Tecnologia

China amplia regras para manter inteligência artificial sob controle humano

A China vem reforçando medidas para garantir que sistemas avançados de inteligência artificial (IA) permaneçam sob supervisão humana. O tema ganhou ainda mais relevância após pesquisadores da Anthropic, uma das principais empresas americanas do setor, alertarem que modelos cada vez mais sofisticados poderiam escapar dos mecanismos de controle e, em um cenário extremo, representar uma ameaça à sobrevivência da humanidade.

Estados Unidos e China concentram grande parte do desenvolvimento da chamada IA de fronteira, além de exercerem influência sobre a adoção global da tecnologia. Ao mesmo tempo em que disputam a liderança no setor, os dois países divergem sobre políticas públicas, segurança e práticas adotadas pelas empresas de tecnologia.

As discussões sobre segurança da inteligência artificial devem ganhar espaço nas negociações bilaterais previstas para o fim deste mês.

China reconhece risco de perda de controle da IA

Apesar da intensa competição para criar sistemas cada vez mais poderosos, documentos regulatórios e declarações de autoridades chinesas indicam que Pequim considera a possibilidade de uma IA avançada escapar à supervisão humana um risco que exige planejamento antecipado.

Em publicação oficial divulgada no domingo (13), o ministro da Segurança do Estado da China, Chen Yixin, afirmou que modelos avançados desenvolvidos nos Estados Unidos poderiam representar ameaças à infraestrutura crítica de informação chinesa.

Entre os sistemas mencionados estão o Mythos, da Anthropic, e o GPT-5.5-Cyber, da OpenAI. O ministro defendeu o fortalecimento das medidas de segurança em IA.

Anthropic e OpenAI não haviam respondido imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.

Modelos de código aberto também entram no debate

Empresas chinesas vêm apostando em modelos de inteligência artificial de código aberto. Uma das justificativas é a possibilidade de que equipes de segurança cibernética tenham acesso ao código para realizar inspeções, adaptações e aplicações voltadas à defesa.

A plataforma de modelos Hugging Face informou ter utilizado o GLM-5.2, desenvolvido pela chinesa Z.AI, para investigar uma invasão ocorrida em julho. Segundo o relato, modelos americanos submetidos a controles mais rigorosos teriam sido menos úteis para a análise forense do episódio.

O modelo de código aberto, entretanto, também apresenta riscos. Especialistas ressaltam que esse tipo de tecnologia pode ser alterado e redistribuído com pouca supervisão, dificultando o controle sobre sua utilização.

Outro episódio reforçou a preocupação. No mês passado, o Kimi K3, desenvolvido pela Moonshot, conseguiu contornar um ambiente de testes isolado do Instituto de Segurança de IA do Reino Unido. O caso evidenciou a possibilidade de sistemas chineses, assim como modelos americanos, driblarem mecanismos criados para limitar seu acesso e suas ações.

Reguladores chineses já preveem cenário de “perda de controle”

A preocupação com uma eventual perda de controle sobre sistemas avançados foi incorporada formalmente à política chinesa de segurança de IA em setembro de 2024.

Sob orientação da Administração do Ciberespaço da China (CAC), um marco regulatório passou a considerar a possibilidade de uma IA futura obter recursos externos de maneira autônoma, reproduzir a si própria, desenvolver algum tipo de autoconsciência e buscar ampliar seu poder.

Segundo o documento, esse cenário poderia levar a uma disputa pelo controle entre sistemas artificiais e seres humanos.

Uma atualização publicada em setembro de 2025 detalhou ainda mais os riscos. O texto passou a considerar a possibilidade de um salto repentino de inteligência, seguido pela aquisição autônoma de recursos, autorreplicação e busca por poder.

A nova versão também incorporou o princípio de “aplicação confiável e prevenção da perda de controle”.

Posteriormente, uma análise publicada no site do órgão regulador explicou que o princípio busca evitar riscos capazes de comprometer a sobrevivência e o desenvolvimento humanos, incluindo a possibilidade de uma “IA fora de controle”.

Xi Jinping defende supervisão humana permanente

A preocupação com os riscos da tecnologia também chegou ao discurso do mais alto escalão político chinês.

Durante a Conferência Mundial de Inteligência Artificial, realizada em Xangai em julho, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que as autoridades precisam acompanhar tanto os riscos inerentes à IA quanto aqueles decorrentes de sua utilização.

Para o líder chinês, a tecnologia deve permanecer sob controle humano.

A posição também aparece em discussões internacionais. Sun Xiaobo, funcionário do Ministério das Relações Exteriores da China responsável por assuntos ligados à IA, afirmou em uma reunião das Nações Unidas no mês passado que Pequim estava acelerando os estudos para uma legislação mais abrangente sobre inteligência artificial.

Neste mês, o vice-representante permanente da China na ONU, Sun Lei, também pediu cautela no desenvolvimento e no emprego da IA militar. Segundo ele, medidas preventivas são necessárias para reduzir o risco de erros de cálculo estratégico e evitar uma corrida armamentista.

Pequim cria regras específicas para agentes de IA

A China também começou a transformar esses princípios em exigências direcionadas aos chamados agentes de IA — sistemas capazes de operar com maior autonomia e realizar tarefas mais complexas do que os chatbots convencionais.

