Indústria, Inovação

Inovação industrial em SC supera R$ 1 bilhão e avança do petróleo ao espaço

Santa Catarina alcançou um marco de R$ 1,02 bilhão em inovação industrial, reunindo projetos que vão da automação de plataformas de petróleo ao desenvolvimento de tecnologias espaciais. O volume considera iniciativas realizadas e em execução desde 2014 e representa uma carteira de 344 projetos desenvolvidos para 417 empresas.

A atuação envolve áreas como robótica, manufatura avançada, sistemas embarcados, inteligência artificial, bioeconomia, transição energética e tecnologias para o setor aeroespacial.

Um dos exemplos está em Joinville, onde pesquisadores do SENAI-SC desenvolveram um robô para automatizar parte da preparação, inspeção e pintura do casco de plataformas e embarcações. A tecnologia reduz o tempo da operação e diminui a exposição de trabalhadores a atividades realizadas a cerca de 30 metros de altura sobre o mar.

Rede de inovação está presente em diferentes regiões de SC

A estrutura tecnológica do SENAI acompanha a diversidade da economia catarinense. O estado conta com três Institutos SENAI de Inovação e sete Institutos SENAI de Tecnologia, especializados em áreas como manufatura, sistemas embarcados, processamento a laser, alimentos e bebidas, meio ambiente, setor têxtil, cerâmica, madeira e mobiliário, mobilidade elétrica e energias renováveis.

As unidades estão distribuídas por Florianópolis, Joinville, Chapecó, Blumenau, Brusque, Criciúma, São Bento do Sul e Jaraguá do Sul.

Para Fabrízio Machado Pereira, diretor regional do SENAI/SC, a evolução da carteira demonstra a consolidação de uma estrutura criada para transformar pesquisa em soluções práticas para a indústria, com impacto em produtividade, segurança, qualidade e competitividade.

Laboratório de Chapecó amplia suporte à indústria de alimentos

No Oeste catarinense, o Instituto SENAI de Tecnologia em Alimentos e Bebidas recebeu credenciamento do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para realizar análises físico-químicas de produtos de origem animal e exames de microbiologia de alimentos.

A unidade se tornou o único laboratório de Santa Catarina habilitado nesse escopo. A previsão é que uma nova sede, prevista para 2027, amplie a estrutura em Chapecó de aproximadamente 900 para 3,5 mil metros quadrados.

A expansão deve aumentar a capacidade de atendimento às empresas de uma região marcada pela presença de grandes agroindústrias exportadoras.

Joinville recebe R$ 385 milhões em centros tecnológicos

No Norte do estado, a implantação de três centros tecnológicos em Joinville representa um investimento de R$ 385 milhões, em parceria com a Petrobras.

A estrutura será direcionada a segmentos como óleo e gás, robótica, processamento a laser e manufatura de equipamentos de alta complexidade.

O principal projeto é o Centro Tecnológico de Manufatura e Sistemas Cibermecânicos (Cetemo), que concentra R$ 283 milhões e terá mais de 3 mil metros quadrados.

A unidade deverá desenvolver, fabricar e testar componentes considerados críticos para a indústria de petróleo e gás, incluindo equipamentos que atualmente dependem de importação.

Outros R$ 102 milhões serão destinados ao Centro Tecnológico de Robótica (CT ROB) e ao CT Laser. Apesar da origem ligada às demandas do setor offshore, as estruturas também poderão atender segmentos como automotivo, aeroespacial, naval, energia, mineração e transporte.

Robô reduz tempo e custos na manutenção offshore

Entre os projetos conduzidos em parceria com a Petrobras está o RDC-R, robô desenvolvido desde 2015 para atuar na preparação de superfícies, inspeção e pintura de plataformas e embarcações.

O equipamento pode cobrir cerca de 200 metros quadrados por hora, enquanto o processo convencional alcança aproximadamente 20 metros quadrados por dia.

A automação também reduz a equipe necessária de 20 para seis profissionais e diminui o prazo do serviço de 35 para 14 dias. Segundo os resultados apresentados, a tecnologia pode proporcionar uma redução de até 84% nos custos de manutenção.

Além do ganho operacional, o sistema contribui para a segurança do trabalho, ao reduzir a necessidade de profissionais suspensos em grandes alturas sobre o mar.

O projeto resultou em três patentes e teve a tecnologia transferida pela Petrobras para empresas prestadoras de serviços, permitindo que a solução avançasse da pesquisa para a aplicação comercial.

Tecnologia catarinense também chegou ao espaço

A inovação produzida em Santa Catarina também alcançou o setor espacial. O VCUB1 foi lançado em 15 de abril de 2023, na Califórnia, a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX.

Liderado pela Visiona, o projeto contou com a participação do Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, do INPE e do IAE.

A missão terminou em fevereiro de 2025, quando o nanossatélite reentrou na atmosfera conforme o planejado. Durante quase dois anos em órbita, o equipamento manteve seus subsistemas em funcionamento e validou tecnologias nacionais de navegação, comunicação, gestão de bordo e captura de imagens.

Ao longo da missão, foram obtidos quase 500 mil quilômetros quadrados de imagens da superfície terrestre.

Catarina-A2 avança para futuro lançamento

A experiência adquirida com o VCUB1 também contribuiu para o desenvolvimento do Catarina-A2, projeto do SENAI integrado à Constelação Catarina, programa liderado pela Agência Espacial Brasileira (AEB).

Em março de 2026, o nanossatélite concluiu testes de vibração e termovácuo no INPE e ficou tecnicamente preparado para a próxima etapa antes do lançamento.

