Comércio Internacional

Tarifa dos EUA pode afetar mais de 4 mil produtos brasileiros, alerta CNI

Mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil podem ser impactados caso os Estados Unidos confirmem a adoção de novas tarifas sobre mercadorias brasileiras. A estimativa é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que calcula que cerca de 4,1 mil itens, equivalentes a US$ 14,9 bilhões em exportações brasileiras, poderão ser atingidos pelas medidas.

A audiência que discute a aplicação das novas tarifas começou nesta segunda-feira (6) e segue até terça-feira (7). A decisão final do governo norte-americano está prevista para o próximo dia 15 de julho.

Tarifas podem elevar taxação para 37,5%

De acordo com a CNI, a combinação das medidas propostas pode elevar a tributação adicional sobre produtos brasileiros para até 37,5%.

Há pouco mais de um mês, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) anunciou uma proposta de tarifa extra de 25% para produtos brasileiros, com exceção daqueles enquadrados nas regras de segurança nacional.

Além disso, outra proposta prevê uma tarifa adicional de 12,5% após a conclusão de uma investigação sobre trabalho forçado em cerca de 90 países, incluindo o Brasil. Segundo o USTR, essas nações não adotariam ou aplicariam de forma eficaz restrições à importação de bens produzidos com mão de obra forçada.

Caso as duas medidas sejam implementadas simultaneamente, a taxação adicional poderá atingir 37,5%.

Produtos industriais estão entre os mais expostos

Segundo o levantamento da CNI, o Brasil é o principal fornecedor dos Estados Unidos em 11 importantes produtos industriais, o que amplia os impactos potenciais das novas tarifas.

Entre os itens mais afetados estão:

  • Ferro-gusa não ligado;
  • Açúcar de cana em forma sólida;
  • Sebo não comestível;
  • Álcool etílico não desnaturado;
  • Molduras de madeira de pinho;
  • Tabaco curado por fumaça ou processado;
  • Peptonas e derivados;
  • Compensado de pinus;
  • Granito monumental ou de construção;
  • Estacas, paliças, postes e trilhos de madeira;
  • Hidróxido de alumínio.

CNI alerta para impactos na cadeia produtiva

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a adoção das novas tarifas pode gerar prejuízos tanto para empresas brasileiras quanto para companhias norte-americanas.

Segundo ele, o aumento da tributação compromete uma relação comercial construída ao longo de décadas e afeta cadeias produtivas integradas, nas quais diversos insumos brasileiros são considerados estratégicos para a indústria dos Estados Unidos.

Audiência em Washington reúne representantes contrários à medida

A audiência pública realizada em Washington contará com a participação do embaixador brasileiro Roberto Azevêdo, que representará a CNI na sessão desta terça-feira (7).

Dos 80 inscritos para se manifestar durante o processo, 66 devem apresentar posicionamento contrário às novas tarifas propostas pelo governo norte-americano.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Carlos Barria

Ler Mais
Comércio Internacional

Fretes marítimos de contêineres atingem maior patamar em quatro anos e pressionam comércio global

As tarifas spot de frete marítimo de contêineres voltaram a subir de forma expressiva e alcançaram os níveis mais elevados dos últimos quatro anos. O avanço é impulsionado pela corrida de importadores para antecipar embarques antes de novas tarifas comerciais, além das incertezas provocadas pelas tensões no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio internacional.

Os principais indicadores globais mostram que os preços se aproximam dos patamares registrados durante o auge da pandemia, quando a logística internacional enfrentou severas restrições de capacidade.

Índices globais registram forte alta nas principais rotas

O World Container Index, da Drewry, avançou 9% em uma semana e atingiu US$ 4.530 por contêiner de 40 pés (FEU).

Nas rotas entre a Ásia e os Estados Unidos, os aumentos foram ainda mais expressivos. O frete entre Xangai e Nova York subiu 11%, chegando a US$ 7.902 por FEU, enquanto o trajeto entre Xangai e Los Angeles avançou 10%, alcançando US$ 6.349.

Já nos serviços entre a Ásia e a Europa, os embarques para Roterdã registraram alta de 7%, para US$ 4.682 por FEU, e os destinados a Gênova aumentaram 10%, atingindo US$ 6.360.

Outro fator que contribui para a pressão sobre os preços é a redução da oferta de navios. Na próxima semana, a Drewry identificou oito blank sailings (cancelamentos de viagens) nas rotas transpacíficas, diminuindo a capacidade disponível para o transporte de cargas.