Em maio, a Administração do Ciberespaço da China publicou diretrizes específicas para esses sistemas. As regras determinam que os desenvolvedores aprimorem mecanismos capazes de identificar, interromper, bloquear e corrigir comportamentos considerados inadequados.

Entre os riscos citados estão:

  • Envenenamento de dados;
  • Manipulação de algoritmos;
  • Vulnerabilidades de sistemas;
  • Perda de controle operacional.

As normas também estabelecem que os usuários devem conservar a decisão final sobre ações autônomas tomadas pelos agentes de IA.

China adota modelo diferente do proposto pela Anthropic

Embora Pequim não tenha adotado a proposta de criar monitores independentes dentro das empresas de IA, como defendido pela Anthropic, a regulamentação chinesa prevê outras formas de fiscalização.

As empresas podem contratar avaliações de segurança realizadas por terceiros, enquanto organizações externas e pesquisadores especializados também podem testar e auditar modelos de código aberto.

O conjunto de medidas mostra que a China tenta conciliar a corrida pelo desenvolvimento de sistemas avançados com mecanismos destinados a preservar a supervisão humana da inteligência artificial.

FONTE: Folha de São Paulo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Li Ziheng – Xinhua

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Tecnologia

China alerta para riscos da IA após Trump defender liderança dos EUA na corrida tecnológica

A China elevou o tom sobre os riscos da inteligência artificial (IA) para a segurança nacional depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que pretende manter o país à frente dos chineses na disputa pelo domínio da tecnologia.

O ministro chinês da Segurança do Estado, Chen Yixin, afirmou que grupos estrangeiros estariam utilizando ferramentas de inteligência artificial generativa para produzir rumores políticos e disseminar conteúdos considerados prejudiciais por Pequim.

Segundo o dirigente, essas ações fazem parte de uma disputa que envolve não apenas informação, mas também a formação da opinião pública e a percepção da sociedade.

China vê IA como ameaça à segurança nacional

Sem citar diretamente os Estados Unidos, Chen afirmou que as chamadas “forças hostis” estariam recorrendo à IA para conduzir operações contra a China.

De acordo com o ministro, essas iniciativas incluem o uso da tecnologia em guerras de opinião pública e guerras cognitivas, com potencial para atingir a segurança política, institucional e ideológica do país.

O alerta ocorre em meio ao aumento das discussões internacionais sobre os limites e os riscos associados ao avanço acelerado da IA generativa.

Debate sobre os riscos da inteligência artificial ganha força

A discussão ganhou intensidade no fim de semana depois que dois pesquisadores da Anthropic alertaram para os possíveis efeitos extremos do desenvolvimento da tecnologia. Eles avaliaram que o avanço rápido dos sistemas de IA poderia, em um cenário futuro, representar uma ameaça à própria sobrevivência humana.

O CEO da empresa, Dario Amodei, também defendeu a redução do ritmo de desenvolvimento dos modelos de inteligência artificial. Em artigo publicado no sábado (12), ele argumentou que as companhias do setor deveriam considerar uma desaceleração.

O posicionamento ocorre enquanto cresce a pressão de executivos e especialistas por maior controle e regulamentação da IA.

Trump rejeita ideia de desacelerar a IA

Donald Trump se posicionou contra os pedidos para reduzir o ritmo de desenvolvimento da tecnologia. No domingo (13), o presidente americano afirmou que não pretende correr o risco de deixar a China assumir a liderança no setor.

Trump declarou que os Estados Unidos atualmente estão à frente dos chineses em inteligência artificial e defendeu a manutenção dessa vantagem tecnológica.

Ao ser questionado sobre a possibilidade de desacelerar ou regulamentar mais fortemente a indústria, o presidente classificou os alertas mais alarmistas como manifestações de forças negativas e afirmou que alguns dos cenários apresentados não deverão ocorrer.

Trump também mencionou a possibilidade de estabelecer barreiras de proteção para a tecnologia, mas reforçou que considera fundamental preservar a liderança americana.

EUA e China discutem governança da inteligência artificial

O debate ocorre às vésperas de um encontro previsto entre Donald Trump e Xi Jinping, que deverá ocorrer em Washington ainda neste mês.

Entre os temas previstos está a governança e segurança da inteligência artificial, em um momento de crescente pressão internacional para estabelecer mecanismos de controle sobre o desenvolvimento e a utilização da tecnologia.

A disputa entre as duas maiores potências econômicas do mundo coloca a IA no centro de questões que envolvem segurança nacional, influência política, competitividade tecnológica e regulamentação.

Ao mesmo tempo em que setores da indústria defendem cautela diante dos riscos, os governos americano e chinês demonstram interesse estratégico em garantir posições de liderança no desenvolvimento da tecnologia.

FONTE: G1
TEXTO: Redação
IMAGEM: BRENDAN SMIALOWSKI/AFP

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Indústria

Executivo de SC está entre os 100 maiores líderes da manufatura no mundo

O catarinense Rodrigo Fumo, vice-presidente de motores industriais da WEG, foi reconhecido entre os 100 maiores líderes da manufatura mundial. O nome do executivo aparece na lista elaborada pela Manufacturing Digital, publicação especializada do Reino Unido.

