Comércio Internacional

Acordo Mercosul-UE desafia sistemas de pagamentos internacionais no comércio global

O acordo Mercosul-União Europeia entrou em uma etapa decisiva após sua assinatura em janeiro de 2026. Além dos impactos tarifários e comerciais, especialistas apontam que o tratado coloca em evidência um fator menos visível, mas crucial: a infraestrutura de pagamentos internacionais que sustentará as transações entre os dois blocos.

Depois de mais de duas décadas de negociações, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia abre caminho para a formação de uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, ampliando oportunidades de exportações e importações entre América do Sul e Europa.

Implementação gradual do acordo comercial

De acordo com autoridades europeias, países do Mercosul como Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão ampliar cotas de exportação com tarifa zero nos próximos meses.

Apesar do avanço, a implementação completa não ocorrerá de forma imediata. O bloco europeu avalia aplicar inicialmente apenas a parte comercial do tratado enquanto seguem os processos de ratificação política e legislativa nos países membros.

Essa aplicação provisória ocorre mesmo diante de resistências internas, especialmente no setor agrícola europeu.

Pressão política e resistência de agricultores

A negociação do acordo enfrenta forte oposição de produtores rurais em países como Espanha, França e Polônia.

Os agricultores temem a concorrência de produtos agrícolas sul-americanos, que possuem custos de produção menores e operam sob padrões regulatórios diferentes.

Na França, a pressão do setor agrícola chegou a gerar reservas por parte do governo quanto à assinatura do acordo em seu formato atual, evidenciando o peso político da questão.

Esse cenário mostra que o tratado ultrapassa o campo comercial, influenciando também cadeias globais de valor, regras regulatórias e estratégias geopolíticas.

Infraestrutura de pagamentos pode definir o sucesso do acordo

Embora o tratado trate principalmente de redução de tarifas e abertura de mercado, especialistas alertam para outro fator determinante: a interoperabilidade dos sistemas de pagamentos internacionais.

Segundo Alex Hoffmann, a redução de tarifas só se traduz em ganhos econômicos reais se empresas conseguirem realizar pagamentos transfronteiriços com rapidez e previsibilidade.

Na avaliação do executivo da PagBrasil, a falta de integração entre sistemas financeiros pode criar uma espécie de “alfândega financeira invisível”, dificultando as transações mesmo quando as barreiras comerciais são reduzidas.

Para ele, o maior obstáculo do comércio global moderno não está apenas nas tarifas, mas na fragmentação da infraestrutura financeira internacional.

Blockchain surge como alternativa para pagamentos globais

Outra perspectiva vem do setor de tecnologia financeira. Para Nathan Chow, o acordo pode acelerar a integração entre sistemas financeiros tradicionais e soluções baseadas em blockchain.

De acordo com o executivo da BitMart, a harmonização de padrões digitais entre Europa e América Latina pode criar corredores de pagamento mais eficientes e reduzir o atrito nas transferências internacionais.

Nesse contexto, o acordo funcionaria como um catalisador institucional para inovações financeiras, oferecendo maior previsibilidade regulatória em um ambiente global marcado por regras fragmentadas.

Interoperabilidade financeira no centro do comércio moderno

Apesar das abordagens diferentes, especialistas concordam em um ponto central: o comércio internacional do século XXI depende cada vez mais da conectividade entre sistemas financeiros.

Para empresas como a PagBrasil, o desafio é integrar as infraestruturas nacionais por meio de camadas interoperáveis, permitindo liquidações rápidas e previsíveis, inclusive em moedas locais.

Já o ecossistema cripto defende que tecnologias descentralizadas podem ajudar a reduzir custos de transação e ampliar o acesso a redes globais de valor.

Em ambos os casos, a dinâmica comercial passa a ser entendida não apenas como fluxo de mercadorias, mas também como fluxo digital de valor.

Tratado será teste para a arquitetura financeira global

A implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia pode se tornar um verdadeiro teste para a arquitetura global de pagamentos.

Enquanto governos discutem salvaguardas agrícolas e aprovação parlamentar, o setor privado acompanha outro desafio estratégico: construir as infraestruturas digitais capazes de sustentar o comércio internacional.

Sem essas conexões financeiras, especialistas alertam que até mesmo a maior zona de livre comércio do mundo pode enfrentar barreiras invisíveis — não nas fronteiras físicas, mas na capacidade de movimentar dinheiro com a mesma eficiência com que circulam bens, serviços e informações.

FONTE: Bloomberg Línea
TEXTO: Redação
IMAGEM: DIOGO SALLABERRY

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Comércio Internacional

Exportações da China crescem 21,8% no início de 2026 e superam expectativas do mercado

A China começou 2026 com um desempenho expressivo no comércio exterior. As exportações chinesas avançaram 21,8% em dólares entre janeiro e fevereiro, superando com ampla margem as previsões do mercado e indicando continuidade do ritmo forte após o superávit comercial recorde registrado no ano passado.

O resultado também ficou muito acima da expansão de 6,6% registrada em dezembro e da estimativa de 7,1% apontada por economistas consultados. O desempenho reforça a posição da segunda maior economia do mundo como um dos principais motores do comércio global.