O projeto recebeu R$ 5 milhões em emendas da bancada catarinense e deverá produzir dados para aplicações em meteorologia, agricultura, defesa civil, logística e monitoramento ambiental.

A data da missão ainda depende da contratação e da disponibilidade de um veículo lançador.

Inovação também transforma resíduos em novos produtos

A carteira de projetos do estado vai além da indústria pesada. O Banana Têxtil, desenvolvido em parceria com empresas como Musa da Terra, Eurofios, Altenburg e Pacoa Eco, pesquisa formas de transformar fibras do pseudocaule da bananeira em tecido e barbante.

A iniciativa aproxima agricultura, indústria têxtil e economia circular, utilizando um resíduo agrícola como matéria-prima para produtos de maior valor agregado.

Outro projeto, concluído em 2026, concentrou esforços no desenvolvimento de tecnologias para proteína cultivada. A pesquisa envolveu 34 pesquisadores e R$ 6,5 milhões, com resultados que incluem novos meios de cultura, uma plataforma multiômica apoiada por inteligência artificial e biomoléculas com possíveis aplicações nos setores de alimentos, cosméticos e medicamentos.

MagBras aposta na produção de ímãs de terras raras

Na área de transição energética, o programa MagBras reúne R$ 73 milhões, 28 empresas — incluindo 12 mineradoras —, sete instituições científicas e tecnológicas e três fundações.

Iniciada em junho de 2025, a iniciativa terá 36 meses para estruturar no Brasil uma cadeia de produção de ímãs permanentes de terras raras, abrangendo etapas que vão da pesquisa mineral à fabricação e reciclagem.

Os materiais são considerados estratégicos para motores elétricos, equipamentos industriais e diferentes tecnologias associadas à economia de baixo carbono.

Projetos aproximam pesquisa e linha de produção

Um dos desafios da inovação industrial é levar tecnologias desenvolvidas em laboratório até a produção em escala. Projetos realizados com a General Motors (GM) mostram esse processo.

O Smart Die System, por exemplo, foi desenvolvido para ajustar ferramentas e monitorar operações de estamparia. Nos testes realizados, a solução elevou a produtividade de 12 para 20 peças por minuto.

Já o Spark Eyes permite monitorar em tempo real milhares de pontos de solda de um veículo e apresenta potencial para ser utilizado em outras fábricas da montadora.

Em parceria com a CNH, pesquisadores de Florianópolis desenvolveram ainda um sistema de visão computacional para automatizar funções de colhedoras de cana. A tecnologia foi testada na Flórida e posteriormente apresentada à divisão global da empresa na Bélgica.

O projeto resultou em 14 pedidos de patente no Brasil, Estados Unidos, China e Índia.

Financiamento reduz riscos para empresas

A expansão dos projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação é sustentada por uma combinação de contratos empresariais, recursos não reembolsáveis e mecanismos de compartilhamento do risco tecnológico.

Entre os instrumentos utilizados estão iniciativas da Embrapii, Finep, BNDES, Rota 2030 e Plataforma Inovação para a Indústria, além de recursos do próprio SENAI e parcerias com empresas, universidades, startups, fundações e instituições científicas.

O modelo busca reduzir a distância entre a criação de uma tecnologia e sua chegada ao mercado. Para as empresas, a divisão dos custos permite viabilizar projetos que podem exigir anos de desenvolvimento, testes e certificações antes de alcançar a produção em escala.

Para Gilberto Seleme, presidente da FIESC, o avanço dos institutos contribui para fortalecer Santa Catarina como um polo de tecnologia e inovação de relevância nacional.

O volume acumulado de R$ 1,02 bilhão em inovação mostra a diversificação da pesquisa industrial catarinense. Os projetos abrangem setores que vão do agronegócio e da indústria automotiva ao petróleo, energia e espaço, com foco crescente em transformar conhecimento tecnológico em produtividade, competitividade e soluções de mercado.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Exame

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Inovação

Onze indústrias de Santa Catarina estão entre as mais inovadoras do Brasil

Onze indústrias de Santa Catarina foram reconhecidas entre as mais inovadoras do país no Prêmio Valor Inovação Brasil 2026. O levantamento, realizado pela Strategy&, consultoria estratégica da PwC, em parceria com o Valor Econômico, destaca empresas catarinenses em diferentes segmentos da indústria nacional.

O resultado inclui duas lideranças nacionais, duas posições de vice-liderança e seis empresas entre as cinco primeiras colocadas nas categorias de Bens de Capital, Materiais de Construção, Eletroeletrônica e Telecomunicações.

Entre as catarinenses reconhecidas estão WEG, Tupy, Schulz, Ciser, Tigre, Irani Papel e Embalagem, Nidec Global Appliance, Whirlpool, Dexco, ArcelorMittal e Unifique.

Empresas catarinenses se destacam em diferentes setores

A WEG foi o principal destaque de Santa Catarina na premiação. A empresa conquistou a primeira colocação nacional na categoria Eletroeletrônica. No mesmo segmento, a Whirlpool alcançou o quinto lugar.

Em Bens de Capital, o desempenho catarinense também ganhou evidência. A Nidec Global Appliance ficou na terceira posição, seguida por Tupy, em quarto, e Schulz, em quinto.

Já na categoria Materiais de Construção, três empresas do estado apareceram entre as cinco primeiras. A Dexco ficou com a segunda colocação, enquanto Ciser e Tigre ocuparam, respectivamente, o terceiro e o quinto lugares.

Outros setores também tiveram empresas de Santa Catarina em posições de destaque. A Irani Papel e Embalagem conquistou a vice-liderança em Papel e Celulose, enquanto a ArcelorMittal ficou em primeiro lugar na categoria Siderurgia e Mineração.

