Comércio Internacional

Tarifas dos EUA impactam vendas de fabricantes brasileiros e exigem ajustes estratégicos

A fabricante de armas Taurus espera recuperar os US$ 18 milhões pagos em tarifas de exportação para os Estados Unidos, valores que foram cancelados em fevereiro pela Suprema Corte americana. Assim como a Taurus, outras grandes empresas brasileiras com exportações para os EUA ou produção na América do Norte passaram a segunda metade de 2025 buscando estratégias para minimizar os efeitos das tarifas impostas por Washington.

Com os resultados do quarto trimestre e do ano completo de 2025 já divulgados, fabricantes como Tupy, Iochpe-Maxion, WEG e a própria Taurus avaliam os prejuízos provocados pelas tarifas norte-americanas.

“O nosso conflito acabou”, disse Salesio Nuhs durante a divulgação dos resultados do quarto trimestre da Taurus, referindo-se ao fim da tarifa de 50% aplicada às exportações para os EUA.

Impactos indiretos na indústria brasileira

A multinacional brasileira Iochpe-Maxion, presente em 14 países e produtora de rodas e componentes para veículos, registrou queda de R$ 700 milhões na receita devido ao choque tarifário. Como possui fábricas no México e nos EUA, a empresa não sofreu efeitos diretos, já que produtos fabricados no México são isentos de tarifas quando exportados aos EUA dentro de acordos regionais.

Entretanto, a produção foi afetada pela redução na demanda por rodas de aço e chassis para caminhões pesados. Segundo Renato Salum, diretor financeiro e de relações com investidores, “a queda nos volumes está mais relacionada à fraqueza da demanda final do que a um efeito direto das tarifas”.

O impacto financeiro se traduz em uma redução de aproximadamente R$ 700 milhões na receita, cerca de 35% do faturamento da divisão de componentes estruturais na América do Norte. A empresa espera que a demanda se normalize na segunda metade de 2026, apoiada no aumento de pedidos de veículos pesados desde o final de 2025.

Ajustes da Taurus para mitigar tarifas

Para a Taurus, a nova tarifa de 10% anunciada por Trump no mesmo dia da decisão da corte foi parcialmente compensada pelo aumento de 7% no preço de seus produtos nos EUA. Além disso, a empresa ativou linhas de montagem na unidade da Taurus USA, priorizando exportações de peças, com menor valor agregado, e concentrou a produção das pistolas da linha G nos EUA.

“Também adotamos medidas radicais de produtividade, reduzindo pessoal e ajustando processos produtivos”, afirmou Nuhs. Mesmo assim, a empresa estima ter pago US$ 18 milhões em tarifas em 2025 e início de 2026, buscando agora reembolso por meio de escritórios de advocacia nos EUA.

Cenário misto para outros fabricantes

O grupo de fundição Tupy apontou o choque tarifário como fator que pressionou vendas de blocos de motor e cabeçotes de cilindro, registrando queda de 5,1% na receita líquida do segmento no quarto trimestre, totalizando R$ 1,31 bilhão.

Para 2026, a Tupy prevê melhora nas encomendas de montadoras com a redução da incerteza tarifária, o que deve impulsionar a produção a partir da segunda metade do ano.

Já a fabricante de equipamentos elétricos WEG terá competitividade reforçada com a eliminação da tarifa de 50%, podendo retomar exportações diretas do Brasil aos EUA. Apesar da manutenção de tarifas de aço e alumínio sob a Seção 232 do Trade Expansion Act, analistas destacam que a WEG conseguiu ajustar sua estratégia rapidamente, mantendo margem bruta de 34% no quarto trimestre de 2025.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Valor International

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Comércio Internacional

FIESC recebe delegação chinesa e amplia diálogo comercial entre Santa Catarina e China

A Federação das Indústrias de Santa Catarina recebeu, na terça-feira (31), uma comitiva oficial da Província de Heilongjiang para discutir a ampliação das relações comerciais com o estado catarinense.

O encontro teve como foco o fortalecimento do comércio bilateral e a busca por novas oportunidades de cooperação entre empresas brasileiras e chinesas.

Proposta busca equilibrar a balança comercial

Durante a reunião, o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, destacou a necessidade de diversificar a pauta comercial. Segundo ele, o objetivo é reduzir a dependência de commodities nas exportações e incentivar a internalização de etapas produtivas no Brasil.

