Comércio Internacional

Exportação de açúcar da Índia avança com queda de preços internos e desvalorização da rupia

Os acordos de exportação de açúcar da Índia começaram a ganhar tração nas últimas semanas, impulsionados pela queda dos preços domésticos e pela desvalorização da rupia. Usinas indianas já fecharam contratos para cerca de 180 mil toneladas nesta temporada, segundo fontes do comércio e da indústria.

Em novembro, o governo indiano autorizou a exportação de 1,5 milhão de toneladas de açúcar da safra atual, iniciada em 1º de outubro. No entanto, os preços elevados no mercado interno limitaram o avanço das vendas externas nos primeiros meses.

Ritmo lento da Índia sustenta preços globais

A lentidão nas exportações do país, que é o segundo maior produtor mundial de açúcar, contribui para dar suporte aos preços internacionais, atualmente próximos das mínimas registradas em cinco anos.

Até o momento, as usinas firmaram contratos para embarques destinados a Afeganistão, Sri Lanka e países da África Oriental, de acordo com cinco negociantes ouvidos. As fontes pediram anonimato por não terem autorização para comentar publicamente.

Pressão financeira leva usinas a exportar

Apesar da margem ainda apertada, algumas usinas decidiram avançar com as exportações. “Normalmente, os melhores preços vinham do mercado externo, mas desta vez o incentivo é limitado. Mesmo assim, algumas usinas precisam gerar caixa para pagar os agricultores pela cana”, afirmou um operador de uma trading global em Mumbai.

Produção maior derruba preços no mercado interno

A produção abundante de açúcar na nova temporada começou a pressionar os preços locais. Após se manterem acima das referências globais, os valores recuaram cerca de 6% nos últimos três meses, para 36.125 rúpias por tonelada (aproximadamente US$ 401).

Entre outubro e dezembro, a produção indiana somou 11,9 milhões de toneladas, crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Competitividade ainda limitada no mercado internacional

No mercado externo, o açúcar indiano está sendo ofertado em torno de US$ 450 por tonelada FOB, cerca de US$ 20 acima do preço de referência dos contratos futuros em Londres, segundo negociantes.

“A pressão da oferta reduziu os preços internos. As exportações ainda não são altamente lucrativas, mas deixaram de gerar prejuízo, como ocorreu no mês passado”, avaliou BB Thombare, presidente da West Indian Sugar Mills Association.

Janela curta para exportações antes do Brasil

Especialistas alertam que a Índia dispõe de uma janela limitada de exportação, concentrada entre janeiro e março. A partir de abril, a expectativa é de que o aumento dos embarques do Brasil, maior produtor global, pressione ainda mais os preços internacionais.

FONTE: Forbes Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Forbes Brasil

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Comércio Internacional

CMA CGM lança serviço KEA e fortalece rota direta entre a Costa Leste dos EUA e a Oceania

A CMA CGM anunciou o lançamento do serviço KEA, nova rota marítima que amplia a conexão direta entre a Costa Leste dos Estados Unidos e a Oceania. A iniciativa reforça a presença da armadora em um dos corredores mais relevantes do comércio internacional e complementa o serviço RTW PAD, consolidando a companhia como a única a oferecer duas saídas semanais nesse eixo logístico.

Nova rota amplia integração logística

No sentido sul, o serviço KEA parte da Costa Leste norte-americana com escalas nos portos de Nova York, Filadélfia, Savannah e Charleston. A configuração fortalece a integração entre importantes centros econômicos dos Estados Unidos e os mercados da Oceania, além de incluir uma escala de importação em Tauranga, um dos principais hubs portuários da Nova Zelândia.

Escalas estratégicas no retorno

No trajeto de retorno ao norte, o serviço contempla escalas em Port Chalmers, também na Nova Zelândia, e em Charleston, ampliando as alternativas logísticas para exportadores e importadores. O itinerário ainda passa por portos estratégicos como Balboa, no Panamá, Cartagena, na Colômbia, Manzanillo, no México, além de Sydney e Melbourne, na Austrália.

Mais previsibilidade e cobertura global

Com a entrada em operação do KEA, a CMA CGM amplia sua cobertura global e oferece maior previsibilidade operacional aos clientes. O serviço atende à crescente demanda por rotas diretas, menor transit time e maior confiabilidade nas cadeias logísticas internacionais. A combinação entre KEA e RTW PAD posiciona a armadora em um patamar diferenciado no comércio entre as Américas e a Oceania.

