Tecnologia

BYD, Geely e Changan unem forças em pesquisas sobre baterias para carros elétricos

Embora disputem espaço no mercado global de veículos elétricos, fabricantes chinesas como BYD, Geely, Changan e Great Wall Motors têm adotado uma estratégia de cooperação em áreas consideradas essenciais para o avanço tecnológico da indústria. A parceria foi evidenciada entre os vencedores da mais recente edição do State Science and Technology Progress Awards, uma das principais premiações de ciência e engenharia da China.

Os projetos reconhecidos reúnem montadoras, universidades e centros de pesquisa em iniciativas voltadas ao desenvolvimento de baterias, plataformas inteligentes, sistemas eletrônicos e processos avançados de fabricação.

Pesquisas priorizam segurança, recarga rápida e durabilidade das baterias

Um dos trabalhos premiados concentra esforços na evolução dos sistemas de gerenciamento de baterias, com foco em aumentar a segurança, prolongar a vida útil e permitir recargas ultrarrápidas.

Apesar da colaboração, cada fabricante continua utilizando tecnologias próprias em seus veículos. A cooperação ocorre apenas em soluções consideradas pré-competitivas, como protocolos de monitoramento e gerenciamento, sem compartilhar a química das células, a arquitetura física das baterias ou projetos exclusivos.

Software inteligente melhora desempenho durante o carregamento

O principal avanço destacado pela premiação está no desenvolvimento de softwares responsáveis pelo gerenciamento térmico das baterias.

Esses sistemas monitoram constantemente a temperatura das células durante recargas de alta potência, identificando variações diversas vezes por segundo. Com essas informações, os mecanismos de resfriamento são acionados de forma preventiva, permitindo carregamentos mais rápidos sem comprometer a segurança ou acelerar o desgaste da bateria.

A proposta estabelece padrões comuns de controle eletrônico, enquanto cada montadora mantém suas tecnologias proprietárias.

Cada empresa preserva suas soluções exclusivas

Mesmo participando dos projetos conjuntos, as fabricantes continuam investindo em suas próprias plataformas de baterias.

A BYD segue utilizando a arquitetura Blade Battery, baseada em células prismáticas de fosfato de ferro-lítio (LFP) integradas à estrutura do veículo. A Changan mantém a tecnologia Golden Shield, voltada para maior segurança e durabilidade, enquanto a Geely aposta nas baterias Short Blade, recentemente homologadas para suportar recargas superiores a 1 megawatt de potência.

Segundo os organizadores da premiação, aproximadamente 100 mil veículos equipados com tecnologias de recarga ultrarrápida desenvolvidas nesses projetos já circulam na China.

Plataformas inteligentes também fazem parte da cooperação

Outro projeto premiado reúne a Universidade Tsinghua, BYD, Geely e Great Wall Motors no desenvolvimento de plataformas elétricas inteligentes.

O objetivo é criar sistemas redundantes de direção e frenagem eletrônicas capazes de manter o controle do veículo mesmo diante de eventuais falhas nos sistemas digitais. As pesquisas também envolvem novos algoritmos para frenagem regenerativa, tecnologia que melhora a eficiência energética e pode ampliar a autonomia dos veículos em trajetos urbanos.

Avanços também alcançam os processos industriais

Além das pesquisas voltadas às baterias e à eletrônica embarcada, os projetos premiados contemplam melhorias nos processos de fabricação.

Entre as inovações estão novas técnicas de soldagem para estruturas de aço de alta resistência e alumínio, utilizando monitoramento em tempo real da corrente elétrica. A tecnologia reduz deformações durante a produção e aumenta a qualidade das peças fabricadas em larga escala.

Cooperação acelera inovação sem eliminar a competição

Os projetos mostram que a indústria automotiva chinesa adota um modelo em que empresas concorrentes compartilham pesquisas em áreas estratégicas, como software, segurança, eletrônica e processos produtivos, enquanto preservam suas soluções exclusivas para diferenciação no mercado.