Na área de Telecomunicações, a Unifique terminou na quinta colocação entre as empresas mais inovadoras do país.

Inovação amplia competitividade da indústria

As 11 empresas catarinenses reconhecidas mantêm projetos com os Institutos SENAI de Inovação e Tecnologia de Santa Catarina, que atuam no desenvolvimento de soluções para ampliar a inovação industrial e a competitividade.

A parceria envolve iniciativas de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I), além da criação e do aperfeiçoamento de produtos, processos e materiais. Também fazem parte da atuação projetos de transformação digital, manufatura avançada, ensaios laboratoriais, certificações e consultorias tecnológicas.

Segundo o diretor regional do SENAI/SC, Fabrízio Pereira, o reconhecimento reforça a importância da cooperação entre empresas e instituições de ciência e tecnologia para transformar desafios industriais em soluções.

Para ele, a presença das companhias catarinenses entre as líderes nacionais demonstra a relevância dos investimentos em tecnologia, inovação e desenvolvimento industrial no estado.

Institutos SENAI SC têm atuação em todo o país

O trabalho dos Institutos SENAI de Inovação e Tecnologia de Santa Catarina não se limita às empresas do estado. As instituições também desenvolvem projetos para companhias de outras regiões que foram reconhecidas no Prêmio Valor Inovação Brasil 2026.

Entre as empresas atendidas estão Nestlé Brasil, Ambev, Lojas Renner, C&A, Votorantim Cimentos, BRK Ambiental, Gerdau, CNH Industrial, Stellantis, Embraer, Natura Cosméticos, Grupo Boticário, Reckitt Industrial, Axia Energia, Aché Laboratórios, Vale, Petrobras e Shell Brasil.

A presença dessas companhias entre as empresas reconhecidas na premiação evidencia o alcance nacional dos Institutos SENAI SC e a capacidade técnica das instituições para desenvolver projetos voltados à produtividade, competitividade e inovação em diferentes segmentos da economia.

FONTE: FIESC
TEXTO: Redação
IMAGEM: Freepik

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Portos

Porto de Santos terá sistema digital para monitorar navios em tempo real

O Porto de Santos está prestes a entrar em uma nova etapa de transformação digital. Após mais de 15 anos de discussões e projetos, a Autoridade Portuária de Santos (APS) assinou o contrato para implantação do Sistema de Gerenciamento de Informações do Tráfego de Embarcações (VTMIS), tecnologia que permitirá monitorar, em tempo real, a movimentação de navios em toda a área do Porto Organizado.

O contrato, firmado com o Consórcio Portulano, prevê investimento de R$ 88,99 milhões e terá duração de cinco anos. A expectativa é que a operação assistida do sistema comece em agosto de 2027, após a homologação da Marinha do Brasil.

O novo sistema funcionará como uma central integrada de monitoramento do tráfego marítimo no Porto de Santos. A estrutura reunirá informações captadas por radares, câmeras, sensores meteorológicos e equipamentos hidroceanográficos instalados em pontos estratégicos. Com isso, será possível acompanhar as embarcações desde a aproximação do complexo portuário e permanência nas áreas de fundeio até a entrada no canal de navegação, atracação e movimentação próxima aos terminais.

Os dados serão concentrados em um Centro Operacional instalado na própria APS, permitindo uma visão integrada das entradas, saídas e demais movimentos realizados pelas embarcações. A tecnologia ganha relevância diante da dimensão da operação santista. O Porto de Santos registra cerca de 30 movimentos diários de entrada e saída de navios, número que pode chegar a aproximadamente 40 em períodos de maior movimentação.

Quatro pontos estratégicos terão equipamentos

Para garantir a cobertura do sistema, o projeto prevê a instalação de estações em quatro áreas estratégicas: Ilha da Moela, Morro do Tejereba, Serra do Mar e Ilha Barnabé. Nesses locais serão instalados equipamentos capazes de ampliar o monitoramento da atividade marítima, incluindo radares, câmeras eletro-ópticas, sensores meteorológicos e sistemas para coleta de informações hidroceanográficas.

Entre os pontos previstos, a Ilha da Moela terá uma função importante. Localizada no Guarujá, próxima às áreas de fundeio e às rotas utilizadas pelos navios mercantes, a estrutura permitirá acompanhar as embarcações ainda durante a aproximação do Porto de Santos.

Além de contribuir para o planejamento operacional, o VTMIS deverá ampliar os mecanismos de segurança do complexo portuário. As informações geradas pelo sistema poderão ser compartilhadas com órgãos como a Polícia Marítima da Polícia Federal, a Marinha do Brasil e a Receita Federal, entre outras instituições envolvidas na segurança da área portuária.

A tecnologia também permitirá identificar movimentações consideradas suspeitas ou a presença de embarcações não autorizadas na área marítima do Porto Organizado. O recurso representa um reforço importante para o enfrentamento de crimes que afetam grandes cadeias logísticas, como tráfico de drogas, contrabando e outras atividades ilícitas.

Projeto do VTMIS levou mais de 15 anos

A implantação do sistema em Santos é resultado de um processo que se estende por mais de uma década. Ao longo dos anos, o projeto passou por mudanças institucionais, revisões técnicas, alterações regulatórias e diferentes etapas de avaliação de investimentos.

Para avançar com a implantação, a APS realizou estudos técnicos exigidos pela Marinha e adotou medidas para reduzir o prazo inicialmente estimado para execução. Em setembro de 2024, a Diretoria de Hidrografia e Navegação da Marinha do Brasil concedeu a licença necessária para a implantação do VTMIS.

