santin, a ampliação do acesso contribui para melhorar o aproveitamento da produção brasileira, agregar valor aos produtos e abrir novas possibilidades de negócios para toda a cadeia da proteína animal.

Com a inclusão dos novos itens, o setor espera ampliar as receitas, diversificar as exportações e aproveitar melhor o potencial do mercado chinês.

FONTE: Agrimídia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agrimídia

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Comércio Internacional

França e Alemanha propõem novo mecanismo de resposta comercial da União Europeia

França e Alemanha defendem a criação de um novo instrumento para ampliar a capacidade de reação da União Europeia (UE) diante de medidas comerciais que possam causar prejuízos econômicos ao bloco.

A proposta surge em um cenário de crescente uso do comércio internacional como instrumento de pressão econômica, no qual tarifas, restrições e controles de exportação passaram a ocupar espaço relevante nas disputas entre grandes economias.

Novo instrumento de defesa comercial

A ideia apresentada pelos dois países é criar uma medida que possa ser acionada com rapidez caso outro país adote políticas consideradas prejudiciais aos interesses econômicos europeus.

Segundo as autoridades envolvidas, o mecanismo não seria direcionado previamente contra nenhuma nação específica. O objetivo seria dotar a UE de uma ferramenta capaz de responder de forma mais ágil a eventuais medidas comerciais adotadas por parceiros ou concorrentes.

A discussão ocorre em meio à busca europeia por instrumentos de defesa comercial que permitam ao bloco reagir a pressões externas sem depender exclusivamente dos mecanismos já existentes.

Europa busca instrumentos semelhantes aos de EUA e China

Representantes do governo alemão argumentam que a União Europeia precisa contar com uma ferramenta de resposta com capacidade comparável a mecanismos utilizados por outras grandes potências econômicas.

Entre os exemplos citados estão as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos com base na Seção 301, além das restrições chinesas às exportações de minerais essenciais.

Para os defensores da proposta, contar com um instrumento de reação rápida poderia ampliar o poder de negociação do bloco em futuras disputas comerciais.

A iniciativa também reflete uma mudança no ambiente do comércio global, marcado por medidas protecionistas, restrições a produtos estratégicos e maior utilização da política comercial como instrumento de influência econômica.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CNN

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Comércio Internacional

Novas regras cambiais podem reduzir custos e ampliar uso do renminbi entre Brasil e China

As novas regras para contas em moeda estrangeira no Brasil, que entram em vigor hoje, 1º de outubro, podem diminuir custos operacionais, ampliar a autonomia financeira das empresas e estimular o uso do renminbi (RMB) nas operações comerciais entre Brasil e China.

A avaliação foi apresentada por representantes dos setores financeiro, empresarial e jurídico durante webinar realizado nesta terça-feira pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) em parceria com o ICBC Brasil, braço brasileiro do Industrial and Commercial Bank of China.

Nova regulamentação amplia possibilidades para empresas

A Resolução nº 575 do Banco Central ampliou o grupo de empresas autorizadas a manter contas em moeda estrangeira no país. Entre as categorias contempladas estão exportadores, companhias com dívidas no exterior e empresas que possuem capital estrangeiro.

Para o presidente do ICBC Brasil, Liu Hongbo, a mudança pode gerar três efeitos principais: redução dos custos de conversão de moedas, maior capacidade de administrar o risco cambial e mais eficiência na gestão dos recursos financeiros.

Segundo o executivo, a medida também pode favorecer o uso das moedas dos dois países nas operações comerciais.

Um exportador brasileiro, por exemplo, poderá receber pagamentos em renminbi e utilizar diretamente esses recursos para quitar compras realizadas de fornecedores chineses.

“Acredito que o uso de ambas as moedas em transações crescerá consideravelmente”, disse Liu.

Empresas podem reduzir conversões entre real, dólar e RMB

O diretor financeiro da Timbro, Danilo Moura, destacou que a possibilidade de manter recursos em moeda estrangeira pode representar economia para companhias que realizam operações frequentes entre Brasil e China.

Atualmente, determinadas transações podem envolver conversões entre real, dólar e renminbi, aumentando os custos financeiros. Com a nova estrutura, empresas que tenham receitas e despesas na mesma moeda estrangeira poderão fazer uma compensação mais direta.