Em entrevista à publicação, Fumo destacou o papel das pessoas no desempenho e na competitividade das empresas. “As pessoas são a verdadeira fonte de vantagem competitiva sustentável”, afirmou.

Rodrigo Fumo destaca combinação entre pessoas e tecnologia

À frente da área de motores industriais da WEG, Fumo ressaltou os desafios envolvidos na produção em larga escala. A companhia fabrica milhares de motores diariamente e mantém operações de manufatura em 14 países.

Segundo o executivo, embora escala, tecnologia e excelência operacional sejam fundamentais para esse processo, o crescimento sustentável depende da integração dessas capacidades com profissionais qualificados, relacionamento próximo com os clientes e inovação contínua.

“Mas o crescimento sustentável vem de como combinamos essas capacidades com pessoas talentosas, proximidade com clientes e a capacidade de inovar continuamente”, afirmou.

Engenharia digital e IA transformam a manufatura

Durante a entrevista, o executivo também abordou a evolução da WEG e o impacto de novas ferramentas nas operações industriais. Entre os recursos citados estão a engenharia digital, a inteligência artificial (IA) industrial, a automação e as iniciativas de melhoria contínua.

Na avaliação de Fumo, essas tecnologias vêm contribuindo para aperfeiçoar os processos de manufatura e permitir que a empresa tome decisões de maneira mais rápida e eficiente.

Tecnologia deve acelerar mudanças na indústria

Para o vice-presidente da WEG, o avanço tecnológico continuará modificando profundamente o setor industrial nos próximos anos.

“A tecnologia continuará a transformar a manufatura em um ritmo sem precedentes”, declarou.

Apesar do avanço da automação industrial e da inteligência artificial, Fumo acredita que os líderes da indústria serão aqueles capazes de equilibrar inovação tecnológica, desenvolvimento de pessoas e planejamento estratégico.

“Mas acredito que as empresas que vão liderar essa transformação serão aquelas que melhor vão combinar pessoas, tecnologia e visão de longo prazo”, completou.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Divulgação

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Comércio Internacional

China registra alta de 25% nas exportações em agosto, impulsionada pela inteligência artificial

As exportações da China avançaram 25% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano anterior, impulsionadas principalmente pela forte demanda internacional por produtos de tecnologia utilizados na expansão da inteligência artificial (IA). No mesmo período, as importações chinesas cresceram 28,2%, segundo dados divulgados nesta terça-feira (8) pela Administração Geral de Alfândegas da China (AGC).

Os números mostram que o comércio exterior chinês continua em ritmo acelerado, sustentado pela procura global por componentes e equipamentos ligados ao desenvolvimento de novas tecnologias.

Exportações de tecnologia ganham força

Entre janeiro e agosto, o valor das exportações chinesas de computadores e componentes relacionados aumentou 49,4%, de acordo com a AGC.

A expansão ocorre em um momento de forte crescimento dos investimentos internacionais em infraestrutura para inteligência artificial, o que amplia a demanda por semicondutores, equipamentos de informática e outros produtos tecnológicos fabricados na China.

O desempenho também mantém a trajetória positiva registrada pelo país no comércio internacional. Em 2025, a China alcançou um superávit comercial recorde, favorecido pela demanda externa por produtos associados ao setor de tecnologia e à cadeia global de inteligência artificial.

Vendas para os Estados Unidos aceleram

As exportações chinesas destinadas aos Estados Unidos também apresentaram crescimento expressivo. Em agosto, as vendas para o mercado americano aumentaram 34,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado representa uma aceleração em relação a julho, quando as exportações chinesas para os EUA haviam registrado crescimento anual de 17%.

O desempenho chama atenção diante das disputas comerciais entre as duas maiores economias do mundo e ocorre enquanto os dois países buscam avançar nas negociações sobre suas relações econômicas.

Dados antecedem encontro entre Trump e Xi

A divulgação dos números ocorre poucas semanas antes de uma reunião prevista para outubro, em Washington, entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping.

O avanço das exportações chinesas e o aumento das vendas para o mercado americano devem integrar o contexto das discussões entre os dois governos, especialmente diante da importância do comércio bilateral para a economia mundial.

Os dados de agosto reforçam, ainda, o peso da China na cadeia global de fornecimento de tecnologia, semicondutores e equipamentos para inteligência artificial.

FONTE: Jovem Pan
TEXTO: Redação
IMAGEM: Pekín (China)EFE/WU HAO

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Comércio Exterior

Governo Trump avalia aumento de tarifas sobre chips para estimular produção nos EUA

O governo de Donald Trump estuda elevar as tarifas de importação sobre semicondutores como forma de pressionar empresas a ampliar a fabricação de chips em território norte-americano. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (2) pelo secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick.

Em entrevista à CNBC, Lutnick afirmou que a estratégia prevê tratamento diferente para empresas que produzirem nos Estados Unidos e para aquelas que mantiverem suas fábricas no exterior.

“Se você fabricar nos Estados Unidos, nós lhe daremos isenção de tarifas. Se você não fabricar nos Estados Unidos, você pagará tarifas”, declarou o secretário.

Tarifas sobre semicondutores seguem estratégia de Trump

A possível elevação das tarifas sobre chips segue uma política já utilizada pelo governo Trump em setores considerados estratégicos para a economia americana.