Dessa forma, características como arquitetura das baterias, calibração eletrônica, desempenho e integração dos sistemas continuam sendo fatores que distinguem os modelos de cada fabricante.

FONTE: Inside EVs
TEXTO: Redação
IMAGEM: Changan

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Tecnologia

China lança organização global para governança da inteligência artificial e amplia disputa pela liderança em IA

A China pretende dar um novo passo na corrida global pela inteligência artificial (IA) com a criação da Waico (Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial), entidade que será oficialmente apresentada ainda neste ano. Os detalhes da iniciativa devem ser divulgados durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (Waic), marcada para ocorrer entre os dias 17 e 20 de julho, em Xangai.

A proposta reforça a estratégia chinesa de ampliar sua influência na definição das regras internacionais para o desenvolvimento e o uso da IA, em um momento em que a tecnologia ganha espaço na economia e em diversos setores produtivos.

Organização busca ampliar participação de países em desenvolvimento

A criação de organismos voltados à governança da inteligência artificial não é inédita. Nos últimos anos, diferentes fóruns e acordos internacionais passaram a discutir padrões, regulamentações e diretrizes para o avanço da tecnologia.

Segundo estimativa do Fórum Econômico Mundial, divulgada em janeiro deste ano, a inteligência artificial poderá representar até 14% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial até 2030, movimentando cerca de US$ 15,7 trilhões.

Desde 2019, ao menos 13 iniciativas internacionais voltadas ao tema foram lançadas. Entre elas está a Iniciativa Global de Governança de IA, apresentada pela China em 2023, que defendia maior cooperação internacional, compartilhamento de conhecimento e ampliação do acesso às tecnologias de inteligência artificial.

Waico será a principal aposta da China para liderar a governança da IA

A nova organização representa a consolidação institucional dessa estratégia. Com a Waico, o governo chinês pretende assumir um papel de protagonismo na construção das regras globais para a inteligência artificial.

A proposta está baseada em dois pilares principais: ampliar a participação de países que ainda possuem menor desenvolvimento tecnológico e defender a soberania nacional na adoção de políticas relacionadas à IA.

Diferentemente de outras organizações internacionais, frequentemente compostas por economias mais desenvolvidas, a Waico pretende reunir um número maior de participantes e ampliar a representatividade dos países emergentes.

Modelo difere de iniciativas já existentes

A estratégia chinesa busca se diferenciar de iniciativas como a Parceria Global sobre IA (GPAI), os Princípios de IA da OCDE, a Convenção de IA do Conselho da Europa e o Processo de Hiroshima do G7, considerados modelos com participação mais restrita.

A proposta da Waico é oferecer apoio aos países que ficaram atrás na transformação digital impulsionada pela inteligência artificial, ao mesmo tempo em que pretende se tornar um dos principais espaços para debates internacionais sobre o futuro da tecnologia.

Xangai será sede da nova organização internacional

A cidade de Xangai foi escolhida para abrigar a sede da Waico por reunir um dos principais polos chineses de empresas de tecnologia, multinacionais e centros de pesquisa em inteligência artificial.

Segundo o governo chinês, essa estrutura oferece um ambiente favorável para o desenvolvimento de projetos, testes regulatórios e cooperação internacional na área.

Xi Jinping participará da maior conferência de IA do mundo

A criação da Waico foi anunciada inicialmente durante a edição de 2025 da Conferência Mundial de Inteligência Artificial pelo primeiro-ministro chinês, Li Qiang.