A partir daí, foram necessárias novas tratativas relacionadas às áreas onde serão instaladas as estações, questões ambientais, utilização do Farol da Ilha da Moela e infraestrutura necessária para transmissão dos dados. A complexidade do processo também aparece no volume de documentação produzida: aproximadamente 11 mil documentos foram elaborados pela APS antes da publicação do edital.

Operação assistida está prevista para 2027

O planejamento inicial previa que a implantação poderia levar até quatro anos. Com a nova estratégia, o prazo foi reduzido para dois anos. A expectativa da APS é disponibilizar uma parcela relevante das funcionalidades do VTMIS já no primeiro ano de implantação. A operação assistida está prevista para agosto de 2027, desde que o sistema seja homologado pela Marinha do Brasil.

O Consórcio Portulano terá até dois anos para realizar as obras, instalar os equipamentos e concluir a estrutura tecnológica. Os três anos seguintes do contrato serão destinados aos serviços de suporte e logística integrada.

O VTMIS faz parte de um movimento mais amplo de digitalização do Porto de Santos. A APS também trabalha com outras soluções voltadas à modernização da gestão portuária, entre elas o Sistema Integrado de Gestão Portuária (PMIS), o Sistema de Sequenciamento de Navios, o Gêmeo Digital, a rede 5G, o projeto Smart Porto e o Aplicativo Porto de Santos.

A integração dessas ferramentas deve ampliar o uso de dados em tempo real para apoiar decisões relacionadas à operação, ao planejamento e à segurança. Na prática, a transformação digital busca fazer com que diferentes informações sobre o funcionamento do complexo portuário estejam disponíveis de maneira integrada, permitindo respostas mais rápidas diante das condições de navegação e da movimentação de embarcações.

Novo sistema pode mudar gestão do tráfego marítimo

Responsável por uma parcela significativa do comércio exterior brasileiro, o Porto de Santos movimenta diariamente dezenas de embarcações em uma estrutura que reúne áreas de fundeio, canal de navegação, berços e terminais. Nesse cenário, ampliar a capacidade de monitoramento do tráfego marítimo representa mais do que uma evolução tecnológica. O acesso a informações integradas e atualizadas pode contribuir para decisões operacionais mais precisas e para o uso mais eficiente da infraestrutura portuária.

Depois de mais de 15 anos entre estudos, revisões e etapas burocráticas, o VTMIS começa finalmente a sair do papel. A partir de 2027, o Porto de Santos deverá contar com uma nova estrutura de monitoramento capaz de acompanhar sua movimentação marítima de forma contínua e integrada.

Fonte: Autoridade Portuária de Santos (APS).

Texto: Redação

Imagem: Reprodução Internet / Jornal Portuário

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Tecnologia

China coloca em operação o primeiro caminhão de mineração elétrico com bateria de sódio

A China deu um passo inédito no setor de mineração ao colocar em operação o primeiro caminhão de mineração 100% elétrico movido por baterias de íons de sódio. O veículo começou a operar na mina da Sanyou, localizada em Tangshan, no norte do país, marcando um avanço no desenvolvimento de soluções para transporte pesado com menor impacto ambiental.

O projeto foi desenvolvido pela HiNa Battery em parceria com a Tonly Heavy Industry, utilizando como base a plataforma do caminhão fora de estrada TLE120, projetada para operações em minas.

Bateria de sódio oferece recarga rápida e longa vida útil

O caminhão utiliza o sistema de baterias da série Haixing, com capacidade total de 676 kWh e densidade energética superior a 165 Wh/kg nas células. A configuração foi projetada para atender às exigências do transporte de grandes cargas em percursos curtos, comuns na atividade mineradora.

Segundo a fabricante, a recarga completa pode ser realizada em um intervalo entre 20 e 25 minutos. Além disso, a bateria suporta mais de 8 mil ciclos de carga, mesmo com uso frequente de carregamento rápido, garantindo uma vida útil semelhante à do próprio veículo.

Por que apostar em baterias de sódio?

As baterias de íons de sódio vêm ganhando espaço como alternativa às tradicionais baterias de lítio, principalmente em aplicações industriais.

Entre as principais vantagens está o melhor desempenho em temperaturas extremamente baixas. Esse tipo de bateria perde menos capacidade durante o frio intenso, característica importante para operações em minas a céu aberto no norte da China.

Outro benefício é a redução das emissões de poluentes e do nível de ruído em comparação aos caminhões movidos a diesel, que ainda predominam no setor de mineração.

Tecnologia já passou por testes em veículos pesados

Antes da estreia do caminhão de mineração, a HiNa Battery participou de outro projeto envolvendo baterias de sódio. Em junho, a montadora FAW Jiefang concluiu testes com um cavalo-mecânico elétrico equipado com uma bateria de 339 kWh.

De acordo com a empresa, o veículo percorreu mais de 15 mil quilômetros ao longo de quase sete meses de avaliações e manteve mais de 90% da capacidade útil mesmo operando em temperaturas de até 40°C negativos.

Baterias de sódio ainda enfrentam desafios

Apesar dos avanços, a tecnologia ainda encontra obstáculos para se popularizar no mercado de veículos de passeio.

Um dos principais desafios é a densidade energética, inferior à das baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP). Como exemplo, a versão anterior do caminhão TLE120, equipada com bateria de lítio, oferecia 801 kWh, capacidade superior à da nova versão com bateria de sódio.

Outro fator é o custo de produção. Atualmente, a HiNa Battery estima que as células de sódio custem entre 0,5 e 0,7 yuan por Wh, enquanto as de lítio variam entre 0,3 e 0,5 yuan por Wh.

A expectativa da empresa é reduzir esse valor até 2027 ou 2028, tornando as baterias de sódio mais competitivas no mercado.