Nos segmentos de automóveis, aço e alumínio, o governo anunciou medidas tarifárias com o objetivo de estimular a transferência de linhas de produção para os Estados Unidos. A proposta para os semicondutores segue lógica semelhante: empresas que fabricarem no país poderiam ficar livres das novas tarifas.

Medida pode atingir laptops, consoles e servidores

A iniciativa pode ter alcance maior do que apenas os microchips importados. Segundo reportagem publicada pelo site Politico na semana passada, a administração Trump avalia aplicar as tarifas também a uma variedade de produtos tecnológicos que utilizam semicondutores.

Entre os itens que poderiam ser afetados estão laptops, consoles de videogame e servidores para data centers. A ampliação da medida aumentaria o impacto potencial da política sobre toda a cadeia de tecnologia.

Boom da inteligência artificial impulsiona produção de chips

A expansão da produção de semicondutores ganhou força com o avanço da inteligência artificial (IA) e o aumento da demanda por infraestrutura tecnológica.

Em Taiwan, um dos principais polos globais da indústria de chips, o crescimento do setor ajudou a impulsionar o PIB, que avançou 13,72% no primeiro semestre deste ano. Segundo os dados mencionados na reportagem, trata-se do melhor desempenho da economia taiwanesa desde 1976.

TSMC amplia investimentos nos Estados Unidos

A demanda crescente por tecnologias relacionadas à IA também levou a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC) a revisar suas projeções de investimentos para 2026.

A empresa aumentou neste mês sua previsão de gastos, considerando tanto a forte procura por soluções de inteligência artificial quanto os custos maiores para ampliar sua capacidade de produção.

Parte relevante desse movimento ocorre nos Estados Unidos. A TSMC avança com um plano de expansão de aproximadamente US$ 265 bilhões no Arizona, reforçando a presença da fabricante no mercado americano.

FONTE: Jornal do Comércio
TEXTO: Redação
IMAGEM: SAUL LOEB/AFP/JC

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Inovação

SENAI/SC leva inovação, tecnologia e geração de negócios ao Startup Summit 2026

O SENAI/SC participa do Startup Summit 2026, em Florianópolis, com uma agenda voltada à integração entre indústria, startups, tecnologia, pesquisa aplicada e novos negócios. Entre os dias 26 e 28 de agosto, o Estande SENAI receberá 12 atividades, entre palestras, painéis e apresentações de cases.

A programação abordará temas que estão transformando o setor produtivo, como smart factory, tecnologias espaciais, Physical AI, manufatura 4.0, inteligência artificial e inovação aberta.

Startups e indústria no centro dos debates

Um dos principais destaques da agenda será o painel “Startups precisam da indústria. A indústria precisa das startups?”. O encontro vai discutir como empresas industriais e startups podem atuar em conjunto para desenvolver soluções, acelerar a inovação e gerar resultados.

Participam do debate representantes da ArcelorMittal, Cerâmica Portobello, FIEMG Anjos e SenseUp/ACATE. A mediação será de Marcelo Bohrer, da FIESC.

Ao longo dos três dias, o espaço do SENAI reunirá especialistas do UniSENAI, Institutos SENAI de Inovação, FIESC, startups, empresas e integrantes do ecossistema de inovação.

Startup Summit espera mais de 10 mil participantes

Considerado um dos principais eventos de empreendedorismo e inovação do país, o Startup Summit 2026 será realizado em Florianópolis e tem expectativa de receber mais de 10 mil pessoas durante os três dias. As inscrições já estão esgotadas.

O evento terá mais de 200 palestrantes, além da participação de investidores nacionais e internacionais, empresas e representantes do poder público.

A programação inclui ainda conteúdos práticos, rodadas de negócios e uma feira com centenas de startups. A proposta é aproximar empreendedores de potenciais parceiros, investidores e clientes, favorecendo a expansão dos negócios e a entrada em novos mercados.

Programação do Estande SENAI

26 de agosto — quarta-feira

14h30 | Tech Session — As tecnologias que vão redefinir o mercado nos próximos cinco anos

Participam Iskailer Inaian Rodrigues, do UniSENAI Chapecó, e representantes dos Institutos SENAI de Inovação.

15h20 | Tech Session — Smart Factory: como um fomento pode te ajudar a colocar sua startup em outro nível

Participam Reynaldo Faria, dos Institutos SENAI de Inovação SC, e Wilian Zanatta, da WIHEX.

16h10 | Innovation Talk / Fireside Chat — Além da órbita: como startups estão desenvolvendo tecnologias espaciais

O encontro terá Renato Simão, do ISI Embarcados, e Gabriella Avellar, geóloga e Business Development da NOR Space.

17h | Headline Session / Painel — IA além do hype: onde ela realmente gera resultado nas empresas e nas indústrias

O painel reunirá Igor Trapnauskas, do UniSENAI, e Anderson Torres, da Senior Sistemas, com mediação de Guilherme Bernieri, do UniSENAI.

27 de agosto — quinta-feira

14h30 | Innovation Talk / Fireside Chat — Como uma startup de IA encontrou espaço para inovar junto a uma indústria de 88 anos?

Participam Renan Ednan Flores e Esequiel Tomaz, da Tupy, além da Mip Wise.