Estratégia de longo curso

A nova rota está alinhada à estratégia da CMA CGM de investir em soluções logísticas integradas, fortalecendo sua atuação em rotas de longo curso e consolidando sua posição entre os principais armadores globais.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/CMA CGM

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Comércio Internacional

Exportações do Uruguai batem recorde em uma década e reforçam perfil exportador do país

As exportações do Uruguai alcançaram, em 2025, o maior valor dos últimos dez anos, consolidando a vocação exportadora da economia. As vendas externas de bens somaram US$ 13,493 bilhões, um crescimento de 5% em relação a 2024, segundo o Informe Anual de Comércio Exterior 2025, elaborado pela área de Inteligência Competitiva da Uruguay XXI. O resultado foi impulsionado, sobretudo, pelo desempenho da agroindústria, favorecida pela recuperação dos preços internacionais e pelo aumento da demanda dos principais mercados parceiros.

Carne bovina lidera avanço das exportações uruguaias

A carne bovina foi o principal destaque do ano e o maior motor do crescimento exportador. Em 2025, o produto atingiu US$ 2,68 bilhões em vendas, o maior valor já registrado, com alta de 33% na comparação anual. O avanço refletiu tanto o aumento de 19% nos preços médios quanto a expansão dos volumes embarcados, que chegaram a 390 mil toneladas.

Os Estados Unidos, China e União Europeia responderam por 82% das exportações de carne, com crescimento conjunto de 38%, impulsionado por menor oferta local nesses mercados e manutenção da demanda per capita.

Desempenho mensal mantém trajetória positiva

Ao longo de 2025, as exportações de bens cresceram em quase todos os meses, com exceção de fevereiro e outubro. Dezembro registrou o maior volume do ano, com US$ 1,1 bilhão em solicitações de exportação, avanço de 17% em relação ao mesmo mês de 2024. Nesse período, a carne voltou a liderar, seguida por celulose, além de avanços em lácteos, concentrado de bebidas e colza.

Ranking dos principais produtos exportados

No ranking anual, a carne bovina respondeu por 20% do total exportado, seguida pela celulose (17%) e pela soja (11%).

Apesar de permanecer entre os principais itens, a celulose registrou queda de 9% no valor exportado, totalizando US$ 2,307 bilhões, reflexo da redução dos preços internacionais, mesmo com aumento nos volumes. A China seguiu como principal destino, enquanto a União Europeia apresentou a maior retração.

Soja recupera espaço e amplia mercados

A soja voltou a ganhar relevância em 2025 e se consolidou como o terceiro produto mais exportado. As vendas alcançaram US$ 1,42 bilhão, crescimento de 18%, impulsionado por uma forte alta de 29% nos volumes, apesar da queda dos preços globais. A China concentrou 86% das exportações, e novos destinos, como Argélia, Reino Unido e Nigéria, contribuíram para maior diversificação geográfica.

Lácteos crescem e ampliam presença internacional

As exportações de produtos lácteos somaram US$ 928 milhões, com avanço de 14%, sustentado por melhores preços e aumento moderado dos embarques. Argélia e Brasil concentraram mais de dois terços das vendas, e os produtos uruguaios chegaram a mais de 80 mercados, reforçando a inserção internacional do setor.

Concentrado de bebidas e outros destaques

O concentrado de bebidas totalizou US$ 753 milhões, com leve retração de 5%, associada à redução dos volumes exportados. Guatemala, México e Brasil permaneceram como principais destinos, reforçando o papel do país como plataforma regional de produção.

Entre outros segmentos, chamaram atenção o ganado em pé, com crescimento de 28% e exportações de US$ 382 milhões, e os produtos farmacêuticos, que avançaram 15%, somando US$ 365 milhões, ajudando a compensar quedas em setores como o automotivo.

China lidera destinos das exportações do Uruguai

No recorte por mercados, a China manteve a liderança como principal destino das exportações uruguaias, com compras de US$ 3,493 bilhões, equivalentes a 26% do total. O Brasil ficou em segundo lugar, mas com queda de 15%, influenciada pela redução nas vendas de veículos e arroz. A União Europeia ocupou a terceira posição, com leve alta, impulsionada pela recuperação da carne, enquanto os Estados Unidos se consolidaram como quarto destino, com crescimento próximo de 30%.