A estratégia inclui atrair investimentos para a produção local de componentes e ampliar a participação da indústria catarinense em cadeias globais de valor.

Descarbonização e energia limpa entram na pauta

A agenda também apresentou iniciativas do Hub de Descarbonização da FIESC, com destaque para projetos voltados à energia renovável e à produção de biogás a partir de resíduos da suinocultura — setor em que Santa Catarina é referência nacional.

Essas ações reforçam o compromisso com a sustentabilidade industrial e abrem espaço para parcerias tecnológicas com o mercado chinês.

Cooperação inclui governo e área ambiental

Além da visita à FIESC, a delegação chinesa cumpriu agenda com o Governo de Santa Catarina e realizou encontros técnicos na EPAGRI, abordando temas como ecologia, proteção ambiental e inovação no agronegócio.

As atividades foram acompanhadas pelo secretário de Articulação Internacional, Paulo Bornhausen, reforçando o caráter institucional da missão.

Parceria mira inovação e cadeias produtivas

A aproximação entre Santa Catarina e a China sinaliza novas possibilidades de cooperação em áreas estratégicas, como indústria, energia e agronegócio. A expectativa é ampliar investimentos, fomentar inovação e fortalecer a presença do estado no cenário global de negócios internacionais.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/FIESC

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Comércio Internacional

China devolve navios com soja brasileira e intensifica pressão por acordo sanitário

A devolução de cerca de 20 embarcações carregadas com soja brasileira pela China acendeu um sinal de alerta no comércio exterior brasileiro. O episódio tem ampliado a pressão sobre o governo para avançar em negociações que estabeleçam novos padrões sanitários de exportação.

O país asiático é o principal destino da soja do Brasil, o que aumenta a preocupação com possíveis reflexos na balança comercial.

Exigências sanitárias motivam rejeição das cargas

A decisão chinesa estaria relacionada à adoção de critérios mais rigorosos no controle sanitário das importações. As novas exigências passaram a ser aplicadas às cargas brasileiras, resultando na devolução dos navios.

O cenário levanta dúvidas sobre a continuidade das exportações de soja para a China e sobre a necessidade de adequação às normas internacionais mais recentes.

Governo busca solução para evitar prejuízos

Diante do impasse, autoridades brasileiras iniciaram tratativas com o governo chinês para alinhar os requisitos sanitários e reduzir o risco de novas rejeições.

A preocupação é evitar perdas financeiras relevantes para produtores e empresas exportadoras, além de preservar a competitividade do produto brasileiro no mercado global.

Impactos atingem logística portuária

A devolução das cargas também afeta a logística portuária, especialmente em terminais especializados em granéis sólidos, como o Porto de Santos.

Entre os principais impactos estão:

  • aumento de custos operacionais;
  • atrasos nas operações;
  • necessidade de reorganização no fluxo de embarques.

Esses fatores podem comprometer a eficiência das exportações no curto prazo.

Mercado vê endurecimento da China

Especialistas avaliam que o episódio pode indicar uma postura mais rígida da China nas negociações comerciais, exigindo maior rigor no cumprimento de normas sanitárias internacionais.

O setor produtivo acompanha a situação com cautela, temendo que novas restrições prejudiquem a participação do Brasil no mercado global de soja.

Expectativa por avanço nas negociações

A expectativa é que as negociações avancem rapidamente para restabelecer a normalidade nas exportações. O fluxo de soja brasileira é considerado estratégico para a economia nacional, sendo um dos pilares da balança comercial.

FONTE: Jornal Portuário
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/JP

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Comércio Internacional

Rússia suspende exportação de nitrato de amônio e pressiona oferta global de fertilizantes

A Rússia suspendeu a exportação de nitrato de amônio por um período de um mês, até 21 de abril, em meio ao cenário de restrição na oferta global de fertilizantes. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (24) e tem como objetivo priorizar o abastecimento interno durante a temporada de plantio da primavera.

O país responde por até 40% do comércio global de nitrato de amônio, o que amplia o impacto da medida no mercado internacional.

Decisão prioriza abastecimento interno

De acordo com o governo russo, todas as licenças de exportação foram suspensas temporariamente. Novas autorizações não serão concedidas, exceto para contratos governamentais já firmados.

A medida busca garantir o fornecimento do insumo para agricultores locais, em um período considerado crucial para o desenvolvimento das lavouras.

