Comércio Internacional

Acordo UE-Mercosul enfrenta novas barreiras e gera preocupação com acesso ao mercado europeu

A entrada em vigor do acordo UE-Mercosul trouxe expectativas de ampliação do comércio e dos investimentos entre os dois blocos. No entanto, uma série de novas medidas discutidas ou adotadas pela União Europeia tem gerado preocupações entre os países sul-americanos, especialmente o Brasil, que vê crescer o risco de restrições ao acesso ao mercado europeu mesmo após concessões negociadas ao longo de décadas.

Em um cenário global marcado por tensões comerciais, barreiras regulatórias e enfraquecimento das regras multilaterais, especialistas avaliam que acordos comerciais já não garantem, por si só, acesso estável aos mercados internacionais.

Restrição ao aço abre primeiro foco de tensão

O primeiro grande teste para a relação entre os dois blocos envolve o setor siderúrgico. Bruxelas pretende implementar novas restrições às importações de aço com o argumento de combater a sobrecapacidade global de produção, atribuída principalmente à China.

A proposta prevê uma redução significativa das cotas de exportação atualmente disponíveis e a elevação da tarifa aplicada aos volumes que ultrapassarem esses limites, passando de 25% para 50%.

A medida causa desconforto porque o acordo Mercosul-União Europeia prevê justamente a eliminação dessas tarifas. Para países como Brasil e Argentina, a iniciativa reduz parte dos benefícios comerciais que haviam sido negociados no tratado.

Suspensão da carne bovina amplia insatisfação

Outro episódio que gerou reação em Brasília foi a suspensão das importações de determinados produtos de carne bovina brasileira pela União Europeia.

O bloco europeu justificou a decisão com preocupações relacionadas à presença de antimicrobianos utilizados na produção animal. Embora o tema já estivesse sendo discutido entre as partes, autoridades brasileiras consideraram a medida desproporcional, especialmente por ter sido adotada logo após o início da vigência do acordo.

Agora, a expectativa é que a documentação enviada pelo governo brasileiro permita uma reavaliação da decisão e uma eventual reabertura parcial do mercado europeu para esses produtos.

Açúcar, soja e biocombustíveis também entram no radar

As preocupações não se limitam ao setor pecuário. Em maio, a União Europeia suspendeu por um ano um regime aduaneiro que facilitava a entrada de açúcar bruto destinado ao refino e posterior reexportação.

A medida afeta diretamente o Brasil, principal fornecedor dentro desse sistema.

Além disso, mudanças recentes na política europeia para biocombustíveis classificaram o óleo de soja como matéria-prima de alto risco de mudança indireta no uso da terra, associando sua produção a potenciais impactos sobre o desmatamento. A decisão reduz as oportunidades de acesso do produto ao mercado europeu.

União Europeia busca ampliar autossuficiência agrícola

Novas propostas em discussão também podem afetar as exportações agrícolas do Mercosul.

Bruxelas avalia estratégias para aumentar a produção interna de oleaginosas e proteínas vegetais, elevando a participação da produção europeia no abastecimento do bloco. A iniciativa poderá reduzir a dependência de importações de soja provenientes do Brasil, Argentina e Estados Unidos.

Paralelamente, a União Europeia pretende ampliar as compras desses produtos da Ucrânia, país que busca ingressar oficialmente no bloco europeu.

Novas regras industriais podem criar obstáculos adicionais

O setor industrial também acompanha com atenção a elaboração de novos mecanismos de proteção ao mercado europeu.

Entre as propostas está o chamado Industrial Accelerator Act, iniciativa que pretende fortalecer a indústria local por meio de exigências de produção doméstica para acesso a licitações públicas e programas de subsídios.

Na avaliação de especialistas, caso seja implementada sem mecanismos de equilíbrio, a medida poderá restringir o acesso de empresas do Mercosul ao mercado europeu de compras governamentais.

Taxa de carbono e lei antidesmatamento elevam desafios

Outro ponto de atenção é o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), conhecido como taxa de carbono da União Europeia. Previsto para entrar em vigor plenamente em 2027, o instrumento poderá gerar custos adicionais para exportadores brasileiros de determinados produtos.