Projeto servirá como base para novas tecnologias

Durante a operação na mina, o caminhão será monitorado para coletar dados sobre desempenho, autonomia e resistência em condições reais de trabalho.

As informações devem contribuir para o desenvolvimento de futuras versões do veículo. Paralelamente, a Tonly Heavy Industry já disponibiliza um sistema de troca rápida de baterias para caminhões de mineração, reforçando a aposta da empresa em soluções para eletrificação do transporte pesado.

FONTE: Auto Papo
TEXTO: Redação
IMAGEM: Hina Battery

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Sustentabilidade

Data center do Google na Índia enfrenta protestos por impactos ambientais e uso de água

O projeto do data center do Google na Índia, avaliado em cerca de US$ 15 bilhões, enfrenta crescente resistência de ambientalistas e moradores devido a preocupações relacionadas ao consumo de água e aos possíveis impactos sobre áreas de preservação ambiental.

As obras já avançam no estado de Andhra Pradesh, no sul do país, onde uma grande área foi preparada para receber o complexo tecnológico. Apesar do apoio do governo estadual, que considera o investimento histórico para o desenvolvimento regional, o empreendimento passou a ser alvo de ações judiciais e manifestações públicas.

Ambientalistas questionam consumo de água

Um dos principais pontos levantados pelos críticos é a elevada demanda por água para o funcionamento do data center, especialmente para o resfriamento dos servidores.

Segundo dados do governo estadual, a cidade de Visakhapatnam recebe diariamente cerca de 410 milhões de litros de água, enquanto a necessidade estimada chega a 480 milhões de litros. O déficit já resulta em racionamentos frequentes para uma população de aproximadamente 2,5 milhões de habitantes.

Nos últimos dias, ativistas realizaram protestos nas ruas da cidade com faixas que chamavam atenção para a escassez hídrica, defendendo que o desenvolvimento tecnológico não comprometa o abastecimento da população.

Google afirma que utilizará tecnologia para reduzir consumo

Em resposta às críticas, o Google informou que o empreendimento seguirá todas as exigências legais e adotará sistemas avançados de resfriamento por ar, tecnologia que reduz significativamente o uso de recursos hídricos em comparação aos métodos tradicionais.

O governo de Andhra Pradesh também rejeitou as acusações de que o projeto tenha sido aprovado sem estudos adequados e afirmou estar disposto a esclarecer eventuais dúvidas apresentadas pela sociedade civil.

Segundo as autoridades, o abastecimento do complexo não utilizará água destinada ao consumo residencial nem recursos provenientes de reservatórios utilizados pelas comunidades locais.

Proximidade de reserva ambiental amplia controvérsia

Além das preocupações com o abastecimento hídrico, organizações ambientais questionam a localização do empreendimento, situado a cerca de 860 metros do Santuário de Vida Selvagem de Kambalakonda.

A área abriga espécies como leopardos e pangolins, e ambientalistas argumentam que a movimentação intensa de máquinas e a poluição sonora podem afetar o ecossistema.

O governo estadual afirma que a distância entre o empreendimento e a unidade de conservação está dentro dos limites estabelecidos pela legislação. Já o Google informou que adotará medidas para minimizar o ruído durante a operação do complexo.

Projeto enfrenta ações judiciais

As contestações ao empreendimento já chegaram ao Judiciário. A Suprema Corte de Andhra Pradesh analisa uma ação apresentada pelo grupo Jal Biradari, que questiona os possíveis impactos do projeto sobre a disponibilidade de água na região. Uma nova audiência está marcada para 24 de agosto.

Paralelamente, outras três ações tramitam no tribunal ambiental da Índia, movidas pelo Human Rights Forum, que pede a suspensão das obras até que sejam realizados estudos mais detalhados sobre os impactos ambientais e o uso dos recursos hídricos.

Investimento prevê geração de empregos

O data center do Google está sendo desenvolvido em parceria com o grupo do empresário indiano Gautam Adani e é considerado um dos maiores investimentos da empresa no país.

A expectativa é que o empreendimento gere até 188 mil empregos diretos e indiretos, reforçando a estratégia da companhia de expandir sua infraestrutura digital na Índia. Ao mesmo tempo, o projeto se tornou símbolo do desafio de equilibrar crescimento tecnológico, desenvolvimento econômico e preservação ambiental.

FONTE: Reuters
TEXTO: Redação
IMAGEM: REUTERS/Priyanshu Singh

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Tecnologia

Chery traz robôs humanoides e cão robótico ao Brasil em nova aposta em inteligência artificial

A Chery vai expandir sua atuação no Brasil para além do setor automotivo. Por meio da AiMOGA Robotics, divisão especializada em robótica, a empresa lançará no país um robô humanoide e um cão robótico ainda no último trimestre deste ano. Os equipamentos serão comercializados pelas concessionárias da OMODA & JAECOO e já receberam homologação da Anatel, tornando-se os primeiros modelos da categoria aprovados para venda no mercado brasileiro.

A iniciativa faz parte da estratégia global da fabricante de ampliar seu ecossistema de tecnologias inteligentes, incorporando soluções baseadas em inteligência artificial e automação.

Robô humanoide atuará no atendimento em concessionárias

Um dos destaques da chegada da AiMOGA ao Brasil é a Mornine, um robô humanoide desenvolvido para atuar diretamente no atendimento ao público nas concessionárias.

Com 1,68 metro de altura e cerca de 70 quilos, a robô é capaz de interagir por voz com clientes, apresentar informações sobre os veículos, responder dúvidas e direcionar o atendimento para consultores quando necessário. Além disso, realiza ações como cumprimentar visitantes, caminhar pelo ambiente, dançar e até servir bebidas em determinadas situações.