Estrutura exportadora e geração de empregos

O relatório também analisa o núcleo exportador de bens, composto por cerca de 1.000 empresas, responsáveis por 99% do valor exportado e aproximadamente 58 mil empregos diretos. As grandes empresas responderam por 95% das exportações, enquanto as mipymes, embora representem 83% das firmas, tiveram participação menor em valor. Por atividade, o setor pecuário liderou, seguido pelo florestal, agrícola e de alimentos e bebidas.

Serviços ganham peso na pauta exportadora

Além dos bens, o Informe Anual de Comércio Exterior 2025 destaca o avanço das exportações de serviços. No acumulado até setembro de 2025, o setor alcançou US$ 7,325 bilhões, com crescimento de 2%, impulsionado pelo turismo e pelos serviços globais, que se consolidam como um dos pilares da diversificação e inserção internacional do Uruguai.

FONTE: Uruguay XXI
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Uruguay XXI

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Comércio Internacional

México impõe tarifas a importações de China, Brasil e outros países

Entraram em vigor nesta quinta-feira (1º) as tarifas impostas pelo México sobre importações de diversos produtos originários da China, do Brasil e de outros países que não possuem acordo comercial com o país. A medida atinge diferentes segmentos da indústria e já provoca repercussões no comércio internacional.

Medida foi aprovada após cenário de tensão comercial

As tarifas foram aprovadas pelo Congresso mexicano em dezembro, ao fim de um ano marcado pela intensificação da guerra comercial liderada pelos Estados Unidos, sob o governo do presidente Donald Trump. Analistas avaliam que a decisão do México sinaliza um alinhamento estratégico com os EUA, seu principal parceiro comercial, em meio às discussões para a revisão do Tratado México–Estados Unidos–Canadá (T-MEC).

Setores atingidos incluem calçados, têxtil e automotivo

A nova política tarifária incide sobre produtos de setores como calçados, automotivo, têxtil e brinquedos, áreas que concentram elevado volume de importações chinesas. Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 15% das exportações brasileiras destinadas ao México podem ser impactadas pela medida.

Governo mexicano cita proteção ao emprego

De acordo com o Ministério da Economia do México, o objetivo central das tarifas é proteger aproximadamente 350 mil empregos e estimular a reindustrialização do país. O governo afirma que a iniciativa busca fortalecer a produção nacional diante da concorrência externa.

Reações de China e Brasil

Após a aprovação das tarifas, um porta-voz do Ministério do Comércio da China declarou que Pequim espera que o México “corrija essa prática equivocada de unilateralismo e protecionismo”.

O governo brasileiro também se manifestou. Em nota conjunta divulgada em 12 de dezembro, os ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informaram que o Brasil mantém diálogo com as autoridades mexicanas para avaliar os possíveis impactos das novas tarifas sobre o comércio bilateral.

Já em comunicado divulgado em 30 de dezembro, o Ministério da Economia do México afirmou que a medida “não é direcionada a nenhum país específico”.

FONTE: CartaCapital
TEXTO: Redação
IMAGEM: CARL DE SOUZA / AFP

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Comércio Internacional

China impõe salvaguardas à carne bovina: governo brasileiro acompanha impacto das medidas

O governo brasileiro informou que acompanha atentamente a decisão da China de aplicar uma medida de salvaguarda sobre as importações globais de carne bovina. A ação entra em vigor em 1º de janeiro e terá duração prevista de três anos, estabelecendo uma cota anual inicial de 1,1 milhão de toneladas para o Brasil. Volumes que ultrapassarem esse limite estarão sujeitos a uma sobretaxa de 55%.

Atuação diplomática e defesa do setor

De acordo com o governo, a atuação ocorre de forma coordenada com o setor privado. O Brasil seguirá dialogando com as autoridades chinesas tanto no âmbito bilateral quanto no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), com o objetivo de reduzir os impactos da medida e proteger os interesses dos produtores e trabalhadores da cadeia da carne bovina.