No mesmo ano, passará a valer a rigorosa Lei Antidesmatamento da União Europeia, que estabelecerá critérios para a comercialização de commodities como soja, carne bovina, café, madeira, cacau, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados como couro, chocolate, pneus e móveis.

As regras restringirão a entrada de mercadorias associadas a áreas desmatadas após 2020.

Cresce percepção de desequilíbrio no acordo

A sucessão de medidas tem alimentado a percepção, em setores produtivos do Mercosul, de que as concessões obtidas no acordo comercial podem ser reduzidas por novas exigências regulatórias, sanitárias, ambientais ou industriais.

Enquanto os compromissos assumidos pelos países sul-americanos permanecem válidos, o surgimento de novas barreiras gera dúvidas sobre os ganhos efetivos esperados com o tratado.

Para exportadores e representantes da indústria, o desafio agora será garantir que os benefícios negociados no acordo UE-Mercosul sejam preservados e não sejam gradualmente limitados por mudanças regulatórias posteriores.

FONTE: Valor International
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Agência Sebrae de Notícias

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Comércio Internacional

Argentina registra superávit comercial de US$ 3,5 bilhões em maio

A Argentina fechou maio com um superávit comercial de US$ 3,5 bilhões, segundo dados divulgados pelo instituto nacional de estatísticas do país na última quinta-feira (19).

No período, as exportações totalizaram US$ 9,54 bilhões, enquanto as importações somaram US$ 6,03 bilhões.

O resultado superou as expectativas do mercado. Analistas consultados pela Reuters projetavam um superávit comercial de US$ 2,2 bilhões para o mês.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: Datamar News

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Comércio Internacional

Acordos de livre comércio do Mercosul com Singapura e EFTA ampliam oportunidades para exportações brasileiras

O Senado Federal aprovou, em caráter de urgência, dois importantes acordos de livre comércio do Mercosul, ampliando o acesso de empresas brasileiras a mercados de alto poder aquisitivo na Ásia e na Europa. As medidas envolvem uma parceria com Singapura e outra com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Os projetos já haviam recebido aval da Câmara dos Deputados e agora seguem para promulgação pelo Congresso Nacional, consolidando um novo passo na estratégia de expansão internacional do bloco sul-americano.

Singapura se torna ponte para novos negócios na Ásia-Pacífico

O acordo firmado entre o Mercosul e Singapura marca a primeira grande parceria comercial do bloco com um país da região Ásia-Pacífico, considerada uma das mais dinâmicas da economia global.

Pelas regras aprovadas, Singapura eliminará imediatamente as tarifas de importação para todos os produtos exportados pelos países do Mercosul. Em contrapartida, o bloco promoverá uma abertura gradual de seu mercado, removendo tarifas sobre a maior parte dos produtos singapurianos ao longo de até 15 anos.

Alguns setores considerados estratégicos para a indústria regional, como máquinas, equipamentos elétricos, plásticos e instrumentos ópticos, permanecerão protegidos, preservando a competitividade das empresas locais.

A expectativa é que o tratado fortaleça a inserção do Brasil em cadeias globais de valor, além de ampliar o acesso a um dos principais centros internacionais de inovação, tecnologia e logística.

Acordo com a EFTA amplia acesso a mercados europeus

Além da parceria asiática, o Mercosul avançou nas negociações com a EFTA, bloco europeu composto por países que não integram a União Europeia, mas possuem elevados níveis de renda e forte participação no comércio internacional.

O tratado abrange não apenas o intercâmbio de mercadorias, mas também áreas como serviços, investimentos, compras governamentais, propriedade intelectual e desenvolvimento sustentável.

Com a entrada em vigor do acordo, os países da EFTA eliminarão imediatamente as tarifas de importação para produtos industriais e pesqueiros brasileiros. Considerando os setores agrícola e industrial, o acesso em condições de livre comércio abrangerá praticamente a totalidade do valor exportado pelo Brasil para esses mercados.

Agronegócio brasileiro conquista novas cotas de exportação

O acordo também cria oportunidades relevantes para o agronegócio brasileiro, com a concessão de cotas preferenciais por parte da Suíça, Noruega e Liechtenstein.