Segundo especialistas, a demanda internacional por produtos tecnológicos tem sido um dos principais fatores por trás do avanço das remessas chinesas.

Tecnologia e eletrônicos lideram crescimento das exportações

O setor de tecnologia aparece entre os principais impulsionadores das exportações da China. A venda de circuitos integrados e produtos eletrônicos ganhou força com o aumento global de investimentos ligados à inteligência artificial.

Para Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit, esse movimento já era esperado diante da expansão do setor tecnológico.

Além disso, alguns segmentos tradicionais também surpreenderam positivamente. “O crescimento das exportações de roupas, têxteis e bolsas foi inesperado, considerando o desempenho fraco desses setores em 2025 diante da concorrência do Sudeste Asiático e do Sul da Ásia”, avaliou o economista.

Embarques podem acelerar com demanda dos EUA

Analistas apontam que o ritmo das exportações pode se intensificar no curto prazo. Há expectativa de que os dados de março mostrem um aumento adicional nos embarques, especialmente para os Estados Unidos.

Esse movimento estaria relacionado à tentativa de fabricantes chineses de antecipar exportações enquanto permanece em vigor a suspensão de tarifas comerciais determinada pela Suprema Corte norte-americana.

Outro fator seria o retorno de empresas chinesas a setores de menor valor agregado, como o têxtil, ampliando a presença do país nesses mercados.

Tensões geopolíticas ainda são risco para o comércio

Apesar do cenário positivo, economistas alertam que tensões geopolíticas podem afetar o comércio global nos próximos meses.

Ainda é incerto o impacto de possíveis conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, especialmente diante do risco de interrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

Caso ocorram restrições no fluxo de energia ou transporte marítimo, a cadeia global de suprimentos poderia ser afetada.

China amplia estoques de commodities estratégicas

Nos primeiros meses do ano, a China também reforçou seus estoques de commodities essenciais para a indústria, incluindo minério de ferro e petróleo bruto.

A estratégia ajuda a proteger o setor produtivo contra eventuais oscilações nos mercados internacionais de energia e matérias-primas.

Superávit comercial cresce no início do ano

Os dados oficiais mostram ainda que o superávit comercial chinês atingiu US$ 213,6 bilhões entre janeiro e fevereiro, superando com folga os US$ 169,21 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

O resultado também ficou acima da previsão de economistas, que projetavam um saldo de US$ 179,6 bilhões.

As importações da China também apresentaram crescimento significativo no início de 2026, com alta de 19,8% no bimestre, acelerando em relação ao avanço de 5,7% observado em dezembro.

Fonte: Infomoney com informações de Reuters.

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução Infomoney / China Daily via REUTERS//File Photo

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Comércio Internacional

Guerra no Oriente Médio eleva preço de fertilizantes e ameaça custo de alimentos no Brasil

O conflito no Irã e no Oriente Médio começa a refletir diretamente no setor agrícola brasileiro. Além da alta do petróleo, a guerra tem pressionado os preços de fertilizantes, especialmente os nitrogenados, usados em culturas como milho e soja. A redução da oferta global pode, no longo prazo, elevar também o custo de carnes, ovos e outros alimentos que dependem desses insumos.

Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Oriente Médio responde por cerca de 30% dos fertilizantes comercializados mundialmente. Com o Estreito de Ormuz parcialmente bloqueado, o frete se encarece e aumenta o custo de chegada dos insumos, enquanto atrasos nos embarques elevam a volatilidade de preços e dificultam o planejamento agrícola. Dados do Rabobank indicam que 45% das exportações globais de ureia passam direta ou indiretamente por rotas ligadas ao Golfo Pérsico.

Dependência do Brasil e tipos de fertilizantes

O Brasil importa cerca de 85,7% dos fertilizantes usados na agricultura nacional, de acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Em 2025, o país comprou 43,32 milhões de toneladas de fertilizantes, enquanto a produção interna foi de 7,22 milhões de toneladas. Os insumos mais utilizados são nitrogenados, fosfatados, potássicos e NPK (composto dos três nutrientes).

Do volume importado de fertilizantes nitrogenados, 15,8% vieram do Oriente Médio, enquanto China, Rússia e Nigéria responderam por 70,4%, segundo estudo do Insper Agro Global baseado em dados do Trade Data Monitor (2026). A ureia, em especial, já registra aumento de 33% no preço (incluindo custo e frete) desde o início do conflito, devido à elevação do preço do gás natural, matéria-prima fundamental.

Impactos na safra brasileira

Para o pesquisador Alberto Pfeifer, do Insper Agro Global, os efeitos ainda são limitados às safras futuras. “As plantações em andamento já utilizam estoques de fertilizantes disponíveis. O impacto maior deve aparecer na próxima safra de verão, que começa em agosto, dependendo da evolução do conflito”, afirmou. Nas culturas de milho e soja, os fertilizantes representam cerca de 40% do custo total da safra.