Freightos confirma aceleração dos fretes

Os dados da Freightos seguem a mesma tendência.

Na última semana, os fretes entre a Ásia e as costas Oeste e Leste dos Estados Unidos avançaram 8%, alcançando aproximadamente US$ 6.200 e US$ 8.000 por FEU, respectivamente.

Desde meados de maio, essas rotas acumulam altas de 120% e 85%.

No mercado europeu, os embarques para o Norte da Europa chegaram a US$ 4.900 por FEU, crescimento de 70% no período. Já os fretes para o Mediterrâneo atingiram US$ 6.500, avanço de 85%, superando inclusive os picos sazonais registrados em 2025.

Companhias marítimas elevam tarifas e sobretaxas

Diante da forte demanda, as grandes armadoras também reajustaram seus preços.

A HMM anunciou uma nova sobretaxa de alta temporada (Peak Season Surcharge – PSS) de US$ 3 mil por contêiner de 40 pés, válida a partir de 15 de julho.

Já a CMA CGM elevou sua tarifa Freight All Kinds (FAK) para a rota entre Ásia e Norte da Europa para US$ 6.300 por FEU, além de aplicar uma sobretaxa adicional de US$ 1 mil por TEU.

Nas operações destinadas ao Mediterrâneo, especialmente para cargas com destino à Argélia, os valores chegaram a US$ 10.200 por contêiner de 40 pés.

Antecipação de embarques impulsiona a demanda

O principal fator por trás da disparada dos preços é a antecipação das exportações.

Importadores vêm acelerando o envio de mercadorias diante da possibilidade de os Estados Unidos adotarem novas tarifas entre 10% e 12,5% sobre produtos de dezenas de países, em meio às discussões envolvendo trabalho forçado e política comercial.

Segundo o analista Lars Jensen, especialista no mercado de contêineres, o comportamento dos fretes reflete um desequilíbrio entre oferta e demanda.

Para ele, os navios operam praticamente com capacidade máxima, permitindo que as tarifas acompanhem a forte procura por espaço nas embarcações.

Oferta não acompanha crescimento da demanda

Levantamento da consultoria Linerlytica mostra que a demanda global por transporte de contêineres, medida em TEU-milha, cresce atualmente 7,3%, enquanto a oferta da frota mundial avança 5,4%.

Esse descompasso representa o maior desequilíbrio entre oferta e demanda desde o fim de 2024.

Ao mesmo tempo, o congestionamento portuário voltou a aumentar. Atualmente, quase 11% da frota mundial de navios porta-contêineres permanece fundeada aguardando atracação, o maior índice desde 2022.

Maersk revisa projeções após recuperação do mercado

O cenário favorável também levou a Maersk a revisar suas perspectivas financeiras para 2026.

Depois de alertar anteriormente para a possibilidade de prejuízo operacional de até US$ 1,5 bilhão, a companhia agora projeta um lucro operacional entre US$ 2 bilhões e US$ 4 bilhões.

A estimativa de EBITDA também foi elevada, passando para uma faixa entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões.

Além disso, a armadora revisou sua expectativa para o crescimento da demanda global por transporte marítimo de contêineres, elevando a projeção de cerca de 2% a 4% para aproximadamente 4% em 2026.

FONTE: Splash 247
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

Ler Mais
Comércio Internacional

Governo Lula apresenta plano aos EUA para evitar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

O governo federal entregou aos Estados Unidos uma proposta de negociação para tentar impedir a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, anunciada durante uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR). O documento foi apresentado nesta quinta-feira (2) e estabelece um roteiro para avançar nas negociações entre os dois países.

A iniciativa faz parte da estratégia brasileira para preservar o comércio entre Brasil e Estados Unidos, sem abrir mão de temas considerados estratégicos para o país.

Proposta prevê redução de tarifas em setores específicos

O plano foi entregue pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, durante reunião com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. O conteúdo do documento não foi divulgado oficialmente.

Entre as medidas apresentadas está a possibilidade de reduzir tarifas de importação em aproximadamente 300 linhas de produtos. Segundo o governo, a proposta foi elaborada em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

As reduções estariam concentradas em segmentos nos quais a produção nacional é limitada, como máquinas, equipamentos industriais e produtos de tecnologia da informação. A avaliação é que a medida pode ampliar o acesso de mercadorias norte-americanas ao mercado brasileiro sem comprometer a competitividade da indústria nacional.

Temas políticos ficam fora das negociações

O governo brasileiro informou que assuntos relacionados ao Pix, decisões do Poder Judiciário e temas de política interna não fazem parte das negociações com Washington.