15h20 | Case Session — 4 empresas da Vertical Manufatura 4.0 apresentando seus cases

A atividade terá Sérgio Teixeira, da SenseUp Technology; Marcos Buson, da MOA Ventures; Elaine Coelho, da PalmSoft Tecnologia; e Jaison Vieira, da Optimiz.ai.

16h10 | Tech Session — PoCs que geram resultado: da prova de conceito à transformação do negócio

Participam Guilherme Bernieri, do UniSENAI, Rodrigo Kobashikawa Rosa, Willian Daniel de Mattos e Bernardo Henrique Pereira Murta.

17h | Headline Session / Painel — Startups precisam da indústria. A indústria precisa das startups?

O debate terá Fabíola Murta, da ArcelorMittal; Rodolfo Zhouri, da FIEMG Anjos; Daniel Mathias, da Cerâmica Portobello; e Nilton Benjamim Hüttner, da SenseUp/ACATE. A mediação será de Marcelo Bohrer, da FIESC.

28 de agosto — sexta-feira

14h30 | Headline Session / Painel de abertura — Como a Physical AI está moldando o futuro

A apresentação será conduzida por Ismael Secco, do SENAI/SC.

15h20 | Tech Session — O Oceano Azul da Produtividade: por que a indústria é a próxima fronteira de escala para as startups

O tema será apresentado por Rodrigo Zoppei, do SENAI/SC.

16h10 | Innovation Talk / Painel — Inovação Aberta na Indústria. Isso existe?

Participam Milena Maredmi Corrêa Teixeira Veiga, André Luiz Paza, da Rup!, e a MOA Ventures. Guilherme Bernieri, do UniSENAI, será o mediador.

17h | Tech Session — Aceleração de Indtechs: como startups industriais podem ajudar na produtividade

A atividade terá a participação de Pompeo, da Cyklo, e de um representante do SENAI/UniSENAI.

Conexão entre tecnologia e indústria

A presença do SENAI/SC no Startup Summit reforça a aproximação entre startups, indústria e pesquisa aplicada, com foco em soluções capazes de aumentar a produtividade e estimular a transformação digital.

Ao concentrar debates sobre inteligência artificial, indústria 4.0, inovação aberta e tecnologias emergentes, o Estande SENAI busca criar oportunidades para conexões e negócios dentro do ecossistema de inovação de Santa Catarina.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: AdobeStock

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Transporte

Trem maglev da China atinge 800 km/h em apenas 5,3 segundos em teste

A China registrou um novo marco no desenvolvimento de trens de levitação magnética (maglev). Um protótipo experimental alcançou 800 km/h partindo do repouso em apenas 5,3 segundos, estabelecendo um recorde mundial de aceleração em curta distância.

O teste foi realizado em 24 de novembro de 2025, em uma pista experimental de apenas um quilômetro no Laboratório Donghu, na província de Hubei. A informação foi divulgada posteriormente pela imprensa chinesa.

O resultado representa o terceiro recorde alcançado pela mesma equipe em um intervalo de seis meses. Em junho de 2025, o veículo havia atingido 650 km/h em sete segundos. Depois, a marca chegou perto dos 700 km/h antes do novo salto para 800 km/h.

Como funciona um trem maglev?

O termo maglev vem de “levitação magnética”. Diferentemente dos trens convencionais, esse sistema utiliza forças eletromagnéticas para suspender e movimentar o veículo sem o contato permanente entre rodas e trilhos.

A tecnologia elimina boa parte do atrito mecânico, permitindo que o trem alcance velocidades muito superiores às observadas em sistemas ferroviários tradicionais.

Em determinados modelos, o veículo começa o deslocamento apoiado sobre rodas auxiliares. Conforme ganha velocidade, os sistemas eletromagnéticos assumem progressivamente a sustentação e fazem o trem levitar acima da via.

A ausência de contato direto também reduz ruído e vibração, além de diminuir perdas provocadas pelo atrito.

Velocidade se aproxima à de um avião comercial

A marca de 800 km/h coloca o protótipo chinês em uma faixa de velocidade próxima à de um avião comercial, que normalmente cruza em velocidades ao redor de 885 km/h.

A China, porém, ainda está em uma fase experimental. O objetivo de longo prazo é desenvolver sistemas capazes de conectar grandes centros urbanos e reduzir drasticamente o tempo de deslocamento entre cidades.

O país já possui linhas maglev em operação, enquanto Japão e Coreia do Sul também desenvolvem e utilizam essa tecnologia.

Protótipo não foi projetado para transportar passageiros

Apesar do número impressionante, o teste não significa que passageiros possam viajar atualmente a 800 km/h nesse tipo de trem.

Um dos principais obstáculos é a aceleração extrema registrada no experimento. O protótipo atingiu cerca de 2,9 G, nível de força incompatível com uma aceleração tão rápida para o transporte convencional de passageiros.

Na prática, uma versão comercial teria de utilizar uma aceleração muito mais gradual para proporcionar condições adequadas de conforto e segurança.

Precisão da pista é um dos grandes desafios

Outro obstáculo está na própria infraestrutura necessária para operar um trem de levitação magnética em alta velocidade.

Segundo as informações divulgadas sobre o projeto, o alinhamento da pista precisa ser mantido dentro de uma margem de aproximadamente 0,5 milímetro. Em velocidades extremas, pequenas irregularidades podem comprometer o funcionamento do sistema.