Crise global agrava cenário de fertilizantes

A suspensão ocorre em meio a uma crise no mercado global de fertilizantes, agravada por limitações logísticas e geopolíticas. Um dos fatores é o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde circula cerca de 24% do comércio mundial de amônia — matéria-prima essencial para a produção do nitrato de amônio.

Além disso, a Rússia enfrenta restrições para ampliar sua produção no curto prazo, o que limita a capacidade de resposta diante da demanda internacional.

Insumo é essencial para a agricultura

O nitrato de amônio é amplamente utilizado como fertilizante, especialmente no início do ciclo agrícola, contribuindo para o crescimento das culturas.

Desde 2021, o país já adota políticas de controle nas exportações do produto, incentivando produtores a priorizar o mercado doméstico.

Impactos no mercado internacional

A Rússia é responsável por cerca de um quarto da produção mundial do insumo e abastece diversos países, incluindo Brasil, Índia, Peru, Marrocos e Moçambique. A interrupção das exportações pode afetar cadeias agrícolas globais e pressionar preços.

Entre os principais produtores russos estão empresas como Eurochem, Acron e Uralchem.

Produção também enfrenta desafios

O cenário é agravado por problemas na produção interna. Em fevereiro, uma importante unidade industrial no oeste da Rússia, ligada à empresa Acron, foi atingida, comprometendo parte da capacidade produtiva do país. A expectativa é que a planta só retome plenamente suas operações a partir de maio.

Além do uso agrícola, o nitrato de amônio também é empregado na fabricação de explosivos, o que reforça sua relevância estratégica.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reuters

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia entra em vigor em maio de 2026 e amplia comércio internacional

O Acordo Mercosul–União Europeia começará a valer provisoriamente a partir de 1º de maio de 2026, conforme anunciou o governo brasileiro. A entrada em vigor marca um novo capítulo nas relações comerciais entre os blocos e abre caminho para a expansão do comércio internacional brasileiro.

Etapas para a vigência do acordo

A ativação do acordo comercial Mercosul União Europeia ocorre após a conclusão dos trâmites formais previstos no próprio instrumento. No Brasil, o processo avançou com a publicação do Decreto Legislativo nº 14, em 17 de março de 2026.

Na sequência, o país comunicou oficialmente à Comissão Europeia, em 18 de março, o encerramento dos procedimentos internos de ratificação. A resposta da União Europeia veio em 24 de março, confirmando o cumprimento das exigências necessárias para o início da vigência provisória.

Apesar disso, o decreto de promulgação — etapa final para incorporar o tratado ao ordenamento jurídico brasileiro — ainda está em fase final de tramitação.

Integração econômica após décadas de negociação

O início da vigência do acordo representa a conclusão de mais de 20 anos de negociações. O projeto é considerado um dos mais relevantes no âmbito da integração econômica internacional, com impacto direto na inserção do Brasil no comércio global.

A expectativa é de que o acordo fortaleça as relações comerciais entre os países do Mercosul e os membros da União Europeia, consolidando parcerias estratégicas.

Benefícios para empresas e consumidores

Com a implementação do acordo Mercosul UE, empresas brasileiras terão acesso ampliado a um dos maiores mercados do mundo. Entre os principais benefícios estão:

  • redução de tarifas de importação e exportação;
  • eliminação de barreiras comerciais;
  • maior previsibilidade regulatória;
  • estímulo a investimentos e à competitividade.

Além disso, consumidores no Brasil devem ter acesso a uma maior variedade de produtos europeus, enquanto exportadores nacionais ganham novas oportunidades de negócios.

Impactos na economia e nas cadeias globais

O acordo deve facilitar a integração do Brasil às cadeias globais de valor, ampliando o fluxo de comércio e investimentos entre os blocos. A medida também pode impulsionar setores produtivos e contribuir para a geração de empregos.

O governo brasileiro reforçou o compromisso de trabalhar em conjunto com os demais países do Mercosul e com a União Europeia para garantir a implementação efetiva do tratado e maximizar seus resultados econômicos e sociais.

FONTE: Ministério da Agricultura e Pecuária
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Ministério da Agricultura e Pecuária

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Comércio Internacional

Acordo UE-Mercosul entra em aplicação provisória a partir de maio

A aplicação provisória do acordo UE-Mercosul começará em 1º de maio, conforme anúncio feito nesta segunda-feira pela Comissão Europeia. A medida antecipa a implementação de pontos do tratado comercial firmado entre os blocos, mesmo antes da conclusão de todas as etapas legais.