Entre os produtos beneficiados estão carne bovina, carne de aves, milho, farinha de milho, mel e óleos vegetais, segmentos que poderão ampliar sua presença em mercados reconhecidos pelo alto valor agregado e exigência de qualidade.

Em contrapartida, o Brasil concederá isenção tarifária para a maior parte das importações oriundas da EFTA, mantendo mecanismos de proteção para setores considerados sensíveis, como alguns produtos lácteos e chocolates europeus.

Empresas brasileiras terão mais oportunidades de internacionalização

A aprovação simultânea dos dois acordos abre novas perspectivas para empresas de diferentes portes, incluindo cooperativas, pequenas indústrias e produtores rurais que buscam ampliar sua atuação internacional.

Segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), os tratados oferecem maior previsibilidade comercial, redução de custos e melhores condições de acesso a mercados estratégicos.

ApexBrasil prepara ações para orientar exportadores

Com a promulgação dos acordos prevista para os próximos meses, a ApexBrasil pretende reforçar programas de inteligência de mercado, capacitação e orientação técnica para empresas interessadas em aproveitar as novas oportunidades.

As ações incluirão informações sobre regras de origem, exigências regulatórias, padrões técnicos e identificação de oportunidades comerciais nos mercados europeu e asiático, facilitando a adaptação dos exportadores brasileiros ao novo cenário internacional.

FONTE: apexBrasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/apexBrasil

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Comércio Internacional

Canadá propõe ampliar acordo de livre comércio da América do Norte por mais 16 anos

O governo do Canadá defendeu a renovação do acordo de livre comércio que integra as economias da América do Norte por mais 16 anos. A proposta foi apresentada às autoridades dos Estados Unidos e do México às vésperas do processo de revisão do tratado, previsto para começar em julho.

A iniciativa busca preservar a estabilidade econômica da região e garantir maior previsibilidade para empresas e investidores que dependem da integração comercial entre os três países.

Ottawa quer fortalecer o T-MEC e reduzir incertezas

O ministro canadense responsável pelas relações comerciais com os Estados Unidos, Dominic LeBlanc, enviou uma carta oficial aos representantes dos governos americano e mexicano sugerindo a extensão do acordo.

A proposta tem como objetivo evitar um cenário de revisões frequentes que possa comprometer a segurança jurídica e os investimentos de longo prazo na região.

O tratado, conhecido como T-MEC (Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá), é considerado um dos principais instrumentos de integração econômica do continente, conectando cadeias produtivas e impulsionando o comércio entre os três países.

Negociações avançam em Washington

Nos últimos dias, representantes dos governos envolvidos intensificaram as conversas em Washington para discutir possíveis ajustes e o futuro do acordo comercial.

Durante as negociações, LeBlanc alertou para os riscos de submeter o tratado a avaliações anuais. Segundo ele, revisões constantes poderiam gerar instabilidade para empresas e dificultar decisões relacionadas a investimentos, produção e expansão de negócios.

A preocupação canadense é garantir que o ambiente econômico permaneça previsível para os setores que dependem diretamente do comércio regional.

Líderes canadenses reagem a declarações dos EUA

Além das discussões comerciais, autoridades canadenses também reagiram a declarações recentes vindas da Casa Branca sobre uma eventual integração territorial entre os dois países.

O primeiro-ministro da província de Ontário, Doug Ford, rejeitou publicamente qualquer possibilidade nesse sentido e reforçou que o Canadá mantém sua soberania plena.

A manifestação ocorreu em meio ao aumento das discussões políticas envolvendo a relação bilateral entre Ottawa e Washington.

Tarifas e medidas protecionistas preocupam parceiros do acordo

O governo canadense reconhece a existência de diversos pontos de atrito nas relações comerciais com os Estados Unidos. Autoridades do país identificam aproximadamente 30 questões que ainda geram divergências entre os dois mercados.

Nesse contexto, a manutenção do acordo de livre comércio da América do Norte é vista como fundamental para reduzir os impactos de medidas protecionistas, especialmente sobre setores estratégicos.

Produtos como alumínio, manufaturados e outros bens industriais permanecem sensíveis a mudanças tarifárias e restrições comerciais.