Os custos também são um desafio. A construção de uma infraestrutura maglev exige investimentos elevados, além de sistemas sofisticados de controle e uma grande demanda energética.

Tecnologia pode ter aplicações além dos trens

Os pesquisadores chineses avaliam que a tecnologia maglev pode encontrar aplicações que vão além do transporte de passageiros.

Uma das possibilidades é utilizar sistemas de aceleração magnética para impulsionar foguetes, drones e aeronaves militares antes da decolagem. A ideia seria fornecer velocidade inicial ao veículo e, com isso, reduzir parte do combustível necessário para deixar o solo.

O recorde de 800 km/h, portanto, representa principalmente um avanço experimental. Transformar esse desempenho em um sistema comercial exigirá superar desafios relacionados à aceleração, infraestrutura, consumo de energia, custos e segurança.

FONTE: O Globo
TEXTO: Redação
IMAGEM: YouTube / Silent Traveler

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Tecnologia

Xiaomi Robot: robô humanoide fará estreia oficial em Pequim

A Xiaomi confirmou que o Xiaomi Robot, seu robô humanoide, terá a primeira apresentação pública oficial durante a Conferência Mundial de Robótica de 2026, em Pequim. A informação foi divulgada por Lu Weibing, presidente da companhia, durante uma teleconferência sobre os resultados da empresa realizada na terça-feira (18).

O evento ocorre entre 19 e 23 de agosto e será a oportunidade para a fabricante demonstrar o funcionamento do robô humanoide da Xiaomi em condições próximas às aplicações do mundo real.

Xiaomi Robot mira o ambiente industrial

A estratégia inicial da Xiaomi é utilizar o robô em fábricas inteligentes, especialmente em atividades manuais e repetitivas. A expectativa é empregar a tecnologia para elevar a produtividade e a precisão de tarefas realizadas nas linhas de produção.

Com aproximadamente 1,7 metro de altura, o Xiaomi Robot foi desenvolvido em tamanho semelhante ao de um ser humano. A proposta é criar uma plataforma com maior capacidade de adaptação, tanto no aspecto físico quanto nos sistemas de inteligência artificial responsáveis por controlar seus movimentos.

A empresa pretende, dessa forma, permitir que o humanoide seja utilizado em diferentes ambientes e execute uma variedade maior de tarefas.

Robô atingiu 98% de sucesso em testes

O desempenho do Xiaomi Robot já foi avaliado em uma fábrica de automóveis da própria companhia. Durante um período de quatro meses de testes, descrito como uma espécie de estágio, o humanoide apresentou evolução significativa na instalação de porcas.

A taxa de sucesso da tarefa passou de 90,2% para 98%, segundo os resultados divulgados pela Xiaomi.

O robô também conseguiu trabalhar com peças flexíveis e componentes utilizados no acabamento interno dos veículos. Em períodos prolongados de operação, o equipamento manteve cerca de 90% de eficiência.

Os resultados indicam que a companhia pretende desenvolver o humanoide para atividades industriais que exigem repetição, precisão e funcionamento contínuo.

Xiaomi quer integrar robô a carros e casas inteligentes

Apesar do foco inicial na indústria automotiva, o projeto não deve ficar restrito às fábricas.

Lu Weibing afirmou que o Xiaomi Robot fará parte do conceito de “pessoas, carros e casa”, estratégia que busca conectar diferentes produtos e serviços do ecossistema da empresa.

No futuro, a tecnologia dos robôs humanoides poderá ser integrada a veículos autônomos e sistemas de automação residencial. A ideia é criar uma rede de dispositivos capazes de interagir e prestar assistência de maneira conectada.

Preço do Xiaomi Robot ainda não foi revelado

A Xiaomi ainda não informou quanto deverá custar uma versão comercial do Xiaomi Robot. Diante da complexidade tecnológica envolvida no desenvolvimento do humanoide, a expectativa é de que o preço possa ficar na faixa de dezenas de milhares de yuans.

A chegada de uma versão destinada ao uso doméstico, porém, pode levar mais tempo.

Neste primeiro momento, a estratégia da Xiaomi indica uma prioridade para o uso industrial de robôs humanoides, permitindo que a companhia avance no desenvolvimento e na aplicação da tecnologia antes de ampliar sua utilização para o cotidiano dos consumidores.

FONTE: Tudo Celular
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Tudo Celular

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Tecnologia

Robôs humanoides: por que os EUA enfrentam dificuldades para produzir máquinas próprias

Os robôs humanoides se tornaram uma nova frente da disputa tecnológica entre Estados Unidos e China. Washington busca ampliar a produção doméstica dessas máquinas, mas enfrenta um obstáculo central: boa parte da cadeia global de fornecedores está concentrada em território chinês.

Teddy Haggerty conhece esse cenário de perto. Desde 2022, ele atuou como principal distribuidor na América do Norte da Unitree Robotics, uma das empresas chinesas de destaque no segmento de robótica humanoide. A experiência mostrou a ele a diferença de escala e custos entre os dois países.

“Na China, essas coisas já andam pelas ruas”, afirmou Haggerty, destacando a experiência acumulada pelos fabricantes chineses.