Fertilizantes fosfatados também registram aumento de cerca de 8% nos preços, influenciados pelo custo do gás natural. Bruno Lucchi, diretor técnico da CNA, reforça que o nitrogênio em estoque sustenta as safras atuais, e parte dos produtores já garantiu insumos para a próxima safra, com prazo até junho.

Repercussões internacionais e ajustes de mercado

Enquanto o Brasil observa a situação, outros países como Estados Unidos, Índia e nações europeias compram nitrogenados, já que o plantio de milho ocorre mais cedo nessas regiões. Segundo Lucchi, o aumento do custo dos fertilizantes pode reduzir áreas plantadas e afetar a dinâmica de preços internacionais de milho e soja.

Mauro Osaki, pesquisador do Cepea/USP, alerta que produtores que não compraram fertilizantes antecipadamente enfrentarão valores mais altos. Culturas como trigo e cevada podem sofrer redução de área ou perda de padrão tecnológico, devido à dificuldade de financiamento e rentabilidade negativa histórica.

Perspectivas e impacto nos alimentos

Embora seja possível redirecionar compras de fertilizantes para outros mercados, o desafio é garantir volume, preço competitivo, frete e entrega no tempo certo. Marcos Pelozato, advogado especializado em agronegócio, aponta que o cenário mais provável é o aumento de custos, disputa por carga e atrasos logísticos.

“O risco maior não é falta de alimentos no curto prazo, e sim preços mais altos. Quando o país importa 85% do que usa em fertilizantes, qualquer crise em rotas estratégicas pressiona a inflação de alimentos no Brasil”, explica Pelozato.

Hortaliças, legumes e parte do hortifruti devem sentir os efeitos primeiro, seguidos por grãos como milho, soja e trigo. Caso o conflito se prolongue, carnes, ovos e leite podem ser impactados indiretamente, já que dependem de milho e soja para a alimentação animal.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Moraes/Reuters

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia pode criar maior área de livre comércio do mundo, diz ministro

O acordo entre o Mercosul e a União Europeia pode estabelecer a maior área de livre comércio do planeta, segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira.

De acordo com o ministro, o entendimento aprovado no Senado Federal representa um avanço significativo para o comércio internacional e abre novas oportunidades para a economia brasileira. Ele ressaltou que a negociação foi viabilizada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Integração comercial entre Mercosul e União Europeia

O tratado prevê a criação de um amplo mercado envolvendo os países do Mercosul e da União Europeia. Segundo Teixeira, o acordo estabelece um período de transição para adaptação gradual das economias envolvidas.

Durante esse intervalo, o mercado brasileiro passará por um processo de abertura para produtos europeus, enquanto as nações europeias ampliarão o acesso a produtos brasileiros. Para o ministro, essa etapa permitirá que os setores produtivos se preparem para as novas condições comerciais.

Ele também afirmou que a agricultura familiar brasileira não deve ser prejudicada. Pelo contrário, o acordo pode ampliar as oportunidades de exportação.

De acordo com o ministro, cerca de 700 milhões de consumidores terão potencial acesso aos alimentos produzidos no Brasil.

Impacto do cenário internacional no preço dos alimentos

Na entrevista, o ministro também comentou que fatores externos podem influenciar diretamente os preços dos alimentos no Brasil. Entre os elementos citados estão conflitos internacionais e oscilações em commodities globais.

Segundo ele, produtos como carne, soja e milho têm valores definidos em dólar no mercado internacional. Além disso, o custo do petróleo afeta a cadeia produtiva agrícola. Dessa forma, variações cambiais ou mudanças nos preços globais acabam refletindo no valor final dos alimentos consumidos no país.

Apesar dos desafios, Teixeira afirmou manter uma visão otimista sobre o futuro econômico e social do Brasil, destacando a importância de políticas baseadas em sustentabilidade, inclusão e cooperação internacional.

Reforma agrária e fortalecimento da agricultura familiar

Outro tema abordado pelo ministro foi a necessidade de avançar na reforma agrária no Brasil. Segundo ele, a política é fundamental para reduzir desigualdades sociais e estimular o desenvolvimento rural.

Teixeira afirmou que programas ligados à reforma agrária contribuem para ampliar a produção de alimentos, incentivar a permanência dos jovens no campo e promover desenvolvimento regional.

Entre as iniciativas mencionadas estão o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) e as Escolas Família Agrícola, que incentivam formação educacional voltada ao meio rural.

O ministro participou recentemente da Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (ICARRD+20), realizada em Cartagena. Durante o encontro, foi firmado um memorando de entendimento com o Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais para ampliar a cooperação técnica em políticas de acesso à terra e fortalecimento da agricultura familiar na América Latina.

Apoio a agricultores após chuvas em Minas Gerais

O ministro também comentou as medidas de apoio aos agricultores atingidos pelas fortes chuvas na Zona da Mata de Minas Gerais.

Segundo ele, produtores que tiveram perdas e possuem financiamento agrícola poderão contar com cobertura do seguro rural. Além disso, contratos de crédito poderão ser renegociados conforme a extensão dos prejuízos comprovados.

A medida faz parte das ações do governo federal para apoiar famílias que perderam produção ou bens em decorrência das enchentes.