A orientação é manter o diálogo restrito às questões comerciais levantadas pela investigação conduzida pelo USTR, evitando ampliar as discussões para outros assuntos diplomáticos ou políticos.

Além das medidas tarifárias, o documento busca demonstrar que as políticas brasileiras questionadas pelos Estados Unidos não provocam distorções comerciais nem estabelecem tratamento discriminatório às empresas norte-americanas.

Brasil e EUA terão novas rodadas de negociação

Durante o encontro, representantes dos dois países concluíram que será necessário ampliar as discussões técnicas antes da decisão final do governo norte-americano.

Uma nova reunião entre as equipes técnicas está prevista para o início da próxima semana. Outro encontro de alto nível deverá ocorrer antes de 15 de julho, data em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidirá se aplicará ou não as tarifas propostas.

Em nota oficial, o ministro Márcio Elias Rosa afirmou que as conversas continuam avançando sobre os seis temas incluídos na investigação da Seção 301 do USTR: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal.

Segundo o ministro, ambos os governos consideram o diálogo produtivo, mas reconhecem que será necessário mais tempo para detalhar propostas e aproximar posições.

Entenda as tarifas propostas pelos Estados Unidos

A investigação conduzida pelo USTR prevê duas possíveis medidas tarifárias contra produtos brasileiros.

A primeira estabelece uma tarifa adicional de 25%, relacionada à investigação sobre supostas práticas comerciais consideradas desleais.

A segunda prevê uma cobrança de 12,5% em razão de questionamentos sobre a importação de produtos fabricados com trabalho análogo à escravidão, tema analisado em uma investigação de alcance global.

As medidas ainda não entraram em vigor. O governo norte-americano abriu consulta pública sobre o caso até 6 de julho. No dia 7 será realizada uma audiência pública, enquanto a decisão definitiva sobre a adoção das sanções está prevista para 15 de julho.

Flávio Bolsonaro participa do processo de consulta pública

O senador Flávio Bolsonaro inscreveu-se para participar da audiência pública promovida pelo USTR. Conforme o documento apresentado às autoridades norte-americanas, o parlamentar defenderá a suspensão das tarifas e buscará uma solução negociada para as questões levantadas na investigação.

O gabinete do senador também encaminhou um documento ao órgão norte-americano argumentando que a adoção das tarifas poderia gerar efeitos políticos favoráveis ao governo brasileiro.

Desde o anúncio da investigação comercial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem contestado as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a possível adoção das sanções. Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a manifestação enviada por Flávio Bolsonaro tem como principal objetivo influenciar o debate político interno no Brasil.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

Ler Mais
Comércio Internacional

Argentina zera imposto de exportação para produtos da mineração e indústria

O governo da Argentina oficializou a redução para 0% dos direitos de exportação incidentes sobre diversos produtos ligados aos setores de mineração e indústria. A medida foi estabelecida pelo Decreto nº 566/2026, publicado em 1º de julho de 2026 no Boletim Oficial do país.

A nova regra elimina imediatamente a cobrança sobre exportações de aço, alumínio, cobre, zinco, estanho e outros metais industriais relacionados no Anexo I do decreto. O benefício também passa a valer para diferentes produtos da indústria automotiva, fortalecendo a competitividade desses segmentos no mercado internacional.

Redução será gradual para outros produtos

Além das mudanças imediatas, o decreto prevê um cronograma de redução progressiva das alíquotas para outro grupo de produtos dos mesmos setores, listados no Anexo II, além de determinados hidrocarbonetos constantes no Anexo III.

Segundo o governo argentino, a diminuição ocorrerá de forma escalonada até que a alíquota alcance 0% em junho de 2027, ampliando o alcance da política de incentivo às exportações.

Governo aposta no fortalecimento das exportações

A iniciativa integra uma estratégia voltada ao fortalecimento da economia argentina, com foco na ampliação das exportações, no aumento da competitividade internacional e na geração de divisas.

De acordo com o Poder Executivo, a redução dos tributos também busca diminuir os custos fiscais e financeiros enfrentados pelos exportadores, mantendo, ao mesmo tempo, o equilíbrio das contas públicas.

FONTE: Marval
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Marval

Ler Mais
Comércio Internacional

Brasil e Panamá iniciam negociações para novo acordo comercial bilateral

Brasil e Panamá oficializaram o início das negociações para um novo acordo comercial bilateral, com o objetivo de fortalecer as relações econômicas, ampliar o fluxo de comércio exterior e estimular novos investimentos entre os dois países.