Renovação do tratado pode fortalecer integração econômica

Para Canadá e México, a ampliação da vigência do T-MEC representa uma forma de preservar os mecanismos de cooperação econômica e evitar possíveis rupturas nas relações comerciais da região.

A expectativa é que a renovação do acordo reforce os princípios de reciprocidade entre os parceiros e contribua para a continuidade do fluxo de investimentos, comércio e desenvolvimento econômico na América do Norte.

Com a revisão do tratado se aproximando, as negociações devem ganhar intensidade nas próximas semanas, enquanto os três países buscam construir consenso sobre o futuro da integração regional.

FONTE: Todo Logistica News
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Todo Logistica News

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Comércio Internacional

Mauro Vieira contesta tarifas dos EUA e afirma que justificativas contra o Brasil não se sustentam

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o governo brasileiro apresentou argumentos suficientes para rebater as justificativas utilizadas pelos Estados Unidos na proposta de aplicação de tarifas sobre produtos nacionais. Segundo ele, as alegações norte-americanas não possuem base legítima para justificar a medida.

Brasil reforça defesa em reunião com representante comercial dos EUA

Durante encontro ministerial da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), realizado em Paris, Vieira se reuniu com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, para tratar das negociações envolvendo as tarifas.

Em entrevista à Globonews, o chanceler relatou que Greer classificou as conversas entre os dois países como positivas e destacou o bom andamento do diálogo bilateral sobre o tema.

Governo brasileiro questiona condução de investigações americanas

De acordo com Vieira, o Brasil destacou às autoridades norte-americanas que os resultados de duas investigações sobre supostas práticas comerciais desleais foram divulgados antes do prazo previamente acertado entre os presidentes dos dois países, durante reunião bilateral realizada em maio.

O ministro ressaltou que todas as informações solicitadas foram fornecidas pelo governo brasileiro e afirmou esperar que os esclarecimentos sejam considerados na avaliação final.

“Apresentamos todos os dados necessários e demonstramos que não existem razões concretas para que o Brasil seja alvo dessas tarifas. Os argumentos utilizados foram devidamente contestados”, declarou.

Relatório dos EUA recomenda tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

No início do mês, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) divulgou um relatório recomendando a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros.

O documento aponta supostas práticas consideradas “irrazoáveis” ou “discriminatórias” por parte do Brasil. A análise abrange temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, incluindo o Pix, além de propriedade intelectual, combate à corrupção, mercado de etanol, concessão de tarifas preferenciais e ações relacionadas ao desmatamento ilegal.

Agenda internacional incluiu negociações com União Europeia e outros países

Além das conversas com os Estados Unidos, Mauro Vieira participou de uma série de encontros bilaterais durante o evento da OCDE.

Entre os compromissos, o chanceler se reuniu com Maros Sefcovic, comissário da União Europeia para Comércio e Segurança Econômica, para discutir a implementação do acordo entre Mercosul e União Europeia.

A agenda também incluiu reuniões com autoridades da Coreia do Sul, Espanha, Canadá, Suíça e República Tcheca, reforçando a estratégia brasileira de ampliar o diálogo comercial e diplomático com parceiros internacionais.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Comércio Internacional

Lula diz que Brasil buscará novos parceiros comerciais para reduzir impactos de tarifas dos EUA

O presidente da República afirmou nesta quarta-feira (3) que o Brasil pretende ampliar sua rede de parceiros comerciais internacionais para minimizar os efeitos das novas barreiras impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A declaração foi feita durante uma reunião ministerial realizada no Palácio do Planalto.

Segundo Lula, o país não ficará dependente de um único mercado e seguirá buscando alternativas para fortalecer as relações econômicas e ampliar oportunidades de negócios no exterior.

“Se um país não quiser comprar nossos produtos, vamos comercializar com quem tiver interesse. Da mesma forma, se não houver interesse em investir aqui, buscaremos novos investidores. O Brasil é uma nação soberana e democrática”, afirmou o presidente.

Lula reforça defesa da soberania brasileira

Durante o encontro, o chefe do Executivo destacou que o Brasil não deve adotar uma postura de submissão diante das grandes potências mundiais. Para ele, o país deve manter relações baseadas no respeito mútuo.