Neste ano, o evento contará pela primeira vez com a presença do presidente Xi Jinping, que deverá destacar a criação da nova organização e reforçar o posicionamento da China como um dos principais protagonistas na construção da governança global da inteligência artificial.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reproduçõão/Poder 360

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Sustentabilidade

Finep lança edital de R$ 300 milhões para projetos de inovação em Defesa e Sustentabilidade

A Finep abriu inscrições para um novo edital de subvenção econômica voltado ao financiamento de projetos inovadores nas áreas de Defesa Nacional e sustentabilidade da Base Industrial de Defesa (BID). A iniciativa disponibiliza R$ 300 milhões para empresas interessadas em desenvolver tecnologias estratégicas, com inscrições abertas até 30 de setembro.

Vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a financiadora busca estimular a inovação, fortalecer a indústria nacional e ampliar a autonomia tecnológica do país.

Edital contempla duas linhas de financiamento

As empresas poderão inscrever projetos em duas modalidades. A primeira é destinada ao desenvolvimento de Tecnologias para Defesa Nacional, enquanto a segunda tem como foco a Sustentabilidade Econômica da Base Industrial de Defesa (BID).

Segundo a Finep, os recursos poderão ser utilizados em iniciativas voltadas ao desenvolvimento de novos produtos, criação de protótipos, produção de lotes-piloto, realização de testes, certificações e registro de patentes.

Podem participar da seleção empresas reconhecidas como Empresa Estratégica de Defesa (EED), condição que deve ser mantida durante todo o período de execução do projeto.

Objetivo é fortalecer a indústria nacional

De acordo com o assessor para Assuntos de Inovação da Finep, Ronaldo Carmona, o programa integra os esforços de fortalecimento da indústria brasileira e busca reduzir a dependência de tecnologias desenvolvidas no exterior.

A proposta é incentivar soluções inovadoras em áreas consideradas estratégicas, ampliando a capacidade tecnológica do país e contribuindo para a soberania nacional em setores sensíveis.

O edital também foi apresentado durante a 4ª edição da SC Expo Defense, evento voltado aos segmentos de defesa e segurança realizado em maio na sede da FIESC, em Santa Catarina.

Defesa faz parte da Nova Indústria Brasil

A linha voltada às Tecnologias para Defesa Nacional está alinhada à Missão 6 da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial lançada pelo Governo Federal em 2024 para orientar o desenvolvimento produtivo brasileiro até 2033.

Entre os objetivos da missão está o fortalecimento da Base Industrial de Defesa, ampliando a autonomia do Brasil em tecnologias estratégicas relacionadas à segurança, defesa e soberania.

Segundo a Finep, o cenário internacional reforça a importância de investimentos em tecnologias críticas, consideradas fundamentais para o desenvolvimento econômico e para a competitividade dos países.

Projetos devem ampliar competitividade da Base Industrial de Defesa

Na modalidade voltada à sustentabilidade da Base Industrial de Defesa, o edital prioriza projetos capazes de aumentar a capacidade produtiva, elevar a competitividade das empresas e consolidar a cadeia industrial do setor.

A expectativa é apoiar iniciativas com potencial de aplicação prática, geração de resultados concretos e impacto econômico, contribuindo para tornar a indústria brasileira de defesa mais eficiente, inovadora e preparada para os desafios futuros.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Júnior Somensi

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Tecnologia

China promove Conferência Mundial de Inteligência Artificial 2026 com foco em governança global

A China receberá, em julho, a Conferência Mundial de Inteligência Artificial (IA) 2026 e a Reunião de Alto Nível sobre Governança Global da IA, em Shanghai. O anúncio foi feito pelo governo chinês, que pretende utilizar o encontro para ampliar o diálogo internacional sobre o desenvolvimento e a regulamentação da inteligência artificial.

O evento deve reunir representantes de diversos países, especialistas e autoridades para discutir os desafios e as oportunidades da tecnologia, além de fortalecer a cooperação internacional na área.

Cooperação internacional será prioridade

Durante coletiva de imprensa, o vice-chefe da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, Zhou Haibing, afirmou que a conferência será uma oportunidade para aprofundar as parcerias globais relacionadas à IA.