O anúncio foi feito por meio de uma declaração conjunta, na qual os governos reafirmam os históricos laços de amizade e cooperação, além do compromisso com o avanço da integração econômica regional.

Negociações serão conduzidas no âmbito do Acordo de Complementação Econômica

As tratativas ocorrerão com base no Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 76 MERCOSUL–Panamá, buscando a construção de um acordo amplo, equilibrado e alinhado às prioridades comerciais de ambas as nações.

A decisão dá continuidade aos entendimentos iniciados durante a visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Panamá, em janeiro de 2026, quando foram assinados os termos de referência que estabeleceram as bases para o início das negociações.

Meta é concluir o acordo até a cúpula do MERCOSUL em 2027

Os dois governos manifestaram a intenção de conduzir as negociações de forma ágil e colaborativa, com a expectativa de finalizar o acordo durante a Cúpula de Chefes de Estado do MERCOSUL e Estados Associados, prevista para julho de 2027, na Argentina.

A proposta é consolidar um instrumento comercial que fortaleça a cooperação bilateral e amplie as oportunidades para empresas e investidores dos dois países.

Cooperação econômica e desenvolvimento sustentável estão entre os objetivos

Na declaração conjunta, Brasil e Panamá reforçam o compromisso de aprofundar os vínculos econômicos e comerciais, promovendo ações que favoreçam o desenvolvimento sustentável, a geração de oportunidades e a prosperidade das duas sociedades.

O documento também destaca a importância de manter um ambiente de negócios com regras claras, previsibilidade jurídica e benefícios mútuos, criando condições favoráveis para a expansão das relações comerciais.

FONTE: Ministério das Relações Exteriores
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Aduana News

Ler Mais
Comércio Internacional

Acordo Mercosul-União Europeia abre uma nova porta para as exportações, mas quem está preparado para atravessá-la?

Evento Conexões Produtivas apresenta oportunidades para Santa Catarina e reforça que preparação será decisiva para transformar o acordo em negócios

Foram 26 anos de negociações até que o acordo entre Mercosul e União Europeia chegasse ao ponto de abrir uma das maiores áreas de livre comércio do mundo. Agora, com um mercado de aproximadamente 450 milhões de consumidores ao alcance das empresas brasileiras, uma nova etapa começa. Com a aplicação provisória do tratado de livre comércio em vigor desde dia 1º de maio de 2026, a grande questão passou a ser: quem está preparado para aproveitar essa oportunidade?

Essa reflexão deu o tom do painel “Oportunidades para a Indústria no Acordo Mercosul-União Europeia”, apresentado durante o Conexões Produtivas, realizado nesta terça-feira (30), no Porto de Itajaí. O evento reuniu representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Sebrae e lideranças do setor produtivo para discutir como transformar o acordo em aumento real das exportações brasileiras. Segundo os especialistas, o maior o desafio a partir de agora está na capacidade, e no interesse, das empresas em atender às exigências técnicas, comerciais e estratégicas impostas pelo novo cenário.

Gustavo Ribeiro – gerente de inteligência de mercado ApexBrasil apresentou dados Painel de Oportunidades para Santa Catarina. (Foto: Daiana Brocardo / ReConecta News)

Santa Catarina tem mais de 800 oportunidades identificadas

Durante o encontro, a ApexBrasil apresentou o Painel de Oportunidades para Santa Catarina, um estudo que identificou 805 oportunidades de exportação para empresas catarinenses. Segundo Gustavo Ribeiro – gerente de inteligência de mercado ApexBrasil,desse total, cerca de 600 oportunidades estão concentradas na indústria, enquanto aproximadamente 150 pertencem ao agronegócio, abrangendo segmentos em que o estado já possui alta competitividade, como máquinas e equipamentos, metalmecânico, móveis, papel e celulose, têxtil, alimentos e fruticultura.

Os números mostram que existe um potencial muito maior e que vai além. Em 2025, Santa Catarina exportou US$ 12,197 bilhões, sendo US$ 1,356 bilhão destinados à União Europeia, desempenho que ainda está abaixo da média nacional de participação desse mercado, indicando espaço significativo para crescimento.

Mais do que redução de tarifas

Grande parte das discussões sobre o acordo está ficado na redução de impostos de importação europeus. Mas os especialistas presentes no evento destacaram que o impacto vai muito além das tarifas. Dos aproximadamente 9.300 produtos contemplados pelo acordo, mais da metade das linhas tarifárias da União Europeia já passam a contar com tarifa zero ou reduzida desde a entrada em vigor provisória do tratado. Outros 25% terão redução gradual entre quatro e sete anos.