Entenda o que são as medidas de salvaguarda

As salvaguardas comerciais são instrumentos previstos nos acordos da OMC e costumam ser acionadas diante de aumentos expressivos de importações que possam causar prejuízos à indústria local. Elas não se destinam a coibir práticas desleais e são aplicadas de forma geral, abrangendo todos os países exportadores.

Importância do mercado chinês para o Brasil

Em 2024, a China respondeu por 52% das exportações brasileiras de carne bovina, consolidando-se como o principal destino do produto. O Brasil, por sua vez, lidera o fornecimento da proteína ao mercado chinês, ocupando posição estratégica no abastecimento do país asiático.

Compromisso com qualidade e segurança alimentar

Nos últimos anos, o setor pecuário brasileiro tem atuado como parceiro confiável da China, oferecendo produtos competitivos, sustentáveis e submetidos a rigorosos controles sanitários, contribuindo de forma relevante para a segurança alimentar do país.

FONTE: Ministério das Relações Exteriores
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/BandNews

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Comércio Internacional

Brasil e Caribe: uma parceria estratégica ainda pouco explorada no comércio internacional

O cenário econômico global passa por uma reorganização silenciosa, marcada pela busca por cadeias produtivas mais resilientes, redução de riscos geopolíticos e fortalecimento de polos regionais. Nesse contexto, o Caribe deixa de ser visto apenas como destino turístico e passa a ganhar relevância como espaço estratégico para integração produtiva e logística — um movimento que abre oportunidades concretas para o Brasil.

Caribe ganha protagonismo nas cadeias globais

A República Dominicana desponta como um dos principais polos de nearshoring do hemisfério ocidental. O país consolidou um modelo baseado em zonas francas modernas, com forte presença nos setores de dispositivos médicos, tecnologia, manufaturas avançadas e bens de maior valor agregado.

Esse avanço é sustentado por fatores estruturais: estabilidade macroeconômica, segurança jurídica, ambiente regulatório previsível, além de acordos comerciais que garantem acesso preferencial aos mercados dos Estados Unidos e da União Europeia. Soma-se a isso uma localização geográfica estratégica, que favorece a logística regional e intercontinental.

Potencial ainda subaproveitado na relação Brasil–Caribe

Apesar desse cenário favorável, o intercâmbio comercial entre Brasil e Caribe permanece abaixo do seu potencial. Para uma economia como a brasileira — que busca diversificação de mercados, ampliação de cadeias globais de valor e maior inserção internacional —, a região caribenha representa um vetor natural de expansão.

O Caribe pode funcionar como plataforma logística e produtiva, reduzindo custos, encurtando distâncias comerciais e facilitando o acesso a mercados estratégicos do Atlântico Norte.

Complementaridade econômica favorece integração

A relação entre Brasil e Caribe é marcada por uma clara complementaridade produtiva. O Brasil oferece exatamente os insumos e soluções que a região demanda: proteínas animais, equipamentos industriais, energias renováveis, tecnologia agrícola adaptada a climas tropicais, além de expertise em infraestrutura e engenharia.

Essa convergência cria um ambiente favorável para parcerias industriais, investimentos conjuntos e cadeias produtivas integradas, com ganhos mútuos de competitividade.

Cooperação e diálogo como motores do avanço

Para transformar potencial em resultados concretos, especialistas apontam a importância de fortalecer o diálogo empresarial, ampliar mesas público-privadas e estimular mecanismos de cooperação bilateral e regional. Mais do que identificar lacunas, o momento exige coordenação estratégica e visão de longo prazo.

Incluir o Caribe de forma estruturada na estratégia de diversificação comercial do Brasil não é uma escolha ideológica, mas uma decisão econômica racional, baseada em demanda crescente, estabilidade institucional e conectividade com grandes mercados globais.

Um passo estratégico para o futuro

A oportunidade está dada. Transformar essa convergência em política de Estado — tanto para o Brasil quanto para seus parceiros caribenhos — pode elevar a relação bilateral a um novo patamar, com impactos positivos sobre competitividade, investimentos e integração produtiva.

FONTE: Jota
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pexels

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Comércio Internacional

Argentina e Estados Unidos anunciam acordo-quadro para ampliar comércio e investimentos

A Argentina e os Estados Unidos anunciaram, em 13 de novembro de 2025, um acordo-quadro de comércio e investimentos, formalizado por meio de uma declaração conjunta. O entendimento estabelece as bases para a negociação de um acordo definitivo mais amplo, com foco na ampliação do acesso a mercados, redução de barreiras comerciais e maior segurança jurídica para investidores.