Segundo ele, o avanço da inteligência artificial exige uma atuação conjunta entre os países, já que a governança da tecnologia representa um desafio compartilhado pela comunidade internacional e terá impacto direto no futuro da humanidade.

China defende desenvolvimento responsável da IA

De acordo com Zhou, o governo chinês continuará defendendo o multilateralismo, a cooperação internacional e uma abordagem baseada na abertura e na inclusão para o desenvolvimento da inteligência artificial.

A proposta do país é estimular o uso da tecnologia com foco nas pessoas, conciliando inovação tecnológica com responsabilidade, segurança e benefícios sociais.

Segurança e regulamentação estão entre os principais temas

Além de incentivar o desenvolvimento da IA, a China pretende ampliar as discussões sobre mecanismos de regulamentação e gestão de riscos associados à tecnologia.

O governo também informou que buscará fortalecer a cooperação internacional para criar medidas de prevenção capazes de reduzir ameaças à segurança relacionadas ao uso da inteligência artificial, reforçando sua participação nas iniciativas globais voltadas à governança do setor.

FONTE: Xinhua
TEXTO: Redação
IMAGEM: Xinhua/Chen Haoming

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Informação

Baterias de sódio podem revolucionar o setor energético e desafiar o domínio do lítio

As baterias de sódio estão surgindo como uma das principais apostas para transformar o futuro da energia global. De acordo com uma análise divulgada pelo Morgan Stanley, a tecnologia tem potencial para remodelar cadeias produtivas, impulsionar a eletrificação em larga escala e reduzir a dependência de matérias-primas estratégicas utilizadas atualmente na fabricação de baterias.

No relatório intitulado “Sal: o novo petróleo”, o banco destaca que o sódio, abundante e de baixo custo, pode assumir um papel semelhante ao que o petróleo desempenhou durante décadas na economia mundial, abrindo caminho para uma nova fase de desenvolvimento industrial e energético.

Mercado pode alcançar trilhões de watts-hora até 2035

Embora ainda esteja em estágio inicial de expansão, o mercado de armazenamento de energia com baterias de sódio apresenta perspectivas expressivas de crescimento.

As projeções do Morgan Stanley apontam para uma capacidade global de cerca de 830 gigawatts-hora (GWh) até 2030. Em 2035, esse volume poderá alcançar 2,4 terawatts-hora (TWh), com possibilidade de chegar a 3,7 TWh em cenários mais otimistas.

O avanço da tecnologia deve movimentar aproximadamente US$ 800 bilhões em investimentos ao longo da próxima década, abrangendo desde a produção de insumos até a expansão da infraestrutura elétrica e da indústria de armazenamento energético.

Menor custo e maior segurança energética impulsionam adoção

Um dos principais diferenciais das baterias de sódio é o custo competitivo. Segundo o relatório, a tecnologia pode ser entre 30% e 40% mais barata que as baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP), atualmente amplamente utilizadas em veículos elétricos e sistemas de armazenamento.

Além da vantagem econômica, o sódio oferece maior disponibilidade global, reduzindo a dependência de minerais concentrados em poucos países, como lítio, cobre e grafite. Esse fator ganha relevância diante do crescimento da demanda energética impulsionada pela inteligência artificial, centros de dados e expansão da mobilidade elétrica.

Outro ponto destacado é o desempenho superior em baixas temperaturas, característica que amplia o potencial de utilização em regiões de clima frio.

Três setores devem liderar a transformação

A análise identifica três segmentos com maior potencial de adoção da nova tecnologia nos próximos anos:

Armazenamento de energia

O setor de energy storage systems (ESS) aparece como principal motor de crescimento. O menor custo das baterias pode tornar economicamente viáveis projetos de armazenamento em larga escala, fortalecendo a estabilidade das redes elétricas.

Frotas comerciais

Empresas de transporte e logística podem acelerar a substituição de veículos movidos a diesel por alternativas elétricas, aproveitando os ganhos de eficiência e redução de custos operacionais.