Para Gustavo Ribeiro, gerente de inteligência de mercado da ApexBrasil, isso muda a lógica das decisões empresariais. Segundo ele, as empresas passam a reavaliar fatores como localização de fábricas, cadeias produtivas e estratégias de investimento, uma vez que o acesso facilitado ao mercado europeu passa a integrar o cálculo de competitividade das organizações. O Brasil reúne vantagens como estabilidade econômica, inflação controlada e baixo desemprego, fatores que também influenciam esse movimento.

Painel trouxe a experiência de empresas catarinenses nas exportações para a União Europeia.
(Foto: Giovana Santos / ReConecta News)

Preparação será o diferencial

Se o acesso ao mercado europeu ficou mais perto, o mesmo não acontece com as exigências para competir nele. O acordo estabelece regras de origem mais rigorosas, prevê mecanismos de autocertificação, amplia a proteção das indicações geográficas, facilita habilitações sanitárias e cria oportunidades em compras governamentais, serviços e investimentos. Também reforça requisitos relacionados à rastreabilidade, sustentabilidade e conformidade regulatória. Além disso, cada um dos 27 países do bloco europeu tem particularidades regulatórias, tributárias, comerciais e culturais.

Na prática, isso significa que apenas empresas preparadas para atender aos padrões internacionais conseguirão aproveitar os benefícios do tratado. Segundo a secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, a própria Secretaria já disponibilizou manuais técnicos para orientar empresários sobre regras de origem, desgravação tarifária e indicações geográficas, demonstrando que conhecimento passa a ser tão importante quanto capacidade produtiva.

Secretária de Comércio Exterior do MDIC, Tatiana Prazeres, falou sobre as oportunidades e preparação para esse novo momento. (Foto: Daiana Brocardo / ReConecta News)

PEIEX – Programa de Qualificação para Exportação

Uma das iniciativas para ajudar as empresas a aproveitarem essas oportunidades, é o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), oferecido pela ApexBrasil junto com o Sebrae. A iniciativa prepara empresas que desejam começar a exportar ou ampliar sua atuação no mercado internacional. Por meio de consultorias e orientações gratuitas, o programa ajuda empresários a organizar processos, conhecer melhor o mercado externo e se preparar para atender às exigências de compradores de outros países.

Para participar, a empresa deve procurar a unidade do PEIEX responsável por sua região e realizar a inscrição quando houver vagas abertas. O atendimento é gratuito e voltado, principalmente, para micro, pequenas e médias empresas com potencial para exportar.

Conectar empresas para gerar negócios

O diretor de Gestão Corporativa da ApexBrasil, Floriano Pesaro, afirmou que o objetivo do Conexões Produtivas é justamente aproximar empresários dos instrumentos capazes de transformar oportunidades em exportações efetivas. Segundo ele, o acordo abre um novo mercado, reduz barreiras tarifárias e cria condições para ampliar a competitividade da indústria brasileira no exterior. “Nós vamos conectando pessoas, agentes públicos, não governamentais e grandes, pequenos e médios empresários para que possamos todos juntos aproveitar essa janela imensa que se abre com o acordo.”

Pesaro também destacou que Santa Catarina foi escolhida para sediar a segunda edição nacional do evento pela relevância de sua indústria de transformação e pela importância estratégica do complexo portuário de Itajaí para a logística brasileira.

A porta está aberta: próximo passo depende das empresas.

Depois de mais de duas décadas de negociações, o acordo Mercosul-União Europeia deixa de ser apenas uma conquista diplomática para se tornar um desafio empresarial. As barreiras tarifárias começam a cair. Novos mercados passam a ficar mais acessíveis. Instituições públicas oferecem ferramentas, estudos e apoio técnico.

Mas nenhuma dessas iniciativas substitui aquilo que será decisivo nos próximos anos: investimento em inovação, adequação às normas internacionais, inteligência comercial e planejamento estratégico.

A porta para a Europa está aberta.

Agora, a resposta para o questionamento trazido durante o Conexões Produtivas dependerá de cada empresa brasileira: quem, de fato, está preparado para atravessá-la?