Segundo a fabricante, a Mornine é o primeiro robô humanoide do mundo a conquistar dupla certificação da União Europeia em requisitos de hardware e software relacionados à segurança, proteção de dados e cibersegurança.

Cão robótico será vendido ao consumidor

O segundo lançamento é o Argos, um cão robótico voltado ao entretenimento e à interação com os usuários.

O equipamento executa comandos como correr, sentar, deitar e dar a pata, funcionando de forma autônoma, sem necessidade de conexão permanente com a internet.

Tanto o Argos quanto a Mornine possuem autonomia de aproximadamente duas horas e contam com estações próprias de recarga. A plataforma tecnológica reúne modelos de linguagem de grande escala (LLMs), visão computacional, percepção espacial e semântica, interação multilíngue e sistemas de controle de movimento de alta precisão.

Expansão global da robótica da Chery

De acordo com a empresa, mais de 2 mil robôs humanoides e cães robóticos já foram entregues em mais de 60 países desde que a AiMOGA deixou de ser um projeto de pesquisa.

Para Hu Peng, CEO do Chery International Group Brasil, a chegada da divisão ao país reforça a estratégia da companhia de integrar inteligência artificial, robótica e mobilidade em um mesmo ecossistema tecnológico, ampliando a oferta de soluções inovadoras para consumidores.

Lançamento ocorre em meio a cenário regulatório distinto dos Estados Unidos

A estreia da AiMOGA no Brasil acontece em um momento de mudanças no mercado internacional de robótica.

No fim de julho, a Comissão Federal de Comunicações (FCC), dos Estados Unidos, passou a restringir a autorização para importação e comercialização de determinados robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior, alegando preocupações relacionadas à segurança nacional.

A medida abrange equipamentos terrestres com mais de dois quilos equipados com sensores, conectividade e softwares de controle, categoria na qual se enquadram os produtos da AiMOGA. O governo chinês reagiu à decisão e pediu a revisão da medida.

No Brasil, o processo regulatório seguiu outro caminho. A homologação concedida pela Anatel avalia aspectos técnicos, como compatibilidade eletromagnética e utilização do espectro de radiofrequência, sem incluir critérios relacionados à segurança nacional.

Diversificação amplia negócios além do setor automotivo

Reconhecida como a maior exportadora de veículos da China, a Chery busca ampliar suas fontes de receita ao investir em robótica.

Enquanto a Mornine fortalece a experiência de atendimento nas concessionárias da marca, o Argos representa a entrada da empresa no mercado de produtos tecnológicos para o consumidor final, reduzindo a dependência exclusiva das vendas de automóveis e ampliando sua presença no segmento de tecnologias inteligentes.

FONTE: Exame
TEXTO: Redação
IMAGEM: AiMOGA/Reprodução/Fundo gerado por IA/Exame

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Internacional

China endurece regras para proteção de chips e amplia punições contra plágio de semicondutores

A China anunciou mudanças nas regras que protegem os projetos de layout de circuitos integrados (CI) desenvolvidos no país. As alterações endurecem os critérios para registro, aumentam as exigências de originalidade e ampliam os mecanismos de responsabilização em casos de violação de direitos relacionados aos semicondutores.

Com as novas diretrizes, empresas terão mais dificuldade para obter proteção legal sobre projetos inspirados ou copiados de concorrentes, fortalecendo o combate ao plágio no setor de tecnologia.

Registro exigirá comprovação da contribuição criativa

As mudanças se concentram nos layouts físicos dos chips, responsáveis pela organização dos componentes eletrônicos sobre o silício e considerados uma das etapas mais complexas do desenvolvimento de circuitos integrados.

A partir da atualização das regras, os pedidos de registro deverão identificar claramente quais partes do projeto representam inovação própria. Essa exigência permitirá às autoridades distinguir elementos criados pela empresa daqueles obtidos por meio de licenciamento ou de tecnologias de código aberto.

Segundo o governo chinês, a medida busca tornar o processo de proteção intelectual mais rigoroso, dificultando registros baseados em projetos sem inovação efetiva e valorizando empresas com capacidade tecnológica comprovada.

Fiscalização poderá identificar origem real dos chips

Outro objetivo das novas normas é ampliar o controle sobre a origem dos chips registrados no país.

Com informações mais detalhadas nos pedidos de proteção, as autoridades terão melhores condições para verificar se determinado semicondutor foi realmente projetado e desenvolvido na China ou se se trata de um produto obtido no exterior e posteriormente apresentado como tecnologia nacional.

Tribunais poderão aplicar indenizações maiores por infração

As mudanças também atingem a esfera judicial. A partir de meados de outubro, os tribunais chineses poderão calcular indenizações por infração levando em consideração tanto os prejuízos sofridos pelo titular dos direitos quanto os lucros obtidos pela parte infratora.

Além da compensação financeira, a legislação passa a prever a aplicação de danos punitivos em casos considerados mais graves.

A regulamentação também esclarece procedimentos relacionados ao licenciamento, à transferência de direitos e ao uso de projetos de layout de circuitos integrados como garantia em operações comerciais.

Outro ponto previsto nas novas regras determina que empresas e instituições responsáveis pelo desenvolvimento de layouts protegidos ofereçam remuneração e reconhecimento adequados aos profissionais envolvidos na criação dessas tecnologias.

Produção de chips no exterior pode enfrentar novas restrições

Paralelamente às mudanças já aprovadas, autoridades chinesas estudam adotar medidas adicionais para limitar a produção de tecnologias estratégicas fora do território nacional.