Veículos compactos

No mercado automotivo, a tecnologia tende a ganhar espaço em carros de menor porte e custo reduzido, onde a autonomia máxima não é o principal critério de compra.

Avanço do sódio pode pressionar mercado de lítio

A expansão das baterias de sódio também representa um desafio para a indústria tradicional de baterias. O Morgan Stanley estima que a tecnologia poderá responder por cerca de 20% do mercado global até 2030 e alcançar até 37% em 2035.

Com isso, a demanda por compostos de lítio pode sofrer desaceleração, especialmente em aplicações relacionadas ao armazenamento de energia e veículos de entrada.

Embora o banco ainda projete forte consumo de lítio no curto prazo, uma mudança estrutural pode começar a ganhar força a partir de 2027, com reflexos sobre preços e investimentos no setor.

Além do lítio, fabricantes ligados às cadeias de cobre e grafite também poderão sentir os impactos, já que as baterias de sódio utilizam materiais alternativos, como alumínio e novas soluções à base de carbono.

China lidera corrida tecnológica

O relatório aponta a China como principal protagonista no desenvolvimento e na adoção comercial das baterias de sódio. O país já concentra investimentos relevantes e possui vantagem competitiva na produção em larga escala.

Enquanto isso, Estados Unidos e Europa avançam de forma mais gradual, buscando ampliar sua participação em uma tecnologia considerada estratégica para a segurança energética e a competitividade industrial.

Nova era energética pode redefinir mercados globais

Para os analistas do Morgan Stanley, o impacto das baterias de sódio vai além do setor elétrico. A combinação entre baixo custo, abundância de matéria-prima e menor dependência geopolítica pode acelerar a transição energética e criar novas oportunidades econômicas em escala global.

A expectativa é que a tecnologia deixe de ser vista apenas como alternativa ao lítio e passe a ocupar posição central na próxima geração de soluções energéticas, influenciando decisões de governos, investidores e grandes indústrias ao redor do mundo.

FONTE: Infomoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Léo Ramos Chaves / Revista Pesquisa FAPESP

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Comércio Exterior, Tecnologia

Blockchain ganha espaço no comércio exterior e promete mais segurança e transparência nas operações

Muito além das criptomoedas, a tecnologia blockchain começa a ganhar espaço no comércio exterior como uma ferramenta capaz de aumentar a confiabilidade das informações, integrar diferentes participantes da cadeia logística e tornar os processos mais eficientes.

De forma simples, o blockchain funciona como um grande livro de registros digital e compartilhado, no qual todas as transações ficam armazenadas em blocos interligados e protegidos contra alterações indevidas. Como as informações só podem ser modificadas com o consenso da rede, a tecnologia garante maior segurança, transparência e rastreabilidade para documentos, pagamentos e demais operações realizadas entre diferentes participantes. Baseado nesse sistema de registros compartilhados e validados, o blockchain permite que documentos e dados sejam acompanhados de forma segura desde a origem da operação até a entrega da mercadoria, reduzindo divergências, retrabalho e atrasos.

Para Mauro Marcelo Sperber dos Santos, CEO da Múltipla Assessoria, o grande diferencial da tecnologia está na construção de confiança entre todos os envolvidos. “O blockchain é uma ferramenta que gera confiança entre diferentes participantes de uma operação. No comércio exterior, onde informações e documentos circulam entre empresas, transportadores, bancos e órgãos governamentais, ter um ambiente seguro e transparente para compartilhar dados representa um avanço significativo em eficiência e segurança”, afirma.

O especialista destaca que o principal benefício está na confiabilidade das informações. Em vez de cada empresa manter controles isolados, todos os participantes passam a compartilhar registros validados, fortalecendo a rastreabilidade e a transparência das operações. “Em um setor como o logístico, onde tempo, previsibilidade e conformidade são fatores críticos, o blockchain aumenta a segurança das informações, melhora a rastreabilidade e cria mais transparência entre todos os envolvidos. Como consequência, os processos tendem a ser mais ágeis e menos burocráticos”, explica.