Lula ressaltou que o governo busca uma política externa pautada pela independência e pelo fortalecimento da posição brasileira no cenário internacional.

Tarifas de 25% entram no centro das discussões

A manifestação do presidente ocorre após o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendar a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte das importações brasileiras.

A proposta é resultado de uma investigação iniciada durante a gestão do presidente Donald Trump, que apura supostas práticas consideradas desleais nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Entre os argumentos apresentados pelo órgão norte-americano está a alegação de que o Pix teria favorecido o sistema de pagamentos brasileiro em detrimento de empresas dos EUA que atuam no setor, como operadoras de cartões de crédito e plataformas de pagamento digital.

Participação no G7 ganha importância diante do cenário internacional

Lula também confirmou que participará da próxima reunião do G7, marcada para junho, na França. Inicialmente, a viagem não fazia parte da agenda presidencial.

O encontro reúne os líderes de Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil participará como país convidado pelo presidente francês Emmanuel Macron.

De acordo com Lula, a presença no evento será uma oportunidade para defender o fortalecimento do multilateralismo, das instituições internacionais e da cooperação entre os países.

Defesa da ONU e da governança global

Durante sua fala, o presidente voltou a defender a valorização da Organização das Nações Unidas (ONU) e a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da entidade.

Segundo ele, os desafios globais exigem o fortalecimento dos mecanismos internacionais de diálogo e cooperação, em vez do enfraquecimento das instituições multilaterais.

FONTE: Agência Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Comércio Internacional

EUA propõem novas tarifas sobre importações por suspeitas de trabalho forçado

O governo dos Estados Unidos anunciou uma proposta para aplicar novas tarifas de importação de até 12,5% sobre produtos vindos de 60 economias. A medida foi justificada pela alegada falta de ações eficazes desses países para impedir o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado, acusação que vem sendo contestada por diversos parceiros comerciais.

A iniciativa foi apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) e integra uma investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana. O objetivo é reforçar a política tarifária defendida pelo presidente Donald Trump após a derrubada de tarifas emergenciais pela Suprema Corte dos EUA em fevereiro.

Trabalho forçado no centro da disputa comercial

Embora a legislação internacional proíba o uso de mão de obra forçada, autoridades norte-americanas afirmam que produtos fabricados nessas condições continuam presentes em diversas cadeias globais de suprimentos.

A posição dos Estados Unidos gerou forte reação, especialmente na Europa. Parlamentares europeus rejeitaram as conclusões da investigação, argumentando que a União Europeia possui mecanismos rigorosos para combater a entrada de produtos associados ao trabalho forçado.

Países podem enfrentar tarifas adicionais

Segundo a proposta do USTR, importações provenientes de países e blocos econômicos que possuem medidas parciais para enfrentar o problema poderão receber uma tarifa extra de 10%.

Entre os afetados estão Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Taiwan, Reino Unido, Argentina, Bangladesh, Malásia e outros parceiros comerciais.

Já os demais 45 países investigados poderão ser alvo de uma sobretaxa de 12,5%. A lista inclui China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Vietnã, Austrália, Nova Zelândia e Nigéria.

De acordo com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, a permanência dessas práticas prejudica a competitividade dos trabalhadores norte-americanos no mercado internacional.

Consulta pública será aberta nos Estados Unidos

O governo norte-americano informou que receberá manifestações públicas sobre a proposta até 6 de julho. Uma audiência está prevista para ocorrer no dia seguinte, quando empresas, entidades e governos poderão apresentar argumentos favoráveis ou contrários às novas tarifas.

União Europeia contesta justificativa dos EUA

A proposta surge poucas semanas antes do vencimento de uma tarifa temporária de 10% adotada pelos Estados Unidos após a decisão da Suprema Corte que invalidou parte das medidas tarifárias de Trump.

A Comissão Europeia classificou as novas tarifas como injustificadas e reafirmou seu compromisso com o acordo comercial firmado com Washington em 2025.

O presidente da Comissão de Comércio Internacional do Parlamento Europeu, Bernd Lange, afirmou que as conclusões da investigação norte-americana ignoram avanços recentes da legislação europeia. Ele destacou que a União Europeia aprovou, em 2024, normas para proibir a importação de produtos ligados ao trabalho forçado.