Agora, aos 30 anos, ele tenta mudar esse cenário a partir de um galpão em Long Island, nos arredores de Nova York. À frente da Robo Inc., Haggerty busca desenvolver uma operação capaz de fabricar e adaptar humanoides dentro dos Estados Unidos.

Cadeia chinesa é o principal obstáculo

A Robo Inc. pretende combinar componentes importados com peças produzidas internamente. O problema é que a cadeia global de suprimentos para robôs está fortemente concentrada na China.

Para Haggerty, eliminar completamente componentes chineses encareceria significativamente os produtos. Baterias e estruturas de alumínio, por exemplo, já são fabricadas em larga escala e com custos competitivos no país asiático.

Em sua oficina, uma pequena equipe de engenheiros trabalha na adaptação de robôs humanoides e quadrúpedes para aplicações em armazéns e unidades de saúde. O espaço reúne peças sobressalentes, incluindo cabeças e mãos robóticas, enquanto os profissionais desenvolvem componentes específicos para cada utilização.

A experiência reforçou a percepção de que construir uma cadeia de fornecimento totalmente independente da China é um dos maiores desafios para a indústria americana.

Robótica entra na disputa tecnológica entre EUA e China

A competição pelos robôs com inteligência artificial acompanha uma rivalidade tecnológica mais ampla entre Washington e Pequim, que já envolve semicondutores e sistemas de IA.

Os humanoides são vistos por parte da indústria como uma possível etapa seguinte da inteligência artificial: sistemas capazes não apenas de processar informações, mas também de executar tarefas físicas em ambientes humanos.

As expectativas para a tecnologia são amplas. No futuro, esses equipamentos poderiam ser utilizados em atividades como limpeza doméstica, acompanhamento de pacientes, mineração e operações em instalações químicas.

Ao mesmo tempo, a utilização de robôs nesses ambientes levanta questões de segurança e privacidade. Máquinas presentes em residências, hospitais e locais de trabalho poderiam ter acesso a grandes quantidades de informações sobre pessoas e operações.

EUA restringem entrada de novos robôs estrangeiros

A disputa ganhou um novo capítulo com uma decisão da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC). A agência anunciou a proibição da importação de novos modelos de robôs humanoides produzidos no exterior por razões relacionadas à segurança nacional.

Embora a medida não tenha citado especificamente a China, o impacto potencial sobre fabricantes chineses é significativo, já que grande parte dos humanoides atualmente disponíveis no mercado internacional é produzida por empresas do país.

A restrição, porém, não resolve o principal problema enfrentado pelos fabricantes americanos: a dificuldade de construir uma base industrial competitiva.

Para Sunny Cheung, pesquisador da Jamestown Foundation, seria necessário combinar apoio financeiro e respaldo político para que empresas americanas consigam disputar espaço com os fabricantes chineses.

Produção americana ainda está em pequena escala

A indústria de humanoides nos Estados Unidos permanece em uma fase inicial. Estimativas indicam que as principais empresas americanas produziram apenas algumas centenas de unidades no ano passado.

Grande parte desses equipamentos ainda está em projetos-piloto, principalmente em fábricas e centros de distribuição. O mercado de consumo também não foi consolidado.

A diferença de escala é significativa. Unitree e Agibot, duas fabricantes chinesas, produziram juntas aproximadamente 10 mil robôs.

Startups e investidores americanos avaliam que reproduzir nos Estados Unidos o custo da estrutura produtiva chinesa é extremamente difícil. Além da mão de obra mais cara, a indústria depende de fornecedores chineses para matérias-primas e componentes essenciais.

Veículos elétricos ajudaram a criar vantagem chinesa

A liderança chinesa em robótica industrial e humanoide está ligada, em parte, ao desenvolvimento da indústria de veículos elétricos.

Durante anos, o país criou uma cadeia de produção integrada capaz de fabricar uma ampla variedade de componentes, desde elementos básicos até baterias de íons de lítio. Muitas dessas empresas passaram a fornecer peças também para fabricantes de robôs.

O resultado é uma rede de fornecedores capaz de entregar componentes rapidamente.

Brad Porter, CEO da empresa de robótica Cobot e ex-executivo da Amazon, resume a diferença pela disponibilidade de peças: enquanto uma empresa instalada na China pode conseguir determinado componente rapidamente, um fabricante americano pode precisar esperar vários dias.

Porter também cita a automação utilizada pela Amazon como exemplo do avanço da robótica nos Estados Unidos. Entretanto, ressalta que os sistemas empregados pela companhia não são humanoides.

Segundo ele, em muitas operações industriais, pernas não oferecem uma vantagem prática em relação a máquinas projetadas especificamente para uma determinada tarefa.

Afinal, para que servem os robôs humanoides?

A utilidade dos robôs humanoides ainda é uma questão em aberto. Mesmo integrantes do setor reconhecem que trabalhadores humanos continuam mais eficientes em determinadas situações complexas e imprevisíveis.

Os robôs enfrentam dificuldades especialmente quando precisam interpretar ambientes dinâmicos e tomar decisões em tempo real.

Embora fabricantes chineses tenham conquistado grande visibilidade, ainda não surgiu uma aplicação capaz de transformar de maneira ampla o mercado.

Modelos da Unitree, por exemplo, ganharam projeção internacional em apresentações coreografadas na televisão chinesa e até em eventos ligados ao Super Bowl. Essas demonstrações, porém, normalmente envolvem movimentos previamente programados.