Acordo ainda é preliminar

Por se tratar de um acordo-quadro, o texto final e sua implementação ainda dependem de negociações futuras. Mesmo assim, o documento divulgado pelos dois países antecipa os principais pontos que devem integrar o acordo definitivo entre Argentina e EUA.

Acesso preferencial ao mercado americano

Entre os destaques está a previsão de acesso preferencial a produtos dos Estados Unidos, incluindo produtos farmacêuticos, químicos, máquinas, bens de tecnologia da informação e comunicação (TIC), dispositivos médicos, veículos automotores e produtos agrícolas.

Além disso, os EUA sinalizaram a eliminação de tarifas sobre determinados recursos naturais e sobre insumos não patenteados utilizados na indústria farmacêutica.

Redução de barreiras e estímulo ao comércio bilateral

O acordo também prevê a remoção de barreiras não tarifárias e da chamada taxa estatística aplicada a produtos americanos. Outro ponto relevante é a melhoria das condições para o comércio bilateral de carnes, com destaque para carne bovina, aves e carne suína.

Propriedade intelectual e combate à ilegalidade

No campo regulatório, a Argentina se compromete a promover reformas no regime de Propriedade Intelectual, além de adotar medidas mais rigorosas contra falsificação e pirataria, alinhando-se a padrões internacionais.

Compromissos assumidos pela Argentina

De acordo com a declaração conjunta, a Argentina também assumirá compromissos específicos, entre eles:

  • Proibição da importação de produtos fabricados com trabalho forçado
  • Adoção de políticas para combater o desmatamento ilegal e incentivar a sustentabilidade
  • Enfrentamento de práticas potencialmente distorcivas de empresas estatais e de subsídios industriais
  • Facilitação do comércio digital com os Estados Unidos

Cooperação contra distorções de mercado

Outro eixo do acordo-quadro envolve a cooperação bilateral para combater práticas que distorcem o mercado, reforçando a transparência e a previsibilidade nas relações econômicas entre os dois países.

Impactos estratégicos e oportunidades

Nesse contexto, o acordo entre Argentina e Estados Unidos representa um passo estratégico rumo a uma relação bilateral mais profunda. A iniciativa abre espaço para maior integração econômica, com impactos diretos para empresas, exportadores e investidores interessados nos dois mercados.

FONTE: Marval O’Farrel Mairal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Marval

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Comércio Internacional

Mercosul cobra União Europeia e alerta: prazo para acordo de livre comércio não é ilimitado

Representantes do Mercosul enviaram um recado direto à União Europeia: o bloco sul-americano está disposto a avançar na assinatura do acordo de livre comércio, mas não aceitará adiamentos indefinidos. A declaração ocorre após o anúncio do adiamento da formalização do tratado, que era esperada para a cúpula presidencial do Mercosul, diante da resistência de agricultores europeus.

Segundo o chanceler do Paraguai, Rubén Ramírez, o entendimento é de que a UE enfrenta trâmites institucionais internos, mas isso não pode se estender sem limites. “Há disposição para avançar, porém os prazos não são infinitos”, afirmou após reunião ministerial em Foz do Iguaçu.

Nova data ainda não foi confirmada oficialmente

Fontes da Comissão Europeia e diplomatas em Bruxelas indicaram que a nova previsão para assinatura do acordo seria 12 de janeiro, no Paraguai, país que assume a presidência rotativa do Mercosul. Ramírez, no entanto, afirmou que não houve comunicação formal.

De acordo com o ministro, nem ele nem o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, receberam confirmação oficial da UE sobre essa data. A informação, segundo Ramírez, circula apenas na imprensa europeia.

Negociação histórica pode criar maior área de livre comércio do mundo

O acordo Mercosul–União Europeia está em negociação há cerca de 25 anos e, se concluído, dará origem à maior área de livre comércio global. O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

Ramírez ressaltou que há vontade política para a assinatura, mas alertou que a indefinição pode levar o bloco a priorizar outros parceiros estratégicos. Entre eles estão Catar, Emirados Árabes Unidos e a ASEAN (Associação de Nações do Sudeste Asiático).