FONTE: Secretaria da Comunicação Social
TEXTO: Redação
IMAGEM: Diego Campos/Secom-PR

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Comércio Internacional

Juiz determina reembolso de bilhões em tarifas ilegais de Trump a importadores nos EUA

Uma decisão da Justiça comercial dos Estados Unidos determinou que o governo americano comece a devolver bilhões de dólares pagos por importadores em tarifas consideradas ilegais durante o governo Donald Trump. A ordem judicial pode resultar em um dos maiores processos de restituição ligados à política comercial dos EUA nos últimos anos.

Decisão da Justiça obriga início dos reembolsos

O juiz Richard Eaton, do Tribunal de Comércio Internacional dos Estados Unidos, em Manhattan, ordenou na quarta-feira (4) que o governo federal inicie o pagamento de reembolsos referentes a taxas cobradas indevidamente sobre produtos importados.

A decisão ocorre após a Suprema Corte ter considerado ilegais determinadas tarifas de importação aplicadas durante a gestão Trump. Com isso, empresas que pagaram esses valores passam a ter direito à restituição.

Eaton determinou que o governo finalize o cálculo dos valores cobrados em milhões de remessas que entraram no país e que os pagamentos incluam juros sobre os montantes devolvidos.

Como funciona o cálculo das tarifas de importação

Nos Estados Unidos, quando um produto chega ao país, o importador paga inicialmente uma estimativa de impostos. O valor definitivo costuma ser definido posteriormente, em um processo administrativo conhecido como “liquidação”, que geralmente ocorre cerca de 314 dias após a entrada da mercadoria.

Na decisão, o juiz determinou que a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA finalize esse processo desconsiderando as tarifas declaradas ilegais. A medida deve resultar na devolução dos valores pagos pelos importadores.

Durante audiência, Eaton afirmou que o procedimento não é incomum para a agência. Segundo ele, o sistema já prevê ajustes quando empresas pagam impostos acima do devido.

Revisão pode envolver mais de 70 milhões de registros

Apesar disso, a Alfândega informou em documentos apresentados ao tribunal que a tarefa pode ser complexa. O órgão afirma que recalcular os valores sem considerar as tarifas exigirá um trabalho “sem precedentes”.

A estimativa é que mais de 70 milhões de registros de importação precisem ser revisados manualmente. Por causa da dimensão da operação, a agência havia solicitado anteriormente até quatro meses para avaliar como executar os reembolsos.

O juiz marcou uma nova audiência para sexta-feira (6), quando o governo deverá apresentar atualizações sobre o plano para realizar os pagamentos.

Governo arrecadou mais de US$ 130 bilhões com tarifas

As tarifas comerciais impostas durante o governo Trump foram um dos pilares da estratégia econômica adotada pelo presidente. No total, o governo americano arrecadou mais de US$ 130 bilhões com essas taxas.

No entanto, a Suprema Corte não estabeleceu regras detalhadas sobre como os reembolsos devem ser processados, o que gerou incertezas jurídicas e administrativas sobre a devolução do dinheiro.

Processo foi iniciado por empresa afetada

A decisão judicial foi tomada no âmbito de uma ação movida pela empresa Atmus Filtration, que afirmou ter pago cerca de US$ 11 milhões em tarifas consideradas ilegais.

Especialistas em comércio internacional avaliam que o entendimento do tribunal pode beneficiar milhares de empresas que foram impactadas pela cobrança das tarifas.

Segundo Ryan Majerus, ex-alto funcionário do Departamento de Comércio dos EUA e atualmente advogado do escritório King & Spalding, a decisão sugere uma interpretação ampla do direito ao reembolso.

Ele ressalta, no entanto, que o governo ainda pode contestar o alcance da decisão ou pedir mais prazo para executar os pagamentos.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters/Carlos Barria/File Photo

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Comércio Internacional

MERCOSUL inicia aplicação provisória do acordo comercial com a União Europeia

O MERCOSUL ativou o mecanismo para a aplicação provisória do Acordo Interino de Comércio com a União Europeia (UE), permitindo reduções tarifárias, maior acesso a novos mercados e condições comerciais mais vantajosas para os países signatários.

Notificação e trâmites legais

Argentina e Uruguai notificaram os depositários do acordo sobre a conclusão de todos os procedimentos legais internos necessários para a entrada em vigor, concedendo ainda seu aval à aplicação provisória.

No Brasil, o acordo já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e segue em análise no Senado Federal. Em Paraguai, o tratado também está em tramitação parlamentar.

União Europeia confirma início da aplicação provisória

Em resposta, a União Europeia anunciou que dará início à aplicação provisória do acordo, conforme informou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

O Acordo Interino prevê que a aplicação provisória comece no primeiro dia do segundo mês seguinte à data em que a UE e cada Estado do MERCOSUL notifiquem mutuamente a conclusão de seus procedimentos internos ou a ratificação formal do acordo, confirmando sua concordância com a implementação provisória.

Benefícios para o comércio internacional

A medida representa um passo importante para o fortalecimento das relações comerciais entre o MERCOSUL e a União Europeia, facilitando o comércio de produtos, reduzindo barreiras tarifárias e promovendo maior integração econômica entre os continentes.