A aplicação da tecnologia pode beneficiar importadores, exportadores, operadores logísticos, bancos, seguradoras e também órgãos reguladores, como Receita Federal, Mapa e Anvisa. Segundo Mauro Marcelo, o blockchain não resolve apenas desafios individuais das empresas, mas fortalece toda a conexão entre os elos da cadeia de comércio exterior.

Na avaliação do executivo, a tendência é que a tecnologia se torne parte da infraestrutura das operações internacionais nos próximos anos. “Acredito que daqui a alguns anos não estaremos mais discutindo se devemos usar blockchain no comércio exterior, mas sim em quais etapas do processo logístico ele ainda não está sendo utilizado”, projeta.

Para as empresas, iniciar essa jornada desde agora pode representar uma vantagem competitiva importante. “Quem começa antes desenvolve maturidade, identifica oportunidades e constrói experiências práticas. Mais do que acompanhar uma tendência, trata-se de preparar a empresa para um comércio exterior cada vez mais digital, conectado e orientado pela confiança nas informações”, conclui.

Texto: Redação

Imagem ilustrativa gerada por IA.

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Negócios

Ações da Dell disparam quase 100% em oito dias impulsionadas pela corrida da inteligência artificial

As ações da Dell Technologies vivem um momento de forte valorização em Wall Street e caminham para registrar a maior sequência de ganhos diários em mais de oito anos. Nos negócios realizados antes da abertura do mercado nesta terça-feira (2), os papéis da companhia chegaram a avançar 1,8%, alcançando a cotação de US$ 474,51.

O movimento amplia um rali impressionante iniciado nas últimas semanas. Em apenas oito pregões consecutivos de alta, a fabricante de computadores e servidores acumulou valorização de 98%, praticamente dobrando seu valor de mercado em pouco mais de uma semana.

Caso encerre mais uma sessão em terreno positivo, a empresa atingirá sua sequência mais longa de valorização desde março de 2018, segundo dados da Dow Jones Market Data.

Inteligência artificial impulsiona o interesse dos investidores

O avanço das ações da Dell acompanha o forte entusiasmo do mercado com empresas ligadas ao setor de inteligência artificial (IA).

O cenário ganhou força após a Nvidia apresentar um novo superchip voltado para computadores pessoais, ampliando a competição no segmento de hardware avançado e aumentando as expectativas sobre fabricantes de equipamentos capazes de atender à crescente demanda por soluções de IA.

A Dell é vista como uma das empresas bem posicionadas para aproveitar esse ciclo de investimentos, especialmente na área de servidores e infraestrutura para processamento de inteligência artificial.

Resultados da HPE reforçam otimismo com setor de tecnologia

O sentimento positivo também foi alimentado pelos resultados financeiros divulgados pela Hewlett Packard Enterprise (HPE). A companhia apresentou desempenho acima das expectativas no segundo trimestre e revisou para cima suas projeções para o restante do ano.

A divisão de nuvem e inteligência artificial da empresa registrou receita de US$ 7,71 bilhões, superando a estimativa média de mercado, que apontava para US$ 6,93 bilhões.

A reação dos investidores foi imediata: as ações da HPE chegaram a disparar 24% nas negociações pré-mercado.

Empresas de infraestrutura para IA lideram ganhos

Outra beneficiada pelo otimismo foi a Super Micro Computer, uma das principais fornecedoras globais de servidores voltados para aplicações de inteligência artificial.

Antes da abertura dos mercados, os papéis da companhia avançavam 5,1%. Considerando os últimos cinco pregões, a valorização acumulada já superava 26%.