TEXTO: ReConecta News

IMAGEM DE CAPA: Porto de Itajaí

Ler Mais
Comércio Internacional

Acordo Mercosul-União Europeia impulsiona empresas brasileiras de médio porte rumo às exportações

A entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia está acelerando os planos de internacionalização de empresas brasileiras de médio porte. Após o comércio entre Brasil e Europa atingir a marca histórica de US$ 100 bilhões em 2025, companhias de diversos segmentos intensificam investimentos para ampliar sua presença no mercado europeu.

Embora o tratado elimine tarifas para cerca de 92% das exportações do Mercosul, conquistar espaço na União Europeia exige adequação a rigorosos padrões regulatórios, sanitários, ambientais e de rastreabilidade.

Exigências técnicas continuam sendo o principal desafio

Apesar das vantagens comerciais proporcionadas pelo acordo, as empresas precisam atender às normas sanitárias e fitossanitárias da União Europeia, além das regras previstas pelo Regulamento Europeu Antidesmatamento (EUDR).

Especialistas avaliam que cumprir esses requisitos deixou de representar um diferencial competitivo e passou a ser uma condição indispensável para acessar o mercado europeu.

Empresas investem em certificações para conquistar espaço na Europa

A catarinense Peach Up, fabricante de cosméticos, acaba de concluir o processo de certificação que permite comercializar seus produtos nos 27 países da União Europeia.

Segundo a fundadora da empresa, Lu Soares, a aprovação exigiu cerca de nove meses de trabalho e diversas adaptações técnicas, incluindo mudanças na formulação do principal produto, comprovação da segurança dos materiais utilizados nas embalagens e a contratação de um responsável técnico sediado na Europa.

Antes da autorização europeia, a empresa buscou a certificação da Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, considerada uma etapa importante para fortalecer a credibilidade internacional da marca.

Com a nova autorização, a Peach Up iniciou a busca por distribuidores no continente e prevê os primeiros embarques nos próximos meses. A expectativa é reduzir aproximadamente 30% dos custos tributários com o novo acordo comercial.

Setor de cosméticos aposta na redução da burocracia

Outra empresa que amplia sua atuação internacional é a cearense Labotrat, que já concluiu todo o processo regulatório necessário para operar na Europa.

Segundo a companhia, o maior benefício do acordo está na simplificação dos procedimentos de habilitação comercial, que atualmente podem levar de três meses a um ano.

Além da redução da burocracia, a empresa projeta queda de cerca de 10% no preço final de seus produtos para os consumidores europeus e menor custo de produção com a eliminação das tarifas sobre máquinas, equipamentos e insumos químicos importados da Europa.

Após embarcar seu primeiro contêiner para o continente, a Labotrat iniciou operações em Portugal e já prepara sua expansão para o mercado espanhol.

Cacau brasileiro também amplia presença internacional

No setor de alimentos, a baiana Amma Chocolate retomou as exportações de cacau orgânico para França, Espanha e Dinamarca, após a interrupção das vendas durante a pandemia.

A empresa possui certificação europeia de produto orgânico, que exige rastreabilidade completa da cadeia produtiva e produção em sistemas agroflorestais.

Além da expectativa de redução tributária entre 5% e 15%, a companhia acredita que o acordo facilitará a importação de equipamentos utilizados na produção industrial.

Rastreabilidade ganha importância nas exportações

Para a GS1 Brasil, entidade responsável pelos padrões globais de identificação de produtos, o acordo fortalece a necessidade de rastreabilidade, transparência e padronização em toda a cadeia produtiva.

A instituição destaca que empresas de médio porte tendem a enfrentar maiores desafios de adaptação, principalmente por possuírem estruturas menores para lidar com exigências regulatórias internacionais.

Entre os cerca de 61 mil associados da entidade, aproximadamente um quarto é formado por empresas de médio porte. Para apoiar esse público, a GS1 prepara materiais técnicos voltados às novas exigências do mercado europeu.

ESG passa a ser requisito para acesso ao mercado europeu

Na avaliação de especialistas, as normas relacionadas a ESG, sustentabilidade e origem dos produtos deixaram de representar apenas uma estratégia de marketing.

Segundo Camila Nicolau, advogada especializada no agronegócio, o cumprimento das exigências ambientais passou a funcionar como uma verdadeira barreira comercial para empresas que desejam exportar.

Ela observa que pequenos e médios negócios também enfrentam desafios financeiros para realizar as adaptações necessárias, cenário que pode aumentar a pressão sobre o setor.

Além das adequações ambientais, especialistas recomendam investimentos em certificações sanitárias, revisão de contratos internacionais, rotulagem adequada e registro de marcas em todos os países da União Europeia.