FONTE: Mercosur
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Folha de PE

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Choque no Oriente Médio: O fim de uma era e o impacto direto no Brasil

Escalada no Oriente Médio: Morte de Khamenei e Ofensiva de EUA e Israel contra o Irã

Uma operação militar sem precedentes redesenhou o cenário geopolítico global neste fim de semana. Em uma ação coordenada iniciada na manhã de sábado (28), os Estados Unidos e Israel lançaram ataques massivos contra o Irã, resultando na confirmação da morte do Líder Supremo, Aiatolá Ali Khamenei, conforme anunciado pela mídia estatal iraniana no domingo (1º).

O Ataque e o Objetivo Estratégico

Diferente de ofensivas anteriores, os bombardeios começaram à luz do dia, visando instalações de alta cúpula em Teerã e outras quatro cidades. O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou a operação como uma “fúria épica”, afirmando que o objetivo principal é a destruição total do programa nuclear iraniano.

“Garantiremos que o Irã não obtenha uma arma nuclear. Este regime aprenderá que ninguém deve desafiar o poder das forças armadas dos Estados Unidos”, declarou Trump em vídeo.

Donald Trump – Presidente dos EUA

Impactos Imediatos sobre o ataque:

  • Alvos: Mísseis atingiram o palácio presidencial e residências oficiais. Enquanto a morte de Khamenei marca o fim de um domínio religioso de quase 40 anos.
  • Resposta do Irã: O regime lançou uma onda de ataques em todo o Oriente Médio, atingindo áreas próximas a bases americanas em países como Emirados Árabes Unidos EAU, Catar, Kuwait, Bahrein, Jordânia e Iraque.
  • Duração: Fontes militares indicam que a ofensiva pode durar vários dias, focando no desmantelamento da infraestrutura militar e logística do país.

Análise Geopolítica: Riscos Globais

A queda da liderança iraniana gera uma ruptura no equilíbrio de poder regional. Dois pontos críticos preocupam a comunidade internacional, o anúncio do fechamento do Estreito de Ormuz ameaça o fluxo de 20% do petróleo e gás mundial, o que pode disparar os preços das commodities e o mundo aguarda os posicionamentos de Rússia e China diante da intervenção direta dos EUA e de Israel.

Este evento marca, possivelmente, o colapso do eixo teocrático iraniano, mas abre caminho para uma sucessão incerta sob fogo cruzado.


Como essa instabilidade afetará o comércio mundial e a economia no Brasil?

O aumento do combustível e a volatilidade dos mercados são preocupações reais para o nosso país. O Brasil mantém uma relação comercial estratégica com o Irã, movimentando cerca de US$ 3 bilhões anuais. A desestabilização da região gera efeitos imediatos. O Irã é o 5º principal destino das exportações brasileiras no Oriente Médio. Com o país sob ataque e em luto oficial, os contratos de curto prazo podem ser suspensos ou cancelados por falta de logística e pagamentos.
O Brasil importa uréia e outros fertilizantes nitrogenados do Irã. Uma interrupção prolongada pode encarecer os custos de produção da safra brasileira de 2026/27. O fechamento do Estreito de Ormuz é o fator mais crítico. Por ali passam 20% do petróleo mundial. Se o bloqueio persistir, o preço do barril pode ultrapassar os US$ 100, forçando a Petrobras a reajustar a gasolina e o diesel, o que gera inflação em toda a cadeia de consumo no Brasil.

Para o agronegócio brasileiro é fundamental se proteger e, estrategicamente, redirecionar sua produção em um cenário de guerra prolongada e sanções severas ao Irã. Pois se esse mercado fechar, o impacto no PIB agropecuário será imediato.

Quantificação do volume de milho e soja que deixaria de embarcar para os portos iranianos (estimativa baseada nos contratos atuais). O impacto do aumento do petróleo no custo do frete interno e como isso afeta a competitividade do produtor brasileiro.

Com base nos dados de fechamento de 2025 e nos acontecimentos deste fim de semana (28/02 e 01/03/2026), segue abaixo um detalhamento do impacto por estado e as diretrizes para a diplomacia comercial brasileira.

Impacto do Agronegócio

O Irã é o 5º maior destino das exportações brasileiras no Oriente Médio, com um fluxo de US$ 2,9 bilhões em 2025. O impacto da guerra e da morte de Khamenei não será uniforme no Brasil, concentrando-se nos grandes produtores de grãos. Cerca de 22% de todo o milho exportado pelo Brasil em 2025 foi para o Irã. Se as sanções de Trump (tarifa de 25% para quem negociar com Teerã) forem aplicadas, o custo de oportunidade para o exportador brasileiro se tornará insustentável.

Posicionamento Diplomático Estratégico

O Itamaraty já condenou oficialmente a ofensiva e defende uma “solução negociada”. Para não perder outros mercados vitais no Oriente Médio (como Arábia Saudita e EAU), o Brasil pode adotar algumas estratégias, como, ser a Garantia de Segurança Alimentar. O Brasil poderá se posicionar como o “celeiro do mundo”, argumentando que sanções sobre alimentos ferem direitos humanos básicos. Isso ajuda a manter mercados em países árabes que temem a instabilidade.