China, Índia e Reino Unido reagem

A China declarou que rejeita qualquer forma de tarifa unilateral e voltou a negar a existência de trabalho forçado em seu território. A Índia informou que mantém diálogo com Washington e ressaltou que as tarifas ainda não foram oficialmente implementadas.

O Reino Unido afirmou que segue em contato com autoridades norte-americanas e destacou que já adota medidas para combater o problema. Londres também informou que os benefícios comerciais negociados anteriormente com os EUA permanecem válidos.

Já Taiwan demonstrou confiança de que os entendimentos alcançados nas negociações bilaterais sejam considerados na decisão final.

Brasil também é alvo de investigação comercial

Além das medidas relacionadas ao trabalho forçado, o USTR anunciou recentemente uma proposta de tarifa de 25% sobre diversos produtos brasileiros. A iniciativa decorre de outra investigação baseada na Seção 301, voltada para práticas de comércio digital e políticas tarifárias adotadas pelo Brasil.

A agência norte-americana também prepara a divulgação de um novo relatório sobre excesso de capacidade industrial em 16 parceiros comerciais, incluindo China e União Europeia.

Produtos que poderão ficar isentos das tarifas

Apesar da ampliação das barreiras comerciais, os Estados Unidos indicaram que alguns setores estratégicos poderão ficar de fora das novas cobranças.

Entre os produtos potencialmente isentos estão:

  • Energia;
  • Terras raras;
  • Determinados metais;
  • Carne bovina;
  • Café;
  • Frutas e vegetais específicos;
  • Medicamentos;
  • Produtos químicos orgânicos;
  • Peças para aeronaves.

O governo também estuda a criação de um mecanismo especial para o setor têxtil, permitindo que parte das importações de roupas e tecidos entre no mercado norte-americano com tarifas reduzidas, embora os detalhes ainda não tenham sido divulgados.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Carlos Barria

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Comércio Internacional

Acordo de livre comércio entre Mercosul e Canadá avança para fase decisiva das negociações

As negociações para o acordo de livre comércio entre Mercosul e Canadá deram mais um passo importante rumo à conclusão. Na última semana, representantes do bloco sul-americano estiveram em Toronto para a décima rodada de discussões com autoridades canadenses, visando acelerar a finalização do tratado.

De acordo com o governo brasileiro, cinco capítulos do acordo já avançaram para a etapa final de negociação, indicando progresso significativo nas tratativas.

Além dos avanços registrados, novas reuniões técnicas estão previstas para as próximas semanas, com o objetivo de concluir os pontos pendentes e consolidar o entendimento entre as partes.

Relações econômicas mais próximas

As negociações haviam sido retomadas em outubro do ano passado e refletem o interesse mútuo de ampliar as relações comerciais e econômicas. A expectativa é que o futuro acordo contribua para fortalecer o comércio bilateral, ampliar oportunidades de negócios e incentivar uma maior integração produtiva entre os países do Mercosul e o Canadá.

Durante a rodada de negociações, grupos técnicos debateram temas estratégicos como comércio de bens, serviços financeiros, regras de origem, propriedade intelectual, salvaguardas comerciais, desenvolvimento sustentável, comércio inclusivo e aspectos jurídicos e institucionais do tratado.

O ministro do Comércio Internacional do Canadá, Maninder Sidhu, também participou das discussões ao se reunir com os negociadores-chefes do Mercosul. O encontro permitiu o alinhamento de expectativas e a troca de visões sobre os principais pontos em negociação.

Canadá representa mercado estratégico para exportações brasileiras

Com uma população de aproximadamente 41 milhões de habitantes e um Produto Interno Bruto (PIB) estimado em US$ 2,2 trilhões, o Canadá figura entre os mercados mais relevantes para a expansão das exportações brasileiras. O país registra cerca de US$ 541 bilhões em importações por ano.

Em 2025, o fluxo comercial entre Brasil e Canadá alcançou US$ 10,4 bilhões. As vendas brasileiras para o mercado canadense somaram US$ 7,3 bilhões, representando crescimento de 14,8% em relação ao ano anterior e estabelecendo um novo recorde histórico.