O desempenho dessas empresas reforça a percepção de que o mercado segue apostando fortemente em companhias ligadas à infraestrutura tecnológica necessária para sustentar a expansão da inteligência artificial nos próximos anos.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Dell

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Exportação

Exportações de alta tecnologia avançam no Brasil, mas participação ainda é reduzida na pauta externa

As exportações de alta tecnologia registraram crescimento de 7,7% em 2025, porém continuam com uma presença modesta no comércio exterior brasileiro. Dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que o segmento movimentou US$ 9,1 bilhões no período, representando apenas 2,7% de tudo o que o país vendeu ao exterior.

Em contraste, os produtos classificados como de baixa intensidade tecnológica alcançaram US$ 130,7 bilhões em exportações, respondendo por 37,5% das vendas internacionais brasileiras.

Setor tecnológico ainda enfrenta desafios de competitividade

Levantamento elaborado a partir de informações da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) revela que as exportações de alta tecnologia permanecem cerca de 15 vezes menores do que aquelas de baixa intensidade tecnológica.

Para a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, o cenário evidencia um importante desafio para a indústria nacional. Segundo ela, o fortalecimento de setores de média-alta e alta tecnologia é fundamental para impulsionar um crescimento econômico mais qualificado.

A especialista destaca ainda que ampliar a participação desses segmentos contribui para a diversificação da pauta exportadora e para o fortalecimento da presença da indústria brasileira no mercado internacional.

Déficit comercial da indústria atinge nível recorde

O estudo também aponta que o aumento da demanda interna foi suprido, em grande parte, por produtos importados. Em 2025, o volume de importações cresceu 6,1%, enquanto a indústria de transformação encerrou o ano com déficit comercial de US$ 71,3 bilhões — o maior resultado negativo desde o início da série histórica, em 1997.

As compras externas do setor alcançaram US$ 259,7 bilhões, representando avanço de 8,6% na comparação anual. Entre os principais responsáveis por esse desempenho estão os segmentos de produtos químicos, máquinas e equipamentos eletrônicos e veículos automotores, que concentraram mais da metade das importações industriais.

Exportações industriais mantêm trajetória de crescimento

Mesmo diante do déficit recorde, as exportações da indústria brasileira apresentaram expansão de 3,7% em 2025, somando US$ 188,4 bilhões.

A participação da indústria de transformação no total exportado pelo país passou de 53,9% para 54,1%, mesmo em um cenário de queda de 1,7% nos preços internacionais dos produtos manufaturados.

Outro destaque foi o desempenho dos bens de consumo semiduráveis e não duráveis, que alcançaram participação recorde de 22,8% na pauta exportadora brasileira. O resultado foi impulsionado principalmente pelas vendas de alimentos industrializados e bebidas.

As exportações de carne bovina para a China também contribuíram para o avanço do setor. De acordo com o levantamento, os segmentos de alimentos, veículos automotores e metalurgia responderam por 58% das exportações industriais do país.

Estados Unidos seguem na liderança, enquanto China amplia compras

Os Estados Unidos permaneceram como o principal destino das exportações da indústria de transformação brasileira. Ainda assim, as vendas para o mercado norte-americano recuaram 4,2%, totalizando US$ 30,2 bilhões.

Já a China aumentou em 19,4% suas compras de produtos industriais brasileiros, alcançando US$ 22 bilhões em 2025. O setor alimentício foi o principal responsável pela expansão dos embarques para o país asiático.

No fluxo inverso, os chineses continuaram liderando entre os fornecedores de bens industriais ao Brasil, com exportações de US$ 70,6 bilhões para o mercado brasileiro.

Argentina impulsiona exportações do setor automotivo

As vendas brasileiras para a Argentina apresentaram forte crescimento em 2025. O país vizinho importou US$ 18,1 bilhões em produtos brasileiros, avanço de 31,4% em relação ao ano anterior.

O principal motor desse desempenho foi o setor automotivo, que registrou aumento de 57,2% nas exportações. Veículos de passeio, caminhões e autopeças lideraram os embarques destinados ao mercado argentino.