Decisão ocorre apesar de questionamentos legais

Em janeiro, o Parlamento Europeu solicitou que tribunais analisassem a legalidade do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul, que envolve Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. O pedido levantou dúvidas sobre a conformidade jurídica do tratado, especialmente em relação a normas ambientais e comerciais.

Ainda assim, a Comissão Europeia decidiu avançar com a implementação provisória do acordo, o que permite que partes do tratado entrem em vigor enquanto o processo de ratificação completa segue em andamento.

Divergências entre países europeus

A decisão tem gerado reações divergentes dentro da Europa. O setor agrícola francês manifestou forte oposição, alegando possíveis prejuízos à competitividade local diante da abertura de mercado.

Por outro lado, governos como os da Alemanha e da Espanha demonstraram apoio à medida, destacando os potenciais ganhos econômicos e o fortalecimento das relações comerciais entre os blocos.

Impactos esperados no comércio internacional

A parceria comercial entre União Europeia e Mercosul é considerada uma das mais relevantes em negociação nos últimos anos. A expectativa é que o acordo amplie o fluxo de exportações, reduza tarifas e estimule investimentos entre as regiões.

No entanto, especialistas apontam que o sucesso da iniciativa dependerá do equilíbrio entre interesses econômicos e exigências regulatórias, especialmente em temas sensíveis como sustentabilidade e proteção de mercados internos.

FONTE: Estadão
TEXTO: Redação
IMAGEM: Adobe Stock

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul–União Europeia pode entrar em vigor em maio e ampliar comércio do Brasil

O acordo Mercosul–União Europeia pode começar a produzir efeitos já em maio, caso os processos de ratificação sejam concluídos dentro do prazo. A previsão é que aproximadamente 5 mil produtos brasileiros passem a entrar no mercado europeu com tarifa zero, ampliando as oportunidades de exportações do Brasil.

A informação foi destacada pela secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, em entrevista ao jornal Valor. Segundo ela, o desafio agora é transformar o potencial do acordo em negócios concretos.

“O acordo abre uma série de oportunidades, mas é preciso que o setor privado assuma esse processo e transforme essas possibilidades em comércio real”, afirmou.

Evento em São Paulo deve orientar setores da economia

Para explicar as mudanças trazidas pelo tratado, o governo brasileiro prepara uma agenda de divulgação voltada ao setor produtivo. No dia 27 de março, o vice-presidente Geraldo Alckmin deve participar de um evento em São Paulo ao lado do presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban.

Durante o encontro, especialistas vão promover workshops técnicos para detalhar os impactos do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia em diferentes segmentos da economia, incluindo regras de origem e cronograma de redução tarifária.

Abertura do mercado também será gradual para produtos europeus

O tratado também prevê redução de tarifas para produtos da União Europeia que entram no Mercosul. No entanto, essa abertura será feita de forma progressiva.

Inicialmente, apenas 14,5% das importações brasileiras provenientes da Europa terão tarifa zerada. Mesmo assim, cerca de 96% desses itens já possuem alíquota base de zero, o que indica impacto imediato limitado e uma transição gradual para os setores nacionais.

Negociações duraram mais de duas décadas

As negociações do acordo Mercosul–União Europeia começaram há mais de 20 anos. A primeira versão foi concluída em 2019, mas o texto voltou a ser discutido em 2023 para ajustes em pontos sensíveis.

Entre os temas mais debatidos esteve a possibilidade de o Brasil aplicar taxas de exportação sobre minerais críticos, considerados estratégicos para a indústria global. A versão atual permite que o país adote esse mecanismo caso considere necessário.

Outro dispositivo incluído no tratado é uma cláusula de reequilíbrio, que poderá ser acionada caso novas regras europeias — como políticas ambientais ou tarifas de carbono — afetem as concessões comerciais previstas.

Impactos esperados na economia brasileira

Estudos do governo indicam que o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia pode gerar efeitos positivos para a economia brasileira.

Entre os resultados estimados estão:

  • crescimento do PIB brasileiro;
  • aumento das exportações brasileiras;
  • maior fluxo de importações de tecnologia e insumos;
  • expansão dos investimentos estrangeiros;
  • redução de preços para consumidores.

A expectativa é que a indústria nacional também se beneficie do acesso a insumos mais competitivos, ampliando sua capacidade de exportação para outros mercados.