Com esse desempenho, o Canadá consolidou-se como o oitavo principal destino dos produtos brasileiros.

Entre os itens mais exportados pelo Brasil estão minérios de alumínio, cobre e níquel, além de açúcar, café, aeronaves e equipamentos voltados à engenharia civil.

Importações canadenses também registram crescimento

As compras brasileiras de produtos canadenses também apresentaram avanço em 2025. O volume importado atingiu US$ 3,1 bilhões, alta de 12,8% na comparação com o ano anterior.

Os principais produtos adquiridos pelo Brasil incluem fertilizantes, adubos, motores e máquinas não elétricas, aeronaves e medicamentos, setores considerados estratégicos para a economia nacional.

FONTE: CNN Brasil
TEXTO: Redação
IMAGEM: Hermes Rivera/Unsplash

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Comércio Internacional

Brasil e Rússia ampliam parceria estratégica em comércio, energia e agronegócio

Brasil e Rússia avançaram nas discussões para fortalecer a cooperação bilateral durante a 13ª Reunião da Comissão Intergovernamental Brasil-Rússia (CIC), realizada nesta semana. O encontro reuniu autoridades dos dois países para debater temas ligados ao comércio exterior, energia, investimentos, agricultura e inovação tecnológica.

A reunião foi copresidida pela secretária-geral das Relações Exteriores do Brasil, embaixadora Maria Laura da Rocha, e pelo ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Maxim Reshetnikov.

Cooperação bilateral ganha foco em setores estratégicos

Durante o encontro, representantes brasileiros e russos reafirmaram o interesse em ampliar a parceria estratégica entre as duas nações, especialmente em áreas consideradas essenciais para o crescimento econômico e tecnológico.

Entre os temas discutidos estiveram o fortalecimento das relações comerciais, expansão de investimentos, desenvolvimento industrial, cooperação científica e projetos conjuntos no setor energético.

Os dois governos também destacaram a importância do diálogo político em organismos multilaterais como o BRICS, o G20 e a Organização das Nações Unidas (ONU).

Comércio entre Brasil e Rússia supera US$ 10 bilhões

Dados apresentados durante a reunião apontam que o comércio bilateral entre Brasil e Rússia atingiu US$ 10,9 bilhões em 2025, consolidando a relevância econômica da parceria.

O agronegócio brasileiro segue como um dos principais pilares dessa relação, principalmente pela dependência do Brasil em relação aos fertilizantes russos e pelo aumento das exportações agropecuárias para o mercado da Rússia.

Segundo os números divulgados, a Rússia respondeu por 26% das importações brasileiras de fertilizantes minerais e químicos em 2025, tornando-se o principal fornecedor internacional desses produtos ao país.

Rússia lidera fornecimento de diesel ao Brasil

Além dos fertilizantes, a Rússia também ampliou sua participação no setor energético brasileiro. O país foi responsável por 45% do diesel importado pelo Brasil no período analisado.

O avanço da cooperação energética é visto como estratégico diante das transformações econômicas globais e da necessidade de garantir segurança no abastecimento de combustíveis e insumos agrícolas.

Relação entre países ganha importância geopolítica

O fortalecimento das relações entre Brasil e Rússia ocorre em meio a um cenário internacional marcado por disputas geopolíticas, reorganização das cadeias globais de produção e maior aproximação entre países emergentes.

Nesse contexto, os dois governos defendem o aprofundamento das relações diplomáticas, comerciais e tecnológicas como forma de ampliar oportunidades de negócios e estimular o desenvolvimento sustentável.

A 13ª edição da Comissão Intergovernamental Brasil-Rússia reforçou ainda o interesse mútuo em ampliar investimentos e fortalecer áreas consideradas estratégicas para segurança alimentar, inovação e energia.

FONTE: O Mundo Diplomático
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/O Mundo Diplomático

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Comércio Internacional

Tarifas dos EUA mudam cadeias globais de suprimentos e redefinem comércio internacional

A nova política de tarifas dos EUA implementada em 2025 está provocando mudanças profundas no comércio internacional e forçando empresas a reformularem suas estratégias logísticas e operacionais. A conclusão faz parte do relatório “The Rise of the Tariff-Optimized Supply Chain: Inside the New Rules of Global Trade”, divulgado pela empresa de tecnologia logística Infios.