FONTE: Poder 360
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Poder 360

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Indústria

Escassez de ácido sulfúrico ameaça indústria global e pressiona agronegócio e tecnologia

A intensificação do conflito no Oriente Médio e as restrições no Estreito de Ormuz provocaram uma forte turbulência no mercado internacional de ácido sulfúrico, considerado um dos insumos mais importantes da economia mundial. Conhecido como o “sangue da indústria”, o composto químico é essencial para diversos setores produtivos e sua falta já acende um alerta em cadeias estratégicas ao redor do planeta.

Crise afeta fertilizantes, chips e baterias

A redução na oferta global do produto impacta diretamente a fabricação de fertilizantes agrícolas, elevando os custos de produção no campo e pressionando os preços dos alimentos. Ao mesmo tempo, segmentos ligados à tecnologia, como a produção de semicondutores e chips eletrônicos, também enfrentam dificuldades de abastecimento.

Outro setor atingido é a mineração de metais utilizados em baterias elétricas, fundamentais para a indústria de veículos eletrificados e armazenamento de energia. Especialistas apontam que o problema deixou de ser regional e se transformou em uma ameaça global para a segurança industrial e econômica.

Dependência logística expõe fragilidade do mercado

A crise também revelou a vulnerabilidade das cadeias internacionais de suprimentos e a forte dependência de rotas comerciais consideradas estratégicas. Empresas de diferentes países passaram a enfrentar aumento expressivo nos custos operacionais para garantir o fornecimento mínimo do insumo químico.

Em vários mercados, indústrias já operam sob risco de paralisações e redução de produção, cenário que compromete margens de lucro e amplia a insegurança em setores considerados essenciais para a economia global.

Estratégia e diversificação ganham importância em 2026

Diante do cenário de instabilidade, cresce a pressão para que empresas adotem medidas de resiliência estratégica. Entre as alternativas avaliadas estão a diversificação de fornecedores, a busca por substitutos químicos e o fortalecimento de parcerias regionais para reduzir a dependência de mercados instáveis.

A nova realidade do comércio internacional reforça a necessidade de adaptação rápida das companhias frente à fragilidade das commodities essenciais e aos riscos geopolíticos que impactam diretamente a indústria mundial.

FONTE: Maxiquim
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Shutterstock

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Importação

Gecex zera imposto de importação para 692 produtos e amplia estímulo à indústria

A redução do imposto de importação para 692 itens foi aprovada durante reunião do Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), realizada na última semana. A medida busca facilitar o acesso a insumos e equipamentos estratégicos, além de impulsionar setores industriais no país.

Medida alcança medicamentos, insumos e tecnologia

Entre os produtos beneficiados com a alíquota zero de importação, estão medicamentos voltados ao tratamento de diabetes e à redução de efeitos colaterais da quimioterapia. Também entram na lista proteínas utilizadas em suplementos alimentares, itens para controle de tráfego aéreo e insumos aplicados na fabricação de detergentes.

A decisão amplia o acesso a produtos considerados essenciais e contribui para a redução de custos em cadeias produtivas específicas.

Foco em bens industriais sem produção nacional

A maior parte das reduções tarifárias envolve Bens de Capital (BK) e Bens de Informática e Telecomunicações (BIT). Ao todo, 685 itens contemplados são utilizados em processos industriais e não possuem fabricação no Brasil.

Com isso, o governo pretende estimular a modernização da indústria e aumentar a competitividade de segmentos que dependem de tecnologia e equipamentos importados.

Estratégia inclui fortalecimento de setores produtivos

Além da isenção do imposto de importação, o Gecex também deliberou medidas voltadas ao fortalecimento da indústria nacional, com foco em áreas como metalurgia, embalagens e produção de baterias elétricas.

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de desenvolvimento industrial, combinando redução de custos com incentivo à inovação.

A lista completa das decisões está disponível nos canais oficiais da Camex.

FONTE: MDIC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Magnific

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