Guerra no Oriente Médio e comércio global

Durante a entrevista, Tatiana Prazeres também comentou os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o comércio internacional. Segundo ela, o principal fator de preocupação é o efeito do conflito sobre os preços do petróleo.

Além disso, o cenário pode gerar problemas logísticos, elevando custos de frete marítimo, seguros e combustíveis, o que tende a pressionar a inflação global.

Para o Brasil, os principais reflexos podem ocorrer nos preços dos combustíveis, na taxa de câmbio e nas cadeias de comércio ligadas a produtos como fertilizantes, milho, frango e açúcar — itens importantes nas relações comerciais com países do Oriente Médio.

Relações comerciais com os Estados Unidos seguem em diálogo

A secretária também destacou que o diálogo comercial entre Brasil e Estados Unidos continua em nível técnico, mesmo após o fim de tarifas adicionais que haviam sido aplicadas a produtos brasileiros.

Com o encerramento da medida em março, setores como madeira, móveis e calçados já se preparam para retomar vendas ao mercado norte-americano.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Carol Carquejeiro/Valor

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Comércio Internacional

Acordo Mercosul-UE desafia sistemas de pagamentos internacionais no comércio global

O acordo Mercosul-União Europeia entrou em uma etapa decisiva após sua assinatura em janeiro de 2026. Além dos impactos tarifários e comerciais, especialistas apontam que o tratado coloca em evidência um fator menos visível, mas crucial: a infraestrutura de pagamentos internacionais que sustentará as transações entre os dois blocos.

Depois de mais de duas décadas de negociações, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia abre caminho para a formação de uma das maiores áreas de livre comércio do planeta, ampliando oportunidades de exportações e importações entre América do Sul e Europa.

Implementação gradual do acordo comercial

De acordo com autoridades europeias, países do Mercosul como Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai poderão ampliar cotas de exportação com tarifa zero nos próximos meses.

Apesar do avanço, a implementação completa não ocorrerá de forma imediata. O bloco europeu avalia aplicar inicialmente apenas a parte comercial do tratado enquanto seguem os processos de ratificação política e legislativa nos países membros.

Essa aplicação provisória ocorre mesmo diante de resistências internas, especialmente no setor agrícola europeu.

Pressão política e resistência de agricultores

A negociação do acordo enfrenta forte oposição de produtores rurais em países como Espanha, França e Polônia.

Os agricultores temem a concorrência de produtos agrícolas sul-americanos, que possuem custos de produção menores e operam sob padrões regulatórios diferentes.

Na França, a pressão do setor agrícola chegou a gerar reservas por parte do governo quanto à assinatura do acordo em seu formato atual, evidenciando o peso político da questão.

Esse cenário mostra que o tratado ultrapassa o campo comercial, influenciando também cadeias globais de valor, regras regulatórias e estratégias geopolíticas.

Infraestrutura de pagamentos pode definir o sucesso do acordo

Embora o tratado trate principalmente de redução de tarifas e abertura de mercado, especialistas alertam para outro fator determinante: a interoperabilidade dos sistemas de pagamentos internacionais.

Segundo Alex Hoffmann, a redução de tarifas só se traduz em ganhos econômicos reais se empresas conseguirem realizar pagamentos transfronteiriços com rapidez e previsibilidade.

Na avaliação do executivo da PagBrasil, a falta de integração entre sistemas financeiros pode criar uma espécie de “alfândega financeira invisível”, dificultando as transações mesmo quando as barreiras comerciais são reduzidas.

Para ele, o maior obstáculo do comércio global moderno não está apenas nas tarifas, mas na fragmentação da infraestrutura financeira internacional.

Blockchain surge como alternativa para pagamentos globais

Outra perspectiva vem do setor de tecnologia financeira. Para Nathan Chow, o acordo pode acelerar a integração entre sistemas financeiros tradicionais e soluções baseadas em blockchain.

De acordo com o executivo da BitMart, a harmonização de padrões digitais entre Europa e América Latina pode criar corredores de pagamento mais eficientes e reduzir o atrito nas transferências internacionais.

Nesse contexto, o acordo funcionaria como um catalisador institucional para inovações financeiras, oferecendo maior previsibilidade regulatória em um ambiente global marcado por regras fragmentadas.

Interoperabilidade financeira no centro do comércio moderno

Apesar das abordagens diferentes, especialistas concordam em um ponto central: o comércio internacional do século XXI depende cada vez mais da conectividade entre sistemas financeiros.