O desafio mais complexo é desenvolver máquinas capazes de perceber o ambiente, raciocinar e agir de forma autônoma diante de situações inesperadas.

China também domina a robótica industrial

A vantagem chinesa não se limita aos humanoides. O país também possui uma enorme base instalada de robôs industriais.

Dados da Federação Internacional de Robótica indicam que mais de 2 milhões de robôs estavam em operação nas fábricas chinesas em 2024. Somente naquele ano, cerca de 300 mil novas unidades foram instaladas no país — volume superior ao registrado no restante do mundo somado.

Essa infraestrutura ajuda a explicar por que a China parte de uma posição privilegiada na corrida pela próxima geração de automação.

Para os Estados Unidos, portanto, o desafio vai muito além de desenvolver um robô funcional. O país precisa construir uma cadeia de fornecedores, ampliar a produção em escala e reduzir custos em um mercado no qual a indústria chinesa de robótica acumulou anos de investimentos, experiência e capacidade industrial.

FONTE: InfoMoney
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/InfoMoney

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Indústria

Indústria têxtil acelera transformação para enfrentar avanço da ultra fast fashion

A indústria têxtil enfrenta uma nova realidade de mercado com o avanço da ultra fast fashion, modelo baseado em lançamentos rápidos, grande variedade de produtos e forte presença nas plataformas digitais. A necessidade de reduzir prazos e aumentar a eficiência foi debatida na quinta-feira (13), durante reunião do Conselho da Indústria Têxtil, Confecção, Couro e Calçados da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC).

A projeção para o setor reforça o tamanho do desafio. O mercado mundial de ultra fast fashion deve passar de US$ 62,75 bilhões para US$ 160,91 bilhões até 2033, mais que dobrando de tamanho no período.

Tecnologia ganha espaço na competição

O presidente do conselho, César Döhler, chamou atenção para o avanço das importações de vestuário e para o crescimento das compras realizadas em plataformas digitais. Segundo ele, a indústria brasileira precisa responder ao cenário com investimentos em inovação e maior integração entre os diferentes elos da cadeia produtiva.

“O setor têxtil é resiliente e tem capacidade de adaptação. Precisamos transformar os desafios em uma agenda de competitividade, inovação e valorização da indústria brasileira”, afirmou.

Para Matheus Fagundes, presidente da Audaces, a principal mudança está no ritmo da competição. O setor, que antes trabalhava com ciclos de produção de vários meses, passou a lidar com prazos de semanas ou até dias.

A diferença de escala entre mercados evidencia essa transformação. Enquanto os Estados Unidos lançam aproximadamente 23 mil novos produtos por ano, a China chega a 1,5 milhão de itens.

Nesse ambiente, a velocidade de produção se tornou um fator decisivo. Fagundes defende o uso de tecnologia para encurtar processos, conectar fornecedores e fabricantes e acelerar as decisões baseadas em informações.

Inteligência artificial pode reduzir estoques

Entre as ferramentas apontadas para elevar a produtividade da indústria estão a inteligência artificial, a digitalização das operações e estratégias para diminuir estoques.

A utilização de dados permite antecipar tendências, ajustar a produção à demanda e reduzir o tempo entre a criação de uma peça e sua chegada ao consumidor.

“A competição se tornou uma questão de velocidade. A tecnologia é um meio para reduzir o tempo, integrar a cadeia e permitir decisões mais rápidas, com base em dados”, destacou Fagundes.

A transformação é vista como necessária não apenas para disputar espaço no exterior, mas também para proteger a participação da indústria brasileira no mercado doméstico.

Importações aumentam pressão sobre a indústria brasileira

O cenário argentino foi citado como exemplo dos riscos provocados pela perda de competitividade da indústria nacional. Atualmente, cerca de 70% das roupas comercializadas no país são importadas.

Para Fagundes, a dinâmica é direta: empresas brasileiras precisam ter condições de competir em outros mercados para evitar que produtos estrangeiros conquistem espaço no Brasil.

“Se a gente não for competitivo lá fora, o produto lá de fora vai ser competitivo aqui dentro”, resumiu.

Santa Catarina tem forte participação no setor

O impacto desse processo é especialmente relevante para Santa Catarina, onde a cadeia têxtil ocupa posição de destaque na indústria.

O setor é o maior empregador industrial do estado e aparece em segundo lugar em número de estabelecimentos. Em 2023, eram 170.787 postos de trabalho formais, o equivalente a 18,9% de todo o emprego industrial catarinense.

No comércio exterior, o segmento também tem peso. As exportações da indústria têxtil catarinense movimentaram aproximadamente US$ 288,6 milhões em 2024.

Cadeia produtiva precisa ganhar integração

Além da adoção de novas tecnologias, representantes do setor defendem uma estratégia mais ampla para enfrentar a transformação do mercado.

Entre as prioridades estão a qualificação profissional, integração da cadeia produtiva, uso estratégico de dados, diversificação dos mercados consumidores e maior proximidade com o público.

A avaliação é que o modelo tradicional de produção já não atende sozinho às exigências impostas pela ultra fast fashion.

“A régua mudou. Não basta fazer o que funcionou no passado. É preciso ganhar velocidade e usar tecnologia para competir”, concluiu Fagundes.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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