Resistência de agricultores europeus trava avanço

Produtores rurais, especialmente na França e na Itália, se posicionam contra o acordo por temerem a entrada de produtos agrícolas do Mercosul, como carne, arroz, mel e soja, considerados mais competitivos por conta de normas produtivas menos rígidas.

Apesar disso, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou recentemente acreditar que o acordo possa ser finalizado em janeiro. Um porta-voz do governo alemão reforçou a avaliação, afirmando que a discussão gira mais em torno do “quando” do que do “se” o tratado será assinado. Alemanha, Espanha e países nórdicos apoiam a conclusão do acordo.

Para a UE, o tratado ampliaria as exportações de veículos, máquinas, equipamentos, vinhos e destilados para a América do Sul.

Pressão política e cenário interno europeu

O Brasil ocupa atualmente a presidência rotativa do Mercosul. Na quinta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que recebeu um pedido de “paciência” da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, em relação à conclusão do acordo. Lula disse que levará essa solicitação aos demais líderes do bloco.

Já o chanceler argentino, Pablo Quirno, defendeu uma reavaliação da política externa do Mercosul, com foco em acordos bilaterais mais rápidos e com resultados concretos.

Embora o texto do acordo inclua cláusulas de salvaguarda para proteger o setor agrícola, fontes do governo brasileiro avaliam que, na França, a oposição extrapola critérios técnicos. Segundo essa avaliação, o ambiente político interno francês tem peso decisivo na resistência ao tratado.

Nesta sexta-feira, agricultores franceses protestaram em frente à residência de veraneio do presidente Emmanuel Macron, lançando esterco na área como forma de manifestação contra o acordo e outras pautas do setor.

Relações regionais e tensões políticas

Durante a agenda em Foz do Iguaçu, Lula inaugurou a Ponte da Integração Brasil–Paraguai, que liga os dois países. O presidente paraguaio, Santiago Peña, participará de cerimônia semelhante neste sábado, do lado paraguaio da fronteira.

As relações entre Brasil e Paraguai passaram por momentos de tensão em 2024, após a revelação de uma operação de espionagem da inteligência brasileira contra instituições paraguaias. O governo Lula reconheceu a ação, atribuindo a responsabilidade à gestão anterior.

No âmbito regional, Lula e o presidente argentino Javier Milei ainda não realizaram reunião bilateral. Milei, que chegou recentemente a Foz do Iguaçu, gerou controvérsia ao publicar nas redes sociais um mapa com críticas a países governados pela esquerda na América do Sul.

FONTE: O Dia
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/AFP

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-UE divide Europa e enfrenta resistência da França

Em meio a divergências internas, Alemanha e Espanha intensificaram a pressão para que a União Europeia avance na aprovação do acordo Mercosul-UE. Nesta quinta-feira (18), o chanceler alemão Friedrich Merz e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez pediram apoio dos líderes europeus para a assinatura do tratado de livre comércio com o bloco sul-americano. A iniciativa, no entanto, encontra forte resistência da França, que afirma que o pacto ainda não reúne condições para ser concluído.

Negociado há aproximadamente 25 anos, o acordo entre Mercosul e União Europeia é considerado o maior da UE em termos de redução de tarifas comerciais, com potencial impacto significativo nas relações econômicas globais do bloco.

Redução da dependência da China e reação às tarifas dos EUA

Países como Alemanha, Espanha e nações nórdicas avaliam que o tratado pode fortalecer as exportações europeias, especialmente diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, além de diminuir a dependência estratégica da China. O acesso facilitado a minerais estratégicos também é visto como um ganho relevante.

Para Sánchez, o acordo é essencial para ampliar a influência da Europa no cenário internacional. Segundo ele, trata-se de um passo necessário para reforçar o peso geoeconômico e geopolítico da UE em um momento de tensão global, tanto com adversários declarados quanto com aliados tradicionais. Merz reforçou o argumento ao afirmar que a credibilidade da política comercial europeia depende de decisões imediatas.

Resistência de agricultores e impasse político

Apesar do apoio de parte dos governos, o pacto enfrenta críticas de setores agrícolas europeus, que temem a entrada de commodities mais baratas, prejudicando produtores locais. A Comissão Europeia, presidida por Ursula von der Leyen, está disposta a viajar ao Brasil para formalizar o acordo fechado no ano passado com Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

No entanto, a aprovação exige maioria qualificada: o apoio de pelo menos 15 países, que representem 65% da população da UE. Atualmente, Polônia e Hungria se posicionam contra, enquanto França e Itália demonstram preocupação com o impacto do aumento das importações de carne bovina, açúcar, aves e outros produtos agrícolas.