Para empresas como a PagBrasil, o desafio é integrar as infraestruturas nacionais por meio de camadas interoperáveis, permitindo liquidações rápidas e previsíveis, inclusive em moedas locais.

Já o ecossistema cripto defende que tecnologias descentralizadas podem ajudar a reduzir custos de transação e ampliar o acesso a redes globais de valor.

Em ambos os casos, a dinâmica comercial passa a ser entendida não apenas como fluxo de mercadorias, mas também como fluxo digital de valor.

Tratado será teste para a arquitetura financeira global

A implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia pode se tornar um verdadeiro teste para a arquitetura global de pagamentos.

Enquanto governos discutem salvaguardas agrícolas e aprovação parlamentar, o setor privado acompanha outro desafio estratégico: construir as infraestruturas digitais capazes de sustentar o comércio internacional.

Sem essas conexões financeiras, especialistas alertam que até mesmo a maior zona de livre comércio do mundo pode enfrentar barreiras invisíveis — não nas fronteiras físicas, mas na capacidade de movimentar dinheiro com a mesma eficiência com que circulam bens, serviços e informações.

FONTE: Bloomberg Línea
TEXTO: Redação
IMAGEM: DIOGO SALLABERRY

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Comércio Internacional

Exportações da China crescem 21,8% no início de 2026 e superam expectativas do mercado

A China começou 2026 com um desempenho expressivo no comércio exterior. As exportações chinesas avançaram 21,8% em dólares entre janeiro e fevereiro, superando com ampla margem as previsões do mercado e indicando continuidade do ritmo forte após o superávit comercial recorde registrado no ano passado.

O resultado também ficou muito acima da expansão de 6,6% registrada em dezembro e da estimativa de 7,1% apontada por economistas consultados. O desempenho reforça a posição da segunda maior economia do mundo como um dos principais motores do comércio global.

Segundo especialistas, a demanda internacional por produtos tecnológicos tem sido um dos principais fatores por trás do avanço das remessas chinesas.

Tecnologia e eletrônicos lideram crescimento das exportações

O setor de tecnologia aparece entre os principais impulsionadores das exportações da China. A venda de circuitos integrados e produtos eletrônicos ganhou força com o aumento global de investimentos ligados à inteligência artificial.

Para Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit, esse movimento já era esperado diante da expansão do setor tecnológico.

Além disso, alguns segmentos tradicionais também surpreenderam positivamente. “O crescimento das exportações de roupas, têxteis e bolsas foi inesperado, considerando o desempenho fraco desses setores em 2025 diante da concorrência do Sudeste Asiático e do Sul da Ásia”, avaliou o economista.

Embarques podem acelerar com demanda dos EUA

Analistas apontam que o ritmo das exportações pode se intensificar no curto prazo. Há expectativa de que os dados de março mostrem um aumento adicional nos embarques, especialmente para os Estados Unidos.

Esse movimento estaria relacionado à tentativa de fabricantes chineses de antecipar exportações enquanto permanece em vigor a suspensão de tarifas comerciais determinada pela Suprema Corte norte-americana.

Outro fator seria o retorno de empresas chinesas a setores de menor valor agregado, como o têxtil, ampliando a presença do país nesses mercados.

Tensões geopolíticas ainda são risco para o comércio

Apesar do cenário positivo, economistas alertam que tensões geopolíticas podem afetar o comércio global nos próximos meses.

Ainda é incerto o impacto de possíveis conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, especialmente diante do risco de interrupções no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

Caso ocorram restrições no fluxo de energia ou transporte marítimo, a cadeia global de suprimentos poderia ser afetada.

China amplia estoques de commodities estratégicas

Nos primeiros meses do ano, a China também reforçou seus estoques de commodities essenciais para a indústria, incluindo minério de ferro e petróleo bruto.

A estratégia ajuda a proteger o setor produtivo contra eventuais oscilações nos mercados internacionais de energia e matérias-primas.

Superávit comercial cresce no início do ano

Os dados oficiais mostram ainda que o superávit comercial chinês atingiu US$ 213,6 bilhões entre janeiro e fevereiro, superando com folga os US$ 169,21 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

O resultado também ficou acima da previsão de economistas, que projetavam um saldo de US$ 179,6 bilhões.

As importações da China também apresentaram crescimento significativo no início de 2026, com alta de 19,8% no bimestre, acelerando em relação ao avanço de 5,7% observado em dezembro.