Indústria brasileira amplia investimentos para crescer na Europa

A fabricante de equipamentos para o setor alimentício Prática também reforçou sua estratégia internacional.

Após inaugurar um escritório em Colônia, na Alemanha, a empresa pretende abrir capital na Bolsa de Madri até o fim de 2026.

Para atender às exigências europeias, a companhia investiu aproximadamente 150 mil euros na certificação de uma linha de fornos rápidos, incluindo testes de compatibilidade eletromagnética e desenvolvimento de novos fornecedores.

Com faturamento de R$ 460 milhões no último ano, a empresa destaca que as operações internacionais já representam entre 25% e 30% da receita total, enquanto as vendas para o mercado europeu cresceram 73% no período.

A expectativa do setor é que a implementação gradual do acordo Mercosul-União Europeia fortaleça ainda mais as exportações brasileiras, reduzindo custos, ampliando a competitividade e estimulando novos investimentos em inovação, qualidade e sustentabilidade.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Datamar News

Ler Mais
Comércio Internacional

Compras na China impulsionam comércio global de serviços, aponta relatório

A expansão da tendência de compras na China vem se consolidando como um importante fator de crescimento para o comércio global de serviços, segundo relatório divulgado pelo Instituto Xinhua. O estudo destaca que o aumento do fluxo de consumidores e turistas internacionais está fortalecendo diversos segmentos da economia e ampliando a participação chinesa no mercado mundial de serviços.

Intitulado “Compras na China: Compartilhando Novas Oportunidades de Desenvolvimento Aberto”, o documento foi apresentado nesta sexta-feira e analisa os impactos da estratégia sobre o turismo, o comércio e atividades relacionadas.

Exportações de serviços de viagem registram forte crescimento

De acordo com o levantamento, as exportações de serviços de viagem da China alcançaram 393,98 bilhões de yuans (cerca de US$ 57,8 bilhões) em 2025, representando um crescimento de 49,5% em comparação com o ano anterior.

O desempenho fez do segmento o mais dinâmico entre todas as categorias de exportação de serviços do país, refletindo o aumento da demanda internacional por viagens e experiências de consumo em território chinês.

Turismo fortalece economia e amplia oportunidades

O relatório destaca que o movimento de compras na China tem contribuído diretamente para elevar as receitas do setor de turismo, ao mesmo tempo em que melhora a estrutura do comércio de serviços do país.

Além do impacto econômico interno, a presença crescente de visitantes estrangeiros também ajuda a estimular a recuperação do mercado global de turismo, criando novas oportunidades para empresas e destinos ligados à cadeia internacional de serviços.

Setores como aviação, seguros e finanças também são beneficiados

O estudo aponta ainda que a expansão dessa tendência gera efeitos positivos em diferentes áreas da economia. Entre os segmentos favorecidos estão a aviação, os seguros, os serviços financeiros e outras atividades que dão suporte às viagens internacionais.

Segundo o Instituto Xinhua, esse movimento fortalece a integração entre mercados e amplia a cooperação no setor de serviços, contribuindo para o crescimento da economia global.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Xinhua/Guo Cheng

Ler Mais
Comércio Internacional

Preços do açúcar, café e cacau avançam com onda de calor na Europa e efeitos do El Niño

Os mercados internacionais de açúcar, café e cacau encerraram a semana sob forte influência das condições climáticas. A combinação da intensa onda de calor na Europa com as preocupações em torno do El Niño elevou a percepção de risco para a oferta global das commodities agrícolas, impulsionando as cotações, principalmente do açúcar e do cacau.

Clima extremo sustenta alta do açúcar

Os contratos futuros do açúcar bruto negociados na ICE fecharam em alta de 3,2%, cotados a 13,98 centavos de dólar por libra-peso, depois de atingirem o maior nível em cerca de duas semanas e meia, de 14,09 centavos. No acumulado da semana, o avanço foi de 2,8%.

Segundo analistas do mercado, a valorização reflete a preocupação com o clima em importantes regiões produtoras. A severa onda de calor registrada na Europa, a redução de aproximadamente 42% nas chuvas de monção na Índia e o tempo quente e seco na Tailândia reforçam os temores de impactos sobre a produção mundial.

Apesar desse cenário, a queda dos preços da energia limita ganhos mais expressivos. Isso porque o petróleo mais barato aumenta a tendência de destinar uma parcela maior da cana-de-açúcar para a fabricação de açúcar, reduzindo o uso da matéria-prima na produção de etanol.