O “Gargalo” dos Fertilizantes

Este é o ponto mais sensível. Em 2025, 79% do que compramos do Irã foi ureia (fertilizante).

O governo brasileiro poderá ampliar contratos com Catar e Nigéria para substituir o fornecimento iraniano, evitando que o custo do plantio da próxima safra exploda em 2026.

O Estreito de Ormuz é o gargalo por onde passam 21 milhões de barris de petróleo por dia. Com o anúncio do fechamento pelo regime iraniano em retaliação à morte de Khamenei, o mercado projeta um cenário de escassez global.

Projeção de alta no Preço do Petróleo

Levando em conta o repasse da Petrobras e a desvalorização do Real frente ao Dólar (que tende a subir com a aversão ao risco). O Diesel é o principal insumo do transporte rodoviário. Um aumento de 30% no combustível eleva o custo do frete de grãos em cerca de 15% a 20%, reduzindo a margem de lucro do produtor. O aumento dos combustíveis tem efeito cascata. Estimamos um impacto de +1,5 a 2,0 pontos percentuais na inflação brasileira nos próximos 60 dias apenas pelo canal de energia. O governo brasileiro enfrentará uma pressão política imensa para segurar os preços através da Petrobras ou por meio de novos subsídios fiscais, o que pode pressionar as contas públicas.

Este é o “efeito dominó” que mais assusta o mercado financeiro brasileiro neste domingo, 1º de março de 2026. Em momentos de guerra e incerteza sobre a sucessão de uma potência regional como o Irã, os investidores ativam o modo de “fuga para a qualidade” (flight to quality), retirando dinheiro de países emergentes (como o Brasil) para comprar títulos do Tesouro dos EUA e ouro.

Por que o Dólar sobe tanto neste caso?

Existem três vetores principais empurrando o Real para baixo, o Brasil é visto como um mercado de “risco”. Quando o mundo treme, os fundos de investimento vendem ativos brasileiros para garantir liquidez em moeda forte. Déficit de Balança Comercial, embora o preço do petróleo suba (o que teoricamente ajudaria a Petrobras), o custo de importação de insumos químicos e tecnologia dispara, pressionando o fluxo cambial. E um último ponto relevante, se o FED (Banco Central dos EUA) sinalizar que manterá juros altos para conter a inflação causada pelo petróleo, o Brasil perde atratividade para o carry trade (investidores que buscam juros altos aqui).

A Queda de Teerã e a Nova Ordem Global

A manhã de 1º de março de 2026 entra para a história como o marco de uma das maiores mudanças geopolíticas do século XXI. A confirmação da morte do Líder Supremo Ali Khamenei, em uma operação conjunta entre EUA e Israel, encerra quase quatro décadas de regime teocrático e lança o mundo em uma zona de incerteza profunda.

O que estamos presenciando não é apenas um evento militar, mas uma reconfiguração econômica mundial. Para o Brasil, o desafio é duplo: diplomaticamente, precisa equilibrar sua posição no BRICS sem sofrer sanções do governo Trump; economicamente, o país deve agir rápido para substituir o fornecimento de fertilizantes e mitigar o impacto do combustível no transporte de carga.

O cenário exige cautela máxima de investidores e produtores. A volatilidade será a regra nas próximas semanas, e a estabilidade global dependerá da rapidez com que as rotas comerciais forem reabertas e de como as potências (Rússia e China) reagirão à nova realidade iraniana.

Estamos diante de uma nova ordem global. A capacidade do Brasil de diversificar mercados e garantir insumos fertilizantes determinará o impacto no PIB agropecuário de 2026.

A cautela é a palavra de ordem.


Texto: RêConectaNews – Renata Palmeira

Pesquisa: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/opcoes-de-trump-para-o-ira-sao-limitadas-apesar-do-reforco-militar/
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/01/israel-faz-novos-ataques-contra-teera-sirenes-ataque-aereo-tel-aviv-jerusalem.ghtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/01/trump-ataque-sem-precedentes-retaliacao-ira.ghtml
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/28/midia-estatal-iraniana-confirma-morte-lider-supremo-ali-khamenei.ghtml

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia pode entrar em vigor em maio

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia pode começar a valer já em maio, segundo previsão do vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. A declaração foi feita nesta quinta-feira (27), em São Paulo, após a aprovação do texto pela Câmara dos Deputados.

De acordo com o ministro, a expectativa do governo é que o Senado Federal analise e aprove o tratado nas próximas semanas. Após a votação, o texto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Caso o cronograma seja cumprido até março, a vigência poderá ocorrer até o fim de maio, considerando o prazo estimado de cerca de 60 dias após a sanção presidencial.

Tramitação avança no Brasil e em países do Mercosul

No Brasil, o acordo já recebeu aval da Câmara e agora depende da análise do Senado. Em paralelo, o texto também avança nos demais países do bloco sul-americano.

O Parlamento da Argentina aprovou o tratado nesta semana, assim como o Uruguai, reforçando o movimento de consolidação do acordo no âmbito do Mercosul.