Fonte: Infomoney com informações de Reuters.

TEXTO: Redação

IMAGEM: Reprodução Infomoney / China Daily via REUTERS//File Photo

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Comércio Internacional

Guerra no Oriente Médio eleva preço de fertilizantes e ameaça custo de alimentos no Brasil

O conflito no Irã e no Oriente Médio começa a refletir diretamente no setor agrícola brasileiro. Além da alta do petróleo, a guerra tem pressionado os preços de fertilizantes, especialmente os nitrogenados, usados em culturas como milho e soja. A redução da oferta global pode, no longo prazo, elevar também o custo de carnes, ovos e outros alimentos que dependem desses insumos.

Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Oriente Médio responde por cerca de 30% dos fertilizantes comercializados mundialmente. Com o Estreito de Ormuz parcialmente bloqueado, o frete se encarece e aumenta o custo de chegada dos insumos, enquanto atrasos nos embarques elevam a volatilidade de preços e dificultam o planejamento agrícola. Dados do Rabobank indicam que 45% das exportações globais de ureia passam direta ou indiretamente por rotas ligadas ao Golfo Pérsico.

Dependência do Brasil e tipos de fertilizantes

O Brasil importa cerca de 85,7% dos fertilizantes usados na agricultura nacional, de acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). Em 2025, o país comprou 43,32 milhões de toneladas de fertilizantes, enquanto a produção interna foi de 7,22 milhões de toneladas. Os insumos mais utilizados são nitrogenados, fosfatados, potássicos e NPK (composto dos três nutrientes).

Do volume importado de fertilizantes nitrogenados, 15,8% vieram do Oriente Médio, enquanto China, Rússia e Nigéria responderam por 70,4%, segundo estudo do Insper Agro Global baseado em dados do Trade Data Monitor (2026). A ureia, em especial, já registra aumento de 33% no preço (incluindo custo e frete) desde o início do conflito, devido à elevação do preço do gás natural, matéria-prima fundamental.

Impactos na safra brasileira

Para o pesquisador Alberto Pfeifer, do Insper Agro Global, os efeitos ainda são limitados às safras futuras. “As plantações em andamento já utilizam estoques de fertilizantes disponíveis. O impacto maior deve aparecer na próxima safra de verão, que começa em agosto, dependendo da evolução do conflito”, afirmou. Nas culturas de milho e soja, os fertilizantes representam cerca de 40% do custo total da safra.

Fertilizantes fosfatados também registram aumento de cerca de 8% nos preços, influenciados pelo custo do gás natural. Bruno Lucchi, diretor técnico da CNA, reforça que o nitrogênio em estoque sustenta as safras atuais, e parte dos produtores já garantiu insumos para a próxima safra, com prazo até junho.

Repercussões internacionais e ajustes de mercado

Enquanto o Brasil observa a situação, outros países como Estados Unidos, Índia e nações europeias compram nitrogenados, já que o plantio de milho ocorre mais cedo nessas regiões. Segundo Lucchi, o aumento do custo dos fertilizantes pode reduzir áreas plantadas e afetar a dinâmica de preços internacionais de milho e soja.

Mauro Osaki, pesquisador do Cepea/USP, alerta que produtores que não compraram fertilizantes antecipadamente enfrentarão valores mais altos. Culturas como trigo e cevada podem sofrer redução de área ou perda de padrão tecnológico, devido à dificuldade de financiamento e rentabilidade negativa histórica.

Perspectivas e impacto nos alimentos

Embora seja possível redirecionar compras de fertilizantes para outros mercados, o desafio é garantir volume, preço competitivo, frete e entrega no tempo certo. Marcos Pelozato, advogado especializado em agronegócio, aponta que o cenário mais provável é o aumento de custos, disputa por carga e atrasos logísticos.

“O risco maior não é falta de alimentos no curto prazo, e sim preços mais altos. Quando o país importa 85% do que usa em fertilizantes, qualquer crise em rotas estratégicas pressiona a inflação de alimentos no Brasil”, explica Pelozato.

Hortaliças, legumes e parte do hortifruti devem sentir os efeitos primeiro, seguidos por grãos como milho, soja e trigo. Caso o conflito se prolongue, carnes, ovos e leite podem ser impactados indiretamente, já que dependem de milho e soja para a alimentação animal.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Ricardo Moraes/Reuters

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