Já o açúcar branco registrou valorização de 4,3%, encerrando o dia cotado a US$ 464 por tonelada, após alcançar o maior patamar em quase três meses. Na semana, o produto acumulou alta de 5,2%, favorecido pelas dificuldades climáticas enfrentadas pela Europa.

El Niño mantém mercado de café em alerta

No mercado de café, os contratos do robusta recuaram 1%, encerrando a sessão a US$ 3.627 por tonelada. Mesmo com a queda diária, especialistas destacam que o El Niño continua sendo um importante fator de sustentação dos preços, devido ao risco de temperaturas elevadas e menor volume de chuvas no Sudeste Asiático e na Índia, regiões estratégicas para a produção da variedade.

O café arábica também registrou baixa de 1,2%, sendo negociado a US$ 2,732 por libra-peso, após renovar recentemente a máxima de quase seis semanas.

No Brasil, as chuvas associadas ao fenômeno climático provocaram atrasos na colheita e afetaram parte da qualidade dos grãos. Ainda assim, a expectativa permanece positiva para uma safra robusta do maior produtor mundial de arábica. A previsão de melhora nas condições climáticas ao longo dos próximos dias deve favorecer o avanço dos trabalhos no campo.

Cacau acumula forte valorização na semana

O cacau foi uma das commodities de maior destaque no período. Em Londres, os contratos fecharam em queda de 2,8%, cotados a £ 3.820 por tonelada, mas encerraram a semana com valorização acumulada de 16%.

Em Nova York, os contratos recuaram 2,9% no fechamento diário, para US$ 5.095 por tonelada. No entanto, o saldo semanal foi expressivo, com alta de 20%.

De acordo com análises do mercado, a valorização do cacau reflete a transição para uma fase ativa do El Niño, a redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio e o desenvolvimento mais lento da safra principal 2026/27 na África Ocidental. Apesar disso, instituições financeiras ainda projetam um excedente de produção para a temporada e avaliam que parte do prêmio de risco associado ao fenômeno climático pode estar acima do necessário.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Infomoney

Ler Mais
Comércio Internacional

Irã e Omã iniciam diálogo sobre gestão do Estreito de Ormuz em meio à redução do tráfego marítimo

Irã e Omã realizaram a primeira reunião do comitê conjunto criado para discutir questões relacionadas ao Estreito de Ormuz. O encontro aconteceu em Mascate e teve como foco os direitos dos países costeiros do Golfo e a futura administração estratégica da hidrovia.

A informação foi divulgada pelo vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, por meio da rede social X, nesta segunda-feira (29). Segundo ele, as discussões seguem as diretrizes do memorando de entendimento firmado neste mês entre Teerã e Washington.

De acordo com Gharibabadi, participaram da reunião o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e o chanceler de Omã, Badr Albusaidi. Durante o encontro, os representantes analisaram temas pendentes relacionados ao estreito e debateram cinco eixos previstos no acordo, incluindo a gestão futura da rota marítima e os direitos soberanos dos países banhados pelo Golfo.

Movimento de navios segue abaixo do nível registrado antes do conflito

Apesar do início das negociações diplomáticas, o fluxo de embarcações no Estreito de Ormuz permanece reduzido. Dados da empresa de inteligência marítima Kpler apontam que, entre os dias 25 e 28 de junho, 124 navios transportando commodities cruzaram a região. O volume corresponde, aproximadamente, ao que costumava ser registrado em apenas um dia antes da escalada do conflito no Oriente Médio. O levantamento considera petroleiros, navios graneleiros e embarcações que transportam gás natural liquefeito (GNL) e gás liquefeito de petróleo (GLP). Os números, no entanto, não incluem navios porta-contêineres.

Responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados globalmente, o Estreito de Ormuz continua sendo um dos principais pontos de atenção para o comércio internacional. Nos últimos dias, a região foi palco de novos episódios de tensão envolvendo Estados Unidos e Irã, incluindo ataques próximos à hidrovia e ações contra instalações militares norte-americanas em países do Golfo.

Embora integrantes do governo dos Estados Unidos tenham afirmado que a navegação permanece livre na região, operadores do transporte marítimo ainda enfrentam um cenário de insegurança, o que mantém elevados os riscos para embarcações e tripulações que transitam pelo estreito.

Fonte: Com informações da CNN Brasil, Reuters e Kpler

Texto: Redação

Imagem: Reprodução CNN / Hwawon Ceci Lee / Anadolu via Getty Images

Ler Mais
Instagram
LinkedIn
YouTube
Facebook