Na avaliação de Moura, isso ajuda a reduzir o spread cambial e a exposição às oscilações das moedas.

O executivo também apontou que a nova regulamentação pode trazer mais previsibilidade, flexibilidade e centralização para a administração financeira das companhias.

Renminbi pode ganhar espaço nas transações comerciais

Outro possível efeito da mudança é o aumento do uso do renminbi nas relações comerciais Brasil-China.

Para Moura, a possibilidade de realizar pagamentos diretamente em moeda chinesa pode facilitar negociações com fornecedores da China, inclusive empresas de menor porte.

Essa alternativa também pode contribuir para a busca de condições comerciais mais favoráveis.

Apesar do potencial, o diretor financeiro ponderou que o mercado de câmbio do RMB ainda apresenta limitações em termos de liquidez e profundidade.

“Na Timbro, não consigo imaginar o RMB substituindo o dólar em 100%, mas sim operando em paralelo, complementando-o”, afirmou.

Mudanças também podem afetar investimentos

As novas regras não devem produzir efeitos apenas sobre o comércio bilateral. Segundo Allan Mota, tesoureiro da COFCO para Brasil e Colômbia, a possibilidade de manter e movimentar recursos em moeda estrangeira no país também pode influenciar decisões de investimento.

A COFCO é uma holding chinesa estatal voltada ao processamento de alimentos.

De acordo com Mota, uma gestão mais flexível de diferentes moedas pode ajudar a reduzir desequilíbrios cambiais em projetos de longo prazo e interferir na forma como as companhias estruturam seus financiamentos.

“Gerenciar diferentes moedas impacta não apenas nossas operações comerciais, mas também a forma como avaliamos os investimentos aqui no Brasil e como estruturamos o financiamento em geral”, declarou.

Entre os exemplos citados estão projetos de infraestrutura de armazenamento, logística e processamento, que podem apresentar exposição cambial diferente daquela observada em operações comerciais convencionais.

Real e renminbi podem ter participação maior

Mota também avalia que existe espaço para aumentar o uso direto do real e do renminbi à medida que os vínculos econômicos entre os dois países se aprofundam.

“Há um espaço significativo para expandir o uso tanto do real quanto do RMB aqui no Brasil, especialmente à medida que os dois países aprofundam suas relações comerciais e financeiras”, afirmou.

Na avaliação do executivo, uma maior liquidez e a oferta de novos produtos financeiros podem diminuir etapas intermediárias das operações e melhorar a eficiência dos fluxos de recursos.

O financiamento em renminbi também pode contribuir para reduzir custos e ampliar a liquidez disponível para as empresas.

Regras podem estimular novos serviços financeiros

Do ponto de vista jurídico, José Luiz Homem de Mello, sócio do Pinheiro Neto Advogados, explicou que a regulamentação alcança situações envolvendo exportação de mercadorias, captação de recursos no exterior e investimento estrangeiro direto.

O advogado ressaltou, entretanto, que a empresa precisa ter uma relação com o Brasil por meio de uma dessas operações para utilizar as contas em moeda estrangeira previstas nas novas regras.

A mudança também pode abrir espaço para o desenvolvimento de novos produtos bancários, além de soluções voltadas à administração de tesouraria.

No relacionamento financeiro com a China, a possibilidade de manter uma conta em RMB no Brasil e receber recursos de empréstimos nessa moeda pode facilitar o gerenciamento do caixa.

“Essa possibilidade de manter uma conta em renminbi no Brasil, receber esses empréstimos e manter essas posições auxilia na gestão e no gerenciamento de caixa”, afirmou Homem de Mello.

Brasil e China ampliam integração financeira

Na abertura do evento, o presidente do CEBC, embaixador Luiz Augusto de Castro Neves, destacou que o crescimento das relações econômicas entre Brasil e China aumenta a demanda por mecanismos financeiros capazes de dar suporte ao comércio bilateral.

Nesse contexto, as novas regras cambiais criam alternativas para que empresas brasileiras e chinesas administrem recursos em moedas estrangeiras dentro do Brasil.

Além da possibilidade de reduzir custos e simplificar determinadas operações, a regulamentação pode contribuir para ampliar o uso do real e do renminbi em transações comerciais e investimentos, acompanhando o aprofundamento das relações econômicas entre os dois países.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Portal da Indústria

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