O estudo analisou mais de um milhão de registros de importação dos Estados Unidos entre 2024 e 2025 e identificou uma transformação estrutural nas cadeias globais de suprimentos.

Tarifas deixam de ser custo fixo e passam a influenciar decisões logísticas

Segundo a pesquisa, as tarifas deixaram de ser apenas um custo previsível para se tornarem um fator estratégico na execução do comércio exterior. Empresas passaram a ajustar rotas, modais de transporte, armazenagem e planejamento financeiro para minimizar impactos tributários.

De acordo com Ed Auriemma, CEO da Infios, organizações que conseguirem identificar rapidamente as mudanças no cenário global terão mais capacidade de manter operações eficientes e sem interrupções.

Estudo aponta duas fases de reação ao tarifaço

O levantamento mostra que a reação das empresas ocorreu em dois momentos distintos. Na fase inicial, marcada pelo impacto imediato das medidas tarifárias, importadores adotaram ações emergenciais conhecidas como “panic routing”, com mudanças rápidas de modal logístico e aumento temporário do uso do acordo comercial USMCA.

Nesse período, tarifas superiores a 50% — praticamente inexistentes antes de 2025 — cresceram rapidamente. Como consequência, o frete aéreo e o transporte rodoviário ganharam espaço, priorizando velocidade e previsibilidade operacional.

Com o passar dos meses, as mudanças deixaram de ser temporárias e passaram a representar um novo modelo estrutural para o comércio global.

Flexibilidade se torna vantagem competitiva

Para Don Mabry, vice-presidente de soluções globais da Infios, o cenário atual exige capacidade de adaptação constante. Segundo ele, empresas que conseguem reconfigurar rapidamente suas operações terão vantagem frente às organizações que ainda dependem de sistemas rígidos e pouco flexíveis.

A análise indica que a execução logística passou a ser elemento estratégico nas empresas, deixando de ocupar apenas um papel operacional de retaguarda.

Principais impactos das tarifas no comércio global

O relatório destaca diversas mudanças provocadas pelo novo ambiente tarifário:

  • As alíquotas efetivas ficaram entre 20% e 80% mais altas em determinados setores devido ao chamado “tariff stacking”, que é o acúmulo de tarifas;
  • O frete aéreo internacional cresceu cerca de 12% e permaneceu elevado;
  • O frete marítimo registrou queda entre 10% e 12%, sem recuperação no período analisado;
  • O transporte rodoviário aumentou aproximadamente 8%, impulsionado pelo avanço do nearshoring;
  • O uso de armazéns alfandegados subiu de 10% para até 18% dos registros de importação;
  • A complexidade da classificação tarifária praticamente dobrou;
  • O valor médio das cargas aumentou 78%, enquanto o número de embarques caiu cerca de 7%.

Novas rotas comerciais surgem com mudanças tarifárias

O estudo também mostra que alguns setores começaram a diversificar fornecedores fora da China, especialmente nas áreas de bens de consumo e manufatura leve. Já segmentos industriais e químicos mantiveram maior dependência de mercados tradicionais.

Além disso, novos corredores logísticos passaram a ganhar relevância, enquanto antigas rotas perderam competitividade diante das mudanças tarifárias.

Para a Infios, a chamada “tariff-optimized supply chain” — ou cadeia de suprimentos otimizada para tarifas — passa a ser o novo modelo operacional do comércio internacional. Nesse sistema, tarifas são tratadas como variável estratégica e não mais apenas como custo inevitável.

Empresas precisam agir com rapidez diante da volatilidade

A conclusão do relatório aponta que, em um ambiente de instabilidade comercial permanente, empresas mais flexíveis e preparadas para responder rapidamente às mudanças tendem a conquistar vantagem competitiva no mercado global.

A pesquisa reforça que inteligência logística, adaptação operacional e rapidez na tomada de decisão serão fatores determinantes para o futuro do comércio internacional.

FONTE: Tecnologística
TEXTO: Redação
IMAGEM: Mike Blake/Reuters

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