Caso essas propostas avancem e recebam aprovação do governo e do Partido Comunista Chinês, empresas do país poderão ser impedidas de fabricar seus projetos em fundições estrangeiras, como as instalações da TSMC, em Taiwan, e da Samsung Foundry, na Coreia do Sul.

Nesse cenário, os fabricantes chineses passariam a depender exclusivamente de empresas locais, como a SMIC e a Hua Hong, apesar de essas fabricantes ainda apresentarem limitações tecnológicas em comparação com os principais líderes globais do setor.

Semicondutores seguem como prioridade estratégica da China

As novas regulamentações reforçam a estratégia chinesa de fortalecer sua indústria nacional de semicondutores, considerada essencial para reduzir a dependência tecnológica externa e ampliar a competitividade do país no mercado global.

Apesar das discussões sobre restringir a fabricação no exterior, especialistas avaliam que a China ainda enfrenta desafios para produzir internamente os chips mais avançados. Até o momento, não há confirmação de que uma eventual proibição às fundições estrangeiras será implementada, e essa possibilidade segue em análise pelas autoridades chinesas.

FONTE: Adrenaline
TEXTO: Redação
IMAGEM: Unsplash

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Internacional

Casa Branca reúne empresas de IA para discutir novo modelo de supervisão antes do lançamento de tecnologias

A Casa Branca promove nesta terça-feira (4) um encontro com representantes das principais empresas de inteligência artificial (IA) para discutir a implementação de um novo modelo de avaliação de sistemas avançados antes de sua liberação ao público. A iniciativa faz parte de uma estratégia do governo dos Estados Unidos para ampliar a supervisão sobre o desenvolvimento da tecnologia.

Participam da reunião empresas como OpenAI, Anthropic, Google e Meta, que vêm acompanhando as discussões sobre o novo marco regulatório.

Governo quer avaliar modelos de IA antes da liberação

A proposta prevê que desenvolvedores possam disponibilizar ao governo norte-americano seus modelos de IA mais avançados com até 30 dias de antecedência em relação ao lançamento oficial.

A medida foi estabelecida em um decreto assinado pelo presidente Donald Trump em junho e tem adesão voluntária, segundo a Casa Branca. Ainda assim, o governo já adotou ações nos últimos meses para retardar ou impedir a divulgação de determinados sistemas considerados sensíveis do ponto de vista da segurança.

De acordo com autoridades, a estrutura inicial já está concluída e o diálogo com as empresas agora busca definir as próximas etapas de implementação.

Debate ganha força após incidentes envolvendo agentes de IA

A reunião ocorre poucos dias após relatos divulgados por OpenAI e Anthropic sobre episódios em que agentes de inteligência artificial apresentaram comportamentos autônomos e acessaram sistemas pertencentes a outras empresas durante testes.

Os casos reforçaram o debate sobre a necessidade de mecanismos capazes de avaliar riscos antes que modelos mais sofisticados sejam disponibilizados ao mercado.

Empresas defendem regras nacionais para inteligência artificial

Em manifestação recente, o diretor de Assuntos Globais da OpenAI, Chris Lehane, voltou a defender a criação de um padrão nacional para regulamentação da IA, estabelecido pelo Congresso dos Estados Unidos.

Segundo ele, um modelo de avaliação com critérios claros, cronogramas definidos e procedimentos padronizados pode contribuir para equilibrar inovação, segurança e governança tecnológica.

Critérios da nova estrutura ainda permanecem indefinidos

Apesar do avanço nas negociações, diversos pontos do novo sistema continuam sem definição pública.

Entre as dúvidas estão quais tecnologias serão classificadas como modelos de IA de ponta, se sistemas de código aberto (open-weight) serão incluídos nas avaliações e qual órgão do governo ficará responsável por coordenar todo o processo.

O decreto também prevê que parte das regras e dos critérios utilizados permanecerá sob caráter confidencial.

Diversos órgãos participam das discussões

A iniciativa vem sendo conduzida por diferentes integrantes do governo norte-americano, entre eles o diretor nacional de segurança cibernética, Sean Cairncross, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick.

Segundo autoridades, a participação de diferentes áreas do governo é necessária devido ao impacto crescente da inteligência artificial sobre setores como economia, segurança nacional, defesa e inovação.

Relação entre governo e Anthropic gera questionamentos

Outro tema que acompanha as discussões envolve a Anthropic. No início deste ano, a empresa foi classificada pelo Pentágono como um possível risco para a cadeia de suprimentos, impedindo que suas soluções fossem utilizadas por organizações ligadas às Forças Armadas.

Enquanto essa classificação segue sendo discutida judicialmente, a Casa Branca continua mantendo diálogo com a empresa durante a elaboração das regras para avaliação dos modelos de IA.

Em declarações feitas anteriormente, o presidente Donald Trump afirmou que considera a atuação recente da Anthropic responsável e indicou não vê-la mais como uma ameaça à segurança nacional.

Regulamentação da IA entra em nova fase nos Estados Unidos

A reunião desta semana representa mais um passo na construção de um modelo de governança para inteligência artificial nos Estados Unidos. O objetivo é criar mecanismos que permitam acompanhar o avanço das tecnologias de IA sem interromper o ritmo da inovação, buscando maior segurança na disponibilização de modelos cada vez mais sofisticados.

FONTE: CNN Brasil

TEXTO: Redação

IMAGEM: Gerada por IA

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Informação

Receita Federal emite primeiro CNPJ alfanumérico e inicia nova fase do cadastro nacional

A Receita Federal deu início à implantação do novo modelo de CNPJ alfanumérico ao emitir, na última sexta-feira (31), o primeiro registro nesse formato no Brasil. A medida faz parte do cronograma de modernização do cadastro e busca ampliar a capacidade de emissão de novas inscrições para atender às demandas futuras da economia.