União Europeia anuncia aplicação provisória

No cenário europeu, a Comissão Europeia informou que o bloco pretende aplicar provisoriamente o acordo de livre comércio com o Mercosul. A medida visa assegurar vantagem estratégica e acelerar os benefícios comerciais.

Tradicionalmente, a União Europeia aguarda a aprovação formal dos governos nacionais e do Parlamento Europeu para que acordos dessa natureza entrem plenamente em vigor. Entretanto, parlamentares europeus — especialmente da França — contestaram o tratado judicialmente, o que pode postergar a implementação total por até dois anos.

Mesmo assim, a aplicação provisória permitirá que Mercosul e União Europeia iniciem a redução de tarifas e implementem dispositivos comerciais antes da conclusão de todo o rito legislativo europeu.

Salvaguardas devem ser regulamentadas nos próximos dias

Outro ponto em andamento é a regulamentação das salvaguardas previstas no acordo. Segundo Alckmin, a proposta já foi encaminhada à Casa Civil e seguirá para análise do Ministério da Fazenda e do Ministério das Relações Exteriores antes da sanção presidencial.

Esses mecanismos permitem suspender temporariamente a redução de tarifas caso haja aumento expressivo nas importações, protegendo setores da economia que possam ser impactados por um eventual desequilíbrio comercial.

A intenção do governo é que as salvaguardas estejam regulamentadas ainda antes da votação no Senado, garantindo maior segurança jurídica na implementação do acordo.

O que prevê o acordo Mercosul–União Europeia

O tratado estabelece a criação da maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 720 milhões de consumidores.

Entre os principais pontos:

  • O Mercosul eliminará tarifas sobre 91% dos produtos europeus em até 15 anos;
  • A União Europeia zerará tarifas sobre 95% dos bens originários do Mercosul em até 12 anos.

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos estima que o acordo poderá ampliar as exportações brasileiras em aproximadamente US$ 7 bilhões. A expectativa é que o tratado contribua para a diversificação da pauta exportadora e fortaleça a indústria nacional, além de ampliar o acesso a produtos com maior competitividade e preços mais baixos para consumidores.

O governo sustenta que a abertura comercial tende a gerar ganhos para a sociedade, ao estimular concorrência, qualidade e redução de custos, mantendo mecanismos de proteção em casos excepcionais.

Fonte: Agência Brasil / Agência Reuters

TEXTO: REDAÇÃO

IMAGEM: REPRODUÇÃO AGÊNCIA BRASIL / PAULO PINTO

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Comércio Internacional

UE anuncia aplicação provisória do acordo com o Mercosul após ratificação de Argentina e Uruguai

A União Europeia (UE) confirmou que dará início à aplicação provisória do acordo com o Mercosul, após a ratificação do tratado por Argentina e Uruguai, concluída na quinta-feira. O anúncio foi feito em Bruxelas pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

A medida acelera a implementação do que poderá se tornar a maior zona de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas.

Comissão Europeia acelera processo

De acordo com von der Leyen, a Comissão decidiu formalizar a aplicação provisória do tratado após intensas consultas com Estados-membros e representantes do Parlamento Europeu.

Pelas regras do bloco, basta que um país do Mercosul conclua os trâmites internos e notifique oficialmente a UE para que o acordo possa entrar em vigor de forma provisória. Com Argentina e Uruguai já tendo concluído essa etapa, a Comissão optou por avançar.

A expectativa agora recai sobre Brasil e Paraguai, que também devem ratificar o acordo em breve.

Segundo a presidente da Comissão, o avanço demonstra “confiança e vontade política” dos parceiros sul-americanos em fortalecer a relação birregional.

Mercado ampliado e redução de tarifas

O acordo UE–Mercosul prevê:

  • Redução de bilhões de euros em tarifas comerciais
  • Ampliação do acesso a mercados para pequenas e médias empresas europeias
  • Integração econômica em escala inédita entre os blocos

Para von der Leyen, o tratado representa uma vantagem estratégica para a Europa em um cenário global marcado por forte concorrência e instabilidade geopolítica.

Ela destacou que a aplicação provisória é, por definição, temporária. O acordo só será plenamente concluído após o consentimento do Parlamento Europeu.

Resistências políticas e risco no Parlamento Europeu

Apesar do avanço, a decisão não elimina o risco político. A entrada em vigor provisória sem aprovação final do Parlamento pode ampliar tensões internas.

O tratado ainda depende de ratificação formal do Parlamento Europeu. Um grupo de eurodeputados conseguiu aprovar um pedido de parecer ao Tribunal de Justiça da União Europeia para avaliar a compatibilidade do acordo com os tratados do bloco — medida que pode atrasar o processo entre um e dois anos.

A votação revelou divisão apertada: 334 votos favoráveis à revisão jurídica contra 324 contrários. O resultado evidenciou que o acordo comercial Mercosul–UE não possui apoio consolidado na Casa.

O comissário europeu de Comércio, Maroš Šefčovič, afirmou ao site Politico, no fim de janeiro, que líderes europeus e parlamentares têm pressionado pela continuidade do processo.