Macron afirma que “a França não está pronta”

Maior produtor de carne bovina da União Europeia, o presidente francês Emmanuel Macron reiterou que o país não considera o acordo viável neste momento. Segundo ele, os números apresentados não justificam a assinatura e há articulações com Polônia, Bélgica, Áustria e Irlanda para adiar a decisão.

Mesmo com um acordo provisório firmado entre parlamentares e governos europeus para criar salvaguardas que limitem a importação de produtos agrícolas sensíveis, Macron insiste na necessidade de reciprocidade. Ele defende que itens produzidos com pesticidas proibidos na UE, por exemplo, não tenham acesso ao mercado europeu.

Protestos tomam as ruas de Bruxelas

Enquanto as discussões avançavam dentro da cúpula, manifestações ganharam as ruas de Bruxelas. Cerca de 150 tratores bloquearam vias próximas ao local do encontro e ao Parlamento Europeu. Agricultores lançaram fogos de artifício e batatas contra a polícia, em protesto contra o acordo.

Faixas exibidas nos tratores questionavam a importação de produtos estrangeiros e pediam o fim das negociações com o Mercosul. Diante da mobilização, a polícia montou barreiras, fechou túneis e deixou tropas de choque e canhões de água em prontidão.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Yves Herman

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Acordo Mercosul-UE tem última oportunidade neste sábado, afirma Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (17) que o acordo entre Mercosul e União Europeia terá sua última oportunidade de avanço durante seu atual mandato. Segundo ele, a decisão pode ocorrer no próximo sábado (20), em Foz do Iguaçu (PR), durante a Cúpula de Líderes do Mercosul.

Ao comentar o tema após a última reunião ministerial de 2025, realizada na Granja do Torto, em Brasília, Lula foi direto ao avaliar o momento das negociações. Para o presidente, caso não haja consenso agora, o tratado não voltará à pauta enquanto ele estiver no comando do país.

Pressão europeia e impasses políticos

Lula disse ainda que mantém expectativa de aprovação do acordo, mas destacou que o Brasil já fez todas as concessões possíveis. Segundo o presidente, a data do encontro foi alterada a pedido da União Europeia, que enfrenta dificuldades internas para concluir o processo.

De acordo com Lula, países como França e Itália impõem resistências ao texto, principalmente em pontos ligados à produção agrícola. O acordo Mercosul-UE teve suas negociações concluídas em dezembro do ano passado, encerrando um processo iniciado há cerca de 25 anos. Para entrar em vigor, o texto ainda precisa do aval dos parlamentos nacionais dos dois blocos.

Lula alerta para tensões entre EUA e Venezuela

No campo da política internacional, o presidente demonstrou preocupação com o aumento das tensões entre Estados Unidos e Venezuela. Lula citou diretamente a postura do presidente norte-americano Donald Trump em relação à América Latina e defendeu cautela por parte dos países da região.

O presidente reiterou a importância de uma política de paz no continente e ressaltou a tradição diplomática brasileira. Segundo ele, o diálogo deve prevalecer sobre o uso da força, especialmente em uma região que não possui armas nucleares.

Lula também afirmou ter conversado com Trump sobre a possibilidade de contribuir para um diálogo com o presidente venezuelano Nicolás Maduro, defendendo disposição e paciência como caminhos para reduzir conflitos.

Governo defende avanço nas políticas públicas

Ao tratar de temas internos, Lula afirmou que o governo precisa promover um salto de qualidade nas políticas públicas e reforçou o compromisso com a transparência. O presidente citou o Bolsa Família como exemplo de política de Estado, destacando que o programa ultrapassa governos e pertence à sociedade brasileira.

Para Lula, o país vive um momento amplamente favorável, embora esse cenário não se reflita de forma proporcional nas pesquisas de opinião, em razão da polarização política. Ele avaliou ainda que a equipe de governo precisa alinhar o discurso de forma clara, mirando o processo eleitoral do próximo ano.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Stuckert/PR

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