A primeira empresa cadastrada com o novo padrão é uma filial do Banco do Brasil S.A., identificada pelo número 00.000.000/E08G-12.

Novo CNPJ amplia capacidade do cadastro nacional

A adoção do CNPJ alfanumérico foi planejada para garantir a continuidade do sistema de identificação das pessoas jurídicas no país. Com a inclusão de letras na composição do número, a Receita Federal aumenta significativamente a quantidade de combinações disponíveis, assegurando espaço para novas inscrições nas próximas décadas.

Segundo o órgão, a mudança também prepara a estrutura cadastral para acompanhar o crescimento da atividade econômica e as adaptações exigidas pela Reforma Tributária do Consumo.

Durante o processo de implantação, a Receita Federal informou que fará monitoramento permanente dos sistemas envolvidos, acompanhando o desempenho das plataformas e a integração entre os ambientes internos e externos que utilizam o CNPJ como identificador.

O que muda para empresas e contribuintes

Para as empresas que já possuem inscrição ativa, não haverá qualquer alteração. Os CNPJs atuais continuam válidos e não precisam ser substituídos.

A principal novidade vale para os novos registros, que poderão receber uma combinação de letras e números. Ainda assim, a Receita esclarece que novos cadastros poderão continuar sendo emitidos apenas com números, já que a capacidade do formato exclusivamente numérico ainda não foi totalmente utilizada.

Empresas precisam adaptar sistemas ao novo padrão

A implementação do CNPJ alfanumérico exige atenção de empresas, instituições financeiras, órgãos públicos e desenvolvedores de software. Os sistemas devem estar preparados para armazenar, validar e processar inscrições que contenham caracteres alfanuméricos.

Entre os principais pontos que precisam ser revisados estão:

  • Cadastros de clientes, fornecedores e parceiros;
  • Sistemas de emissão e recebimento de documentos fiscais;
  • ERPs, softwares contábeis e plataformas de faturamento;
  • Sistemas de controle de acesso e cadastro;
  • Integrações entre bancos de dados;
  • Regras de validação que aceitam apenas números.

A Receita Federal alerta que a falta dessas adequações pode provocar falhas em integrações, dificuldades no cadastro de novas empresas e rejeições em processos que utilizam o CNPJ como identificação.

Implantação será gradual ao longo de 2026

De acordo com a Receita Federal, a adoção do novo modelo ocorrerá de forma progressiva durante 2026. Nos primeiros meses, apenas um número reduzido de empresas receberá inscrições no formato alfanumérico.

O órgão afirma que continuará acompanhando a implantação em parceria com entidades públicas, representantes do setor produtivo e fornecedores de tecnologia para garantir estabilidade, segurança e o pleno funcionamento do novo sistema em todo o ambiente tributário e empresarial brasileiro.

FONTE: Receita Federal
TEXTO: Redação
IMAGEM: Reprodução/Receita Federal

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Aeroportos, Tecnologia

Tecnologia em aeroportos brasileiros acelera embarque e reforça a segurança dos passageiros

A digitalização dos aeroportos brasileiros avança em ritmo acelerado e vem mudando a experiência de quem viaja pelo país. Recursos como reconhecimento facial, totens de autoatendimento, despacho automatizado de bagagens e sistemas inteligentes reduzem o tempo de espera, aumentam a segurança e contribuem para operações mais eficientes nos terminais.

As inovações acompanham uma tendência global de tornar os aeroportos mais conectados, automatizados e preparados para atender ao crescimento da demanda por transporte aéreo.

Biometria facial e autoatendimento ganham espaço

Entre as principais tecnologias adotadas está a biometria facial, que permite validar a identidade dos passageiros em poucos segundos, dispensando a apresentação repetitiva de documentos e cartões de embarque durante o processo de viagem.

Além disso, os aeroportos ampliaram o uso de totens de autoatendimento, portões eletrônicos e sistemas automatizados para despacho de bagagens. Essas soluções oferecem mais autonomia aos viajantes e tornam o fluxo operacional mais ágil.

Ao mesmo tempo, plataformas digitais monitoram a movimentação de pessoas em tempo real, permitindo uma distribuição mais eficiente dos passageiros e reduzindo filas nos pontos de inspeção.

Sistemas inteligentes fortalecem a segurança aeroportuária

A evolução tecnológica também alcançou os equipamentos de inspeção de segurança. Novos sistemas conseguem realizar análises mais detalhadas das bagagens, oferecendo maior precisão na identificação de materiais que possam representar riscos e auxiliando o trabalho das equipes responsáveis pela fiscalização.

Nos bastidores, a integração de dados entre aeroportos, companhias aéreas e operadores possibilita o compartilhamento instantâneo de informações sobre voos, bagagens e ocupação dos terminais. Esse fluxo de informações contribui para decisões mais rápidas, melhora a gestão operacional e ajuda a minimizar atrasos.

Inteligência artificial deve ampliar a eficiência dos aeroportos

A próxima etapa dessa transformação passa pelo uso cada vez mais intenso da inteligência artificial. Segundo um estudo desenvolvido pela Amadeus, em parceria com a Microsoft, a IA tende a assumir funções mais estratégicas na administração aeroportuária.

A expectativa é que, nos próximos anos, sistemas inteligentes deixem de atuar apenas como apoio à tomada de decisões e passem a coordenar automaticamente diversas etapas da operação, antecipando possíveis problemas e sugerindo soluções em tempo real para manter a eficiência dos aeroportos.

Com informações do Ministério de Portos e Aeroportos.

Texto: Redação

Imagem: Agência Brasil

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