Protestos agrícolas e nova salvaguarda

O setor agrícola europeu segue como principal foco de resistência ao tratado. Agricultores temem aumento da concorrência com produtos do Mercosul.

Recentemente, o Parlamento Europeu aprovou uma nova salvaguarda agrícola, por 483 votos a favor, 102 contra e 67 abstenções. O mecanismo permite suspender temporariamente preferências tarifárias caso importações agrícolas do Mercosul prejudiquem produtores europeus.

A regra estabelece que a Comissão poderá abrir investigação quando:

  • As importações de produtos sensíveis — como aves, carne bovina, ovos, citrinos e açúcar — aumentarem 5% em média ao longo de três anos;
  • Os preços de importação ficarem 5% abaixo do valor praticado internamente na UE.

Estados-membros ou representantes do setor também poderão solicitar investigação caso haja risco de prejuízo grave.

Estratégia de autonomia e cenário geopolítico

Para a liderança europeia, o acordo de parceria estratégica com o Mercosul é peça central na estratégia de autonomia econômica do bloco, especialmente diante de tensões comerciais globais e da necessidade de diversificar parceiros confiáveis.

Von der Leyen classificou o tratado como um dos mais relevantes da primeira metade do século e afirmou que ele reforça a resiliência, o crescimento e a independência europeia.

FONTE: Valor Econômico
TEXTO: Redação
IMAGEM: Toby Melville/Pool via AP

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-Egito zera tarifas de importação e amplia oportunidades comerciais

O acordo de livre comércio entre Mercosul e Egito eliminará, até setembro, as últimas tarifas de importação previstas no cronograma de desgravação. Com isso, produtos enquadrados na chamada cesta “D” passarão a ter tarifa zero, encerrando um ciclo iniciado há nove anos.

O Mercosul é formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — com a Bolívia como membro pleno desde 2024 — e mantém o tratado comercial com o Egito desde 2010. O acordo entrou em vigor em 1º de setembro de 2017.

Entenda como funciona a desgravação tarifária

O tratado estabeleceu um cronograma dividido em cinco categorias: cestas A, B, C, D e E, cada uma com regras específicas de redução de tarifas.

  • Cesta A: isenção imediata após a entrada em vigor do acordo.
  • Cesta B: cortes anuais de 25% até zerar em 2020.
  • Cesta C: reduções de 12,5% ao ano até 2024.
  • Cesta D: redução gradual de 10% ao ano, atingindo tarifa zero em setembro deste ano.
  • Cesta E: cronograma ainda a ser definido.

Na cesta D estão itens como plásticos, coco e derivados, castanhas e polímeros, que deixarão de pagar imposto de importação nas transações entre as partes.

A classificação segue a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), sistema que identifica cada produto por códigos de dois a oito dígitos, detalhando desde o capítulo até o nível de processamento.

Impacto para Brasil e Egito

Para especialistas em comércio exterior, o fim das tarifas da cesta D tende a estimular o fluxo bilateral. O Egito é considerado um mercado estratégico, tanto pelo tamanho de sua população quanto por funcionar como porta de entrada para outros países africanos.

O Brasil, por exemplo, mantém superávit comercial com o país, impulsionado principalmente pela exportação de alimentos. Em contrapartida, as compras brasileiras concentram-se, sobretudo, em fertilizantes.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, mostram que as exportações brasileiras ao Egito saltaram de US$ 1,7 bilhão em 2016 para US$ 3,9 bilhões no ano passado. Já as importações cresceram de US$ 94,4 milhões para US$ 1,38 bilhão no mesmo período.

Entre os principais produtos exportados recentemente estão milho, açúcar e carne bovina desossada. Do lado das importações, destacam-se fertilizantes fosfatados e nitrogenados.

Novas oportunidades de negócios

Em 2025, o Brasil exportou US$ 37,06 milhões em itens da cesta D ao Egito, avanço de 18,4% em relação a 2021. Entre os produtos estão castanha de caju, medicamentos com insulina, pastas químicas de madeira e tubos de ligas de aço.

Estudos de mercado apontam potencial para ampliação das vendas de calçados com sola de borracha ou plástico, motores elétricos e frutas frescas, como melões.

No sentido inverso, o Brasil importou US$ 195,04 milhões em produtos egípcios da cesta D no ano passado, crescimento de 69,2% frente a 2021. Entre os destaques estão morangos congelados, fios-máquina de aço e utensílios domésticos de metal.

Também foram identificadas oportunidades para o Egito ampliar as exportações ao Brasil em segmentos como copolímeros de etileno e componentes automotivos.

Integração com países árabes

Além do Egito, o Mercosul mantém acordo comercial com a Palestina. Já as negociações com os Emirados Árabes Unidos seguem em andamento.

Com a eliminação total das tarifas da cesta D, o acordo Mercosul-Egito entra em nova etapa, ampliando a competitividade dos produtos e fortalecendo a integração comercial entre América do Sul e África.

FONTE: ANBA
TEXTO: Redação
IMAGEM: Claudio Neves/Portos do Paraná

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